4 de junho de 2026

Base policial é montada em terra tradicional dos Tupinambá na Bahia

Sugerido por Almeida

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Do CIMI

Ao invés da conclusão do processo demarcatório, base policial é montada em terra tradicional dos Tupinambá

Patrícia Bonilha, de Brasília

Após realizar a reintegração de posse de duas fazendas localizadas na Serra do Padeiro, no município de Ilhéus, na Bahia, policiais federais e da Força Nacional montaram hoje (28) uma base policial na sede da fazenda Sempre Viva. Com uma infra estrutura que conta com vários colchões, camas, rádio e alguns veículos, os policiais se instalaram na área reivindicada pelos indígenas e, desde 2009, reconhecida pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como território tradicional indígena.

O fato causou indignação no povo Tupinambá, que havia feito a retomada destas fazendas em agosto de 2013. “Nunca pedimos base policial aqui, até mesmo porque não há conflitos na área. O que nós queremos é que devolvam as nossas terras. Há quase cinco anos esperamos que o Ministro da Justiça tire da sua gaveta e assine a portaria declaratória que reconhece os nossos direitos”, afirma Magnólia Tupinambá, diretora da escola indígena.

Segundo informações dos indígenas, os policiais utilizaram a desculpa de realizar a reintegração de posse, para montar esta base policial dentro da terra tradicional. “Desde que foi montada, a base ficou cheia de fazendeiros. Agindo assim, o governo e a polícia explicitam que, ao invés de defenderem direitos constitucionais, eles defendem os interesses dos fazendeiros que invadiram nossas terras. A história nada mudou nestes 500 anos, desde a primeira invasão dos portugueses aqui na Bahia”, declara a diretora.

Os indígenas estavam trabalhando nas roças quando, às 9 horas, 18 veículos da polícia chegaram na sede da fazenda. Segundo informações passadas aos Tupinambá por um funcionário da Funai, todos os pertences dos indígenas seriam colocados em um cômodo da sede.

No caso da fazenda Conjunto São José, por volta das 11 horas, os policiais teriam colocado as bagagens, alimentos, móveis (fogão, geladeira, armário, etc) em um caminhão e deixado na beira da estrada, próximo à fazenda Floresta, há cerca de 10 km. As reintegrações foram feitas nas duas fazendas, onde 18 famílias estavam morando, sem que houvesse qualquer resistência dos indígenas, que seguiram trabalhando e fazendo seus rituais no mato. 

Segundo informações do delegado que atua em Buerarema, uma nova reintegração de posse será feita na próxima quinta-feira na fazenda Lembrança.

Governo não investe em solução definitiva

A paralisação dos processos de demarcação de territórios indígenas em todo o Brasil tem causado desde o ano passado um considerável aumento dos conflitos envolvendo a disputa de terras. Os indígenas avaliam que muita violência e até mesmo mortes poderiam ser evitadas se o governo finalizasse os processos de demarcação que precisam ainda de alguma providência por parte do poder Executivo.

Exemplo disso é a própria solicitação de suspensão da reintegração de posse da fazenda Conjunto São José, na qual a Funai afirma que ela “foi proferida sem suficiente amparo jurídico, haja vista a existência de relatório circunstanciado, aprovado pelo Presidente da Funai (Despacho n. 24, DOU de 20/04/2009) e já encaminhado ao Ministério da Justiça para homologação da demarcação, o qual reconhece que a área na qual se situa o imóvel litigioso é terra indígena tradicionalmente ocupada, cuja posse e usufruto são exclusivos da Comunidade Tupinambá”.

Apesar de ter indeferido o pedido da Funai, o Desembargador Federal, Mário César Ribeiro, reconheceu que “essa expectativa — da finalização do processo demarcatório pelo Executivo, que geralmente arrasta-se por anos — além de gerar insegurança à população das áreas envolvidas, suscita violência decorrente da disputa da posse de terras entre índios e não índios.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. alexis

    30 de janeiro de 2014 11:42 am

    Policia é do Estado e o Estado somos todos

    Desconheço se existem interesses por trás, mas, a polícia caracteriza a presença do estado que, em tese, é também autoridade perante os índios, e não envolveria invasão, mas apenas prevenção.

    Da minha parte, já estou de saco cheio com os índios, principalmente sabendo do interesse oculto pelas multinacionais. Aquele Raoni em Londres, com Sting falando em ingrés, foi a minha gota de água em relação a esse assunto.

    Hoje, índios de bigode, jeans e óculos Ray-Ban, passeando em camionetas de dupla tração, não é mais que uma cambada de desocupados que brincam de arco e flechas para a imprensa e, no seu sossego, ficam tomando cachaça e brincando pela internet. São seguranças baratos e “ecológicos” que tomam conta de vastos territórios esperando que cheguem do Norte os seus novos “owners”. O Governo que vai fazer, seguir o jogo multinacional?

    Existem interesses de multinacionais de alimentos, fármacos, minérios e etc. que apoiam este tipo de parques temáticos, depois que eles mataram a quase todos os seus índios no hemisfério norte e fazem até filmes para crianças com heróis de pistola e rifle.

    Não existe índio, ele foi derrotado e o seu território conquistado 500 anos atrás, agora é brasileiro, como qualquer um, com direitos e obrigações. Brincar de índio só com música da Xuxa!

    1. BHZ

      30 de janeiro de 2014 1:54 pm

      Atestado público de desinformação

      “Hoje, índios de bigode, jeans e óculos Ray-Ban, passeando em camionetas de dupla tração, não é mais que uma cambada de desocupados que brincam de arco e flechas para a imprensa e, no seu sossego, ficam tomando cachaça e brincando pela internet.”

      Essa sua afirmação demonstra o mais absoluto desconhecimento da realidade da população indígena no País.

      Visite uma reserva indígena antes de falar acintes como esses !!!!!

       

       

      1. alexis

        30 de janeiro de 2014 3:07 pm

        Então é pior!

        Os caras ficaram nus e com arco de flechas mesmo, depois de 500 anos.

        Visitar uma reserva indígena? Que é isso, algúm parque temático? Assim como o Simba Safari, em São Paulo/

         

  2. Gão

    30 de janeiro de 2014 2:40 pm

    “Apesar de ter indeferido o pedido da Funai, o Desembargador”

       Como esse pessoal é bonzinho com o judiciário! os fazendeiros agradecem

    Desmistificando mais uma vez:

     

    os policiais cumpriam dois mandados de reintegração de posse emitidos pela Justiça  Federal em Ilhéus e Itabuna.

    Eram alvo da ação as fazendas Sempre Viva e Conjunto São José, na Serra do Padeiro (Buerarema) – há cerca de 35 mandados de reintegração, disse o delegado..

    Em 25 de outubro, houve reunião entre representantes das etnias Tupinambá, Tumbalalá, Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe com  o governador Jaques Wagner e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Um das ações previstas era a criação de três bases de segurança na região.

    Segundo o delegado federal Alex Cordeiro, a base instalada na Sempre Viva é a segunda das três previstas.

    —-

    http://atarde.uol.com.br/materias/imprimir/1564968

    Diante do aumento da violência contra os povos indígenas na região, o Governo Federal enviou um efetivo da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) para Buerarema, que chegou ao local no dia 19 de agosto….

    No dia 21 de agosto, Guilherme Balza, do Portal UOL, informou que um ônibus escolar indígena e pelo menos mais três carros governamentais, entre eles um carro da FUNASA, também haviam sido queimados. Entrevistada por Balza, Magnólia Tupinambá denunciou que os Tupinambá que moram na área urbana também estão sendo ameaçados pelos fazendeiros locais.

    http://www.conflitoambiental.icict.fiocruz.br/index.php?pag=ficha&cod=30

     

     

    1. Almeida

      31 de janeiro de 2014 5:40 am

      Não é o governo pusilânime, a culpa agora é do judiciário.

      O governo se recusa a demarcar as terras dos índios e o judiciário leva a culpa. A demarcação encerra as disputas no judiciário, se houver decreto do executivo demarcando o que é do índio, o judiciário acatará a demarcação. A foto mostra quem é “esse pessoal”:

  3. Almeida

    30 de janeiro de 2014 8:30 pm

    Os “comunistas” transgênicos.

    Retratos de uma “esquerda” que,  por oportunismo, se converteu em despudorada direita.

     

     

     

      1. Almeida

        31 de janeiro de 2014 5:38 am

        Chapabranquismo é isso aí.

        Recorde de menor desmatamento é que continua a desmatar mas não tanto. PCdoB  e PT continuam serviçais do agronegócio, do latifúndio e das multinacionais ancoradas neles, aliados aos inimigos dos trabalhadores sem terra, dos índios, quilombolas e da agricultura familiar. E tem miltantes de “esquerda” que acham isso a finalidade maior do socialismo. Vocês são traidores do programa que dizem defender; quem afirma isto não sou eu, são as vítimas de suas trairagens.

Recomendados para você

Recomendados