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32 Comentários
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  1. Marco St.

    24 de agosto de 2014 3:12 am

    Por dentro da produção impossível de Bohemian Rhapsody, do Queen
    queen

     

    Olá! Meu nome é Roy Thomas Baker e eu sou um daqueles caras que ninguém sabe que conhece. Ok, não sou um bonitão nem fiz alguma descoberta científica. Mas com certeza você já escutou alguma coisa em que eu coloquei minhas mãos: Stones, The Who, Bowie. Pô, já trampei até com o maluco do Zappa.

    Mas o grande lance mesmo foram os garotos do Imperial College. E deles você já ouviu falar, pode ter certeza. O Brian era um puta músico desde moleque. O Taylor também dava pro gasto. Agora, o cara mesmo era o Farrokh, ou Freddie, se você preferir. Já chegou jogando fora aquela droga de primeiro nome (“Smile” – tá de brincadeira?) e mostrando a que veio. E o cara era mesmo uma Rainha. Uma Rainha genial.

    Esse tipo de mágica só poderia ter rolado nos anos 70. E meu rolê com eles foi de 73 a 76, com uma cacetada de prêmios e cinco discos clássicos: Queen, Queen II, Sheer Heart Attack, A Night at the Opera e A Day at the Races. Mas o foco dessa história não é a carreira do Queen, nem a vida dos camaradas. O lance aqui é a música que me fez entrar com eles no Guinness, o livro dos recordes. O lance aqui é “Bohemian Rhapsody”.

    É o seguinte, 1975: a banda tinha acabado de encerrar a primeira turnê. A responsa de gravar um albúm foda era grande, e o sentimento de que aquela era a hora de consolidar o sucesso pairava sobre todo mundo. Pra pesar ainda mais a barra, a banda tinha acabado de quebrar o contrato com a Trident Records (uma gravadora sanguessuga) e ficou devendo uma nota em multa recisória pros caras. A salvação veio com o maluco do Peter Grant – o empresário do Led Zeppelin -, que descolou um contrato novo com a Swan Song Records.  Deu pra sentir a pressão? Esse álbum novo tinha que ser grande. Muito grande.

    O resto da história acho que todo mundo já conhece. O Night At The Opera foi gravado em seis estúdios diferentes, custou uma nota preta (o álbum mais caro da história, na época), e se tornou um dos maiores clássicos da história do rock. De quebra, terminou de consolidar a fama mundial do Queen, nos deixou todos ricos, me deu a chance de me mudar pra América e me juntar à CBS Records. Mas já enrolei de novo. Vamos lá: “BoRhap”.

    Um dia, Freddie me chamou no piano dele – a maravilha de um Bechstein alemão (da foto abaixo) – e me mostrou o começo de uma balada com uma puta letra densa: “Mamma, just killed a man…” Caramba, a melodia era linda. Daí ele vira pra mim e diz: “É aqui que entra a ópera”. Fiquei sem entender nada. Esse foi o primeiro contato com a música que nós apelidamos carinhosamente de “Brinquedinho do Freddie”.

    queen freddie mercury

    Ao contrário das outras músicas do Queen, que eram montadas em conjunto, “Bohemian” já chegou completa na cabeça do Mercury. Ele a estava escrevendo desde os anos 60, dá pra acreditar? No começo, a galera da banda não entendia bem o que ele queria, e não acreditava muito na música. Então ele começou a gravar sozinho, no Rockfield Studios, no País de Gales, em 24 de agosto de 75. Naquela época, a gente levava uma semana pra gravar uma música complexa. “BoRhap” levou mais de três semanas – e seis estúdios diferentes, como já falei.

    A música terminou dividida em meia dúzia de sessões: intro, balada, ponte, ópera, rock e apoteose. Se você entende um pouco de música já sacou de onde vem essa estrutura, né? Isso mesmo: da música clássica. O tom da composição é si bemol, meio tom abaixo da tonalidade em que Freddie costumava cantar (si). Ele a compôs assim para que a música soasse mais densa e pesada.

    Até a sessão da ópera, ele gravou todos os vocais sozinho em multicanais. Vale lembrar que naquela época não tinha existia essa frescura de Pro Tools. Então, cada vez que você queria sobrepor uma faixa de vocal sobre outra, tinha de rebobinar a fita e gravar por cima. Daí você me pergunta: “Mas Roy, e se rolar um erro em alguma das vozes?”. Fácil: fita no lixo e começa tudo de novo. Isso até não era muito problema em músicas convencionais, com apenas duas ou três backing vocals. Com 12 horas de produção se resolvia a parada. Agora, quando o Freddie decide gravar um coral com três caras, a coisa fica séria.

    Na sessão de ópera de “Bohemian Rhapsody”, cantaram Freddie, Roger e Brian. A combinação dos tons de voz super baixos do Brian com os médio-altos precisos do Mercury e agudos estridentes do Brian é o que dá a sonoridade única dessa parte da música. Na época, a maior quantidade de canais que uma mesa de som tinha era 24. Então não satisfeito em encher 24 pistas com vocais, Freddie continuava a gravar outros takes por cima das fitas (overdubs), até chegar no som que tinha dentro da cabeça. Foram mais de 180 overdubs e oito lotes de fitas, que seriam suficientes pra gravar dois álbuns inteiros. Ele inclusive queria gravar mais faixas de vocais, mas o fim da festa veio por parte das próprias fitas: de tanto gravar e regravá-las, as coitadas começaram a afinar e ficar transparentes. Com medo de perder tudo, Freddie deu sinal verde para continuarmos.

    queen in studio

    Todas essas fitas tiveram de ser recortadas com gilete e precisamente coladas com fita adesiva, para que os vocais gravados nas infinitas unidades diferentes ficassem perfeitamente alinhados. Como os pedaços da música foram gravados em seis estúdios diferentes, eles utilizaram uma fita com a  gravação da bateria do Roger Taylor pra se guiar, como um metrônomo.

    Em constraste a todo esse trampo, Brian May gravou aquele solo de guitarra icônico em um só take e um só canal, usando sua querida Red Special. O que dá a sonoridade especial da guitarra aqui é um amplificador caseiro que John Deacon tinha feito, e que nós apelidamos de Deacy Amp.

    No fim, a música sofre uma modulação de si bemol pra dó menor, e é isso, musicalmente, que dá aquela cara super diferente e introspectiva, como se a música fosse diminuindo, como o final de um filme frenético. Pô, confesso que foi como ver o Elvis nascer, ou alguma coisa assim. Não acreditava muito no começo, mas quando a canção foi ficando pronta, a gente simplesmente sabia que tinha toda uma nova página da história musical sendo escrita ali.

    Aí, com a música pronta, começou outro problema. Ela tinha seis minutos, o que era uma espécie de ofensa comercial, na época. A gravadora ficava dizendo “Nenhuma rádio vai querer essa merda, caras!” Mas não só seguimos em frente como transformamos ela num single. Pra fazer a galera tocar a música, espalhamos um boato pra um radialista de que a faixa era proibida de ser tocada nas rádios. Ah, meu camarada, diga pra alguém o que ele não deve fazer e esse é o caminho mais rápido pra que a tal coisa aconteça.

    Enfim. “Bohemian Rhapsody” virou um dos maiores singles da história, entrando para o Guinness, e atingiu a marca inédita de se tornar número 1 nas paradas duas vezes, uma no lançamento e outra depois da morte de Freddie. Desde lá, já tentaram reproduzir a “fórmula” do clássico diversas vezes, a mais notável sendo “Paranoid Android”, do Radiohead. Olha, podem me chamar de antiquado, mas não acho que alguém vá repetir nosso feito com essa música. E digo isso não só por causa do trabalho humano necessário para superar a falta de tecnologia (hoje, a produção levaria uns três dias, no máximo), mas, principalmente, porque os verdadeiros gênios da música são aqueles que ousam primeiro – e nesse quesito, meus amigos, igual ao Freddie, nunca mais.

    P.S.: o texto acima, baseado inteiramente em fatos reais, mas escrito em primeira pessoa e sob o ponto de vista do produtor Roy Thomas Baker, é original e criado por Mário David, colaborador do Move.

    http://movethatjukebox.com/por-dentro-da-producao-impossivel-de-bohemian-rhapsody-queen/

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=fJ9rUzIMcZQ%5D

  2. Motta Araujo

    24 de agosto de 2014 3:39 am

    http://www.brasil247.com/pt/2

    http://www.brasil247.com/pt/247/economia/151050/Diretor-do-BC-reclama-de-pessimismo-empresarial.htm

     Luis Awazu, diretor do Banco Central, figura carimbada no circuito Washington-Brasilia, reclama do pessimismo dos empresarios. Para sumidade tão admirada, há decadas circulando entre Ministerios, um ortodoxo com tons de esquerda,

    disse uma tolice, de nada adianta reclamar contra o pessimismo dos empresarios, este é decorrente de um somatorio de

    variaveis e percepções, não é alguem falando que muda esse quadro, os empresarios são pessoas em geral racionais, espertas, experientes e desconfiados, se estão pessimistas e por algum bom motivo, não se muda esse quadro por apelos e sim pela mudança do cenario, o que dependerá de muitos fatores.

    Nos Jardins em São Paulo há um numero impressionante de casas para vender e alugar, nunca houve isso em época alguma que me lembre. Uma rapída pesquisa do motivo aponta para mudanças em massa para o exterior, algum indicativo

    de um desanimo absoluto com o Pais, o que não é culpa apenas do atual governo e sim de uma percepção mais profunda,

    de um cenario lugubre resultado de certo cheiro de enxofre no ar, manifestações, violencia urbana, perseguição a empresarios todo o dia nos jornais, uma certa pregação de luta de classes, o clima não é bom, pela primeira vez em muitas decadas dá a impressão de que o Pais não tem solução à vista para problemas centrais.

  3. Diogo Costa

    24 de agosto de 2014 3:58 am

    Tática conjunta das oposições no primeiro turno

    TÁTICA CONJUNTA DA OPOSIÇÃO – As abóboras ainda não se acomodaram na carroça, mas certo é que haverá inevitavelmente um ‘acordo de cavalheiros’ entre as candidaturas de Aécio e Marina (pelo menos até que a briga pelo segundo lugar na disputa se acirre). 

    O objetivo destas duas candidaturas é um só: bater e bater e bater em Dilma e no Partido dos Trabalhadores. O objetivo comum é retirar o PT do governo federal. 

    Este já era o objetivo comum antes, com Eduardo Campos. Agora, com Marina, apenas se potencializou o estratagema. 

    A direita precisa com urgência de um enfraquecimento considerável de Dilma já no primeiro turno. 

    Trago alguns dados e depois digo porque é preciso, desde o ponto de vista da direita, enfraquecer Dilma já na primeira volta da disputa:

    -Eleição de 2002, primeiro turno: Lula fez 46% dos votos;
    -Eleição de 2006, primeiro turno: Lula fez 48% dos votos;
    -Eleição de 2010, primeiro turno: Dilma fez 47% dos votos.

    Como vemos, as votações do PT situaram-se sempre entre 46 e 48% dos votos nos primeiros turnos de 2002 para cá. 

    Com este patamar elevado de votos fica muito difícil derrotar o partido de Lula no segundo turno. 

    E fica difícil porque não existe transferência automática de votos de um candidato para outro. É impossível que um candidato transfira 100% dos seus votos para outrem, em forma de apoio formal ou informal, num segundo turno. 

    E isto vale para os apoios que o PT receberá e que já recebeu ao longo do tempo; bem como para os apoios que a oposição receberá e que já recebeu desde 2002, nos respectivos segundos turnos havidos de lá até aqui.

    Com Dilma ficando na média de 2002, de 2006 e de 2010, neste primeiro turno de 2014, a tarefa de derrotá-la se torna praticamente impossível. 

    Vejamos mais:

    1) Em 2002 Lula fez 46% dos votos no primeiro turno e 61% no segundo. Serra fez 23% no primeiro e 39% no segundo turno. Ou seja, Lula subiu 15 pontos e Serra subiu 16 pontos percentuais;

    2) Em 2006 Lula fez 48% dos votos no primeiro turno e 60,8% no segundo. Alckmin fez 41% no primeiro e 39,2% no segundo turno. Ou seja, Lula subiu quase 13 pontos e Alckmin caiu 02 pontos percentuais;

    3) Em 2010 Dilma fez 47% dos votos no primeiro turno e 56% no segundo. Serra fez 32% no primeiro e 44% no segundo turno. Ou seja, Dilma subiu 09 pontos e Serra subiu 12 pontos percentuais.

    Como vemos, e isto vale para eleições municipais, estaduais ou para a eleição nacional, não existe transferência automática de votos de A para B. 

    Repetindo, se Dilma mantiver a média dos últimos três pleitos é possível dizer que a sua reeleição, em que pese ser muito disputada, estará praticamente garantida. 

    À oposição só resta manter a tática do ‘acordo de cavalheiros’ entre si e torcer para que Dilma caia e fique num patamar de 40% dos votos válidos no primeiro turno (talvez nem isto seja o suficiente). 

    Somente assim é que teriam alguma chance, mesmo que remota, de impedir uma nova vitória eleitoral do Partido dos Trabalhadores.

    Resta saber se o PSDB contentar-se-á em ficar de fora de um hipotético segundo turno. Possivelmente não se contente e então o ‘acordo de cavalheiros’ atual sofrerá algumas fissuras, logo ali adiante.

  4. Romulo Cabral de Sá

    24 de agosto de 2014 4:38 am

    Kissinger achava que comunistas iam matar Mário Soares

    Kissinger achava que comunistas iam matar Mário Soares: http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4090549

    Fonte: Diário de Notícias, Portugal.

  5. jns

    24 de agosto de 2014 10:49 am

    O crescimento da estupidez

     

    O Declínio da Inteligência Humana

    Pesquisas sugerem que a inteligência humana diminuiu desde Era Vitoriana

    The Huffington Post  | Macrina Cooper-Branco | | 22/05/2013

    Nossa tecnologia pode estar ficando mais inteligente, mas um novo e provocante estudo sugere que a inteligência humana está em declínio.

    Na verdade, isso indica que os ocidentais perderam 14 pontos de QI, em média, desde a Era Vitoriana.

    O que explica exatamente esse declínio? 

    O estudo do Dr. Jan te Nijenhuis, professor de psicologia organizacional e do trabalho da Universidade de Amsterdã, aponta para o fato de que as mulheres mais educadas tendem a ter menos filhos do que as mulheres com formação inferior. Esta associação negativa entre QI e fertilidade tem sido demonstrada em pesquisas sobre o século passado.

    Mas esta não é a primeira evidência de um possível declínio na inteligência humana.

    “A redução na inteligência humana (se houve redução) teria começado no momento em que a seleção genética se tornou mais relaxada”, afirma o Dr. Gerald Crabtree, professor de patologia e biologia da Universidade de Stanford, ao jornal The Huffington Post em um email. “Isto ocorreu quando os nossos ancestrais começaram a viver apoiadas em   sociedades de alta densidade (cidades) e tiveram acesso a um suprimento constante de alimento. Estes fatores poderiam ter resultado na invenção da agricultura, que ocorreu cerca de 5.000 a 12.000 anos atrás.”

    O Doutor te Nijenhuis e a sua equipe, analisaram os resultados de 14 estudos sobre a inteligência,  realizados entre 1884 e 2004, incluindo um trabalho de Sir Francis Galton, antropólogo inglês e primo de Charles Darwin. Cada estudo aferido classificou os tempos de reação visual dos participantes – o tempo consumido para pressionar um botão em resposta a um estímulo. O tempo de reação reflete a velocidade de processamento mental de uma pessoa, e por isso é considerado uma indicação da inteligência geral.

    declínio da inteligência

    Um dispositivo – Chronoscopes Hipp-  usado para medir os curtos intervalos de tempo, com uma precisão de 1/1000 de segundo, usado ​​para medir o tempo de reação em laboratórios de psicologia experimental no final do século 19.

    A análise mostrou  que os tempos  médios de reação visual eram cerca de 194 milissegundos no final do século 19. Em 2004, esse tempo havia aumentado para 275 milésimos de segundo. Embora o aparelho que media o tempo de reação no final do século 19 fosse menos sofisticado do que o usada nos últimos anos, o Doutor te Nijenhuis disse ao The Huffington Post que os dados antigos podem ser diretamente comparáveis ​​com os dados modernos.

    Outras pesquisas têm sugerido um aumento aparente nos escores de QI desde 1940, um fenômeno conhecido como  Efeito Flynn. Mas o doutor te Nijenhuis sugeriu que o Efeito Flynn reflete a influência de fatores ambientais – como melhor educação, higiene e nutrição – e pode mascarar o verdadeiro declínio na inteligência herdada geneticamente no mundo ocidental.

    Fonte:

    http://www.huffingtonpost.com/2013/05/22/people-getting-dumber-human-intelligence-victoria-era_n_3293846.html

    1. ruyacquaviva

      24 de agosto de 2014 8:39 pm

      Asneira

      Só quem não entende nada de evolução pode falar uma merda dessas.

      A educação é uma característica adquirida e não tem nada a ver com a inteligência.

      Poder-se-ia dizer que a evolução leva ao aumento da inteligência porque para sobreviver com as condições difíceis as quais os pobres são submetidos, somente sendo muito inteligente (lembrando que inteligância não tem nada a ver com a educação formal).

      Portanto as dificuldades da vida dos pobres continuam selecionando os intelectualmente mais bem dotados, que são os que conseguem sobreviver e portanto reproduzir.

      Achou que é uma interpretação forçada? É verdade, mas é muito mais correta que a interpretação desse tal Dr. Jan te Nijenhuis.

  6. maria rodrigues

    24 de agosto de 2014 10:50 am

    Nassif, queria saber de você,

    Nassif, queria saber de você, mineiro bão, e jornalista dos mais informados do Brasil, se é verdade o que Aécio tem dito na propaganda eleitoral, de que saiu do governo de Minas com aprovação de mais de 95%. Se isso é verdade, então ele realmente agradou geral. Seria o caso de apresentar as realizações desse governo.

  7. Amaro Doce

    24 de agosto de 2014 11:58 am

    A suposta infecção intestinal de Geraldo Alckmin

    O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em conluio com a Rede Bandeirantes de Comunicação, inventou uma infecção intestinal para não participar do debate promovido pela própria Rede, ontem à noite.

    E assim o Alckmin escapou de responder a perguntas inconvenientes sobre o racionamento de água em São Paulo, perguntas que inevitavelmente teriam sido feitas pelo Padilha. Tudo combinado.

    1. Paulo F.

      24 de agosto de 2014 1:13 pm

      1º caso no Brasil?

      Ebola?

    2. Alan Souza

      24 de agosto de 2014 2:39 pm

      Isso é piada pronta!

      Alckmin não foi ao debate porque é um cagão!

  8. João de Deus

    24 de agosto de 2014 12:29 pm

    Jornal da Band: Boechart faz terrorismo com o preço da carne

    Jornal da Band: Boechart faz terrorismo com o preço da carne

    Foi ontem à noite. Boechart começou dizendo que o preço da carne tinha sido reajustado em mais de 9% em apenas 20 dias, baseado nas informações de um repórter que visitou UM ÚNICO supermercado.

    Segundo ele, 9% é maior do que a inflação anual declarada pelo governo, como coisa que a inflação pudesse ser medida por um reajuste sazonal (falta de chuva) de um único produto.

    E disse ainda que a tendência dos preços era o de continuar aumentando, porque nas próximos dias o Brasil vai exportar carne para a Rússia, e que as pessoas mais pobres aqui no Brasil seriam as mais afetadas, porque o Brasil vai exportar carne de segunda qualidade.

    Antes foi o tomate de Ana Maria Braga, agora é a carne de Boechart. Com um agravante no segundo caso: Boechart é quem comanda o Departamento de Jornalismo da Rede Bandeirante (ou será o Fernando Mitre?) e precisa se informar melhor a respeito das coisas que estão acontecendo no Brasil para não ser ridicularizado.

    E eu dou uma sugestão para eles obterem informações mais confiáveis: Boechart e seus amigos “jornalistas” deveriam ser obrigados a assistirem ao programa eleitoral da Dilma. É ali que se encontra a verdade. Ouviu, Boechart?

  9. Ronaldo Souza

    24 de agosto de 2014 1:05 pm

    Crianças e domingos

    Hoje é domingo

    Pé de cachimbo

    O cachimbo é de ouro

    Que dá no besouro

    O besouro é valente

    Que dá no tenente

    O tenente é mufino

    Que dá no menino

    O menino é chorão

    Tibuf no chão

    Por que foi esse “poema” a primeira coisa que me veio à mente assim que abri os olhos nessa manhã de domingo?

    Não faço a menor ideia.

    Só sei que é da minha infância.

    Lá onde convivem a curiosidade por todas as respostas e a inocência de simplesmente repetir o que se aprende.

    O que quer dizer?

    Confesso que não sei.

    Só sei que de vez em quando me vem à mente.

    Dessa vez, num domingo pela manhã.

    E sempre que me vem à mente “poetizo” em voz alta para as minhas filhas.

    Elas riem comigo? Não, de mim.

    Meu pai, você é muito besta. Ri de tudo.

    Mal sabem que já não rio de tudo.

    Mal sabem que já rio pouco.

    Será que a criança que não se foi embora quis acordar antes de mim para me lembrar que hoje é domingo, pé de cachimbo?

    Será que a criança que parece querer insistir em resistir e existir não quis que eu acordasse antes dela para ela conduzir para mim o meu domingo, pé de cachimbo?

    Será que a criança percebeu e teme que eu não seja capaz de resistir a dias tão duros e quis me dizer; descanse um pouco mais.

    Quem sabe?

    Talvez ela tenha simplesmente desejado dizer que hoje é domingo, pé de cachimbo.

    1. Raí

      24 de agosto de 2014 1:52 pm

      Fazer os filhos sorrirem, é bom demais !

      Meu caro Ronaldo, parabenizo-o por deixar-se envolver pela saudade da infancia, e de ter a capacidade de fazer os seus filhos sorrirem com você, e não de você. Aliás, se fosse a 2ª alternativa, que mal haveria ? O simples fato de nós, “gente grande” conseguir colocar um sorriso puro na boca de nossos filhos e netos, já teria valido a pena, deixar-se levar pelas velhas canções e ou “causos” contados e/ou revividos, para nossos descendentes.

      Se você conseguiu melhorar o seu domingo, agregando bom humor, aos seus, e irradiando alegria que poderia parecer infantil, meus parabens. Eu de vez em quando, ensaio fazer isto, e quando consigo, ganho o dia, que nem sempre é aos domingos.

      Tenha você e todos os companheiros do blog, um excelente domingo ! 

  10. Paulo F.

    24 de agosto de 2014 1:20 pm

    Miséria da Guerra Fria?

    Dá muito o que pensar a carta de Branson. Mas falar em miséria da Guerra Fria é um exagero sem tamanho. A miséria da Russia de Yeltsin é muito pior!

    Do Diário de Notícias de Lisboa

    Richard Branson preocupado com negócios na Rússia

    por RSF   Hoje

    Richard Branson preocupado com negócios na Rússia

    O famoso multimilionário Richard Branson lidera um grupo de empresários que se mostram publicamente preocupados com a tensão entre o Ocidente e a Rússia, na sequência da crise ucraniana.

    Na passada quinta-feira, uma carta aberta assinada por 16 empresários – que incluia nomes ucranianos e russos – apelava aos governos ocidentais, à Rússia e à Ucrânia para que conseguissem “um compromisso e uma solução pacífica para o conflito atual”, e que “trabalhassem em conjunto para garantir que [o mundo] não regresse à miséria da Guerra Fria”.

    Richard Branson, o “patrão” da Virgin, é o signatário mais famoso, mas a carta, segundo a Reuters, incluia as assinaturas do presidente executivo da Unilever, Paul Polman, e do industrial ucraniano Viktor Pinchuk.

    Também cinco empresários russos assinaram o documento: Dennis Ludkovsky, presidente executivo da Svyaznoy, a maior rede de lojas de telemóveis da Rússia; Maxim Ivanov, fundador da rede de supermercados Foodline Group; Arkady Novikov, dono de vários restaurantes; Sergei Petrov, fundador do grupo Rolf, de venda de automóveis; e o lóbista Igor Yurgens.

    Branson contou posteriormente à comunicação social que falou com 100 empresários russos. Apenas os referidos cinco assinaram a carta.

     

  11. Cláudio José

    24 de agosto de 2014 2:07 pm

    Reeducação Financeira (dicas)
    3/08/2014 23:29:57 – Atualizada às 24/08/2014 01:09:44

    Confira dicas de especialistas para fazer sua reeducação financeira

    Aceitar que há uma dificuldade em relação ao orçamento familiar e adotar a complexa mudança de hábitos com ações concretas são algumas das orientações

    O DIA

    Rio – Da mesma forma que para emagrecer e ter uma vida mais saudável é necessário mudar os hábitos, se reeducar financeiramente também requer atitudes novas. Mas, em vez de excluir o chocolate do cardápio, de reduzir a quantidade de gordura ingerida e frequentar a academia, no orçamento, a ponderação toma o lugar dos gastos extras. 

    Embora a regra já seja conhecida pelos adultos, muitas vezes não é colocada em prática, dando margem para a inadimplência e o endividamento. Em casos como esse, compreender o próprio orçamento é o primeiro passo para a mudança. “As pessoas sabem como economizar, mas poucas o fazem”, explica o consultor Álvaro Modernell. De acordo com ele, identificar que está com um problema financeiro é o mais difícil. “É imprescindível aceitar que há uma dificuldade em relação ao dinheiro e mudar com ações concretas”, complementa Modernell. 

    Diego Reis cortou, em conjunto com a esposa, gastos como comer fora, ir ao cinema frequentemente e comprar por impulso produtos desnecessáriosFoto:  Márcio Mercante / Agência O Dia

    A palavra-chave para diminuir os gastos e ter uma reserva de capital para as emergências é controle. “Nunca compre nada sem pensar e, de preferência, espere de dois dias a uma semana para decidir se precisa ou não do produto”, recomenda o consultor. Mesmo com as informação ao alcance, os consumidores ainda se endividam por terem vergonha de pedir ajuda. É o que diz o professor de Educação Financeira do Instituto Dsop, Adenias Gonçalves Filho. “As pessoas não querem assumir para outras os problemas financeiros e isso atrapalha muito na resolução”, resume. 

    O professor conta, ainda, que inaugurou um curso para empresas no qual os funcionários pedem orientações a ele por meio do telefone. “São pessoas que já atingiram a idade adulta, por volta dos 35 anos, que esqueceram as regras básicas da Educação Financeira e precisam ser reeducadas, mas ficam receosas de serem julgadas”, acrescenta. 

    Os erros que ele mais escuta são a falta de uma poupança, o uso do cheque especial como renda, o excesso de financiamentos e o impulso nas compras. Mas o consultor Eduardo Machado explica que esses hábitos são fáceis de abandonar. “Não é necessário abrir mão de nada, apenas substituir por outras atitude”, recomenda. 

    ‘Viciado’ em perfumes, o casal Reis mudou o hábito após o nascimento do filho Arthur, de 4 mesesFoto:  Márcio Mercante / Agência O Dia

    Machado cita o lazer como exemplo. Segundo o especialista, se a pessoa vai ao cinema toda semana, ela pode reduzir para duas vezes ao mês. “O ideal é procurar atrações gratuitas, mas não deixar de se divertir, já que uma rotina restritiva é difícil de ser seguida”, reconhece. Ele acrescenta, ainda, que o mais importante é a força de vontade. “Sabendo o que se quer, é possível fazer mudar”, garante.

    Controle gera redução de 30% no bolso

    Com a vinda de Arthur, hoje com quatro meses, os pais Diego Reis, 31 anos e Nathalia Lacerda, 29, tiveram que mudar não apenas a rotina da casa, mas o orçamento também. O fotógrafo conta que a adaptação foi difícil, mas necessária. “Não tem como levar o mesmo ritmo, cortamos muitas atividades”, confirma. Entre elas, o casal deixou de comer fora sempre para cozinhar em casa.

    Mesmo assim, Reis assume que ainda cometem alguns deslizes. “Eu e minha esposa somos viciados em perfumes, então continuamos comprando, mesmo quando não podemos às vezes”, comenta rindo o morador de Vila Isabel. Já na casa da diretora da Mundo Contábil Assessoria, Simone Fragoso, 38 anos, o controle é mais visível. Ela contabiliza os gastos da família, composta pelo marido, 44, Diego, 17, e Beatriz, 4, em uma planilha no computador.

    Ao mudar para um bairro mais caro, a família de Simone passou a contabilizar todos os gastosFoto:  Márcio Mercante / Agência O Dia

    “Passei a fazer eles controlarem tudo quando nos mudamos de aluguel mais baixo para um mais alto e a economia foi de 30% mensalmente”, afirma. Além disso, a família é educada para não deixar as luzes acessas, não usar mais água do que o necessário e conter as compras pessoais.

    Brasileiro poupa menos

    O brasileiro está poupando menos em 2014. É o que dizem os números da caderneta de poupança e dos fundos de investimento do primeiro semestre deste ano. As captações líquidas somadas dessas modalidades, que estão entre as mais acessíveis ao pequeno investidor, caíram de R$119 bilhões nos primeiros seis meses de 2013 para apenas R$ 11,5 bilhões no mesmo período deste ano. 

    O consultor Eduardo Machado explica que há uma grande oferta de crédito e as pessoas estão endividadas. “O governo ofereceu muito, mas não deu educação. O resultado é uma população que recebe apenas para pagar contas”, diz. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o endividamento das famílias foi a 63% em julho, última medição do indicador, contra 62,5% em junho.

    Entre as dívidas captadas pela pesquisa estão cartão de crédito, cheque pré-datado, carnês, financiamentos de carros e imóveis, cheque especial, crédito consignado ou pessoal, entre outros. Entretanto, de janeiro a julho, a caderneta de poupança captou R$ 13,64 bilhões, segundo o Banco Central (BC). O valor, 63,7% menor que o do mesmo período de 2013, é também o mais baixo para a primeira metade do ano desde 2011.

    Deixe as contas no azul

    1 – Faça os serviços domésticos, evitando contratar empregadas, diaristas e jardineiros. Nesses casos, o custo mensal pode reduzir consideravelmente usando apenas algumas horas do seu dia.

    2 – Pondere as compras. Você realmente precisa ter mais um par de sapatos? Faça a pergunta antes de comprar o produto por impulso e deixar guardado no armário. Pensar antes de gastar dinheiro é o primeiro passo.

    3 – Verificar o quanto você gasta ao mês, semestre ou ao ano em tarifas bancárias é um bom indicador se o banco está corroendo suas finanças. Se discordar dos valores pagos, busque outros bancos.

    4 – Reduza os gastos com as contas básicas. Quando sair de um cômodo, desligue a luz. O mesmo vale para a água, já que não há necessidade de escovar os dentes com a torneira aberta, por exemplo.

    5 – Não use o cheque especial como renda extra. A modalidade é um empréstimo que o banco oferece, mas os juros são os maiores entre os produtos financeiros, até mesmo que do cartão de crédito. 

    6 – Liste todos os seus gastos. É muito mais palpável quando há um documento com as despesas expostas. Dessa forma, você saberá exatamente quais cortar e o que pode manter no orçamento.

    7 – Coma mais em casa do que na rua. Além de economizar, estar na cozinha pode se transformar em um momento de prazer. Leve a família para o cômodo e faça um almoço em conjunto, por exemplo.

    8 – Estabeleça metas de poupança para a realização de sonhos e para ter uma reserva financeira destinada a cobrir imprevistos. Pagando à vista é possível negociar preços.

    9 – Estabeleça limites de gastos para cada categoria de despesa e acompanhe ao menos semanalmente se os gastos estão evoluindo dentro do limite definido. Repensar é uma das recomendações.

    10 – Requisite a participação de toda a família, inclusive os filhos. Peça ajuda a todos os membros, para que eles se sintam também responsáveis pela saúde financeira da família. Assim, ficará mais fácil estabelecer o orçamento familiar.

    Não fique no vermelho

    1 – Usar o cartão de crédito como forma de financiar as compras é muito perigoso para o orçamento. Além dos juros altos, as parcelas se unem e a dívida pode ficar mais alta do que você espera no fim do mês.

    2 – Quando não há um controle claro das despesas, é muito mais fácil se enrolar. Saiba exatamente em quais itens você está usando o seu dinheiro e não tenha surpresas desagradáveis para o bolso.

    3 – É preciso ter hábitos que sejam equivalentes ao quanto você ganha. Se você recebe um salário mínimo, não tem como sustentar idas aos restaurantes mais luxuosos da cidade, por exemplo.

    4 – Um erro muito comum é não pensar na aposentadoria. Mesmo que guardar dinheiro para o período diminua o seu orçamento, é necessário olhar para o futuro para tentar manter o mesmo ritmo de vida.

    5 – Não esqueça das festas e não deixe para comprar o presente na véspera. Todo ano tem Natal, Páscoa e outras datas comemorativas, então prepare-se. Seu filho já disse o que deseja? Vá guardando o dinheiro. 

    6 – Além de evitar dívidas, ao comprar à vista o consumidor consegue ter noção do dinheiro que está gastando. O carnê, por exemplo, dá a impressão de que você tem mais dinheiro do que realmente possui.

    7 – Passar os seus ensinamentos financeiros aos seus filhos é muito importante. A mesada é uma forma, mas lembre-se: é necessário que haja controle, só assim ele aprenderá de forma prática.

    8 – Muitas pessoas têm os sonhos de comprar um carro e ter a casa própria. Mas qual é a sua prioridade? Pense no que trará mais estabilidade para a sua vida e programe-se, sem comprar no impulso.

    9 – Não viaje se você não tem uma reserva. O ideal é programar o período, pelo menos, seis meses antes do embarque. Dessa forma, é possível economizar até 50% nas passagens e na hospedagem.

    10 – Ter um investimento é uma das formas de não entrar no vermelho. Aplicar o dinheiro e ter um retorno gera uma multiplicação do dinheiro investido. Estude o melhor segmento para você e aplique

     

  12. jns

    24 de agosto de 2014 2:26 pm

    Ernst Hess

     

    O Comandante Judeu que Recebeu a Proteção de Hitler

    Ernst Hess sobreviveu ao holocausto devido a ordem dada diretamente por Adolf Hitler.

    A sua mãe, Elisabeth Hess, escapou da máquina de extermínio nazista e buscou refúgio no Brasil.

    Jewish Voice from Germany | Susanne Mauss | 4 de Julho de 2012

    Susanne Mauss, a editora do Jewish Voice from Germany, encontrou um documento da Gestapo, oriundo da Chancelaria do Reich, determinando que o juiz Ernst Hess não fosse perseguido ou deportado por causa de origem judia. 

    Adolf Hitler protected his Jewish former commanding officer

    Ernst Hess, comandou a companhia onde Hitler serviu, na Primeira Guerra Mundial, e, apesar de suas raízes judaicas, foi poupado do genocídio promovido pelos nazistas

    Durante a Primeira Guerra Mundial, Hess foi oficial e superior na companhia onde Hitler serviu e sua proteção durou até 1942, quando, na Conferência de Wannsee, os procedimentos para o assassinato dos judeus europeus foi codificado. 

    Ernst Hesse Hitler lutaram na mesma unidade durante a Primeira Guerra Mundial e, mais tarde, Hess obteve a proteção pessoal do Führer – por um tempo. 

    O único fator que protegeu Ernst Hess da deportação foi o seu “privilegiado casamento miscigenado” com Margarete Hess, mas a sua irmã, assim como milhões de outros judeus, foi assassinada pelos nazistas.

    A História Não Contada

    Desde que o Terceiro Reich entrou em colapso, em 1945, os historiadores e jornalistas foram à procura de fontes escritas que possam lançar luz sobre o desenvolvimento social e intelectual de Adolf Hitler que, finalmente, levou-o para a “Solução Final da Questão Judaica”.

    Uma ironia desta história trágica é que Hitler, de vez em quando, concedia a sua proteção pessoal para as pessoas que estavam marcadas para morrer. Um exemplo é Eduard Bloch, o “Nobre Judeu” de Linz. Ele foi o médico de família que tratou a mãe de Hitler e obteve a proteção pessoal do Führer. Sob as ordens de Hitler, Bloch não foi tocado quando a Áustria foi anexada pelo Reich alemão, em 1938, e a sua imunidade continuou até a sua emigração em 1940.

    Comandante de Hitler

    Um arquivo mantido pela Gestapo em Düsseldorf inclui uma carta do infame Heinrich Himmler, o Reichsführer da Schutzstaffel (SS, Proteção Squadron), que concede expressamente ao juiz (Amtsgerichtsrat) Ernst Hess, um ex-oficial e comandante da companhia de Adolf Hitler durante a guerra, a proteção “conforme os desejos do Führer”. Essa proteção foi aplicada durante um momento em que a situação para os judeus alemães estava se tornando mais e mais dramática. Himmler fez questão de informar a todas as autoridades e funcionários competentes que o companheiro de guerra de Hitler “não poderia ser importunado de qualquer forma”.

    A carta que foi enviada por Heinrich Himmler, Reichsführer da SS e chefe supremo dos campos de extermínio, em 27 de agosto de 1940, concedendo “auxílio e proteção de acordo com os desejos do Führer” a Ernst Hess.

    Ernst Moritz Hess, nascido em 1890, em Gelsenkirchen, se juntou à 2nd Royal Bavarian Reserve Infantry, como oficial no início da I Guerra Mundial, no mesmo regimento que Hitler foi incorporado. Os dois foram mobilizados para frente Flanders, no outono de 1914, servindo no que ficou conhecido como o “Regimento List” (RIR 16) até 1918.

    A Cruz de Ferro

    Ernst Hess ficou gravemente ferido, em outubro de 1914. Em 1916 ele comandou, temporariamente, a companhia de Hitler. Condecorado com a Cruz de Ferro Classe 1 e 2, bem como a Ordem Militar de Mérito da Baviera, ele foi promovido a tenente em 1918. Em 1934, Hess chegou a ser condecorado com a Cruz de Honra da Primeira Guerra Mundial 1914/1918. A filha de Hess lembra que seu pai voltou a encontrar os antigos companheiros do Regimento List no final de 1920 e início dos anos 1930. Eles sempre ficavam surpresos quando ele contava que Hitler tinha estado em suas fileiras. “O que, Hitler? Ele estava em nossa unidade? Nós nunca reparamos nele.” Hess então explicava que Hitler não tinha amigos dentro do regimento e nunca dizia uma única palavra a ninguém e ‘foi absolutamente nulo”. Hess, pelo contrário, tinha formado relacionamentos duradouros e um dos seus amigos era Fritz Wiedemann, ex auxiliar qualificado de campo do Regimento List e, depois, ajudante pessoal do Führer, entre 1934 até 1939. Além de Wiedemann, ele também tinha ligações com Hans Heinrich Lammers, que foi o chefe da Chancelaria do Reich. Essas relações seriam úteis, mesmo que apenas por um tempo, porque, e apesar de Ernst Hess ter sido batizado como protestante, pelas Leis Raciais de Nuremberg ele foi classificado como um “judeu puro-sangue.”

    A Morte Espiritual

    Hess era filho do advogado Julius Hess, admitido para atuar nos tribunais superiores. A sua mãe era Elisabeth, nascida Heertz, descendente de uma família de banqueiros de Wetzlar. Ernst Hess foi casado com Margarete Witte, um protestante, com quem teve uma filha, Ursula. No início, a família se estabeleceu em Düsseldorf, movendo-se para Wuppertal, quando Hess foi forçado a se aposentar como juiz, a partir de 1 de janeiro de 1936. Depois de ser espancado por agentes da SS na frente de sua casa, no outono de 1936, Hess mudou-se, com sua família, para Bolzano, na Itália, em outubro do ano seguinte. Ele havia escolhido Tirol do Sul, uma província de língua alemã, anexada pela Itália depois da Primeira Guerra Mundial, para a sua filha de onze anos ser educada em um ambiente de língua alemã. Já em junho de 1936, Hess tinha enviado uma petição para Hitler, pedindo uma exceção a ser feita para si e sua filha, que foi classificada como um “mestiça em primeiro-grau” sob a ideologia racial nazista. Em sua carta, Hess se referiu à sua educação cristã e a sua visão política patriótica, bem como os seus serviços na Primeira Guerra Mundial. Hess, um juiz judeu sensível, que tocava violino e violão a nível concerto, deu voz a sua dor, fechando sua carta com a observação: “Para nós, é uma espécie de morte espiritual ser agora marcados como judeus e expostos ao desprezo geral”. Embora Hitler tenha rejeitado a petição em 1936, ele permitiu que a pensão de Hess fosse transferida para a Itália em 1937, ainda que em quantidade reduzida. Além disso, ele mais tarde dispensou Hess da obrigação de ostentar o nome “Israel”, que o identificava como judeu, como havia sido determinado desde janeiro de 1939. Graças aos contatos privados que a família Heertz mantinha com o cônsul-geral alemão na Itália, Otto Bene, Ernst Hess foi ainda capaz de obter um novo passaporte, em Março de 1939, que não foi carimbado com um “J” vermelho. Isto permitiu que ele pudesse viajar, algo que outros judeus não podiam mais fazer nesta altura. Em junho de 1939, o Contrato de Opção de Tirol do Sul entre a Alemanha e a Itália deram à população de língua alemã da região a escolha de permanecer no Tirol do Sul ou mudar para o Reich alemão até o dia 31 de dezembro de 1939. Como resultado, a família Hess foi forçada a retornar à Alemanha. As tentativas da família para ir à Suíça falhou, apesar de dois cidadãos suíços darem o aval para eles. A emigração planejada para o Brasil para se juntar ao irmão de Ernst Paul também deu errado.

    Confiando nas garantias de Wiedemann e Lammers, que ele iria continuar a desfrutar de “proteção de Hitler”, Ernst Hess mudou com a sua família para a remota aldeia bávara de Unterwössen perto de Traunstein, em meados de 1940, depois de uma breve estadia com sua mãe e a irmã em Düsseldorf. Ele escolheu esta aldeia particular para que a sua filha Ursula pudesse permanecer no internato Marquartstein nas proximidades. No final de junho de 1941, Ernst Hess foi intimado a comparecer na “Aryanization Office” em Munique. Quando ele apresentou a sua carta de proteção, emitida por Lammers, ao oficial de plantão da SS, Franz Richard Mugler, o documento foi tirado dele. Hess foi informado que a ordem de proteção foi revogada em maio de 1941 e que ele era agora “um judeu como qualquer outro” e a família de Hess nunca viu a cópia original da carta novamente. As petições que Margarete Hess enviou para Hans Lammers e Otto Bene , Berlim, foram infrutíferas. Os contatos que a família tinha com Fritz Wiedemann já não eram suficientes, porque ele tinha caído em desgraça com Hitler em 1939 e tinha sido relegado para o cargo de Cônsul-Geral em San Francisco.

    O Assassinato de Berta

    Ernst Hess foi, então, deportado para Milbertshofen, um campo de concentração para judeus perto de Munique, onde ele foi forçado a trabalhar sob a vigilância de oficiais da SS. Mais tarde, ele foi designado, como um trabalhador comum, para o quartel que participava de construções em parceria com a empresa L. Ehrengut e foi alojado pela Gestapo em um “Jew House” de propriedade do joalheiro Karl Silberthau em Nibelungenstrasse 12. A única coisa que ainda protegeu Ernst Hess da deportação foi o seu “casamento miscigenado privilegiado” com Margarete Hess. Após o alojamento Ehrengut ser destruído por bombas aliadas em 1943, Hess foi designado para ser encanador em Georg Grau, servindo em trabalhos forçados até o dia 20 de abril de 1945. Durante este tempo, Margarete Hess viveu em Unterwössen em uma lavanderia úmida com seus pais, enquanto a filha Ursula foi forçada a trabalhar na fábrica da empresa elétrica Alois Zettler em Munique. Quando o pesadelo do Terceiro Reich tinha finalmente terminado, Ernst Hess decidiu não retornar ao poder judiciário, apesar de ter sido nomeado como presidente de um Tribunal Regional no que mais tarde se tornaria o Estado Federal da Renânia do Norte da Vestfália. Depois de tudo o que ele tinha passado, segundo ele, não poderia ser um “supervisor adequado” para todos os ex-colegas que agora contavam com ele, com a expectativa de receber um documento para ‘branquear’ a sua conduta durante o regime nazista. Embora ele estivesse ciente de que isso significava que ele iria acabar sem dinheiro, ele se recusou à nomeação para o Tribunal de Düsseldorf.

    Através de contatos pessoais, ele recebeu uma proposta de emprego na Reichsbahn (mais tarde Deutsche Bundesbahn), a rede ferroviária nacional que estava à procura de executivos com um registro limpo. Hess iniciou a sua nova carreira em 1946. De 1949 até 1955, atuou como Presidente da Autoridade Ferroviária Federal Alemã, em Frankfurt / Main.

    Depois de receber a Grã-Cruz da Ordem de Mérito da República Federal da Alemanha, ele foi premiado com uma placa de honra da cidade de Frankfurt em 1970. Hess faleceu em Frankfurt, em 14 de setembro de 1983. Os privilégios concedidos aos Ernst Hess não aliviaram situação de sua família em Düsseldorf. A sua mãe Elisabeth (nascida em 1866) e a sua irmã Berta (nascida em 1888) acreditavam que a “proteção” concedida a Ernst também se estendia a elas. Quando o seu status foi revisado em 1942, estabeleceu-se que eles não teriam um cartão de identidade judaica, não usariam a estrela amarela, e não teriam o seu apartamento em Brend’amourstrasse, devidamente, marcado como uma residência judia.

    Além disso, Berta Hess tinha revelado, em Düsseldorf-Oberkassel, que “contava com a proteção especial do Partido Nacional-Socialista”. Adolf Eichmann, do Gabinete de Segurança do Reich, em Berlim, negou categoricamente o pedido e, pessoalmente, assinou a ordem de deportação de Elisabeth e Berta. Em 21 de Julho de 1942, Elisabeth e Berta Hess foram levadas para Theresienstadt. Berta Hess foi assassinada pouco tempo depois em Auschwitz e a sua mãe Elisabeth foi capaz de escapar da máquina de extermínio nazista, quando tomou o primeiro e único trem, saindo Theresienstadt para a Suíça, em 05 de fevereiro de 1945, e nunca voltou para a Alemanha e se juntou a seu filho Paul no Brasil.

    jewishVoice.jpg

    http://jewish-voice-from-germany.de/cms/hitlers-jewish-commander-and-victim/

  13. MiriamL

    24 de agosto de 2014 2:28 pm

     
    Julio Cortázar — 100

     

    Julio Cortázar — 100 anos

     

    Por Ernani Ssó
    Especial para o Sul21

     

    Há cem anos – em 1914, dia 26 de agosto –, nascia Julio Cortázar. Eu poderia seguir assim por páginas, mas sei que o velho cronópio não tinha paciência com a burocracia, daí que pensei em comemorar a data redonda de um modo não muito redondo, às vezes me deixando levar por digressões entusiasmadas. Mais, como o texto foi escrito faz um certo tempo e retomado várias vezes, contém acréscimos em forma de ps, o que, em minha opinião, deixou tudo mais vivo, ou desleixado se você quiser.

    Gabriel García Márquez disse que “Os ídolos infundem respeito, admiração, carinho e grandes invejas, claro. Cortázar inspirava todos esses sentimentos como muito poucos escritores, mas além disso inspirava outro menos frequente: a devoção”. Aí está: devoção. Mas por quê? Que diabos Cortázar tem que desperta devoção em tantos leitores? Eu mesmo, um leitor bastante crítico, até maledicente segundo os maledicentes, continuo devoto. Por quê? O texto a seguir é, entre outras coisas, uma tentativa de resposta a essa perguntinha.

    julio cortazar

    Um tal Julio ou amores literários

    “A melhor qualidade de meus antepassados é a de estarem mortos; espero modesta mas orgulhosamente o momento de herdá-la. Tenho amigos que não deixarão de me fazer uma estátua em que me representarão de bruços no ato de chegar a um charco com rãzinhas autênticas. Botando uma moeda numa ranhura, me verão cuspir na água, e as rãzinhas se agitarão alvoroçadas e coaxarão durante um minuto e meio, tempo suficiente para que a estátua perca todo o interesse.”

    Julio Cortázar, Rayuela.

    Grandes escritores há muitos, mas amados são poucos, não? Faça as contas: quantos você ama? Admiração e simpatia não valem. Falo de amor a sério, tipo Romeu e Julieta, Dante e Beatriz, Jane Calamidade e Wild Bill Hickok, por aí.

    Você ama Dostoievski? Ama Flaubert? Certamente há quem ame, como Mario Vargas Llosa a Flaubert e Robert Arlt a Dostoievski, mas você, mas multidões? Eu sou permissivo em matéria de literatura. Demais, quem sabe. Tenho paixões, casos, flertes: Julio Cortázar, Mario Quintana, Jorge Luis Borges, Stendhal, Gogol, Turguenev, Tchecov, Rabelais, Cervantes, Melville, Stevenson, Graham Greene, John le Carré, Georges Simenon, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Sérgio Faraco, Ivan Lessa, Luis Fernando Verissimo, Rex Stout, Erle Stanley Gardner, Edgar Allan Poe, Dickens, J. D. Salinger, Philip K. Dick, Brian W. Aldiss, Stanislaw Lem, Raymond Chandler, Ross Macdonald, Sófocles, Henry Miller, Campos de Carvalho, Irmãos Grimm, Kafka, T. S. Eliot, Drummond, Rubem Braga, Ítalo Svevo, Anne Tyler – eu poderia continuar por páginas e assim mesmo esquecer alguns. Olha aí, tinha me esquecido de Nabokov, como é que pode?

    Se alguém estranhar na mesma lista nomes como Borges e Stout, Melville e Gardner, meus mais sentidos pêsames. Isto aqui não é um concurso de seriedade. Isto é uma festa. Falo de amor ou de puro prazer. Também falo de inquietações, mas vamos deixar para os bustos de bronze a pose de intelectual preocupado com o grave destino deste vale de lágrimas.

    Se na hora de subir na arca Noé reclamasse do excesso de bagagem? Se eu pudesse levar apenas um autor? Acho que escolheria Cortázar. Cheio de remorsos eu escolheria Cortázar. Sei que minha escolha será apoiada por muitos com grande algazarra. Com Cortázar sim pode-se falar de multidões. Por quê? Não acho que tudo o que ele escreveu seja divino, maravilhoso, pelo contrário, mas continuo fiel, mesmo com Borges tomando a dianteira todo santo dia, mesmo que hoje eu mal suporte algumas coisas que me encantaram na adolescência, como certa partes de Los premios, por exemplo. Isso apenas complica a pergunta, não?

    Tenho uns palpites. Quer dizer, eu pensava que tinha, porque há meses tento escrever estas notas e em poucas frases acabo enrolado nos meus próprios argumentos. Quando consigo ser legível, não passo disso – falta cor e brilho ao meu texto. O pobre parece um anúncio de néon desligado: informa mas e daí? O mais sensato seria desistir, só que aí me sinto injusto: Cortázar faz parte da minha biografia, não posso, não devo nem quero silenciar.

    O jeito talvez seja ir lembrando algumas leituras.

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    Primeiro Round

    Foi amor à primeira leitura. Uma colega de aula, a jornalista Heloísa Golbspan, me emprestou Los premios. Que susto! Então era possível escrever assim? Adolescente sem a mínima graça, ainda não tinha metido na cabeça ser humorista, mas era freguês de caderno (H) de Mario Quintana e fazia plantão na banca de jornal, toda semana, à espera do Pasquim. O diabo é que agora encontrava o humor e a irreverência num romance. Eu não era um ignorante total, conhecia Oscar Wilde, Mark Twain, o Machado de Assis de O alienista e o García Márquez de Cem anos de solidão, mas faltava a eles alguma coisa. Por mais que eu me divertisse, por mais que eu me encantasse, não poderia dizer: estão falando comigo, diretamente comigo, como a um camarada ali no bar da esquina – sem solenidade, sem impostura. Se você não é sensível a isso, sinto muito, meu nego, mas nunca me convide pra um chope.

    Fiquei louco com a intimidade que sentia com os personagens. Mal tinha começado o livro, me vi sentado com Lopez no London bebendo uma Quilmes Cristal não muito gelada. Era isso. Até a temperatura da cerveja era real. Como esse tal Cortázar conseguia isso? Como conseguia que eu aceitasse tão prontamente o seu jogo? Por que eu me sentia participante desse jogo? Por que logo eu me esquecia de que era um jogo?

     

    julio_cortazar

    Na certa o humor influi. Não uma série de tiradas, de gracinhas, que podem perturbar, mas um jeitinho, o astral de algo que está como quem não quer nada entre as palavras e vai se infiltrando em nosso sangue e logo rola manso em nossas veias como os primeiros goles de um bom tinto. Isso modifica nossa disposição para com a – suspiro – vida. Não é que a gente se torne indulgente, é que há uma espécie de desdramatização, ou a supressão daquele ar de peste que liquida com tantas ficções, porque Los premios tem muitos momentos dramáticos. Cortázar anota ridículos e infâmias dos seus personagens sem tremer a mão, mas há, sei lá, compaixão e ternura – ele nos diz as piores coisas sobre nós mesmos sem que haja aí uma ânsia de extermínio da humanidade.

    Outra coisa: o mimetismo. Parece uma besteira, mas só quem tentou sabe como é difícil. Cortázar se cola nos personagens: o que está escrito é o que eles pensam, sentem e veem. Mais: o texto não nos informa sobre uma ação, tenta ser essa ação – isso nos puxa para dentro do livro. O autor é um intermediário invisível entre o que é dito e nós, leitores.

    Releio os dois últimos parágrafos com cansaço. Explicam um pouco, mas não o que importa, o estado de graça efervescente em que o livro me deixou. Cortázar uma vez disse: “Essa biblioteca me deu milhares e milhares de horas de felicidade. Quando escrevo sou feliz e penso que posso dar um pouco de felicidade aos leitores. E quando digo felicidade não estou dizendo felicidade beata: pode ser exaltação, amor, raiva, digamos: potenciação”.

    Estamos ficando quentes. Você, não sei, mas eu realmente me senti feliz, o que acabou sendo um problema. Depois de provar o gostinho da felicidade, a maioria dos autores se tornou muito chata, muito mais chata do que já me parecia. Na certa isso acontece com outras pessoas em relação a outros escritores e na certa, como eu, sentem que tiveram uma sorte danada, que de algum modo foram salvas. Salvas, entende-se, de passar o resto da vida à procura da ponta do próprio nariz.

    Foto: Alberto Jonquieres

    Foto: Alberto Jonquieres

    PS: Outro dado nada desprezível: Cortázar procurava evitar os truques sempre, ou criava novos. É preciso muita cancha ou muitas releituras para se saber como foi que ele escreveu, principalmente os contos. Mas alguns desses contos me resistem até hoje. Parece que sempre existiram, como pedras, árvores, rios. Parece que apenas usaram Cortázar para se revelar. Eu ao menos não consigo pensar no mundo sem “La casa tomada”, “Después del almuerzo”, “Circe” ou “Las fases de Severo”. O próprio Cortázar repetia não ter mérito pelos contos, não ser responsável por eles, que era o primeiro a se surpreender com o que saía da máquina.

    PS2: Pensando em contos como “Las fases de Severo”, “Circe”, “Después del almuerzo”, “Cefalea”, “Las puertas del cielo”, “Cartas a mamá”, “El perseguidor”, “Los venenos”, “La puerta condenada”, “Las Ménades”, “Final de juego”, “Intrucciones para John Howeell, “Todos los fuegos el fuego”, “El otro cielo”, “Los pasos en las huellas”, “Manuscrito hallado en un bolsillo”, “Verano”, “La noche de Mantequilla”, “Tango de vuelta”, “Fin de etapa”, “Satarsa”, “La escuela de noche”, “Pesadillas”, “Silvia”, “Siestas” e “Ciao, Verona” me pergunto: Cortázar é mesmo um autor só pra adolescentes? Deve ser. Tenho visto muitos adolescentes com quarenta ou cinquenta anos ou mais. Na verdade, tenho visto até alguns vovôs ainda em plena adolescência.

    Outra coisa: muitos críticos dizem que lá pelas tantas Cortázar começou a se repetir, que contos como “Noche boca arriba” e “Todos los fuegos el fuego” ou “La puerta condenada” e “Cartas de mamá” são a mesma história contada do mesmo jeito. Nos primeiros, a mistura de tempos e lugares distantes. No outros dois, o horror despontando no final de uma situação cotidiana. Sim, e daí? São os mesmos problemas vividos por pessoas diferentes, daí o clima e as emoções serem outros. O próprio ritmo, que é fundamental em Cortázar, uma espécie de dança em que mete o leitor, também é diferente. Mas mesmo que nem clima, emoções e ritmo fossem diferentes, por que todo esse nariz torcido? Qual escritor não se repete? A rigor, pra não se repetir, o cara tem que escrever apenas um livro. Ninguém troca suas obsessões como quem troca de camisa ou cueca. Sem falar que, se vamos ver direito, temos uma tendência a usar camisas e cuecas do mesmo tipo.

    JULIO CORTAZAR - palimpsestos-jf.blogspot.com

    PS3: Muitos meses depois, mas com Cortázar me acontece isso, retomo a conversa como se não houvesse interrupção nenhuma. Em Conversaciones con Cortázar, de Ernesto González Bermejo (Edhasa, 1978), há um trecho revelador:

    Bermejo: “Las fases de Severo” talvez seja o conto mais inquietante de Octaedro, e o mais desconcertante”.

    Cortázar: “Inquieta a mim mesmo. É como aquele continho de Bestiário, ‘La casa tomada’. Um dia me perguntei por que entre todos os meus contos esse inquieta muito mais do que os outros e agora acho que tenho a explicação: esse conto é a escrita exata de um pesadelo que tive.

    “Sonhei o conto – com a diferença de que não havia ali esse casal de irmãos; eu estava sozinho –, o típico pesadelo onde você começa a ter medo de algo inominável, que nunca chega a saber o que é porque o terror é tão grande que você acorda antes da revelação.

    “Nesse caso se tratava de uns ruídos confusos que me obrigavam a me atirar contra as portas, a fechá-las e a ir retrocedendo enquanto os ruídos continuavam avançando e algo tomava a casa.

    “É curioso como lembro: era pleno verão em minha casa de Villa del Parque, em Buenos Aires; acordei banhado em suor, desesperado, frente a essa coisa abominável, e fui diretamente para a máquina e em três horas o conto estava escrito. É a passagem direta do sonho para a escrita.

    “E então acho que o interesse que as pessoas têm por esse conto tem que ver não apenas com o prazer literário que possa lhe produzir, mas com algo que toca suas próprias experiências profundas. O que dizíamos de Jung e o inconsciente coletivo.

    “‘Las fases de Severo’ nasceu de uma espécie de alucinação visual. Um dia eu estava lendo ou escutando música – não lembro bem – e num certo momento me apareceu mentalmente um rosto humano totalmente coberto de mariposas, de traças.

    “Me produziu uma sensação de horror aquele rosto prateado, móvel, recoberto de milhares de animais, como certas máscaras astecas ou equatorianas.

    “Foi tudo o que vi e, de repente, senti que o conto estava aí, que isso fazia parte de uma série de rituais. Mas isso não bastava para fazer um conto. Severo é uma espécie de profeta, de xamã que naquele clima de velório – onde parece que o estão velando – prediz os destinos, anuncia a ordem em que os presentes vão morrer. É uma coisa inventada no momento em que vi todo o conto, porque se me limitasse a descrever as fases, isso não teria sido um conto”.

    É isso, me parece: somos presas do fascínio da literatura de Cortázar porque ela lida com nossas experiências mais profundas, porque essas experiências passam direto, ou quase, do sonho para o papel. A carga de emoção é avassaladora. Só depois, só muito depois, a razão ensaia alguma reação. Eu ao menos leio Cortázar como uma criança ouvindo contos de fadas, ou o botocudo ouvindo os mitos da tribo.

    Parece um dado menor, mas não é, não: se apenas descrevesse as fases, não haveria conto. Se apenas descrevesse as fases, teríamos jornalismo. Sentimos as fases se formando sob nossos olhos – há a surpresa, o mistério do instante. Sentimos intimamente que o próprio Cortázar não sabia aonde aquilo ia dar nem o que exatamente significava. Ele pressentiu alguma coisa e está atrás, tocando de ouvido.

    CORTAZAR

    Segundo Round

    Para rebater Los premios, a Heloísa – gracias, Helô – me emprestou Final de juego. Em seguida fui correndo comprar Bestiario. Desde o começo os contos de Cortázar me deram a impressão de alguém que acorda com uma aranha andando pela cara e que tenta se livrar dela com um tapa, imagem usada pelo autor em algum lugar. Sinto em cada linha a tensão, o desespero do gesto – o gesto é quase sempre inútil para o personagem, mas o personagem não renuncia a ele, nem se lamenta. Romantismo? Talvez também se possa chamar isso de saúde.

    A gente sabe que cada conto (ou pelo menos os melhores) era uma aranha que Cortázar tirava de cima de si mesmo. Ao contrário de muitos, não morria abraçado com a aranha. Porque, se uma literatura cheia de aranhas não me leva a um exorcismo qualquer, nem parece admitir que essas aranhas tenham um avesso ou nem deem um segundo de folga, me sinto num jogo de cartas marcadas. Sou prisioneiro e o autor, uma espécie de carrasco. Deve-se notar que o carrasco também é um prisioneiro: ao escrever, o autor vive a aventura que eu, leitor, vivo em seguida. No fundo o carrasco é mais prisioneiro, porque o autor não conseguiu deixar de escrever, não teve opção, enquanto que eu posso muito bem ler umas linhas e atirar o livro pela janela e escolher outro.

    Pra mim a leitura de um bom conto de Cortázar sempre foi a revelação da aranha sobre meu rosto com o consequente tapa. O tapa é que faz a diferença. Cortázar uma vez disse que, se não tivesse escrito Rayuela, talvez tivesse se atirado no Sena. Em Rayuela Horácio Oliveira enfrenta o diabo a quatro e no fim se mata, ou enlouquece, ou afunda na mediocridade, ou espera pacientemente recuperar o fôlego antes de tentar de novo. Seja qual for o final preferido pelo leitor, Oliveira se dá mal. Mas Cortázar se salvou através dele e nós, leitores, de uma certa forma também. Não afundamos num maelström de aranhas.

    Mas houve mais, houve a invenção, houve o senso lúdico e não fui capaz de passar o fio de uma navalha entre eles. Claro que eu acho que deve ter de tudo um pouco, mas Cortázar me converteu à invenção para sempre. Acho que a realidade é um bicho muito arisco. Não se deixa nem apontar com o dedo, muito menos pegar. É preciso grande astúcia e paciência para surpreendê-lo um instante antes que fuja de novo. Parece que quanto mais a gente o persegue, mais o danado do bicho escapa e mais zomba de nós. A invenção, por aparentar fazer pouco caso do bicho, por aparentar estar se afastando dele, acaba burlando suas defesas, sem falar no que existiu em nós mesmos trabalhando a seu favor. É, se você inventa e é fiel à invenção, à sua lógica interna, suas opiniões sobre a Vida, sobre a Existência, sobre tantas coisas que se diz em maiúscula, têm menos chances de interferir e estragar a festa. Quando se inventa, o inconsciente, esse outro bicho arisco, acaba mostrando o focinho ou deixando a ponta do rabo de fora.

    Depois, a invenção quase sempre é mais plástica. O que um jornalista poderia nos dar sobre um homem botando um blusão? Se for inteligente, é capaz de intuir algumas coisas sobre o homem, mas acho duvidoso ainda que essa reportagem, no caso de ultrapassar a mera correção, consiga chegar à beleza. Cortázar nos deu “No se culpe a nadie”, em Final de juego, conto que é um verdadeiro bailado de suspense e terror.

    julio-cortazar-2

    Mas veja, Cortázar não transformou uma situação cotidiana numa aventura mortal. Ele arrancou dela uma aventura mortal. Ele descobriu nela a aventura que estava latente – porque, estamos cansados de saber, não se inventa a partir do nada. Quem não lembra de se embaraçar com um blusão quando era criança? Aquela sensação de ficar meio amarrado, meio sufocado. O conto é essa sensação levada ao limite. Se Cortázar fosse realista, se dissesse que a gente sentiu isso, a coisa morria aí mesmo, podia ser um parágrafo não muito interessante numa outra história. Não. Ele nos faz reviver a sensação. O conto deu forma à sensação, como nos sonhos. A razão, as palavras vêm depois. Mas você pode muito bem passar sem elas. Algo em você, algo no fundo do seu sangue, já entendeu, já foi tocado. Ítalo Calvino, ao comentar esse conto, disse que se sentia surrado, fisicamente. Acho muito boa essa observação, não sei se porque senti a mesma coisa. A melhor parte do “sentido” desse conto é essa surra. Difícil explicar isso pra profe botar na ficha de leitura. Fica mais fácil a gente cavar com a pá da psicanálise ou encolher os ombros: ah, os fundos falsos da realidade.

    Outro detalhe, talvez ligado a isso: os melhores contos de Cortázar me deixam a sensação de serem objetos, coisas entalhadas. Simenon é que dizia que escrevia assim, como um artesão trabalhando um pedaço de madeira. Cortázar tem um pequeno texto em que mostra como se veste uma sombra. Texto poético, erótico, mas podia muito bem ser uma metáfora da escrita, não? Com as palavras e o tato certo você pode vestir uma sombra mal entrevista entre outras. Se você a vestir direitinho, ela pode parecer sólida e tridimensional.

    Quanto ao senso lúdico, nem sei por onde começar. Sabe-se, uma criança que não brinca é uma criança doente. O brinquedo é um espaço que a criança abre na realidade para instalar a própria realidade num modelo mais flexível e aí poder explorá-la, aí poder se expor. Mas e nós, marmanjos? Se alguns brinquedos já caducaram para nós, outros nos aguardam, basta termos preservadas essa disposição infantil de explorador e a capacidade de encarar a realidade não como um bloco de granito mas como uma massa de modelar.

    A literatura é como o brinquedo, ou é um brinquedo, a criação de um território onde a gente ensaia outros gestos, onde busca um sentido. Mas Cortázar me pegou na hora em que o vi levando o brinquedo para dentro do brinquedo. Isso dobra as possibilidades de prazer de um livro e dobra a liberdade de movimentos do escritor, coisas que vão repercutir no leitor, se é que dois mais dois é quatro.

    Cortazar, julio

    Terceiro Round

    Não li, tomei um porre de Rayuela. Por vinte anos eu o esperava sem saber que o esperava e sem saber que preparava meu fígado apenas para ele. Foi de uma violência e de uma maravilha difícil de explicar e mais difícil ainda de engolir. Levei quase outros vinte anos e outros dez ou quinze autores para fazer um quatro razoavelmente equilibrado. Reli mais outros livros, sim, mas uma coisa é certa: tudo o que me aconteceu depois em literatura foi para me defender de Rayuela. A defesa começou a ficar interessante na hora em que passei a usar contra Rayuela as armas que a própria Rayuela me deu.

    Já se disse que é um livro que agrada aos jovens. Só pode. Trata-se de uma busca – e uma busca nada sóbria. Cada página se levanta como um galo de briga contra tudo quanto é certeza, contra o que um crítico e Cortázar chamaram de status quo literário. Como eles, acho que é uma crítica imperfeita, quer dizer, o galo apanha em muitos momentos, mas veja a sangueira e o andar trôpego do vencedor. O mero sucesso de Rayuela é um sinal claro de que há algo de podre no reino das belas letras, detalhe que jamais entrará na cabeça dos Josué Montello ou Nélida Piñon desta vida, ou daquela gente que caiu de quatro com os malabarismos técnicos de Cortázar e pensa que isso é o melhor Cortázar, que isso é Cortázar.

    Mas antes da crítica, muito antes na verdade, o que me encantou na época e continua me encantando agora é a atmosfera, o uso da linguagem (a luta contra os lugares-comuns, incluindo ainda os narrativos e psicológicos) e a fluência espantosa de Cortázar. Num mundo ideal, nenhum escritor seria considerado como tal se não fosse fluente, porém, contudo, todavia, as coisas sendo como são, vemos as livrarias cheias de autores que precisam de papel pautado pra escrever e deixam à mostra a bengala que usam entre uma palavra e outra. Notei, sem estranhar, que vários autores que insistem que Cortázar é um autor pra adolescentes, que eles mesmos se deslumbraram na adolescência e depois caíram si, quando ficaram adultos, fazem parte dessa turma da bengala e do papel pautado. Eles podiam se conformar com a mediocridade de um modo mais digno, me parece.

    Não custava nada a Cortázar pegar Rayuela e fazer cortes, amarrar pontas, preencher vazios. Provavelmente teríamos um livro perfeito, mais um livro perfeito, mas não teríamos Rayuela. Cortázar se propõe uma espécie de esponja monstruosa que tenta absorver tudo, mesmo o que não pode ou não deve. Temos o romance e sua cozinha, o serviço sujo, confundindo assim um pouco leitura e escrita, o que exige maior participação do leitor, o que o torna quase um cúmplice, como virou moda dizer. Nas palavras de Cortázar, ou do personagem Morelli, Rayuela é o romance em gestação, autor e leitor vivendo-o juntos, no mesmo instante.

    RAYUELA-1

    Isso tudo parece ligado ao improviso, que Cortázar amava no jazz e tentou transplantar para o papel. Mas não se pense que para Cortázar improviso era encher páginas de qualquer coisa que lhe passava pela cabeça e deixar por isso mesmo. O poder de associação e o senso de ritmo do homem são miraculosos, e treinados uma vida inteira. Logo nas primeiras palavras, nos grandes momentos, o texto acerta o passo, entra numa cadência e segue, nos levando juntos. Cortázar disse através de Morelli que “escrevo dentro desse ritmo, escrevo por ele, movido por ele e não por isso que chamam de pensamento e que faz a prosa, literária ou não (…). Esse balanço, esse swing em que a matéria confusa vai se formando, é para mim a única certeza de sua necessidade, porque apenas cessa compreendo que já não tenho nada que dizer. E é também a única recompensa de meu trabalho: sentir que o que escrevi é como as costas de um gato sob a carícia, com faíscas e um arquear-se cadenciado”.

    Para isso é preciso uma entrega e uma vigilância totais. Qualquer interferência, qualquer cochilo, pronto, perde-se o fio das associações, perde-se o pulso do ritmo. Depois ainda tem que Cortázar revisava de forma implacável os seus textos – como disse Borges, nele cada palavra foi escolhida. Quer dizer, aquele ar de desleixo é apenas isso, ar. Como Juan, o herói de 62, Cortázar gostava de contar as coisas com uma espécie de desorganização artística, o que ajuda a disfarçar o esqueleto que sustenta a narrativa.

    Por falar em ritmo, Cortázar era fanático por música. Inúmeras vezes disse que era um músico frustrado, que teria sido mais feliz na música do que na literatura. Pois é. Mas lendo-o, eu me pergunto: se ele não era, quem é músico, então?!

    Cortázar é sempre movimentado, não tem nada de canção de ninar. Lemos longos trechos, onde não acontece grande coisa, de modo inflamado, como criança acompanhando o mocinho a toda no seu cavalo alazão, dando vinte tiros com seu revólver de seis. Isso é importante na medida em que muitos romances atulhados do que se chama ação se mostram intragáveis como ofícios burocráticos.

    Rayuela ainda me deu o modo como Horácio Oliveira lida com as palavras, como já falei de passagem. Lembro direitinho de quando lia a cena final do primeiro capítulo, Oliveira às voltas com o cubo de açúcar no restaurante. O cubo caiu no chão e rolou, em vez de ficar parado “por razões paralelepípedas óbvias”. Não ri – não ri de pura surpresa. Eu acabava de descobrir um negócio chamado linguagem.

    Foi uma sarna. Quanto mais eu me coçava, mais vontade tinha de me coçar. De tanto me coçar, com os anos comecei a achar que em grande parte do que escreveu Cortázar não se livrou das palavras: o fato de viver falando na traição delas, de surrá-las em público não demonstra como estavam ligados? Há momentos em que ele não nos deixa esquecê-las. Claro que as palavras são um prato cheio para o humor, mas não sei se não preferia um Cortázar menos luxuoso, menos exuberante às vezes. Balanço entre o autor que aponta para as palavras e o que as deseja invisíveis, como se fosse possível o leitor nem se dar conta de que lê.

    Hoje, quando releio algum trecho de Rayuela, me dou conta de que continuo amando várias cenas, mas vejo com tristeza que outras parecem ter se esgotado. Quanto aos contos, bem, os que eu gostava mais são justo os que gosto cada vez mais. Talvez porque agora os compreenda melhor, porque agora sei das manhas e mesmo assim eles resistem.

    cortazar-3

    Quarto Round

    A lua de mel continuou febril: Todos los fuegos el fuego, Las armas secretas, Historias de cronópios y de famas, La vuelta al día en ochenta mundos, Último round, 62 – Modelo para armar e Octaedro. Eu não era mais um leitor, era um crente. Esses livros me pareciam e me parecem mais interessantes do que outros mais bem acabados, ou profundos. Talvez eu aceite suas fraquezas porque, além do charme avassalador, Cortázar se arrisca sempre, não engorda sobre território conquistado. A literatura de Cortázar é de combate permanente, linha a linha, muitas vezes contra si mesma e contra a literatura em geral, talvez sem razão às vezes, mas e daí? Essa atitude de busca, de invenção contra a rotina, de luta mesmo quando a sabe perdida de saída, me toca e então torço, me orgulho e agradeço. Quero ser assim quando crescer. Como se vê, com Cortázar – como com todos os que realmente valem a pena – não se trata apenas de literatura, mas de visão de mundo, de postura frente a essa baderna que chamam de realidade.

    Aí vieram os anos de cão.

    Estava tentado a deixar pra lá, não por covardia e sim por cansaço de ver que nas discussões em que entram a política e a religião as pessoas ouvem apenas o que querem muito mais do que nas outras. Mas é aquilo, se a gente cala… Como Cortázar é um autor cheio de babados formais, manadas de oligofrênicos evadidos das faculdades de Letras, na calada da noite, cometeram todo tipo de atentado ao pudor. A política naturalmente atraiu novas manadas, pitorescas como as outras, mas bem mais sinistras.

    Eu poderia citar uma porção de ataques a Cortázar, ataques que vão da canalhice ao absurdo, sem faltarem os chiliques do mais deslavado nacionalismo. Seria divertido e instrutivo, só que agora me interessam principalmente duas coisas, a literatura e o militante Cortázar. Como minhas informações sobre o militante não são muito profundas, fico num ponto que me parece chave, abrindo aspas para um pequeno texto de Cortázar que saiu em Último round, chamado “No te dejes”:

    “É óbvio que tratarão de comprar todo poeta ou narrador de ideologia socialista cuja literatura influa no panorama de seu tempo; não é menos óbvio que do escritor, e só dele, dependerá que isso não aconteça.

    “Em troca, será mais difícil e penoso para ele evitar que seus correligionários e leitores (nem sempre uns são os outros) o submetam a toda gama de extorsões sentimentais e políticas para forçá-lo amavelmente a se meter cada vez mais nas formas públicas e espetaculares do ‘compromisso’. Chegará um dia em que, mais do que livros, lhe reclamarão discursos, conferências, assinaturas, cartas abertas, polêmicas, idas a congressos, política.

    CORTAZAR EM PARIS - LITRATURA.ORG.BR

    “E assim esse justo, delicado equilíbrio que permite seguir criando uma obra com ar nas asas, sem se transformar num monstro sagrado, o prócer que exibem nas feiras da história cotidiana, se torna o combate mais duro que o poeta ou narrador terá de livrar para que seu compromisso continue se cumprindo ali onde tem sua razão de ser, ali onde brota sua folhagem.

    “Amarga e necessária moral: Não se deixe comprar, garoto, mas tampouco vender”.

    É, Cortázar não se deixou comprar, quando isso seria facílimo, mas – amarga e necessária observação – se deixou vender. Esteve em todas as feiras, com artigos, discursos, conferências, polêmicas. Até arriscou a pele algumas vezes em territórios quentes. Apoiou Fidel Castro sem reservas. Pôs toda a sua fama a serviço da publicidade cubana, depois nicaraguense. Segundo Saúl Yurkiévich, no suplemento de El País, “nunca deixou de ser escritor. Mas nos últimos anos escrever implicava literalmente se esconder do mundo, necessitando uma energia e uma vontade enormes que nem sempre encontrava. Dava escapadas, se refugiava em ilhas”. Agora, Cortázar não apenas entrou na roda-viva política, como passou a depreciar muito do que tinha escrito, dizendo por exemplo que os primeiros livros não problematizavam nada além da própria literatura, enfim, que eram livros do tempo da arte pela arte.

    Sempre vi a expressão arte pela arte usada de modo pejorativo. Por quê? Se arte, para ser arte mesmo, precisa ir fundo no homem, jamais será uma coisa gratuita, feita de nada em pleno ar para admiradores de nada que vivem no ar. Um poema de amor é engajado, me parece, já que até o último mendigo ou o mais feroz revolucionário tem seus probleminhas amorosos. Se você acha que assuntos como a fome e a tortura têm primazia, escreva você mesmo. Para outros pode ser a solidão, a alegria, o sexo, o sonho, o brinquedo, sei lá. Mais: não se anda atrás dos temas, os temas é que vêm até a gente. Não é possível controlar o processo criativo na base da força de vontade, ou é, mas o resultado não vale um dólar furado. Limitar os temas que devem ser abordados, ou limitar os ângulos de abordagem desses temas, é o que foi dito: limitar. Qualquer pessoa, por mais imbecil que seja, é um bicho muito complexo para caber nos esquemas de crentes de qualquer espécie. Arte pela arte pode ser uma legenda pejorativa para gente que pensa que a arte é um adorno, um mero enfeite, ou deseja que ela funcione como um decreto governamental ou uma forma de assistência do tipo Exército da Salvação. Mas pode também ser a determinação do artista em ser fiel à arte, ao que a arte supõe de compromisso, quer dizer, ser profunda, tentar pegar o homem inteiro, da fome ao sonho mais delirante, não ser apenas um manual de sociologia ou economia, ou uma campanha publicitária de determinada causa, por mais justa que a causa possa ser.

    Foto: fysm-149.wp.trincoll.edu

    Foto: fysm-149.wp.trincoll.edu

    Me perdoem o discurso, mas é que me tira do sério ver gente dizendo que o melhor de Cortázar está em Alguien que anda por ahí e Queremos tanto a Glenda (publicado aqui como Orientação dos Gatos). Penso que é exatamente o contrário. O pior da ficção de Cortázar está nesses livros. Em Queremos tanto a Glenda há uns bons contos, mas falta o brilho, aquela força que arrasta tudo pela frente. Bons contos? Talvez contos corretos, com uma exceção, uma senhora exceção: “Tango de vuelta”. Com uma história mínima, e sem esforço aparente, Cortázar dá um baile em muito joyceano de plantão em matéria de como se escreve um monólogo. Por falar nisso, as oficinas de literatura deviam dar cursos sobre a técnica de monólogo de Cortázar. Coisa simples, de uns cinco anos, três vezes por semana.

    Essa falta de brilho tinha sido pior em Alguien que anda por ahí, também com uma exceção, o último conto, “La noche de Mantequilla”, onde temos a implacável descrição da execução de um militante pelos próprios companheiros durante uma luta de boxe, espécie de reedição melhorada de “Los amigos”, de Final de juego. Acho que se pode falar de outra exceção ainda: “Las caras de la medalla”. Um conto de amor angustiante, muito discreto e estranho dentro da obra de Cortázar, que só pode ser compreendido inteiramente ao se ler “Ciao, Verona” (um belo conto, por sinal), que foi publicado postumamente em Papeles inesperados. No conto “Alguién que anda por ahí” Cortázar dá um show de carpintaria literária, mas isso basta? Um bom conto não é algo mais do que um texto impecável? Em “Apocalipsis de Solentiname” Cortázar parte para a denúncia política. Muito bem, este Cortázar pode ser uma pessoa melhor do que a que escreveu “La casa tomada”, o mais famoso conto dos tempos da “arte pela arte”, agora, cá pra nós, como escritor é um arremedo desse Cortázar anterior.

    Veja, “La casa tomada” vai mais fundo do que a denúncia de “Apocalipsis” porque “Apocalipsis” se esgota na comprovação da denúncia, quando sobre “La casa” você pode escrever um tratado. “Apocalipsis” só permite uma leitura. “La casa” quase tantas quantas forem seus leitores. Para se ter uma ideia, houve quem viu nela “a angustiosa sensação de invasão que o ‘cabecita negra’ (o povão peronista) provoca na classe média”. Não é uma piada minha, não, para reforçar meus argumentos – embora eu goste de humor grotesco –, nem uma tentativa de fazer um conto mais fantástico do que os que Cortázar produziu. Isso foi dito por um tal Juan José Sabreli em Buenos Aires – Vida cotidiana y alienación.

    "Um autor que destruiu moldes, lugares-comuns na produção literária e, sobretudo, desacomodou o leitor" l Foto: federasur.org_.br

    Foto: federasur.org_.br

    Um texto que permite uma única leitura é um texto raso, mecânico, numa palavra: morto. A maleabilidade de “La casa tomada” – como a palavra do profeta, é tudo para todos, como diria Borges, que Alá o proteja para sempre – aproxima o conto da própria realidade, do que ela tem de inquietante e misterioso, de ambíguo. Isso é vivo – e nada que é vivo é inofensivo, nada que é vivo nos deixa indiferentes. Através do pesadelo dos irmãos de “La casa tomada” sei mais sobre as pessoas, sobre o que há de sombra nelas, o que me deixa mais armado para compreender o que há de sombra em mim mesmo. Com “Apocalipsis” eu não tenho nada além da informação que eu teria em qualquer página de jornal.

    Penso que Cortázar só acertou o passo entre sua vocação de contista fantástico com seu interesse pela política, alcançando a velha e mortal eficácia dos melhores momentos, no último livro de contos, Deshoras, com “Pesadelos”, “Satarsa” e “La escuela de noche”. Aqui a gente até agradece seu interesse pela política, porque isso ampliou o território de sua literatura, ou quem sabe do conto fantástico, que em termos de política quase nunca ultrapassou a sátira, não? Aqui a gente sente assombro por um talento que sobreviveu a uma máquina de moer carne que trabalhou incessantemente por mais de duas décadas.

    PS: Quando reclamaram de sua militância política, invocando os altos destinos da literatura, já que a relegara a um segundo plano, ele disse que pouco ligava pros altos destinos da literatura, que pra ele uma ação ética valia qualquer livro que pudesse escrever. Pode parecer um peitaço da vaidade, não? Uma bela enrustida, não? Mas ele publicou Libro de Manuel sabendo que, literariamente, o livro deixava a desejar, mesmo que tenha inúmeras páginas de dar água na boca. Publicou por motivos pedagógicos — note-se, em benefício da esquerda, não da direita, e nenhuma delas parece ter entendido patavina, a julgar pelas resenhas. E não ganhou um tostão com ele. A grana foi toda pra oposição a Pinochet. Entre parênteses: admiro essa banana a uma carreira literária, mas sou egoísta, preferiria mais livros de Cortázar. O que ele escrevia, só ele escrevia. Já sua contribuição política, em termos práticos, foi mínima e poderia ser dada por quase qualquer pessoa. Mas ele tinha esperanças e era um bom sujeito, ao contrário de mim.

    Julio Cortazar Portrait Session

    Quinto Round

    Em algum ponto de Rayuela se discute o momento certo de parar. Fala-se de Armstrong e Picasso.

    “Agora os dois estão feito uns porcos. Pensar que os médicos inventam curas de rejuvenescimento… Vão continuar nos fodendo outros vinte anos, vai ver.

    “– Nós não – disse Etienne. – Nós já demos um tiro neles no momento certo, e tomara que me acertem quando chegar minha hora.

    “– A hora certa. Não pede nada, cara – disse Oliveira, bocejando. – Mas é isso, já demos o tiro de misericórdia neles. Com uma rosa em vez de uma bala, digamos. O que continua é costume e papel carbono (…).”

    Com Alguien que anda por ahí e Queremos tanto a Glenda me senti traído: Cortázar estava na fase papel carbono e não tinha se dado conta. Não é fácil, como nota Oliveira, mas eu estava mal acostumado com tanta lucidez e ironia. Levei um bom tempo para digerir o sapo.

    A notícia da morte de Cortázar me pegou como a notícia da morte de um tio distante. Morria o Cortázar de Alguien que anda por ahí, não o das Armas secretas, digamos. É horrível dizer, mas esse morto não me fazia muita falta. Tempos depois li Un tal Lucas, um bom livro, me parece, mas meio rarefeito, meio como se tivesse sido escrito por um discípulo aplicado de Cortázar. O próximo, Deshoras, veio realmente fora de hora. Na época, não consegui o original e a tradução brasileira tardou mais do que devia. Deshoras fechou minha boca. Cortázar não estava velho, não estava acabado coisa nenhuma. Apenas tinha estado fora de órbita uns tempos. Mas continuo achando que devia ter posto no lixo os maus contos, tenho a mesma sensação do grupo do conto “Queremos tanto a Glenda”, o desejo de corrigir as imperfeições do nosso amor nem que seja apelando para o assassinato.

    Minha última leitura, Los autonautas de la cosmopista, foi uma tristeza. A ideia da viagem me parece bela. Apenas a ideia já deixa entrever o que foi Cortázar, esse homem com jeito de menino travesso brincando de gente grande que brinca de ser menino travesso. Mas é isso, uma bela ideia muitos podem ter. O que fez a diferença foi que Cortázar a executou. Mais: executou-a em péssimas condições, ele e a mulher à beira da morte. A gente sente isso em cada linha. O livro parece escrito porque Cortázar e Carol resolveram escrever, porque precisavam escrever como se não escrever fosse admitir a derrota. Não há alegria, não há entusiasmo, não há prazer nas palavras. Até as tentativas de humor não têm graça nenhuma. Admiro a atitude dos autores, esse compromisso com o brinquedo, o compromisso de brincar com toda a seriedade até o fim, de não desobedecer as regras.Mas o livro é penoso. Não consegui terminá-lo e não consigo afastar a imagem de Cortázar nos últimos meses de vida, doente, sozinho, acabando de escrever a última linha e pensando: aí está, Carol. Posso vê-lo juntando a página ao resto do manuscrito e depois o queimando lentamente.

    PS: Muitos anos depois dos Autonautas, li Papeles inesperados e Clases de literatura – Berkeley, 1980. Em Papeles, como já mencionei, há “Ciao, Verona”, um conto excepcional. Apenas ele vale o preço do livro. Em Clases, destaco o capítulo sobre o que Cortázar entendia por música na literatura. Melhor eu recolher os adjetivos, pra não parecer boboca. Aí se entende por que a atmosfera e a fluência de um texto podem ser mais poderosas que o dito conteúdo, o tema explícito, a mera informação, como elas fazem parte do sentido do texto, um sentido mais profundo e misterioso. Talvez seja por elas que é tão prazeroso reler histórias que sabemos de cor. Como ouvir música, não?

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    Último Round

    Não preciso reler os rounds anteriores para saber que falhei. Tudo o que disse talvez explique por que Cortázar é um bom escritor, ou o que pra mim faz um bom escritor, mas não explica por que eu e muitos leitores temos amor por ele, por que seus textos são dos que despertam afeto.

    Pablo Neruda descreveu uma doença pavorosa que ataca as pessoas que nunca leram Cortázar. É isso. Se você não leu Leon Tolstoi, por exemplo, o que acontece? Sim, trata-se de uma grave lacuna intelectual, mas e daí? Eu guardava Guerra e paz para o caso de ser preso um dia*. Cortázar pode não ter a metade da importância de Tolstoi, mas se você não o leu a gente pensa na hora: coitado. É como nunca ter visto o mar ou provado o sabor do vinho. Exagero conscientemente. É que para quem ama Cortázar é assim, algo vital.

    Quase no fim, após anos de exílio, esteve na Argentina. Como sempre sem se anunciar, praticamente clandestino. Uma tarde, numa esquina no centro de Buenos Aires, foi reconhecido por uma multidão que vinha em passeata. Na mesma hora mudaram as palavras de ordem. Em coro, a multidão gritou esta frase, intraduzível sem perder a graça:

    – Bienvenido, carajo!

    As pessoas, antes de continuar a passeata, compraram todos os livros que encontraram numa banca próxima. Cortázar autografou até livros de outros autores.

    Me pergunto: que país, que escritor produziria essa cena? Me pergunto: ela vale ou não vale mais que um Nobel? Mas ainda houve uma melhor.

    Um pouco antes de morrer, Cortázar estava em Barcelona, andando à noite pelo Bairro Gótico. Havia uma garota, americana, bonita, que tocava violão e cantava meio como Joan Baez. Um grupo de jovens estava ao redor, ouvindo. Cortázar parou, meio afastado, nas sombras. Dali a pouco, um jovem de uns vinte anos se aproximou dele com um bolo na mão e disse: “Julio, pegue um pedaço”. Ele pegou, comeu e disse: “Muito obrigado por ter vindo e me dado o bolo”. O rapaz: “Olhe, eu lhe dei tão pouco comparado com o que você me deu”. Cortázar: “Não diga isso, não diga isso”. Então se abraçaram e o rapaz foi embora.

    * Como a cana demorava, acabei lendo. Mas pulei horrores. Não sei se o releria mesmo preso.

    CORTAZAR - JAZZ - LITERATURA.ORG

    .oOo.

    Ernani Ssó é o escritor que veio do frio: nasceu em Bom Jesus, numa tarde de neve. Em 73, entrou pro jornalismo porque queria ser escritor. Saiu em 74 pelo mesmo motivo. Humor e imaginação são seus amuletos.

  14. MiriamL

    24 de agosto de 2014 2:41 pm

    Getúlio Vargas por Santayana

    Getúlio Vargas por Santayana e Samuel Pinheiro Guimarães

     

    Publicado em 28/08/2012

     

    “58 anos sem Getúlio Vargas” foi o tema do programa Contracorrente, da TV Cidade Livre de Brasília, no qual o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães , ex-Ministro de Assuntos Estratégicos do Governo Lula e o Jornalista Mauro Santayanna refletiram sobre o papel histórico do mandatário que nos deixou num dia  24 de agosto , mas deixando uma obra que, até hoje, tem uma marca de atualidade e chega mesmo a interferir positivamente na conjuntura política brasileira atual.

     

     

    Fotos: Memorial Getúlio Vargas

     

    Para Samuel Pinheiro Guimarães uma das provas de que houve permanentemente uma preocupação dos setores dominantes em desconstruir a imagem da popularidade de Vargas é a rara divulgação das fotos sobre a gigantesca marcha de milhões de brasileiros no Rio de Janeiro que levou o corpo do ex-mandatário do Palácio do Catete até o aeroporto Santos Dumont. 

    “Houve sempre uma conspiração dos segmentos oligárquicos da sociedade, entre eles os da mídia, para que fosse totalmente apagada e adulterada a imagem real de Vargas como um presidente apoiado fortemente pelas massas populares” declarou.

    Santayanna,  que estava presente nesta  imensa manifestação relatou que os militares ligados à Aeronautica,  maior protagonista operativo da conspiração para derrubar Vargas,  atiraram diversas vezes contra a multidão para intimidá-la.

    “Primeiro, eram tiros de festim, depois balas de verdade. Lembro que um trabalhador negro que caminhava ao meu lado, com a capa do jornal Última Hora no peito, levou um tiro e morreu na hora. Apesar disso, a marcha continuou, e o corpo  de Vargas  foi levado até o aeroporto para ser embarcado para São Borja” disse.

    Resistência ao golpe

    Santayanna também revelou ao Programa Contracorrente que, no dia 12 de agosto, portanto 12 dias antes da morte de Vargas, o presidente foi a Belo Horizonte para inaugurar as instalações da Manesmann, oportunidade em que Juscelino Kubstchek,  então governador mineiro, e  Tancredo Neves, então Ministro da Justiça, tentaram propor a Getúlio uma manobra de resistência ao golpe de direita que já estava em marcha.

    “JK e Tancredo propuseram a Vargas transferir a  capital para Belo Horizonte e a partir dali organizar uma resistência livre da pressão da República do Galeão, onde a Aeronáutica comandava articulações para exigir a deposição do presidente. JK  me confidenciou ter sentido Vargas já meio resignado e, aos 71 anos de idade,   sem disposição para uma luta de resistência”  relatou.

    Aliás, o jornalista também lembrou que antes de tomar posse Vargas já havia dito à imprensa que acreditava  que dificilmente chegaria ao final de seu mandato.

    Morrer por uma boa causa

    Mauro Santayana também revelou  ao Programa  o relato de Tancredo Neves, sobre a reunião ministerial com Vargas que só terminou na madrugada do dia 24 de agosto de 1954,  oportunidade em que havia proposto ao presidente uma ação militar, com os dispositivos militares que eram leais ao presidente, para defender o mandato presidencial, prendendo a cúpula golpista e  convocando também a população para defender a legalidade. Diante da proposta de Tancredo, que Vargas ouvira com atenção, segundo o relato do ex-presidente mineiro,  o Ministro do Exército, General Zenóbio,  demonstrou vacilação  e pouco empenho de lutar em defesa da legalidade, alegando ainda que  a ação poderia resultar em mortes. Foi quando ocorreu o ponto mais tenso da reunião pois Tancredo, diante da postura fraquejante  de Zenóbio declarou:  

    “General, morrer todos vamos um dia. Existem poucas oportunidades na história e na vida de morrer por uma boa causa. Esta é uma delas, Não a desperdicemos”,  declarara Tancredo,

    seguindo-se ainda um momento de forte tensão quando a filha de Vargas, Alzira Vargas, de dedo em riste chamou o general Zenóbio de covarde e traidor, pois já circulavam rumores de que ele já fazia planos para participar do governo do vice presidente, Café Filho.

    Atualidade

    A atualidade de muitas das medidas adotadas por Getúlio Vargas também foram destacadas pelos dois convidados do programa Contracorrente.  Santayanna citou o empenho da nacionalização dos setores importantes da economia levada adiante pelo governo Vargas como um tema que ainda hoje é central para o País. Quando foi mencionado a intenção manifesta  e declarada de Fernando Henrique Cardoso  de  acabar com a Era Vargas”,  e lembrado que até mesmo o ex-presidente Lula , que no passado havia feito declarações duras contra Vargas, durante sua gestão retificara aquelas declarações, criando por decreto a Semana Vargas, e afirmando que o gaúcho teria sido o maior presidente que o Brasil (obras) tivera, Mauro Santayanna afirmou que o legado de Vargas  “é  ainda a nossa esperança” .

    Para Samuel Pinheiro Guimarães o aspecto mais atual da Carta Testamento de Vargas é o que toca na questão do capital estrangeiro.

    “A conspiração contra Vargas sempre foi permanente, seja pelos agentes dos trustes estrangeiros, seja pelas oligarquias nacionais. Mas, quando Vargas assinou o decreto para controlar a remessa de lucros ao exterior, a situação se tornou intolerável”,  

    lembrou, acrescentando que Getúlio havia tomado medidas muito corajosas que afetavam os privilégios da oligarquia, como quando criou o Departamento Nacional do Café.

     CLT e Voz do Brasil

    Os dois convidados do Contracorrente concordaram que  houve sempre um esforço para criar no imaginário popular  uma versão negativa de Vargas, No entanto, apesar de toda esta articulação conservadora, ainda hoje, esforços continuam sendo feitos para  continuar a linha de demolição  da Era Vargas. Basta   citar apenas dois temas que confirmam a atualidade do varguismo:  ainda hoje o Senador Paulo Paim continua denunciando, juntamente com o movimento sindical, as articulações dos empresários  para flexibilizar os direitos trabalhistas inscritos na CLT. O outro exemplo, é a decisão dos magnatas da mídia brasileira em flexibilizar, para  facilitar a extinção,  o horário de veiculação  do programa radiofônico a Voz do Brasil,  – criado na Era Vargas  –   única experiência de regulamentação  informativa que assegura à grande massa da população, ainda hoje proibida praticamente da leitura de jornais e revistas,  o  acesso a informações objetivas  sobre os trabalhos do Executivo, do Legislativo, e do Judiciário, sem o crivo editorial dos anunciantes.

    Beto Almeida

    Membro da Junta Diretiva da Telesur

    http://midiacrucis.wordpress.com/2012/08/28/getulio-vargas-santayana-samuel-pinheiro-guimaraes/

     

  15. Cláudio José

    24 de agosto de 2014 2:59 pm

    As últimas horas de Getúlio Vargas

    Veja detalhes sobre as últimas horas de Getúlio Vargas, que morreu há exatos 60 anos

    Getúlio Vargas, em foto de outubro de 1951 Foto: ArquivoLuã MarinattoTamanho do texto A A A

    Há exatos 60 anos, na manhã do dia 24 de agosto de 1954, o jornalista Prudente de Morais Neto deixava de lado a habitual compostura e socava com raiva uma das mesas da redação do ‘‘Diário Carioca’’, na Avenida Rio Branco, Centro do Rio. Ao seu lado, repórteres do jornal dirigido por ele estouravam garrafas de champanhe para festejar o suicídio de Getúlio Vargas. “Vocês não entenderam nada! Nada! Ele ganhou de novo”, gritou Prudente, então opositor do presidente, ainda que um pouco menos raivoso do que o também jornalista Carlos Lacerda.

    A passagem, narrada no último livro da trilogia “Era Vargas”, de José Augusto Ribeiro, ilustra que o gesto de Getúlio pouco teve de desesperado. Ao contrário: como afirmaria em sua célebre carta-testamento, tida por muitos como o documento mais importante da história política do país, o tiro que disparou contra o próprio peito era a estratégia derradeira para pôr seu nome na eternidade. Goste-se ou não da figura de Getúlio, inegavelmente deu certo.

    — Ele conseguiu grandes transformações. A Petrobras está aí, as conquistas trabalhistas estão aí. Sessenta anos depois, o legado do meu avô segue muito vivo — diz Celina Vargas, neta de Getúlio.

     

    Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/veja-detalhes-sobre-as-ultimas-horas-de-getulio-vargas-que-morreu-ha-exatos-60-anos-13706778.html#ixzz3BK0Y5BvV

  16. Luciano Prado

    24 de agosto de 2014 3:50 pm

    SESSÃO BANDIDAGEM: OS MARINHO MENTEM
     

    Publicado em 24/08/2014

     

    MUDA MAIS: 

    O GLOBO MENTE (SEMPRE)

     

    Pleonasmo, redundância, chover no molhado … Eles mentem

      

     

    Do Muda Mais:

     

    ENERGIA ELÉTRICA: O GLOBO NÃO FEZ DIREITO O DEVER DE CASA DA APURAÇÃO JORNALÍSTICA

    Foi só a Dilma aparecer em seu programa de TV falando de tudo que ela e Lula fizeram para garantir que não houvesse apagão no país, que parte da imprensa já ficou em polvorosa querendo desconstruir. Mas o Muda Mais está aqui pra divulgar a verdade.

    Um mecanismo que o Jornal O Globo chama de “checagem” aponta que a afirmação do programa da presidenta de que “antes era impossível transmitir a energia que sobrava numa região para socorrer outra que estivesse em dificuldade” é falsa. O Globo afirma, também, que o Sistema Integrado Nacional (SIN) existe desde 1998, criação de Fernando Henrique.

    Uma outra matéria publicada pelo próprio jornal relembra o grande apagão de 2001 promovido por FHC, o mentor do partido de Aécio Neves. A matéria começa falando que a grave crise energética de 2001 “foi o resultado da combinação da falta de investimentos na geração e na transmissão de energia elétrica com uma estiagem prolongada”.

    Falando de ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o próprio Globo esclarece que o órgão foi criado em 1998, mas teve sua “incumbência ampliada, assim como sua transmissão para evitar novos riscos de apagões ou racionamentos” em 2004, ou seja, no governo Lula. Apesar de existir legalmente, na época de FHC o sistema não integrava todo o país: sobrava energia na região Sul e faltava no Sudeste. 

    O jornal ainda termina o texto falando dos investimentos feitos por Lula e Dilma no setor elétrico “para evitar novo racionamento de energia, o governo investiu em linhas de transmissão de energia elétrica, um dos problemas da “crise do apagão” em 2001/2002. Naquela época, não havia linhas de transmissão suficientes para levar a energia da Região Sul, onde os reservatórios de água estavam cheios, para o Sudeste e o Nordeste”. Está no próprio O Globo.

    Ou seja, o Nordeste quase secou enquanto tinha água de sobra no Sul, mas não dava pra transferir esse excedente porque FHC não investiu em linhas de transmissão. O SIN existia mas não era efetivo. Isso mudou com Dilma. Como está bem explicadinho no programa de TV da candidata à reeleição, hoje, todas as regiões do Brasil estão integradas para receber os excedentes de energia, caso seja necessário. Além disso, Dilma investiu muito na construção de hidrelétricas, como Belo Monte que, quando pronta, vai produzir energia para abastecer 60 milhões de pessoas.

    Parece que O Globo tá confuso ou resolveu abrir mão da coerência mesmo. Mas o leitor pode sempre contar com o Muda Mais pra ter esclarecimentos e conhecer a verdade. O Globo e outros jornais têm perdido um pouco a referência das boas técnicas jornalísticas, como se tem visto por aí. A técnica da checagem, por exemplo, consiste justamente em confirmar uma apuração, buscar dados históricos que a comprovem. No caso, o jornal poderia ter buscado a informação em seus próprios arquivos, como nós fizemos. 

    Clique aqui para ler “Muda Mais desmoraliza a Fel-lha”

    E aqui para “Graça: Globo mente ! “

     

  17. Mara L. Baraúna

    24 de agosto de 2014 3:55 pm

    Dez músicas sobre Getúlio

    Getúlio Dornelles Vargas (São Borja, 19 de abril de 1882 — Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954)

    “Rádio Batuta” destaca 10 músicas sobre Getúlio

    Getúlio Vargas: 60 anos de morte

    Exposição na Câmara marca os 60 anos da morte de Getúlio Vargas

     

      

  18. Amaro Doce

    24 de agosto de 2014 4:10 pm

    Por que Alckmin não foi ao debate?

    Exatamente, Alan Souza: Alckmin não foi ao debate porque é um cagão!

    Porém o mais horroroso disso tudo é uma Rede de Comunicação, a Bandeirantes, se passar para colaborar com uma farsa dessa natureza. Não me refiro ao fato do Alckmin não ter ido ao debate, que era/é um direito dele. Mas a explicação ridícula que foi dada pela Rede Bandeirantes e pelo PIG paulista para justificar a sua falta.

  19. Otaviani

    24 de agosto de 2014 6:35 pm

    Stuxnet,o silencio de uma nova arma

    Stuxnet é um worm de computador projetado especificamente para atacar o sistema operacional SCADA (sistema desenvolvido pela Siemens para controlar as centrífugas de enriquecimento de urânio iranianas). Foi descoberto em junho de 2010 pela empresa bielorrussa desenvolvedora de antivírus VirusBlokAda. É o primeiro worm descoberto que espiona e reprograma sistemas industriais. Ele foi especificamente escrito para atacar o sistema de controle industrial SCADA, usado para controlar e monitorar processos industriais. O Stuxnet é capaz de reprogramar CLPs e esconder as mudanças. O vírus pode estar camuflado em mais de 100 mil computadores, porém, para sistemas operacionais domésticos como o Windows e Mac OS X, o worm é inofensivo, só funciona efetivamente nas centrífugas de enriquecimento de urânio iranianas, já que cada usina possui sua própria configuração do sistema SCADA

    Origem do Stuxnet

    A origem do worm Stuxnet é desconhecida, sabe-se que provavelmente tenha sido desenvolvido a mando de um país (Estados Unidos ou Israel), teoria defendida por Mikka Hypponen, não sendo possível o seu desenvolvimento por usuários domésticos e necessitando-se de informações detalhadas e de difícil acesso sobre o funcionamento da usina

    Ataque

    O Stuxnet foi o primeiro worm de computador a incluir um rootkit de CLP. Também é o primeiro worm conhecido a ter como alvo infraestrutura industrial crítica. Ainda, o alvo provável do worm foi a infraestrutura do Irã que utiliza o sistema de controle da Siemens. De acordo com jornais, a infestação do worm pode ter danificado as instalações nucleares iranianas de Natanz e acabou atrasando o início da produção da usina de Bushehr. A Siemens, inicialmente, declarou que o worm não causou nenhum dano. Além do Irã, também foram afetados pelo worm IndonésiaEstados UnidosAustráliaInglaterraMalásia, e Paquistão. Como a usina não tem computadores conectados à Internet, a infecção deve ter ocorrido quando um dispositivo com o vírus foi conectado aos computadores da usina.

    No complexo de Dimona, no deserto de Negev, em Israel, funcionavam centrífugas nucleares virtualmente idênticas às localizadas em Natanz, o que permitiu testar o Stuxnet em condições muito próximas das reais, antes de desfechar o ataque real. O worm tinha duas funções. A primeira delas era fazer com que as centrífugas iranianas começassem a girar 40% mais rapidamente por quinze minutos, o que causava rachaduras nas centrífugas de alumínio. A segunda forma inicialmente gravava dados telemétricos de uma típica operação normal das centrífugas nucleares, sem que o alarme soasse, para depois reproduzir esse registro para os operadores dos equipamentos enquanto as máquinas, na verdade, as centrífugas estavam literalmente se destruindo sob a ação do Stuxnet sem que os funcionários soubessem. 

    A empresa russa desenvolvedora de antivírus Kaspersky Lab lançou um comunicado descrevendo o Stuxnet:

    Um protótipo funcional e temível de uma cyber-arma quedará início a uma nova corrida armamentista no mundo.

    — Kaspersky Lab

    Kaspersky Lab não se refere a uma corrida armamentista com armas físicas, mas sim com armas virtuais, esses fatos podem ser chamados de ciberguerra.

    Eles fizeram algo mau. Felizmente, nossos especialistas descobriram e agora eles não poderão mais agir.

    __ Mahmoud Ahmadinejad

     

    Investigações sobre o ataque

    Kevin Hogan, diretor sênior do setor de resposta a ataques da Symantec observou que 60% dos computadores infectados no mundo estavam no Irã, mais de 60.000, isso pode ser explicado pelo fato da usina não ser conectada à Internet, o ataque foi direcionado para que um funcionário da usina fosse infectado. A Kaspersky Lab concluiu que o worm fora desenvolvido pelo governo de um país. O governo iraniano declarou em novembro de 2010 que algumas centrífugas haviam sido danificadas e que o vírus infectou apenas computadores pessoais da usina. Esse ataque, juntamente com outros ataques do mesmo gênero, pode ser considerado o início de uma ciberguerra, que poderia tornar-se uma preocupação para governos de todo o mundo.

     

    Agora esta ferramenta de ataque é de domínio público,e criatura pode se virar contra o criador.Ou que alguns especialistas da area dizem,que a caixa de pandora foi aberta e não há como fecha-la.

  20. Gustavo A. Medeiros

    24 de agosto de 2014 6:53 pm

    A idosa que não consegue ser operada

    A mãe do meu amigo de infância, Efigenia Augusta da Silva, 80 anos, trocadora de ônibus aposentada pela antiga CTC (Companhia de Transpor Coletivo) do Rio de Janeiro. Foi atropelada no dia 6 de dezembro de 2013 por um ônibus, quebrando o pé direito e o úmero esquerdo. O pé direito foi tratado e curado. Quanto ao úmero, verificou-se de precisar de cirurgia e com o passar do tempo, o procedimento se torna cada vez mais delicado.

    Emerson meu amigo e filho da Tia Efigenia (eu a chamo assim por hábito de infância) tentou operar a mãe no hospital de Ipanema, obteve uma consulta no dia 5 de fevereiro. Não pôde fazer a cirurgia, alegando falta de material.

    Pelo SISREG foi marcada para o dia 25 de fevereiro deste ano uma consulta para posterior agendamento da operação no INTO (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), aliás, uma instituição de excelência no ramo de ortopedia. Por conta de uma greve, a consulta foi remarcada para o dia 20 de março. Na semana seguinte, o Emerson ajuizou ação com assistência da defensoria pública. A defensoria chegou a ligar perguntando se o problema já tinha sido resolvido, mas efetivamente nada aconteceu até agora.

    Mais recentemente, o Emerson vem tentando a operação no Miguel Couto. Enquanto isso, Tia Efigenia continua esperando com o braço quebrado, ela que é uma senhora idosa, ainda inteiramente ativa antes do acidente, há meses está impossibilitada de exercer suas tarefas domésticas e de levar a vida normal de antes do acidente.

    Não quero que este episódio seja usado politicamente como símbolo para oposição em relação ao governo Dilma. Estou entre aqueles que reconhecem os avanços sociais dos governos Lula/Dilma, principalmente no que tange melhoria de renda dos mais pobres, acesso à energia elétrica, às escolas técnicas etc. Todavia, gostaria que o problema da Tia Efigenia, por quem nutro grande carinho e gratidão, fosse resolvido. Não só o dela, mas o de todos aqueles que estiverem na fila dos hospitais esperando para serem operados. Se for para fazer algum uso político deste relato que seja para alcançar soluções práticas, destravando problemas da saúde do nosso país, que afligem tantos outros brasileiros, aos quais não resta outra alternativa senão o SUS, como é o caso da minha querida Tia Efigenia. 

  21. zanuja castelo branco

    24 de agosto de 2014 7:00 pm

    Nassif, por genileza 

    Nassif, por genileza  publique no seu blog minha retratação.

    No dia 25 de junho de 2013 mencionei  e publiquei no blog do Nassif  postagem do sr. Augusto Brandão como se fosse do Procurador Augusto Brandão Aras onde continha ofensas a Presidente da República Dilma.

    Devia ter pesquisado mais sobre o sr. Augusto Brandão, pois trata-se de nomes semelhantes, em vez de me ater apenas no que li. Foi um erro e peço, tardiamente, desculpas ao Procurador pelo lamentável equívoco.

    Longe de mim ofender os poderes da República muito menos a honra dos seus servidores .

    Faço essa retratação em público, pedindo mais uma vez, perdão peço açodamento.

  22. MiriamL

    24 de agosto de 2014 9:14 pm

     
    Boaventura: a possível

     

    Boaventura: a possível extinção do Estado de Israel

     Por Boaventura de Sousa Santos

    – on 22/08/2014

     

    8/3/2013: Jovem manifestante palestino Un manifestante palestino foge dos guardas de fronteira israelense, durante confrontos contra a expropriação de terras palestinas em Kafr Qaddum

    8/3/2013: Jovem manifestante palestino foge dos guardas de fronteira israelense, durante confronto contra a expropriação de terras palestinas em Kafr Qaddum

    Criá-lo foi ato desumano de colonialismo. Extinto, pode dar lugar a Estado plurinacional e secular, onde judeus e palestinos convivam pacífica e dignamente

    Por Boaventura de Sousa Santos

    Podem simples cidadãos de todo o mundo organizar-se para propor em todas as instâncias de jurisdição universal possíveis uma ação popular contra o Estado de Israel no sentido de ser declarada a sua extinção, enquanto Estado judaico, não apenas por ao longo da sua existência ter cometido reiteradamente crimes contra a humanidade, mas sobretudo por a sua própria constituição, enquanto Estado judaico, constituir um crime contra a humanidade? Podem. E como este tipo de crime não prescreve, estão a tempo de o fazer. Eis os argumentos e as soluções para restituir aos judeus e palestinianos e ao mundo em geral a dignidade que lhes foi roubada por um dos atos mais violentos do colonialismo europeu no século XX, secundado pelo imperialismo norte-americano e pela má consciência europeia desde o fim da segunda guerra mundial.

    O termo sionismo designa o movimento que apoia o “regresso” dos judeus à sua suposta pátria de que também supostamente foram expulsos no século V AC. Há, no entanto, que distinguir entre sionismo judaico e sionismo cristão. O sionismo judaico tem origem no antissemitismo que desgraçadamente sempre perseguiu os judeus na Europa e que viria a culminar no holocausto nazi. O sonho de Theodor Herzl, judeu austríaco e grande poponente do sionismo, era a criação, não de um Estado judaico, mas de uma pátria segura para os judeus. O sionismo cristão, por sua vez, é antissemita, e a ideia de um Estado judaico deveu-se a políticos britânicos, sionistas e anglicanos devotos, como Lord Shaftesbury, que, acima de tudo, [1]desejavam ver o seu país livre dos judeus-enquanto-judeus. Eram tolerados os judeus cristianizados (como Benjamin Disraeli, que chegou a ser Primeiro Ministro), mas só esses. Esta tolerância estava de acordo com a profecia cristã de que é destino dos judeus converterem-se ao cristianismo. O mesmo sentimento se encontra hoje entre os evangélicos norte-americanos, que apoiam Israel como Estado judaico, bem como a sua desapiedada expansão colonialista contra os palestinianos, por acreditarem que a redenção total ocorrerá no fim dos tempos, com a conversão dos judeus na Parusia (o regresso de Jesus Cristo).

    Terá sido Lord Shaftesbury quem, ainda no século XIX, formulou o pensamento “uma terra sem povo para um povo sem terra” que ajudaria mais tarde a justificar a criação do Estado de Israel na Palestina em 1948. E alguns anos mais tarde, foi outro sionista não judeu (Arthur James Balfour) quem propôs a criação de “uma pátria para os judeus” na Palestina, sem consultar os povos árabes que habitavam esse território há mais de mil anos.

    “Os Grandes Poderes” (Áustria, Rússia, França, Inglaterra), lê-se no Memorandum Balfour de 11 de Agosto de 1919, “estão comprometidos com o Sionismo. E o Sionismo, correto ou incorreto, bom ou mau, tem as suas raízes em antiquíssimas tradições, em necessidades atuais e em esperanças futuras, que são bem mais importantes do que os desejos de 700.000 árabes que neste momento habitam aquele antigo território”. Urgia, pois, transformar esses árabes em um não-povo. Em 1948, com o beneplácito dos poderes ocidentais, especialmente da Inglaterra, foi criado o Estado de Israel numa Palestina povoada de árabes e 10% de judeus imigrantes.

     

    Argumentava-se então que havia de se encontrar um espaço para o povo judeu, que ninguém queria receber depois do genocídio alemão. Muito antes dessa catástrofe, os sionistas judeus tinham já pensado em vários locais para[2] o seu futuro Estado. No final do século XIX, a região do Uganda, no que é hoje o Quénia, então colónia inglesa, foi ponderada como um possível local para o futuro Estado de Israel. Um espaço na Argentina chegou também a ser considerado. Mais tarde, auscultado sobre um local no norte de África (no que é hoje a Líbia), o rei da Itália, Victor Emmanuel, terá recusado, respondendo: “Ma è ancora casa di altri”. Mas nenhum europeu, por mais preocupado com a situação dos judeus, jamais pensou num lugar dentro da própria Europa. Havia que inventar-se “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Mesmo que fosse necessário obliterar um povo. E assim se vem paulatinamente eliminando um povo da face da terra desde há sessenta e seis anos. A Cisjordânia palestiniana vem sendo desmantelada pelos colonatos ilegais e a Faixa de Gaza transformada em prisão a céu aberto. A extrema-direita israelita é apenas mais estridente do que o governo ao reclamar que os “árabes fedorentos de Gaza sejam lançados ao mar”. O que é espantoso, comenta o historiador judeu israelita, Ilan Pappé em The Ethnic Cleansing of Palestine (2006), é ver como os judeus, em 1948, há tão pouco tempo expulsos das suas casas, espoliados dos seus pertences e por fim exterminados, procederam sem pestanejar à destruição de aldeias palestinianas, com expulsão dos seus habitantes e massacre daqueles que se recusaram a sair. O controverso comentário de José Saramago de há alguns anos de que o espírito de Auschwitz se reproduz em Israel faz hoje mais do que nunca.

    Assim foi sacrificada a Palestina, invocadas razões bíblicas e históricas, que a Bíblia não sanciona e a história viria a desmistificar. Muitos judeus, como os que constituem a Jewish Voice for Peace, não são sionistas e consideram que o Estado de Israel, nas condições em que foi criado (um território, um povo, uma língua, uma religião) é uma arcaica aberração [3] colonialista fundada no mito de uma “terra de Israel” e de um “povo judaico”, que a Bíblia nem sequer confirma. Como bem demonstra, entre outros, o historiador judeu israelita, Shlomo Sand, a Palestina como a “terra de Israel” é uma invenção recente (The Invention of the Land of Israel, 2012). Aliás, ainda segundo o mesmo autor, também o conceito de “povo judaico” é uma invenção recente (The Invention of the Jewish People, 2009).

    A criação do Estado judaico de Israel configura um crime continuado cujos abismos mais desumanos se revelam nos dias de hoje. Declarada a sua extinção, os cidadãos do mundo propõem a criação na Palestina de um Estado secular, plurinacional e intercultural, onde judeus e palestinianos possam viver pacifica e dignamente. A dignidade do mundo está hoje hipotecada à dignidade da convivência entre palestinianos e judeus.

     

    http://outraspalavras.net/capa/a-possivel-extincao-do-estado-de-israel/

  23. Valdez

    24 de agosto de 2014 9:16 pm

    A Alemanha tá agora defedendo

    A Alemanha tá agora defedendo a “federalização” da Ucrânia.  É o que a Russia vem defedendo desde o inicio, e pelo qual tem acontecido a guerra, Kiev não quer de forma alguma autonomia política no leste.

     

    http://observador.pt/2014/08/24/angela-merkel-quer-solucao-que-nao-penalize-russia/

  24. Valdez

    24 de agosto de 2014 9:21 pm

    Merkel quer Ucrânia “federalizada”

    A Alemanha tá agora defedendo a “federalização” da Ucrânia.  É o que a Russia vem defedendo desde o inicio, e pelo qual tem acontecido a guerra, Kiev não quer de forma alguma autonomia política no leste.

     

    http://observador.pt/2014/08/24/angela-merkel-quer-solucao-que-nao-penalize-russia/

  25. Marco Antonio Silva

    24 de agosto de 2014 9:23 pm

    Bonner também não mostrou seu próprio DARF.

    Bonner também não mostrou seu próprio DARF.

      
    Além do caso de sonegação no Imposto de Renda da TV Globo para comprar da Fifa os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, o apresentador do Jornal Nacional, William Bonner tem uma encrenca com o leão da Receita Federal.

    Segundo o sistema Comprot, de acesso público, a empresa de Bonner está sendo cobrada desde 2010, por dívida relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte. 

    Já entrou na inscrição da Dívida Ativa e parece que vai ter que ser cobrada à força na justiça, porque administrativamente não pagou, segundo informa o sistema na tela capturada acima.

    Diferente do caso da TV Globo, onde vazou o processo e auditores da Receita atestam com todas as letras que tratou-se de sonegação fiscal, no caso de Bonner não é possível afirmar isto, pois pode ser apenas inadimplência. O sistema Comprot não fornece detalhes sobre os motivos da autuação.

    De qualquer forma a empresa do apresentador do Jornal Nacional também está devendo mostrar o DARF.

    Talvez isto explique sua ira durante a entrevista com a presidenta Dilma contra o governo do PT, que não deixou ninguém dar carteirada na Receita Federal desde 2003.

    Que coisa feia. O mesmo apresentador do Jornal Nacional que faz inquirições sobre filas nos hospitais está devendo Imposto de Renda, necessário para a saúde e educação.

    Sonegômetro

    Hoje o sonegômetro estima que a sonegação neste ano até agora já bate em R$ 323 bilhões. 

    Se empresas como a Globo não fizessem essas manobras de sonegação em paraísos fiscais, o SUS teria muito mais verbas, os professores já ganhariam melhor e haveriam mais vagas para alunos tanto em escolas técnicas como em faculdades, como em horário integral no ensino básico.

    O Itaú, banco que praticamente faz parte da coligação da Marina Silva (PSB), também é cobrado pela Receita Federal em uma conta de R$ 13 bilhões em impostos não recolhidos.

    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/

     

  26. Miope

    24 de agosto de 2014 9:53 pm

    Brasil 10 vezes Campeão do Grand Prix de Voleibol Feminino

    O Brasil sagrou-se Campeão do Grand Prix de Voleibal Feminino nesta manhã (noite em Tóquio), com um jogo impecável sobre as anfitriões (que também tem um belo time), 3X0.

    Parabéns por mais esta conquista!!! Lavamos a alma no pós-copa!

    <http://espn.uol.com.br/noticia/434816_com-autoridade-brasil-espanta-zebra-japao-e-conquista-o-grand-prix-pela-10-vez&gt;

     Comemoração sóbria logo após o jogo, respeitando as donas da casa! Nossas irmãs japonesas e japoneses, nação onde moram muitos irmãos brasileiros.

    Parabéns!

  27. Marco Antonio Silva

    25 de agosto de 2014 12:13 am

    OMS recomenda antirretrovirais para gays e bi masculinos

    OMS recomenda antirretrovirais para gays e bi masculinos como prevenção ao HIV

     

    Consumo diário de ‘medicamentos pré-exposição de profilaxia’ e uso de preservativos cortam em 20% incidência, diz organização.

    Publicado em 13/07/2014 às 23:33

    Comentar  Da BBC 

    Foto: BBC

    OMS agora recomenda consumo de antirretrovirais como prevenção ao HIV para grupos da população.A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou, pela primeira vez, que gays e bissexuais masculinos ativos tomem medicamentos antirretrovirais além de usar preservativos para evitar contaminação pelo HIV.

    A organização afirma que o que chama de “medicamento de profilaxia pré-exposição” pode reduzir a incidência do HIV entre 20% e 25% globalmente, segundo estimativas.

    Isto evitaria, segundo os cálculos da OMS, até 1 milhão de novos casos nesse grupo em um período de dez anos.

    A entidade diz que gays e bissexuais masculinos tem 19 vezes mais chance de contrair o HIV do que a população em geral.

    “Taxas de infecção por HIV entre homens que têm relações sexuais com homens continuam altas quase em todos os lugares, e novas opções de prevenção são necessárias com urgência”, afirmou a OMS em relatório divulgado nesta sexta-feira.

    A OMS define que a “profilaxia pré-exposição é uma forma de as pessoas que não têm HIV, mas que correm o risco de infecção, prevenirem-se tomando uma única pílula (geralmente uma combinação de dois antirretrovirais) todos os dias”.

    Mas Gottfried Himschall, diretor do departamento de HIV da OMS, ressaltou à agência France Presse que “em um relacionamento estável em que ambos são soronegativos e não há risco, não há motivo algum para ingerir o medicamento”.

    A OMS também afirmou em sua declaração que grupos importantes – não apenas homens que têm relações sexuais com homens, mas também “detentos em prisões, pessoas que usam drogas injetáveis, prostitutas, travestis e transexuais” – não estão recebendo serviços adequados em prevenção e tratamento do HIV e isso ameaça a resposta global ao avanço do vírus.

    “Estas pessoas estão sob risco maior de infecção por HIV e, ainda assim, são as que têm menores possibilidades de acesso à prevenção do HIV, exames e serviços de tratamento. Em muitos países eles são deixados de fora dos planos nacionais (de combate ao) HIV e leis e políticas discriminatórias são grandes obstáculos ao acesso”, informou a organização.

    A OMS divulgou nesta sexta-feira as novas diretrizes para o tratamento e prevenção do HIV, “Diretrizes Consolidadas para Prevenção, Diagnóstico, Tratamento e Cuidados em HIV para Populações-Chave”.

    As diretrizes foram anunciadas pouco antes da Conferência Internacional sobre Aids, que começa em Melbourne, na Austrália, no dia 20 de julho.

    Reduzindo novas infecções
    As novas diretrizes destacam medidas que os países podem adotar para reduzir o número de novos casos de infecção por HIV e aumentar o acesso aos exames para detectar o vírus, tratamento e cuidado para as chamadas cinco “populações-chave”: homens que têm relações sexuais com homens, detentos em prisões, pessoas que usam drogas injetáveis, prostitutas, travestis e transexuais.

    De acordo com a OMS estas populações são definidas como grupos que, devido a comportamentos específicos e de alto risco, têm um risco maior de contrair HIV.

    “E também eles frequentemente têm questões legais e sociais relacionadas as seus comportamentos que aumentam a vulnerabilidade ao HIV”, acrescentou a organização.

    A OMS determinou o nível de risco destas populações.

    “Estudos indicam que prostitutas têm 14 vezes mais chances de contrair o HIV do que outras mulheres, homens que têm relações sexuais com homens têm 19 vezes mais chances de ter HIV do que a população em geral e travestis e mulheres transexuais têm quase 50 vezes mais chances de ter o HIV do que outros adultos. Para as pessoas que injetam drogas, os estudos mostram que os riscos de infecção por HIV também pode ser 50 vezes maior do que na população geral”, informou a OMS em sua declaração.

    “Nenhuma destas pessoas vive em isolamento”, disse Himschall.

    “Prostitutas e seus clientes têm maridos, esposas e parceiros. Alguns injetam drogas. Muitos têm filhos. O fracasso no fornecimento de serviços para as pessoas que estão expostas ao maior risco de HIV ameaça o progresso contra a epidemia global e ameaça a saúde e bem-estar dos indivíduos, suas famílias e de toda a comunidade”, acrescentou.

     

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