31 de outubro de 2026

Carta golpista de Flávio escancara divisão no PL e aprofunda isolamento

Três em cada quatro eleitos do partido ignoraram a carta conspiratória, revelando o isolamento do senador após fugir para os EUA
Foto: Reprodução/YouTube

A tentativa de emplacar uma narrativa de contestação eleitoral e criar um clima de instabilidade institucional colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um isolamento profundo dentro de seu próprio partido. Um levantamento publicado pelo jornal O Globo revela que 75% dos eleitos pelo Partido Liberal, o que representa três em cada quatro parlamentares e governadores da legenda, ignoraram sumariamente a carta golpista veiculada pelo candidato derrotado.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Dos 155 eleitos analisados no levantamento (englobando 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores), 117 preferiram se distanciar do manifesto negacionista, enquanto apenas 38 embarcaram na retórica golpista.

Pragmatismo e medo de sanções institucionais

De acordo com apuração do Globo, integrantes da cúpula do PL avaliam que insistir no ataque ao sistema eleitoral compromete a pauta de oposição no Congresso, desgasta a imagem do partido e abre margem para severas reações institucionais. O próprio presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fez questão de se afastar publicamente do documento, pontuando que o texto não passou pelo crivo da direção partidária e que o foco deve ser o trabalho parlamentar.

O levante solitário do senador desmoronou ainda mais após descumprir ordens judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF). Para evitar a entrega de seus passaportes determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o parlamentar articulou uma rota de fuga do país rumo a Miami, amparado por aliados da extrema-direita internacional ligados às gestões de Donald Trump e Javier Milei. O plano de voo inclui agendas na capital americana, Washington, onde busca pontes com o Departamento de Estado e parlamentares republicanos.

O outro lado: silêncio diante da vitória de Lula

Embora a maioria expressiva tenha rejeitado o manifesto radical, o levantamento do Globo indica uma divisão estratégica no comportamento público da sigla. Por um lado, um grupo expressivo de parlamentares optou por reconhecer formalmente a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando a ampla diferença nas urnas, de 4,4 milhões de votos, e a validação do pleito pelas instâncias institucionais e chefes de Estado. Por outro, 86% dos eleitos preferiram evitar declarações públicas de reconhecimento direto, recorrendo ao silêncio tático para não se indispor com a base radical, ainda que sem endossar a aventura golpista de Flávio.

Do lado dos radicais, o endosso à peça conspiratória ficou restrito a um núcleo duro formado pelos senadores Magno Malta, Jorge Seif e o recém-eleito Gustavo Gayer, além dos deputados federais José Medeiros, Nikolas Ferreira e Magda Mofatto, que empenharam esforços nas redes para difundir o texto.

Leia também no Jornal GGN:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Recomendados para você

Recomendados