Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
Webster Franklin
12 de maio de 2015 4:56 amMeu encontro com o Che
Carta Maior
11/05/2015
Meu encontro com o Che
Conversamos até as quatro da manhã. A cada explicação que lhe dava, ele se mostrava pouco convencido e me pedia mais detalhes sobre a guerrilha venezuela.
Por Roberto Savio*
Em 1963, fiz uma viagem à Venezuela. Naquele ano, eu era um jovem repórter que trabalhava para a revista italiana Rinascita (o semanário do PC italiano). Numa entrevista com o Presidente Betancourt, ele me falou sobre o quão preocupado estava, como social-democrata, com o surgimento de uma guerrilha na Venezuela. Dali eu passei a buscar o líder dessa guerrilha, se chamava Luben Petkoff, mas não consegui localizá-lo. Contudo, encontrei alguns de seus simpatizantes e da conversa com eles surgiu uma reportagem sobre os camponeses que Petkoff queria alistar, seguindo o modelo cubano. Cheguei à conclusão que a realidade era profundamente diferente do que Petkoff pensava, e que aquela iniciativa não daria em nada.
Da Venezuela, eu viajei a Cuba, onde conversei com várias pessoas, a quem comentei a opinião de que a Revolução Cubana não daria certo naquele país, o que desagradou a vários dos meus interlocutores.
Estava alojado no hotel Nacional, e numa noite, enquanto dormia, uns golpes insistentes contra a porta me despertaram. Eram duas da madrugada. Um militar de uniforme verde-oliva, me disse que o comandante Guevara queria me ver. Me vesti, e o mesmo militar me levou ao Ministério da Indústria, pasta que era administrada pelo Che. O edifício estava totalmente às trevas, a exceção do último andar. O soldado que me acompanhou desde o hotel disse a outro, que montava guarda na porta do prédio, que o Che me esperava, e ele nos deixou passar. Subimos até o último andar, onde um terceiro soldado me conduziu até o escritório do ministro Che, abriu a porta, me anunciou e me convidou a entrar. Era um quarto revestido de madeira tropical, com uma grande mesa com grandes pilhas de papéis O Che estava sentado do outro lado da mesa.
Ele se levantou e, sem rodeios, me disse: “Por que a guerrilha na Venezuela vai fracassar?”. Logo, percebeu que eu estava surpreendido com aquele tema, e foi por outro lado: “Pensando bem, creio que é uma boa hora prum café”.Abriu a porta e pediu ao soldado que trouxesse dois cafés.O soldado voltou rapidamente, com as duas xícaras numa bandeja, e caminhava até onde estava o Che, quando este lhe indicou: “Rapaz, os hóspedes primeiro”. O soldado se aproximou de mim pelo lado esquerdo e girou a bandeja em minha direção. Ao fazê-lo, a metralhadora que carregava pendurada nas costas se balançou e deu com o cano no lado esquerdo da minha testa. Um reflexo instintivo me fez dar um salto e golpear a bandeja. Estupefato e horrorizado, vi como as duas taças de café voaram, quicaram sobre a mesa e mancharam muitos dos papéis que ali estavam. Se eu tentasse fazer um estrago desses de propósito, talvez teria sido menos eficiente.Fiquei paralisado, e o Che disse: “Finalmente chega uma pessoa que, num só golpe, se desfaz de todos esses papéis”. E foi assim comecei a me afeiçoar por ele.Conversamos até as quatro da manhã. A cada explicação que eu lhe dava, ele se mostrava pouco convencido e me pedia mais detalhes. Não aceitou nenhum dos meus argumentos e me deixou a impressão de uma pessoa com uma extraordinária qualidade humana, porém muito obcecada.No final do encontro, Che me deu um livro seu de presente, “A Guerra das Guerrilhas”, com uma dedicatória que dizia: “a Roberto Savio, como recordação de uma extensa noite de verão, sem pretensão de doutrinamento. Che”.Passaram muitos anos. Em 1973, realizei um longo documentário de três episódios, de uma hora de duração cada um, sobre o Che e sua morte. Trabalhava então como chefe dos correspondentes da RAI (rede de televisão italiana), na América Latina. A RAI destruiu o meu trabalho. Transmitiu somente dois episódios de 50 minutos, totalmente diferentes dos que eu havia concebido, mas usando o meu material e o meu nome. Quando reclamei do fato, me despediram. Meu documentário estava todo ele feito de entrevistas irrepetíveis, mais de cem, desde a única oferecida pelo Secretário do Partido Comunista da Bolívia, Mario Monje, à do sargento Mario Terán, que matou o Che em La Higuera, passando pela de Sheldon, o militar americano que treinou os soldados que combateram a guerrilha, a de Holleeder, chefe dos serviços de inteligência americana que operavam na Bolívia, e a de Salvador Allende. Desde então, nunca mais realizei trabalhos sobre o Che.Em 1964, eu havia criado a IPS. Ser despedido da RAI me deu a chance de ocupar todo o meu tempo à Agência. Passaram-se os anos e, um dia, minha secretária anunciou a visita de um deputado venezuelano, cujo nome eu lamentavelmente não me lembro. Enquanto eu perguntava a ela qual era o motivo da visita, o deputado abriu a porta, invadiu meu escritório e disse: “Ei rapaz, que manhã difícil você nos fez passar com o Che”, como se falasse de algo que acabou de acontecer…Foi assim que eu soube que, logo depois de me despedir do Che, após meu encontro em seu escritório no Ministério da Indústria, pouco depois das quatro da manhã, ele foi até a casa onde estava alojada uma delegação da guerrilha venezuelana. Os despertou e disse: “Um italiano veio até mim e listou uma série de razões pela qual a guerrilha de vocês vai ser um fracasso”. E foi enumerando todas as minhas razões, enquanto pedia explicações a eles por cada uma. O deputado me disse: “Foi uma manhã duríssima, porque ele estava bem informado e com argumentos reais”.Descobri, assim, que o Che Guevara, longe de estar obcecado, como eu havia pensado durante tantos anos, havia registrado todos os meus argumentos e os havia usado para dar um sermão aos guerrilheiros venezuelanos. Não me cabe nenhuma dúvida de que ele acreditava na guerrilha. E que escutava, muito mais do que deixava transparecer. (25 de abril de 2015)
* Jornalista ítalo-argentino. Co-fundador e ex-diretor general da Inter Press Service (IPS). Nos últimos anos, também fundou Other News, um serviço que proporciona “informação que os mercados eliminam”. Other News. Em espanhol: http://www.other-news.info/noticias/ Em inglês: http://www.other-net.info/ http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Meu-encontro-com-o-Che/6/33469
Webster Franklin
12 de maio de 2015 4:57 amA crise atual deve ter alguma saída
Carta Maior
11/05/2015
A crise atual deve ter alguma saída
Não sairemos da crise nem desfaremos os conchavos golpistas sem uma reforma política, tributária e agrária. Caso contrário a democracia será manca e caolha
Leonardo Boff
A crise política e econômica atual cria a oportunidade de fazermos realmente mudanças profundas como a reforma política, tributária e agrária. Para termos a embocadura correta, importa considerar alguns pontos prévios.
Em primeiro lugar, cabe situar nossa crise dentro da crise maior da humanidade como um todo. Não vê-la dentro deste embricamento é estar fora do atual curso da história. Pensar a crise brasileira fora da crise mundial não é pensar a crise brasileira. Somos momento de um todo maior. No nosso caso, não escapa ao olhar cupisoso dos países centrais e das grandes corporações qual será o destino da 7ª economia mundial onde se concentra o principal da economia do futuro de base ecológica: a abundância de água doce, as grandes florestas úmidas, a imensa biodiversidade e os 600 milhões de hectares agricultáveis. Não é do interesse da estratégia imperial que haja no Atlântico Sul uma nação continental como o Brasi que não se alinhe aos interesss globais e, ao invés, procure um caminho soberano rumo ao seu próprio desenvolvimento.
Em segundo lugar, a atual crise brasileria tem um transfundo histórico que jamais pode ser esquecido, atestado por nossos historiadores maiores: nunca houve uma forma de governo que desse atenção adequada às grandes maiorias, descendentes de escravos, de indígenas e de populações empobrecidas. Eram vistos como jecas-tatus e joãos-ninguém. O Estado, apropiado desde o início de nossa história pelas classes proprietárias, não estava apetrechado para atender às suas demandas.
Em terceiro lugar, há que se reconhecer que, como fruto de uma penosa e sangrenta história de lutas e superação de obstáculos de toda ordem, se constituiu uma outra base social para o poder político que agora ocupa o Estado e seus aparelhos. De um Estado elitista e neoliberal se transitou para um Estado republicano e social que, no meio dos maiores constrangimentos e concessões às forças dominantes nacionais e internacionais, conseguiu colocar no centro quem estava sempre na margem. É de magnitude histórica inegável, o fato de o Governo do PT ter tirado da miséria 36 milhões de pessoas e dar-lhe acesso aos bens fundamentais da vida. O que querem os humildes da Terra? ver garantido o acesso aos bens mínimos que lhes possam fazer viver. A isso servem a Bolsa Família, Minha Casa Minha vida, Luz para todos e outras políticas sociais e culturais sem as quais os pobres jamais poderiam ser advogados, médicos, engenheiros, pedagogos etc.
Qualifiquem como quiserem estas medidas, mas elas foram boas para a imensa maioria do povo brasileiro. Não é a primeira missão ética do Estado de direito a de garantir a vida de seus cidadãos? Por que os governos anteriores, de séculos, não tomaram essas iniciativas antes? Foi preciso esperar um presidente-operário para fazer tudo isso? O PT e seus aliados conseguiram essa façanha histórica, não sem fortes oposições por parte daqueles que outrora desprezaram, “os considerados zeros econômicos”, como o mostraram Darcy Ribeiro, Capistrano de Abreu, José Honório Rodrigues Raymundo Faoro e ultimamente Luiz Gonzaga de Souza Lima e hoje continuam ainda a desprezá-los.
Alguns extratos das altas classes privilegiadas têm vergonha deles e os odeiam. Há ódio de classe sim, neste pais, além da indignação e da raiva compreensíveis, provocadas pelos escândalos de corrupção havidos no governo hegemonizado pelo PT. Estas elites velhistas com seus meios de comunicação altamente marcados pela ideologia reacionária e de direita, apoiados pela velha oligarquia, diferente da moderna mais aberta e nacionalista, que em parte apoia o projeto do PT, nunca aceitaram um governo de cariz popular. Fazem de tudo para inviabilizá-lo e para isso se servam de distorções, difamações e mentiras, sem qualquer pudor.
Duas estratégias se desenham pela direita que conseguiu se articular para voltar ao poder central que perdeu pelo voto mas que ainda não se conformou:
A primeira é manter na sociedade uma situação de permanente crise política para com isso impedir que a Presidenta Dilma governe. Para isso se orquestram passeatas pelas ruas, fazendo como que um convescote, os panelaços com panelas cheias pois nunca souberam o que é uma panela vazia, ou então, de forma deseducada e grosseira vaiar sistematicamente a Presidenta em suas aparições públicas.
A segunda consiste num processo de desmontagem do governo do PT, caluniando-o como incompetente e ineficaz e desconstruir a liderança do ex-presidente Lula com difamações, distorções e mentiras diretas, que quando desmascaradas, não são desmentidas. Com isso pretendem impedir sua candidatura em 2018 e sua reeleição.
Esse tipo de procedimento apenas revela que democracia que ainda temos, de baixíssima intensidade. Os atos recentes, provocadores e cheios de espírito de vingança dos presidentes das duas casas, ambos do PMDB, confirmam o que o sociólogo da UNB, Pedro Demo, escreveu em sua Introdução à sociologia (2002):”Nossa democracia é encenação nacional de hipocrisia refinada, repleta de leis “bonitas”, mas feitas sempre, em última instância, pela elite dominante para que a ela sirva do começo até o fim. Político é gente que se caracteriza por ganhar bem, trabalhar pouco, fazer negociatas, empregar parentes e apaniquados, enriquecer-se às custas dos cofres públicos e entrar no mercado por cima… Se ligássemos democracia com justiça social, nossa democracia seria sua própria negação”(p.330.333).
Não sairemos desta crise nem desfaremos os conchavos revanchistas e golpistas sem uma reforma política, tributária e agrária. Caso contrário a democracia será manca e caolha.
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-crise-atual-deve-ter-alguma-saida/4/33472
Webster Franklin
12 de maio de 2015 5:45 amEm visita inédita a Cuba,Hollande pede fim do bloqueio econômico
Opera Mundi
Em visita inédita a Cuba, Hollande pede fim do bloqueio econômico e tem encontro com Fidel
Redação | São Paulo – 11/05/2015 – 19p2
É a primeira vez que um presidente francês realiza visita oficial à ilha ; conteúdo da conversa com líder da revolução não foi divulgado à imprensa
“A França fará o possível para contribuir para que a abertura possa ser confirmada, para que as medidas que tanto prejudicam o desenvolvimento de Cuba possam ser finalmente anuladas, suprimidas”, afirmou o presidente francês, François Hollande, em visita inédita realizada a Cuba, fazendo referência ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha que já dura mais de meio século e gerou danos da ordem.
Na tarde desta segunda (11/05), Hollande se reuniu com o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, com quem esteve por cerca de 40 minutos. O conteúdo da conversa e as fotos do encontro ainda não foram divulgadas.
Leia também: Raúl visita papa Francisco e diz que, se pontífice ‘continuar assim’, voltará a ‘rezar’
Agência Efe

Hollande juntamente com o vice-presidente cubano Miguel Díaz-Canel na nova sede da Aliança Francesa
“Vocês sabem que sempre foi a posição da França suspender o embargo que trava o desenvolvimento de Cuba”, garantiu Hollande. Anualmente, desde 1992, Paris vota a favor da resolução pelo fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha na Assembleia-Geral da ONU.
“Com a França, [Cuba] dispõe de um aliado fiel”, ressaltou. O país também é um interlocutor importante na União Europeia a favor do avanço da negociação do acordo de Diálogo Político e de Cooperação entre a ilha e o bloco europeu.
O presidente e líder do Partido Socialista francês chegou a Havana na noite de domingo (10/05) para realizar a primeira visita de um chefe de Estado francês à ilha caribenha. Também é a primeira vez que um político chefe de governo europeu viaja a Havana desde a reaproximação entre Washington e a ilha, anunciada em dezembro.
Agência Efe

Hollande é o primeiro presidente francês a realizar oficialmente uma visita a Cuba
O objetivo por trás do gesto é ganhar espaço para que o país europeu tenha presença favorável no momento em que Washington derrubar o bloqueio e a ilha tiver mais abertura ao comércio exterior. Hollande viajou acompanhado de executivos de empresas como Air France, Accor e Pernod Ricard, que já operam em Cuba, mas querem ampliar os negócios com a ilha.
Além disso, o representante do Eliseu também vai tratar “interesses e preocupações comuns sobre a Conferência sobre o Clima [que será realizada este ano em Paris] para acordar como a América Latina, Cuba e nós podemos nos unir para melhorar nosso planeta” como afirmou à imprensa durante sua chegada a Cuba.
Agência Efe

Também neste domingo Raúl se reuniu com o papa Francisco, no Vaticano
Hollande também manifestou intenção de acompanhar o desenlace diplomático entre Washington e Havana. Ambos os países anunciaram, em 17 de dezembro, a retomada das relações bilaterais e estão desenvolvendo conversas para que a reabertura de embaixadas em ambos os países.
Nesta terça-feira (12/05), Hollande viajará para o Haiti.
Para Francisco
Após o encontro do papa Francisco com o presidente Raúl Castro no último domingo (10/05) no Vaticano, a Conferência de Bispos Católicos do país caribenho confirmou a data da visita do santo padre a Havana, que derá acontecer de 19 a 22 de setembro, como parte da viagem que incluirá também os Estados Unidos.
O pontífice irá às cidades de Havana, Holguín e Santiago de Cuba em uma visita considerada histórica, já que Francisco atuou como mediador no processo de restabelecimento das relações entre Cuba e EUA.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/40373/em+visita+inedita+a+cuba+hollande+pede+fim+do+bloqueio+economico+e+tem+encontro+com+fidel.shtml
Webster Franklin
12 de maio de 2015 8:19 amO que o PSDB vai fazer com os órfãos do impeachment?
Do DCM
O que o PSDB vai fazer com os órfãos do impeachment? Por Kiko Nogueira
Postado em 11 mai 2015 por : Kiko Nogueira
A Marcha Pela Liberdade, rumo a Brasília
A agonia do pedido de impeachment do PSDB contra Dilma foi lenta e terminou com um suspiro ao invés de uma explosão. Toda a vociferação do deputado Carlos Sampaio e de Aécio Neves, todos os pareceres jurídicos, a espuma, o gumex de João Doria, deram lugar à resignação.
Antonio Anastasia foi quem martelou o último prego do caixão na segunda, dia 11, ao dizer que, até o momento, não via “elementos” para sustentar a tese.
“Estamos aguardando, foi dito pelo presidente do partido, senador Aécio Neves, que nós estamos adotando medida, verificando fatos, porque o pedido de impeachment depende de elementos concretos para ser apresentado” afirmou. “Aparentemente não existem, mas temos que aguardar os desdobramentos. Tem questões ficais sendo discutidas com o Tribunal de Contas da União”.
No auge da histeria panelística do impedimento, Anastasia seria desautorizado por algum figurão do partido. Hoje, os tucanos parecem mais preocupados com 1) a homenagem da Câmara do Comércio dos EUA a FHC, em Nova York; 2) a boca livre da homenagem a FHC; 3) a sabatina de Fachin.
O arrefecimento da vontade pessedebista deixa vários órfãos. Como eles puderam fazer isso?
Um grupo em especial vai sofrer mais pela falta de timing e pelo sacrifício patético. O MBL, facção anti governo federal chefiada pelo anão moral Kim Kataguiri, organizou uma tal Marcha Pela Liberdade.
Alguns gatos pingados estão indo a pé de São Paulo a Brasília para livrar o cidadão de bem do socialismo, do bolivarianismo, dos médicos cubanos. Os meninos “exigem” também o “repúdio ao Foro de São Paulo”, a “concessão de asilo político a Leopoldo López” e o “fim das verbas de publicidade estatal”.
A coisa teve início no dia 24 de abril e a chegada à capital será no dia 27 de maio.
A inspiração declarada é na Coluna Prestes e, veja só que modéstia maior ainda, na travessia do Rubicão de Júlio César. Os revoltados estiveram no Congresso no meio de abril, quando obtiveram de vários líderes da oposição as juras de amor eterno. “Então tenho a dizer, primeiro, que vamos atuar juntos sem preconceitos. E em segundo lugar quero dizer que nesse momento começamos a fazer história”, declarou Aécio, arrancando aplausos do pessoal.
Um mês depois, os kataguiristas tomam chuva e gastam a sola do Nike absolutamente despercebidos (tudo com o apoio de um ônibus confortável, bien sur, porque ninguém é de ferro. Nunca ficou claro quem paga essas benesses).
Os marchadores são como aquele sujeito que foi para a guerra e, na volta, encontra a mulher com sete filhos e casada com o vizinho. O PSDB ainda terá de lidar com as vítimas de suas promessas e os kataguiris são apenas algumas delas.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-que-o-psdb-vai-fazer-com-os-orfaos-do-impeachment-por-kiko-nogueira/
Webster Franklin
12 de maio de 2015 8:23 amRéquiem para o jornalismo
Do Observatório da Imprensa
Por Luciano Martins Costa em 11/05/2015
Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 11/5/2015
Ouça aqui Your browser does not support the audio element. Downloadhttp://observatoriodaimprensa.com.br/wp-content/uploads/2015/05/observatorionoradio11052015.mp3
A mídia tradicional do Brasil, ressecada de cérebros por conta da queda na receita publicitária, consegue nos últimos dias a proeza de mergulhar ainda mais fundo no jornalismo de panfleto.
Uma pequena seleção de material destacado pelos jornais de circulação nacional e pelas revistas semanais de informação mostra que o partidarismo recrudesce nas páginas e telas da imprensa. O viés se torna mais explícito provavelmente porque, com as demissões do primeiro trimestre, faltam talentos para dissimular o viés que define as escolhas editoriais.
Comecemos pela intensificada obsessão da Folha de S. Paulo pelo prefeito petista da capital paulista, Fernando Haddad. No feriado de 1º de maio, o jornal estampou, em manchete, o seguinte título: “Gestão Haddad falou com tráfico antes de agir na cracolândia”. O texto que se seguia passava a interpretação de que os assistentes sociais e outros funcionários que atuam na região onde se concentram dependentes de drogas no centro de São Paulo precisam se entender com traficantes para realizar seu trabalho.
Não se trata de uma mentira deslavada, mas de uma aleivosia. De fato, ninguém consegue se aproximar do aglomerado de seres humanos que se amontoam naqueles acampamentos se não tiver alguma conversação com os traficantes. O que o jornal omite é a situação criada pela polícia do Estado, que mantem há quase dez anos uma relação de tolerância controlada com o crime organizado. A manchete da Folha tinha a intenção maliciosa de relacionar a prefeitura petista ao comando da principal facção criminosa que atua em território paulista.
Na segunda-feira (9/5), a mesma Folha traz em manchete reportagem afirmando que o número de consultas na rede de postos de saúde do município caiu 21% em 2014, comparando com os atendimentos do ano anterior. Antes da publicação, a assessoria do prefeito havia informado que a causa é a falta de médicos nas organizações sociais que administram a rede de atendimento, e não a falta de pagamento por parte da prefeitura. O jornal deixou em segundo plano a informação, crucial, de que em 2014 houve uma sobra de mais de R$ 100 milhões no orçamento específico porque as entidades reduziram o número de consultas, por falta de médicos.
Declarações de uma panela
Outro exemplo interessante é o que move a revista Época, que trocou sua diretoria recentemente, e inaugurou um estilo ainda mais panfletário na cruzada explícita contra o governo federal.
Na semana passada, a publicação da Editora Globo que veio a público no mesmo feriado do Dia do Trabalho havia levado a especulação jornalística ao extremo, na reportagem que tentava associar obras da empreiteira Odebrecht a uma suposta atuação do ex-presidente Lula da Silva como “lobista internacional”. O texto não sobreviveu a dois dias de esclarecimentos, quando a própria fonte citada pela revista, uma procuradora de Brasília, veio a público para declarar que não havia um processo contra o ex-presidente, como dizia a reportagem.
Mas a imprensa não descansa: na semana seguinte, os jornais reproduziam o que se dizia ser um trecho do livro de memórias ditado pelo ex-presidente do Uruguai José Mujica, que, segundo foi publicado, continha uma suposta confissão de Lula da Silva sobre o chamado “mensalão petista”, dizendo que a corrupção era a única forma de governar o Brasil.
A versão dos jornais brasileiros foi desmentida de pronto pelos autores do livro, dois jornalistas que haviam colhido os depoimentos de Mujica, revelando que quem escreveu a reportagem original, reproduzida depois por quase toda a imprensa brasileira, não havia lido o livro.
Assim como surgiu e cresceu como uma onda de repercussões, a mentira ainda sobrevive na segunda-feira (11), em nota na coluna de política do Globo, o que revela mais uma vez a homogeneidade da mídia tradicional.
Mas esses exemplos não conseguem superar a patética invenção da revista Época desta semana. Trata-se do perfil de uma panela, eleita “personagem da semana”, em um texto de ficção no qual o equipamento culinário entra em diálogo com o discurso proferido pelo ex-presidente Lula da Silva durante o programa eleitoral do Partido dos Trabalhadores.
A revista procura apresentar o instrumento de protestos como personagem político.
“Pleinpleinplein, tactactac, blimblimblim”, diz a panela.
“Descanse em paz”, diz a lápide no túmulo do jornalismo nacional.
http://observatoriodaimprensa.com.br/radio/requiem-para-o-jornalismo/
Odonir Oliveira
12 de maio de 2015 12:13 pmA era das grandes
A era das grandes transformações
Leonardo Boff
Vivemos na era das Grandes Transformações. Entre tantas, destaco apenas duas: a primeira no campo da economia e a segunda no campo da consciência.
A primeira na economia: começou partir dos 1834 quando se consolidou a revolução industrial na Inglaterra. Consiste na passagem de uma economia de mercado para uma sociedade de mercado. Mercado sempre existiu na história da humanidade, mas nunca uma sociedade só de mercado. Quer dizer, a economia é o que conta, o resto deve servir a ela.
O mercado que predomina se rege pela competição e não pela cooperação. O que se busca é o benefício econômico individual ou corporativo e não o bem comum de toda uma sociedade. Geralmente este benefício é alcançado à custa da devastação da natureza e da gestação perversa de desigualdades sociais.
Diz-se que mercado deve ser livre e o Estado é visto como seu grande empecilho. Missão deste, na verdade, é ordenar com leis e normas a sociedade, também o campo econômico e coordenar a busca comum do bem comum. A Grande Transformação postula um Estado mínimo, limitado praticamente às questões ligadas à infraestrutura da sociedade, ao fisco à segurança. Tudo o mais pertence e é regulado pelo mercado.
Tudo pode ser levado ao mercado como água potável, sementes, alimentos e até órgãos humanos. Esta mercantilização penetrou em todos os setores da sociedade: a saúde, a educação, o esporte, o mundo das artes e do entretenimento e até nos grupos importantes das religiões e das igrejas com seus programas de TV e de rádio.
Essa forma de organizar a sociedade unicamente ao redor dos interesses econômicos do mercado cindiu a humanidade de cima a baixo: um fosso enorme se criou entre os poucos ricos e os muitos pobres. Vigora perversa injustiça social.
Simultaneamente se criou também uma iníqua injustiça ecológica. No afã de acumular, foram explorados de forma predatória bens e recursos da natureza, sem qualquer limitação e respeito. O que se busca é o enriquecimento cada vez maior para consumir mais intensamente.
Essa voracidade encontrou o limite da própria Terra. Ela não possui mais todos os bens e serviços suficientes e renováveis. Não é um baú sem fundo. Tal fato dificulta senão impede a reprodução do sistema produtivista/capitalista. É sua crise.
Essa Transformação, por sua lógica interna, está se tornando biocida, ecocida e geocida. A vida corre risco e a Terra poderá não nos querer mais sobre ela, porque somos demasiadamente destrutivos.
A segunda Grande Transformação está se dando no campo da consciência. Na medida em que crescem os danos à natureza que afetam a qualidade de vida, cresce simultaneamente a consciência de que, na ordem de 90%, tais danos se devem à atividade irresponsável e irracional dos seres humanos, mais especificamente, daquelas elites de poder econômico, político, cultural e mediático que se constituem em grande corporações multilaterais e que assumiram os rumos do mundo.
Temos, com urgência, fazer alguma coisa que interrompa o percurso para o precipício. O primeiro estudo global foi feito em 1972 que estudou o estado da Terra. Revelou-se que ela está doente. A causa principal é o tipo de desenvolvimento que as sociedades assumiram. Ele acaba ultrapassando os limites de suportabilidade da natureza e da Terra. Temos que produzir, sim, para alimentar a humanidade. Mas de outro jeito, respeitando os ritmos da natureza e seus limites, permitindo que ela descanse e se refaça. A isso se chamou de desenvolvimento humano sustentável e não apenas crescimento material, medido pelo PIB..
Em nome desta consciência e desta urgência, surgiu o princípio responsabilidade (Hans Jonas), o princípio cuidado (Boff e outros),o princípio sustentabilidade (Relatório Brundland), o princípio da cooperação (Heisenberg/Wilson/Swimme), o princípio prevenção/precaução (Carta do Rio de Janeiro de 1992 da ONU), o princípio compaixão (Schoppenhauer/Dalai Lama) e o princípio Terra (Lovelock e Evo Morales), entendida como um super-organismo vivo, sempre apto a produzir vida.
A reflexão ecológica se complexificou. Não se pode reduzi-la apenas à preservação do meio ambiente. A totalidade do sistema mundo está em jogo. Assim surgiu uma ecologia ambiental que tem como meta a qualidade de vida; uma ecologia social que visa um modo sustentável de vida (produção, distribuição, consumo e tratamento dos dejetos); uma ecologia mental que se propõe criticar preconceitos e visões de mundo, hostis à vida e formular un novo design civilizatório, à base de princípios e de valores para uma nova forma de habitar a Casa Comum; e por fim uma ecologia integral que se dá conta de que a Terra é parte de um universo em evolução e que devemos viver em harmonia com o Todo, uno, complexo e carregado de propósito. Daí resulta a paz.
Então se torna claro que a ecologia mais que uma técnica de gerenciamento de bens e serviços escassos representa uma arte, uma nova forma de relação para com a natureza e a Terra.
Por todas as partes do mundo surgiram movimentos, instituições, organismos, ONGs, centros de pesquisa que se propõem cuidar da Terra, especialmente dos seres vivos.
Se triunfar a consciência do cuidado e da nossa responsabilidade coletiva pela Terra e por nossa civilização, seguramente teremos ainda futuro.
http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2015/05/11/a-era-das-grandes-transformacoes/
Odonir Oliveira
12 de maio de 2015 1:13 pmA necessária aliança entre sensibilidade e senso crítico
A necessária aliança entre sensibilidade e senso crítico
Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 12/05/2015 na edição 850
Um famoso discurso de Gabriel García Márquez costuma ser citado sempre que se deseja enaltecer a profissão de jornalista. Diz ele que “o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade”. Que “ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. Que “todo jornalismo deve ser investigativo por definição” e que “a ética não é uma condição ocasional, mas deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro”.
Eu sempre procurei relativizar esse entusiasmo, tendo em vista as circunstâncias em que o discurso foi proferido – numa assembleia da SIP, a Sociedade Interamericana de Imprensa, cuja filiação ideológica ninguém ignora – mas, principalmente, porque idealiza o que chama de “a melhor profissão do mundo”, sem considerar as condições concretas de trabalho, tantas vezes responsáveis pela frustração de valorosos talentos, que apesar de terem “nascido para isso” abdicam da sua vocação ou se submetem a uma rotina que, lentamente, os conforma à mediocridade.
Mas, ao revisitar o discurso, percebo que, apesar dessas ressalvas, os trechos citados não poderiam ser mais adequados para resumir os princípios e a prática de Fabiana Moraes, expostos neste livro que reproduz a premiada reportagem sobre a dolorosa transformação do lavrador João Batista em Joicy, relata as dificuldades enfrentadas ao longo da realização do trabalho e reflete corajosamente sobre o exercício do jornalismo.
Fabiana, certamente, nasceu para isso e, felizmente, teve forças para perseverar. A ponto de se propor a uma reflexão academicamente qualificada sobre seu ofício, e uma nota de rodapé no terceiro capítulo deste livro sintetiza o nível de esforço que significou aliar o trabalho como repórter ao curso de doutorado em Sociologia na UFPE, concluído em 2011. Sobre as condições de trabalho, fala com conhecimento de causa: aponta os constrangimentos impostos pela engrenagem voltada para o lucro mas reconhece distinções fundamentais no cotidiano da profissão. Menciona, por exemplo, a atitude de editores que “fustigavam continuamente suas equipes para a produção de um material diferenciado, alertavam para olhares anacrônicos e poucos criativos, arriscavam-se a pensar diferente mesmo quando a linha adotada pelo jornal não era exatamente apropriada para o conteúdo das edições que estavam à frente”. Quem conhece jornal sabe que é assim. E é por isso que vale a pena persistir.
O nascimento de Joicy revela a opção pelo caminho mais árduo, mas certamente mais rico, para a abordagem de um tema já por si difícil quando se pretende fugir de estereótipos: o da mudança de sexo. Fabiana conta que, inicialmente, não se tratou propriamente de uma escolha: aconteceu de Joicy ser a próxima da fila a se submeter à cirurgia. Porém, estava longe de corresponder à imagem de mulher que se costuma cultivar. Teria sido possível aguardar e eleger alguém mais enquadrada no cânone da feminilidade. Pelo contrário, insistir com Joicy significava enfrentar o preconceito mais arraigado e mostrar o drama de quem, ademais de viver em situação de extrema pobreza, “tenta se inscrever no mundo a partir de um corpo continuamente questionado – e combatido”. Ao acompanhá-la em sua peregrinação, a repórter vai compondo um quadro complexo das reações díspares diante daquela situação, as pessoas revelando surpresa, constrangimento, vontade de entender, aceitar ou pelo menos não parecerem preconceituosas.
Antes da história que resultou neste livro, porém, as grandes reportagens que Fabiana realizou – com destaque para o premiado caderno especial sobre Os sertões, revelador de uma realidade múltipla, destoante dos estereótipos que marcam a região – já a inseriam na tradição de nosso melhor jornalismo: o empenho, o arrojo, a dedicação, o rigor na apuração aliado à sensibilidade traduzidos numa narrativa literariamente esmerada, atraente, cativante, às vezes comovente, sempre informativa.
O ponto de partida de todas as pautas era uma pergunta simples, “que traz mais incômodos do que respostas prontas” – e por isso desafia as rotinas hoje tão acostumadas aos releases das assessorias de imprensa: por que as coisas são como são?
Abrir-se a essa indagação é realizar o conselho de Saramago: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. Reparar é espantar-se diante de tamanhas aberrações e injustiças que, de tão incorporadas ao nosso cotidiano, já não surpreendem os que se tornaram incapazes de olhar ao redor.
Fabiana olha, repara, espanta-se, revolta-se. E exibe esse sentimento no que escreve. Por isso, também, defende o que chama de “jornalismo da subjetividade”: não uma rejeição à objetividade, evidentemente, porque sabe – e todos deveríamos saber – que qualquer atividade humana articula, embora em graus distintos, essas duas dimensões; mas, sim, uma contestação à concepção reducionista de objetividade gravada nos manuais de jornalismo, que castra a autonomia do repórter e o condiciona a apenas “relatar fatos”, como se isso fosse possível. Pior: a relatar fatos de acordo com um enquadramento prévio, num processo que acaba tendo a cumplicidade do profissional, de tal modo que “pessoas e grupos são praticamente obrigados a se comportar, a responder e mesmo a sentir aquilo que o jornalista, quase sempre apressado ou ansioso para dar conta de algo que está em sua cabeça, quer”.
Teoricamente bem sustentada, a defesa do “jornalismo de subjetividade” é, a rigor, um apelo à valorização do jornalismo que honra sua tradição iluminista de esclarecer o público, o que exige ir contra o senso comum – isto é, contra os cânones sacralizados de interpretação da realidade, que nos levam a aceitar o que deveria ser combatido. Coerentemente, é também uma convocação a que os jornalistas assumam sua autonomia e sejam capazes de produzir narrativas críticas e sensíveis, que confrontem o público com o que ele talvez não deseje mas certamente precisa saber. [Rio de Janeiro, dezembro de 2014]
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Sobre a autora
Fabiana Moraes nasceu no Recife, em 1974. Jornalista e socióloga formada na Universidade Federal de Pernambuco, trabalha como repórter especial do Jornal do Commercio. Como eixo de pesquisa na redação e na área acadêmica, investiga a pobreza, a invisibilidade, a hierarquização social e a desconstrução do senso comum.
Seu trabalho, que hoje inclui o audiovisual, foi reconhecido com três prêmios Esso e um Embratel, entre outros. É autora de três livros: Os Sertões (2010), Nabuco em pretos e brancos (2012) e No país do racismo institucional (2013).
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Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)
http://observatoriodaimprensa.com.br/armazem-literario/a-necessaria-alianca-entre-sensibilidade-e-senso-critico/
romério rômulo
12 de maio de 2015 6:10 pmzezé perrela defende a prisão dos traficantes de drogas
no DCM.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/zeze-perrella-fala-sobre-o-helicoca-e-a-reducao-da-maioridade-penal/
romério
bfcosta
13 de maio de 2015 12:51 amOs absurdos diários de nossa justiça
http://www.sul21.com.br/jornal/juiz-anula-anistia-de-lamarca-e-quer-que-familia-devolva-dinheiro-da-indenizacao/
Juiz anula anistia de Lamarca e quer que família devolva indenização
Como comandante da Vanguarda Popular Revolucionária, Carlos Lamarca foi um dos líderes da oposição armada à ditadura civil-militar brasileira, que derrubou o governo constitucional de João Goulart em 1964.
Marco Weissheimer
O juiz Guilherme Corrêa de Araújo, da 21ª Vara Federal do Rio de Janeiro, decidiu anular os atos da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, datados de 2007, que determinaram o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil para Maria Pavan Lamarca, viúva de Carlos Lamarca, e para seus dois filhos, totalizando a soma de R$ 300 mil, e que definiram o pagamento de uma pensão equivalente ao posto de General-de-Brigada para Maria Lamarca. Além disso, o juiz determinou o ressarcimento ao erário federal dos valores já pagos à família, corrigidos monetariamente segundo a variação do IPCA/E e acrescidos de juros. A ação foi movida pelo advogado João Henrique Nascimento de Freitas, um dos autores da ação popular que suspendeu o pagamento da indenização para 44 camponeses que foram vítimas de tortura por integrantes do Exército brasileiro durante a guerrilha do Araguaia. A família vai recorrer da decisão.
Lamarca foi um dos líderes da oposição armada à ditadura militar brasileira, que derrubou o governo constitucional de João Goulart em 1964. Capitão do Exército, desertou em 1969 tornando-se um dos comandantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização que pegou em armas para combater a ditadura.
Em março de 2014, o Clube Militar do Rio de Janeiro conseguiu uma liminar na Justiça para anular a portaria do Ministério da Justiça que concedeu a anistia a Lamarca e estabeleceu uma reparação econômica para sua viúva e filhos. No entanto, em outubro do mesmo ano, o Tribunal Regional Federal da 3.ª Região reconheceu o direito à promoção do capitão Carlos Lamarca, morto durante a ditadura.
Lamarca foi morto no dia 17 de setembro de 1971, aos 34 anos de idade, no sertão da Bahia, após ter sido cercado por integrantes das forças armadas. Conforme essa decisão da Justiça Federal, ele foi promovido a coronel, com proventos de general de brigada. Em seu voto, o desembargador José Marcos Lunardelli, relator da ação, afirmou: “Reconhecemos a promoção (de Lamarca) ao posto de coronel, com soldo de general de brigada, tal como a Comissão da Anistia declarou. A decisão seguiu o que já havia sido declarado na esfera administrativa.”
Em sua decisão que contesta agora a legalidade dos atos da Comissão de Anistia, o juiz Guilherme Corrêa de Araújo sustenta que “não se ignora que inúmeros brasileiros tenham padecido de graves e injustificados sofrimentos no período em questão, mas para a superação dos traumas desse momento histórico não foi prevista, de forma geral e abrangente, a concessão de reparação econômica ou moral”. Além disso, Guilherme Corrêa de Araújo afirmou que “não houve comprovação de que a esposa do falecido exercia atividade econômica da qual foi privada, muito menos seus filhos, estes em razão da tenra idade que ostentavam na época dos fatos invocados para a concessão do benefício”.
Para Tarso Genro, que era o ministro da Justiça em 2007, decisão “tem um nítido cunho político, quer fazer uma revisão histórica do que ocorreu na ditadura e representa um ataque à Constituição.” Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Ministro da Justiça na época que a anistia foi concedida a Carlos Lamarca, Tarso Genro considerou a decisão do juiz Guilherme Corrêa de Araújo “no mínimo, estranhíssima, na medida em que atinge um ato jurídico perfeito”. “Como ocorreu com tantos outros casos, foi instalado um processo na Comissão Nacional de Anistia que fez todas as investigações necessárias. O caso de Lamarca foi julgado e a Comissão da Anistia orientou o ministro a publicar uma portaria concedendo a anistia, o que acabou acontecendo. Essa sentença ataca uma decisão legal, tomada nos marcos do sistema administrativo brasileiro”, disse o ex-ministro ao Sul21.
Para Tarso Genro, a decisão do magistrado pode ser lida “como uma desautorização da norma constitucional que instituiu anistia no Brasil”. Essa decisão, acrescentou, “tem um nítido cunho político, quer fazer uma revisão histórica do que ocorreu na ditadura e representa um ataque à Constituição que abre um precedente inaceitável. Será objeto de recurso e deve ser reformada nos tribunais superiores”. O ex-ministro da Justiça também classificou como estranho o argumento do magistrado, segundo qual não haveria base legal para a “concessão de reparação econômica ou moral”. “Isso é previsto pela lei e milhares de pessoas já receberam esse tipo de indenização”, assinalou.