3 de junho de 2026

FHC tem agropecuária dentro de Osasco, cidade sem área rural

Por Helena Sthephanowitz

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Da Rede Brasil Atual

Se, em vez de FHC, fosse um petista o dono da empresa agropecuária em Osasco, cidade sem zona rural e onde nenhum sócio reside, choveriam ilações nas três revistas de maior circulação

Pelo Google Maps, a imagem que identifica o endereço é uma residência simples. Seria uma empresa de fachada?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é sócio de seus três filhos na empresa Goytacazes Participações Ltda, cujas atividades registradas na Junta Comercial de São Paulo são serviços de agronomia e de consultoria às atividades agrícolas e pecuárias.

No Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, na Receita Federal, a empresa tem como atividade principal o cultivo de cana-de-açúcar. As atividades secundárias são a criação de bovinos para corte e cultivo de outras plantas de lavoura.

O curioso é que a empresa está sediada na cidade de  Osasco, na Grande São Paulo, ou seja, não é uma área rural. E o mais curioso ainda é que, quando se faz uma busca no Google Maps, a imagem que  identifica o endereço  é uma residência  simples. Seria uma empresa de fachada?

Nenhum dos quatro sócios mora em Osasco. O ex-presidente reside em São Paulo, uma filha reside em Brasília, outra no Rio de Janeiro, assim como seu filho.

Antes de ser político, FHC nunca foi ruralista. Formou-se em Sociologia e sempre trabalhou como professor, até ingressar na  política.

O interesse pela, digamos, “sociologia bovina”, só surgiu aos 58 anos, quando ele já era senador. Em 1989, adquiriu a fazenda Córrego da Ponte, de 1046 hectares, em Buritis (MG), próximo de Brasília. Comprou em sociedade com seu amigo e ex-ministro Sérgio Motta, um engenheiro e político de vida urbana que, assim como FHC, causou surpresa o súbito pendor ruralista, já passados da meia idade.

Motta faleceu em 1998 e FHC passou a fazenda para os filhos que venderam a propriedade em 2003. Só em 2012 a empresa Goytacazes Participações foi aberta em Osasco.

Em 1999, a revista IstoÉ publicou uma reportagem sobre a construção em 1995, quando FHC já era presidente, de um aeroporto construído pela Camargo Corrêa na fazenda Pontezinha da empreiteira, vizinha da propriedade do ex-presidente. Segundo a reportagem, o aeroporto era usado sobretudo para atender à família Cardoso. Este compadrio não despertou na época a curiosidade do Ministério Público, pelo menos para conferir, confirmando a tradição de engavetamento quando suspeitas atingem tucanos.

Se em vez de ser FHC, fosse um petista o dono de empresa agropecuária em Osasco, cidade sem zona rural e onde nenhum sócio reside, choveriam ilações nas três revistas de maior circulação e, dada as relações de compadrio no passado com a Camargo Corrêa, a força-tarefa da Lava Jato muito provavelmente colocaria a empresa na mira das investigações. Mas trata-se de gente do PSDB, então… deixa pra lá.

 

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

19 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Mailson

    4 de agosto de 2015 6:49 pm

    Só os tucanos são “perseguidos” pelos blogs sujos

    Esta é a conclusão que chego, pois não vi nenhuma notícia na mídia sobre a fanzendola de FHC.

    Pelo tamanho, a fazenda deve cultivar cana de açúcar para fazer roletes de cana. 

    Agora uma pergunta curiosa: será que este Fernando Henrique Cardoso não é um sósia do ex-presidente comprador de votos?

     

  2. Malú

    4 de agosto de 2015 7:00 pm

    Helena,  você ainda não

    Helena,  você ainda não aprendeu que aqui na NewsTupiniquins os tucanos tudo podem, toda honra, toda glória e todo perdão são atribuídos a eles e a só eles? Pois então,  o FHC pode fazer palestras e mais palestras e receber por elas o que bem entender sem jamais ser questionado por isso. Já disseram que o Lulinha tem de fazendas até castelos, nunca ninguém provou o que disse, agora com o Fernando,  pode provar com documentos, fotos e o escambau, ninguém se importa. São uns ungidos.

  3. Malú

    4 de agosto de 2015 7:03 pm

    Alguém aí tem noticias do

    Alguém aí tem noticias do Almirante Othon?

  4. Flávio Pontes

    4 de agosto de 2015 7:05 pm

    Dúvidas sobre a relevância

    Fica uma pergunta sobre essa denúncia:

    A empresa não poderia ter paticipação em fazendas ou agropecuárias em outros locais, mesmo sendo dedicada à cultura de cana-de-açúcar? NAs ocuações secundárias está a participação em outros negócios.

    Pergunto porque sou completamente ignorante em relação à legislação que regula as atividades das empresas.

  5. Manoel Junior

    4 de agosto de 2015 7:16 pm

    Boi na linha.

            Sr. Presidente respeite-nos , por favor. O Sr. detentor de diplomas ,um vasto conhecimento(dizem), sociólogo,palestrante emplumado ( já pavão interino) , porta vóz do JN,tribuna liberada na mídia nacional,poliglota(fala mais que papagaio) , Principe( da privataria) ,e ufa ,herói de Higienópolis capital da Chuissa. Respeite-nos , é o minimo.

  6. Benende Reçado

    4 de agosto de 2015 7:23 pm

    Só endereço pessoal chic para os fazendeiros de Osasco

    Curioso que não conheço nenhuma rua Mendes de Morais no Leblon (nem pesquisando no Google Maps eu achei).

    Conheço a Prof Mendes de Morais, que é a av, da praia de São Conrado, com prédios de alto padrão, , frente para o mar, tendo como paisagem o Gávea Golf Club, o oceano, a pedra da Gávea e as matas Atlânticas das montanhas das Canoas.

    Também a Delfim Moreira (continuação com a Vieira Souto), no m2 mais caro do país, frente para o mar no Leblon.

    A Asa Sul é um dos mais caros m2 em Brasília, cidade com a maior renda per capita do país.

    E o paizão FHC, além do belo apê em “Hygyenópolys”, tem “facilidades” em apê na Avenue Foch (um dos mais caros m2 de Paris) e numa fazenda café-com leite. Já ouvi falar de uma quinta em Portugal, mas deixemos de fofocas, pois a família do professor de sociologia aposentado como vagabundo é meritocraticamente bem sucedida!

    Rico mesmo de corrupção é o condenado Genoíno!

    Némêz?

     

    1. Marly

      4 de agosto de 2015 7:59 pm

      Avenida Prefeito Mendes de Morais.

      È lá que morava ou ainda mora Paulo Henrique. É em São Conrado e não no Leblon.

  7. Álvaro Noites

    4 de agosto de 2015 7:27 pm

    Os midiotas não

    Os midiotas não compartilharão isso via Whatsapp …

  8. Fernando J.

    4 de agosto de 2015 7:33 pm

    Não-notícia

    Se eu fosse rico, muito rico, e tivesse muitos imóveis, abriria uma empresa de participações com meus dois filhos como sócios, assim como fez FHC, essa dita empresa seria proprietária de todos os imóveis 9casas, apartamentos, terrenos, fazendas, etc), e quando eu me pirrulitasse deste mundo, a transmissão dos imóveis se daria de forma natural, sem necessidade de inventário, posto que os filhos são os sucessores naturais pelo contrato social da empresa. O endereço da empresa é o de menos, tanto faz como tanto fez, poderia ser Higienópolis ou Capão Redondo. Simples. Onde é que está o escândalo? FHC tem escândalos de sobra na sua vida, não este.

    1. Neotupi

      4 de agosto de 2015 9:03 pm

      Não cola. Abrir empresa em 2012 só para pagar Itbi a mais?

      Seu argumento é falho:

      1) A empresa foi aberta em 2012.

      2) O CNAEFiscal nada tem a ver com imóveis. O código 64.63-8 é para participações em sociedades com atividades financeiras. Administração de Imóveis próprios tem outro código. Mas até aí passa, pois tratar-se-ia de erro formal.

      3) Se transferir os imóveis da pessoa física para empresa com FHC vivo tem que pagar itbi (municipal) e itcmd (estadual). No caso de herança por morte não incide o itbi. Só poderia haver alguma vantagem se a pessoa cria a empresa antes de comprar imóveis.

      4) Os registros mostram atividades operacionais (plantação, criação de gado, consultoria) e a sede parece empresa de fachada.

      Não estou dizendo que haja necessariamente algo ilegal, mas o caso é sim notícia porque foge ao normal.

    2. Sergio Saraiva

      4 de agosto de 2015 11:08 pm

      Pois é…

      escândalo nenhum se FHC explicasse como com o salário de professor aposentado e o de presidente conseguiu comprar fazendas, comprar um apartamento luxuoso, montar um instituto com alguns milhões de dotação orçamentária, passar férias em Paris, montar empresa agropecuária e ainda pagar pensão alimentícia em euros.

      Claro, foram as palestras.

      Quando votei a primeira vez em FHC, foi em 1978, ele possuia um apartamento modesto em Higienópolis e um sítio em Ibiuna-SP, compatível com sua aposentadoria de professor da USP. Crescimento patrimonial espantoso. FHC sendo tão bom gestor das suas finanças privadas é de estranhar que tenha sido tão mal gestor da coisa pública.

      Agora, por muito menos do que isso que está documentado no post tem gente encarreirada na Lava Jato baseado apenas em saliva e perdigotos das delações premiadas.

  9. José Robson

    4 de agosto de 2015 7:48 pm

    Não entendi

    o documento. Na “parte de cima” traz informações desconectadas com “parte de baixo”. Ou é empresa de consultoria ou é de produção rural.

    1. Neotupi

      4 de agosto de 2015 8:16 pm

      Isso reforça suspeitas de que há algo estranho nesta empresa.

      Mais estranho ainda. Mesma empresa e as atividades declaradas na Junta Comercial não batem com as declaradas na Receita Federal.

  10. galo

    4 de agosto de 2015 7:50 pm

    Iinstituto germinatium

    Instituto Germinatium da casa germinada.org

  11. Wsobrinho

    4 de agosto de 2015 8:29 pm

    Aeroporto, helicópteros, fetiches tucanos

    A Camargo Correa, e a filha de FHC “fantasma” no Senado, tem algo em comum no passado. Uma inusitada boa vizinhança entre duas fazendas, onde o conflito de interesses público e privado não tinha porteiras.
    Em 1989, FHC comprou com Sérgio Motta a fazenda “Córrego da Ponte” em Buritis (MG). Em 1995, quando FHC já era presidente, e a proprietária da fazenda Pontezinha, ao lado das terras de FHC, era a Agropecuária Jauense, da Camargo Corrêa. De acordo com esta antiga reportagem da Revista ISTOÉ, em julho de 1995, a empreiteira iniciou a construção de um aeródromo particular na fazenda, obra concluída em menos de 3 meses.

    Conta com uma pista de 1.300 metros (mesmo tamanho que a do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro), e estacionamento para 20 pequenas aeronaves.
    O registro oficial da pista no Departamento de Aviação Civil (DAC), antecessor da ANAC, foi feito em outubro de 1995, autorizando receber aviões do tipo Bandeirantes e Lear-Jets.
    O engenheiro responsável pela obra, Marcelo Ávidos, elogia a qualidade da pista, discorda das restrições de pouso impostas pela Infraero e garante que o aeródromo está preparado para grandes aeronaves. “Até um Boeing 737 pode aterrissar ali”, atesta Ávidos.

    Na época da reportagem (1999), o fazendeiro Celito Kock, vizinho de ambos e atento observador do trânsito aéreo na região narrava:

    “Nunca vi avião nenhum da Camargo Corrêa pousando ali. Mas da família de Fernando Henrique não pára de descer gente”.
    Dois habitués na pista da Pontezinha eram Luciana Cardoso (atual funcionária “fantasma” do Senador Heráclito Fortes), filha do presidente, e seu marido, Getúlio Vaz, que iam à fazenda de Fernando Henrique sempre que podiam.
    A assessoria de imprensa da Presidência da República informou à reportagem que FHC usou apenas uma vez a pista da Camargo Corrêa, num dia em que estava difícil voar de helicóptero. Mas confirmou a utilização da pista pelos familiares do presidente.
    Nesta época, Jovelino Carvalho Mineiro Filho (amigo de FHC) já havia comprado a parte que pertencia a Sérgio Motta, e FHC havia passado sua parte aos filhos Luciana Cardoso, Beatriz Cardoso, e Paulo Henrique Cardoso.
    A sociedade era gerida e administrada por Jovelino Mineiro e Luciana Cardoso.
    MESES ANTES, A CAMARGO CORRÊA GANHOU A OBRA DE AMPLIAÇÃO DO AEROPORTO INTERNACIONAL DE BRASÍLIA
    Apesar de ter os equipamentos necessários para a obra, a Camargo Corrêa encomendou o serviço à Tercon – Terraplanagem e Construções, numa autêntica troca de gentilezas.
    Meses antes, a Tercon havia conseguido um bom negócio ao ser contratada pela Camargo Corrêa para fazer a ampliação do Aeroporto Internacional de Brasília – empreitada que só terminou anos depois. Com isso, não se furtaria a retribuir o favor.
    FILHA DE FHC USOU AVIÃO DA FAB PARA IR À FAZENDA EM 2002
    Em 2002, o procurador da República Luiz Francisco Souza, exigiu explicações à Luciana Cardoso, filha do ex-presidente, por ter viajado a Buritis (MG) num avião oficial da Força Aérea Brasileira.
    Luciana foi a Buritis conferir os danos causados pela invasão dos sem-terra à sede da Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de sua família.
    A assessoria do Palácio do Planalto informou que Luciana era funcionária da Presidência (era secretária do próprio FHC) e viajou com outros servidores do Planalto.

  12. Cunha

    4 de agosto de 2015 9:04 pm

    A empresa rural do FHC em

    A empresa rural do FHC em Osasco é do Lulinha

  13. Frederico69

    4 de agosto de 2015 9:23 pm

    será que essa agropecuária é que nem a dos perrela?

    que importa insumos do paraguai!

  14. romério rômulo

    4 de agosto de 2015 9:28 pm

    a contribuição do Tijolaço sobre o tema

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=28672

    romério

Recomendados para você

Recomendados