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Num de seus cartuns sobre terrorismo, o dentista indiano que atende pelo apelido de Jihadi Colin no Twitter e Bill Purkayastha no Facebook fez uma comparação interessante sobre o uso de gás letal em 1917 e o terrorismo em 2017. Impossível não refletir sobre a mudança de paradigma que foi por ele registrada.

Na I Guerra Mundial as batalhas entre vastos exércitos regulares mais ou menos mecanizados ocorriam em vastas áreas desabitadas. As grandes cidades geralmente eram poupadas dos horrores da guerra. O mesmo não ocorreu durante a II Guerra Mundial, em que esquadrilhas com milhares de bombardeiros passaram a atacar fábricas de material bélico e, depois, a devastar cidades inteiras (as cidades históricas alemãs sem qualquer importância militar de Hürtegenwald, Düren, Jülich, Essen, Duisburg, Dortmund, Colônia, Bochum, Rostock, Bremen, Hamburgo, Kiel, Nuremberg, Kassel, Würzburg, Osnabrück, Münster, Telgte, Hannover, Munique, Düsseldeorf, Trier, Koblenz, Heilbronn, Bonn, Krefeld, Hildesheim, Magdeburg, Leipzig, Darmstadt, Berlim, Stuttgart e Dresden foram reduzidas a escombros e cinzas por ingleses e norte-americanos). O terrorismo atrás da frente de combate foi largamente praticado pelos alemães durante a invasão da URSS.

A natureza do conflito armado começou a se transformar na Ásia, onde guerrilhas comunistas confrontaram exércitos regulares no campo e nas selvas empregando táticas não convencionais. Isto ocorreu antes e depois da ocupação japonesa da China e da Coréia. Também ocorreria no Vietnã quando o país era colônia francesa.

O terrorismo especificamente urbano foi empregado na Guerra da Argélia. Algum tempo depois ele seria adotado por jovens irlandeses, alemães, italianos, espanhóis… O terror se torna então um fim em si mesmo, pois os radicais não tinham qualquer esperança política ou militar de realmente derrotar seus inimigos (os Estados capitalistas de bem estar social).

Após bem sucedido ataque terrorista durante a Olimpíada de Munique em 1972, o Estado israelense passou a empregar o terrorismo contra seus inimigos terroristas. A partir do momento que passou a ser patrocinado por Estados, o terrorismo evoluiu e se transformou para cumprir duas finalidades básicas: proporcionar a punição do inimigo empregando suas próprias técnicas; provocar instabilidade política para que ocorra a mudança de regime desejada com ou sem uma guerra civil.

Em apenas dois quadros, de Jihadi Colin (e Bill Purkayastha) percorreu o longo caminho das transformações ocorridas entre 1917 e 2017.  Mudança que foi deliberadamente imposta ao mundo por Barack Obama. Durante seus dois mandatos, o primeiro presidente negro dos EUA queria reduzir a pegada militar do seu país. Mas apesar de ter ganho o Prêmio Nobel da Paz, Obama promoveu dezenas de conflitos vagamente chamados de Primavera Árabe apoiando o que a imprensa norte-americana passou a chamar de “terroristas moderados”.

Recentemente ocorreu um ataque terrorista na Rússia. Impossível não suspeitar dos norte-americanos, pois é cediço que políticos e jornalistas influentes odeiam Putin a ponto de acusá-lo de ter interferido nas eleições dos EUA.

O relacionamento entre Putin e Trump tem sido muito amistoso, mais amistoso do que alguns políticos, jornalistas e militares norte-americanos gostariam. Nesse contexto, é impossível dizer se o terrorismo na Rússia foi promovido pelos EUA ou apenas por norte-americanos poderosos que são hostis a Putin. Neste caso, o propósito do ataque seria abalar a relação entre Tump e Putin ou comprometer a imagem de Trump nos EUA se ele apoiar Putin contra os terroristas.

Num de seus livros Noam Chomsky afirma que:

“A política americana determina que os ataques terroristas prossigam até que o governo se renda ou seja derrubado, enquanto os aliados do imperador proferem apaziguantes discursos sobre ‘democracia’ e ‘direitos humanos’.” (Piratas & Imperadores – antigos e modernos, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2006, página 56)

Se realmente desejam mudar o regime na Rússia (ou provocar a queda de Trump nos EUA), os norte-americanos terão que patrocinar vários outros ataques terroristas. Afinal, a popularidade de Putin não sofreu qualquer abalo. Os russos, porém, tem recursos tecnológicos, humanos e econômicos de fazer os norte-americanos engolirem um pouco do veneno que eles tem espalhado pelo mundo. O terrorismo “do bem” se transformará automaticamente em “terrorismo do mal” quando começar a ser praticado em solo norte-americano ou contra cidadãos dos EUA? A conferir. 

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