13 de junho de 2026

CNBB lamenta uso de religião nas eleições: “tira o foco dos reais problemas”

"A manipulação religiosa desvirtua valores do Evangelho e tira o foco dos reais problemas que necessitam ser debatidos"
Jair Bolsonaro e Padre Kelman no debate eleitoral do SBT realizado no sábado, 24 de setembro de 2022 [Reprodução/YouTube)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na terça-feira, 11 de outubro, uma nota lamentando o uso da religião durante as eleições gerais de 2022. Segundo a instituição, a “intensificação da exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos no segundo turno” tira o foco dos problemas reais que precisam ser debatidos pelos candidatos.

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A nota também fala em manipulação do Evangelho pelos políticos, sem citar ou fazer referência diretas ao candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), que tem feito peregrinação pelas igrejas evangélicas incitando os fiéis a saírem de cima do muro no dia 30 de outubro.

Já no começo do segundo turno, bolsonaristas associaram Lula a Satanás usando notícias e vídeos fraudulentos, que tiveram de ser removido da internet por ordem da Justiça Eleitoral.

Leia o pronunciamento na íntegra:

NOTA DA PRESIDÊNCIA

“Existe um tempo para cada coisa” (Ecl. 3,1)

Lamentamos, neste momento de campanha eleitoral, a intensificação da exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos no segundo turno. Momentos especificamente religiosos não podem ser usados por candidatos para apresentarem suas propostas de campanha e demais assuntos relacionados às eleições. Desse modo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamenta e reprova tais ações e comportamentos.

A manipulação religiosa sempre desvirtua os valores do Evangelho e tira o foco dos reais problemas que necessitam ser debatidos e enfrentados em nosso Brasil. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e com o Evangelho.

Ratificamos que a CNBB condena, veementemente, o uso da religião por todo e qualquer candidato como ferramenta de sua campanha eleitoral. Convocamos todos os cidadãos e cidadãs, na liberdade de sua consciência e compromisso com o bem comum, a fazerem deste momento oportunidade de reflexão e proposição de ações que foquem na dignidade da pessoa humana e na busca por um país mais justo, fraterno e solidário.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo 
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-presidente da CNBB

Dom Mário Antonio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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