A Câmara Municipal de São Paulo realiza nesta quinta-feira (29), às 16h30, na Sala Tiradentes, a reunião da comissão especial encarregada de analisar a admissibilidade do pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Há uma articulação nos bastidores para acelerar a análise e conduzir a votação a portas fechadas, restrigindo o acesso e a transparência em um momento crucial do processo.
Apresentada pela bancada do PSOL, a denúncia é fundamentada no descumprimento da decisão da Justiça Eleitoral que determinou a circulação de 100% da frota operacional de ônibus no segundo turno das eleições, no último domingo (25). A ordem do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) atendeu a uma ação popular movida pela vereadora Luana Alves, ao lado das deputadas Sâmia Bomfim (federal) e Mônica Seixas (estadual).
Composta majoritariamente por parlamentares alinhados à gestão municipal, a comissão dispõe de até dez dias para emitir parecer sobre a admissibilidade do pedido — cuja tramitação começou apenas um dia após a instalação do colegiado. Caso a denúncia não seja admitida, o processo será sumariamente arquivado nesta fase preliminar.
Integrante da comissão, Luana Alves critica a condução atropelada do rito e defende a rigorosa responsabilização do emedebista. “Eu espero muito que essa comissão entenda a gravidade do que o prefeito fez. Não foi algo qualquer: Ricardo Nunes tentou impedir eleitores da cidade de chegar aos seus locais de votação, isso é crime eleitoral”, destacou a vereadora.
“Ele descumpriu uma ordem do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, isso é muito grave. Espero muito que essa comissão consiga punir o prefeito como ele deve ser punido. No meu entendimento, teria que ser o impeachment ou o afastamento do cargo. Nunes não tem condição de ser prefeito de São Paulo”, concluiu.
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