13 de junho de 2026

Cinema: Munique

                                                                

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                MUNIQUE – 2005

Ousado e magistral, Steven Spielberg mostra o outro lado entre o conflito entre Palestinos e Israelitas.

No dia 5 de Setembro de 1972 o mundo parou. Durante os Jogos Olímpicos de Verão de 72 em Munique na Alemanha Ocidental, 11 membros da equipe olímpica de Israel foram tomados reféns por um grupo terrorista palestino, denominado de Setembro Negro.

Essa luta é muito antiga, mas também infelizmente muito atual. Quantas vezes não ligamos a TV e vemos sofrimento, mortes e guerras entre Israel e Palestina? Entrar em detalhes sobre essa disputa, tentar julgar quem está certo, seria errôneo de minha parte. Spielberg pensa o mesmo. O diretor não quis expor quem está com a razão ou quem começou esta guerra. Ele apenas mostrou um lado do conflito. O Massacre de Munique não foi o começo, nem o fim dessa disputa, foi somente um dos inúmeros – se é que podemos colocar dessa forma – estopins.

Este é um assunto extremamente importante de se trabalhar, ter um conhecimento prévio a respeito do conflito Israel-Palestina é fundamental para acompanhar e desfrutar melhor de “Munique”. As raízes desse conflito estão no fim do século XIX. Os judeus não possuíam um território próprio, portanto não eram considerados um estado, uma nação; sendo assim migraram para Palestina em busca de se estabelecer nessa região porém a Palestina em sua grande parte habitada por Árabes relutou em ceder espaços. Depois disso inúmeros conflitos passaram a ocorrer, chegando assim ao atentado de Munique em 72, retratado no filme.

A ousadia de Spielberg foi muito arriscada, não se trata de um conflito do século passado, é atual. Se intrometer nesse mundo é extremamente complicado e delicado, qualquer deslize poderia tomar proporções que nem podemos imaginar. Spielberg consegue unir o entretenimento de assistir um ótimo filme á um fato histórico e político, sendo verossímil e coeso. Spielberg mostra também em pequenos flashes como foi atentado, ele não revela logo no começo, vai aos poucos. Á medida que o personagem de Bana vai se modificando as peças do atentado vão sendo montadas, chegando por fim a frase do repórter Jim McKay exibida ao vivo para 900 milhões de pessoas: “Eles estão todos Mortos”. Spielberg também mostra a fatídica tentativa do exército alemão de tentar resolver o problema, os oficias totalmente sem preparo acabaram por piorar as coisas.

Depois do massacre em Munique o governo de Israel convoca Avner Kaufman (Eric Bana) ex-segurança da primeira ministra e membro do Mossad (política secreta de Israel) com a missão de vingar Israel do atentado. Avner será encarregado de comandar mais quatro recrutados, com quase nenhuma experiência no campo. Avner e seus comandados terão que eliminar 11 pessoas de uma lista, considerados estas terroristas. Essa busca aos terroristas foi nomeada de Operação Cólera de Deus. Para isso Avner teve que “deixar de existir”, ou seja, mudando-se para a Europa, mudando de identidade, não tendo mais ligação com ninguém. O filme se concentra nas ações do personagem de Bana, mostrando toda transformação que o seu novo trabalho lhe causará: O afastamento de sua mulher grávida de 7 meses, o anonimato e principalmente a dúvida a respeito do que as pessoas da lista fizeram para merecer tal atitude.

O elenco de “Munique” se encaixou muito bem, Eric Bana, quem diria, soube suportar o peso de carregar um filme desse calibre como protagonista. Daniel Craig o novo 007 lembrou por horas ser James Bond, o filme ainda conta com Geoffrey Rush (“Piratas do Caribe”), Ciarán Hinds (“Miami Vice”), Mathieu Kassovitz (“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”) e Mathieu Amalric (“O Escafandro e a Borboleta”).

A trilha sonora de “Munique” é fantástica, logo no começo do filme somos apresentados a uma lindíssima musica, assim como em todo o filme belos concertos de piano dão a tônica da trama. A parte técnica tem a cara de Spielberg, um figurino magistral recriando a época dos atentados, a fotografia também está muito acima dos demais, como é de praxe em seus trabalho ele leva toda sua cúpula e mostra um trabalho irretocável, uma aula de como se fazer cinema. É difícil um cineasta do calibre de Steven Spielberg se arriscar tanto, com um nome mais do consagrado o diretor não quis ficar só no mesmo, estufou o peito e disse: “Eu vou fazer mais uma coisa diferente.” E fez.

Da gosto de assistir um filme como “Munique”, infelizmente é uma realidade que convivemos, mas ficar de braços atados sabendo que há alguns quilômetros de distancia crianças morrem a cada minuto é lamentável.
“Munique” recebeu 5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora.

Steven Spielberg aliando cinema a política faz um dos melhores, se não o melhor filme de 2005. É lógico que muitos meios de comunicação irão virar o nariz para essa obra-prima de Spielberg, mas vamos louvar e agradecer a coragem e o talento desse cineasta.

TERRA – RESENHA

Com Munique Steven Spielberg invade de maneira bem-sucedida o território de Costa-Gavras. O filme é uma investigação tensa e provocadora sobre as ramificações políticas, morais e históricas do terrorismo e o esforço para combater esse flagelo.

Embora não falte ação nem intriga em Munique, Spielberg deliberadamente silencia o tom desses eventos para discursar sobre a ética do contraterrorismo, neste caso, os assassinatos.

O problema enfrentado pela Universal Pictures, que co-produziu o filme com a DreamWorks e vai distribui-lo, é duplo. Nos EUA, a empresa deve vender Munique, filme sem elenco estelar, como uma produção de Spielberg, mesmo sendo o filme menos spielberguiano já feito pelo diretor. No mercado externo, deve vencer as suspeitas de preconceito contra palestinos levantadas por um filme polêmico sobre terrorismo, feito por um diretor judeu-americano. Não se trata disso, mas estamos falando de aparências aqui.

A trama aborda os acontecimentos posteriores ao sequestro e assassinato de 11 atletas israelenses durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. A história, escrita por Tony Kushner e Eric Roth (baseada no livroVengeance de George Jonas), segue a ação de uma equipe secreta de cinco homens, baseadas na Europa, para rastrear e matar 11 palestinos suspeitos de planejar o ataque na cidade alemã. O evento de Munique é mostrado em flashbacks durante todo o filme, como o pesadelo recorrente que instiga e assombra o líder da unidade israelense.

Eric Bana faz o papel de Avner Kauffman, agente do Mossad e ex-guarda-costas da premiê israelense Golda Meir. Ele é escolhido pessoalmente por Meir (Lynn Cohen em um ótimo trabalho) para liderar os assassinos. O segredo em torno da missão é tanto que o agente é obrigado a pedir demissão do emprego, abandonar a esposa grávida (Ayelet Zurer) e agir sem o conhecimento e a supervisão de seus chefes, principalmente Ephraim (Geoffrey Rush).

A equipe de assassinos é heterogênea. O sul-africano Steve (Daniel Craig) talvez esteja ansioso demais para matar. O meticuloso belga Robert (Mathieu Kassovitz) é o responsável por armar as bombas. O judeu alemão Hans (Hanns Zischler), cuja fachada é um antiquário, mostra ser um excelente falsificador de documentos. Já Carl (Ciarán Hinds) tem como missão assegurar que os alvos estejam desimpedidos e não haja danos colaterais.

No início, a história se passa no mundo da intriga internacional e da vingança melodramática. Gradualmente, porém, um sentimento de desconforto toma as cenas mostrando a equipe liquidando suas presas. As vítimas não são o que se poderia esperar: um escritor estudioso em Roma, que traduz literatura árabe para o italiano, um professor bem-conceituado em Paris, vivendo uma confortável vida burguesa com sua família. Alguns assassinos percebem que não há uma única prova ligando esses alvos ao ataque em Munique.

Certamente, hoje em dia ninguém precisa ser lembrado de como as garantias de um governo e as informações de agências de inteligência podem se mostrar erradas e desonestas. Na verdade, um novo livro sobre a vingativa resposta de Israel ao episódio de Munique alega que os israelenses mataram muitos homens errados.

“Todo esse sangue vai voltar para nós”, reclama um dos assassinos. A consequência involuntária é que esses homens passam a ser assombrados por suas próprias ações sanguinolentas. Pior, pode-se argumentar que com esses atos ilegais Israel perde seu sentido de retidão. Como alguém poderia, agora, diferenciá-los de seus inimigos?

Há ainda outro preço. Para cada morte, o Setembro Negro, grupo terrorista por trás do ataque em Munique, revida com atos ainda mais terríveis, pelo menos em termos de número de vítimas. Por fim, os caçadores viram a caça, quando os membros da equipe de Avner começam a ser mortos um a um.

O contexto político aparece em uma sequência em que Avner discute a questão palestina com um terrorista palestino, que desconhece a verdadeira identidade de seu interlocutor. Nessa discussão calma, torna-se evidente que duas tribos reclamam a mesma terra com igual paixão, e cada uma tem queixas genuínas contra a outra. Os dois lados estão dispostos a responder aos atos de violência com mais atos de violência, perpetuando um ciclo mortal que nunca cessará sem a intercessão de pacifistas, um grupo que era, e é, pequeno no Oriente Médio.

Spielberg mostra os assassinatos maximizando o suspense, sem recorrer a truques elaborados de cinema. Mortes e tiroteios são bagunçados, até mesmo malfeitos. Os personagens são comuns mortais com pouca ênfase no heroísmo. A principal preocupação de Avner é sua mulher e filha, a quem ele transferiu de Israel para o Brooklyn a fim de poder visitá-las ocasionalmente.

O estilo retrô do diretor de fotografia Janusz Kaminski move o filme para a escuridão, com cores mais perturbadoras conforme os assassinatos continuam. A edição de Michael Kahn consegue construir o suspense nas sequências individuais à maneira de Hitchcock. O filme termina com dois homens seguindo direções contrárias no Brooklyn. As torres gêmeas do World Trade Center dominam a paisagem atrás deles.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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