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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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13 Comentários
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  1. Romulo Cabral de Sá

    24 de junho de 2014 3:42 am

    COLUNISTA DA FOLHA SE ARREPENDE: CAIU NA LOROTA DA MÍDIA

    COLUNISTA DA FOLHA SE ARREPENDE: CAIU NA LOROTA DA MÍDIA

    Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/144259/Colunista-da-Folha-se-arrepende-caiu-na-lorota-da-m%C3%ADdia.htm

  2. Webster Franklin

    24 de junho de 2014 8:10 am

    Patrocinador do Golpe na Ucrânia é parceiro de assessor de Aécio

    Correio do Brasil

    Patrocinador do golpe na Ucrânia é parceiro de assessor do tucano Aécio Neves

     

    28/5/2014 12:56
    Por Redação, com agências internacionais – de Nova York, EUA, e São Paulo

     

       

     

    Armínio, em uma reunião social com o sócio George Soros, em Nova York, EUA

    Armínio, em uma reunião social com o sócio George Soros, em Nova York, EUA

     

    Parceiro de Armínio Fraga neto, ex-presidente do BC e homem de confiança do presidenciável tucano, Aécio Neves (MG), o multimilionário norte-americano George Soros reconheceu, nesta quarta-feira, sua responsabilidade sobre o golpe de Estado na Ucrânia, aplicado pela ultradireita, com apoio de forças neonazistas. Fraga, que se propõe a colaborar na campanha de Neves, baseia-se na sua experiência como sócio de Soros em fundos de investimento. Soros admitiu ter contribuído com a extrema direita para a derrubada do regime democrático ucraniano e a implantação do governo de facto que assumiu em seguida.

    Em entrevista à rede norte-americana de TV CNN, Soros afirmou que “uma das coisas que muitas pessoas reconhecem (sobre ele) foi o financiamento das atividades dos grupos dissidentes na Polônia e na República Checa”, o que provocou a pergunta seguinte, se ele estaria “fazendo coisas similares na Ucrânia”.

    – Criei uma fundação na Ucrânia antes mesmo que o país declarasse sua independência da Rússia. Esta fundação está funcionando desde então e tem representado um papel importante nos acontecimentos atuais – revelou Soros.

    No portal de internet InfoWars, reportagem publicada há alguns dias rompeu o cerco midiático em curso quanto à realidade na Ucrânia ao apontar a participação de Soros, em colaboração estreita com a Fundação Nacional para a Democracia (USAID, na sigla em inglês) – que assumiu parte das atribuições da Agência Central de Inteligência (CIA, também na sigla em inglês) – no golpe de Estado. O Instituto Republicano Internacional, a Casa da Liberdade (Freedom House) e o Instituto Albert Einstein também foram citados como cúmplices no financiamento e na derrubada de governos na Europa Oriental e na Ásia Central, logo após a dissolução da União Soviética.

    Muitos dos participantes das manifestações em Kiev assumiram fazer parte de determinadas Organizações Não Governamentais (ONGs) responsáveis por treiná-los em táticas de guerrilha urbana, em numerosos cursos e conferências promovidos pela Fundação do Renascimento Internacional (IRF, em inglês), criada por Soros. A IRF, fundada e financiada pelo multimilionário, orgulha-se de ter feito “mais do que qualquer outra organização” para a “transformação democrática” da Ucrânia, afirmou.

    A ação de Soros, no entanto, permitiu que ultranacionalistas passassem a controlar os serviços de segurança ucranianos, como a polícia e as forças armadas. Em abril, o secretário do Conselho de Segurança Nacional e da Defesa, Andréi Parubiy, foi acusado por testemunhas de aceitar suborno da CIA para ajudar no combate àqueles que se opõem ao governo autoproclamado. Ainda segundo o InfoWars, a operação militar de Kiev, com seu caráter violento, incluindo o incêndio na sede de um sindicato em Odesa, no qual morreram mais de 80 pessoas, também pode ser atribuído ao ativismo de George Soros e das outras organizações ligadas à IRF.

    Estas mesmas ONGs foram detectadas no Brasil com um serviço semelhante àqueles prestados pela IRF à ultradireita na Ucrânia. A ONG Brazil No Corrupt seria mais uma na lista de organizações patrocinadas por organismos internacionais para a promoção de atos de vandalismo e de violência nas manifestações de rua, principalmente agora, às vésperas da Copa do Mundo, no movimento #naovaitercopa. Compete, ainda, a estas organizações, o patrocínio de páginas nas redes sociais, como a TV Revolta, entre outras, criadas para disseminar o ódio e promover a desestabilização do governo instituído, em manifestações violentas nas principais capitais do país.

    http://correiodobrasil.com.br/destaque-do-dia/patrocinador-do-golpe-na-ucrania-e-parceiro-de-assessor-do-tucano-aecio-neves/706742/?fb_ref=recommendations-bar

  3. Cyro

    24 de junho de 2014 12:29 pm

    Ardei, Homens de Preto, ardei – IRAQUE
    Ardei, Homens de Preto, ardei
    Pepe Escobar
    Traduzido por Coletivo de tradutores Vila Vudu
    http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=12647

    Vamos logo ao que interessa. Como a coleção primavera-verão Zara, completa, com rifles de assalto último tipo, tênis de passeio Nike branquinhos novinhos em folha e Toyotas-zero-quilômetro com o tanque cheio, cruzando o deserto sírio-iraquiano: os BBJB, Bad-Boys Jihadistas in Black.

    Era uma vez (faz pouco tempo!), o governo dos EUA só ajudava “terroristas do bem” (na Síria), em vez de “terroristas do mal”. Era eco de outro tempo (menos recente) quando os EUA só apoiavam “Talibã do bem”, não “Talibã do mal”.

    Mas, então… O que aconteceu, se até os ditos ‘especialistas’ da Brookings Institution já cacarejaram que o Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIL) é, sim, o pior grupo jihadista do planeta (afinal, foram expulsos da al-Qaeda)? Será que são tããããão péssimos que, nos termos da lógica pervertida do duplifalar, já estariam alcançando a neonormalidade?!

    Desde o ano passado, segundo o duplifalar do governo dos EUA, “terroristas do bem” na Síria são a gangue da Frente al-Nusra, descendente da al-Qaeda; o príncipe (tombado em desgraça) Bandar bin Sultan, codinome Bandar-Bush; e a Frente Islâmica, subgrupo, de fato, da Frente al-Nusra de várias frentes. Mas ambos, a Frente e o ISIS juraram lealdade a Ayman “o Doutor” al-Zawahiri, capo perene da al-Qaeda e duro-de-matar.

    Tudo isso nos deixa o problema de saber o que os BBJB – Bad-Boys Jihadistas in Black do ISIS, soldados degoladores e astros de passarela & foto, reunião (ou amontoado) de sunitas tribais de linha duríssima e “remanescentes” (lembram-se de Rumsfeld em 2003?) do partido Ba’ath – realmente querem.

    Interrompemos esse desfile pela passarela do deserto, para anunciar que eles NÃO invadirão Bagdá. Mas, sim: estão ocupadíssimos acelerando a balcanização – e eventual partilha de ambos os estados, Síria e Iraque. Não são criação da CIA (como é que Langley nunca pensou nisso?!); são, de fato, filhos bastardos do cartão de (infindável) crédito do (caído em desgraça) Bandar Bush.

    O fato de que o ISIS NÃO esteja diretamente na folha de pagamento da CIA-Langley não implica que a estratégica do ISIS seja essencialmente diferente da agenda do Império do Caos. O governo Obama pode até estar enviando alguns poucos marines para proteger as piscinas da maior embaixada do universo, do tamanho do Vaticano, e mais uns poucos “conselheiros militares” para “retreinarem” o Exército (em dissolução) do Iraque. Mas são uma gota de Coca-Zero no deserto ocidental iraquiano. Não há sinal de que Obama esteja a ponto de autorizar “apoio cinético” contra o ISIS, apesar de Bagdá já ter autorizado.

    Ainda se Obama pirar-total e/ou inventar uma nova lista de itens humanos a serem pulverizados por seus drones (“ação militar focada”), sempre será pouca coisa & diversionismo. O que interessa é que as agendas do ISIS e da Av.Beltway continuam idênticas: livrar-se do primeiro-ministro do Iraque al-Maliki (não por acaso o novo bicho-papão nas páginas da imprensa-empresa nos EUA); pôr fim à influência político/econômica do Irã sobre o Iraque; apagar, de cabo a rabo, o Acordo Sykes-Picot; e estimular mais “dores do parto” (lembram-se de Condoleezza?) em vastas áreas onde sunitas tribais linha duríssima já atropelaram o poder central e governam.

    Para o Império do Caos, o ISIS é o agente provocador que lhes caiu do céu (presente de Alá?): perfeito instrumento fantasiado com balaclava para manter em ritmo de Operação Liberdade Duradoura, para sempre, a Guerra Global ao Terror.

    A cereja do bolo (azedo) é que a casa de Saud negou oficialmente que esteja apoiando o ISIS.[1] Parece ser verdade, já passando por cima da carcaça de Bandar Bush. Pista para entender a narrativa oficial da Casa de Saud e Casa de Thani sobre o ISIS: não têm nada a ver com o que está acontecendo no Iraque. Tudo lá é organizado pelos “remanescentes” do partido ba’athista.

    Evêm-aí, isso sim, é mais golpe de mudação de regime…

    O ângulo mais amplo, que tudo abarca, é o do Irã, porque todo o drama, inteiro, é sobre “conter” o Irã.

    Basta você conseguir ler o Washington Post,[2] para ter certeza: é a mesma regurgitação ‘jornalística’ de sempre sobre “provas” de que “o Irã e seus aliados sírios” muito “cooperaram” com o ISIS, e de que Bashar al-Assad da Síria mantém uma “parceria comercial” com o ISIS. E não esqueçam o quanto eles precisam de mais guerra, guerra, guerra: há aí à frente um “Irã nuclear” em luta contra um “mundo árabe sunita”; e o grande coringa continua a ser a al-Qaeda.

    Quanto à propaganda neoconservadora de ‘denúncia’ de que o governo dos EUA estaria na cama com Teerã contra o ISIS… esqueçam: mais uma vez, é puro jornalismo para desinformar.

    O general Mohammad Reza Naqudi, comandante dos Guardas Revolucionários do Irã, aproximou-se muito da verdade, quando disse que “grupos takfiri e salafistas em vários estados regionais, especialmente na Síria e no Iraque, são apoiados pelos EUA”; e que “os EUA estão manipulando os terroristas takfiri para comprometer a imagem do Islã e dos muçulmanos”. E foi o que disse também o presidente do Parlamento (Majlis) Ali Larijani: “É perfeitamente óbvio que os norte-americanos e demais países aqui à nossa volta são responsáveis pelo que hoje se vê no Iraque. (…) O terrorismo converteu-se em ferramenta que as grandes potências usam para promover seus objetivos.”

    O que realmente interessa ver em tudo isso é que Teerã identificou o desfile do ISIS em sua passarela do deserto, pelo que ele de fato é: uma armadilha.

    Além do mais, o Irã também está convencido de que Washington não romperá com seus vassalos na Casa de Saud. Tradução: Washington permanece comprometida com a velha-guarda da Guerra Global ao Terror.

    Na prática, isso sim, Teerã já está apoiando – e também com “conselheiros” em campo – uma miríade de milícias xiitas que estão sendo deslocadas para proteger Bagdá e, especialmente, as cidades sagradas dos xiitas, Najaf e Karbala.

    Os EUA, entrementes, na volta dos neoconservadores mortos-vivos, insistem na vomitação do tema preferido deles: Maliki Maliki Maliki. Nada do que se passa hoje no Iraque tem qualquer coisa a ver com a Operação Choque e Pavor, nem com a invasão, nem com a ocupação, nem com a destruição do país praticamente todo; nem tem nada a ver com Abu Ghraib; nem com a guerra sectária que se vê hoje, absoluta e completamente incitada por Washington (Dividir para Governar, tudo outra vez). Nada disso. A culpa é de Maliki. Então… Maliki tem de ser posto para fora de lá!

    Quando tudo fracassa – ao custo de trilhões de dólares – o manual dos neoconservadores manda resetar e voltar ao modelão-padrão: mudação de regime.

    Aos trancos, por um sunistão linha duríssima

    Tudo é oculto e impalpável sobre o líder do ISIS Abu Bakr al-Baghdadi, também conhecido como Abu Dua, nascido em Samarra em 1971, “remanescente” de Saddam mas – e mais importante – ex-prisioneiro de uma prisão do governo dos EUA em Camp Bocca, de 2005 a 2009, além de ex-líder da al-Qaeda-no-Iraque. Não é segredo no Levante que os Homens de Preto do ISIS foram treinados em 2012 por instrutores norte-americanos numa base secreta em Safawi, no deserto ao norte daquela ficção disfarçado de país, a Jordânia, para que, adiante, pudessem lutar fantasiados como ‘rebeldes’ aprovados pelo ocidente, na Síria.

    Foi al-Baghdadi quem mandou um grupo de Homens de Preto para montar a Frente al-Nusra (“terroristas do bem”, lembram-se?) na Síria. É provável que tenha rompido com a Frente no final de 2013, mas continuou a mandar sobre vasta porção de deserto, do norte da Síria ao oeste do Iraque. É o novo Osama bin Laden (a bênção que nunca para de cair dos céus, sempre e sempre), Emir mais do que com certeza de um califato islamicamente correto no coração do Levante.

    Esqueçam Osama no Hindu Kush; a coisa agora é muito mais sexy!

    Um sunistão linha duríssima entre o norte curdo do Iraque e o sul xiita, nadando em petróleo, que se estende de Aleppo, Rakka e Deir ez-Zor na Síria, entre os dois rios – Tigre e Eufrates – com Mosul como capital, devolvida ao papel ancestral de eixo de transmissão entre os rios gêmeos e o Mar Mediterrâneo. Sykes-Picot comerá o próprio pé, de raiva.

    Obviamente, al-Baghdadi jamais conseguiria montar sozinho esse festim fantástico. É onde entra seu auxiliar “remanescente” de Saddam e teórico do partido Ba’ath, o extraordinário Izzaat Ibrahim al-Douri, filho precisamente da estratégica Mosul. E, principalmente, sobretudo e todos, entra também o Conselho Geral Militar dos Revolucionários do Iraque – espantosa organização “secreta” que tem as gingas dos infernais Lionel Messi e Luiz Suarez somadas e está driblando todo o aparelho de inteligência ocidental, inclusive a Panopticon-orwelliana Agência de Segurança Nacional dos EUA.[3]

    Bem… Não chega a ser tudo isso, assim, completamente, porque a coalizão das vontades do ISIS e ba’athistas foi negociada por ninguém menos que Bandar Bush – quando ainda estava na ativa e com a contribuição crucial de um passe da lateral que lhe veio do primeiro-ministro Ergodan, da Turquia. Não há aí nem jamais alguém conseguirá encontrar aí ‘a mão’ de Washington, porque, aí, a Av. Beltway não piou.

    O que o Conselho Geral Militar dos Revolucionários do Iraque conseguiu reunir é nada menos que todos os “remanescentes” da boa velha resistência iraquiana do início dos anos 2000s, os principais xeiques tribais, misturou-a com o ISIS, e criou o que bem se pode chamar de um “Exército da Resistência” – aqueles, os BBJB, Bad-Boys Jihadistas in Black & suas pick-ups Toyotas branquinhas, feitos da matéria da qual hoje se escrevem as lendas, pois conseguiram obrar o milagre de não serem detectados pela rede de satélites da Agência de Segurança dos EUA. Os rapazes da máscara preta e tênis branco & fuzil & Toyotas-zero estão tão, tão, tão na moda, que têm até página “no Face” com 33 mil “curti”.[4]

    Balkanização ou morte

    Enquanto isso, a agenda do Império do Caso continua sem se alterar. A balcanização já é fato. O ministro de Relações Estrangeiras do Iraque, Hoshyar Zebari (que é curdo), pediu a “cooperação” da guerrilha curda (Peshmerga) ao exército iraquiano, para manter Kirkuk, rica em petróleo, bem longe do ISIS. Operando com precisão de relógio, os Peshmergas anexaram Kirkuk, para todas as finalidades práticas. O Grande Curdistão já nos acena de perto.

    O Grande Aiatolá Sistani, também para todas as finalidades práticas, lançou uma jihad sunita contra o ISIS. Por seu lado, o líder do Conselho Islâmico Supremo do Iraque, Sayyid Ammar al-Hakim, praticamente ressuscitou aquele formidável corpo de paramilitares, o Badr – muito próximo do Corpo de Guardas Revolucionários do Irã. São corpos militares contra os quais o ISIS não tem a mínima chance. E Muqtada al-Sadr está lançando suas “Brigadas da Paz”, para proteger as cidades santas xiitas e também igrejas cristãs. Reina a guerra civil.

    Enquanto isso, na Terra de Oz, o Pentágono com certeza conseguirá obter fundos extras para sua cruzada perene que visa a salvar a civilização ocidental contra o terror islamista. Afinal, um neo-Obama bin Laden (em balaclava) espreita no mato.

    Embora a maioria dos iraquianos rejeitem a balcanização, os sunitas continuam a acusar os xiitas de trabalharem a favor dos iranianos, e os xiitas continuam a acusar os sunitas de serem uma 5ª Coluna a favor da Casa de Saud. O ISIS continuará a receber montanhas de dinheiro de ricos “doadores” sauditas. O governo dos EUA continuará a armar os sunitas contra os xiitas na Síria e (provavelmente) manterá seus “ataques militares focados” a favor dos xiitas e contra sunitas no Iraque. E foi assim que “Dividir para Governar” enlouqueceu completamente.

    Notas
    [1]http://www.twitlonger.com/show/ndkh83

    [2]http://www.washingtonpost.com/opinions/the-united-states-should-not-cooperate-with-iran-on-iraq/2014/06/17/f3144b9c-f63e-11e3-a3a5-42be35962a52_story.html

    [3] Ver também, na mesma linha dessa reflexão: 21/6/20014, “O fiasco ISIS/ISIL: na realidade, um ataque ao Irã”, Mike Whitney, Counterpunch, trad. Mberublue, em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014_06_01_archive.html [NTs].

    [4]https://www.facebook.com/gmcir1

  4. Paulo F.

    24 de junho de 2014 12:45 pm

    UE em encruzilhada.

    do Diário de Notícias de Lisboa

     

    PM italiano diz sobre a UE

    “Não é suficiente termos uma moeda comum”

    por Lusa  Hoje

    Matteo Renzi, primeiro-ministro italianoMatteo Renzi, primeiro-ministro italiano Fotografia © Reuters

    O primeiro-ministro de Itália, Matteo Renzi, afirmou hoje que a União Europeia (UE) está “numa encruzilhada” e que a moeda comum não é suficiente para combater o euroceticismo e o desemprego.

    “Estamos numa encruzilhada. Não é suficiente termos uma moeda comum, um presidente ou uma fonte de financiamento comum. Ou temos um destino e valores comuns, ou perdemos a ideia de Europa”, disse o primeiro-ministro ao apresentar no parlamento as prioridades da presidência italiana que se inicia a 01 de julho.

    “Se a Europa não mudar de rumo não haverá crescimento. E não é possível haver estabilidade se não houver crescimento”, disse, acrescentando que a presidência italiana “tem de ser o momento de reforma”.

    Renzi, que assumiu a chefia do governo em fevereiro com críticas ao antecessor Enrico Letta por não promover o crescimento económico, afirmou que o euro “foi encarregado de construir a Europa, mas a moeda única não chega”.

    Matteo Renzi tem defendido uma flexibilização das políticas de austeridade dos últimos anos na UE e, hoje, reiterou que Itália não procura uma alteração das regras, mas “diferentes abordagens das regras”.

    A UE, defendeu, tem de responder à pergunta “o que é a Europa hoje?”, argumentando que “a Europa hoje é tédio, submersa em números e sem alma”.

    Além da política económica, a imigração foi tema dominante no discurso do primeiro-ministro italiano, que criticou uma Europa que “explica ao pescador italiano como deve pescar, mas vira as costas quando há cadáveres no mar”.

    Renzi adiantou que vai propor na cimeira europeia de quinta e sexta-feira que a atual operação de salvamento de imigrantes junto à Sicília, a cargo da Itália, passe a ser gerida pela Agência Europeia de Fronteiras Externas (Frontex).

     

  5. Henrique, O Outro

    24 de junho de 2014 12:52 pm

    Dormindo com o inimigo

    OS BONS MOÇOS DA CAMPANHA

    Numa eleição disputadíssima, bom mocismo de petistas costuma dar conforto a adversários

     
    Paulo Moreira Leite

    O aspecto mais curioso da campanha presidencial de 2014 é o surgimento de  bons moços dentro do PT.

    Não faltam exemplos. Os bons moços lamentam  que o governo  não tenha dado respostas aos protestos de junho – esquecendo que Dilma Rousseff foi a única política brasileira que pelo menos tentou, entre milhares do Congresso, nos governos estaduais, nas prefeituras, na oposição e na situação, em mais de 30 partidos, a apresentar um conjunto de projetos que respondiam a questões colocadas pelas ruas, a  começar pela  reforma política. As propostas tinham vários defeitos, todos sanáveis. Foram destroçados sem piedade pelos adversários em função de suas qualidades.  

    O bom moço não cobra a responsabilidade de quem enterrou mudanças que todos diziam querer. Faz auto-crítica pelas falhas de seus aliados.

    O bom moço é assim. Se aparece um erro no lado adversário, corre para descobrir uma falha equivalante entre aliados.

    Quando apanha numa face, mostra a outra.

    Quer ser o melhor da classe, ainda que todos saibam que não é o queridinho da professora e sempre será colocado de castigo por razões injustas.

    Imagine um bom moço do PSDB. Começaria dizendo que o governo Fernando Henrique entregou uma inflação de 12% ao ano — e que esse patamar nunca foi alcançado depois da posse de Lula. Também diria que a falta de reservas daquele tempo colocou o país de volta ao FMI. Falaria também da compra de votos para a emenda da reeleição.

    Este é o jogo real.

    Tenho certeza de que não sou o único brasileiro que tem estranhado o comportamento recente do ministro Gilberto Carvalho, uma liderança histórica do PT, com um papel imenso nas conquistas do governo Lula-Dilma.

    Hoje me atrevo a questionar suas declarações recentes.

    E me atrevo  a dizer que sinto aí um espírito de bom mocismo.

    Dias depois do VTNC do Itaquerão, Gilberto Caravalho considerou que era necessário colocar em seu devido lugar  a reação do partido – e de amplos setores democráticos sem relação com o PT e até seus adversários — em defesa da presidente.

    “No metrô vi muito moleque que nada tinha a ver com a elite branca gritando palavrão.”

     No inicio desta semana, quando faltam 72 horas para o Supremo rever medidas absurdas contra dirigentes  condenados da AP 470, que se dizem inocentes da maioria das denúncias apresentadas no julgamento, que também são rejeitadas por grandes mestres do Direito, Gilberto Carvalho faz questão de dizer a Natuza Nery, da Folha:  

    “Não nego atos de corrupção que tivemos. Infelizmente, eles aconteceram, têm de ser reprovados.”

    Falando sobre a campanha eleitoral o ministro afirma é que necessário fazer uma “grande mobilização que não parta da ilusão de que o povo pensa que está tudo bem.”

    É bom sublinhar alguns pontos.  O repúdio ao VTNC era necessário porque o xingatório, naquelas circunstancias, nada tinha a ver com eventual descontentamento da população. Era uma atitude de desrespeito a democracia que pretendeu, pela violencia verbal, intimidar e silenciar seus adversários. Nada a ver com palavrões no metrô.  Quem esteve nos encontros recentes do PT sabe que o partido está longe de acreditar que o “povo pensa que está tudo bem.”

    Os votos de outubro irão idefinir se conquistas históricas dos últimos 12 anos serão renovadas a partir de 2015, se possibilidades novas de progresso podem ser eliminadas. Ou ser haverá um retrocesso, de duração imprevisível.

    Num confronto dessa natureza, cada frase, cada palavra, cada vírcula e cada ponto de exclamação se traduz pelo valor político. E quem traduz são meios de comunicaçao em sua maioria engajados – como Gilberto Caravalho admite – em auxiliar os adversários de Dilma, de Lula e do PT.

    O horizonte  das palavras e dos silêncios é o mesmo – a disputa pelo poder.

    Cada passo em falso prejudica aliados e dá conforto ao inimigo.

    Essa é a questão do bom mocismo.

      http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/369708_OS+BONS+MOCOS+DA+CAMPANHA

  6. Lair Amaro

    24 de junho de 2014 12:56 pm

    Jabor entrevista Stalin

    Entrevista? Eu?”

    — Sim, camarada Stalin… Estamos em um momento histórico importante… O camarada está sendo relembrado em tantos países, inclusive na Rússia. O camarada está na moda…

    — Você é do Brasil, não é? Saudades do Prestes… Ele está onde?

    — Morreu e deve estar por aqui.

    — Aqui neste limbo onde estou não tem ninguém. É o purgatório dos ditadores; não há ninguém para nos ouvir. Imenso céu branco e vazio. Esta é a nossa punição.

    — Você está feliz aqui, “tovarich”?

    — Eu virei uma sombra do que fui; sou até usado como xingamento, confundido com os fascistas e nazistas que eram uma imitação barata do bolchevismo. Esses merdas deviam me agradecer porque não existiriam se eu não tivesse mandado aqueles comunas alemães não votar na social-democracia, nossa principal inimiga. Aí, o nazismo ganhou. Se não fosse eu, o Hitler não tinha subido…

    — Você tem orgulho do comunismo?

    — O comunismo, camarada, é o substituto do sonho de “imortalidade” dos cristãos. Comunista não morre; vira um conceito. O homem é um ser social, não é? Pois é: o ser social nunca morre. O indivíduo é uma ilusão que criou essa dor melodramática. Quem morre é pequeno-burguês.

    — Mas, na boa, camarada, você matou muita gente…

    — Me acusam muito de crueldade, mas fazíamos uma mutação na vida humana e é impossível fazer uma revolução sem crueldade, sem tirania… O próprio Hitler, que me plagiava, disse: “Temos de ser cruéis. Temos de manter a consciência tranquila de sermos cruéis”. E eu digo que se não fôssemos cruéis não teríamos o socialismo. Como é que eu ia coletivizar a agricultura sem matar uns 800 mil “kulaks”, aqueles camponeses alienados, chupa-sangues, vampiros?

    — Mas, camarada, você não exagerou?

    — Ora, tanto faz. A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística. Temos de combater essas inibições pequeno-burguesas. Tivemos que dar muito conhaque para meus militares baterem um recorde: 28 mil traidores fuzilados em quatro semanas. Sete mil por semana. Os soldados, ainda calouros no bolchevismo, tinham de beber muito para cumprir minhas ordens… Vomitavam, choravam, mas deram conta. Foi um dos meus recordes. Sem contar os 40 mil oficiais do Exército que fuzilei. A única frase do canalha do Trotsky que presta é: “Quem foi que inventou que a vida humana é sagrada?”.

    — Mas o camarada não sentia culpa?

    — Nada. A compaixão é um sentimento de enfermeiras, assim como a gratidão é uma doença de cachorros… Cá entre nós, não tenho mais de esconder nada, a euforia que me tomava com a morte de milhares de homens por minhas ordens era uma deliciosa vertigem. Muita gente que justicei não tinha noção da maravilha que era construir o Homem Novo. Eu comecei a construção do soviético essencial: frio, fiel escravo do Partido que está sempre certo. Vocês têm na terra um bom exemplo: a Coreia do Norte. Mas aquele garoto é um estúpido feito o pai. São um exército de imbecis. Você viu o ridículo: todo mundo fingindo chorar quando morreu o papai do garoto? Eu fazia uma história nova; não esta historinha burguesa não, mas a História! Já pensou: milhões de homens iguais a mim? Eu, eu, eu, milhões de Stalins? O Homem Novo não sente falta da individualidade perdida. Ele ganha o encanto infinito da servidão, a religião, a alegria de pertencer a um partido infalível. Dá um alívio não ter que pensar, só obedecer. Ainda bem que os camponeses russos eram analfabetos e não podiam ler jornais e livros do país. Aliás, Hitler escreveu: “Que sorte para os ditadores que os homens não pensem.” A construção do Homem Novo custou muito sangue, eu sei, mas não tinha outro jeito. Difícil foi na Ucrânia, quando proibi comida naquele buraco de traidores e de “kulaks” reacionários. Morreram mais de 4 milhões de fome, teve até canibalismo, dizem, mas a Ideia justifica tudo.

    — Mas, camarada, você sempre falou que almejava a democracia…

    — Eu falei foi sobre o centralismo democrático do Partido; não essa besteira de democracia burguesa sem controle, sem comando. Eu comandei a democracia interna sempre. Quando tive de expurgar agentes trotskistas, foi também uma festa poder limpar as estrebarias do Comitê Central. Dos 139 membros, fuzilei 98… Ah… Saudades do Zinoviev, Kamenev, Rykov, Bukharin…

    — Eles tiveram liberdade de defesa?

    — “Liberdade para quê?”, como respondeu Lenin quando vencemos. Com liberdade não teríamos fuzilado a família do czar Nicolau II; só um bolchevique profundo teria sangue frio para ver as criancinhas morrendo sob balas. Esse é o preço da liberdade: a vigilância absoluta. Mas, o Brasil está seguro contra os perigosos agentes de direita, neoliberais e espiões do imperialismo. Vocês sabem que nós criamos os “sovietes” na Rússia, os conselhos, como chamam vocês… Parabéns. Os conselhos são um primeiro passo para controlar essa besteira de democracia representativa, que vocês tiveram a sabedoria de usar, mas agora atrapalha a construção do bolivarianismo (ah, esse meu filhote bastardo…). Ao menos minhas ideias ainda repercutem… Veja a Venezuela, Argentina, tantos seguidores. A única coisa que importa é o controle da sociedade. Temos de tutelá-la. Eu já disse uma vez: o povo deve ser educado com o mesmo cuidado com que um jardineiro cultiva uma árvore de estimação. As ideias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias? Acho que seu país está no bom caminho: controlar a mídia, como vocês chamam hoje. A imprensa é a arma mais poderosa de nosso partido e vocês vão seguir nosso exemplo. Toda propaganda tem que ser popular e acomodar-se à compreensão dos menos inteligentes. Como você vê, estou repetindo as frases da besta do Hitler. Mas ele nos deu um bom conselho, que serve muito para seu país, caro jornalista: “Quanto maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada”. O povão não sabe nada. É isso aí, cumpanheiros: vão em frente que a luta continua…

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/arnaldo-jabor/entrevista-exclusiva-com-stalin-12985749#ixzz35YpvpAIY 
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  7. Cyro

    24 de junho de 2014 12:57 pm

    Noam Chomsky, Sócrates dos EUA

    Noam Chomsky, Sócrates dos EUA

    Chris Hedges

    Traduzido por Coletivo de tradutores Vila Vudu

    http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=12624

     

    CAMBRIDGE, Mass. – Noam Chomsky, a quem entrevistei 5ª-feira passada em sua sala no Massachusetts Institute of Technology (MIT), influenciou intelectuais nos EUA e em todo o mundo, por número incalculável de vias. A explicação que construiu para o Império, a propaganda de massa, a hipocrisia e o servilismo dos liberais e os fracassos dos acadêmicos, além do que ensinou sobre os modos pelos quais a linguagem é usada como máscara pelo poder, para nos impedir de ver a realidade, fazem dele o mais importante intelectual nos EUA. A força de seu pensamento, combinada a uma independência feroz, aterroriza o estado-empresa – motivo pelo qual a imprensa-empresa e grande parte da academia-empresa tratam-no como pária. Chomsky é o Sócrates do nosso tempo.

     

     

    Vivemos um momento sombrio e desolado na história humana. E Chomsky começa por essa realidade. Citou o falecido Ernst Mayr, importante biólogo evolucionista do século 20, que disse que provavelmente nós jamais encontraremos extraterrestres inteligentes, porque formas superiores de vida se autoextinguem em tempo relativamente curto.

     “Mayr dizia que o valor adaptacional do que se chama ‘inteligência superior’ é muito baixo” – disse Chomsky. – “Baratas e bactérias são muito mais adaptáveis que os humanos. É melhor ser inteligente que estúpido, mas podemos ser um equívoco biológico, usando os 100 mil anos que Mayr nos dá como expectativa de vida como espécie, para destruir-nos nós mesmos e destruir também muitas outras formas de vida no planeta.”

    A mudança climática “pode acabar conosco, e em futuro não muito distante” – diz Chomsky. – “É a primeira vez na história humana em que temos a capacidade para destruir as condições mínimas para sobrevivência decente. Já está acontecendo. Há espécies que estão sendo destruídas. Estima-se que vivemos destruição equivalente à de há 65 milhões de anos, quando um asteroide colidiu com a Terra, extinguiu os dinossauros e grande número de outras espécies. A destruição, hoje, é de nível equivalente àquele. De diferente, que o asteroide somos nós. Se alguém nos está vendo do espaço, deve estar atônito. Há setores da população global tentando impedir a catástrofe global. Outros setores tentam apressá-la.

    Veja bem quem são uns e outros: os que tentam impedir a catástrofe total são os que nós chamamos de primitivos, atrasados, populações indígenas – as Nações Originais no Canadá, os aborígenes australianos, pessoas que ainda vivem em tribos na Índia. E quem acelera a destruição? Os mais privilegiados, os chamados ‘avançados’, os letrados, as pessoas cultas e educadas do mundo.”

    Se Mayr acertou, estamos no fim de uma tendência, acelerada pela Revolução Industrial, que nos jogará para o outro lado de uma montanha, ambientalmente e economicamente. Esse evento, aos olhos de Chomsky, nos oferece uma oportunidade e, ao mesmo tempo, traz um perigo. Já várias vezes Chomsky repetiu, como alerta, que, se temos de nos adaptar e sobreviver, é preciso derrubar o poder da elite-empresa-corporação, mediante movimentos de massa; e devolver o poder a coletivos autônomos que são focados em manter as comunidades, em vez de explorar comunidades. Apelar às instituições e mecanismos estabelecidos de poder não vai dar certo.

     “Podem-se extrair muitas boas lições, do período inicial da Revolução Industrial” – disse ele. – “A Revolução Industrial decolou aqui perto, no leste de Massachusetts, em meados do século 19. Foi o período quando fazendeiros independentes estavam sendo conduzidos para dentro do sistema industrial. Homens e mulheres – as mulheres deixaram as fazendas para ser “operárias de fábrica” – lastimaram amargamente a mudança. Foi também período de imprensa muito livre, a mais livre que os EUA jamais conheceram, em toda sua história. Havia quantidade enorme de jornais e lê-los hoje é experiência fascinante. O povo que foi arrastado para o sistema industrial via aquilo tudo como um ataque à sua dignidade pessoal, aos seus direitos de seres humanos. Eram seres humanos livres, forçados para dentro do que chamavam ‘trabalho assalariado’, e que, aos olhos deles, não era muito diferente da escravidão. De fato, essa era a impressão dominante entre o povo, a tal ponto, que havia um slogan do Partido Republicano: ‘A única diferença entre trabalhar por salário e ser escravo é que o salário acaba.’”

    Chomsky diz que essa deriva, que forçou os trabalhadores agrários para longe da terra e para dentro das fábricas nos centros urbanos, foi acompanhada por uma destruição cultural. Os trabalhadores, diz ele, haviam sido parte da “mais alta cultura da época”.

     “Lembro-me disso, lá nos anos 1930s, com minha própria família” – diz ele. – “Aquilo nos foi tirado. Estávamos sendo forçados a nos tornar, de certo modo, escravos. Diziam que você trabalhava como artesão e vendia um produto que você produzia, então, como assalariado, o que você passou a fazer foi vender você mesmo. E isso soava como ofensa profunda. Eles condenavam o que chamavam de ‘novo espírito da época’, ganhar dinheiro e esquecer-se completamente de si mesmo. É velho e, ao mesmo tempo, soa hoje muito familiar aos nossos ouvidos.”

    É essa consciência radical, que deitou raízes em meados do século 19 entre fazendeiros e muitos operários de fábrica, que Chomsky diz que temos de recuperar para conseguirmos avançar como sociedade e como civilização. No final do século 19, fazendeiros, sobretudo no meio-oeste, livraram-se dos banqueiros e dos mercados de capitais, e constituíram seus próprios bancos e cooperativas. Entenderam o perigo de virar vítimas de um processo vicioso de endividamento, comandado pela classe capitalista. Os fazendeiros radicais fizeram alianças com os ‘Knights of Labor’ [Cavaleiros do Trabalho], que entendiam que os que trabalhavam nos moinhos deviam ser também proprietários dos moinhos.

     

     

    “À altura dos anos 1890s, operários estavam tomando cidades e governando-as, no leste e no oeste da Pennsylvania. É o caso de Homestead” – Chomsky lembrou. – “Mas foram esmagados à força. Demorou um pouco. O golpe final foi o ‘Medo Vermelho’ de Woodrow Wilson [orig. Woodrow Wilson’s Red Scare].”

     

    “A ideia, hoje, ainda deve ser a dos Knights of Labor,” he said. “Os que trabalham nos moinhos devem ser também donos dos moinhos. Há muito trabalho em andamento. Haverá mais. Os preços da energia estão caindo nos EUA, por causa da massiva exploração de combustíveis fósseis, que destruirá nossos netos. Mas, sob a moralidade capitalista, o cálculo é: os lucros de amanhã são mais importantes que a existência ou não dos seus netos. Estamos conseguindo preços mais baixos de energia. Eles [os empresários] estão entusiasmadíssimos, porque podem oferecer preços inferiores aos que a Europa oferece, porque nossa energia é mais barata. E assim, os EUA conseguimos fazer fracassar os esforços que a Europa tem procurado fazer, para desenvolver energia sustentável…”

    Chomsky espera que os que trabalham na indústria de serviços e na manufatura possam começar a organizar-se para começar a tomar o controle de seus próprios locais de trabalho. Observa que no ‘Cinturão da Ferrugem’ [orig. Rust Belt], inclusive em estados como Ohio, há crescimento no número de empresas que pertencem aos trabalhadores.

    O crescimento de poderosos movimentos populares no início do século 20 mostrou que a classe empresarial já não conseguia manter os trabalhadores subjugados por ação exclusiva da violência. Os interesses empresariais tiveram de construir sistemas de propaganda de massa, para controlar opiniões e atitudes.

    O crescimento da indústria de ‘relações públicas’, iniciada pelo presidente Wilson, que criou o Comitê de Informação Pública [“Creel Committee”], para instilar sentimentos pró-guerra na população, inaugurou uma era não só de guerra permanente, mas também de propaganda permanente. O consumo foi instilado também, com compulsão incontrolável. O culto do indivíduo e do individualismo tornou-se regra. E opiniões e atitudes, passaram a ser talhadas e modeladas pelos centros de poder, como o são hoje.

     “Uma nação pacífica foi transformada em nação de odiadores, fanáticos por guerras” – diz Chomsky. – “Essa experiência levou a elite no poder a descobrir que, mediante propaganda efetiva, aquelas elites poderiam, como Walter Lippmann escreveu, usar “uma nova arte na democracia, e fabricar o consentimento.”

    A democracia foi destripada. Os cidadãos tornaram-se ‘público’, ‘audiência’, telespectadores, não participantes no poder. Os poucos intelectuais, entre os quais Randolph Bourne, que mantiveram a independência e recusaram-se a servir à elite no poder foram expulsos para fora do sistema, como Chomsky.

     “Muitos dos intelectuais dos dois lados estavam apaixonadamente dedicados à causa nacional” – disse Chomsky, falando a 1ª Guerra Mundial. “Houve só uns raros dissidentes. Bertrand Russell foi preso. Karl Liebknecht e Rosa Luxemburg foram mortos. Randolph Bourne foi marginalizado. Eugene Debs, preso. Todos esses se atreveram a questionar a magnificência da guerra.”

    Aquela histeria pró-guerra jamais cessou, movida sem alteração, do medo de um bárbaro germânico, para o medo de comunistas e, daí, para o medos de jihadistas e terroristas islamistas.

     “As pessoas vivem aterrorizadas demais, porque foram convencidas de que nós temos de nos defender nós mesmos” – diz Chomsky. – “Não é inteiramente falso. O sistema militar gera forças perigosas para nós, que nos ameaçam. Veja, por exemplo, a campanha terrorista dos drones de Obama – a maior campanha terrorista de toda a história. Esse programa dos drones de Obama gera novos terroristas e terroristas potenciais muito mais depressa, do que destrói suspeitos. É o que se vê agora no Iraque. Volte lá, aos julgamentos de Nuremberg. A agressão entre estados foi definida como o supremo crime internacional. Foi considerado diferente de outros crimes de guerra, porque a agressão entre estados reúne, como crime, todos os demais danos que outros crimes subsequentes causarão.

    A invasão que EUA e Grã-Bretanha cometeram contra o Iraque é como um manual de crime de agressão entre estados. Pelos padrões de Nuremberg, os governantes dos EUA e da GB teriam, todos, de ser condenados à morte e enforcados. E um dos crimes que cometeram foi incendiar o conflito sunita versus xiitas.”

    Esse conflito, que agora novamente inflama a região, é “um crime cometido pelos EUA, se acreditamos que sejam válidas as sentenças que Nuremberg proclamou contra os nazistas. Robert Jackson, promotor-chefe no tribunal de Nuremberg, em sua fala aos jurados, disse que aqueles acusados haviam bebido de um cálice envenenado. E que se algum de nós algum dia bebêssemos daquele mesmo cálice teríamos de ser tratados do mesmo modo, ou tudo não passaria de grande farsa.”

    As escolas e universidades da elite inculcam hoje em seus alunos a visão de mundo endossada pela elite no poder. Treinam alunos para serem reverentes ante a autoridade. Para Chomsky, a educação, na maior parte das grandes escolas, inclusive em Harvard, a poucos quarteirões de distância do MIT, não passa de “um sistema de profunda doutrinação”.

     “Há um entendimento de que há certas coisas que não se dizem nem se pensam” – diz Chomsky. – “É assim, entre as classes educadas. E é por isso que eles todos apoiam fortemente o poder do estado e a violência do estado, apenas com uma ou outra pequena ‘restrição’. Obama é visto como crítico contra a invasão do Iraque. Por quê? Só porque disse que seria erro estratégico. É argumento que o põe no mesmo nível moral de um general nazista que entendesse que o segundo front era erro estratégico. Isso, para os norte-americanos, é ‘ser crítico’.”

    E Chomsky não subestima o ressurgimento de movimentos populares.

     “Nos anos 1920s, o movimento trabalhista estava praticamente destruído” – disse. – “Havia sido movimento trabalhista forte, muito militante. Nos anos 1930s ele mudou, e mudou por causa do ativismo popular. Houve circunstâncias [a Grande Depressão] que levou à oportunidade de fazer alguma coisa. Vivemos constantemente com isso. Considere os últimos 30 anos. Para a maioria da população, foram tempos de estagnação, ou pior que isso. Não é a Depressão profunda, mas é uma depressão semipermanente para a maior parte da população. Há muita lenha lá fora, esperando para ser queimada.”

    Chomsky entende que a propaganda empregada para fabricar consentimentos, mesmo na era das mídias digitais, está perdendo efetividade, com a realidade cada vez menos parecida com o ‘retrato’ dela inventado pelos órgãos da imprensa-empresa de massas. Embora a propaganda feita pelo estado norte-americano ainda consiga “empurrar a população para o terror e o medo e para a histeria de guerra, como se viu nos EUA antes da invasão do Iraque”, ela já começa a fracassar na tarefa de manter fé não questionada nos sistemas de poder. Chomsky credita ao movimento Occupy, que ele descreve como uma tática, ter “disparado uma fagulha iluminadora” a qual, mais importante, atravessou toda a sociedade, apesar da atomização”.

     “Há todos os tipos de esforços e projetos para separar as pessoas umas das outras” – diz ele. – “A unidade social ideal [no mundo dos propagandistas do estado-empresa] é você e sua tela de televisão. As ações de Occupy puseram abaixo isso, para grande parte da população. As pessoas reconheceram que poder nos juntar e fazer coisas por nós mesmos. Podemos ter uma cozinha comum. Podemos ter um palanque para discussões públicas. Podemos formar nossas próprias ideias. Podemos fazer alguma coisa. E esse é ataque importante contra o núcleo dos meios pelos quais o público é controlado.

    Você não é só um indivíduo tentando maximizar o consumo. Você descobre que há outros interesses na vida, outras coisas com as quais se preocupar. Se essas atitudes e associações puderem ser sustentadas e mover-se em novas direções, será muito importante.”

  8. Miope

    24 de junho de 2014 12:58 pm

    FORBES (artigo) – A economia da Copa do Mundo: detratores Brasil

    Uma visão muito equilibrada da Forbes sobre a copa e o Brasil:

     

    <http://www.forbes.com/sites/nathanielparishflannery/2014/06/23/world-cup-economics-why-brazils-bashers-have-got-it-wrong/&gt;

  9. Paulo F.

    24 de junho de 2014 1:02 pm

    Deixa o cara em paz

    Esse Tea Party é muito chato!

    Da Ansa

    Republicanos da Dakota do Sul pedem impeachment de Obama

    Grupa alega que ele não respeitou seu juramento como presidente

    OBAMA ESTENDE DIRITTI ALLE FAMIGLIE CHE LAVORANO (foto: EPA)OBAMA ESTENDE DIRITTI ALLE FAMIGLIE CHE LAVORANO (foto: EPA)24 Junho, 09:33•NOVA YORK•ZSG

    (ANSA) – Os republicanos da Dakota do Sul querem o impeachment do presidente norte-americano, Barack Obama, por conta da forma como lidou com o caso do sub-oficial Bowe Bergdahl, entre outros motivos.
        Em uma iniciativa aprovada com 191 votos a favor e 176 contra, os membros do Grand Old Party (GOP), como é chamada a legenda Republicana, da Dakota do Sul anunciaram o pedido alegando que Obama não respeitou seu juramento como presidente.
        Allen Unruh, o relator do texto, disse ter “um livro inteiro sobre as ações do presidente que podem valer um impeachment”.
        Em resposta, o presidente do Partido Democrata de Dakota do Sul acusou os republicanos de não se interessar por temas como as famílias e a classe média e pensar apenas no impeachment. (ANSA)

  10. Aldo Cardoso

    24 de junho de 2014 1:24 pm

    Evangélicos se posicionam pró PNPS

    Evangélicos se posicionam pró PNPS

    Nassif,

    Por ser pouco comum, mas devido o seu alto valor simbólico e oportunidade, visto que hoje (24/06) as 16:00 o Ministro Gilberto Carvalho estará recebendo lideranças evangélicas no Alvorada “…para uma conversa sobre a PNPS…”, lhe sugiro converter o Manifesto abaixo em post por todos os seus significados e link para assinar.

    Queridos e queridas,

    Compartilhamos abaixo Manifesto com link sobre a Participação Social para sua avaliação. Considere a possibilidade de subscrevê-lo e divulgá-lo. Estamos iniciando sua distribuição entre irmãos e irmãs que atuaram em Conselhos e Conferências.

    Esse tema é muito importante para RENAS e para todos aqueles já envolvidos com a participação social no Brasil.

    Em Cristo,

    Daniela Sanches Frozi [email protected]

    FIOCRUZ Brasília
    Fundação Oswaldo Cruz
    Pós Doutoranda 
    (61) 3329 4528

    Sem Participação Não Há Democracia!

    A capacidade do homem para praticar a justiça torna a democracia possível; mas a inclinação do homem para a injustiça torna a democracia necessária. Reinhold Niebuhr

    Nós, membros de diferentes igrejas e organizações cristãs que temos participado de diversos espaços de participação social nas últimas décadas, nos posicionamos em favor do Decreto 8.243/2014 que regulamenta a Política Nacional de Participação Social (PNPS). Consideramos esta regulamentação um importante passo no sentido de institucionalizar a participação social como procedimento de governo. Acreditamos que a democracia brasileira é aperfeiçoada com a garantia da utilização dos mecanismos de participação da sociedade civil na construção de políticas públicas em toda a administração pública federal, conforme define o decreto, proporcionando assim a permanente interação e diálogo entre o poder público e a cidadania tanto na definição das prioridades e critérios na elaboração das políticas como na sua prestação de contas.

    É preciso lembrar que a democratização do processo de construção das políticas públicas no Brasil não é nova, e que se constituiu através das demandas da própria sociedade brasileira nas suas lutas democráticas. A Constituição de 1988 veio, por sua vez, consagrar instrumentos de democracia participativa que garante aos cidadãos e cidadãs brasileiros a possibilidade de participação direta.

    Nos últimos anos vimos o uso mais regular e sistematizado de diferentes mecanismos de participação social como as conferências e conselhos, além de audiências e mais recentemente as plataformas online, o que corrobora que a sociedade brasileira se apropria cada vez mais dos processos de formulação de políticas públicas no período pós-redemocratização.

    Em consonância com esta participação nos mecanismos institucionais, a sociedade brasileira vem demonstrando também recentemente, como nas Jornadas de Junho, que deseja mudanças reais e profundas que levem nosso país a superar problemas estruturais como a desigualdade, a falta de ética na política e transparência na gestão pública, o acesso a serviços sociais básicos etc.

    Por isso, surpreende-nos que alguns setores da sociedade brasileira, incluindo lideranças evangélicas, não percebam que a Política Nacional de Participação Social (PNPS) amplia a capacidade da sociedade de incidir para garantir políticas públicas que sejam efetivas.

    Afirmamos que a democracia se faz e se constrói no dia a dia com a participação da sociedade civil. Como cristãos e cristãs de diferentes igrejas e organizações que têm contribuído para o fortalecimento de nossa democracia através de diferentes formas de participação social, nos comprometemos e declaramos que não vamos abrir mão dessa prerrogativa assim como continuaremos lutando para que o Estado brasileiro seja cada vez mais democratizado para que atenda aos ideais de dignidade humana, justiça, liberdade e solidariedade, valores evangélicos que decidimos encarnar.

    https://docs.google.com/forms/d/1OsGzMulsRrJKPzgJTGLEmIxTUAFE37rLniDfZgqZGIY/viewform?usp=send_form

  11. Flavio Cantu

    24 de junho de 2014 2:26 pm

    FOME EM NOVA YORK

    Peço aos amigos do blog me ajudarem a inserir algumas das fotos sobre o artigo que acabei de traduzir cujo link se encontra abaixo:

    http://www.nydailynews.com/new-york/1-5-new-yorkers-rely-charities-food-article-1.1723671

     

    Crise da fome:  Instituições de caridade se esforçam para ajudar, enquanto, 1 em cada 5 habitantes de Nova York  dependem da ajuda para a alimentação. Em uma cidade onde a riqueza seria a regra, 1,4 milhão de pessoas dependem de uma rede de 1.000 bancos de alimentos e cozinhas que servem sopa, para se alimentar.  Isso corresponde a um aumento de 200.000 pessoas em cinco anos, e os programas de ajuda da cidade estão lutando para atender a essa necessidade. A City Harvest, uma instituição de caridade focada em alimentos frescos que são “resgatados” de supermercados e restaurantes, recentemente trouxe seu mercado móvel de alimentos para a área residencial de Stapleton em Staten Island.  Dezenas de pessoas faziam fila enquanto um caminhão-reboque descarregava 15.540 libras de cenouras, batatas, toranjas e maçãs, o suficiente para até 400 famílias. É uma crise silenciosa.  Numa cidade de abundância, um número impressionante de pessoas e suas famílias estão lutando para alimentar-se. Quase um em cada cinco nova-iorquinos, 1,4 milhões de pessoas, agora contam com uma rede de 1.000 programas de alimentação de emergência espalhados pela cidade para poder se alimentar. Isso representa um aumento de 200 mil pessoas em cinco anos – pressionando as instituições de caridade que estão tentando ajudar. As duas maiores instituições, o City Harvest e o Banco de Alimentos da cidade de Nova York City, agora fornecem quase 110 milhões de libras de alimentos por ano, ao longo dos cinco distritos. No entanto, aqueles que trabalham na linha de frente da crise da fome, dizem que ainda não é o suficiente. “É um aumento surpreendente de necessidade, porque é muito difícil para as pessoas encontrarem emprego, ou encontrar um emprego com remuneração decente.  Eles estão se voltando para nos pedir ajuda de emergência”, disse Monsenhor Kevin Sullivan, de 63 anos, diretor-executivo de 90 estabelecimentos de comida gratuita coordenados por instituições de caridade católicas da Arquidiocese de Nova York. “Muitas pessoas, muitas pessoas, não tem dinheiro suficiente para pagar o aluguel e também se alimentar”. No Washington Heights Food Pantry, sacos cheios de leite, suco, arroz, macarrão, molho de tomate, feijão e outros alimentos básicos desaparecem das prateleiras. Localizado numa pequena sacristia de igreja, a despensa está aberta um dia por semana, atendendo a uma clientela fixa de 275 pessoas.  Ela poderia, facilmente, atender três vezes mais necessitados, se houvesse mais alimentos, dizem os voluntários. Das cozinhas situadas no Bronx, aos mercados de alimentos móveis em Staten Island e no Brooklyn, às despensas em Queens, a história é a mesma: as filas cada vez mais longas, pessoas que chegam cada vez mais cedo, mesmo no inverno mais rigoroso. “A igreja Nossa Senhora da Graça, no nordeste do Bronx, viu o número de novas famílias dobrar em novembro – um aumento de 100%”, disse Paul Costiglio, porta-voz da Instituição Católica.  “Em todos os lugares, os nossos programas estão relatando um aumento contínuo na quantidade de pessoas que trabalham, desempregados e famílias.” A crise da fome irrompeu quando a Grande Recessão chegou O número de moradores da cidade que recebem ajuda no âmbito do Programa Federal de Assistência Nutricional Suplementar, vulgarmente conhecido como vale-refeição, aumentou de 1,3 milhões em 2008 para 1.800.000 em 2014. No entanto, mesmo com tantas pessoas necessitadas, a maior redução de benefícios na história do vale-refeição em 50 anos entrou em vigor em 01 de novembro de 2013. Foi quando um aumento temporário nos benefícios – estimulado pelo presidente Obama em 2009, como parte de seu programa de estímulo econômico – perdeu a validade. As famílias de Nova Iorque que recebiam vale alimentação, viram seus benefícios diminuirem numa média deUS$30 a US$50 por mês, dependendo de uma fórmula complexa, que leva em conta o tamanho da família e arenda. Para uma típica família de três pessoas, isso representou uma queda, de 189 dólares por mês, para uma queda de cerca de US$220. Funcionários de cozinhas, despensas de alimentos e sopa, disseram que o impacto foi rápido e dramático. Embora a economia se recupere devagar da crise financeira, os que estão na base da pirâmide não participaram totalmente desta recuperação. E assim, numa quarta-feira muito fria e de vento congelante, recentemente, um grupo de cerca de 30 homens e mulheres, esperavam pela sua vez de entrar no Banco de Alimentos da Cozinha Comunitária e Despensa Alimentar, no baiirro do Harlem. No porão apertado, as famílias movimentavam-se rapidamente, dentro de um supermercado improvisado, escolhendo os alimentos preferidos nas prateleiras. “Hoje consegui peixe. Eles me deram salmão “, disse Alejandro Medina, de 54 anos, um empregado demanutenção, que trabalha num abrigo, e que ganha cerca de US $ 24.000 por ano. Sua esposa trabalha num emprego de tempo parcial e recebe US $ 8.000.  Com quatro crianças em casa – dois de sua família e dois sobrinhos que eles cuidam – eles também recebem 189 dólares por mês em vale-refeição. Mas gastando US $ 1.200 por mês de aluguel do seu apartamento de dois quartos no Bronx, e pagando as suas outras contas, nunca há dinheiro suficiente para se alimentar, disse ele. Damares Perez, 37, uma mãe solteira de quatro filhos, conseguiu o último ramo de salsa fresca. “Venho aqui há cinco anos – e não conseguiria comer sem este alimento extra”, disse Perez, uma cabeleireira desempregada que usa a despensa para gastar os 379 dólares por mês em vale-refeição. Quando eles saem, outros correm para tomar o seu lugar.  Cerca de 250 pessoas visitam a despensa todos os dias, quando ela está aberta, dizem os voluntários. Lá fora, uma fila indiana se forma à direita do edifício – são pessoas esperando o serviço de jantar das 4 hs no refeitório.  Mais de duas dezenas de homens batiam os pés e sopravam suas mãos, enquanto a escuridão chegava no Boulevard Frederick Douglass. Mesmo assim, quando uma mulher com duas crianças pequenas chegou, ela foi conduzida à frente, para que sua família pudesse ser a primeira a entrar. “Esse é o nosso sistema aqui.  Nós vemos um grande número de famílias, muitas mães solteiras, e você simplesmente não pode mantê-los do lado fora com fome e frio “, disse o voluntário Kirk James, de 55 anos. Quase todos os programas de ajuda alimentar de emergência na cidade lutam para se adaptar ao corte no valor do vale-refeição instituído em Novembro de 2013. “Oitenta e cinco por cento relataram um aumento drástico (de necessitados) em novembro de 2013 em comparação a novembro de 2012 – e devemos lembrar que este mês já foi recordista, por causa do furacão Sandy”, disse Margarette Purvis, presidente do Banco Alimentar de Nova York . Cerca de 50% das despensas e cozinhas ficaram sem comida em novembro, e um adicional de 25% tiveram que se adaptar para fornecer menores quantidades de alimentos, disse Purvis. Uma mistura de programas governamentais, instituições de caridade e doações privadas fornecem essa cadeia alimentar aos famintos. No topo estão o Banco de Alimentos de Nova York e o City Harvest, entidades sem fins lucrativos que estão unidas num objetivo semelhante, mas executam o seu trabalho de forma diferente. O Banco de Alimentos de Nova York fornece alimento para cerca de 1.000 organizações sem fins lucrativos eescolas, trazendo 17 milhões de libras de frutas frescas e vegetais, juntamente com produtos enlatados e embalados. Nenhum pedido sai sem alguns produtos frescos incluídos. O City Harvest, financiado por doações, é um programa de “resgate de alimentos”, o que significa que suas vans rodam através dos cinco distritos para pegar alimentos frescos e não vendidos, ou servidos por sacolões, cooperativas, supermercados e restaurantes de comida. A instituição de caridade também aceita a produção dos agricultores do norte do Estado. O Banco de Alimentos fornece principalmente alimentos enlatados e embalados para cerca de 1.000 despensas de alimentos e cozinhas. O City Harvest também opera um programa de “mercados móveis” trazendo produtos frescos para seis dos bairros mais carentes da cidade. Num desses mercados móveis em Staten Island no outro dia, dezenas de pessoas faziam em fila, enquanto um caminhão-reboque descarregava 15.540 libras de cenouras, batatas, toranjas e maçãs, o suficiente para até 400 famílias.  À medida que o clima fica mais quente, os voluntários dizem, que as filas aumentam ainda mais – e eles se preparam para atender 700 famílias ou até mais do que isto. Em dias quentes, as filas podem se estender por quarteirões, dizem os voluntários. Wanda Vargas, de 59 anos, que mora em Stapleton e cuida dos seis filhos de sua filha, disse que sempre chega cedo duas vezes por mês ao caminhão-reboque. “Mesmo uma pequena ajuda é importante. Qualquer coisa que eles trouxerem, tudo é necessário”, disse Vargas, cuja filha trabalha como assistente médica e ganha US $ 12 por hora -o que  não é suficiente, para sobreviver sem um programa alimentar de emergência, diz Vargas. Imediatamente atrás dela na fila, estava um homem de 78 anos de idade da Ucrânia, uma mulher de meia-idade da China, uma mulher de 78 anos de idade da Ucrânia, e uma mulher de 65 anos de idade, do Equador. Ammal Madhavan, 77, uma imigrante da Índia, se aposentou em 2004, de seu trabalho como enfermeira escolar.  Ela trouxe a sua filha e os oito filhos de sua filha, depois que sua filha perdeu seu emprego como caixa num banco, há quatro anos. Ela pega dois ônibus para chegar ao mercado. Cerca de 50% das despensas e cozinhas ficaram sem alimentos em novembro, após os benefícios do vale-refeição federais terem sido cortados, disse Margarette Purvis, presidente do Banco Alimentar para New York City. “A comida realmente ajuda muito”, disse ela. “É muito difícil viver da aposentadoria. Você não pode nem mesmo obter uma xícara de café. O que posso fazer? ” Phyllis Gray, 58, que mora em Stapleton, trazia suas duas netas.  Ela trabalhava com crianças, como uma paraprofessional de gestão de crises no Departamento de Educação da cidade, e se aposentou após ter sido diagnosticada com câncer de mama em 2009. “Quando eu fiquei doente, não tinha dinheiro. Fali. Não possuía nada. Fui rebaixada”, disse Gray. Ela viu o mercado móvel de alimentos de sua varanda numa manhã e correu para se cadastrar. “Isso ajuda muito, pois cortaram o valor do vale-refeição. Eu não tenho que comprar batatas. Eu não tenho que comprar cenouras, cebolas, maçãs. Procuro outras coisas”, disse ela. O mix de necessitados era típico daqueles que lutam contra a fome, dizem os voluntários. “Ao contrário da crença popular, os sem-teto são a menor população que servimos. O grupo número 1 são as mulheres com idade acima de 50 anos – é a avó que vai ás cozinhas que fornecem sopa para comer “, disse Purvis. Veteranos, crianças e famílias que trabalham não estão muito atrás. Algumas despensas pedem aos necessitados o cartão, para mostrar que vivem nas proximidades, mas os voluntários dizem que ninguém é rejeitado, e nenhuma despensa ou cozinha pede aos necessitados prova de sua necessidade. “Será que você esperaria duas horas no frio ou ficaria em uma longa fila apenas por um pouco de comida, se você não estivesse absolutamente necessitado?” um voluntário de despensa ri, quando perguntado sobre o possível veto. O governo federal doa cerca de 19 milhões de libras de alimentos para a cidade anualmente. As provisões são armazenadas no Banco de Alimentos do enorme armazém situado no Bronx, em Nova York e entregue a despensas e cozinhas. O estado dá a organização sem fins lucrativos 3 milhões de dólares por ano para comprar comida com grandes descontos para complementar seus suprimentos. O Banco de Alimentos também recebe doações de alimentos e algumas doações de parceiros de negócios privados. Ao contrário de muitos outros grandes centros urbanos, a cidade também adiciona algum dinheiro ao negócio.  A Administração de Recursos Humanos supervisiona o programa de assistência alimentar de emergência financiado pelo contribuinte, o que deu ao Banco Alimentar 8.milhões de dólares no ano passado para comprar mais itens para despensas e cozinhas. “Ninguém nesta grande cidade nunca deve passar fome. a HRA e outras agências da cidade estão empenhadas em garantir que as pessoas recebam a assistência de que necessitam, assegurando o nosso orçamento, promovendo o vale-refeição e o programa de assistência alimentar de emergência “, disse um porta-voz da agência. A lei agrícola federal aprovada no mês passado impôs uma nova rodada de cortes do vale-refeição, ameaçando mais dificuldades, mas o governador Cuomo aproveitou uma brecha na lei para bloquear as reduções. Mas com alguns legisladores em Washington, clamando por maior aperto no orçamento, os voluntários temem que muitos dos necessitados da cidade ainda estejam em risco de cair no abismo da fome.  

  12. Mário de Oliveira

    24 de junho de 2014 7:22 pm

    A inveja mata!

    Após fiasco de suas seleções na copa jornais da Itália, Inglaterra e Espanha falam mal da seleção brasileira…

    Europeus exaltam “baile” de Neymar e criticam defesa

    http://www.jb.com.br/jb-na-copa/noticias/2014/06/23/europeus-exaltam-baile-de-neymar-e-criticam-defesa/

     

    Os dois gols de Neymar quando o jogo era mais complicado para o Brasil na vitória por 4 a 1 contra Camarões e os grandes dribles distribuídos no gramado do Estádio Mané Garrincha fizeram do camisa 10 o personagem do jogo para a imprensa europeia, que exaltou a classificação às oitavas de final. Mas o sucesso não foi completo: os problemas defensivos também foram ressaltados.

    “Neymar faz o Brasil bailar”, escreveu o jornal Marca. “Brasil faz Camarões dançar ao ritmo de Neymar”, exaltou o Sport. “Partidaço de Neymar”, estampou o Mundo Deportivo. “Neymar para tudo”, manchetou o El País. A imprensa espanhola, acostumada a ora exaltar ora criticar o jogador do Barcelona, se rendeu ao grandioso desempenho e o cobriu de glórias em suas análises da partida.

    “Se havia alguma dúvida de que o Brasil até agora é Neymar, a partida contra Camarões dissipou”, avisou o El País. O Marca foi mais poético: “Brasil vive e respira por Neymar, que é o farol que ilumina a equipe, de resto, menos temível do que indicaria sua lendária camisa”. O Mundo Deportivo ressaltou como o elenco trabalha em função do camisa 10 e avisa: “Neymar nunca os decepcionará”.

    Os elogios cessam, no entanto, quando se falar do restante do time, principalmente o setor defensivo. A atuação mais uma vez irregular dos jogadores de defesa foi criticada, especialmente o primeiro tempo. “A Neymardependência é o mais próximo que se tem de viver no fio da navalha”, avisou o Marca. Os jornais italianos foram os mais críticos. “Mesmo contra uma equipe modesta contra Camarões, as dúvidas não foram dissipadas”, afirmou o Gazzetta dello Sport.

    Os britânicos também pegaram pesado. “A versão 2014 da Seleção Brasileira é tão cheia de buracos que é totalmente possível que alguém ainda dê um momento de vergonha na próxima quinzena”, avisou o Daily Mail. Já o The Guardian notou que “em períodos do primeiro tempo, o Brasil esteve longe de convencer, e a ansiedade no estádio era tangível”.

    De modo geral, o embate com o Chile reúne expectativas de um grande jogo, já que o time foi o responsável por eliminar a Espanha no Grupo B da Copa do Mundo. Os times se enfrentam pelas oitavas de final no sábado, às 13h (de Brasília), no Mineirão, em Belo Horizonte.

     

     

  13. José Antonio de Oliveira Lobo

    26 de junho de 2014 5:51 pm

    Evangélicos si posicionam pro PNPS

    Enquanto cristão que sou e lider dos movimentos sociais oraganizado em nosso estado (Goiás)

    faço minhas as suas palavras, num anseio de reconhecer o que deu certo neste governo e 

    trabalhar na intenção de melhorar o que não deu certo ou não aconteceu…

        Vamos em frente pois a luta e os desafios continuam precisamos avançar!!!

                          Ir. José Antonio 

     

     

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