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  1. Praxedes

    4 de março de 2016 3:14 am

    É o zica vírus? Está mais para a doença da vaca louca

    Os furos do “furo” da delação de Delcídio na Istoé, por Luís Costa Pinto

    costapinto

    Luís Costa Pinto, Prêmio Esso de Jornalismo, por duas matérias –  “Os Tentáculos de PC Farias” e “Pedro Collor Conta Tudo” – que iniciaram o processo de impeachment de Fernando Collor escreve hoje em seu Facebook uma meticulosa análise onde analisa a edição especial da Istoé que divulga a até agora suposta – e semi-desmentida, se é que isto é possível – delação premiada de Delcídio Amaral.

    É longa e dela reproduzo o trecho em que ele disseca as contradições jornalísticas da matéria, de forma muito objetiva. Imperdível para jornalistas e para quem quer entender o que os jornalistas fazem e escrevem.

    Mas, mesmo deixando aos leitores mais interessados o trabalho de (um clique só, nem tanto) de verem as comparações que faz com a entrevista de Pedro Collor, não resisto a destacar um trecho do final, que você pode ler lá:

    “(…)o mais estranho em todo esse processo foi a eleição de Istoé para ser o veículo da vez. A revista é a terceira em circulação no país e tem importância secundária, hoje, no processo político. A ressurreição da publicação – mesmo que num fatídico beijo da morte caso tudo se prove uma barriga monumental – se dá justo na véspera da troca de comando em Veja (na próxima segunda-feira um jornalista de carreira equilibrada, de texto primoroso e de responsabilidade ética assume a direção de redação da publicação da Abril, e isso suscitou um debate paralelo nas redes sociais em relação a um suposto e improvável “enquadramento” de Veja pelo Governo). Por que os vazadores da suposta delação negada de Delcídio Amaral elegeram Istoé para entregar um papelório potencialmente bombástico?

    Sobre o jornalismo e as
    capas que “contam tudo”

    Luís Costa Pinto, no Facebook (trecho)

    A revista Istoé antecipou sua edição do próximo fim de semana para hoje, quinta-feira.

    Antes de analisar qualquer coisa, o ato de antecipar a circulação da edição impressa só mostra quão difícil é pensar as publicações nos dias de hoje.

    Modernos fossem, os editores de Istoé podiam ter arrebentado numa edição eletrônica e podiam resguardar a outrora preciosa edição impressa para oferecer a seus leitores uma cobertura espetacular sobre os desdobramentos da crise. Afinal, revistas nasceram para analisar em profundidade os cenários e para explicar o porquê dos fatos.

    Mas esse foi só um desacerto editorial. Deixemo-lo de lado.

    Na capa da edição, o título ‘Delcídio Conta Tudo’ e uma foto do senador do PT do Mato Grosso do Sul com ar soturno e a cabeça levemente inclinada para baixo.

    A ambição, inconfessa, contudo evidente e descarada, é remeter os mais velhos à histórica capa de Veja ‘Pedro Collor Conta Tudo’, de autoria central minha, mas fruto de um amplo e espetacular trabalho de equipe – repórteres, editores, correspondentes e diretores – num formato de redação e de publicação que já não existe mais. Não existe. Mimetizar a força de uma capa por similaridades gráficas é mais que equívoco: é má fé.

    O texto de Istoé relata o acesso que a repórter teve a um texto que seria parte de uma delação premiada, não homologada, do senador Delcídio Amaral. No rol de denúncias, supostos fatos que serão graves se forem verdadeiros.
    Alguns deles:

    1- A presidente da República e o ministro da Justiça teriam feito gestões junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal numa reunião extrapauta, no Porto, para que Ricardo Lewandowiski ajudasse num processo de esvaziamento da Operação Lava Jato.

    2- A presidente da República teria pedido ao líder do Governo no Senado, o próprio Delcídio, para que ele confirmasse com um futuro ministro do Superior Tribunal de Justiça se ele concederia habeas corpus aos presidentes de duas empreiteiras – Odebrecht e Andrade Gutierrez – tão logo assumisse a vaga no STJ. E que o presidente do STJ teria auxiliado nessas gestões.

    3- Que Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, soubera com todos os detalhes do passo a passo da compra da refinaria da Petrobras em Pasadena (EUA).

    4- Que Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, havia articulado com a CPI dos Bingos para que seu nome não fosse tratado lá dentro.

    Não vale descer ao rol quilométrico de versões elencadas no papelório divulgado por Istoé, mas:

    1- Delcídio Amaral nega a delação. Seus advogados, idem. Um dos advogados de Amaral é ex-presidente do STJ, Gilson Dipp, operador do Direito que construiu sólida reputação em Brasília. Eles não foram procurados antes da publicação do texto. Sequer para confirmar ou negar a existência da delação – ou para ajudar a melhorar a “apuração”. Por que?

    2- O presidente do STF, Ricardo Lewandowiski, em que pese ter sido “elogiado” na edição de Istoé, não foi procurado antes da divulgação da revista. Por que? Deveria ter sido procurado, até para dar detalhes da conversa ocorrida no Porto, em Portugal. Lewandowiski negou que tenha ocorrido abordagem não-republicana na conversa entre ele, a presidente e José Eduardo Martins Cardozo.

    3- O presidente do STJ também não foi procurado por repórteres de Istoé para dizer o que houve naquelas supostas gestões – para melhorar, para tentar derrubar a “apuração”. E até mesmo as reações dele já seriam notícia, em si, numa eventual reportagem.

    4- O ministro Marcelo Navarro nega ter existido a conversa citada na suposta delação também negada. E também não foi procurado por repórteres de Istoé. Por que? Mesmo que Navarro negasse, havia reportagem se fato houvesse.

    5- Regressar à compra de Pasadena, dizendo que Dilma sabia o que se passaria na reunião que levou à efetivação da compra da refinaria nos EUA, é chover no molhado numa obra já feita: a presidente já dissera, em outro momento, que soubera da compra por relatório preliminar – mas que não o lera antes da reunião do Conselho da Petrobras. E isso não é crime, é notícia velha. Por que não citar, em um parágrafo, que ela sabia o que já dissera que sabia?

    6- A CPI dos Bingos não tinha rigorosamente nada a ver com Dilma. Nada. Foi ela, a CPI, a responsável por levar à queda de José Dirceu do ministério da Casa Civil. E Dilma assumiu o posto dele. E naquele momento ela não era nada, não era ninguém, no horizonte político nacional. Lula tirou o nome de Dilma da cartola depois da posse para o segundo mandato – e ali a CPI dos Bingos já não existia mais.

    7- De resto, no texto da revista há dois parágrafos remetendo à renovação da tese do impeachment que não nasceram da pena jornalística. Saíram de uma mente policialesca. São indícios de digitais.

  2. Webster Franklin

    4 de março de 2016 4:07 am

    Os furos do “furo” da delação de Delcídio na Istoé, por Luís Cos

    Tijolaço

    Os furos do “furo” da delação de Delcídio na Istoé, por Luís Costa Pinto

     

    costapinto

    Luís Costa Pinto, Prêmio Esso de Jornalismo, por duas matérias –  “Os Tentáculos de PC Farias” e “Pedro Collor Conta Tudo” – que iniciaram o processo de impeachment de Fernando Collor escreve hoje em seu Facebook uma meticulosa análise onde analisa a edição especial da Istoé que divulga a até agora suposta – e semi-desmentida, se é que isto é possível – delação premiada de Delcídio Amaral.

    É longa e dela reproduzo o trecho em que ele disseca as contradições jornalísticas da matéria, de forma muito objetiva. Imperdível para jornalistas e para quem quer entender o que os jornalistas fazem e escrevem.

    Mas, mesmo deixando aos leitores mais interessados o trabalho de (um clique só, nem tanto) de verem as comparações que faz com a entrevista de Pedro Collor, não resisto a destacar um trecho do final, que você pode ler lá:

    “(…)o mais estranho em todo esse processo foi a eleição de Istoé para ser o veículo da vez. A revista é a terceira em circulação no país e tem importância secundária, hoje, no processo político. A ressurreição da publicação – mesmo que num fatídico beijo da morte caso tudo se prove uma barriga monumental – se dá justo na véspera da troca de comando em Veja (na próxima segunda-feira um jornalista de carreira equilibrada, de texto primoroso e de responsabilidade ética assume a direção de redação da publicação da Abril, e isso suscitou um debate paralelo nas redes sociais em relação a um suposto e improvável “enquadramento” de Veja pelo Governo). Por que os vazadores da suposta delação negada de Delcídio Amaral elegeram Istoé para entregar um papelório potencialmente bombástico?

    Sobre o jornalismo e as
    capas que “contam tudo”

    Luís Costa Pinto, no Facebook (trecho)

    A revista Istoé antecipou sua edição do próximo fim de semana para hoje, quinta-feira.

    Antes de analisar qualquer coisa, o ato de antecipar a circulação da edição impressa só mostra quão difícil é pensar as publicações nos dias de hoje.

    Modernos fossem, os editores de Istoé podiam ter arrebentado numa edição eletrônica e podiam resguardar a outrora preciosa edição impressa para oferecer a seus leitores uma cobertura espetacular sobre os desdobramentos da crise. Afinal, revistas nasceram para analisar em profundidade os cenários e para explicar o porquê dos fatos.

    Mas esse foi só um desacerto editorial. Deixemo-lo de lado.

    Na capa da edição, o título ‘Delcídio Conta Tudo’ e uma foto do senador do PT do Mato Grosso do Sul com ar soturno e a cabeça levemente inclinada para baixo.

    A ambição, inconfessa, contudo evidente e descarada, é remeter os mais velhos à histórica capa de Veja ‘Pedro Collor Conta Tudo’, de autoria central minha, mas fruto de um amplo e espetacular trabalho de equipe – repórteres, editores, correspondentes e diretores – num formato de redação e de publicação que já não existe mais. Não existe. Mimetizar a força de uma capa por similaridades gráficas é mais que equívoco: é má fé.

    O texto de Istoé relata o acesso que a repórter teve a um texto que seria parte de uma delação premiada, não homologada, do senador Delcídio Amaral. No rol de denúncias, supostos fatos que serão graves se forem verdadeiros.
    Alguns deles:

    1- A presidente da República e o ministro da Justiça teriam feito gestões junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal numa reunião extrapauta, no Porto, para que Ricardo Lewandowiski ajudasse num processo de esvaziamento da Operação Lava Jato.

    2- A presidente da República teria pedido ao líder do Governo no Senado, o próprio Delcídio, para que ele confirmasse com um futuro ministro do Superior Tribunal de Justiça se ele concederia habeas corpus aos presidentes de duas empreiteiras – Odebrecht e Andrade Gutierrez – tão logo assumisse a vaga no STJ. E que o presidente do STJ teria auxiliado nessas gestões.

    3- Que Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, soubera com todos os detalhes do passo a passo da compra da refinaria da Petrobras em Pasadena (EUA).

    4- Que Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, havia articulado com a CPI dos Bingos para que seu nome não fosse tratado lá dentro.

    Não vale descer ao rol quilométrico de versões elencadas no papelório divulgado por Istoé, mas:

    1- Delcídio Amaral nega a delação. Seus advogados, idem. Um dos advogados de Amaral é ex-presidente do STJ, Gilson Dipp, operador do Direito que construiu sólida reputação em Brasília. Eles não foram procurados antes da publicação do texto. Sequer para confirmar ou negar a existência da delação – ou para ajudar a melhorar a “apuração”. Por que?

    2- O presidente do STF, Ricardo Lewandowiski, em que pese ter sido “elogiado” na edição de Istoé, não foi procurado antes da divulgação da revista. Por que? Deveria ter sido procurado, até para dar detalhes da conversa ocorrida no Porto, em Portugal. Lewandowiski negou que tenha ocorrido abordagem não-republicana na conversa entre ele, a presidente e José Eduardo Martins Cardozo.

    3- O presidente do STJ também não foi procurado por repórteres de Istoé para dizer o que houve naquelas supostas gestões – para melhorar, para tentar derrubar a “apuração”. E até mesmo as reações dele já seriam notícia, em si, numa eventual reportagem.

    4- O ministro Marcelo Navarro nega ter existido a conversa citada na suposta delação também negada. E também não foi procurado por repórteres de Istoé. Por que? Mesmo que Navarro negasse, havia reportagem se fato houvesse.

    5- Regressar à compra de Pasadena, dizendo que Dilma sabia o que se passaria na reunião que levou à efetivação da compra da refinaria nos EUA, é chover no molhado numa obra já feita: a presidente já dissera, em outro momento, que soubera da compra por relatório preliminar – mas que não o lera antes da reunião do Conselho da Petrobras. E isso não é crime, é notícia velha. Por que não citar, em um parágrafo, que ela sabia o que já dissera que sabia?

    6- A CPI dos Bingos não tinha rigorosamente nada a ver com Dilma. Nada. Foi ela, a CPI, a responsável por levar à queda de José Dirceu do ministério da Casa Civil. E Dilma assumiu o posto dele. E naquele momento ela não era nada, não era ninguém, no horizonte político nacional. Lula tirou o nome de Dilma da cartola depois da posse para o segundo mandato – e ali a CPI dos Bingos já não existia mais.

    7- De resto, no texto da revista há dois parágrafos remetendo à renovação da tese do impeachment que não nasceram da pena jornalística. Saíram de uma mente policialesca. São indícios de digitais.

    Continue lendo, aqui.

    http://tijolaco.com.br/blog/os-furos-do-furo-da-delacao-de-delcidio-na-istoe-por-luis-costa-pinto/

  3. Webster Franklin

    4 de março de 2016 4:10 am

    Magistrados reunidos com Cunha. Promiscuidade?

     

    Magistrados reunidos com Cunha. Promiscuidade?

     

    Magistrados reunidos com Cunha. Promiscuidade?Magistrados reunidos com Cunha. Promiscuidade? – Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados

    Eduardo Cunha, réu em ação no STF, recebe magistrados para manter salários da categoria acima do teto. Isso não seria promiscuidade?

    Eduardo Cunha já é considerado réu em ação enviada pela PGR ao STF. E mesmo assim continua presidente da Câmara dos Deputados, comandando aquele ambiente que chamam de “A Casa do Povo”.

    E se o nível de promiscuidade dos poderes institucionais não pode ser notado por quem só enxerga os erros do PT, eis que a notícia abaixo, do G1, nos faz pensar que o nível ainda pode chegar ao volume morto por todas as conjecturas.

    Magistrados vão pedir ao presidente da Câmara que garanta a manutenção de verbas acima do teto. Em tempos de austeridade.

    E tudo isso acontece porque contra o governo o Cunha disputa até par ou ímpar. Um homem que já sacou do submundo político as nocivas pautas-bomba não vai ignorar suas excelências; e o Brasil que se vire com o rombo de R$ 800 milhões por ano para bancar o luxo do judiciário.

    Do G1:

    ***

    Juízes vão à Câmara para garantir manutenção de verba acima do teto

    Presidentes de tribunais de justiça e membros de associações de magistrados se reuniram nesta terça-feira (1ª) com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e líderes partidários para pedir mudanças no projeto que regulamenta os tetos salariais. Eles querem adiar a votação da proposta para a semana que vem e garantir que algumas verbas, como de auxílio-moradia e adicional por acúmulo de função, não entrem no cálculo do limite salarial.

    A votação do texto está prevista para ocorrer nesta quarta (2) na Câmara.  A medida visa disciplinar os “supersalários” de servidores que ganham acima do teto constitucional e faz parte do pacote de ajuste fiscal do governo. A expectativa é que as novas regras gerem uma economia de R$ 800 milhões ao ano.

    Para o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), João Ricardo Costa, a proposta “desestrutura as carreiras de Estado”. Ele pede, por exemplo, que um juiz que acumule a função de magistrado em um tribunal regional eleitoral possa manter a gratificação extra. Outra demanda é assegurar que os juízes que também lecionam em universidades públicas possam receber salário para isso.

    “Não somos contrários ao projeto, mas queremos discutir mais. Queremos uma remuneração estável. A medida pode prejudicar a jurisdição eleitoral. Além disso, a única função que o magistrado pode exercer além da magistratura é o magistério. Com esse projeto, a contribuição para a academia estaria limitada”, disse.

    O líder do PSC, André Moura (SE), que organizou a reunião dos juízes com Eduardo Cunha, afirmou que tentará negociar um adiamento da votação com o governo. Ele também informou que os magistrados se encontrarão com o relator do projeto, deputado Ricardo Barros (PP-PR), para pedir alterações na proposta.

    “Vamos apresentar as sugestões dos magistrados e tentar negociar. O que o relator não aceitar, vamos tentar modificar por emenda aglutinativa e destaques em plenário. Há situações que realmente precisam ser melhor discutidas, como a do juiz que é professor”, afirmou.

    No entanto, o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), disse que quer votar a proposta ainda nesta quarta (2). “O governo vai insistir em votar relatório do deputado Ricardo Barros. Achamos que esse esforço [de corte de gastos] tem que ser feito”, afirmou.

    (…)

    http://nossapolitica.net/2016/03/magistrados-reunidos-cunha/

     

  4. Webster Franklin

    4 de março de 2016 4:23 am

    Lula reage ao jogo nojento do “será que teve delação”?

    Tijolaço

    Lula reage ao jogo nojento do “será que teve delação”?

     

    beijoqueijo

    Só num país onde a Justiça se tornou um escárnio e os vazamentos, seletivos e cheios de chantagem política passaram a ser não mais um crime, mas uma regra, se poderia viver o que se viveu hoje com a “delação-será-que-foi-será-que-não foi” de Delcídio do Amaral.

    O que deveria ser sigiloso – o conteúdo da delação – não é e o que deveria, diante de uma versão, ser esclarecido ao público: se há ou não delação, vira objeto de chicanas.

    Rodrigo Janot diz que “não sabe” e até o pretenso delator diz que “não confirma” os termos da delação mas deixa no ar a chantagem de “poder ter feito ou estar fazendo”, porque enquanto não homologada a delação não se consuma e pode ser “desfeita”.

    É para quê, para ver se intimida ou “consegue carinho”?

    Ainda que, portanto, não se saiba exatamente a que se tenha de contestar, fez muito bem Lula em reagir, pela nota divulgada por seu Instituto, que reproduzo abaixo:

    “São completamente falsas as acusações feitas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em matéria publicada hoje (3) pela revista IstoÉ.

    O ex-presidente Lula jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, antes, durante ou depois de seu governo, seja em relação aos fatos investigados pela Operação Lava Jato ou quaisquer outros citados pela revista.

    A sociedade brasileira não pode mais ficar à mercê de um jogo de vazamentos ilegais, acusações sem provas e denúncias sem fundamento.”.

    Não pode ficar, mas está, porque temos instituições e imprensa dedicadas, como se vê, onde o que um bandido diz – ou, neste caso, dizem que ele diz – vira verdade até que se prove o contrário.

    http://tijolaco.com.br/blog/lula-reage-ao-jogo-nogento-do-sera-que-teve-delacao/

     

  5. Webster Franklin

    4 de março de 2016 4:46 am

    Pesquisa explica a sofreguidão para deter Lula já

    Carta Maior

    03/03/2016 00:00

    Pesquisa explica a sofreguidão para deter Lula já

     

    37% acham que Lula foi o melhor presidente da história: é possível vencê-lo numa disputa onde ele passa a ter espaço para dialogar com a população?

     

    por: Saul Leblon

     

    Ricardo Stuckert/Instituto Lula

     

    O espectro de um Lula eleitoralmente competitivo, que assombra os dias e atormenta as noites do conservadorismo, ganhou números sugestivos esta semana.

     

    E são eles que explicam a sofreguidão conservadora nas últimas horas, a uivar pela única forma segura de afastar o perigo de vez: deter Lula de uma vez por todas.

     

    A pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada esta semana, espeta em torno do ex-presidente e de sua liderança três percentuais cuja sedimentação definirá o futuro eleitoral do ex-presidente e o do projeto de restauração neoliberal no Brasil.

     Desde 2005/2006 sob fogo cerrado do conservadorismo e, a partir de outubro de 2014, diuturnamente caçado pela República de Curitiba  –que abastece a mídia de suposições e ilações para transformá-lo em símbolo máximo da corrupção no Brasil, Lula foi desfigurado politicamente no imaginário popular.

     Dois terços dos eleitores forcam tocados pelo jogral Moro & mídia.

     Com teor de consistência desconhecido, eles acreditam que os governos e o partido do líder operário consagrados como sinônimo de justiça social enredaram-se em práticas ilícitas. E que Lula concedeu e auferiu vantagens a empresas associadas a grandes obras públicas.

     É uma mutação devastadora.

     Mas inconclusa.

     Ela colide com duas mensagens opostas espetadas pelo eleitor nas planilhas do Datafolha.

     Cerca de 1/5 do eleitorado brasileiro mantém-se perfilado ao lado de Lula, solidamente.

     Isso o credencia de forma quase incontornável ao segundo turno da corrida presidencial de 2018, qualquer que seja a composição do plantel adversário.

     Esse piso granítico encontra-se indisponível do lado oposto em que as menções espontâneas de voto se esfarelam e se dispersam.

     Mais que isso, porém.

    Quando a referência escrutinada passa a ser a vida real dos cidadãos, não a porção volúvel de um discernimento induzida pelo alto-falante midiático  –ao qual o ex-presidente não tem acesso– o chão firme aos seus pés amplia-se significativamente.

     Como se fora a bruxa da fábula infantil a Folha, depois de esfalfar-se nesse labor sem trégua indaga ao cristal da memória popular:

     ‘Espelho, espelho meu, quem foi o melhor Presidente da história deste país?’

     E 37% respondem espontaneamente, juntando as quatro letras malditas: ‘Lula’.

     Fecha-se o círculo de ferro a explicar a sofreguidão nas horas que correm, dos uivos e ganidos a pedir que esse jogo perigoso seja zerado de uma vez por todas.

     A disjuntiva de um Lula meio morto, meio vivo afoga o conservadorismo em dúvidas e temores dilacerantes.

     É possível enfrentar e vencer o espectro numa disputa na qual ele passa a dispor do que não tem hoje –e que eles fingem não considerar um dado decisivo na disputa?

     Ou seja, voz, espaço e tempo isonômico para se defender e dialogar com a população brasileira?

     Se o espectro se arrastar até 2018 em liberdade,  um jornalismo caricato, de viés obscenamente antipopular, perderá momentaneamente monopólio da mediação com a sociedade .

     A sorte do país e o destino do seu desenvolvimento ganham uma janela de debate ecumênico.

     E será preciso, então, ouvir a voz através da qual reverbera a seta do tempo da luta secular por um Brasil mais justo com seu povo, mais soberano no desfrute de suas riquezas, mais democrático na ampliação dos canais de manifestação daqueles que nunca tiveram vez na sua história.

     O risco é a voz tornar devastadoramente explícito o projeto de Brasil inscrito na lâmina dos grandes interesses que esfaquearam, esquartejaram, picaram e salgaram a sua reputação, a do seu governo, a de sua família e a do seu partido, em praça pública, durante dias, semanas, meses e anos seguidos.

     A recente entrega do pré-sal, iniciativa de um presidenciável tucano fartamente festejada pelo conservadorismo, poderá figurar então como um tiro no pé.

     Na voz de Lula emergiria como a  prefiguração explícita, palpável, escandalosa daquilo que a restauração neoliberal pretende, de fato,  com  o simulacro de sua cruzada anticorrupção.

     Ou seja, completar o serviço iniciado nos anos 90, a exemplo do que já faz Macri, com virulência igualmente pedagógica –e custos sociais sabidos—na Argentina.

     Os dados trazidos à mesa pelo Datafolha da última 2ª feira  injetaram o desassossego dessas antevisões no diretório conservador.

     Podem exigir de Moro & Cia aquilo que a sofreguidão murmura por entre perdigotos incontroláveis nas horas que correm.

     A prisão cinematográfica de Lula, a fornecer o fotograma com o qual –uiva-se do fundo das redações ‘isentas’—será possível reduzir a ameaça a um zumbi de punhal no peito, abatido em sua caminhada histórica.

     Podem os números do Datafolha, ao contrário, impor cautela redobrada aos que, a exemplo do impoluto FHC, temem a reação popular.

     Mas, sobretudo, deveriam , antes que tarde demais, suscitar no PT e em todo o campo progressista uma agenda de mergulho urgente e sem volta às periferias e bases populares, de modo a nutrir a hesitação golpista de razões concretas para temer a rua.

     O jogo está semiaberto. Ainda. A ver.

    http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Eleicoes-2018-a-disjuntiva-de-um-jogo-semiaberto-ainda-/35612

  6. Webster Franklin

    4 de março de 2016 5:42 am

    Os truques da mídia para ludibriar o público na questão das dela

    Do DCM

    Os truques da mídia para ludibriar o público na questão das delações. Por Paulo Nogueira

     

     por 3 de March de 2016       Direto da maternidade a ordem de prisão para Lula: Erick Bretas

    Direto da maternidade a ordem de prisão para Lula: Erick Bretas

    Os truques da mídia para ludibriar o público ingênuo na questão das delações premiadas são patéticos.

    Você tem que ser um completo analfabeto político para engolir a manipulação.

    É assim.

    Se o citado na delação é o Aécio, por exemplo, a imprensa toma todos os cuidados. Tudo vai na condicional.

    Fulano alegou, afirmou etc etc.

    Segundo o delator etc etc.

    O desmentido aparece com destaque.

    Rapidamente a delação desaparece do noticiário. Muitas vezes não fica sequer um dia. Isso não se altera nem quando o citado aparece, como Aécio, em três diferentes delações.

    Agora. Quando os personagens mencionados na delação são os inimigos, os métodos são outros.

    Todas as condicionais do bom jornalismo são abandonadas.

    O delator não “afirma”: “revela”. “Confirma”. Onde havia dúvida, aparece a certeza.

    É o caso da alegada delação de Delcídio. Lula e Dilma estão nela? É uma  festa.

    O diretor de novas mídias da Globo, Erick Bretas, representa à perfeição este estado de espírito.

    No Facebook, em plena maternidade, onde sua mulher estava dando à luz, ele postou o seguinte. “Na maternidade vejo a notícia de que Delcídio delatou Dilma e Lula. Que Dilma nomeou ministros do STJ para barrar as investigações da Lava Jato e que Lula comandava a corrupção na Petrobras. Nossos filhos não merecem um país assim. Dilma tem que cair e Lula tem que ser preso.”

    Para escrever algo assim, Bretas tem que estar certo de que a Globo aprova. Ele não correria risco de desagradar os patrões.

    Você pode avaliar, por aquele post histérico, o ambiente pró-golpe nas redações do Grupo Globo.

    Note. Ele conferiu uma estatura de Catão a Delcídio, um homem incapaz de mentir para se safar de alguma enrascada. Deu à IstoÉ o status de uma revista séria, confiável.

    E julgou sumariamente Dilma e Lula.

    Eu, aqui do meu canto, diria: “Meus filhos não merecem a Globo e nem jornalistas como Bretas.”

    Mas o que importa, aqui, é notar a diferença de tratamento nas delações.

    Claro que Delcídio vai ficar nas manchetes, no Jornal Nacional, nas primeiras páginas dias, e dias, e dias. Porque, neste noticiário, você joga Lula e Dilma na lama.

    Pelo menos para os analfabetos políticos esse truque funciona. A palavra de Delcídio na alegada delação vira verdade absoluta para os que acreditam na honestidade e nos bons propósitos de jornais e revistas.

    Se o alvo é Aécio, a sombra e o silêncio, espaços mínimos e o sumiço. Se é Lula e Dilma, o estardalhaço contínuo – e a imediata alusão a impeachment e prisão, como escreveu, em plena maternidade, Erick Bretas.

    Não fosse a internet, com o contraponto, a situação estaria perdida, como esteve para Getúlio e para Jango.

    Mas a internet, com as redes sociais e sites independentes, é um foco de resistência contra os que tentam, mais uma vez, destruir a democracia, como fizeram em 1054 e em 1964.

    Nós, sites independentes e redes sociais, não somos tudo – mas também não somos nada.

    Já é alguma coisa.

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-truques-da-midia-para-ludibriar-o-publico-na-questao-das-delacoes-por-paulo-nogueira/

     

  7. Webster Franklin

    4 de março de 2016 6:16 am

    Leviandade premiada contra Delcídio, por Paulo Moreira Leite

    Brasil 247

    Leviandade premiada contra Delcídio

     

     

    3 de Março de 2016

     

    Compartilhe no Google +Compartilhe no TwitterCompartilhe no Facebook:

    Logo depois de tomar conhecimento da reportagem da revista Istoé anunciando que Delcídio do Amaral fizera uma delação premiada que comprometia Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula Silva, enviei um pedido de entrevista a um dos principais assessores do senador. A resposta chegou pelo whatspp às 10p3, fazendo referências diretas à reportagem que seria o grande assunto do dia:

    — Não estou em Brasília. Estamos preparando uma nota, obviamente, negando!

    Publicada em seguida como manchete do Brasil 247, a informação de que o senador Delcídio do Amaral preparava um desmentido que mudaria a história do dia passou cinco horas e 49 minutos no portal, enfrentando, solitariamente, uma avalanche de notícias que tratavam a reportagem da Istoé como expressão de fatos verdadeiros. A Bolsa de Valores subiu. A oposição tentou engrossar o coro do impeachment. Recém empossado como o Advogado Geral da União, o próprio José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça por cinco anos e três meses, deu declarações infelizes, nas quais dava crédito a reportagem da Istoé e colocava em questão a credibilidade de Delcídio.  

    A nota anunciada chegou, pelo mesmo whatsapp, cinco horas e 49 minutos depois de ter sido informada ao 247 pela assessoria de Delcídio. “À partida, nem o senador Delcídio nem a sua defesa confirmam o conteúdo da matéria da jornalista Debora Bergamasco” diz o pequeno texto, assinado pelo próprio Delcídio e pelo advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto, o principal cérebro jurídico por trás das delações premiadas da Lava Jato, e que chegou a reunir-se com o senador logo após sua prisão, em novembro de 2015. “Não conhecemos a origem tampouco reconhecemos a autenticidade dos documentos que vão acostados ao texto,” acrescenta a nota, para completar: “Esclarecemos que em momento algum, nem antes nem depois da matéria, fomos contatados pela referida jornalista para nos manifestar sobre a fidedignidade dos fatos relatados.”

    Apesar do tom prudente, evitando adjetivos categóricos, a nota tem o valor de afirmar pontos essenciais. O primeiro: aquele texto publicado pela Istoé pode ser o rascunho preliminar de uma oferta de delação premiada negociado por Delcídio do Amaral logo após sua prisão, quando audiências do senador com Figueiredo Basto chegaram aos jornais. Pessoas próximas que tiveram acesso ao senador, nos primeiros dias após a prisão, guardam a imagem de uma pessoa próxima do desespero, que sentia-se desamparada, vítima ideal de técnicas conhecidas de coerção psicológica.

    Mas também pode ser uma versão unilateral, confeccionado por uma das partes — réu, advogado, ministério público — envolvida nas negociações, sem o aval indispensável dos demais.

    Em qualquer hipótese, o ponto fundamental é o seguinte: não se trata de uma delação premiada nem merece ser tratada como tal. Isso porque este tipo de documento expressa um acordo de valor jurídico preciso, que deve ser avalizado pelo principal interessado — o delator — e referendado pelo Ministério Público e pela Justiça. Nada disso ocorreu com o documento divulgado pela revista.

    Pior. A repercussão desse texto de paternidade incerta e natureza indefinida só pode ser explicada por um traço de comportamento comum em boa parte dos veículos de comunicação envolvidos na cobertura Lava Jato — a capacidade para publicar uma denúncia sem um esforço indispensável para separar os fatos comprovados das versões interesseiras. Nesta quinta-feira, o país passou uma longa jornada horas às voltas com um conto do vigário que pretendia vender gato por lebre, aquecendo a temperatura política a partir de um episódio que havia muita fumaça e pouco (quem sabe nenhum) fogo.

    O triste resultado é que no fim do dia, os telejornais e a maioria dos portais falavam de cara limpa, sem qualquer autocrítica ou retificação, nas “denúncias de Delcídio” ou na “delação premiada do senador”. Bastaria ter aguardado por uma curta nota divulgada no fim da tarde para compreender que não se tratava nem de uma coisa nem de outra. Mesmo quem estivesse convencido de que tudo o que se podia ler na revista tinha como base a palavra do senador, sem qualquer alteração, edição ou montagem, tinha obrigação de conferir o que lhe era atribuído. Chamar o texto de “delação premiada” implicava em lhe dar uma credibilidade que não possuía nem merecia. Como esclareceu o PGR Rodrigo Janot, não era um documento jurídico, mas “uma reportagem.”

    A pressa está na origem de muitas reputações enterradas no cemitério do mau jornalismo do mundo inteiro. A fé cega em fontes que à primeira vista se mostram confiáveis explica vexames históricos, como a Escola Base, em São Paulo. Este caso tem um agravante particular, explicável pela conjuntura política: a vontade de alimentar de qualquer maneira a pressão contra Dilma e contra Lula. Este é o fator que explica o clima de circo incapaz de responder a uma singela nota de 14 linhas.

    http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/219564/Leviandade-premiada-contra-Delc%C3%ADdio.htm

  8. Henrique O

    4 de março de 2016 7:13 am

    GLOBO VANGUARDA DO GOLPE DE ESTADO – ENVOLVIDA ATÉ A MEDULA

    http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/geral/jn-promove-massacre-contra-lula-a-guerra-total-da-globo-pra-exterminar-o-pt/

    JN promove massacre contra Lula: a guerra total da Globo pra exterminar a esquerda

    3 de March de 2016  Facebook Twitter 

    A Globo, nesta quinta-feira, dobrou a aposta. O alvo é Lula, depois Dilma. E por fim o PT. Cercados, a esquerda e os movimentos sociais começam a travar uma espécie de batalha de Leningrado no Brasil. 

    por Rodrigo Vianna

    aliancadopoder

    Foi um massacre com mais de quarenta minutos. Estou numa pequena cidade no interior do Ceará. Na pracinha central, numa pequena lanchonete, vi (mais do que ouvi) as TVs ligadas na Globo, no horário do Jornal Nacional.

    Duas matérias (cada uma com cerca de 4 minutos, uma eternidade em TV) promoveram a “leitura” da revista Istoé. Sim, numa estratégia antitelevisiva, que só se justifica nos momentos de intervenção política total dentro do noticiário, a revista foi exposta na tela, enquanto os repórteres escalados por Ali Kamel liam cada trecho da suposta delação de Delcídio Amaral.

    Lembro que em 2006, ao lado de outros colegas jornalistas, entrei na sala do diretor da Globo em São Paulo (onde eu trabalhava), e cobrei: por que não repercutimos o que a Istoé falou sobre Serra e a máfia das ambulâncias? Por que, eu insisti, só atacamos um lado (que naquela época, claro, já era o PT com seus “aloprados”)? A resposta do diretor da Globo: “não repercutimos a Istoé, porque é uma revista suspeita de vender espaço jornalístico a quem pagar mais.”

    Em 2016, Ali Kamel usou a Istoé contra Lula nesta quinta-feira. E depois veio muito mais no massacre do JN: “juristas” a favor do impeachment, especulando em cima de uma suposta delação. Ministros defendendo o governo, mas cuidadosamente colocados (pela edição da Globo) numa defensiva sem saída. A narrativa era a de um governo que cai.

    Mas a cereja do bolo era outra: o ataque a Lula. Primeiro, na boca de Delcídio e da revista Istoé (de novo!). Depois, numa “reportagem” que significou o retorno da Globo ao triplex do Guarujá, incluindo fotos de Marisa e de um dos filhos de Lula com os rostos levemente deformados.

    João Roberto Marinho está possesso porque a filha dele foi exposta na internet: blogueiros descobriram as peripécias do ex-marido de Paula Marinho e divulgaram até endereços da família bilionária. O capataz dos Marinho, Ali Kamel, deu então o troco no JN: expôs a família Lula, de novo. Com as expressões deformadas…

    Mas não interessa tanto contar em detalhes o que foi o JN. A ideia desse texto é outra: alertar que a edição do Jornal Nacional cumpre uma dupla tarefa. Primeiro, preparar o terreno para nova operação da PF (agora centrada em Lula) que deve acontecer nos próximos dias. Um observador experimentado da política carioca me disse: os Marinho não promoveriam esse massacre, se não soubessem que o ataque é apenas parte de uma escalada maior. Portanto, estamos já numa escalada sem volta.

    Em segundo lugar, o JN cumpre a tarefa de reunir a oposição e dar o grito de guerra: “avancem! e sejam rápidos”.

    Na pracinha do Ceará, onde eu estava, reparei que só havia gente com 40 anos ou mais olhando para a TV. Os jovens namoravam, tomavam sorvete, olhavam o celular.

    A Globo não tem o poder de outras épocas, é verdade. Mas segue a cumprir o papel de organizar a tropa conservadora. O sinal está dado: se forem para o ataque, bravos líderes da oposição, vocês terão o apoio da máquina midiática da Globo. Mas não titubeiem. Avancem!

    A guerra contra Lula foi declarada há vários meses. Nas últimas semanas, Lula topou a briga (até porque não tinha saída), e também declarou guerra: “nesse país, não há partido de oposição,  partido é a Globo”, disse ele.

    A Globo, nesta quinta-feira, dobrou a aposta. O alvo é Lula, depois Dilma. E por fim o PT.

    Essa guerra, se tiver o desfecho que a família Marinho pretende, pode transformar o Brasil numa Colômbia. A esquerda seria proscrita. Lula seria preso. Os movimentos sociais voltariam a ser o que sempre foram: forças marginais, excluídas do jogo político. Os sindicatos seriam massacrados (já há CPI a caminho).

    Por enquanto, é a direita apenas que exibe seu poder – com a violência simbólica de um JN tomado pelo ódio, como vimos hoje. Mas se a esquerda for jogada mesmo pra fora do jogo institucional, a escalada de violência política pode ganhar outros contornos, atingindo também aqueles que – do Jardim Botânico, ou de seus gabinetes acarpetados em Curitiba e Brasília – lançaram o país nessa espiral.

    Lula não escolheu a hora de combater. A guerra chegou até ele. Os que se reúnem em torno do petista devem ter a certeza de que estamos diante de um momento decisivo. Agora, só um dos lados vai sobreviver.

    O lado de lá é mais forte (até pela tibieza de um partido e de um governo que apostaram em Cardosos e Delcídios para dar “governabilidade”).

    O que pode acontecer?

    “A sensação de cerco às vezes faz milagre na política”, disse um amigo que também gosta de metáforas bélicas. O cerco ao lulismo ficou mais forte hoje: há uma espécie de batalha de Leningrado em curso.

    Os que se defendem parecem fracos e sem munição, como se sentiam os soviéticos diante do avanço nazista. Mas, a favor da turma que defendia Leningrado, havia um fator imponderável: sabiam que deviam resistir até o último homem, casa a casa.

    A esquerda no Brasil (com todos seus defeitos, com todas as limitações do que foi o PT nos últimos anos) trava, a partir de agora, sua batalha de Leningrado.

    Lula também está cercado. E decidiu lutar. Não é pouco.

     

  9. Lair Amaro

    4 de março de 2016 9:21 am

    Ministério Público questiona acordo entre União, Estados de MG e

    Para o MP, o acordo prioriza a proteção do patrimônio das empresas em detrimento da proteção das populações afetadas e do meio ambiente

    Em nota, o Ministério Público questiona o acordo extrajudicial que foi assinado em Brasília, entre a União, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo e a Samarco, Vale e BHP Billiton, empresas responsáveis pelo rompimento da barragem de Mariana no dia 5 de novembro de 2015. O MP entende que o acordo prioriza a proteção do patrimônio das empresas em detrimento da proteção das populações afetadas e do meio ambiente. Leia a íntegra da nota:

    O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Força-Tarefa que investiga o desastre socioambiental causado pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana/MG, juntamente com os Ministérios Públicos dos Estados de Minas Gerais (MP/MG) e Espírito Santo (MP/ES), questiona o acordo extrajudicial que foi assinado em Brasília/DF, entre a União, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo e a Samarco, Vale e BHP Billiton, empresas responsáveis pelo rompimento da barragem no dia 5 de novembro de 2015, por entender que o acordo prioriza a proteção do patrimônio das empresas em detrimento da proteção das populações afetadas e do meio ambiente.

    A Força-Tarefa considera a legislação socioambiental brasileira avançada e afirma que o acordo, nos moldes como foi desenhado, além de não garantir a reparação integral do dano, não segue critério técnico. Também não observou os diretos à informação e de participação das populações atingidas e, com relação aos povos e comunidades tradicionais, o direito à consulta prévia, livre e informada.

    Para o Ministério Público, o Termo de Ajustamento e de Transação celebrado entre o poder público e as empresas Samarco, Vale e BHP não tutela de forma integral, adequada e suficiente os direitos coletivos afetados, diante da ausência de participação efetiva dos atingidos nas negociações e da limitação de aportes de recursos por parte das empresas para a adoção de medidas reparatórias e compensatórias. Além disso, concedeu-se injustificadamente tratamento beneficiado à Vale e à BHP Billiton, vulnerando a garantia de responsabilização solidária.

    A FT destaca também que o acordo desconsidera a garantia de responsabilidade solidária do próprio poder público para a reparação do dano, não tendo sido nem sequer estabelecidos mecanismos jurídicos capazes de garantir a efetividade do cumprimento das obrigações assumidas pelas empresas, o que transformou o ajustamento em algo próximo de uma carta de intenções.

    A Força-Tarefa esclarece, ainda, que a assinatura do acordo não extingue as demais ações judiciais movidas pelo MPF em Minas Gerais e no Espírito Santo.

    Fonte: Procuradoria da República em Minas Gerais

    http://www.ecodebate.com.br/2016/03/03/ministerio-publico-questiona-acordo-entre-uniao-estados-de-mg-e-es-samarco-vale-e-bhb-billiton/

  10. Lair Amaro

    4 de março de 2016 9:22 am

    Unesco: 16 milhões de meninas de 6 a 11 anos nunca irão à escola

    Quase 16 milhões de meninas entre 6 e 11 anos nunca irão à escola, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O número é duas vezes maior que o de meninos. Entre eles, no mundo, 8 milhões nunca frequentarão as salas de aula.

    A reportagem foi publicada por Agência Brasil, 03-03-2016.

    Os números estão no Atlas de Desigualdade de Gênero na Educação, disponível na internet, divulgado pela Unescoem razão do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.

    De acordo com a Unesco, as meninas são as primeiras a ter negado o direito à educação. A desigualdade segue principalmente nos Estados Árabes, na África Subsaariana e na Ásia Meridional e Ocidental. Na África Subsaariana, 9,5 milhões de meninas nunca entrarão em uma sala de aula. No caso dos meninos, serão 5 milhões.

    Na Ásia, 80% das meninas que estão atualmente fora da escola nunca receberão educação formal, o que equivale a 4 milhões. Entre os meninos, menos de 1 milhão nunca receberá educação formal, o que equivale a 16% daqueles que estão hoje fora da escola.

    Em relação aos Estados Árabes, a Unesco diz que as meninas são a maioria das milhões de crianças fora da escola, mas não é possível precisar quantas, devido aos conflitos na região, que dificultam a elaboração de estatísticas exatas.

    O Brasil aparece no Atlas como um país sem dados estatísticos específicos sobre gênero na educação básica.

    As informações são do Instituto de Estatística da Unesco. Anualmente o instituto faz um levantamento do número de crianças fora da escola e calcula as probabilidades futuras de terem acesso às salas de aula, caso as circunstâncias atuais sejam mantidas. As projeções podem variar ano a ano.

    Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

    Eliminar as desigualdades de gênero no acesso à escola é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que devem ser cumpridos até 2030. Atualmente, uma em cada oito crianças entre 6 e 15 anos está fora da escola e as meninas são as primeiras a serem excluídas. Mais de 63 milhões de meninas no mundo inteiro não recebem educação formal.

    “Nunca alcançaremos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável se não conseguirmos vencer a discriminação e a pobreza que paralisam a vida das meninas e das mulheres de geração a geração”, diz a diretora-geral da Unesco,Irina Bokova, em nota divulgada nessa quarta-feira (2). “Devemos trabalhar em todos os níveis, desde a base social até os dirigentes mundiais, para fazer da equidade e integração os eixos de toda política, de forma que todas as meninas, sejam quais forem as suas circunstâncias, vão à escola, prossigam os estudos e cheguem a ser cidadãs emancipadas”.

    Os ODS são uma agenda global que tem a finalidade de promover o desenvolvimento social, a proteção ambiental e a prosperidade econômica em todo o mundo. Os objetivos começaram a valer este ano. Ao todo, são 17 objetivos e 169 metas que foram acordados pelos países-membros em setembro de 2015, em Nova York, na Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

    http://www.ihu.unisinos.br/noticias/552191-unesco-16-milhoes-de-meninas-de-6-a-11-anos-nunca-irao-a-escola-

  11. Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos

    4 de março de 2016 11:04 am

    Luís Costa Pinto12 h ·

    Luís Costa Pinto

    12 h · Brasília, DF, Brasil ·  

    Sobre o jornalismo e as
    capas que “contam tudo”

    A revista Istoé antecipou sua edição do próximo fim de semana para hoje, quinta-feira.

    Antes de analisar qualquer coisa, o ato de antecipar a circulação da edição impressa só mostra quão difícil é pensar as publicações nos dias de hoje.

    Modernos fossem, os editores de Istoé podiam ter arrebentado numa edição eletrônica e podiam resguardar a outrora preciosa edição impressa para oferecer a seus leitores uma cobertura espetacular sobre os desdobramentos da crise. Afinal, revistas nasceram para analisar em profundidade os cenários e para explicar o porquê dos fatos.

    Mas esse foi só um desacerto editorial. Deixemo-lo de lado.

    Na capa da edição, o título ‘Delcídio Conta Tudo’ e uma foto do senador do PT do Mato Grosso do Sul com ar soturno e a cabeça levemente inclinada para baixo.

    A ambição, inconfessa, contudo evidente e descarada, é remeter os mais velhos à histórica capa de Veja ‘Pedro Collor Conta Tudo’, de autoria central minha, mas fruto de um amplo e espetacular trabalho de equipe – repórteres, editores, correspondentes e diretores – num formato de redação e de publicação que já não existe mais. Não existe. Mimetizar a força de uma capa por similaridades gráficas é mais que equívoco: é má fé.

    O texto de Istoé relata o acesso que a repórter teve a um texto que seria parte de uma delação premiada, não homologada, do senador Delcídio Amaral. No rol de denúncias, supostos fatos que serão graves se forem verdadeiros.
    Alguns deles:

    1- A presidente da República e o ministro da Justiça teriam feito gestões junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal numa reunião extrapauta, no Porto, para que Ricardo Lewandowiski ajudasse num processo de esvaziamento da Operação Lava Jato.

    2- A presidente da República teria pedido ao líder do Governo no Senado, o próprio Delcídio, para que ele confirmasse com um futuro ministro do Superior Tribunal de Justiça se ele concederia habeas corpus aos presidentes de duas empreiteiras – Odebrecht e Andrade Gutierrez – tão logo assumisse a vaga no STJ. E que o presidente do STJ teria auxiliado nessas gestões.

    3- Que Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, soubera com todos os detalhes do passo a passo da compra da refinaria da Petrobras em Pasadena (EUA).

    4- Que Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, havia articulado com a CPI dos Bingos para que seu nome não fosse tratado lá dentro.

    Não vale descer ao rol quilométrico de versões elencadas no papelório divulgado por Istoé, mas:

    1- Delcídio Amaral nega a delação. Seus advogados, idem. Um dos advogados de Amaral é ex-presidente do STJ, Gilson Dipp, operador do Direito que construiu sólida reputação em Brasília. Eles não foram procurados antes da publicação do texto. Sequer para confirmar ou negar a existência da delação – ou para ajudar a melhorar a “apuração”. Por que?

    2- O presidente do STF, Ricardo Lewandowiski, em que pese ter sido “elogiado” na edição de Istoé, não foi procurado antes da divulgação da revista. Por que? Deveria ter sido procurado, até para dar detalhes da conversa ocorrida no Porto, em Portugal. Lewandowiski negou que tenha ocorrido abordagem não-republicana na conversa entre ele, a presidente e José Eduardo Martins Cardozo.

    3- O presidente do STJ também não foi procurado por repórteres de Istoé para dizer o que houve naquelas supostas gestões – para melhorar, para tentar derrubar a “apuração”. E até mesmo as reações dele já seriam notícia, em si, numa eventual reportagem.

    4- O ministro Marcelo Navarro nega ter existido a conversa citada na suposta delação também negada. E também não foi procurado por repórteres de Istoé. Por que? Mesmo que Navarro negasse, havia reportagem se fato houvesse.

    5- Regressar à compra de Pasadena, dizendo que Dilma sabia o que se passaria na reunião que levou à efetivação da compra da refinaria nos EUA, é chover no molhado numa obra já feita: a presidente já dissera, em outro momento, que soubera da compra por relatório preliminar – mas que não o lera antes da reunião do Conselho da Petrobras. E isso não é crime, é notícia velha. Por que não citar, em um parágrafo, que ela sabia o que já dissera que sabia?

    6- A CPI dos Bingos não tinha rigorosamente nada a ver com Dilma. Nada. Foi ela, a CPI, a responsável por levar à queda de José Dirceu do ministério da Casa Civil. E Dilma assumiu o posto dele. E naquele momento ela não era nada, não era ninguém, no horizonte político nacional. Lula tirou o nome de Dilma da cartola depois da posse para o segundo mandato – e ali a CPI dos Bingos já não existia mais.

    7- De resto, no texto da revista há dois parágrafos remetendo à renovação da tese do impeachment que não nasceram da pena jornalística. Saíram de uma mente policialesca. São indícios de digitais.

    De volta ao jornalismo e ao trabalho que dá apurar reportagens que fazem, fizeram ou podem fazer História – e para desautorizar a remissão de Istoé à capa “Pedro Collor Conta Tudo”, de Veja:

    A entrevista de Pedro Collor a Veja não foi nem o início, nem a bala de prata da crise política que levou ao desfecho do primeiro impeachment da História. Foi apenas o curso de um processo que se iniciara havia mais de um ano no cultivo de uma fonte, no trabalho de convencimento para que falasse o que sabia, na demonstração de independência do veículo (no caso, a revista) em relação ao governo com a publicação de reportagens anteriores que eram evidentemente ruins para o presidente de então (o do irmão de Pedro Collor). Mas no curso daquele processo uma vasta equipe de profissionais da revista colocou a apuração à frente de tudo – tínhamos certeza de que os rios de fatos correriam para o mar da boa apuração. E se deu assim, e não só na Veja. No meio do processo outras publicações deram furos essenciais para o processo – inclusive Istoé, com a revelação do motorista Eriberto França.

    A entrevista de Pedro Collor a Veja não decorreu da eleição de uma publicação, pelo entrevistado, em detrimento das outras publicações. Longe disso: comecei a me aproximar de Pedro Collor em agosto de 1990, quando entrei em Veja, por orientação e sugestão de editores da revista. Minha área de responsabilidade ia de Alagoas ao Piauí, com base no Recife, e Pedro era a principal fonte próxima do poder federal nessa área. Por mais de um ano mantive uma rotina de ir a Maceió quase semanalmente com um único objetivo: consolidar a fonte. Isso era estratégia de jornalista, e empresas jornalísticas ousavam fazer esses investimentos.

    Cultivar fontes é uma arte. É uma costura. Eu era um aprendiz naquele ofício, em 1990, mas vinha de uma escola em que aprendíamos a amadurecer à base de carbureto e a publicação para a qual trabalhava me dava todas as ferramentas para fazê-lo.
    A Polícia Federal daquela época existia para servir à presidência – era um desvio colateral cultivado, ainda, pela ditadura militar da qual havíamos saído apenas em 1985.

    O Ministério Público engatinhava – tinha sido criado pela Constituição de 1988 e fora montado a partir de uma costela do Palácio do Planalto com procuradores egressos de uma carreira em que investigar não era hábito.

    A entrevista de Pedro Collor à Veja não foi a primeira reportagem do processo que incendiou o país e levou à cassação do presidente. Foi a quarta reportagem – e depois dela se deu todo um processo político e investigativo, no Congresso e por meio das instituições, catalisado por movimentos populares, que conferiu legitimidade a tudo.

    Antes da capa ‘Pedro Collor Conta Tudo’ a Veja havia publicado uma reportagem com o próprio irmão do presidente sugerindo acusações mais graves, mas voltando atrás em muitas delas. A notícia era o desentendimento dentro da família presidencial. Algumas semanas depois, escorado em documentos passados por Pedro Collor, mas fruto de apurações também, de confirmações, e de uma antológica conversa que mantive com Paulo César Farias na suíte que ele ocupava num hotel de luxo em São Paulo (em que ele negou todos os papeis que tínhamos em mãos, mas em que ouviu do diretor de redação no ato que iríamos publicar a reportagem porque sabíamos que ele mentia em razão do comportamento que adotava na conversa interpessoal), fizemos a primeira grande reportagem sobre o tema. E não havia entrevista de Pedro até ali. Na semana seguinte, e com 40% da equipe de Veja mobilizada para apurar, confirmar, desmentir e melhorar as informações que obtínhamos na revista, Veja publicou a capa com o imposto de renda de PC mostrando que ele enriquecera no governo do amigo Collor. Naquele momento já tínhamos a entrevista com Pedro – mas ela não estava gravada e a direção de Veja se recusava a dar uma entrevista daquele teor contra o presidente sem gravação. Recebi a missão de voltar a Pedro Collor e a seguir insistindo com que gravasse, o que só consegui na semana seguinte. Ainda assim, as principais acusações de Pedro ao irmão Fernando Collor forma publicadas com apurações e outras versões – as oficiais – ao lado. Havia apuração. E não havia nem MP nem PF entregando papelório à noite e participando do processo – fazendo com que a apuração se escorasse em vazamentos. Havia apuração.

    Por que um veículo de comunicação sai correndo para publicar, sem ouvir outros lados, o que recebe na calada da noite?

    É claro que erros são cometidos no calor de um processo de apuração. Somos todos passíveis de errar. Somos passíveis, também, de ver jornalistas sendo usados em meio a processos políticos. Frank Underwood, em House of Cards, retrata isso bem quando se torna amante de uma das principais repórteres de Washington. Ali é ficção, mas baseada em fatos reais. Quando isso ocorre, diz-se que um veículo, ou um repórter, está sendo “operado” pelo detentor do “fato” ou do suposto fato. Será que isso ocorreu?

    Por fim, o mais estranho em todo esse processo foi a eleição de Istoé para ser o veículo da vez. A revista é a terceira em circulação no país e tem importância secundária, hoje, no processo político. A ressurreição da publicação – mesmo que num fatídico beijo da morte caso tudo se prove uma barriga monumental – se dá justo na véspera da troca de comando em Veja (na próxima segunda-feira um jornalista de carreira equilibrada, de texto primoroso e de responsabilidade ética assume a direção de redação da publicação da Abril, e isso suscitou um debate paralelo nas redes sociais em relação a um suposto e improvável “enquadramento” de Veja pelo Governo). Por que os vazadores da suposta delação negada de Delcídio Amaral elegeram Istoé para entregar um papelório potencialmente bombástico?

    Para reflexão: para alguns, “perder” a adesão de Veja à tese cataclísmica do impeachment seria como a derrota do general Von Hommel no norte da África por parte do Exército Nazista. Sem o norte da África os delírios totalitários de Hitler foram se enfraquecendo, a demora em dobrar a União Soviética na frente russa pesou e as duas derrotas juntas auxiliaram ao cenário conjuntural que permitiu aos aliados desembarcarem na Normandia. A analogia pode ser transposta para a cena política do Brasil de hoje. E o regresso (até aqui, imaginado, possível, provável) de Veja a uma linha mais sensata e fundada em apurações de fato, pode estar sendo lido por alguém como a derrota das divisões Panzer no Saara. Será que o Governo ainda é capaz de reunir três nomes de Estado numa Conferência de Casablanca? Em meio à guerra, Roosevelt, Stalin e Churchill, sob a assessoria de De Gaulle, reuniram-se no Marrocos. E nós? Temos ainda uma Casablanca?

    Em meio a tudo isso, houve quem tentasse desmontar o texto de Istoé divulgando versões canalhas e sexistas sobre a vida pessoal da repórter que o assina. Desespero, calhordice. Ausência de lógica e de fatos se rebate com a exposição dos… fatos! Ao longo dos anos afastei-me das redações, sobretudo da Veja, do jornalismo e até do dia a dia do noticiário político de Brasília. Mas, ao ver a tentativa de mimetização farsesca da capa de Veja de 25 de maio de 1992 com essa da Istoé de hoje, senti-me obrigado a expor as diferenças entre um mundo e outro, entre um Brasil e outro, entre uma conjuntura e outra, para animar o debate.

  12. Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos

    4 de março de 2016 11:44 am

    Jandira aponta golpe e estado

    Jandira aponta golpe e estado de exceção no País

    :

    “Sem provas, Polícia Federal amanhece com mais uma operação, desta vez o alvo é o ex presidente Lula. O maior líder popular que o Brasil já teve. O presidente que tirou o país do mapa da fome. Nossa indignação não será silenciosa. Vamos às ruas defender o estado democrático de direito. Contra as arbitrariedades. Golpe não!!!!!”, avisou a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ); esquerda se mobiliza para defender o ex-presidente Lula, levado a depor coercitivamente por decisão do juiz Sergio Moro, que deflagrou operação contra todos os familiares do presidente mais popular da história do País e que foi reconhecido globalmente como um dos maiores líderes da história

    4 de Março de 2016 às 08:23

     

     

    247 – A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) foi a primeira a denunciar um golpe e um estado de exceção no País, após a decisão do juiz Sergio Moro, voltada contra o ex-presidente Lula e toda a sua família.

    “Mais um passo na consolidação do estado de exceção. Sem provas, Polícia Federal amanhece com mais uma operação, desta vez o alvo é o ex presidente Lula. O maior líder popular que o Brasil já teve. O presidente que tirou o país do mapa da fome. Nossa indignação não será silenciosa. Vamos às ruas defender o estado democrático de direito. Contra as arbitrariedades. Golpe não!!!!!”

    Assista aqui ao vídeo.

  13. Babi

    4 de março de 2016 4:21 pm

    Golpe de estado não se

    Golpe de estado não se assiste de braços cruzados’, alerta Wadih Damous

    04/03/2016Carlos Eduardonao-podemos-cometer-os-erros-de-geracoes-que-nos-precederam-tendo-ilusoe_1

    Deputado federal critica mandado de condução coercitiva da PF contra Lula

    no Jornal do Brasil

    O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da OAB-RJ, alertou em vídeo em sua página em rede social que mandado de condução coercitiva só acontece quando alguém é intimado a depor perante o juiz e não comparece. Para ele, a ação da Polícia Federal contra o ex-presidente Lula na 24ª  fase da Operação Lava Jato é um “sequestro”. O deputado ainda convocou a população para lutar contra o “golpe de Estado” que está em curso.

    “Meus amigos, não nos iludamos. O que está em curso hoje aqui no Brasil é um golpe de Estado. Não aquele golpe clássico que os tanques vão para as ruas, as baionetas são apontadas, mas um golpe perpetrado pelo sistema de Justiça brasileiro, associado aos grandes meios de comunicação”, ressaltou o deputado.

    “Golpe de estado não se assiste de braços cruzados. Ou nós reagimos, ou nós asseguramos a nossa democracia que custou tanto sangue, custou tantas vidas para ser conquistada, ou nós vamos entrar num retrocesso sem precedentes”, completou.

    Damous esclareceu que é preciso corrigir o termo “condução coercitiva”, já que o ex-presidente Lula “jamais se negou a depor e sequer foi intimado a depor nessa Operação Lava Jato”. De acordo com o jurista e deputado, o “juiz Lava Jato” não é competente a apurar os fatos relativos a Atibaia, pedalinhos em Atibaia, e triplex “que não pertence ao presidente Lula em Guarujá”, pois isto é da competência da Justiça do Estado de São Paulo.

    “Na verdade, o juiz Lava Jato, que hoje põe o país de joelhos, as instituições democráticas de joelhos, o que ele quer é fixar a sua competência para a investigação do presidente Lula e processamento do presidente Lula. Ele quer, com seus amigos nos grandes meios de comunicação, obrigar o Supremo Tribunal Federal a fixar a competência da República de Curitiba para investigar e processar o presidente Lula. Isso nós temos que barrar nas ruas.”

    O deputado informou ainda que estava indo para São Paulo, junto com outras frentes, para organizar uma resistência e não permitir que o “golpe avance”. “O 13 de março vai ser igual a Marcha com Deus pela Família que aconteceu em 1964. Então, neste momento, nós temos que nos lembrar de Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola, e temos que barrar este golpe. Não podemos cometer os erros de gerações que nos precederam tendo ilusões de que o que está em marcha faz parte dos arranjos da democracia. Não! Nós estamos diante de um golpe de Estado”, alertou o jurista.

     

  14. Vânia

    4 de março de 2016 4:58 pm

    BBC

    Dois juristas, ex-integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso, criticaram, em entrevista à BBC Brasil, a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor à Polícia Federal na manhã desta sexta-feira. Ambos também consideram errados os recentes vazamentos de documentos sigilosos da operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras.

    http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160303_gregori_lula_pf_ms

     

  15. Bi

    4 de março de 2016 5:29 pm

    Ainda sobre o golpe

    Caleb Maupin: o golpe da Exxon, Chevron, BP e Shell:

    http://www.viomundo.com.br/denuncias/caleb-maupin-o-golpe-da-exxon-chevron-bp-e-shell.html

     

     

  16. Henrique O

    4 de março de 2016 5:51 pm

    HOMEM INVADE COBERTURA DA OP LAVA JATO C/CARTAZ

    http://odia.ig.com.br/brasil/2016-03-04/homem-invade-cobertura-da-operacao-lava-jato-com-cartaz-contra-a-globo.html

    Homem invade cobertura da Operação Lava Jato com cartaz contra a Globo

    Repórter da Globo News estava em link ao vivo quando um manifestante surgiu lembrando caso da ‘Mansão dos Marinho’

    04/03/2016 O DIA

    Brasília – Um homem invadiu a cobertura ao vivo da Globo News sobre a 24ª etapa da Operação Lava Jato, nesta sexta-feira. A repórter Marina Franceschini estava no Congresso Nacional, em um link ao vivo com o estúdio, quando um homem surgiu atrás dela segurando um cartaz com os dizeres “Mansão dos Marinho. Paraty”.

    O cartaz é uma referência ao caso da mansão de veraneio que seria dos herdeiros de Roberto Marinho, em Paraty. A propriedade, que vem sendo investigada pelo Ministério Público, foi construída em área desmatada de um parque federal e em área pública. 

     

     

  17. José Carlos Lima...

    4 de março de 2016 6:47 pm

    Acompanhe ao vivo coletiva da

    Acompanhe ao vivo coletiva da PF sobre ação contra Lula
    Onze pessoas foram levadas para prestar depoimento na Polícia Federal

    http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2016/03/04/interna_politica,630472/policia-federal-faz-coletiva-para-detalhar-acao-contra-lula.shtml

  18. José Carlos Lima...

    4 de março de 2016 6:48 pm

    Samuel Pinheiro: Há uma

    Samuel Pinheiro: Há uma conspiração nacional e internacional para destruir o PT

    http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/03/ha-uma-cooperacao-nacional-para-destruir-o-pt-afirma-samuel-pinheiro-5964.html

  19. José Carlos Lima...

    4 de março de 2016 6:50 pm

    Lula: ‘Nada diminui minha

    Lula: ‘Nada diminui minha vontade. Vou pôr as canelas de fora e vou percorrer este país’
    “Lamentavelmente, vivemos um processo em que pirotecnia vale mais”, diz ex-presidente. “Não era necessário o jogo de hoje. Não era necessário o jogo da ‘Globo’ de ontem, da revista ‘IstoÉ’”

     

    http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/03/lula-nada-diminui-minha-vontade-vou-por-as-canelas-de-fora-e-vou-percorrer-este-pais-696.html

  20. José Carlos Lima...

    4 de março de 2016 6:51 pm

    Condução coercitiva de Lula

    Condução coercitiva de Lula vazou para a imprensa 

    http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2016/03/acao-da-lava-jato-contra-lula-vazou-para-a-globo-8560.html

     

  21. Eduardo A. Palma

    4 de março de 2016 7:10 pm

    CONVOCAÇÃO PELO WHATSAPP
    HOJE, 20:30, INÍCIO JORNAL NACIONAL: APLAUSOS PARA A ATUAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL.

    “Hoje tem aplaudaço as 20:30!!! ( início do jornal nacional)
    Todos em suas janelas e varandas aplaudindo a Polícia Federal!!!
    Ajudem a divulgar!!!
    #forapt #cadeiaparalula”

    CHOREI AO OUVIR O LULA. É FÁCIL ENTENDER PORQUE HÁ 500 ANOS QUEREM NOS FERRAR. NÃO AGUENTAM VER O POVO BRILHAR!

  22. José Carlos Lima...

    4 de março de 2016 7:16 pm

    Paulo Tadeu PT
    “Os donos da

    Paulo Tadeu PT

    “Os donos da meia tonelada de cocaína no helicóptero dos amigos do Aécio estão a salvo de toda essa valentia aí”.

     

     

     

  23. José Carlos Lima...

    4 de março de 2016 7:18 pm

    De uma simbologia sem tamanho

    De uma simbologia sem tamanho o cenário em que Lula foi vítima de truculência da PF que ele empoderou: os coxinhas que na Era FHC não tinham onde cair morto, que nem dinheiro prá rodar por ai de ônibus tinha, agora no aerporto mandando Lula tomar no c… no momento em que a democracia era golpeada. É muita falta de noção desses energúmenos que só se informam por Vejas, Folhas, Globos e Estadões. 

  24. Eduardo A. Palma

    4 de março de 2016 7:33 pm

    EIS QUE:
    Sequestro, coerção, cárcere privado, supressão e suspensão de direitos, rito sumário, oclusão, impedimento, delação, destruição de reputações, eliminação do contraditório pelo aniquilamento do interlocutor incômodo, conluio, intriga, traição.

    Quando bater às nossas portas também, haverá tempo para reagir?

    Como eu não sou judeu …

    Eis como se dão as coisas na republiqueta. Já vimos este filme antes.

    Estejam preparados. Todos seremos atingidos. Mais atingidos.

  25. alfeu

    4 de março de 2016 9:10 pm

    *

    Cobertura ao vivo: Manifestantes vão às ruas em solidariedade a Lula

     

    http://cobertura.brasildefato.com.br/

  26. Eduardo A. Palma

    4 de março de 2016 10:50 pm

    Que tal umas aulas com o Joel Santana?
    No comments…

    ONTEM, NO DCM !!!!!

    EX-BLOGUEIRO DA VEJA ESCREVE CARTA EM INGLÊS PARA CANDIDATO REPUBLICANO E RECEBE BOLSA DO YÁZIGI COMO RESPOSTA

    O ex-blogueiro da Veja Rodrigo Constantino escreveu uma carta de apoio ao senador Marco Rubio, que concorre a uma vaga no Partido Republicano dos EUA para disputar a presidência.

    Num inglês cucaracha, ele se define como “economista e escritor famoso no Brasil” e pede, basicamente, que Rubio salve os EUA dos bolivarianos.

    Morador de Miami, RC recebeu como resposta uma bolsa do curso Yázigi e um guardanapo no qual estava escrito “get a life, bitch”.

    A carta:

    My name is Rodrigo and I’m a well known economist and writer in Brazil, with more than one hundred thousand followers in Facebook. I used to write in the largest magazine in my country, I’m a bestselling author about the “liberal limousine” and also write in the largest newspaper in Rio de Janeiro, my hometown.

    I mention it just for you to know my background, because it’s important for my message to be taken seriously. It’s not somebody’s guess or paranoia, but a warning of someone who studies the subject and fight against socialists in Brazil for a long time. We’re now in a terrible shape and lots of people were taken by surprised, but I saw it coming since at least 2010, when “The Economist” magazine put Brazil in the cover as a huge success case.

    I live in Florida since May 2015. Why? For the same reason I decided to write this small piece: United States of America is a great country. You Americans should never be ashamed of it. Meanwhile, Brazil is not that good. It’s too dangerous, too violent and with many, many poor people. I’m talking about very poor people, not like what we call poor in America, which is above our middle class there.

    Brazil has also a rotten and corrupt State, which feeds the monstrous crony capitalism and keeps the country from being a rich and free place. Individual freedom is not something we value that much, as you can tell by the Economic Freedom Index of Heritage Foundation (we are at 122 in the ranking). That’s why we see a lot of Brazilians trying to come here to work and live in the United States, and not many Americans doing the opposite.

    So why do I write this to you? Simple: in these months I’m here, and also with lots of reading, I’ve come to realize USA is more and more like Latin America. Ok, there is still a long way to go, but it’s the trend that worries me. The left here has become too radical, and even what the mainstream media calls “moderate” is way beyond reasonable. President Obama is not that different from our populist leaders back in Latin America. To tell the truth, I used to say that he was just like Lula, but with darker skin. What about Hillary Clinton, or even worse, Bernie Sanders? Hell, he is socialist, and his dream is to live in a place where profit is not welcome anymore, where everything comes from the State.

    Let me tell you something: I used to live exactly in that place, and it sucks! In Brazil, entrepreneurs are not seen as heroes who create wealth, but as thieves who steal poor people through capitalism. The State, otherwise, is like God. Everyone looks at it as a way to get something in return for nothing. They want a free ride, and they believe that money grows in trees or falls from the sky. We don’t even say: “how much money do you make”; but “how much money do you earn”, as if it’s a gift, not something we have to work hard to get.

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