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3 Comentários
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  1. Almeida

    18 de agosto de 2019 1:00 am

    Deu n’O Globo:
    Delegado da Receita alerta sobre sua possível substituição, a pedido de Bolsonaro, em área ameaçada pela milícia
    Auditor fiscal cita, em um grupo de aplicativo, ‘forças externas que não coadunam com os objetivos de fiscalização’
    => https://oglobo.globo.com/brasil/delegado-da-receita-alerta-sobre-sua-possivel-substituicao-pedido-de-bolsonaro-em-area-ameacada-pela-milicia-23884766
    RIO — A interferência política em postos-chave da Receita Federal no Rio de Janeiro abriu uma crise entre auditores fiscais e o governo Bolsonaro . Um dos pontos cruciais é a eventual substituição do delegado da Alfândega do Porto de Itaguaí , na Zona Oeste do Rio, José Alex Nóbrega de Oliveira, mas os auditores desconfiam que estão em jogo também a chefia da Delegacia da Receita da Barra da Tijuca e o cargo do superintendente da Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, Mário José Dehon São Thiago Santiago, que estaria se negando a providenciar as substituições.

    Informado pelos colegas de que será exonerado do cargo, o auditor fiscal José Alex Nóbrega de Oliveira divulgou um comunicado em um grupo de aplicativo para alertar que “forças externas que não coadunam com os objetivos de fiscalização da Receita Federal, pautados pelo interesse público e defesa dos interesses nacionais” estariam interessadas na troca.

    “Para minha surpresa, há cerca de três semanas, o superintendente Mário (Dehon, superintendente da Receita Federal) me informa que havia uma indicação política para assumir a Alfândega de Itaguaí, a qual ele não concordava. Tratava-se de um auditor lotado em Manaus que não possuía em seus 35 anos de Receita Federal nenhuma passagem pela Aduana e sem nunca ter assumido chefias. Inconformado com essa situação, o superintendente se recusou a realizar a nomeação, pois fugia dos trâmites utilizados pela RFB para escolha de suas lideranças. Em represália a essa atitude, o mesmo está ameaçado de exoneração”, afirma o delegado no texto.

    Na mesma mensagem encaminhada no grupo de aplicativo, José Alex, que está no cargo há um ano e meio, alertou que a região de Itaguaí é fortemente dominada por milícias, sendo o porto um local de entrada de mercadorias vindas da China e exportação para a Europa. O GLOBO comprovou que o comunicado do auditor fiscal foi escrito pelo próprio e vazou neste sábado, pela manhã, nas redes sociais.

    Na tentativa de manter José Alex no comando de Itaguaí, a cúpula da Receita fez chegar ao presidente Jair Bolsonaro um dossiê que alerta sobre o alto risco de substituição por um fiscal menos experiente para comandar uma unidade cercada pela milícia da Zona Oeste. O documento já foi encaminhado para o gabinete presidencial.

    Um dos maiores portos do país

    Investigações de um grupo multidisciplinar, envolvendo policiais, promotores e procuradores da República, apontam o Porto de Itaguaí, um dos maiores do país, como provável entreposto do poderio bélico da milícia e do tráfico no Rio de Janeiro. Cerca de 21 mil contêineres entram todo o mês pelo Porto de Itaguaí. De acordo com uma fonte que trabalha no local, são apenas 50 auditores para cobrir o porto, uma área de 400 mil metros quadrados, além do Porto de Angra dos Reis e de dois terminais próximos (de minério e de petróleo). Os problemas mais graves, disse, são a saída de drogas para a Europa – uma linha marítima semanal parte para Algeciras, na Espanha – e a chegada de armas dentro de contêineres provenientes da Ásia.

    Os fiscais da aduana de Itaguaí cumprem a fiscalização prescrita pelos padrões internacionais. Como é impossível abrir todos os contêineres, seguem a lógica do gerenciamento de risco ao submeter todos os contêineres ao scanner e destinar as mercadorias para os canais verde (risco baixo), amarelo (conferência documental) e vermelho (conferência documental e física, com a abertura do contêiner). No último caso, a carga é levada para uma área de conferência, onde tudo é filmado.

    Os fiscais não fazem operações ostensivas porque temem a milícia hegemônica na região. Isso só é possível quando as Forças Armadas dão apoio. De uma a duas vezes por semana, um cão farejador (K9) da Receita vistoria os contêineres. Nas madrugadas, fica apenas um agente da Polícia Federal para cobrir toda a área.

    A entrada de produtos contrabandeados nos contêineres se dá principalmente durante o trajeto, quando ainda está no mar, com a conivência da tripulação, segundo a fonte.

    Em agosto do ano passado, de seis a sete estivadores foram flagrados saqueando um contêiner dentro do navio, antes de desembarcar. Eles encostaram uma lancha na embarcação, para onde lançavam as mercadorias roubadas. Fugiram pelo mato e pelo próprio barco.

  2. Almeida

    18 de agosto de 2019 2:25 am

    Milícia passa a cobrar taxa em condomínio de militares na Praça Seca => https://oglobo.globo.com/rio/milicia-passa-cobrar-taxa-em-condominio-de-militares-na-praca-seca-23883999
    Aguardem! Vai chegar em bairros mais opulentos e mais rentáveis. É questão de (breve) tempo. Vai chegar no Leblon. As coisas se aceleram e não há limites, quando ocupam a máquina estadual, federal, postos nas forças armadas…
    Pra quê ficar na periferia, “cuidando” de milhares de miseráveis. Achacar um único da Faria Lima pode render por favelas inteiras. Não é mesmo?

  3. otavio barros da silva

    18 de agosto de 2019 11:39 am

    Garimpando imagens no passado

    Liberato Póvoa

    Hoje, tudo está muito diferente. No mais longínquo povoado, o progresso se encarregou de desmanchar o que havia de característico na pacatez e na indolência do interiorano.

    Raras cidadezinhas mantêm o costume – saudoso costume – de, à tardezinha, levar-se uma cadeira para a porta da rua para contemplar o pôr-do-sol ou se reunir com amigos no bate-papo de despedida do dia. Hoje, quem é que tem tempo de abstrair-se um pouco do corre-corre para ficar no sem-que-fazer?

    No meu tempo de menino, de manhã e à tarde, essa cena era vista em quase todas as casas: de manhã, para quebrar o friinho matinal nos primeiros raios de sol; à tarde, para descansar as pernas numa espreguiçadeira, enquanto a meninada brincava na praçona (hoje, Praça Liberato Póvoa – que era meu pai).

    Cidadezinha sem carros nem movimento, o cavalo e o burro é que eram a valência no transporte de gente, e toda casa que se prezasse deveria ter um moirão fincado na frente; era o “estacionamento”. Outras tinham até árvores com fresca sombra: na porta lá de casa, ainda hoje existe uma fila de mungubeiras (aliás, só restam três pés), e o tal progresso se encarregou de arrancar os pés de “ficus” que perlongavam as duas praças, onde se ajuntavam os desocupados para fuxicar a vida alheia ou ver a molecada jogar bola, num “racha” improvisado com bola de mangaba, que bola de borracha ou de couro não eram conhecidos.

    Padre, não havia. Só aparecia algum na época da romaria da Sicupira, a seis léguas da rua; em 1952 é que o bispo de Porto Nacional, D. Alano, mandou pra lá, o recém-ordenado padre Magalhães, com ânimo definitivo, que os outros eram andejos e só iam por lá em desobriga.

    Polícia, só o cabo Gregório e João Soldado: o cabo ficava mesmo era na rua zanzando pra riba e pra baixo, sem o que fazer, bebendo cachaça, e João Soldado, na mesma tiorega de ocupação, era lavrador e raramente era mobilizado para efetuar uma prisão. A cadeia, no entanto, era pavorosa: não é que houvesse carrascos ou torturadores; o problema é que era tão velha, que um eventual preso temia que lhe caísse em cima, qualquer uma hora. Talvez fosse esta a razão de quase não haver crimes.

    Hoje, ninguém mais se senta à porta da rua de tardezinha; não existem mais as brincadeiras de esconder, de linha-de-ferro; não se vê mais menino brincando de “pirim”, de “bom barquinho”, de gado-de-osso; não se vêem mais os buracos de bola-de-gude, as “barrocas” de pião, os riscos de “finca” na terra úmida; as primeiras chuvas não ensejam mais os passeios pelos morros pedregosos do Barreiro e do Mato Seco atrás de caju; as “paneladas” do Sábado de Aleluia não existem mais; os roubos de galinha na Sexta-Feira Grande acabaram; não se cogita mais dos pique¬niques no Saltinho; as lavagens de roupa no Poção, aonde íamos – a família inteira – para banhar-nos no córrego, enquanto as mulheres batiam roupa nas lajes que o margeavam; as caçadas de passarinho no goiabal que já acabou; os jogos de bola “Ginásio x Cidade” de todo domingo no campo velho de bola do pé de tamarindo; os passeios se¬manais de a pé ao aeroporto para ver o avião, novidade enorme até que nos acostumássemos com aquela verdadeira besta-fera de alumínio; o catecismo com as freiras e com o padre Lazinho para nos assustar com a história de que me¬nino desobediente e que não vai à missa acaba ido pro inferno, onde o fogo queima sem consumir: as sabatinas de tia Diana com a palmatória pronta para corrigir os erros nas tomadas de lição de soletrar e nas contas de dividir por; o medo do “careta” no dia de entrudo, com Bolacha e Demolício vestidos de carocha para vibrar lapadas de taca em nossas pernas secas; o entrudo que aterrorizava os pelintras, quando menino molhava me¬nina e menina molhava menino, sob pena de sermos chamados de “zé-muié” se molhássemos um do mesmo sexo.

    Tudo isso acabou.

    Acabou porque o progresso chegou, afogando, destruindo aquilo que tanto nos marcou a infância e que hoje permanece apenas com pálidas recordações e enfeites na memória.

    Os carros passam levantando poeira; os aviões sobrevoam a cidade soltando decibéis em nossos tímpanos; veio a música “pop”; chegou o minicassete e o computador. E passeia ante os olhos indiferentes da nova geração, que choraria de saudade se tivesse alcançado aqueles belos tempos em que vivíamos, de pés no chão, saltando muros de quintais alheios e vendo novidade em qualquer coisa que aparecia.

    Na impossibilidade de reviver o sabor daqueles tempos, quando menino conhecia dinheiro por ouvir dizer que havia, contento-me em fechar os olhos e reviver apenas na memória os belos momentos que se foram. Irreversível e lamentavelmente.

    (Otavio Barros, jornalista e escritor, Palmas, Tocantins)

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