
As políticas de conteúdo local sempre se constituíram em instrumento central dos projetos de desenvolvimento nacionais. Nos Estados Unidos, por exemplo, em 1933 o Buy American Act tornou obrigatórias compras de fabricantes locais em projetos de investimento federais, estaduais e municipais.
A razão é simples. É a produção local que gera emprego, desenvolvimento tecnológico, tributos. É o desenvolvimento tecnológico que fornece a argamassa para o nascimento de outros empresas, melhorando o nível dos empregos. É, quando o país se abre para o mundo, as empresas campeãs levam consigo fornecedores nacionais.
Há contra-indicações. Em setores chave, a proteção excessiva para a produção nacional, em intensidade e no tempo, pode produzir acomodamento e imobilismo, principalmente quando o setor é relevante para a cadeia produtiva ou para a produtividade sistêmica da economia.
A política de substituição de importações foi essencial para a industrialização brasileira até os anos 80.
A partir daí, dois fenômenos comprometeram o modelo. No plano global, as novas revoluções tecnológicas e industriais, valorizando as cadeias produtivas e a agilidade de decisões, contra o gigantismo e a burocratização das grandes indústrias integradas. No ano interno, a crise do balanço de pagamentos que paralisou a economia brasileira.
Para separar o joio do trigo, o IEDI (Instituto de Estudos e Desenvolvimento Industrial) encomendou a João Furtado, da Escola Politécnica, um estudo crítico sobre as políticas recentes de conteúdo nacional.
Nos últimos anos, as políticas industriais geraram resultados díspares, constata Furtado. No setor farmacêutico, há resultados bastante positivos com o desenvolvimento de drogas sintéticas e biológicas e um aprendizado tecnológico, embora em velocidade ainda não ideal. No caso da energia eólica, os sucessos são claros, com a internalização de novas tecnologias. No caso do petróleo e gás, as mudanças no panorama internacional tornam difíceis as avaliações. E há os insucessos da Lei de Informática e do Inovar Auto.
Furtado define recomendações e restrições no desenho de políticas de conteúdo local:
• Se as distâncias que separam a base da indústria local do horizonte internacional de referência são muito grandes, a prudência recomenda que a política de conteúdo local não seja instituída antes de uma fase preparatória que reúna os elementos necessários para o preenchimento do hiato identificado.
• Se a mudança na fronteira internacional de referência tecnológica for muito acelerada, talvez a recomendação mais apropriada seja a de evitar investimentos em conteúdo local para além dos pilotos ou segmentos bem delimitados.
• Políticas que imponham custos temporários aos consumidores poderão ser mais factíveis do que políticas que imponham custos ao sistema industrial, evitando a subtração em cascata de competitividade sobre sucessivos segmentos.
• Adoção de uma concepção de extrema seletividade das políticas de conteúdo local, acompanhada do oferecimento de apoios suficientes para o alcance de resultados que assegurem competitividade internacional.
Por fim, a fixação de prazos para o término das políticas, avaliações periódicas dos seus resultados e seu constante aperfeiçoamento.
bobo
28 de julho de 2018 12:34 pmTem que acabar também com os
Tem que acabar também com os cartéis nacionais como no caso do setor de construção e comunicações. A petrobrás poderia pedir orçamentos para uma Construrás que não estaria no cartel privado e identificaria fraudes mais cedo. Tem que ter uma opção pública disputando o mercado com as privadas para evitar conluíos nas áreas que são bilíonárias e estratégicas, como também na telefonia que dá muito lucro e pouco serviço. O exército que não trabalha poderia atuar nessas áreas ao invés de bancar a polícia.
E as empresas estrangeiras e nacionais teriam que investir e abrir laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento, coisa extremamente escassa no país.
bobo
28 de julho de 2018 12:48 pmNa área da informática pelo
Na área da informática pelo lado do software falta o governo criar um ‘appstore’ para criação de um mercado de desenvolvimento. E oferecer os serviçois fundamentais de acesso a informação e privacidade que hoje estão nas mãos das corporações americanas, serviços de busca e redes sociais, por que essas corporações podem censurar e não protegem direitos. O setor automotivo vai importar lixo estrangeiro enquanto se movem para o carro elétrico, a Embraer poderia entrar na área se não for entregue para o inimigo.
ze sergio
28 de julho de 2018 2:51 pmÉ O CAPITALISMO, ESTÚPIDO !!!!
Desde a Revolução Industrial que sabemos que a maior fonte de evolução social, liberdade, desenvolvimento e transferência de renda é o Salário. Mas isto só tem quase uns 300 anos, não é mesmo? Nossa Intelectualidade Tupiniquim ainda conseguirá descobrir o fogo. Ou a roda !! Mas esta mesma Intelectualidade Esquerdopata está de Parabéns. Montou um tripé de Governo de enorme sucesso que já dura quase 1 século: Fascistas, Elite de Esquerda e Ditadura de Quartéis Militares. E um interminável morde-assopra. Sarney, Calheiros defendem Lula. E não o PSDB. Por outro lado Toninho Malvadeza Jr., Agripino Maia, defendem o Tucanato. Que não é defendido pelo PT. PSDB e PT. Duas faces da mesma moeda produzida dentro de Faculdade de Ciências Socias da USP. Obra do Governo Fascista de GV. Como UNE ou OAB. Outras duas Elites produzidas pelo mesmo Governo Fascista, que ascende ao poder dando um Golpe Militar Ditatorial sobre Urnas e Voto Soberano. Parabéns pelo país que produziram nestes 88 anos. Podemos criticar a tudo, menos na sua estratégia de poder. Projeto de longa duração e enorme sucesso. Nossa bárbarie diária e Indústria da Pobreza tem data de fundação e certidão de paternidade. O Brasil é de muito fácil explicação. Industrialização? Conteúdo Nacional? É sério?!!
Franci
28 de julho de 2018 3:38 pmNão adianta
Por mais que se
Não adianta
Por mais que se tente implementar políticas econômicas de desenvolvimento micro e macro regional haverá sempre um porém: os EUA
Um país que lida com sua economia como se gerisse uma empresa não pode deixar seus concorrentes se desenvolverem, por mais que tente, o Brasil ou qualquer outro país da América latina jamais se desenvolverá porque se tornaram autarquias norte americanas
E a maior mentira já contada aos pobres e sua elite burra é a de que devemos evitar o comunismo a todo custo, nem que para isso usemos os meios mais sórdidos para ferrar um país, como o que aconteceu no Brasil
E o Lula e o pt sequer riscaram uma agenda econômica socialista, muito pelo contrário, mas o verdadeiro medo dos Estados unidos não é o comunismo, mas o nosso país se tornar um outro estados unidos, com sua burguesia e indústria própria
Concorrência é inadmissível
Francisco Gabriel
29 de julho de 2018 10:06 amNassif, faz um xadrez da
Nassif, faz um xadrez da privatização da Eletrobras. Está difícil de entender!
Francisco Gabriel
29 de julho de 2018 10:06 amNassif, faz um xadrez da
Nassif, faz um xadrez da privatização da Eletrobras. Está difícil de entender!
Paulo M. Videiro
29 de julho de 2018 6:52 pmEstocando Vento e Sol
E os americanos, heim?
Matéria publicada hoje no NYT (https://nyti.ms/2mBEPGm) informa que correm estudos para utilizar o sistema da Represa Hoover não só para estocar o vento, como também os sol!
Quem mesmo já tinha pensado nisto? Não consigo me lembrar.