4 de junho de 2026

Fora de Pauta

O espaço para os temas livres e variados.

O espaço para os temas livres e variados.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Sérgio Barcellos Ximenes

    3 de junho de 2019 3:24 pm

    Os anúncios de fugas de escravos no Brasil do século XIX – Uma pequena amostra

    Quem não se informa sobre o período brasileiro de escravidão pode pensar que a resistência dos africanos ao cativeiro se restringia a algumas fugas eventuais, a alguns quilombos em poucos lugares do Brasil e a algumas revoltas fracassadas.

    Essa impressão de passividade da parte dos cativos é reforçada pelo conceito de banzo, a saudade da África que levava à depressão e, em certos casos, à morte.

    Sabe-se que no final do período de escravidão as fugas foram um fator de aceleração do processo abolicionista. E só.

    Entretanto, a impressão que surge quando se pesquisa nos periódicos disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional é exatamente a contrária.

    As fugas de escravos foram uma constante durante todo o período da escravidão. Naqueles periódicos, especialmente os relativos ao século XIX, estão registradas milhares de fugas, em forma de anúncios de senhores que ofereciam recompensas a particulares e a capitães do mato (ou “de campo”), encarregados de capturar os escravos fujões.

    E não se consegue fazer nenhuma distinção de gênero ou idade, na análise dos anúncios. Fugiam homens e mulheres, idosos, adultos, adolescentes e crianças.

    Sim, crianças. Um exemplo.

    *

    JOÃO

    No dia 28 do corrente desapareceu, pelas 6 horas da tarde, um moleque de nação Benguela, por nome João, ***idade de 9 anos pouco mais ou menos***, com os sinais seguintes: baixo, gordo, vestido com uma camisa azul e calça branca; saiu com um garrafão de azeite, o qual ele quebrou, e como sendo ainda criança, fugiu com medo e não apareceu mais. Quem o tiver achado pode dirigir-se à Rua dos Ourives [atuais Ruas Rodrigo e Silva e Miguel Couto] n.º 14, que receberá alvíssaras [a recompensa].

    “Jornal do Commercio” (RJ), 30/9/1829, número 581, páginas 3 (segunda coluna) e 4 (primeira coluna).
    http://memoria.bn.br/DocReader/364568_01/2326
    http://memoria.bn.br/DocReader/364568_01/2327

    *

    No contexto da escravidão brasileira, uma criança africana de apenas 9 anos já sabia o que significava ser responsável pela quebra de um simples garrafão de azeite. E deve ter pensado: “Prefiro fugir nessa terra estranha, de gente hostil e de fala esquisita, a aguentar o castigo físico que certamente irei sofrer por causa desse erro”.

    Se você pensa que 9 anos é muito (pouco), repense.

    *
    JOANA

    Da Rua da Ajuda n.º 31 fugiu uma crioulinha ***de idade 5 anos***, chamada Joana, olhos redondos e vivos, muito falante, perninhas finas e tortas, pouco azevichada [preta e lustrosa], com um vestidinho de chita verde riscada usado. Quem a noticiar receberá de seu senhor, que mora na dita casa, as alvíssaras [a recompensa].

    “O Volantim” (RJ), 4/10/1822, número 29, página 4, coluna 2.
    http://memoria.bn.br/DocReader/700410/117

    *

    Não se fugia somente depois de conhecer a situação degradante do escravo no Brasil, e de se chegar ao ponto de “basta!”. Nos anúncios, o termo “boçal” significava “não aculturado, por ser recém-chegado ao Brasil”. A fuga dos “boçais” era comum, assim como a dos “ladinos”, os escravos já aculturados.
    E não se fugia apenas uma vez. Exemplo.

    *

    DIONÍSIO

    Fugiu no dia 14 do corrente março, da chácara do Pacaembu de Cima, o escravo Dionísio, que tem estes sinais: idade 45 anos, crioulo, cor preta, desdentado, beiços grossos, alto e delgado de corpo, tendo o olho direito vazado de um coice que levou, cuja cicatriz é bem visível; é prático de todo serviço de olaria e de roça.

    Foi da família Baruel, e é muito conhecido nesta cidade. Tem fala mansa e pausada, modos humildes e bonitos, mas tem também ***mais de 30 fugidas***.

    Ardiloso e astuto, fugiu depois de haver feito um roubo de dinheiro com inteiro abuso de confiança.

    Gratifica-se convenientemente a quem o apreender e levar à chácara acima mencionada ou o meter na cadeia.

    S. Paulo, 10 de março de 1880.

    “Correio Paulistano” (SP), 19/3/1880, número 6995, página 3, terceira coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/255

    *

    A cada fuga, o proprietário do escravo prometia pagar uma recompensa a particulares que informassem sobre o paradeiro do fujão, ou aos capitães de campo, no momento de entrega do capturado. O valor econômico da prática da escravidão está bem ilustrado pelo anúncio acima: valia a pena pagar mais de 30 recompensas em dinheiro, sabendo que teria de pagar muitas outras, para garantir a exploração gratuita da mão de obra de um negro.

    Um dos aspectos da dívida histórica dos brasileiros em relação aos africanos traficados para o nosso país, e aqui mantidos como escravos, é a recuperação das informações remanescentes sobre o maior número possível de indivíduos. E para esse propósito os anúncios de fuga de escravos oferecem uma oportunidade única.

    Por que especificamente os anúncios de fuga? Porque somente nesse tipo de anúncio eram registrados o nome e a descrição física da pessoa, informações necessárias para permitir o reconhecimento de quem fugia. Nos anúncios de compra, venda, aluguel e leilão de escravos, quase tão frequentes quanto os outros, essas informações estavam ausentes.

    Nenhuma pessoa de inteligência mediana esperaria deste governo federal semelhante medida. Assim, a iniciativa deve caber aos cidadãos e às ONGs.

    Minha parte nesse esforço é o livro digital “Volte Aqui, Escravo Fujão! 500 Anúncios de Fugas de Escravos”, a primeira compilação publicada dessa categoria de fontes primárias. Na obra são transcritos, em texto atualizado, 500 anúncios selecionados entre os milhares disponíveis naqueles periódicos.

    Cada texto de anúncio é acompanhado de informações sobre a fonte, além do link para a imagem respectiva no jornal.

    Abaixo, uma amostra com anúncios retirados do livro. Um post do meu blog literário, intitulado “Volte aqui, escrava fujona! 120 anúncios de fugas de escravas”, contém imagens originais e o texto de apresentação da obra digital.

    https://aarteliteraria.wordpress.com/2019/05/24/volte-aqui-escrava-fujona-120-anuncios-de-fugas-de-escravas/

    Alguns dados sobre a escravidão no Brasil

    . Período de duração do tráfico de escravos para o país: 1549-1850.
    . Número de escravos no Brasil: 4,8 milhões.
    . Número de nações africanas dos escravos: mais de 30.
    . Extensão geográfica: do Rio Grande do Sul à Amazônia.
    . Jornada de trabalho: cerca de 15 horas.
    . Período médio da vida, a partir do cativeiro: de 10 a 20 anos.
    . Maior castigo permitido pela lei: pena de morte.
    . Proibição da pena de açoitamento a escravos: 1886.

    *

    ALEXANDRE

    Do engenho Bento Velho, em Santo Antão, fugiu em dias de novembro próximo passado o escravo Alexandre, crioulo, de 30 anos, cor fusca, altura regular, olhos papudos, pés limpos, cabelos crescidos na frente, talvez com cicatrizes antigas de açoites nas nádegas e mesmo nas costas. Foi do engenho Paraíso em Rio Formoso, tendo sido comprado nesta praça, vindo do sertão do Ceará, para onde talvez se tenha evadido. Saiu com camisa azul, chapéu de palha tinto de preto. Pede-se a quem dele tiver noticia ou encontrar, /que/ o prenda e faça conduzi-lo ao referido engenho, onde será bem gratificado.

    “Diário de Pernambuco” (PE), 25/12/1856, número 24, página 4, última coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_03/8406

    *

    AMADOR, BRÁS E BENEDITO

    No dia 8 do presente desapareceram do Engenho de Capanema três escravos ainda novos, um de nome Amador, estatura ordinária, de nação Mina; outro de nome Brás, com a cara picada, de nação Catacori, com uma pequena ferida no tornozelo; e outro Benedito, dentuço e pés malfeitos; todos com tangas e baetas [tecido felpudo e grosso] azuis; e levaram uma canoa nova de vinhático, com 55 palmos e dois e meio de boca. Quem os apanhar ou tiver notícia pode levá-los ao dito Engenho ou à casa de Manoel Joaquim Alves Ribeiro, na Rua da Alfândega n.º 3, que se lhe dará o seu prêmio.

    “Idade d’Ouro do Brazil” (BA), 21/10/1814, número 84, página 4.
    http://memoria.bn.br/DocReader/749940/1836

    *

    ANTÔNIO

    Antônio, /de nação/ Angola, baixo, grosso, cara redonda, olhos grandes, nariz chato, marcas de sua nação no peito esquerdo, e de açoites pelo corpo, braços e dedos curtos e grossos, e pernas igualmente com uma dentada na canela; fugido em junho do ano passado, e tem sido visto vender capim em Beberibe; /entregue-o/ nas Cinco Pontes, n.º 53, e se dará de prêmio 16$ rs. [réis].

    “Diário de Pernambuco” (PE), 5/2/1831, número 28, página 4, primeira e segunda colunas.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_01/2977

    *

    ANTÔNIO

    Antônio, por alcunha Bacamarte, é canoeiro; andava em uma canoa de água da Cidade para o Recife, idade de 18 anos, seco do corpo, não tem unha no dedo grande do pé, levou vestido calça e camisa de estopa, e um ferro no pescoço; foi visto nas Cinco Pontas e no Coelho, onde se mata o gado, e disse que o seu senhor já o tinha vendido, porém é falso; fugiu no mês de maio próximo passado. Os apreendedores o levarão ao seu senhor José Carvalho da Costa na Rua do Trapiche defronte do cais da Lingueta D. 10, que promete gratificar bem a quem entregá-lo a ele.

    “Diário de Pernambuco” (PE), 11/6/1838, número 126, página 4, última coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_01/11743

    *

    ANTÔNIO, ANTÔNIO E MANOEL

    Antônio, anzoleiro [fabricante de anzóis], alto, cheio, bem preto, maçãs elevadas, de 22 anos, comprado em junho próximo passado ao autor Joaquim Dionísio; outro Antônio, barba cerrada, suíças grandes, baixo, grosso, fulo [negro de cor tendente à amarelada], pernas, braços e costas cabeludas, com marcas novas de açoites, muito falador, e parece crioulo; e um molecote Manoel, /de nação/ Angola, baixo, delgado, fulo, com uma pequena ferida na canela de uma perna, e outra no tornozelo da outra, uma cicatriz redonda e mediana de fogo em uma fonte [têmpora]; fugidos do Engenho do Meio, termo de Serinhaém; /entregue-os/ no mesmo Engenho, ou no Recife, Rua da Cadeia velha a José Bento da Costa.

    “Diário de Pernambuco” (PE), 13/1/1831, número 9, página 4, segunda coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_01/2899

    *

    CIRÍACO

    Continua /a/ andar fugido do poder do abaixo assinado, desde o dia 12 de março do corrente ano, o seu
    escravo pardo claro de nome Ciríaco, com os sinais seguintes: representa [aparenta] ter de idade 40 anos, rosto redondo e um tanto envergado, olhos empapuçados e fundos, boca grande, beiços grossos, barba fechada e ruiva, pés e mãos grossos e carnudos, peitos vermelhos e cabeludos, cabelos crespos e avermelhados; costuma andar armado de facão e uma baioneta num pão, gosta de tomar cachaça, e quando fica bêbado dá para poeta e regrista [falador e intrometido]. Roga-se, portanto, às autoridades policiais e capitães de campo a apreensão do mesmo, e levá-lo a seu senhor, o abaixo assinado, ao engenho Pedregulho em Nazaré, que será recompensado com a gratificação acima.
    José Inácio Ferreira Torres.

    “Diário de Pernambuco” (PE), 11/9/1867, número 208, página 7, última coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_04/19251

    *

    FORTUNATO

    Fugiu do engenho S. Estevão, termo da Vila de S. Francisco, no dia 27 do corrente, o escravo crioulo por nome Fortunato, de 25 anos de idade; gordo, tem os pés com lepra, e bastantes bichos, tem muita catinga; foi encontrado em caminho da Vila de S. Francisco. Gratifica-se a quem trouxer ao seu senhor, no mesmo engenho ou na Baixa do Bonfim.

    Bahia, 30 de março de 1886. — Joaquim Pereira de Carvalho.

    “Gazeta da Bahia” (BA), 1/4/1886, número 71, página 3, quarta coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/213454/7738

    *

    FRANCISCO

    No dia 1º de junho fugiu a Manoel de Almeida, morador na Rua dos Ourives [atuais Ruas Rodrigo e Silva e Miguel Couto] n.º 25, um escravo chamado Francisco, de Nação Benguela, com aparências de crioulo, muito ladino [aculturado], fala bem claro, idade 50 anos, estatura mais que ordinária, rosto algum tanto comprido, nariz fino, e já com o cabelo e barba branca, fino de tornozelos, pé comprido. Foi com uma pega [argola] de ferro na perna direita e é oficial de ourives. Quem der notícia dele receberá um grande prêmio do dito senhor do escravo.

    “Gazeta do Rio de Janeiro” (RJ), 8/7/1809, número 86, página 4 (em “Avisos”).
    http://memoria.bn.br/DocReader/749664/506

    *

    JOÃO

    Fugiu no dia 10 do corrente o mulatinho de nome João, de idade de 11 para 12 anos, com os sinais seguintes: cor alva, um tanto pálido, indicando sofrer de frialdade [obstrução das artérias periféricas], cabelo crespo, levando vestido calça de brinzão [tecido forte de linho ou algodão] imitando estopa e camiseta de algodão da Bahia, tudo novo em folha, chapéu de massa [feltro] ordinária de copa baixa, tendo roubado a quantia de 80$000 em cédulas gerais e notas da caixa, tendo por costume dizer ser forro [alforriado] e que o pai morreu na guerra do Sul. Por isso, roga-se às autoridades policiais /a/ apreensão do mesmo, assim como /a/os capitães de campo, de pegá-lo e levá-lo à casa de senhor do mesmo na Rua do Mondego, que será gratificado, e o abaixo assinado protesta [promete ir à Justiça] contra qualquer pessoa que ocultá-lo.

    Manoel Antônio de S. T. Lessa.

    “Diário de Pernambuco” (PE), 3/11/1866, número 254, página 7, última coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_04/17205

    *

    JOÃO BENIM

    Fugiu há 20 dias um negro da Costa [a nação], nome João Benim, quase cego, na perna esquerda uma grande ferida; o seu tráfico [trabalho] era carregar lenha e capim: /entregue-o/ à Rua do Vigário, casa n.º 7.

    “Diário de Pernambuco” (PE), 11/6/1831, número 124, página 8, segunda coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_01/3418

    *

    JOÃO VICENTE BRAGANÇA E JOSÉ ANTÔNIO

    R$100$000 DE GRATIFICAÇÃO
    DOIS ESCRAVOS FUGIDOS.

    A todas as autoridades e a quaisquer pessoas encarregadas de apreender escravos fugidos, o abaixo assinado, morador na sua fazenda do Castelo, curato [função de cura católico] de Santa Ana da Vila de Resende, roga a captura de dois que lhe fugiram na noite de 19 de novembro de 1839, com os sinais seguintes:

    João Vicente Bragança (natural da vila deste nome), pardo bastante claro, idade 40 anos pouco mais ou menos, estatura ordinária, cheio de corpo, cabeça redonda, cabelos arrepiados e ruivos (já pintados de branco) como os do peito, braços e das pernas, bastante gordas; rosto também redondo e cheio, bons dentes e bem na frente, olhos amarelados e grandes, beiços grossos; tão corado que parece estrangeiro; masca muito fumo, tem-se por valentão, entende alguma coisa do ofício de carpinteiro, e também é amansador de bestas, fala baixo e moderadamente.

    José Antônio, que diz ser crioulo, mas é africano, idade 18 a 20 anos, estatura baixa, delgado de corpo, bastante preto, rosto comprido, ponta de barba, pestanas cerradas e meio voltadas para cima, beiços grossos e um tanto virados, bons dentes e na frente, fala fina e mansa, olhando sempre para o chão; usa pitar cachimbo e tem sinais de açoites.

    Estes dois escravos levaram na fugida dois cavalos capões de 8 anos de idade, um alazão, tamanho regular, magro, com mataduras no lombo e um pé calçado de branco; o outro, castanho-claro dourado, do mesmo tamanho, bastante barrigudo, marcha de passo; ambos com topete cortado, poucas crinas e cauda.
    Levaram mais um lombilho velho e um selim inglês, também velho, duas espingardas fulminantes, novas (sendo uma de dois canos), uma espada curta como alfanje com cabo de chifre, uma faca comprida, e diversas roupas de riscado picote, algodão americano, linho, e um ponche usado de pano azul com forro de baeta [tecido felpudo e grosso] da mesma cor.

    A quem apreender com segurança estes dois escravos, o abaixo assinado, além de responder pelas despesas e riscos que houver no caso de resistência, dará a gratificação de 50$ rs. por cada um, entregando-os na sua fazenda acima dita ou na corte do Ilmo. Sr. Antônio Tertuliano dos Santos.

    Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1839. — Antônio de Campos Freire.

    “Jornal do Commercio” (RJ), 13/1/1840, número 11, página 4, primeira coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/364568_03/44

    *

    JOSÉ

    Ausentou-se da casa de sua senhora, dona Umbelina Viana de Aguiar, sem motivo que a isto movesse, o escravo de nome José, cor bem preto, fisionomia agradável, estatura regular; tem falta de dentes na frente, cabelo carapinha e muito espesso, que costuma abri-los e fazer trunfa [arrumação de cabelo comprido] de banda; apresenta ter 28 anos de idade, é dado a tocar viola, muito ladino [aculturado] e trabalha mal de sapateiro; é natural de Garanhuns, onde tem parentes. Saiu de casa em princípio de novembro deste ano. A pessoa que o levar à sua senhora será gratificada.

    Maceió, 1º de dezembro de 1884.

    “Orbe” (AL), 14/12/1884, número 145, página 3, última coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/260959/2614

    *

    LOURENÇO

    FUGIU
    na noite de 23 do corrente, do engenho Massiape, da freguesia de S. Lourenço da Mata, o escravo Lourenço, tendo furtado 1 cordão, 1 caçoleta [medalha feminina usada ao pescoço] e 2 pares de brincos de ouro, uns botões de punho de prata, feitos de moeda de 1$000, 60$ em três cédulas de 20$ cada uma, e mais alguma roupa fina de outros escravos, levando uma trouxa de uma toalha nova de madapolão [tecido branco e muito consistente], de renda e bico, paletó preto e chapéu de sol. Tem este escravo os sinais seguintes: mulato, de 22 anos, pouco mais ou menos, estatura baixa, /de corpo/ seco, cabelos carapinhos, sem barba alguma, tem no calcanhar do pé esquerdo uma espécie de arestim [tumor esbranquiçado], que o obriga a não assentar bem o pé no chão ou a mancar quando anda, ambas as unhas dos dedos grandes dos pés feios como unhas que caíram e que nasceram mal, os dentes limados [pontiagudos, por terem sido cortados à navalha ou faca] na frente da parte de cima; sinal característico: cicatriz de talho na testa, pouco acima da pestana do olho direito, na direção da mesma pestana. Quem o apreender, 1eve-o ao escritório dos Drs. Leal & Irmão, Rua do Marquês de Olinda n.º 56, ou no engenho Massiape, que será generosamente recompensado.

    Massiape, 26 de junho de 1880.
    Lourenço de Sá e Albuquerque.

    “Diário de Pernambuco” (PE), 8/8/1880, número 181, página 6, penúltima coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_06/1448

    *

    LUIZ

    [Observação: este escravo fugiu duas vezes seguidas, em março e abril de 1817.]

    No dia 15 do corrente mês de março desapareceu um moleque novo de nome Luiz, idade de dez para onze anos, de nação Moçambique, unicamente lhe servia ainda de cobertura uma tanga de riscado de Coromandel; por sinais tem o olho esquerdo um tanto vesgo e um semicírculo na testa; levava ao pescoço alguns fios de miçanga azul, e tem as mãos e o corpo bastante sarnentos. Quem o achasse poderá dizê-lo na Loja da Gazeta ou no Armazém de Antônio Teixeira Esteves, ao Cais do Cal, onde receberá as suas competentes alvíssaras [recompensa].

    “Gazeta do Rio de Janeiro” (RJ), 25/3/1817, número 23, página 4.
    http://memoria.bn.br/DocReader/749940/2757

    *

    MARCOLINO E JACOB

    O abaixo assinado paga cinquenta mil réis a quem lhe pegar dois escravos; a saber, por cada um, dentro do município de Campinas, e sendo fora do município dá cem mil réis, por cada um a quem os pegar e trouxer em sua casa.

    Sinais: Marcolino, fugiu a 22 de junho do corrente ano, idade 34 anos, mulato escuro, cara grande, comprida e rugada, dentes abertos, sem barba, estatura baixa, cheio de corpo, pescoço curto e grosso, pés curtos e grossos, andar apapagaiado, é bom peão, é natural do Rio Grande do Sul, intitula-se forro [alforriado] por falar um pouco de espanhol, levou calças de casimira roxa, e paletó de casimira preta remendado nas mangas.

    Jacob, natural da Bahia, fugiu a 26 de julho do corrente ano, idade 30 anos, alto, é magro, bem preto, olhos vermelhos, cabelos ralos, cabeça grande, cara redonda, barba pouca, no queixo, pés pequenos e bem-feitos: ambos já foram açoitados.

    Campinas, 1 ° de agosto de 1867.
    Joaquim Cândido Thevenar.

    “Diário de S. Paulo” (SP), 28/8/1867, número 600, página 3, última coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/709557/2315

    *

    SEBASTIÃO

    A José Mariano Altino de Araújo/, morador/ de Alcântara, fugiu, a 24 de dezembro de 1854, o cafuz [cafuzo = mestiço de índio com negro] de nome Sebastião, ferreiro, 28 anos pouco mais ou menos, alto robusto e de bonita figura. Tem muitas marcas de chicote nas costas. Consta que ele anda com outro escravo de nome Gil, pertencente aos herdeiros de José Malheiros, pelas bandas de Alcântara; assim, quem capturá-lo e entregá-lo naquela cidade ao dito José Mariano Altino de Araújo ou nesta a José Ferreira da Silva Júnior, será muito bem gratificado,

    “Publicador Maranhense”, 13/12/1855, número 1751, página 4, última coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/720089/6528

    *

    SEBASTIÃO DO ROSÁRIO

    Sebastião do Rosário, crioulo, com ferro no pescoço e na perna esquerda um macho [grilhão], com uma ferida na canela direita, pescoço delgado, alto, e cara redonda: os apreendedores levem-no à Rua do Rangel D. 12.

    “Diário de Pernambuco” (PE), 15/1/1829, número 11, página 4, segunda coluna.
    http://memoria.bn.br/DocReader/029033_01/611

Recomendados para você

Recomendados