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  1. Roberto São Paulo-SP 2014

    4 de janeiro de 2014 3:05 am

    A conta Petróleo e a Balança Comercial
    —-A redução de exportações de petróleo e derivados em 2013  foi de 28,4% e as importações aumentaram 16,3%, em relação a 2012. Assim, o déficit na conta petróleo passou de US$ 5 bilhões para US$ 20 bilhões. “Temos investimentos crescentes em novas plataformas de petróleo e a expectativa para os próximos anos é de que tenhamos maior produção e exportação de petróleo e derivados. Além de uma menor importação deste produto, revertendo o déficit”, disse o secretário.—


    Exportações brasileiras em 2013 têm terceiro melhor resultado da história
    02/01/2014-Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
    De janeiro a dezembro de 2013, as exportações brasileiras chegaram a US$ 242,2 bilhões, o que representa o terceiro melhor resultado da série histórica da balança comercial brasileira, inferior apenas ao que foi registrado em 2012  (US$ 242,6 bilhões) e 2011 (US$ 256 bilhões). Os embarques brasileiros ao exterior no ano passado praticamente repetiram o resultado alcançado em 2012, com redução de 1%. A diferença corresponde a US$ 399 milhões. Menos do que é registrado, em média, em um dia útil de vendas a outros países.

    As importações anuais chegaram a US$ 239,6 bilhões, o maior volume já registrado, com crescimento de 6,5% em relação a 2012.  Com esses resultados, o saldo comercial foi de US$ 2,5 bilhões e a corrente de comércio, soma de importações e exportações, atingiu US$ 481,8 bilhões, com crescimento de 2,6% em relação a 2012 (US$ 465,8 bilhões). É o segundo maior valor já registrado, atrás apenas do recorde de 2011(US$ 482,3 bilhões).

    Em entrevista coletiva para comentar os dados, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Daniel Godinho, explicou que o resultado da balança comercial em 2013 foi influenciado pelas exportações e importações de petróleo e derivados – a chamada conta petróleo.
    “Este é um saldo comercial esperado. Nos últimos meses, sabíamos que teríamos um pequeno superávit comercial que se concretiza com este resultado. Tivemos um ano  bastante difícil em função da conta petróleo, da baixa demanda externa e da queda de alguns preços. Por isso, mais uma vez, afirmo que o saldo comercial é conjuntural, e que tem todos os elementos para se recuperar nos próximos anos”, disse Godinho.

    A redução de exportações de petróleo e derivados em 2013  foi de 28,4% e as importações aumentaram 16,3%, em relação a 2012. Assim, o déficit na conta petróleo passou de US$ 5 bilhões para US$ 20 bilhões. “Temos investimentos crescentes em novas plataformas de petróleo e a expectativa para os próximos anos é de que tenhamos maior produção e exportação de petróleo e derivados. Além de uma menor importação deste produto, revertendo o déficit”, disse o secretário.

    Conforme Godinho, a menor produção de petróleo e derivados neste ano é resultado basicamente da parada para manutenção programada tanto de plataformas e de refinarias. “São paradas planejadas, mas que impactaram o resultado final de 2013. A menor produção também se deveu a uma queda natural de produção de poços antigos, que serão substituídos por novos. De um lado, temos a realidade da menor produção e, de outro, o consumo mais elevado de petróleo e derivados, por vários fatores”, detalhou.

    O secretário também chamou a atenção para o crescimento de 1,8 % nas exportações de manufaturados em 2013, com destaque para o crescimento nas vendas de automóveis (+47,2%). Outros produtos que tiveram crescimento de vendas em relação ao ano anterior foram soja  em grão (+ 30,7%), obras de mármore e granito (+25,4), minério de cobre (+20,9%), couro (+20%), carne bovina (+19,2%), milho (+17%) e celulose (+10%).  Outro dado positivo é o primeiro aumento, desde 2007, no número de empresas exportadoras, que passou de 18.630 para 18.810.

    No geral, houve aumento da quantidade exportada em 2,8%, resultado superior à previsão do Fundo Monetário Internacional  (FMI)  de acréscimo de 2,7% às exportações mundiais em 2013. Já os preços dos produtos que o Brasil vende para outros países caíram, em média, 2,9%.

    Em relação aos mercados de destino das exportações brasileiras, Godinho destacou o crescimento de 10,8% nas vendas para a China, que chegaram a US$ 46 bilhões, um recorde no comércio bilateral. O maior valor registrado até então era US$ 44,3 bilhões, em 2011. Também mereceram destaque na apresentação do secretário de Comércio Exterior os  crescimentos dos embarques brasileiros para Argentina (+8,1%), Coreia do Sul (+4%), Hong Kong (+ 35%), Países Baixos (+14%), Angola (+10%), e México (+5%).

    Entre as importações, foram destaque as compras de bens de capital, que aumentaram 5,4% no acumulado do ano, em relação a 2012, o que, segundo o secretário, aponta para uma forte retomada de investimentos produtivos no país.

    O secretário também explicou como funcionam as exportações das plataformas de petróleo (nota abaixo). Em 2013, o Brasil exportou 7 plataformas para exploração de petróleo e gás, no valor de US$ 7,7 bilhões. São operações que foram divulgadas pelo MDIC nas entrevistas coletivas realizadas uma vez por mês para comentar os dados da balança comercial. “Não podemos dar  tratamento diferente para uma operação que, para todos os efeitos fiscais e contábeis, é uma exportação. Esta venda é registrada na balança comercial e existe o aluguel desta plataforma, da pessoa jurídica estrangeira para as empresas produtoras no Brasil. Se, de um lado, a venda é contabilizada na balança comercial, de outro lado, o contrato de leasing [aluguel] é contabilizado na balança de serviços com sinal negativo. Tem-se claramente a contabilidade em crédito e débito”, sublinhou.

    O secretário reforçou a importância da recuperação do setor naval, que produz as plataformas. “Quem produz são os estaleiros nacionais e não as empresas petrolíferas. A produção se dá pelo ressurgimento de uma indústria naval no país que emprega aproximadamente 80 mil pessoas. As exportações de plataformas de petróleo são amparadas pelo regime Repetro, criado na década de 90 com objetivo de atrair investimentos ao setor. Tivemos sucesso nessa política”, lembrou Godinho.

    Ao encerrar a análise dos dados de 2013, o secretário falou da influência do contexto internacional nos resultados da balança comercial brasileira e mostrou as expectativas de crescimento do Fundo Monetário Internacional (FMI) que foram revistas várias vezes, para menos, durante o ano. A previsão geral de  crescimento do comércio mundial em volume teve redução de 4,5% para 2,7%.  “Este comportamento de expectativa sendo revista ocorre em relação a todos os países. Mostro isso para dizer a vocês que 2013 foi um ano difícil. Na zona do euro, por exemplo, no início do ano operava-se com a expectativa de um leve crescimento, mas, no final, nós temos o registro de uma queda de 0,6%. Nos mercados emergentes, também houve piora sensível de praticamente um ponto percentual, como no caso da China”.

    Ao falar sobre o cenário de 2014 o secretário destacou o aumento da safra brasileira de grãos e da produção de petróleo. “Não posso precisar com qual velocidade este movimento se dará, mas trabalhamos com a expectativa de redução no déficit da conta petróleo. Há também a expectativa de aumento de 4,8% na safra de grãos puxada pela soja. E, por fim, uma expectativa de câmbio mais favorável para as exportações brasileiras”. Segundo o secretário, a partir deste cenário, a Secex espera para 2014 que as vendas externas brasileiras permaneçam no patamar elevado registrado nos últimos três  anos.
    Acesse os dados da balança comercial brasileira

    Veja a apresentação feita durante a entrevista coletiva

    Leia nota sobre exportações de plataformas de petróleo

    url:

    http://www.desenvolvimento.gov.br//sitio/interna/index.php?area=5

     

  2. Gunter Zibell - SP

    4 de janeiro de 2014 3:24 am

    Marina veta apoio do PSB a Alckmin em SP

    http://oglobo.globo.com/pais/marina-veta-apoio-do-psb-alckmin-em-sp-concorda-em-ser-lancada-logo-vice-na-chapa-de-campos-11203979

    Marina veta apoio do PSB a Alckmin em SP e concorda em ser lançada logo a vice na chapa de Campos

    Ex-senadora acerta que sua candidatura a vice será lançada ainda neste mês ou no máximo até meados de fevereiro 
Marina Silva e Eduardo Campos, principais nomes do PSB
Foto: Marcos Alves / O Globo

    Marina Silva e Eduardo Campos, principais nomes do PSB Marcos Alves / O Globo

    BRASÍLIA — A ex-ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, ganhou a queda de braço com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, aspirante a candidato do PSB à sucessão da presidente Dilma Rousseff. O PSB não apoiará o governador Geraldo Alckmin (PSB), de São Paulo, candidato à reeleição.

    Em compensação, Marina concordou em ter sua candidatura a vice de Eduardo lançada ainda neste mês – ou no máximo até meados de fevereiro. No próximo dia 17 haverá em Recife um encontro informal de dirigentes nacionais do PSB. Entre outros assuntos, discutirão nomes para a vaga de Alckmin.

     

    Eduardo guarda na memória do seu computador pessoal os resultados de pesquisa recente encomendada pelo PSB sobre a eleição em São Paulo. Uma das questões propostas aos entrevistados testou a popularidade de Marina Silva e o alcance do seu apoio como vice à candidatura de Eduardo.

    A popularidade de Marina bateu a casa dos 20%. Com o apoio dela, Eduardo ultrapassa Aécio Neves, aspirante a candidato do PSDB a presidente, nas maiores cidades do Estado. Os resultados da pesquisa convenceram o governador de Pernambuco a acatar o veto de Marina ao nome de Alckmin.

    A ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB) resiste ao assédio de Marina para ser candidata ao governo do Estado. Eduardo resiste à pressão da cúpula do PSB paulista para que o partido apoie a reeleição de Alckmin e continue fazendo parte do governo dele. O PSB precisa de candidato próprio em São Paulo para dar palanque a Eduardo.

    Em breve, Aécio retribuirá o gesto de Eduardo que oficializou em Pernambuco a entrada do PSDB no seu governo. O partido ganhou uma secretaria de Estado e a chefia do Detran. O candidato de Aécio ao governo de Minas Gerais será o atual prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB).

    Em dezembro último, Eduardo e Aécio se reuniram no Rio de Janeiro e acertaram que dividirão o mesmo palanque nos Estados onde isso seja conveniente ao PSDB e ao PSB. Lacerda apoiará Aécio, apesar de ser filiado ao partido de Eduardo. Mas Eduardo, que nada tinha a perder em Minas, pelo menos ganhou um palanque para pisar.

    Palanques comuns a Eduardo e Aécio têm muito a ver com as sucessões estaduais. O PSDB enfrentará em Minas a forte candidatura de Fernando Pimentel (PT), atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Márcio Lacerda é o melhor nome de que pode dispor Aécio para vencer Pimentel.

    PTB e PT deixaram o governo Eduardo em outubro passado. Ou concorrerão à sucessão de Eduardo com um único candidato ou com dois – que, num eventual segundo turno, estarão juntos. O PSDB, que no Estado era oposição a Eduardo, agora passará para o lado dele.

    Na Paraíba, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) pretende disputar o governo do Estado. Nas contas de Eduardo, ali o PSDB acabará apoiando a reeleição do atual governador, que é do PSB. No Paraná, Beto Richa (PSDB), governador, ganhará o apoio do PSB. O vice dele é do PSB.

     

     

  3. Gunter Zibell - SP

    4 de janeiro de 2014 3:33 am

    Preciosa, uma bailarina negra na Academia Bolshoi

    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/cultura/33219/preciosa+uma+bailarina+negra+na+academia+bolshoi+falaram+que+eu+devia+branquear+a+pele.shtml

    Preciosa, uma bailarina negra na Academia Bolshoi: “Falaram que eu devia branquear a pele”

    Jovem norte-americana vive há dois anos em Moscou e disputará importante competição internacional em janeiroPreciosa Adams carrega no nome a qualidade das melhores bailarinas. Com apenas 18 anos, a jovem norte-americana estuda há dois anos na Academia Bolshoi, em Moscou, e se forma daqui a seis meses em umas das mais prestigiosas escolas de balé do mundo. A história poderia ser o sonho de toda adolescente que desde pequena calça as sapatilhas de ponta. No entanto, como se não bastasse o competitivo mundo da dança, Preciosa teve ainda que enfrentar o preconceito por ser uma das únicas bailarinas negras que passou pela academia russa.

    Sandro Fernandes/Opera Mundi

    Preciosa Adams pretende voltar para os Estados Unidos no segundo semestre de 2014

    Preciosa entrou no mundo do balé muito cedo. Aos cinco anos, começou a estudar a dança e, aos nove, entrou para um grupo comandado pelo russo Sergei Rayevsky, em Michigan, nos Estados Unidos. Durante a adolescência, a jovem estudou em Toronto, Nova York e Mônaco, antes de ganhar uma bolsa de estudos para aperfeiçoar sua técnica de balé e aprender russo, em um programa de imersão. A Rússia estava definitivamente no caminho da bailarina norte-americana. Em 2011, com apenas 16 anos, veio a mudança para Moscou.

    Leia mais: Nova York vai proibir cigarro eletrônico em locais públicos e fechados

    Em seus mais de dois anos estudando na capital russa, Preciosa contou em entrevista a Opera Mundi que foi deixada de lado em muitas apresentações por causa da cor da sua pele. Segundo ela, uma professora chegou a dizer que ela deveria “tentar branquear sua negritude” e se parecer mais com o padrão esperado pelos diretores de teatro.

    A bailarina parece alheia aos comentários racistas. “Eu ri. A ideia de perfeição (da professora) é ser branco, mas temos que entender que somos lindos da maneira que somos”. Preciosa diz ainda que alguns professores na Rússia tentaram intervir em seu favor, mas tudo foi em vão.

    “Eu sei por que não sou colocada em apresentações em grupo (no balé da Academia Bolshoi). Eu sou muito diferente das demais. Eu não me encaixo em nenhum grupo, mas eu não me importo. Estou preparada para solos”.

    Turismo: Oásis medieval, Monte Saint-Michel é resumo da história da civilização francesa

    A Academia Bolshoi diz que não recebeu nenhuma reclamação formal da bailarina e declarou em nota que nenhum aluno estrangeiro fez nenhuma queixa da instituição. Preciosa diz que não fez nenhuma reclamação porque não tinha certeza se isso teria algum resultado positivo. A escola diz que todos os estudantes participam de apresentações e que a norte-americana recebeu ótimas notas.

    Determinada, Preciosa lamenta não ter tido mais experiência no palco, mas acredita que os anos na Rússia foram válidos pelo aprendizado. “Nunca foi um sonho dançar no Bolshoi. Eu vim aqui só para a escola (Academia Bolshoi) e para o treinamento, não pela companhia Bolshoi”. A anuidade da Academia Bolshoi custa 680 mil rublos para estrangeiros (aproximadamente R$ 50 mil).

    A bailarina disse à reportagem que seus professores russos nos Estados Unidos já tinham alertado sobre a situação de racismo na Rússia. Preciosa se mudou para Moscou sabendo o que esperava, mas não pretende continuar no país. “Não quero morar na Rússia. Eu não me sinto livre aqui. Nos EUA eu posso ser negra ou gay, por exemplo. Eu sou norte-americana e sinto falta de liberdade. Não consigo respirar aqui”. O curso dela na capital russa acaba em junho de 2014. 

     

    Sobre as polêmicas de corrupção, prostituição e venda de vagas em apresentações do Teatro Bolshoi, Preciosa se limita a dizer que não se surpreende com os escândalos da companhia e nem acha que seja exagero da imprensa.

    Sandro Fernandes/Opera Mundi
    Em janeiro deste ano ano, o diretor artístico do Bolshoi, Sergei Filin, foi atacado com ácido na porta de sua casa, em um crime organizado por um dos bailarinos da companhia. Em março, a ex-solista do Teatro Anastasia Volochkova denunciou casos de prostituição e acirradas disputas no corpo de baile. E, no início de novembro, a bailarina norte-americana Joy Womack declarou que Filin teria dito que ela deveria pagar 10 mil dólares (R$ 23,5 mil) para poder se apresentar no palco do Bolshoi.

    Modelo para jovens bailarinas

    Preciosa não quer ser vista como um modelo no mundo do balé, ainda dominado por dançarinas brancas. “Tudo é um processo. Na época da minha mãe, todas as mulheres faziam alisamento. Agora tudo mudou. Somos mais naturais. Ninguém quer estar restrito a um padrão, uma norma que a sociedade e a TV decidiram”. E completa. “A sociedade coloca muita pressão sobre o que é aceitável ou não. Mas depende do indivíduo decidir se você vai seguir isso”.

    Preciosa vai em janeiro à Suíça participar do Prix de Lausanne, uma competição para as maiores companhias de balé da Europa. Vencer o concurso praticamente significa poder escolher em que balé a bailarina quer dançar.

    “Quero trabalhar em uma companhia onde eu conquiste uma vaga apenas pelo fato de eu saber dançar”, conclui Preciosa.

  4. Gunter Zibell - SP

    4 de janeiro de 2014 3:35 am

    A classe trabalhadora precarizada vai decidir a eleição

    http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/a-classe-trabalhadora-precarizada-e-super-explorada-vai-decidir-a-eleicao/

    ‘A classe trabalhadora precarizada e super explorada vai decidir a eleição’

     

    Jessé de Souza (Foto: Marcelo Carnaval/Agência O Globo)

    Após revelar a ‘ralé e os batalhadores’ brasileiros, o sociólogo Jessé de Souza prepara imersão nos ‘endinheirados’. “A busca é a interpretação crítica da sociedade contemporânea.”

    Ele estuda as classes sociais há vinte anos. Mas foi em meados de 2009, já no final do governo Lula, que mergulhou em uma pesquisa sociológica – empírica e teórica, por todo o Brasil – para confrontar a tese de que havia surgido uma “nova classe média” no País. O resultado? O livro Os Batalhadores Brasileiros.

    Nele, Jessé de Souza, doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, defende que a tão reverenciada nova classe média é, na verdade, uma “classe trabalhadora precarizada, super explorada e, em grande parte, informal. É aquela que trabalha muito e ganha pouco”.

    Em conversa com a coluna, por e-mail, diz que tal classe – “que chamo de batalhadores” – “funcionará como o fiel da balança” na disputa eleitoral de 2014. “Ela oscila entre apoiar a classe abaixo dela e assumir um discurso atrelado aos interesses dos privilegiados. Quem conseguir conquistá-la, provavelmente ganha a eleição.”

    A seguir, os melhores momentos.

    Como a questão de classes estará nas eleições de 2014?

    A eleição será, sem dúvida, dominada pela luta e pela aliança entre as classes. O Brasil, como outras sociedades modernas desiguais, é dividido entre classes sociais que reproduzem privilégios injustos. De um lado, os endinheirados e a classe média, que ocupam todos os empregos de prestígio. De outro, as classes condenadas a reproduzir sua exclusão e humilhação cotidianas, como a classe trabalhadora precária, chamada erroneamente de nova classe média; e os excluídos, que chamo provocativamente de ralé. O problema é que as relações entre as classes nunca são percebidas.

    Como assim?

    Se as relações fossem notadas, estariam arruinadas as chances de os privilégios se reproduzirem. Para parecer legítimo, o privilégio tem de ser mascarado como de interesse geral. E é justamente por isso que a ideologia de grande parte da classe média brasileira mais conservadora é o combate à corrupção no Estado – como se não houvesse corrupção no mercado – onde, cotidianamente, a classe média explora o trabalho barato da ralé e a condena à humilhação eterna.

    Eduardo Campos tem falado de sua preocupação em conquistar a classe média de Lula e Dilma. É o caminho?

    Do ponto de vista do pragmatismo político, ele está mais do que certo. O Brasil é hoje dividido entre uma classe de excluídos – que chega a 30% da população e foi alvo dos programas assistenciais do lulismo (que reduzem o sofrimento, mas que não resgatam essa classe da exclusão) – e uma classe média verdadeira, que é cativa da mensagem moralista dos partidos mais conservadores. A recente classe trabalhadora precária – super explorada, que trabalha muito e ganha pouco, mas que ascendeu socialmente comparativamente com o padrão de vida anterior – funcionará como fiel da balança.

    Para qual lado?

    Essa classe – que chamo de batalhadores – oscila entre apoiar e se solidarizar com a classe abaixo dela, os excluídos da ralé, e assumir um discurso mais mercantil e atrelado aos interesses das classes privilegiadas. Quem conseguir conquistar essa classe provavelmente ganha a eleição.

    E qual é o olhar para compreender as diferentes realidades?

    Somos formados por estímulos afetivos, emocionais, morais e cognitivos. Cada classe forma pessoas com disposições e capacidades distintas para a competição social – e não só na busca pelos bens materiais, mas também pelos simbólicos, como prestígio e reconhecimento.

    De que maneira?

    São as capacidades emocional e cognitiva de autocontrole e concentração que fazem com que, por exemplo, os filhos da classe média cheguem à escola como vencedores aos cinco anos de idade. E com que os filhos dos excluídos, pela carência dos mesmos estímulos, chegam à escola e depois no mercado de trabalho como perdedores. Acabam em trabalhos domésticos, pesados e mal pagos.

    Quais são as classes no Brasil?

    Vislumbramos quatro classes sociais, com suas subdivisões internas. No topo da hierarquia, temos as pessoas com muito dinheiro e um estilo de vida e compreensão de mundo marcado pelo consumo material. São aqueles que chamamos de endinheirados. Eles somam menos de 1% da população, mas controlam mais de 50% do PIB nacional, sob a forma de juros, lucros e renda de terras. Logo em seguida, vem outra classe privilegiada: a média. Caracterizada por se apropriar de outro capital decisivo na competição social: o cultural.

    E do outro lado da balança?

    Na parte de baixo da hierarquia social – onde está a maioria da população brasileira – temos uma grande classe trabalhadora. Hoje, em sua maioria, precária, super explorada e, em grande parte, informal. Sem a segurança e estabilidade da antiga classe trabalhadora tradicional. Ainda mais embaixo, estão os excluídos.

    Como elas se relacionam?

    Os endinheirados dominam a economia, a mídia, o poder judiciário, financiam a política e controlam os recursos naturais. É um capitalismo selvagem, desumano e altamente concentrador em proveito de meia dúzia de pessoas. Quase 70% do PIB brasileiro está com os poucos privilegiados. Ou seja, o que sobra é distribuído entre os outros milhões de brasileiros. Este é o retrato da nossa verdadeira miséria e iniquidade. É por isso que a existência da corrupção estatal é tão boa para os interesses dessa minoria privilegiada.

    Em qual sentido?

    É uma maneira de desviar a atenção da tão absurda concentração de riquezas e enfraquecer o Estado. Demonizá-lo como ineficiente e corrupto faz com que apenas o mercado – e quem o domina – apareça como materialização de todas as virtudes. Enquanto a ralé está condenada à humilhação eterna, a classe média poupa seu tempo e consegue se dedicar ao estudo e à qualificação. É um privilégio social poder estudar sem ter de trabalhar ao mesmo tempo.

    Já que o tempo é um recurso valioso, é possível afirmar que as manifestações foram protagonizadas pela classe média?

    Sem dúvida. As manifestações começaram com reivindicações tipicamente populares por melhores serviços públicos. Lá estavam os filhos da classe trabalhadora, que passaram a estudar em universidades e a acreditar que são mesmo de classe média. Exigiam, portanto, serviços de classe média. Mas, pouco tempo depois, o movimento foi apropriado pela fração da classe média mais conservadora e tradicional, com suas bandeiras típicas do moralismo – que reduz a política ao nível das telenovelas, entre o bem e o mal.

    Como cada classe se relaciona com a religião?

    Como existe grande quantidade de excluídos, abre-se espaço para a mensagem religiosa. É ela que tenta transformar a humilhação cotidiana em autoconfiança. Pela promessa de que ninguém menos do que Jesus está do seu lado. Mas o lado sombrio deste fenômeno é o conservadorismo cultural e a homofobia absurda.

    Os batalhadores estarão nos jogos da Copa?

    Certamente não. O futebol está produzindo um fenômeno estranho e o povo está sendo obrigado a ver de fora sua maior paixão. A Copa é um retrato do Brasil: quem ganha são os endinheirados. Quem paga a festa é a classe média explorada por serviços de preço exorbitante. E o povo apenas assiste de fora a festa alheia. /THAIS ARBEX

  5. Gunter Zibell - SP

    4 de janeiro de 2014 3:37 am

    Estados Unidos vivem onda irrefreável em prol do casamento gay

    http://igay.ig.com.br/2013-12-26/estados-unidos-vivem-onda-irrefreavel-em-prol-do-casamento-gay.html

    Estados Unidos vivem onda legal irrefreável em prol do casamento gay

    Depois de ser aprovada no ultraconservador e mórmon Utah, união entre pessoas do mesmo sexo avança em outros estados americanos

    Os advogados de ambos os lados do debate em torno do casamento gay previam que a decisão do último mês de junho da Suprema Corte dos EUA, que derrubou parte da proibição federal ao casamento gay, iria abrir um caminho para outros estados avançarem. E o tempo mostrou que eles estavam certos em sua previsão

    A questão será discutida nos tribunais federais de apelação em Utah e também no estado de Nevada, encaminhando o assunto na direção da Suprema Corte dos Estados Unidos. A decisão em Ohio, que reconheceu as uniões entre o mesmo sexo em atestados de óbito, será igualmente alvo de apelação na Justiça.Nos seis meses desde a decisão, o número de estados que permitem o casamento gay saltou de 12 a 18. Os juízes do Novo México, de Ohio e, mais surpreendentemente, do superconservador e mórmon Utah, decidiram em favor da união homossexual recentemente.

    Essa série de decisões judiciais provoca uma pergunta: Quando a Suprema Corte vai intervir na situação e resolvê-la para o bem? A resposta não é simples.

    Os processos que estão no caminho da Suprema Corte diferem pouco de outro que juízes se recusaram a ouvir em junho. O caso, iniciado na Califórnia, era relacionado à emenda constitucional que define o casamento como ação feita entre um homem e uma mulher.

    Se os juízes tivessem agido na ocasião, teriam derrubado a proibição do casamento entre homossexuais em todo o país. Esse aspecto indica para alguns juristas que a Suprema Corte não vai se ocupar tão cedo novamente desta questão.

    De certa forma, os juízes passaram essa responsabilidade para os estados, na opinião dos especialistas. Os juristas destacam os termos usados na decisão de junho sobre a Lei de Defesa do Casamento. Para eles, a linguagem conferiu a união homossexual o status de assunto de segunda classe, menos importante que outros.

    APNa prefeitura de Salt Lake, casais fazem fila para se casar após fim da lei que proibia união gay no estado de Utah

    Para o professor de Direito e Ciência Política da Universidade de Northwestern Andrew Koppelman, a linguagem deixou claro que as proibições estaduais sobre o casamento gay estão no ponto de serem desafiadas. “A Suprema Corte deu munição para ele questionarem, e eles vão fazer isso”, analisa Koppelman .

    Tanto a opinião favorável da maioria na Suprema Corte, representada pelo juiz Anthony Kennedy, quanto a dissidência, do mordaz Antonin Scalia, apareceram em destaque nos questões judiciais e decisões subsequentes , inclusive em Utah e Ohio.

    Advogados e militantes dizem que o casamento gay é a grande questão dos direitos civis para a geração atual, assim como a quebra de barreiras raciais pela população negra foi na década de 60.Apenas um terço dos americanos se opõem ao casamento gay nos dias de hoje, contra 45% em 2011,de acordo com uma pesquisa de outubro da AP- GfK. Mas 28 estados ainda têm proibições constitucionais relacionadas ao casamento entre o mesmo sexo. Outros quatro estados – Indiana , Pensilvânia , Virgínia Ocidental e Wyoming – o proíbem ,por meio de leis estaduais.

    Mais decisões estaduais a favor do casamento gay devem ser tomadas em 2014. A impressão é que se isso aconteceu no ultraconservador Utah pode ocorrer então em qualquer lugar. Especialmente, se for considerado que o estado é sede da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que apesar do abrandamento retórico recente, ainda ensina a seus membros que a homossexualidade é um pecado .

    “A decisão já teve um impacto simbólico”, acredita Jon Davidson, diretor da Lambda Legal, que atua em questões legais LGBT . “É o reconhecimento de que as atitudes da nação, do público para o legislativo e deste para o judicial, estão mudando muito rapidamente em todas as partes do país”, completa ele.

    Um juiz federal em Michigan vai ouvir o depoimento de especialistas em fevereiro antes de decidir se vai ou não acabar com proibição constitucional estadual sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nas Virginia, duas ações judiciais avançam, incluindo um processo que está sendo conduzido pela mesma equipe legal que desafiou a proibição da Califórnia.

    Cada proibição do casamento homossexual que vai sendo derrubada causa um efeito dominó, que torna o próximo desafio legal mais fácil, acredita Davidson.

     

     

     

  6. Gunter Zibell - SP

    4 de janeiro de 2014 3:41 am

    SIM, O BRASIL DEVE SEGUIR O URUGUAI SOBRE A MACONHA

    http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/125070/Sim-o-Brasil-deve-seguir-o-Uruguai-sobre-a-maconha.htm

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    Experiência liderada pelo presidente Pepe Mujica deve ser observada sem paixões e pavores pelo Brasil, onde o comércio ilegal e a popularidade da canabis são crescentes; efeitos sociais derivados do ataque econômico ao tráfico da erva e imposição de disciplina para plantio, uso e venda podem ser extremamente positivos ao Uruguai; conscientização sobre efeitos e riscos à saúde tende a aumentar; nos EUA, grandes Estados já descriminalizaram a maconha; debate no Brasil tira fundamentalistas de suas tumbas, enxergando o caos a partir da iniciativa uruguaia; país vizinho tenta fazer a diferença; liberação da maconha no Uruguai está em vigor desde a terça-feira 24

     

    25 DE DEZEMBRO DE 2013 ÀS 19:49

     

    247 – O Uruguai iniciou oficialmente, a partir da terça-feira 24, uma experiência inédita na América Latina. O presidente José Pepe Mujica sancionou a legislação aprovada pelo Congresso do País que descriminaliza e libera para plantio, uso e comercialização controlada a canabis, a conhecida maconha.

    É a primeira vez que um país da região adota uma lei que não é punitiva sobre o produtor e o usuário da planta. Nos Estados Unidos, a permissão para o uso recreativo ou medicinal da maconha já está consagrada em estados como Califórnia, Colorado e Washington. No Brasil, a iniciativa do Uruguai despertou a ira dos fundamentalistas na mídia familiar, que já indicam que o país vizinho passará a ser uma base segura para o narcotráfico do continente.

    Não se tem notícia de que Pepe Mujica tenha sido ou seja um maconheiro, como se chama, de modo pejorativo, o usuário de canabis. Muito menos que ele tenha algum vestígio de ligação com o narcotráfico, que perdeu seus chefões como Pablo Escobar mas realiza negócios bilionários de produção, distribuição e comercialização de drogas pesadas como a heroína, a cocaína e seus subprodutos, como o crack, todos os anos na América do Sul.

    Na história de Pepe Mujica há um passado de guerrilheiro contra a sanguinária ditadura uruguaia e um presente de perfil discreto e nada afeito a mordomias. Na economia e na política, o presidente toca o país sem solavancos, numa placidez que nada tem a ver com as pirotecnias fracassadas de sua colega argentina Cristina Kirchner. Até aqui, pela soma desses fatores, Pepe Mujica era um exemplo de governante bem centrado no desempenho do cargo, mas passou a ser execrado pelo conservadorismo em razão da lei da maconha.

    PRESSA ATRASADA – A pressa em julgar Mujica e sua iniciativa é inútil. Iniciada agora, a experiência do Uruguai só vai dar resultados, positivos ou negativos, em médio e longo prazos. É difícil imaginar que, em razão de uma lei, legiões de usuários atravessem o rio da Prata em busca de sua Meca ou poderosos chefões do tráfico de drogas pesadas mudem suas estratégias apenas porque agora se pode ter até seis pés de canabis num jardim. Igualmente não se deve registrar uma adesão em massa à prática de fumar maconha dentro do próprio Uruguai, até mesmo porque o tabaco sempre foi liberado e seu consumo se dá com estabilidade.

    Para quem enxerga na lei uma iniciativa corajosa e moderna, a legislação uruguaia sobre a maconha pode devolver ao Estado – e não retirar dele – o papel normativo sobre uma atividade ilegal e praticada em quase todos os países do mundo.

    A lei de Pepe Mujica, como gostariam seus críticos, não inventa o uso da maconha no Uruguai, mas apenas o reconhece e tenta discipliná-lo. É exatamente o contrário do que apontam as deturpações cometidas por articulistas da mídia tradicional, que veem na lei a implantação do caos.

    PRIMAZIA DE FHC – Personalidades importantes da sociedade brasileira têm, ao contrário dos aiatolás da mídia, brilhado pela racionalidade no debate. A primazia neste sentido cabe ao ex-presidente Fernando Henrique, que teve a coragem de assumir a frente dessa discussão com uma posição francamente favorável à descriminalização. Nas últimas semanas, dando peso formal à sua defesa, vem se pronunciando o ministro Luiz Roberto Barroso, do STF, que pede a imediata abertura da discussão institucional do tema.

    À primeira vista, a lei uruguaia leva a presença do Estado a uma atividade que estava de submudo, afeita a regras próprias. Agora, essa mesma atividade pode ser acompanhada, conferida e delimitada. Haverá transparência, certamente muito mais do que a que existe hoje em relação ao tema.

    Há uma boa chance de os efeitos reais da descriminalização e legalização da maconha no Uruguai serem extremamente positivos. De saída, a nova legislação enfrenta à luz do dia essa questão, o que é um grande avanço. Além disso, para que não pairassem dúvidas sobre sua legalidade, todos os ritos foram cumpridos para a sua aprovação, sempre com acompanhamento próximo de observadores internacionais. A grita contra a iniciativa do Uruguai parece, muitas vezes, um verdadeira torcida para que ela não dê bons resultados.

     

  7. Gunter Zibell - SP

    4 de janeiro de 2014 3:42 am

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

    http://biscatesocialclub.com.br/2013/11/aborto-ilegal-violencia-mulher/

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

    As mulheres abortam. A todo tempo. Todo mundo conhece alguém. Todo mundo conhece um caminho. Todo mundo já fez, já passou, conhece alguém que passa, ou passará. Óbvio, assim, bem óbvio. E no Brasil, o aborto não legalizado leva as mulheres às mais diversas circunstâncias catastróficas para conseguirem dispor sobre o seu corpo. Até a sua morte. Óbvio, e violento. Uma violência contra a mulher estampada nas nossas paredes e muros, nos jornais, nas janelas das casas, nos corredores das secretarias de saúde e hospitais. Triste obviedade da nossa realidade de saúde.

    É, o aborto mata mulheres. E, quando não mata, deixa dolorosas marcas físicas e psíquicas nas mulheres que precisam se submeter a uma clandestinidade violenta para terem acesso, e direito, sobre seu próprio corpo. Sim, falar sobre aborto é falar sobre direito da mulher. Direito à dignidade, à integridade física, e à saúde.

    O Artigo 196 da Constituição Federal, por exemplo, estabelece que o direito à saúde é um direito integral e universal de todos os cidadãos deste país. Um direito que passa pelo direito à prevenção, recuperação e proteção da saúde. Bom, não seria digno, justo, e – até – legal, garantir que as mulheres que desejam fazer um aborto o façam de forma segura, sem riscos à sua saúde? Direito Constitucional, baby. Que só não é garantido porque vivemos, lamentavelmente, em uma sociedade hipócrita, permeada por velhos moralismos religiosos.

    Imaginemos uma cena corriqueira, que está aqui entre nós, nos cotidianos de todos os cantos: uma mulher engravida e não quer, não pode, ou não consegue, levar essa gestação adiante. Susto, medo, dúvida, assombro. Coragem, força, luta. Como essa mulher faz para dispor do seu corpo como bem entender?

    Bom, se essa mulher é rica, ou tem grana, fica mais fácil: paga-se o conforto e a segurança para o procedimento abortivo. Sim, aborto também é uma questão social e econômica. Quem pode pagar, se dá melhor. Claro, capitalismo é capitalismo na legalidade ou na clandestinidade. E é dessa desigualdade que ele se alimenta. Então, se tem dinheiro na jogada, a violência é menor. Ampara-se a mulher, minimamente. Faz-se o aborto com maior segurança. Claro que isso não impede que a mulher sofra a violência moral que permeia essa discussão toda: o julgamento, o dedo em riste, a vergonha, o dano psíquico. Marcas que doem sempre, como uma cicatriz que não se fecha. Mas se tem grana, dói um tanto menos. Porque o desamparo da saúde gera violências ainda maiores.

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

    E se a mulher não tem dinheiro? Bom, aí é onde a realidade é ainda mais cruel. E é aqui que mora a maioria da população brasileira. Aqui a clandestinidade é marcada pela falta de assistência e pela violência física. Ela aborta sem qualquer segurança, e sofre no corpo a posição de um pseudo Estado laico, que não garante seu direito de escolha. A mulher vai atrás de um remédio no mercado negro, um remédio bem fácil de conseguir em qualquer rede ou feira livre desse país. Ela vai atrás de uma clínica de fundo de quintal. Ela se submete a receitas caseiras perigosas. Ela aborta. E aí meu amigo, ela sofre uma violência imensa, sem que nossos olhos viciados consigam ver de perto o tamanho do problema.

    E ele é grande. Os relatos dos serviços de saúde que, infelizmente, não constam em dados científicos, se repetem. As mulheres chegam doentes aos hospitais. Muitas, esvaindo-se em sangue, em desmaios, em dor dilacerante. Muitas, perdendo seus órgãos reprodutivos e, quiçá, outros mais. Muitas em infecção profunda. E muitas outras, mas muitas outras mesmo, em quase morte. E elas morrem. E nesse percurso sofrem preconceitos e discriminações por parte dos profissionais de saúde, assistentes, secretários, e tantos outros que se recusam, até, a atenderem essa mulher “criminosa”.

    Dados da OMS estimam que, no Brasil, a média de abortos anual é de um milhão. É, acreditem. Um milhão. Temos também as estimativas do Ministério da Saúde, que entre 729 mil e 1,25 milhão de mulheres se submetem ao procedimento anualmente no Brasil. E a cada dois dias, uma mulher (sem recursos) morre em decorrência do aborto. E a gente continua fingindo que este não é um sério problema de saúde pública.

    Como diz o obstetra da Universidade Federal de São Paulo Osmar Ribeiro Colas: “Quando cai um avião ficamos chocados, mas há dois Boiengs de mulheres caindo por dia e ninguém fala nada”. Lamentável, certamente. E eu lamento todos os dias, juntando forças para seguir na luta pelo aborto seguro e legal no Brasil.

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

    Vamos seguir mais um pouco?

    A Pesquisa Nacional sobre Aborto no Brasil – PNA, empreendida por Débora Diniz, professora da Universidade de Brasília e membro da ANIS – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, e por Marcelo Medeiros, desta mesma entidade, revela que:

    “…o aborto é tão comum no Brasil que, ao completar quarenta anos, mais de uma em cada cinco mulheres já fez aborto. Tipicamente, o aborto é feito nas idades que compõem o centro do período reprodutivo feminino, isto é, entre 18 e 29 anos, e é mais comum entre mulheres de menor escolaridade, fato que pode estar relacionado a outras características sociais das mulheres de baixo nível educacional. A religião não é um fator importante para a diferenciação das mulheres no que diz respeito à realização do aborto. Refletindo a composição religiosa do país, a maioria dos abortos foi feita por católicas, seguidas de protestantes e evangélicas e, finalmente, por mulheres de outras religiões ou sem religião” (Diniz e Medeiros, 2010. P. 964. In: Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna. Ciência & Saúde Coletiva, 15(Supl. 1):959-966).

    E continuam os autores:

    “O uso de medicamentos para a indução do último aborto ocorreu em metade dos casos. Considerando que a maior parte das mulheres é de baixa escolaridade, é provável que para a outra metade das mulheres, que não fez uso de medicamentos, o aborto seja realizado em condições precárias de saúde. Não surpreende que os níveis de internação pós-aborto contabilizados pela PNA sejam elevados, ocorrendo em quase a metade dos casos. Um fenômeno tão comum e com consequências de saúde tão importantes coloca o aborto em posição de prioridade na agenda de saúde pública nacional” (p. 964).

    Deixemos o moralismo de lado, pelo menos um pouco. Todas as mulheres abortam, até as católicas e evangélicas, segundo a PNA. Não é mais possível evocarmos direitos de um possível feto em detrimento do direito da mulher, massacrando-a naquela velha e pesada cruz. Não é mais possível fecharmos os olhos para a violência que sofre a mulher que aborta, física, psíquica, voraz, tirana e imperativa. Não é mais possível viver num Estado dominado por uma hipocrisia religiosa sem limites.

    Eu aborto, tu abortas, ela aborta. Nós abortamos. E somos todas mulheres clandestinas e violentadas.

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

    Aborto ilegal é uma violência contra a mulher

     

  8. Gunter Zibell - SP

    4 de janeiro de 2014 3:45 am

    PT quer comandar CDHM após um ano de polêmicas

    http://www.otempo.com.br/pt-quer-comandar-comiss%C3%A3o-ap%C3%B3s-um-ano-de-pol%C3%AAmicas-1.765566

    TROTES NA UFMGNilmário Miranda diz que as siglas precisam se unir em torno da comissãoPUBLICADO EM 26/12/13 – 04h00TÂMARA TEIXEIRA

    O deputado federal mineiro Nilmário Miranda (PT) está trabalhando nos bastidores da Câmara dos Deputados junto ao seu partido e a outras 11 legendas, como PMDB e PSDB, para que os petistas retomem a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Casa. O objetivo é evitar que os “evangélicos extremistas” assumam o posto, após um ano de atuação polêmica de Marco Feliciano (PSC-SP).

    Na última semana, quando Feliciano deixou a posição, Miranda começou a peregrinar pelos gabinetes para fazer frente às pretensões dos evangélicos, que sonham em ocupar novamente a presidência da comissão. Em ano eleitoral, o posto pode ser estratégico para os parlamentares ligados à igreja defenderem seus pontos de vista e conquistarem votos nas urnas. Um dos nomes cotados para substituir Feliciano dentro da bancada religiosa é o do deputado Marcos Rogério (PDT-RO).

    Nilmário diz que, agora, não está preocupado em colocar o seu nome para a vaga, mas quer garantir que ela não seja ocupada pelos “fundamentalistas”. Ele tem até o dia 3 de fevereiro, quando o PT deve decidir quais comissões pretende disputar.

    “Este ano foi uma derrota para os brasileiros. A comissão que existe para receber demandas de toda a sociedade foi ocupada com temas que não são pertinentes. A frustração nossa e da população é enorme. Se os partidos não se unirem, corremos o risco de outro fundamentalista ocupar o posto”, afirmou o petista.

    Segundo ele, os colegas se mostraram empenhados em retomar o comando da comissão. No discurso de convencimento, Nilmário tem lembrado que as polêmicas envolvendo Feliciano foram alvos das manifestações de junho e julho. “Os episódios e as causas defendidas por ele (Feliciano) desgastaram a Casa como um todo nos protestos”, avalia.

    O PSC assumiu o controle da comissão depois de o PT, que a presidia, abrir mão do direito de continuar no comando. Os petistas preferiram ficar com outras três comissões, incluindo a de Constituição e Justiça.

     

  9. Gunter Zibell - SP

    4 de janeiro de 2014 4:02 am

    Casagrande está entre os governadores favoritos para se reeleger

    http://seculodiario.com.br/exibir.php?id=14759

    Entre os 12 governadores que devem disputar a reeleição este ano, o socialista aparece atrás apenas do governador do Acre, Tão Viana

    Na disputa eleitoral deste ano entre os governadores dos 26 Estados e do Distrito Federal, ao todo 15 estão aptos para disputar a reeleição este ano. Deste total, 12 vão mesmo para a disputa. Entre os candidatos com chance de reeleição, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, é um dos mais bem cotados, ficando atrás apenas do governador do Acre, Tião Viana (PT). 

     O cenário analisado pela consultoria Arko Advice, de Brasília, aponta o perfil dos governadores candidatos e leva em consideração as últimas pesquisas realizadas nos Estados. O País deve registrar na disputa de 2014 o menor índice de candidaturas de governadores à reeleição desde 1998.  Dos governadores que disputarão a reeleição, os mais bem avaliados são, por  ordem de preferência: Tião Viana, do Acre, com 55% de avaliação positiva. Renato Casagrande (49%), o tucano Beto Richa, do Paraná (45%) e Raimundo Colombo (38%), do PSD, que quer governar Santa Catarina por mais quatro anos. Na avaliação do cenário capixaba, a consultoria ainda considera a possibilidade de o PT e o PMDB disputarem com o governador Casagrande e, por isso, aponta a perda de força política do socialista.  Mas a sinalização  nos meios políticos de que poderá haver uma recomposição do palanque de unanimidade no palanque do governador fortalece o nome do socialista na disputa.  Embora a tendência seja a de composição, o grupo do ex-governador tenta confundir o mercado, mantendo viva a possibilidade de o PMDB encabeçar uma chapa ao governo ao lado do PT. Desde o início das conversas sobre o processo eleitoral deste ano, o governador Renato Casagrande vem tentando manter o palanque que o elegeu em 2010 e o primeiro passo foi o de declarar neutralidade na disputa presidencial do próximo ano.  O grupo do ex-governador Paulo Hartung, porém, tentou costurar uma estratégia de esvaziamento do palanque palaciano. As conversas com a cúpula do PT, com a presidente Dilma e com o ex-presidente Lula, indicavam que Hartung estaria dentro da estratégia petista adotada em nível nacional de isolar os palanques socialistas nos Estados. Na época, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) chegou a declarar que seria impossível manter a unanimidade no Estado.  Mas o governador e seu antecessor já vinham conversando intensamente sobre a composição. Mas há ainda uma aresta a ser aparada. Casagrande é hoje o maior líder político do Estado, conseguiu isso com o êxito nas eleições municipais e com políticas voltadas para o interior que lhe deram capital político e eleitoral.  O ex-governador, porém, tenta criar a imagem nos meios políticos de que estaria dando as cartas do jogo eleitoral nas articulações eleitorais, mas não é bem assim. Sem conseguir esvaziar o palanque de Casagrande e com o índice de aprovação do governador, enfrentá-lo em uma disputa eleitoral seria um risco político, daí a necessidade de compor a chapa com o governador em vez de enfrentá-lo. 

  10. Fiódor Andrade

    4 de janeiro de 2014 5:18 am

    Dois capítulos de Machado para entender o sadismo de Barbosa.

    Penso que estes dois capítulos das Memórias póstumas de Brás Cubas ajudam a entender o modo como Joaquim Barbosa trata os presos da AP 470. Ver racismo em qualquer crítica que faça referência à cor da pele do ministro equivale a pensar que Machado era um racista que critica o negro Prudêncio por não saber seu lugar e por se comportar como branco. Ao contrário, o mulato Joaquim Maria mostra como é brutal o preconceito e a violência que fazem com que o oprimido, quando consegue (dentro de certos limites) se libertar da opressão, continua dócil e submisso ao opressor e passa a oprimir quem está abaixo dele.

    Reproduzo os capítulos na íntegra porque as passagens que não dizem respeito diretamente ao escravo Prudêncio revelam a mentalidade de uma elite escravocrata cujo modo de pensar e agir afeta toda a sociedade.

     

    Capítulo XI
    O menino é pai do homem

    Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci naturalmente, como crescem as magnólias e os gatos. Talvez os gatos são menos matreiros, e, com certeza, as magnólias são menos inquietas do que eu era na minha infância. Um poeta dizia que o menino é pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.
    Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de «menino diabo»; e verdadeiramente não era outra cousa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce «por pirraça»; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, — algumas vezes gemendo,– mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um — «ai, nhonhô!» — ao que eu retorquia: — «Cala a boca, besta!» — Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos.

    Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.

    Outrossim, afeiçoei-me à contemplação da injustiça humana, inclinei-me a atenuá-la, a explicá-la, a classificá-la por partes, a entendê-la, não segundo um padrão rígido, mas ao sabor das circunstâncias e logares. Minha mãe doutrinava-me a seu modo, fazia-me decorar alguns preceitos e orações; mas eu sentia que, mais do que as orações, me governavam os nervos e o sangue, e a boa regra perdia o espírito, que a faz viver, para se tomar uma vã fórmula. De manhã, antes do mingau, e de noite, antes da cama, pedia a Deus que me perdoasse, assim como eu perdoava aos meus devedores; mas entre a manhã e a noite fazia uma grande maldade, e meu pai, passado o alvoroço, dava-me pancadinhas na cara, e exclamava a rir: Ah! brejeiro! ah! brejeiro!

    Sim, meu pai adorava-me. Minha mãe era uma senhora fraca, de pouco cérebro e muito coração, assaz crédula, sinceramente piedosa, — caseira, apesar de bonita, e modesta, apesar de abastada; temente às trovoadas e ao marido. O marido era na terra o seu deus. Da colaboração dessas duas creaturas nasceu a minha educação, que, se tinha alguma cousa boa, era no geral viciosa, incompleta, e, em partes, negativa. Meu tio cônego fazia às vezes alguns reparos ao irmão; dizia-lhe que ele me dava mais liberdade do que ensino e mais afeição do que emenda; mas meu pai respondia que aplicava na minha educação um sistema inteiramente superior ao sistema usado; e por este modo, sem confundir o irmão, iludia-se a si próprio.

    De envolta com a transmissão e a educação, houve ainda o exemplo estranho, o meio doméstico. Vimos os pais; vejamos os tios. Um deles, o João, era um homem de língua solta, vida galante, conversa picaresca. Desde os onze anos entrou a admitir-me às anedotas reais ou não, eivadas todas de obscenidade ou imundície. Não me respeitava a adolescência, como não respeitava a batina do irmão; com a diferença que este fugia logo que ele enveredava por assunto escabroso. Eu não; deixava-me estar, sem entender nada, a princípio, depois entendendo e enfim achando-lhe graça. No fim de certo tempo, quem o procurava era eu; e ele gostava muito de mim, dava-me doces, levava-me a passeio. Em casa, quando lá ia passar alguns dias, não poucas vezes me aconteceu achá-lo, no fundo da chácara, no lavadouro, a palestrar com as escravas que batiam roupa; aí é que era um desfiar de anedotas, de ditos, de perguntas, e um estalar de risadas, que ninguém podia ouvir, porque o lavadouro ficava muito longe de casa. As pretas, com uma tanga no ventre, a arregaçar-lhes um palmo dos vestidos, umas dentro do tanque, outras fora, inclinadas sobre as peças de roupa, a batê-las, a ensaboá-las, a torcê-las, iam ouvindo e redarguindo às pilhérias do tio João, e a comentá-las de quando em quando com esta palavra:

    — Cruz, diabo!… Este sinhô João é o diabo!

    Bem diferente era o tio cônego. Esse tinha muita austeridade e pureza; tais dotes, contudo, não realçavam um espírito superior, apenas compensavam um espírito medíocre. Não era homem que visse a parte substancial da egreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões. Vinha antes da sacristia que do altar. Uma lacuna no ritual excitava-o mais do que uma infração dos mandamentos. Agora, a tantos anos de distância, não estou certo se ele poderia atinar facilmente com um trecho de Tertuliano, ou expor, sem titubear, a história do símbolo de Nicéia; mas ninguém, nas festas cantadas, sabia melhor o número e caso das cortesias que se deviam ao oficiante. Cônego foi a única ambição de sua vida; e dizia de coração que era a maior dignidade a que podia aspirar. Piedoso, severo nos costumes, minucioso na observância das regras, frouxo, acanhado, subalterno, possuía algumas virtudes, em que era exemplar, mas carecia absolutamente da força de as incutir, de as impor aos outros.

    Não digo nada de minha tia materna, D. Emerenciana, e aliás era a pessoa que mais autoridade tinha sobre mim; essa diferençava-se grandemente dos outros; mas viveu pouco tempo em nossa companhia, uns dous anos. Outros parentes e alguns íntimos não merecem a pena de ser citados; não tivemos uma vida comum, mas intermitente, com grandes claros de separação. O que importa é a expressão geral do meio doméstico, e essa aí fica indicada, — vulgaridade de caracteres, amor das aparências rutilantes, do arruído, frouxidão da vontade, domínio do capricho, e o mais. Dessa terra e desse estrume é que nasceu esta flor.

     

     

    Capítulo LXVIII
    O vergalho

    Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo fora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava outro na praça. O outro não se atrevia a fugir; gemia somente estas únicas palavras: — «Não, perdão, meu senhor; meu senhor, perdão!» Mas o primeiro não fazia caso, e, a cada súplica, respondia com uma vergalhada nova.
    — Toma, diabo! dizia ele; toma mais perdão, bêbado!

    — Meu senhor! gemia o outro.

    — Cala a boca, besta! replicava o vergalho.

    Parei, olhei… Justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio, — o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediu-me a bênção; perguntei-lhe se aquele preto era escravo dele.

    — É, sim, nhonhô.

    — Fez-te alguma cousa?

    — É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, em quanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.

    — Está bom, perdoa-lhe, disse eu.

    — Pois não, nhonhô. Nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!

    Saí do grupo, que me olhava espantado e cochichava as suas conjecturas. Segui caminho, a desfiar uma infinidade de reflexões, que sinto haver inteiramente perdido; aliás, seria matéria para um bom capítulo, e talvez alegre. Eu gosto dos capítulos alegres; é o meu fraco. Exteriormente, era torvo o episódio do Valongo; mas só exteriormente. Logo que meti mais dentro a faca do raciocínio achei-lhe um miolo gaiato, fino, e até profundo. Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, — transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!

  11. superperplexo

    4 de janeiro de 2014 6:27 am

    FOLHA DE S.PAULO

    FOLHA DE S.PAULO -4/1/14

     

    MÍDIA

    Chinês diz que vai negociar compra do ‘New York Times’

    DA REUTERS – Um empresário do setor de reciclagem chinês declarou que está se preparando para abrir negociações para comprar o jornal “New York Times”. Segundo Chen Guangbiao, o plano vem sido estudado há mais de dois anos.

    Ele disse que espera discutir o assunto amanhã em encontro, em Nova York, com um “importante acionista” do jornal, sem revelar o nome.

    Um porta-voz do jornal disse que a empresa não comenta rumores. Em 2012, o publisher do “New York Times”, Arthur Sulzberger Jr., disse que o jornal não seria posto à venda.

  12. Assis Ribeiro

    4 de janeiro de 2014 8:40 am

    Ex-tucanos dificultam o jogo eleitoral

    Com a possibilidade do ex-governador José Serra não se candidatar à eleição deste ano, antigos aliados tucanos podem se tornar rivais

    Walter Feldman sonha em ser candidato do PSB e trabalha contra o apoio do partido ao governador Geraldo Alckmin. O vereador paulistano Gilberto Natalini (PV), também ex-tucano, é outro que pretende disputar o Palácio dos Bandeirantes. O PV cogita, ainda, ter o ex-deputado Eduardo Jorge, que foi secretário de Serra e Gilberto Kassab na Prefeitura paulista, como presidenciável. Os três se juntam ao próprio Kassab, antigo aliado e hoje pré-candidato do PSD. Muitos deles são próximos de Serra, mas não do tucanato em geral. Além de representarem um problema para Alckmin, elevam o cacife de Serra, avaliam alguns.

    O PSD está animado com a possibilidade de o PSB não se aliar ao PSDB em São Paulo. O partido quer uma aliança com os socialistas na disputa ao Palácio dos Bandeirantes. “Somos uma alternativa caso eles decidam não se aliar nem ao PT nem ao PSDB. PSD e PSB formaram um bloco na Câmara Municipal durante dois anos, na gestão Kassab”, comenta o vereador José Police Neto.

    Caso o PSB resolva ter candidato próprio, além de Feldman, a deputada Luiza Erundina é outra possibilidade considerada. Em caso de uma composição, o PSD trabalha com um segundo nome que pode ser lançado ao governo paulista ou ao Senado: o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Outro partido animado com a possibilidade de o PSB buscar uma terceira via é o PDT. O deputado Major Olímpio quer disputar a sucessão de Alckmin e iniciou conversas.

    Congresso a reboque do governo

    O Congresso até esperneou, mas, na ponta do lápis, o Executivo encerrou 2013 mantendo sua decisiva influência na pauta de votações: dos 183 projetos aprovados no ano, 102 foram enviados pelo governo, contra 65 originários do parlamento. Também mostrou-se eficiente o uso, pelo governo, do pedido de urgência (que dá a um projeto prioridade sobre os demais na fila de votação) como expediente para barrar propostas que não lhe interessavam. Na Câmara, 41,94% das sessões deliberativas de 2013 ficaram trancadas (91 de 217 realizadas) por projetos apontados como “urgentes”, mas sem consenso, levando ao bloqueio de outros temas.

    Ideli pode ir para os Direitos Humanos

    A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, deverá ser mesmo acomodada na Secretaria de Direitos Humanos, caso desista de sair candidata a um cargo eletivo em 2014. Seria uma retribuição a sua lealdade no cargo.

    Pecuária se destaca em “lista suja”

    Os pecuaristas são um destaque na atualização da “lista suja” do trabalho escravo divulgada pelo Ministério do Trabalho. O setor liderou as inclusões, com 45 de um total de 110 novos casos. João Bertin Filho, da família que foi proprietária do frigorífico que leva seu sobrenome, é um dos novos integrantes. Donos do frigorífico Frisam/Agropam, José Lopes e seu filho, José Lopes Filho, entram na lista em função de dois flagrantes diferentes em suas propriedades.

    Uma discórdia ainda muito distante do fim

    Uma entrevista-bomba do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, deixou no Planalto a certeza de que a formação do palanque de Dilma no estado ainda exigirá muita negociação. Tasso avisou que, se Dilma optar por um palanque duplo (incorporando o PMDB) no Rio Grande do Sul, desistiria da reeleição. Seria o mesmo que entregar o governo à oposição.

    http://brasileconomico.ig.com.br/noticias/extucanos-dificultam-o-jogo-eleitoral_138016.html

  13. Assis Ribeiro

    4 de janeiro de 2014 8:42 am

    Os partidos da imprensa (por Marino Boeira)

    No último dia do ano, Zero Hora publicou com grande destaque um editorial assinado pelo professor e jornalista Eugênio Bucci, que havia sido publicado três dias antes pelo Jornal Estado de São Paulo, sob o título “Dos que tanto amam odiar a imprensa”.  Talvez ZH não tenha encontrado em seus quadros um jornalista capaz de por no papel as idéias que agradassem tanto aos donos da empresa, quanto Bucci foi capaz. Daí, a reprodução do texto, num procedimento não muito comum entre grandes jornais.

    Mas o que diz Bucci, que ZH tanto gostou? A sua tese é de que a imprensa não pode ser considerada um partido de oposição, como dizem muitos que cunharam até a sigla PIG para denominar os partidos da imprensa que estariam a favor do golpe. Para justificar a sua tese, ele afirma que ”afinal, os jornais, as revistas e as emissoras de rádio e televisão não se articulam nos moldes de um partido: não seguem um comando centralizado, não se submetem a uma disciplina tipicamente partidária, não renunciaram à função de informar para abraçar o proselitismo panfletário.”

    Ora bolas, todos que criticam o papel de alguns veículos de comunicação, inclusive aqueles que publicaram o editorial de Bucci, sabem que eles são  objetivamente  veículos de comunicação e que chamar  o Estadão e Zero Hora, por exemplo, de partidos de oposição é um excesso de linguagem para caracterizar que eles se alinham com os interesses dos partidos de oposição hoje no Brasil.

    Engraçado, é que ele admite que “nossa imprensa, convenhamos, é preponderantemente de direita e, muitas vezes, apresenta falhas de caráter, algumas inomináveis, mas nunca se perfilou com a organicidade de um partido político”.

    Vamos então, concordar com Bucci, não falando mais em jornais, revistas e emissoras de televisão, como partidos políticos de oposição, mas sem deixar de chamar a atenção para o fato de que eles atuam como órgãos formadores de opinião que defendem objetivos de interesse restrito da elite econômica do País.

    Vivemos hoje no Brasil uma democracia formal, governados por um partido que, na medida do que é possível , tendo em vista seus compromissos eleitorais, está promovendo um quadro de crescimento geral da renda dos trabalhadores e gerando, ainda que com alguns retrocessos, uma melhoria geral nas condições sociais do povo brasileiro.

    A exceção de alguns momentos dos governos de Getúlio Vargas e de João Goulart, poucas vezes o Brasil avançou tanto na busca da justiça social como agora, sem que isso significasse uma quebra dos limites de um sistema capitalista como o nosso.

    Dentro desse precário equilíbrio é que agem as forças sociais e seus representantes, uns propugnando pela radicalização do processo de justiça social e outros, tentando limitar este avanço ou mesmo buscando que ele regrida.

    Do lado que pretende avançar, estão segmentos dos partidos de esquerda e os movimentos sociais; do lado dos que pretendem a manutenção do atual status-quod, ainda que essencialmente injusto, estão os órgãos de repressão que vão do policial da esquina, às forças armadas, aos tribunais, às igrejas estabelecidas e a alguns segmentos do empresariado. No lado mais escuro desse espectro estão grupos empresariais que sonham com a volta de um sistema autoritário onde a única voz a ser ouvida é a do mercado.

    A grande mídia, que não é um partido, mas apóia movimentos partidários, se divide entre aquele segmento que defende a manutenção do atual quadro social e político, ainda que veja na administração federal alguns desvios perigosos à esquerda e aquele que, simplesmente quer derrubar o atual governo e de preferência colocar na Papuda todos os petistas.

    O jornalista e professor Eugênio Bucci parece se filiar na primeira corrente. Diz ele: ´”É claro que não se pode dizer que o PT atualmente se reduza a um discurso tropegamente autoritário, mas as feições autoritárias e fanatizantes desse discurso vão ganhando densidade a cada dia.”

    Ou seja, Bucci, que em 1980, quando filiado ao PT,foi o primeiro editor da revista Teoria e Debate, editado pela Fundação Perseu Abramo e de janeiro de 2003 a abril de 2007, dirigiu a Radiobrás durante o primeiro governo Lula, está enxergando um desvio do seu ex-partido para posições que ele classifica como autoritárias e perigosas para a democracia, num posicionamento político que parece oscilar do centro para a direita.

    No lado mais obscurantista dos posicionamentos políticos possíveis hoje, está sem sombra de dúvida a Revista Veja, com uma linha editorial que pode tranquilamente ser classificada de golpista. E dentro da revista, embora isso pareça quase impossível, o cronista Reinaldo Azevedo consegue assumir posições ainda mais direitistas e raivosas.

    Leia-se o que ele escreveu no seu blog, sobre Eugênio Bucci; “Trata-se, faço-lhe justiça, de um homem bastante injustiçado por certas correntes do petismo, que o criticam. Por quê? Porque esses críticos ignoram que ele é tão autoritário quanto eles próprios, ou mais, só que de uma variante mais sofisticada. Trata-se de um autoritarismo sutil, quase sempre gentil, que se faz passar por apreço à pluralidade. Dou um exemplo: Bucci se alinha com aqueles que repudiam o controle social da mídia feito pelo estado, como querem as hostes de José Dirceu, por exemplo. Mas atenção! Não é por amor à democracia, não! Ocorre que ele é inteligente o bastante para saber que a censura, da forma como pretendem os brucutus, dificilmente se realizará. O seu jogo é mais sutil.”

    Portanto, embora não sejam partidos políticos, como insiste em dizer Bucci, os meios de comunicação também se alinham, como os partidos, num espectro que vai da extrema direita, caso da Veja e de Reinaldo Azevedo, a uma esquerda democrática onde podemos incluir Carta Capital e o seu Sul21, passando por um centro, quase um Centrão (quem ainda lembra desse agrupamento reacionário do Congresso nos tempos do Sarney?), onde estão Bucci, os grandes jornais e emissoras de televisão. Só que enquanto os extremos são mais ou menos estáveis, o centro é oscilante, exibindo sempre uma tendência de cair para a direita.

    Basta lembrar 64, para saber como os grandes meios de comunicação se posicionam quando o processo político se radicaliza.

    http://www.sul21.com.br/jornal/os-partidos-da-imprensa-por-marino-boeira/

  14. Assis Ribeiro

    4 de janeiro de 2014 8:45 am

    Terras para estrangeiros

    Compra de terras e florestas envolve “capos” da multi que corrompeu fiscais do ISS paulistano

    A agência Reuters anuncia que foi concluída a venda de 205 mil hectares de florestas da Fibria – fusão entre a Aracruz Celulose e a Votorantim – nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Bahia.

    É mais de 20% das terras da empresa, uma gigante da celulose.

    Diz a matéria que o Cade aprovou a venda, sem restrições. Em princípio, é o que deveria fazer, porque é a venda de um pedaço da maior empresa para outra.

    Mas quem é a outra empresa?

    A suspeita de que a Parkia seja uma empresa controlada por estrangeiros  – e que, portanto, teria limites legais à compra de terras no Brasil – era tão forte que a Fibria foi aos jornais dizer, numa insólita declaração,  que não é e que a compradora estava “aberta para passar os detalhes de sua formação ao mercado”.

    Mas não passou coisa alguma.

    É simples: a Parkia é uma empresa de fachada.

    “Funciona” em “parte” de uma sala do escritório de contabilidade Apex Auditores, no Edifício Downtown, na Barra da Tijuca – Av. das Américas, 500, Bloco 2, sala 301.

    Não emprega um mateiro, um lenhador, um operador de serra.

    Vai é fazer a corretagem das terras ou, mais provavelmente, servir como “descarrego” contábil para a Fibria reduzir seu endividamento, com um contrato de recompra das terras na gaveta.

    No mesmo endereço,  funciona a Arapar Participações, integrada e dirigida pelos mesmos integrantes da Parkia.

    parkia

     

    Quem era o responsável pela Parkia até novembro do ano passado?

    O senhor Luiz Idelfonso Simões Lopes, presidente brasileiro da Brookfield, braço imobiliário da notória Brascan no Brasil.

    Ele passou a presidência para Charles Wanderley Maia, criador de gado em Goiás e de cavalos de raça.

    Não se sabe muito dele, exceto que recebeu uma condenação por uso de guia falsa no recolhimento de impostos, aqui no Rio.

    Os outros diretores, Renato Cassim e Paulo Cesar Carvalho Garcia são, como Simões Lopes, capas-pretas da Brookfield: vice-presidente e conselheiro geral da empresa.

    A Brookfield, como se sabe, é uma das maiores pagadoras de propina para a máfia dos fiscais do ISS paulistano.

    Que matéria podia sair daí, se tivéssemos jornalismo investigativo, não é?

    Bom, pelo menos podíamos ter Polícia Federal.

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=12171

  15. Isaura

    4 de janeiro de 2014 10:13 am

    O humor pode tudo mesmo?

    Sempre dava uma olhadela nos vídeos do canal Porta dos Fundos. Mesmo não sendo cristã, me senti constrangida vendo o filme do especial de Natal deles. Não havia notado até então que depois daquele vídeo me desinteressei de vê-los, até ver a matéria seguinte e vi que não os estava mais assistindo. 

    Ofendidos, grupos católicos fazem campanha contra Porta dos Fundos  Por DANIEL CASTRO, em 03/01/2014 · Atualizado às 17h07 Ofendidos com o Especial de Natal do Porta dos Fundos, uma compilação de esquetes de humor sobre a vida de Jesus, grupos de católicos estão fazendo aquela que parece ser a maior campanha contra o grupo de humor baseado no YouTube. Na principal ação, os católicos estão organizando uma petição online para que a cerveja Itaipava deixe de patrocinar o Porta dos Fundos. Até as 17h desta sexta (3), 14,5 mil pessoas já tinham assinado a petição “Diga à Itaipava para deixar de apoiar o ataque ao Cristianismo!”. No site de petições Citizen Go, os católicos também pedem para que as pessoas denunciem o Porta dos Fundos à Polícia Civil do Rio de Janeiro por suposto crime de “preconceito e ódio à religião”. Em um vídeo-resposta de nove minutos, publicado no YouTube, o missionário católico Anderson Reis ameaça processar os humoristas por violação ao Código Civil ao “vilipendiar objeto ou culto religioso”. Visto por mais de 82 mil pessoas, o vídeo de Reis acusa o Porta dos Fundos de “grave ofensa” aos cristãos. Para ele, o vídeo dos humoristas “nada mais é do que um verdadeiro ataque, um deboche e escarnecimento da fé cristã”. Ele lembra que não é a primeira vez que isso ocorre, mas “o Especial de Natal foi provavelmente a pior” ofensa. Na internet, pelo menos uma dezena de sites e blogs já se manifestaram contra o especial do Porta dos Fundos. Um deles chama o grupo de “Portas dos Infernos”. Outro se queixa de que o vídeo traz expressões jocosas como “Maria tá zero bala”. No vídeo do Porta dos Fundos, José (Antonio Tabet) diz que Maria (Julia Rabello) não é mais virgem e tem ciúme de Deus (Rafael Infante), se recusa a deixar os dois sozinhos. Jesus (Gregorio Duvivier) cresce e aparece com uma namorada que trabalha “na esquina”, dá uma “carteirada” para entrar numa taberna e fazer a última ceia e, ao ser crucifixado, reclama que a cruz não é de mogno, tem cheiro de MDF. O Notícias da TV tentou ouvir a posição do Portas dos Fundos, mas não encontrou ninguém na manhã desta sexta na assessoria de imprensa do grupo. Veja o polêmico Especial de Natal do Porta dos Fundos:  [video:http://www.youtube.com/watch?v=2VEI_tn090c&feature=c4-overview&list=UUEWHPFNilsT0IfQfutVzsag%5D   Assista ao vídeo-resposta do missionário católico Anderson Reis:  [video:http://www.youtube.com/watch?v=nWGV8vN2RyU%5D   Fonte: http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/on-demand/ofendidos-grupos-catolicos-fazem-campanha-contra-porta-dos-fundos-1712

  16. joao

    4 de janeiro de 2014 3:47 pm

    Congresso esconde lista detalhada de salários

    Nacional

     

    Congresso esconde lista detalhada de salários

     

    03/01/2014 – 14p9           

    Congresso em Foco

     

    A Câmara e o Senado escondem sua folha de pagamentos detalhada, com o nome e o respectivo salário de cada um dos 594 senadores e deputados, além dos mais de 20 mil servidores. Dois pedidos feitos pelo Congresso em Foco foram negados pela assessoria de imprensa das duas Casas e pelas centrais de atendimento ao cidadão do Legislativo. A justificativa é que essa é a única forma prevista em normas internas do Parlamento.

     

    Como vem mostrando o Congresso em Foco desde 2011, o Congresso concentra supersalários pagos a políticos e servidores – alguns com rendimentos que superaram os R$ 100 mil em um único mês. Dois anos depois das reportagens, o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou suspender os pagamentos, mas nem todos os rendimentos de políticos acima do teto são cortados quando eles recebem de duas fontes pagadoras diferentes. Por lei, nenhum político ou funcionário pode ganhar mais de R$ 28 mil por mês.

     

    Sem essa lista detalhada, não é possível saber os reais rendimentos dos parlamentares e servidores em um determinado mês, já que parte deles recebe dois ou até três contracheques mensais. Também não é possível fazer uma classificação de rendimentos. Foi com base em informações detalhadas como essas – agora negadas, mas fornecidas pelo Congresso ao TCU – que auditores daquele tribunal fizeram duas auditorias em 2009 e 2010, que identificaram mais de 1.500 funcionários do Congresso com supersalários. O prejuízo causado por essa e outras irregularidades somava R$ 3,3 bilhões a cada cinco anos.

     

    De acordo com a Câmara e o Senado, as informações podem ser pesquisadas no próprio site dos órgãos. Mas, da maneira como estão publicadas, é preciso fazer mais de 20 mil pesquisas para obter a lista solicitada pela reportagem. E, em cada, pesquisa, é preciso informar nome, endereço, CPF e digitar um código que impede que robôs e máquinas extraiam esses dados automaticamente.

     

    Duas posturas

     

    Na hora de informar os rendimentos dos parlamentares e funcionários, o Senado e a Câmara adotam posições diferentes. Se for para esconder os nomes dos membros e servidores, aí fornecem uma lista quase completa, mas sem a identificação dos beneficiários, o que permitiria localizar quem recebeu mais de um contracheque no mês por exemplo. A reportagem do Congresso em Foco apenas solicitou que essa mesma lista fosse acrescida de duas informações: o nome e a matrícula do parlamentar ou do funcionário.

     

    Isso porque, hoje, para mostrar o nome da pessoa, a postura é outra. O Congresso não oferece lista, mas apenas uma tela de pesquisa única, fornecida após a identificação dos dados pessoais do cidadão. É preciso fazer 20 mil pesquisas para obter a lista de um único mês de salários.

     

    Investigação

     

    O Ministério Público investiga se o formato da divulgação de salários do Congresso fere a Lei de Acesso à Informação. No ano passado, uma pessoa fez uma denúncia sobre a forma de publicidade no Senado. O denunciante afirmou que a Casa inibia o acesso às informações, contrariando as intenções da lei. O caso é investigado pelo procurador da República no Distrito Felipe Fritz, que apura se órgãos da administração fazem “exigência indevida de fornecimento de outros dados pessoais além da identificação” para se obter dados públicos. A assessoria da Procuradoria da República no Distrito Federal informou que a investigação tem data de conclusão prevista para março de 2014.

     

    A central de atendimento ao cidadão da Câmara informou ao Congresso em Foco que esta é “a única forma disponível” para a consulta nominal das remunerações dos deputados e servidores. Entretanto, diz que vai analisar o pedido do site sob a forma de “sugestão”. Tanto o Senado como a Câmara afirmaram que a forma de divulgação dos salários está respaldada em normas internas das Casas, ou seja, criadas por eles mesmos. Veja as respostas.

     

    Censura

     

    A partir de 2011, o Congresso em Foco passou a revelar nomes e salários de políticos, funcionários e autoridades que recebiam mais do que um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o teto do funcionalismo. Foram reportagens que tratavam da situação no Executivo, Judiciário e Legislativo. O então presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) recebia R$ 62 mil por mês, acumulando o subsídio de parlamentar e duas aposentadorias no Maranhão.

     

    Depois que revelou quem eram 464 donos de supersalários no Senado, o site foi alvo de 50 ações judiciais, a maioria incentivada pelo sindicato dos funcionários. Duas delas pediam a censura prévia do Congresso em Foco. Todas as ações julgadas foram consideradas improcedentes. Hoje, só restam três processos.

    http://www.odocumento.com.br/materia.php?id=450099

     

  17. Luiz Eduardo Brandão

    4 de janeiro de 2014 6:58 pm

    O rebaixamento da Portuguesa e a Constituição.

    O caso da Portuguesa e a Constituição

     Ives Gandra Martins* 

    Durante os trabalhos constituintes, tendo participado de audiências públicas e escrito com Celso Bastos, pela Saraiva, os comentários ao texto supremo, em 15 volumes e mais de 12 mil páginas, foi-me possível perceber que a questão dos princípios constitucionais tornou-se o elemento de maior preocupação dos nossos primeiros legisladores.

    Embora adiposa e repleta de normas e regras – muitas delas sem densidade para figurar na lei maior –, o equilíbrio de poderes e o elenco de princípios tornaram-se pontos nevrálgicos que fizeram da Carta Magna de 1988 a mais democrática das nossas Constituições. Entre os princípios implícitos e explícitos da lei das leis, está o princípio da razoabilidade, que, à evidência, como se percebeu no caso da Lusa, foi amplamente ignorado. 

    Como considerar que não fere a razoabilidade o fato de, após um campeonato de 38 jogos, 3.420 minutos jogados, em partida sem qualquer relevância, pois a Portuguesa já não mais corria risco de rebaixamento, a entrada em campo de um jogador, por 12 minutos apenas, tivesse o condão de rebaixar um time que mereceu em campo continuar na primeira divisão para colocar outro, que perdeu em campo o direito de nela permanecer, sob a alegação de que aquele jogador estava em situação irregular?

    E tudo porque – ao contrário do que ocorre na Justiça comum, em que as decisões passam a valer APÓS A INTIMAÇÃO FORMAL DAS PARTES e PUBLICAÇÃO DAS DECISÕES – o advogado da Portuguesa estava presente ao julgamento, para produzir sustentação oral, considerando, a justiça esportiva, que esse fato dispensava a regular intimação da decisão. Estranhamente, esse cidadão disse ter comunicado à Portuguesa o teor do julgado, à noite, por telefone, SEM QUALQUER PROVA DE QUE O HOUVESSE FEITO. Note-se que essa prova seria de fácil produção, bastando mostrar o registro telefônico da chamada supostamente feita para o número da Portuguesa ou de seu representante!!!

    O ferimento não apenas ao princípio da razoabilidade mas também ao da publicidade, neste caso, está demonstrado por cinco evidências:

    1) a comunicação oficial só foi feita na 2ª-feira, após o jogo;

    2) o site da CBF só publicou a decisão na 2ª- feira, após o jogo;

    3) em situação rigorosamente idêntica, o Fluminense foi declarado campeão brasileiro, não obstante um de seus jogadores ter disputado irregularmente partida, após receber cinco cartões amarelos;

    4) nenhum representante da CBF acusou, quando da entrada em campo do jogador da Portuguesa, que ele estava suspenso;

    5) o estatuto do torcedor, que é lei publicada depois de um mero ato administrativo interno (Código Desportivo), exige QUE HAJA NOTIFICAÇÃO ONLINE.

    Creio que a absurda decisão – criticada pela esmagadora maioria da imprensa, pelo presidente da CBF, pelo ministro dos Esportes, por juristas de maior expressão no país – tem um aspecto positivo, ou seja, levar ao repensar sobre as arcaicas e feudais estruturas da Justiça Desportiva, que devem ser mudadas para exigir que os juízes sejam escolhidos mediante concurso público, e não sejam mais dinasticamente mantidos, como senhores da vida e da morte, no futebol brasileiro.

    Quanto à Lusa, ela pode e deve recorrer a Justiça Comum, por força do artigo 217, § 1º, da CF, que declara:

    “§ 1º – O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei”

    e do artigo 5º, inciso XXXV, cuja dicção é a seguinte:

    “XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;”

    Somente a Justiça Comum pode recolocar em ordem o futebol, assegurando que as vitórias sejam conquistadas em campo. Para gáudio dos torcedores, através dela poder-se-á arejar, de vez, o bunker atual dos que decidem, nos bastidores, os destinos do nosso futebol. 

    * Ives Gandra Martins é jurista.

    http://www.jb.com.br/ives-gandra-martins/noticias/2014/01/04/o-caso-da-portuguesa-e-a-constituicao/

    P.S.1. Acho melhor deixar claro que “Sou tricolor de coração / Sou do clube tantas vezes campeão”. E acho uma vergonha o STJD ter rebaixado um pequeno, no caso a Portuguesa, para salvar um grande, no caso meu time, unicamente por uma questão de tamanho de torcida = de ingre$$o$ vendidos — disso tenho a mais absoluta certeza. Chega de chicanas, na justiça esportica e na justiça em geral.

    P.S.2 Nunca imaginei que fosse concordar mais de uma vez, em tão curto espaço de tempo, com o Gandra. Fico feliz em fazê-lo.

  18. evandro condé de lima

    4 de janeiro de 2014 7:42 pm

    Para os que reclamam de nossos aeroportos

    Minha esposa trabalha em confins e está cansada da fala de educação e prepotência de uma parte dos passageiros. E olha que possuem uma série de direitos- e que cobram- que os pobres coitados que andam de ônibus não possuem (ou não ha fiscalização e cobrança), Então aqui segue um ligeiro exemplo par apensarem um pouco antes de só reclamar.

    Nevasca nos EUA atrapalha retorno de brasileiros ao país

     

     

    FERNANDO MELLO
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

     

    Brasileiros estão presos no aeroporto JFK, em Nova York, desde a última quinta-feira (2), na tentativa de embarcar para o país. Com remarcações e cancelamentos de voos, as pessoas dormiram no chão do aeroporto, tiveram problemas médicos e momentos de tensão com representantes das companhias aéreas.

    “Se arrependimento matasse. É lastimável, estamos sendo tratados como animais. Passamos a noite no chão. Ninguém fala o que está acontecendo. Ontem, mudaram o portão quatro vezes, a gente caminhou o aeroporto todo, até cancelarem o voo”, disse Stahlhoefer.

    O engenheiro contou que de madrugada o grupo de brasileiros teve que sair da área de embarque para fazer um novo check-in, para o voo previsto para a tarde deste sábado. “Não queriam deixar a gente embarcar de novo. Pediram para a gente dormir no saguão de entrada, onde não tem cadeiras nem aquecimento.”

    O médico Daniel Boris Ghetler também enfrentou dificuldades por conta do frio. “O pessoal da Delta queria que a gente saísse do aeroporto com 12 graus negativos, a noite mais fria em muitos anos. E não ofereceram hotel. Aliás, todos os hotéis estão lotados.”

    O filho de Daniel também tinha uma prova marcada de residência médica. “Mesmo que ele chegue, estará muito cansado. A gente tentava argumentar com a empresa e três policiais intimidavam a gente, como se nós não fossemos vítimas.”

    Outra reclamação dos brasileiros é a falta de informações. “Falam que a neve é todo o problema. Ontem muitos aviões subiram e desceram. Estava o famoso céu de brigadeiro durante todo o dia. Nosso avião estava estacionado e eles, depois de horas mudando de portão, informaram que o problema era que o horário da tripulação havia estourado”, disse Daniel Ghetler.

    Durante a noite, um paramédico foi chamado para dar assistência a uma grávida de oito meses e uma senhora com crise de pressão alta. Uma ambulância foi colocada de plantão.

    Passageiros que estavam em um voo da American Airlines cancelado na noite de quinta-feira ainda aguardavam para voltar ao Brasil. Na madrugada de sábado, foram para um hotel.

    A analista de sistemas Vanessa Arnold fez sua primeira viagem internacional. Resolveu chegar com antecedência no aeroporto, por volta das 15h de sexta. A nova previsão para o seu voo é as 15h deste sábado.

    “Na ultima remarcação de portão, à meia-noite, cancelaram o voo. Disseram que não iriam prestar assistência, não dariam hotel. Falaram para pegarmos as malas e sair para fora do terminal, na parte fria do aeroporto. “

    Vanessa ligou para o consulado do Brasil. “À noite distribuíram lanches, mantas e travesseiros. Todos dormimos no chão, inclusive crianças e idosos”, relatou. “Às oito horas da manhã eu liguei para o consulado. Eles disseram que se deram cobertor, lanche e travesseiro, estavam nos atendendo. Eu pedi para mandar alguém. Ontem o cônsul veio para ajudar um voo da TAM. Prometeram entrar em contato.”

     

     

  19. Ed Döer

    4 de janeiro de 2014 10:32 pm

    Só hoje fui reparar que o

    Só hoje fui reparar que o clipping está de volta, então postar aqui o que já tinha botado no fora de pauta:

    Fonte: http://www.publico.pt/mundo/noticia/alqaeda-declara-cidade-iraquiana-de-falluja-o-seu-novo-estado-1618393

    Al-Qaeda declara cidade iraquiana de Falluja o seu novo Estado

     

    04/01/2014 – 14:41

    O objectivo do Estado Islâmico do Iraque e do Levante passa por controlar partes do Iraque e da Síria, expulsando os governantes que considera infiéis.

    O ISIS irrompeu nas orações de sexta-feira na cidade Reuters

    Não é a primeira vez que isto acontece. Quando o Iraque ainda vivia sob ocupação norte-americana, jihadistas lidados à Al-Qaeda e liderados então pelo jordano Abu Mussab al-Zarqawi, já tinham declarado a zona um “Estado islâmico”. Agora, foi a vez do Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumir o controlo da cidade árabe sunita a meio caminho entre Bagdad e a fronteira síria.

    A última vaga de confrontos na província iraquiana de Anbar começou na segunda-feira, quando as autoridades decidiram desmantelar vários acampamentos de protesto contra o Governo do xiita Nouri al-Maliki, acusado de discriminar a minoria árabe sunita. Em Ramadi, capital de Anbar, as autoridades contam com o apoio das milícias tribais inicialmente criadas pelos Estados Unidos para combater os jihadistas e entretanto reactivadas; em Falluja, segundo diversos testemunhos, pelo menos parte destas milícias está ao lado dos combatentes estrangeiros.

    ISIS, Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ou do Iraque e da Síria, Daash, são tudo nomes para a mesma coisa: um grupo de criminosos de várias nacionalidades, muitos árabes e de países da região, outros muçulmanos de países asiáticos, africanos e europeus, que tem tornado a guerra na Síria num pesadelo ainda maior para os sírios.

    No Iraque, o Governo de Bagdad já tinha enfurecido muito a população árabe sunita (o sunismo é um ramo do islão minoritário no país, mas esmagadoramente maioritário no mundo). Autoritarismo misturado com corrupção tem sido a combinação explosiva da liderança de Maliki, deixando uma parte da população disponível a juntar-se a quem tenha armas para combater a autoridade central. Seguidores da Al-Qaeda apareceram no Iraque para combater os norte-americanos e nunca de lá saíram completamente – com a revolta síria, esmagada pelo regime, vieram mais e com mais força.

    Os relatos são confusos. Segundo alguns, Falluja está totalmente nas mãos dos jihadistas desde sexta-feira. Militares e polícias abandonaram os seus postos, os extremistas nomearam um governador para a cidade e içaram a bandeira negra da Al-Qaeda em vários edifícios governamentais. No fim das orações de sexta-feira, as mais importantes da semana, combatentes do ISIS ocuparam o palco num parque público, expulsando o imã que liderava a oração, agitando a sua bandeira e desafiando as autoridades a virem buscá-los.

    “Declaramos Falluja um Estado islâmico, ponham-se do nosso lado”, gritaram à multidão, de acordo com relatos de testemunhas citados no jornal The New York Times. “Estamos aqui para vos defender do Exército de Maliki e dos safávidas”, disse ainda um dos combatentes. A dinastia safávida controlou durante centenas de anos os territórios onde hoje se erguem o Iraque e o Irão – o Irão é o único grande país muçulmano de maioria xiita, e os seus líderes são aliados dos xiitas do Iraque, assim como da família Assad, no poder na Síria.

    O objectivo do ISIS passa por controlar partes do Iraque e da Síria, expulsando os governantes que considera infiéis.

    Um correspondente da agência AFP confirmou já neste sábado que Falluja está totalmente sob controlo dos homens do ISIS. Mas há combates intermitentes nos arredores da cidade, 60 quilómetros a ocidente de Bagdad, e a polícia iraquiana tentava ainda na sexta-feira entrar pelo norte de Falluja e chegar à rua principal da cidade.

    Em Ramadi, capital da província, a situação é pelo menos tão confusa quanto a de Falluja. Os combatentes do ISIS conquistaram vastas zonas da cidade na quinta-feira, mas as forças do Governo terão entretanto recuperado algumas partes, com três bairros ainda nas mãos dos jihadistas estrangeiros.

    Sabe-se que na sexta-feira morreram pelo menos 32 civis e 71 combatentes da Al-Qaeda. E que Falluja está sem electricidade: o ISIS terá cortado a energiae ordenado aos habitantes que não usem os geradores para não gastarem o combustível disponível.

     

     

  20. LGMartin

    5 de janeiro de 2014 1:38 am

    Exemplo de jornalismo (e juizes) de péssima qualidade

    O site http://www.atarde.uol.com.br/politica/materias/1559397-em-prisao-domiciliar-genoino-muda-endereco-pela-3a-vez (des)informa:

    Em prisão domiciliar, Genoino muda endereço pela 3ª vez

    Condenado em regime semiaberto no processo do mensalão, o ex-presidente do PT José Genoino trocou de endereço por pelo menos três vez nos últimos 40 dias. A última mudança ocorreu nesta sexta-feira, 3, e segundo advogados do petista a decisão foi comunicada na véspera ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    Após deixar no último dia 24 de novembro o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, onde estava internado, o petista teria passado alguns dias no apartamento da filha caçula, no bairro Guará II. Pouco depois se mudou para uma casa, que seria de propriedade do sogro da filha, localizada no Lago Sul, bairro de classe média da capital.

    Segundo o advogado de Genoino, Luiz Fernando Pacheco, o petista deixou a residência do sogro nesta sexta. “Ele foi uma pessoa generosa que acolheu o Genoino. Mas diante da negativa do STF de autorizar que o Genoino cumprisse pena em São Paulo decidiu-se procurar outro endereço”, disse Pacheco ao Broadcast Político. O advogado não quis revelar o novo local nem de quem seria a propriedade.

    A decisão de negar a transferência do petista para que ele cumprisse prisão domiciliar em São Paulo foi tomada pelo presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, no último dia 27 de dezembro. Na ocasião, o ministro, relator do processo do mensalão, chegou a afirmar que a chance de Genoino voltar para a penitenciária da Papuda do Distrito Federal era “forte”.

    Preso em novembro em São Paulo, o ex-dirigente do PT foi trazido para Brasília junto com outros condenados no processo do mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

    O ex-deputado ficou menos de uma semana no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. Deixou o estabelecimento após reclamar de problemas cardíacos. Depois de ter passado por uma avaliação médica, ele foi autorizado a cumprir a pena em prisão domiciliar.

    Na decisão do final de dezembro, Joaquim Barbosa estabeleceu um prazo de 90 dias, contados desde 21 de novembro, para Genoino ficar em prisão domiciliar em Brasília. Ao fim desse prazo, Barbosa decidirá, após reavaliação do estado de saúde, se o ex-presidente do PT voltará a cumprir pena na prisão em regime semiaberto pela condenação por corrupção ativa.

    Segundo Luiz Fernando Pacheco está prevista para a próxima terça-feira (7) uma avaliação de rotina por parte da equipe médica do Hospital Sírio Libanês de São Paulo do quadro de saúde do petista, submetido a cirurgia cardíaca em meados de 2013. Devido à negativa no pedido de transferência do petista, a alternativa estudada é que uma equipe do hospital em Brasília faça as análises. “Genoino não tem condições de arcar com os custos da vinda da equipe de São Paulo, uma possibilidade é o doutor Kalil indicar alguém da cidade”, afirmou Pacheco.

    Isto é um exemplo de jormalismo de esgoto. A manchete tenta dar a entender que o ex-deputado José Genoíno estaria mudando de endereço com objetivo de fugir da justiça. Porém, o próprio corpo da matéria começa com “Condenado em (sic) regime semi aberto… “, o que prova a ilegalidade a que o condenado está sendo submetido quando foi encarcerado em um presídio em regime fechado.

    Não por razões humanitárias ou legais, mas por medo de que Genoíno pudesse morrer no presídio em consequencia de sua decisão ilegal, o ministro joaquim barbosa (assim mesmo, em minúsculas) determinou que o paciente fosse transferido para um hospital. Seria muito desgastante e impopular se o ex-deputado, sob delicado estado de saúde, morresse nessa condição de prisão ilegal determinada pelo ilustre jurista proprietário do apartamento de Miami.

    Após deixar o hospital Genoíno “teria passado” (este termo “teria passado” é de uma incapacidade de informar suficiente para reprovar qualquer estudante de jornalismo em qualquer faculdade de 5ª categoria) alguns dias na casa da filha caçula (a 1ª mudança). Note-se que esta mudança foi autorizada pelo judiciário (também em minúsculas).

    “… pouco depois se mudou para uma casa, que seria do sogro da filha (2ª mudança)…” .

    “… diante da negativa do stf (em minúsculas) de autorizar que Genoíno cumprisse pena em São Paulo decidiu-se procurar outro endereço…” (3ª mudança, todas elas comunicadas e autorizadas). Note-se ai mais uma ilegalidade cometida pelo douto jurista joaquim barbosa (com letras e justificativas minúsculas): pois as leis penais determinam que o condenado cumpra sua pena próximo de seu domicílio.

    “A decisão de negar a transferência do PETISTA para que ele cumprisse prisão domicialiar em São Paulo foi tomada pelo presidente do STF… na ocasião, o ministro… chegou a afirmar que a chance de Genoíno voltar para a penitenciária da Papuda era ‘forte’…” Note-se nesta frase a necesidade de frisar o termo “petista” e também que um juiz não precisa mais se manisfestar nos autos de um processo mas sim por opiniões como se fosse uma discussão de futebol em botequim (como dizer: a chance do Fluminense virar o jogo e evitar o rebeixamento no tapetão é forte).

    Já passou da hora de termos melhores jornalistas, melhores jornais e meios de comunicação e, sobretudo, melhores juizes e ministros de cortes superiores (principalmente o Supremo Tribunal Federal). Sem isto nunca seremos uma nação séria e ai talvez seja melhor abrir uma empresa fantasma para comprar um apartamento em outro país (não em Miami mas talvez em Montevideu) e nos mudarmos para lá. 

    Certamente em um país sério não aconteceriam coisas como Genoíno estar preso enquanto Daniel Dantas, Paulo Maluf, Perrelas, Serra, Gilmar Mendes, Barbosa, famílias Marinho-Frias-Mesquita-Civita, torturadores e assasinos da ditadura, juizes e promotores corruptos, deputados e senadores desonestos etc. estão a solta. 

     

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