Alta de juros nos EUA permanece sem definição

Ontem, 17 de agosto, aconteceu a tão aguardada reunião do Federal Reserve System (FED) nos Estados Unidos. A ata do encontro era esperada pelo mercado financeiro, já que a reunião tem influência direta na economia mundial.

A informação mais importante é relativa ao novo aumento das taxas de juros que pode acontecer em breve. Apesar do entendimento geral de que a medida é adequada, por enquanto os dirigentes preferem aguardar novos dados antes de decidir pela alteração.

Uma das informações que é entendida como crucial neste momento é a inflação. Muitos dirigentes preferem esperar até que sintam mais segurança de que a inflação chegará ao nível estimado pelo FED, de 2%. Todavia, outra parcela dos participantes considera o aumento da taxa como algo já certo, uma vez que os EUA caminha para um cenário de recuperação do mercado de trabalho.

Nas reuniões anteriores, o colegiado mostrou pouco consenso em relação à situação. Contudo, a alternativa permaneceu em aberto, já que as disparidades quanto às perspectivas econômicas e à possível data de aumento das taxas de curto prazo foram amenizadas.

O documento publicado ontem também declarou que o colegiado debateu a atual abordagem de longo prazo da política monetária. Porém, nenhuma atitude concreta deve ser tomada tão logo. Outro tema discutido foi o Brexit, a separação entre Reino Unido e União Europeia. A ata indicou que os dirigentes se mostraram ainda receosos quanto às consequências do rompimento.

No fim das contas, a ata de ontem demonstrou que há possibilidade de alta dos juros no próximo mês. Entretanto, o FED não irá tomar uma decisão até que os dados, em especial de inflação e emprego nos Estados Unidos, comprovem perspectivas econômicas mais consolidadas.

A ata, afinal, decepcionou vários investidores. Muitos deles haviam comprado dólares na véspera da reunião com a expectativa de que o encontro determinasse o aumento dos juros ainda em 2016. Assim, haveria uma possível valorização da moeda.

Com o fim da reunião do FED, o principal índice da Bovespa passou a operar em tendência de alta. Somente neste mês de agosto, o Ibovespa avançou 2,67%. No acumulado do ano, já são cerca de 35,7% de valorização.

Expectativa pela ata movimenta o mercado

Com a proximidade da reunião, as expectativas do mercado financeiro aumentavam. A confirmação do aperto nos juros norte-americanos já para setembro poderia causar a elevação do dólar frente ao real e provocar queda das bolsas internacionais, inclusive da Bovespa.

Muitos investidores ficaram em alerta máximo no dia anterior ao encontro. Isso porque William Dudley, atual presidente do FED de Nova York, chegou a admitir que há grandes chances de que a alta de juros pudesse acontecer ainda em setembro. Deste modo, os EUA atrairiam recursos para si, em detrimento de outros países, incluindo o Brasil.

Nas horas que antecederam a divulgação da ata, o clima era de cautela. Os mercados se movimentaram aguardando uma possível definição do órgão, que poderia fortalecer a moeda ianque em relação às principais concorrentes. Também seriam afetadas moedas emergentes e ligadas a commodities.  

Nas principais bolsas ao redor do mundo prevalecia o receio quanto à ata. Os índices acionários mais relevantes de Nova York oscilaram em caráter misto, próximos da estabilidade. Enquanto as principais bolsas europeias se mantiveram em queda, justamente por causa do clima de extrema cautela impulsionado pelo enfraquecimento das cotações de petróleo e pela espera da publicação da ata do FED.

 

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