5 de junho de 2026

Brasil é a principal fronteira de expansão do petróleo no mundo

Visão do Desenvolvimento no 87/18 out 2010 (PDF)
Brasil é a principal fronteira de expansão do petróleo no mundo
Por André Albuquerque Sant’Anna Economista da APE
Visão do Desenvolvimento é uma publicacão da área de Pesquisas Economicas (APE), do Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social. As opiniões deste informe são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente o pensamento da administracão do BNDES.
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Crescimento de producão do país será o maior entre no pré-sal 2008 e 2030.
As recentes descobertas de petróleo e gás no pré-sal colocam o país como um dos principais destinos para investimentos em exploracão e producão de novos campos de petrolíferos. Afinal, ainda que preliminares, as estimativas apontam para reservas da ordem de 8 bilhões de barris, apenas nos campos de Tupi e Iara. Isto representa um acréscimo de cerca de 60% nas reservas nacionais de petróleo.
A fim de tornar viável a producão nos campos do pré-sal, serão necessários grandes investimentos, por ser essencialmente intensiva em capital.
O pré-sal envolve dificuldades tecnológicas e logísticas em virtude da distancia das reservas até a costa brasileira e de suas características geológicas.
Com isso, os investimentos serão ainda maiores. Espera-se, portanto, uma aceleracão do processo de ampliacão dos investimentos do setor, sobretudo no segmento de exploracão e producão (E&P).
Diante desse cenário, o objetivo desse Visão do Desenvolvimento é discutir porque o Brasil surge como importante fronteira exploratória para os próximos anos, atraindo importantes investimentos em petróleo e gás. Esse trabalho também estima os impactos sobre a cadeia fornecedora de bens e servicos para a indústria de petróleo e gás.

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Evolucão dos investimentos em petróleo e gás no Brasil
Conforme pode se observar no Gráfico 1, os investimentos em petróleo e gás acompanharam de perto a evolucão do preco internacional do petróleo. A lucratividade esperada do setor aumentou de maneira significativa, levando a uma onda de investimentos, sobretudo em Exploracão e Producão (E&P), não só no Brasil mas em todo o mundo. Além do preco do petróleo, foi também importante a quebra do monopólio da Petrobras, em 1997, que atraiu mais empresas, recursos e tecnologias para o setor. Além disso, para garantir que a Petrobras pudesse competir em igualdade de condicões com empresas privadas, foi alterada sua regulamentacão de compras e instituiu-se, em 1999, o Repetro – regime fiscal especial para o setor petrolífero – que reduziu substancialmente a carga fiscal sobre investimentos em E&P.

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Como pode ser verificado pela Tabela 1, o crescimento do investimento foi acompanhado de um expressivo incremento na producão nacional de petróleo entre 1998 e 2008. O Brasil foi o quinto país com maior aumento na producão de petróleo, no período. Entre os países que produzem mais de um milhão de barris/dia, o Brasil apresentou a quarta maior taxa de crescimento – 6,6% a.a., atrás apenas de Cazaquistão (11,2% a.a.), Angola (9,9% a.a.) e Qatar (7,0% a.a.).

Brasil: uma das principais fronteiras nos próximos anos
A indústria do petróleo vive, atualmente, uma assimetria. De um lado, os principais países detentores de reservas, como Arábia Saudita e Irã, limitam suas companhias nacionais, principais operadoras de blocos, ao acesso à exploracão e producão de petróleo. De outro lado, as companhias internacionais, sobretudo as majors, são aquelas que detem tecnologia e recursos financeiros para exploracão de novas fronteiras, além de mercado para chegar aos consumidores finais. Assim, como mostra o Gráfico 2, as majors encontram obstáculos à ampliacão de sua producão e dependem,
cada vez mais, de compras de petróleo das companhias nacionais para atender à demanda final. Diante disso, o Brasil surge como uma das áreas mais promissoras para exploracão de petróleo nos próximos anos.

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Como se trata de um dos países com maior potencial de aumento nas reservas e seu arcabouco institucional permite a atuacão de companhias estrangeiras, revela-se como um destino preferencial para investimentos em exploracão e producão nos próximos anos. De fato, projecões da U.S. Energy Information Administration, agencia governamental norte-americana, apontam que o Brasil será o país que mais contribuirá para o crescimento da producão de petróleo no mundo, entre 2008 e 2030, como mostra o Gráfico 3.

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Perspectivas do investimento e seus impactos economicos: 2011-2014
Nessa secão, são apresentadas as perspectivas para o investimento em petróleo e gás, entre 2011 e 2014. Para o cálculo desses valores, foram consideradas informacões, em nível agregado, fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis – IBP – e as do Plano de negócios da Petrobras.

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A expectativa é de que os investimentos atinjam R$ 378 bilhões, com a Petrobras responsável por cerca de 80% desse total. Na comparacão com os R$ 180 bilhões investidos, a precos constantes, no período 2005-2008, tem-se uma elevada taxa de crescimento, de 13% a.a., nas inversões do setor entre os dois períodos.

A despeito da inequívoca importancia das reservas no pré-sal, no período 2011-2014, apenas uma pequena parte dos investimentos projetados destina-se à exploracão dessas reservas. De fato, as perspectivas apontam para investimentos da ordem de R$ 45 bilhões em projetos no pré-sal, ou 15% do total, no período 2011-2014.
A expectativa, porém, é que, em meados da década, os investimentos naquela região ganhem maior participacão. Isto porque as inversões em exploracão são de menor magnitude em relacão às que ocorrem na fase de producão. Quando os campos do pré-sal comecarem a produzir de fato, a indústria deve apresentar patamares ainda maiores de investimento.
Com o crescimento recente dos investimentos, petróleo e gás tornou-se o setor da indústria que mais contribui para a formacão bruta de capital fixo na economia brasileira.

No início da década de 2000, investimentos em petróleo e gás representavam cerca de 6% da formacão bruta de capital fixo. Em seguida, passaram a um patamar de 10%. Em 2014, as inversões no setor devem chegar a quase 15% de toda a formacão bruta de capital fixo.

Os investimentos realizados pela indústria de petróleo e gás tem importante papel de mobilizar uma ampla cadeia de fornecedores de bens e servicos. 

A análise das perspectivas do investimento permite uma idéia dos impactos sobre a economia brasileira.
Considerando-se que cerca de 55% (R$ 205 bilhões de um total de R$ 378 bilhões) dos investimentos previstos resultarão em encomendas nacionais, pode-se estimar, com base na matriz insumo-produto, os efeitos diretos e indiretos sobre a producão nos demais setores da economia.
A Tabela 3 mostra que as inversões em petróleo e gás tem o potencial de gerar uma demanda doméstica de R$ 407 bilhões, entre 2011 e 2014, equivalente a R$ 100 bilhões por ano. O setor de máquinas e equipamentos sera particularmente beneficiado com uma demanda adicional de R$ 234 bilhões. Isto representa um acréscimo na demanda de 28%, considerandose o valor bruto da producão de 2007, a precos de 2010. Já metalurgia teria sua demanda acrescida em R$ 31 bilhões, ou 8% a mais em relacão ao valor bruto da producão de 2007. Nesse sentido, a magnitude dos investimentos previstos trará desafios importantes. De um lado, será preciso assegurar que fornecedores de materiais e bens de capital – em especial nos setores de construcão naval, metalurgia e máquinas e equipamentos – tenham capacidade de atender a essa demanda a custos competitivos e com padrão tecnológico adequado. Outro fator importante é a necessidade de mão de obra qualificada para fazer frente a demanda crescente do setor nos próximos anos.

Brasil é a principal fronteira de expansão do petróleo no mundo

Conclusão
Nos últimos anos, o setor de petróleo e gás adquiriu grande relevancia para a economia brasileira. Seus investimentos representam mais de 10% de toda a formacão bruta de capital fixo e devem chegar a 15% em 2014.
Afinal, as perspectivas para os próximos quatro anos são de que a indústria de petróleo e gás invista quase R$ 400 bilhões. Além disso, os impactos sobre o restante da economia serão de magnitude semelhante, especialmente nos setores de máquinas e equipamentos, construcão naval e siderurgia. Esses setores tendem a crescer fortemente nos próximos anos, com vistas a atender à demanda que decorrerá dos investimentos em petróleo e gás. Tendo em vista a natureza da indústria de petróleo e gás, fortemente integrada ao mercado internacional, e as recentes descobertas de petróleo em um mundo com escassez de novas fronteiras exploratórias, pode-se afirmar que seus investimentos são bastante robustos. Tem, portanto, um caráter autonomo em relacão à evolucão da economia. Com isso, representam um importante sustentáculo ao processo de crescimento da taxa de investimento nos próximos anos.
Apenas as inversões em petróleo e gás, que tem suas fontes de recursos equacionadas, serão responsáveis por um acréscimo de cerca de um ponto percentual da taxa de investimento, entre 2010 e 2014. Esse processo não se esgotara em 2014, uma vez que os investimentos associados ao pré-sal devem se intensificar a partir de meados da próxima década e, ademais, ainda não se conhece todo o potencial de recursos daquela região. Assim, os esforcos exploratórios e de producão devem seguir crescendo ao longo da década.
O cenário de investimentos para os próximos anos implicará demanda adicional por recursos humanos qualificados, materiais e bens de capital. Nesse sentido, as políticas desenhadas para identificar esses potenciais gargalos fazem-se essenciais para que o país consiga aproveitar ao máximo esse longo ciclo de investimentos que ocorrerá na próxima década.
Gráfico 4 – Participacão dos investimentos em petróleo e gás na formacão bruta de capital fixo (2000-2014)

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Redação

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