Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
Assis Ribeiro
14 de agosto de 2016 3:12 amFeliz dia dos pais
“Aos que vão nascer”
I
É verdade, eu vivo em tempos negros.
Palavra inocente é tolice. Uma testa sem rugas
Indica insensibilidade. Aquele que ri
Apenas não recebeu ainda
A terrível notícia.
Que tempos são esses, em que
Falar de árvores é quase um crime
Pois implica silenciar sobre tantas barbaridades?
Aquele que atravessa a rua tranqüilo
Não está mais ao alcance de seus amigos
Necessitados?
Sim, ainda ganho meu sustento
Mas acreditem: é puro acaso. Nada do que faço
Me dá direito a comer a fartar.
Por acaso fui poupado. (Se minha sorte acaba, estou perdido.)
As pessoas me dizem: Coma e beba! Alegre-se porque tem!
Mas como posso comer e beber, se
Tiro o que como ao que tem fome
E meu copo d’água falta ao que tem sede?
E no entanto eu como e bebo.
Eu bem gostaria de ser sábio.
Nos velhos livros se encontra o que é sabedoria:
Manter-se afastado da luta do mundo e a vida breve
Levar sem medo
E passar sem violência
Pagar o mal com o bem
Não satisfazer os desejos, mas esquecê-los
Isto é sábio.
Nada disso sei fazer:
É verdade, eu vivo em tempos negros.
II
À cidade cheguei em tempo de desordem
Quando reinava a fome.
Entre os homens cheguei em tempo de tumulto
E me revoltei junto com eles.
Assim passou o tempo
Que sobre a terra me foi dado.
A comida comi entre as batalhas
Deitei-me para dormir entre os assassinos
Do amor cuidei displicente
E impaciente contemplei a natureza.
Assim passou o tempo
Que sobre a terra me foi dado.
As ruas de meu tempo conduziam ao pântano.
A linguagem denunciou-me ao carrasco.
Eu pouco podia fazer. Mas os que estavam por cima
Estariam melhor sem mim, disso tive esperança.
Assim passou o tempo
Que sobre a terra me foi dado.
As forças eram mínimas. A meta
Estava bem distante.
Era bem visível, embora para mim
Quase inatingível.
Assim passou o tempo
Que nesta terra me foi dado.
III
Vocês, que emergirão do dilúvio
Em que afundamos
Pensem
Quando falarem de nossas fraquezas
Também nos tempos negros
De que escaparam.
Andávamos então, trocando de países como de sandálias
Através das lutas de classes, desesperados
Quando havia só injustiça e nenhuma revolta.
Entretanto sabemos:
Também o ódio à baixeza
Deforma as feições.
Também a ira pela injustiça
Torna a voz rouca. Ah, e nós
Que queríamos preparar o chão para o amor
Não pudemos nós mesmos ser amigos.
Mas vocês, quando chegar o momento
Do homem ser parceiro do homem
Pensem em nós
Com simpatia.
Bertolt Brecht
Vânia
14 de agosto de 2016 5:14 amGringos estranham capivaras… Péra!?
Segue uma lista das principais notícias em destaque sobre o assunto.
G1: Gringos estranham capivaras em campo de golfe: ‘Hamsters gigantes’
Veja: Capivaras do golfe deixam estrangeiros perplexos
Band: Presença de capivaras no campo de golfe intriga estrangeiros
Gazeta do Povo: Capivaras ‘curitibanas’ invadem campo de golfe olímpico. Gringos ficam loucos
Midiamax: Capivaras invadiram os campos de golfe nas Olimpíadas e ‘gringos’ estão maravilhados
Maldade, né? Vai ver que o objetivo de construir esse campo de golfe no habitat das capivaras foi incentivar a pratica do esporte no país. Quem sabe assim nas próximas Olimpíadas o Brasil poderá enviar algumas capivaras com grandes chances de trazer medalhas para o país.
Reinaldo Melo
14 de agosto de 2016 5:48 amA Conexão Francesa: o Tráfico e o Intransponível (Crítica)

Raramente o tráfico de drogas é abordado pelo cinema de forma que não desemboque na visão maniqueísta, criadora de uma nébula em torno da questão. A Conexão Francesa, em seu primeiro ato, aparenta ser uma película que se desenvolverá numa trama entre mocinho e bandido, e se sustenta por um bom tempo assim. No entanto, em suas idas e vindas, e também altos e baixos, a fórmula clichê da luta do bem contra o mal se desvanece e seu desfecho faz com que venha a somar com as poucas obras que abordaram tal problema fora do senso comum. O filme narra a trajetória do juiz Pierre Michel (Jean Dujardin) contra o tráfico de drogas na Marselha dos anos 70. Após ser transferido do Juizado de Menores para o departamento de combate ao crime organizado, Pierre logo se vê num confronto metódico com o traficante e dono da cidade Tany Zampa ( Gilles Lellouche). Englobando os seis anos de uma luta obsessiva, são estes dois personagens a essência de uma história cujo tema central é o limite do poder que ambos imaginam possuir.
Numa atuação que resvala na sua carismática performance em O Artista, Dujardin constrói uma personagem concisa e coerente com as situações diversas e opostas pelas quais o juiz passa. Apesar de uma postura praticamente mansa, e pouco se vê gestos bruscos à altura da batalha em que se insere, o tom de decisão atrelado ao seu metodismo demonstra um Pierre capaz de usar todas as ferramentas do sistema judiciário, inclusive de forma ilegal, a fim de conseguir seus objetivos. A heroína dada a uma testemunha para que ela revele um fornecedor, o fazer um capanga pegar numa arma de forma involuntária para o incriminar por meio das digitais, a prática de grampos ilegais são atitudes que revelam uma obsessão incapaz de concretizar a fronteira entre a função de um juiz e o ato imoral e antiético. Ao mesmo tempo, o mesmo homem que se demonstra irônico e sólido diante dos que o ameaçam é alguém capaz de retratar a solidão, ao canto de uma mesa vazia após um jantar de amigos, e o abandono ao chorar copiosamente. Do outro lado, vemos o personagem de Lellouche tão sólido quanto o protagonista. Da mesma forma metódica, se utiliza de uma violência muito mais psicológica do que sanguínea, apelando para esta apenas quando não há mais saídas. Zampa possui consciência do poder que tem, mas é por ter tal consciência que seus gestos possuem paradoxalmente elos com uma tradição civilizatória, narrada a um capanga desobediente antes de um castigo tortuoso. Só que mesmo o poderoso é capaz de demonstrar apreensão, tristeza e lágrimas.
É nesse paralelo que se revela a temática implícita do filme. Enquanto que o primeiro se utiliza das brechas da ilegalidade para fazer justiça, o outro usa da mesma inteligência para se utilizar da eficiência dos homens da lei para livrar-se de um estorvo. É a história de dois homens que, mesmos situados em lados opostos e com poderes correspondentes, se deparam com obstáculos, angústias, tristezas e limitações. Em festas que promovem, seja a comemoração da promoção, o aniversário de casamento, a aposentadoria do amigo ou a derrota de um adversário, ambos demonstram uma áurea vigorosa, de sentimento de invencibilidade. E em seus dramas familiares, os personagens revelam as fragilidades inerentes à condição humana. Porém, não se cai numa humanização piegas, ambos estão submetidos a uma mesma estrutura social. Na cena em que eles se encontram, a acusação de causar mortes por conta do tráfico é replicada com a justificativa de criar empregos, mas no fim do diálogo há um contra plongée em que ambos estão sob o mesmo sol, uma metáfora de que não são tão diferentes como pensam. A construção dos ambientes exibe uma direção de arte eficiente que potencializa a situação em que as personagens se encontram, seja no detalhe de um interruptor desgastado combinando com o desespero de Pierre ao se deparar com sua impotência ou nos vasos ornamentais a serem quebrados a revelar a encruzilhada em que se encontra o traficante. A fotografia também é utilizada em muitos planos com o objetivo de auxiliar a narrativa: o departamento de polícia quase escuro, iluminado praticamente por luz natural, constrói o sentimento de sua precariedade material e humana; a iluminação da discoteca, propriedade de Zampa, com uma paleta quase que invariavelmente vermelha, já nos adianta o derramamento de sangue que está por vir. Destaque para os travelling circulares constantemente usados a fim de captar a condição psicológica das personagens inseridas em situações de deslocamento e confusão. No entanto, o filme possui seus problemas técnicos, nas cenas de ações, a montagem não funciona, o diretor Cédric Jimenez parece inseguro em se utilizar de planos sequências, pois estes são interrompidos por cortes abruptos, em que muitas vezes o espectador se desorienta. Em outros momentos, executa de forma desnecessária e até redundante o mesmo estilo de Scorsese em que a narração de um personagem a explicar o esquema do tráfico é acompanhada de planos curtos dinamizados que não possuem em nenhum momento o efeito estético do qual o hollywoodiano é capaz. E do segundo para o terceiro ato, após reviravoltas magistrais, Jimenez insiste em mostrar ao espectador a condição de altos e baixos dos personagens, mas estas variações distanciadas não chegam a prejudicar o desenrolar do desfecho da narrativa.
Assim como Traffic, A Conexão Francesa não é demagógico, muito menos trata o problema com a superficialidade, por exemplo, do documentário Quebrando o Tabu. Numa época em que a discussão sobre a legalização ou não de drogas ilícitas ocupam cada vez mais os espaços de debates públicos e midiáticos, o filme francês não propõe nenhuma solução, muito menos nos faz chegar a alguma conclusão. A qualidade do filme reside na constatação de um sistema que se caracteriza um tanto que sobre-humano, que sobrepuja qualquer força que o toca, seja a lei ou o poder daquele que o sustenta.
Almeida
14 de agosto de 2016 6:08 amHouse of Feliciano & Lélisgate – Prints, áudio e vídeos do caso.
No dia 24 de julho de 2016, o Blog Coluna Esplanada publicava a primeira postagem sobre o episódio: Jovem acusa deputado federal de assédio sexual. Três dias depois, o jornalista reforçava: Camburão na pista para deputado que assediou jovem, onde avisava que existem “mais duas mulheres vítimas – uma delas engravidou dele e vive fora do País”.
No meio evangélico, denúncias de “safadezas com as menininhas” é coisa manjada e antiga.
No início de agosto, saíram as primeiras reportagens revelando personagens e detalhes de todo o imbróglio e suas reviravoltas, do que foi apelidado de ‘House of Feliciano’ ou ‘Lélisgate’. São duas as acusações da garota. A primeira contra o deputado que tem foro especial, precisa de autorização do STF em acolhimento de denúncia da PGR, para ser apurada em Brasília. A segunda contra seu assessor está em investigação em São Paulo. Esta segunda denúncia mostra-se com forte indício de ser inverdadeira e a denunciante responderá por falsa comunicação de crime, mas isto não implica necessariamente em falsidade da primeira denúncia, como os defensores do deputado querem fazer crer, para sepultar o assunto. Nesse confuso episódio, o jornalista que o divulgou levanta sete questões que Feliciano não soube explicar e que o complicam.
Para entender o imbróglio, segue uma postagem do Blog Coluna Esplanada, com um resumo do que até aqui foi apurado:
House of Feliciano & Lélisgate – Os prints, áudio e vídeos do caso
> A sanha de Patrícia, o silêncio do deputado, a suposta relação amorosa entre eles que a cada dia fica mais evidente, a negociação financeira que complica ambos, os personagens caricatos e episódios da trama apontam que não há inocente nessa novela da vida real
> Da mesma forma que publicou a denúncia, Coluna antecipou as evidências negociações de Patrícia por seu silêncio
> Feliciano caiu em contradição, mentiu ao dizer que não sabia dos passos do chefe de gabinete, e ainda precisa explicar várias pontos que não se encaixam
Para situar o leitor após 12 dias de reportagens, a cronologia dos episódios do caso Patrícia Lélis x Pr. Marco Feliciano, que ganhou nas redes sociais da Coluna os títulos de ‘House of Feliciano’ e ‘Lélisgate’, tamanho o imbróglio, reviravoltas e personagens envolvidos – até aqui.
Dia 2 de agosto – terça-feira
A Coluna revela a denúncia da jovem, com o relato detalhado do suposto crime de agressão e tentativa de estupro dentro do apartamento funcional, e os prints com evidências de provas entregues. Veja aqui
Acompanhe no blogue o restante do resumo aqui ──> http://colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br/2016/08/13/house-of-feliciano-lelisgate-os-prints-audio-e-videos-do-caso/
Vânia
14 de agosto de 2016 6:27 am‘O meu país precisa de mim’:
‘O meu país precisa de mim’: quem são os atletas que formam a delegação palestina na Rio 2016
http://www.bbc.com/portuguese/geral-37030122
Vânia
14 de agosto de 2016 6:29 amA atleta somali que morreu
A atleta somali que morreu cruzando o Mediterrâneo por um sonho olímpico
http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37063489
Eduardo Ramos
14 de agosto de 2016 8:30 amsobre Juan Martin del Potro
O esporte volta e meia nos traz personagens emblemáticos, alguns com fãs no mundo inteiro, outros que chamam a atenção de um grupo bem menor de pessoas por não acumularem títulos e prêmios à altura de seu talento.
Juan Martin del Potro me parece ser um desses casos. Tenista brilhante no início de sua carreira, em 2009 ganhou o US OPEN e logo depois começaram os problemas nas articulações dos punhos, que o levaram a três cirurgias e afastamentos longos, foram quase três anos fora das quadras.
Talvez por isso, del Potro tem uma estranha carreira, é como se aparecesse de tempos em tempos, mostrando ser um dos maiores do mundo, nada devendo a nomes como Federer, Nadal e Djokovich, e logo em seguinda saindo de cena, afastado pelascirurgias por dez, doze meses, como lhe aconteceu em três ocasiões.
Suas vitórias e derrotas nas grandes partidas que disputou parecem metáforas de sua vida. Quem acompanha seus jogos já sabe: terá horas de grande alternância entre osmomentos em que festejará seus impecáveis e potentes golpes que deixam seu adversário sem reação possível, de tão perfeitos, com a perplexidade gerada por erros infantis, como se em momentos da partida ele “desistisse de jogar”, quase como se não acreditasse em seu merecimento e se auto boicotasse perdendo-se emocionalmente e entregando o jogo ganho.
Acompanho-o há alguns anos e sou torcedor desse grande tenista, sem que haja explicação racional para isso. Penso que vários fatores, principalmente esse: vejo nele um talento raro, genial, um tenista que deveria ocupar um lugar nobre na galeria dos maiores de todos os tempos, e às vezes, seu olhar me lembra os dramas e paradoxos da cultura de seu país, a Argentina, tão bem expressos no tango. Juan Martin del Potro parece um de seus personagens, capaz de vitórias heróicas e derrotas que nos deixam quase com raiva dele, nos perguntando: “como pôde cometer erros tão bobos nos momentos cruciais dessa partida?”
Na olimpíada do Rio, o atual 141º no ranking da ATP chegou depois de mais um sumiço, era o típico azarão, sequer sabíamos como estava depois da última cirurgia. Seu primeiro jogo justo contra o número um do mundo, um Djokovich quase imbatível quando está nos seus melhores dias.
Em partida memorável, ganhou do número um do mundo e ainda assim muitos se perguntavam se nãohavia sido uma espécie de “acidente de percurso”.
Segue em frente del Potro, e encaranas semi-finais ninguém menos que outro gênio do esporte, Rafael Nadal.
Um jogo para entrar para a História do tênis, muito bem comentado por Guga, diga-se, que mal continha seu entusiasmo pelas jogadas brilhantes dos dois tenistas.
Mais uma vez repari na expressão de del Potro, seu olhar melancólico às vezes, ausente, como se no meio das tensões da partida, ele precisasse se recolher a si mesmo, o contrário dos outros tenistas, que extravasam suas emoções permanentemente. Ele às vezes me dava a impressão de estar em um diálogo silencioso comsigo mesmo, se perguntando se podia vencer, como fazer para não entregar mais uma partida em que as possibilidades de vitória eram tão concretas, por conta de seu talento genial.
E mais uma vez assisto seu comportamento-gangorra, pontos inacreditáveis, de tão belos e perfeitos, e errosa bisonhos, quando tinhauma vantagem enorme em determinado game.
Del Potro é a essência de seu país, um drama ambulante, tensões, melancolia, alegria, vitórias e derrotas, tudo ali revelado, em seu olhar, em suas expressões corporais.
Ele mesmo declarou que não sabe se terá condições físicas de jogaro seu melhor neste domingo para lutar pelo ouro. Está feliz, comovido com a vida, com sua recuperação plena, mesmo que momentânea. Perguntado se a virória sobre Nadal era mais importante que o US OPEN em 2009, não titubeou: respondeu de modo natural, demonstrando toda a sua felicidade, que não media em “importância”, mas sim que emocionalmente falando, o que estava vivendo no Rio, aquele jogo em especial, era para ele mais significativo. Mais argentino, impossível.
Torço hoje para que esse argentino com ar melancólico e retraído, que traz toda a intensidade e os drmas do tango no olhar, que faz seus admiradores sofrerem tanto em seus jogos, consiga mais esse milagre: derrotar um Andy Murray no auge da carreira e mais descansado.
Mas no fundo, isso não importa, nem para ele, que disse “já ter ganho seu ouro olimpico com a medalha de prata”.
Por questão de justiça, espero que o tenista de apenas 27 anos tenha tempo e saúde para várias conquistas e partidas memoráveis como a de hoje, em que venceu um Nadal brilhante, um adversário gigantesco do outro lado da quadra.
E que seu nome brilhe à altura desse talento genial.
Otavio Barros
14 de agosto de 2016 1:11 pmOs barranqueiros do rio Tocantins
TOCANTINIDADE
Os barranqueiros do Tocantins
Otavio Barros
Desde a criação da Comarca da Palma, em 1809, até hoje Tocantins mantém uma figura desconhecida na historiografia de Goiás e Tocantins: os barranqueiro. Nas ilhas e barrancas do rio Tocantins e nas margens de outros, ainda hoje há os roceiros, com seu modo de vida específico, construído a partir do manejo do ecossistema tocantinense, combinando, nos diversos ambientes que constituem o seu território, atividades de agricultura de vazante e sequeiro junto com a pesca, a criação animal e o extrativismo vegetal.
O ciclo natural dos rios (cheia e vazante) sempre possibilitou às populações ribeirinhas o acesso a terras fertilizadas pela matéria orgânica, depositado nas margens dos rios. Além de farto suprimento de peixes que se reproduzem nas lagoas marginais. A formação cultural dos barranqueiros, além de legados da cultura indígena e da cultura negra, recebe influências da vida social de todo o rio Tocantins, particularmente no período de intensa mobilidade propiciada pela navegação, no século XIX, e XX.
Em períodos de grandes enchentes do rio Tocantins, as casas de ribeirinhos são abandonadas, quando o rio cobre as ilhas, inundando a beira do rio, o barranco e as lagoas criadeiras. É para os cerrados que os barranqueiros migram para se protegerem das enchentes.
Levam consigo, quando possível, mantimentos e alguns objetos como redes, vasilhas e roupas, além das criações. Pesca-se em toda parte. Com o recuo das águas das enchentes, formam-se “alagadiços ” e pequenas lagoas em toda a beira-rio. Com o abaixamento do nível da água e a desconexão com a calha do rio, os peixes ali depositados viram presa fácil.
Criado o Estado Tocantins, em 1988, começou a aparecer aqui o forasteiro endinheirado com projetos de grandes fazendas, além de restringir o acesso da população dos barrancos ao território tradicional. Isso põe em risco as lagoas e a reprodução dos peixes. São inúmeros os casos de lagoas que foram drenadas para plantio do capim. A extensão dos impactos ambientais é de tal brutalidade que, o que se registra é uma redução drástica da oferta de pescados em toda a região.
Para o historiador Luz de Oliveira, os sistemas classificatórios integram o patrimônio cultural das populações ribeirinhas. Sua argumentação baseia-se em conversas com os barranqueiros, com quem conviveu durante período de coleta de dados. Se
A reprodução agro-alimentar dos gundo eles, ocorriam múltiplos usos e formas de apropriação do ambiente, o que garantiu uma vida farta, quando a situação começou a mudar drasticamente, com restrições cada vez maiores de acesso aos recursos hídricos. barranqueiros se apoiava em estratégias sensíveis e combinadas de manejo dos três complexos: terra-firme, rio e ilhas. Assim, a restrição nas condições de acesso e de interação com cada um dos complexos, promove o rompimento de uma estrutura ecológica e social, definida pela relação particular que essa população tradicional mantinha no antigo Norte de Goiás.
Adir Tavares
14 de agosto de 2016 1:49 pmAgrotóxicos deixam câncer e morte pelo interior de São Paulo
Agrotóxicos deixam rastro de malformações, câncer e morte pelo interior de São Paulo
Cidades pequenas, localizadas entre os latifúndios da monocultura banhada em venenos, apresentam índices de doenças e mortes bem acima das médias estaduaispor Cida de Oliveira, da RBA
Agrotóxicos usados na monocultura da cana em SP elevam índices de adoecimento entre os agricultores e toda a população
São Paulo – Cidades médias e pequenas do interior do estado de São Paulo, localizadas em meio a grandes extensões de terra com monocultura da cana e banana, entre outras, apresentam taxas de incidência de malformações congênitas e diversos tipos de câncer acima da média estadual.
Em Ribeirão Corrente, na região de Franca, o índice de malformações é 26 casos para grupos de 100 mil nascidos vivos – mais de três vezes maior que a do estado, que é de 8.2. Em Sandovalina, na região do Pontal do Paranapanema, onde há ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o índice é 21. Na cidade de São Paulo, totalmente urbanizada, a taxa é de 9.5.
“Em Franca, uma mulher que engravida tem 50% a mais de chances de ter um filho com malformação do que uma moradora de Cubatão, por exemplo. E nem precisa ser agricultura. Está comprovado por estudos que em 70% dos casos de malformação congênita as causas são ambientais”, diz o defensor público Marcelo Novaes, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em Santo André, no ABC Paulista.
A incidência de câncer também é alta na zona rural. Em Bento de Abreu, na região de Araçatuba, há 18 óbitos por câncer cerebral para cada 100 mil habitantes. A taxa estadual é 6.6. “Essas cidades pequenas são fronteira entre o urbano e rural. Você sai da igreja matriz e já está numa plantação de cana, onde há pulverização aérea ou por tratores”, diz o defensor.
Ainda segundo ele, as taxa de mortes causadas por câncer de fígado é de 6.94 por 100 mil pessoas no estado, de 7.43 na capital paulista e de 20 em Turmalina, na região de São José do Rio Preto. Quase três vezes mais. “Sãocidades pequenas, com menos de 20 mil habitantes. Temos uma tragédia no interior paulista. As pessoas estão morrendo pelo veneno. Se antes se fazia excursão para o Paraguai, para compra de muamba, ou para Aparecida, para rezar na catedral, hoje se faz aos centros oncológicos”, compara.
Segundo pesquisadores, as partículas de alguns dos agroquímicos são interpretadas pelo organismo como se fossem hormônios, o que desencadeia uma série de ações e reações descontroladas. Nesse processo, um comando de multiplicação de células em determinado órgão pode causar um tumor. Em fetos, essas alterações em rotas metabólicas podem comprometer o seu desenvolvimento ou o funcionamento de partes do corpo em formação. Ou até ou mesmo inviabilizar o todo, provocando abortos.
Novaes se baseia no Observatório de Saúde Ambiental, uma plataforma de dados completos sobre utilização de agrotóxicos no estado, os tipos, as regiões, as culturas onde são empregados, bem como grupos populacionais afetados por doenças reconhecidamente desencadeadas pela exposição a esses produtos. O site interativo, que permite a criação de mapas em que é possível visualizar a distribuição das informações sobre o território paulista, foi desenvolvido por professores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
“O mapa mostra o rastro de câncer em cidades em torno da via Anhanguera afora. Basta checar”, aponta Novaes, destacando que a Secretaria Estadual de Saúde, porém, nega todas essas evidências.
Conforme ressaltou ainda, o problema das pequenas cidades de São Paulo se repete no Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Paraná e outros estados com grandes áreas onde o agronegócio se instalou. Por isso, conforme acredita, agrotóxicos não deve ser tema limitado aos ambientalistas, e sim de conselhos tutelares, de defesa dos direitos da pessoa com deficiência, das mulheres e de toda a sociedade. “Precisamos fazer uma análise conjuntural desse projeto assassino que está em gestão em nosso país”, alerta.
Sistema excludente
Para Marcelo Novaes, a realidade dos agrotóxicos constitui a espinha dorsal de um “sistema excludente e prospectório da vida e da natureza”. E o avanço de projetos nocivos como o PL do Veneno, o PL 3.200/15, ocorre numa perspectiva não de mudanças, mas de retrocessos. “No arcabouço jurídico, há o direito dos códigos que conversa com os poderosos e o direito da prática que oprime os oprimidos, ou seja, a população. A engenharia disso é o ilegal que para os poderoso passa a ser legal”, diz.
“É por isso que são autorizados o corte de árvores centenárias, num prejuízo ambiental irreversível, sem um plano de manejo. É por isso que a mineradora Samarco matou um rio, as praias e continua com todo o vazamento; que há falta água em São Paulo enquanto a Sabesp paga dividendos aos acionistas, que o Código Florestal tão discutido com a sociedade está sendo esculachado aqui em São Paulo, fora a privatização de áreas florestais, que permite a extração de madeira. E a população se vê diante da ameaça crescente dos agrotóxicos”, aponta.
“O ilegal passa a ser legal e há apropriação do bem público pelo privado num processo de mudança das regras do jogo em pleno jogo. É como se, num jogo de xadrez, o cavalo passasse a ser movimentado como se fosse um bispo, uma torre. A gente vai ter de encarar isso.”
Marcelo Novaes participou da audiência pública promovida ontem (12), em São Paulo, pelo mandato do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP). O parlamentar integra a comissão especial da Câmara que analisa o PL 3.200/2015.
http://www.redebrasilatual.com.br/saude/2016/08/agrotoxicos-deixam-rastro-de-doenca-e-morte-no-estado-de-sao-paulo-6365.html
romulus
14 de agosto de 2016 1:55 pmVelha questão Vol. 2:
Velha questão Vol. 2: cláusula de barreira, por Romulus
ROMULUS SEX, 12/08/2016 – 14:37 ATUALIZADO EM 14/08/2016 – 04:09
Velha questão: direita unida, esquerda estilhaçada. Vol. 2: cláusula de barreira
Por Romulus
– Fenômeno da fragmentação da esquerda não ocorre só no Brasil: na França, com eleições no ano que vem, o presidente Hollande terá de se submeter a prévias no PS, caso tente a reeleição. Há, também, uma miríade de candidatos mais à esquerda.
– Já no Brasil, a cláusula de barreira ensaia o seu retorno.
– Prof. Wanderley G. Santos: os tempos são tenebrosos! Ilumine a nós com mais um brilhante artigo. Agora sobre a cláusula de barreira, por favor.
– Sabe quem a patrocina desta vez, professor? Vem pelas mãos de não outro que Aécio Neves!
– E de Gilmar Mendes e do STF também?
– Sim, pode ser: tudo é possível no Brasil de Cunha/Temer, Gilmar – e Janot!
* * *
França
A fragmentação das esquerdas não é um fenômeno que ocorre apenas no Brasil. Na França, por exemplo, com eleições gerais no ano que vem, o presidente Hollande terá de se submeter a prévias dentro do seu partido caso tente a reeleição. Há diversos outros pré-candidatos.
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Palhaço Goiabada
14 de agosto de 2016 2:07 pmTorcida cobra de Moro e de Gilmar investigação contra Serra
TORCIDA NO MANÉ GARRINCHA LEMBROU R$ 23 MI DE SERRA
Faixa levantada por torcedores durante o jogo entre Alemanha e Portugal neste sábado 13, pela Olimpíada, cobrava o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, por investigação contra o chanceler interino, José Serra, acusado por Marcelo Odebrecht de receber R$ 23 milhões via caixa 2 durante sua campanha presidencial em 2010; segundo o executivo, parte do dinheiro para o tucano foi pago no Brasil e parte por meio de contas no exterior; protesto também citava o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que defende a cassação do PT
14 DE AGOSTO DE 2016 ÀS 09:52 // RECEBA O 247 NO TELEGRAM
Brasília 247 – Torcedores do jogo entre Alemanha e Portugal no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, neste sábado 13, pela Olimpíada do Rio de Janeiro, deixaram o Fora Temer de lado por um momento para protestar contra o chanceler interino, José Serra.
O senador tucano foi acusado em delação premiada de Marcelo Odebrecht de receber R$ 23 milhões via caixa 2 durante sua campanha presidencial em 2010. Segundo o ex-presidente da construtora, parte do dinheiro para foi pago a Serra no Brasil e parte por meio de contas no exterior.
Uma faixa levantada na arquibancada do estádio durante a partida cobrava o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, para investigar Serra. E também citava o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que defende a cassação do PT.
Palhaço Goiabada
14 de agosto de 2016 2:16 pmDuvivier expulso da Globo
Duvivier banido da Globo por ter dito ‘Fora Temer’ ao vivo, diz colunista de TV
Postado em 13 de agosto de 2016 às 8:39 pm
Da colunista de TV Keila Jimenez, no r7:
O ator, escritor e humorista Gregório Duvivier é o mais novo desafeto da Globo.
Motivo: o integrante do ‘Porta dos Fundos’ mandou um “Fora Temer”, ao vivo, nesta semana, durante uma entrevista em uma afiliada da Globo no Rio Grande do Norte.
Ao ser questionado sobre a idade dos participantes de um evento do qual ele participava em um Sesc local, Duvivier iniciou sua resposta da seguinte matéria:
“Primeiramente, Fora Temer”, soltou ele ao conversar ao vivo com uma jornalista do noticiário “RNTV”.
A jornalista ficou atônita , mas Duvivier seguiu a conversa com risinho estampado no rosto, como se nada tivesse acontecido.
O protesto contra o atual Presidente da República, Michel Temer, gerou mal-estar na Globo e o vídeo logo viralizou nas redes sociais.
A rede já foi alvo de outros protestos ao vivo mas, agora, a ordem nos bastidores é evitar ao máximo entrevistas ao vivo com figuras públicas que possam utilizar a emissora para fazer protestos políticos, entre elas, Gregório e Caetano Veloso (que levou uma placa ‘Fora Temer’ para a abertura da Olimpíada).
(…)
Ze Guimarães
14 de agosto de 2016 3:36 pmEstados Unidos são exemplo no Combate à corrupção
Estados Unidos são exemplo no Combate à corrupção
Em 2008 com toda a crise causada pelo escândalo de corrupção no Lemahns Brothers e na Enron, os Estados Unidos se sobressaíram por seu exemplo no combate à corrupção. Para quem não sabe, houve uma mega fraude contábil que maquiou números das empresas, e enganou acionistas, gerando uma quebra de empresas gigantescas.
Para começar nenhuma empresa foi quebrada pelo estado, exceto aquelas que quebraram por si mesmas, nenhuma mais quebrou. Pelo contrário, o governo tentou ajudar empresas que estavam à beira da falência, para não gerarem um efeito dominó quebrando a economia inteira.
Isto é explicado pelo fato de nos EUA a empresa ser um Templo Sagrado do Capitalismo. Nos EUA nenhuma Governo sai por aí quebrando empresas e empregos. Sim, executivos das empresas envolvidas foram presos, e condenados a décadas de prisão. Mas as empresas não foram quebradas pelo estado, porque nos EUA, uma empresa é considerada patrimônio nacional, ela gera PIB, ela paga impostos, ela gera empregos.
Sem contar que nos EUA é muito difícil surgir um caso de corrupção, pois há leis de compliance que fiscalizam continuamente a corrupção nas empresas antes dela surgir, e fazem com que a corrupção seja eliminada dentro da empresa antes dela vir a público, então só um esquema muito bem montado pode passar nesta peneira. Eles não precisam de shows midiáticos para punir corruptos, nem de quebrar empresas por isto depois.
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Alguns dizem que a Itália é exemplo de combate a corrupção, com sua operação “ mãos limpas “; outros dizem que é o Brasil, com sua operação “ Lava Jato “. Mas vejamos, a Itália, após a “ mãos limpas “ saiu destruída economicamente, a maioria de suas empresas foram quebradas, empreiteiras, empregos, PIB, tudo. Hoje a Itália é um dos países mais arrasados economicamente da Europa, que só perde para Grécia e Portugal, que nem tem indústria sequer.
E o Brasil com sua “ Lava Jato “, destruiu as 25 maiores empreiteiras do país, quebrou-as e proibiu elas de continuar a fechar contratos, para “ que quebrem de vez e nunca mais venham a praticar corrupção “. Fora as outras 100 empresas terceirizadas da Petrobras que também quebraram, e os dois milhões de desempregados que a “ Lava Jato “ criou, mais uma queda de 4% no PIB. Dois milhões de pais de família jogados na rua, só para prender corruptos, que podiam muito bem serem presos sem que empresas e empregos fossem destruídos.
A “ Lava Jato “ para pegar 7 bilhões em corrupção, destruiu 200 bilhões em PIB nacional. Tentaram matar uma mosca numa loja de porcelanas com uma marreta. E isto sem contar que a maioria das outras grandes empresas nacionais estão mudando sua matriz para o exterior, como a Ambev que mudou sua matriz do Brasil para a Bélgica. É PIB que vai embora, porque o Brasil não tem segurança jurídica suficiente para manter empresas nacionais de grande porte aqui. A Ambev deixou apenas sua filial aqui no Brasil, deixou de ser uma empresa brasileira, e seus donos se mudaram e se naturalizaram na Bélgica após a Lava Jato.
Talvez por isto os EUA tenham o maior PIB do planeta, de 16 trilhões. Deveríamos aprender Capitalismo com quem é Mestre de Capitalismo.
Cláudio José
14 de agosto de 2016 4:12 pmPara o Nassif e todos os
Para o Nassif e todos os amigos do blog, um feliz dia dos pais!
Andre Araujo
14 de agosto de 2016 10:44 pmhttp://l7.alamy.com/zooms/003
http://l7.alamy.com/zooms/0031c56b0b87458894764fe7cef35c6c/miklos-horthy-1938-cpmpnk.jpg
FIGURAS EQUIVOCAS DA HISTORIA – Fora dos palcos centrais da Historia da Segunda Guerra há uma serie de peronagens secundarios interessantes pelo seu jogo duplo ou triplo na arena politico-militar. Uma dessas figuras é o Almirante Miklos Horthy, que foi na pratica o chefe de Estado da Hundria na maior parte da Guerra, com o posto de Regente em um Pais que já não tinha monarquia desfe o fim da Primeira Guerra quando desapareceu o Imperio Habsburgo. Horthy já era Almirante e Comandante-em-Chefe da Marinha Hungura na Grande Guerra de 1914, participou da Batalha do Estreio de Otanto.
Tomou o poder como Regente de um trono imaginario e tinha o titulo de Alteza Serenissima. Seu grande papel na Segunda Guerra foi se aliar Terceiro Reich, participou ao lada da Alemanha na invasão da URSS mas quando viu que os alemães estavam perdendo a guerra tentou um acordo em separado com os aliados, as tratativas foram descoberta e os alemães invadiram a Hungria e prenderam Horthy, que ficou detido na Alemanha até o fim da guerra, foi libertado por tropas americanas perto de Munich.
Apesar de ter colaborado diretamente com o Holocausto, facilitando a deporação de 500 mil judeus hungaros, não foi como reu em Nuremberg e sim como testemunha. Escapou da Hungria agora sob controle sovietico e passou seus ultimos dias em Portugual, onde morreu em 1953, na Casa dos Arcos em Estoril.
Uma figura contraditoria mas central em um grande periodo da Historia moderna da Hungria.
Emanuel Cancella
17 de agosto de 2016 11:26 pmPT
O PT acabou?
Só no primeiro trimestre de 2016, os recursos destinados pela União, por meio dos royalties, viabilizados pela Lei de Partilha, representou um aporte de R$1,9 bilhões na saúde e na educação”. (artigo de Emanuel Cancella)
Fui um dos grandes defensores da unidade de esquerda contra o golpe do vice de Dilma, Michel Temer: Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo e a Terceira Via. Era muito ruim ver agendas de luta diferentes entre companheiros combativos. Hoje estamos juntos. E a mobilização ganhou força.
Contudo a direita golpista, não satisfeita em afastar a presidente Dilma, ameaçar de prisão Lula ou mesmo torná-lo inelegível em 2018, quer mais: quer acabar com o PT. Fica claro para a sociedade que apesar de todo o massacre eles ainda temem o Partido dos Trabalhadores.
Apesar de defender a unidade das esquerdas contra o golpe, tenho severas críticas ao discurso dos esquerdistas nos atos contra o golpe. Lamentavelmente, os companheiros acabam reproduzindo a voz da Globo e da Veja que se resume a falar mal e a tentar destruir o PT.
É preciso reconhecer que os governos do PT fortaleceram a Petrobrás, retomaram a indústria naval, viabilizaram a descoberta do pré-sal, com a retomada dos investimentos. Os governos do PT multiplicaram o valor da empresa e aumentaram o efetivo da Petrobrás de 33 mil para 85 mil trabalhadores.
O PT melhorou a distribuição de renda no país, retirou milhões de pessoas da linha de pobreza, tirou o Brasil do mapa da fome, elevou o salário mínimo acima de 100 dólares, ampliou o atendimento do SUS, construiu universidades e escolas técnicas em todo o país, valorizou as aposentadorias, fortaleceu a união entre os países do Cone Sul, sobretudo da América do Sul, com a criação da Unasul, perdoou a dívida dos países da África (uma compensação histórica àquele continente). Tudo isso está ameaçado pelo golpe liderado pelo PMDB-PSDB.
EM QUEM VOTAR
Prefeito e vereador que quiser o voto dos trabalhadores vai ter que apoiar e defender a greve dos petroleiros contra a venda de ativos da empresa, a defesa do pré-sal e a manutenção da Lei de Partilha. Hoje os petroleiros do Nordeste estão parados, em protesto contra a venda dos campos maduros.
Com a Lei de Partilha, a União destina 75% dos royalties que recebe para a Educação e os outros 25% vão para a Saúde. Só no primeiro trimestre de 2016 houve um aporte de R$1,9 bilhões nessas áreas sociais. Outro componente da lei que o ex-senador José Serra articula para derrubar é o ‘Conteúdo Local” que permitiu a retomada da indústria naval nos governos do PT, quando o país esteve perto de zerar o índice de desemprego.
A população quer a continuidade do ‘Programa Mais Médicos’, quer manter e ampliar o acesso às universidades seja através da política de cotas ou do FIES. Quer aprimorar não só o Bolsa Família mas também o Bolsa Esporte que trouxe para o Brasil a primeira medalha de ouro conquistada nas Olimpíadas de 2016. Quer a a continuidade e aperfeiçoamento do Programa Minha Casa Minha Vida que beneficia os moradores das periferias.
Quanto às políticas de combate à corrupção, a Polícia Federal (PF) realizou 50 vezes mais operações que no governo FHC. Naquela época, os carros da PF paravam por falta de gasolina e os telefones eram cortados por falta de pagamento. Os governos do PT reverteram o sucateamento da PF, adquirindo equipamentos e armas, e renovaram seus quadros através de concurso público.
Esses setores da esquerda que fazem coro com a direita, malhando o PT, deviam estar mais preocupados com as ‘cláusulas de barreira’ que ameaçam o PSOL, PSTU, PCB, PCO entre outros partidos pequenos.
Com relação à direita e seu intuito de destruição ao PT: Reproduzo a resposta que Mané Garrincha a Feola, então técnico da seleção brasileira. Dizia o técnico:
– No meio de campo, Nilson Santos, Zito e Didi trocam passes curtos para atrair a atenção dos russos… Vavá puxa a marcação da defesa deles caindo para o lado esquerdo do campo… Depois da troca de passes no meio do campo, repentinamente a bola é lançada por Nilton Santos nas costas do marcador de Garrincha. Garrincha vence facilmente seu marcador na corrida e, com a bola dominada, segue até à área do adversário, sempre pela direita. Na linha de fundo cruza a bola na direção da marca de pênalti; Mazzola vem de frente, em grande velocidade, já sabendo onde a bola será lançada… e goool!
Responde Garrincha:
– Tá legal, seu Feola… mas o senhor já combinou tudo isso com os russos? – pergunta Garrincha.
Devolvemos a pergunta aos antipetistas de carteirinha: “Vocês já combinaram com os eleitores que o PT deve desaparecer do mapa?”
Emanuel Cancella é coordenador do Sindipetro-RJ e da Frente Naional dos Petroleiros (FNP)
(Esse artigo pode ser reproduzido livremente)
Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2016
Autor: Emanuel Cancella, – OAB/RJ 75 300
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
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