22 de maio de 2026

Exclusivo: 70% dos palestinos e israelenses são favoráveis a um acordo de paz

Único caminho para o fim da guerra seria a criação do Estado Palestino, mas dogmatismo de narrativas impede solução definitiva para conflito.
Domo da Rocha, em Jerusalém, Israel. Crédito: Becca Siegel/ Pexels

Convidado do programa TVGGN 20H desta terça-feira (10), Davi Windholz, presidente da ONG internacional Mãos para a Paz, foi categórico ao afirmar que a guerra entre Israel e Hamas é um conflito de lideranças da extrema direita e fundamentalistas, tendo em vista que cerca de 70% da população é favorável a um acordo de paz.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Windholz trabalha com educação para aproximar muçulmanos e judeus, sejam eles crianças, jovens ou adultos. Ele entrega que a sua atuação é inspirada no educador Paulo Freire e defende que ambos os povos têm proximidade por compartilharem as mesmas origens. 

“O povo judeu tem relação atual com Israel e com a Cisjordânia, do ponto de vista histórico e religioso. Nós, judeus, temos relação com a Cisjordânia, com aquilo que está no Estado Palestino, seja na caverna dos pais, na caverna das mães, onde estão enterradas, várias cidades históricas judaicas que estão na região da Cisjordânia”, afirma o presidente da Mãos para a Paz.

O mesmo acontece na Palestina, que na Primeira Guerra Árabe-Israelense, entre 1947 e 1949, perdeu mais de 300 aldeias que hoje são parte do território israelense. 

“Separar esses dois estados é como se você cortasse um membro do seu corpo e você não fosse inteiro. Então, a ideia é criar dois estados na Fronteira de 1967, mas que judeus possam ser cidadãos israelenses, mas residir na Palestina, abaixo do Estado Palestino e palestinos possam ser cidadãos palestinos e pedir residência em Israel, abaixo do governo de Israel. Algo como a União Europeia, só que uma micro União Europeia”, sugere Windholz. 

Impeditivos

Apesar do grande apoio popular pelo fim dos conflitos, a criação do Estado Palestino encontra “resistências maiores no dogmatismo das narrativas”. “Infelizmente, os dois lados mantêm em sua maioria a narrativa de que é eu ou ele. Digo isso nas lideranças mais ativas. Do lado de Israel, o governo de Benjamin Netanyahu e o Hamas, de outro lado”, continua o entrevistado do 20H.

O ativista comenta ainda que o massacre cometido pelo Hamas, que executou pelo menos 260 jovens desarmados no último sábado (7), não justifica o fato de o povo palestino sofrer opressão dos israelenses há décadas. 

Ele aponta ainda que há uma assimetria entre Israel e Palestina. “Sou uma das pessoas que mais fala sobre isso. Reconheço que Israel, hoje em dia, domina e oprime o povo palestino. Mas isso não justifica o massacre deste porte.”

Extrema-direita

Davi Windholz comenta que as principais lideranças de ambos os lados “poderiam dar as mãos” por apresentarem muitas similaridades, entre elas a posição política. “O Hamas é o grupo de extrema direita, e o Jihad Islâmica é um grupo fundamentalista, assim como o ministro Benjamin Netanyahu faz parte de um partido de extrema direita e os ultra religiosos fazem parte de partidos fundamentalistas judaicos. Então, eles se dão as mãos em certo ponto, apesar de estarem todo o tempo em conflito. E 70% dos dois povos, que são em sua maioria a favor de um acordo de paz, ficam fora do jogo.” 

Além do apoio popular, dos 150 movimentos pela paz, 40 são compostos por palestinos e israelenses, o que evidencia ainda mais a abertura mútua dos povos para encontrar uma solução para a disputa de território que atinge a região há mais de 50 anos.

Já sobre o governo Netanyahu, o ativista acredita que ele deve “cair” após a guerra, pois ele seria o grande responsável pela guerra iniciada pelo Hamas, crítica que já foi compartilhada, inclusive, pela imprensa israelense.

“O que o governo israelense fez nos últimos oito meses? Se concentrou na questão de destruir o sistema judiciário em Israel e de tentar fazer uma ditadura lá, enfraqueceu a polícia, o exército, a economia do país e é o grande culpado de tudo que está acontecendo”, conclui o convidado da noite, que aposta na criação do Estado Palestino como a única forma de atingir a paz.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

6 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    11 de outubro de 2023 11:11 am

    Nos últimos dias o valor das ações dos principais fabricantes de armamentos nos EUA cresceu bastante. Há um século a guerra se tornou a continuação dos lucros dos fabricantes de armamentos por outros meios. Todavia, os militares continuam a dizer que ela é a continuação da política por outros meios. Isso significa obviamente que existe uma identificação entre política e os lucros dos fabricantes de armamentos. É justamente em razão dessa identificação que a guerra se tornou um fenômeno permanente. Durante as guerras napoleônicas, quando os conflitos armados eram considerados a continuação da política por outros meios a paz era um objetivo possível e necessário. Ela consolidava os ganhos territoriais impostos ao inimigo nos campos de batalha. Na atualidade, a paz acarreta prejuízo aos fabricantes de armamentos. Em razão disso os conflitos armados simplesmente não podem ter uma solução. A interrupção das hostilidades não pode ocorrer senão de maneira precária e por um curto período de tempo. Vem daí a negação da humanidade do inimigo. Se ele for considerado humano um acordo de paz interromperia os lucros dos beneficiários da guerra. A desumanização do inimigo é essencial à perpetuação dos conflitos que preservam os negócios dos mercadores da morte e as propinas que eles obviamente estão dispostos a pagar aos governantes belicosos.

  2. GalileoGalilei

    11 de outubro de 2023 2:08 pm

    Os últimos acontecimentos, além de provocarem uma escalada militar de altíssima intensidade e letalidade, dispararam uma quantidade imensa de comentários, dos quais muito poucos podem ser considerados objetivos e isentos (ai que palavrinha complicada essa). Grande parte desses comentários é proveniente de gente que “estava passando” quando achou que poderia dar a sua opinião. Acusações pipocaram para lá e para cá. “Quem não concorda comigo defende o terrorismo”: seja o terrorismo do Hamas seja o terrorismo de estado de Israel. Eu começo a perceber o quão perigosa é essa palavra “terrorismo”. Há muitos anos (décadas), o termo “terrorismo” tem sido usada para definir o crime que o outro faz para justificar os crimes que eu faço ou virei a fazer. Poderíamos melhorar muito a qualidade do debate deixando de usar essa denominação. Crimes não deixam de ser crimes por serem classificados como atos terroristas. E crimes, por mais odiosos que sejam, não podem ser justificativas para outros crimes. Os que gostam de jogar baldes de gasolina para apagar o fogo fazem parte do problema; não da solução.

  3. Anônimo

    11 de outubro de 2023 2:19 pm

    Acho que Fábio de Oliveira Ribeiro trouxe, em seu comentário, uma valiosa contribuição para compreender parte das engrenagens que movem as guerras atuais. Há ainda quem lucre com a destruição e mais tarde, lucre também, com a reconstrução. Mas acho que essas engrenagens sozinhas não explicam tudo.

  4. GalileoGalilei

    11 de outubro de 2023 2:21 pm

    O comentário “anônimo” anterior foi feito por mim.

  5. Rui Ribeiro

    11 de outubro de 2023 2:25 pm

    Porque essa quantidade não se transforma em qualidade e se celebra um acordo de paz?

  6. Antonio Uchoa Neto

    11 de outubro de 2023 7:24 pm

    Há tempos venho dizendo que ‘guerra dá lucro’. E, contrariamente ao leitor GalileoGalilei, creio que essas engrenagens e maquinações das poderosas indústrias envolvidas constituem a principal explicação para a continuidade das guerras, sendo todas as outras explicações necessariamente acessórias. Não duvidaria que, nesse exato momento, a cadeia de produção dessas indústrias e seus braços financeiros estejam comemorando mais uma rodada de bons negócios e lucros crescentes em seus bolsões de conflito permanente, sejam os já manjados (Oriente Médio), sejam os recém-promovidos a esse status, como a Ucrânia. Com o auxílio luxuoso da religião, do ódio étnico, da rivalidade regional. Qualquer coisa serve para ajudar a ocultar o real motivo da guerra: o LUCRO.

Recomendados para você

Recomendados