4 de junho de 2026

“Comemos petróleo, embora não pareça”.

A frase inicia o artigo “Una alimentación adicta al petróleo“, de Esther Vivas, postado em sua página pessoal.  Ela descreve a dependência integral ao petróleo da nossa atual segurança alimentar; analisa o sistema completo, que vai desde a preparação de insumos para a agricultura, o envio deles a milhões de estabelecimentos agrícolas dispersos em gigantescas áreas, a produção dos alimentos e seus beneficiamentos, até a distribuição para bilhões de consumidores igualmente dispersos em numerosas povoações. Em todas as fases do sistema é intenso o uso petróleo, seja como energético ou como matéria prima na produção de agrotóxicos e plásticos; o que vemos é um modelo viciado em “ouro negro”, sem o qual, não poderemos prosseguir com o atual sistema de segurança alimentar. E diante de uma situação, em que o petróleo é cada vez mais difícil de extrair, cada vez mais caro, com sinais cada vez mais nítidos de uma iminente depleção, lança a pergunta: “como vamos nos alimentar”?  

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Há uma estimativa de que para cada uma caloria de alimento consumido atualmente pela humanidade, temos de usar uma de petróleo. Um cálculo simples mostra que não é exagerada essa estimativa, que é bastante plausível. O consumo mundial é de cerca de 1,92 litros de petróleo diários per capita ( 84 milhões de barris diários, com 160 litros cada, para uma população de sete bilhões – 84.000.000×160/7.000.000.000  = 1,92 l diários/hab.); ou 1,65 kg de petróleo diários per capita; ou ainda, 16.500 kilocalorias de petróleo diárias, para habitantes que necessitam consumir diariamente, em média, 2.500 kcal de alimentos, ou seja, quinze por cento da energia de “suas cotas” diárias de petróleo. Não há exagero em estimar tal pecentual de uso do petróleo no sistema de segurança alimentar, de que de cada seis barris de óleo consumidos, aproximadamente um seja empregado nesse sistema. Transportes de alimentos, safras e insumos agrícolas estão entre as maiores cargas movimentadas e, como sabemos, por áreas muito dispersas; tanto os transportes, quanto as máquinas agrícolas, são dependentes em quase cem por cento da energia do petróleo. Em termos práticos, a energia que nos alimenta vem do petróleo.

O artigo possui ligações para vários estudos sobre uso energético, desperdícios e irracionalidades no modelo que alimenta a humanidade. Destaca a questão do que denomina “alimentos viajantes” no modelo atual, a deslocalização da produção, sua substituição por produção importada de localidades distantes. Atualmente, milhares de toneladas de frangos criados no sul brasileiro vão parar, no outro lado do mundo na mesa de consumidores do Japão; é posível adquirir em supermercados de Londres, uma refeição com ingredientes que, em conjunto, percorrem uma distância equivalente a duas voltas ao redor do planeta. Chama a atenção para o uso crescente de plásticos na produção agrícola e, principalmente, na embalagens dos alimentos. Apresenta como geradoras das irracionalidades e desperdícios a crescente oligopolização na distribuição de alimentos. Quanto mais industrial e globalizada for a agricultura, mais será dependente do petróleo.

A autora conclui pela urgência de um modelo de agricultura e distribuição de alimentos antagônico ao dominante. Não se trata de uma volta romântica ao passado, como ela adverte. Uma agricultura de baixa dependência do petróleo, diversificada e próxima aos consumidores, será um desafio que exigirá muito de conhecimento técnico e saber científico. Temos de preservar a agricultura familiar, manter a força de trabalho vocacionada para agricultura, antes que ela se disperse e desapareça nas favelas urbanas. O petróleo assumiu a primazia no trasnportes e movimentação de máquinas agrícolas, porque é a fonte energética mais versátil e eficiente para tais finalidades, todas a outras fontes se mostram limitadas e de baixa eficiência comparadas a ele; como recurso limitado e esgotável, sua substituição será um imperativo, tudo que for baseado no seu uso intensivo terá de ser revisto, pois perderão eficácia com a substituição do petróleo.  

Para leitura do artigo: http://esthervivas.com/2014/05/05/una-alimentacion-adicta-al-petroleo/

Redação

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