
Jornal GGN – A Oxfam e a Ojo Público desenvolveram uma ferramenta para que as pessoas possam comparar suas rendas familiares com os lucros dos multimilionários. A chamada Calculadora da Desigualdade está disponível em 16 países da América Latina, entre eles o Brasil.
O funcionamento é bastante simples. Primeiro, a pessoa informa ao sistema o seu país de origem. Em seguida, a renda familiar. Por fim, quantas pessoas dependem dessa renda. Com essas informações, a calculadora determina a que grupo econômico a pessoa faz parte.
São dez grupos existentes, quatro na camada de baixa renda, três em renda média baixa, dois em renda média e um em renda alta. Do lado oposto, os multimilionários, grupo que, no Brasil, reúne apenas aqueles que têm renda per capita de R$ 442.319,00.
O Jornal GGN fez uma simulação na qual a soma da renda mensal de todos os integrantes de uma casa fosse igual a dois salários mínimos, ou R$ 1760,00. Para efeito de teste, imaginamos que nessa casa morariam quatro pessoas, o pai, a mãe e dois filhos, que dependeriam desse valor mensal para sobreviver.
A ferramenta localiza essa família no Grupo 1, na camada de menor renda possível. E a partir daí faz algumas comparações interessantes.
Por exemplo, para ter os rendimentos de um multimilionário, essas pessoas precisariam trabalhar por 167 anos e 7 meses. O que é até pouco perto do estrato mais baixo do Grupo 1, que precisaria trabalhar por 314 anos e 2 meses. Alé
m disso, um multimilionário demora apenas 22 minutos para conseguir essa mesma renda.
A ferramenta mostra então o percentual de pessoas em cada um dos 16 países que vive na chamada pobreza multidimensional, com carências em saúde, educação, etc. No Brasil são 14%. Aqui, a renda de um multimilionário é 964 vezes maior do que a média dos 20% mais pobres.
O universo de multimilionários no Brasil contempla apenas 4.225 pessoas. Ou seja, 0,002% da nossa população de 206 milhões de habitantes. Suas fortunas representam 6,6 vezes o investimento do Estado em educação e equivalem a 37% do Produto Interno Bruto.
“Este nível de acumulação de riqueza não é apenas fruto de um esforço próprio. Também é resultado de políticas governamentais que privilegiam poucas pessoas e que negam direitos a muitos. A concentração de riqueza extrema também envolve concentração de poder e afeta a democracia”, afirmam a Oxfam e a Ojo Público.
As entidades estão recolhendo assinaturas por meio de uma petição online pelo fim dos paraísos fiscais. “A rede global de paraísos fiscais contribui para que a riqueza das pessoas e empresas mais ricas não pare de crescer. No entanto, a perda de receitas fiscais essenciais significa menos recursos disponíveis para financiar serviços públicos básicos, como saúde e educação, e para combater a pobreza. Precisamos trabalhar juntos e chamar as lideranças mundiais para que coloquem um fim ao uso de paraísos fiscais. Inclua seu nome na nossa carta global aos líderes mundiais e vamos acabar com a era dos paraísos fiscais”.
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