A proposta de Donald Trump de formar um Conselho de Paz para Gaza foi interpretada por Arturo Hartmann, doutor em Relações Internacionais e especialista em Oriente Médio, como uma tentativa de gerar um “embrião de uma instituição alternativa à ONU”. A França, por exemplo, já negou participação, justificando que a proposta visa criar uma estrutura paralela à organização internacional. Em entrevista ao GGN, na noite de segunda (19), Hartmann destacou que essa iniciativa se alinha ao perfil de Trump, que faz um “governo tecnocrático” que quer implementar uma “Riviera do Oriente Médio” em Gaza e finge que irá fazê-lo pelas vias institucionais.
Questionado sobre a aparente irracionalidade das ações de Trump nos últimos tempos (nesta semana, circula boatos de que Trump não ajudou Maria Corina Machado a tomar conta da Venezuela após o sequestro de Nicolás Maduro porque ficou com inveja por ter pedido para ela o Prêmio Nobel da Paz 2025), Hartmann sugeriu que o que parece anormal para muitos pode ser uma estratégia deliberada. Ele argumentou que Trump desafia uma normalidade instituída, utilizando uma linguagem na diplomacia para chocar e agitar. Essa abordagem, segundo Hartmann, marca uma nova política externa americana, que ele chamou de “política externa do escárnio”, caracterizada por ações como as relacionadas à Venezuela, Groenlândia e Gaza.
Hartmann apontou para a fragilidade das instituições americanas em conter os “arroubos” de Trump. Diferentemente do Brasil, onde a tentativa de golpe de Jair Bolsonaro e sua horda foi criminalizada, nos Estados Unidos, Trump se tornou um herói para seus apoiadores. A oposição democrata, por sua vez, tem se mostrado fraca, incapaz de atender às demandas populares e de forçar as instituições a agir. Hartmann enfatizou a necessidade de reorganização da esquerda e dos democratas para enfrentar Trump no futuro.
A decadência dos EUA e a ascensão da China
A entrevista também abordou a crise de liderança nos Estados Unidos e a decadência do domínio norte-americano, evidenciada pela falta de um projeto nacional inclusivo. Hartmann ressaltou que a política externa estadunidense, historicamente focada em garantir recursos e pontos estratégicos, agora enfrenta um novo cenário com a ascensão da China. Ele argumentou que a rivalidade com a China é um fator central nas ações americanas em diversas regiões, como Venezuela, Groenlândia e Irã, e que o chamado “Projeto 2025” dos conservadores americanos está intrinsecamente ligado a essa disputa com os chineses.
O Brasil no Jogo Geopolítico
Sobre o Brasil, Ratman analisou o dilema da política externa de Lula em equilibrar-se entre os Estados Unidos e a China. Ele destacou que a postura do Brasil em relação à Venezuela, por exemplo, é vista como um indicativo do poder e da agenda de figuras como Marco Rubio no governo Trump, que defendem a América Latina como “quintal” dos Estados Unidos. Ratman enfatizou que o Brasil, como o maior país do continente, é um ator estratégico nesse cenário de “microbatalhas geopolíticas” que abrangem a geopolítica maior.
A situação do Irã também foi discutida durante a live no canal TV GGN [assista abaixo], com Hartmann comparando sua capacidade de resistência à do Iraque de Saddam Hussein, mas ressaltando que o Irã é hoje muito mais forte militar e tecnologicamente. No entanto, ele não ignorou as contradições internas do país, como a repressão brutal do governo e o impacto das sanções externas na população. Hartmann explicou que o governo iraniano vê a dissidência política como uma “ameaça à segurança nacional”, uma característica comum em estados autoritários. Ele também mencionou que Israel e os Estados Unidos buscam enfraquecer o Irã como adversário regional e tirá-lo da esfera de influência chinesa.
A entrevista completa foi transmitida ao vivo dentro do programa TV GGN 20 Horas, na noite de segunda-feira (19), no Youtube. Na primeira parte do programa, Nassif entrevistou o economista Luiz Gonzaga Beluzzo.
Assista abaixo:
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Victor Lima
20 de janeiro de 2026 3:33 pmEsse imbecil deve estar com demência senil mesmo. Quer cobrar U$ 1 Bilhão por cada vaga no Conselho de Gaza que decide por maioria simples mas precisa ter suas deliberações aprovadas pelo Presidente do Conselho, Ele, Deus Trump. Esse cara deve ter comido da fralda quando era bebê, se é que essa aberração foi criança algum dia.
Paulo Dantas
20 de janeiro de 2026 3:57 pmUma boa maneira de fazer nada é criar um conselho.
Os Democratas estão inertes esperando as eleições de meio de mandato para tentar ganhar o Congresso.
E aí tentar fazer alguma coisa.
Os Replubicanos vão passar por cima tão forte que vai precisar de espatulas para tirar os Democratas …