ANABB se manifesta contra demissões no Banco do Brasil

Associação lista sobrecarga a funcionários restantes e afirma: estratégia digital não pode ser executada com prejuízos ao atendimento presencial

Jornal GGN – O anúncio de reestruturação das operações do Banco do Brasil causará um impacto considerável no atendimento presencial, além de sobrecarregar os profissionais que seguirão no banco, como lembra a ANABB (Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil).

“Em meio à maior crise econômica do País, as medidas anunciadas prejudicam diretamente os recursos humanos do BB, o ativo mais valioso da empresa e responsáveis diretamente pelos resultados esperados pelos acionistas”, diz a instituição, em comunicado assinado pelo presidente da ANABB, Reinaldo Fujimoto, e encaminhado ao presidente do banco, André Brandão.

“Além de sobrecarregar uma rede em que os funcionários têm se desdobrado para prestar serviços de qualidade, alcançar metas e suportar severas pressões e cobranças, a medida desconsidera a realidade brasileira, a dimensão geográfica do País e a necessidade de manter atendimento presencial para milhares de brasileiros”, diz a ANABB, ressaltando a falta de transparência com o processo, “uma vez que não há informações claras a respeito das unidades que serão fechadas”.

“O anúncio pode satisfazer expectativas do mercado de curtíssimo prazo, mas estão na contramão do papel histórico e institucional do Banco do Brasil na economia brasileira, sobretudo em situações de estagnação econômica e de desafios para a retomada do desenvolvimento”, pontua a ANABB.

“Em virtude da complexidade das medidas anunciadas, sem transparência e sem discussão prévia com os funcionários e com as comunidades atingidas, a ANABB reivindica revisão das medidas anunciadas, de forma a preservar não só os interesses dos acionistas, mas também de toda a sociedade”, diz o sindicato, pedindo uma audiência com Brandão para apresentar seu posicionamento e obter mais informações sobre a movimentação informada ao mercado.

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Na última segunda-feira, o Banco do Brasil divulgou comunicado ao mercado anunciando uma série de medidas relacionadas à revisão e redimensionamento de sua estrutura organizacional – dentre elas, está a desativação de 361 unidades de atendimento, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 Postos de Atendimento (PA); a conversão de 243 agências em PA e outros 8 PA serão transformados em agências; e a transformação de 145 unidades de negócios em Lojas BB, sem a oferta de guichês de caixa.

Também foram aprovadas duas modalidades de desligamento incentivado voluntário aos funcionários: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), “a fim de otimizar a distribuição da força de trabalho, equacionando as situações de vagas e excessos nas Unidades do banco”, e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), “disponível a todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos”. A economia líquida anual estimada com despesas administrativas é de R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025.

 

 

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2 comentários

  1. Sou totalmente favorável às demissões. Da totalidade da diretoria que, claramente, com a decisão estapafúrdia anunciada, está sem sombra de dúvida, trabalhando contra o Banco DO BRASIL, por enquanto.

  2. BNDES, CEF, BB… Todos na roda.
    Eu sempre defendi os bancos públicos.
    Primeiro porque os bancos privados não preenchem a necessidade de crédito para investimento das pequenas e medias empresas e não se dispõem a por recursos próprios em linha de crédito para o pequeno e médio produtor rural e para o financiamento da casa própria. Operam nesses nesses nichos com fundos públicos e muito seletivamente.
    Segundo porque com a concentração existente no setor bancário os bancos públicos são a única barreira e instrumento capaz de dar algum espaço para alguma concorrência no setor e impor alguma disciplina nas praticas dos demais.
    Todavia, não consigo deixar de sentir um certo gostinho de “bem feito” quando me lembro quantos funcionários desses bancos vestiram verde e amarelo, fizeram dancinha sincronizada e repercutiram o discurso golpista, oportunista e preconceituoso porque se acharam bem remunerados, seguros em seus empregos, com aposentadoria garantida e distantes do “povão.
    No governo FHC, de quem têm saudades porque não têm memória, nosso gerente de contas, gerente de plataforma do Banco do Brasil, quem – para os que não sabem – atende somente empresas de grande porte, vinha visitar-me de táxi porque não tinha carro. Não porque não quisesse, mas porque o salario não permitia, nem com financiamento do BB. Tanto pediram que conseguiram…

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