27 de outubro de 2026

É hora de Lula montar seu Bolo de Noiva, por Luís Nassif

O governo terá de definir limites ao capital especulativo que é a principal causa da volatilidade cambial e das pressões inflacionárias.
Imagem gerada por ChatGPT

Mobilização popular recente marca momento histórico, mas governabilidade depende de estratégias econômicas eficazes.
Governo Lula 4 deve romper padrões antigos e atrair capital produtivo para setores industriais e tecnológicos.
Plano prevê debate com empresários, apoio técnico do Estado e incentivos para fortalecer cadeias produtivas nacionais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O fim de semana passado foi histórico, um dos grandes momentos da cidadania nacional. A mobilização popular é um trunfo relevante, mas, por si só, não garante a governabilidade. Por isso, dar o primeiro passo de forma correta é fundamental.

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Uma das armadilhas a evitar é a síndrome do “pacote salvador”. O mercado e os veículos de mídia tentam criar um clima de catástrofe com o discurso da gastança, embora se saiba que o verdadeiro dreno de recursos públicos decorre da política monetária, que realiza transferências gigantescas aos rentistas. Dilma caiu no conto de sereia e seu governo caiu com o pacote Joaquim Levy.

Em algum momento, o governo terá de definir limites ao capital especulativo que, por meio de operações de carry trade, é a principal causa da volatilidade cambial e das pressões inflacionárias.

Mas esse é tema para outra coluna. 

Lula tem que mostrar que o governo Lula 4 não será como o Lula 3. Significará uma ruptura com os padrões tradicionais, esgotados, e a preparação do futuro do país.

O ponto inicial é estruturar uma estratégia capaz de atrair o capital produtivo — os setores industrial, de máquinas e equipamentos, de indústria de base, farmacêutico, enfim, o que resta dos antigos campeões nacionais.

O melhor caminho é, desde já, convidá-los para debater temas concretos: terras raras, data centers, bioeconomia da Amazônia e agregação de valor na exportação de commodities. 

O caminho racional seria:

  1. Uma ampla discussão, nos moldes do que foi a operação “Bolo de Noiva” no governo Fernando Collor. Seriam convocados empresários com afinidade com cada um dos temas selecionados e institutos de pesquisa para uma conversa inicial, a fim de avaliar a temperatura do setor.
  2. Em um segundo momento, os setores de excelência do Estado brasileiro (técnicos do CGCE, Finep, IPEA e BNDES) aprofundariam os temas debatidos, oferecendo embasamento técnico, estimando as cadeias produtivas que poderão ser desenvolvidas no país, identificando as que exigirão parcerias internacionais, definindo contrapartidas e, sobretudo, estabelecendo um cronograma para o lançamento de cada projeto.

Veja um pequeno exemplo da cadeia produtiva das terras raras:

  1. Ao mesmo tempo, o BNDES identificaria as empresas nacionais, ou instaladas no Brasil, em condições de assumir cada um dos elos da cadeia produtiva. A elas seriam oferecidas isenção de impostos, financiamentos competitivos do BNDES e recursos da Finep para pesquisa.
  2. Sondar-se-iam parceiros no exterior caso fossem indispensáveis pelo domínio da tecnologia. Nesse caso, toda a operação deveria fundamentar-se em princípios claros: transferência de tecnologia, garantias de manutenção do controle sob capital brasileiro e contrapartida explícita de transferência tecnológica não apenas para a empresa, mas para institutos de pesquisa nacionais.

Esse modelo serve para aprimorar o Redata — programa que, até agora, oferece incentivo fiscal para importação de máquinas e exige como contrapartida escassos 2% do investimento aplicados em pesquisa interna.

Uma vez que Lula percebeu a relevância dos modelos participativos, abre-se espaço para a lógica do Plano de Metas. Cada setor relevante (infraestrutura, ferrovias, arranjos produtivos) deve ser estruturado em um plano com metas bem definidas, com conversas com cada setor e entregas cujos avanços sejam comunicados periodicamente à opinião pública.

Será a forma de consolidar o grande pacto que Lula busca desde o início e que não pode ficar refém das manobras do Congresso.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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