9 de junho de 2026

Considerações sobre os números do Datafolha, por Luis Felipe Miguel

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Considerações sobre os números do Datafolha

por Luis Felipe Miguel

Embora os números sejam um tanto diferentes, o Datafolha indica as mesmas tendências que o Ibope.

O Bozo pontua de forma preocupante, ultrapassando o que se acreditava ser seu teto. A estratificação da pesquisa mostra que é a base coxinha migrando de vez para ele, aceito agora como última salvação contra o risco de algum tipo de combate à desigualdade social.

Os números apontam com clareza a tendência de um segundo turno entre o Bozo e Haddad. O candidato PT deve crescer ainda mais, já que a transferência de votos de Lula certamente não está completa.

Ciro mantém seu contingente de votos, o que é notável, mas tem pouco espaço para crescer. A Folha força a mão em seu favor na manchete (“Ciro lidera no 2º turno”), mas é difícil que o discurso do “voto útil antecipado” volte a ganhar corpo. Para vingar, teria que estar claramente delineada uma derrota de Haddad para o Bozo no segundo turno, o que não é o caso.

Marina continua em queda livre e Alckmin, patinando em seu único algarismo. A chegada de qualquer um dos dois ao segundo turno seria um fenômeno digno da ressurreição de Lázaro. Mas, se Deus existisse mesmo, dificilmente queimaria seu filme se manifestando com um milagre desses na eleição brasileira.

E, como a fé é livre (e a desrazão também), ontem ainda Meirelles deu entrevista dizendo que ganhará já no primeiro turno.

Como esperado, a chapa Boulos/Guajajara não tem espaço para se firmar, num ambiente de absoluta degradação do debate público – e com o esvaziamento do HGPE dificultando que se encontre uma via para fora da bolha. Nos últimos dias, a campanha ajustou o discurso, sinalizando adequadamente as diferenças com o PT, sem com isso se afastar da unidade na luta contra os retrocessos e o fascismo. Mas a simpatia e a concordância que essa posição encontra em muitos setores progressistas não consegue se traduzir em voto, numa conjuntura marcada sobretudo pelo medo (talvez devesse dizer “pânico”) e com a esquerda na defensiva.

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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19 Comentários
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  1. Lucinei

    20 de setembro de 2018 1:36 pm

    Sim, o grosso do voto no
    Sim, o grosso do voto no Boçalnaro está entre a fascistada e a trouxinhada. Mas, nao é só isso. Acho bom ter cuidado.

    Recebo de grupos de zap diariamente terabites de mensagens pro Boçalnaro e antipetista. Gente que até há pouco nem se interessava por politica hoje repassa memes e piadas de MBL, Vem pra Rua, etc.

    Sao diversos grupos, tem quem estudou no exterior e tem quem nao completou o fundamental. Classe media que consegue poupar algum, pretensiosos endividados, batalhadores e quem vende o almoço pra comprar a janta.

    Enquanto esses palermas da comunicaçao politica da esquerda teimarem com esse negocio de textao e teses academicas, supondo que isso é politização, a coisa vai so piorar.

    1. Somebody

      20 de setembro de 2018 1:55 pm

      Os seguidores de Bolsonaro

      Os seguidores de Bolsonaro são uma minoria que faz muito barulho para darem a impressão de que o número deles é bem maior do que a realidade. O verdadeiro problema é que o brasileiro médio é estúpido o bastante para acreditar nesses barulhentos e também é treinado para não pensar e principalmente para não criticar notícias vindas da mídia “oficial” por mais absurdas e falsas que essas notícias sejam.

      E é tolice acreditar nas “pesquisas” brasileiras, trata-se apenas de uma preparação para quando fraudarem o resultado das urnas fazer com que o resultado pareça “legítimo”. O TSE têm as chaves do sistema de votação e está plenamente do lado dos golpistas, é portanto óbvio que eles vão fraudar o resultado e só precisam agora da ajuda das “pesquisas” da mídia para fazer parecer que os resultados seriam legítimos.

  2. Hildermes José Medeiros

    20 de setembro de 2018 1:37 pm

    “E, como a fé é livre (e a

    “E, como a fé é livre (e a desrazão também), ontem ainda Meirelles deu entrevista dizendo que ganhará já no primeiro turno.” Muito cuidado com esta afirmação. Meirelles é um homem de sucesso acostumado a ganhar, Será que ele estaria se referindo à eleição? Vá ver, prestou um serviço e vá receber uma paga condizente com o trabalho prestado, ou apostou em Londres, ou sei lá onde, que Haddad baterá Bolsonaro. Por, aí…não joga dinheiro fora. Só o dinheiro dos outros, de preferência em direção ao seu próprio bolso. É profissa. Seu texto é ótimo, e bate na tecla certa.

  3. naldo

    20 de setembro de 2018 1:40 pm

    Preocupante não é o cidadão

    Preocupante não é o cidadão furar o teto……preocupante é votarem nele como salvação contra o combate à desigualdade social…….

     

    Se realmente esse terço de eleitores pensarem dessa forma bárbara o que sobraria aos mais desfavorecidos contra essa turba? A luta fratricida? Está nas hora dos verdadeiros cidadãos que amam esse país colocar o s cachorros loucos em seus devidos lugares,,,,,,

  4. Edy

    20 de setembro de 2018 1:56 pm

    Na verdade. Se as duas

    Na verdade. Se as duas pesquisas (IBOPE e Datafolha) estiverem corretas (o esperado em 95% dos casos, 19/20), elas indicam que Haddad está à frete de Ciro. O empate técnico é descartado ao unir as duas.

    Assim, com 16% (datafolha) do votos, Haddad tem entre 14% a 18%. Com 19% (ibope), ele tem de 17% a 21%.

    Fazendo a interseção, Haddad tem entre 17% e 18% dos votos.

     

    Já em relação a Ciro, com 13% (datafolha), tem entre 11% e 15%. Com 11% (ibope), tem entre 9% a 13%.

    Fazendo a interseção, Ciro tem entre 11% e 13% dos votos.

     

    Resumindo:

    – O melhor cenário para Haddad com os números das duas pesquisas é: Haddad 18% e Ciro 11%.

    – O melhor cenário para Ciro com os números das duas pesquisas é: Haddad 17% e Ciro 13%.

    No momento, a vantagem de Haddad para Ciro é de 4% a 7%.

     

    Percebam, que se trata de matemática, não de opinião. : – )

  5. Bruno Cabral

    20 de setembro de 2018 2:02 pm

    Mas, se Deus existisse mesmo

    Tirada ótima essa.

     

  6. Vladimir

    20 de setembro de 2018 2:14 pm

    Em uma análise simplista, é
    Em uma análise simplista, é verdade,o que estamos observando é uma migração quase que total do grupo perdedor das eleições de 2014, e responsável pelo golpe,Em torno do defenestrado do exército.
    Essa gente,que não teve vergonha de sair às ruas já no dia seguinte a vitória da presidenta Dilma,que comemorou o golpe e a prisão do presidente Lula, não se envergonhar a,mais uma vez,de escolher o pior.
    É preciso que o grupo vencedor das eleições de 2014,de posse dos dados negativos que o golpe e seus asseclas promoveram no país, faça das tripas o coração para manter a unidade e resgatar o Brasil para os brasileiros porque;como já vimos com o golpe,essa gente não tem medo de errar.
    Eles tem medo é de acertar.

  7. margot riemann

    20 de setembro de 2018 2:16 pm

    O fenômeno fascista é muito

    O fenômeno fascista é muito sério. Não existem 29% (ou 28%) de “coxinhas” no Brasil. 

    1. Horacio Marques

      20 de setembro de 2018 8:06 pm

      Fascistas são 5% no máximo

      O resto são conservadores caçados à pedradas como cães hidrófobos que procuram algum abrigo para sobreviver. Desde a  Terceira Via  de Tony Blair e Bill Clinton determinados grupos e pautas foram marginalizados da politica e tiverem que procurar Trump, LePen, AfD e Bolsonaro. Ficaram de saco cheio de serem estigmatizados por xenofobia, fundamentalismo religioso, machismo, populismo etc…

      Os fascistas agradecem. Não os bolsonaristas, os autenticos.

  8. Antonio Carlos Silva - Brasil

    20 de setembro de 2018 2:19 pm

    Uma análise definitiva sobre a conjuntura atual da campanha ..

    O Altman é ótimo !!

    ” …uma operação desesperada do aparato golpista para frear a alavancagem do Haddad..”

    [video:https://youtu.be/TB8X1WNRWS0%5D

    1. Marcos Videira

      20 de setembro de 2018 2:38 pm

      Nem PT, nem o Coiso

      O site 247 defende com unhas e dentes o PT. É direito deles, mas não se deve distorcer a realidade. Criticar a manchete da Folha é querer esconder o que está escancarado.

      A manchete da Folha realça o que já é conhecido há muitas pesquisas:  Ciro vence o Coiso no segundo turno. Haddad provavelmente não.

      Haddad pode perder pro Coiso, pelas seguintes razões: (1) Haddad não tem lastro político próprio (depende dos votos de Lula e do Voto Útil); (2) o antipetismo envenenado é muito forte, inclusive nas classes C,D,E.

       

  9. Marcos Videira

    20 de setembro de 2018 2:25 pm

    Nem PT, nem o Coiso

    Miguel: você sabe que o PT boicotou a Frente Democrática. A chapa Ciro-Haddad foi defendida por Jaques Wagner (PT) e o governador Flávio Dino (PCdoB). Foi rechaçada porque os estrategistas do PT colocaram os interesses do partido acima do interesse político do povo brasileiro. Isto são fatos (ler entrevista dada pelo PT ao Nassif).

    O PT levou o povo a dançar na beira do precipício e agora coloca uma faca em nossa consciência: se não votarmos no PT elegeremos um fascista. Suprema canalhice: agora a frente democrática é consentida pelo PT ?

    Haddad tem inegáveis méritos, mas não tem lastro político para ganhar a eleição. Depende dos votos de Lula no primeiro turno e do Voto Útil para derrotar o Coiso. Sem o Voto Útil, o antipetismo e a direita elegerão o fascista e a responsabilidade ÚNICA será do PT.

    1. MarFig

      20 de setembro de 2018 2:45 pm

      Já vi alguns carros com o

      Já vi alguns carros com o adesivo “nem um nem outro” … do Partido Novo (30).

      1. Marcos Videira

        20 de setembro de 2018 7:13 pm

        Só não vê quem não quer

        Essa sua informação comprova que muita gente já percebeu o óbvio.

    2. Horacio Marques

      20 de setembro de 2018 3:35 pm

      Suprema canalhice em 4 tempos

      1. Inviabilizar a frente progressista no momento mais dramático da nossa História.

      2. Enganar e chantagear o eleitor com a desculpa de “derrotar o fascismo”, ou a bárbárie.

      3. Entregar o eleitorado indeciso de bandeja para o coisa ruim vencer no segundo turno

      4. Chamar um Meirelles qualquer e trair pela enésima vez seu eleitor, caso a improvável vitória aconteça.

       

    3. Anarquista Lúcida

      20 de setembro de 2018 7:28 pm

      Haja cinismo! E péssimo conceito do que sao fatos…

      Chamar sua interpretaçao de fato é o máximo. Além do mais, inverte o raciocínio. O PT nao concordou com uma “Frente Democrática” nada democrática que punha o candidato do eu-sozinho na frente do de um partido com um piso de 30% de votos. Nao tinha mesmo que concordar. Mas, se vcs sao a favor de uma frente democrática, agora é a hora de mostrar isso. Votem útil em Haddad, que ele leva no primeiro turno e o perigo Bolsonaro está evitado.

  10. CB

    20 de setembro de 2018 2:26 pm

    O que só agora os tucanos

    O que só agora os tucanos devem estar entendendo é: Nas eleições anteriores, os fascistas, os analfabetos políticos e os brucutus engrossavam a votação do partido porque viam nele a chance de derrotar o PT e aquilo que eles chamam de “comunismo” ou “bolivarianismo”. Nesta eleição presidencial, esta gente encontrou um candidato para chamar de seu, então dispensou o PSDB. Foi isto o que os tucanos semearam, é isto que estão colhendo. Para o governo de  São Paulo, esta gente não encontrou um candidato para chamar de seu, então embarcaram, majoritariamente e provisóriamente, na canoa de joão dória, mas também se dividem entre outros candidatos de direita. O PSDB ajudou a destruir o centro verdadeiro, não tem mais espaço na centro esquerda. De principal partido da direita, os tucanos foram reduzidos a coadjuvantes de direita.

  11. MarFig

    20 de setembro de 2018 2:47 pm

    E continuam se deixando levar

    E continuam se deixando levar pelas pesquisas da máfia que acabou com a democracia no Brasil. 

  12. Elizabeth Pretel

    20 de setembro de 2018 4:10 pm

    Assisti e ouvi,

    Assisti e ouvi, respectivamente, a globonews e radio bandeirantes elogiando o ciro. Lembrei-me do Brizola, super entendido na mídia nacional. Melhor ir no “conselho” do Brizola. Se a mídia diz uma coisa, com certeza é melhor seguir na direção oposta. 13.

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