4 de junho de 2026

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Relembrando velhos tempos de trabalho em rede, vão aqui alguns temas para os amigos ajudarem a pesquisar:

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1. As Primaveras árabes e do Leste Europeu –

Matérias, de preferência de fontes estrangeiras, mostrando as estratégias do Departamento de Estado, inclusive no trabalho de redes sociais.

Vou incluindo mais pedidos aqui.

2. Matérias da Wikileaks sobre as primaveras.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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39 Comentários
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  1. emerson57

    7 de março de 2016 1:10 pm

    Avião

    Sr. Nassif,

    Estou muito curioso sobre o avião.

    Havia algum avião pronto a transportar o Lula sequestrado para Curitiba?

    Me parece que essa informação é de grande importância para avaliar até aonde a “força tarefa” avançou. 

    1. Ivan de Union

      7 de março de 2016 1:30 pm

      Havia.  E nao eh por acidente

      Havia.  E nao eh por acidente cosmico que Bolsonaro apareceu com foguetes na porta da delegacia que receberia Lula.  Nem eh por acidente que a bolsa comecou a se movimentar dias antes.  Nem eh por acidente que a prisao coerciva foi voluntariamente decretada por Moro outro dia em um caso no qual nao havia sido pedida.  Nem eh por acidente que TODOS os processos da LavaBunda vazaram pra media.  Nem eh por acidente que a presuncao de inocencia foi esfarinhada um mes antes pelo supremo brasileiro.  Nem eh por acid…

      Nao eh uma ou duas coisas…  Sao centenas delas.  Moro eh mais chegado a corrupcao do que Lula, de fato.

    2. Carla Toscani

      7 de março de 2016 1:40 pm

      Avião

      Acho que o mais relevante ainda é saber por que abortaram a missão. Por que desistiram de levá-lo. Visto que até o Bolsonaro estava aguardando em Curitiba com caixa de rojões pronto para usar.

  2. Daniel Borges

    7 de março de 2016 1:14 pm

    telegramas envolvendo governo do egito

    http://wikileaks-egypt.blogspot.com.br/

  3. Ivan de Union

    7 de março de 2016 1:20 pm

    Sugiro comecar pelo NYTimes,

    Sugiro comecar pelo NYTimes, Nassif, mas o proprio State Department tem links tambem -tomar cuidado com a agua sanitaria:

    http://www.nytimes.com/2011/04/15/world/15aid.html?_r=0

    http://www.state.gov/e/eb/rls/video/arabspring/

  4. Jorge Rebolla

    7 de março de 2016 1:44 pm

    Indico para que os colegas selecionem artigos sobre os assuntos

    http://www.paulcraigroberts.org/

    http://thesaker.is/

    http://www.ronpaulinstitute.org/

    Os dois abaixo são para demonstrar os interesses dos neocons por eles mesmos:

    http://www.aim.org/

    http://www.jrnyquist.com/

     

     

  5. rdmaestri

    7 de março de 2016 1:45 pm

    Poderia e vou colaborar (como sempre colaborei), porém deveria

    Poderia e vou colaborar (como sempre colaborei há muitos anos), porém deveria ter um pouco mais de justiça com colaboradores que não pertencem ao grupo dos eleitos como principais, ficando a cargo do próprio público a promoção de artigos a relevância, como a colocação no jornal do GGN.

    Não entendo bem quais são os critérios de promoção, se os agraciados com facilidades para promoção ao destaque são remunerados, eu dispenso publicamente a remuneração, mas se os critérios são outros gostaria de estar a par dos mesmos. 

  6. Daniel Borges

    7 de março de 2016 1:50 pm

    telegramas envolvendo governo da tunisia

    artigo:

    http://www.businessinsider.com/tunisia-wikileaks-2011-1

     

    fonte:

    https://wikileaks.org/plusd/cables/08TUNIS679_a.html

  7. Daniel Borges

    7 de março de 2016 1:59 pm

    telegramas envolvendo governo da libia

    insatisfacao com lucros de petroleiras:

    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/14640/conteudo+opera.shtml

    intervencao militar contra refugiados:

    https://wikileaks.org/eu-military-refugees/EUMC/page-6.html

  8. cldamasceno

    7 de março de 2016 2:27 pm

    Quem planejou a “Revolta dos Coxinhas” no Brasil?

     

    http://www.midiaindependente.org/pt/red/2013/07/522212.shtml

    1. Cintra Beutler

      7 de março de 2016 11:57 pm

      Excelente!

      Sensacional! Achei um link ativo para o vídeo em questão:

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=tJE91Cm1oYc align:left]

  9. Leo V

    7 de março de 2016 2:47 pm

    Acho que é ir pelo caminho

    Acho que é ir pelo caminho equivocado das teorias da conspiração.

    É preciso olhar pra baixo, não pra cima apenas.

    Olhar o que existe de insatisfação que vem de baixo para cima.

    1. Jaide

      7 de março de 2016 3:49 pm

      Teoria da Conspiração.
      Muito,

      Teoria da Conspiração.

      Muito, muito útil expressão.

      Basta invocá-la e tudo é desqualificado, por mais fundamento que possa haver..

      Invenção genial de quem? Adivinha?

      1. Ivan de Union

        7 de março de 2016 4:25 pm

        Eh, industria sendo

        Eh, industria sendo destruida, construtoras sendo destruidas, programa nuclear seriamente aleijado, Petrobras seriamente aleijada, procuradores brasileiros levando documentos de Estado pros EUA processar a Petrobras, PIB “fraco”, no minimo um quarto de milhao de pessoas desempregadas por Moro, e ele ainda menciona “teoria” de conspiracao.

        Nao, Leo, eh pratica mesmo.  Advinhe quem ja esta posicionado pra rapina do Brasil.

  10. José Carlos Lima...

    7 de março de 2016 2:48 pm

    Não era só por 20: a direita fascista saiu da catatumba

    Não era só por 20 centavos:  na poeira das jornadas de junho de 202 o Brasil elege o Congresso mais conservador desde 1964

     

    Seria bom um balanço por Estado, em GO, MG, RS e SP só deu reaça: Caiado, Serra et caterva

     

    http://blogdogersonnogueira.com/2014/10/23/jornadas-de-junho-as-eleicoes-e-a-onda-conservadora-no-brasil/

     

    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/10/brasil-elege-congresso-mais-conservador-desde-1964.html

     

    http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/um-horizonte-sombrio-com-o-conservadorismo-congresso/

  11. JamesFA

    7 de março de 2016 3:00 pm

    Inúmeros artigos, entrevistas

    Inúmeros artigos, entrevistas e livros do prof. Luiz Alberto Moniz Bandeira. Talvez especialmente o livro “A Segunda Guerra Fria: geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos – Das rebeliões na Eurásia à África do Norte e ao Oriente Médio”, de 2013.

    Disponível em PDF em diversos sites.

  12. rdmaestri

    7 de março de 2016 3:13 pm

    Mais importante do que procurar fontes na imprensa ocidental…

    Mais importante do que procurar fontes na imprensa ocidental seria pesquisar em pessoas que fazem parte da cultura local, ou ao menos que tenham forte vinculação com a cultura dos países da “primavera” árabe.

     

    Há um vídeo interessante da leitura de Tariq Ramadan sobre cinco anos da primavera árabe https://www.youtube.com/watch?v=MW3O6oPopQE, ele é um professor na Inglaterra e praticamente prosquito na França, ele é cidadão Suíço e importante ele é neto do fundador da Irmandade Mussulmana do Egito.

    Apesar de ser mussulmano ele é um reformista. Tem lado no mundo mussulmano.

  13. Gilson AS

    7 de março de 2016 3:38 pm

    O que o Nassif, entre linhas,

    O que o Nassif, entre linhas, está sugerindo ?

    Que está havendo uma “primavera arabe tropical no país” ?

    Acredito que desde 2013, com o inocente levante de ” não é apenas por vinte centavos”, com a participação ativa de black block, até então desconhecidos no país.

    De lá prá cá surgiram outros atores importante que inflam às massas. Aquele cara dos revoltados on line é um deles.

    Bobão, analfabeto politico pela besteira que fala. Quem está por detrás dele ?

    Agora, o que me impressiona, e que a presidência( todo o entorno da Dilma), parece que  estão completamente perdidos.

    E a ABIN, o que anda fazendo ?

    Por acaso fez um levantamento da postura do Moro, que está quebrando o país, em nome do combate à corrupção.

    As obras onde serão construidos os nossos submarinos de propulsão nuclear estão paradas. A quem interessa ?

    A força tarefa com membros do MPF, fizeram acordo de trocas de informação principalmente com os USA, o governo tem conhecimento ?

    Uma coisa é certa, há algo estranho no ar. Não sei se é primavera árabe ou verão tropical.

    1. Marly

      7 de março de 2016 3:49 pm

      Respostas sobre junho de 2013, Gilson.

      Não consegui postar o vídeo do youtube  que menciono acima.  Nele, talvez você encontre as respostas.

      1. cldamasceno

        7 de março de 2016 3:57 pm

        motivo de 3 turno

        https://www.youtube.com/watch?v=rKuXBPMMas4

         

        1. Marly

          7 de março de 2016 4:36 pm

          Obrigada!

          Gilson veja o vídeo.

  14. Marly

    7 de março de 2016 3:45 pm

    Um vídeo no youtube.

    Tentei repassar o video para o meu e-mail e e não consigo. Possivemente não entrará aqui também, embora há   algum tempo atrás, consegui.  Caso não consiga,algum colega poderá poderá tentar. Busca em “youtube o motivo do terceiro turno”. 

    Sempre achei importante esse vídeo. Caso não entre, help Maestri.

    https://youtu.bejyQJJvFOLbo

    1. rdmaestri

      7 de março de 2016 3:49 pm

      Também não consegui.

      Acho que o link está errado.

  15. Luiz Veloso

    7 de março de 2016 4:05 pm

    http://www.quarta-internacion

    http://www.quarta-internacional.org/spip.php?article363

    A luta de classes hoje: “Preparem-se para o pior!” (FMI)

    por Markus Sokol
    Março de 2012
    (A Verdade n° 73)

    Três meses após a entrega à redação da revista “A Verdade” do artigo que publicamos a seguir, há um desenvolvimento notável da situação política e econômica no continente. Ela é produto da persistente resistência das massas populares, no seu próprio terreno de luta de classes, mas consequência também do mecanismo de pilhagem descrito no artigo(veja o box), acentuado pelo salto na crise capitalista na Europa.

    Tal é o fundo das novas medidas de soberania limitadas do governo de Cristina Kirchner na Argentina – expropriando 51% das ações da espanhola Repsol na principal petrolíferado país, a YPF – e do governo de Evo Morales na Bolívia – expropriando a espanhola REE no setor elétrico do país. Os dois governos se dispõem a indenizar as multinacionais. E ambos seguem confrontados a uma série de greves apoiadas nas centrais sindicais (as argentinas CGT e CTA, e a boliviana COB). O governo de Hugo Chávez, na Venezuela, por sua vez, anuncia a redução progressiva da jornada de trabalho semanal para 40 horas e outras medidas.

    Na verdade, confirma-se o caráter de diferentes governos bonapartistas “sui generis”, que oscilam, sem romper com o imperialismo, como analisou Trotsky ao longo da crise dos anos 30. Para a 4ª Internacional, a defesa das medidas de soberania se integra às reivindicações próprias da classe trabalhadora, numa política de frente única anti-imperialista, para abrir caminho a governos de operários e camponeses (M.S.)

    1. A crise capitalista atual abriu-se com a eclosão da crise do financiamento imobiliário “subprime” há quase

    cinco anos nos Estados Unidos. Nesse quadro, agora em 2012, em que pé está a situação da América Latina?

    2. Considerada há mais de um século como o seu “quintal” pelo imperialismo estadunidense, hegemônico no

    mundo há mais de meio século, o continente não poderia ficar imune à turbulência no centro do sistema, com a resistência social e os choques da luta de classes aparecendo nos próprios Estados Unidos (no contexto do governo Obama), com os movimentos revolucionários da Tunísia à Grécia.

    Sem deixar de sê-lo, o “quintal” não tem hoje, todavia, a mesma fisionomia de há um século. Depois que as massas derrubaram os regimes militares pró-imperialistas que deram o tom nos anos 60/80, veio a crise da dívida externa, seguida da avalanche de privatizações e tratados de livre-comércio. Mas desde então, a luta das massas exploradas e oprimidas conseguiu, na virada do século marcada pelo desmoronamento da URSS, abrir aqui uma situação original.

    No limite deste artigo, basta assinalar que a resistência à pilhagem imperialista – como produto da luta direta das massas, que desmascarou ou liquefez muitos “partidos tradicionais” pró-imperialistas, enquanto os velhos PCs afundavam em crise e fracassava “militar” e politicamente o guerrilheirismo (o governo sandinista 1979-90 é o marco) – levou à emergência de governos eleitos de tipo nacionalista pequeno-burguês ou “frente populista”, de Chávez na Venezuela (1999) a Lula do PT no Brasil (2002), passando por Tabaré, da Frente Ampla, no Uruguai (2003), Evo Morales na Bolívia (2005) e Rafael Correa no Equador (2006).

    Esses governos, de conjunto, foram levados a renegociar as relações com o imperialismo estadunidense (dívida, controle das riquezas nacionais e do patrimônio, inserção no comércio mundial etc.). Nessa via, uns foram mais longe do que outros, sem romper a rigor (desapropriar indenizando não é expropriar). Na Argentina, a explosão revolucionária, quando da bancarrota financeira de 2001, levou à renegociação com o imperialismo de fato (desconto inédito do valor de face dos títulos da dívida), voltando o peronismo burguês ao governo com a tarefa de reconstruir o Estado abalado pelas massas. Mas esses governos diferem de outros, agentes abertos do imperialismo, como no Peru, México, Colômbia, e inclusive no Chile da “concertación”, os quais mantiveram uma harmonia em regra com Washington, e onde, apesar das elevadas “taxas de crescimento”, as condições de vida das massas só se degradaram.

    3. Neste contexto, o presidente Barack Obama é eleito no bojo da crise nos próprios Estados Unidos, com a tarefa, do ponto de vista imperialista, de retomar no continente as posições políticas e econômicas perdidas.

    Conquistas toleradas passam a ser revisadas. À imagem de um presidente mais “flexível” corresponde a realidade de um Executivo ainda mais duro do que o antecessor George W. Bush. A crise capitalista, num primeiro momento, pode ter deixado um terreno, mas segue-se a reação que estreita a margem de manobra de todos os governos chamados a salvar os bancos, e, por aí, o próprio sistema da propriedade privada dos meios de produção.

    Um por um, cada um daqueles novos regimes “progressistas” voltou sobre seus próprios passos, acumulando novos choques com as massas proletárias e populares que os elegeram e reelegeram.

    a) Na Bolívia, Evo Morales virou o ano de 2010/11 com um “gasolinazo”, medida de ajuste (corte de subsídios) para atender ao pagamento da dívida, mas teve que recuar do enfrentamento popular comandado pela COB (Central Operária Boliviana), que recuperou a independência do regime. A insistência em abrir uma estrada cortando uma reserva indígena em favor de um corredor de exportação aprofundou o afastamento de setores da sua base social camponesa e indígena.

    b) No Equador, Rafael Correa re-renegocia os contratos petrolíferos. Há cinco anos, tentou passar o Estado a único dono, deixando as empresas petrolíferas privadas como prestadoras de serviço, o que nunca se completou. Quatro anos depois, a produção caiu, e num recuo, renegociou itens de contrato em favor das empresas privadas, terminando agora em 2012 por fazer novas licitações para empresas estrangeiras.

    c) No Brasil, Dilma, com pesados cortes no Orçamento, ampliou o superávit primário para pagar a dívida pública, inchada pelos altos juros (238 bilhões de dólares em 2011) que atraem os especuladores, prolongando neste aspecto a política de Lula. E o ultrapassou, com a primeira grande privatização desde que o PT chegou ao poder, o leilão de concessão (com participação estrangeira) dos três mais lucrativos aeroportos do país, um negócio de 24,5 bilhões de dólares.

    d) Na Argentina, Cristina Kirchner cortou os subsídios que há dez anos “equilibram” as empresas privatizadas (gás, luz, água etc.) e subiu os impostos. O metrô de Buenos Aires, municipalizado, perde 50% do subsídio e dobra a tarifa. Obama declara (12/12/2011) que o país deve “honrar antigos compromissos com os credores”, e no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) bloqueia créditos antes aprovados. Os EUA cobram 680 milhões de dólares em nome de credores que não aceitaram os descontos, e mais 330 milhões de dólares de litígios de firmas estadunidenses no quadro do Ciadi (veja em seguida).

    e) Na Venezuela, Hugo Chávez equilibra-se sobre a difícil situação de carestia e desemprego das massas para disputar as eleições deste ano. Decidiu sair do Ciadi (Centro Internacional para a Arbitragem de Investimentos), dominado pelas multinacionais, após a iniciativa soberana de retomar suas reservas em ouro no exterior. Mas não realiza novas estatizações de porte, amplia o peso dos militares no governo e impulsiona uma central sindical ‘socialista’ chapa-branca contra a UNT (União Nacional de Trabalhadores), reforçando o seu próprio poder, em vez de se apoiar nas massas.

    4. Ao fundo, está a pressão da crise sobre todos governos do mundo. Nesse sentido, um marco da orientação

    de Obama é o discurso sobre o “Estado da União”, de janeiro de 2010: “Esta noite, devemos estabelecer um novo objetivo: dobrar nossas exportações nos próximos cinco anos”.

    Isso significa a vontade liquidar o que há de nacional no parque industrial dos países dominados, ao lado de uma concorrência feroz com os imperialismos europeus pelo controle dos mercados do continente, além da China.

    Com essa orientação, Obama inundou os mercados com sucessivas emissões de bilhões de dólares do banco central dos Estados Unidos (FED, Federal Reserve Bank), deflagrando uma “guerra cambial” e comercial. E é certamente mais fácil avançar por aqui – por exemplo, em um ano efetivamente dobrou as exportações dos EUA para o Brasil –, do que sobre os exportadores “rivais” chineses e alemães.

    A intenção é açambarcar o intercâmbio comercial na região, abrindo uma válvula de respiro na crise interna (ameaça de quebra, desemprego, choque de classes etc.). Mas não pode renunciar aos meios da pilhagem financeira “global”: a roda da história não voltaria mais de 100 anos para trás, na configuração da era imperialista que consagrou a supremacia financeira.

    [entra aqui o Box Exploração e Pilhagem, que está ao final]

    5. Na evolução política, Honduras é um marco.

    Em junho de 2009, um clássico golpe militar do século anterior derruba Manuel Zelaya, um presidente eleito burguês, com veleidades nacionais de reforma agrária e Constituinte, que aderira à Alba – Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (articulação de governos puxada por Hugo Chávez e Fidel Castro, com traços de colaboração econômica, sem colocar em questão a dominação imperialista geral).

    O golpe, avalizado pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e nos fatos por Obama, simbolizou a disposição de o novo governo estadunidense retomar as posições perdidas na década anterior.

    Apesar do boicote inicial aos golpistas, uma negociação em 2011 no quadro da OEA (Organização dos Estados Americanos) concluiu na volta final de Zelaya a Honduras, patrocinada, por sua vez, por Chávez, com abono dos Castro e de Lula. Ela se baseou na anistia dos golpistas reintegrados à OEA e escorou o regime assassino de Porfírio Lobo. O fato marca a disposição de Chávez negociar, nesse caso, de forma subordinada ao imperialismo.

    De certo modo, como o acordo anterior sobre as nove novas bases militares dos Estados Unidos instaladas no continente – sete na Colômbia, uma em Curaçao e uma em Aruba –, negociado com a Unasul (União das Nações Sul-Americanas, que tem um acordo de cooperação militar desses governos, sem a presença dos EUA).

    6. Assim, se vê o limite dos choques, depois da formação da Alba e da Unasul, além dos outros projetos de

    geometria variável inspirados por Chávez (Banco do Sul, Petrosul, Telesul etc.), que ainda desembocaram na formação da Celac (Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe), em 2011 (veja adiante).

    Apesar do discurso e às vezes até do voto conjunto na ONU, de alguns desses governos, em questões ligadas à soberania do Irã, da Líbia ou da Síria, não foram todavia capazes de sustentar a soberania nacional no próprio continente, em Honduras, onde têm responsabilidade concreta face ao império.

    7. Em relação ao que a evolução da situação no Haiti é outro grande exemplo. Os Estados Unidos utilizaram a tragédia do terremoto, em janeiro de 2010, como pretexto para mostrar “quem manda”, com uma intervenção militar direta com o dobro de homens da Minustah (tropa da ONU com mais de 40 países participantes, comandada pelo Brasil), não obstante inspirada por Bush no Conselho de Segurança da ONU, em 2004. O que ilustra parte do que “muda” de Bush para Obama.

    8. Politicamente, Bush precisava de um intermediário para “negociar”, frear e tentar reverter o curso dos regimes sob impacto das massas (Chávez, Evo e Correa), no caso, pela autoridade “legítima” de Lula do PT junto ao movimento de massas, com o lugar do Brasil no continente.

    Mas Obama precisa ir mais longe, e pode prescindir até certo ponto de intermediários para se relacionar diretamente com esses governantes. Isso pelo seu lugar na luta de classes nos próprios EUA. E afinal um mediador necessita de certo espaço para operar.

    Assim, Bush precisava de Lula à cabeça da intervenção no Haiti. Obama, não necessariamente. Por isso, mesmo depois de retirar sua tropa, Obama deixou a CIRH (Comissão Interina de Reconstrução do Haiti), dirigida por Bill Clinton, como o poder real, marcando a vontade de controle completo do “protetorado”.

    É certo que a ascensão de Obama vai a par de uma inédita “crise de dominação” nos próprios EUA, mas como se vê no Haiti e em Honduras, não significa recuo da dominação nos países dominados!

    9. O rearranjo prosseguiu na eleição presidencial do Haiti. Contra os “vencedores” do 1º turno, uma madame

    duvalierista e o preposto genro do presidente Préval, Obama usou a OEA para denunciar a fraude eleitoral, marcada ainda pela abstenção recorde. Mas, em vez de logicamente anulá-la, designou para o 2º turno (16/1/2012) a Michel Martelly, um cantor, terceiro colocado, para vencer a madame. Isso ocorreu a contragosto da Minustah, que, na fraude anterior (2006), selecionara Préval por sua origem no movimento popular Lavalas, do deposto Aristide.

    Finalmente “eleito”, Martelly designou como primeiro-ministro o próprio ex-chefe de gabinete de Bill Clinton na CIRH (que caiu em fevereiro deste ano).

    Como diz o Comitê de Ligação dos Trotsquistas Haitianos: “Nenhum projeto pode ser realizado sem o aval da CIRH. O governo tem que lhe submeter informes de gestão. Tudo passa pelas ONGs, enquanto o governo não dispõe de nenhum poder de controle. O presidente, por exemplo, quis reconstituir um Exército, mas os EUA não estavam de acordo, a ‘comunidade internacional’ o advertiu, e o projeto caiu. Se o país deve ter um Exército, não são as embaixadas quem devem estruturá-lo, como anunciou o chefe de Estado.”

    O papel da Minustah de guardiã do regime títere se mantém. A redução do seu contingente, decidida na ONU ao nível pré-terremoto, assim como o eventual desengajamento em “no mínimo 5 anos”, não altera a equação da ingerência a serviço do imperialismo.

    10. Em relação a esse desenlace, é preciso qualificar a política de Cuba e Venezuela. Sua “ajuda humanitária” a

    um país sob regime títere há quase 8 anos expressa a busca de um acordo com o imperialismo na região. De fato, colaboram com a Minustah.

    Surpresa? No Foro de São Paulo, reunião continental de partidos e organizações de esquerda (criada pelo PT e o PC Cubano em 1990), falou-se até em combinar as diferentes “ajudas” que se pode dar a governos, uns com petróleo ou medicina, outros com segurança…

    De fato, desde 2005, quando o Foro fez “votos de rápida reinserção soberana da nação haitiana na comunidade internacional” (12º Encontro), até a resolução do Foro de 2011 (17º Encontro), houve uma evolução. Agora, exorta “os governos populares, de esquerda e de centro-esquerda do continente (…) a uma agenda de cooperação econômica, (…) à mais ampla participação popular, (…) aumentando a presença humanitária”, sem nem mais mencionar a expressão “soberania nacional”, para não falar da questão concreta da ocupação pelas tropas da ONU!

    Afinal, é a resolução adotada por partidos em governos com tropas na Minustah, como o Brasil (PT), Uruguai (FA), Equador (Pais), Bolívia (MAS), Peru (PNP) – ou que colaboram com o governo (Argentina) –, além do PSUV de Chávez, o PC de Castro (o PC chileno e outros).

    É certo que Chávez chegou a questionar a Minustah, mas depois silenciou, acompanhando os irmãos Castro – quando o que se exige de governos como Cuba e Venezuela é a denúncia da ingerência da tropa multinacional orquestrada pelos Estados Unidos, precedente que ameaça as nações do continente. Mas sua evolução recente vai em sentido contrário. O próprio Martelly participou da 11ª Cúpula da Alba (fevereiro 2012, em Caracas), onde, por inspiração cubana, decidiu-se realizar no Haiti o próximo encontro de chanceleres, numa evidente aproximação governamental.

    11. Cuba ocupa um lugar importante na diplomacia estadunidense, além de ainda ser um símbolo anti-imperialista. Dos discursos de Obama sobre a normalização “negociada” de relações, além da liberalização parcial de viagens e remessas, não sobrou nem a promessa de fechamento da prisão de Guantánamo. Mas, sob pressão do “mercado” em crise, os Castro se propõem assim mesmo a atacar as conquistas da revolução, com planos de privatização e a anunciada demissão de 500 mil trabalhadores, que passariam ao “privado” (a resistência no interior do país, depois de dois anos, os reduziu oficialmente a 137 mil).

    Como então separar isso da política adotada para o vizinho Haiti, onde colabora com o regime tutelado pela Minustah, para garantir a exploração selvagem da mão-de-obra nas zonas francas?

    12. A resolução do Secretariado Internacional da 4ª Internacional de janeiro de 2012 diz que “a campanha pela

    Retirada das Tropas da Minustah é um instrumento de luta contra a submissão dos governos do continente à política dos EUA, cujas consequências para as amplas massas se acentuam no processo da crise mundial capitalista, particularmente em relação aos governos pretensamente ‘nacionalistas’, sustentados pelas organizações operárias e populares, que participam na Minustah ou colaboram com a ocupação.”

    De fato, à escala do continente, isso é possível, depois da convocação da “Jornada Continental de 1º de junho pela Retirada das Tropas da ONU do Haiti, lançada pelo Ato Continental de São Paulo (5 de novembro de 2011), que constituiu o Comitê Continental, adotada pela Conferência Caribenha no Haiti (18 de novembro)”, iniciativas patrocinadas pelo Acordo Internacional dos Trabalhadores (AcIT), com o apoio das seções da 4ª Internacional.

    13. Por outro lado, a firmeza no combate antiimperialista, sem concessão aos governos “progressistas”, não

    implica em perder a lucidez sobre a realidade das suas relações com as massas. Elas não acabaram, nesse sentido. Há alguns meses, vivemos uma situação particular em que Equador, Bolívia e Venezuela não têm embaixador dos EUA nos países. Os motivos variam (cargo vago, ou expulsão com substituto bloqueado no Senado estadunidense), ninguém quer romper relações diplomáticas – menos ainda as econômicas –, mas a simultaneidade atesta a tensão persistente.

    Mais que isso, conta a formação da Celac, a Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe, em dezembro de 2011. Na “Declaração de Caracas”, a Celac invoca Jean-Jacques Dessalines, herói da libertação revolucionária do Haiti, mas claudica ao nem mencionar a vergonhosa ocupação do país hoje. Todavia, estabelece, no ponto 28, “que a Celac, único mecanismo de diálogo e acordo que agrupa os 33 países da América Latina e do Caribe, é a maior expressão de nossa vontade de unidade na diversidade, e onde, daqui por diante, serão fortalecidas nossas relações políticas, econômicas, sociais e culturais na base de uma agenda comum de bem-estar, paz e segurança para nossos povos, com o objetivo de consolidar-nos como uma comunidade regional”.

    Dizer 33 países quer dizer, com Cuba, mas sem os EUA e o Canadá, que se contam entre os 34 membros da OEA, a qual uma vez foi qualificada por Che Guevara como o “Ministério das Colônias dos EUA”. E, se as palavras têm um sentido, “único mecanismo de diálogo e acordo que agrupa os 33” deveria querer dizer que a Celac se sobrepõe a uma OEA vazia de conteúdo. A construção deste quadro político-jurídico formal, distinto da OEA, pode originar uma nova fissura com os EUA, que, desde já, não a vêem bem (como a própria Unasul, que jogou um papel contra o golpe pró-imperialista dos lideres departamentais da “meia-lua” boliviana contra Evo Morales, então defendido pelas massas). Tanto mais que as iniciativas que interessavam ao imperialismo, como a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), foram abandonadas ou fragmentadas, no fundo, em função das lutas de massas no campo e na cidade, que conquistaram elementos de um mercado de consumo interno.

    É a luta das massas – e não um “modelo de integração regional” que realmente não existe – o que explica a atenuação da miséria, com a queda do desemprego na região ao longo da última década, como registra o dado da OIT (Organização Internacional do Trabalho) – 6,8%, o mais baixo desde o início da pesquisa, em 1990 – embora metade esteja na informalidade, e a juventude com o dobro de desemprego médio.

    14. É verdade que, aos olhos das massas, a situação está associada em parte aos governos “progressistas”

    eleitos e reeleitos – desigualmente, pois cada um é um caso. Mas é ainda mais verdade que esta situação de conjunto está mudando rapidamente na esteira da crise mundial. Os próprios governos sabem disso, e mais que eles, sabem Washington, os bancos e o FMI.

    Examinando a “dinâmica de crescimento”, o último relatório Perspectivas da Economia Mundial, do FMI (setembro de 2011), afirmava que, “apesar da subida dos preços dos produtos de base, o recurso aos fluxos de capital para financiar os déficits tornou a região mais vulnerável a uma brusca virada do sentimento dos investidores”.

    Depois, em 2 de fevereiro, o chefe do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nicolás Eyzaguirre, em vista da crise, disse num prognóstico para a região em 2012: “É preciso desejar o melhor, mas se preparar para o pior.”

    15. Na verdade, a potência demonstrada pelas massas latino-americanas na virada do século, freando a onda

    privatista e a retirada de direitos, não foi mais do que o preâmbulo das decisivas batalhas que estão à sua frente.

    Os governos eleitos na última década tendem a girar à direita, e os governos agentes abertos do imperialismo aprofundam sua política. Todos procurando associar as centrais sindicais – mais do que nunca, está em voga a busca da sua associação permanente por meio dos mecanismos de consenso, diálogo ou pacto em cada país (tema que não abordamos neste artigo).

    Já a ascensão no Peru, em 2011, de Ollanta Humala, do PNP, um “nacionalista” tardio desta safra, não criou ilusões semelhantes, a não ser pela determinação do velho PCP que ainda controla a central sindical CGTP. Sem muita margem, em seis meses, Humala, antes de ceder algo, trocou de gabinete e se lançou numa política de “guerra civil” contra as massas, em favor da mineração estrangeira.

    Isso não deixa de ter relação com os limites da campanha presidencial de Lopez Obrador, candidato “progressista” no México, país-chave do continente, desestabilizado pela “guerra ao narcotráfico” (60 mil mortos) do presidente Felipe Calderón, que, na verdade, ajuda a ampliar a pilhagem da nação pelo Tratado de Livre Comércio da América do Norte, acompanhada pela redução selvagem do custo da mão-de-obra.

    É hora de afirmar que a única barreira à gigantesca pressão imperialista no continente é uma política soberana de proteção das nações, centrada na defesa dos trabalhadores, que são a principal força produtiva, uma política de ampla unidade antiimperialista, que inclua a ruptura com a dívida, a reforma agrária e a defesa do parque industrial, com a reestatização de tudo o que foi privatizado e a proteção do patrimônio nacional, um programa com características nacionais que aqui não descrevemos, mas que só os governos dos operários e camponeses sustentarão até o fim. E que, para isso, não poderão deixar de tocar na propriedade privada. Seria ainda uma política de desmantelamento da odiosa opressão imperialista – cuja face horrenda no Haiti é o futuro que se oferece –, sob os escombros da qual se erigirá a União Livre das Nações Soberanas do continente, em estreita colaboração com os trabalhadores e oprimidos da América do Norte.

    16. Estas perspectivas pedem um instrumento político, pelo qual as seções da 4ª Internacional no continente

    devem combater, que é a construção de poderosos partidos independentes de trabalhadores, num processo que pode ser mais ou menos rápido conforme o país, a partir notadamente dos melhores quadros das centrais sindicais que resistem no terreno da independência.

    Não é fácil. Mas a formação da OPT, Organização Política do Povo e dos Trabalhadores, por iniciativa do Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME), no ano passado, e, agora, a decisão de janeiro de 2012 do Congresso da COB (Central Operária Boliviana), por proposta da Federação dos Mineiros, de trabalhar por “um partido próprio dos trabalhadores”, como destacou a imprensa local, conhecendo a experiência do proletariado boliviano, sem dúvida marcam o rumo para toda a classe operária, de norte a sul das Américas.

    Exploração e pilhagem
     

    As transações entre os Estados Unidos e a América Latina são marcadas pela exploração por parte da metrópole imperialista. Há uma estreita relação entre a taxa de lucro nos Estados Unidos e os de fluxos de renda na América Latina. Como mostra o gráfico 1 , no decorrer do último meio século, sempre que a taxa de lucro nos EUA cai, o imperialismo reage, chamando a América Latina a “colaborar” enviando-lhe renda.

    Observam-se três grandes ondas (áreas cinzentas no gráfico) de transferência para a metrópole da mais-valia, origem do lucro, extraída dos trabalhadores da América Latina. As primeiras, nos anos 1980 e 1990, são praticamente o pagamento dos juros das dívidas externas. Na última, os juros são sobrepujados por crescentes remessas de lucros das multinacionais às matrizes.

    De conjunto, a pilhagem empobrece e desindustrializa o continente latino-americano, para o capital enfrentar a queda tendencial da taxa de lucro.

    A primeira onda vem após a forte baixa da taxa de lucro nos anos 1970. O capital reage. Richard Nixon, então presidente dos EUA, decreta o fim da conversibilidade do dólar em ouro (1971), impulsionando a especulação financeira. Nas décadas seguintes, reverte-se ou se ameniza a tendência de baixa: domesticamente, há ataques sem precedentes à classe operária, e se reduz o custo do trabalho. Ao lado das guerras, os Estados Unidos desenvolvem outra ferramenta externa: é a transferência forçada de fluxos de mais-valia na forma de juros escorchantes da América Latina, na “crise da dívida externa”.

    Na segunda onda, dez anos mais tarde, com a “crise dos emergentes” (1995 a 2002), retoma-se o fluxo financeiro, via nova alta de juros. 

    A partir de 2005, recomeçam pesadas transferências, formando-se a terceira onda. Agora, são lucros obtidos pelas filiais de multinacionais remetidos de forma anormal às matrizes. O fluxo agiganta-se nos últimos quatro anos, face à nova queda da taxa de lucro na crise de 2007/2008. As remessas batem recordes históricos. Em 2011, atingiram os 40 bilhões de dólares, o dobro dos “investimentos externos diretos” (IEDs) que entraram no ano [1]. 

    A cada onda, são os trabalhadores e camponeses latino-americanos, em primeiro lugar, que têm gerar tais excedentes. Nos anos 1980, os governos desvalorizaram moedas, baratearam salários e promoveram exportações. Nos anos 1990, a vaga desnacionalizante e privatizadora viabilizou o pagamento dos juros da dívida. A atual onda decorre do avantajado peso das multinacionais no continente, depois das relocalizações (com “maquiladoras” e zonas de exportação) e tratados de livre comércio, além dos lucros também com operações financeiras.

    Para garantir as remessas, os países do continente têm de manter significativas exportações, especializando-se cada vez mais em produtos primários (agrícolas e mineração). Por ora, a alta dos preços internacionais dessas “commodities” garante um superávit comercial. Mas a alta decorre de uma bolha especulativa, inflada pelo dinheiro barato injetado pelos bancos centrais dos Estados Unidos, Europa e Japão. 

    A América Latina tem tido superávit comercial com os Estados Unidos acima dos 75 bilhões de dólares. Parte disso tem ficado nas reservas dos bancos centrais latinos-americanos, que as “investem” a juros baixos em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, as multinacionais na América Latina desconectam cada vez mais seus IEDs da produção industrial.

    A figura 2 mostra que, no início dos anos 1980, mais da metade desses investimentos destinava-se à indústria; bancos e serviços somavam apenas 33%. Nos anos 1990, cortam-se pela metade os recursos à indústria, desviando-os para fusões e aquisições de bancos, financeiras e serviços (concessões de serviços públicos etc.) na vaga privatizadora [2]. Por fim, nos últimos anos, a produção industrial é relegada a 30% dos investimentos diretos, enquanto serviços e bancos dominam absolutos com mais de 55%.

    Com posições estratégicas na cadeia produtiva, as multinacionais ocupam lugar destacado no processo de desindustrialização dos países latino-americanos. A produção industrial latino-americana, que nos anos 1970 e 1980 chegou a compor 40% do PIB (até 50% em casos como Argentina e Brasil), retrocedeu para cerca de 30%.

    Como as moedas de vários desses países mantêm-se sobrevalorizadas, a produção ainda perde para a importação. O câmbio valorizado decorre sobretudo da entrada de investimento de curto prazo, uma verdadeira bolha especulativa direcionada para a região. O dinheiro barato injetado pelos bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa alimenta especuladores que, lá, tomam dinheiro emprestado a taxas próximas de 0%, e vêm re-emprestá-lo aos governos da América Latina, que pagam os juros mais altos do mundo. Quem paga essa conta são os orçamentos nacionais, o povo (no Brasil, por exemplo, quase metade do orçamento nacional vai para os juros da dívida pública). (A.H.)

    Notas

    [1] Todos os dados desses quadros excluem o Caribe. Considerando também os “paraísos fiscais” dessa região, as remessas de lucros da América Latina para os EUA ultrapassaram os 100 bilhões de dólares em 2011.

    [2] Segundo a Divisão de Empresas Transnacionais e Investimentos da ONU, as aquisições foram 60% dos IEDs para a América Latina entre 1990 e 1999. Ademais, montantes cada vez menores dos IEDs vêm de fato das matrizes. Nos últimos quatro anos, 87% deles foram na verdade reinvestimentos (“retenção de lucros”), portanto, dinheiro que jamais cruzou fronteiras (dados do Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio dos EUA).

     

  16. Mauricio Barbara

    7 de março de 2016 4:28 pm

    Mando as sugestões para qual e-mail?

    Prezados,

    Encaminho as sugestões para qual e-mail?

    1. luisnassif

      8 de março de 2016 1:00 am

      [email protected]

      [email protected]

  17. NICKNAME

    7 de março de 2016 4:29 pm

    – O GGN desiste de ser igrejinha. – E a Irmandade, como fica ?

    A quem, depois, teve postagem publicada.

    Parece que foram suprimidas 4 ou 5 postagens minhas encadeadas.

  18. Ana Cruzzeli

    7 de março de 2016 4:43 pm

    Teóricos militares russos já estão adiantados nessa questão

    Vale a pena ler esse material que saiu no dia 1 de março no sitio  sputnik versão brasileira

    http://br.sputniknews.com/defesa/20160301/3709770/militares-russos-vao-desenvolver-concepcao-de-poder-brando.html

    O sucesso que os russos impuseram no caso da Criméia e agora no caso da Siria é uma aula de como agir em horas de conflito, se compararmos o que aconteceu na Siria, sobretudo, e agora o vem acontecendo no Brasil pode-se notar que há muita similaridade de ação por conta das forças de esquerda. Lá na Siria eles tiveram ajuda tanto do Irã  quanto do  Libano, mas sem ajuda dos Curdos sirios essa guerra iria durar muito mais tempo. Aqui a face  da camandante da unidade feminina de proteção popular siria. 

    Nessa hora olhemos para os sirios e para essas mulheres sirias  tambem. Quando a injustiça tem uma face os covardes como Marina Silva se espalham por aí, contudo a maioria estará sempre do lado do injustiçado e é isso que hoje se nota na causa em favor do Lula. A comandante Nersin Abdalla entendeu que o presidente sirio precisava de sua ajuda e hoje eles vencem a batalha muito mais dura que a nossa sem nenhum temor, nenhum duvida, nenhuma covardia. 

    De um lado a força de esquerda capitaniada pela injustiça contra Lula, do outro a Rede Globo( Sergio Moro é só um serviçal, serviçais não contam) quem ganhará a batalha final? A batalha de opinião publica, ontem Lula já venceu

  19. NICKNAME

    7 de março de 2016 4:59 pm

    À Equipe GGN e/ou Nassif: Por que tive agora há pouco 4 ou 5 pos

    Gostaria de saber por que tive agora há pouco 4 ou 5 postagens encadeadas suprimidas (sob o título de colaborações a serem enviadas pro GGN).Fiz sugestões, algumas repeti de outros momentos, e também fiz críticas (o que também não deixa de ser sugestão).Ou a crítica só é entendidda como destrutiva ??? ( Fiz crítica inclusive a mim próprio )Se não for incômodo, gostaria de saber ponto a ponto no que foi que motivou a supressão de … 4 ou 5 (não resposta vaga, isso é um pedido, tenho que pisar em ovos pra não me entenderem de outras formas ) (já nem sei, não contei) do corte. De preferência em Off.

    1. NICKNAME

      7 de março de 2016 5:19 pm

      As estrelinhas

      já pedi pelaamordedeus que uma fã não me desse estrelinhas, mesmo se eu disser que 2 + 2 = 4.

      Estrelinhas só me servem pra tirar o termômetro do nível do pessoal. E não ser prestigiado pela Irmandade, deus me livre.

      Claro que se alguma ou algumas pessoas concordarem com algum ponto de vista meu (principalmente no Multimídia do Dia, onde o pessoal é mais arejado ) fico contentinho. No mais tô nem aí. Dá pra adivinhar que me darão zero, 1, 3, 4 estrelinhas.

  20. Meire

    7 de março de 2016 5:24 pm

    Da viagem de Bento XVI ao Líbano.

    Concorde-se ou não com o autor da mensagem e com a entidade que representa, a presente entrevista faz parte da história.

    “Diria que a primavera árabe, em si, é uma coisa positiva…” – Bento XVI

    “…Temos organizações como os Cavaleiros do Santo Sepulcro cuja própria acção se limita à Terra Santa; ora tais organizações poderiam ajudar material, política e humanamente também nestes países. Diria, uma vez mais, gestos visíveis de solidariedade, jornadas de oração pública…”

    http://nsrainha.com.br/noticias/o-fundamentalismo-e-sempre-uma-falsificacao-da-religiao/  

    Pelo visto, parece que os cavaleiros não aderiram à idéia. O que é uma pena, e falta de atuação.

     

  21. Marly

    7 de março de 2016 6:39 pm

    Vale a pena ver… ATT, Nassif

    Entrevista General Wesley Clark.   Caso não consiga inserir o vídeo, solicito ao Cidamasceno que ajude. Buscar no youtube: “Entrevista General Wesley Clark” legendado português.

     

    [video:https://youtu.be/sCDRWEpz5d8%5D

     

     

  22. Cintra Beutler

    7 de março de 2016 11:55 pm

    OK!

    O ideal é procurar matérias em inglês. Já postei alguma coisa tempos atrás, especialmente no caso do golpe na Síria pelos EUA.

    Vou colaborar, Nassif.

  23. Ivan de Union

    7 de março de 2016 11:59 pm

    (Nassif, eu tive um

    (Nassif, eu tive um comentario nessa pagina que nao foi publicado e nao tinha uma unica piada!  O que aconteceu?!)

    1. luisnassif

      8 de março de 2016 12:56 am

      Não tenho ideia, Ivan.

      Não tenho ideia, Ivan.

      Só foram deletados os exaustivos comentários do Nickname. Não foi veto nem político, nem moral: foi de chatice. Será que o seu comentário estava debaixo de algum dele?

  24. Eliane Ribeiro

    8 de março de 2016 3:34 am

    Segue esse

    Segue esse link:https://www.youtube.com/watch?v=MW3O6oPopQE

    “abraços na policia,uma comemoração pacifica” lembram muito essas marchas da paulista.

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