Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
Eduardo Ramos
25 de agosto de 2016 4:11 am…da tragédia do “ser-híbrido”…
…da tragédia do “ser-híbrido…” Os singelos de alma tornados rebanho nas mãos de homens torpes nem percebem, quando parte de seus encantos, gorjeios, virtudes, mistura-se ao esgoto moral, intelectual, emocional e ético dos que os trazem cativos. Assistimos então ao horror existencial da re-criação perversa, desumana, no antigo ser, de um novo ser: um ser híbrido, que mantém em áreas de sua vida cotidiana tudo o que construiu em si de valores, crenças, jeito de ser, respeito, tolerância, capacidade cognitiva livre, decência, ética, sua humanidade toda… Mas já está nele, como parte integrante de seu ser, a mutação nele inoculada! . Já “não é”, “deixa de ser”, passa a ser a soma trágica do que era e do que incorporou ao ser antigo…. Se antes acreditava e vivia a presunção de inocência para todos, nem enxergará que passa a permitir em si mesmo, “a exceção legítima”, onde determinadas pessoas e grupos tornam-se em sua psiquê (todo o seu ser, na verdade!) tão DESMERECEDORES do tratamento e valores que dispensa ao resto da humanidade, que passa a DESEJAR E CELEBRAR toda a sorte de males, de violências, de perversidades contra os seres “merecedores desse tratamento de exceção…” . Não acha nada demais, que um presidente da República, vire “o molusco ladrão”, não se incomoda se a presidente de seu país, “por ser uma petralha, PORTANTO, faz parte da quadrilha….” – seja chamada nas redes sociais, de vaca, anta, e tratada com desprezo e achincalhes que essa mesma pessoa se sentiria absolutamente horrorizada, se tal tratamento fosse dispensado “às pessoas que não fazem parte daquele grupo odioso, de exceção, a quem tudo é permitido”. Um dia as pessoas saberão que quando FRAGMENTO MINHA ÉTICA, MEUS VALORES, MINHA EDUCAÇÃO, MEU RESPEITO HUMANO, fragmento a mim mesmo, desconstruo-me, torno-me uma aberração esquizofrênica, um ser AMORAL, capaz de rir e celebrar coisas terrivelmente PERVERSAS que atinjam duramente a vida e a família de alguém porque outro ser me estimulou a odiá-lo, a vê-lo como “a exceção legítima” para os novos sentimentos e valores que passei a expelir do meu “ser-híbrido” – passo a achar normal e até a “rir junto”, quando pessoas usam camisetas mostrando a mão de Lula com a falta do dedo mínimo, a celebração da deficiência física de um ser humano. Se passar a aceitar isso não é a mais perversa das metamorfoses, algo doentio e hediondo, o que seria…? . Tragicamente, essa doença social se transveste de “política”…. Uma cegueira tão monumental que os seres híbridos não percebem no reflexo do espelho, sua falta de argumentos, a repetição tosca, rasa, de mantras ensinados pela mídia e reverberados de imediato pelos seus meios familiares e sociais, num ciclo perverso de catarses, paroxismos, e nojos, e ódios, e convicções de um fanatismo atroz. . Além da dor, da perplexidade, do desespero, da impotência diante de um flagelo social dessa magnitude, a pergunta: “o que podemos fazer diante disso? como lutar? como trazer as pessoas ao seu estado natural? ou é essa sua verdadeira natureza, Hannah Arendt estava totalmente certa, o mal é banal, as pessoas são banais, e mesmo as mais singelas não têm socorro contra a fúria manipuladora dos que detêm o poder, se estas falarem aos seus medos, seus preconceitos, ao inconsciente coletivo do ser humano, construindo vez ou outra, em tempos e espaços diversos, uma sociedade monstruosa como é o Brasil, hoje? . Não tenho respostas…. apenas minha dor, minhas confusões e minhas palavras…. onde me escondo e me acho, me perco e me salvo, e essa perplexidade feita de pedra. E um desespero puro, puro, puro, puro….. . (eduardo ramos)
Jus Ad Rem
25 de agosto de 2016 6:09 amÉ hora de pensar em mudar o rumo da Humanidade
“O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas bastantes simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.
Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: ‘Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra, de ninguém!’ “
(Jean-Jacques Rousseau )
“Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.”
(Jiddu Krishnamurti)
Uma nova e revolucionária visão de mundo: http://movimentozeitgeist.com.br/
Assista o vídeo, reflita, e indique aos amigos:
https://www.youtube.com/watch?v=EewGMBOB4Gg
antonio francisco
25 de agosto de 2016 9:26 amLecuona eu vi, tempos atrás. É emocionante! Vou rever.
Em Belo Horizonte, de 7 a 11 de setembro no Palácio das Artes:
A parceria com autores contemporâneos dá tão certo que as trilhas especialmente compostas passam a ser uma norma e, cada trilha, o ponto de partida para a nova criação. De 1992 para cá, a exceção que confirma a regra é Lecuona, de 2004, onde, a partir de treze derramadas canções de amor do cubano Ernesto Lecuona (1895-1963), Rodrigo exercita à exaustão seu dom para a criação de pas-de-deux.
http://www.grupocorpo.com.br/companhia/historico
antonio francisco
25 de agosto de 2016 9:51 amMorre Toots Thielemans
Toots Thielemans, nascido Jean Baptiste Frederic Isidor, barão Thielemans, segundo a Wikipedia.
No youtube há várias apresentações dele, inclusive esta:
https://www.youtube.com/watch?v=yKnG_9q4crA
Gravou com Elis Regina, Frank Sinatra, Nick Cave. Lenda do jazz, ajudou a popularizar a gita cromática.
http://g1.globo.com/musica/noticia/2016/08/toots-thielemans-considerado-rei-da-gaita-morre-aos-94-anos.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Toots_Thielemans
mcn
25 de agosto de 2016 11:12 amJessé Souza publica livro sobre o Golpe de 16
http://www.ocafezinho.com/2016/08/24/a-radiografia-do-golpe/
A radiografia do golpe
Por Carlos Eduardo
Sociólogo Jessé Souza explica como e por que você foi enganado
A radiografia do golpe, do sociólogo Jessé Souza, é um dos primeiros e contundentes livros de análise do processo após o afastamento da presidente Dilma Rousseff. No calor do momento em que o Senado decide em definitivo sobre o impeachment, o livro descreve e analisa não só o dia a dia do processo que levou à derrubada da presidente Dilma Rousseff e seu governo democraticamente eleito, como esclarece as pré-condições do golpe deflagrado em 2016. Na síntese do autor: o objetivo é permitir ao leitor entender “como e por que foi enganado”.
O afastamento da presidente em maio deste ano significou, segundo ele, o ápice de um cerco sem precedentes na história recente do país: um ataque jurídico, político e midiático contra a hegemonia política e ideológica iniciada no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo real, no entanto, nada teve de novo em relação a todos os outros golpes de Estado praticados no passado nacional: atender a interesses financeiros e políticos da pequena elite do dinheiro.
O núcleo de toda a fraude da elite do dinheiro – “que faz os outros de tolos”, na explicação do sociólogo – é o tema da corrupção seletiva. A história do Brasil tem visto uma sequência de golpes de Estado que usaram a corrupção como mote. A razão é simples: ela se presta sem esforço a ser tomada arbitrariamente como arma seletiva contra o inimigo político de ocasião. Foi a partir dessa combinação pouco perceptível para a maioria da população que se montou o golpe de 2016, escreve Jessé Souza.
A construção da corrupção como “direito contra o inimigo”, a classe média, as manifestações de junho de 2013, o racismo de classe, a Operação Lava Jato, a grande imprensa e os riscos e oportunidades para a democracia são alguns dos temas explorados no livro.
Numa obra voltada para o grande público, sem termos técnicos e maneirismos costumeiramente usados para afastar o público não-especializado, Jessé Souza analisa o discurso moralista de ocasião, a demonização do Estado e das políticas sociais e os reais interesses corporativos e mesquinhos por trás da fraude, sempre encobertos e nunca admitidos. O autor, no entanto, evita a fulanização do debate para analisar a derrubada, conduzida por um pretexto, segundo ele, ridículo e descabido.
História e atualidade, bem como críticas à esquerda e à direita, caminham juntas em A radiografia do golpe, um instrumento para compreender não só o Brasil de hoje como a forma e o peso da repetição e do atraso que envenenaram os esforços de desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
Prefácio
Ao escrever este livro, meu interesse é possibilitar o entendimento por parte de qualquer pessoa com formação média e boa vontade para compreender como e por que a sociedade brasileira foi enganada em um dos golpes de Estado mais torpes de nossa história.
Como o mundo sempre nos é exposto em fragmentos, nossa compreensão tende a ser sempre confusa, localizada, personalizada, dramatizada e, o que resume tudo, “novelizada”. Enxergamos apenas pessoas, separadas em boas e más, e nunca percebemos os “interesses” que as movem. Contrapor-se a essa leitura dominante e superficial do mundo, que é reproduzida em praticamente todos os nossos jornais e canais de televisão, é o fito deste livro. Meu desafio foi articular e tornar compreensível a complexa rede de interesses impessoais que, a exemplo do teatro de marionetes, prende os fios que permitem criar o drama reproduzido pelas pessoas no palco da vida.
A primeira parte do livro visa ao esclarecimento das pré-condições do golpe. Trata tanto do desvelamento dos mecanismos que permitem à elite do dinheiro ser a “mandante” do golpe, realizado por outros em seu nome – sem que essa elite seja sequer mencionada na trama – quanto da explicitação dos novos conflitos de classe, fruto da recente ascensão social de setores populares, que serviram de pano de fundo para viabilizar o golpe. Esse esclarecimento prévio me parece fundamental à compreensão das razões do golpe para além da viciada e distorcida cobertura midiática. Mas o leitor mais impaciente pode começar pela segunda parte do livro e eventualmente ler a primeira parte depois.
Meu conselho, no entanto, é ler o livro na ordem em que ele se apresenta. Afinal, o esclarecimento de qualquer fato contemporâneo depende da reconstrução de sua perspectiva histórica. O presente não se autoexplica sem que o passado nos desvende sua gênese. É apenas porque nunca compreendemos verdadeiramente os golpes de Estado anteriores que este atual pôde acontecer exatamente do mesmo modo, defendendo os mesmos interesses mesquinhos de sempre. Sem autocrítica, nos tornamos presas do eterno retorno dos mesmos medos e mecanismos que nos controlam desde a mais tenra idade, sem sequer dispor de qualquer defesa contra eles. E, assim como acontece com os indivíduos, uma sociedade aprende somente com a autocrítica. Por conta disso, os dois primeiros capítulos deste livro discutem a gênese histórica do golpe. Seu fio condutor é mostrar como todos os golpes, inclusive o atual, são uma fraude bem-perpetrada dos donos do dinheiro, que são os reais “donos do poder”.
O núcleo de toda fraude da elite do dinheiro que faz os outros de tolos é o tema da corrupção seletiva. Como não se sabe nem se define com precisão o que é corrupção – até bem pouco tempo só o agente do Estado podia ser punido por esse crime -, esta passa a ser uma construção arbitrária daquilo que o inimigo político faz. Todos os golpes de Estado tiveram a corrupção como mote, precisamente porque ela se presta sem esforço a ser tomada arbitrariamente contra o inimigo político de ocasião. A farsa é tão completa que até mesmo uma presidente que, pelo menos até a data em que o impedimento foi votado na Câmara dos Deputados e aceito pelo Senado, jamais havia sido sequer acusada de corrupção torna-se sua vítima. Os capítulos iniciais são, portanto, imprescindíveis para mostrar como até a história do Brasil foi distorcida para que nela coubesse a possibilidade de ser usada contra o inimigo político.
Os interesses financeiros de meia dúzia de pessoas precisam primeiro colonizar nosso espírito para depois poderem assaltar nosso bolso e drenar os recursos de toda a sociedade – por meios legais e ilegais – para o bolso de uma elite mesquinha que sempre foi indiferente ao destino do país. A elite do dinheiro é antes de tudo a elite financeira, que comanda os grandes bancos e fundos de investimento. É a ela que as outras frações de endinheirados, como a fração do agronegócio, da indústria e do comércio, confiam seu lucro. Todas as frações de endinheirados ganham mesmo é com as taxas de juros exorbitantes, que significam uma espécie de “taxa extra” associada aos preços do mercado. Todas as outras classes pagam essa taxa a esta ínfima elite. Isso, obviamente, não aparece nunca nos jornais ou telejornais cujos articulistas econômicos são pagos direta ou indiretamente por essa mesma elite para legitimar esse saque ao bolso coletivo.
A taxa de juros extorsiva embutida em qualquer bem ou serviço que todos consumimos precisa ser distorcida. Diz-se, por exemplo, que ela é necessária ao “controle da inflação”, mascarando-se o interesse de tão poucos em prol de um suposto interesse geral. Uma vez que a taxa de juros, como ficará claro ao longo do livro, é definida em grande medida de modo político e arbitrário, a luta por sua manutenção em níveis altos representa o verdadeiro assalto e a verdadeira corrupção – legalizada por um Congresso majoritariamente comprado para isso -, que uma população submetida a distorções sistemáticas da realidade, por uma mídia em grande parte sócia do saque, não percebe.
Sem compreender isso, não compreenderemos por que e como essa elite do dinheiro fácil nos faz a todos de imbecis há tanto tempo. Primeiro domina-se a inteligência que vai distorcer a história e a compreensão do país para todas as outras classes por meio das universidades e das escolas. Depois, por meio do controle direto ou indireto dos meios de divulgação da informação, é possível, dentro de circunstâncias favoráveis, distorcer e fraudar sistematicamente a forma como a sociedade percebe a si própria e quais são os verdadeiros interesses em jogo. Afinal, são os consensos e as ideias que assimilamos sem refletir e acerca das quais não temos distanciamento reflexivo que escravizam o nosso espírito e nos fazem agir contra nossos melhores interesses.
Esse é o ponto central dos dois capítulos introdutórios deste livro: mostrar como a exploração material de todo um povo só é possível com a colonização de seu espírito e de sua capacidade de refletir. Sem isso não entenderemos como classes sociais inteiras agiram de modo contrário aos seus interesses e, sob o pretexto de combater a corrupção, acordaram no dia seguinte ao golpe com um sindicato de ladrões mandando no país.
O terceiro capítulo mostra de que modo as transformações recentes na estrutura de classes da sociedade brasileira criaram novos conflitos e preconceitos de classe que antes estavam adormecidos. Esse foi o verdadeiro pano de fundo, sobre o qual até agora não se refletiu e discutiu adequadamente, que possibilitou o golpe. Como a política é uma mistura de aspectos racionais e irracionais – com estes últimos muitas vezes predominando sobre os primeiros -, compreender as transformações recentes que a sociedade brasileira atravessou e as contradições que elas propiciaram é começar a compreender as verdadeiras razões para tanto ódio e tanta mentira.
Finalmente, a segunda parte do livro se destina a reconstruir o dia a dia do golpe propriamente dito. Quem e por que dele participou ativamente foi a questão que nos orientou. Não nos interessa aqui “fulanizar” o debate, como a imprensa comprada e sócia de todos os golpes de Estado fez e faz. Queremos, ao contrário, desvelar a grande hipocrisia da “refundação moral do Brasil” e mostrar os reais interesses corporativos e mesquinhos por trás dessa fraude. O interesse maior é perceber a complexa articulação de interesses – sempre encobertos e nunca admitidos – que permitiu a ação concertada de diversos atores sociais que terminaram na derrubada, por um pretexto ridículo e descabido, de um governo eleito democraticamente. O interesse aqui é nos tornar mais sábios no presente e no futuro, já que sempre fomos tão tolos no passado.
Afinal, se o interesse que atuou como motor de todo o processo foi permitir à elite do dinheiro se apropriar da riqueza coletiva sem peias, outros sócios menores se associaram à aventura: a grande mídia, por razões que ficarão claras na segunda parte deste livro, e o complexo jurídico-policial do Estado. A “casta jurídica” também assalta o país com salários nababescos e vantagens de todo tipo que o mortal comum sequer sonha. A relação entre o gasto da máquina judiciária e o PIB nacional no Brasil é singular no mundo, como mostra a tabela abaixo.
O fato de o Brasil gastar, comparativamente, cerca de seis vezes a mais que os EUA com o poder judiciário não implica, como todos sabem, seis vezes mais eficiência na administração da justiça. Muito pelo contrário.
É que o gasto não é na eficiência do sistema, mas sim em construções faraônicas e luxuosas e em salários e vantagens de todo tipo – que evitam a transparência que o executivo mantém quanto aos salários de seus servidores -, que vão parar no bolso dos operadores jurídicos. Sua arma mais comum para conseguir tamanhos privilégios corporativos é a chantagem política, do mesmo modo como acontece na grande mídia. O recente aumento de 41% em salários já altíssimos, pelo menos para o alto escalão do judiciário, revela o tamanho do descolamento dessa casta privilegiada em relação ao restante da sociedade. Por isso seus interesses se ligam à reprodução, e não à critica, dos privilégios injustos. Vantagens corporativas e estratégias políticas de captura do Estado são encobertas sob o véu espaçoso da farsa de “guardião da moralidade pública”, montada para os tolos.
A grande imprensa, por sua vez, especialmente a televisão – uma concessão pública, que deveria informar com isenção -, distorceu e distorce sistematicamente a realidade social também por dinheiro. Dinheiro que vem da propaganda de empresas com interesse direto no rentismo e no assalto legalizado ao bolso coletivo, e dinheiro público em propaganda oficial e negócios públicos de todo tipo, por meio dos quais essas empresas têm interesse em lucrar. A grande imprensa, especialmente as grandes cadeias de TV, é, portanto, sócia na rapina executada pela elite do dinheiro sobre o bolso de todos. Vem daí o seu apoio aberto ao golpe. Como veremos na segunda parte deste livro, o exemplo empírico do Jornal Nacional, da TV Globo, mostra como a farsa que se construiu midiaticamente foi satanicamente refinada e sofisticada.
Mas como todo espectador de filme de gângster sabe muito bem, é fácil juntar aventureiros para assaltar um banco. Difícil é dividir o saque depois. Esse é precisamente o momento que estamos vivendo agora. O que fazer com o butim do assalto à soberania popular? O partidarismo da operação Lava Jato, que ficou escancarado com as escutas ilegais e seletivas e com a perseguição e criminalização apenas da “esquerda” até o afastamento da presidente, tem agora que penetrar em terreno minado e abranger seus antigos aliados. Sem isso, a “casta jurídica” perde seu capital de confiança recém-conquistado e se mostra ao público como um ator social tão mesquinho e venal como os outros. Esse é o aspecto central da crise atual. A luta de morte entre os políticos e os operadores jurídicos pelo espólio político do golpe.
Como sempre, não se fala em uma reforma política que torne transparente a relação entre os donos do dinheiro e a política, que é a única e verdadeira questão fundamental acerca do tema da corrupção. A “fulanização” da corrupção, como se ela fosse privilégio de políticos e partidos específicos, e não uma variável estrutural da nossa política, é a prova mais cabal de um debate público sistematicamente distorcido pela grande mídia. É ela, afinal, a grande inimiga de qualquer ordem democrática vigorosa no Brasil de hoje.
Na conclusão do livro, discutiremos as consequências do golpe para o futuro. A construção, depois de muito tempo, de uma “direita” que se assume e que sai do armário é talvez a maior novidade política do golpe. Esse fato vai mudar a forma como a política será feita no Brasil daqui por diante. Na outra ponta, uma esquerda que sempre sonhou com compromissos com uma “boa burguesia”, a fração industrial da classe dominante, e que sempre foi “traída” nesse amor não correspondido, tem que se pensar e se organizar de modo completamente novo a partir de agora. É uma esquerda que, no fundo, nunca teve uma concepção própria da realidade brasileira e, por conta disso, sempre foi colonizada discursivamente pela direita que “tirava onda” de crítica. Uma esquerda que sempre imaginou que bastava um plano econômico alternativo, sem uma reflexão autônoma também sobre o Estado e sobre a sociedade, para construir um projeto de sociedade.
O golpe instaura um novo momento político para todos os atores decisivos da vida política, e a conclusão tenta mapear os limites e possibilidades de cada um. De resto, este livro não é um exercício intelectual distanciado da realidade. A distância em relação aos fatos e a procura da objetividade só têm lugar aqui para permitir a compreensão dos motivos dos atores em disputa. Meu interesse, no entanto, é forjar uma compreensão alternativa da realidade brasileira que permita uma intervenção prática na realidade também distinta de tudo que tivemos. Afinal, sem novas ideias não existe prática política nova.
O autor
Jessé Souza, 56 anos, fez graduação em direito e mestrado em sociologia na UnB, e doutorado em sociologia na Universidade de Heidelberg, Alemanha. Foi livre-docente na Universidade de Flensburg, Alemanha. É autor principal de 24 livros e de mais de cem artigos e capítulos de livros em vários idiomas. Coordenou diversas pesquisas empíricas de amplitude nacional sobre as classes sociais no Brasil. Foi presidente do Ipea entre 2015 e 2016. Atualmente é professor titular de ciência política da UFF.
A radiografia do golpe
Entenda como e por que você foi enganado
Autor: Jessé Souza
LeYa | 144 páginas | R$ 34,90
WhatsAppTwitterFacebook599
Cláudio José
25 de agosto de 2016 12:39 pmSALVE O BETINHO E O BOLSA FAMÍLIA
ARTIGO: benefício social influencia a decisão de trabalhar?
Publicado em 23/08/2016 Atualizado em 23/08/2016 AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRAClique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para imprimir(abre em nova janela)Clique para enviar por email a um amigo(abre em nova janela)Mais
Em artigo publicado na imprensa brasileira, o pesquisador do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), Luis Henrique Paiva, afirma que não existe constatação empírica que sustente a hipótese de que beneficiários de programas sociais deixem de trabalhar por receberem tais benefícios.
Bolsa Família só reduziu a oferta de trabalho de crianças, mas esse era um de seus objetivos. Foto: Alina Souza/Especial Palácio Piratini
Por Luis Henrique Paiva, pesquisador associado do IPC-IG, Pesquisador do Ipea, gestor governamental do Ministério do Planejamento e secretário do Programa Bolsa Família (2012-2015)
A suspeita de que pessoas que recebem benefícios sociais trabalhem menos ou deixem de trabalhar é uma questão internacionalmente debatida. Curiosamente, essa suspeita recai sobretudo nos benefícios contra a pobreza. No Brasil, é o caso do Bolsa Família. A hipótese de que esse programa faria as pessoas trabalharem menos (ou pararem de trabalhar) foi extensamente investigada.
O leitor vai encontrar um “survey” dessa discussão no artigo de Luis Batista de Oliveira e Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, “O que se sabe sobre os efeitos das transferências de renda sobre a oferta de trabalho”). O Bolsa Família só reduziu a oferta de trabalho de crianças, mas esse era um dos seus objetivos.
No que diz respeito ao trabalho dos adultos, as pesquisas chegam a conclusões parecidas: não existe constatação empírica que sustente a hipótese de que haveria efeito preguiça causado pelo programa. Mulheres tendem a reduzir marginalmente o número de horas trabalhadas, aumentando o tempo com os filhos. Homens chegam a aumentar (também marginalmente) sua produção. Na prática, efeito nulo.
Os resultados encontrados no restante do mundo para programas do mesmo tipo são idênticos. O Professor Abhijit Banerjee (do Massachusetts Institute of Technology, MIT) e colegas analisaram dados de sete avaliações aleatorizadas de programas de transferência de renda adotados ao redor do mundo (no artigo “Debunking the Stereotype of the Lazy Welfare Recipient”). Conclusão? “Não encontramos nenhum efeito das transferências sobre a oferta de trabalho, para homens ou mulheres”.
É surpreendente que o número de estudos que procuram efeitos negativos do Bolsa Família no mercado de trabalho seja tão grande e que praticamente não tenhamos estudos voltados a investigar outros benefícios. Gastamos 12% do PIB com benefícios previdenciários (quase 25 vezes mais do que com o Bolsa Família, que custa só 0,5% do PIB) e o número de estudos sobre o impacto dessas transferências na decisão de trabalhar continua sendo ínfimo.
Buscamos preencher esse vazio ao avaliar como o acesso precoce às aposentadorias — traço marcante do sistema previdenciário brasileiro — afeta a decisão de trabalhar. Os resultados estão no artigo “O Impacto das Aposentadorias Precoces na Produção e na Produtividade dos Trabalhadores Brasileiros” (com os colegas Leonardo Rangel e Marcelo Caetano), recentemente publicado pelo Ipea.
Já sabemos que as aposentadorias precoces contribuem para gastos desproporcionalmente altos com benefícios previdenciários no Brasil; que não reduzem as desigualdades de renda ou regionais; que são concedidos em idades muito baixas (em média, aos 55 anos para homens e aos 52 para mulheres), nas quais parte significativa dos seus beneficiários ainda tem plena capacidade produtiva. Agora, temos evidências de que as aposentadorias precoces estão associadas a uma forte redução da oferta de trabalho e a uma queda na produtividade, entre os que continuam trabalhando.
Antes de apresentar os resultados em maior detalhe, cabe notar que não estamos tratando de pessoas idosas. Cerca de 30% dos brasileiros com 59 anos recebem aposentadoria, portanto, abaixo da idade de serem considerados idosos. Além disso, em nosso estudo definimos como “aposentados precoces” beneficiários com idade entre 53 e 59 anos (se homem) e 50 e 54 anos (se mulher). Idades produtivas, portanto. Caberia também lembrar que esses beneficiários poderiam continuar trabalhando normalmente, já que a aposentadoria, no Brasil, é compatível com renda do trabalho. Se na iniciativa privada, poderiam inclusive permanecer no mesmo emprego.
Quais as conclusões? Primeiramente, que o perfil dos aposentados precoces é menos vulnerável do que o dos que não conseguiram se aposentar precocemente, nas mesmas faixas etárias. Os aposentados precoces têm maior percentual de homens, brancos, chefes de família, pessoas com maior acesso a serviços públicos e moradores do Sul e Sudeste em relação aos não-aposentados precoces.
Portanto, é falsa a afirmação de que a aposentadoria por tempo de contribuição protege os mais pobres, que começaram a trabalhar cedo. Os mais pobres, por passar longos períodos na informalidade, aposentam-se por idade ou requerem um benefício assistencial aos 65 anos. A aposentadoria precoce alcança um grupo com trajetória contributiva consistente, que teve (se muito) curtos períodos no desemprego ou na informalidade. Um grupo relativamente mais produtivo da nossa força de trabalho.
Até por isso, a segunda conclusão é preocupante. A taxa de ocupação (como percentual da população do grupo) entre os aposentados precoces é inferior a 40%. Nossas estimativas sugerem que, sem as aposentadorias precoces, a taxa de ocupação nesse grupo seria superior a 80%.
A terceira conclusão também é preocupante. Os aposentados precoces que continuam participando do mercado de trabalho têm um salário 10% inferior ao que seria esperado dadas suas características individuais (como escolaridade, por exemplo). Pode-se supor que uma fração dos aposentados precoces passa a ocupar postos de menor produtividade, em trabalhos que têm como objetivo apenas complementar a renda da aposentadoria.
Em suma, quem tem acesso às aposentadorias precoces é um grupo relativamente mais produtivo da nossa força de trabalho. Após se aposentar precocemente, esse grupo passa a trabalhar muito menos do que o esperado e, entre aqueles que continuam trabalhando, observa-se ainda uma queda de produtividade.
Estimativas preliminares sugerem que o PIB brasileiro seria 0,6% maior do que é, não fossem as aposentadorias precoces. Com o envelhecimento da população, esse número aumentará exponencialmente nas próximas décadas, se nada for feito.
Temos, assim, uma razão a mais para fazer a reforma da Previdência Social. Já sabíamos que a reforma é necessária para melhorar a situação fiscal de longo prazo e por questões de justiça distributiva. Agora também sabemos que a reforma previdenciária é necessária porque o Brasil não pode se dar ao luxo de retirar do mercado, de forma precoce, a parte relativamente mais produtiva da nossa força de trabalho.
Artigo originalmente publicado no jornal “Valor Econômico” em 23 de agosto de 2016.
maria rodrigues
25 de agosto de 2016 12:50 pmParabéns, Eduardo Ramos pelo
Parabéns, Eduardo Ramos pelo seu post.
Os políticos que trataram de tirar Dilma da sua cadeira para entregá-la a Temer agem com palavras duras ao se referir a ela e a Lula, incutindo no povo suas ideias. Nas tribunas do Congresso os parlamentares precisam manter um mínimo de ética, mas acho que parte deles próprios incentivos às mais malvadas e crueis manifestações dos que batiam panelas, e comentam nas redes.
O Brasil cordial que vimos durante as Olimpíadas está a quilômetros de distância daquele que arrastava tênis de marca pelas avenidas do Brasil, com suas camisas amarelas. Ali estava a representação de muito ódio de parte da nossa população.
Não sei quem criou aquela camisa com uma mão contendo apenas quatro dedos. Sei que entre os que a usaram estavam alguns políticos.
Outra imagem que jamais sairá da minha cabeça foi a dos dois bonecos degolados no alto de um prédio como represetnação de Lula e Dilma.
Por que razão o nosso povo chegou a esse nível de degradação?
Eduardo Ramos
25 de agosto de 2016 10:01 pmPenso que por preconceitos já
Penso que por preconceitos já existentes na sociedade, que foram muito bem trabalhados pela mídia, numa manipulação perversa, Maria Rodrigues!!!
Daí ao estágio da doença do ódio e do fanatismo, foi uma mera questão de continuidade, o massacre diário, a criação de termos assimiláveis, como “petralhas”, “molusco”, as barbaridades todas…….
Abraço!!!!
Cláudio José
25 de agosto de 2016 2:50 pmPROJETO: O BOLSA EDUCAÇÃO E CULTURA
Rio de Janeiro, 25 de agosto de 2016
ONU: Direção
PROJETO: O BOLSA EDUCAÇÃO E CULTURA
Caros amigos (as) como diz a musica do Titãs a gente não só quer comida, a gente quer comida diversão e arte, por isso, gostaria de sugerir um projeto, para os bons governantes do mundo inteiro; O BOLSA EDUCAÇÂO E CULTURA onde o aluno da rede publica, pobre, que não faltar aula no mês inteiro, e respeitar o professor, teria no final do mês, uma renda (cartão) de R$20,00 para gastar com a cultura e lazer. Amigos (as) isso faria um bem enorme, para a nossa educação, cultura e economia. Geraria milhares de novos empregos, e ajudaria o Brasil, superar um pouco essa crise.
Atenciosamente:
Cláudio José, um amigo do povo, da paz, da ONU e um Beija- flor da floresta do Betinho.
ComidaTitãsBebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parteA gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida querBebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Pra aliviar a dorA gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metadeBebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?A gente não quer só comida
Odonir Oliveira
25 de agosto de 2016 2:58 pmSTF rejeita princípio da
STF rejeita princípio da insignificância para mulher que furtou água. Quem “rouba” pouco é ladrão, quem “rouba” muito é barão
No caso julgado pelo STF (HC 135.800) uma mulher (dona de um barraco) desviou água da contagem oficial. Isso não pode ser feito. Mas impor um ano de cadeia por esse fato pode ser um exagero (no caso concreto).
Continue lendo aqui: http://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/376618732/stf-rejeita-principio-da-insignificancia-para-mulher-que-furtou-agua-quem-rouba-pouco-e-ladrao-quem-rouba-muito-e-barao?utm_campaign=newsletter-daily_20160824_3914&utm_medium=email&utm_source=newsletter
Paulo F.
25 de agosto de 2016 4:22 pmCampanha polêmica da Vogue
Do JB
24/08 às 13p9- Atualizada em 24/08 às 14h09
Campanha que transforma atores em paratletas revolta internautas
Vogue “amputou” graficamente Cléo Pires e Paulinho Vilhena
Uma campanha publicitária da Agência África, publicada pela revista Vogue Brasil, gerou muita polêmica nesta quarta-feira (24). Nas imagens, os atores Cléo Pires e Paulo Vilhena aparecem com membros graficamente amputados para promover os Jogos Paralímpicos.
Muitas pessoas criticaram, nas redes sociais, as opções da campanha. No Twitter, o nome do ator aparecia entre os temas mais comentados no Brasil, com a hashtag #PaulinhoVilhena, ao lado de #Vogue. No Instagram oficial da revista, choveram críticas. Em pouco mais de 6 horas, a conta tinha mais de 3.600 comentários, a grande maioria condenando a campanha.
As críticas à revista, aos atores e à agência publicitária questionavam desde o motivo para não se convidar atletas paralímpicos para estrelar a campanha até o “oportunismo” (termo utilizado por muito internautas) de se “mutilar” os atores para chamar a atenção para os Jogos Paralímpicos.
Professora de Literatura Brasileira da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Giovanna Dealtry lembrou, em sua conta no Facebook, da prática teatral de representação de personagens negros por meio de pintura de atores brancos nos qual o representado era sempre mostrado ao público de forma pejorativa e preconceituosa.
“Photoshop sendo usado pra criar corpo deficiente. Levamos o conceito ‘black face’ a um novo nível”, comentou a professora da Uerj.
Cleo Pires e Paulinho Vilhena foram graficamente amputados para campanha de revista