O sequestro dos ativistas brasileiros da Flotilha Global Sumud — missão humanitária interceptada ilegalmente pela marinha israelense na quarta-feira (1º/10) — não é apenas uma grave violação de direitos, mas também um alerta para a omissão dos governos diante do genocídio em Gaza.
“Estamos falando de uma mobilização gigante para pressionar os governos, que, se não estão fazendo o que deveriam, precisam fazer sua lição de casa pelo povo palestino e se mobilizar pelos seus cidadãos que estão lá, fazendo aquilo que eles já deveriam ter feito“, declarou a coordenadora da delegação brasileira, Lara Souza, ao programa TVGGN 20 Horas [confira a entrevista abaixo].
Para a ativista, é importante que a sociedade civil se mobilize, mas nunca foi função da Flotilha substituir os governos. “A flotilha existe para mostrar que, enquanto os países não fazem sua parte, cidadãos comuns estão dispostos a se arriscar para denunciar e levar ajuda a um povo em genocídio”.
Brasileiros interceptados
A missão, formada por cerca de 40 embarcações com alimentos e remédios, foi interceptada ilegalmente pela marinha israelense. Doze brasileiros foram sequestrados e levados ao porto de Ashdod, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora Mariana Conti (PSOL-Campinas) e o militante Thiago Ávila.
O informe oficial denuncia que os ativistas estão sendo submetidos a audiências de deportação e prisão sem acesso consular ou jurídico, em flagrante violação das garantias mínimas de direitos fundamentais. “É inadmissível que Israel mantenha brasileiros incomunicáveis e sem contato com advogados”, reforçou Lara Souza ao GGN, em comunicação direta com o Itamaraty.
A delegação exige ainda a divulgação nominal dos detidos e esclarecimentos imediatos sobre dois desaparecidos: João Aguiar, do barco Mikeno, e Miguel Viveiros de Castro, do Catalina.
O caso de Miguel Viveiros de Castro
O desaparecimento do documentarista levou a família a divulgar uma nota exigindo providências sobre seu paradeiro. Eles seguiam um protocolo rigoroso de contato com Miguel a cada dez minutos.
“No caso de Miguel, não temos nenhum vídeo, nenhum sinal. Apenas o silêncio. Dos 15 brasileiros que estavam na Flotilla, 13 aparecem como sequestrados. Dois não aparecem — e Miguel é um deles. Não existe ‘possivelmente’: ou foi interceptado ou não foi. Queremos respostas, não hipóteses”, diz a nota.
Para Luiz, “a incerteza é devastadora. É uma forma de sofrimento que destrói por dentro, que impede a família de respirar, que torna cada minuto uma tortura”.
A delegação e os familiares exigem ação imediata do governo brasileiro e denúncias formais em instâncias internacionais. “Não aceitaremos a neutralidade cúmplice. Miguel está desaparecido. E o Brasil tem o dever de certificar o que aconteceu com ele e lutar pelo retorno de todos em segurança”, conclui a nota da família.
Cobrança em Brasília
Deputados federais se reúnem nesta quinta-feira (2) com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para cobrar providências após a prisão arbitrária dos ativistas.
Além da situação dos brasileiros sequestrados, a pauta inclui a necessidade de reação firme do Brasil diante do genocídio em curso contra o povo palestino. Participam do encontro os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Ana Pimentel (PT-MG), Domingos Neto (PSD-CE), Erika Kokay (PT-DF), João Daniel (PT-SE) e Maria do Rosário (PT-RS).
Confira, abaixo, a participação da coordenadora no programa TVGGN 20 Horas:
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