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  1. Fiódor Andrade

    16 de dezembro de 2013 3:20 am

    Movimento pró-barbosa é contra mendigos e a favor das armas

    Que tipo de juiz é admirado por um movimento que defende que os cidadãos se armem para fazer justiça com as próprias mãos e querem expulsar “andarilhos e pedintes” das áreas nobres? Para gente assim, o ideal não seria fechar os tribunais e substituir os juizes promotores e advogados por milicianos e linxadores? O tipo de apoio que ele desperta diz muito sobre Joaquim Barbosa.

     

    Da Folha:

    15/12/2013 – 20p7
    Ato pró-Barbosa recolhe pedidos como direito a armas e menos impostos

    O evento foi convocado por maçons e por uma entidade da sociedade civil como um ato em apoio a Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, pela condução do processo do mensalão. Mas não ficou nisso.

    Os 29 manifestantes que compareceram ao Parque do Povo, em São Paulo, bem como os visitantes do local, podiam registrar pedidos em filipetas distribuídas por um Papai Noel, que, entre uma badalada de sino e uma risada forçada, suava debaixo da roupa vermelha. Já no início da manhã, a temperatura era de 27°C no Itaim Bibi, zona oeste.

    Depositados em uma urna acrílica, os pedidos davam o tom do protesto: foram solicitados “um país justo de impostos” e a Lei do Armamento, para a “plena defesa do cidadão: poder portar armas”.

    Os papéis seriam todos encaminhados ao gabinete de Dilma Rousseff, informava, no megafone, o líder do ato, o empresário Joe Diwan.

    Os organizadores do protesto ressaltaram que os visitantes do parque tiveram liberdade de escrever o que quisessem, e que os pedidos depositados na urna não representam os ideais do movimento.

    Um dos participantes sugeriu o seguinte: os políticos deveriam se fiar à lista de reclamações do Procon para conhecer as necessidades do povo. “Estão lá: celular e banco”, disse Jose Chehembar.

    Com faixas, cartazes e apitos- -e ladeado por quatro guardas-civis metropolitanos– o grupo se postou no gramado central do parque para cantar o hino nacional.

    A associação envolvida no ato, Movimento Brasil Merece Mais, causou polêmica recente ao organizar uma rede de segurança privada em Higienópolis (centro), em que moradores podem “denunciar” a presença de algum “andarilho ou pedinte” no bairro.

  2. Fiódor Andrade

    16 de dezembro de 2013 5:35 am

    Entrevista com delator do mensalão tucano


    Com medo de morrer, delator do mensalão tucano fica em presídio de segurança máxima e se diz perseguido por Aécio – Viomundo – O que você não vê na mídia
    http://www.viomundo.com.br

    Monteiro: um encontro nos bastidores do Fórum

    Por Lúcia Rodrigues, de Belo Horizonte*, especial para o Viomundo

    Quem vê aquele homem de cabelo grisalho, algemado, com uniforme de presidiário e chinelo de dedo nos pés, sendo escoltado por dois policiais militares pelos corredores do Fórum Lafayette, no centro de Belo Horizonte, não tem ideia de que se trata da mesma pessoa que entregou à Polícia Federal um esquema de corrupção do PSDB.

    Nilton Monteiro é a principal testemunha contra a cúpula do partido em Minas Gerais. Em 2005, revelou a trama urdida pelos tucanos para desviar dinheiro público para o financiamento das campanhas de Eduardo Azeredo à reeleição ao governo do Estado e de parlamentares de vários partidos, em 1998.

    Preso desde maio de 2013, agora no complexo penitenciário de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de BH, sob a acusação de coagir testemunhas em um processo em que aparece como falsário, Monteiro decide denunciar quem tem interesse em vê-lo atrás das grades. Ele se declara inocente e jura ser vítima de uma armação de políticos denunciados no esquema do mensalão tucano, que querem mantê-lo na cadeia afastado dos holofotes.

    O nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) encabeça a relação. “Por detrás da minha prisão está o Aécio Neves… Eu fui operador do esquema junto com o Marcos Valério”, frisa.

    A lista com os nomes dos políticos arrolados no mensalão tucano é extensa. O senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República, é um dos que aparecem, como beneficiário de R$ 110 mil.

    O dinheiro chegou a suas mãos pelo esquema do publicitário Marcos Valério, que esquentava os recursos públicos nas agências de publicidade que comandava: a SMP&B e a DNA, as mesmas empresas acusadas de servir ao mensalão petista anos mais tarde.

    Dois pesos e duas medidas

    Apesar de a lista do mensalão tucano ou mineiro, como a grande mídia prefere classificar o escândalo, ter sido reconhecida por peritos da Polícia Federal como verdadeira, nenhum dos envolvidos no desvio de dinheiro público pelo esquema de corrupção do PSDB foi julgado até agora.

    Em 2009, o relator do processo no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, atendendo a solicitação dos réus, entre eles Marcos Valério, desmembrou o inquérito e remeteu para Minas os casos dos envolvidos no mensalão tucano que não tinham foro privilegiado.

    Desmembramento semelhante não aconteceu no caso dos petistas.

    Quatro anos depois, Valério foi condenado por Joaquim Barbosa a mais de 40 anos de prisão em regime fechado pelo mensalão que teria sido encabeçado pelo ex-ministro José Dirceu. O crime pelo qual Valério foi julgado é absolutamente similar ao que teria cometido no esquema do PSDB. Nos dois casos, sua função era mesma: dar cobertura legal a esquemas de desvio de dinheiro público.

    Neste caso, Valério será julgado pela justiça estadual mineira.

    Em Brasília só permaneceram os casos do agora senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), do senador Clésio Andrade (PMDB-MG), além do ex-ministro do Turismo e das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (PSB-MG), por terem foro privilegiado. Posteriormente, quando deixou a pasta ministerial, o processo de Mares Guia também seguiu para Minas. Ele teria se beneficiado da prescrição do crime ao completar 70 anos, no ano passado.

    A conta-gotas

    O processo que tramita na Justiça de Minas envolve 10 réus. O promotor de justiça de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte João Medeiros Silva Neto, responsável pela acusação, considera que os réus do mensalão tucano devem ser julgados no final de 2014, início de 2015. Ele considera o prazo plausível devido ao número elevado de testemunhas arroladas no processo.

    Antecipa que vai pedir a condenação dos réus por peculato e lavagem de dinheiro. Esses crimes prevêem penas de dois a 12 anos e de três a 10 anos de reclusão, respectivamente.

    “O Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 fixou penas bem elevadas. Esperamos que isso sirva de parâmetro para as penas na justiça estadual”, ressalta o promotor.

    Até agora só testemunhas foram ouvidas no processo. A próxima fase prevê o depoimento dos réus, mas ainda não há data marcada para que isso aconteça. No último dia 10, a oitiva de uma testemunha foi cancelada.

    A reportagem do Viomundo procurou a juíza da 9° Vara Criminal, Neide da Silva Martins, no fórum de Belo Horizonte, para obter mais detalhes sobre o processo. Ela solicitou, por meio de sua secretária, que as perguntas fossem encaminhadas por escrito, mas ainda não retornou o contato.

    Personagem conturbado

    Nilton Monteiro tornou-se peça-chave no esquema de acusação contra os tucanos, conduzido pelas mãos de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha de Eduardo Azeredo e ex-secretário do governo de Minas.

    De aliado político, Mourão passou a desafeto do ex-governador. O motivo seria uma dívida de campanha, da ordem de R$ 700 mil, que Azeredo não queria saldar com o filho do ex-secretário Mourão. Nilton Monteiro teria passado, então, a pressionar Azeredo com a lista de Mourão que denunciava o mensalão mineiro.

    Azeredo entrou em acordo com Mourão e os dois reataram politicamente. O que eles não contavam é que Monteiro não devolvesse a lista, que em seu poder se transforma em instrumento de poder político.

    Pressionados pelas denúncias, os tucanos passaram a desqualificar as acusações. Monteiro, de repente, começou a ser identificado por eles como aliado PT, quando é cria do ninho tucano.

    Apesar de afirmar que não se arrepende de ter denunciado o esquema de corrupção do PSDB, Monteiro viu sua vida virar de ponta cabeça. De braço direito do ex-empreiteiro e ex-deputado federal Sérgio Naya, hoje Nilton Monteiro dorme em um colchão no chão da cela que divide com outro detento e trabalha como jardineiro no presídio.

    A escolha por uma prisão de segurança máxima foi dele, que teme pela própria vida. Ele acusa o delegado Márcio Nabak de comandar várias retaliações que já sofreu. Segundo Nilton, Nabak seria aliado de políticos denunciados no esquema de corrupção tucana.

    O medo de retaliação à família também preocupa Monteiro. Ele quer a federalização dos seus processos.

    Ele não tem dúvida sobre o futuro difícil que terá pela frente.

    Mesmo assim prefere partir para o ataque e denunciar o controle do PSDB sobre a mídia, para abafar denúncias contra quadros do partido.

    A reportagem do Viomundo entrevistou Nilton Monteiro em uma sala reservada dentro do gabinete do juiz da 3° Vara Criminal de Belo Horizonte, Guilherme Sadi, no último dia 6, quando ele compareceu ao fórum da capital mineira para participar de audiência. O recinto é reservado para conversas entre réus e advogados. Durante toda a entrevista Nilton foi mantido algemado e um policial militar permaneceu dentro da sala. A pedido do advogado de Nilton, William Souza, a reportagem garantiu que a fotografia do réu não o identificaria com as algemas.

    *Os leitores do Viomundo financiaram a viagem e a série de reportagens de Lúcia Rodrigues a respeito do mensalão tucano. Para ajudar, clique aqui.

    Outras reportagens financiadas pelos leitores:

    Conceição Lemes: Tudo o que você precisa saber sobre o propinoduto tucano em SP

    Tatiana Merlino: Viúvas da ditadura celebram Ustra e Fleury

    Dario de Negreiros: Os médicos cubanos na cidade de pior IDH do Brasil

    Aqui, a entrevista completa:

     

    Source: http://www.viomundo.com.br/denuncias/com-medo-de-morrer-delator-do-mensalao-tucano-fica-em-presidio-de-seguranca-maxima-e-se-diz-persegui

  3. Assis Ribeiro

    16 de dezembro de 2013 8:47 am

    A vitória esmagadora de Bachelet

    Michelle Bachelet vence eleições presidenciais do Chile

    Com 62,2% dos votos e a quase totalidade das mesas apuradas, Bachelet torna-se na primeira mulher reeleita Presidente no país.

    A socialista Michelle Bachelet venceu neste domingo as eleições presidenciais do Chile com larga vantagem e vai regressar ao cargo que deixou em 2010.

    “É tempo de fazer mudanças de fundo” no país, mesmo que isso “não seja fácil”, disse, no discurso de vitória, aos entusiasmados apoiantes.

    Presidente entre 2006 e 2010, Bachelet, 62 anos, é a primeira mulher reeleita Presidente do Chile, tendo ganho a segunda volta das presidenciais. Com a quase totalidade das mesas de voto escrutinadas (98,16%) tinha 62,20% dos votos, face a 37,79% de Evelyn Matthei,a  candidata da direita.

    Bachelet sucede a Sebastian Piñera, que a tinha substituído e tomará posse em Março de 2014.

    O programa da nova Presidente prevê a revisão da Constituição herdada da ditadura, uma reforma fiscal que aumente os impostos para as empresas como forma de financiamento da educação, e a melhoria do sistema de saúde e dos serviços públicos.

    “Vou telefonar-lhe para lhe dar os parabéns e para lhe desejar o maior êxito no seu Governo. O meu desejo mais profundo e honesto é que corra bem. Ninguém que ame realmente o Chile pode querer o contrário”, disse a candidata derrotada, emocionada, perante os seus apoiantes.

    Evelyn Matthei, filha de um general que foi membro da junta militar de Augusto Pinochet, ditador que governou o Chile entre 1973 e 1990, disse que nunca desejou aquele desafio mas que também nunca pensou fugir a ele. “Agradeço profundamente aos que me apoiaram e acreditaram no projecto de sociedade que queríamos construir no Chile”, disse.

    http://www.publico.pt/mundo/noticia/michelle-bachelet-vence-eleicoes-presidenciais-do-chile-1616449#/0

     

    1. Assis Ribeiro

      16 de dezembro de 2013 9:20 am

      Não é a economia, estupido

      A candidata da esquerda, oposicionista, vence as eleições mesmo com a economia bombando nos últimos anos.

      No primeiro semestre de 2013 o PIB do Chile cresceu 4,3% e no segundo semestre o crescimento foi de 4,1% ante igual período de 2012.

      Em 2012 o PIB cresceu  5,6% e em 2011 alcançou 5,9%

  4. Assis Ribeiro

    16 de dezembro de 2013 9:14 am

    Hegemonia: a ponte entre o

    Hegemonia: a ponte entre o velho e o novo

    11 anos de governo sob pressão das torquesas conservadoras fizeram o PT desenvolver um escudo de economicismo ao mesmo tempo defensivo e imprudente.

    por: Saul Leblon
     

    Não é preciso a adesão incondicional a uma sigla progressista para enxergar nos seus dilemas um mirante dos desafios que cercam as transformações da sociedade em nosso tempo.

    O Congresso dos 33 anos do  PT, que termina neste sábado,  reavivou velhos dilemas da esquerda, condimentados pela encruzilhada de uma transição de ciclo na economia mundial.

    Portadores de esféricas certezas – entre as quais, o óbito histórico do PT– dispensam-se da reflexão.

    Carta Maior acredita que ela ainda  pode ajudar os fatos com a força dos argumentos.

    Uma pergunta de interesse histórico martela  as entrelinhas do texto-base do encontro do PT, publicado na íntegra por Carta Maior (leia neste blog: ‘Ser realista, sem perder a utopia’).

    Como ser governo de uma sociedade capitalista e ao mesmo tempo não se perder do compromisso de transformá-la?

    Mais que isso: como fazê-lo em meio a uma crise que exprime a racionalidade impossível de se combater sem a intervenção política que coloque a economia a serviço da sociedade?

    A desordem neoliberal veio reiterar que a saúde das finanças e a deriva da sociedade  não são realidades contraditórias do nosso tempo.

    A Europa é a fratura exposta de um sistema que adoece o povo para curar bancos.
    É a regra, dizem os consultores aos colunistas que martelam sandices como sentenças inapeláveis.

    Importa reter a tendência mais geral de um capitalismo que deixado à própria sorte mais que nunca vai operar em condições de baixa demanda efetiva (exceto em bolhas fugazes) e elevado desemprego.

    Deixá-lo à vontade para funcionar assim é o que apregoa a emissão conservadora no Brasil, a evidenciar interesses e uma ignorância letal à sociedade.

    Comandar socialmente o investimento, puxando-o pelas rédeas do Estado, como o governo tenta fazer desde 2008, é um antídoto ao arrocho que alguns querem trazer ao Brasil.

    O keynesiano discreto do PT, porém, grita seus limites em tempos de capital monopolista e expectativas comandadas pela emissão conservadora.

    Keynesianismo  sem um protagonista social que o conduza –e este sujeito  não é o capitalista local— assemelha-se a um pato manco.

    Todo capital é capital estrangeiro na era da supremacia das finanças desreguladas.

    No aperto, voam juntos como golondrinas.

    O  dilema que atormenta o PT, portanto, é uma versão turbinada daquele que assola a esquerda mundial desde que ela passou a disputar  os votos da sociedade para gerir o Estado, ainda sem ter o poder de  modifica-lo.

    “(o PT) é ainda prisioneiro de um sistema eleitoral que favorece a corrupção e de uma atividade parlamentar que dificulta a mudança, a despeito da vontade das forças progressistas(…)

    As medidas de reforma do Estado não foram capazes de remover os obstáculos burocráticos que criam empecilhos para o avanço mais rápido dos grandes projetos de infraestrutura, vitais para dar nova qualidade a nosso desenvolvimento” (texto-base do V Congresso do PT)

    O PT nasceu para ser esse novo recorte na trajetória da democracia e do desenvolvimento brasileiro.

    O que se deliberou na reunião do Colégio Sion, em São Paulo, em 10 de fevereiro de 1980, foi isso.

    Uma espécie de basta organizado à usina de retroalimentação de uma das sociedades mais injustas do planeta,  reiterada pelo elitismo vicioso de sua representação política.

    Anos depois o partido decidiria –e não errou nisso —  disputar o velho poder contra o qual emergiu, como parte do esforço para mudar o eixo do desenvolvimento e a dinâmica da sociedade.

    ‘A Nação é o povo e o Estado a sua expressão’ , dizia o título do manifesto de criação do partido, assim detalhado: “Os trabalhadores (…) entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o País só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas trabalhadoras. É preciso que o Estado se torne a expressão da sociedade, o que só será possível quando se criarem as condições de livre intervenção dos trabalhadores nas decisões dos seus rumos. Por isso, o PT pretende chegar ao governo e à direção do Estado para realizar uma política democrática, do ponto de vista dos trabalhadores, tanto no plano econômico quanto no plano social (…)  para que o povo possa construir uma sociedade igualitária, onde não haja explorados e nem exploradores’ (Manifesto de fundação do PT, no Colégio Sion, em São Paulo, em 10 de fevereiro de 1980).

    O que se discute, 33 anos depois, é se  o instrumento da mudança não foi ele próprio mastigado nos dentes da realpolitik , a ponto de se transformar de  alavanca mudancista em presa da ordem.

    “(o sistema político) impede transformações mais profundas e impõe um Presidencialismo de coalizão, que corrói o conteúdo programático da ação governamental” (texto-base do V Congresso).

    O saldo da comprovada capacidade progressista de governar a economia e a sociedade, de forma mais democrática e estável, com resultados  indiscutivelmente superiores ao histórico conservador, sugere que ainda não.

    Mas isso não dissipa, antes corrobora a percepção de que um ciclo se fechou.

    Mais sério que isso.

    Aquilo que pede para nascer não emergirá  de uma brotação espontânea do que já foi  acumulado.

    Os sessenta milhões de brasileiro que passaram a respirar ares de consumo e cidadania após 11 anos progressistas formam uma espécie de pré-sal  de possibilidades emancipadoras.

    A exemplo da riqueza fóssil acumulada na plataforma brasileira, porém, esse protagonista potencial requer uma estratégia de lapidação que cobra a sua ‘Petrobrás’ política para se efetivar.

    “Não é fácil para um Governo, sobretudo de esquerda: (1) estabelecer equilíbrio entre ação e reflexão e entre o urgente e o importante; (2) resolver as dificuldades institucionais e burocráticas que se antepõe à ação governamental e (3) entender e dar conta das novas reivindicações que surgem na sociedade. Mas não é fácil para o Partido, tampouco, realizar a complexa tarefa de apoiar seu Governo e, ao mesmo tempo, empurrá-lo para além dos limites que lhes impõem a conjuntura ou instituições, muitas vezes arcaicas”.
    Não é fácil.

    Mas o Congresso dos 33 anos do PT externa uma inquietação, implícita no documento-base, que desautoriza a saciedade conservadora de alas do partido.
    Hipertrofiadas pela mídia, elas tentam fixar o que é  limitante como suficiente e apresenta-lo como satisfatório à maioria.

    Não é razoável supor que os mesmos  interesses e estruturas que produziram a sociedade mais desigual do planeta possam conduzir o Brasil para um horizonte de convergência da riqueza e de cidadania, apenas porque o governo é do PT.

    A sedução da lógica incremental, de qualquer forma, não pode ser subestimada.

    Vista a partir de retinas embaçadas de cansaço ou rendição ideologia, a transformação social mais profunda parece uma impossibilidade aprisionada em seus próprios termos: as coisas só mudam, se as coisas mudarem. E se as coisas não mudarem, as coisas não mudam…

    O sistema de produção baseado na mercadoria cria e apodrece as pontes das quais depende a travessia do velho para o novo.

    Não há automatismo que afronte  essa incessante geração e coagulação do futuro no passado .

    Ao contrário do que ocorre no mundo dos mamíferos, na história não há parto natural e muito menos sem dor.

    Uma parte do metabolismo social resiste ao novo –belicosamente se necessário.

    Cada vez menos depois de 2002, o PT se debruçou sobre a tarefa de criar pontes  de organização democrática e discernimento histórico,  compatíveis com o gigantescas parto das transformações requeridas pelo país.

    Onze anos de governo sob o cerco  diuturno das torquesas  conservadoras fizeram-no desenvolver um escudo de  economicismo, ao mesmo tempo defensivo e imprudente.

    Ele se atribui a missão de gerar resultados tão suficientemente bons na macroeconomia que renovariam a delegação da sociedade, e a indulgência dos mercados,  para administrar a travessia do país  que somos ao Brasil que poderíamos ser.

    Ponto pacífico: gerar resultados é um  imperativo da governabilidade.

    O  economicismo  incremental como única alternativa à ruptura violenta, porém, é uma falsa disjuntiva.

    Suas consequências, no entanto, são verdadeiras.

    Elas alargaram as distâncias entre o governo e o partido e entre este e as ruas – em que pese o mencionado e indiscutível saldo de avanços. Os protestos de junho escancararam esse hiato. Uma parte do corpo petista acordou.

    Respostas que rompiam a circularidade incremental foram a anunciadas pelo governo, a exemplo da Constituinte da reforma política e do programa  ‘Mais Médicos’.

    Um outro pedaço do metabolismo, porém, continua a ressonar como um sonâmbulo que mantém hábitos inalterados de andar em círculos.

    O linchamento imposto ao partido e a algumas de suas  lideranças históricas –sem qualquer resistência organizada;  bem como as sirenes de uma transição traumática na economia mundial afrontam  as certezas de quem considera a  consciência política uma extensão natural da elevação do consumo e este uma espiral inesgotável.

    A cegueira explica o inexplicável:

    “ (…) Partido e Governo não souberam desenvolver instrumentos de comunicação social que pudessem contra arrestar a permanente ofensiva conservadora dos grandes proprietários de jornais, rádios e televisões” (texto-base do V Congresso).

    A omissão nessa frente (antiga e inacreditavelmente ativa)  evidencia um descaso com iniciativas incontornáveis, quando se trata de transitar do velho para o novo na vida de uma Nação.

    Repita-se: avanços concretos perceptíveis no cotidiano do país formam os pilares dessa travessia.

    Mas o que consolida a ponte entre o velho e o novo é o salto no discernimento histórico da sociedade.

    Sua emergência requer informação plural e participação direta nas grandes decisões do país. 

    Do conjunto nasce uma nova hegemonia.

    O documento-base do V Congresso sugere que para uma parte do partido a negligência com essa arquitetura atingiu  um ponto de saturação.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Hegemonia-a-ponte-entre-o-velho-e-o-novo/29809

  5. Assis Ribeiro

    16 de dezembro de 2013 9:18 am

    Carga tributária abusiva no no país só mudará com reforma políti

    Carga tributária abusiva no país só mudará com reforma política

    Segundo especialistas, impostos são altos porque classe média paga a maior fatia

    Na última segunda-feira, o total pago pelos brasileiros em impostos federais, estaduais e municipais chegou à marca de R$ 1,5 trilhão. Em 2012, essa quantia só foi alcançada no dia 20 de dezembro. A alta carga tributária do país preocupa os brasileiros, que trabalham 150 dias do ano apenas para pagar impostos, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). De acordo com especialistas, os tributos têm função social importante de redistribuição de renda, quando planejados da forma correta. No entanto, o Brasil vive a chamada “regressividade fiscal”, quando paga mais quem ganha menos.

    O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), Pedro Delarue, explica que o problema da tributação do país é ser regressiva. “Aqui, os impostos incidem sobre o consumo e não sobre a renda. Ou seja, paga mais quem consome mais. No resto do mundo, a lógica é o contrário, com a tributação incidindo sobre o patrimônio. Se no Brasil fosse assim, quem possuísse mais renda pagaria mais. Com o nosso processo não, o imposto atua da mesma forma no mais rico e no mais pobre”, explica. 

    É por isso que, segundo Adalberto Imbrósio, auditor-fiscal da Receita do Distrito Federal, o Imposto de Renda é julgado como o mais justo entre os tributos do país, já que abriga um princípio importante da cobrança de tributos: a pessoalidade. “No Imposto de Renda é possível enxergar cada um. Dá pra saber se a pessoa tem filhos, e quantos são e se ela é dependente de alguém. Dá pra conhecer as posses de cada um. Enfim, consegue visualizar tudo. Então, a quantia é paga de acordo com a vida da pessoa. Duas pessoas podem ganhar o mesmo salário e pagar dois Impostos de Renda diferentes porque esse tributo tem um caráter específico, mas os outros não”, diz. Adalberto conta que outro princípio relevante é o da capacidade contributiva, justamente a máxima do “quem tem mais paga mais”.

    A classe média acaba financiando esse sistema e para eles a carga tributária é realmente pesada

    Pelo Brasil vivenciar sua carga tributária através do consumo e não baseado em renda, algumas classes são mais prejudicadas. Segundo Manoel Isidro, presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital, nesse caso, o fardo fica para a classe média. “Os tributos do Brasil são altos, mas não do jeito que falam. Eles são necessários para o caixa do governo e mantêm a máquina funcionando. No entanto, a classe alta, que poderia pagar mais, não está pagando porque tem representantes no Congresso. A classe baixa, por não ter capacidade contributiva, também paga pouco. A classe média acaba financiando esse sistema, e para eles a carga tributária é realmente pesada”, conclui.

    Outro problema que vem junto com os tributos brasileiros é não ver o valor bem empregado na realidade do país. “Os tributos servem para se investir em educação, saúde, segurança, saneamento, além de muitos outros. Acho que o sentimento da sociedade é não ver isso acontecendo. Diversos países têm a carga tributária alta, como o Canadá, por exemplo, mas lá não se vê ninguém reclamando do valor pago. É preciso se conscientizar sobre os tributos, saber para o que servem, não só para enxergá-los como uma boa ferramenta para todos, mas também para cobrar os políticos”, diz.

     Para mudar a realidade da tributação brasileira e torna-lá justa no que diz respeito à capacidade contributiva, Adalberto é incisivo ao explicar que é necessário muito mais do que uma reforma tributária. “Você pode enxugar tributos, mas sem uma gestão comprometida, os índices de corrupção continuarão sendo absurdos. Não há mágica. Essa reforma precisa ser macro. Por exemplo, parlamentares têm imunidade formal. Isso quer dizer que eles só são presos em caso de flagrante de crime inafiançável. Não há sensação de justiça, até porque no Brasil não existe medo. Sempre há brechas e mecanismos para fugir da imposição da norma”, lamenta.

    Quem vai sofrer com uma reforma tributária são os empresários

    Segundo Adalberto, a ideia de uma reforma tributária já caminha há mais de 20 anos no país, mas ela nunca aconteceu de fato. Isso porque existem diversos “interesses antagônicos” no processo. “Precisamos diminuir o imposto principalmente pra quem não pode pagar. Porém, para mudar algo, muitos interesses antagônicos serão atingidos”, conta. Ele se refere aos empresários que financiam campanhas eleitorais. “Quem vai sofrer com uma reforma tributária são os empresários. Talvez uma reforma política que mude o sistema de financiamento de campanha ajude”, opina. A questão do financiamento de campanhas por empresas privadas já está sendo, inclusive, discutida no Supremo Tribunal Federal. Até agora, quatro ministros votaram contra o financiamento, entre eles Joaquim Barbosa.

    >> STF pode proibir doações de empresas para campanha 

    Para Delarue, um progresso para a reforma tributária só será feito quando todos os governadores do país e a presidente se dispuserem a conversar. “No dia em que todos sentarem para decidir algo em função do consumidor, algo começará a ser feito”, diz.

    A saída, além de focar a incidência dos tributos na renda, pelo princípio da pessoalidade, é conscientizar a população. Só assim é possível cobrar políticos, diminuindo, a corrupção. “Mais importante do que diminuir carga tributária é garantir que ela seja bem utilizada, com transparência, para reduzir a corrupção que consome toda a sociedade, principalmente os que mais precisam”, aponta Adalberto.

    http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/12/14/carga-tributaria-abusiva-no-pais-so-mudara-com-reforma-politica/

     

  6. Assis Ribeiro

    16 de dezembro de 2013 9:18 am

    Aécio é o passado, disfarçado

    “Aécio é o passado, disfarçado na expressão ainda jovem de um homem que, na vida, apenas seguiu, repetiu, alimentou-se do que antes dele fizeram.”

    O Brasil com Z de Aécio Neves

    O Estadão anuncia que Aécio Neves vai lançar, terça-feira, sua “cartilha de governo”, contendo as diretrizes que norteariam seu hoje improvável mandato.

    Pelo que relata o jornal, o documento é, no mínimo, um anacronismo.

    Repete a cantilena neoliberal da última década do século passado da crítica ao intervencionismo do Estado, da liberdade absoluta dos capitais, dos fluxos comerciais onde o mercado e suas leis baseadas na força e no poder tenham legitimado seu império.

    Tudo o que vem ruindo há muitos anos e teve na crise de 2008, seu momento mais estrepitoso.

    E com vítimas inocentes, porque lançou ao desemprego dezenas de milhões de seres humanos  e, pela retração de consumo que isso trouxa, arruinou as parcas rendas de centenas de milhões, talvez um bilhão, dos que sobreviviam de alimentar os mercados desenvolvidos.

    Não há nada de novo nisso.

    Ao contrário, há mais do que a simples repetição de ideias fracassadas: há a estupidez de repetir a planta e as estruturas de um edifício que sabidamente não se sustenta.

    Embora o texto, só pelos pontos que já foram adiantados pelo jornal, já se prestasse a críticas políticas, por desejar repetir, com 20 anos de diferença,  os caminhos de Fernando Henrique, ele já rescende a algo mais grave.

    Se, naqueles tempos, tínhamos um país arruinado pelo fracasso da ditadura e de seu prolongamento pelo Governo Sarney, agora temos um país que se aprumou, que elevou o padrão de vida de seu povo – ainda que pouco, mas quanto é um pouco na carência de milhões! – e que readquiriu voz e respeito no mundo.

    Já não somos um país que se exibe, despudorado, a vender a qualquer preço o trabalho de seu povo e a riqueza de sua terra.

    E isso não voltará mais, por mais que o tentem, mesmo sob a usurpação terrível do triângulo de Tiradentes, o primeiro que deu a vida contra isso.

    Aécio é o passado, disfarçado na expressão ainda jovem de um homem que, na vida, apenas seguiu, repetiu, alimentou-se do que antes dele fizeram.

    Não tem ideias próprias.  Serra, reconheça-se, lhe é muito superior nisto, ainda que não se concorde com o que pensa, mas pensa.

    Aécio repete, bajula, agarra-se ao que já se foi.

    Quer ser o herdeiro, sem perceber que, de Fernando Henrique e do neoliberalismo, não há o que herdar senão o fracasso, o desastre, a humilhação deste país.

    Que, na hora do voto, dar-lhe-á o que vota a Fernando Henrique Cardoso, como símbolo da recolonização do Brasil: seu desprezo.

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=11444

  7. Assis Ribeiro

    16 de dezembro de 2013 9:19 am

    A questão ideológica do

    A questão ideológica do Brasil contemporâneo

    Embora já surrada, a questão do “fim das ideologias”, assim como do “fim da história”, reaparecem de tempos em tempos, abertamente ou de forma subliminar.

    Francisco Fonseca (*)

    Embora já surrada, a questão do “fim das ideologias”, assim como do “fim da história”, reaparecem de tempos em tempos, abertamente ou de forma subliminar. Trata-se de uma questão internacional, mas com contornos específicos no Brasil.
     
    Há, de certa forma, uma espécie de “ideologia da não ideologia”, isto é, a tentativa permanente, aguçada em períodos pré-eleitorais e eleitorais, dos setores liberais e conservadores desqualificarem, por estratégias diversas, os pressupostos, objetivos e formas de atuação dos grupos à esquerda.
     
    Mesmo que os aspectos concretos quanto à forma de atuar dos grupos sociais – à esquerda, ao centro e à direita no espectro – dependa de um conjunto de circunstâncias históricas, tais como o contexto internacional, a correlação de forças numa dada sociedade, o grau de organização e mobilização das forças sociais, o papel das instituições políticas, os padrões do modelo de acumulação, entre outras variáveis, há elementos essencialmente definidores do significado de esquerda e direita.
     
    Vejamos, de forma panorâmica e sem a pretensão de esgotar suas características, alguns desses elementos essenciais quanto à atualidade da esquerda.
     
    Primariamente, diz respeito ao tema da igualdade: política e social. O pensamento à esquerda – concretizado em governos – tem como objetivo central a diminuição das desigualdades e, num plano de longo prazo, sua eliminação. Em termos da agenda governamental, esse pressuposto implica: ampliação do gasto social (medido em relação ao PIB); busca pela universalização de direitos, mas contemporaneamente combinada com focalização aos grupos mais vulneráveis; descrença no “mercado livre”, panaceia vendida pelo liberalismo, uma vez que se apoia o direcionamento dos agentes econômicos, e sobretudo o reconhecimento das assimetrias entre os detentores do capital e da força de trabalho, reconhecimento que se transforma em políticas de apoio aos trabalhadores via políticas públicas; apoio às formas de participação popular, como conferências nacionais, audiências públicas, entre diversas outras; como decorrência, o estímulo ao chamado “controle social”, em que cidadãos organizados em suas comunidades são partícipes ativos dos processos de implementação e monitoramento de políticas públicas, caso do exitoso Programa Bolsa Família; a questão crucial da aceitação dos conflitos como legítimos, cuja consequência é a negociação e não a repressão policial. Por fim, do ponto de vista das relações internacionais, a busca por autonomia perante as potências mundiais e suas instituições, em que o tema da soberania ganha relevo, e conduz, claramente, a uma visão de mundo à esquerda, em clara contraposição com a chamada direita, tradicionalmente associada às potências hegemônicas.  
     
    Em claríssimo contraste, quais são os pressupostos da direita?
     
    Seu pressuposto fundamental é a ordem, resultante da rejeição e aversão aos conflitos, sobretudo de classe, que permanecem revestidos majoritariamente como “conflito distributivo”. Daí o discurso clássico da direita ter na violência do Estado, por meio do “endurecimento das penas”, da brutalidade policial, da “criminalização” dos movimentos sociais, entre tantas outras formas, uma de suas características marcantes. Tal violência, destituída de controles democráticos, volta-se à proteção da propriedade e à “harmonia entre as classes” (mesmo que se negue sua existência).
     
    Afinal, o pressuposto do pensamento liberal/conservador é justamente a “ideologia do mérito”, revestida de “meritocracia”, em que os indivíduos – independentemente de suas condições coletivas históricas – devem competir, sobressaindo-se os “melhores”. Daí o clássico mote do jornal O Estado de S. Paulo, de certa forma compartilhado por toda a grande mídia, de que as elites são constituídas pelos “melhores e mais capazes, venham de onde vierem”. Do ponto de vista internacional, a aceitação da “ordem mundial” tal como dada e ao papel subalterno conferido ao Brasil pela “divisão internacional do trabalho” fez e faz parte do conservadorismo liberal encarnado na perspectiva da direita.
     
    Keynes, mesmo não sendo um intelectual de esquerda, já havia chamado a atenção, num profético artigo publicado em 1926, intitulado “The end of laissez faire”, a respeito dos efeitos nocivos da competição sem regras e da falácia da “mão invisível do mercado”, ambientes em que a ideologia do mérito prospera. Trata-se de pressupostos intrínsecos ao pensamento conservador e liberal, que conflui vigorosamente à direita no espectro.
     
    Albert Hirschman, num primoroso livro sobre o pensamento conservador e liberal – encarnado na direita não nazista –, intitulado a “Retórica da Intransigência: perversidade, futilidade, ameaça” (publicado no Brasil pela Cia. das Lestras em 1992), demonstra detalhadamente os argumentos esgrimidos ao longo de dois séculos contrários à introdução dos direitos civis, políticos e sociais no mundo ocidental. São fortemente reativos em sua ânsia por garantir privilégios.
     
    No Brasil não tem sido diferente, embora nossa direita, sobretudo no século XX, tenha se caracterizado pela adesão a golpes “clássicos”, e também aos “brancos” (mais sutis), respectivamente o golpismo civil/militar até 1964, e toda forma de casuísmo anti-institucional: emenda da reeleição em plena regra que a proibia, populismo cambial, “engavetadores gerais” da República etc.
     
    Mais ainda, no marcante momento da Assembleia Constituinte de 1986/87, um sem-número de críticas ácidas, na perspectiva analisada por Hirschman, foram desferidas contra a “Constituição Cidadã”. Analisei detalhadamente tais críticas em meu livro “O Consenso Forjado – a grande imprensa e a formação da agenda ultraliberal no Brasil” (Editora Hucitec, 2005), e pude observar quão conservadora, em plena redemocratização, fora a direita reunida em torno do “Centrão”.
     
    Em outras palavras, essencialmente falando, como sugerido por Norberto Bobbio, há diferenças cruciais entre esquerda e direita, ideologias – ou doutrinas, termo mais correto, pois indica um corpus conceitual e valorativo sistêmico – que continuam vivas e antagônicas, cujos efeitos governamentais sob seu comando são sentidos na vida dos cidadãos comuns, notadamente os pobres.
     
    No Brasil, embora as grandes coalizões partidárias, resultantes, por seu turno, do financiamento privado legal e ilegal das campanhas e da lógica privatista do sistema político brasileiro, embaralhem e turvem a posição de ambas as ideologias, isso não significa que sua vigência seja menor. Ao contrário.
     
    As contradições nos Governos Lula e Dilma expressam justamente os efeitos nefastos de um sistema político fundamentalmente protetor das elites, cujas reformas sociais são sempre incrementais e marginais, como tenho escrito em diversos artigos neste Portal. Em outras palavras, uma verdadeira “inversão de prioridades” (orçamento, crédito, infraestrutura, gastos sociais, dívida pública, universalização de direitos, transparência e participação popular/controle social etc), capaz de “radicalizar a democracia”, é travada em razão da grande aliança conservadora: de classes, que se expressa no sistema político.
     
    A sensação de “geleia geral” do sistema partidário, e mesmo a desilusão perante o Partido dos Trabalhadores de amplas parcelas da sociedade brasileira não destituem o legado – reconhecido sistematicamente nas urnas – de que a obra do pensamento à esquerda está presente nos Governos Lula e Dilma. Apesar de suas imensas contradições e da ausência de um Projeto de sociedade e nação desses governos, os pressupostos de esquerda claramente estiveram e estão presentes, a ponto de as candidaturas oposicionistas dos grandes partidos patinarem em busca de um discurso capaz de se sobrepor aos notáveis avanços sociais, políticos e institucionais vivenciados pela sociedade brasileira.
     
    A questão das concessões de serviços públicos, as parcerias público/privado, a contratualização de setores da gestão pública e o papel dos agentes privados nos sistemas universais de direitos sociais não são suficientes para derrogar os avanços sociais existentes justamente por ter havido pressupostos e objetivos de esquerda. Trata-se, além do mais, de estratégias e táticas articuladas ao momento histórico que, embora possam ser derrogadas, não denotam intrinsecamente traição aos pressupostos de esquerda. Afinal, a diminuição da desigualdade, a ampliação do gasto social e dos direitos sociais universais, assim como da participação popular, vicejaram vigorosamente, alterando em vários sentidos os legados perversos, e convivem contraditoriamente com políticas conservadoras (forma e conteúdo).
     
    O grande desafio é ampliar e aprofundar a democracia política e social no país, invertendo e revertendo prioridades, o que, contudo, somente será realizado por uma política de esquerda, o que implica o “fim do pacto conservador de classes”. Embora o momento eleitoral não se preste a isso, uma vez que as regras estão dadas, as jornadas de junho demonstraram que é possível “ir além” – forma e conteúdo. Para tanto, novas e outras formas de fazer política precisam ser inventadas e reformadas, cujo centro – à luz dos pressupostos de esquerda – é a participação popular, o controle social e a transparência, dado que capazes de inverter/reverter prioridades e que representam justamente os anátemas da direita!

    (*) O cientista político Francisco Fonseca, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), é professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-questao-ideologica-do-Brasil-contemporaneo/4/29804

  8. Gão

    16 de dezembro de 2013 12:58 pm

    Mais dois presos foram executados por enforcamento no Japão
    Publicado em  12/12/2013 19:23

    Dois presos foram executados esta manhã no Japão

    Sobe para oito o número de detentos executados sob o governo de Shinzo Abe

    – ipcdigital.com e agências / EFE    Sadakazu-Tanigaki Sadakazu Tanigaki , Ministro da Justiça 

    O Japão executou nesta quinta-feira (12) dois presos condenados à morte, o que aumentou para oito o número de vezes que a pena capital foi aplicada no país desde a chegada ao poder do primeiro-ministro conservador, Shinzo Abe, quase um ano atrás.

    Durante este período, o Partido Liberal Democrático ( PD), que até o momento não tem mostrado intenção de estimular o debate sobre a pena de morte no Japão, o único país industrializado que aplica como os Estados Unidos.

    O ministro da Justiça japonês, Sadakazu Tanigaki, confirmou em entrevista coletiva os nomes dos dois presos executados: Ryoji Kagayama (63 anos) e Mitsuo Fujishima Osaka (55 anos).
    Kagayama foi condenado em 2009 por esfaquear até a morte duas pessoas que ele atacou. Em Tóquio foi executado, Mitsuo Fujishima, 55 anos, que foi condenado à morte pelo assassinato de duas pessoas em Niigata e Yamanashi.

    O ministro Tanigaki citou inúmeras vezes para a mídia que ambos os casos foram exaustivamente investigados e lembrou que a pena de morte no Japão conta com o apoio dos cidadãos.

    De acordo com pesquisas do governo, 85 por cento dos japoneses apoiam a pena de morte. O país executa seus condenados com o máximo de sigilo, sem testemunhas e sem aviso prévio ao condenado, por isso é fortemente criticado por organizações humanitárias, já que os condenados ficam sabendo do enforcamento no mesmo dia ds execução.

    O Ministério da Justiça apontou hoje que no Japão possui 129 prisioneiros no corredor da morte , 85 deles esperam rever os seus julgamentos.

     

    http://www.ipcdigital.com/br/Noticias/Japao/Cotidiano/Dois-presos-foram-executados-esta-manha-no-Japao_12122013

  9. Gão

    16 de dezembro de 2013 1:01 pm

    Nicolelis mostra chute de exoesqueleto para paraplégicos

    Nicolelis mostra chute de exoesqueleto para paraplégicos

    O cientista brasileiro Miguel Nicolelis divulgou neste domingo as primeiras imagens do exoesqueleto do projeto Andar de Novo (Walk Again) em movimento coordenado. Anteriormente, o pesquisador havia mostra o funcionamento do joelho mecânico.

    ​Nicolelis pretende que o exoesqueleto seja utilizado por uma pessoa paralisada para dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de Futebol do Brasil. As imagens foram divulgadas na página do cientista no Facebook.

    Entre os movimentos, aparece um que, segundo o cientista, testa a habilidade do equipamento de chutar. “Começamos a testar a habilidade do exoesqueleto em produzir um verdadeiro ‘chute brasileiro'”, diz Nicolelis.

    O grupo liderado por Nicolelis envolve mais de 100 cientistas em dois continentes. Para o pesquisador brasileiro, o Walk Again é comparável à chegada do homem à Lua.

    http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/nicolelis-mostra-chute-de-exoesqueleto-para-paraplegicos,c76946a9d97f2410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html

  10. Luiz Eduardo Brandão

    16 de dezembro de 2013 1:10 pm

    A heterogênea base de apoio de Bachelet e seus riscos

    Os perigos de uma aliança heterogênea demais no Chile

    Grupo que vai dos comunistas ao bloco democrata-cristão forma a coalizão de centro-esquerda

      Santiago do Chile 15 DEZ 2013 – 16:15 BRST 

    Candidata presidencial chilena Michelle Bachelet saúda eleitores. / STRINGER (REUTERS) 

    Uma das imagens mais chamativas da propaganda na TV de Michelle Bachelet no segundo turno foi a do senador democrata-cristão Andrés Zaldívar abraçando Guillermo Teillier, deputado e presidente do Partido Comunista. A cena era impensável até alguns anos atrás e refletia o triunfo político mais importante da socialista desde que em março anunciou sua recandidatura: em nove meses de campanha, o médico conseguiu reunir por trás de sua imagem toda a oposição, do centro até a esquerda, como nunca aconteceu neste país desde as primeiras eleições democráticas em 1990.

    Bachelet refunda aos seus 62 anos a chamada Concertación, o conglomerado que governou o Chile durante 20 anos e que engloba da Democracia Cristã até o socialismo. Rebatizou-a de Nova Maioria, e sua principal novidade é a incorporação do Partido Comunista, que na ditadura optou pelo caminho armado e de 1990 até 2005 escolheu a adoção de um caráter testemunhal que se traduziu, na prática, em seu isolamento político. Há oito anos, o PC deu início a um lento caminho para retomar o papel institucional que cumpriu até o golpe de Estado de 1973.

    Na campanha do primeiro e do segundo turnos, os novos aliados trataram de se comportar e se centrar sobretudo nos objetivos comuns: a reforma tributária, a reforma da Constituição e a da educação pública, os três pilares de Bachelet. As diferenças ideológicas que existem nesta nova coalizão, no entanto, são profundas. Por exemplo, não existe uma só opinião em temas tão substantivos como o aborto terapêutico, que no Chile está penalizado. Uma das principais perguntas é se a socialista, como líder do setor, será capaz de manter controladas as suas tropas ou se, como aconteceu em sua administração, manterá um relacionamento distante e conflituoso com seu próprio bloco.

    Não é nítida a forma com que ficará configurado o mapa do poder dentro da centro-esquerda chilena. Há quem pretenda fazer com que a Democracia-Cristã continue sendo a barreira de contenção a partir do centro, com a mesma força que nos últimos 23 anos. Mas há dirigentes que acham que já chegou o momento de se formar um grande partido de esquerda, como a Frente Ampla uruguaia, o que acabaria por colocar em apuros em última análise a identidade democrata-cristã: esta organização sempre teve um cunho anticomunista e no panorama internacional, por exemplo, segue sócio do Partido Popular espanhol.

    Os comunistas, com a esperança depositada na vitória de Bachelet, programaram um Comitê Central para o próximo sábado, dia 21, quando debaterão aspectos substantivos de seu futuro, como a incorporação a um eventual Governo. Apesar de o assunto não estar totalmente resolvido, porque há militantes que ainda duvidam da conveniência de se chegar à La Moneda após 40 anos na oposição, tudo indica que ganhará a posição do presidente Teillier: o deputado, como grande parte de seu partido, quer que os comunistas regressem ao palácio presidencial e se incorporem ao Gabinete.

    http://brasil.elpais.com/brasil/2013/12/15/internacional/1387131310_543293.html

  11. Gão

    16 de dezembro de 2013 4:08 pm

    Com medo de morrer, delator do mensalão tucano fica em presídio

    Com medo de morrer, delator do mensalão tucano fica em presídio de segurança máxima e se diz perseguido por Aécio

    publicado em 16 de dezembro de 2013 às 0:48

    Monteiro: um encontro nos bastidores do Fórum

    Por Lúcia Rodrigues, de Belo Horizonte*, especial para o Viomundo

    Quem vê aquele homem de cabelo grisalho, algemado, com uniforme de presidiário e chinelo de dedo nos pés, sendo escoltado por dois policiais militares pelos corredores do Fórum Lafayette, no centro de Belo Horizonte, não tem ideia de que se trata da mesma pessoa que entregou à Polícia Federal um esquema de corrupção do PSDB.

    Nilton Monteiro é a principal testemunha contra a cúpula do partido em Minas Gerais. Em 2005, revelou a trama urdida pelos tucanos para desviar dinheiro público para o financiamento das campanhas de Eduardo Azeredo à reeleição ao governo do Estado e de parlamentares de vários partidos, em 1998.

    Preso desde maio de 2013, agora no complexo penitenciário de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de BH, sob a acusação de coagir testemunhas em um processo em que aparece como falsário, Monteiro decide denunciar quem tem interesse em vê-lo atrás das grades. Ele se declara inocente e jura ser vítima de uma armação de políticos denunciados no esquema do mensalão tucano, que querem mantê-lo na cadeia afastado dos holofotes.

    O nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) encabeça a relação. “Por detrás da minha prisão está o Aécio Neves… Eu fui operador do esquema junto com o Marcos Valério”, frisa.

    A lista com os nomes dos políticos arrolados no mensalão tucano é extensa. O senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República, é um dos que aparecem, como beneficiário de R$ 110 mil.

    O dinheiro chegou a suas mãos pelo esquema do publicitário Marcos Valério, que esquentava os recursos públicos nas agências de publicidade que comandava: a SMP&B e a DNA, as mesmas empresas acusadas de servir ao mensalão petista anos mais tarde.

    Dois pesos e duas medidas

    Apesar de a lista do mensalão tucano ou mineiro, como a grande mídia prefere classificar o escândalo, ter sido reconhecida por peritos da Polícia Federal como verdadeira, nenhum dos envolvidos no desvio de dinheiro público pelo esquema de corrupção do PSDB foi julgado até agora.

    Em 2009, o relator do processo no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, atendendo a solicitação dos réus, entre eles Marcos Valério, desmembrou o inquérito e remeteu para Minas os casos dos envolvidos no mensalão tucano que não tinham foro privilegiado.

    Desmembramento semelhante não aconteceu no caso dos petistas.

    Quatro anos depois, Valério foi condenado por Joaquim Barbosa a mais de 40 anos de prisão em regime fechado pelo mensalão que teria sido encabeçado pelo ex-ministro José Dirceu. O crime pelo qual Valério foi julgado é absolutamente similar ao que teria cometido no esquema do PSDB. Nos dois casos, sua função era mesma: dar cobertura legal a esquemas de desvio de dinheiro público.

    Neste caso, Valério será julgado pela justiça estadual mineira.

    Em Brasília só permaneceram os casos do agora senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), do senador Clésio Andrade (PMDB-MG), além do ex-ministro do Turismo e das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (PSB-MG), por terem foro privilegiado. Posteriormente, quando deixou a pasta ministerial, o processo de Mares Guia também seguiu para Minas. Ele teria se beneficiado da prescrição do crime ao completar 70 anos, no ano passado.

    A conta-gotas

    O processo que tramita na Justiça de Minas envolve 10 réus. O promotor de justiça de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte João Medeiros Silva Neto, responsável pela acusação, considera que os réus do mensalão tucano devem ser julgados no final de 2014, início de 2015. Ele considera o prazo plausível devido ao número elevado de testemunhas arroladas no processo.

    Antecipa que vai pedir a condenação dos réus por peculato e lavagem de dinheiro. Esses crimes prevêem penas de dois a 12 anos e de três a 10 anos de reclusão, respectivamente.

    “O Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 fixou penas bem elevadas. Esperamos que isso sirva de parâmetro para as penas na justiça estadual”, ressalta o promotor.

    Até agora só testemunhas foram ouvidas no processo. A próxima fase prevê o depoimento dos réus, mas ainda não há data marcada para que isso aconteça. No último dia 10, a oitiva de uma testemunha foi cancelada.

    A reportagem do Viomundo procurou a juíza da 9° Vara Criminal, Neide da Silva Martins, no fórum de Belo Horizonte, para obter mais detalhes sobre o processo. Ela solicitou, por meio de sua secretária, que as perguntas fossem encaminhadas por escrito, mas ainda não retornou o contato.

    Personagem conturbado

    Nilton Monteiro tornou-se peça-chave no esquema de acusação contra os tucanos, conduzido pelas mãos de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha de Eduardo Azeredo e ex-secretário do governo de Minas.

    De aliado político, Mourão passou a desafeto do ex-governador. O motivo seria uma dívida de campanha, da ordem de R$ 700 mil, que Azeredo não queria saldar com o filho do ex-secretário Mourão. Nilton Monteiro teria passado, então, a pressionar Azeredo com a lista de Mourão que denunciava o mensalão mineiro.

    Azeredo entrou em acordo com Mourão e os dois reataram politicamente. O que eles não contavam é que Monteiro não devolvesse a lista, que em seu poder se transforma em instrumento de poder político.

    Pressionados pelas denúncias, os tucanos passaram a desqualificar as acusações. Monteiro, de repente, começou a ser identificado por eles como aliado PT, quando é cria do ninho tucano.

    Apesar de afirmar que não se arrepende de ter denunciado o esquema de corrupção do PSDB, Monteiro viu sua vida virar de ponta cabeça. De braço direito do ex-empreiteiro e ex-deputado federal Sérgio Naya, hoje Nilton Monteiro dorme em um colchão no chão da cela que divide com outro detento e trabalha como jardineiro no presídio.

    A escolha por uma prisão de segurança máxima foi dele, que teme pela própria vida. Ele acusa o delegado Márcio Nabak de comandar várias retaliações que já sofreu. Segundo Nilton, Nabak seria aliado de políticos denunciados no esquema de corrupção tucana.

    O medo de retaliação à família também preocupa Monteiro. Ele quer a federalização dos seus processos.

    Ele não tem dúvida sobre o futuro difícil que terá pela frente.

    Mesmo assim prefere partir para o ataque e denunciar o controle do PSDB sobre a mídia, para abafar denúncias contra quadros do partido.

    A reportagem do Viomundo entrevistou Nilton Monteiro em uma sala reservada dentro do gabinete do juiz da 3° Vara Criminal de Belo Horizonte, Guilherme Sadi, no último dia 6, quando ele compareceu ao fórum da capital mineira para participar de audiência. O recinto é reservado para conversas entre réus e advogados. Durante toda a entrevista Nilton foi mantido algemado e um policial militar permaneceu dentro da sala. A pedido do advogado de Nilton, William Souza, a reportagem garantiu que a fotografia do réu não o identificaria com as algemas.

    *Os leitores do Viomundo financiaram a viagem e a série de reportagens de Lúcia Rodrigues a respeito do mensalão tucano. Para ajudar, clique aqui.

    http://www.viomundo.com.br/denuncias/com-medo-de-morrer-delator-do-mensalao-tucano-fica-em-presidio-de-seguranca-maxima-e-se-diz-perseguido-por-aecio-neves.html

    1. Marly

      16 de dezembro de 2013 6:37 pm

      Sumiço

      Esse post  estava elevado para comentários. Quando cliquei para ler , nada apareceu, somente uma informação de que não havia autorização para ler. Agora, procuro e não acho mais. Saiu do Blog?

  12. Djijo

    16 de dezembro de 2013 4:13 pm

    Da inexistência de monstros

    Da inexistência de monstros (ou: a mania humana de dividir o mundo entre “bons” e “maus”)

    de: http://caouivador.sul21.com.br/

    Publicado em

     

    15 de dezembro de 2013

    http://www.youtube.com/watch?v=NndubiXLoaU

     

    Causou certa controvérsia o texto publicado na última terça-feira. Principalmente por conta do título: afinal, como dizer que o estuprador não é um monstro?

    Antes de publicar, por pouco, o título não foi outro. Ou melhor, não foi “mais longo”. Pensara em complementá-lo: “O estuprador não é um monstro: é um homem”. Talvez assim tivesse ficado melhor, pois teria deixado bem claro o que pretendia dizer naquelas (poucas) linhas escritas – que no fundo, nada mais eram do que um comentário “alongado” relativo ao excelente vídeo do canadense Jeremy Loveday.

    Porém, muito provavelmente este outro título também causaria irritação. Mais especificamente, de muitos homens que “vestiriam a carapuça”, achando que a referência era a todos do sexo masculino. Mesmo que não seja preciso ter mais de dois neurônios para perceber que queria dizer o contrário: nem todo homem é estuprador, mas todo estuprador é homem – daí a afirmação de que, enquanto gênero, todos somos responsáveis por isso, e não podemos nos omitir. O fato do machismo oprimir as mulheres não significa que os homens não possam também combatê-lo, mas o primeiro passo para isso consiste em reconhecer que o gênero ao qual pertencemos é o opressor e que, portanto, são pessoas semelhantes a nós (ou seja, homens) que o praticam.

    A partir disso, podemos fazer uma analogia para outros casos (como a luta contra o racismo, a homofobia etc.), e estendê-la até mesmo à humanidade como um todo. Temos o costume de classificar qualquer um que tenha comportamento desviante da norma como “criatura anômala”. Estupradores e demais criminosos, por exemplo, são “monstros”. O mesmo se aplica a Adolf Hitler e aos nazistas: barbaridades como o Holocausto não podem ser coisa de humanos, né?

    A referência a Hitler não é para seguir a chamada “Lei de Godwin”. Quando aconteceram os atentados terroristas na Noruega, em 22 de julho de 2011, se procurou mostrar o autor confesso dos ataques, o ultradireitista Anders Behring Breivik, como um “monstro” (rá!) e também como “seguidor de Adolf Hitler”. Com isso, passava-se a ideia de que Breivik era uma “criatura anômala”, provavelmente “com problemas mentais”. Logo, seria “menos humano” que nós, “pessoas normais e de bem”. O motivo? Meu amigo Guga Türck “matou a charada”:

    Claro, porque é necessário se identificar de alguma forma uma anomalia no comportamento do cara, porque senão todas as razões que ele vem elencando para o seu massacre irão colocar uma gama muito grande de pessoas no saco que este idiota acabou de criar.
    Suas ideias são como um compilado de bobagens que tenho ouvido por aí ao longo dos tempos, em jantares de família, saguões de faculdade, mesas de bar… todas essas coisas que permeiam a vida de um jovem da classe média porto-alegrense.
    O que ele fez lá na Noruega tem um montão de gente por aqui que adoraria fazer com os integrantes do MST, ou com os moradores de rua, com negros, com vileiros, com os vagabundos do bolsa família, os maconheiros das marchas ou com os bicicleteiros que ousam desafiar os carros.

    Resumindo: o “monstro” nada mais é do que um produto da sociedade. Somos seres sociais e, por isso, muito influenciados pelo meio em que vivemos. Não reagimos todos da mesma forma – aí entram as características próprias de cada pessoa. Um psicopata, por exemplo, tende a ser mais violento (isso mesmo, tende, pois nem todos são, por incrível que pareça).

    Mas nem todo criminoso é psicopata, e nenhum deles (nem mesmo o psicopata) é monstro. Da mesma forma que Hitler e outros terríveis genocidas. São todos humanos. Iguais a nós.

    Acontece que temos a mania de dividir o mundo entre “bons” e “maus”, sendo que, obviamente, nós somos os “do bem”, e os outros, “do mal”. Ou, como lembro de ter sido comentado por um professor em meu primeiro semestre na faculdade de História: “bárbaros são sempre os outros”. Com isso, muitas vezes estamos em meio à barbárie, mas fingimos que nada temos a ver com isso pois somos “civilizados”. Mas temos. E muito.

  13. Edivaldo Dias Oliveira

    16 de dezembro de 2013 5:35 pm

    Aula de política
    Entrevista
    “Quem dá o tom da política no país é o PMDB”

    Brasil Econômico Edla Lula, Octávio Costa e Sonia Filgueiras ([email protected])
    16/12/13 09:20
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    “O PMDB vai se preparar para ter candidato próprio em 2018”, diz o vice-presidente da República, Michel Temer. Foto: Glaucio Dettmar
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    A declaração do presidente do partido, Michel Temer, tem por base o fato do PMDB reunir o maior número de políticos eleitos

    O vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, comanda um verdadeiro império político. Além de seu cargo, o partido acumula a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, e, por consequência, preside o Congresso Nacional. Também reúne o maior número de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e senadores. E, na Câmara, só fica atrás do Partido dos Trabalhadores (PT).

    Com base nesse cacife, Temer, em entrevista exclusiva ao Brasil Econômico, fez uma declaração de força: “Quem dá o tom da política no país é o PMDB. Não é sem razão que muitos querem o PMDB”. Para não deixar qualquer dúvida, o vice-presidente constata que “se o PMDB não dá apoio a um projeto, o projeto não sai”. Apesar do poder e da enorme estrutura, o partido repetirá a dobradinha Dilma-Temer na reeleição. Mas, em 2018, o ciclo da parceria política com o PT deve se encerrar. “Vamos nos preparar e aí, sim, lançaremos um candidato próprio”, promete Michel Temer.

    Como o senhor avalia o cenário eleitoral que já se desenha?

    Em primeiro lugar quero registrar que se antecipou por demais a campanha. O correto seria que ela se desenvolvesse a partir do ano que vem. Legalmente, deveria ser a partir de junho e, politicamente, a partir de fevereiro ou março. Essa antecipação não é útil. Ela até consegue pré-desenhar o cenário eleitoral, mas não consegue defini-lo. Neste pré-desenho já há candidatos formados. O problema é que tudo o que se passa agora tem em vista a campanha eleitoral do ano que vem e isso não é útil.

    O senhor é candidato à reeleição como vice?

    Isso vai se definir no ano que vem. Mas é evidente que se nós olharmos o histórico das candidaturas, na reeleição, a tendência é se repetir a chapa.

    Por que o PMDB, partido fortíssimo, não lança uma candidatura própria à presidência?

    Concordo com a premissa de que o PMDB tem muito poder político, na medida em que tem a presidência da Câmara; a presidência do Senado; a vice-presidência da República; tem o maior número de prefeitos, de vereadores, de deputados estaduais. Tem o maior número de senadores e quase o maior número de deputados federais. Tem o poder político muito acentuado. Quem dá o tom da política no país é o PMDB. Não é sem razão que muitos querem o PMDB. Mas nós não nos preparamos para ter uma candidatura. Veja o caso do Ulysses (Guimarães, candidato a presidente em 1989 pelo PMDB). Ele foi o homem que reconstruiu o Estado brasileiro. Foi uma grande figura e teve 4% dos votos. Uma candidatura precisa ser bem preparada. No caso de 2014, vamos repetir a mesma parceria com o PT e vamos nos preparar para 2018 e aí, sim, lançaremos um candidato.

    Há nomes que poderiam ser cogitados para essa candidatura?

    Nomes serão preparados.

    O problema de 2018 é que Lula também será candidato…

    Pelo que sei, ele não tem intenção. Já cumpriu o papel dele. E cumpriu muito bem. A ideia de um terceiro mandato pode até desmerecer os mandatos anteriores.

    O senhor não está no time do “volta Lula”, então?

    Essa é uma decisão dele e do PT.

    A candidatura em 2018 depende do desempenho em 2014?

    Não acredito. Nós temos um desempenho já consolidado. O número de prefeitos é uma coisa importante. A grande capilaridade do PMDB se assenta nisso. Temos uma estrutura nacional que vai nos permitir uma candidatura em 2018. E esperamos que em 2016 possamos repetir os mesmos números nas eleições municipais.

    Esta antecipação afeta as relações do PMDB como governo ou o PT agora?

    Não afeta ao ponto de afastar. Mas é claro que cria algumas dificuldades onde há candidaturas nos estados. É preciso verificar o nível desta litigância estadual. Se ela se estabelecesse no ano que vem, seria mais fácil para a discussão que se daria. Quando se antecipa o assunto, a discussão se alonga demasiadamente.

    Em quais estados há um atrito maior entre PT e PMDB?

    São todas situações contornáveis. Alguns casos são mais difíceis. Se houver uma candidatura do PMDB na Bahia, não será fácil formar esta composição. O Rio Grande do Sul é outro estado onde há uma disputa antiga entre o PT e o PMDB. É possível que haja quatro candidaturas da base: PP, PT, PDT e PMDB. Em situações como as do Rio de Janeiro e do Maranhão, nossa ideia é que venham a ser contornadas até março. No Maranhão avançou bastante a ideia de apoio ao candidato da governadora Roseana Sarney. No Rio, vamos ver o que vai acontecer. É preciso verificar o que acontece no início do ano que vem. Por isso, eu defendo que essa antecipação não é útil, porque impede acordos definitivos.

    No Rio há possibilidade de o PMDB não ter um candidato?

    Não há. A disposição hoje do governador e do PMDB é ter o candidato próprio. O governador fez uma afirmação de que deixaria o governo em março. Não sei se esta é uma decisão já completada por ele. É uma hipótese que ele levanta. Sérgio Cabral tem um bom governo. Eu até considero uma injustiça o que fazem com ele no Rio. Mas acredito que a sua recuperação vai se acentuar nos próximos meses.

    No caso da Bahia, como ficaria?

    Vejo certa dificuldade. Se o Geddel (Vieira Lima) for candidato a governador, será difícil fazer a composição com o PT. Mas qualquer coisa que eu diga hoje será consideração prematura. Toda e qualquer consideração que se faça hoje seria uma elucubração. São raciocínios que dependem das circunstâncias que virão pela frente.

    Por que o senhor diz que a rejeição a Sérgio Cabral é injusta?

    Porque ele fez um belíssimo governo. As notícias que tenho são de que ele e Eduardo Paes (prefeito do Rio), numa parceria bastante expressiva, fizeram do Estado um canteiro de obras. Eles realizaram muito no Rio, por isso acho inadequada a resistência que fazem a Cabral.

    A que o senhor atribui essa resistência?

    Tenho uma tese. Os movimentos que se deram em junho não foram apenas contra os governos estabelecidos. Foram contra o estabelecido. Tanto que atingiram entidades particulares, partidárias, os políticos e os administradores. Minha tese é que a democracia passou por três fases distintas.

    Houve uma primeira fase, após a Constituição de 88, que foi a fase da democracia liberal. Como o país saiu de um sistema autoritário, as reivindicações por liberdades eram muito amplas. Houve um exercício extraordinário da aplicação dessas liberdades. Logo depois, o indivíduo que tinha direito à liberdade de manifestação, expressão etc., disse: “Eu quero é pão sobre a mesa. Quero saber como eu me alimento”. Entramos na segunda fase da democracia, patrocinada pela Constituição, que é a chamada democracia social. Foi quando entrou o governo como Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família e outros tantos projetos que promoveram a ascensão social. Isso gerou agora a reivindicação por uma terceira fase, que é a democracia da eficiência. As pessoas ascenderam socialmente. Então, o sujeito que nunca comprou carro, de repente pode comprá-lo, o que nunca viajou de avião, pode comprar passagem. Esse cidadão encontra serviços inadequados, enfrenta engarrafamentos imensos. E passa a ser mais exigente: quer mais saúde, mais educação. Ele saiu da pobreza absoluta, onde não podia nem sonhar, e passou para a fase da classe média baixa em que ele já começa a reivindicar. Neste momento, surge a ideia da democracia da eficiência. A manifestação é legítima. As pessoas querem melhores serviços públicos, querem ética na política.

    Temos que compreender isso. Temos que pensar em uma política para a nova classe média. Tanto é que o governo lançou os cinco pactos (Responsabilidade Fiscal, Saúde, Educação, Mobilidade e Reforma Política). Os governos estaduais tomaram suas providências. O legislativo aprovou muita coisa que estava há muito tempo sem votação.

    Falou-se muito da pressão por mecanismos de democracia direta. A presidenta chegou a propor plebiscito…

    Estamos vivendo uma democracia ampla. Essas pessoas, que muito legitimamente saíram às ruas, querem mais.

    E se falou também de um desgaste forte da classe política. O sr. acha que há esse desgaste?

    Acho, sim. E não é algo que seja novidade em qualquer país. O Legislativo é o poder mais vergastado. Certamente porque é o poder onde estão as várias correntes de opinião. Muitas vezes os integrantes do Legislativo se autocriticam. É um poder até muito transparente. Então, é natural que haja essas queixas. Quem conhece a história do Brasil sabe que isso é até repetitivo. O que é preciso sempre é que haja resposta a isso. E não é inútil que haja essa movimentação, porque é uma movimentação fiscalizadora.

    O Congresso criou uma pauta para dar respostas às ruas. A agenda foi cumprida?

    Faço uma avaliação muito positiva. Foi útil votar certas matérias, como o voto secreto – que surgiu como instrumento da democracia para opor-se à ideia do soberano, daquele que tinha poder incontrastável de mando. O voto secreto serviu para proteger o representante popular contra a pressão de quem tinha o poder central, para se opor à vontade soberana de quem estivesse no poder, especialmente o Executivo. Mas hoje, como fenômeno da transparência e da publicidade, que são tópicos constitucionais, evoluiu-se para a ideia do voto aberto. Paciência. O deputado vai dar um voto, no Parlamento, que pode desagradar o eleitor, mas o eleitor sabe em quem está votando.

    No caso da cassação de mandato parlamentar, o senhor acha válido o voto aberto?

    Confesso que tenho minhas dúvidas. Talvez o deputado vote a favor ou contra a cassação tendo em vista a abertura do voto. Ele teria melhor liberdade para votar se fosse secreto. Não tenho dúvida de que muita gente poderia votar pela cassação, mas, tendo em vista muitas vezes os coleguismos, ele pode ficar constrangido e votar contra.

    Esse raciocínio vale também para os vetos presidenciais?

    Não. Porque não se trata de uma relação pessoal. Trata-se de uma relação institucional entre o Legislativo e o Executivo. O parlamentar está contra, vai e coloca a sua posição pela derrubada do veto. Porque já votou durante a tramitação do projeto. Nas relações pessoais é que tenho um pouco de preocupação. Embora haja uma exaltação ao voto aberto, não sei se é útil para alguns casos.

    Fala-se muito da “judiciarização” da política, com uma intervenção muito forte do Judiciário em questões do Legislativo. Qual sua opinião?

    A questão é que a Constituição não é só a letra, mas também seus princípios. Muitas vezes vejo o Supremo decidindo baseado em princípios da Constituição, o que é legítimo. Outra coisa é que muitas vezes o Judiciário é acionado pelos próprios parlamentares ou os partidos, que vão provocá-lo a se manifestar, com Ação Direta de Inconstitucionalidade, por exemplo.

    Foi o que aconteceu no caso da fidelidade partidária. O Supremo interpretou dispositivos constitucionais para definir que aquele que saísse do partido era infiel e, portanto, perderia o mandato. Acho péssimo judiciarizar a política, mas não creio que neste momento esteja havendo uma judiciarização deliberada do Supremo.

    No caso do mensalão, o senhor acha que foi um julgamento político, ou se deu à luz do Direito?

    Não quero dizer nada porque precisaria examinar as 80 mil páginas do processo. Não conheço as provas, não examinei os autos.

    Esse episódio pode ter peso nas eleições de 2014?

    Não acredito. Primeiro, porque já passou. Segundo, porque a presidenta Dilma não teve nenhuma participação nisso – nem antes, nem depois. Manteve-se como estadista. Além do mais, hoje há um show de acusações de todos os lados.

    As denúncias relacionadas ao metrô de São Paulo podem ter algum peso nas eleições?

    Nenhum desses casos pesará nas eleições. Ou, falando diferente, ficarão todos no zero a zero. São fatos parecidos de ambos os lados. Não creio que essa tônica guiará o eleitor no ano que vem. O que vai guiar o eleitor é uma espécie de referendo, já que há a candidatura para a reeleição. De um lado, terá o eleitor que concorda com os feitos do governo, que acredita na presidenta e vai votar novamente nela. Do outro, aquele quenão acredita e não vai votar na Dilma.

    O que explica esta presença forte de corrupção na vida política do Brasil, já que existem tantos instrumentos de controle?

    No passado as pessoas faziam o santo do pau oco para guardar o ouro e não entregar para Portugal. A corrupção não é um fenômeno de hoje. O que ocorre é que os mecanismos que revelam a questão da transparência da administração pública é que fizeram aparecer mais a corrupção. Mas este é umperíodo transitório. Como há um combate intenso à corrupção, com o tempo ela irá desaparecer. Por enquanto, ela está aparecendo.

    E a economia, quanto vai pesar nas eleições?

    Vai pesar muito. Apesar dos que a criticam, eu acredito que, sob o foco eleitoral, a economia está em um patamar muito positivo. Não tem aumento do desemprego, as pessoas continuam consumindo, as pessoas estão sendo empregadas. Enquanto isso se mantiver, não acho que haverá interferência negativa no eleitor. As coisas só mudam se houver um desastre econômico.

    Quando o sr. conversa com representantes das elites econômicas, nota um desânimo ou desalento em relação à economia?

    Não vejo desânimo nem desalento. O que vejo é certa preocupação em relação ao que vai acontecer. Toda vez que o ministro da Fazenda se manifesta, ou a presidenta, ou eu mesmo, mostramos que as perspectivas são boas. Quando se verifica o que o Brasil vai fazer em termos de aeroportos, portos, ferrovias, rodovias, tudo começando agora e se desenvolvendo nos próximos anos, vejo muito interesse dos governos e das entidades privadas nos vários países. Se houvesse desânimo, o leilão do aeroporto de Galeão não teria tido um ágio de 300%.

    E como vê o risco de o Brasil perder o grau de investimento?

    O Brasil está trabalhando para não perder, esclarecendo junto às agências de risco. Porque uma coisa é a situação atual; outra, são as perspectivas. O que as agências querem saber é quanto às perspectivas. Se elas forem boas e convincentes, não creio que haja rebaixamento.

    Há curto-circuito entre Dilma e o empresário?

    Não vejo curto-circuito. Pode até haver um empresário ou outro com queixas. Mas o governo fez muito pelo empresariado. Um exemplo são as desonerações para a indústria e o comércio. Elas foram tão intensas que até geraram um problema de arrecadação para o governo.

    Há uma crítica ao PMDB em relação a pessoas rebeladas no partido, que negociam suas votações. Pessoas com o perfil do toma-lá-dá-cá. Não incomoda ao partido ter essa imagem?

    É equivocada essa visão de que o PMDB quer ter cargos, coisas desse tipo. O partido que tem uma parceria para governar, que faz uma coalizão, muito naturalmente é chamado para ajudar a governar. Se estivéssemos no parlamentarismo, seria natural. Para o tamanho do PMDB, se for analisar o que ele tem no governo, é algo até modesto.

    E no caso do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que é um deputado bastante agressivo nas negociações?

    É o estilo dele. Não é o estilo do PMDB. É estilo de um líder que quer proteger a bancada. É natural que a bancada tenha aspirações e ele protege muito bem os interesses da bancada. Fui líder do partido e fazia esse papel. As aspirações de bancada são legítimas porque o deputado representa sua região. Enquanto houver esse sistema de centralização emtorno da União, será assim. Nós criamos um sistema federativo um pouco artificial. A União centraliza muita coisa.

    O sr. considera correta a prática de lotear ministérios para políticos, e não para técnicos?

    Ministro tem que ser sempre uma figura política. Porque o ministro terá que ter sempre uma visão nacional. O que ele deve fazer é cercar-se de técnicos habilitados para os vários setores de seu ministério. Mas criticar o ministério porque o ministro é da área política não é correto.

    E a equipe tem que ser composta por quadros do partido?

    Não tem sido assim. Nos ministérios tem uma amálgama de partidos. E, muitas vezes, quando os partidos indicam, tem sido gente do próprio ministério.

    O PMDB nega apoio à reforma política? Porque a reforma política nunca sai…

    Esse caso é diferente. Porque reforma política é um tema individualizado. Cada deputado, na hora de votar a reforma política, quer saber o que é útil para ele. Não adianta o partido orientar para um lado, porque ele vai votar de acordo com seus interesses eleitorais.O fato de ser seu interesse eleitoral forma nele uma cultura política racional. Ele se convence de que aquilo em que está votando é o correto.

    Por que, quando se discute a reforma política, há determinados temas para os quais não se chega nunca a uma conclusão?

    Não se consegue ir ao fulcro da questão. E o fulcro da questão é o sistema eleitoral. Não se consegue estabelecer o sistema eleitoral. No meu partido, por exemplo, tem uma turma grande que vota na minha tese de voto majoritário, depois tem os que optam pela lista, outros que votam no distrital, e outros no distrital misto. Não há entendimento.

    Então, a reforma política não sai?

    Acho difícil. Por isso eu acho que a ideia de uma consulta pública não é ruim. Seria bom para o parlamento. Primeiro, quem convocaria a consulta seria o Congresso. Quem formularia os quesitos seria o Congresso. E quando saísse o resultado, quem formataria o projeto seria o Congresso. A vantagem da consulta popular é que forma uma força indutora da atuação do Congresso.

    O sr. é a favor do financiamento público?

    O financiamento hoje já é público e privado porque quando se estabelece o fundo partidário, é uma verba do poder público que vem para os municípios. Mesmo a propaganda eleitoral é patrocinada pelo poder público, já que as emissoras têm um desconto no imposto de renda para colocar o programa no ar. Já existe este amálgama do público como privado e eu penso que o melhor seria manter essa fórmula com mecanismos de transparência absoluta. E hoje essa transparência vemse dando porque os fenômenos fiscalizatórios são muito grandes. Quando o candidato faz coisas como caixa 2, normalmente tem o candidato adversário que vai ao Judiciário eleitoral denunciar.

    É um ponto de colisão entre o PT e o PMDB, já que o PT é a favor do financiamento 100% público?

    O PMDB não concorda. Acha que tem que ter as duas formas.

    Fala-se, hoje, de uma falta de apetite da oposição e que a oposição no Brasil é muito fraca. O senhor acha que há uma crise na oposição brasileira?

    Não acho não. A única coisa que ocorre é que o governo tem feito muitas coisas que dificultam a ação da oposição. Como alguém vai se insurgir contra o Bolsa Família ou o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil)? O governo tem programas sociais muito fortes e bem- sucedidos. Isso estreita o espaço para fazer oposição. Há uma oposição até muito criativa no Brasil. Isso é útil. A oposição no sistema constitucional brasileiro não existe só para se opor. Existe para governar. Porque quando ela se opõe, ajuda a dar rumo.

    Avalia-se que tanto Aécio Neves quanto Eduardo Campos estariam visando mais a 2018 do que 2014. O sr. concorda?

    É possível. Mas não significa que eles não vão trabalhar para ganhar a eleição

  14. Luiz Eduardo Brandão

    16 de dezembro de 2013 9:23 pm

    Os atuais dilemas da economia brasileira

    O PIB nacional

    Jornal do Brasil

    Ernane Galvêas*

    A economia brasileira teve uma fase de glória de 2004 a 2008, no Governo Lula, com taxa média de crescimento do PIB de 5%, até que chegou a crise de 2009 (PIB -0,3%). Evidente que o Governo Lula, nessa segunda fase de seu Governo foi altamente favorecido pela expansão das exportações, que cresceram +32,0% em 2010. A Presidente Dilma entra com o pé direito em 2011, as exportações crescendo 26,8% e o PIB a + 2,7%, perdendo força.

    Em 2012 e 2013, o comércio exterior desabou, com queda de -5,3% e -0,7% nas exportações, respectivamente. Nossa previsão é de que a economia brasileira vai crescer em torno de 2,0% em 2013, com tendência declinante. Veja o quadro abaixo:

     

    Indústria                                                                1,5%

    Agricultura                                                             7,0%

    Serviços                                                                 1,8%

    Comércio                                                               4,5%

    Setor Público                                                           2,0%

    FBCF                                                                      5,0%

    Exportações                                                            0,0%

    Importações                                                            5,0%

    PIB                                                                        2,0%

     

    Como já dissemos antes, a economia brasileira caminha com o “freio de mão puxado”. Entre as muitas travas que embargam o crescimento, cabe menção especial ao baixo nível dos investimentos, da ordem de 18% do PIB, quando o ideal seria 25%. Ao lado dessa fraqueza, sobressai a pesada carga tributária da ordem de 38% do PIB, a asfixiante burocracia fiscal, que consome 2.600 do trabalho dos administradores e pesa 3,5% extras em tributos sobre o faturamento das pequenas empresas.

    Como o Governo acha que tudo isso é pouco, está propondo uma Cartilha de 207 páginas para infernizar as empresas com um novo regulamento para o que chama e-Social e, ainda mais, a MP nº 627, com 100 artigos, que se propõe a tornar mais complicada a vida dos contribuintes que pagam IRPJ, PIS e COFINS. Um ponto positivo é o que se refere ao redimensionamento e ampliação do Supersimples, através do PLP nº 221/12. A ver.

    A grande esperança está na implementação das concessões nos setores de infraestrutura, incluindo energia (petróleo e energia elétrica), terminais portuários, rodovias e ferrovias. Se tudo der certo, como parece, e houver recursos internos e externos para os maciços investimentos, as perspectivas vão mudar e a economia brasileira vai deslanchar.

    OS JUROS DO BANCO CENTRAL

    Absolutamente desnecessária e prejudicial a elevação da taxa SELIC para 10%, conforme a última decisão do Banco Central/COPOM. A elevação dos juros básicos é feita para desaquecer a demanda agregada, isto é, o excesso de consumo e de investimentos. O Banco Central viu  um aquecimento econômico que não existe. Pelo contrário, o nível das atividades está baixo, como se pode ver pelo comportamento do PIB. Há uma disputa e uma contradição entre a política monetária e a fiscal. De um lado, o Banco Central eleva a taxa SELIC que sobrecarrega o déficit fiscal e a dívida pública, pressionando a alta da inflação. De outro lado, o Ministério da Fazenda promove forte expansão do crédito nos bancos oficiais (BNDES, CEF e BB), financiando fortemente o consumo e os investimentos, que geram pressão de alta dos preços.

    Resultado: a política econômica, em seu conjunto, está desarticulada e mal orientada. Nota zero para a política monetária do Banco Central e para a política fiscal do Ministério da Fazenda.

    DILEMA DA PETROBRAS

    A administração da Petrobras e sua situação financeira vêm sendo tumultuadas pelo Governo, principalmente, desde o momento em que o Presidente Lula decidiu pela mágica de capitalizar a empresa com inexistentes 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal. Paralelamente, foi decidido congelar os preços de venda dos combustíveis, com a finalidade de controlar a inflação, gerando um enorme prejuízo de caixa para a empresa.

    Ora, a Petrobras tem a imensa responsabilidade de um Plano de Investimentos de US$ 236 bilhões, até 2017, além dos custos de administração e manutenção de praticamente toda a área de petróleo, em terra e no mar. Até o momento, a Petrobras já assumiu uma dívida colossal de cerca de R$ 200 bilhões, com pouca margem para aumentar seu endividamento. Em 2014, para executar seu programa de US$ 40 bilhões de investimentos, a empresa terá que tomar financiamentos de pelo menos US$ 25 bilhões.

    Daí o dilema, representado pela política de controle da inflação e a responsabilidade de liderar o processo de retomada do crescimento econômico. Não vai ser fácil para a Petrobras levantar novos empréstimos no mercado internacional, onde os custos subiram muito, face ao crescente “risco Brasil”. De outro lado, forte deterioração na cotação de suas ações na Bovespa praticamente fechou as portas do mercado interno. Cabe ao Governo arbitrar entre a inflação e o crescimento econômico, entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda. Um dilema cruel.

    *Ernane Galvêas é economista, consultor e ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda.

    http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/12/16/o-pib-nacional/

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