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Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. Webster Franklin

    16 de janeiro de 2014 3:57 am

    Os filhos do porteiro da Danuza resolveram ir ao shopping center

    Carta Maior

    15/01/2014 

    Daslu, Danuza e Dá o fora!

     

    E a justiça de SP autorizou guardas a dizer-lhes: Dá o fora!.

    por: Saul Leblon
     

    Arquivo

     

    O Brasil tem cerca de 500 shoppings centers.

    O conjunto fatura R$ 184 bi por ano, ocupa mais de 11 milhões de m2 – uns 2. 200 campos de futebol; emprega  870 mil pessoas.

    Em 40 anos, desde 1996 quando surgiu o primeiro  até 2006, foram erguidos 350 shoppings no país; de lá para cá a expansão foi geométrica e ininterrupta. Nos últimos sete anos surgiram mais 120.

    Outros 30 estão previstos para inauguração em 2014.

    O país inteiro – capitais e interior — foi tricotado por esses centros de compra e lazer que tem a cara e a permeabilidade  da estrutura social erguida pelo capitalismo por essas bandas.

    A rede de shoppings foi planejada para nuclear um público alvo da ordem de 40 milhões de pessoas.

    O Brasil tem mais de 190 milhões de habitantes: 150 milhões estão fora.

    Uma parcela dos excluídos agora quer entrar.

    O rolezinho é uma evidencia da pressão exercida na parede do dique.

    Quem quer entrar entende (com ou sem razão) que o Brasil limpo, organizado, atraente, refrigerado, seguro, iluminado, rico, antenado, onde faísca la dernier cru  do consumo e, vá lá, bonito, para os padrões dominantes,   está lá dentro.

    Não nas ruas desoladoras e escaldantes  das periferias conflagradas onde vive a maioria dos integrantes do rolê.

    Pode-se – deve-se – discordar da matriz de valores que atribui a um bunker do consumo o padrão de sociedade desejável para viver e se divertir.

    Mas há razões para isso.

    Um dado sugestivo: até o ano passado, apenas 13,5% dos municípios brasileiros dispunham  de uma secretaria voltada exclusivamente para a cultura.

    Tê-la não é garantia de grande coisa.

    Mas a escala da ausência emite um sinal  da atenção  dispensada a uma  área  que fala diretamente à juventude –e poderia oferecer-lhe um ponto de fuga  à pulsão consumista, diuturnamente martelada  ao seu redor.

    Esforços  de investimento público tem sido feitos nessa direção.

    O número de cidades com bibliotecas, por exemplo, saltou para 98% em 2012, praticamente  universalizando esse equipamento, restrito a 70% delas  até 1999.

    Mas uma biblioteca convencional, de mobiliário imaginável e acervo presumível, em qualidade e quantidade, será um espaço suficiente para satisfazer as expectativas de desfrute, encontro e lazer de quem adere a um  rolezinho?

    Em 2007, o governo criou um  Programa para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (Procult).

    Através do BNDES já financiou a construção ou a reforma de 259 salas de cinema.

    Mas a maioria dos cinemas do país fugiu igualmente para o interior dos shoppings por conta da insegurança que também despovoou  praças e jardins, capturados pelo consórcio drogas  & desmazelo.

    Apenas 10% dos municípios brasileiros dispõem de cinemas atualmente.

    Pesquisa desta semana do Ibope informa que as  ‘classes’ C e D bateram recorde de horas diante da televisão em 2013: média de seis horas e 40 minutos. Por dia.

    E convenhamos,  não dá para imaginar que todo mundo vá se reunir numa lan house, presente, aí sim, em 82% da malha urbana e, de fato, encontrável em qualquer bairro ou favela  por mais pobre que seja.

    O espaço virtual tem limites.

    O rolezinho  se vale da capilaridade digital para convocar os encontros , mas representa ele mesmo (felizmente) a insuficiência da realidade virtual na vida humana.

    A dupla insuficiência – material e virtual – misturada a uma revolta difusa, temperada de hormônios e apimentada com o deboche e  o anseio por identidade olha em volta e enxerga o quê?

    Enxerga aquilo que distraidamente ou de forma deliberada foi sendo construído nas entranhas da velha malha urbana, e para cujo declínio  contribuiu  ao inocular  a decadência no pequeno comércio, a escuridão no jardim, a solidão no centro velho e o sucateamento do (parco)  equipamento  público.

    O shopping  center, a nova cidade brasileira.

    Prefiguração  do sonho neoliberal, ela materializa  um ordenamento coletivo onde tudo é privado (leia o blog do Emir, nesta pág).

    Por definição, a cidade  da mercadoria  é o jazigo da cidadania.

    Não só.

    O anestesiante paradigma de  ‘eficiência’ do shopping engorda o descompromisso com que  a elite consumidora  encara  seus deveres  em relação ao espaço coletivo ao seu redor.

    Por que, enfim,  pagar mais pelo IPTU se já tenho o que quero e o que a cidade numa terá no shopping  –ainda que esse adicional corresponda, por dia, a uma fração do preço de um cafezinho do Starbucks no Iguatemi?

    O rolezinho  sacode o pilar dessa ordem excludente deixando aflorar um conflito que há muito incomoda o conforto  das elites.

    Quem não se lembra do ‘transtorno’ que a vizinha favela Funchal causava ao Vaticano dos shoppings centers no Brasil, a famosa Daslu – 20 mil m2 de pura  ostentação, gastos médios de U$ 15 mil/mês por cliente e uma sonegação de imposto de estupendo R$ 1 bilhão?

    Ou do desabafo da socialite Danuza Leão, na Folha, em dezembro de 2012?

    Inconsolável  com o Brasil do PT, a então colunista lamentava como ficou difícil “ser especial” nesses tempos em que “todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais” — musicais na Broadway, por exemplo, que graça tem se  “por R$50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir”.

    Os filhos do porteiro da  Danuza resolveram agora  ir ao shopping.

    E a justiça de SP autorizou  seis deles a dizer-lhes: ‘Dá o fora!’.

    Esse é o capítulo da novela brasileira nos dias que correm.

    As raízes desse enredo de  paralelas que agora se cruzam em conflito aberto na porta de santuários do consumo  remetem à mutação inconclusa verificada no país desde 2003.

    Qual seja, a pobreza caiu pela metade; o mercado de trabalho atingiu as franjas do pleno emprego;  o salário mínimo ganhou quase 60% de poder de compra, acima da inflação.

    A desigualdade continua obscena, mas as placas tectônicas se moveram.

    Privilégios  obcecados em preservar  um ordenamento  social patológico defendem como virtude macroeconômica  restituir as fronteiras do conflito original aos marcos do cordão sanitário instituído nos anos 90.

    O superávit fiscal ‘robusto’ para assegurar o ganho dos rentistas é um desses marcos.

    Outro: o salto adicional nas taxas de juros, até encostar a faca recessiva na garganta da massa ignara.

    A crispação em torno dos rolezinhos  mostra o quanto será difícil devolver a pasta de dente ao tubo da história.

    Nesse empurra-empurra, subjacente à disputa presidencial de outubro,  há nuances que dizem respeito  diretamente à esquerda.

    O  ‘rolezinho’  denuncia  uma dimensão da luta política rebaixada nos últimos anos na conta da ilusão economicista de que o holerite e o crescimento resolviam o resto.

    São imprescindíveis, diga-se.

    Mas o discernimento histórico que requer a longa  construção de uma sociedade justa e virtuosa nunca será um dote intrínseco  à conquista do legítimo direito de viajar de avião, ou  comprar bens duráveis a crédito, nem tampouco uma qualidade imanente a  governantes eleitos pelos pobres.

    Erguer essas linhas de passagem é tarefa das organizações progressistas que se propõem a mudar as formas de viver e de produzir em sociedade.

    É delas a obrigação de associar à luta econômica sua contrapartida de ideias emancipadoras que ampliem o horizonte subjetivo para além do consumismo individualista.

    Do contrário, o futuro ficará emparedado entre o horizonte do rolezinho e o interdito do dinheiro graúdo.

    No limite, ambos poderão se unir em torno de um tênis Nike, contra uma repactuação mais arrojada do desenvolvimento  que implique  outra modulação do consumo.  

    O mais difícil na luta pelo desenvolvimento é produzir valores, dizia o saudoso Celso Furtado, em palavras  de atualidade inexcedível.

    Não apenas esse, mas  sobretudo esse passo  a esquerda deve ao Brasil.

    E não parece recomendável adiá-lo mais uma vez  ‘para depois da próxima eleição’.

      http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Daslu-Danuza-e-Da-o-fora-/30012

     

  2. Lair Amaro

    16 de janeiro de 2014 8:02 am

    O livre comércio e a perda de empregos nos EUA

    Quando o presidente Obama entregar o seu discurso de Estado da União referente a este primeiro mês do ano, ele certamente irá destacar a questão da crescente desigualdade econômica e argumentar sobre tais recursos como o aumento do salário mínimo. Ele pode ainda relacionar a proposta de parceria Trans-Pacífico (TPP), acordo de comércio que seu governo está negociando com 11 nações do Pacífico e para a legislação chamada fast-track, que limitaria a entrada do Congresso no acordo para facilitar a sua ratificação. As previsões estão no artigo do jornalista norte-americano Harold Meyerson, publicado na edição desta quarta-feira (15/1) do jornal Washington Post. 

    Segundo o veículo, se Obama seguir o caminho esperado, ou seja, lamentar o aumento das desigualdades e promover mais um acordo de livre comércio, seu discurso irá avaliar um capítulo nos anais da autonegação. Até agora, mesmo os mais conservadores economistas de direita reconhecem que a globalização tem desempenhado um papel importante na perda de empregos industriais americanos e, mais amplamente, a estagnação dos salários e rendimentos dos EUA. O ex- vice do Federal Reserve, Alan Blinder, calculou que 22% a 29% de todos os empregos nos Estados Unidos poderiam ser adaptados. Isso representaria um monte de postos de trabalho: 25% se traduziriam em 36 milhões de trabalhadores cujos salários estão em concorrência com aqueles em grande parte as nações de baixa renda. Das 11 nações com as quais os Estados Unidos estão negociando a TPP, nove têm níveis salariais significativamente mais baixos que os americanos.

    Os acordos comerciais que promovem o deslocamento de empresas norte-americanas das fábricas para países como China e México têm desempenhado um papel central na decadência da indústria americana e na queda dos rendimentos dos trabalhadores nos EUA. Dois em cada três trabalhadores de fabricação são deslocados e receberam novos postos de trabalho entre 2009 e 2012, segundo um relatório da The Bureau of Labor Statistics, que aponta ainda que as reduções salariais atingiu a maioria deles.

    O texto do Washington Post diz que o argumento mais devastador contra este tipo de comércio é condizente com a ideia que os Estados Unidos entraram em relação ao último quarto de século, e de forma inadvertida os defensores de tais acordos que usaram o 20º Aniversário do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, que entrou em vigor em 1 de Janeiro de 1994, para celebrar as suas conquistas. 

    Meyerson diz que tem avaliado muitos editoriais comemorativos e discursos em louvor da NAFTA, e nenhum deles tem mencionado o efeito do acordo sobre o emprego nos EUA, os salários ou a balança comercial. Em outubro, o ex- presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, que foi um dos arquitetos da NAFTA na administração de George HW Bush, fez uma longa avaliação, mas evitou qualquer um desses tópicos. O campeão de evasão parece ser o secretário de Comércio Penny Pritzker. Em uma conferência em San Diego, em outubro, Pritzker disse a um repórter de uma rádio pública que não pensa sobre onde a NAFTA não cumpriu o seu papel. 

    A única estatística na defesa do acordo que Pritzker citou nessa entrevista é que o volume total do comércio entre os três signatários da NAFTA já ultrapassa $1 trilhões por ano. O que ele não conseguiu observar, no entanto, é que o déficit comercial dos EUA com o Canadá e México aumentou de US $ 27 bilhões em 1993, o último ano de pré- NAFTA, para 181,000 milhões dólares em 2012.

    Ao evitar a discussão sobre as consequências que o comércio provoca nas nações em desenvolvimento sobre os trabalhadores dos Estados Unidos, para não mencionar a nossa balança comercial, os defensores do livre comércio estão entregando-se ao pior tipo de impermeabilidade aos fatos, segundo as análises do jornalista. Mas, quando a defesa do livre comércio é acoplada com o caso para a criação de rendimentos para os trabalhadores norte-americanos, eles entram em uma zona onde os números são reais, e os americanos são reais. Nessa zona, o argumento para o tipo de acordo de livre comércio implantado pela NAFTA, as relações comerciais normais permanentes com a China e da parceria Trans- Pacífico sopra completamente. Tais negócios aumentam a renda dos norte-americanos que investem no exterior, mesmo quando eles diminuem a renda daqueles que trabalham em casa. Eles pioram a própria desigualdade contra a qual o presidente faz campanha.

    Segundo o jornalista, há maneiras de uma nação desenvolvida negociar com o mundo em desenvolvimento sem a “evisceração” da sua própria economia. Ele citou que a Alemanha tem sido capaz de proteger seus trabalhadores, não só através da vantagem de ter o euro como moeda, mas também pela necessidade de suas empresas em dar espaço à opinião dos seus funcionários nas decisões de investimento, e também ao abraçar uma forma de capitalismo na qual os acionistas não desempenham um papel importante. Foram os Estados Unidos que adotaram essa forma de capitalismo das partes interessadas, em seguida, os seus acordos comerciais não vieram mais na necessariamente à custa de seus trabalhadores. Ausente tais reformas, no entanto, acordos comerciais só negam as nossas tentativas para diminuir a desigualdade.

    http://www.jb.com.br/economia/noticias/2014/01/15/o-livre-comercio-e-a-perda-de-empregos-nos-eua/

  3. Lair Amaro

    16 de janeiro de 2014 8:06 am

    O “primeiro” rolezinho

    O título não poderia deixar de ser uma provocação, mas bem intencionada – peço perdão aos colegas historiadores pelo anacronismo.
    Sit In Rolezinho Estados Unidos 1960 luta direitos civis Greensboro NC woolworth blog thomas conti

    Em 1 de Fevereiro de 1960, quatro jovens universitários negros, vestidos com suas melhores roupas, entraram na lanchonete Woolworth’s em Greensboro, no Estado da Carolina do Norte, EUA. Os estudantes compraram alguns itens da mercearia sem nenhum problema, e em seguida pediram um lanche no balcão de serviços da lanchonete.

    O evento, aparentemente banal, é um marco histórico da luta por direitos civis nos Estados Unidos. Tudo porque os estudantes, contrariando a política da loja, fizeram seus pedidos na área do balcão que era reservada para as pessoas brancas, quando havia indicações explícitas de que a área para as pessoas “de cor” era mais ao canto da loja.

    Os funcionários da loja se recusaram a atender ao pedido dos jovens, e o gerente pediu que se retirassem do estabelecimento. Os quatro jovens ficaram sentados até o horário que a loja fecharia, esperando pacientemente serem atendidos – o que não aconteceu.

    Sit In Rolezinho Estados Unidos 1960 luta direitos civis Greensboro NC woolworth

    No momento da foto, uma mulher branca idosa ia em direção aos quatro. Um deles, Franklin McCain, relembra o que sentiu no momento: “Eu estava pensando comigo mesmo, ela deve ter uma faca de amolar e tesouras naquela bolsa dela e elas estão prestes a me atravessar direto. Quero dizer, nós estávamos invadindo o espaço dela, um espaço que nos era dito que nós não podíamos habitar.” A citação vem de uma entrevista dada por McCain em 2010, no aniversário de 50 anos do protesto de Greensboro.

    No dia seguinte ao protesto, mais de vinte afro-americanos reuniram-se na loja, onde novamente tiveram seu pedido recusado e sofreram discriminação por parte dos clientes brancos do recinto. No terceiro dia, por volta de 60 pessoas juntaram-se ao protesto, e a loja protegeu-se alegando estar “de acordo com a lei estadual”, que era favorável à segregação.

    No quarto dia, mais de 300 pessoas, que aprenderam a dinâmica do protesto, juntaram-se e começaram a ocupar mais lojas da região. Os protestos, que ficariam conhecidos como “sit-ins”, espalharam-se para outras cidades e Estados, e foram um ponto de inflexão crucial na luta por direitos civis nos Estados Unidos, atraindo a atenção da mídia e da Casa Branca, com o então presidente Eisenhower declarando ser “profundamente simpático aos esforços de qualquer grupo a gozarem dos direitos de igualdade que lhes é garantido pela Constituição”.

    Os protestos continuaram por meses, ainda que não raro sofrendo reações violentas por parte de lojistas ou clientes. Mas, em julho daquele mesmo ano, a rede de lojas onde os jovens protestaram aboliram a segregação por cor dentro do estabelecimento, e outros recintos do sul dos Estados Unidos também começaram a desfazer as divisões raciais. Hoje, os quatro bancos onde os jovens se sentaram fazem parte do museu do Instituto Smithsonian da História Americana, e a sessão específica do museu foi construída onde era a loja onde os jovens protestaram pela primeira vez.

    Greensboro Museu luta direitos civis estados unidos rolezinho

    O lugar que os quatro jovens se sentaram preservado em museu da história americana.

    Rolezinhos, Brasil, 2012-2013

    Estou em vias de terminar um artigo apenas para tratar da questão atual dos “rolezinhos” em nosso país, mas gostaria de já deixar aqui algumas provocações.

    Por que as pessoas dos shoppings tem medo destes jovens?

    Quando relembramos o acontecimento dos Estados Unidos, nos é difícil entender como os funcionários da loja e seus clientes puderam agir da forma que agiam, ou como a lei do sul dos Estados Unidos podia permitir tamanha discriminação. Parecem coisas muito distantes, de um passado longínquo. Mas é na verdade muito recente, e fato é que temos poucos motivos para crer que aquelas pessoas eram biologicamente diferentes de nós em qualquer sentido. Elas reagiram com uma mistura de sentimentos que, colocadas lado a lado com o impacto que teve o “rolezinho”, é muito similar.

    Primeiro, elas tem medo. Penso que os dois maiores medos do ser humano são o desconhecido, e outros seres humanos. Junte os dois e multiplique o número de componentes e o potencial para o medo irracional é quase irreversível. Assim como os brancos do sul dos EUA, acostumados com o distanciamento e o preconceito, não conheciam nada da vida dos negros, quem eles eram, qual sua cultura, etc, parte significativa da sociedade brasileira hoje não tem a menor ideia de como é a vida e os costumes de seus novos jovens adolescentes, negros, pobres, ou que seja. Conseguem apenas evidenciar que de fato são “gente diferenciada“. Em outras palavras, ignorância, preconceito e má vontade, atreladas à racionalidade estatística e contábil que organiza os shoppings centers conforme o público-alvo e que já de partida segrega seus frequentadores por classe. Basta ver como rolezinhos tradicionais da alta classe nunca geraram polêmica ou balas de borracha.

    Outra provocação é como as regras dos espaços privados e a lei pública são colocadas em tensão nesses acontecimentos. A lei federal dos Estados Unidos colocava todos como iguais e em tese não permitia a discriminação. Forças da tradição, aliadas ao elitismo muito bem apadrinhado financeiramente, eram contudo fortes suficientes para que em diversos Estados o dia a dia pudesse ser organizado numa lógica que era diretamente contrária à lei. Após os protestos, evidente que houve a vitória da lei federal sobre as inclinações pessoais dos lojistas, mas só depois de anos de luta, muito sangue derramado e desconfortos por toda parte. Aqui no Brasil as coisas não chegaram ao ponto de haver placas indicando onde brancos e negros devem ir, ou pobres e ricos devem ir, mas é completamente lícito fazer estabelecimentos para as classes altas em regiões onde o transporte público é péssimo ou inexistente, ou adotar uma política que permita apenas lojas de alto padrão e altos preços no estabelecimento de modo a não convidar “populares”, ou cobrar taxas abusivas de estacionamento onde não se quer os pobres, dentre outras táticas que, alega-se, são apenas métodos matemáticos e estatísticos de aumentar as vendas. Talvez isso seja em parte verdade, mas definitivamente não são “só” isso.

    Para concluir, com este artigo não era meu intuito realmente classificar uma luta decidida por direitos civis dos EUA como um “rolezinho”, nem dizer que o rolezinho é uma luta consciente por direitos civis no Brasil. Entretanto, os jovens dos EUA não tinham a menor ideia que estavam marcando a história do país – na verdade deviam estar pensando mais no quanto estavam arriscando a vida. Nesse momento tampouco sabemos o que significa esses rolezinhos. Enfim, com ressalvas, acredito que existem paralelos e lições importantes que devemos nos dispor a refletir sobre, uma vez que ainda vivemos, sim, num dos países mais desiguais do mundo, herança que, ao menos do meu ponto de vista, não lutamos um centésimo do que seria necessário para de fato combatê-la.

    E ah, já ia esquecendo. Sobre a mulher que se aproximara do jovem manifestante McCain na lanchonete dos EUA, ela não o atacou. Na verdade, surpreendentemente, ela sorriu para ele e disse: “Garotos, estou tão orgulhosa de vocês. Apenas lamento não terem feito isso há 10 anos atrás”. Segundo o próprio, as palavras dela foram uma fonte de inspiração para ele durante toda a sua vida.

    AT quatro luta direitos civis Estados Unidos Monumento

    Monumento aos quatro jovens que fizeram história nos EUA. David Richmond, Franklin McCain, Ezell Blair Jr, Joseph McNeil.

     

    http://thomasconti.blog.br/2014/estados-unidos-1-de-fevereiro-de-1960-o-primeiro-rolezinho/

     

  4. Antonio Carlos Silva - RJ

    16 de janeiro de 2014 10:07 am

    Do : Viomundo

    Do : Viomundo (15/01/2014)

     

    Entidades denunciam Globo por falsificação sobre palestinos em novela

    publicado em 15 de janeiro de 2014 às 22:23

    Persio, o personagem palestino

    Não à falsificação histórica sobre os palestinos na novela da Globo

    Nós, organizações reunidas na Frente em Defesa do Povo Palestino-SP, nos comitês de outros estados, bem como demais entidades abaixo-assinadas, repudiamos veementemente a forma como os palestinos são representados na novela “Amor à Vida”, da TV Globo.

    Sua resistência legítima à ocupação e apartheid israelenses que já duram 66 anos é retratada como terrorismo contra vítimas inocentes nos diálogos entre um personagem palestino, Pérsio (Mouhamed Hartouch), e uma judia (Paula Braun).

    Todas as vezes em que é feita referência à Palestina, fala-se em guerra, o que pressupõe dois lados iguais disputando um território.

    Na verdade, é uma distorção da realidade: tem-se um opressor e ocupante (Israel) e um oprimido (palestinos).

    Em nenhum momento, a novela faz referência ao muro do apartheid, aos inúmeros postos de controle a que estão submetidos os palestinos, bem como às leis racistas que lhes são impostas e à limpeza étnica e ataques contínuos contra eles.

    O diálogo que inaugura essa farsa é permeado por desinformação e manipulação da verdade.

    Rebeca chega a afirmar que há muitos casais judeus e palestinos em Israel, como conviria a qualquer Estado democrático.

    A verdade é que Israel foi criado em 1948 como um Estado exclusivamente judeu, um entrave à democracia, já que esses têm tratamento diferenciado.

    Desde então, a própria convivência está comprometida.

    O apartheid imposto aos palestinos impede até que vivam no mesmo bairro.

    Os palestinos que vivem onde hoje é Israel (território palestino até 1948, ano da criação desse Estado exclusivamente judeu) são considerados cidadãos de segunda ou terceira categoria, discriminados cotidianamente, e as leis que valem para eles não são as mesmas que valem – e privilegiam – os judeus.

    O apartheid é explícito e amparado por uma legislação que fere o direito internacional.

    Em 1948, ano que na memória coletiva árabe é conhecido como “nakba”, a catástrofe, foram expulsos de suas terras e propriedades cerca de 800 mil palestinos e aproximadamente 500 aldeias palestinas foram destruídas para dar lugar a Israel.

    Massacres cometidos por grupos paramilitares sionistas, contra agricultores palestinos desarmados e sem treino militar, são hoje comprovados.

    Os palestinos têm sido desumanizados desde o início da colonização de suas terras.

    Essa contextualização histórica também ficou fora da telinha.

    O autor de “Amor à vida”, Walcyr Carrasco, reforçou, assim, mitos que são denunciados por vários historiadores, inclusive israelenses, como Ilan Pappe, em seu artigo “Os dez mitos de Israel”.

    Entre eles, o mito de que a luta palestina não tem outro objetivo que não o terror e que Israel é “forçado” a responder à violência.

    Segundo ele, a história distorcida serve à opressão, à colonização e à ocupação.

    “A ampla aceitação mundial da narrativa sionista é baseada em um conjunto de mitos que, ao final, lançam dúvidas sobre o direito moral palestino, o comportamento ético e as chances de qualquer paz justa no futuro. A razão é que esses mitos são aceitos pela grande mídia no Ocidente e pelas elites políticas como verdade.”

    O Brasil não é exceção.

    Na contramão da campanha global por boicotes ao apartheid israelense, o governo federal se tornou nos últimos anos o segundo maior importador de tecnologias militares da potência que ocupa a Palestina e porta de entrada dessa indústria à América Latina.

    E sua cumplicidade com a opressão, a ocupação e o apartheid a que estão submetidos os palestinos é justificada a milhares de espectadores desavisados da novela da Globo, através de um discurso que reproduz a versão falsificada da história e se fortalece perante a representação orientalista – em que os árabes seriam “orientais” bárbaros e atrasados, ante cidadãos “pacíficos e civilizados”.

    Como detentora de concessão pública (o espaço eletromagnético está na Constituição Federal, como um bem do povo) e ciente de que as telenovelas moldam comportamentos, ideias e conceitos ou ajudam a reforçar preconceitos e discriminações, a Globo comete erros históricos graves, injustiças ao povo palestino em particular e aos árabes em geral e um desrespeito ao seu público ao desinformá-lo.

    Denunciamos publicamente essas distorções e exigimos que a Globo se retrate nos próximos capítulos de “Amor à Vida”, programa de maior audiência da TV brasileira.

    Frente em Defesa do Povo Palestino-SP / BDS Brasil

    Centro Brasileiro de Estudos do Oriente Médio

    Comitê Brasileiro de Defesa dos Direitos do Povo Palestino

    Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro

    Centro Cultural Palestino do Rio Grande do Sul

    Comitê Gaúcho de Solidariedade ao Povo Palestino

    Sociedade Árabe Palestino Brasileira de Corumbá

    Comitê Democrático Palestino – Brasil

    Comitê Pró-Haiti

    Tribunal Popular

    GTNM-SP – Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de São Paulo

    Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada

    Rede Mulher e Mídia

    Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

    Associação Islâmica de São Paulo

    UNI – União Nacional das Entidades Islâmicas

    ICArabe – Instituto da Cultura Árabe

    FST-SP – Fórum Sindical dos Trabalhadores-SP

    CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular

    Anel – Assembleia Nacional dos Estudantes Livre

    UJC – União da Juventude Comunista

    PCB – Partido Comunista Brasileiro

    PSOL-SP – Partido Socialismo e Liberdade

    PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

    MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

    Mopat – Movimento Palestina para Tod@s

    Coletivo Periferia, Nossa Faixa de Gaza

    Coletivo de Mulheres Ana Montenegro

    União da Juventude Comunista – Brasil

    Marcha Mundial de Mulheres

    Movimento Mulheres em Luta

    Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe

    1. nilccemar

      16 de janeiro de 2014 12:16 pm

      Finalmente alguém se insurge

      Finalmente alguém se insurge contra isso. Vi apenas um capitulo disso e notei logo deturpação dos hábitos na representação. Isso é muito grave. Se todos mal representados se insurgissem, a propaganda velada através das novelas seria minimamente coibida, médicos com vida, tempo, comportamenteo e cabeça que não correspondem à categoria, bem como professores e todos demais representados. O tempo de que dispõem as personagens das novelas globais simplesmente não exste na realidade; nunca estão trabalhando, mas ocupam 100% do tempo em intrigas, onde existe isso ? quem são essas pessoas que só nominalmente correspondem à inserção social proposta ?

  5. Antonio Carlos Silva - RJ

    16 de janeiro de 2014 10:14 am

    Será que esta notícia será veiculada no JN ?
    15/01/2014 – Copyleft

    Reino Unido tem 13 milhões na pobreza; cresce procura por bancos de alimentos

    Em 2011-2012, 128.697 pessoas recorreram a estes bancos. Em 2012-2013, a cifra quase triplicou: 346.992. Já há mais de 400 bancos de alimentos no país.

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    Marcelo Justo Huffington Post

     

    Londres – É a sexta economia mundial, origem da revolução industrial, ex-império que dominou o mundo tem cerca de 13 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza. Com um duro plano de austeridade que está socavando lentamente o Estado de Bem estar, salários estagnados, explosão do emprego temporário e de meio-turno, muitos têm que recorrer aos bancos de alimentos das ONGs no Reino Unido.

    A Fundação Trussell Trust tem mais de 400 bancos de alimentos em todo o país. O impacto do programa de austeridade aplicado pela coalizão de conservadores e liberais democratas desde 2010 é claro. Em 2011-2012, 128.697 pessoas recorreram a estes bancos. Em 2012-2013, a cifra quase triplicou: 346.992. “Há muita gente que come uma vez ao dia ou tem que escolher entre comer e acionar a calefação em pleno inverno”, disse à Carta Maior o diretor da Trussel Trust Chris Mould.

    Os especialistas medem a pobreza em termos absolutos (virtual incapacidade de sobrevivência) e relativos (em relação à renda média e às expectativas de uma época). Hoje em dia não ter uma geladeira é um indicador de pobreza; em 1913, data de invenção da geladeira doméstica, era um luxo. Segundo o Trussel Trust, um de cada cinco britânicos se encontram hoje em situação de pobreza relativa ou absoluta. “É fácil esquecer que se pode cair muito rápido nesta situação. Uma demissão, uma conta muito alta de eletricidade, uma redução dos benefícios sociais, um drama familiar e essas pessoas ficam sem nada”, explica Mould.

    Esta pobreza se estende para além do desemprego. A atual taxa de desocupação de 7,7% (2,5 milhões de pessoas) encobre um panorama social complexo. Quase um milhão e meio de pessoas tem trabalhos de meio turno e com salários baixíssimos que geraram o movimento pelo chamado “living wage” (salário digno).
     
    O percentual de subempregados (que desejariam trabalhar mais se pudessem) aumentou de 6,2% em 2008 para 9,9% hoje. “A maioria da ajuda estatal não vai para os desempregados, mas sim para pessoas que estão subempregadas ou têm salários muito baixos. Muitas vezes pela própria instabilidade destes trabalhos as pessoas entram e saem de situações de extrema necessidade”, diz Mould.

    A esta pobreza de receita se somam outras formas no Reino Unido, como a chamada “pobreza energética” dificilmente visualizada na América Latina seja pela diferença climática ou porque ainda não foi conceitualizada. Este nível de pobreza afeta cerca de 3,4 milhões de pessoas (cerca de 6% da população) que tem que gastar mais de 10% de suas receitas para “manter um nível adequado de calefação” durante os cinco meses ou mais de duração do inverno britânico. Muitos não têm escolha e deixam a calefação desligada porque não podem pagar as contas.

    Um caso particular

    Uma britânica que não pode ligar a calefação no inverno é Geraldine Pool, de Salisbury, sudoeste da Inglaterra, diagnosticada com depressão, divorciada, com um filho e sem trabalho. A Carta Maior conversou com Pool, um caso típico do impacto devastador que a austeridade está tendo em muitas vidas. “Em 2011 perdi meu trabalho em uma biblioteca pública pelos cortes do governo. Desde então, busquei trabalho em administração, supermercados, seja o que for, mas é muito difícil para alguém com mais de 50 anos porque sempre preferem os mais jovens”, disse Pool.

    O Estado paga a ela 61 libras semanais (99 dólares) a título de seguro desemprego e fornece assistência habitacional. “Não é suficiente. Se uso a calefação, as contas sobem para quase 300 libras semanais”. Neste momento não tenho água quente. Tenho que esquentar a água para me lavar”, explica Pool.

    Pool tinha ouvido falar dos bancos de alimentos, mais foi por causa de sua médica do Sistema Nacional de Saúde que acabou indo a um. “Não queria recorrer a isso. Mas foi fundamental. Com os “vouchers” (vales) me deram latas de carne, peixe, massa, leite, açúcar. Umas seis semanas depois, no último Natal, tive um segundo pacote muito completo de alimentos”, assinalou à Carta Maior.

    Os Bancos de Alimentos procuram trabalhar muito perto da comunidade e funcionam com as contribuições voluntárias da população e, em muito menor medida, de supermercados ou fazendeiros. “Cerca de 95% dos alimentos que temos vem das pessoas a quem pedimos que adquiram dois itens adicionais em um supermercado que sirvam para uma nutrição balanceada”, informa Mould.

    Os bancos se conectam com figuras chave da comunidade em consultórios médicos, hospitais, serviços sociais, igrejas e, em alguns casos, da polícia que identificam as pessoas que podem necessitar estes vales para ter acesso a um pacote de alimentos. Em um caso raro de sensibilidade social, a polícia de Islington, no norte de Londres, não prendeu um jovem que havia tentado roubar pão e ovos de um mercado, após passar dias sem se alimentar direito. Quando a pessoa em questão, Adam, relatou seu drama o levaram ao banco de alimentos onde, segundo o testemunho dos próprios policiais, começou a chorar.

    A Trussell Trust calcula que necessitará uns “200 ou 300 bancos de alimentos mais” para cobrir todo o Reino Unido, mas é consciente que, com toda sua boa vontade, funciona como um paliativo: necessário, muito útil, mas insuficiente. “Nós intervimos nestes momentos de emergência e se for necessário ampliamos nossa assistência. Mas o que é preciso é uma política social para o emprego, a habitação, salários dignos e estímulos ao crescimento. Devido a todos os cortes que ocorreram, estamos inundados de trabalho”, apontou Mould à Carta Maior.

  6. Antonio Carlos Silva - RJ

    16 de janeiro de 2014 10:19 am

    Enquanto o judiciarinho brasileiro fecha o olho . Na suíça …

    Justiça suíça congela contas do mensalão do DEM

    :

    Investigação internacional sobre suposto esquema de desvio público na gestão do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e do ex-vice-governador Paulo Octávio foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República; documento oficial do país europeu afirma que US$ 6,8 milhões foram bloqueados em bancos de Genebra e Zurique por operações de ‘contexto pelo menos nebuloso’; delator do esquema foi Durval Rodrigues Barbosa; por meio do advogado, Arruda diz que investigações “não têm o menor fundamento”

    16 de Janeiro de 2014 às 06:40

     

    Brasília 247 – Após investigação internacional, a Justiça da Suíça bloqueou US$ 6,8 milhões de contas secretas de Genebra e Zurique por suspeitas de que o dinheiro esteja ligado ao esquema de corrupção do Distrito Federal, chamado de mensalão do DEM.

    As autoridades do país entraram no caso em setembro de 2012 por pedido da Procuradoria-Geral da República. A PGR denunciou ao Superior Tribunal de Justiça 37 pessoas por envolvimento no esquema de desvio de dinheiro público. Entre os acusados estão o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e o ex-vice-governador Paulo Octávio, ambos filiados na época ao DEM.

    O delator do esquema foi Durval Rodrigues Barbosa, que era secretário do governo Arruda no Distrito Federal, entre 2007 e 2010. Ele também está entre os denunciados, mas poderá ser beneficiado por ter revelado os desvios de dinheiro.

    Segundo o documento da Justiça da Suíça, divulgado pelo Estado de S. Paulo, uma pessoa identificada aleatoriamente pela letra “H” abriu pelo menos duas das nove contas sob suspeita, ambas em Genebra.

    “Com o objetivo de estabelecer novas relações comerciais com o governo do Distrito Federal e ou de manter as relações já existentes, H teria dado vantagens financeiras a J, então governador do Distrito Federal e seus cúmplices, retirando um porcentual do montante das faturas pagas pelo governo do DF às empresas de seu grupo”, diz trecho do documento.

    A Justiça do país europeu diz ainda no texto que “entre 2006 e 2010 sua sociedade teria recebido mais de R$ 45 milhões do governo do Distrito Federal. O “H” é acusado ainda de ter, entre fim de 2005 e início de 2006, financiado a campanha eleitoral de J no valor de R$ 1 milhão, em troca de promessas de futuros contratos dados pelo governo do DF às sociedades de seu grupo”. “No fim de 2006, H teria obtido um contrato de cerca de R$ 9,8 milhões em favor de sua sociedade”.

    O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda negou, por meio de seu advogado, Nélio Machado, envolvimento nas investigações que estão sendo conduzidas na Suíça. “Segundo meu cliente, a chance de haver procedência nessa informação é zero. Não tem o menor fundamento”, afirmou Machado.

  7. Gilberto .

    16 de janeiro de 2014 3:51 pm

    Ano novo, não é “de graça”: O “suicídio” do garoto negro e gay

    O ano novo, que costumamos comemorar com a expectativa de renovação de hábitos, não ocorre “de graça”.

    Dois fatos, opostos, marcaram este início de 2014 como se tivessem igual significado: Os rolezinhos e a revolta em Pedrinhas. O que eles tem em comum e onde são opostos?

    De um lado, uma população carcerária, que sabidamente não merece da sociedade maior atenção. Para maior parte da população, eles estão onde deveriam estar e nas condições que merecem. Do outro jovens, ainda livres, que parecem fortes candidatos a ocupar a posição dos primeiros em um curto espaço de tempo. A criminalização parece ser a regra fácil encontrada pela sociedade para combater uma situação de exclusão que, ironicamente parece ser “escolhida” pelas pessoas e não decorrente de um modelo fortemente segregado. Um fato aparentemente banal, que numa sociedade justa seria um encontro de jovens, se transforma em um motivo de preocupação.

    Não é agradável começar um novo ano “lembrando” destas coisas. Um terceiro fato, apresentado na reportagem abaixo, me levou a esta desagradável tarefa. Esta repetição precisa terminar. Por mais que tenha sido feito nos últimos anos à respeito não sinto, na população e no governo, a atenção necessária às manifestações de violências em suas várias formas. A razão básica  no entanto é uma só: a desigualdade. Desigualdade esta que não se traduz somente em aumento de renda, mais até que isto,  é necessária a igualdade de oportunidade. Esta igualdade só se consegue mudando a “cultura da violência”.

    Não há “espaço” possível para que todos exerçam esta secular “cultura da violência”, pois a raiz imprescindível da sua sobrevivência é a desigualdade. Onde apenas alguns detem o poder economico ou a força haverão necessariamente subjugados e condenados à priori. 

    Da Folha

    Adolescente gay é achado desfigurado após se perder em festa em SP

    FELIPE SOUZA
    RICARDO SENRA
    DE SÃO PAULO

    16/01/2014     

    03p0

     

    Um adolescente de 16 anos foi encontrado morto na madrugada do último sábado (11), na avenida 9 de julho, região central de São Paulo. O jovem tinha sido visto pela última vez em uma festa destinada ao público gay na República (centro).

    Dentro da boate, Kaique Augusto Batista dos Santos teria dito a amigos que havia perdido a carteira e o celular. O grupo se separou para procurar os objetos, e Kaique não foi mais visto.

    Segundo pessoas da família de Kaique que fizeram o reconhecimento do corpo, não havia dentes na boca do garoto, que tinha sinais de tortura, como uma barra de ferro dentro da perna.

    De acordo com Tayna Innocencia Chidiebere Uzor, 19, irmã de Kaique, o adolescente, que era negro e homossexual, pode ter sido morto por um grupo de skinheads. “Eles gostam de bater e torturar com as próprias mãos. Têm prazer de tirar a vida de homossexuais”, disse.

    A Polícia Civil registrou o boletim de ocorrência como suicídio no 2º DP (Bom Retiro). A Secretaria da Segurança Pública informou que não vai comentar os sinais de tortura porque o laudo da morte é sigiloso. Também não foi informado se a Polícia Civil solicitou imagens de câmeras de segurança –a pasta se resumiu a dizer que “a investigação está em andamento”.

    O enterro ocorreu na manhã de ontem no Cemitério Valle dos Reis, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Devido às condições do corpo, não houve velório.

    CHUTES

    Segundo Tayna, Kaike estava com hematomas na cabeça, “provavelmente causados por chutes”. O jovem frequentava a rua Vieira de Carvalho, no Arouche, mas a família diz que ele não entrava em festas. “Ele ficava na praça bebendo com amigos da mesma idade e fumando narguile”, diz a irmã

    Para Cristiano Pacheco, 32, organizador da festa onde Kaique foi visto pela última vez, o caso é revoltante. “Ele era um garoto calmo, todos gostavam dele. Arrancar os dentes, enfiar ferro, isso não se faz”, disse.

    “É muito delicado para a gente perder uma pessoa tão querida da família. O Kaique era muito novo e mal sabia o que era a vida”, disse a irmã.

    IML

    Parentes só conseguiram fazer o reconhecimento do corpo na terça-feira (14) – quatro dias depois do crime. Eles dizem ter ido três vezes ao IML (Instituto Médico Legal) no dia anterior, sem sucesso.

    Anteontem, o irmão e a mãe de Kaique foram informados pelo instituto de que o corpo estava no local desde sábado e que fora mantido fora da geladeira devido à superlotação. Funcionários do IML teriam dito que não avisaram antes porque o corpo estava sujo e precisava ser fotografado.

    Já o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Ricardo Kirche Cristófi, afirmou que o único registro de procura pelo corpo não identificado ocorreu terça-feira.

    Cristófi afirmou ainda que os corpos só ficam fora da geladeira para exames e isso também ocorrer nesse caso. Em caso de lotação, os corpos são encaminhados para outras unidades. 

  8. antonio francisco

    16 de janeiro de 2014 6:23 pm

    divulgador da telexfree se acorrenta, no Acre

    http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2014/01/acorrentado-divulgador-da-telexfree-entra-no-2-dia-de-greve-de-fome-no-ac.html

    Divulgador Telexfree saiu da frente de fórum e segue acorrentado no MP-AC  (Foto: Eduardo Duarte/ Arquivo pessoal)

  9. alfeu

    16 de janeiro de 2014 6:35 pm

    MPF recorre de decisão que trancou ação penal contra Major Curió

    Brasil de Fato

    http://www.brasildefato.com.br/node/27107

    Procuradora alega que Lei de Anistia não se aplica ao caso

    16/01/2014

    Do MPF/PA

    O Ministério Público Federal ajuizou nesta terça-feira, 14 de janeiro, recurso no Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF1) para esclarecer contradições e omissões do julgamento que trancou ação penal contra Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o Major Curió. O coronel da reserva do Exército é acusado de sequestrar e manter em cárcere privado cinco militantes, até hoje desaparecidos, durante a repressão à guerrilha do Araguaia, na década de 70.

    A decisão que trancou a ação penal contra Curió, dada pela 4ª Turma do Tribunal, aplicou a Lei 6.683/79 (Lei da Anistia) ao processo e afirmou ter havido a prescrição para a punição do réu, tendo em vista que o crime aconteceu há mais de 30 anos.

    No recurso apresentado ao Tribunal, a procuradora Regional da República Raquel Branquinho defende que o acórdão foi omisso, pois deixou de considerar precedentes do STF sobre a não aplicação da Lei de Anistia aos casos de sequestro e cárcere privado. De acordo com o Ministério Público Federal, embora tenham se passado mais de 30 anos do crime, as vítimas até hoje não apareceram, e nem os corpos, o que impede que seja cogitada hipótese de homicídio.

    “Enquanto não se souber o paradeiro das vítimas, sem que haja provas diretas ou indiretas dos restos mortais, remanesce a privação ilegal da liberdade, tipificada no art. 148, § 2º, do Código Penal”, esclarece o recurso.

    A procuradora também afirma que a denúncia do MPF não imputou a Sebastião Curió a prática de crime continuado, conforme apontou o voto do relator, desembargador Olindo Menezes. “A exordial acusatória imputou ao paciente, ora embargado, o delito de sequestro e cárcere privado, cuja consumação, iniciada nos idos de 1974, protrai-se até os dias atuais. Desse modo, trata-se de delito permanente, e não de crime continuado”, defende a procuradora.

    O recurso ainda alega que, mesmo havendo compatibilidade da Lei de Anistia com a Constituição Federal, não foi considerada no julgamento a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário, e que estabelece a obrigação da persecução criminal dos fatos relacionados à chamada “Guerrilha do Araguaia”.

    O recurso será levado para julgamento da 4ª Turma do TRF1.

    HC nº 0068063-92.2012.4.01.0000/PA

    Íntegra do recurso: http://www.prr1.mpf.mp.br/noticias/009%20ED.HC0068063-92.2012.4.01.0000.embargos%20de%20declaracao.anistia.sequestro.pdf 
    Andamento processual: http://www.trf1.jus.br/Processos/ProcessosTRF/ctrf1proc/ctrf1proc.php?proc=00680639220124010000

     

  10. Andreas

    17 de janeiro de 2014 3:34 am

    Joaquim Leonardo Macunaíma Barbosa

    Nassif,

     

    Excelente texto sobre o Joaquim Barbosa :

     

    http://www.facebook.com/notes/juremir-machado-da-silva/leonardo-pataca-macunaíma-e-joaquim-barbosa-eis-o-malandro-na-praça/10151961174334615

     

    Leonardo Pataca, Macunaíma e Joaquim Barbosa: eis o malandro na praça

    16 de janeiro de 2014 às 16:36

     

         Macunaíma está de volta. Ai que preguiça! Ele atende agora pelo nome de Joaquim Barbosa. Presidente, simultaneamente, do STF e do CNJ. Nas férias, ele arranja umas palestrinhas para dar e ganha diárias do Supremo Tribunal Federal. O contribuinte paga o balanço na rede do malandrão. O STF é cheio de mamatas. Quando viajam, os ministros podem levar as esposas com passagens, em primeira classe, pagas por nós. Essa teta o STF não considera inconstitucional. Imoralidade é um termo que os togados não costumam analisar. Só tratam de legalidade.

    O maior crítico literário brasileiro do último meio século, o professor Antônio Cândido, escreveu um texto que se tornou clássico: “A dialética da malandragem”. Fala assim: “Digamos então que Leonardo não é um pícaro, saído da tradição espanhola; mas o primeiro grande malandro que entra na novelística brasileira, vindo de uma tradição quase folclórica e correspondendo, mais do que se costuma dizer, a certa atmosfera cômica e popularesca de seu tempo, no Brasil. Malandro que seria elevado à categoria de símbolo por Mário de Andrade em Macunaíma”. Leonardo é personagem de “Memórias de um sargento de milícias”. Joaquim Barbosa entra na fila.

    Possui apartamento em Miami em nome de uma pessoa jurídica que, como funcionário público, não pode ter. Segundo o jornalista Miguel do Rosário, está licenciado da Universidade de Estado do Rio de Janeiro, mas recebe salário. Nos dias úteis, banca o herói moralizador. Na folga, viaja financiado pelo dinheiro público. Como atende a certos anseios ideológicos,poderá candidatar-se à presidência da República. Ao contrário do que imaginam seus apoiadores, suas chances de eleição são mínimas. Os antipetistas, desde que vingados nas suas obsessões, não se importam com as malandragens de pícaro Barbosa.

    Joaquim Leonardo Macunaíma Barbosa não está errado em botar corruptos na cadeia. Devia, contudo, adotar os mesmos critérios para todos e esforçar-se mais para apresentar provas em relação a todos, não apenas evidências ou ilações. Antes de viajar de férias com diárias oficiais, ele deveria ter assinado a ordem de prisão do petista João Paulo Cunha e também a do mensaleiro delator Roberto Jefferson, que continua solto por algum tipo de privilégio. Coerência nunca foi o forte de Macunaíma. Quando lhe pedem explicações, exclama:

    – Ai que preguiça!

         Presidente do STF não está obrigado a explicar-se. Não, não pense o leitor apressado ou ideológico que este texto é um ataque a Barbosa para defender petistas corruptos. Nada de simplificações baratas. Os crimes dos petistas não absolvem as picaretagens de Barbosa. Chega de moral de ceroulas. O herói da revista conservadora Veja precisa dar exemplo. Só que isso dá muito trabalho.

    – Ai que preguiça!

         Qual a diferença entre Renan Calheiros e Joaquim Barbosa? Qual a diferença entre usar avião da FAB para fazer implante de cabelos e usar diárias do STF para tirar férias na Europa? Como diz aquela bela música:

    – Eis o malandro na praça outra vez.

     

     

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