O programa Observatório de Geopolítica, do canal TV GGN, no Youtube, debateu na sexta-feira (17) as tensões geopolíticas globais em 2026, com foco no bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, na reação do governo de Donald Trump e no papel da China em meio ao conflito. Para os analistas, a China utiliza o conflito entre o Irã, Israel e os Estados Unidos como um “verdadeiro laboratório geopolítico e militar”, aproveitando a instabilidade no Oriente Médio não apenas para exercer diplomacia, mas para coletar dados estratégicos que garantam sua vantagem em cenários de confronto futuro com o Ocidente.
Pequim analisa detalhadamente as táticas de guerra dos Estados Unidos e de Israel, monitorando o desempenho da inteligência (como o Mossad) e a capacidade norte-americana de saturação e reabastecimento de munições. Ao observar as “falhas grandes” do Irã no campo da espionagem e inteligência militar contra as potências ocidentais, a China utiliza esses erros para reforçar sua própria segurança interna, buscando eliminar “buracos” em seu serviço de inteligência e monitorar com mais rigor a atuação de espiões ocidentais em território chinês.
Todo o aprendizado obtido no Golfo Pérsico é aplicado para preparar o país para eventuais conflitos em seu entorno, especificamente envolvendo Taiwan e o Mar do Sul da China. Pequim observa, por exemplo, as dinâmicas de bloqueios navais para se precaver contra possíveis interrupções no Estreito de Malaca, uma região vital dominada geograficamente pela Indonésia, que tem estreitado laços militares com os EUA.
Além disso, o conflito serve para a China entender como o sistema reage a crises agudas, observando o comportamento de seguradoras e multinacionais, o que lhe confere maior previsibilidade para futuras crises.
O papel diplomático da China
Para os especialistas, os Estados Unidos adotam uma postura de “hegemonia predatória”, utilizando sanções financeiras contra bancos chineses e mantendo presença militar ostensiva na região. Em contrapartida, a China virou um ator que busca estabilidade e exerce influência diplomática nos bastidores para mediar conflitos e garantir o fornecimento energético asiático.
A mediação chinesa não visa apenas a paz por princípios diplomáticos, mas sim a manutenção da ordem econômica e energética necessária para sua ascensão global, evitando um confronto direto com os EUA enquanto amplia seu espaço de liderança política na Ásia, avaliou a bancada do Observatório de Geopolítica.
O papel mediador é movido por interesses concretos, já que a China importa cerca de 90% do petróleo iraniano e depende da estabilidade do fluxo de energia no estreito para sustentar sua indústria e a de seus parceiros asiáticos, como Japão e Coreia do Sul.
Com a participação de Alexandre Uehara (coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM), Alexandre Coelho (professor de Política Internacional), Giseli Agnelli (cientista política e analista de política internacional) e a apresentação de Márcio Sampaio (comunicador, pesquisador e professor de Relações Internacionais), o programa abordou ainda o isolamento internacional de Israel e as divisões ideológicas dentro do governo americano.
O Observatório de Geopolítica é transmitido pelo canal TV GGN, no Youtube, de segunda a sexta-feira, sempre às 19 horas. Assista abaixo:
Nota da redação: O Jornal GGN utiliza Inteligência Artificial para transformar produtos audiovisuais – como o conteúdo original produzido pela nossa equipe na TV GGN, no Youtube – em texto. O uso dessas ferramentas não dispensa a revisão, apuração e edição por parte de um jornalista da redação, antes da publicação do texto.
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