Bolsonaro exemplifica reflexão de Gilberto Freyre, por Maria Cristina Fernandes

Publicação de conferência realizada há 70 anos aponta os riscos da terceirização das soluções da República para o Exército

Foto: Reprodução

Jornal GGN – A famosa conferência “Nação e Exército”, realizada por Gilberto Freyre em 1948, foi recentemente publicada pela editora Biblioteca do Exército e, 70 anos depois, tudo o que o sociólogo dissertou no evento realizado a convite da Escola de Estado-Maior do Exército vem se incorporando no governo Jair Bolsonaro.

“O vaticínio de Freyre se incorporou num capitão do Exército que, eleito presidente, levou para o primeiro escalão de seu governo um número maior de generais do que quaisquer dos governos militares”, pontua a jornalista Maria Cristina Fernandes, em sua coluna publicada no jornal Valor Econômico, ressaltando que nem a saída deles tem feito o presidente atual de usar as Forças Armadas como recurso em um governo que não possui estrutura sequer para conter os incêndios na Amazônia.

O cenário é diferente daquele da época da conferência de Freyre: no final dos anos 40, o Exército havia protagonizado tanto o fim da monarquia quanto da República Velha. No atual governo, pelo menos cinco generais já foram demitidos do governo após confrontar o presidente ou seus filhos, enquanto outros dois têm sido constantemente confrontados.

Outra fonte de desgaste envolve a reestruturação das carreiras militares, uma vez que pessoas ligadas ao Ministério da Defesa tem se queixado de abandono pelo governo na defesa do projeto após manifestações contrárias dos militares de baixa batente (uma base essencialmente bolsonarista).

Antes de ser levado a plenário, onde inevitavelmente sofreria mudanças, o projeto teve sua tramitação finalizada na Câmara e foi posteriormente enviado ao Senado, por conta de uma intervenção do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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A publicação de “Nação e Exército” neste quadro levou a revista “Sociedade Militar”, publicação desvinculada das Forças Armadas voltada a oficiais da ativa e da reserva, a apontar essa iniciativa como um marco do distanciamento da “linha progressista” das Forças Armadas do governo – linha essa constantemente criticada pelo guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho.

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