5 de junho de 2026

“Agora está provada toda essa armação”, diz desembargador que tentou soltar Lula em 2018

"Sofri muita perseguição, tive que andar com segurança", diz Favreto ao lembrar do imbróglio de 4 anos atrás
O desembargador Rogério Favretto durante uma live
Reprodução: Youtube/TV Fórum

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Rogério Favreto, disse nesta segunda-feira (2) que “agora está provada toda essa armação” que a Lava Jato fez para impedir que Lula fosse solto em julho de 2018 e pudesse disputar a eleição presidencial daquele ano.

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Favreto, em plantão no TRF-4, recebeu um habeas corpus movido por deputados do PT, requerendo a soltura do ex-presidente Lula, preso em virtude do caso triplex, sob a batuta de Sergio Moro. Favreto acolheu o recurso e mandou a Polícia Federal em Curitiba soltar Lula, mas uma manobra conjunta de Moro com a presidência do TRF-4 impediu que a ordem de Favreto fosse executada.

“Ninguém recorreu da minha decisão. Um detalhe que poucas pessoas sabem: o procurador que estava de plantão entrou no mesmo dia com um pedindo de reconsideração. Eu analisei os argumentos e mantive [minha decisão]. Ninguém recorreu. Houve toda uma manobra para usar argumentos que não eram cabíveis e derrubar a decisão. Tinham que recorrer ao STJ ou Supremo”, comentou Favreto.

Em entrevista ao programa Fórum Café, no canal da Revista Fórum no Youtube, Favreto disse que a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, reconhecendo que Lula não teve um julgamento justo e imparcial na Lava Jato, provou que o ex-presidente foi alvo de lawfare – o uso de instrumentos jurídicos para promover perseguições contra desafetos políticos.

“Eu não estava descumprindo a decisão do Tribunal e do Supremo Tribunal quanto à prisão em segunda instância, mas estava discutindo o direito de liberdade quanto pré-candidato que estava sendo violado de todas as formas. E agora está provado toda essa armação, esse lawfare que foi”, disse Favreto ao jornalista Mauro Lopes, da Fórum.

As revelações da Vaza Jato e a consolidação da aliança entre Moro e Jair Bolsonaro também compõem o conjunto de provas que atestam o lawfare na Lava Jato, afirmou Favreto, que à época da revogação da prisão de Lula, foi acusado de fazer política.

“Era eu quem fazia política? Quem é que logo depois disso soltou uma gravação, uma delação às vésperas da eleição, aceitou o convite para ser ministro [da Justiça] com a promessa de ser ministro do Supremo e agora é candidato, filiado a partido? Ele [Moro e o Deltan [Dallagnol] são candidatos. Mas agora a máscara caiu”, disparou Favreto.

O desembargador foi vítima de perseguição após a decisão de acolher o habeas corpus. Garantista, Favreto já foi filiado ao PT, mas afastou-se da militância após entrar no Judiciário e nega na entrevista que tenha amizade com Lula ou os deputados que impetraram o recurso naquele julho de 2018.

Ele fez declarações defendendo o direito à ampla defesa e à presunção de inocência. “Sofri muita perseguição, tive que andar com segurança e fiz representações na Polícia Federal contra pessoas que me ameaçaram, mas não deu em nada. A história vai fazer justiça a esses fatos.”

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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6 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    2 de maio de 2022 12:31 pm

    Uma quadrilha subterrânea tomou o Brasil literalmente de assalto.
    Tudo o mais são,detalhes. E essa quadrilha não vai soltar o osso. Exceto se forçada, vai continuar extraindo até a última gota de sangue.
    Olho na Globo!

  2. Raimundo.

    2 de maio de 2022 2:06 pm

    A justiça foi feita. Parabéns Favettro

  3. Maria do RJ

    2 de maio de 2022 11:47 pm

    Aquele dia que o senhor mandou soltar LULA foi um dia de grande surpresa e apreensão e depois de uma punhalada pelas costas dos bandidos da lava jato, moro e todos os outros. Mas seu nome vai ficar na história, pode crer, Dr. Favreto, grande homem. Um abraço fraterno e toda a felicidade do mundo, por ser justo e democrático e acreditar na inocência do nosso eterno Presidente.

  4. Lucimar Cardoso

    3 de maio de 2022 5:50 am

    Eu foi muito difícil assistir toda armação da lava jato.

  5. Cesar Cusatis

    3 de maio de 2022 9:51 am

    Rogério Favreto, como você sobreviveu naquela caterva que é a TRF-4? Faz falta juizes como você no país. Parabens.

  6. Ricardo Cunha

    8 de maio de 2022 1:26 pm

    A politização da Justiça tem transformado juízes em candidatos e procuradores em engavetadores (ou em coisa pior, como a afamada força tarefa…).

    Felicito o Sr. Desembargador pela justa reparação em sua reputação.

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