“O futuro da democracia joga-se na Grécia”
Durante o comício “Com o povo grego contra a troika”, que teve lugar esta sexta feira no Mercado Ferreira Borges, no Porto, e contou com as intervenções de Manuel Correia Fernandes, vereador independente do PS na cidade do Porto, Marisa Matias, Fernando Rosas, Francisco Louçã e Catarina Martins, o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda enumerou três razões que sustentam o empenho do Bloco com as eleições gregas e com a Syriza.
A primeira é Portugal. “A Grécia tem dois anos de troika, mas em apenas um ano os portugueses já viram os impostos aumentar, os salários diminuir e o desemprego disparar”, sublinhou Francisco Louçã.
A receita é a mesma, avançou o dirigente bloquista, frisando que “o que serve para Portugal, serve para a Grécia e o que serve para a Grécia serve para Portugal”.
A este respeito, Louçã referiu-se ainda à proposta de desvalorização salarial, avançada por António Borges, o “verdadeiro ministro sombra”, “grilo falante daquele Pinóquio mentiroso [governo]”, e ao programa Impulso Jovem, que “mais não é que promover que o Estado pague, com o dinheiro da Segurança Social, salários mais baixos, alinhados pelos 500 e poucos euros”, e que se baseia em “baixar os salários dos jovens, prometendo-lhes estágios e não empregos, promessas em vez de trabalho”.
Para o deputado do Bloco, uma segunda razão diz respeito ao eventual resgate a Espanha, para financiar a banca do país, que constitui a “chantagem dos mercados sobre o país, para começar mais um ciclo de austeridade”.
“O que está a ser dito para a Espanha é que tem que se entregar a mais medidas de austeridade para que os impostos do país, nos próximos anos, sejam destinados a pagar esta gigantesca operação de financiamento da banca que se entregou à especulação imobiliária”.
Quem beneficia com a crise é a Alemanha, adiantou Louçã, lembrando que o país comandado pela senhora Merkel “financia-se a zero por cento e cobra depois, a Portugal ou à Grécia, a 4,5 por cento”. “Se há crise é em Berlim. Se há especulação é em Berlim. Se há um perigo para a democracia é em Berlim”, advogou o dirigente bloquista, enfatizando que “o futuro da democracia joga-se na Grécia”.
A terceira razão, segundo Francisco Louçã, prende-se com a própria Grécia.
Na Grécia, recordou Louçã, “não há uma avaliação de três em três meses, há uma delegação permanente que autoriza cada despesa ‘cheque a cheque’, retirando autonomia sobre a execução orçamental ao governo grego e tornando-se numa forca de ocupação”.
“É por isso que a Syriza diz que o seu mandato é correr com a troika, recuperando a economia”, avançou o deputado do Bloco.
“Dia 17 de junho o que está em causa é a Grécia, mas também somos nós”, frisou Francisco Louçã.
“As eleições gregas são a prova dos nove sobre a democracia na Europa”
Segundo o dirigente bloquista Fernando Rosas, o que está em causa nas eleições gregas é “saber se a União Europeia aceita a decisão livre dos gregos e encara negociar com um governo de esquerda, ou se, pelo contrário, só aceita um que aceite o programa da troika que tem afundado a Grécia”.
“Dizendo que os gregos ‘ousaram desafiar’ um sistema tão bem engendrado como o do ‘arco da governação’, que tem conduzido a Europa até à atual situação, Mário Moutinho, diretor do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, diz que a vontade dos gregos levanta um sério desafio e perigo para as forças que governam a aurora”. “Estão agora todos muito preocupados. E se a moda pega nos outros países?”, ironizou Fernando Rosas.
“O que está a ser feito por Merkel à Grécia e Portugal é um experimentalismo sem nome”
A eurodeputada do Bloco Marisa Matias, adiantando que as lideranças europeias atuais, subordinadas a Merkel, “são os coveiros do modelo social europeu”, defendeu que a única coisa que pode salvar a Europa é “mais Europa, solidariedade em vez da especulação”.
“Vemos a Europa como solidariedade, como projeto social, onde conta o emprego e os serviços públicos. É porque estamos connosco que estamos com os gregos”, avançou Marisa Matias, realçando que “somos europeístas mas não somos ‘eurotontos’”.
O beija-mão
O SYRIZA apresenta as suas “credenciais” aos EUA e à UE
Na quarta-feira 6 de Junho o presidente do SYRIZA, A. Tsipras, encontrou-se com embaixadores e diplomatas dos estados membros do G20. O jornal Rizospastis, órgão do CC do KKE, fez os seguintes comentários na edição de 7 de Junho:
“O sr. Tsipras entregou a sua “carta de credenciais”, num evento realmente cerimonial, a um responsável da embaixada dos EUA e a diplomatas dos 19 mais fortes países capitalistas do planeta! A reunião do presidente do SYRIZA com os embaixadores dos países do G20 trouxe-nos uma lembrança do passado recente, especificamente recordou-nos o antigo primeiro-ministro Giorgos Papandreu, o qual se desvaneceu nas últimas semanas sem deixar nenhum traço… Os mesmos slogans respeitantes a “uma nova política externa pacífica multi-facética”, as mesmas referências a “iniciativas internacionais para a democratização do sistema de relações internacionais” e a necessidade de “aumentar o papel da ONU”.
E, ao mesmo tempo, nenhuma menção à NATO. Os lábios estão selados! A NATO que se reuniu recentemente em Chicago e tomou novas decisões perigosas para a expansão da sua actividade, para a repressão de todas as forças e todos os povos que procurem controlar o seu próprio futuro. O silêncio do sr. Tsipras quanto à continuidade da intervenção contra a Síria foi espantoso. Nenhuma menção ao assunto, como se os planos para uma intervenção militar na região não estivessem a ser traçados. Como se a utilização da base estado-unidense em Suda não fizesse parte dos planos relativos a esta intervenção e, mais genericamente, a utilização dos portos, do espaço aéreo e do mar do nosso país. O presidente do SYRIZA nada disse acerca de como o governo “de esquerda”, que ele promete constituir, reagiria a uma tal situação.
Por que? É óbvio! Quando ele não coloca a questão do afastamento dos planos imperialistas, da organização imperialista da NATO, em nome de “obrigações da aliança”, o país será arrastado para esta nova guerra imperialista, sob um governo “de esquerda”. Mas o sr. Tsipras não esqueceu de mencionar que desempenharia um papel principal num “Médio Oriente livre do nuclear”, apontando o programa nuclear do Irão, o qual em qualquer caso é o pretexto que será utilizado pelos EUA e Israel para justificar um possível ataque militar contra o Irão, uma nova guerra. Nem uma palavra acerca das armas nucleares que Israel já possui!”
O presidente do SYRIZA insistiu mais uma vez em declarar a sua lealdade à UE imperialista e a necessidade da assimilação da Turquia na mesma, algo a que os comunistas turcos e o movimento dos trabalhadores se opõem! Finalmente, ele considerou apropriado à frente dos embaixadores estrangeiros a cuspir seu veneno sem hesitação contra o socialismo que a humanidade conheceu na URSS e outros países no século XX, o qual, apesar das suas fraquezas, foi durante mais de 50 anos um apoio insubstituível para a paz e segurança dos povos e uma espinha atravessada na garganta dos imperialistas.
O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-06-07-syriza
Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .
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