Aécio Neves rompe com seu marqueteiro Divergência sobre campanha faz tucano cancelar contrato com Renato Pereira, que atuou com Capriles na Venezuela
Antropólogo cuidou de programas de televisão que apresentaram senador ao eleitorado no primeiro semestre
NATUZA NERY DE BRASÍLIA VERA MAGALHÃES EDITORA DO PAINEL A poucos meses da largada eleitoral, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), principal candidato da oposição à Presidência, terá de trocar seu marqueteiro de campanha.
Segundo a Folha apurou, o antropólogo e publicitário Renato Pereira e o senador romperam o contrato iniciado no primeiro semestre para a realização dos programas de TV do PSDB. O encerramento da parceria se deu por “diferenças de visões” na estratégia de comunicação.
O afastamento foi formalizado nos primeiros dias do mês, mas mantido em segredo. Hoje, Aécio lança um documento com 12 propostas para o país. O rompimento só seria divulgado depois.
Nos bastidores, mesmo quando as chances de cancelamento do contrato já eram grandes, o senador se mostrava satisfeito com o resultado do seu programa partidário, veiculado em setembro, produzido por Pereira. Mas o pré-candidato pouco adotou os conselhos do marqueteiro para o segundo semestre.
Tucanos afirmam que Renato Pereira insistia para que Aécio Neves rodasse o Brasil com uma agenda mais distante da política tradicional, enquanto o senador se concentrava em agendas partidárias.
A contratação de Pereira, sócio da agência Prole, era apontada pelo senador como um dos trunfos para tentar chegar ao Planalto. Nem Pereira nem Aécio foram achados para comentar o rompimento, que é confirmado por pessoas próximas a ambos.
Quem procurou o senador para indagar sobre o assunto nos últimos dias ouviu que a parceria estava mantida até o fim do mês e que não havia garantias de renovação. Evitava, assim, dar o rompimento como definitivo.
Aécio tem dito que gostaria de adotar uma estrutura colegiada para o marketing de sua campanha, como fez nas suas eleições em Minas.
Responsável por todas as últimas eleições do governador Sérgio Cabral (PMDB), Renato Pereira é visto no mercado como uma das revelações do marketing político.
Fez também a campanha de Henrique Capriles contra Hugo Chávez, na Venezuela, em 2012, ocasião em que enfrentou o brasileiro João Santana, que pilotará a campanha de Dilma Rousseff.
Houve, desde o início da parceria entre Pereira e Aécio, uma diferença de estilos e concepção de comunicação.
Aécio achava que deveria repetir a receita que lhe deu a vitória duas vezes em Minas, e o publicitário se ressentia de falta de autonomia.
Os dois encerraram a parceria em clima amistoso. Aécio definirá a equipe em 2014. Aliados do senador gostariam que ele recorresse à dupla Rui Rodrigues e Paulo Vasconcellos, que fez as campanhas do partido em Minas desde 2002.
Quem faz jogo político com droga é a turma “cheirosa”. É na elite que está a “massa cheirante”
Autor: Fernando BritoÉ muito curioso que Eliane Cantanhêde venha dar lições de moral, tachando de indigna a referência de Lula à indiferença da mídia em investigar o episódio do helicóptero do filho do senador José Perrella apreendido com uma imensa carga de cocaína.
Qualquer pedra da estrada sabe que, se o helicóptero pertencesse a alguém ligado a Lula ou ao PT, haveria uma legião de repórteres esmiuçando tudo e mais um pouco: como o helicóptero fazia viagens ao Paraguai sem o conhecimento de seus donos, porque fez uma rota absurda de São Paulo para o Espírito Santo desviando-se quase o dobro do caminho para “abastecer-se” em Divinópolis, MG e muitas outras coisas mais.
Mas admitamos que Cantanhêde pense realmente assim.
Fui procurar, e não achei, algum artigo da colunista da “massa cheirosa” verberando contra a acusação do então vice de José Serra, Índio da Costa, que acusou o PT de “ser ligado às Farc, ao narcotráfico”.
Aí, pode, D. Eliane?
Mais: houve alguma palavra de protesto quando Mauro Chaves, jornalista ligadíssimo a Serra desferiu o petardo do artigo no Estadão com o famoso “pó pará, governador”?
Aliás, o Estadão, tal como se acusava Stálin de “sumir” com a presença de Trotsky nas fotos da revolução russa, fez apagar a página, que o navegante Rei Lux recuperou nos arquivos da internet.
Só falta agora vir o Merval Pereira vir reclamar, logo ele que publicou a foto de um presidente de associação de moradores de um morro (o do Telégrafo, na Mangueira) ao lado de Brizola dizendo que o então candidato a Presidente tirava fotos com traficantes…
Aliás, Brizola, que enfrentava na própria família o sofrimento causado pelo abuso de drogas, foi o tempo todo chamado de protetor do tráfico pelos congêneres de Cantanhêde.
Se fosse Brizola e não a Globo quem patrocinou o primeiro Rock in Rio, será que não iam dizer que o governador usava um espetáculo para a juventude para estimular o uso de drogas e favorecer o tráfico?
É curiosa esta indignação seletiva.
Acusar gente de esquerda, que não tem uma visão de “cura policial” para o problema das drogas – um dos raros traços de lucidez de Fernando Henrique, aliás – de ser ligada às drogas, pode.
Quem faz demagogia com drogas, curiosamente, é o antigo ídolo de Cantanhêde, José Serra, em seu artigo na própria Folha, acusando o governo brasileiro de ser negligente com seus “apenas” 8 mil quilômetros de fronteira, quando ele sabe que, com cerca, muro e todo o poderio americano, toneladas de drogas entram nos EUA pela fronteira com o México, que mede apenas 40% disso?
E é engraçado que, ao tocar nesta questão, tudo o que se consegue tratar é de mandar polícia para as favelas e periferias, onde estão os pequenos “aviões” – e não helicópteros – da droga.
Porque é que, quando se trata de reprimir o consumo de drogas nunca se pensa em fazer o que se faz nas favelas nos bairros e “points” de elite, onde fica, de fato a “massa cheirante”?
A imprensa faz matérias sobre como traficantes desfilam livres no morro, mas não como o consumo de drogas é “arroz de festa” nos encontros da elite.
A imprensa americana publica. A daqui, cala.
A droga, nos jornais brasileiros, é um mal do mundo dos pobres, não do dos ricos.
O delegado Hélio Luz, que teve a ousadia de dizer que “Ipanema brilha à noite” foi, como se sabe, devidamente “apagado” de posições de mando na polícia.
E nada de novo. O Congresso lavou as mãos e não fez sua parte
O Congresso não leva adiante uma reforma política que tiraria poder dos financiadores de campanhas
Mais jovem ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso debutou em agosto no processo do mensalão, enfatizando que o caso não deve ser considerado o maior escândalo de corrupção de todos os tempos, “e sim o mais investigado” – o que não constitui fato isolado na política nacional. “Ao contrário, se insere em uma tradição lamentável, que vem de longe”, acentuou. Para Barroso, as manifestações deste ano são “reflexo da incapacidade da política institucional para vocalizar os anseios da sociedade”. “Não existe corrupção do PT, PSDB ou do PMDB, existe corrupção”, pontuou. “A corrupção não é ‘nossa’ ou ‘deles’, é um mal em si e não pode ser politizada.”
O ministro citou algumas razões da “exaustão” da sociedade com a forma como se faz política: o papel central do dinheiro, como consequência do custo astronômico das campanhas; a irrelevância programática dos partidos, que no geral funcionam como “rótulos vazios” para candidaturas; e o sistema eleitoral e partidário que dificulta a formação de maiorias políticas estáveis, impondo negociações caso a caso a cada votação importante no Congresso. Além de diagnóstico, sugeriu receita: “A imensa energia jurisdicional dispendida no julgamento terá sido em vão se não forem tomadas providências urgentes de reforma do modelo político. Já tornaram a ocorrer incontáveis casos de criminalidade associada à maldição do financiamento eleitoral, à farra das legendas de aluguel e às negociações para formação de maiorias políticas que assegurem a governabilidade”.
O entendimento do magistrado não é novo. A necessidade de reduzir o poder do dinheiro privado nas eleições e de impor a políticos e partidos fidelidade a programas são bandeiras antigas da sociedade. Assim como o fortalecimento da chamada democracia direta, que dê à população outras formas de interferir nos rumos de sua cidade, seu estado e do país – por meio de ferramentas como audiências e conferências públicas, plebiscitos e referendos.
Ainda em 2010, o Instituto Ethos divulgou estudo – em parceria com a Transparency International – segundo o qual o setor privado gastou R$ 4,6 bilhões em financiamento de campanhas nas eleições de 2006 e 2008. “Quem paga as campanhas têm um poder enorme sobre os políticos. Esse é o nó do quadro político brasileiro”, declarou na época o presidente da entidade, Oded Grajew.
O tema da reforma política com participação social também esteve presente nas manifestações deste ano e passou a fazer parte da “agenda positiva” proposta pela presidenta Dilma Rousseff . O Congresso, entretanto, pôs em prática um velho chavão do manual dos proteladores: formou uma comissão, e não chegou a uma proposta contundente.
O ano legislativo está perto de acabar e o máximo que o grupo de trabalho da reforma política tem a apresentar é um texto que pouco muda na questão principal: o dinheiro para as campanhas. O desinteresse da maioria dos parlamentares ficou evidente quando o quesito financiamento só foi discutido no apagar das luzes, faltando duas sessões para o prazo de entrega do anteprojeto. A proposta de emenda à Constituição (PEC) que saiu do grupo foi entregue no início de novembro ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que disse esperar votá-la até março.
Diante disso, movimento formado por uma centena de entidades resolveu intensificar a coleta de assinaturas para um projeto de iniciativa popular sobre o tema. A ideia é alcançar 1,4 milhão de assinaturas – este ano já foram recolhidas 400 mil até novembro – e apresentar o projeto ao Congresso, como aconteceu com a lei da ficha limpa. Participam da empreitada organizações como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), União Nacional dos Estudantes (UNE), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE).
A CNBB encaminhou carta aos bispos pedindo às dioceses espalhadas pelo país que peçam adesões ao projeto. Também a OAB promete usar suas seccionais para ampliar a conscientização entre a população. “A partir de agora, embora contemos com o apoio de vários parlamentares, o Congresso é o último local que procuraremos. O apoio que queremos é o das ruas e das assinaturas populares”, disse o coordenador da mobilização, chamada de Coalizão pelas Eleições Limpas, o juiz Márlon Reis.
Representação distorcida
O financiamento privado de campanha é tido como ponto-chave porque, conforme ficou claro na movimentação do Congresso nos últimos meses, a influência do poder econômico passa pelo período eleitoral e vai se estender ao longo dos quatro anos de cada legislatura. O lobby vai dos corredores do Parlamento aos gabinetes de órgãos públicos sob influência dos mandatários. Estão aí para comprovar isso a movimentação de empresários do meio urbano e rural, do ramo industrial, financeiro e das telecomunicações, atuando fortemente para aprovar artigos de seus interesses em projetos sobre a regulamentação da terceirização, o combate ao trabalho escravo, a demarcação de terras indígenas e o Marco Civil da Internet.
Além do poder de pressão de fora para dentro, esses segmentos investem para constituir sua próprias bancadas como as empresariais, de ruralistas e de evangélicos, com poder de atrasar ou modificar matérias conforme suas conveniências. O poder de fogo é o dinheiro.
Uma das principais denúncias do semestre está relacionada ao Projeto de Lei 4.330, de 2004, que regulamenta a terceirização de mão de obra. O PL é objeto de críticas por parte das centrais sindicais e de especialistas em relações de trabalho, inclusive, por magistrados do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O corpo a corpo partiu de empresários que contratam e que vendem serviços terceirizados, depois que as tentativas de votação do PL, no plenário da Câmara, falharam. Críticos do lobby associam o assédio a possíveis financiamentos de campanhas em 2014.
Para o cientista político Alexandre Ramalho, da Universidade de Brasília (UnB), relações entre empresas financiadoras de campanha e matérias legislativas de seu interesse já viraram rotina. Ele cita como exemplos a batalha do mercado financeiro, em 2007, durante a votação que extinguiu a CPMF – incômoda também por permitir o rastreamento de movimentações bancárias. Destaca ainda os lobbies das indústrias das armas, em projetos que tramitam na Comissão de Segurança Pública da Câmara; os das empresas que atuam no ramo de agrotóxicos – cujo foco principal são as votações da Comissão de Agricultura da Câmara e de Meio Ambiente do Senado; e o das indústrias de cigarros e bebidas alcoólicas.
O ex-gerente de toxicologia da Anvisa Cláudio Meirelles, exonerado no final do ano passado, havia denunciado um esquema de corrupção para aprovar, de forma mais célere, princípios ativos desses produtos. E criticou a pressão sofrida no Executivo por parte de alguns deputados e senadores. “Muitos parlamentares têm campanhas financiadas por esse segmento e estão todos os dias na Anvisa questionando o trabalho dos técnicos, procurando saber porque determinado produto foi proibido. Eles nos procuram para falar sobre os assuntos abertamente e argumentam que atrasos prejudicam a produção”, enfatizou.
O deputado Moreira Mendes (PPS-RO), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, evitou falar sobre a relação entre o financiamento dessas a campanhas e a atuação dos parlamentares, mas não negou a ligação. “Temos força e objetivos para enfrentar as discussões sobre os temas e convicção em tudo o que defendemos.”
Defesa e conservadorismo
Ainda que a passos lentos, o financiamento privado de campanha, antes intocável dentro do Congresso, passou a ser discutido abertamente. “Não há como, num país como o Brasil, da forma como as coisas têm acontecido, não haver financiamento de campanha pela iniciativa privada. Basta dar uma olhada no plenário da Câmara. São vários os segmentos representados pelos parlamentares presentes”, ressaltou, apontando para os colegas, o deputado Júlio Campos (DEM-MT), que defende o financiamento privado, mas admite um modelo de financiamento misto (público e privado) como opção.
“Todos os sinais que o Parlamento tem dado são de enorme conservadorismo e comodismo em relação ao sistema político. Como os deputados que cobram alterações nas regras são eleitos por essas regras, preferem não reformá-las”, reclamou o senador Jorge Viana (PT-AC).
Um dos principais articuladores do Congresso e nome citado por trás da maioria das reuniões entre parlamentares e empresários, o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), se diz contrário ao financiamento privado, mas tem postura controversa. Diz não ver como passar a matéria, que o problema é “questão cultural” – e afirma aceitar o financiamento privado até que as normas sejam mudadas. Ou seja, concordará, segundo ele mesmo, para sempre, já que não acredita em mudanças das “regras do jogo político”.
Cunha tem grande influência sobre a bancada do PMDB e de partidos menores, principalmente onde estão parlamentares evangélicos. É conhecido por sua habilidade em obter recursos para campanhas eleitorais e tem trânsito em diversos setores econômicos. “Não acho que está correto o entendimento de que quem tem suas campanhas financiadas por empresas estará preso a essas empresas ao longo do mandato. Seria coisa de deputado inexperiente, e quem é bobo ou inexperiente não consegue passar mais do que dois anos aqui dentro.”
Pediatra, ex-ministra, ex-presidente, pioneira do programa ONU Mulheres e, agora, novamente presidente do Chile.
Michelle Bachelet vai voltar ao Palácio de La Moneda após uma vitória acachapante sobre a rival conservadora Evelyn Matthei.
A líder da centro-esquerda teve 62,15% dos votos, ainda que a eleição tenha sido marcada pela alta abstenção – apenas 41,6% dos eleitores compareceram.
Mas o que está por trás de tamanho êxito de Bachelet? A BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, fez essa pergunta a vários especialistas.
Legado do primeiro governo
Bachelet chegou a presidência do Chile em 2006, após ser ministra da Saúde e depois ministra da Defesa no governo Ricardo Lagos.
“Ela exerceu uma liderança especial, mais empática com a pessoas”, segundo a cientista política Pamela Figueroa.
“O apoio (a Bachelet) não é um apoio de partidos políticos, mas da população”, diz Figueroa, dizendo que essa popularidade vem sobretudo das classes populares, em razão de suas políticas para as crianças, a maternidade e de inclusão social.
Decisões como a de nomear um ministério com metade de homens e metade de mulheres também supreenderam a classe política, acostumada a dividir o gabinete segundo as forças que compunham a coalizão governista.
Apesar de momentos críticos, como as manifestações de estudantes secundaristas que abalaram os primeiros meses de seu governo, Bachelet terminou o governo com 80% de popularidade.
Experiência na ONU
Em setembro de 2010, Bachelet tornou-se a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres, a nova agência das Nações Unidas para a igualdade de gênero.
Bachelet se afastou da política chilena e colocou suas energias no cargo, que exercia em Nova York.
“O cargo a favoreceu, já que não precisava opinar sobre certos questionamentos a seu governo, como o caso do Transantiago (rede de transporte da capital, muito criticado) ou o terremoto de 2010”, disse Figueroa.
Em 2013, Bachelet regressou ao Chile e anunciou o que todos já esperavam: seria a candidata à presidência.
Novo discurso, novo programa
Bachelet voltou ao Chile com um novo programa de governo, incorporando algumas das principais queixas dos movimentos sociais nos últimos anos.
A principal demanda é uma reforma radical do sistema de educação. Bachelet prometou um sistema público que seja gratuíto e tenha qualidade.
Alguns dos principais líderes do movimento estudantil, que saíram às ruas no governo Sebastián Piñera, se candidataram ao Parlamento na coalizão de Bachelet. Entre eles, Camila Vallejo e Karol Cariola.
“Bachelet teve a capacidade de perceber de maneira muito concreta o que estava acontecendo na sociedade chilena. Talvez tenha sido a distância, por estar em Nova York”, afirma o sociólogo Manuel Garretón, da Universidade do Chile.
“Ela percebeu que o país mudou e nesse sentido pode cristalizar a demanda por mudança: a demanda por uma nova constituição, uma reforma da educação. A mesma agenda do movimento estudantil”, disse.
Bachelet também incorporou a seu programa demandas de movimentos ambientais, gays e indígnenas. Também diz estar aberta a uma nova lei sobre o aborto e ao debate sobre o casamento gay.
Personalidade
Além do capital politico, Bachelet usou outra arma para derrotrar Matthei: seu carisma.
Com sorriso fácil, Bachelet tem ainda a seu favor “a modéstia, a capacidade de escutar as pessoas, nunca com uma palavra hostil em suas respostas”, diz Garretón.
Sua história pessoal também comove os chilenos. Seu pai, Alberto Bachelet, um general da Força Aérea, morreu na prisão logo após o golpe contra o presidente Salvador Allende. Bachelet e a mãe foram enviadas a um centro de detenção e em seguida para o exílio.
Mas a sua personalidade nem sempre foi vista com bons olhos. Em alguns momentos, ela foi tachada como fraca. No primeiro turno, o candidato Marco Enríquez-Ominami disse que as eleições não eram “um concurso de simpatia”.
A derrocada da direita
Além dos méritos pessoais, Bachelet contou com a baixa popularidade e a crise interna da direita chilena.
Os partidos Renovação Nacional (RN) e União Democrática Independente (UDI) não conseguiram capitalizar o fato de ter no Palácio de La Moneda o primeiro presidente de centro-direita desde o retorno da democracia.
Bachelet impôs à direita o pior resultado eleitoral desde o retorno das eleições. A própria Evelyn Matthey disse que só “um milagre” conseguiria mudar os resultados no segundo turno.
Agora, a direita terá quatro anos paara planejar sua volta ao La Moneda. O único consolo, neste momento, é que não há reeleição no Chile e o nome de Bachelet não estará nas cédulas de votação da próxima eleição.
Por Longa Depressão quero dizer economias a crescerem sistematicamente bem abaixo das suas taxas tendenciais anteriores, com desemprego emperrado em níveis bem acima dos anteriores à Grande Recessão, e desinflação (redução da inflação) a transformar-se em deflação (queda de preços). Acima de tudo, é um ambiente económico onde o investimento em capital produtivo está abaixo dos níveis médios anteriores, com poucos sinais de que venha a levantar-se. ( thenextrecession.wordpress.com/2011/11/25/us-investment-strike/ ). Na verdade, esta depressão está agora a atingir as chamadas economias emergentes, onde, mesmo com suas grandes disponibilidades de trabalho barato e nova tecnologia importada, o PIB real também está a desacelerar.
Até agora esta designação não teve muito apoio entre economistas de qualquer coloração teórica. Mas subitamente a ideia da “depressão permanente” veio à superfície da “grande e boa” corrente principal da análise económica. Na recente conferência do FMI sobre as causas da crise ( thenextrecession.wordpress.com/… ), Larry Summers, antigo executivo da Goldman Sachs, ex-secretário do Tesouro dos EUA, ex-presidente da Universidade de Harvard University e candidato falhado a encabeçar o US Federal Reserve, considerou que os esforços de bancos centrais para ressuscitar a economia com taxas de juro baixas ou zero, ou com a “impressão de dinheiro” através compras tipo QE de papéis financeiros do governo e do sector privado, não estava a funcionar para devolver o “crescimento normal” às economias. “Mesmo uma grande bolha não foi suficiente para produzir qualquer excesso de procura agregada… mesmo com estímulo artificial à procura, vindo de toda esta imprudência financeira, você não veria qualquer excesso… o problema subjacente pode estar ali para sempre”. Assim, “podemos bem de nos próximos anos precisar pensar acerca de como administrar uma economia onde a taxa de juro nominal zero é um inibidor crónico e sistémico da actividade económica, mantendo nossas economias outra vez abaixo do seu potencial”.
Aparentemente, mesmo políticas monetárias “não convencionais” não estão a chegar ao resultado desejado para a economia, excepto para conduzir os preços do mercado de acções numa nova bolha (não inflacionária). A visão de Summers tem sido reflectida como uma ladainha por imitadores keynesianos como Paul Krugman, ex-economista chefe da Goldman Sachs, o bloguista do Finantial Times Gavyn Davies e o colunista do FT e amigo deles todos Martin Wolf. Para eles, parece que o capitalismo não está a trabalhar “automaticamente” para devolver o “crescimento equilibrado” e as pressões deflacionárias estão a tornar-se dominantes.
Como diz Krugman no seu post, intitulado A Permanet slump? ( http://www.nytimes.com/2013/11/18/opinion/krugman-a-permanent-slump.html?_r=0 ): “E se o mundo em que temos vivido nos últimos cinco anos for o novo normal? E se condições como de depressão estão destinadas a persistir, não por mais um ano ou dois, mas por décadas?… de forma a que “a tese da “estagnação secular” – um estado permanente no qual uma economia deprimida seja a norma, com uns poucos episódios de pleno emprego entre grandes intervalos?” Krugman avança: “A resposta de Summers é que podemos ser uma economia que precisa de bolhas apenas para alcançar alguma coisa próxima ao pleno emprego – pois na ausência de bolhas, a economia tem uma taxa de juro natural negativa. E isto não tem sido verdadeiro apenas desde a crise financeira de 2008; tem sido comprovadamente verdadeiro, embora talvez com gravidade crescente, desde a década de 1980”. Espantoso! Assim, parece que as principais economias capitalistas já não podem mais crescer a taxas que permitiriam pleno emprego mesmo com taxas de juro reais negativas.
Será que isto significa que os grandes gurus da análise económica agora concordam comigo acerca do estado da economia capitalista mundial? Bem, não realmente. Deixem-me tentar explicar porque penso que esta nova paixão acerca da depressão da parte de pessoas como Summers, Krugman e Wolf diferente do meu ponto de vista (e aliás eu consideraria que também o de Marx). Primeiro, para os keynesianos, a depressão é um produto do entesouramento de dinheiro pelos capitalistas que leva a uma falta de “procura efectiva” permanente. Mas o que pessoas como Krugman não explicam é porque este entesouramento subitamente acontece e porque não terminará, mesmo com taxas reais negativas. Não deveríamos olhar não apenas para o sector financeiro e a política do banco central e examinar o que está a acontecer na economia real? Sob o capitalismo, isso significa [examinar] o que tem acontecido à lucratividade do capital.
Krugman agora fala na “estagnação secular” sob o capitalismo a partir da década de 1980, reflectindo os argumentos do economista neo-keynesiano Alvin Hansen do período do pós guerra imediato o qual extrapolou a teoria de Keynes para referir-se ao gradual amortecimento do crescimento; ou as ideias mais recentes de Robert Gordon acerca do colapso da inovação e da produtividade em economias capitalistas modernas (ver meu post, thenextrecession.wordpress.com/2012/09/12/crisis-or-breakdown/ ).
Krugman considera que esta estagnação secular pode ser causada pela “desaceleração do crescimento populacional” que mantém baixa a procura efectiva, ou pode ser causada pelos ” défices comerciais persistentes “, os quais vieram à tona na década de 1980 e “desde então têm flutuado mas nunca se afastaram”. A primeira explicação procura fora dos movimentos da acumulação capitalista alguma exógena lei da natureza e a segunda refere-se realmente a desequilíbrios entre economias capitalistas, ao invés do capitalismo como uma economia mundial. Ambas negam qualquer falha nos fundamentos do capitalismo moderno e nenhuma delas soa convincente.
Martin Wolf também aborda o tema da “estagnação” no seu post mais recente no FT, Why the future looks sluggish, ( http://www.ft.com/cms/s/0/a2422ba6-5073-11e3-befe-00144feabdc0.html#axzz2l71zthLV ). Para Wolf, a causa desta nova depressão é uma “abundância de poupanças globais” ou uma “escassez de investimento” provocada pelo “entesouramento excessivo” de poupanças por capitalistas relutantes em investir: “a economia mundial tem estado a gerar mais poupanças do que os negócios querem usar, mesmo a taxas de juro muito baixas. Isto é verdade não só nos EUA, mas também nas economias de alto rendimento mais importantes”. Assim, o problema da longa depressão é um excedente de lucros e não a baixa lucratividade.
Isto é um velho argumento de cabelos brancos que teve origem em Ben Bernanke, o actual chefe do Fed, ainda no princípio dos anos 2000, quando argumentou que a causa dos “persistentes défices comerciais” nos EUA e Reino Unidos devia-se a “demasiada poupança” no países “excedentários” da Ásia e da OPEP. Portanto a farra de crédito e o subsequente esmagamento do crédito foi realmente por culpa de os indivíduos do Japão ou da China não gastarem bastante com bens dos EUA! Agora a culpa já é de toda a gente por não gastar bastante. Mas, mais uma vez, a questão é porque as pessoas não estão a gastar bastante? Isso não é difícil responder quando se chega às famílias médias, dizimadas por rendimentos reduzidos e desemprego, mas por que companhias capitalistas nos EUA ou no Reino Unido ou na Europa não investem mais? Wolf pensa que pode ser devido a “dívida excessiva” acumulada durante a farra de crédito antes da Grande Recessão. Assim, a crise foi causada pelo “gasto excessivo” e agora a depressão é causada pela “poupança excessiva”. O capitalismo simplesmente balouça de um para o outro!
Wolf pensa também que a falha em investir pode-se dever a uma mudança na cultura de firmas capitalistas, as quais não querem mais investir em capital produtivo e preferem brincar no mercado de acções ou comprar activos financeiros. Assim, eis no que se tornou o grande sistema capitalista – uma economia “rentista”. Tratei anteriormente destes argumentos neste blog ( thenextrecession.wordpress.com/… ) e pretendo a eles retornar no futuro. Mas, mais uma vez, a ideia da lucratividade do capital no que é, afinal de contas, por definição uma economia do lucro onde pessoas investem para fazer um lucro, está totalmente ausente das explicações de Krugman ou Wolf.
“A solução para crescimento reduzido e desemprego elevado ( e involuntário ) é relativamente simples. Finalmente alguém começará a gastar os recursos ociosos . Isto tanto pode ser pelo sector privado desde que independentemente se restabeleça do seu afundamento em espíritos animais, ou será o governo”. Ah, sim, os “espíritos animais ” retornarão. Ou será assim? Smith reconhece que podem não vir em qualquer momento em breve porque “é perfeitamente plausível que a economia – como tem acontecido – possa permanecer deprimida mesmo com taxas muito baixas devido a pressões para desalavancar, baixas expectativa e baixa confiança, etc”. Assim, a explicação da depressão é: dívida alta ainda a ser desalavancada, “baixas expectativas” (ou lucro?) e “baixa confiança” (no que?). Mais uma vez, nenhuma menção ao que está acontecer à lucratividade.
Smith considera que “se o mercado está mal preparado para aproveitar os recursos ociosos em qualquer período breve – permanecendo como está num estado depressivo, irracional – o único agente que pode fazer isto é o estado. O estado pode emprestar dinheiro (utilizando capital ocioso) para criar empregos (utilizando trabalho ocioso), elevar taxas de juro e deitar abaixo a taxa de desemprego. E esta abordagem não exige que alguém faça previsões precisas acerca do futuro. Ela simplesmente exige uma economia de mercado, e um estado desejoso de empregar recursos ociosos quando eles estão ociosos… e note-se que sou a favor de uma economia baseada predominantemente no mercado. Intervenções do governo deveriam ser mantidas num mínimo necessário”. Assim, o estado pode salvar a situação se o investimento privado não o fizer – mas mantenha-o num mínimo.
“Pela redução do desemprego e o gasto do capital ocioso (preferivelmente num mix de infraestrutura dirigida pelo estado e projectos de tecnologia, e concessão de empréstimos a novos negócios) mais negócios podem vir à luz”. Uma vez tendo o estado feito o seu papel de salva-vidas, podemos retornar ao normal: “Mais cedo ou mais tarde, naturalmente, o sector privado voltará e começara a gastar recursos”. O perturbante é que o normal “poderia estar a uma distância muito, muito, muito longínqua. Se quisermos que a estrutura de produção se ajuste ao novo mundo e continue a ajustar-se quando o mundo continua a mudar, deixando enormes quantidades de recursos em estado de ociosidade parece um mau caminho de fazer isto”. Assim, precisamos de “política orçamental com alvos definidos”. O governo ao resgate.
Mais uma vez, não há explicação da razão porque o capital está ocioso – será que é por não suficientemente lucrativo? O único meio de ressuscitar aquela lucratividade é através de quedas (slumps) que destroem o valor do capital improdutivo acumulado, de modo a que a lucratividade (em relação ao valor remanescente) ascenda e permita a retomada do processo de acumulação. Após um período de enorme acumulação tanto de capital tangível como de capital fictício ao longo dos últimos 20 anos, o capitalismo entrou numa Grande Recessão. Mas, tal como na Grande Depressão da década de 1930, ele não pode sair desta longa queda sem uma destruição maciça do capital morto. A Segunda Guerra Mundial finalmente conseguiu fazer isso. Nas décadas de 1880 e 1890, ele sofreu uma série de grandes quedas antes de o crescimento sustentado retomar. A situação é semelhante agora. Apenas mais gastos governamentais destinados a “estimular” ou mesmo substituir (temporariamente) o sector privado não resolverão o problema. Só a substituição da acumulação capitalista pelo investimento planeado pelo estado como modo de produção dominante faria isso. Caso contrário, podemos esperar ainda outras quedas estrada abaixo, antes de cessar a estagnação “secular”.
Três juízes que atuam na Vara de Execuções Penais (VEP) em Brasília, responsável pelos processos das prisões dos condenados do mensalão, pediram para ser removidos da Vara em razão dos conflitos surgidos desde a chegada dos condenados ao Complexo da Papuda. Entre os motivos elencados nos pedidos, encaminhados à Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, está a iminência de ocorrer uma rebelião e uma tentativa de fuga na próxima terça-feira, dia 24, véspera de Natal.
Eles também denunciam a existência de uma suposta sabotagem por parte de agentes penitenciários com o objetivo de prejudicar a VEP. Os pedidos dos juízes foram remetidos ao primeiro vice-presidente, desembargador Sérgio Bittencourt, no último dia 9. Dois dias depois, o desembargador negou a remoção dos juízes e encaminhou à Presidência do TJ, “com urgência”, as denúncias de rebelião, fuga e sabotagem.
Os juízes escreveram no pedido de remoção que magistrados, promotores de Justiça e defensores públicos constataram a tensão no sistema prisional desde a chegada dos mensaleiros à Papuda, principalmente em razão das regalias concedidas a eles pela administração penitenciária. Entre esses privilégios estava um dia especial de visitas, as sextas-feiras, medida derrubada pelos juízes substitutos da VEP.
Situação de caos no sistema prisional
A argumentação dos juízes para serem transferidos da VEP se baseia na situação que consideram “de caos” do sistema prisional desde a chegada dos condenados do mensalão. As detenções ocorreram em 15 de novembro, e, diante dos conflitos deles com o juiz titular da VEP, Ademar Silva de Vasconcelos, os magistrados já alegavam a necessidade de remoção da Vara.
Os primeiros pedidos nesse sentido foram feitos ainda em novembro e negados pela Vice-Presidência do TJ, a quem cabe decidir sobre remoções de juízes. Há poucos dias, diante da ampliação da tensão nos presídios da Papuda, inclusive com uma suspeita de sabotagem por parte de agentes prisionais, os magistrados voltaram a pedir remoção.
A segunda negativa do TJ pode levar a uma contestação formal na Justiça sobre a permanência na VEP. No fim de novembro, por ingerência do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, o titular da VEP foi afastado da condução dos processos de execução das penas dos presos. Praticamente todo o trabalho passou a ser feito pelos juízes substitutos e pelos juízes auxiliares designados pela Vice-Presidência do TJ para atuar na VEP.
Pelo menos três fontes independentes teriam alertado um dos juízes sobre a possibilidade de rebelião na véspera do Natal. A unidade onde detentos estariam arquitetando a revolta é o Centro de Detenção Provisória (CDP), que fica ao lado do Centro de Internamento e Reeducação (CIR), dentro do Complexo da Papuda. É numa cela especial do CIR onde estão presos o ex-ministro José Dirceu; o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares; o ex-tesoureiro do PL (hoje PR) Jacinto Lamas; e os ex-deputados Romeu Queiroz, Pedro Corrêa, Bispo Rodrigues, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry. Também é dada como certa, no pedido remetido à cúpula do TJ, que os agentes tentarão uma sabotagem com a finalidade de atrapalhar a atuação da Justiça.
O assunto já foi tratado na semana passada numa reunião da cúpula da Secretaria de Segurança Pública do governo petista do DF. A Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), que cuida da gestão dos presídios, é vinculada à Secretaria de Segurança Pública. O subsecretário, Cláudio de Moura Magalhães, confirmou ao GLOBO que tratou de rebelião nos presídios, mas disse que o assunto é discutido rotineiramente pela Sesipe, tanto com a pasta de Segurança Pública quanto com os juízes da VEP.
— Há um núcleo de inteligência em cada presídio e a Gerência de Inteligência da Sesipe, com o objetivo de apurar fugas e rebeliões. Não tenho conhecimento de sabotagem nem de rebelião. Na reunião da semana passada, discutimos vários assuntos, inclusive sobre inteligência e rebelião. Mas isso ocorre o tempo todo, não houve uma reunião específica com essa finalidade — afirmou o subsecretário.
Os magistrados apontam situação de tensão e conflito com o titular da VEP. Dizem ter acumulado todo o trabalho da execução das penas dos mensaleiros. E relatam uma reunião em 16 de novembro, um sábado, o dia seguinte à decretação das primeiras prisões. Toda a cúpula do TJ teria participado da reunião, assim como o titular da VEP e os juízes substitutos. Na ocasião, Vasconcelos teria dito que não se subordinaria a Barbosa. As decisões, então, se concentraram nos demais magistrados.
— Pedido de remoção é normal. Estou em silêncio — disse ao GLOBO o titular da VEP, que não quis comentar os pedidos de transferência.
O primeiro vice-presidente do TJ do DF indeferiu os pedidos de remoção para garantir o “interesse público”. A manutenção dos juízes nos cargos evitaria uma instabilidade ainda maior do sistema prisional, na visão de Bittencourt, que designou dois juízes auxiliares para atuar na VEP, em razão da ampliação do trabalho desde a chegada dos condenados do mensalão à Papuda.
A assessoria de imprensa do TJ do DF confirmou o teor da decisão do desembargador e sustentou que a negativa de remoção dos juízes está mantida. Sobre o monitoramento da possibilidade de rebelião e sabotagem na Papuda, a assessoria afirmou que o tribunal “está atento”. Nos pedidos de remoção, os juízes pediram ao TJ que decrete o sigilo a respeito da questão.
O subsecretário do Sistema Penitenciário disse ser comum o envio de relatórios de inteligência para a VEP, e não o contrário, da VEP para a Sesipe:
— Estamos o tempo todo em contato com o secretário de Segurança Pública e com os juízes da VEP. Todos os assuntos são discutidos com eles, inclusive de inteligência. Posso ter conversado com os juízes sobre esses relatórios, sobre rebelião. Esse é um assunto rotineiro entre Sesipe e VEP — disse Cláudio Magalhães.
No início do mês, as seis promotoras que atuam na área de Execução Penal do Ministério Público do DF apresentaram uma representação contra o juiz Vasconcelos na Corregedoria. As promotoras pedem uma investigação da conduta do titular da VEP. A representação diz respeito, exclusivamente, a episódios relacionados à execução das penas dos mensaleiros. Elas citam a falta de “providências”, por parte de Vasconcelos, em relação à ausência de “tratamento isonômico” nas visitas aos presos.
CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL EDWARD SNOWDEN CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL
EDWARD SNOWDEN
Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.
A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.
A Companhia de Participações em Concessões (CCR) venceu o leilão para concessão de trecho da rodovia BR-163/MS, realizado pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), na manhã desta terça (17), na BM&FBOVESPA, em São Paulo. A empresa ofertou um deságio de 52,74% em relação à tarifa-teto.
O edital prevê a execução dos serviços de duplicação, recuperação, manutenção, conservação, operação, implantação de melhorias e ampliação de capacidade de 847,2 km da rodovia BR-163 (MS).
Seis grupos participaram da disputa, e a CPC (controlada pelo grupo CCR) ganhou o leilão após oferecer uma tarifa de R$ 0,0438 por quilômetro rodado. A tarifa-teto havia sido estabelecida em R$ 0,09270/km.
A cobrança da tarifa de pedágio somente poderá ter início após a conclusão dos trabalhos no sistema rodoviário e a execução de 10% das obras de duplicação. A estimativa de investimento soma cerca de R$ 6 bilhões em 30 anos de concessão.
O segmento inicia-se na divisa com o estado de Mato Grosso e termina na divisa com o Paraná, atravessando vinte municípios no estado de Mato Grosso do Sul. Veja abaixo a localização das praças de pedágio: No próximo dia 27, será leiloado trecho de 936,8 quilômetros da BR-040, entre Brasília e Juiz de Fora (MG), na BM&FBOVESPA, em São Paulo.
Na última segunda-feira (16), o prefeito Fernando Haddad deu uma longa entrevista na sede da prefeitura a um grupo de blogueiros. Entrevistaram-no Maria Inês Nassif (Carta Maior), Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Renato Rovai (Revista Fórum), Eduardo Maretti (Rede Brasil Atual) e também, com muita honra por estar lá, este que escreve.
Durante cerca de 90 minutos, o prefeito de São Paulo respondeu com desassombro, serenidade e humildade a uma saraivada de questões. Ouviu críticas, inclusive. E chegou a reconhecer que procediam as que recebeu sobre falhas na comunicação de seu governo.
A entrevista foi transmitida ao vivo por streaming pelo site da Revista Fórum, pelo site Conversa Afiada e pela Rede Brasil Atual.
Este blogueiro, porém, não conseguiu transmitir a entrevista nesta página devido ao fato de que toda sua equipe – ou seja, ele e mais ele mesmo – estava consigo, o código de incorporação do vídeo da entrevista só foi entregue aos blogueiros envolvidos pouco depois de chegarem à sala de imprensa da Secom, na prefeitura, e, portanto, não havia quem o colocasse aqui e publicasse o post.
O site Conversa Afiada, o da Revista Fórum e o portal R7, porém, fizeram ótimas matérias e que completaram umas às outras sobre quase tudo que foi discutido na entrevista. Para ler tais matérias, clique no link no nome de cada site, neste parágrafo.
Apesar da boa cobertura que – por falta de divulgação da gravação da entrevista pela Secom – os sites acima citados tiveram que reproduzir a partir das suas anotações, como acontece com toda visão plural sobre o mesmo assunto um site deixou de relatar coisas que outro relatou. Em comum, porém, os três deixaram de lado uma revelação espantosa feita por Haddad.
A preocupação principal deste blogueiro foi levar ao prefeito queixas que tem recebido de seus leitores nesta página e nas redes sociais quanto à política de comunicação do governo da capital paulista. Queixas com as quais concorda, diga-se.
Abaixo, reproduzo a íntegra da principal pergunta que este blogueiro fez ao prefeito de São Paulo e que gerou uma resposta surpreendente de parte dele, a qual, mais adiante, será relatada.
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Pergunta de Eduardo Guimarães ao prefeito Fernando Haddad
Prefeito Haddad,
Obrigado por nos receber.
Antes de perguntar, quero testemunhar que é a segunda vez neste ano que o entrevisto. Ainda assim, prefeito, há quase consenso contra suas políticas de comunicação. Diante da questão política, pois, questões administrativas, que são importantíssimas, ficam prejudicadas.
Mas minha pergunta não é exclusivamente sobre comunicação. É, mais do que tudo, sobre política.
Dizem que em um momento em que o senhor deveria estar fazendo política inclusive nos fins de semana – devido à queda da aprovação ao seu governo nas pesquisas –, o senhor reservou esses dias para a família. Dizem que o senhor não gosta de política.
Dizem também que o senhor privilegia a grande mídia e que não dá maior importância às mídias ditas alternativas. Devido à grande mídia, porém, seu governo se tornou responsável pela corrupção no governo de seus antecessores Gilberto Kassab e José Serra.
Não bastando tudo isso, novamente um governo paulistano do PT está sendo acusado de criar ou aumentar taxas e impostos. E essa medida é adotada estando a popularidade desse governo fortemente abalada.
Seu governo paga até hoje o preço dos protestos de junho, ligados ao transporte, enquanto que o governo Geraldo Alckmin, apesar dos escândalos que enfrenta envolvendo o mesmo transporte público, vem recuperando aprovação.
O vereador Antonio Donato é um dos autores da investigação sobre a máfia do ISS, mas foi defenestrado de seu governo “a pedido”. Essa demissão, porém, soou aos paulistanos como uma confissão de culpa. Dizem que se ele não tivesse culpa teria ficado no cargo.
O senhor diz que não se arrepende de nenhuma dessas medidas ou posturas, mas dizem que elas estão arrasando a imagem de seu governo. Contudo, o senhor soa despreocupado com o aspecto político, que é o que o impede, por exemplo, de aumentar o IPTU.
Minha pergunta, portanto, é a seguinte: sabendo que cargos executivos na administração pública são cargos políticos, não está na hora de o senhor começar a fazer mais política, prefeito?
[…]
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Haddad não só reconheceu que têm havido falhas na comunicação de sua administração, mas também revelou outros problemas que essas falhas vêm gerando.
Relatou, por exemplo, que incontáveis políticas públicas em andamento não são divulgadas porque a mídia não se interessa por reproduzi-las. Relatou, inclusive, que por falha de comunicação da prefeitura há quem pense, por exemplo, que seu governo é o responsável pelo metrô paulistano…
Mas não ficou por aí. Quando o assunto resvalou no aumento do IPTU, ou melhor, na nova política de progressividade do IPTU e que ora se encontra sub judice por conta de ação impetrada pela Fiesp, Haddad fez uma revelação estarrecedora.
Segundo o prefeito de São Paulo, tão logo viu o noticiário da grande mídia sobre sua proposta para o IPTU procurou um dos maiores grupos de comunicação do país para “esclarecê-lo” sobre o fato de que não havia propriamente um aumento do imposto, mas uma política de baixá-lo nas áreas mais pobres da cidade e elevá-lo nas mais ricas.
Detalhe: explicou, didaticamente, que muito mais paulistanos passariam a pagar menos IPTU e que os aumentos atingiriam a uma parcela bem menor dos munícipes.
Haddad revela que se surpreendeu ao ouvir desse interlocutor – que, supõe-se, seja da direção desse grande grupo de comunicação – a enormidade de que todas as suas plataformas de mídia – jornais, revistas, rádios, televisões e portais de internet – tinham ordem de combater sem tréguas essa política pública. O prefeito ouviu, pois, uma virtual declaração de guerra à sua política para o IPTU.
Apesar de a entrevista ter sido meio caótica devido ao fato de que os blogueiros presentes tinham visões diferentes sobre os assuntos levantados, nas visão deste que escreve foi excelente. Quem a assistiu pôde ver um Haddad sereno e consciente de que algo precisa mudar em sua administração. Nem que seja, apenas, sua política de comunicação.
*
PS: O prefeito Fernando Haddad não quis revelar o nome do tal “grande grupo de comunicação” que praticamente o ameaçou. Fica, pois, para sua imaginação, leitor, adivinhar que grupo seria esse…
Na entrevista aos blogueiros sujos, o prefeito Fernando Haddad contou que percebia que um certo “grupo de comunicação”, que tem tevês, rádios, cabo, e uns jornalecos gratuitos, fazia sistemática campanha contra o Governo dele, em todas as mídias.
Achou aquilo atípico, mesmo num ambiente em que o PiG (*) quer destrui-lo, pelo simples fato de ser do PT.
A perseguição se tornou tão aguda, que ele, Haddad, ligou para o dono do suposto “conglomerado” e perguntou se aquilo se devia a alguma falha do Governo, que não dava informação, não era transparente.
Queria saber a razão daquele cerco implacável.
A resposta foi simples.
Dei instruções a todos os veículos de minha propriedade para atacar você de forma sistemática, desde que você aumentou o IPTU, respondeu o falso Roberto Marinho.
Quem é o grande comunicador ?
Johnny Saad, dono da Bandeirantes.
Como se sabe, desde os bons tempos de Ademar de Barros, a família Saad é proprietária de muitos imóveis urbanos em São Paulo.
E a atualização da planilha do IPTU de Haddad é um Robin Hood: cobra mais dos ricos, como Saad.
É assim que funciona o PiG (*), amigo navegante.
A sorte é que Saad tem um pequeno problema.
Audiência.
A Bandeirantes, desde que saiu das mãos do velho, o seu João, para o primogênito é o que é: irrelevante.
Virou um braço desarmado da UDR.
Desarmado.
Como a TV Bandeirantes.
Uma empresa de negócios imobiliários.
Em tempo: Haddad fez questão de informar aos blogueiros que não ia identificar o Grande Comunicador, porque se tratava de uma conversa privada e ele não cometeria a grosseria. O grosseiro, no caso, é o ansioso blogueiro, que identificou Saad em outra fonte.
Em tempo2: ao deixar o Governo, Kassab assinou com Saad, por 25 anos – 25 anos !!! – um contrato de exclusividade para que Saad possa explorar a publicidade de TODOS os pontos de ônibus de São Paulo. Está aí um bom tópico para um cidadão paulistano empreender uma ação popular, não, amigo navegante ?
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – oPiG, Partido da Imprensa Golpista.
Fiódor Andrade
17 de dezembro de 2013 5:15 amAécio Neves rompe com seu marqueteiro
Da Folha
Aécio Neves rompe com seu marqueteiro
Divergência sobre campanha faz tucano cancelar contrato com Renato Pereira, que atuou com Capriles na Venezuela
Antropólogo cuidou de programas de televisão que apresentaram senador ao eleitorado no primeiro semestre
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
VERA MAGALHÃES
EDITORA DO PAINEL
A poucos meses da largada eleitoral, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), principal candidato da oposição à Presidência, terá de trocar seu marqueteiro de campanha.
Segundo a Folha apurou, o antropólogo e publicitário Renato Pereira e o senador romperam o contrato iniciado no primeiro semestre para a realização dos programas de TV do PSDB. O encerramento da parceria se deu por “diferenças de visões” na estratégia de comunicação.
O afastamento foi formalizado nos primeiros dias do mês, mas mantido em segredo. Hoje, Aécio lança um documento com 12 propostas para o país. O rompimento só seria divulgado depois.
Nos bastidores, mesmo quando as chances de cancelamento do contrato já eram grandes, o senador se mostrava satisfeito com o resultado do seu programa partidário, veiculado em setembro, produzido por Pereira. Mas o pré-candidato pouco adotou os conselhos do marqueteiro para o segundo semestre.
Tucanos afirmam que Renato Pereira insistia para que Aécio Neves rodasse o Brasil com uma agenda mais distante da política tradicional, enquanto o senador se concentrava em agendas partidárias.
A contratação de Pereira, sócio da agência Prole, era apontada pelo senador como um dos trunfos para tentar chegar ao Planalto. Nem Pereira nem Aécio foram achados para comentar o rompimento, que é confirmado por pessoas próximas a ambos.
Quem procurou o senador para indagar sobre o assunto nos últimos dias ouviu que a parceria estava mantida até o fim do mês e que não havia garantias de renovação. Evitava, assim, dar o rompimento como definitivo.
Aécio tem dito que gostaria de adotar uma estrutura colegiada para o marketing de sua campanha, como fez nas suas eleições em Minas.
Responsável por todas as últimas eleições do governador Sérgio Cabral (PMDB), Renato Pereira é visto no mercado como uma das revelações do marketing político.
Fez também a campanha de Henrique Capriles contra Hugo Chávez, na Venezuela, em 2012, ocasião em que enfrentou o brasileiro João Santana, que pilotará a campanha de Dilma Rousseff.
Houve, desde o início da parceria entre Pereira e Aécio, uma diferença de estilos e concepção de comunicação.
Aécio achava que deveria repetir a receita que lhe deu a vitória duas vezes em Minas, e o publicitário se ressentia de falta de autonomia.
Os dois encerraram a parceria em clima amistoso. Aécio definirá a equipe em 2014. Aliados do senador gostariam que ele recorresse à dupla Rui Rodrigues e Paulo Vasconcellos, que fez as campanhas do partido em Minas desde 2002.
Assis Ribeiro
17 de dezembro de 2013 8:43 amQuem faz jogo político com
Quem faz jogo político com droga é a turma “cheirosa”. É na elite que está a “massa cheirante”
Autor: Fernando BritoÉ muito curioso que Eliane Cantanhêde venha dar lições de moral, tachando de indigna a referência de Lula à indiferença da mídia em investigar o episódio do helicóptero do filho do senador José Perrella apreendido com uma imensa carga de cocaína.
Até o título é cuidado para fazer intriga: “A cocaína de Lula”
Qualquer pedra da estrada sabe que, se o helicóptero pertencesse a alguém ligado a Lula ou ao PT, haveria uma legião de repórteres esmiuçando tudo e mais um pouco: como o helicóptero fazia viagens ao Paraguai sem o conhecimento de seus donos, porque fez uma rota absurda de São Paulo para o Espírito Santo desviando-se quase o dobro do caminho para “abastecer-se” em Divinópolis, MG e muitas outras coisas mais.
Mas admitamos que Cantanhêde pense realmente assim.
Fui procurar, e não achei, algum artigo da colunista da “massa cheirosa” verberando contra a acusação do então vice de José Serra, Índio da Costa, que acusou o PT de “ser ligado às Farc, ao narcotráfico”.
Aí, pode, D. Eliane?
Mais: houve alguma palavra de protesto quando Mauro Chaves, jornalista ligadíssimo a Serra desferiu o petardo do artigo no Estadão com o famoso “pó pará, governador”?
Aliás, o Estadão, tal como se acusava Stálin de “sumir” com a presença de Trotsky nas fotos da revolução russa, fez apagar a página, que o navegante Rei Lux recuperou nos arquivos da internet.
E mais ainda, porque a colunista da Folha não procura seu novo colega de Folha, Reinaldo Azevedo, o último serrista assumido da grande mídia, para perguntar porque ele escreveu que “A estranha história do helicóptero dos Perrella, lotado de cocaína, não fecha quer na narrativa, quer na matemática“?
Só falta agora vir o Merval Pereira vir reclamar, logo ele que publicou a foto de um presidente de associação de moradores de um morro (o do Telégrafo, na Mangueira) ao lado de Brizola dizendo que o então candidato a Presidente tirava fotos com traficantes…
Aliás, Brizola, que enfrentava na própria família o sofrimento causado pelo abuso de drogas, foi o tempo todo chamado de protetor do tráfico pelos congêneres de Cantanhêde.
Se fosse Brizola e não a Globo quem patrocinou o primeiro Rock in Rio, será que não iam dizer que o governador usava um espetáculo para a juventude para estimular o uso de drogas e favorecer o tráfico?
É curiosa esta indignação seletiva.
Acusar gente de esquerda, que não tem uma visão de “cura policial” para o problema das drogas – um dos raros traços de lucidez de Fernando Henrique, aliás – de ser ligada às drogas, pode.
Quem faz demagogia com drogas, curiosamente, é o antigo ídolo de Cantanhêde, José Serra, em seu artigo na própria Folha, acusando o governo brasileiro de ser negligente com seus “apenas” 8 mil quilômetros de fronteira, quando ele sabe que, com cerca, muro e todo o poderio americano, toneladas de drogas entram nos EUA pela fronteira com o México, que mede apenas 40% disso?
E é engraçado que, ao tocar nesta questão, tudo o que se consegue tratar é de mandar polícia para as favelas e periferias, onde estão os pequenos “aviões” – e não helicópteros – da droga.
Porque é que, quando se trata de reprimir o consumo de drogas nunca se pensa em fazer o que se faz nas favelas nos bairros e “points” de elite, onde fica, de fato a “massa cheirante”?
A imprensa faz matérias sobre como traficantes desfilam livres no morro, mas não como o consumo de drogas é “arroz de festa” nos encontros da elite.
A imprensa americana publica. A daqui, cala.
A droga, nos jornais brasileiros, é um mal do mundo dos pobres, não do dos ricos.
O delegado Hélio Luz, que teve a ousadia de dizer que “Ipanema brilha à noite” foi, como se sabe, devidamente “apagado” de posições de mando na polícia.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=11561
Assis Ribeiro
17 de dezembro de 2013 8:45 amE nada de novo. O Congresso
E nada de novo. O Congresso lavou as mãos e não fez sua parte
O Congresso não leva adiante uma reforma política que tiraria poder dos financiadores de campanhas
Mais jovem ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso debutou em agosto no processo do mensalão, enfatizando que o caso não deve ser considerado o maior escândalo de corrupção de todos os tempos, “e sim o mais investigado” – o que não constitui fato isolado na política nacional. “Ao contrário, se insere em uma tradição lamentável, que vem de longe”, acentuou. Para Barroso, as manifestações deste ano são “reflexo da incapacidade da política institucional para vocalizar os anseios da sociedade”. “Não existe corrupção do PT, PSDB ou do PMDB, existe corrupção”, pontuou. “A corrupção não é ‘nossa’ ou ‘deles’, é um mal em si e não pode ser politizada.”
O ministro citou algumas razões da “exaustão” da sociedade com a forma como se faz política: o papel central do dinheiro, como consequência do custo astronômico das campanhas; a irrelevância programática dos partidos, que no geral funcionam como “rótulos vazios” para candidaturas; e o sistema eleitoral e partidário que dificulta a formação de maiorias políticas estáveis, impondo negociações caso a caso a cada votação importante no Congresso. Além de diagnóstico, sugeriu receita: “A imensa energia jurisdicional dispendida no julgamento terá sido em vão se não forem tomadas providências urgentes de reforma do modelo político. Já tornaram a ocorrer incontáveis casos de criminalidade associada à maldição do financiamento eleitoral, à farra das legendas de aluguel e às negociações para formação de maiorias políticas que assegurem a governabilidade”.
O entendimento do magistrado não é novo. A necessidade de reduzir o poder do dinheiro privado nas eleições e de impor a políticos e partidos fidelidade a programas são bandeiras antigas da sociedade. Assim como o fortalecimento da chamada democracia direta, que dê à população outras formas de interferir nos rumos de sua cidade, seu estado e do país – por meio de ferramentas como audiências e conferências públicas, plebiscitos e referendos.
Ainda em 2010, o Instituto Ethos divulgou estudo – em parceria com a Transparency International – segundo o qual o setor privado gastou R$ 4,6 bilhões em financiamento de campanhas nas eleições de 2006 e 2008. “Quem paga as campanhas têm um poder enorme sobre os políticos. Esse é o nó do quadro político brasileiro”, declarou na época o presidente da entidade, Oded Grajew.
O tema da reforma política com participação social também esteve presente nas manifestações deste ano e passou a fazer parte da “agenda positiva” proposta pela presidenta Dilma Rousseff . O Congresso, entretanto, pôs em prática um velho chavão do manual dos proteladores: formou uma comissão, e não chegou a uma proposta contundente.
O ano legislativo está perto de acabar e o máximo que o grupo de trabalho da reforma política tem a apresentar é um texto que pouco muda na questão principal: o dinheiro para as campanhas. O desinteresse da maioria dos parlamentares ficou evidente quando o quesito financiamento só foi discutido no apagar das luzes, faltando duas sessões para o prazo de entrega do anteprojeto. A proposta de emenda à Constituição (PEC) que saiu do grupo foi entregue no início de novembro ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que disse esperar votá-la até março.
Diante disso, movimento formado por uma centena de entidades resolveu intensificar a coleta de assinaturas para um projeto de iniciativa popular sobre o tema. A ideia é alcançar 1,4 milhão de assinaturas – este ano já foram recolhidas 400 mil até novembro – e apresentar o projeto ao Congresso, como aconteceu com a lei da ficha limpa. Participam da empreitada organizações como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), União Nacional dos Estudantes (UNE), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE).
A CNBB encaminhou carta aos bispos pedindo às dioceses espalhadas pelo país que peçam adesões ao projeto. Também a OAB promete usar suas seccionais para ampliar a conscientização entre a população. “A partir de agora, embora contemos com o apoio de vários parlamentares, o Congresso é o último local que procuraremos. O apoio que queremos é o das ruas e das assinaturas populares”, disse o coordenador da mobilização, chamada de Coalizão pelas Eleições Limpas, o juiz Márlon Reis.
Representação distorcida
O financiamento privado de campanha é tido como ponto-chave porque, conforme ficou claro na movimentação do Congresso nos últimos meses, a influência do poder econômico passa pelo período eleitoral e vai se estender ao longo dos quatro anos de cada legislatura. O lobby vai dos corredores do Parlamento aos gabinetes de órgãos públicos sob influência dos mandatários. Estão aí para comprovar isso a movimentação de empresários do meio urbano e rural, do ramo industrial, financeiro e das telecomunicações, atuando fortemente para aprovar artigos de seus interesses em projetos sobre a regulamentação da terceirização, o combate ao trabalho escravo, a demarcação de terras indígenas e o Marco Civil da Internet.
Além do poder de pressão de fora para dentro, esses segmentos investem para constituir sua próprias bancadas como as empresariais, de ruralistas e de evangélicos, com poder de atrasar ou modificar matérias conforme suas conveniências. O poder de fogo é o dinheiro.
Uma das principais denúncias do semestre está relacionada ao Projeto de Lei 4.330, de 2004, que regulamenta a terceirização de mão de obra. O PL é objeto de críticas por parte das centrais sindicais e de especialistas em relações de trabalho, inclusive, por magistrados do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O corpo a corpo partiu de empresários que contratam e que vendem serviços terceirizados, depois que as tentativas de votação do PL, no plenário da Câmara, falharam. Críticos do lobby associam o assédio a possíveis financiamentos de campanhas em 2014.
Para o cientista político Alexandre Ramalho, da Universidade de Brasília (UnB), relações entre empresas financiadoras de campanha e matérias legislativas de seu interesse já viraram rotina. Ele cita como exemplos a batalha do mercado financeiro, em 2007, durante a votação que extinguiu a CPMF – incômoda também por permitir o rastreamento de movimentações bancárias. Destaca ainda os lobbies das indústrias das armas, em projetos que tramitam na Comissão de Segurança Pública da Câmara; os das empresas que atuam no ramo de agrotóxicos – cujo foco principal são as votações da Comissão de Agricultura da Câmara e de Meio Ambiente do Senado; e o das indústrias de cigarros e bebidas alcoólicas.
O ex-gerente de toxicologia da Anvisa Cláudio Meirelles, exonerado no final do ano passado, havia denunciado um esquema de corrupção para aprovar, de forma mais célere, princípios ativos desses produtos. E criticou a pressão sofrida no Executivo por parte de alguns deputados e senadores. “Muitos parlamentares têm campanhas financiadas por esse segmento e estão todos os dias na Anvisa questionando o trabalho dos técnicos, procurando saber porque determinado produto foi proibido. Eles nos procuram para falar sobre os assuntos abertamente e argumentam que atrasos prejudicam a produção”, enfatizou.
O deputado Moreira Mendes (PPS-RO), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, evitou falar sobre a relação entre o financiamento dessas a campanhas e a atuação dos parlamentares, mas não negou a ligação. “Temos força e objetivos para enfrentar as discussões sobre os temas e convicção em tudo o que defendemos.”
Defesa e conservadorismo
Ainda que a passos lentos, o financiamento privado de campanha, antes intocável dentro do Congresso, passou a ser discutido abertamente. “Não há como, num país como o Brasil, da forma como as coisas têm acontecido, não haver financiamento de campanha pela iniciativa privada. Basta dar uma olhada no plenário da Câmara. São vários os segmentos representados pelos parlamentares presentes”, ressaltou, apontando para os colegas, o deputado Júlio Campos (DEM-MT), que defende o financiamento privado, mas admite um modelo de financiamento misto (público e privado) como opção.
“Todos os sinais que o Parlamento tem dado são de enorme conservadorismo e comodismo em relação ao sistema político. Como os deputados que cobram alterações nas regras são eleitos por essas regras, preferem não reformá-las”, reclamou o senador Jorge Viana (PT-AC).
Um dos principais articuladores do Congresso e nome citado por trás da maioria das reuniões entre parlamentares e empresários, o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), se diz contrário ao financiamento privado, mas tem postura controversa. Diz não ver como passar a matéria, que o problema é “questão cultural” – e afirma aceitar o financiamento privado até que as normas sejam mudadas. Ou seja, concordará, segundo ele mesmo, para sempre, já que não acredita em mudanças das “regras do jogo político”.
Cunha tem grande influência sobre a bancada do PMDB e de partidos menores, principalmente onde estão parlamentares evangélicos. É conhecido por sua habilidade em obter recursos para campanhas eleitorais e tem trânsito em diversos setores econômicos. “Não acho que está correto o entendimento de que quem tem suas campanhas financiadas por empresas estará preso a essas empresas ao longo do mandato. Seria coisa de deputado inexperiente, e quem é bobo ou inexperiente não consegue passar mais do que dois anos aqui dentro.”
http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/90/e-nada-de-novo-9526.html
Assis Ribeiro
17 de dezembro de 2013 8:59 amComo explicar o sucesso de Bachelet no Chile?
Pediatra, ex-ministra, ex-presidente, pioneira do programa ONU Mulheres e, agora, novamente presidente do Chile.
Michelle Bachelet vai voltar ao Palácio de La Moneda após uma vitória acachapante sobre a rival conservadora Evelyn Matthei.
A líder da centro-esquerda teve 62,15% dos votos, ainda que a eleição tenha sido marcada pela alta abstenção – apenas 41,6% dos eleitores compareceram.
Mas o que está por trás de tamanho êxito de Bachelet? A BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, fez essa pergunta a vários especialistas.
Legado do primeiro governo
Bachelet chegou a presidência do Chile em 2006, após ser ministra da Saúde e depois ministra da Defesa no governo Ricardo Lagos.
“Ela exerceu uma liderança especial, mais empática com a pessoas”, segundo a cientista política Pamela Figueroa.
“O apoio (a Bachelet) não é um apoio de partidos políticos, mas da população”, diz Figueroa, dizendo que essa popularidade vem sobretudo das classes populares, em razão de suas políticas para as crianças, a maternidade e de inclusão social.
Decisões como a de nomear um ministério com metade de homens e metade de mulheres também supreenderam a classe política, acostumada a dividir o gabinete segundo as forças que compunham a coalizão governista.
Apesar de momentos críticos, como as manifestações de estudantes secundaristas que abalaram os primeiros meses de seu governo, Bachelet terminou o governo com 80% de popularidade.
Experiência na ONU
Em setembro de 2010, Bachelet tornou-se a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres, a nova agência das Nações Unidas para a igualdade de gênero.
Bachelet se afastou da política chilena e colocou suas energias no cargo, que exercia em Nova York.
“O cargo a favoreceu, já que não precisava opinar sobre certos questionamentos a seu governo, como o caso do Transantiago (rede de transporte da capital, muito criticado) ou o terremoto de 2010”, disse Figueroa.
Em 2013, Bachelet regressou ao Chile e anunciou o que todos já esperavam: seria a candidata à presidência.
Novo discurso, novo programa
Bachelet voltou ao Chile com um novo programa de governo, incorporando algumas das principais queixas dos movimentos sociais nos últimos anos.
A principal demanda é uma reforma radical do sistema de educação. Bachelet prometou um sistema público que seja gratuíto e tenha qualidade.
Alguns dos principais líderes do movimento estudantil, que saíram às ruas no governo Sebastián Piñera, se candidataram ao Parlamento na coalizão de Bachelet. Entre eles, Camila Vallejo e Karol Cariola.
“Bachelet teve a capacidade de perceber de maneira muito concreta o que estava acontecendo na sociedade chilena. Talvez tenha sido a distância, por estar em Nova York”, afirma o sociólogo Manuel Garretón, da Universidade do Chile.
“Ela percebeu que o país mudou e nesse sentido pode cristalizar a demanda por mudança: a demanda por uma nova constituição, uma reforma da educação. A mesma agenda do movimento estudantil”, disse.
Bachelet também incorporou a seu programa demandas de movimentos ambientais, gays e indígnenas. Também diz estar aberta a uma nova lei sobre o aborto e ao debate sobre o casamento gay.
Personalidade
Além do capital politico, Bachelet usou outra arma para derrotrar Matthei: seu carisma.
Com sorriso fácil, Bachelet tem ainda a seu favor “a modéstia, a capacidade de escutar as pessoas, nunca com uma palavra hostil em suas respostas”, diz Garretón.
Sua história pessoal também comove os chilenos. Seu pai, Alberto Bachelet, um general da Força Aérea, morreu na prisão logo após o golpe contra o presidente Salvador Allende. Bachelet e a mãe foram enviadas a um centro de detenção e em seguida para o exílio.
Mas a sua personalidade nem sempre foi vista com bons olhos. Em alguns momentos, ela foi tachada como fraca. No primeiro turno, o candidato Marco Enríquez-Ominami disse que as eleições não eram “um concurso de simpatia”.
A derrocada da direita
Além dos méritos pessoais, Bachelet contou com a baixa popularidade e a crise interna da direita chilena.
Os partidos Renovação Nacional (RN) e União Democrática Independente (UDI) não conseguiram capitalizar o fato de ter no Palácio de La Moneda o primeiro presidente de centro-direita desde o retorno da democracia.
Bachelet impôs à direita o pior resultado eleitoral desde o retorno das eleições. A própria Evelyn Matthey disse que só “um milagre” conseguiria mudar os resultados no segundo turno.
Agora, a direita terá quatro anos paara planejar sua volta ao La Moneda. O único consolo, neste momento, é que não há reeleição no Chile e o nome de Bachelet não estará nas cédulas de votação da próxima eleição.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131216_chile_bachelet_mm.shtml
Almeida
17 de dezembro de 2013 10:11 amUma depressão keynesiana ou marxista?
Uma depressão keynesiana ou marxista?
por Michael Roberts [*]
Os leitores habituais deste blog sabem que um dos meus temas principais é que a economia capitalista mundial está agora numa Longa Depressão (ver meu livro, The Great Recession e este post de 2011, thenextrecession.wordpress.com/2011/09/18/it-feels-like-a-depression/ ), conduzida pelas principais economias capitalistas avançadas ( thenextrecession.wordpress.com/2012/10/05/the-long-and-winding-road/ e thenextrecession.wordpress.com/2013/02/10/why-is-there-a-long-depression/ ).
Por Longa Depressão quero dizer economias a crescerem sistematicamente bem abaixo das suas taxas tendenciais anteriores, com desemprego emperrado em níveis bem acima dos anteriores à Grande Recessão, e desinflação (redução da inflação) a transformar-se em deflação (queda de preços). Acima de tudo, é um ambiente económico onde o investimento em capital produtivo está abaixo dos níveis médios anteriores, com poucos sinais de que venha a levantar-se. ( thenextrecession.wordpress.com/2011/11/25/us-investment-strike/ ). Na verdade, esta depressão está agora a atingir as chamadas economias emergentes, onde, mesmo com suas grandes disponibilidades de trabalho barato e nova tecnologia importada, o PIB real também está a desacelerar.
Até agora esta designação não teve muito apoio entre economistas de qualquer coloração teórica. Mas subitamente a ideia da “depressão permanente” veio à superfície da “grande e boa” corrente principal da análise económica. Na recente conferência do FMI sobre as causas da crise ( thenextrecession.wordpress.com/… ), Larry Summers, antigo executivo da Goldman Sachs, ex-secretário do Tesouro dos EUA, ex-presidente da Universidade de Harvard University e candidato falhado a encabeçar o US Federal Reserve, considerou que os esforços de bancos centrais para ressuscitar a economia com taxas de juro baixas ou zero, ou com a “impressão de dinheiro” através compras tipo QE de papéis financeiros do governo e do sector privado, não estava a funcionar para devolver o “crescimento normal” às economias. “Mesmo uma grande bolha não foi suficiente para produzir qualquer excesso de procura agregada… mesmo com estímulo artificial à procura, vindo de toda esta imprudência financeira, você não veria qualquer excesso… o problema subjacente pode estar ali para sempre”. Assim, “podemos bem de nos próximos anos precisar pensar acerca de como administrar uma economia onde a taxa de juro nominal zero é um inibidor crónico e sistémico da actividade económica, mantendo nossas economias outra vez abaixo do seu potencial”.
Aparentemente, mesmo políticas monetárias “não convencionais” não estão a chegar ao resultado desejado para a economia, excepto para conduzir os preços do mercado de acções numa nova bolha (não inflacionária). A visão de Summers tem sido reflectida como uma ladainha por imitadores keynesianos como Paul Krugman, ex-economista chefe da Goldman Sachs, o bloguista do Finantial Times Gavyn Davies e o colunista do FT e amigo deles todos Martin Wolf. Para eles, parece que o capitalismo não está a trabalhar “automaticamente” para devolver o “crescimento equilibrado” e as pressões deflacionárias estão a tornar-se dominantes.
Como diz Krugman no seu post, intitulado A Permanet slump? ( http://www.nytimes.com/2013/11/18/opinion/krugman-a-permanent-slump.html?_r=0 ): “E se o mundo em que temos vivido nos últimos cinco anos for o novo normal? E se condições como de depressão estão destinadas a persistir, não por mais um ano ou dois, mas por décadas?… de forma a que “a tese da “estagnação secular” – um estado permanente no qual uma economia deprimida seja a norma, com uns poucos episódios de pleno emprego entre grandes intervalos?” Krugman avança: “A resposta de Summers é que podemos ser uma economia que precisa de bolhas apenas para alcançar alguma coisa próxima ao pleno emprego – pois na ausência de bolhas, a economia tem uma taxa de juro natural negativa. E isto não tem sido verdadeiro apenas desde a crise financeira de 2008; tem sido comprovadamente verdadeiro, embora talvez com gravidade crescente, desde a década de 1980”. Espantoso! Assim, parece que as principais economias capitalistas já não podem mais crescer a taxas que permitiriam pleno emprego mesmo com taxas de juro reais negativas.
Será que isto significa que os grandes gurus da análise económica agora concordam comigo acerca do estado da economia capitalista mundial? Bem, não realmente. Deixem-me tentar explicar porque penso que esta nova paixão acerca da depressão da parte de pessoas como Summers, Krugman e Wolf diferente do meu ponto de vista (e aliás eu consideraria que também o de Marx). Primeiro, para os keynesianos, a depressão é um produto do entesouramento de dinheiro pelos capitalistas que leva a uma falta de “procura efectiva” permanente. Mas o que pessoas como Krugman não explicam é porque este entesouramento subitamente acontece e porque não terminará, mesmo com taxas reais negativas. Não deveríamos olhar não apenas para o sector financeiro e a política do banco central e examinar o que está a acontecer na economia real? Sob o capitalismo, isso significa [examinar] o que tem acontecido à lucratividade do capital.
Krugman agora fala na “estagnação secular” sob o capitalismo a partir da década de 1980, reflectindo os argumentos do economista neo-keynesiano Alvin Hansen do período do pós guerra imediato o qual extrapolou a teoria de Keynes para referir-se ao gradual amortecimento do crescimento; ou as ideias mais recentes de Robert Gordon acerca do colapso da inovação e da produtividade em economias capitalistas modernas (ver meu post, thenextrecession.wordpress.com/2012/09/12/crisis-or-breakdown/ ).
Krugman considera que esta estagnação secular pode ser causada pela “desaceleração do crescimento populacional” que mantém baixa a procura efectiva, ou pode ser causada pelos ” défices comerciais persistentes “, os quais vieram à tona na década de 1980 e “desde então têm flutuado mas nunca se afastaram”. A primeira explicação procura fora dos movimentos da acumulação capitalista alguma exógena lei da natureza e a segunda refere-se realmente a desequilíbrios entre economias capitalistas, ao invés do capitalismo como uma economia mundial. Ambas negam qualquer falha nos fundamentos do capitalismo moderno e nenhuma delas soa convincente.
Martin Wolf também aborda o tema da “estagnação” no seu post mais recente no FT, Why the future looks sluggish, ( http://www.ft.com/cms/s/0/a2422ba6-5073-11e3-befe-00144feabdc0.html#axzz2l71zthLV ). Para Wolf, a causa desta nova depressão é uma “abundância de poupanças globais” ou uma “escassez de investimento” provocada pelo “entesouramento excessivo” de poupanças por capitalistas relutantes em investir: “a economia mundial tem estado a gerar mais poupanças do que os negócios querem usar, mesmo a taxas de juro muito baixas. Isto é verdade não só nos EUA, mas também nas economias de alto rendimento mais importantes”. Assim, o problema da longa depressão é um excedente de lucros e não a baixa lucratividade.
Isto é um velho argumento de cabelos brancos que teve origem em Ben Bernanke, o actual chefe do Fed, ainda no princípio dos anos 2000, quando argumentou que a causa dos “persistentes défices comerciais” nos EUA e Reino Unidos devia-se a “demasiada poupança” no países “excedentários” da Ásia e da OPEP. Portanto a farra de crédito e o subsequente esmagamento do crédito foi realmente por culpa de os indivíduos do Japão ou da China não gastarem bastante com bens dos EUA! Agora a culpa já é de toda a gente por não gastar bastante. Mas, mais uma vez, a questão é porque as pessoas não estão a gastar bastante? Isso não é difícil responder quando se chega às famílias médias, dizimadas por rendimentos reduzidos e desemprego, mas por que companhias capitalistas nos EUA ou no Reino Unido ou na Europa não investem mais? Wolf pensa que pode ser devido a “dívida excessiva” acumulada durante a farra de crédito antes da Grande Recessão. Assim, a crise foi causada pelo “gasto excessivo” e agora a depressão é causada pela “poupança excessiva”. O capitalismo simplesmente balouça de um para o outro!
Wolf pensa também que a falha em investir pode-se dever a uma mudança na cultura de firmas capitalistas, as quais não querem mais investir em capital produtivo e preferem brincar no mercado de acções ou comprar activos financeiros. Assim, eis no que se tornou o grande sistema capitalista – uma economia “rentista”. Tratei anteriormente destes argumentos neste blog ( thenextrecession.wordpress.com/… ) e pretendo a eles retornar no futuro. Mas, mais uma vez, a ideia da lucratividade do capital no que é, afinal de contas, por definição uma economia do lucro onde pessoas investem para fazer um lucro, está totalmente ausente das explicações de Krugman ou Wolf.
Noah Smith, um bloguista keynesiano , recentemente considerou como sair da depressão noahpinionblog.blogspot.co.uk/… :
“A solução para crescimento reduzido e desemprego elevado ( e involuntário ) é relativamente simples. Finalmente alguém começará a gastar os recursos ociosos . Isto tanto pode ser pelo sector privado desde que independentemente se restabeleça do seu afundamento em espíritos animais, ou será o governo”. Ah, sim, os “espíritos animais ” retornarão. Ou será assim? Smith reconhece que podem não vir em qualquer momento em breve porque “é perfeitamente plausível que a economia – como tem acontecido – possa permanecer deprimida mesmo com taxas muito baixas devido a pressões para desalavancar, baixas expectativa e baixa confiança, etc”. Assim, a explicação da depressão é: dívida alta ainda a ser desalavancada, “baixas expectativas” (ou lucro?) e “baixa confiança” (no que?). Mais uma vez, nenhuma menção ao que está acontecer à lucratividade.
Smith considera que “se o mercado está mal preparado para aproveitar os recursos ociosos em qualquer período breve – permanecendo como está num estado depressivo, irracional – o único agente que pode fazer isto é o estado. O estado pode emprestar dinheiro (utilizando capital ocioso) para criar empregos (utilizando trabalho ocioso), elevar taxas de juro e deitar abaixo a taxa de desemprego. E esta abordagem não exige que alguém faça previsões precisas acerca do futuro. Ela simplesmente exige uma economia de mercado, e um estado desejoso de empregar recursos ociosos quando eles estão ociosos… e note-se que sou a favor de uma economia baseada predominantemente no mercado. Intervenções do governo deveriam ser mantidas num mínimo necessário”. Assim, o estado pode salvar a situação se o investimento privado não o fizer – mas mantenha-o num mínimo.
“Pela redução do desemprego e o gasto do capital ocioso (preferivelmente num mix de infraestrutura dirigida pelo estado e projectos de tecnologia, e concessão de empréstimos a novos negócios) mais negócios podem vir à luz”. Uma vez tendo o estado feito o seu papel de salva-vidas, podemos retornar ao normal: “Mais cedo ou mais tarde, naturalmente, o sector privado voltará e começara a gastar recursos”. O perturbante é que o normal “poderia estar a uma distância muito, muito, muito longínqua. Se quisermos que a estrutura de produção se ajuste ao novo mundo e continue a ajustar-se quando o mundo continua a mudar, deixando enormes quantidades de recursos em estado de ociosidade parece um mau caminho de fazer isto”. Assim, precisamos de “política orçamental com alvos definidos”. O governo ao resgate.
Mais uma vez, não há explicação da razão porque o capital está ocioso – será que é por não suficientemente lucrativo? O único meio de ressuscitar aquela lucratividade é através de quedas (slumps) que destroem o valor do capital improdutivo acumulado, de modo a que a lucratividade (em relação ao valor remanescente) ascenda e permita a retomada do processo de acumulação. Após um período de enorme acumulação tanto de capital tangível como de capital fictício ao longo dos últimos 20 anos, o capitalismo entrou numa Grande Recessão. Mas, tal como na Grande Depressão da década de 1930, ele não pode sair desta longa queda sem uma destruição maciça do capital morto. A Segunda Guerra Mundial finalmente conseguiu fazer isso. Nas décadas de 1880 e 1890, ele sofreu uma série de grandes quedas antes de o crescimento sustentado retomar. A situação é semelhante agora. Apenas mais gastos governamentais destinados a “estimular” ou mesmo substituir (temporariamente) o sector privado não resolverão o problema. Só a substituição da acumulação capitalista pelo investimento planeado pelo estado como modo de produção dominante faria isso. Caso contrário, podemos esperar ainda outras quedas estrada abaixo, antes de cessar a estagnação “secular”.
20/Novembro/2013
[*] Economista.
O original encontra-se em https://thenextrecession.wordpress.com/…
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . 17/Dez/13
Assis Ribeiro
17 de dezembro de 2013 12:10 pmJuízes denunciam ameaça de rebelião na Papuda
Três juízes que atuam na Vara de Execuções Penais (VEP) em Brasília, responsável pelos processos das prisões dos condenados do mensalão, pediram para ser removidos da Vara em razão dos conflitos surgidos desde a chegada dos condenados ao Complexo da Papuda. Entre os motivos elencados nos pedidos, encaminhados à Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, está a iminência de ocorrer uma rebelião e uma tentativa de fuga na próxima terça-feira, dia 24, véspera de Natal.
Eles também denunciam a existência de uma suposta sabotagem por parte de agentes penitenciários com o objetivo de prejudicar a VEP. Os pedidos dos juízes foram remetidos ao primeiro vice-presidente, desembargador Sérgio Bittencourt, no último dia 9. Dois dias depois, o desembargador negou a remoção dos juízes e encaminhou à Presidência do TJ, “com urgência”, as denúncias de rebelião, fuga e sabotagem.
Os juízes escreveram no pedido de remoção que magistrados, promotores de Justiça e defensores públicos constataram a tensão no sistema prisional desde a chegada dos mensaleiros à Papuda, principalmente em razão das regalias concedidas a eles pela administração penitenciária. Entre esses privilégios estava um dia especial de visitas, as sextas-feiras, medida derrubada pelos juízes substitutos da VEP.
Situação de caos no sistema prisional
A argumentação dos juízes para serem transferidos da VEP se baseia na situação que consideram “de caos” do sistema prisional desde a chegada dos condenados do mensalão. As detenções ocorreram em 15 de novembro, e, diante dos conflitos deles com o juiz titular da VEP, Ademar Silva de Vasconcelos, os magistrados já alegavam a necessidade de remoção da Vara.
Os primeiros pedidos nesse sentido foram feitos ainda em novembro e negados pela Vice-Presidência do TJ, a quem cabe decidir sobre remoções de juízes. Há poucos dias, diante da ampliação da tensão nos presídios da Papuda, inclusive com uma suspeita de sabotagem por parte de agentes prisionais, os magistrados voltaram a pedir remoção.
A segunda negativa do TJ pode levar a uma contestação formal na Justiça sobre a permanência na VEP. No fim de novembro, por ingerência do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, o titular da VEP foi afastado da condução dos processos de execução das penas dos presos. Praticamente todo o trabalho passou a ser feito pelos juízes substitutos e pelos juízes auxiliares designados pela Vice-Presidência do TJ para atuar na VEP.
Pelo menos três fontes independentes teriam alertado um dos juízes sobre a possibilidade de rebelião na véspera do Natal. A unidade onde detentos estariam arquitetando a revolta é o Centro de Detenção Provisória (CDP), que fica ao lado do Centro de Internamento e Reeducação (CIR), dentro do Complexo da Papuda. É numa cela especial do CIR onde estão presos o ex-ministro José Dirceu; o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares; o ex-tesoureiro do PL (hoje PR) Jacinto Lamas; e os ex-deputados Romeu Queiroz, Pedro Corrêa, Bispo Rodrigues, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry. Também é dada como certa, no pedido remetido à cúpula do TJ, que os agentes tentarão uma sabotagem com a finalidade de atrapalhar a atuação da Justiça.
O assunto já foi tratado na semana passada numa reunião da cúpula da Secretaria de Segurança Pública do governo petista do DF. A Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), que cuida da gestão dos presídios, é vinculada à Secretaria de Segurança Pública. O subsecretário, Cláudio de Moura Magalhães, confirmou ao GLOBO que tratou de rebelião nos presídios, mas disse que o assunto é discutido rotineiramente pela Sesipe, tanto com a pasta de Segurança Pública quanto com os juízes da VEP.
— Há um núcleo de inteligência em cada presídio e a Gerência de Inteligência da Sesipe, com o objetivo de apurar fugas e rebeliões. Não tenho conhecimento de sabotagem nem de rebelião. Na reunião da semana passada, discutimos vários assuntos, inclusive sobre inteligência e rebelião. Mas isso ocorre o tempo todo, não houve uma reunião específica com essa finalidade — afirmou o subsecretário.
Os magistrados apontam situação de tensão e conflito com o titular da VEP. Dizem ter acumulado todo o trabalho da execução das penas dos mensaleiros. E relatam uma reunião em 16 de novembro, um sábado, o dia seguinte à decretação das primeiras prisões. Toda a cúpula do TJ teria participado da reunião, assim como o titular da VEP e os juízes substitutos. Na ocasião, Vasconcelos teria dito que não se subordinaria a Barbosa. As decisões, então, se concentraram nos demais magistrados.
— Pedido de remoção é normal. Estou em silêncio — disse ao GLOBO o titular da VEP, que não quis comentar os pedidos de transferência.
O primeiro vice-presidente do TJ do DF indeferiu os pedidos de remoção para garantir o “interesse público”. A manutenção dos juízes nos cargos evitaria uma instabilidade ainda maior do sistema prisional, na visão de Bittencourt, que designou dois juízes auxiliares para atuar na VEP, em razão da ampliação do trabalho desde a chegada dos condenados do mensalão à Papuda.
A assessoria de imprensa do TJ do DF confirmou o teor da decisão do desembargador e sustentou que a negativa de remoção dos juízes está mantida. Sobre o monitoramento da possibilidade de rebelião e sabotagem na Papuda, a assessoria afirmou que o tribunal “está atento”. Nos pedidos de remoção, os juízes pediram ao TJ que decrete o sigilo a respeito da questão.
O subsecretário do Sistema Penitenciário disse ser comum o envio de relatórios de inteligência para a VEP, e não o contrário, da VEP para a Sesipe:
— Estamos o tempo todo em contato com o secretário de Segurança Pública e com os juízes da VEP. Todos os assuntos são discutidos com eles, inclusive de inteligência. Posso ter conversado com os juízes sobre esses relatórios, sobre rebelião. Esse é um assunto rotineiro entre Sesipe e VEP — disse Cláudio Magalhães.
No início do mês, as seis promotoras que atuam na área de Execução Penal do Ministério Público do DF apresentaram uma representação contra o juiz Vasconcelos na Corregedoria. As promotoras pedem uma investigação da conduta do titular da VEP. A representação diz respeito, exclusivamente, a episódios relacionados à execução das penas dos mensaleiros. Elas citam a falta de “providências”, por parte de Vasconcelos, em relação à ausência de “tratamento isonômico” nas visitas aos presos.
http://extra.globo.com/noticias/brasil/juizes-denunciam-ameaca-de-rebeliao-na-papuda-11088021.html#ixzz2njX1ajFj
basílio
17 de dezembro de 2013 1:50 pmCARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL EDWARD SNOWDEN
CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL
EDWARD SNOWDEN
Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.
A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.
Tradução de CLARA ALLAIN para a Folha de S. Paulo
Roberto São Paulo-SP 2013
17 de dezembro de 2013 2:52 pmLeilão da rodovia BR-163(MS) é finalizado com 52,74% de deságio
Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT),17/12/2013
A Companhia de Participações em Concessões (CCR) venceu o leilão para concessão de trecho da rodovia BR-163/MS, realizado pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), na manhã desta terça (17), na BM&FBOVESPA, em São Paulo. A empresa ofertou um deságio de 52,74% em relação à tarifa-teto.
O edital prevê a execução dos serviços de duplicação, recuperação, manutenção, conservação, operação, implantação de melhorias e ampliação de capacidade de 847,2 km da rodovia BR-163 (MS).
Seis grupos participaram da disputa, e a CPC (controlada pelo grupo CCR) ganhou o leilão após oferecer uma tarifa de R$ 0,0438 por quilômetro rodado. A tarifa-teto havia sido estabelecida em R$ 0,09270/km.
A cobrança da tarifa de pedágio somente poderá ter início após a conclusão dos trabalhos no sistema rodoviário e a execução de 10% das obras de duplicação. A estimativa de investimento soma cerca de R$ 6 bilhões em 30 anos de concessão.
O segmento inicia-se na divisa com o estado de Mato Grosso e termina na divisa com o Paraná, atravessando vinte municípios no estado de Mato Grosso do Sul.

Veja abaixo a localização das praças de pedágio:
No próximo dia 27, será leiloado trecho de 936,8 quilômetros da BR-040, entre Brasília e Juiz de Fora (MG), na BM&FBOVESPA, em São Paulo.
URL:
http://www.antt.gov.br/index.php/content/view/27664/Leilao_da_rodovia_BR_163__MS__e_finalizado_com_52_74_por_cento_de_desagio.html
Jorge Fernandes
17 de dezembro de 2013 8:01 pmNo Blog do Edu
http://www.blogdacidadania.com.br/2013/12/haddad-revela-a-blogueiros-que-grupo-de-midia-declarou-guerra-ao-iptu-progressivo/
Haddad revela a blogueiros que grupo de mídia declarou guerra ao IPTU progressivo
Posted by eduguim on 17/12/13 • Categorized as entrevista,Reportagem
Na última segunda-feira (16), o prefeito Fernando Haddad deu uma longa entrevista na sede da prefeitura a um grupo de blogueiros. Entrevistaram-no Maria Inês Nassif (Carta Maior), Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Renato Rovai (Revista Fórum), Eduardo Maretti (Rede Brasil Atual) e também, com muita honra por estar lá, este que escreve.
Durante cerca de 90 minutos, o prefeito de São Paulo respondeu com desassombro, serenidade e humildade a uma saraivada de questões. Ouviu críticas, inclusive. E chegou a reconhecer que procediam as que recebeu sobre falhas na comunicação de seu governo.
A entrevista foi transmitida ao vivo por streaming pelo site da Revista Fórum, pelo site Conversa Afiada e pela Rede Brasil Atual.
Este blogueiro, porém, não conseguiu transmitir a entrevista nesta página devido ao fato de que toda sua equipe – ou seja, ele e mais ele mesmo – estava consigo, o código de incorporação do vídeo da entrevista só foi entregue aos blogueiros envolvidos pouco depois de chegarem à sala de imprensa da Secom, na prefeitura, e, portanto, não havia quem o colocasse aqui e publicasse o post.
O site Conversa Afiada, o da Revista Fórum e o portal R7, porém, fizeram ótimas matérias e que completaram umas às outras sobre quase tudo que foi discutido na entrevista. Para ler tais matérias, clique no link no nome de cada site, neste parágrafo.
Apesar da boa cobertura que – por falta de divulgação da gravação da entrevista pela Secom – os sites acima citados tiveram que reproduzir a partir das suas anotações, como acontece com toda visão plural sobre o mesmo assunto um site deixou de relatar coisas que outro relatou. Em comum, porém, os três deixaram de lado uma revelação espantosa feita por Haddad.
A preocupação principal deste blogueiro foi levar ao prefeito queixas que tem recebido de seus leitores nesta página e nas redes sociais quanto à política de comunicação do governo da capital paulista. Queixas com as quais concorda, diga-se.
Abaixo, reproduzo a íntegra da principal pergunta que este blogueiro fez ao prefeito de São Paulo e que gerou uma resposta surpreendente de parte dele, a qual, mais adiante, será relatada.
—–
Pergunta de Eduardo Guimarães ao prefeito Fernando Haddad
Prefeito Haddad,
Obrigado por nos receber.
Antes de perguntar, quero testemunhar que é a segunda vez neste ano que o entrevisto. Ainda assim, prefeito, há quase consenso contra suas políticas de comunicação. Diante da questão política, pois, questões administrativas, que são importantíssimas, ficam prejudicadas.
Mas minha pergunta não é exclusivamente sobre comunicação. É, mais do que tudo, sobre política.
Dizem que em um momento em que o senhor deveria estar fazendo política inclusive nos fins de semana – devido à queda da aprovação ao seu governo nas pesquisas –, o senhor reservou esses dias para a família. Dizem que o senhor não gosta de política.
Dizem também que o senhor privilegia a grande mídia e que não dá maior importância às mídias ditas alternativas. Devido à grande mídia, porém, seu governo se tornou responsável pela corrupção no governo de seus antecessores Gilberto Kassab e José Serra.
Não bastando tudo isso, novamente um governo paulistano do PT está sendo acusado de criar ou aumentar taxas e impostos. E essa medida é adotada estando a popularidade desse governo fortemente abalada.
Seu governo paga até hoje o preço dos protestos de junho, ligados ao transporte, enquanto que o governo Geraldo Alckmin, apesar dos escândalos que enfrenta envolvendo o mesmo transporte público, vem recuperando aprovação.
O vereador Antonio Donato é um dos autores da investigação sobre a máfia do ISS, mas foi defenestrado de seu governo “a pedido”. Essa demissão, porém, soou aos paulistanos como uma confissão de culpa. Dizem que se ele não tivesse culpa teria ficado no cargo.
O senhor diz que não se arrepende de nenhuma dessas medidas ou posturas, mas dizem que elas estão arrasando a imagem de seu governo. Contudo, o senhor soa despreocupado com o aspecto político, que é o que o impede, por exemplo, de aumentar o IPTU.
Minha pergunta, portanto, é a seguinte: sabendo que cargos executivos na administração pública são cargos políticos, não está na hora de o senhor começar a fazer mais política, prefeito?
[…]
—–
Haddad não só reconheceu que têm havido falhas na comunicação de sua administração, mas também revelou outros problemas que essas falhas vêm gerando.
Relatou, por exemplo, que incontáveis políticas públicas em andamento não são divulgadas porque a mídia não se interessa por reproduzi-las. Relatou, inclusive, que por falha de comunicação da prefeitura há quem pense, por exemplo, que seu governo é o responsável pelo metrô paulistano…
Mas não ficou por aí. Quando o assunto resvalou no aumento do IPTU, ou melhor, na nova política de progressividade do IPTU e que ora se encontra sub judice por conta de ação impetrada pela Fiesp, Haddad fez uma revelação estarrecedora.
Segundo o prefeito de São Paulo, tão logo viu o noticiário da grande mídia sobre sua proposta para o IPTU procurou um dos maiores grupos de comunicação do país para “esclarecê-lo” sobre o fato de que não havia propriamente um aumento do imposto, mas uma política de baixá-lo nas áreas mais pobres da cidade e elevá-lo nas mais ricas.
Detalhe: explicou, didaticamente, que muito mais paulistanos passariam a pagar menos IPTU e que os aumentos atingiriam a uma parcela bem menor dos munícipes.
Haddad revela que se surpreendeu ao ouvir desse interlocutor – que, supõe-se, seja da direção desse grande grupo de comunicação – a enormidade de que todas as suas plataformas de mídia – jornais, revistas, rádios, televisões e portais de internet – tinham ordem de combater sem tréguas essa política pública. O prefeito ouviu, pois, uma virtual declaração de guerra à sua política para o IPTU.
Apesar de a entrevista ter sido meio caótica devido ao fato de que os blogueiros presentes tinham visões diferentes sobre os assuntos levantados, nas visão deste que escreve foi excelente. Quem a assistiu pôde ver um Haddad sereno e consciente de que algo precisa mudar em sua administração. Nem que seja, apenas, sua política de comunicação.
*
PS: O prefeito Fernando Haddad não quis revelar o nome do tal “grande grupo de comunicação” que praticamente o ameaçou. Fica, pois, para sua imaginação, leitor, adivinhar que grupo seria esse…
Jorge Fernandes
17 de dezembro de 2013 8:02 pmO PHA deu nome ao boi
http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/12/17/saad-da-bandeirantes-ameacou-haddad/
blicado em 17/12/2013
SAAD DA BANDEIRANTES
AMEAÇOU HADDAD
Kassab deu a Johnny 25 anos para explorar os pontos de ônibus de São Paulo. Viva o Brasil !
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Na entrevista aos blogueiros sujos, o prefeito Fernando Haddad contou que percebia que um certo “grupo de comunicação”, que tem tevês, rádios, cabo, e uns jornalecos gratuitos, fazia sistemática campanha contra o Governo dele, em todas as mídias.
Achou aquilo atípico, mesmo num ambiente em que o PiG (*) quer destrui-lo, pelo simples fato de ser do PT.
A perseguição se tornou tão aguda, que ele, Haddad, ligou para o dono do suposto “conglomerado” e perguntou se aquilo se devia a alguma falha do Governo, que não dava informação, não era transparente.
Queria saber a razão daquele cerco implacável.
A resposta foi simples.
Dei instruções a todos os veículos de minha propriedade para atacar você de forma sistemática, desde que você aumentou o IPTU, respondeu o falso Roberto Marinho.
Quem é o grande comunicador ?
Johnny Saad, dono da Bandeirantes.
Como se sabe, desde os bons tempos de Ademar de Barros, a família Saad é proprietária de muitos imóveis urbanos em São Paulo.
E a atualização da planilha do IPTU de Haddad é um Robin Hood: cobra mais dos ricos, como Saad.
É assim que funciona o PiG (*), amigo navegante.
A sorte é que Saad tem um pequeno problema.
Audiência.
A Bandeirantes, desde que saiu das mãos do velho, o seu João, para o primogênito é o que é: irrelevante.
Virou um braço desarmado da UDR.
Desarmado.
Como a TV Bandeirantes.
Uma empresa de negócios imobiliários.
Em tempo: Haddad fez questão de informar aos blogueiros que não ia identificar o Grande Comunicador, porque se tratava de uma conversa privada e ele não cometeria a grosseria. O grosseiro, no caso, é o ansioso blogueiro, que identificou Saad em outra fonte.
Em tempo2: ao deixar o Governo, Kassab assinou com Saad, por 25 anos – 25 anos !!! – um contrato de exclusividade para que Saad possa explorar a publicidade de TODOS os pontos de ônibus de São Paulo. Está aí um bom tópico para um cidadão paulistano empreender uma ação popular, não, amigo navegante ?
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – oPiG, Partido da Imprensa Golpista.