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  1. Antonio Carlos Silva - RJ

    31 de dezembro de 2013 2:25 am

    A encarniçada guerra das organizações globo contra petistas

    Na covarde cruzada contra os petistas as empresas da Globo, criaram até uma figura física para a “Justiça barbosiana”

    Será que oficiais de justiça podem deliberar sobre as condições de saúde de apenados (APENAS PETISTAS) simplismente ao olhar aspectos fisicos ?  Não precisa de nenhum exame ? Então, se Genoíno estiver barbeado e perfumado eles deliberarão que o Genoíno deverá voltar para a Papuda e ficar confinado numa cela com isolamento total ?

    Justiça faz visitas de surpresa a Genoino em casa e constata boa aparência e saúde estável

    Documento foi feito após visita ao ex-deputado por assistente social e psicóloga da Vara de Execuções Penais

    André de Souza

    Publicado:30/12/13 – 20p2Atualizado:30/12/13 – 21p8

    BRASÍLIA – A Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal enviou nesta segunda-feira ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, relatório afirmando que o ex-presidente do PT José Genoino está com “boa aparência e quadro geral de saúde estável”. A constatação se deu após três visitas surpresa de oficiais de justiça do Tribunal de Justiça do DF ao petista neste mês. Ele foi visitado nos dia 3, 17 e 26 de dezembro. Genoino informou aos servidores que aguarda autorização judicial para comparecer ao hospital Sírio Libanês, em São Paulo, no próximo 7 de janeiro para avaliação e exames com o cardiologista Roberto Kalil Filho.

    No relatório, resultado de um mandado de constatação na residência, Genoino contou que faz uso de diversas medicações durante o dia e que, para verificar a coagulação sanguínea, é submetido a exames de sangue, colhido na própria casa. O petista cumpre a prisão domiciliar na residência do sogro de uma de suas filhas, Mariana Lima Genoino.

    Os oficiais de justiça constataram também que o ex-presidente do PT está cumprindo todos os termos de prisão domiciliar temporária, em especial a seguinte obrigação: “permanecer em casa por período integral,salvo em caso de estrita necessidade de saúde”.

    A última visita dos servidores ocorreu na semana passada, no dia 26, um dia após o Natal. O documento diz que a esposa de Genoino, Rioco Kayana, está presente o tempo inteiro a seu lado.

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/justica-faz-visitas-de-surpresa-genoino-em-casa-constata-boa-aparencia-saude-estavel-11182585#ixzz2p10Lfy9D
    © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

  2. Roberto São Paulo-SP 2013

    31 de dezembro de 2013 2:27 am

    Programa de Sustentação do Investimento (PSI),

    CMN regulamenta ampliação do Programa de Sustentação do Investimento em R$ 50 bilhões

    Brasília –30/12/2013 – 21h08—–Stênio RibeiroRepórter da Agência Brasil

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou hoje (30), em reunião extraordinária, a ampliação do limite de financiamentos subvencionados pela União em R$ 50 bilhões, de acordo com a Medida Provisória (MP) 633, expedida na última quinta-feira (26).

    A MP altera a Resolução CMN 4.170, de 2012, que estabelecia as condições necessárias à concessão de financiamentos no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), operado com repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    O PSI, criado em 2009 para estimular a produção, aquisição e exportação de bens de capital e a inovação tecnológica, renovado todos os anos, dispunha de R$ 322 bilhões para subvenções da União. Limite ora ampliado para R$ 372 bilhões, além de estender o prazo para concessão de financiamentos até 31 de dezembro de 2014.

    Com o objetivo de manter os incentivos à expansão da indústria nacional, o CMN definiu as taxas de juros dos financiamentos, que variaram de 3,5% a 8% ao ano em 2013, e passam para intervalos entre 4% e 8% em 2014, dependendo da área de atuação.

    A taxa mais baixa é para ações de inovação tecnológica, aquisição de máquinas e equipamentos, transformadores, desenvolvimento de tecnologia nacional, pró-engenharia ou inovação de produção e aquisição de peças, partes e componentes de máquinas. Os custos mais altos são cobrados nos financiamentos de bens de capital para exportação e nas próprias ações de exportação.

     

    Edição: Aécio Amado

    URL:

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-12-30/cmn-regulamenta-ampliacao-do-programa-de-sustentacao-do-investimento-em-r-50-bilhoes

     

     

  3. joao

    31 de dezembro de 2013 4:25 am

    Petrobras conclui venda de

    Petrobras conclui venda de participação no Parque das Conchas por US$1,64 bi

    segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 20:20 BRST Imprimir[Texto [+

    30 Dez (Reuters) – A Petrobras concluiu nesta a venda de 35 por cento de sua participação no bloco BC-10 para a Shell e a indiana ONGC por 1,636 bilhão de dólares, acima do valor previsto inicialmente, segundo comunicado da estatal divulgado nesta segunda-feira.

    O anúncio encerra um processo que começou em agosto, quando a Petrobras disse que planejava vender a sua fatia no bloco, originário do campo em produção Parque das Conchas, na Bacia de Campos, por 1,54 bilhão de dólares para a chinesa Sinochem.

    As parceiras Shell e ONGC, contudo, detinham direito de preferência e decidiram exercê-lo.

    A petroleira Shell, que já detinha 50 por cento no bloco, adquiriu participação adicional de 23 por cento por 1 bilhão de dólares, informou a empresa anglo-holandesa nesta segunda-feira.

    “As aprovações regulatórias foram obtidas e a Shell passa a deter uma participação operacional de 73 por cento”, disse a empresa anglo-holandesa.

    Já a estatal indiana ONGC adquiriu uma participação adicional de 12 por cento e passa a ter participação de 27 por cento no bloco.

    Atualmente, o Parque das Conchas produz cerca de 50 mil barris de óleo equivalente dia. A operação no bloco começou em 2009, e já foram produzidos mais de 80 milhões de barris de óleo equivalente, disse a Shell em comunicado.

    A Petrobras informou que a contribuição do BC-10 para seu volume de produção média de óleo foi de 8,6 mil barris de óleo por dia em 2013. A estatal produziu em outubro pouco menos de 1,960 milhão de barris diários.

    (Por Gustavo Bonato e Sabrina Lorenzi)

    http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE9BT04R20131230

     

  4. Assis Ribeiro

    31 de dezembro de 2013 8:20 am

    Uma perspectiva de esquerda para o Quinto Lugar

    O Brasil já não é mais o mesmo, mas os fundamentos do Brasil atual precisam de algumas reformas estruturais para que possamos ser outro país integralmente.

    O Brasil ficou em segundo lugar, em 2013, no ranking entre os 90 países que elevaram taxa de juros, só perdendo para a República de Gâmbia, fechando-a em 10% ao ano. Paralelamente o CEBL (sigla da instituição em inglês) – Centro de Pesquisas Econômicas e Negócios – registra que em 2023 seremos a 5ª economia do mundo. Prevê, aquela instituição insuspeita de proteger nossos governos, que alcançaremos daqui a dez anos um PIB de 3,2 trilhões de dólares com o crescimento, portanto, de 1 trilhão de dólares no PIB entre 2013 e 2023.

    Para que tenhamos uma ordem de grandeza relativa do que está acontecendo em nosso país,  lembremos que a proposta do arquiteto da política de reformas na China Popular, Deng Xiaoping (1904 – 1997) foi chegar no seu país em 2050  – numa nação de 1 bilhão e 300 mil habitantes no dias de hoje – a um PIB de 6 trilhões de dólares, “quando teremos” – dizia Deng – “uma renda per capita, de 4 mil dólares”,  com uma população de  1,5 bilhão de  pessoas.

    Quatro mil dólares, com uma forte distribuição de renda já  teria sido um impacto gigantesco no mercado interno em 2050, considerando ainda que a China – já nos próximos 10 anos – portanto até 2024, retirará da miséria e da pobreza mais duzentas milhões de almas. Mas, as previsões do Presidente Deng “furaram”: a China já chegou em 2012 a um PIB de 8,28 trilhões de dólares,  mesmo reduzindo seu crescimento em função da crise européia e americana, promovendo já em 2013 uma renda “per capita” de mais de 9.000 dólares ano.

    A China é um Estado Nacional unificado há mais de 2.5OO anos e fez, recentemente, uma poderosa Revolução Popular. Esta revolução instaurou no poder  um Partido Comunista que centralizou com poderes quase absolutos, o Governo e a Política. Em sucessivas fases de disputas permeadas por ações anárquicas de violência a China abriu uma etapa nacional-desenvolvimentista, integrada na economia global, que preparou o país para ser a economia mais forte do Século. No século XXI a China pelo menos dividirá hegemonia sobre o mundo, com os países capitalistas mais desenvolvidos, mas certamente em condições de superioridade militar e econômica.

    Sobre o caso chinês – seu processo de desenvolvimento econômico e social acelerado – podemos prestar atenção exclusivamente nos seus métodos não democráticos (dentro da perspectiva das democracias ocidentais)  ou, por escolha ideológica, só no fato histórico formidável de um país que tirou da miséria e da doença “um Brasil e ½”, em mais ou menos trinta anos. Ou, se escolhermos,  podemos fazer uma terceira opção e prestar atenção – para fazer justiça ao seu povo e aos seus lutadores e dirigentes –  nos dois processos: seu crescimento espetacular, combinado com a promoção social dos mais pobres, num regime político não democrático para os nossos olhos,  num país que até há pouco foi praticamente feudal, tornou-se “agrário” e  depois industrialmente atrasado. 

    Partir deste olhar mais abrangente para concluir se aquilo que acontece na China é, ou não, um progresso humanista de cunho social, que tem elementos importantes de valor universal, não é um olhar manipulatório. O que ocorre ali pode ter sido a única saída de uma civilização de 5.OOO anos, cujos conteúdos culturais e políticos jamais experimentaram os processos de modernização política e social semelhantes à Revolução Francesa, à Revolução Americana ou à Gloriosa Revolução Inglesa. As chacinas coloniais e imperiais, que estas mesmas revoluções levaram adiante, não invalidaram as suas conquistas civilizatórias, sem “luzes” e sem humanidade, que  fomentaram  o desenvolvimento capitalista como progresso nos seus moldes clássicos.

    Para pensar o Brasil como 5ª. economia mundial,  creio que devemos adotar a terceira hipótese: ver o processo como um todo, sem descarte do compromisso com a democracia e a República, com os direitos humanos e com a sustentabilidade. Verificar, a partir daí,  o que podemos aproveitar do universal que tem a experiência chinesa, para que cheguemos em 2023, não somente como quinta economia mundial, mas no mínimo  a 5ª. em distribuição de renda, 5ª.em educação, 5ª.em sustentabilidade, 5ª. em melhor saúde pública, 5ª. em melhor mobilidade urbana, 5ª. em respeito aos direitos humanos.

    Parto desta reflexão porque de nada adianta ser a quinta economia do mundo, mantendo as desigualdades sociais e econômicas que ainda existem no Brasil.

    Carregamos  nas costas do progresso a exclusão, a violência,  a insegurança e os brutais contrastes entre ricos e pobres, que não somente são geratrizes de todos os tipos de violência, mas também se apóiam na criação de empregos de baixa qualidade e qualidade de vida, material  e cultural, muito inferior ao possível e desejável nas grandes regiões metropolitanas.

    Nossos governos federais não conseguiram uma correlação de forças favorável, não só para obter o volume de recursos necessários para financiar a saúde pública, taxando as movimentações financeiras, como também não conseguiram condições políticas para uma Reforma Tributária,  que pudesse reordenar de forma mais democrática e eficiente as relações federativas, no plano econômico-financeiro. 

    O Prefeito Fernando Haddad, por exemplo, neste momento sofre uma forte campanha de difamação política pela grande imprensa por pretender adotar um mínimo de justiça tributária, com a simples correção do valores do IPTU – o que fizemos em 1990 em Porto Alegre com apoio dos Conselhos Regionais do Orçamento Participativo e dos movimentos sociais, que hoje frequentemente tornam-se visíveis somente  em demandas mais imediatas.

    Tivemos no país avanços significativos na distribuição de renda, na inclusão social e educacional, na defesa dos pobres do campo, na criação de milhões de empregos, que dão um nível de subsistência mínimo aos assalariados da nação.

    Em compensação fomos “obrigados”, pelo “mercado”,  a aumentar a taxa de juros, mesmo com índices reduzidos  de crescimento na economia, o que implica em reconhecer que o Brasil já não é mais o mesmo, é verdade, mas os fundamentos do Brasil atual – que não é mais o mesmo – precisam de reformas para que possamos ser outro país, integralmente.

    A grande questão política, para a esquerda que recusa a fantasia histórica de que está em curso uma revolução socialista no mundo ou que há possibilidades concretas de um horizonte socialista à médio prazo, é a seguinte: o que fazer para que a democracia “volte a ter sentido”, como diz Boaventura Souza Santos? Até agora o Estado Democrático não criou condições para interferir, de molde a proporcionar uma taxa de juros compatíveis com os níveis internacionais. Nesta questão, estamos apenas à frente da remota Gâmbia  (país da África Ocidental com uma população ligeiramente superior a porto Alegre), o que nos obriga a pensar quais as mudanças estruturais que “devemos”, para que a  taxa de juros, portanto, compatibilize-se com o processo de desenvolvimento?

    Deixando de lado a fantasia de que se trata, apenas, de arbitragem voluntarista da Presidenta ou do Banco Central e tendo consciência que, na verdade, esta deve ser uma “guerra mundial” política, para vencer um tema que começa por decisões  internas sobre o modelo de desenvolvimento. Lembro que a China adotou na sua estratégia –como escreveu Perry Anderson-   com “a combinação do que é agora, de acordo com qualquer medida convencional, uma economia predominantemente  capitalista, com o que todavia é, inquestionavelmente –de acordo com qualquer medida convencional- um Estado comunista, sendo ambos os mais dinâmicos da sua classe até hoje”. Ou seja: planejamento de longo curso através do Estado,  dinâmica de mercado capitalista contida por regras de distribuição “pétreas”, monolitismo político para aplicação das normas do novo modelo.

    Se quiséssemos enquadrar nas categorias do marxismo tradicional o que ocorreu na China após os anos sessenta,  poder-se-ia dizer que a Revolução Cultural  como forma específica de revolução política “permanente”,  foi sucedida por uma “Nova política Econômica”  (a NEP leninista),  de longo prazo, que tende a se tornar economia “permanente”. Assim como o sujeito político (Partido-Estado) cria o mercado e suas relações, estas relações novas recriam o sujeito (Partido-Estado), que será permanentemente outro. Como “outro”, mudado pela nova sociedade que ele produziu, é que vai reportar-se aos resultados obtidos, tanto para aumentar as conquistas dos trabalhadores no novo modelo, bem como para aumentar ou diminuir as rendas das classes ricas, que estão surgindo neste processo.

    O próprio capitalismo, sem perder seu eixo e sua fúria, assim como o “modelo chinês”, vão esbarrar em situações-limite, nem sempre em função das suas contradições internas, mas muito fortemente em função dos limites da naturalidade (crise de fornecimento de energia fóssil, destruição ambiental ampliada, esgotamento do modelo produtivo agrícola predatório, esgotamento de recursos naturais não renováveis), cujos efeitos (“estufa” e outros) já são plenamente visíveis. Isso quer dizer que as amarras que impedem hoje as mudanças, no médio prazo, podem ser rompidas e assim será agregada à crítica do capitalismo, não só a crítica aos seus regimes brutais de violência e  exploração que ele semeou no mundo, mas também a possibilidade de liquidação, através dele,  da sobrevivência do gênero humano, o que atinge inclusive aquela parte da sociedade planetária  que  o capitalismo prometeu e deu uma vida melhor.

    Para atuar de maneira produtiva neste novo ciclo de lutas, que já se abre com a “rearrumação” internacional, já em curso pela intervenção do modelo chinês, não podemos cair na tentação simplista e despolitizada apresentada, por exemplo, por Michael Löwy, aqui nesta Carta Maior: que só existem duas esquerdas na Europa, uma “oficial, institucional” e outra “radical”: o “sistema” e o “anti-sistema”.

    Se é verdade que tal fórmula pode ter eco e dar prestígio em setores radicalizados da academia e entre uma pequena-burguesia com dramas existenciais, em função das crises atuais, promove, como diz Marilena Chauí uma posição “ingênua, que “ninguém leva à sério” e levanta uma barreira à construção de uma nova hegemonia, promovida pelos distintos pensamentos de esquerda, que se expressam numa sociedade civil extremamente complexa, tanto pela via eleitoral, como pelos movimentos sociais mais diversos. Uma sociedade que não mais  se move exclusivamente a  partir dos conflitos entre capital e trabalho, e nem mesmo somente a partir dos choques entre “incluídos” e “excluídos”, mas que expõe suas contradições agudas também em questões relacionadas como a sustentabilidade, as novas relações de família, os novos “modos de vida”,  a diversidade sexual, a expulsão dos imigrantes, a pobreza endêmica nas grandes periferias.

    Penso que as esquerdas no país devem abordar programaticamente estas novas exigências para o futuro, já neste processo eleitoral. Não somente celebrando as conquistas que tivemos nestes doze anos, mas sobretudo redesenhando a utopia concreta, pois “o objetivo concretamente antecipado rege o caminho concreto” (Bloch). Isso significa apontar as reformas na política e na economia, necessárias não somente para acabar com a miséria absoluta, mas para antecipar um programa para atacar as brutais desigualdades de renda e de padrão de vida, anunciador de um socialismo democrático renovado.

    Por enquanto, a “utopia concreta está presa com âncoras pesadas no fundo real da sociedade capitalista” (Altvater). O “levantar âncoras” poderá ser uma nova Assembléia Nacional Constituinte”, no bojo de um amplo movimento político -por dentro e por fora do Parlamento- inspirado pelas jornadas de  junho: com partidos à frente  sem aceitar a manipulação dos cronistas do neoliberalismo, abrigados na grande mídia. Para estes, as organizações políticas são um  estorvo, pois os seus partidos são as suas empresas. Se não mexermos no futuro, daqui para diante, o passado vai recobrar seu peso. E voltaremos aqui no Brasil a uma sociedade inteiramente regulada pelo FMI e pelas agências risco, cuja novidade, provavelmente,  será o velho “choque de gestão”.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Uma-perspectiva-de-esquerda-para-o-Quinto-Lugar/4/29895

  5. Assis Ribeiro

    31 de dezembro de 2013 8:21 am

    ustiça francesa autoriza super imposto para milionários

    Conselho Constitucional da França, órgão da Justiça mais elevado no País, deu sinal verde neste domingo para que o presidente François Hollande prossiga com a implantação do projeto que prevê a cobrança de taxa de 50% sobre a parcela dos salários que ultrapassem € 1 milhão por ano em 2013 e 2014, o equivalente a US$ 1,38 milhão; incluindo as contribuições sociais, o imposto se aproxima dos 75%

    O Conselho Constitucional da França deu sinal verde neste domingo para que François Hollande prossiga com a implantação do imposto sobre milionários. O projeto prevê a cobrança de taxa de 50% sobre a parcela dos salários que ultrapassem € 1 milhão por ano em 2013 e 2014, o equivalente a US$ 1,38 milhão. Incluindo as contribuições sociais, o imposto se aproxima dos 75%, em linha com o desejo do governo, mas tem limite máximo de 5% do volume de negócios das empresas.

    Numa tentativa de tirar a economia do país da crise, Hollande propôs a cobrança de taxa de 75% sobre salários acima de € 1 milhão, mas o Conselho recusou o projeto, alegando que o teto para impostos para indivíduos não pode superar 66%. Com a negativa, sobrou ao governo a opção de taxar diretamente as empresas, mantendo os salários intactos.

    A medida foi duramente criticada pelo setor empresarial, sendo que os clubes de futebol ameaçaram iniciar uma greve caso a taxa fosse adotada. O Conselho Constitucional é um tribunal formado por juízes e ex-presidentes franceses, com poder de anular leis que violem a Constituição.

    http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/125375/Justi%C3%A7a-francesa-autoriza-super-imposto-para-milion%C3%A1rios.htm

  6. Antonio Carlos Silva - RJ

    31 de dezembro de 2013 9:48 am

    Carta de Ano Novo a três

    Carta de Ano Novo a três camaradas

    A José Dirceu, José Genoino e Delubio Soares

    Nasci em uma família na qual a palavra camarada sempre representou o valor supremo das relações humanas. Seu significado vai além de qualquer trato protocolar ou laço de sangue. Camarada é irmão de trincheira, parceiro de sonho, companheiro por quem se põe incondicionalmente a mão no fogo.

    Tenho orgulho, como milhares de outros brasileiros, em podê-los chamar de meus camaradas. Nestas últimas horas do ano que se encerra, apropriadas para se pensar nas batalhas travadas e nas que ainda virão, esse sentimento de fraternidade e solidariedade é uma resposta ao partido do ódio e da covardia.

    Vocês pagam o preço mais alto pela reação da oligarquia contra os que lutam pela emancipação de nosso povo. Derrotadas nas urnas desde a ascensão do presidente Lula, as forças conservadoras buscam incessantemente um atalho para deslegitimar a esquerda e recuperar o terreno perdido. Não é outra a razão de seu empenho para forjar a Ação Penal 470.

    A partir de erros reais cometidos pelo Partido dos Trabalhadores, originários de um sistema político-eleitoral financiado pelo capital privado, fabricou-se uma das maiores farsas jurídicas da história de nosso país. Os setores mais retrógados da velha mídia e da corte suprema, de forma arbitrária e contra provas, deram curso a um processo de exceção.

    Não há novidade neste estratagema. Da cabeça enferma do capitão integralista Olímpio Mourão Filho, depois general golpista em 1964, nasceu o Plano Cohen, nos idos de 1937, para justificar o Estado Novo e o banimento dos comunistas. O conservadorismo não esconde sua frustração pelo truque, dessa vez, não ter funcionado a contento. O chamado “mensalão”, afinal, não foi capaz de contaminar a vontade popular, apesar de ter golpeado duramente o PT.

    Não tenho dúvidas que, mais cedo ou mais tarde, esta farsa terá o mesmo destino que outras fantasias reacionárias do mesmo naipe, como o Caso Dreyfus ou o Incêndio do Reichstag. A verdade acabará por prevalecer, desde que se lute incessantemente por seu restabelecimento. Foi dessa maneira que o tenente Alfred Dreyfus terminou inocentado da acusação de ter traído seu país. Também foi o bom combate que desmanchou a mentira sobre o papel do líder comunista Georgi Dimitrov nas chamas que consumiram o parlamento alemão, durante os primórdios da ditadura nazista.

    O espírito de vingança e perseguição, que nutre o comportamento dos principais autores da AP 470, talvez seja um sinal que não está tão longe o dia no qual esta fraude estará definitivamente desmascarada. A raiva dos tiranetes, togados ou midiáticos, engravatados ou fardados, costuma ser a expressão reversa do medo de se verem nus, flagrados em suas manobras e intenções.

    Esta gente gostaria de tê-los dobrados e cabisbaixos, apequenados como quem aceita a culpa e renega a identidade. Os punhos erguidos diante da Polícia Federal foram o símbolo maior de que a estatura histórica e moral dos camaradas presos é infinitamente superior a de seus algozes.

    Aquela cena será a mais cálida lembrança do ano para inúmeros homens e mulheres que formam nas fileiras progressistas. O gesto de quem responde à dor e ao sacrifício com vontade inquebrável de resistir. De quem jamais se entrega.

    Vou ficando por aqui. A vocês três, um grande abraço. Com votos de um bom ano novo para todos nós, queridos camaradas, cheio de saúde e esperança.

    Breno Altman
    31 de dezembro de 2013

  7. Assis Ribeiro

    31 de dezembro de 2013 9:57 am

    Retrospectiva 2013. Uma homenagem a Gushiken

    Gushiken, a mídia e a justiça: uma parábola do país que temos
     

    O que os anos recentes de um dos grandes líderes sindicais das décadas de 1970 e 1980 contam sobre o Brasil de hoje.

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    Este texto foi escrito 4 dias antes da morte de Luiz Gushiken

    Montaigne escreveu que o tamanho do homem se mede na atitude diante da morte, e citava como exemplos Sócrates e Sêneca.

    Os dois morreram serenamente consolando os que os amavam. Sócrates foi obrigado a tomar cicuta por um tribunal de Atenas e Sêneca a cortar os pulsos por ordem de Nero.

    Meu pai jamais se queixou em sua agonia, e penso sempre em Montaigne quando me lembro de sua coragem diante da morte, confortando-nos a todos.

    Me veio isso ontem à mente ao ler no twitter a notícia de Luís Gushiken morrera aos 63 anos. Depois desmentiram, mas ficou claro que ele vive seus dias finais num quarto do Sírio Libanês, com um câncer inexpugnável.

    Soube que ele mesmo se ministra a morfina para enfrentar a dor nos momentos em que ela é insuportável, e para evitar assim a sedação.

    Li também que ele recebe, serenamente, amigos com os quais fala do passado e discute o presente.

    A força na doença demonstrada por Gushiken é a maior demonstração de grandeza moral segundo a lógica de Montaigne, que compartilho.

    Não o conheci pessoalmente, mas é um nome forte em minha memória jornalística. Nos anos 1980, bancário do Banespa, ele foi um dos sindicalistas que fizeram história no Brasil ao lado de personagens como Lula, no ABC.

    Eu trabalhava na Veja, então, e como jovem repórter acompanhei a luta épica dos trabalhadores para recuperar parte do muito que lhes havia sido subtraído na ditadura militar.

    Os militares haviam simplesmente proibido e reprimido brutalmente greves, a maior arma dos trabalhadores na defesa de seus salários e de sua dignidade. Dessa proibição resultou um Brasil abjetamente iníquo, o paraíso do 1%.

    Fui, da Veja, para o jornalismo de negócios, na Exame, e me afastei do mundo político em que habitava Gushiken.

    Ele acabaria fundando o PT, e teria papel proeminente no primeiro governo Lula, depois de coordenar sua campanha vitoriosa.

    Acabaria deixando o governo no fragor das denúncias do Mensalão. E é exatamente esta parte da vida de Gushiken que me parece particularmente instrutiva para entender o Brasil moderno.

    Gushiken foi arrolado entre os 40 incriminados do Mensalão. O número, sabe-se hoje, foi cuidadosamente montado para que se pudesse fazer alusões a Ali Babá e os 40 ladrões.

    Gushiken foi submetido a todas as acusações possíveis, e os que o conhecem dizem o quanto isso contribuiu para o câncer que o está matando.

    Mas logo se comprovou que não havia nada que pudesse comprometê-lo, por mais que desejassem. Ainda assim, Gushiken só foi declarado inocente formalmente pelo STF depois de muito tempo, bem mais que o justo e o necessário, segundo especialistas.

    Num site da comunidade japonesa, li um artigo de um jornalista que dizia, como um samurai, que Gushiken enfim tivera sua “dignidade devolvida”.

    Acho bonito, e isso evoca a alma japonesa e sua relação peculiar com a decência, mas discordo em que alguém possa roubar a dignidade de um homem digno com qualquer tipo de patifaria, como ocorreu. A indignidade estava em quem o acusou falsamente e em quem prolongou o sofrimento jurídico e pessoal de Gushiken.

    O episódio conta muito sobre a justiça brasileira, e sobre, especificamente, o processo do Mensalão. A história há de permitir um julgamento mais calmo, e tenho para mim que o papel do Supremo será visto como uma página de ignomínia.

    Gushiken não foi atropelado apenas pela justiça. Veio, com ela, a mídia e, com a mídia, o massacre que conhecemos.

    Um caso é exemplar.

    Uma nota da seção Radar, da Veja, acusou Gushiken de ter pagado com dinheiro público um jantar com um interlocutor que saiu por mais de 3 000 reais. A nota descia a detalhes nos vinhos e nos charutos “cubanos”.

    Gushiken processou a revista. Ele forneceu evidências – a começar pela nota e por testemunho de um garçom – de que a conta era na verdade um décimo da alegada, que o vinho fora levado de casa, e os charutos eram brasileiros.

    Mais uma vez, uma demora enorme na justiça, graças a chicanas jurídicas da Abril.

    Em junho passado, Gushiken enfim venceu a causa. A justiça condenou a Veja a pagar uma indenização de 20  mil reais.

    O tamanho miserável da indenização se vê pelo seguinte: é uma fração de uma página de publicidade da Veja. Multas dessa dimensão não coíbem, antes estimulam, leviandades de empresas jornalísticas que faturam na casa dos bilhões.

    Não vou entrar no mérito dos leitores enganados, que construíram um perfil imaginário de Gushiken com base em informações como aquela do Radar. Também eles deveriam ser indenizados, a rigor.

    Gushiken enfrentou, na vida, a ditadura, as lutas sindicais por seus pares modestos, a justiça e a mídia predadora.

    Combateu o bom combate.

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/gushiken-a-midia-e-a-justica-uma-parabola-do-pais-que-temos/

  8. alfeu

    31 de dezembro de 2013 2:28 pm

    O Fim do Tazio

    Blog do Flavio Gomes

     

    Tazio Nuvolari: o grande piloto dos anos 30 foi a inspiração para o nome do site que hoje encerra suas atividades

    Tazio Nuvolari: o grande piloto italiano dos anos 30 foi a inspiração para o nome do site criado pelo jornalista Fábio Seixas, que hoje encerra suas atividades

    SÃO PAULO (acaba logo, 2013) – Sete anos atrás, pouco mais, pouco menos, o amigo Fábio Seixas veio ao meu escritório, na Paulista, no maior formalismo do mundo. Só faltou colocar terno e gravata. Achei aquilo esquisito porque se tem uma coisa que eu e o Seixas nunca exercitamos foi qualquer traço de relação formal. Fala logo, meu filho, o que aconteceu? “Eu e o Odinei vamos montar um site”, ele disse.

    Foi, talvez, a única vez em que o Seixas se dirigiu a mim sem me chamar de “anão”, “seu bosta” ou “seu merda”. O Fábio se achou na obrigação de me comunicar que dali a alguns meses colocaria no ar o Tazio, em sociedade com o narrador da Rádio Bandeirantes, Odinei Edson. Por quatro anos, nas temporadas de 2002 a 2005, nós três formamos o time da emissora na cobertura e transmissão das corridas de F-1. O site seria um novo negócio dele, que passaria a ser meu concorrente. Daí ele ter se sentido obrigado a me dar alguma satisfação. Que me lembre, o único comentário que eu fiz, na hora, foi: que porra de nome é esse?

    Esse tipo de coisa é muito rara, dar satisfação, ser leal, honesto e transparente. E foram estas as características do Tazio e de todos que nele trabalharam nos anos seguintes, inclusive depois de ser vendido ao empresário Caio Maia: um site feito por gente leal, honesta e transparente.

    O Tazio sempre foi um rival de peso, entre outras coisas por estar hospedado no UOL, portal concorrente do iG e do MSN — no primeiro, onde o Grande Prêmio esteve de 2000 a março de 2012; no segundo, onde está desde então. Na estrada havia muito tempo (o site Warm Up estreou modestamente em 1996, quando a gente não sabia direito o que seria a internet, mas por via das dúvidas foi entrando), o Grande Prêmio não foi propriamente afetado pela chegada do Tazio. Nossa audiência sempre foi muito sólida, formada por leitores chatos e fiéis, nossa reputação, idem, e o modelo de negócios que adotamos desde o início não se alteraria em função de qualquer espécie de concorrência. Mas a gente se aprumou, claro.

    Melhoramos, passamos a observar atentamente o que “eles” faziam, criamos algumas coisas novas e fomos em frente. Dividimos audiência e notícias nesse tempo todo e os dois sites acabaram praticamente monopolizando a informação sobre esportes a motor na internet brasileira. Sem que um tirasse leitores do outro, diga-se. Público de automobilismo é sedento por informação boa, de qualidade. Quanto mais, melhor. Ambos, Tazio e Grande Prêmio, ofereciam isso.

    Pois o Tazio não vai oferecer mais. A empresa que assumiu o site alguns anos atrás decidiu concentrar suas atividades em outras áreas e nosso concorrente sairá do ar hoje, dia 31 de dezembro como informa a equipe do site neste link.

    Não cabe aqui discutir as razões dos novos donos. Cada um sabe o que faz com seus negócios. Mas cabe, sim, lamentar e refletir sobre o fim de uma página importante, conduzida desde o início por profissionais sérios, competentes e comprometidos com o bom jornalismo. Viabilizar qualquer projeto editorial na internet, hoje, é um exercício de criatividade e sacrifício. Sei bem do que estou falando. O mercado publicitário relutou durante muito tempo em entender o que significa a rede, ainda reluta, e as mudanças na própria são muito velozes e por vezes difíceis de acompanhar.

    Aos trancos e barrancos, o Grande Prêmio sobreviveu a um período muito difícil entre 2002 e 2005, mais ou menos. Só não fechou as portas por insistência deste que vos fala, pela competência e dedicação dos que aqui trabalharam e ainda trabalham e por uma crença cega no futuro da internet. Não erramos em insistir. Não há dúvidas de que é aqui que as pessoas passaram a se informar, embora a solidez financeira de negócios independentes seja semelhante à de uma gelatina Royal. No fim das contas, quem continua ganhando dinheiro e concentrando investimentos na internet são os grandes grupos de comunicação e tecnologia, com seus portais e aplicativos. Isso não mudou muito. E o crescimento arrasador de ferramentas como o Facebook e outras redes sociais achatou os valores da publicidade, fez com que gigantes como o Google atacassem esse mercado e passassem a concentrar verbas que foram matando páginas independentes e passaram a ameaçar até os grandes portais.

    É um mundo novo e incerto, que vai deixando mortos e feridos pelo caminho. Os jornais e revistas impressos que o digam. São abatidos como moscas, muito em função da enorme oferta gratuita de informação (nem sempre boa e confiável) na internet, muito em função do mau jornalismo que passaram a praticar quando tiveram de cortar custos para enfrentar a concorrência das novas mídias.

    A verdade é que ninguém sabe direito onde isso vai parar. Com a popularização dos smartphones e tablets, então, arrisco dizer que a imensa maioria dos consumidores de informação, hoje, não se importa muito com a origem dela. Batem o olho rapidamente em manchetes e se sentem informados, sem a menor profundidade. Todo mundo virou especialista em generalidades. E esses novos dispositivos, igualmente, concorrem com quem produz informação na medida em que oferecem muito mais entretenimento do que leitura — a saber, coisas como Instagram, Whatsapp, Snapchat, YouTube, Twitter, joguinhos e sei lá mais o quê. Que ninguém se iluda achando que as pessoas hoje leem tudo nos seus celulares, que passaram a ser todos eruditos bem informados e atualizados sobre as coisas do universo. Antes, esses pequenos brinquedinhos do capeta se tornaram centrais de entretenimento, mesmo. Quando se vê alguém com fones de ouvido mergulhado numa telinha de celular dentro de um ônibus ou metrô, num restaurante ou mesmo caminhando na calçada — e todo mundo fica assim o tempo todo —, pode ter certeza: não é Saramago que está chegando ao povo, nem a versão em português do “El País”, muito menos um concerto da Filarmônica de Berlim; é alguém que está vendo um vídeo idiota do Danilo Gentili, lendo notícias sobre o vestido da Claudia Leitte, se informando sobre o próximo Big Brother, ou escrevendo “adorooooo” para uma foto de joelhos bronzeados em Caraguatatuba.

    Assim, produzir conteúdo, conquistar leitores e fazer com que o mercado publicitário aposte em páginas que têm como função primordial informar não é fácil. Talvez por isso o Tazio esteja se despedindo hoje. Claro que é legislar em causa própria, mas me parece evidente que as empresas que poderiam e deveriam investir em sites de nicho, que têm milhares de leitores fiéis e exigentes, têm sido muito contemplativas diante desse cenário. As agências que cuidam das contas desses clientes preferem o mais fácil, que é torrar fortunas em comerciais na TV ou nas páginas de uma ou outra revista ou jornal, porque é igualmente mais fácil apresentar resultados genéricos. “Olha aqui, a ‘Veja’ tem um milhão de assinantes, então seu anúncio foi visto por um milhão de pessoas”, dizem. Ou: “O ‘Jornal Nacional’ teve 20 milhões de telespectadores, então seu anúncio foi visto por 20 milhões de pessoas”.

    Foi assim por um tempo, mas quem tem noção do que é retorno concreto e da eficácia de qualquer peça publicitária, ainda mais com os recursos que a internet oferece, sabe que não é dessa maneira que as coisas funcionam no mundo real. Primeiro, que os números muitas vezes são inflados ou, simplesmente, inventados. Depois, que nada garante que os 20 milhões de telespectadores estimados de determinado programa de TV tenham visto o comercial X. Ou que o milhão inteiro de leitores (se eles existirem, claro) da revista capenga tenha prestado atenção no anúncio Y. E desse milhão, quantos se interessam realmente por um pufe ou um sofá? Qual o resultado, enfim, além de poder mostrar o anúncio publicado ou gravado num clipping para o cliente?

    Na internet, os resultados são mais precisos. Ontem, por exemplo, mais de 300 mil pessoas acessaram o Grande Prêmio para ler notícias sobre Michael Schumacher. É mais do que a tiragem diária da “Folha”. “Ah, mas a ‘Folha’ tem 300 mil leitores diários e vocês só tiveram ontem’, dirá alguém. OK. Mas quantos desses 300 mil leem diariamente o que sobrou do caderno de Esportes? E desses, quantos leem notícias de F-1? Faz sentido alguém pagar caro por um espaço na página do jornal onde se encontra o noticiário de F-1 sem saber quantas pessoas vão, efetivamente, passar os olhos por ali?

    Nossa audiência de ontem não é um número estimado, é real. Foram 300 mil almas diferentes que procuraram o site atrás de algo muito específico, pessoas que têm igualmente interesses específicos, que formam uma massa de leitores verdadeira, e não chutada. Por valores muito menores do que os praticados na chamada grande mídia, anunciantes podem atingir públicos muito mais promissores. Todos, sem exceção, gostam de carros, de corridas, consomem produtos ligados ao esporte e ao automóvel, colocam gasolina e álcool no tanque, compram pneus, têm perfil muito claro no que diz respeito à faixa etária, renda, gostos, hábitos de consumo etc.

    Não é fácil, porém, romper práticas de décadas. Cedo ou tarde, no entanto, isso vai acontecer. Porque os anunciantes vão perceber que gastar uma fortuna numa página de uma revista que ninguém mais lê (porque é ruim e irrelevante, não porque é uma revista), ou num jornal que vai embrulhar peixe (não porque é jornal, mas porque é tão ruim que só serve para isso mesmo), é rasgar dinheiro. O público migrou para fontes mais confiáveis, ágeis e completas. Na internet tem muita porcaria, claro, mas tem muita coisa boa, também. É, hoje, a mídia mais importante para 88% dos consumidores de informação no Brasil, de acordo com o levantamento “Brasil Conectado – Hábitos de Consumo de Mídia” do IAB Brasil. 38% dos 2.075 entrevistados nesse estudo passam, pelo menos, duas horas por dia navegando na internet, sem contar o tempo gasto lendo e-mails ou trocando mensagens instantâneas; 27% deles gastam o mesmo tempo vendo TV e apenas 7% lendo revistas ou jornais.

    O problema é que nem todo mundo tem fôlego, teimosia e disposição, no caso dos sites jornalísticos, para esperar o momento em que esse jogo vai virar. O Tazio resistiu quanto pôde, e cumpriu sua missão com louvor. Nós, do Grande Prêmio, não temos nada a comemorar com a extinção de nosso maior concorrente. Não vamos herdar audiência, nem verbas publicitárias. Vamos, apenas, perder mais uma referência importante na prática do bom jornalismo. Os leitores, também.

    http://flaviogomes.warmup.com.br/

  9. Antonio Carlos Silva - RJ

    31 de dezembro de 2013 3:00 pm

    E o sanatório geral não acaba ….

    Um belíssimo samba de Chico Buarque : “..Palmas pra ala dos barões famintos . O Bloco dos Napoleões Retintos e os Pigmeus do Boulevar ..” .Mas… Vai Passar…” 

     

    Do Brasil247

    Sem tempo para Jefferson, Barbosa cai no sambaEdição/247 Fotos: André Mourão/Ag. ODia | Daniel Marrenco/Folhapress:

    Presidente do STF termina o ano sem prender o réu confesso Roberto Jefferson que administrou R$ 4 milhões do caixa dois do PTB; o motivo: “falta de tempo”; ontem, no entanto, ele encontrou tempo para cair no samba no Rio de Janeiro, onde agiu como candidato à presidência da República; na foto, ele aparece ao lado da atriz Taís Araújo, no Clube Renascença, no Andaraí; era um dos últimos dias úteis do ano para determinar a prisão de Jefferson, mas ele preferiu sambar e distribuir apertos de mão

    31 de Dezembro de 2013 às 10:49

     

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