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  1. Webster Franklin

    10 de agosto de 2015 4:22 am

    O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, tachou de “barbaridade”

    Web Justiça

    domingo, 9 de agosto de 2015

     

    O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, tachou de “barbaridade” a Proposta de Emenda Constitucional que vincula os salários dos advogados da União e dos delegados federais e civis a 90,25% dos contracheques dos magistrados do Supremo.

     

     

     O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, tachou de “barbaridade” a Proposta de Emenda Constitucional que vincula os salários dos advogados da União e dos delegados federais e civis a 90,25% dos contracheques dos magistrados do Supremo. Ele disse ao blog que a emenda, aprovada em primeiro turno pela Câmara na madrugada de quinta-feira, fere a Constituição. Por duas razões:1. “A Constituição Federal, no seu artigo 37, inciso 13, preceitua que é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito da remuneção do pessoal no serviço público. A cláusula é clara, está em bom português. Por isso, essa proposta não frutifica.”O inciso 13 do artigo 37 da Constituição, mencionado por Marco Aurélio, diz exatamente o seguinte: “É vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público.”2. “Cabe ao Executivo a iniciatva de projetos visando disciplinar a organização do funcionalismo. E não se pode manietar o presidente da República ou substituí-lo, versando a matéria em emenda constitucional, cujo processo respectivo não passa pelo Executivo.”Nesse ponto, o que Marco Aurélio afirma, com outras palavras, é o seguinte: cabe ao Poder Executivo, não ao Legislativo, estruturar as carreiras do funcionalismo federal. Ao tratar dos salários de advogados e delegados numa proposta de emenda à Constituição, os parlamentares excluíram Dilma Rousseff do processo. Por quê? Diferentemente do que ocorre com os projetos de lei, sujeitos ao veto da presidente, as emendas constitucionais independem da vontade da chefe do Executivo. Quando aprovadas, as alterações no texto da Constituição são promulgadas pelo presidente do Congresso.O governo chama a emenda de “bomba fiscal”. Sustenta que ela custaria ao Tesouro R$ 2,4 bilhões por ano. Um advogado da União em início de carreira passaria a ganhar R$ 27,4 mil mensais. A proposta precisa ser apreciada em segundo turno na Câmara. Em seguida, terá de ser submetida ao Senado. Um grupo de senadores já articula a rejeição da emenda.
    A essa altura, duvida-se até da real disposição do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de pautar o segundo turno da votação da emenda. Sobrevivendo no Congresso, a matéria será questionada no STF por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade. A julgar pela manifestação de Marco Aurélio, não são negligenciáveis as chances de o Supremo desarmar a “bomba”.http://webjuslegal.blogspot.com.br/2015/08/o-ministro-marco-aurelio-mello-do-stf.html

     

    1. Monier.,.,.,.,

      10 de agosto de 2015 5:44 am

      Vai lendo:
      Art. 37 da

      Vai lendo:

      Art. 37 da CF:

      XIII – é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público;   (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

      XI – a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

      (…)

      Art. 27 da CF:

      § 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa, na razão de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

      (…)

      § 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

      (…)

      E agora, o art. 93 da mesma CF:

      V – o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

       

      Resumindo, indignação seletiva e inconstitucionalidade nos olhos dos outros é refresco.

       

  2. romério rômulo

    10 de agosto de 2015 4:50 am

    transposição do São Francisco

    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/08/canal-da-transposicao-recebe-as.html

    romério

    1. Cris Kelvin

      10 de agosto de 2015 9:56 pm

      *****

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=yC5Sf2kK7S0%5D

  3. romério rômulo

    10 de agosto de 2015 5:09 am

    2 anos do Mais Médicos

    http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Planalto-celebra-dois-anos-do-Mais-Medicos/4/34165

    romério

  4. romério rômulo

    10 de agosto de 2015 5:18 am

    em 1995 FHC criou este paraíso fiscal no Brasil

    200 bilhões de reais/ano não pagam IR. São 71.440 brasileiros ricos e isentos.

    http://www.cartacapital.com.br/economia/uma-fortuna-de-200-bi-protegida-do-ir-da-pessoa-fisica-3229.html

    romério

    1. nilo

      10 de agosto de 2015 8:05 am

       
      A matéria indicada pelo

       

      A matéria indicada pelo Rómulo é encontrada no seguinte endereço (a que foi direcionada)

      http://www.cartacapital.com.br/economia/uma-fortuna-de-200-bi-protegida-do-ir-da-pessoa-fisica-3229.html

  5. Monier.,.,.,.,

    10 de agosto de 2015 5:28 am

    Sobre as reuniões de

    Sobre as reuniões de Lewandowski, Dilma e demais ministros para negociar um percentual de aumento que não aquele firmado em assembléia pela categoria dos técnicos e analistas judiciários da federação, deixo duas informações e uma notícia de um jornal da Bahia. Quem quiser, que conclua o que bem entender.

    Primeira informação: o PLC 28/2015 é contraproposta em relação a projeto de anos anteriores, após negociação duríssima com Lula, Paulo Bernardo, Dilma, entre outros, sendo reconhecido por colegas esquerdistas e fascistas que o PT tem sido o governo mais difícil de negociar desde a redemocratização, e que FHC era terrível, mas fez o mínimo para manter a dignidade da carreira. Até o Sarney que é um sarney teve veto derrubado.

    O percentual do PLC 28/2015 corrige a inflação de uma década sobre o Plano de Carreira do setor, e para desgraça da organização administrativa e do jurisdicionado o único modo de fazer isso é por negociação sindical, e não havendo diálogo eficiente, a greve. Os trabalhadores firmaram, à unanimidade inclusive no sindicato pelego-cutista do RJ (SISEJUFE), que a meta é derrubar o veto ao PLC 28/2015. Não existe dentro da categoria qualquer divergência quanto a isso.

    E o PLC 28/2015 nasceu por iniciativa de lei do presidente do STF, após muito gasto de energia sindical, que foi aprovado em tramitação conclusiva em todas as comissões da Câmara Federal, que foi aprovado por unanimidade em nada menos do que o Plenário do Senado Federal, instância mais representativa do Legislativo dessa que é a sexta maior economia do mundo. E que foi vetado por Dilma Roussef violando a autonomia orçamentária e financeira do Poder Judiciário, sem oposição firme da presidência do STF, e jogando na lama mais uma parcela de sua base eleitoral, para ser sucinto.

     

    Segunda informação: a Lei (internacional).

    A Organização Internacional do Trabalho é algo que o PT e suas indicações políticas têm obrigação moral de respeitar, qualquer socialista sério sabe o peso de violar essas disposições, e o texto fala por si. A fonte do texto é o Ministério do Trabalho e emprego, que da última vez em que li a Constituição era subordinado à Dilma Roussef, nossa presidente, que portanto tem obrigação de saber da norma e do que está acontecendo.

    http://portal.mte.gov.br/data/files/8A8181FA2C136B7A012C142C43615871/Conv_151,39492,7606134259.pdf

    Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)

    ARTIGO 5

    1 – As organizações de trabalhadores da função pública devem gozar de completa independência face às autoridades públicas.

    2 – As organizações de trabalhadores da função pública devem beneficiar de uma protecção adequada contra todos os actos de ingerência das autoridades públicas na sua formação, funcionamento e administração.

    3 – São, designadamente, assimiladas a actos de ingerência, no sentido do presente artigo, todas as medidas tendentes a promover a criação de organizações de trabalhadores da função pública dominadas por uma autoridade pública ou a apoiar organizações de trabalhadores da função pública por meios financeiros ou quaisquer outros, com o objectivo de submeter essas organizações ao contrôle de uma autoridade pública.

    ————-

     

    http://www.bahianoticias.com.br/justica/noticia/52036-stf-servidores-acusam-falta-de-transparencia-em-negociacao-de-nova-proposta-salarial.html

    “Os servidores do Judiciário Federal não se mostraram nada contentes com a notícia das negociações entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, e a presidente Dilma Rousseff para uma nova proposta de reajuste nos salários da categoria. Eles repudiaram o possível acordo e votaram, em assembleia na última sexta-feira (7), por continuar a pressão junto ao Senado para derrubar o veto presidencial ao Projeto de Lei Complementar 28 (PLC 28), que aumenta os vencimentos dos serventuários federais em até 78,56%. De acordo com informações de bastidores, Lewandowski teria afirmado que é preciso avaliar uma melhor proposta de reajuste tanto para a categoria quanto para o governo, que aperta os cintos nos gastos em tempos de ajuste fiscal. No novo projeto, o aumento seria menor do que o esperado pela categoria, prevendo um reajuste de 41%, dividido em quatro anos. O STF afirmou que lutaria para aumentar o índice para 46%. Francisco Filho, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal (Sindjufe), criticou as negociações, que, segundo ele, são feitas “às escuras” e com “transparência zero”. ”Nesse momento, o STF vem trabalhando junto ao governo para apresentar outra proposta, mas sem diálogo com os trabalhadores, atropelando a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata sobre a liberdade sindical e o direito à negociação coletiva e a Recomendação 159 também da OIT”, acusou. A proposta de 41% de aumento nos salários não agradou aos serventuários. “Não podemos deixar o Supremo impor a nós um reajuste que não compõe nem metade das nossas perdas”, conclamaram os servidores.”

  6. Josias Pires

    10 de agosto de 2015 9:29 am

    Ladislau Dowbor, entrevistado por Maria Inês Nassif*

    Dowbor: ausência de reformas bloqueou lulismo

    POR LADISLAU DOWBOR150807-Dilma4

    Depois de enfrentar capital financeiro em seu primeiro mandato, Dilma cedeu a ele. Para Ladislau, consequência é dramática: “Bancos capturaram o imenso esforço que o Brasil fez de redistribuição e de inclusão no mercado de dezenas de milhões de pessoas”

    Para economista, país viveu doze anos de avanços, mas processo atingiu seu limite – e hesitação do governo frustrou mudanças estruturais indispensáveis

    Ladislau Dowbor, entrevistado por Maria Inês Nassif*

    O Brasil andou muito nas últimas duas décadas. Obteve um avanço social histórico desde o governo Lula, mas entrou no “ciclo travado”, a partir do qual sobram apenas duas alternativas: ou a coragem para fazer reformas estruturais, eternamente adiadas, ou o recuo. Jamais ficar no mesmo lugar.

    O raciocínio é do incansável economista Ladislau Dowbor, da PUC de São Paulo. Do alto de um invejável currículo acadêmico – graduação em Lausanne, doutorado em Varsóvia, professor em Coimbra – e profissional, Dowbor carrega consigo uma vocação de eterno militante. Era um dos 40 presos políticos que, nos primeiros dias de 1971, foram trocados pelo embaixador suiço Giovanni Bucher, numa operação comandada por Carlos Lamarca. 

    Hoje brinca que a ditadura incentivou muito o “intercâmbio” daqueles jovens brasileiros que vagaram pelo mundo – os banidos do Brasil que ficaram preferencialmente pela Europa, depois de terem sido trocados por embaixadores sequestrados em ações da guerrilha urbana.

    É com alma de militante que Dowbor tem participado de todas as intermináveis reuniões que acontecem em São Paulo desde o início do ano entre intelectuais, e professa uma “oposição” que se traduza numa unidade de forças progressistas capazes de empurrar o governo para a esquerda, garantir os avanços conquistados de direitos civis, políticos e sociais desde a Constituinte de 1988 e romper com o que ele chama de “ciclo travado”, ou seja, as limitações impostas por uma elite financeira ao desenvolvimento pleno do país.

    No centro de seu pensamento está a constatação de que o rentismo impôs uma ciranda de juros elevados para rolagem da dívida pública e alto custo do crédito para pessoas físicas e jurídicas. E essa realidade se traduziu, na prática, em um severo limite ao ciclo de crescimento baseado no mercado interno, iniciado no governo Lula. 

    A partir de agora, ou o país banca reformas estruturais, inclusive uma reforma financeira, ou retrocederá de um período de quase três décadas de avanços contínuos – sociais, econômicos e políticos. Ladislau Dowbor concedeu esta entrevista, em São Paulo, logo depois de uma rodada de debates sobre o futuro do Brasil entre os integrantes do chamado “Fórum Brasil 21”, que tem por objetivo definir uma agenda política comum para as forças progressistas do país. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu à jornalista Maria Inês Nassif.

    (Entrevista publicada originalmente em “Engenharia em Revista”)

    150807-Ladislau

    Um acumulado de impasses

    O Brasil hoje vive vários impasses. Um deles tem dimensão internacional e sofre o impacto de movimentos especulativos, sobretudo no mercado de commodities. Nos últimos 12 meses, o minério de ferro, por exemplo, que tem um grande peso na pauta de exportações brasileiras, perdeu 40% do seu valor; a soja, a laranja e outras commodities encolheram entre 20% e 30%. São cifras bastante significativas. No plano interno, o país vive um limite estrutural. O Brasil conquistou um conjunto de avanços, em particular nos governos de Lula e no primeiro governo de Dilma, mas os processos de expansão das políticas sociais chegaram a um limite, a partir do qual são necessárias mudanças estruturais.

    As eternamente adiadas reformas de base não são mais adiáveis.

    A resistência das elites e a crise política

    Nesta tensão, a resistência das elites mostra-se extremamente forte. É por isso que a crise que se gera é essencialmente política. Não há base para falar numa crise de enormes proporções, ou que o país está quebrado, ou ainda que vai quebrar. Isso não faz o mínimo sentido. Podem até ocorrer ajustes que levem a uma racionalização de gastos do governo, mas isto não anula simplesmente a realidade de que o país está num ciclo de avanços absolutamente impressionante.

    Socialmente, o Brasil mudou a sua cara. Entre 1991 e 2010, o brasileiro, que vivia até 65 anos, passou a viver 74 anos; em 2012, já vive 75 anos; ou seja, estamos falando de um país onde os brasileiros vivem 10 anos a mais. A mortalidade baixou de 30 por mil para 15 por mil. Isso resulta de uma convergência de mudanças: essas pessoas passaram a ter uma casa mais decente, a comer, são benefi ciários da expansão do serviço básico de saúde, o SUS, etc. São fatores que convergem para uma expansão do tempo de vida e para a redução da mortalidade infantil – e, convenhamos, dividir pela metade a mortalidade infantil é um gigantesco avanço. Além disso, temos um conjunto de outros números já conhecidos: a criação de 20 milhões de empregos formais e 40 milhões de pessoas que saíram da miséria.

    Segundo dados do Atlas das Regiões Metropolitanas elaborado conjuntamente pelo PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro, houve uma redução drástica da pobreza em todas essas regiões e um aumento dos Indicadores de Desenvolvimento Básico (IDB). Mais recentemente foram divulgados os Indicadores de Progresso Social, o IPS, que acompanha 54 indicadores que são o PIB, e coloca o Brasil no 42º lugar entre 130 países, puxado para baixo essencialmente pelo problema da segurança, que é o ponto crítico e está diretamente ligado ao problema da desigualdade.

    O sistema financeiro emperra a locomotiva

    Escrevi um documento chamado “Bancos: o peso morto da economia brasileira”, em que eu descrevo como os juros internos da economia esterilizam as ações de política econômica social. O Rubens Ricupero e o Bresser Pereira, que foram ministros da Fazenda e entendem disso, aprovaram as minhas anotações. O capitalismo financeiro impõe severas limitações ao momento seguinte desses avanços sociais, ao avanço do Brasil em direção ao futuro. Está em curso um processo de globalização financeira mundial que torna difícil ao país adotar políticas macroeconômicas independentes e as reformas financeiras que são necessárias. Quando se cobra nos crediários mais de 100% de juros, a intermediação financeira está se apropriando da metade da capacidade produtiva da população. O imenso esforço que o Brasil fez de redistribuição e de inclusão no mercado de dezenas de milhões de pessoas, os bancos, os comerciantes com crediários, as administradoras de cartões de crédito capturaram. As instituições de crédito sugaram a capacidade de compra da população, e dessa forma esterilizaram a dinamização da economia pelo lado da demanda. Os juros para pessoas jurídicas são absolutamente escorchantes, o que trava também a economia pelo lado do investimento. Os empresários já tendem a investir pouco quando a economia está travada. Quando, ainda por cima, adquirir equipamentos e financiar empresas custa de 40% a 50% de juros, então esqueça de novos investimentos.

    Veja o poder político que esses grupos têm para obrigar o governo americano, o Banco Central Europeu, Bruxelas, a encontrar trilhões de dólares em poucos meses, quando os recursos são escassos para resolver o problema da destruição ou da pobreza.

    “A financeirização não é abstrata. Grupos financeiros controlam os conselhos de administração das mais diversas empresas e ditam as políticas das corporações”.

    A urgente reforma financeira 

    Sem dúvida, são urgentes as reformas política e tributária, mas é igualmente central uma reforma financeira em profundidade.

    O componente rentista da crise é parte de minha análise. Na minha avaliação, o fator central dessas limitações ao futuro é que não temos mecanismos de canalização adequada dos recursos do país. O Brasil tem uma renda per capita de US$ 11 mil – e isso é um nível de renda de um país rico. O nosso país também domina tecnologias e tem instituições. Não existem razões plausíveis para a economia não funcionar. Contudo, a generalização da inclusão social e a redução dos desequilíbrios internos esbarram em razões estruturais.

    O Brasil andou para frente nas últimas duas décadas

    No Atlas Brasil 2013 de Indicadores de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), se compararmos os índices de 1991 e 2010, observamos avanços espantosos. Em 1991 nós tínhamos 85% dos municípios do Brasil que tinham um IDH muito baixo, inferior a 0,50. Em 2010 apenas 32 municípios estavam nessa situação, ou seja, 0,6%. Essa é uma mudança extremamente profunda e estrutural. O Brasil começou a se transformar, na fase anterior ao governo Lula, com a aprovação da Constituição de 1988, que criou regras do jogo democrático que permitiram o início dos avanços.

    Foi um avanço também a ruptura com a inflação. Afinal, numa hiperinflação não se consegue fazer administração do setor público.

    Tudo isso viabiliza uma série de avanços significativos na década de 1990. A partir do governo Lula isso se sistematiza, e os avanços se tornam extremamente poderosos.

    Mundo em explosão

    Nós estamos num ano crítico em termos mundiais. Chegamos a limites críticos de destruição do planeta. Em 40 anos, destruímos 52% da vida vertebrada do planeta. O relatório da WWF é dramático: nós estamos esterilizando solo e liquidando a cobertura florestal.

    Além desses problemas na área ambiental, persistem também um conjunto deles na área da desigualdade. O relatório da Oxfam sobre a desigualdade é devastador. Nós temos 85 famílias que têm mais patrimônio acumulado do que a metade mais pobre da população, ou seja, 13,5 milhões de pessoas. Se você junta o ambiental e o social, conclui-se que o mundo está explodindo.

    Coffee Party

    O Tea Party paralisa os Estados Unidos. Estes mesmos grupos estão querendo um Coffee Party no Brasil. Partem do mesmo fundamentalismo, do mesmo discurso radical conservador sem propostas. O que eles querem, afinal? Aumentar a desigualdade?

    “O capitalismo financeiro impõe severas limitações ao momento seguinte dos avanços sociais, ao avanço do Brasil em direção ao futuro”.

    O caminho é olhar para dentro…

    Se entendermos as transformações que ocorrem interna e externamente – estamos numa crise planetária e numa volatilidade extrema, inclusive dos preços das commodities –, o caminho que temos de trilhar torna-se claríssimo. O Brasil é um país muito grande, de mais de 200 milhões de habitantes, e tem tranquilamente 100 milhões de pessoas que precisam melhorar a situação de vida. Nós temos, portanto, como crescer na fronteira interna. E quando a área externa é extremamente insegura, nada como reforçar a base interna de desenvolvimento. Isso implica manter e aprofundar as políticas de inclusão e de distribuição de renda, mas garantindo que isso ocorra simultaneamente às transformações significativas no sistema financeiro.

    Um futuro em suspenso

    O caminho para frente é o aprofundamento da luta contra a desigualdade por meio da inclusão produtiva, da expansão dos programas sociais e coisas do gênero. A oposição que devemos fazer nesse momento não é contra a presidente Dilma (Rousseff), mas para que ela avance muito mais e retome os processos que tinham sido anunciados.

    Uma crise para travar o ciclo

    A imbricação entre a situação internacional e a situação econômica interna com o seu respectivo embasamento político trava as reformas estruturais que são indispensáveis à continuidade do processo.

    É um ciclo travado, mas não acho que a direita tem qualquer coisa coerente a propor. Não está conseguindo propor nada de coerente nem nos Estados Unidos, nem na França, nem na Grã-Bretanha, nem em lugar nenhum. Por todo lado está surgindo um Podemos, ou um Syriza (partido grego de esquerda). Os Estados Unidos estão paralisados em termos de capacidade de governo.

    Capital financeiro contaminou a produção

    O capital financeiro tornou-se hegemônico de uma maneira que desconhecíamos até 2011. Naquele ano, foi divulgado o relatório do primeiro estudo mundial sobre o sistema corporativo internacional, produzido pelo Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH), que corresponde ao MIT da Europa e tem 31 prêmios Nobel de Tecnologia, a começar por Albert Einstein. Uma fonte absolutamente inatacável.

    Segundo o estudo, 737 grupos do planeta controlam 80% do valor das empresas transnacionais. Destes, 147 grupos, dos quais 45 são bancos, controlam 40% do sistema mundial. A financeirização, portanto, não é abstrata, um mecanismo diluído ou misterioso. Esses grupos financeiros controlam os conselhos de administração das mais diversas empresas e ditam as políticas das corporações. Como são grupos financeiros que têm participações acionárias poderosas em empresas produtivas,

    eles dizem a essas empresas o que fazer: “Nós queremos uma rentabilidade de tanto, senão tiramos o nosso capital e quebramos a empresa”. Se uma empresa decide adotar uma política ambiental mais sustentável, ou qualquer outra coisa que pode afetar a rentabilidade da empresa, esquece.

    Centenas de exemplos de fraudes das mais variadas corporações internacionais, como as cometidas por empresas farmacêuticas, de agrotóxicos ou os próprios bancos, têm o objetivo central de gerar lucros. Essa estrutura mundial de poder foi suficientemente forte para, na crise de 2008, levar trilhões de dólares de governos para socorrer os bancos que haviam se excedido nos processos especulativos e estavam desequilibrados. Um socorro para os grupos financeiros que criaram a crise.

    A contaminação da Justiça

    O poder das corporações está estampado na votação, pelo Supremo, da ação de inconstitucionalidade do financiamento empre-sarial de campanha. As corporações não votam nem devem ter interesses políticos próprios. É legítimo a Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ser um instrumento de participação política das corporações. Mas uma corporação comprar um mandato para um deputado ou senador, financiando-o, certamente isso não é certo. Seis juízes do Supremo, e portanto a maioria, já votaram pela inconstitucionalidade do financiamento empresarial e um único, Gilmar Mendes, ligado a interesses evidentes, pede vistas antes das eleições. Esta única pessoa transformou radicalmente o perfil do Congresso que foi eleito em seguida, pois se tivesse sido proibido o financiamento empresarial antes das eleições, os candidatos não poderiam ter mantido o vínculo com as corporações empresariais. Isso também é uma medida do grau de aprisionamento da política pelo Judiciário, pelas corporações e pela mídia, e coloca como objetivo central das forças progressistas resgatar o processo democrático da órbita do poder econômico.

    Crédito a Fernando Henrique, mas em termos

    É creditado ao governo Fernando Henrique Cardoso a ruptura com o processo inflacionário, o que é correto. Mas, segundo o The Economist, em 1992 o mundo tinha 44 países com hiperinflação, e todos eles liquidaram esse problema pela razão simples de que não se abriria a eles a possibilidade de participar do sistema financeiro que se internacionalizava se não resolvessem seus processos inflacionários. A globalização financeira, a formação do sistema especulativo, a chamada financeirização era incompatível com economias que tinham moedas não conversíveis, que mudavam de valor no decorrer do dia.

    A articulação do rentismo com a mídia

    O maior jornal econômico do país, por exemplo, em fevereiro publicou uma matéria que contém um quadro com as projeções de inflação, com o título: “O que os economistas esperam”. E são listadas 21 “apostas” em índices inflacionários feitas por economistas de instituições. Entre eles, não tem nenhum Amir Khair, um Luiz Gonzaga Belluzzo, uma Tânia Bacelar, um Rubens Ricúpero, um Bresser Pereira ou um Márcio Pochmann; sequer um IBGE ou um DIEESE. Apenas de bancos ou consultorias ligadas ao mercado financeiro – e ambos ganham com a inflação. Esses economistas geram expectativas inflacionárias que se autocumprem, pois os agentes econômicos acompanham as expectativas e elevam preventivamente os preços.

    Existe um trabalho de chantagem e contaminação pelo aceno do “risco inflacionário” – e todos sabem que a inflação é um golpe mortal em termos políticos. Esse tipo de chantagem segura o governo pelo pescoço. A inflação virou arma ideológica.

    Uma crise civilizatória

    Não há mais pobres como antigamente. As pessoas hoje sabem que podem ter uma saúde decente para os seus filhos, acesso à educação decente e a outros direitos. Nesse sentido vivemos uma crise civilizatória. Não é simplesmente uma crise global que o mundo enfrenta. O volume de recursos apropriados pelos intermediários financeiros seria suficiente para enfrentar tanto a reconversão tecnológica que o meio ambiente exige, com os investimentos de inclusão produtiva que a dinâmica social determina.

    Isso seria conferir uma outra articulação do sistema financeiro, pois ele não é só moeda, mas o direito de alocar os recursos onde eles são necessários. A função da moeda não é a especulação financeira. Essa é a reconversão que temos pela frente, que une a oposição propositiva que queremos criar no Brasil. Daqui saíram US$ 20 bilhões para paraísos fiscais, ou 25% do PIB, dinheiro que daria para financiar Deus e o mundo.

    Rentismo, um obstáculo

    O rentismo é um conceito que se vincula ao mercado internacional, que gerou uma espécie de elite que vive dos juros, não da produção. E isso tem uma enorme profundidade no país. O San-

    tander, por exemplo, que é um grande grupo mundial, tem cerca de 30% de seus lucros originários do Brasil. Isto é, o mercado financeiro impõe drenos e também estruturas políticas de poder que tornam muito difícil a qualquer governo gerar transformações necessárias para romper essa lógica. De, 2013 a 2014, Dilma tentou reduzir a taxa Selic e os juros de acesso de pessoas físicas e jurídicas ao crédito, e a reação foi de pressões políticas muito fortes. E é curioso como as reações se manifestam. Quando se baixa os juros, nas televisões, nas rádios, nos jornais, imediatamente se consulta os chamados economistas que dizem, “é inevitável, a inflação vai subir”. Em regra, esses economistas são todos eles de empresas financeiras.

    Crise internacional não é impedimento, mas oportunidade

    É esse contexto internacional que torna fundamental a adoção de medidas inclusivas, a expansão do horizonte interno econômico. É vital nos basearmos nos objetivos internos da nossa economia. Nas condições de hoje, apoiar o país no sistema internacional é suicídio. Nessa perspectiva, superdimensionar o problema fiscal pode ser um erro, pois há ralos muito maiores no sistema financeiro. O país tem que resgatar o que vaza por sistemas especulativos e para paraísos fiscais e financiar a inclusão produtiva da maioria da população.

    O Brasil não está quebrado, mas sob ataque

    O (Luiz Gonzaga) Belluzzo diz que as forças conservadoras estão criando, politicamente, uma crise e eu concordo. O Brasil não está quebrado. A origem desta crise não está em uma crise econômica que gera recessão. É uma crise política criada por uma elite que quer quebrar o sistema, e em grande parte está conseguindo isso.

    A rigor, essa é a ação que envolve grandes interesses, em particular interesses internacionais no Pré-Sal e o interesse dos grandes bancos internacionais que querem manter a mamata da Selic elevada, pois é um grande negócio aplicar aqui e ganhar 12% de juros, enquanto os Bancos Centrais da Europa e dos Estados Unidos estão trabalhando com taxas de juros de 0,5%, quando muito 1%.

    A tentativa da Dilma de reduzir a Selic a 7% e de abrir os bancos oficiais para obrigar a concorrência foi, para esses interesses, um grito de guerra. Tanto que ela teve que voltar atrás. Mas nós não podemos continuar a trabalhar para encher o bolso de dinheiro dos especuladores financeiros. Acho que esse não é apenas o objetivo da classe trabalhadora, mas dos empresários efetivamente produtivos. Não é possível desenvolver o país quando todo mundo se vê obrigado a pagar uma espécie de royalties sobre o dinheiro, aliás um dinheiro que nem é dos próprios bancos, mas dos nossos depósitos, ou então dinheiro fictício criado por meio de alavancagem.

    Ou avança, ou recua. Não dá mais para ficar onde está

    O Brasil vive um impasse – e, a partir desse impasse o país avança, e consolida os ganhos das últimas décadas, ou retrocede, e perde o que ganhou. Por isso considero importante unificar o debate. E estou convencido de que há muita gente que quer avançar. Muitas famílias, pela primeira vez, têm os filhos na universidade, muitas delas apenas agora conseguem alimentar os seus filhos – e todas elas são mobilizáveis. As mudanças não acabaram porque 200 mil tomaram a Avenida Paulista. Este país tem base.

    Eu acho que o fato de uma parcela desses manifestantes do atraso pedirem a volta da ditadura mostra o tipo de ausência de uma visão propositiva da direita. O que eles querem? Sangrar mais os pobres, aumentar mais a desigualdade, privatizar mais?

    A contaminação da política pelo poder econômico

    Hoje o país tem um Congresso com uma bancada ruralista, uma bancada dos bancos, uma bancada das grandes empreiteiras, uma bancada das grandes montadoras, e você conta nos dedos quem é da bancada cidadã. A lei aprovada em 1997 que autorizou as corporações a financiarem campanhas foi um golpe terrível para o processo democrático. Não se pode qualificar de democracia o que vivemos no Brasil só porque a gente vota, porque o voto é rigorosamente determinado por uma gigantesca máquina de financiamento que vai se traduzir no tipo de Congresso que temos. Isso coloca a questão da reforma política e, em particular, o financiamento das campanhas, na linha de frente.

    Nada para o planeta, tudo para os bancos

    A Rio+20 teve uma grande reunião internacional que firmou como um dos objetivo levantar US$ 30 bilhões para salvar o planeta. Não conseguiu. Em 2008, em meses, os governos levantaram trilhões de dólares para salvar o sistema financeiro, se endividaram e passaram a pagar juros para o próprio sistema financeiro que foi socorrido com esse dinheiro. Esse movimento dos governos praticamente destruiu o que restava do legado da social democracia nesses países, do chamado Welfare State, ao reduzirem os direitos sociais.

    http://outraspalavras.net/brasil/dowbor-ausencia-de-reformas-bloqueou-lulismo/ 

     

     

  7. Josias Pires

    10 de agosto de 2015 9:32 am

    A Derrocada de José Dirceu Por MARIO SERGIO CONTI, Ilustrissima,

    A Derrocada de José Dirceu

    Por MARIO SERGIO CONTI, Ilustrissima, Folha de S. Paulo

     

    É bom conversar com José Dirceu. Ele analisa a conjuntura à maneira de Fernando Henrique Cardoso, que enraíza querelas brasilienses no solo mundial. Como Delfim Netto, pensa primeiro em objetivos nacionais e só depois na casta dos profissionais da política. À semelhança de Fernando Haddad, é realista e evita lero-lero numa conversa a dois. O ex-ministro compartilha com Valério Arcary a cicatriz de quem esteve com as massas em movimento: o dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado tem tatuagens da Revolução dos Cravos na psique; o militante preso na segunda-feira passada traz na pele queimaduras dos incêndios de 68.

    O próprio José Dirceu abriu a porta da mesma casa onde a polícia foi buscá-lo nesta semana. Era uma manhã de domingo do fim do ano passado. Estava de calção azul, camiseta vermelha e calçava chinelos. Rijo e bronzeado, parecia mais saudável do que nas fotos dos jornais, nas quais era flagrado indo para o trabalho. Apresentou-me Simone Pereira, sua quarta companheira, e lhe fez um afago no rosto.

    Atravessamos o saguão, duas salas sombrias, saímos para o sol raivoso de Brasília e nos sentamos no terraço, à beira do jardim, da piscina e do salão de ginástica. Logo apareceu Maria Antônia, sua filha de quatro anos. Ela recebeu esse nome em homenagem à rua paulistana onde Dirceu teve o seu batismo político.

    A menina estava com uma engenhoca eletrônica que emitia silvos insistentes. O pai lhe disse que ficasse um pouco mais longe, mas Maria Antônia se aninhara a seu lado e só saiu quando quis.

    Ele conversou primeiro sobre o PT. Falou que, mesmo com a vitória recente de Dilma Rousseff, haveria uma debandada nos quadros e na base do partido. A Lava Jato não cheirava bem, e lhe dava a impressão de causar calafrios em possíveis candidatos pela legenda. Aparentemente, a investigação não o alarmava.

    Pedro Ladeira – 11.jul.2014/Folhapress 
    José Dirceu deixa Centro de Progressão Penitenciária para trabalhar em escritório, em julho de 2014, no DF
    José Dirceu deixa Centro de Progressão Penitenciária para trabalhar em escritório, em julho de 2014, no DF

    “Já reviraram minhas contas bancárias, meus telefonemas e declarações de renda”, afirmou. “Nunca encontraram nada. Tenho uma consultoria, presto serviços para empresas e recolho impostos.” Durante o encontro, que se estendeu até o meio da tarde, Dirceu não tocou em álcool, proibido no regime de prisão domiciliar: “Não dou mole de jeito nenhum”.
    O governo recém-reeleito lhe parecia velho, exausto, sem rumo. “O PT sofrerá uma derrota de proporções históricas nas eleições municipais”, vaticinou. Ele nunca se deu bem com Dilma. Chamou-a de “camarada de armas” no discurso de despedida no Congresso, mas intramuros a critica desde sempre.

    Questionado sobre o que faria se voltasse ao poder, fez uma longa peroração, coalhada de cifras, sobre a vocação do Brasil na América Latina: construir estradas, aeroportos, usinas, linhas de ferro, portos, a infraestrutura inteira do continente. Não disse palavra sobre desigualdade, classes, lucros e interesses nacionais contraditórios, muito menos socialismo.

    GUINADA

    Sem transição, como lhe é comum, mudou de assunto e deu uma guinada abrupta à esquerda: disse que trabalharia para o PT apoiar a candidatura à prefeitura carioca de Marcelo Freixo, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). “O Rio é a única grande cidade brasileira com garra para eleger um prefeito de esquerda”, disse (ignorando a eleição do petista Haddad em São Paulo) enquanto checava o celular, deitado na mesa à frente, gesto que repetia de cinco em cinco minutos.
    Há dez anos, Dirceu tivera papel preponderante na expulsão do PT de ativistas que viriam a criar o PSOL, a começar por Luciana Genro. Antes mesmo, na década de 1990, agira com mão pesada para que a esquerda não concorresse ao governo do Rio. O candidato em potencial era Vladimir Palmeira, que não só pertencia ao PT como se formara em radicalismo na turma de 1968. Ele tinha a sustentação firme da seção fluminense do partido no Rio, mas a direção nacional –leia-se: Lula e José Dirceu– impôs o voto em Anthony Garotinho. Deu no que deu. O celular não tocou nenhuma vez.

    “As pessoas mudam, e os líderes políticos também”, disse-me Valério Arcary, pedindo desculpas pelo clichê. “O José Dirceu de 1980 e o de 2015 não são a mesma pessoa.” O líder do PSTU ficou boquiaberto com o relato, publicado na terça-feira pela Folha, de que Dirceu se ajoelhara diante de uma imagem de Nossa Senhora.

    Eles conviveram na década de 1990, quando integraram a comissão executiva nacional do PT. Ainda que tivessem posições conflitantes, davam-se bem. Dirceu fora preso e banido na ressaca de 1968. Passara anos em Cuba, vivera clandestino no interior do Paraná, onde abandonou política, e chegara relativamente tarde ao Partido dos Trabalhadores. Defendia as posições de Fidel Castro e de Cuba.

    Já Arcary morava em Lisboa quando estourou a Revolução dos Cravos, em 1974. Voltou ao Brasil anos depois e foi um dos fundadores da Convergência Socialista, grupo trotskista cujos militantes se filiaram ao PT para cooptar novos adeptos. Ele se lembra de várias virtudes de Dirceu: “Era assertivo, não se metia em intrigas, acreditava num projeto, comprava a discussão política e a fazia às claras”.

    Ou seja, era quase o contrário de Lula e dos sindicalistas que o seguiam. O presidente do PT relutava em divergir frontalmente, tentava conciliar o inconciliável e volta e meia ocultava o que de fato pensava. Dirceu e Lula tinham deficits semelhantes: não escreviam e nunca estiveram em minoria no partido. O político que escreve ordena as ideias; estar em minoria é didático, fortalece quem tem princípios e paciência.

    Um belo dia, as virtudes de José Dirceu se voltaram contra Arcary. Foi quando o movimento pela derrubada de Fernando Collor ganhou corpo, em 1992. Manifestações continuadas juntavam centenas de milhares de pessoas. O presidente estava por um fio, mas o mundo político, jurídico e empresarial não chegara a um acordo quanto ao que fazer.

    A Convergência Socialista defendia a derrubada de Collor, mas não queria que o vice, Itamar Franco, tomasse posse no lugar –por não ter sido eleito e por defender o programa liberal do titular. Seu objetivo era seguir com as passeatas e atos públicos até que se abrisse uma crise revolucionária.

    José Dirceu partiu para cima da Convergência. Defendeu que a organização não tivesse vida independente e o seu jornalzinho semanal fosse proibido. “Quero ser secretário-geral do PT contra a palavra de ordem ‘fora Collor'”, repetia. No seu raciocínio, o partido deveria esperar até 1994, vencer as eleições e só então entrar no Planalto. Não deu outra: a direção do partido ficou com Dirceu, e milhares de trotskistas foram expulsos.

    O PT tornou-se uma organização eleitoral. Arcary não guarda mágoa. “Dirceu optou por uma política e a defendeu com lealdade, sem dar golpes baixos”, disse ele. O PT não chegou ao poder em 1994 nem quatro anos depois. Empalmou o Planalto só em 2002, com José Dirceu na condição de hiperministro e candidato óbvio à sucessão de Lula.

    As mutações de Dirceu e do PT não se deram num buraco negro a-histórico. O “big bang” do processo foi a queda do Muro de Berlim. Desmoronou o “socialismo real” (que de socialismo não tinha nada), com o qual boa parte da esquerda latino-americana cultivava relações ambíguas. Esboroaram com ele a via insurrecional para a tomada do poder e a perspectiva de revolucionar a sociedade.

    A vaga eleitoralista, com a adoção de um programa palatável à ordem do capital, pôs em polvorosa a Frente Sandinista de Daniel Ortega, na Nicarágua, os Tupamaros de José Mujica, no Uruguai, e o PT de Lula e José Dirceu. Os três partidos deixaram de falar em socialismo até nos dias de festa, como mandava a etiqueta social-democrata. Vieram os showmícios.
    Mesmo o róseo reformismo feneceu. Ele deu lugar às ditas políticas compensatórias, mais ao gosto dos poderes centrais. Não por acaso Obama disse que Lula era “o cara”, o “político mais popular na Terra”.

    A transfiguração foi testemunhada por Frei Betto. Ele conheceu José Dirceu nos idos de 1968. Estudava antropologia na USP da Maria Antônia, teologia no convento dos dominicanos, nas Perdizes, e era repórter da “Folha da Tarde”, para a qual cobria o movimento estudantil. “Foi o ano em que não dormi”, disse-me Betto.

    Conheceram-se melhor na ocasião em que o estudante se refugiou no convento. Aproximaram-se mais quando aderiram à Aliança Libertadora Nacional, a ALN de Carlos Marighella. A década de prisões e exílios os separou. Tornaram a se encontrar no início dos anos 1980. Por achar que a esquerda consistia de sabichões que queriam manipulá-lo, Lula a evitava. Mas gostava de Betto por ser frade e fazer parte da Pastoral Operária. Foi ele quem apresentou José Dirceu a Lula.

    FOME ZERO

    Os caminhos de Betto e Dirceu voltaram a se cruzar quando subiram a rampa do Planalto. O frei foi encarregado por Lula de construir o Fome Zero. Na sua concepção, o programa seria gerido em conjunto por técnicos do governo e pelos próprios beneficiários, que se reuniriam periodicamente. Ao longo de três anos, os favorecidos seriam treinados num ofício, passariam a trabalhar e prescindiriam da bolsa estatal.

    Houve resistência de prefeitos de todo o Brasil. Eles queriam organizar o cadastro, de modo a parecer que concediam a benesse. Assim, poderiam encabrestá-los e cobrar votos. José Dirceu, que pelejava para aproximar o governo de políticos de todos os partidos, comprou a ideia. “Como era ele que controlava o orçamento do governo, durante dois anos Zé Dirceu nos deixou a pão e água, não destinou um real ao Fome Zero”, conta Betto. O frade reclamava com Lula, que lhe dizia que tomaria providências. Nunca as tomou.

    O cadastro dos prefeitos foi instituído, o Fome Zero virou Bolsa Família, e Betto deixou o governo. “O que era uma política emancipatória virou uma política compensatória”, avalia o religioso. “Milhões de pobres continuam sem emprego, só que agora são consumistas.” A gênese do Bolsa Família está historiada em “Calendário do Poder” (Rocco, 2007), no qual relata de maneira crítica e desapaixonada como funcionou o primeiro governo Lula.

    Mas nem o livro de Frei Betto dissolve o denso mistério das relações entre José Dirceu e Lula. Graças ao primeiro, o PT se tornou uma máquina eleitoral a serviço do segundo. Eles nunca deixaram entrever como se dava na prática a relação entre ambos. Observando de fora, percebe-se que Lula respeitava Dirceu, mas jamais o teve por mentor. Por sua vez, Dirceu nunca disse uma frase reveladora a respeito de Lula.

    O máximo a que chegou foi resmungar “Lula, Lula, Lula” com a fisionomia contrafeita, quando lhe perguntei como ia o ex-presidente. Estávamos no seu apartamento na rua Estado de Israel, na Vila Mariana, em São Paulo. Víamos na televisão a transmissão de uma das sessões do Supremo Tribunal Eleitoral, que julgava o mensalão.

    O imóvel não tinha nada de mais: dois quartos, mobiliário de hotel duas estrelas, sinal de internet capenga. Dirceu mencionou que o apartamento passara por uma reforma. Na acusação dos procuradores de Curitiba, revelada na semana passada, tal reforma foi paga por uma empresa acusada de corrupção.

    LODO

    Ao se preparar para entrar no Planalto, Lula disse a Dirceu que forjasse a aliança do PT com os partidos de aluguel para formar a base do governo. Dirceu foi contra, queria que o PMDB fosse o aliado preferencial. Mas cumpriu as ordens. A semente do mensalão germinou nesse lodo.

    Mas o mensalão só floresceu com exuberância devido a uma particularidade nacional: o Brasil tem uma das campanhas eleitorais mais caras do planeta. Bilhões de reais trocam de mãos a cada dois anos. Há inúmeros motivos para isso: o peso da TV e da propaganda; a longa duração e despolitização da ditadura militar; a ausência de vida partidária consistente; as mazelas da educação básica; a importância do Estado na economia.
    Essa dinheirama faz com que as eleições tenham se tornado uma forma de acesso a verbas estatais, manipuladas por partidos em benefício de empresas, com as empreiteiras e bancos puxando a fila. É um jogo de leva e traz com poucos perdedores. Nada impede que um candidato derrotado desvie para a própria conta parte do que lhe foi doado por empresários.

    É virtualmente impossível que um partido chegue ao poder sem manter relações com grandes companhias, sejam essas relações promíscuas, de favor, comerciais ou decorrentes do tráfico de influência. O sistema não é exclusivo do PT e tampouco começou com ele. O pedágio político está disseminado porque a economia brasileira funciona assim há décadas.
    José Dirceu prestou serviços a grandes corporações, da OAS à Ambev, da Camargo Corrêa à Parmalat. O que fazia para elas? “Faço estudos, prospecto investimentos, dou sugestões, participo de reuniões”, respondeu ele. Estávamos na sede da sua consultoria, a JD, num casarão com jeito de mal- assombrado ao lado do parque Ibirapuera. Os móveis eram esparsos, e várias salas estavam desertas. Argumentei que nada disso era propriamente trabalho, criação de valor. Ele insistiu que era, e o diálogo não foi adiante.

    Pouco depois de escrever uma resenha que apontava a má-fé e dezenas de erros de uma biografia de Dirceu, fui convidado por ele a almoçar na sua casa de campo. Ela fica num condomínio aprazível em Vinhedo, no interior paulista. A consultoria voltou à baila. “Ajudo na criação de empregos de empresas brasileiras”, disse ele. Pode ser. Mas quem cria empregos recria a exploração dos fracos pelos fortes, aufere lucro e perpetua a desigualdade entre as pessoas.

    Tarso Genro também esteve com José Dirceu, na casa de Brasília. Como as relações entre eles se deram apenas no PT, o ex-governador gaúcho não chegou a ter conhecimento íntimo da personalidade ou da vida pessoal do companheiro. “Eu o via como uma pessoa extremamente obstinada, que nunca demonstrou desejo de tirar proveito pessoal da sua atividade política”, disse-me Tarso. “Depois de mais de dez anos sem conversarmos, minha visita teve finalidade humanística. Encontrei uma pessoa bastante deprimida, mas com enorme vontade de voltar a viver normalmente.”

    Foi outra a minha última impressão de Dirceu. Numa hora lá, ele se afastou e foi ao fundo do jardim. Parecia perdido, amargurado, sem saída. Mudara tanto que talvez não soubesse quem era. Exilado de si mesmo, escorava-se nos próprios restos, na sua ruína. Lembrava o poeta peregrino, improvável sombra florentina sob os mil sóis do Planalto Central.

    A derrocada de um homem tem uma dimensão moral que a sociologia e a psicologia não alcançam. Mas a poesia pode fornecer imagens que propiciam o seu entendimento. No primeiro canto da “Divina Comédia”, Dante se depara com o leopardo, o leão e a loba na selva selvagem da vida.

    O significado das bestas é matéria de debate entre eruditos desde a Idade Média. No caso de José Dirceu, o leopardo é a fraude, o leão, a soberba, e a loba, a incontinência, o deixar-se levar pelos sentidos mais prementes. Encurralado pelas três feras, ele desce agora ao fundo do inferno.

    ——————-
    MARIO SERGIO CONTI, 60, é colunista do jornal “O Globo” e apresentador do programa “Diálogos”, da GloboNews.

  8. Gilberto Cruvinel

    10 de agosto de 2015 11:56 am

    O encontro do dono da Globo com senadores do PT

    A coisa mais intrigante do encontro do dono da Globo com senadores do PT.

     

    Por Paulo Nogueira

    Postado em 09 ago 2015

     Realidade paralela?

    Realidade paralela?

    Uma coisa me intrigou nas palavras de João Roberto Marinho aos senadores do PT num encontro confidencial noticiado pelo DCM.

      

    É quando ele manifesta surpresa quando ouve que a cobertura das Organizações Globo é brutalmente desequilibrada contra o governo.

    João, como é conhecido na Globo, é um sujeito afável, um bom ouvidor, como pude testemunhar nos anos em que trabalhei na casa.

    Sabe reconhecer seus limites, o que é uma virtude. “Comecei no jornalismo, mas logo me dei conta de que não tinha talento”, me disse ele uma vez. “Fui para a área administrativa.”

    É uma coisa rara este tipo de admissão.

    Roberto Civita, perto de quem trabalhei anos, jamais reconheceu sua limitação como editor, com efeitos catastróficos para a Veja e para a Abril.

    João comanda a área editorial da Globo, e é quem faz a ponte com políticos e empresários.

    Ele passa a opinião da casa em reuniões semanais no prédio da Globo no Jardim Botânico, no Rio.

    Dela participam os chefes das diversas mídias da casa. Numa ata, distribuída posteriormente aos participantes, ficam registradas as diretrizes sobre os assuntos discutidos, em geral os mais complexos da cena política.

    Merval e Kamel, cada qual dum lado da mesa em que os editores se reúnem, falam muito, mas quem decide e define tudo, com sua voz baixa e mansa, é João.

    Tudo isso posto, e considerado que é um homem inteligente, como João pode alegar surpresa diante da visão de uma Globo sem isenção nenhuma na cobertura política?

    Palmério Dória, jornalista que produz máximas sagazes sobre a política e a mídia, arriscou uma resposta nas redes sociais.

    João mostrou, segundo ele, que não vê, não lê e não ouve nada em sua empresa.

    É uma boa tirada, mas não reflete a realidade.

    A primeira coisa que ele lê, pela manhã, é o Globo. E depois segue na Globo, da CBN aos jornais televisivos. Certamente incorporou o G1 à sua rotina de leituras.

    Isso quer dizer que ele está a par do conteúdo da Globo.

    Como jamais me pareceu um cínico ou mentiroso, a hipótese que me ocorre é a de um descolamento da realidade.

    Vi isso acontecer na Abril.

    Em certas conversas sobre a Veja, Roberto Civita se defendia de minhas críticas falando de uma revista isenta que só existia na sua imaginação.

    Em corporações como a Globo e a Abril, os donos correm o risco de se cercar de pessoas que dizem apenas o que eles querem ouvir.

    Não consigo imaginar ninguém, nas reuniões de terças feiras, que fosse capaz de dizer: “João, acho que temos que equilibrar a nossa cobertura. Tamos batendo demais.”

    Como, fora das empresas, os donos convivem com bajuladores, eles tendem a ouvir apenas louvações que os levam a ter uma ideia edulcorada do jornalismo praticado por seus editores.

    Acredito que João de fato se surpreendeu com o diagnóstico negativo, pesadamente negativo, que ouviu dos senadores do PT.

    Ele disse que iria transmitir as impressões imediatamente a seus comandados.

    Pelo que soube, os resultados logo apareceram. Numa única edição do JN, me contam, foi dado espaço a Lula e Dilma.

    Os editores da Globo não são bobos.

    Aquela é uma empresa papista. O papa falou, acabou a discussão. Ou então você é simplesmente descartado. Perenes, ali, apenas os Marinhos.

    Por isso, você deve esperar, daqui por diante, uma Globo que pelo menos fingirá alguma isenção.

    Dado o descalabro dos últimos meses, será um avanço.

     

  9. alfeu

    10 de agosto de 2015 12:33 pm

    *

    Humberto Costa e o alerta da bancada do PT ao dono da Globo: Derrubar Dilma ou atacar Lula pode acabar muito mal

    Conceção Lemos, Vi o Mundo

    http://www.viomundo.com.br/politica/humberto-costa-e-o-alerta-da-bancada-do-pt-ao-dono-da-globo-derrubar-dilma-ou-atacar-lula-pode-acabar-muito-mal.html

    Diário do Centro do Mundo publicou neste domingo 8 artigo revelando um encontro do senhor João Roberto Marinho, um dos donos da Globo, com os senadores do PT:

     Por Anônimo

    João Roberto Marinho pediu encontro com os senadores do PT, na última quarta-feira.

    Dos 13, nove aceitaram.

    Durou quase duas horas. Ele abriu, dizendo-se muito preocupado com as “maluquices” de Eduardo Cunha na Câmara, que não comprometem apenas o próximo governo, mas  o futuro do País; afirmou, ainda, que o que ele defende é que Dilma seja sucedida por quem  ganhar as eleições de 2018, ou seja, impeachment, não.

    Durante todo o tempo, escutou as queixas dos senadores, um por  um, sobre a parcialidade, os dois pesos, duas medidas, as abordagens dos repórteres querendo declarações que apenas preencham a verdade que já está pré-estabelecida, a repercussão nula do que os governos Lula e Dilma fizeram pelo Brasil.

    Recados que foram dados a ele: 1) não mexam com Lula (todos estavam ainda muito mordidos com a charge do Chico do dia anterior (“agora só falta você”), pois o Brasil pode pegar fogo e eles não vão ser bombeiros; na mesma direção, não temos controle sobre nossa base social e é imprevisível a reação que se virá ante uma hipotética prisão de Lula.

    Ele pediu desculpas, “ou os senhores estão enganados, ou nós estamos errando feio”, comprometendo-se a levar a avaliação geral dos senadores para os editores.

    Disse ainda que, realmente, a cumplicidade entre jornalistas e procuradores de Curitiba, hoje, representa um fator de instabilidade, mas jogou a culpa no PT, “que deu início a essa parceria”. Ao final, pediu para o governo controlar sua base na Câmara.

    De fato, o encontro ocorreu. Foi na quarta-feira, 5 de agosto, mesmo dia em que Marinho foi a uma sessão no Senado em homenagem aos 50 anos da TV Globo.

    A iniciativa partiu dele. O convite foi feito ao líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PT-PE), que o estendeu aos demais colegas. Dos 13 senadores da bancada petista, a maioria participou.

    Nós conversamos com o senador Humberto Costa sobre o encontro.

    Viomundo – Que motivo João Roberto Marinho alegou para pedir essa conversa com o senhor?

    Humberto Costa – Havia uma homenagem à Rede Globo em Brasília e, pelo que eu entendi , ele aproveitou para ter algumas conversas. Não sei se chegou a ter reunião com outras bancadas, mas certamente tinha reuniões marcadas com alguns ministros. Uma delas era com o ministro Ricardo Berzoini [das Comunicações], que acabou não acontecendo, porque a nossa conversa demorou muito.

    Ele foi na linha de querer ouvir o que a gente tinha a dizer sobre esse momento político.

    Na verdade, não era um convite só para mim. Era um convite para quem eu achasse que valesse a pena participar dessa conversa. Como a nossa bancada é pequena, eu convidei todo mundo. Ninguém se recusou, não. Alguns não puderam participar, porque já tinham outros compromissos agendados naquele horário.

    Viomundo – O que ele conversou com os senhores? O que saiu no Diário do Centro do Mundo procede?

    Humberto Costa — Mais ou menos. Algumas coisas que estão ditas têm alguma procedência. Outras, não.

    Ele falou apenas que tinha interesse em ouvir a bancada do PT sobre o momento político que nós estamos vivendo, especialmente no que diz respeito à instabilidade política.

    Ele queria saber a nossa opinião. Ele não falou de “maluquices” do Eduardo Cunha, não. Ele falou da preocupação com algumas decisões que estavam sendo tomadas no Congresso, que iam na contramão do ajuste e estavam produzindo inseguranças.

    Então, foi um pouco por aí. Foi uma conversa cordial.

    Nós, da bancada, colocamos a nossa preocupação com a questão do impeachment da presidenta Dilma. Ele disse que a posição dele e da empresa não é de defender o impeachment da presidenta Dilma. Disse que considerava que não havia elementos que justificassem uma coisa como essa, mas que o governo precisava garantir a governabilidade. Falou ainda que ele estava muito preocupado com a governabilidade e queria saber de que maneira a gente estava imaginando que isso [a governabilidade] acontecesse.

    Viomundo – O que os senhores disseram a ele?

    Humberto Costa – Várias dessas coisas que estão ditas [no artigo do DCM], foram faladas por nós, principalmente essa questão do impeachment da presidenta Dilma.

    Alguns senadores falaram que a Globo não fazia uma cobertura isenta. Ele negou.

    Ele disse, de certa forma, até “ou a gente está errando” ou “vocês estão percebendo errado”.

    Não foi  uma coisa de ele admitir: “olha, nós estamos errados”. Ele passou a ideia de que era um problema de interpretação da nossa parte e da dele também.

    Ele disse: “Olha, nós vamos inclusive conversar com o nosso conselho editorial … Se está passando isso [cobertura não isenta], não é o que nós queremos. Foi o que ele disse”.

    Viomundo – E a questão do ex-presidente Lula como foi colocada?

    Humberto Costa — Nós colocamos para ele o seguinte. Para quem está preocupado com a estabilidade política, o impeachment da presidenta Dilma não é a saída. Podem inventar uma razão qualquer que não seja historicamente defensável, que não tenha uma base que se sustente…  Pode até, no primeiro momento após a saída, você ter um quadro de perplexidade na base social de esquerda do governo.

    Mas não leva 30 dias para que a instabilidade seja instalada, seja quem for o presidente –Temer, Eduardo Cunha…

    Quanto a uma nova eleição, além de não ter  uma base constitucional para poder se realizar, também tem esse outro componente aí de instabilidade.

    Nós colocamos: o pior de tudo é, além de derrubar o governo, destruir o único interlocutor político que num momento de crise aguda tem legitimidade para se sentar a uma mesa e participar de um acordo, poder falar para milhões de pessoas…  Então, era um erro que alguém pretendesse, além de derrubar a presidente Dilma, destruir a liderança de Lula. Foi um pouco por aí também a nossa conversa.

    Viomundo – Senador, a Globo faz campanha diuturna contra a presidenta Dilma, o ex-presidente Lula e o PT. Agora, o senhor João Roberto Marinho procura os senhores, aparece com o discurso de que nem ele nem a Globo defendem o impeachment da presidenta. Ele estaria preocupado com possibilidade de a Globo ficar com a imagem de golpista, como aconteceu em 1964, quando ela apoiou o golpe e apoiou a ditadura civil militar?

    Humberto Costa — Eu não sei. O que eu senti  foi mais uma preocupação  com esse momento de instabilidade política que pode produzir prejuízos do ponto de vista da economia que sejam praticamente irreversíveis.  A instabilidade política está alimentando um ambiente de muita incerteza na questão econômica.  Enfim, é isso.

    Viomundo — Senador, uma última pergunta…

    Humberto Costa — Eu estou superocupado…

    Viomundo — Só mais uma, senador.  Por gentileza, que colegas seus que não participaram da conversa?

    Humberto Costa — Eu não me lembro, não.  Alguns entraram e saíram… Eu não me lembro, não.

    Segundo o Diário do Centro do Mundo do Mundo, dos 13 senadores da bancada petista, quatro não estiveram presentes à conversa. Até a publicação desta matéria, só tínhamos conseguido confirmar um dos nomes: senadora Fátima Bezerra (PT-RN).

  10. BRAGA-BH

    10 de agosto de 2015 2:17 pm

    País sairá mais forte da crise

    País sairá mais forte da crise

    Para economistas e cientistas políticos, Poderes tendem a se consolidar, e não há risco de golpe

    iG Minas Gerais | Guilherme Reis | 

    09/08/2015 03:00:00

     

    Democracia. 
Estudiosos avaliam que população estará mais preparada para fiscalizar as instituiçõesITAWI ALBUQUERQUE/BAPRESS/ESTADÃO CONTEúDO – 17.6.2013Democracia. Estudiosos avaliam que população estará mais preparada para fiscalizar as instituições

     

    Embora as principais crises vividas pelo Brasil no século XX tenham ocasionado rupturas dos modelos econômico e político, o atual cenário vivido pelos brasileiros durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) pode fortalecer a democracia e as instituições republicanas. Durante as crises de 1929 e da hiperinflação na década de 80, o Brasil passou por mudanças de regime, o que não deve acontecer agora, segundo especialistas. Apesar do pessimismo da população, Gustavo Krause, ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, entende que a crise atual não é institucional. Em sua avaliação, passamos por uma falta de confiança dos agentes econômicos “devido ao ajuste fiscal” e por instabilidade política “devido à operação Lava Jato”, mas as instituições estão funcionando. “O Judiciário e o Legislativo continuam fortes, ainda que tomem rumos equivocados. O Executivo está enfraquecido, mas segue constituído. Após este período, os Poderes serão mais robustos. As instituições sairão fortalecidas e mais independentes. Também acredito na resiliência do povo brasileiro em momentos delicados”, disse. O otimismo do ex-ministro é compartilhado pela historiadora da PUC Minas Júlia Calvo, para quem a Lava Jato terá poder transformador na cena política nacional. “O volume da corrupção descoberta alcançou os grandes caciques, o que vai nos levar a uma troca de agentes políticos. Além disso, o Judiciário e a Polícia Federal são importantes neste momento e, quando a crise acabar, eles ficarão mais representativos. A sociedade civil também estará mais organizada para não deixar que aconteça o que aconteceu nos últimos anos em relação à corrupção. As manifestações de 2013 exemplificam isso”, enfatizou Calvo. Aproveitando o momento de crise política, o ex-aliado do Planalto e presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer resgatar a proposta de alterar o sistema político de presidencialismo para parlamentarismo. A empreitada, no entanto, não deve passar do discurso, na avaliação do cientista e consultor político Carlos Manhanelli. “A maneira como o governo está lidando com a crise econômica sinaliza um alcance de médio prazo. Entendo que o presidencialismo, já escolhido pelos brasileiros em plebiscito em 1993, não vai mudar. Não acredito em mudança para o parlamentarismo, por exemplo. Temos um modelo sólido o bastante para suportar o momento atual.” Na opinião do vice-presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Pedro Paulo Pettersen, o país já tem uma democracia mais madura. Ele ressalta que uma ruptura pioraria a crise econômica. “O Brasil atual é diferente. As instituições são maduras. Isso significa que as rupturas são menos prováveis. Se ela acontecesse, a crise econômica seria agravada. Para superar a crise política, é preciso fortalecer a democracia. O eleitor pode escolher outro candidato em 2018. É importante não termos rupturas até lá.” Pettersen aponta que a turbulência deve fazer o governo mudar a forma como combate a inflação. “Temos que superar a nossa política cambial, que segue a mesma cartilha há 30 anos. Ela é utilizada de maneira equivocada apenas para controlar preços. Você não pode definir a competitividade de uma indústria apenas pela taxa de câmbio”.

    Democracia Duradouro.Em 2015, o Brasil completou 30 anos ininterruptos de vigência da democracia. É o maior período do país neste modelo de regime. Atualmente, a democracia brasileira é a quarta maior do mundo.

     

  11. alfeu

    10 de agosto de 2015 6:58 pm

    *

    “Fábricas de leões” tornam a caça fácil e atraente na África

    Lúcia Müzell, RFI

    http://www.brasil.rfi.fr/geral/20150810-fabricas-de-leoes-tornam-caca-facil-e-atraente-na-africa

    Depois da comoção internacional pela morte do leão Cecil no Zimbábue, o Dia Mundial do Leão, comemorado neste 10 de agosto, vai ser agitado por campanhas contra a caça do animal na África. Os defensores do rei da selva alertam para a prática conhecida como “caça enlatada” de leões, em que fazendas se especializam em reproduzir o animal para faturar alto com turistas estrangeiros.

    Nestes locais, os caçadores vão encontrar uma quantidade bem maior de leões do que na natureza, cercados em um espaço muito menor do que na selva. Resultado: a caça é garantida.

    “Os filhotes são usados para atrair turistas que querem tirar fotos e tocar os leões. São turistas que nem enxergam muito o link entre a fazenda e a caça. Só na África do Sul, foram identificadas 150 criações de leões, com 5,8 mil animais. Da população de leões da África do Sul, somente 32% estão livres, e o resto está nessas fazendas”, explica Rosângela Ribeiro, diretora interina da organização Proteção Animal Mundial no Brasil.

    Rosângela indica que, quando os leões ficam adultos e o contato com os turistas se torna perigoso, eles são vendidos para a caça. “Mas os leões já passaram por um processo de contato com o ser humano e, por isso, se tornam presas muito fáceis nessas fazendas. É algo totalmente covarde”, lamenta.

    Governos não se opõem

    A prática também é comum em outros países do sul africano, como Namíbia, Botsuana e Zimbábue, sempre com o aval das autoridades. Quando estoura uma polêmica sobre o assunto, como agora, os governos impõem restrições temporárias, mas logo tudo volta ao normal(*), como afirma Azzedine Downes, presidente do Fundo Internacional para a Preservação dos Animais (IFAW).

    “No sul da África, sempre tem apoio do governo para esse tipo de caça. É como se fosse uma fazenda de leões, ou pode ser de elefantes. Eles só estão ali para serem mortos”, observa Downes.

    Segundo a organização Canned Lion, 55% dos turistas são americanos e 40%, europeus. Os defensores dos animais alegam que a melhor maneira de acabar com a caça enlatada é cortando a renda milionária que essa prática gera para um punhado de fazendeiros, donos dos chamados “parques de leões”.

    Outras alternativas, como o fim do transporte dos troféus de caça, também são eficazes. “A pressão dos caçadores nos Estados Unidos é enorme. Eles têm uma força política inacreditável e têm o direito de trazer os troféus para o solo americano. Mas se as companhias aéreas se recusarem a transportar, será excelente”, destaca Downes. “Outra alternativa é aprovar um projeto de lei para bloquear a entrada dos troféus, mas esse é um longo caminho pela frente. Os caçadores só matam os animais pelos troféus – e se eles forem bloqueados, não haverá mais razão de ser para a caça.”

    Onça-pintada no Brasil

    O especialista avalia que a mudança das regras será mais fácil na Europa, onde a sensibilidade para os tema ambientais é maior. Já no Brasil, o grande problema é a caça ilegal de onça-pintada no Pantanal, principalmente no Mato Grosso do Sul.

    “São fazendas ilegais de caça esportiva que atraem turismo ilegal de estrangeiros ou até brasileiros. Eles vêm com um pacote fechado para fazer a caça de onça no Pantanal. Tudo acontece por baixo dos panos”, ressalta Rosângela. “Quando a polícia ambiental descobre, essas pessoas são processadas e têm as caças e as armas apreendidas.”

     

    Como na África, a maioria dos estrangeiros que vão praticar turismo de caça no Brasil são americanos e europeus.

    _

    (*) Zimbábue libera parcialmente a caça de leões, leopardos e elefantes   

    Agência Brasil

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2015-08/zimbabue-volta-atras-e-libera-parcialmente-caca-de-leoes-leopardos-e

    Da Agência Lusa

     

    O Zimbábue liberou parcialmente a caça de leões, leopardos e elefantes, uma semana depois de a medida restritiva entrar em vigor pela morte polêmica do leão Cecil por um caçador norte-americano.

    Em comunicado, a principal associação de guias e caçadores profissionais do Zimbábue afirmou que a proibição da caça de grande porte será feita em alguns locais, como o Parque Nacional de Hwange, onde morreu o leão Cecil, e também nas zonas de caça ao sul do local. Caçadores locais e seus clientes estrangeiros serão acompanhados de guardas dos parques nacionais.

    A proibição de caça de grande porte pelo Zimbábue vai continuar em lugares como Antoinette Farm e Railway Farm 31, dois parques naturais de propriedade privada situados na fronteira do Parque Nacional de Hwange. “Não será permitida a caça de animais emblemáticos”, ressaltou a associação.O Zimbábue impôs limites de caça de grande porte no dia 2 de agosto nas áreas que rodeavam os parques naturais após vir a público que o leão Cecil, o mais famoso do país, tinha sido abatido em julho por um caçador norte-americano.

    Um conservacionista declarou à agência EFE que a nova regulamentação também revogou a autorização que os guardas tinham para caçar animais com fins de alimentação dentro dos parques, porque estavam abusando dessa prática, ainda que a medida deverá ser retificada pela autoridade dos parques e vida selvagem do Zimbábue.

    A mesma fonte, que pediu anonimato, assegurou que apesar da liberação de parte dos limites da caça, a nova regulamentação restringirá as práticas “de toda a indústria de caça”.

    A morte do leão Cecil reabriu o debate sobre a caça legal em países como o Zimbábue. O leão, de 13 anos, foi atraído para fora do parque (lugar protegido e onde a caça é proibida).

    Edição: Graça Adjuto

     

  12. alfeu

    10 de agosto de 2015 10:14 pm

    *

    ONU: Mortalidade infantil na Faixa de Gaza sobe pela primeira vez em 50 anos

    Esquerda.net

    http://www.esquerda.net/artigo/onu-mortalidade-infantil-na-faixa-de-gaza-sobe-pela-primeira-vez-em-50-anos/38117

    Bloqueio ao enclave costeiro por parte de Israel é apontado pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA) como um dos fatores que contribuirão para este aumento.

    “O número de bebés que morreram antes de atingir um ano diminuiu consistentemente durante as últimas décadas em Gaza, de 127 por cada 1000 nados vivos em 1960 para 20,2 em 2008”, afirma a UNRWA num comunicado publicado este fim-de-semana.

    Contudo, “na última contabilização, em 2013, o número subiu para 22,4 por cada 1000 nados vivos”, acrescenta.

    No documento, citado pelo libanês Daily Star, é ainda referido que a mortalidade neonatal – número de bebés que morrem antes de atingir quatro semanas – cresceu de 12 por 1000 nados vivos para 20,3 em 2013.

    A Agência aponta como uma das causas prováveis do aumento da mortalidade infantil o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza.

    “Estamos muito preocupados com o impacto do bloqueio de longo prazo; nas instalações de saúde, no abastecimento de medicamentos e no transporte de equipamentos para Gaza”, avança Akihiro Seita, diretor do programa de saúde da UNRWA.

    Alarmada com os resultados obtidos em 2013, sem precedentes no Médio Oriente, a UNRWA trabalhou com grupos de investigação independentes, por forma a examinar os dados recolhidos e confirmar o aumento registado.

    A Agência tenciona ainda promover um novo senso este ano. Normalmente, a monitorização da mortalidade infantil tem lugar de cinco em cinco anos.

     

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