Grécia é paralisada por nova greve geral de 24 horas
DA EFE, EM ATENAS
DE SÃO PAULO
Os principais sindicatos gregos convocaram para esta quarta-feira uma nova greve geral de 24 horas que ameaça paralisar o país, em uma nova mostra da queda de braço entre sindicatos e Governo pela dura política de austeridade para reduzir a enorme dívida do país.
Na segunda greve geral deste ano (em 2010 foram dez), e após dez meses de aplicação de severos ajustes econômicos, os sindicatos convocaram os cidadãos para protestar contra os cortes com os quais o Executivo pretende reduzir o deficit em 30 bilhões de euros (US$ 40,96 bilhões) nos próximos três anos.
Os hospitais públicos atenderão nesta quarta-feira apenas casos de urgência, enquanto os colégios e os maternais não abrirão suas portas e a união de comerciantes da Grécia planeja o fechamento das lojas.
Farmacêuticos e empregados de bancos participarão da greve, que também fará com que não funcionem Prefeituras, Ministérios e empresas públicas.
Atenas ficará sem transporte público, à exceção do metrô, cujo serviço levará os grevistas às manifestações. Já os jornalistas devem protagonizar o que estão chamando de “blecaute informativo”.
Os sindicatos esperam uma ampla participação na greve de hoje, “para que sirva de mensagem ao governo que o povo não pode mais viver com os cortes em suas receitas, desemprego, alta de impostos e cortes nas aposentadorias”, declarou o porta-voz da União de Funcionários Civis, Vasilis Xenakis.
CRISE
Em maio, a UE (União Europeia) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) fecharam um acordo de resgate financeiro de 110 bilhões de euros (US$ 150,17 bilhões), válido por três anos, para salvar a economia da Grécia, que enfrentava o risco de um calote da dívida devido à sua grave situação fiscal.
A Grécia planeja reduzir seu deficit público em 2011 para 7,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2009, o número chegou a 15,4% do PIB.
Os esforços da Grécia em cortar gastos gerou greves e protestos violentos no país ao longo deste ano. Outros países da zona do euro em grave situação fiscal, como Irlanda e Portugal, são alvos em potencial de novos resgates financeiros.
Ao finalizarem a sua segunda revisão do programa econômico grego, as equipes da UE, do FMI e do Banco Central Europeu emitiram nota afirmando que o país está “no caminho certo” e que esperam uma “virada” na economia do país em 2011.
No entanto, embora elogiem os cortes de gastos feitos, as equipes destacam que os esforços da Grécia podem ser menores do que o exigido para o país sair da crise.
No dia 15 de dezembro, a Câmara dos Deputados transformou em lei medidas que cortam os salários de empresas estatais de ônibus e ferrovias.O projeto de lei que gera os protestos, exigido pela UE e pelo FMI, prevê cortes de 10% a 25% nos salários superiores a 1.800 euros mensais (US$ 2.457) nas DEKO e foi aprovado durante a noite por 156 votos a favor e 130 contra.
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