4 de junho de 2026

Calculadora da Desigualdade permite comparar sua renda com a de multimilionários

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Jornal GGN – A Oxfam e a Ojo Público desenvolveram uma ferramenta para que as pessoas possam comparar suas rendas familiares com os lucros dos multimilionários. A chamada Calculadora da Desigualdade está disponível em 16 países da América Latina, entre eles o Brasil.

O funcionamento é bastante simples. Primeiro, a pessoa informa ao sistema o seu país de origem. Em seguida, a renda familiar. Por fim, quantas pessoas dependem dessa renda. Com essas informações, a calculadora determina a que grupo econômico a pessoa faz parte.

São dez grupos existentes, quatro na camada de baixa renda, três em renda média baixa, dois em renda média e um em renda alta. Do lado oposto, os multimilionários, grupo que, no Brasil, reúne apenas aqueles que têm renda per capita de R$ 442.319,00.

O Jornal GGN fez uma simulação na qual a soma da renda mensal de todos os integrantes de uma casa fosse igual a dois salários mínimos, ou R$ 1760,00. Para efeito de teste, imaginamos que nessa casa morariam quatro pessoas, o pai, a mãe e dois filhos, que dependeriam desse valor mensal para sobreviver.

A ferramenta localiza essa família no Grupo 1, na camada de menor renda possível. E a partir daí faz algumas comparações interessantes.

Por exemplo, para ter os rendimentos de um multimilionário, essas pessoas precisariam trabalhar por 167 anos e 7 meses. O que é até pouco perto do estrato mais baixo do Grupo 1, que precisaria trabalhar por 314 anos e 2 meses. Alé
m disso, um multimilionário demora apenas 22 minutos para conseguir essa mesma renda.

A ferramenta mostra então o percentual de pessoas em cada um dos 16 países que vive na chamada pobreza multidimensional, com carências em saúde, educação, etc. No Brasil são 14%. Aqui, a renda de um multimilionário é 964 vezes maior do que a média dos 20% mais pobres.

O universo de multimilionários no Brasil contempla apenas 4.225 pessoas. Ou seja, 0,002% da nossa população de 206 milhões de habitantes. Suas fortunas representam 6,6 vezes o investimento do Estado em educação e equivalem a 37% do Produto Interno Bruto.

“Este nível de acumulação de riqueza não é apenas fruto de um esforço próprio. Também é resultado de políticas governamentais que privilegiam poucas pessoas e que negam direitos a muitos. A concentração de riqueza extrema também envolve concentração de poder e afeta a democracia”, afirmam a Oxfam e a Ojo Público.

As entidades estão recolhendo assinaturas por meio de uma petição online pelo fim dos paraísos fiscais. “A rede global de paraísos fiscais contribui para que a riqueza das pessoas e empresas mais ricas não pare de crescer. No entanto, a perda de receitas fiscais essenciais significa menos recursos disponíveis para financiar serviços públicos básicos, como saúde e educação, e para combater a pobreza. Precisamos trabalhar juntos e chamar as lideranças mundiais para que coloquem um fim ao uso de paraísos fiscais. Inclua seu nome na nossa carta global aos líderes mundiais e vamos acabar com a era dos paraísos fiscais”.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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