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  1. Sérgio T.

    3 de janeiro de 2014 3:27 am

    No bolso dos pobres

    No bolso dos pobres

     

    Desde 2008, o custo da cesta básica sobe acima da inflação oficial

     

    por Luiz Antonio Cintra

    O planalto escolheu o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, para anunciar em cadeia nacional de rádio e tevê o fim da cobrança dos impostos federais nos produtos da cesta básica. Foram desonerados alimentos e bens de higiene pessoal, itens como arroz, feijão, leite, farinha de trigo, carne, banana, tomate, pão francês, pasta de dente e sabonete. A expectativa anunciada àquela altura por Dilma Rousseff era de que os preços caíssem entre 9% e 12,5%, na mesma proporção das alíquotas extintas. “Conto com os empresários para que isso signifique uma redução dos preços”, disse a presidenta.

    Oito meses depois, as estatísticas mais recentes demonstram que o Planalto fez a aposta errada. E que será preciso encontrar um plano B para reverter a tendência de alta dos produtos básicos, que após um alívio temporário, ligado principalmente às flutuações internacionais, voltaram ao movimento verificado desde o fim de 2007, subindo acima da média dos preços, captada pelo IPCA.

    Nos últimos 12 meses, segundo o Dieese, a alta acumulada da cesta básica é negativa em apenas duas capitais pesquisadas, Florianópolis e Goiânia, onde os preços caíram muito menos do que o esperado pelo governo, com recuos de 0,58% e 0,27%, respectivamente. Nas outras 16 cidades pesquisadas, o movimento foi de elevação, em alguns casos com aumentos no ano de dois dígitos. Em Salvador, a maior alta registrada, a cesta subiu 13%, segundo levantamento divulgado na quarta-feira 11, seguida por Rio de Janeiro (11,02%), Natal (10,95%) e Porto Alegre (10,36%). As menores variações positivas no período, segundo o Dieese, deram-se em Brasília e Fortaleza, ambas com variações de 2,96%.

    “O andamento dos preços da cesta básica indica que o efeito da desoneração foi nulo”, diz o economista Paulo Picchetti, pesquisador do Ibre-FGV. “Com as vendas crescendo em um ritmo mais lento e a alta do dólar, os varejistas, principalmente os supermercados, aproveitaram a desoneração para recompor as margens de lucro.” No caso dos alimentos, diz o especialista, consolidou-se uma mudança de preços relativos, na comparação com os produtos manufaturados, tendência que dificilmente será invertida a curto prazo.

    Segundo o especialista, o governo errou o alvo ao optar pelo corte dos impostos, que somou 5,3 bilhões de reais, entre janeiro e outubro, de um total de 62 bilhões de reais a menos em arrecadação, fruto dos alívios tributários concedidos a diversos setores com o objetivo de acelerar o crescimento econômico sem gerar mais inflação. Melhor seria, avalia Picchetti, ter atacado o lado da oferta, que não tem crescido no ritmo necessário para fazer frente à demanda aquecida. “As desonerações dão um alívio momentâneo, funcionam apenas pontualmente e por um determinado período. Mas não são capazes de mudar a tendência, inclusive porque a demanda tende a aumentar em um primeiro momento, o que volta a pressionar os preços.”

    Em uma perspectiva mais ampla, a comparação da evolução da cesta básica com a média dos preços, captada pelo IPCA, indica uma inflexão a partir do último trimestre de 2007 e início de 2008, portanto ainda antes do estouro da crise internacional após a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. “A opção do governo para sair da crise foi acelerar a geração de empregos e aumentar a oferta de crédito, por meio dos bancos públicos, o que resultou em um crescimento expressivo da demanda. Por isso essa inflação não deixa de ser positiva para o desenvolvimento”, diz Alberto Borges Matias, professor da FEA-USP de Ribeirão Preto.

    Assim como Picchetti, Matias considera que, para reverter essa tendência, não faz sentido a opção pela alta da Selic, atualmente em 10% ao ano, após seis altas consecutivas. “É muito mais relevante melhorar as condições para o financiamento agrícola, de modo a garantir a expansão da oferta”, diz Matias, exatamente o contrário do que o BC tem feito. Além disso, alguns itens enfrentam problemas específicos. Na cadeia produtiva do leite, houve, por exemplo, a quebra de várias cooperativas relevantes. A farinha de trigo sofre os reflexos das oscilações do dólar e do mercado internacional.

    Na pesquisa mais recente do Dieese, outro movimento dos preços chamou a atenção. Com a alta do custo da cesta básica, um trabalhador que ganha salário mínimo teria de trabalhar em novembro 93 horas e 17 minutos para adquirir o conjunto de produtos, uma hora além do necessário em outubro.

    http://www.cartacapital.com.br/revista/779/no-bolso-dos-pobres-9699.html

     

  2. Sérgio T.

    3 de janeiro de 2014 3:33 am

    NY vai cobrar o cafezinho sabotado em SP

    NY vai cobrar o cafezinho sabotado em SP

     

    Novo prefeito de NY, Bill Blasio, prometeu taxar os endinheirados à razão de um cafezinho com leite no Starbucks por dia (US$ 3) para melhorar a vida dos pobres

     

    por: Saul Leblon

    Arquivo

    Endinheirados nativos adoram elogiar os ares cosmopolitas de NY – embora  se sintam espiritualmente melhor em Miami.

    A mídia irradia preferências semelhantes.

    O democrata Bill de Blasio, recém empossado prefeito de NY, ganha espaços e confetes  por aqui  pela ecumênica trajetória pessoal.

    Blasio, um progressista à esquerda de Obama, e cuja eleição teve o apoio do Partido da Família Trabalhadora, que se autodefine como uma espécie de PT dos EUA, é casado com uma poetiza negra.

    Chirlane não escondeu na campanha a adesão ao lesbianismo nos anos 70.

    A cerimonia de casamento entre ela e Blasio foi oficiada por pastores gays.

    Filhos afrodescendentes, Dante e Chiara, fizeram do candidato, que apoiou a causa sandinista na juventude e escolheu a América Latina como objeto de estudo acadêmico,  um símbolo de afirmação dos valores multirraciais.

    A cabeleira black power exuberante de Dante tornou-se uma espécie de certificado de garantia dos compromissos progressistas do pai.

    O conjunto galvanizou a Nova Iorque.

    Formada por 26% de latinos e 25% de negros, a metrópole de 8,7 milhões de habitantes está cindida em duas cidades pela linha da desigualdade.

    Blasio prometeu acabar com o conto dickensiano de um povo repartido em dois pelo dinheiro e o urbanismo excludente.

    Artistas de seriados famosos trabalharam com afinco para arrastar votos de um pedaço da classe média branca e  dar a esse projeto  o apoio esmagador de 73% do eleitorado.

    Não é pouca coisa.

    Desde 1993  a população de NY não entregava a prefeitura a um democrata.

    Temas como o mergulho de Blasio no alcoolismo –após o suicídio do pai, ademais de vídeos da filha discutindo abertamente a questão das drogas, reforçaram o apelo contemporâneo da candidatura.

    Mas não só.

    Tido como bom administrador, seu antecessor, o bilionário Bloomberg, provou que é possível ser eficiente na gestão sem alterar o apartheid de uma metrópole.

    Há cinco anos ele se alarga em NY e em toda a sociedade norte-americana mergulhada na pior crise do capitalismo desde 1929.

    A relação da Forbes de 2013, que atualiza o ranking dos 400 norte-americanos mais ricos do país, ilustra a expansão do fosso.

    A riqueza total dos ‘400’ aumentou quase 20% sobre 2012.

    Passou de US$ 1,7 trilhão para US$ 2,02 trilhões de dólares em dezembro último.

    Equivale ao valor do  PIB da Rússia.

    Estamos falando de apenas  400 cidadãos e uma fortuna equiparável à oitava economia do globo, ou 15% do PIB dos EUA.

    Mas a coisa é pior que isso.

    Em 2012, pela primeira vez desde 1917, os 10% mais ricos passaram a abocanhar mais da metade de toda a renda norte-americana (50,4% , segundo pesquisa feita pela Universidade de Berkeley).

    Só há dois precedentes históricos no gênero: antes da Depressão de 1929; e antes da falência do Lehman Brothers, em 2007, gatilho da presente crise mundial.

    A política de injeção de liquidez de Obama –lapidada pelos interditos do Tea Party— paradoxalmente ajudou a consumar esse feito.

    A renda média nos EUA cresceu 6% no triênio finalizado em 2012.

    Dentro dessa média, os ganhos do 1% mais rico aumentaram mais de 31% no período (recuperando assim quase completamente as perdas decorrentes da crise, da ordem de 35%).

    Os demais 99% tiveram um ganho de apenas 0,4% em três anos. Estão hoje 12% abaixo da soleira em que se encontravam antes do colapso neoliberal.

    O Ocuppy Wall Street tinha razão.

    Não surpreende que muitos de seus integrantes tenham se engajado na vitória a Blasi, que emerge assim como uma segunda aposta, mais à esquerda, depois do fiasco de Obama.

    O cabelo black power de Dante deu confiabilidade a quem batia forte na tirania do 1% sobre os 99%.

    Mas Blasio não foi eleito apenas pela fiança familiar.

    Para investir em escolas e serviços destinados aos subúrbios –que empobreceram adicionalmente desde 2007, ele a prometeu elevar o imposto sobre os ricos que lucraram com a crise.

    Quem ganha entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão pagará um adicional em taxas municipais de US$ 973 por ano em sua gestão.

    Significa menos que US$ 3 por dia – ‘um cafezinho com leite no Starbucks’, alfinetou o novo prefeito.

    Não há como não enxergar nessa aritmética um espelho do que se passa na São Paulo dirigida pelo prefeito  Fernando Haddad.

    Financiar a tarifa congelada dos ônibus na capital, modernizar  o transporte coletivo com 150 kms de corredores exclusivos (as faixas já passam de 290 kms) e investir em educação e saúde exigiriam um aumento do IPTU com atualização de valores venais defasados pela supervalorizados nos últimos anos.

    Aqui como lá os ricos arcariam com a maior fatia do adicional arrecadado.

    1/3 dos moradores mais pobres  não pagariam nada, conforme a proposta original de Haddad.

    Os demais, em média, contribuiriam com  um adicional de R$ 15,00 ao mês.

    Cinquenta centavos ao dia.

    Para somar o preço de um café com leite no Starbuscks em São Paulo ( R$ 3,90 no Shopping Eldorado, na capital), seriam necessários quase o equivalente a  oito dias de  IPTU.

    O prefeito Haddad foi ao STF solicitar apoio a uma contribuição 12 vezes inferior a de NY, vetada aqui pelo matrimônio de interesses que uniu a  Fiesp, a mídia, endinheirados, senhorios e o PSDB.

    Ao contrário da cumplicidade selada entre afrodescedentes e Blasio, Haddad encontrou na Suprema Corte alguém que age e pensa aqui como aqueles que, em passado sombrio, destinaram a seus semelhantes a senzala e a chibata.

    E depois delas, as periferias  conflagradas das grandes metrópoles.

    Cerca de R$ 100 milhões arrecadados com o novo IPTU iriam financiar a construção de creches nos bairros mais pobres de SP, onde 150 mil crianças aguardam na fila.

    Continuarão a aguardar enquanto os endinheirados, seus ventríloquos e serviçais tomam seu cafezinho no Starbucks.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/NY-vai-cobrar-o-cafezinho-sabotado-em-SP/29921

  3. Assis Ribeiro

    3 de janeiro de 2014 8:26 am

    Da série: o Brasil que ia se acabar

    Duas matérias sobre os mesmos índices e o enviesamento.

    Inflação medida pelo IPC-S fecha o ano com alta de 5,63%

    Marli Moreira
    Repórter da Agência Brasil

    São Paulo – O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) fechou o ano de 2013 com alta de 5,63% o que indica ligeira redução no ritmo de aumento de preços em comparação a 2012 quando a taxa havia atingido 5,74%. O levantamento foi feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

    Os itens com elevação acima da média do IPC-S e que mais influenciaram a inflação no ano foram refeições em bares e restaurantes (alta de 9,41%), aluguel residencial (9,30%), plano e seguro de saúde (8,08%), gasolina (6,37%) e empregada doméstica mensalista (7,80%)

    Os dados indicam ainda que, considerando-se apenas a última apuração de 2013, os preços tiveram leve elevação, de 0,69% em média ante 0,66%.

    Três dos oito grupos pesquisados apresentaram acréscimos, com destaque para transportes, cuja taxa passou de 0,82% para 1,20% entre os dias 22 e 31 de dezembro. Nessa classe de despesa, houve influência, principalmente, da gasolina, com elevação de 3,93% ante 2,58%.

    Em alimentação, a taxa subiu de 0,90% para 0,93%, sob o efeito das carnes bovinas, cujos preços avançaram de 1,87% para 2,82%. No grupo saúde e cuidados pessoais, o índice atingiu 0,53% ante 0,5%, puxado pelos medicamentos, que registraram alta de 0,17% ante 0,03%.

    Em sentido contrário, foi constatada queda da taxa no grupo comunicação, de 0,09% para 0,07%. O que mais contribuiu foi o decréscimo na tarifa de telefone móvel (de 0,57% para 0,29%).

    Nos demais grupos, também houve redução do IPC-S: habitação (de 0,54% para 0,51%), vestuário (de 0,64% para 0,50%), educação, leitura e recreação (de 0,64% para 0,47%) e despesas diversas (de 0,61% para 0,38%).

    Os cinco itens que mais pressionaram a inflação no período foram: gasolina (de 2,58% para 3,93%); aluguel residencial (de 1,12% para 1,15%); tarifa de táxi (de 6,12% para 8,34%); etanol (de 3,09% para 4,12%) e refeições em bares e restaurantes (de 0,55% para 0,41%).

    Puxado por transportes, IPC-S sobe na última semana 

    Brasil Econômico

    Com este resultado, o indicador acumula alta de 5,63%, entre janeiro e dezembro de 2013.

    O índice de preços ao consumidor apresentou variação de 0,69% na última semana de dezembro, 0,03 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada na última divulgação, de acordo com a Fundação Getulio Vargas. Com este resultado, o indicador acumula alta de 5,63%, entre janeiro e dezembro de 2013.

    Nesta apuração, três das oito classes de despesa componentes do índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação. A maior contribuição partiu do grupo Transportes (0,82% para 1,20%). Nesta classe de despesa, vale destacar o comportamento do item gasolina, cuja taxa passou de 2,58% para 3,93%.

    Também registraram acréscimo em suas taxas de variação os grupos Alimentação (0,90% para 0,93%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,50% para 0,53%).

    Para cada uma destas classes de despesa, vale citar o comportamento dos itens: carnes bovinas (1,87% para 2,82%) e medicamentos em geral (0,03% para 0,17%), respectivamente.

    Em contrapartida apresentaram decréscimo em suas taxas de variação os grupos Habitação (0,54% para 0,51%); Comunicação (0,09% para -0,07%);  Vestuário (0,64% para 0,50%); Educação, Leitura e Recreação (0,64% para 0,47%) e Despesas Diversas (0,61% para 0,38%).

    Nestas classes de despesa, os destaques partiram dos itens: tarifa de eletricidade residencial (1,01% para 0,54%), tarifa de telefone móvel (0,57% para 0,29%), roupas (0,80% para 0,52%), passagem aérea (6,99% para -4,45%) e cigarros (0,99% para 0,55%), nesta ordem.

     

  4. Assis Ribeiro

    3 de janeiro de 2014 8:35 am

    Indústrias vão aquecer economia da Bahia em 2014

    Novas indústrias iniciam produção na Bahia

    Apesar dos gargalos, o setor industrial da Bahia  vai ganhar  fôlego novo em 2014. Pelo  menos 19 empreendimentos entrarão em operação este ano, dentre eles o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragojipe, o Parque Eólico Curva dos Ventos, em Igaporã e Caetité, e a fábrica do grupo O Boticário, em Camaçari.

    Também em 2014 serão concluídas as obras da montadora JAC Motors, o polo acrílico da Basf e a nova fábrica de motores da Ford.

    Os maiores impactos na economia só serão sentidos a partir de 2015, quando as produções da Basf e a JAC Motors começarem, mas os efeitos imediatos com os investimentos na indústria da construção, contratação e  treinamento de pessoal e montagens de equipamentos já começaram no ano passado  e continuam em 2014.

    Segundo o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Reinaldo Sampaio, a expectativa para 2014 é positiva.  “Estamos convencidos que o PIB do Estado continuará avançando além da média do crescimento brasileiro, especificamente o PIB industrial”, afirmou.

    A  fábrica do Grupo O Boticário  entra em operação em junho. A  capacidade de produção é de 30 milhões de itens de perfumaria e cuidados pessoais por ano. Ao todo, o grupo está investindo  R$ 535 milhões na Bahia –  R$ 380 milhões na fábrica e R$ 155 milhões em um  centro de distribuição em São Gonçalo dos Campos.  

    Megaprojeto

    Quem passou pela Via Parafuso em setembro passado e viu o transporte dos dois reatores de mais de 300 toneladas pôde ter uma ideia da dimensão do complexo acrílico da Basf, ainda em construção em Camaçari.

    Segundo o vice-presidente do Projeto Complexo Acrílico Basf, Willi Nass, atualmente a fábrica já emprega mais de 3 mil trabalhadores em sua construção. “Nós já estamos causando um impacto positivo na economia baiana. Estamos contratando empresas, principalmente de construção civil. Todas 100% baianas”, afirma Nass.

    Em 2014, a fábrica estará em fase de término das construções e início da montagem mecânica e elétrica.  Após a finalização, mais de 230 empregos diretos e 600 indiretos serão gerados. A produção comercial começa em 2015.

    Com investimento de R$ 1,2 bilhão  (R$ 300 milhões só em 2014), a Basf irá produzir 200 mil toneladas de ácido acrílico por ano. O  faturamento previsto é  de  US$ 300 milhões por ano.  “Vamos reduzir as importações que o Brasil faz hoje. Serão menos US$ 200 milhões de importação, que é muito importante na balança comercial”, afirma Nass.

    A influência na balança comercial se deve à fabricação de superabsorventes, atualmente importado pelas indústrias que utilizam o material para produzir itens como fraldas descartáveis. Além disso, espera-se um aumento de US$ 100 milhões no volume de exportações.

    Ainda para a instalação do polo acrílico, foi necessário  um investimento de R$ 50 milhões da Braskem, que vai fornecer  100 mil toneladas por ano  do propeno, fabricado pela empresa e utilizado como matéria-prima pela Basf.

    Automóveis

    Com investimento de R$ 1 bilhão,  a fábrica da JAC Motors começa a nascer também em 2014. Com a terraplanagem quase finalizada, a estimativa é que a fase de  construção civil se inicie, o que vai gerar mais empregos no setor.

    Com a planta em operação mais de  3,5 mil empregos diretos e 10 mil indiretos serão gerados. Apesar de só ser inaugurada completamente em 2015, o primeiro carro baiano será lançado em 2014. A produção pode chegar a 80 mil veículos de passeio e 15 mil caminhões.  

    Já em construção, a nova fábrica de motores da Ford demandou um investimento de R$ 400 milhões e tem previsão de ficar pronta em 2014. A capacidade de produção é de  210 mil motores por ano.

    Com os novos projetos, o desafio do Estado agora é melhorar e modernizar a infraestrutura, principalmente portos, rodovias e ferrovias, segundo os empresários.

    http://atarde.uol.com.br/economia/materias/1558936-novas-industrias-iniciam-producao-na-bahia

  5. Assis Ribeiro

    3 de janeiro de 2014 8:39 am

    Crítica ao nacional-Pessimismo

    Em seu pronunciamento de final de ano, a Presidenta Dilma destacou que o País tem que se libertar do “pessimismo de setores que espalham desconfiança injustificada e promovem uma guerra psicológica contra o País”.

    O pessimismo não é uma posição meramente conjuntural ou casual, ele é um discurso permanente a mais de um século, pelo menos, no imaginário brasileiro e com consequências graves e profundas na política, na economia e na própria estrutura social brasileira, pois tem a capacidade de ser reproduzido cotidianamente pelas pessoas sem que elas sequer percebam que estão reproduzindo um determinado “discurso político”.

    Embora não seja assumido publicamente por nenhuma corrente de pensamento ou grupo social, é um dos elementos discursivos mais poderosos da política brasileira, uma verdadeira ideologia que poderia ser chamada de nacional-pessimismo.

    Longe de ser uma característica recente, ele sempre foi terreno fértil por onde surgiram todos os movimentos autoritários da história do País. Desde a própria instauração da República, do Estado Novo ou o Golpe de 64, a descrença no País sempre foi a base para o surgimento dos césares brasileiros.

    O catastrofismo nacional está baseado numa crença implícita de que o povo brasileiro não tem qualidades próprias, de que são incapazes de fazer coisas certas, corrupto por natureza expressado na frase “jetinho brasileiro”, fazendo acreditar que o brasileiro jamais será capaz de alcançar o mesmo nível das grandes nações.

    Bajulador das virtudes de países mais desenvolvidos, nos torna copiadores de segunda categoria, sem vontade própria, sem a capacidade de criar ou inovar. Saudoso das férias além mar, não nos permite mobilizar esforços para encontrar soluções para nossos próprios problemas. E sempre ao falar deles, os entoa como um mantra, repetido mil vezes, a demonstrar nossa inata incompetência, ao invés de propor soluções objetivas.

    O nacional-pessimismo também se nutre do passado. Sendo o eco nostálgico das aristocracias, em relação a um pretenso passado grandioso, vê no presente apenas a recorrência de retrocessos. Entre os mais destacados elogios ao passado, está a famosa “perda de valores”, que enaltece aqueles tempos antigos de uma sociedade ordeira – incluindo aqui os tradicionais preconceitos de gênero, de etnia, de orientação sexual e religiosa, que sempre balizaram a sociedade brasileira – e governos virtuosos, típicos da propaganda dos regimes autoritários.

    Como muito bem explicou Bobbio em seus estudos sobre a origem do fascismo, a democracia, ao igualar pobres e ricos, brancos e negros, doutores e analfabetos, sempre foi vista como o regime a ser destruído por parte das elites conservadoras.

    Porém, como defender explicitamente uma ditadura já não é visto com bons olhos, a melhor forma é desconstruir os sujeitos do regime democrático: a classe política e, principalmente o conceito de Partidos Políticos.

    O nacional-pessimismo cria uma espécie de cordão sanitário em torno dos políticos (tornada classe no imaginário popular), afastando a massa da sociedade desse tipo de “comportamento”, retirando do “político” qualquer virtude e o tornando a causa de todos os males.

    Ao mesmo tempo que critica a falta de coragem para tomar decisões fortes por parte dos políticos, ataca qualquer tipo de proposta de reforma, taxando essas propostas como pretensas aspirações autoritárias dos governantes ou dos movimentos sociais. Assim, mantem ao mesmo tempo acesa as aspirações mudancistas do povo, enquanto deslegitima a capacidade da democracia em implementar as mudanças necessárias, reivindicando a necessidade de Regimes Fortes “sem políticos” para reformar o País.

    O nacional-pessimismo em nada se parece com movimentos críticos sobre a realidade brasileira. Ao invés de defender um programa político para o País, dentro do regime democrático, ele encobre o passado que defendeu e sempre oculta as propostas que efetivamente defende. Ao invés de organizar setores sociais para a discussão politizada sobre o futuro do País, ele estimula um individualismo pérfido, baseado na idéia de “se todos fazem, eu também vou fazer”.

    O respeito às armas sempre foi uma das características mais fortes do nacional-pessismo. Na incapacidade de verbalizar sua intolerância à democracia, colocam as forças armadas como tutores dos destinos do País, aqueles a quem recorrer para corrigir os rumos e varrer a corja, a única instituição confiável e não contaminada. Ao invés de destacar seus feitos na defesa da soberania, a mantém como ator político interno em estado de latência.

    O nacional-pessimismo tem tido a capacidade de se manter vivo e perene no imaginário popular ao longo das décadas. Estimulando a descrença em si próprio, ele se tornou um complexo e profundo alterego da nação, um eu incosciente que influencia o comportamento e a imagem de si próprio do povo brasileiro.

    A única forma de enfrentá-lo é enfrentar a tradicional máxima “fazer a revolução, antes que o povo a faça”, sempre fortalecendo a democracia e o otimismo do povo em construir uma sociedade mais justa.

    http://www.sul21.com.br/jornal/critica-ao-nacional-pessimismo-por-alberto-kopittke/

  6. Assis Ribeiro

    3 de janeiro de 2014 8:43 am

    A desigualdade nos EUA

     Aumento da disparidade de renda fez mais que a recessão para deprimir os ganhos da classe média

    por Paul Krugman, do The New York Times
     

    Demorou um tempo incrivelmente longo, mas a desigualdade finalmente está surgindo como uma questão unificadora significativa para os progressistas nos Estados Unidos – incluindo o presidente. E também há, inevitavelmente, uma reação, ou na verdade algumas reações.

    Uma delas vem de grupos como a organização Terceira Via. Josh Marshall, editor de Talking Points Memo, caracterizou essa posição em um artigo recente: “Ela capta muito do que se trata a ‘Terceira Via’: uma espécie de retrocesso fossilizado a um período do fim do século XX em que havia um mercado para grupos que tentavam puxar os democratas ‘de volta para o centro e para longe do extremismo ideológico’, em uma era em que os democratas são o partido, razoavelmente, não ideológico e têm um histórico bastante decente de ganhar eleições nas quais a maioria das pessoas vota”.

    Mas também há uma reação intelectual, com pessoas como o colunista Ezra Klein do Washington Post afirmando que a desigualdade, embora seja uma questão importante, não pode ser descrita como “o desafio definidor de nosso tempo”. Isso, por sua vez, enfurece outros comentaristas.

    Bem, eu não estou furioso, mas argumentaria que Klein entendeu errado.

    A tese de que a desigualdade é um desafio importante e realmente definidor – e algo que deveria estar no centro das preo-
    cupações progressistas – repousa em diversos pilares. Vistas juntas, as razões para se concentrar na desigualdade são extremamente convincentes, mesmo que você seja cético sobre determinados argumentos.

    Deixe-me defender quatro pontos.

    Primeiro, em puros termos quantitativos, o aumento da desigualdade é o que o vice-presidente Joe Biden chamaria de Grande Alguma Coisa. Os dados referentes à distribuição de renda mostram que a parcela dos 90% na camada inferior de renda, excluindo ganhos de capital, caiu de 54,7%, em 2000, para 50,4%, em 2012. Isso significa que a renda dos 90% na camada inferior é cerca de 8% menor do que teria sido se a desigualdade tivesse se mantido estável. Enquanto isso, as estimativas da lacuna
    de produção – à medida que nossa economia está operando abaixo da capacidade – geralmente são inferiores a 6%. Assim, em puros termos numéricos, o aumento da desigualdade fez mais que a recessão para deprimir as rendas da classe média.

    Alguém poderia argumentar que os danos causados pelo desemprego são maiores que a simples perda de renda, e eu concordaria. Mas é difícil olhar para esse tipo de cálculo e relegar a desigualdade a uma questão secundária.

    Em segundo lugar, existe uma tese razoável para se atribuir pelo menos parcialmente a culpa pela crise econômica ao aumento da desigualdade. A melhor história envolve algo como isso: havia uma poupança elevada do 1% da população, com a demanda sustentada apenas pelo rápido aumento da dívida mais abaixo na escala – e, como esse empréstimo era conduzido parcialmente pela desigualdade, levou a uma cascata de gastos e assim por diante. É um caso dramático? Não – mas é sério, e reforça o resto do argumento.

    Em terceiro, existe o aspecto da economia política, em que se pode argumentar que os fracassos políticos, tanto antes como, talvez de modo ainda mais crucial, depois da crise, foram distorcidos pelo aumento da desigualdade e o correspondente aumento do poder político do 1%. Antes da crise, havia um consenso da elite a favor da desregulamentação e da financialização que nunca foi justificado por evidências, mas se alinhava estreitamente aos interesses de uma pequena e muito rica minoria. Depois da crise, houve o súbito afastamento da geração de empregos para a obsessão pelo déficit; pesquisas sugerem que isso não era absolutamente o que o eleitor médio queria, mas que refletia as prioridades dos ricos. E a insistência na importância de cortar benefícios é avassaladoramente uma coisa do 1%.

    Finalmente, e muito ligada a isso, está a questão do que os grupos de pensadores progressistas deveriam pesquisar. Klein sugeriu recentemente que “como combater o desemprego” deveria ser um tópico mais central que “como reduzir a desigualdade”. Mas há aquela coisa: sabemos como combater o desemprego – não perfeitamente, mas a boa e velha macroeconomia básica funcionou muito bem desde 2008. Não há mistério na economia de nossa lenta recuperação – é isso que o acontece quando endurecemos a política fiscal, apesar da desalavancagem privada, e a política monetária é restrita pelo limite inferior a zero. A questão é por que nosso sistema político ignorou tudo o que a macroeconomia aprendeu, e a resposta para essa pergunta, como já sugeri, tem muito a ver com a desigualdade.

    http://www.cartacapital.com.br/revista/780/a-desigualdade-nos-eua-1482.html

     

  7. Assis Ribeiro

    3 de janeiro de 2014 8:44 am

    O que ficou das massivas mobilizações de rua de 2013?

    A formação de multidões em várias cidades do país, articuladas em larga medidas pelas redes sociais na internet, sem lideranças ou organizações definidas, com uma agenda de reivindicações que iniciou com o preço do transporte coletivo para se estender a praticamente todos os problemas nacionais e até, de modo mais geral, a “tudo que está aí” compõem um desafio para entender o que ocorreu em 2013 e seus possíveis desdobramentos em 2014.

    Como se sabe, os manifestantes falaram de muitas coisas ao mesmo tempo. Começou pelo transporte coletivo e logo se estendeu para a saúde, educação, segurança, corrupção, PEC 37, cura gay, Copa do Mundo e por aí vai. O que ficou de todo esse processo, afinal?

    Os protestos de rua que eclodindo pelo país em junho representam, talvez, o maior desafio político que a experiência de governos do PT e seus aliados, iniciada com Lula em 2003, já enfrentou. Um turbilhão de sentimentos e opiniões – em muitos casos, contraditórias – cruzaram (e ainda cruzam) as ruas e as redes sociais. Proliferam teses, hipóteses e diagnósticos sobre as causas e a natureza do que aconteceu. O Brasil, cabe lembrar, incluiu numa velocidade sem precedentes no Ocidente o equivalente populacional a “uma França”, no mercado de trabalho, na vida economicamente ativa e na sociedade. Isso tem muitos custos, além da gigantesca virtude que é melhorar a vida de milhões de pessoas.

    O risco de retrocesso e a oportunidade de avanço

    Neste contexto, os movimentos que saíram às ruas em diversas cidades do país trouxeram consigo um risco e uma oportunidade. Tanto o risco quanto a oportunidade dependem de escolhas (ou omissões) políticas. O risco: embarcar numa aventura política, desprovida de perspectiva histórica, que acabe lançando pela janela o bebê com a água do banho. A oportunidade: abrir debates e enfrentar problemas em temas como transporte público, violência policial, qualidade da saúde, meio ambiente, oferta de educação, cultura, lazer, comunicação. Em resumo, vivemos em 2013 o risco do retrocesso e a oportunidade do avanço.

    O que começou como uma grande mobilização social contra o aumento das passagens de ônibus e em defesa de um transporte público de qualidade descambou em alguns momentos para um movimento com características preocupantes:  uma massa disforme na rua, “contra tudo o que está aí”, sem representantes, sem direção, em confronto permanente com a polícia, infiltrada por grupos interessados em promover quebradeiras, saques, ataques a prédios públicos e privados, ataques contra sedes de partidos políticos e a militantes de partidos, sindicatos e outros movimentos sociais.

    Uma democracia, como se sabe, significa, entre outras coisas, existência de partidos, de representantes eleitos pelo voto popular, do debate político como espaço de articulação e mediação das demandas da sociedade, do direito de livre expressão, de livre manifestação, de ir e vir. Na noite do dia 20 de junho, por exemplo, esses traços constitutivos da democracia foram ameaçados e atacados, de diversas formas, em várias cidades do país. Houve violência policial? Houve. Esse é um problema histórico do Brasil que ainda está longe de ser resolvido e que, em larga medida, decorre de contas não ajustadas e varridas para debaixo do tapete no período de transição da ditadura para a democracia. Mas aconteceram muitas outras coisas, como ataques e expulsão de militantes de esquerda das manifestações, ataques a sedes de partidos políticos, a instituições públicas.

    Os dirigentes dos partidos, dos governos e dos meios de comunicação têm uma grande dose de responsabilidade pelo que aconteceu, sem dúvida. Há aí dois fenômenos que se retroalimentaram: o rebaixamento da política à esfera do pragmatismo mais rasteiro e a criminalização midiática da política que coloca tudo e todos no mesmo saco, ocultando da população benefícios diários que são resultados de políticas públicas de qualidade que ajudam a vida das pessoas. Há uma grande dose de responsabilidade a ser compartilhada por todos esses agentes. Em um momento grave e difícil da história do país, o Congresso Nacional permaneceu em silêncio. Foi sintomático não ter ocorrido a nenhum dos nossos representantes eleitos pelo voto convocar uma sessão extraordinária ou algo do tipo para conversar sobre o que estava acontecendo.

    O movimento de Dilma e a reação do Congresso

    No dia 25 de junho, o Congresso Nacional finalmente interrompeu o seu silêncio em meio à onda de protestos. Até então, nem mesmo quando esteve cercado por milhares de manifestantes, ouviu-se a voz institucional do parlamento sobre o que estava acontecendo no país, com exceção de manifestações isoladas de parlamentares aqui e ali. Enquanto instituição e um dos poderes constitutivos da República, o Congresso não achou necessário fazer sessões extraordinárias, abrir um espaço de diálogo com os manifestantes ou tomar alguma outra iniciativa tentando colaborar para a superação da crise. O gigante só parece ter acordado quando a presidenta da República, Dilma Rousseff, brandiu as palavras que assustam muitos parlamentares: Reforma Política. Pior ainda, acompanhada de palavras mais atemorizadoras ainda: plebiscito, Constituinte Exclusiva. Como num passe de mágica, quem estava mudo começou a falar aos borbotões, dentro e fora do Congresso, diga-se, aliás.

    No dia seguinte ao anúncio feita pela presidência, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, classificou de “inconstitucional” a proposta de realizar um plebiscito para a criação de uma constituinte encarregada de fazer a Reforma Política. Para Ayres Britto, o Congresso tem os meios necessários para fazer essa reforma. Se tem os meios, parece não ter a disposição nem a vontade para votar um tema que se arrasta há anos por gabinetes, comissões e o plenário da Casa. O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), foi outro a se manifestar contra um plebiscito para discutir uma reforma política. Para ele, o PMDB deveria defender uma Constituinte não só para a reforma política, mas também para a reforma tributária. O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), também considerou a proposta de Dilma inconstitucional. O senador tucano Álvaro Dias (PR), por sua vez, criticou a ideia do plebiscito. “Convocar um plebiscito para saber se a população deseja a reforma política? Isso está nas ruas patenteado com muita clareza”, afirmou. Está nas ruas, mas parece que ainda não de modo suficiente para convencer o parlamento a votar o tema.

    O fato é que, de Sul a Norte do país, parlamentares começaram a falar sobre o assunto. Foram obrigados a isso, na verdade, após o anúncio feito pela presidenta Dilma Rousseff da proposta do plebiscito para a Reforma Política. Com esse gesto, o governo conseguiu, ao menos por alguns dias, sair das cordas, onde havia sido atirado pelas manifestações de rua, sendo alvo de pesada artilharia nas ruas e nas redes sociais. O movimento de Dilma abriu um novo cenário que puxou para o centro da conjuntura o Legislativo, o Judiciário (até então basicamente espectadores do conflito) e a sociedade como um todo. Foi um movimento político ousado que colocou o governo numa contraofensiva, que logo começou a sofrer pesada resistência no Congresso e fora dele.

    Estava claro, então, que o ponto central do movimento do governo federal para tentar superar a crise atual não era de natureza jurídica, mas sim política. A ousadia da proposta era diretamente proporcional à dimensão e à gravidade do que estava acontecendo nas ruas do país. Um dos raciocínios colocados neste processo é simples: se o Congresso Nacional não conseguiu/quis até hoje aprovar a Reforma Política e tampouco se manifestou diante dos protestos das últimas semanas, como acreditar que ele aprovará mudanças que incidirão sobre os atuais parlamentares e seus mandatos?

    Alguns dias antes do anúncio de Dilma, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, defendeu a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva para a votação da Reforma Política, abrindo a possibilidade inclusive de candidaturas sem partido. Tarso também criticou a morosidade do Congresso Nacional em meio à crise. Cerca de 24 horas depois,  a presidenta da República obrigou o Congresso a romper seu silêncio diante dos graves acontecimentos que ocorrem no país. E trouxe o Parlamento para o centro da disputa política que se trava no país. Com isso reestabeleceu-se uma dinâmica de disputa parlamentar que havia sumido de cenário político. A oposição, de modo geral, se posicionou contra a criação de uma Constituinte para a Reforma Política, garantindo que o Congresso tem todas as condições de aprovar essa pauta.

    A Reforma Política, mais uma vez, esvaziada

    Assim como ocorre com a Reforma Tributária, praticamente todos os parlamentares brasileiros são, em tese, favoráveis à Reforma Política. Nunca a morosidade no tratamento desses temas foi questionada tão fortemente quanto agora. O governo viu na agenda da Reforma Política uma possibilidade e uma oportunidade de retomar a ofensiva política no país, propondo a concretização de mudanças que se arrastam há décadas nos corredores do poder. E o poder político no país nunca foi tão confrontado nas ruas como este ano. A oposição, por sua vez, que viu nos protestos de rua, uma oportunidade de ouro para interromper o ciclo de governos iniciado com Lula está diante de uma encruzilhada: se ela se posiciona contra propostas como a de um plebiscito para viabilizar uma ampla e profunda Reforma Política qual será a alternativa que apresentará à multidão que está nas ruas “contra tudo o que está aí”?

    O eterno impasse no Congresso em torno dessa proposta deixa muito pouca margem para otimismo sobre as chances de uma Reforma Política que promova, de fato, mudanças significativas no atual modelo político-eleitoral do país. E, apesar do barulho das ruas em 2013, essa situação pode ficar ainda pior, com a eleição de um Parlamento ainda mais conservador que o atual em 2014. O resumo é o seguinte: com o atual sistema política e partidário, o Congresso tende a ficar ainda mais conservador. Os dados a seguir, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), definem assim o atual perfil do Parlamento brasileiro: 273 parlamentares (246 deputados e 27 senadores) eleitos em 2010 são empresários, donos ou sócios de algum estabelecimento comercial, industrial, de prestação de serviços ou mesmo proprietários de fazenda ou indústria agropecuária. A chamada bancada empresarial passou de 219, na eleição de 2006, para 273 integrantes em 2010.

    Já do lado da representação dos trabalhadores, na atual legislatura foram eleitos 72 parlamentares, sendo 64 deputados e oito senadores. Na legislatura anterior, eram 61 deputados e senadores, número inferior ao de 2002, quando 74 congressistas vinculados a sindicatos foram eleitos. Por outro lado, em 2010, a bancada ruralista cresceu de 120 para 160 parlamentares (142 deputados e 18 senadores). E a bancada evangélica dobrou de tamanho entre 2006, quando elegeu 36 congressistas, e 2010, quando foi para 73 (três senadores e 70 deputados). Esse é o quadro atual que, a se manter o atual cenário para as eleições de 2014, pode fazer a balança pender ainda mais para o campo conservador.

    Assim como ocorre com a Reforma Tributária, praticamente todos os parlamentares brasileiros são, em tese, favoráveis à Reforma Política. Nunca a morosidade no tratamento desses temas foi questionada tão fortemente quanto este ano. Mas não adiantou. A impressão que dá é que o sentimento dominante entre os parlamentares é: passado o “susto das ruas”, baixada a poeira, tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes e a prioridade é saber como aproveitar as mobilizações de rua para tirar algum proveito nas eleições de 2014.

    As chances da proposta de criação de uma câmara constituinte exclusiva para fazer uma Reforma Política ficam cada vez menores neste cenário, mas, ao mesmo tempo, esse mesmo cenário reforça a importância da ideia. Como esperar mudanças profundas de um Congresso cuja resposta, após tudo o que está acontecendo nas ruas do país, é aprovar a criação de mais um grupo de trabalho para discutir um tema que vem sendo discutido há décadas? Para piorar um pouco mais o quadro, a proposta da Constituinte, que deveria estar no centro da agenda política, apareceu muito fracamente reivindicada nas manifestações de rua. No atual andar da carruagem, o saldo político de 2013 pode ser o reforço do campo conservador no Congresso Nacional em 2014.

    Está cada vez mais claro que setores da oposição apostam numa retomada das manifestações de rua em 2014, em especial durante o período da Copa do Mundo, como possibilidade de derrotar Dilma nas urnas. Assim como, no final de 2012, ninguém previu o que aconteceria meses mais tarde no país, neste final de ano é impossível antecipar uma repetição dos acontecimentos de junho. O que é possível constatar é que toda a energia social mobilizada nas ruas este ano foi incapaz de produzir uma reforma do sistema político brasileiro. Não se trata, exatamente, de uma boa notícia.

    http://www.sul21.com.br/jornal/o-que-ficou-das-massivas-mobilizacoes-de-rua-de-2013/

  8. emerson57

    3 de janeiro de 2014 3:00 pm

    plano condor hodierno

    http://burgos4patas.blogspot.com.br/2013/12/servicos-secretos-dos-eua-trabalham.html

  9. Caio Hostilio

    3 de janeiro de 2014 9:31 pm

    O cotidiano na vida dos seres humanos!!!

    O cotidiano na vida dos seres humanos!!!

    Publicado em janeiro 3, 2014 por Caio Hostilio

    20090821135055676 (1)Existem aqueles que duvidam que os transtornos que perseguem e castigam os seres humanos da atualidade – tais como: corrupção, nepotismo, hipocrisia e, principalmente, o jogo pelo poder -, são desde que essa espécie surgiu na terra…

    É certo afirmar que as relações entre o homens/sociedade se deram desde os primeiros seres humanos a habitar nesse planeta, cujo objetivo sempre visou o poder, o monopólio, seja ele econômico, militar ou qualquer outro.

    Atualmente se reclama a justiça tanto diante do descumprimento da lei quanto diante das desigualdades sociais. O que mudou? Os seres humanos amadureceram? Não!!! As lutas continuam sendo as mesmas…

    Os seres humanos desejam a justiça… Seria a justiça uma legalidade com acesso a todos igualitariamente? Quanto será que a justiça se realizará do lado da igualdade presente nas relações sem distinção de cor, raça, religião e poder econômico? Como querer uma sociedade igualitária?

    Admiro aqueles que lutam pela necessidade dos desvalidos, apesar das dificuldades que lhe são impostas, haja vista que é preciso fazer valer os direitos diante do caos que assistimos…

    É… Mas desde que os seres humanos passaram a habitar a terra sempre, os desvalidos tiveram como parceiro os obstáculos, que emplacaram as leis injustas. Essas injustiças podem ser modificadas? Nunca aconteceu!!!

    É nesse cotidiano que vivemos e devemos continuar a viver!!!

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