Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
Reinaldo Melo
15 de agosto de 2016 3:06 amA Conexão Francesa e a Derrota da Guerra ao Tráfico
Raramente o tráfico de drogas é abordado pelo cinema de forma que não desemboque na visão maniqueísta, criadora de uma nébula em torno da questão. A Conexão Francesa, em seu primeiro ato, aparenta ser uma película que se desenvolverá numa trama entre mocinho e bandido, e se sustenta por um bom tempo assim. No entanto, em suas idas e vindas, e também altos e baixos, a fórmula clichê da luta do bem contra o mal se desvanece e seu desfecho faz com que venha a somar com as poucas obras que abordaram tal problema fora do senso comum. O filme narra a trajetória do juiz Pierre Michel (Jean Dujardin) contra o tráfico de drogas na Marselha dos anos 70. Após ser transferido do Juizado de Menores para o departamento de combate ao crime organizado, Pierre logo se vê num confronto metódico com o traficante e dono da cidade Tany Zampa ( Gilles Lellouche). Englobando os seis anos de uma luta obsessiva, são estes dois personagens a essência de uma história cujo tema central é o limite do poder que ambos imaginam possuir.
Numa atuação que resvala na sua carismática performance em O Artista, Dujardin constrói uma personagem concisa e coerente com as situações diversas e opostas pelas quais o juiz passa. Apesar de uma postura praticamente mansa, e pouco se vê gestos bruscos à altura da batalha em que se insere, o tom de decisão atrelado ao seu metodismo demonstra um Pierre capaz de usar todas as ferramentas do sistema judiciário, inclusive de forma ilegal, a fim de conseguir seus objetivos. A heroína dada a uma testemunha para que ela revele um fornecedor, o fazer um capanga pegar numa arma de forma involuntária para o incriminar por meio das digitais, a prática de grampos ilegais são atitudes que revelam uma obsessão incapaz de concretizar a fronteira entre a função de um juiz e o ato imoral e antiético. Ao mesmo tempo, o mesmo homem que se demonstra irônico e sólido diante dos que o ameaçam é alguém capaz de retratar a solidão, ao canto de uma mesa vazia após um jantar de amigos, e o abandono ao chorar copiosamente. Do outro lado, vemos o personagem de Lellouche tão sólido quanto o protagonista. Da mesma forma metódica, se utiliza de uma violência muito mais psicológica do que sanguínea, apelando para esta apenas quando não há mais saídas. Zampa possui consciência do poder que tem, mas é por ter tal consciência que seus gestos possuem paradoxalmente elos com uma tradição civilizatória, narrada a um capanga desobediente antes de um castigo tortuoso. Só que mesmo o poderoso é capaz de demonstrar apreensão, tristeza e lágrimas.
É nesse paralelo que se revela a temática implícita do filme. Enquanto que o primeiro se utiliza das brechas da ilegalidade para fazer justiça, o outro usa da mesma inteligência para se utilizar da eficiência dos homens da lei para livrar-se de um estorvo. É a história de dois homens que, mesmos situados em lados opostos e com poderes correspondentes, se deparam com obstáculos, angústias, tristezas e limitações. Em festas que promovem, seja a comemoração da promoção, o aniversário de casamento, a aposentadoria do amigo ou a derrota de um adversário, ambos demonstram uma áurea vigorosa, de sentimento de invencibilidade. E em seus dramas familiares, os personagens revelam as fragilidades inerentes à condição humana. Porém, não se cai numa humanização piegas, ambos estão submetidos a uma mesma estrutura social. Na cena em que eles se encontram, a acusação de causar mortes por conta do tráfico é replicada com a justificativa de criar empregos, mas no fim do diálogo há um contra plongée em que ambos estão sob o mesmo sol, uma metáfora de que não são tão diferentes como pensam. A construção dos ambientes exibe uma direção de arte eficiente que potencializa a situação em que as personagens se encontram, seja no detalhe de um interruptor desgastado combinando com o desespero de Pierre ao se deparar com sua impotência ou nos vasos ornamentais a serem quebrados a revelar a encruzilhada em que se encontra o traficante. A fotografia também é utilizada em muitos planos com o objetivo de auxiliar a narrativa: o departamento de polícia quase escuro, iluminado praticamente por luz natural, constrói o sentimento de sua precariedade material e humana; a iluminação da discoteca, propriedade de Zampa, com uma paleta quase que invariavelmente vermelha, já nos adianta o derramamento de sangue que está por vir. Destaque para os travelling circulares constantemente usados a fim de captar a condição psicológica das personagens inseridas em situações de deslocamento e confusão. No entanto, o filme possui seus problemas técnicos, nas cenas de ações, a montagem não funciona, o diretor Cédric Jimenez parece inseguro em se utilizar de planos sequências, pois estes são interrompidos por cortes abruptos, em que muitas vezes o espectador se desorienta. Em outros momentos, executa de forma desnecessária e até redundante o mesmo estilo de Scorsese em que a narração de um personagem a explicar o esquema do tráfico é acompanhada de planos curtos dinamizados que não possuem em nenhum momento o efeito estético do qual o hollywoodiano é capaz. E do segundo para o terceiro ato, após reviravoltas magistrais, Jimenez insiste em mostrar ao espectador a condição de altos e baixos dos personagens, mas estas variações distanciadas não chegam a prejudicar o desenrolar do desfecho da narrativa.
Assim como Traffic, A Conexão Francesa não é demagógico, muito menos trata o problema com a superficialidade, por exemplo, do documentário Quebrando o Tabu. Numa época em que a discussão sobre a legalização ou não de drogas ilícitas ocupam cada vez mais os espaços de debates públicos e midiáticos, o filme francês não propõe nenhuma solução, muito menos nos faz chegar a alguma conclusão. A qualidade do filme reside na constatação de um sistema que se caracteriza um tanto que sobre-humano, que sobrepuja qualquer força que o toca, seja a lei ou o poder daquele que o sustenta.
Mailson
15 de agosto de 2016 10:01 amO golpe e a repressão brutal que se aproxima
O golpe e a escalada autoritária
São muitas e perturbadoras as evidências de que o Estado de Direito está seriamente ameaçado de ser substituído por um regime autoritário.
lhttp://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-golpe-e-a-escalada-autoritaria/4/36592
Jeferson Miola
O golpe é a solução escolhida pelo mercado para derrubar uma Presidente inocente e empossar em seu lugar um governo usurpador, integrado pelos personagens mais conservadores, corruptos e misóginos da política brasileira.
O golpe é o remédio empregado pela burguesia para desempatar, a seu favor, o conflito distributivo instalado no Brasil com a crise capitalista mundial que teve início em 2008 nos EUA e na Europa. Com o golpe, a oligarquia realça sua índole reacionária e conspirativa, que rebrota ferozmente sempre quando sente seus privilégios ameaçados.
O conflito distributivo colocou em xeque o modelo “ganha-ganha” dos governos Lula e Dilma; modelo baseado na conciliação de classes [com traidores e conspiradores], no qual os ricos ficaram mais ricos e os pobres, menos pobres.
A burguesia recupera, com o golpe, o controle direto do Estado para executar as políticas favoráveis principalmente à sua fração financista. Ampliará a taxa de retorno e de lucratividade do capital, assim como intensificará o repasse da renda pública nacional para o sistema financeiro internacional com as verbas que deixarão de ir para o SUS, para a educação, para o Bolsa-Família e para os investimentos necessários ao desenvolvimento soberano do país.
O plano do governo usurpador é selvagem: entrega do petróleo pré-sal e da Petrobrás; abandono da política de conteúdo nacional e de defesa da indústria e da engenharia nacional; desvinculação orçamentária da saúde, educação, ciência e tecnologia; flexibilização de direitos trabalhistas [jornada de trabalho, férias e 13º salário]; reforma previdenciária regressiva; sabotagem do MERCOSUL para a subordinação da política externa às potências imperiais; e retomada do programa de doações do patrimônio público com privatizações lesivas ao interesse nacional.
Em menos de três meses, foram adotadas medidas de impacto estratégico negativo para o país, como a venda aviltada da área de pré-sal Carcará para a petroleira holandesa Statoil: com valor estimado em US$ 6,5 bilhões, foi doada por apenas US$ 2,5 bilhões.
O governo usurpador também prometeu ao mercado aprofundar as medidas anti-populares e anti-nacionais depois das eleições municipais de outubro.
Com tal agenda conservadora, o golpe só se viabiliza num contexto autoritário, de exceção institucional e de supressão das liberdades políticas e civis – preço que a oligarquia golpista demonstra estar disposta a pagar, como fica evidenciado no enquadramento de ativistas sociais na Lei Anti-terrorismo e na proibição de manifestações “Fora Temer” nos estádios das Olimpíadas.
A resistência ao golpe e à restauração neoliberal conservadora é combatida com forte violência policial e repressão política. A ofensiva do Gilmar Mendes para extinguir o PT e a caçada patológica de setores do Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário ao Lula, são dois traços de uma mesma lógica fascista que vai se banalizando.
Sérgio Moro defende abertamente o uso de provas ilegais e ilícitas em processos judiciais porque tem certeza de que não será punido pelo Conselho Nacional de Justiça, pela OAB e tampouco pelas instâncias superiores do Judiciário.
É impressionante, por outro lado, a blindagem do condomínio jurídico-midiático-policial ao Temer, Serra, Jucá, Aécio, Sarney, Padilha e outros golpistas, sobre quem existem provas robustas de corrupção. Isso configura uma realidade de exceção, de proteção da criminalidade.
São muitas e perturbadoras as evidências de que o Estado de Direito está seriamente ameaçado de ser substituído por um regime autoritário. Abundam os sinais de endurecimento e de embrutecimento repressivo. A escalada do autoritarismo passou a ser uma possibilidade lógica deste período histórico aberto com o golpe.
Fernando J.
15 de agosto de 2016 2:26 pmSuperação
[video:https://www.youtube.com/watch?v=hwBcY-BDeWk%5D
Vânia
15 de agosto de 2016 2:49 pmHomens evitam médicos para
Homens evitam médicos para não serem vistos como ‘fracos’, diz pesquisadora americana
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37063490
antonio francisco
15 de agosto de 2016 3:39 pmAté Gaspari olha Moro de banda…
Elio Gaspari em O Globo e na Folha SP de 14/08/2016:
MORO NOS AUTOS
Depois de ter defendido o uso de prova ilícitas contra cidadãos acusados de crimes desde que a polícia ou o Ministério Público estejam agindo de “boa-fé”, o juiz Sergio Moro deveria evitar palestras. Sua força, e sua função, estão no que diz nos autos.
Afinal, quem define boa-fé? Ele? Eduardo Cunha?
Em pelo menos uma ocasião, Moro tratou um advogado como se estivesse investido de mandato divino transmitido por Luís 14.
http://www.cruzeirodovale.com.br/colunas/olhando-a-mare/
antonio francisco
15 de agosto de 2016 3:48 pmDia do Soldado, e o julgamento de Dilma
“Os quartéis adoraram que o julgamento de Dilma ocorrerá em 25 de agosto, o Dia do Soldado” – disse Cláudio Humberto, citado em
http://www.cruzeirodovale.com.br/colunas/olhando-a-mare/
Emanuel Cancella
15 de agosto de 2016 4:03 pmGlobo
Globo – O mal a ser vencido
O Brasil nunca vai ser uma grande nação soberana enquanto a mídia, principalmente a Globo, conspirar contra o país.
A Globo trabalhou pela derrubada de Getúlio Vargas, na ocasião, fez o povo acreditar que, no governo, havia um mar de lama. Depois da morte de Getúlio, o povo, percebendo o engodo, em protesto, chegou a virar e queimar carros da Globo.
Também, em 1964, o presidente João Goulart já anunciava as reformas de base que, se fossem implementadas, hoje o país seria outro. Entretanto os militares golpistas, com o apoio da Globo, derrubaram o governo, também democraticamente eleito, impondo-nos uma ditadura militar que durou 21 anos. Nesse período, a Globo foi muito beneficiada, inclusive utilizou o satélite da Embratel sem nada pagar.
Agora, em 2016, um novo Golpe, sendo a Globo o principal sustentáculo! Depôs Dilma, eleita por 54 milhões de votos, e colocou no governo o golpista Michel Temer, juntamente com um punhado de ministros envolvidos em todo tipo de falcatruas.
A Globo não está sozinha. Quem patrocina os golpes, em nosso continente, são os EUA, inclusive agora em 2016, no Brasil. Na Venezuela, com foco no petróleo, os EUA também estão por traz dos golpes, o primeiro o que tirou Hugo Chaves, por 47 horas, do governo, e agora tentam derrubar o presidente Nicolás Maduro. No Brasil, o alvo principal dos americanos é o nosso pré-sal! Inclusive, em 2009, já havia a denúncia do Wikeleaks, que interceptou correspondência do então candidato José Serra, prometendo favores à petroleira estadunidense Chevron, em prejuízo da Petrobrás. Agora, como ministro golpista, Serra está entregando a Petrobras, como havia acertado em 2009!
Os americanos, a Globo e os parlamentares do PSDB estão em conluio para privatizar (entregar) a Petrobrás. Além da promessa vergonhosa de Serra, FHC, quando presidente, já tentava privatizar a empresa. Naquela época, a Globo fez intensa campanha, na mídia, comparando a Petrobrás a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás. Se tivessem privatizado a Petrobrás, o pré-sal iria de bônus e a festa da descoberta do pré-sal seria nos EUA ou algum pais europeu.
Agora a Globo, através da Lava Jato, para possibilitar a entrega do pré-sal, tenta desmoralizar a empresa passando para a sociedade que todos os petroleiros são corruptos. Sempre para desmoralizar, a Globo é chegou a publicar em editorial em dezembro de 2015: “O pré-sal pode ser patrimônio inútil”, quando sabemos que o pré-sal tem valor inestimável para o Brasil, podendo fazer de nós um país rico e soberano.
Quem muito tem colaborado com os americanos e a Globo é a operação Lava Jato, pois, para angariar a confiança do povo, parecendo combater os corruptos, na verdade destrói o Brasil e a Petrobrás. Moro até ganhou prêmio da Globo, como homem que faz a diferença. Realmente faz, mas para os gringos, pois tenta desmoralizar a Petrobrás para permitir a sua privatização.
Isso fica claro quando convocou os procuradores estadunidenses para investigar a Petrobrás, e, apesar da denúncia do Wikeleaks, não mandou os procuradores brasileiros investigarem a Chevron. O juiz Moro também foi aclamado pelas principais revistas dos EUA, Fortune e Time, talvez em agradecimento aos serviços prestados pela Lava Jato. E ainda, sua esposa advoga para o PSDB e as multis de petróleo, justamente os altamente beneficiadas pela Lava Jato.
Entretanto os americanos e os tucanos não conseguiriam nada, se a Globo não ficasse, o tempo todo, manipulando a sociedade com mentiras e calúnias, pois a corrupção precisa ser combatida, entretanto para isso não precisamos golpear nossa democracia nem nossas riquezas!
Faço este chamamento a todos os brasileiros que estão mobilizados para barrar o golpe no Brasil: a Globo é o mal a ser vencido!
Rio de Janeiro, 14 de agosto de 2016
Autor: Emanuel Cancella, – OAB/RJ 75 300
Emanuel Cancella é petroleiro, coordenador-geral da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e do Sindipetro-RJ.
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
Fernando J.
15 de agosto de 2016 4:27 pmNazismo é uma questão polêmica, melhor não opinar
Nazismo é uma questão polêmica, melhor não opinar
(do Gregório Duvivier)
Hoje a gente vai falar sobre a SUPOSTA escravidão que teria ocorrido no Brasil no século 19.
Oi, Marquinho? Por que “suposta”? Porque há controvérsias, há quem prefira chamar de mão-de-obra gratuita, e se eu chamar de escravidão, eu vou estar tomando partido contra a escravidão, e eu sou professora, não to aqui pra tomar partido.
Sim, Marquinho, bem lembrado. Muita gente como você afirma que teria sido um processo cruel, que envolvia muita violência, mas essa apenas é uma OPINIÃO, mesmo que compartilhada por muita gente. Enquanto você tem essa opinião, Marquinho, outros defendem, e eu sou obrigada por lei a lembrar, que foi graças à escravidão que o Brasil cresceu como nunca, então esse é um assunto polêmico no qual eu prefiro não entrar. Não vou entrar nesse mérito.
Não vou dizer o que acho, Jéssica, você não me obrigue a tomar uma posição sobre um assunto espinhoso desses. Escravidão é um assunto que divide o Brasil e eu não quero entrar nesse fla-flu.
É tudo muito controverso, igual essa coisa do ASSIM CHAMADO golpe de 64.
Pra muita gente foi revolução, Jéssica. Se foi golpe ou revolução? Se você é de esquerda foi golpe, se é de direita revolução.
Sim, teria havido tortura. Dizem. Mas se foi merecida ou não, isso não cabe a mim julgar.
Sim, há fontes que afirmam que a presidentx teria sido torturada.
Marquinho, Presidentx é a forma correta pra uma professora, porque quem gosta chama de presidenta e quem não gosta chama de presidente. E eu não posso tomar partido. Então é presidentx que sofreu um golpeachment. Assim todo o mundo fica feliz.
Eu? Não sou de direita nem de esquerda, Marquinho. Minha tarefa aqui é escrever data no quadro. Não sou paga pra ter opinião.
Não, nem sobre o nazismo, Jessica. Sim, ALGUNS historiadores afirmariam que teria acontecido um SUPOSTO Holocausto e que talvez tenha morrido muita gente, mas se eu disser que aconteceu, ou que foi ruim, eu vou estar tomando partido contra o nazismo, e eu não sou louca de fazer isso, porque se eu tomar partido eu perco meu emprego.
Não, isso não significa que eu simpatize com o nazismo, significa que eu simpatizo com meu emprego, e que eu sou professora de História, e História não é futebol. Agora todo o mundo cala a boca e abre o livro de História do Brasil. Não, o outro. O do Alexandre Frota.
evandro condé de lima
15 de agosto de 2016 10:30 pmVexame de quem , cara pálida?
Vou fazer uso do espaço para uma denúncia.
Há dois dias que acessando o UOL leio que se a seleção brasileira de volei fará um vexame em caso de não classificação. Como cara pálida? Então perder para outrros times que se esfolaram para chegar até aqui, sabe-se lá com quais sacrifícios, estão lutando por uma medalha é vexame? Onde é que estes repórteres vivem? Não conhecem nem o significado da palavra disputa. Desde quando os times brasileiros têm sempre de sair vencedores?
Mentalidade pior que tacanha. Um ufanismo mal disfarçado de indivíduos que se julgam superiores – só pode, visto o escrito. Sugiro que vão praticar algum esporte, treinem despudoradamente, encarem um adversário e vejam se perder é dar vexame.
Não falo mais para não sair xingando.
Fernando J.
16 de agosto de 2016 12:31 amO “Fora Temer” e os limites do engajamento alegórico
O “Fora Temer” e os limites do engajamento alegórico
A hora é de mobilização, não de resistir com atos que têm pouca ou nenhuma capacidade de reverter o quadro ilegítimopor Rosana Pinheiro-Machado — publicado 12/08/2016 13p0 inShare1 Fernando Frazão / Agência Brasil
Protesto contra Temer em 10 de junho: a subversão acaba por afirmar o poder do interino
Tomou conta do Brasil uma forma de engajamento lúdico e artístico-criativo para engrossar o coro do “Fora Temer“. Performances corporais, cartazes nos Jogos Olímpicos e até copo do Starbucks.
Reconheço o valor destes atos e admiro-os na mesma proporção. Todavia, estrategicamente, não é hora de engajamento de subversão.
Sociologicamente, essa forma de protesto é definida como “resistência”: o ato microscópico, “o poder dos fracos” que se manifesta por meio de pequenos gestos pulverizados e individualizados ante a um poder hegemônico. Mas já estamos reconhecendo a hegemonia e o poder inabalável do governo Temer?
Atuar por meio do poder dos fracos ou de forma feliz nas redes sociais é altamente desmobilizador neste momento. Primeiro porque sua simbologia reconhece certa inevitabilidade do poder. Portanto, reforça a própria estrutura que está aí.
Segundo, porque não estamos sob um regime ditatorial, apesar do golpe. Logo, a resistência estética e individual, tão bela e necessária, corre o risco de esvaziar-se de sentido, de tornar-se o engajamento festivo individual, que ameniza a culpa da classe média, que, a esta altura, quer mais é curtir os Jogos.
Não há problema nenhum em se divertir e protestar. O problema é quando isso se torna a única forma de resistência ante a uma votação que vai acontecer e que só será revertida se o mundo vier abaixo.
Não é hora de entregar o jogo. Não é hora dar pausa para os Jogos. A votação se aproxima e, ao que tudo indica, os cartazes felizes não estão funcionando e a presidenta será afastada definitivamente.
Seria a hora de aproveitar que a imprensa internacional está no Brasil. Se este governo é ilegítimo, a hora é de afronta, protestos em massa e greves. O poder das ruas neste momento é insubstituível.
Não é meu objetivo responsabilizar as pessoas que estão protestando da maneira que podem. Muito pelo contrário, trata-se de uma ressonância pulverizada ante a frustrante incapacidade de mobilização de massas que estamos atravessando neste momento.
Existe aí um paradoxo imenso que precisa ser conciliado: de um lado, uma grande parte da população que não engole o presidente interino e que se manifesta como pode. De outro, a falência da capacidade mobilizadora de massa dos líderes do Partido dos Trabalhadores.
Poucos engolem Michel Temer, mas nem todos se identificam a sair às ruas para defender a bandeira do PT – pois é assim que são lidas as manifestações anti-impeachment. Parece-me que o próprio PT desistiu de puxar o barco e focar-se nas eleições municipais.
Eu havia entendido que a luta não era por Dilma ou pelo PT, mas pelos direitos constitucionais.
O que resta é a mobilização desmobilizada, individualizada e profundamente solitária daqueles que ainda acreditam que essa farsa toda é uma afronta à democracia.
Os votos já estão definidos e já se fala em crescimento econômico novamente. A população está calma e distraída com os Jogos Olímpicos. Não há a mínima chance de reverter essa votação sem reação avassaladora em massa. Há mobilização e motivação para isso? Ou teremos que passar os próximos dois anos escrevendo Fora Temer no copo de nossos cafés?