Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
Reinaldo Melo
21 de setembro de 2014 3:26 amCiclofaixas e Democracia
A Semiótica da Imobilidade e a Democracia Palhaça
Lúcia Santaella, em seu livro A Assinatura das Coisas, afirma que “o mundo não está dividido entre coisas, de um lado, e signos de um outro. Isto quer dizer: não há nada que não possa ser um signo, ou melhor, tudo é signo, ou melhor ainda, todas as coisas têm a sua própria assinatura.”
Coerente com sua própria teoria, a professora, uma das maiores especialistas em semiótica do Brasil, posta em seu Facebook uma análise sobre as ciclofaixas na cidade de SP:
Coadunando a mensagem com a teoria, pode-se afirmar que vemos um signo cujo significado revela como são discutidas as questões coletivas em nossa sociedade: por meio do ponto de vista individualista, que produz um unilateralismo em que se fecha o olhar para a multiplicidade mais óbvia do mundo que o rodeia.
A mensagem poderia passar por imperceptível, como qualquer outro comentário de alguém que vê o mundo com o fígado, mas, por ser de uma professora PHD que já lecionou em Berlim, é de se espantar com o fato de que intelectualidade e sensatez não são irmãos siameses.
Primeiramente a falta de compostura para com o prefeito de uma cidade, chamando-o de pintor de ruas e dizendo que as ciclofaixas foram encomendadas do “diabo em pessoa”. Interessante, como a professora estabelece a política de criação de ciclofaixas como uma política demoníaca.
Um dado importante: em 2012, morreram na cidade de Sp 52 ciclistas, um por semana. Fora os casos de atropelamento. Em Março de 2013, a mídia deu destaque para o caso do ciclista David Santos Souza, que teve seu braço arrancado. O motorista não o socorreu e jogou o braço num córrego.
O ciclista David Santos Souza
Certamente, a professora se utilizou apenas do seu olhar unilateral de motorista de uma sociedade em que as grandes cidades são estruturadas para comportar o símbolo mor do individualismo contemporâneo, o automóvel, oprimindo e excluindo qualquer cidadão que se locomova por outros meios: o pedestre, o ciclista, os passageiros de ônibus.
A professora recomenda ao prefeito o estudo (“só um pouquinho”) de semiótica para o conhecimento de efeitos das cores em nosso sistema nervoso central, dizendo que a cor vermelha da ciclo faixa se caracteriza como poluição visual. E destila o fel da incompreensão afirmando que é uma propaganda política de um partido político cuja cor característica é vermelha. E para completar tal azedume, a cereja do bolo é asseverar que São Paulo não é uma cidade como a capital holandesa Amsterdam para que haja ciclofaixas a torto e a direito.
Santaella deveria deixar de analisar o fato através de sua semiótica estática e estudar um pouquinho mais para constatar que a cor vermelha foi estabelecida pelas normas nacionais de trânsito, no intuito de chamar a atenção do motorista mesmo, não se compondo como poluição visual. De onde se conclui também que não se caracteriza como propaganda política partidária.
Ao mesmo tempo, o sentimento de vira-lata também surpreende, vindo de uma estudiosa como Santaella. A elite paulistana sempre teve a Europa como modelo em educação, política, arte, etc. Afirmar que São Paulo não é Amsterdam é dizer que as políticas de lá nunca dariam certo aqui porque não temos a “evolução” do europeu.
Uma ciclovia em Amsterdam
A mensagem de Lúcia Santaella poderia passar como algo inocente, como apenas uma expressão natural de uma cultura mal humorada do paulistano que nunca está contente com nada do que é feito em sua cidade, mesmo que seja algo positivo. Mas revela-se como algo gravíssimo: ao se discutir política se enfoca mais no caráter privado do que no público.
Dane-se o fato de morrer um ciclista atropelado por semana, que se exploda as mais de 4500 pessoas que morrem por causa da poluição de veículos em São Paulo, que se seja indiferente ao efeito estufa e com a desertificação da região metropolitana paulista.
Este desprezo pelo bem comum é consequência da visão torpe e individualista de parte do eleitorado que discute a política partidária com as enzimas do fígado.
Não é à toa que uma recente pesquisa demonstrou que os candidatos favoritos para ocuparem uma cadeira na Câmara dos Deputados sejam Tiririca, Marcos Feliciano e Paulo Maluf.
O eleitor de Tiririca mal sabe de sua trajetória nestes quatro anos em que exerceu o cargo de deputado, mas se seduz com a estratégia de riso que o candidato adota em sua campanha, ou seja vota-se no candidato por que ele causa o riso zombando da política, a única ciência capaz de engendrar caminhos para o bem estar coletivo. Troca-se o voto pelo riso individual, anulação da política ou de qualquer reflexão ou conhecimento sobre ela.
A Brasília de Tiririca
No caso de Marcos Feliciano, desemboca-se na mesma gravidade, sem a “inocência” humorística de Tiririca.
Feliciano ficou famoso por conta de sua postura frente à presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, onde obstruiu projetos que favoreciam minorias, ao mesmo tempo dando declarações racistas, homofóbicas e machistas, contrastando com o cargo que ocupava.
O eleitor de Feliciano combina sua visão fundamentalista com a visão sobre a política: para ele não há diferença entre o seu moralismo e o Estado. Um deputado tem de aliciar, subornar, chantagear o Estado para que este se torne imóvel em sua obrigação: formular políticas para uma sociedade heterogênea e multicultural. Com a eleição de Feliciano e, consequentemente, com o aumento da bancada evangélica, o que se estabelece é a crise do Estado, prestes a se transformar num templo em que uma parcela religiosa da sociedade impede que políticas públicas e laicas, que favorecem todo o coletivo, sejam barradas e até revogadas.
Feliciano e o Fundamentalismo na Política
O eleitor de Paulo Maluf é o retrato perfeito que vemos por meio das afirmações da professora Santaella: o bordão “foi Maluf que fez” coaduna com a visão de progresso que o paulista possui. Concreto, asfalto e viadutos foram a herança que Maluf deixou através de suas gestões pautadas pela visão futurista utópica de uma São Paulo sempre em movimento. A cidade feita para o carro e para o cidadão de bem. Se há engarrafamento, Maluf projeta um viaduto ali, um minhocão aqui para resolver o fluxo. Há problemas de ordem social, salientando as contradições do projeto futurista com os anseios dos mais pobres? Não há o porquê de se preocupar, Maluf botará a Rota na rua.
Além do fascismo claro, há ainda a indiferença para com o fato de Maluf ser réu em vários processos de corrupção e não poder sair do país por estar sendo caçado pela Interpol. A indignação seletiva é um dos traços de um povo que elege aqueles que fazem faltar água nas torneiras, mas que se ferramenta do ódio contra políticos preocupados com a diminuição da taxa de poluição e da imobilidade urbana.
Paulo Maluf, símbolo da indignação
seletiva do paulistano
Tal natureza do eleitor e das figuras centrais destas eleições é consequência de uma visão publicitária ideológica, que quer atingir o indivíduo eleitor como mero consumidor a escolher um candidato conforme seus desejos íntimos e sua visão unilateral do mundo. Mas isso fica para outro texto.
O que se pode concluir é que candidatos e eleitores são signos que fazem da política algo totalmente surreal. Há uma imobilidade do pensamento crítico e reflexivo que poderia contribuir com a construção de uma sociedade harmônica, mas o que se vê é uma indiferença para com os problemas sociais e com as decisões que possam solucionar alguns desses problemas. E quando não há a indiferença, depara-se, constantemente, com o fel destilado contra qualquer mecanismo que queira discutir ou resolver tais questões.
A professora Santaella, dentro de seu véu de cidadã crítica, não percebe que seu discurso favorece a armação de um circo no palco das discussões sobre políticas públicas e faz com que a democracia seja vista através da miopia que favorece os donos do picadeiros, fazendo de nós, PHD’s ou não, nos verdadeiros palhaços dessa ilusão de (semi)ótica chamada democracia.
jns
21 de setembro de 2014 3:56 amALÉM DA JIHAD
O Papa está na mira dos fundamentalistas islâmicos
Il Tempo | Francesca Musacchio | 25 de agosto de 2014
A Itália é o trampolim dos mujahideen e também serve de base para as chegadas contínuas de imigrantes que podem ser classificados como jihadistas no Ocidente.
O nosso país também ter subestimado a presença de veteranos da guerra na Bósnia, que, mesmo da prisão, nunca deixaram de transmitir a mensagem jihadista e estão agora ao lado de Isis. Isto é o que as fontes de inteligência italianas revelam.
Os fundamentalistas islâmicos, liderados por Al-Baghdadi, também planejam elevar o nível do confronto na Europa.
Em particular, fontes israelenses acreditam que o Papa Francisco, o maior expoente da religião cristã, também está na mira do Isis como o “portador da falsa verdade”.
O risco ampliado da jihad, depois de Bin Laden, está, portanto, ampliado em todo o Ocidente.
O Isis, de fato, quer superar Al Qaeda e o seu objetivo é concluir as ações e as façanhas do “Sheikh de Terror”.
Entre os veteranos da guerra na Bósnia, que hoje estão entre os militantes de Al-Baghdadi, alguns combatentes estão sob a lupa do contra-terrorismo desde o final dos anos 90, quando em Bolonha e Nápoles foram desmanteladas duas estruturas de apoio ao GIA, o Grupo Islâmico Armado da Argélia que se tornou, mais tarde, o Grupo Salafista para a Pregação e o Combate e, posteriormente, envolveu-se na guerra na Bósnia.
Todos os réus foram condenados a penas menores, por crimes comuns, falsificação, roubo e tráfico de armas, mas todos continuaram a propagar as suas crenças jihadista dentro da prisão.
Alguns, entre eles Jarraya Khalil, “O Coronel”, se tornou o imã improvisado ”que foi atraído” para a continuação da cruzada realizada fora da UE com o apoio de alguns italianos que decidiram abraçar a causa islâmica.
A prisão também incluiu o bósnio Bosnic Bilal, um ex-imã de Cremona, que atualmente ocupa postos mais altos do Isis.
Apenas Bilal, portanto, teve a oportunidade de pregar no Nordeste do país, aproveitando a explosiva mistura italiana que também é devida à permeabilidade excessiva das fronteiras graças às chegadas contínuas de imigrantes, muitas vezes sem identidade.
A grande força do Isis, na Europa, no entanto, de acordo com fontes da inteligência, deriva de lutadores voluntários do interior do Velho Continente.
Alguns europeus, de fato, ainda fariam parte do grupo de guarda-costas que acompanha Al-Baghdadi.
O autoproclamado califa do Estado Islâmico, segundo relatos de fontes israelenses, pode gabar-se da presença de convertidos ocidentais e de jovens imigrantes de segunda geração nascidos em países da Europa em seu séquito mais próximo, que, agora, optaram por abraçar o fundamentalismo islâmico.
http://www.iltempo.it/esteri/2014/08/25/il-papa-nel-mirino-dei-fondamentalisti-islamici-1.1300134
Segurança reforçada no Vaticano por medo de ataque terrorista
Vaticano teria alertado a ameaça por serviço de segurança externa que interceptou conversa entre dois alto-falantes árabes
The Telegraph | Nick Squires | 20 de setembro de 2014
A segurança no Vaticano foi aumentada após a interceptação de uma ameaça não especificada contra o Papa Francisco, na véspera da sua visita à Albânia de maioria muçulmana.
O número de oficiais uniformizados e o policiamento regular que patrulham a Praça de São Pedro, durante as audiências semanais do Papa no domingo e na quarta-feira foi aumentado, cães farejadores estão sendo usados e máquinas de detector de metal extras foram instaladas, de acordo com as informações da imprensa italiana neste sábado.
Foram adotadas medidas depois de uma agência de inteligência estrangeira, possivelmente americana, interceptar um diálogo entre dois árabes não identificados que teriam discutido como “fazer algo no Vaticano”.
O Vaticano minimizou a ameaça, com Federico Lombardi, o seu principal porta-voz, dizendo que não tinha recebido indicações de uma “ameaça específica ou motivo de preocupação”.
O embaixador do Iraque junto à Santa Sé advertiu, esta semana, que o ISIL vê o Papa como um alvo legítimo e pode tentar assassiná-lo durante a sua viagem à Albânia, por causa do seu apoio condicional de US bombardeios contra as forças do ISIL e por ter demonstrado a sua sincera preocupação com o sofrimento dos cristãos no Iraque e na Síria.
Papa Francisco e freiras, no final de sua audiência geral semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano | Foto: ANDREAS SOLARO / AFP / Getty Images
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/the-pope/11110644/Security-stepped-up-at-Vatican-over-fears-of-terror-attack.html
alfredo machado
21 de setembro de 2014 4:07 amEstado Islâmico
Nassif,
Um pouco sobre como funciona o Estado Islâmico e suas ramificações.
Cabe lembrar que este grupo se desenvolveu a partir da desastrada invasão americana ao Iraque.
Sugiro ao blog analisar a liberação do arquivo ao final, verdadeiro mas bastante forte.
Seis fatos sobre o grupo Estado Islâmico, que domina parte de Iraque e Síria
Vanessa Martina Silva | São Paulo – 30/07/2014 – 17p3Movimento rivaliza com a Al-Qaeda a liderança da jihad muçulmana e é hoje uma das organizações terroristas mais ricas do mundo
Após autoproclamar um califado no Iraque e na Síria, o EI (Estado Islâmico), anteriormente chamado EIIL (Estado Islâmico do Iraque e Levante), agora busca ampliar seus territórios e estender sua influência até a capital iraquiana Bagdá. O grupo ganhou notoriedade internacional devido à crueldade com que trata os prisioneiros e à perseguição de “infiéis”, que são crucificados, obrigados a pagar taxas e a se converter ao Islã.
No final de semana, enquanto o mundo muçulmano comemorava o fim do Ramadã, o grupo divulgou um vídeo mostrando a crueldade com que supostos soldados iraquianos são mortos pelos integrantes do EI. As imagens revelam dezenas de soldados sendo executados um a um, como relatou a agência Reuters.
Conheça seis fatos sobre o grupo, que se desvinculou da Al-Qaeda e disputa com ela a liderança na causa jihadista mundial:
Agência Efe

Pelo menos 500 mil pessoas deixaram suas casas no Iraque após o avanço do Estado Islâmico
1. Califado: Califa é literalmente o sucessor do profeta Maomé que deve ser reconhecido como chefe da nação e líder da “umma” (comunidade de muçulmanos de todo o mundo). A lei aplicada é a lei islâmica (sharia). O líder o califado do Estado Islâmico é Abu Bakr al-Baghdadi.
Baghdadi convocou recentemente os muçulmanos de todo o mundo a se unir à batalha e ajudar a construir um Estado islâmico no território recentemente conquistado. “Muçulmanos: corram para seu estado! Sim, é seu Estado! Pois a Síria não é para os sírios e o Iraque tampouco para os iraquianos. A terra é de Allah”, clamou.
2. Escritório para casar com terrorista: As jovens que desejam se casar com um dos insurgentes podem recorrer a uma agência de matrimônio localizada na cidade síria de Al-Bab. Os recrutadores aceitam candidatas solteiras ou viúvas entre 15 e 46 anos, como informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos na última segunda-feira (28/07). O procedimento é relativamente simples. As jovens registram seu nome e endereço no pedido e, em seguida, os combatentes as procuram para pedi-las oficialmente em casamento.
Agência Efe

Iraquianos observam destroços da tumba do profeta Jonas, destruída pelos insurgentes
3. Excursões de lua-de-mel: Duas vezes por semana, é organizada uma excursão para casais em lua-de-mel, como informou a Reuters. O ônibus sai de Raqa, no norte da Síria, e vai até a província de al-Anbar, no oeste do Iraque. Mas, apesar do “romantismo”, os casais não podem ficar juntos. De acordo com a lei do grupo, as mulheres devem se sentar na parte traseira do veículo e seus esposos na frente, enquanto ouvem o motorista entoar cânticos jihadistas.
Governo sírio combate grupo Estado Islâmico e tenta retomar campo de gás em Homs
Ação do Estado Islâmico contra minorias no Iraque é crime contra humanidade, diz Ban Ki-moon
Papa Francisco pede paz no Oriente Médio, no Iraque e na Ucrânia
4. Não à mutilação genital: Na última semana, diversas agências de notícias divulgaram um suposto comunicado do grupo determinando que todas as mulheres do califado seriam circuncisadas — prática também conhecida como mutilação genital feminina — como “se fazia antigamente na cidade sagrada saudita de Medina”. A notícia no entanto, foi desmentida por jornalistas. O repórter freelance Shaista Aziz afirmou que “esta história é falsa e serve para comover a audiência ocidental”. Segundo ele, o grupo comete diversas outras “atrocidades”, mas não esta.
5. Estado petroleiro: Graças ao financiamento conseguido por meio da venda de gás roubado, o Estado Islâmico tornou-se uma das organizações terroristas mais ricas do mundo e independente do patrocínio de algum Estado. O grupo domina diversos campos de petróleo sírios e em meados de julho, tomou o controle de um campo de gás de Sha’ar, a leste de Homs, na Síria. De acordo com a Reuters, o petróleo é vendido a intermediários na Síria e depois enviado para refinarias na Turquia, Irã ou Curdistão.
Além disso, para não ter que gastar com a compra de armamentos, o grupo roubou um expressivo material bélico norte-americano que anteriormente pertenceu ao Exército iraquiano.
6. Crucificação, perseguição aos cristãos e impostos: Diversos “infiéis” estão sendo condenados a penas severas, como apedrejamento, execução e até crucificação pública. Segundo o Observatório Sírio, o grupo realizou diversas crucificações de cristãos que não quiseram se converter ao islã. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a “perseguição sistemática” de minorias étnicas e religiosas em Mossul pelos jihadistas pode representar um crime contra a humanidade.
Não muçulmanos também são obrigados a pagar um imposto, conhecido como jiziya, ou entregar suas posses e deixar a cidade, o que contribui para aumentar o financiamento do grupo.
https://www.facebook.com/photo.php?v=10204267449991209
Filipe Rodrigues
21 de setembro de 2014 4:28 amOs EUA estão a beira de uma revolução…
Calma gente, revolução não significa apenas derramamento de sangue, mas as mudanças políticas que podem ocorrer nas eleições 2016, com uma derrota dos candidatos pro-establishment, fruto do cansaço dos americano frente a essas políticas.
Partido Democrata: existe grandes possibilidades de um candidato da esquerda na sucessão de Obama, Hillary Clinton que é o nome mais forte vem se aproximando da esquerda democrata para viabilizar seu nome, sua saída do governo Obama teria sido intencional para não se comprometer com o naufrágio representado pela atual administração na Casa Branca.
A senadora Elizabeth Warren desponta para ser a candidata do Occupy Wall Street inspirado no sucesso de seu colega Democrata e Socialista recém-eleito prefeito de Nova York Bill De Blasio com um discurso contra as desigualdades sociais e econômicas.
Para se ter uma ideia do crescimento esquerdista na América, a página no Facebook do Partido Comunista Americano (CPUSA) tem mais curtidas (80.000) que a do PC do B (43.000).
Partido Republicano: está numa situação mais complicada para arranjar um candidato, além das ameaças futuras de crescimento populacional das minorias americanas (tradicionais eleitores dos Democratas). Os Republicanos teriam futuro se apostarem em um candidato Libertário, assim como o Tea Party defendem um estado cada vez mais reduzido, mas se por um lado o Tea Party quer a manutenção do conservadorismo e poder imperial dos EUA no mundo.
Os Libertários pretendem reduzir os gastos militares, rever a política externa (inclusive encerrando o embargo a Cuba) retomar o padrão Ouro no lugar do Dólar atacando o financismo e ampliar direitos individuais (aborto, casamento gay, legalização das drogas, etc). Ron Paul é o principal nome dessa corrente política, porém tem a idade como obstáculo já que é um homem de 80 anos, Edward Snowden já declarou ser um simpatizante da causa libertária, segundo defensores, a mesma causa dos fundadores da nação.
Valdez
21 de setembro de 2014 4:49 amNão espero viver
Não espero viver o suficiente pra ver isso.Estados Unidos sob um Partido Comunista.
Assis Ribeiro
21 de setembro de 2014 9:35 amAs demandas da sociedade e a
As demandas da sociedade e a incoerência das intenções de votos.
1) Lisura
A justiça negou o registro do partido de Marina por constatar inúmeras irregularidades nas filiações
2) Seriedade política
-Oportunismo da filiação de Marina no PSB de última hora
-Opostos que se digladiam mesmo antes de composições de governo
-Filiação de políticos do naipe de Heráclito Fortes e Bornhausen
-Contradições que obrigam a candidata a mudar de discurso
3) Mais estado
-Marina prega menos estado
-A população nas ruas pediam melhores transportes, saúde e educação públicos
4) Critica aos estratosféricos lucros dos bancos
-Marina prega independência do Banco Central
-É ligada umbilicalmente à banqueiros
5) Estado laico
– O histórico da candidata.
-Poder crescente das religiões sobre a vida civil
-Falta de apoio partidário. Porta aberta para composições avulsas. Maiores bancadas avulsas, bancada evangélica e a bancada do agronegócio
6) Avanços científicos
– Posições de Marina contra células tronco
7) Desigualdade social
Sem estado forte não é possível diminuir tal desigualdade.
8) Necessidade de crescimento
– As propostas da candidata e seus principais assessores indicam arrocho e desemprego
9) Necessidade energética
Marina tem resistência às grandes hidrelétricas e já criticou o pré-sal.
10) Necessidade de industrialização
As propostas do seu programa são recessivas e de contração da economia
http://assisprocura.blogspot.com.br/2014/09/as-demandas-da-sociedade-e-incoerencia.html
Assis Ribeiro
21 de setembro de 2014 9:36 amIlusão
Quem sou eu além
Ilusão
Quem sou eu além daquele que fui?
Perdido entre florestas e sombras de ilusão
Guiado por pequenos passos invisíveis de amor
Jogado aos chutes pelo ódio do opressor
Salvo pelas mãos delicadas de anjos
Reerguido, mais forte, redimido,
Anjos salvei
Por justiça lutei
E o amor novamente busquei
Quem sou além daquele que quero ser?
Puro, sábio e de espírito em paz
Justo, mesmo que por um instante,
Forte, mesmo sem músculos,
E corajoso o suficiente para dizer “tenho medo”
Mas quem sou eu além daquele que aqui está?
Sou vários, menos este.
O que aqui estava, jamais está
E jamais estará
Sou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser
Mudo, caio, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio, amo…
Mas no momento seguinte será diferente
Posso estar no caminho da perfeição
Cheio de imperfeições
Sou o que você vê…
Ou o que quero mostrar.
Mas se olhar por mais de um segundo,
Verá vários “eus”,
Eu o que fui, eu o que sou e eu o que serei.
Christian Gurtner
http://assisprocura.blogspot.com.br/2014/09/ilusao.html
Assis Ribeiro
21 de setembro de 2014 9:41 amA importância da
A importância da espiritualidade para a saúde
Via de regra todos os operadores de saúde foram moldados pelo paradigma científico da modernidade que operou uma separação drástica entre corpo e mente e entre ser humano e natureza. Criou as muitas especialidades que tantos benefícios trouxeram para o diagnóstico das enfermidades e também para as formas de cura.
Reconhecido este mérito, não se pode esquecer que se perdeu a visão de totalidade: o ser humano inserido no todo maior da sociedade, da natureza e das energias cósmicas e a doença como uma fratura nesta totalidade e a cura como uma reintegração nela.
Há uma instância em nós que responde pelo cultivo desta totalidade, que zela pelo Eixo estruturador de nossa vida: é a dimensão do espírito. De espírito vem espiritualidade. Espiritualidade é o cultivo daquilo que é próprio do espírito que é sua capacidade de projetar visões unificadoras, de relacionar tudo com tudo, de ligar e re-ligar todas as coisas entre si e com a Fonte Originária de todo ser.
Se espírito é relação e vida, seu oposto não é matéria e corpo mas a morte como ausência de relação. Nesta acepção, espiritualidade é toda atitude e atividade que favorece a expansão da vida, a relação consciente, a comunhão aberta, a subjetividade profunda e a transcendência como modo de ser, sempre disposta a novas experiências e a novos conhecimentos.
Neurobiólogos e estudiosos do cérebro identificaram a base biológica da espiritualidade. Ela se situa no lobo frontal do cérebro. Verificaram empiricamente que sempre que se captam os contextos mais globais ou ocorre uma experiência significativa de totalidade ou também quando que se abordam de forma existencial (não como objeto de estudo) realidades últimas, carregadas de sentido e que produzem atitudes de veneração, de devoção e de respeito, se verifica uma aceleração das vibrações em hertz dos neurônios aí localizados. Chamaram a este fenômeno de “ponto-Deus” no cérebro ou da emergência da “mente mística”(Zohar, QS: Inteligência espiritual, 2004). Trata-se de uma espécie de órgão interior pelo qual se capta a presença do Inefável dentro da realidade.
Este fato constitui uma vantagem evolutiva do ser humano que, enquanto homem-espírito, percebe a Realidade Fontal, sustentando todas as coisas. Dá-se conta de que pode, surpreendentemente, entabular um diálogo e buscar uma comunhão íntima com ela. Tal possibilidade o dignifica, pois o espiritualiza e o leva a graus mais altos de percepção do Elo que liga e re-liga todas as coisas. Sente-se inserido no Todo.
Este “ponto-Deus” se revela por valores intangíveis como mais compaixão, mais solidariedade, mais sentido de respeito e de dignidade. Despertar este “ponto-Deus”, tirar as cinzas que uma cultura demasiadamente racionalista e materialista o cobriu, é permitir que a espiritualidade aflore na vida das pessoas.
No termo, espiritualidade não é pensar Deus mas sentir Deus mediante este órgão interior e fazer a experiência de sua presença e atuação a partir do coração. Ele é percebido como entusiasmo (em grego significa ter um deus dentro) que nos toma e nos faz saudáveis e nos dá a vontade de viver e de criar continuamente sentidos de existir.
Que importância emprestamos a esta dimensão espiritual no cuidado da saúde e da doença? A espiritualidade possui uma força curativa própria. Não se trata de forma nenhuma de algo mágico e esotérico. Trata-se de potenciar aquelas energias que são próprias da dimensão espiritual tão válidas como a inteligência, a libido, o poder, o afeto entre outras dimensões do humano. Estas energias são altamente positivas como amar a vida, abrir-se aos demais, estabelecer laços de fraternidade e de solidariedade, ser capaz de perdão, de misericórdia e de indignação face às injustiças deste mundo como o faz exemplarmente o Papa Francisco.
Além de reconhecer todo o valor das terapias conhecidas existe ainda um supplément d’ame como diriam os franceses. Ela quer sinalizar um complemento daquilo que já existe mas que o reforça e enriquece com fatores oriundos de outra fonte de cura. O modelo estabelecido de medicina não detém, por certo, o monopólio do diagnóstico e da cura. É aqui que encontra o seu lugar a espiritualidade.
A espiritualidade reforça na pessoa, em primeiro lugar, a confiança nas energias regenerativas da vida, na competência do médico/a e no cuidado diligente ou do enfermeiro/a. Sabemos pela psicologia do profundo e da transpessoal, do valor terapêutico da confiança na condução normal da vida. Confiar significa fundamentalmente afirmar: a vida tem sentido, ela vale a pena, ela detém uma energia interna que a autoalimenta, ela é preciosa. Essa confiança pertence a uma visão espiritual do mundo.
Pertence à espiritualidade, à convicção de que a realidade que captamos é maior do que as análises nos dizem. Podemos ter acesso a ela pelos sentidos interiores, pela intuição e pelos secretos caminhos da razão cordial. Percebe-se que há uma ordem subjacente à ordem sensível, como o sustentava sempre o grande físico quântico, prêmio Nobel, David Bohm, aluno predileto de Einstein.
Esta ordem subjacente responde pelas ordens visíveis e ela sempre pode nos trazer surpresas. Não raro, os próprios médicos/as se surpreendem, com a rapidez com que alguém se recupera ou mesmo como situações, normalmente, dadas como irreversíveis, regridem e acabam levando à cura. No fundo é crer que o invisível e o imponderável é parte do visível e do previsível.
Pertence também ao mundo espiritual, a esperança imorredoura de que a vida não termina na morte, mas se transfigura através dela. Nossos sonhos de voltar à vida normal deslancham energias positivas que contribuem na regeneração da vida enferma.
Força maior, entretanto, é a fé de sentir-se na palma da mão de Deus. Entregar-se, confiadamente, à sua vontade, desejar ardentemente a cura mas também acolher serenamente sua vontade de chamar-nos para si: eis a presença da energia espiritual. Não morremos, Deus vem nos buscar e nos levar para onde pertencemos desde sempre, para a sua Casa e para o seu convívio. Tais convicções espirituais funcionam como fontes de água viva, geradoras de cura e de potência de vida. É o fruto da espiritualidade.
Leonardo Boff e Jean-Yves Leloup
http://assisprocura.blogspot.com.br/2014/09/a-importancia-da-espiritualidade-para.html
NICKNAME
21 de setembro de 2014 1:42 pmcomo num atrapalhado post toquei
se entendermos, como eu entendo, espiritualidade como vida interior, esperança, é, sim, importante. Alguns, num Deus, outros noutro Deus, outros noutros deuses ao mesmo tempo. Toquei nalgum comentário atrapalhado quando falei o que acho óbvio (ou quase) acreditar, ter esperança na humanidade, por exemplo. Ou nalgumas obras da humanidade como partidos políticos, a política. A música. A arte. Ter fé em espectro ideológico pode se tornar inabalável… visto que é… fé. O difícil mais ainda (mais difícil do que ter uma fé) é o equilíbrio entre fé, crenças e racionalidade. E em admitir que sempre se pode estar enganado. No tema do momento, p.ex., há muita fé por todos os lados, no blog há muita fé que se assemelha muito num misticismo em torno de um ou outro lado ideológico, político e/ou partidário. Vale a pena relembrar isso q Assis levanta. Aí, diminuímos repertório de “coxinhas”, “Trolls”, “alienados”, até mesmo de “dirieta” (quando nem sempre é, e ser dirieta não é pecado – sim, há quem, por sua fé, acha pecaminoso ser de direita ou não ter posição firme nisso ou naquilo).
Assis Ribeiro
21 de setembro de 2014 9:42 amTribos da Terra Expor a rica
Tribos da Terra
Expor a rica diversidade dos povos indígenas: esse foi o objetivo do primeiro concurso global de fotografia lançado pela ONG Survival International, que luta em defesa dos direitos dos povos indígenas.
E a foto eleita vencedora foi tirada em terras brasileiras. O fotógrafo italiano Giordano Cipriani captou toda a cor e a expressão de um índio da tribo Asurini, do Tocantins, e faturou o prêmio, deixando para trás concorrentes de várias partes do mundo.
A Survival International aproveitou o concurso para lançar o calendário para 2015 We, The People (Nós, As Pessoas, em tradução livre).
As fotografias apresentam, entre outros, registros da tribo Tarahumara, no México, conhecida por ter corredores de longa distância, e o ritual de saltar bois da tribo de Hamer, na Etiópia.
Foto de Giordano Cipriani – Setembro 2015 (Brasil) No Brasil, existem cerca de 240 tribos, com um total de 900 mil índios – 0,4% da população do país. Nos 514 anos de colonização do país, os povos tribais sofreram genocídio em grande escala, e perderam o domínio de suas terras. O retrato aqui é da tribo Asurini, no Tocantins.
Foto de Johann Rousselot – Agosto 2015 (Índia) Os Kondhs são o maior grupo tribal em Odisha, na Índia, e são conhecidos por sua herança cultural e pelos valores, que incidem sobre o respeito pela natureza.
Foto de Salvatore Valente – Outubro 2015 (Etiópia) No Vale do Omo, a tribo Hamer faz o ritual de salto sobre os bois.
Foto de Christian Declerq – Dezembro 2012 (Peru) A tecelagem nos Andes tem uma rica tradição da iconografia. Os desenhos são passadas através de gerações de artesãos e são inspirados pela
Foto de Fabien Astre – Julho 2015 (Indonésia) Nas florestas da ilha de Nias, na Indonésia, os Mentawai caçam macacos com arcos e flechas envenenados.
agricultura, a flora e fauna da região, além de fenômenos astronômicos e desenhos geométricos.
Foto de Diego Barrero – Maio 2015 (Etiópia) O Vale do Omo, no sudoeste da Etiópia, é lar para oito tribos diferentes, que somam cerca de 200.000 indígenas e incluem os Surmas. Há uma grande polêmica na região, porque o governo etíope está retirando muitas dessas comunidades de suas terras para fazer plantações de açúcar, algodão e biocombustíveis. Além disso, uma barragem hidrelétrica, Gibe III está também em construção no rio Omo. Quando concluída, impactar bastante o ambiente, que é o meio de subsistência para as tribos que vivem por ali.
Foto de Andrew Newey – Março 2015 (Índia) Um homem idoso da tribo Adi caminha timidamente por uma envelhecida ponte de bambu.
Foto de Partha Pratim – Junho 2015 (Índia) Na Índia, os povos tribais são muitas vezes retratados como atrasados e primitivos por terem uma forma diferente de viverem em comunidade. Por causa desse preconceito, grande parte dos povos indígenas enfrentam maus-tratos e até escravidão.
Foto de Nicolas Marino – Abril 2015 (Tibete) No início do outono, no planalto tibetano perto de Serxu, uma mulher tibetana corta o capim para estocá-lo para o longo inverno.
Foto de Arman E Barbuco – Fevereiro 2015 (Filipinas) Na Cordilheira das Filipinas, contar histórias é comum; é uma oportunidade de compartilhar experiências, de ser admirado e postergar sua forma única de vida. A mineração representa uma grave ameaça para a sobrevivência de muitas comunidades tribais nas Filipinas.
Foto de David Ducoin – Janeiro 2015 (México) Em Chihuahua, no México, uma pequena índia Tarahumara participa da “dança dos mouros e cristãos” durante procissão em homenagem à Nossa Senhora de Guadalupe na vila Nararachi.
Foto de Sarah Sandring – Novembro 2015 (Canadá) No Canadá, em 1967, o povo Innu foi um dos últimos povos indígenas a serem retirados de suas terras pelo governo. Muitas famílias ainda ficaram no campo por vários meses vivendo em tendas.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2014/09/140917_galeria_tribos_survival_rm.shtml
http://assisprocura.blogspot.com.br/2014/09/tribos-da-terra.html
will
21 de setembro de 2014 11:03 ampagina Inicial do wiki x pig
Facebook/Cafezinho
/http://www.ocafezinho.com/2014/09/20/wikipedia-critica-globo-na-pagina-inicial/
IV AVATAR
21 de setembro de 2014 12:31 pmCorre em segredo de justiça menos para o pig
O MPF, Justiça Federal, PGR e até STF permitindo que o instituto da delação premiada seja usada pela imprensa com fins eleitoreiros. Afinal de contas qual é o crime mais grave: Estes que podem terem sido ser praticados por algum deputado ou o uso da delação premiada contra o jogo democrático e as eleições limpas? Quem praticou algum crime que pague por ele mediante acusação formal mas não desta forma, ou seja, por condenação pelo Tribunal de Exceção da Globo e cia. Como pode um processo tramitar em segredo de justiça menos para o pig. Pois é, corre em segredo de justiça mas não para o pig.
Segue link para texto na íntegra, com denúncia que fiz a Órgão cuja função é zela pela CF e defender a democracia
http://www.josecarloslima85.blogspot.com.br/2014/09/corre-em-segredo-de-justica-mas-nao.html
El Fuser.
21 de setembro de 2014 1:01 pmVai para casa Padilha…?
Toda eleição é um marco épico, de certa forma…Tivemos a de 89, obviamente, uma ruptura entre o modelo representativo indireto de transição para o sufrágio direto, com todas as suas cargas simbólicas…
Já em 94, experimentamos o início da economicização da política, com a subordinação da pauta democrática aos critérios do mercado…
Em 98, veio a reeleição…e a reafirmação do mercado sobre as urnas…
2002 a eleição do Lula, e toda a incerteza e terrorismo manipulado pela mídia, que de um jeito ou de outro, sequestrou boa parte do capital político da escolha por um presidente oriundo das classes populares…Era o mercado dizendo quem é que mandava, ou afinal das contas, quem queria continuar mandando…
2006 foi a guinada, e adveio uma certa libertação de Lula dos aspectos economicistas, e melhor: Superando a chantagem midiática do mensalão, impôs sua agenda de governança…
2010 foi o resultado, a hora da colheita…Permitiu o bloco governista, não sem alguns sobressaltos, a eleição de uma presidenta, um quadro até então “virgem” eleitoralmente, mas que despontou como grata surpresa…
No aspecto partidário, as eleições também revelam ciclos, que se não podem ser cartesianamente delimitados, ao menos nos dão alguma referência dos movimentos e processos políticos…
O PMDB continua a ser o grande avalista da governabilidade, quer seja por sua capilaridade, quer seja por sua capacidade de focar sua ação nos parlamentos…Mas de fato, seu poder não é tanto quanto era antes…
É provável que o PMDB cresça sua representação parlamentar, muito por causa da completa desidratação dos demotucanalhas (DEM e PSDB), mas este crescimento também será percebido em setores mais à esquerda, como o PT e os partidos nanicos, como PC do B, PSOL, etc, que acabam por compor um panorama mais hostil as forças centristas representadas no PMDB…
O PT se firma como grande partido da centro-esquerda mundial, absorvendo para sua base de apoio, não só os partidos que organicamente pendem para o lado do poder, mas principalmente pela forte adesão que setores da sociedade têm garantido às políticas de governo, que não raro tornam-se políticas de Estado…
Os outros partidos seguem, mais ou menos dramaticamente estas linhas destes partidos (PT e PMDB)…
Para este analista bocó que vos escreve, o grande senão desta eleição é o PSB…
Será o PSB uma espécie de PSD mais polido?
Um novo centro da política brasileira?
O certo (e óbvio) é que com a saída da joana d’arc da floresta, tão logo acabe o contrato de aluguel da sigla (sim, a candidata reclama da velha política, mas alugou um partido igualzinho aos demais), o PSB não será mais o mesmo…Como uma casa alugada por um inquilino porco e espaçoso, vai ter que se reformar…
Se houver crescimento de sua base parlamentar, ele terá ainda mais influência que antes, porém, terá responsabilidades e implicações diferentes de quando fazia parte da base aliada governista, inclusive se quiser voltar para lá…
Escrevo sobre isto de olho principalmente em SP…
Não está claro para mim os motivos da não decolagem da Alexandre Padilha, mas conhecendo pouco SP, e muito menos o candidato petista, arrisco o palpite de que seu “insucesso” é muito mais por motivos alheios a sua estratégia (e de Dilma)…
Por que raios Padilha não repete Haddad, me perguntam alguns?
Santo deus, é claríssimo que esta pergunta é mais estúpida do que aqueles que a fazem…Padilha é Padilha, e eleição de governador não é de prefeito…2012 não é 2014…Lá, em 2012, a presidenta e Lula estavam “à disposição” da campanha do prefeito, enquanto agora, o candidato a governador tenha que se subordinar aos ditames federais…
Parece ser esta uma explicação-chave…
Vejamos o caso de MG…Ali, desde o início dos anos 2000, uma aproximação PT e PSDB vem aos trancos e barrancos (justamente abortada pelo ciclo aecista e suas pretensões presidenciais), mas que teve no PSB uma forte referência de conexão…
Me parece que em SP a coisa começa a andar por aí…
Geraldo Alckmin já percebeu que o barco do PSDB afundou, e pior: Com Lula em 2018, há pouco espaço para cerrar fileiras no campo da oposição no segundo mandato de Dilma…
A saída é convergir para o centro, abandonando as hostes mais estreitas e radicais de combate ao PT e ao governo federal…
Talvez por este motivo, as intuições de Lula e Alckmin tenham arrefecido o embate deste ano, para evitar feridas incuráveis nos diálogos que estão por vir…
Todos já perceberam que a marina silva caberá o papel (tristemente) feito por zé çerra, ou seja, uma lacerda verde-pentecostal…
Lideranças do PSB, mormente as mineiras, e outras do Sudeste, como o governador do ES, e outras pelo Nordeste (órfãs de Eduardo Campos), sabem que esta é a hora decisiva para recuperar o espaço do partido, que pode ficar preso em um paradoxo: Maior de tamanho, e menor em seu peso político…
Ao governo, PT, e base aliada, caberá a tarefa de pensar com habilidade o lento e gradual trabalho de reaproximação, e melhor, trazendo os despojos do PSDB para dentro da base aliada…
O PSB pode ser o grande herdeiro do butim do PSDB…
Aguardemos…Padilha, pode, por que não, surpreender?
Ou vai repetir o bordão?
Fernando J.
21 de setembro de 2014 6:02 pmA escolha do Padilha foi perfeita
Renovação. Brandem isso aos oito ventos (quatro é para os fracos). O PT simplesmente não poderia se apresentar em SP com os nomes de sempre (Marta, Mercadante). Daí a escolha do Padilha, que não foi para o sacrifício coisa nenhuma. Se não der em 2014, de 2018 não passa. E ele acabou de completar incríveis 44 anos. Conheço muito bem o interior de SP, é coisa de louco. Se Padilha perder, 2015 está aí, Dilma precisa de reforços urgentes no Ministério (digamos, bondosamente, que 2/3 são cabeças-de-bagre). Padilha oferecer seu nome ao governo de SP é um luxo, que só os quadrúpedes eleitores paulistas do interior não percebem. São Paulo concentra recursos, de toda ordem, que nenhum outro Estado possui. Por isso, tinha a obrigação de conduzir o desenvolvimento do país, puxar o Brasil. Não com o pior governador desde 1554.
El Fuser.
21 de setembro de 2014 6:37 pmFernando, não estou a
Fernando, não estou a questionar as qualidades do candidato, conheço-o pela sua principal assessora no Ministério, a Juliana D’Ângelo, que é ótima referência…
A questão é outra…
As peças em SP começam a se movimentar com o ocaso do psdb, e o governo está atento a isto…
Por sua vez, Alckmin não tem mais um suporte partidário e motivos “nacionais” para se manter isolado em SP…Ele sabe que o único espaço aberto na política é disputar o para-governismo, ou seja: uma alternativa gestada como opção dentro do próprio governo federal e não como antítese a ele…
Eduardo Campos, a despeito do incidental aconchego com a joana d’arc da floresta, já estava rodando esta possibilidade…e talvez por esta tentativa de cooptar a joana d’arc da floresta confundiu o eleitor, que poderia estar mais seduzido se ele dissesse claramente (o Janio de Freitas disse isso magistralmente) que ele não era contra Lula e Dilma, mas um avanço, um plus em relação a eles…
Isto é: com o sucesso do PT e das políticas de Estado do atual governo, fica quase impossível não convergir para o centro…
Lembre-se que o New Deal de Roosevelt só exariu em 80, como Reagan…
Abraços
NICKNAME
21 de setembro de 2014 2:10 pmnão perdem a visão da totalidade, senso comum:
um bom médico e qq outra especialidade não perdeu noção de totalidade. Esta noção e certeza (de perda da noção de totalidade) é o senso comum. Um bom médico lança mão de crenças aoa ver que o cliente, paciente depositará crença, confiança naquele remedio de nome complicado, ou caro, e aas vezes o paciente desmerece o médico por ee não passar justamente um remédio caro e de nome complicado. Aí, muitos médicos fazem o elementar que é receitar um placebo consagrado quando vê que a causa principal é psiquica, psicológica, daí o paciente se alivia e pode até ser curado. Assim tb funcionam igrejas das mais diversas, com seus sacerdotes charlatões ou não (há os que aceditam neles prórpiso). São válidos. Mas isso do seno comum na primeiras duas frases é… de pouco senso crítico pelo menos nessa área. Claro que na rapidez de atendimento, má formação inclusive humanistica, todas as especialdades e todo istema de ensino fica deficiente. Médico são explorados e têm que atender na maior rapidez. Os melhores são particulares e caríssimos, portanto, distantes de planos de saúde quaisquer, e distantes do povo, daí essa crença precipitada q faz sucesso…
Emanuel Cancella
21 de setembro de 2014 3:15 pmEleição
Dilma tem que matar um leão por hora
A Petrobrás valia R$ 15,4 bilhões em 2003. Hoje vale R$ 214 bilhões. Ou seja, houve uma valorização da empresa de 375% com Lula e Dilma, nos governos comandados pelo PT. Mas por que essa informação é escondida?
A Petrobrás financia 75% das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ou seja, está por trás da maior parte das obras em andamento no país. No entanto está sendo lembrada apenas por uma CPMI casuística.
A imprensa grande força a barra é tenta criar o escândalo “Mensalão 2”, às portas da eleição, omitindo o fato de que o pivô da corrupção, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, foi alçado à direção da empresa no governo Fernando Henrique Cardoso.
A Petrobrás retomou a construção de refinarias nos governos do PT, depois de mais de 40 anos de estagnação do parque de refino. Hoje existem quatro refinarias em construção. No entanto a mídia só faz referência ao superfaturamento das obras.
Lula desengavetou o pré-sal, depois de 30 anos e deu andamento ao desenvolvimento de tecnologia inédita no mundo, descobrindo as reservas do pré-sal e colocando a companhia entre as maiores petroleiras no planeta. No entanto, a mesma oposição que colocava em xeque a veracidade do pré-sal, diante dos 500 mil barris por dia, agora questiona o fato de a Petrobrás ser a operadora única dos campos, querendo entregar o filé a petrolíferas estrangeiras.
A Petrobrás serve ao Brasil há 63 anos. Com o Comperj, em Itaboraí, Lula-Dilma buscam retomar a indústria petroquímica, o setor mais lucrativo da indústria de petróleo, que foi destruído no período FHC.
O governo brasileiro é o que mais constrói parques eólicos e hidrelétricas no mundo, mas quando noticia a construção de parque eólicos, a mídia foca apenas no que ainda não foi feito, na ausência de redes de transmissões.
A polêmica transposição do Rio São Francisco, projetada há mais um século, saiu do papel nos governo do PT. Mas a mídia só enfoca os aspectos negativos, como a greve de fome do bispo católico.
Nos números da economia, é necessário reconhecer o esforço hercúleo e o talento de alguns jornalistas na distorção dos resultados. Mesmo não concordando com a manobra, reconheço que são dignos de prêmio. Quem sabe além do prêmio Esso de Jornalismo, poderia ser criado o Prêmio 171 no jornalismo?
Um campeão tem que matar um leão por dia, diz o dito popular. Mas a presidenta Dilma, para ganhar as eleições, vai ter que matar um leão por hora.
* Emanuel Cancella é seecretário-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2014;
Mara L. Baraúna
21 de setembro de 2014 3:55 pmPrivatização da Escola de Música Villa-Lobos
Privatização da Escola de Música Villa-Lobos: O relato de um ex aluno contra a privatização.
Da Euterpe Despedaçada
Comecei a estudar no Villa Lobos em 2000, eu era um rapaz cheio de entusiasmo e me lembro de quando cheguei nos corredores daquela magnífica escola pela primeira vez, onde fiz minhas primeiras amizades. Vi um rapaz saindo do auditório Guerra-Peixe e ser abraçado por uma colega que dizia “eu vi sua apresentação, ficou linda!” Senti que aquele era o melhor lugar para começar a viver e sentir música, onde conheceria pessoas que carregaria comigo durante a formação como músico e mesmo após ela.
Sempre morei em Campo Grande, a uns 60km dali, vindo de um lugar em que não tínhamos escolas de música (a conhecida Dinear não tinha curso de violino que eu queria fazer e anos depois acabou fechando) foi uma das melhores escolhas que eu poderia fazer, um ambiente agradável com ótimos professores. O preço era acessível (algo em torno de 200 reais por semestre) para uma pessoa nas minhas condições esse era o lugar ideal. A Escola se situa no centro da cidade, recebendo alunos de toda parte do Rio de Janeiro. Acabaria vendo que muitos estavam na mesma situação que eu, que vinham de longe, como Nova Iguaçu, Paracambi e regiões até mais longínquas.
Escola de Música Villa Lobos, AMAVILLA e FUNARJ
A AMAVILLA foi criada em 1994 por professores da instituição com o intuito de arrecadar fundos e gerir o ensino básico de música, além de abrirem novos cursos a AMAVILLA também ajuda na manutenção e pagamento de funcionários da escola, ou seja, arca as despesas que deveriam ser do Estado. Os professores contratados pela AMAVILLA não são contratados do Estado, trabalham como associados. A associação luta também pelo concurso que já foi aprovado, mas não entra em prática. A Fundação Anita Mantuano de Artes do Rio de Janeiro (FUNARJ), é uma entidade do Governo do Estado do Rio de Janeiro, responsável pela promoção da cultura e tem vínculos com o Estado, administra algumas instituições como o Teatro João Caetano, Teatro Villa-Lobos, Fundação Teatro Minicipal, Sala Cecíla Meireles, Escola de Música Villa-Lobos, dentre outros.
O que vem acontecendo?
O governo de Sérgio Cabral encaminhou o Projeto de Lei 1975/2009 para a ALERJ, que propõe a criação de Organizações Sociais para gerir todos os equipamentos públicos de cultura do nosso Estado, ou seja, privatizar as instituições administradas pela FUNARJ. O Estado Justifica que essas instituições são muito dispendiosas. O problema é que essas instituições sobrevivem a preço de custo e ainda conseguem tornar o ensino acessível a todos, como o caso da Escola de Música Villa-Lobos. A AMAVILLA encontrou meios de fazer com que a Escola continuasse existindo, e o mais importante: possibilitar a todos estudarem música. Com a privatização a situação mudaria completamente, havendo um aumento no valor semestral, que custa hoje 620 reais e passaria para 1500 reais, o que dificultaria o acesso daqueles menos favorecidos. Embora o artigo 1º da Lei afirme que não será administrado com fins lucrativos, sabemos que na prática a coisa acontece de forma muito diferente. Sendo privatizada a Escola passaria por uma mudança total, onde acabariam com o curso técnico, com a musicalização infantil e mesmo o curso básico como o conhecemos hoje, a escola se tornaria uma nova escola particular de música acessível apenas a quem pode pagar. Certamente a infraestrutura pode melhorar consideravelmente, mas essa medida acabaria com o estudo de música democrático, e devemos lembrar que se hoje a Escola ainda está de pé é graças a AMAVILLA que encontrou meios para isso.
Ainda é bom lembrar que o curso infantil é gratuito, com a privatização esse curso seria novamente pago, ou seja, impor uma OS e tornar o que é público em pago. O Objetivo final de uma instituição de ensino deveria ser a educação e não o lucro!
Ato Pacífico nessa Sexta feira!
Haverá um ato pacífico em frente ao Palácio do Governador (Palácio Guanabara) dia 19 de Setembro às 14h em defesa da “Escola pública e para todos Villa-Lobos” e pela abertura de concurso público para professores e funcionários para a escola.
No vídeo a seguir o professor Júlio César Barbosa fala sobre a AMAVILLA e a necessidade de abrir novos concursos.
https://www.youtube.com/watch?v=8-WcVeixc2c
Fernando J.
21 de setembro de 2014 4:36 pmTinhorão de volta á roda
Tinhorão de volta à roda
FABIO VICTOR
21/09/2014 02p8Mais opções
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RESUMO O historiador José Ramos Tinhorão protagonizou refregas ao se posicionar contra movimentos, como a bossa nova e o tropicalismo, e ícones da música popular. Aos 86, distante do noticiário e preparando o 29º livro, o crítico marxista, que diz ter rompido com a vida burguesa nos anos 80, segue inquieto, amado e odiado.
*
Sentado com as pernas abertas numa cadeira de boteco, as mãos espalmadas sobre os joelhos, José Ramos Tinhorão observa a roda de samba em sua homenagem. Na véspera, 7 de fevereiro de 2014, ele completara 86 anos, daí o motivo da festa.
“Estou vivendo com você/ Num martírio sem igual/ Vou largar você de mão/ Com razão/ Para me livrar do mal”, canta a roda, formada pelos grupos Terra Brasileira e Samba de Terreiro de Mauá, por amigos e admiradores.
A “Para me Livrar do Mal” seguiram-se “Se Você Jurar”, “Nem É Bom Falar”, “Choro Sim”, “O Que Será de Mim”, “É Bom Evitar” e várias outras de Ismael Silva: em deferência ao homenageado, o repertório daquele sábado se concentrou no sambista do Estácio, o preferido de Tinhorão.
É uma tarde abafada do mais quente verão da história de São Paulo, e a roupa do aniversariante –calça, camisa, sapatos e meias sociais– destoa do clima de praia no asfalto instalado na calçada do bar da Vila Buarque, região central de São Paulo.
Destoar faz parte da natureza do velho historiador e crítico. José Ramos Tinhorão ganhou visibilidade nacional nos anos 1960 por, em artigos na imprensa, menosprezar a bossa nova enquanto o Brasil e o mundo a celebravam, algo que repetiria anos mais tarde com o tropicalismo ou qualquer manifestação que em seu entender maculasse a pureza das raízes populares da música nacional.
Zé Carlos Barreta/Folhapress
Tinhorão em sua casa, na região central de São Paulo
Ali nasceu o rótulo de crítico radical marxista e nacionalista que, alimentado à farta pelo próprio, jamais se descolaria dele, mesmo porque, ao se reinventar como historiador da cultura urbana, o rotulado manteve seus dogmas e sua ortodoxia.
Quem passa pelo cruzamento das ruas General Jardim e Dr. Vila Nova nem se dá conta de quem seja o senhor festejado, o que parece compreensível.
Faz pelo menos menos dez anos que Tinhorão quase sumiu do noticiário, a não ser por reportagens e resenhas eventuais, em geral dedicadas a livros que lança ou reedita.
É, ao que tudo indica, um isolamento involuntário, pois, mesmo aos 86, ele continua lúcido, inquieto e prolífico.
Finaliza seu 29º livro, sobre as origens do congado, manifestação de ascendência africana que, entre os séculos 17 e 19, foi uma das festas mais populares do Brasil. O trabalho ainda não tem data para ser publicado. Até o final de outubro a editora 34, que concentra a maior parte da obra de Tinhorão, lançará uma reedição de “Música Popular – Do Gramofone ao Rádio e TV” (1981), com texto revisto e um novo prefácio.
Por outra editora, a da Unesp, o autor publicou em 2012 “Festa de Negro em Devoção de Branco”, em que investiga as conexões entre a cultura africana, o catolicismo português e o Carnaval brasileiro.
Dois anos antes, em 2010, foi lançada uma biografia autorizada do autor, “Tinhorão, o Legendário” (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), de Elizabeth Lorenzotti.
A desaparição deve ser relativizada também porque, a despeito da habitual queixa de Tinhorão de que é subvalorizado, sua obra ganha cada vez mais respeito.
O homem que o ensaísta e músico José Miguel Wisnik já definiu como “o mais importante pesquisador de música popular no Brasil” tem admiradores mesmo entre jovens com idade para serem seus netos, como pôde se ver naquela tarde na Vila Buarque.
TIETAGEM
Equilibrando nos joelhos um exemplar de “História Social da Música Popular Brasileira” (ed. 34, 1998, lançado originalmente em Portugal pela Caminho em 1990) de cujas páginas pulavam incontáveis post-its de cores berrantes, dando ao volume uma aparência algo fosforescente, Elisa Meier Ferreira, bandolinista de 20 anos, sentou-se ao lado de Tinhorão. Viajara de Porto Feliz (a 118 km de São Paulo) só para tietá-lo, assim como as irmãs Corina, 26, flautista, e Lia, 23, violonista. Ela formam o grupo “Choro das 3”, dedicado a tocar o gênero.
“Aprendemos a tocar na escola de choro [autêntico] que ele defende. Hoje em dia ninguém mais conhece nada, por isso, quando fazemos um concerto, procuramos explicar as origens do que tocamos”, disse Elisa.
“Desde os 16 anos”, acrescentou Corina, “leio e admiro o Tinhorão”. Para explicar por que o admira, pediu que eu lesse um trecho destacado na contracapa de “História Social…”.
Diz o trecho: “Essa espécie de vergonha da própria realidade, desenvolvendo-se principalmente entre as camadas da classe média com caráter de autêntico complexo de subdesenvolvimento, conduz, assim, a uma progressiva perda ou desestruturação da identidade cultural, o que desemboca no ridículo de, ao procurarem tais consumidores colonizados apresentar-se como modernos, só conseguiram aparecer como estrangeiros dentro do seu próprio país”.
Havia outros jovens em torno do pesquisador naquela tarde, como as jornalistas Janaína Marquesini, 32, e Raquel Munhoz, 23, agradecidas por Tinhorão ter sido fonte para o trabalho final de graduação em jornalismo na Universidade Metodista de São Bernardo, sobre Clementina de Jesus.
“A cultura popular brasileira é muito carente de pesquisadores. Tinhorão é um dos poucos que tocam o assunto com seriedade”, disse Janaína.
Tinhorão também é revisitado, nas novas gerações, por quem o critica.
Revelada na cena musical paulistana em 2013, a banda Filarmônica de Pasárgada incluiu em seu álbum de estreia a canção “Enfartando Tinhorão”, uma mistura de ritmos cuja letra diz “Vou batucando/ Tudo tudo o que me vem no ouvido/ Mas eu não uso fantasia de bamba/ Só porque o samba tá sapucaído” e “No fundo do meu copo/ No oco eu coloco/ Cachaça e Coca-Cola”.
“Fiz esta canção pois me identifico musicalmente com o contrário do que Tinhorão sempre falou ou escreveu. É uma maneira bem-humorada de me contrapor às suas ideias”, explica o compositor Marcelo Segreto, 31.
A música tem como introdução uma quadra popular anônima retirada de um livro de Tinhorão (“Eu vô bebê/ Eu vô me embriagá/ Eu vô fazê barulho/ Pra polícia me pegá”) e termina com a leitura de trechos de obras do pesquisador.
“Mesmo discordando de suas posições ideológicas, sei que quem quer estudar música popular no Brasil precisa ler obrigatoriamente Tinhorão. Admiramos seu trabalho de pesquisador e ao mesmo tempo discordamos de suas posições tão rígidas”, observa Segreto.
ORIGENS
A rigidez a que se refere o músico de certo modo está relacionada às origens de Tinhorão.
José Ramos nasceu em 7 de fevereiro de 1928 em Santos, litoral paulista, primogênito de uma família de imigrantes ibéricos (o pai era português e a mãe, filha de espanhóis). Só ao virar jornalista, nos anos 1950, incorporaria à assinatura o apelido Tinhorão, nome de uma planta venenosa.
(Diferentemente do que muitos pensam, o motivo não foi o veneno que caracteriza o crítico, mas apenas um chiste de um chefe na Redação do “Diário Carioca”, que, sem saber como chamar o jovem jornalista que acabara de chegar –mas lembrando que seu sobrenome guardava algo de vegetal–, lançou a alcunha que tornaria o rapaz famoso.)
Teve uma infância que define como a de “um menino pobre, mas numa família com moral pequeno-burguesa”. O pai foi garçom, vendeu bilhete de loteria e teve uma tinturaria, até ser convidado por um amigo para trabalhar no Cassino da Urca, no Rio, para onde a família mudou-se em 1937, quando o garoto tinha nove anos.
Por exigência do pai, Tinhorão começou a trabalhar adolescente (na divisão de material do Ministério da Fazenda), antes de cursar e se formar em direito e jornalismo.
Nunca exerceu a primeira profissão. Na segunda, começou em 1952, no “Diário Carioca”, onde trabalhou com Janio de Freitas, hoje colunista daFolha, que entrara no “DC” como desenhista e diagramador. Tinhorão era copidesque, jargão da época para a função de redator/revisor. “Foi o meu primeiro amigo no ‘Diário Carioca’. Já ali tinha vocação de intelectual, pesquisava literatura francesa do século 18. Era muito inteligente, muito reflexivo e analítico. Foi se tornando ‘o cara'”, conta Janio.
Ao liderar a reforma do “Jornal do Brasil”, entre 1958 e 1959, que tornaria o diário carioca referência nacional, Janio convidou o amigo para ser redator de primeiro time.
Foi no “JB” que Tinhorão tornou-se pesquisador meticuloso e crítico musical ferino.
Além de recuperar a memória de velhos sambistas –entrevistando nomes como Donga, João da Baiana, Ismael Silva, Bide, Heitor dos Prazeres e Pixinguinha–, passou a investigar as origens do gênero e de outras manifestações da cultura popular urbana do pais.
Muitos dos textos que escreveu naquela época estão hoje publicados em livros como “Música Popular – Um Tema em Debate” (ed 34) ou “Crítica Cheia de Graça” (Empório do Livro).
“O que eu fazia não era crítica, era ensaio. Pegava as coisas no calor da hora e analisava ali mesmo. Claro que é um delírio de grandeza meu, mas só Marx fez isso. Ele ia publicando nos jornais em que colaborava e era aquilo [que publicava em livro], a análise estava feita”, afirmou Tinhorão, em um dos cinco encontros que tivemos para esta reportagem.
Como que para ressaltar o valor da música “autêntica” produzida pelas camadas populares, o crítico começou a apontar a “impureza” da bossa nova quando o movimento consagrado por João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes estourou, em 1962.
Num artigo naquele ano no “JB”, escreveu que “o aparecimento da bossa nova na música urbana do RJ marca o afastamento definitivo do samba de suas origens populares”.
Deste estranhamento com a bossa nova viria boa parte de sua fama e um grande número de desafetos, que só cresceram à medida que Tinhorão atacava a nata da MPB que ascendia, com alvos que iam dos tropicalistas a Tom Jobim, passando por Paulinho da Viola.
Muitos reagiram, a começar de Caetano Veloso, que em 1965, num texto publicado pela revista “Ângulos”, da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, definiu como “histéricos” os artigos de Tinhorão. A se julgar por eles, dizia o baiano, “somente a preservação do analfabetismo asseguraria a possibilidade de fazer música no Brasil”.
Caetano voltaria a arengar com Tinhorão inúmeras vezes nas décadas seguintes.
Mas o contra-ataque mais pesado veio do colega Sérgio Cabral, pai do ex-governador do RJ. Num artigo para o número 361 do semanário “O Pasquim” (28/5 a 3/6 de1976), intitulado “Tinhorão agente da CIA?”, com chamada de capa, o jornalista e pesquisador musical recorria ao bom-humor para fazer acusações sérias.
“Não será José Ramos Tinhorão um agente remunerado da CIA contra a música popular brasileira?”, questionava Cabral.
“Qualquer relatório sobre a CIA ensina que uma de suas táticas é infiltrar agentes em movimentos hostis ao Estados Unidos para que esses agentes não só recolham informações como também prejudiquem os próprios objetivos do movimento com atitudes radicais”, continuava o texto, que em seguida identificava a MPB como um “movimento hostil” aos EUA, fechando o raciocínio.
“Qualquer compositor de classe média que faça música, por mais talento que tenha, é logo acusado de deturpador (…) Noutro dia, ele chamou Caetano Veloso de mau caráter simplesmente porque Caetano dedicou um dos seus discos a Clementina de Jesus.
Assim, já foram esculhambados por Tinhorão os seguintes artistas: Chico Buarque de Holanda (que uma vez me disse assim: ‘Vou dar um pau no Tinhorão, hem!’), Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Gilberto Gil, João Bosco, Vinicius de Moraes, Hermínio Bello de Carvalho, Antônio Carlos Jobim, Baden Powel, Edu Lobo e muitos outros. Esses são os chamados pilares de nossa música popular em termos de prestígio e de mercado. Atrapalham a penetração da música norte-americana no Brasil. Portanto, o negócio é destrui-los.”
Passados 38 anos, Cabral –que trabalhou com Tinhorão no “JB” e era titular da página musical em que o colega passou a escrever em 1961– se diz arrependido do artigo. “Era apenas provocação. [O texto] tinha lógica, mas era mentira, um absurdo [dizer que ele era agente da CIA]. Foi exagerado, eu reagi mal, fui grosseiro e me arrependo. Tinhorão não merecia isso, é um pesquisador sério, profundo conhecedor de música popular, um craque. Sou fã dele.”
Tinhorão, marxista que nunca se filiou a partidos, considera que o artigo teve motivação ideológica. “Ele escreveu aquilo porque tinha entrado no PCB e o partido era da esquerda do [espetáculo musical] Opinião, a esquerda festiva, e eu não.”
Se Cabral agora contemporiza, entre tanta gente da música espinafrada no passado por Tinhorão, poucos se dispõem hoje a ressuscitar as controvérsias.
Procurado, Caetano alegou, por meio de sua assessoria, falta de espaço na agenda para dar entrevista, mesma justificativa dada por Chico. Paulinho da Viola mandou dizer, pela sua mulher, “que não tem nada para falar sobre esse assunto”.
Aldir Blanc, que costumava ser elogiado pelo crítico, mas tomou as dores do parceiro João Bosco (este sim objeto da pena implacável), ao incluir Tinhorão entre cobras venenosas num trecho da letra de “Querelas do Brasil” (“Tinhorão, urutu, sucuri”), topou falar.
“Acho que dei duas solas no Tinhorão, uma na música citada outra em texto para o ‘Pasquim’, mas quero deixar muito claro que Tinhorão é sinônimo de polêmica enriquecedora e que sua obra crítica e histórica engrandecem nossa cultura. Eu não só respeito o Tinhorão. Também o admiro muito, graças ao meu amigo Nei Lopes, que me tirou de um antagonismo que não afeta o Tinhorão mas que me diminuiria. Mando de público um abraço agradecido para minha ‘sucuri’ favorita”, disse Aldir, por e-mail.
Mais fácil é encontrar quem conteste as inúmeras acusações de plágio, ou “anterioridade”, apontadas por Tinhorão. Para ele, “Águas de Março”, de Tom Jobim, é copiada de uma música folclórica (“Água do Céu”) oriunda de um ponto de macumba. “Desafinado”, de Tom e Newton Mendonça, “é roubada” do samba “Violão Amigo”, de Bide e Marçal, gravado por Gilberto Alves. “Samba de Uma Nota Só”, também de Tom e Mendonça, seria derivada de Mr. Monotony, de Irving Berlin, gravada por Judy Garland. Até a revolucionária batida de violão da bossa nova criada por João Gilberto, aponta, já podia ser ouvida antes num samba de Sinhô, “Maldito Costume”. E, mais recentemente, Cartola também entrou na dança: a melodia de “As Rosas não Falam”, diz Tinhorão, é chupada da instrumental “La Rosita”, de Coleman Hawkins e Ben Wester.
Tido por muitos como o maior compositor popular brasileiro, Tom é desdenhado por Tinhorão desde o primórdio da carreira do crítico, que diz ter pelo menos 16 exemplos de canções do músico carioca derivadas de criações alheias.
“Tom não era um criador, era um arranjador”, declara Tinhorão, repetindo uma frase que de tão reproduzida soa até velha. Imediatamente acrescenta: “Já vai a reportagem acabar caindo no lugar-comum das outras…”
O jornalista e escritor Ruy Castro acha graça. Depois de frisar que é um admirador de Tinhorão (“aprendo muito com ele e tenho o maior respeito pela seriedade de suas pesquisas sobre música popular até 1900”) e mostrar 14 livros do colega na estante de seu apartamento no Rio, Ruy o rebate.
“O que me intriga é um homem feito ele, que teve uma relação tão íntima com o disco, não entender que, por causa do disco, foi impossível manter uma pureza na música. Charles Mingus não ouviu nada além de música protestante até a adolescência, até escutar Duke Ellington e não querer ouvir outra coisa. Quando Pixinguinha toca saxofone e põe bateria no conjunto dele, é por influência americana –o contrabaixo tocado nos dedos também é jazz. Não há como escapar da promiscuidade imposta pela indústria fonográfica”, defende Ruy.
Autor de “Chega de Saudade”, sobre a história da bossa nova, o jornalista também contesta a tese de que seja americana a maior influência do movimento, uma vez que, argumenta, seus três principais nomes –Tom, Vinicius e João Gilberto– “tiveram todos uma formação musical profundamente brasileira”.
Ruy lembra que Tom reagia aos ataques do crítico com um chiste recorrente: “Tinhorão acha que não sou autêntico. Eu também acho que não sou. Autêntico é o jequitibá”.
Ao escutar em seu toca-discos as músicas que Tinhorão aponta como a base para apropriações de Tom e cia. –tinha todas em sua coleção, em vinil ou CD–, Ruy minimizou certas semelhanças (“Se quiser procurar plágio, você acha onde quiser, ‘Wave’ [de Tom] é a Quinta Sinfonia de Beethoven”) e brincou: “Fico contente em saber que o Tinhorão passa o dia ouvindo música americana.”
Sergio Cabral concorda com Ruy. “Não tem nada de plágio. Como dizia Noel [em ‘Mais um Samba Popular’], ‘Sendo as notas sete apenas/ Mais eu não posso inventar’.”
Tinhorão tem uma metáfora desairosa para explicar por que discorda dos colegas. “O criador de música está sujeito a ser emprenhado pelo ouvido. Diz que é muito pouco para configurar plágio. Mas quando você pega uma namorada e bota na coxa, às vezes goza e vem um filho com todas as características suas, só por causa dessa gozadinha na coxa.”
O SOGRO
O ataque sofrido no “Pasquim” apenas tangencia uma passagem pouco conhecida da vida de Tinhorão. Ao afirmar no artigo que o crítico era à época “muito bem protegido” e que “na editora Abril, todas as vezes em que se falava em demiti-lo aparecia sempre uma força superior para mantê-lo no emprego”, Cabral possivelmente se referia ao então sogro do colega, Antonio Ferreira Marques.
Veterano da FEB na Segunda Guerra, o general Ferreira Marques foi chefe do Estado-Maior do 2º Exército (em São Paulo) durante um dos períodos mais duros da repressão (ocupava o cargo quando Vladimir Herzog foi assassinado pelos militares, em 1975) e chegou a chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro no governo Figueiredo (1979-1985).
Cabral diz que sabia que Tinhorão tinha um sogro do Exército, mas jura que desconhecia quem era o militar e quanto poder ele detinha –a informação tampouco aparece na biografia de Tinhorão, e mesmo seus amigos mais próximos afirmam ignorar esse capítulo de sua trajetória.
Era um tempo em que Tinhorão frequentava colunas sociais, como a de Tavares de Miranda, na Folha.
Em 13 de fevereiro de 1968, o colunista registrou: “Se o general Syseno Sarmento pajeou a filha e o genro no fim de semana, no princípio da semana a vez de pajem foi de seu assessor, agora comandante da Força Pública, o coronel Antonio Ferreira Marques, que recebeu a visita da filha Noely Nazareth e do genro, que é o jornalista e escritor José Tinhorão, que veio [sic] passar o seu ‘nat’ no Planalto”.
Noutra coluna, em junho do mesmo ano, Tinhorão e a mulher eram listados entre os convidados a uma recepção de um alto oficial que teve “todo o Exército dizendo presente”.
Cabe recordar que a associação com os militares –ainda que indireta ou fantasiosa– serviu de ataques de Tinhorão a músicos. Numa tese no mínimo controversa, o crítico escreveu, em “História da Música Popular Segundo seus Gêneros”, que, durante a ditadura, os tropicalistas não somente “renunciaram a qualquer tomada de posição político-ideológica de resistência” como reproduziram a doutrina do regime.
“O grande erro de perspectiva do poder militar, ao insurgir-se contra a irreverência e o deboche do tropicalismo através da medida política da expulsão [do país] de Caetano Veloso e Gilberto Gil”, observou Tinhorão, “foi não perceber que, afinal, a proposta dos baianos correspondia exatamente, no plano cultural, ao da filosofia da atualização tecnológica programada pelo movimento de 1964 no plano econômico”.
Conforme o crítico, a prisão de Caetano e Gil em 1968, à qual se seguiu o exílio em Londres, foi um engano dos militares.
Tinhorão foi casado com Noely Marques de 1964 a 1980. Tiveram três filhos. O pesquisador conta que há muito tempo não fala com nenhum deles. “Se você tem uma sociedade e um dia a empresa se desfaz, o que é que você tem que ver mais com seus ex-sócios?”, questiona.
Ele emposta a voz e ironiza: “Aí você vai me perguntar: mas e as relações afetivas?”. E ele mesmo responde: “Meu casamento era burguês, para a família que eu tinha, o importante era ter sucesso material. Como eu rompi com esses valores, me afastei automaticamente dos personagens que os resumiam.”
Segundo Tinhorão, há até algum tempo atrás os filhos ainda lhe telefonavam em seu aniversário, mas nem isso fazem mais –”o que é um conforto para mim”, ele diz.
Indagado se suas posições de esquerda interferiram na sua relação familiar, afirmou: “Perto de mim ele [o sogro] não falava de determinados assuntos. Era uma coisa tácita. Ele sabia que eu não ia aprovar e eu mais ou menos sabia o que poderia sair daquela cabeça. Então pra que é que eu ia mexer?”.
E o sogro, nunca interferiu no trabalho do pesquisador? “Não, inclusive porque militar brasileiro não lê nada.”
LIBERTO
O novelão familiar estaria circunscrito à vida pessoal de Tinhorão não fosse o fato de que a separação da primeira mulher marcou uma guinada na carreira do crítico.
Vivendo desde 1968 em São Paulo, para onde se mudara ao aceitar convite da revista “Veja”, ele separou-se em 1980 e, à medida que diminuía sua colaboração com a imprensa, se aprimorava como historiador da cultura.
“Casamento é escravidão. Você não se separa, você vira um homem liberto. O primeiro [casamento] é mais difícil, te dá obrigações morais, éticas e sentimentais e te amarra a situações econômicas. Tua vida individual acaba, você passa a ser um homem de família, o que é incompatível com a atividade de pesquisador. Ou você rompe com isso ou não consegue fazer o que tem de fazer.”
Tinhorão deixou “uma casa burguesa na Vila Nova Conceição [bairro nobre na zona sul paulistana]” e mudou-se sozinho para uma quitinete de 31m2 na rua Maria Antonia, na Vila Buarque, que já usava como escritório e arquivo.
Rato de sebos e bibliotecas, ampliou seu já rico acervo (coleções de discos, partituras, revistas e jornais, folhetos, modinhas etc) a ponto de tornar o imóvel lendário. A partir de algum momento nos anos 90, Tinhorão passou a ser referido não apenas como um grande pesquisador, mas como aquele grande pesquisador que vivia entre livros num apartamento minúsculo em São Paulo. Ele estimulava a lenda, contando que, por falta de espaço para cama, pernoitava num saco de dormir e que coleções de jornais e revistas ocupavam o minúsculo banheiro.
Janio de Freitas interpreta que a opção de Tinhorão por se desligar da imprensa para mergulhar na pesquisa histórica foi motivada pela reação que o trabalho do crítico provocava, como a paulada de Cabral no “Pasquim”. “A contestação sobre o fato de ele ver influência americana em tudo criou muita polêmica, e a polêmica o levou a deixar o jornalismo. O Tinhorão é muito polêmico, é do temperamento dele, mas não é mal-humorado, é engraçado, tem muito bom-humor, e pagou por isso.”
Junto com o acervo, multiplicavam-se os livros de Tinhorão. Àquela altura, sua principal obra era a reunião de artigos “Música Popular: Um Tema em Debate”, seu segundo trabalho publicado (em 1966) e até hoje o seu livro mais conhecido. A estreia, também em 1966, foi com “A Província e o Naturalismo”, um ensaio sobre como essa escola floresceu no Ceará.
A cultura popular urbana do Brasil, do século 16 ao século 20, sempre foi o campo de estudo de Tinhorão, em especial a música popular, que ele define como aquela “de compositor conhecido e divulgada por meio de partituras, discos, filmes, fitas etc.”, em contraposição à folclórica, “de autor desconhecido, transmitida oralmente”, oriunda do universo rural –ele detesta ser confundido com um folclorista, assim como não gosta de ser chamado de crítico, pois considera subestimação do seu papel de historiador da cultura.
Criou obras de referência, como “Pequena História da Música Popular” (1974, hoje na 7ª edição) e “A Música Popular no Romance Brasileiro”, trabalho em três volumes (1992, 2000 e 2002) que esmiúça como os ficcionistas do país trataram do tema.
Investigou a gênese de manifestações pouco conhecidas (“O Rasga: Uma Dança Negro-Portuguesa”, lançado em 2007 em Portugal e em 2010 no Brasil) e apresentou pioneiros (“Domingos Caldas Barbosa: O Poeta da Viola, da Modinha e do Lundu”, 2004, sobre o primeiro compositor popular brasileiro).
Transitou com desenvoltura pela chamada história do cotidiano em trabalhos como “Os Sons que Vêm da Rua” (1976), misto de pesquisa e ensaio sobre manifestações típicas de metrópoles, de cantores de serenatas e realejos a coretos, circos, gafieiras e forrós.
Ou se aproximou da historiografia clássica, com laivos sociológicos mais evidentes, como os já mencionados “História Social da Música Popular” e “Do Gramofone ao Rádio e TV” –neste último, examina como a evolução da tecnologia influenciou a música brasileira.
“Quase todo ano, ou no máximo a cada dois, publicamos algo do Tinhorão. A produção dele é muito grande, a gente não dá conta de publicar tudo”, afirma o diretor editorial da 34, Paulo Malta, ao explicar por que vez por outra alguns títulos saem por outras editoras. A casa publica o autor desde 1997 e tem à disposição em catálogo 11 dos deus livros (um deles em três volumes, “A Música Popular no Romance Brasileiro”). Malta relata que o principal público são estudantes universitários, de música ou história, e que o mais vendido é “História Social da Música Popular Brasileira”, cerca de 20 mil exemplares –”Música Popular – Um Tema em Debate”, publicado 30 anos antes e que passou primeiro por outras duas editoras, possivelmente vendeu mais que isso.
“Não são best-sellers, mas são livros que vendem sempre e têm um público cativo”, diz Malta.
O VELHO DE BARBA
No entender do professor de história da USP José Geraldo Vinci, co-organizador, com Elias Thomé Saliba, de “História e Música no Brasil” (Alameda), Tinhorão aprofunda e ordena o trabalho iniciado por pioneiros da historiografia musical brasileira, como Almirante, Vagalume, Orestes Barbosa e Lúcio Rangel, cujo perfil mais evidente era de memorialistas.
“Ele é o cara que coloca toda a carga dessa primeira geração a serviço de um discurso historiográfico muito articulado e documentado, que cria uma narrativa, uma interpretação –que pode até ser muito pessoal ou calcada em teorias discutíveis, mas que representa um grande avanço.”
Dos desbravadores, segundo Vinci, Tinhorão guarda a concepção de música popular “naturalizada”, a ideia de que “só a música do povo é pura e bonita”, mas acrescenta aos antigos, para além da documentação obsessiva, a visão marxista.
“Os fatos não acontecem por geração espontânea. O que motiva os fatos numa sociedade capitalista é a cultura de classes. Conforme a classe a que você pertence, você terá uma visão cultural diferente. A origem de classes explica muita coisa sempre”, afirma Tinhorão.
Adotar o materialismo histórico como bandeira, relata, atendeu simultaneamente a uma opção de vida e à conveniência profissional. Ele recorre à seguinte metáfora para explicar o dilema de pesquisadores que acumulam informação em excesso.
“É como uma pessoa que come demais e depois não consegue digerir. Para evitar que isso acontecesse comigo eu precisava de um método. O meu método é o materialismo histórico. Isto é, a realidade observada numa sociedade de classes e a cultura numa cultura de classes. Vamos ver os fenômenos culturais conforme a área de quem produz e quem consome.”
E acrescenta que vem daí o que chama de sua “coerência” como autor.
Mas, sendo um integrante da classe média que sempre teve a cultura popular como objeto de trabalho, não seria incoerente reclamar que “a classe média se apropria” da música popular?
Para responder, Tinhorão recorre mais uma vez a Marx.
“Assumi uma posição fora da minha classe. É preciso ter coragem para fazer isso. Eu não digo que só a produção popular é que é válida. O que digo é que a classe média é que crie a produção dela. Quando tenta imitar, vira caricatura. Aí entra o velho de barba [Marx]: a classe média não é uma classe para si. A elite é, vai à ópera, viaja, se informa.”
Tinhorão diz que “sofre” ao subverter sua classe de origem. “Veja o drama que vivo: os que poderiam concordar com a minha análise não podem me ler. E os que entendem detestam.”
ESPECIALIZAÇÃO BURRA
Trata-se, como em muitas das queixas feitas pelo pesquisador, de um exagero –mas no fundo com uma pontinha de sentido.
Na transição entre o crítico e o historiador, Tinhorão diminuiu as refregas com compositores da MPB, mas não abriu mão de buscar novos alvos. Talvez o preferido seja a universidade, que ele associa a “acomodação”, em oposição à curiosidade intelectual que diz ser a mola do seu trabalho. “Não há uma área que se extingua em si. A especialização é burra. Quem está na academia é o competente burro, sabe tudo de sua área e não enxerga mais nada lateralmente. Minha forma de conhecer as coisas não tem bitola. Eu brinco nas onze.”
“Quanto mais informação você tem, mais fica difícil a síntese. É por isso que tem tanto ignorante brilhante, porque quando o cara sabe pouco, ele acha que domina tudo. Só percebi o tamanho da minha ignorância depois de estudar tantos anos e ler muito.”
O ressentimento com a academia constitui um dos aspectos mais intrigantes da trajetória do pesquisador.
Faz anos que ele reclama do suposto desprezo que acadêmicos nutrem por sua obra, com tiradas-quase-bordões como “eles comem Tinhorão e arrotam Mário de Andrade” ou “só sou citado como apud [indiretamente, como o autor que teve acesso à fonte original]”.
Como recorda José Geraldo Vinci, isso pode ter sido verdade num passado distante, hoje não mais.
“A academia não dava mesmo muita importância, mas não era a ele, mas ao que ele estudava, a canção popular urbana. As ciências sociais e a história sempre foram muito refratárias ao tema até o início dos anos 90. Hoje ele é um cara respeitadíssimo. Mas acho que não recebe o debate com abertura de espírito”, comenta Vinci, um dos muitos entrevistados que disseram usar em suas aulas livros de Tinhorão.
O também historiador da USP Marcos Napolitano, autor de “História & Música” (Autêntica) e “A Síncope das Ideias” (Editora da Fundação Perseu Abramo), endossa a visão do colega.
“Tinhorão é referência para muitos, embora a historiografia da música popular tenha avançado para outras perspectivas nos últimos anos. Eu mesmo indico a leitura dos seus livros em muitos cursos, como referência e como fonte de um tipo de pensamento musical no Brasil. Os seus livros mais historiográficos são leituras correntes nas pesquisas acadêmicas.”
Para Napolitano, os pontos fortes da obra de Tinhorão são “a erudição documental e o cuidado com as informações históricas”, enquanto “o ponto mais frágil é a análise excessivamente dogmática e valorativa do sentido histórico, estético e político do material musical, sobretudo em relação ao que chamamos de ‘MPB'”.
Vinci também destaca o trabalho de documentação de Tinhorão. “Num país mais desenvolvido, é trabalho para uma instituição, não para um indivíduo.”
Professor do Departamento de Filosofia da EFLCH/Unifesp e músico, Henry Burnett avalia que Tinhorão não é desprezado pela academia, mas é sim subutilizado. “Há um descompasso entre o documento e a análise, porque uma coisa é achar que o Brasil não pode se deixar invadir pela cultura exterior, outra é dizer que um Tom Jobim era frustrado como músico erudito e foi fazer samba. É cômico, mas é por essas e outras que ele ficou ‘de fora’ da festa da MPB, porque ele explicitava sua teses de modo grosseiro e descuidado, algo estranho para quem pesquisa tanto e conhece mais do que ninguém”, diz Burnett, que considera Tinhorão um autor “fundamental” e recorreu à obra dele para escrever seu livro “Nietzsche, Adorno e um Pouquinho de Brasil’ (Unifesp, 2011).
MESTRADO AOS 70
Apenas uma vez Tinhorão dominou o asco que diz nutrir pela academia, quando, no final dos anos 1990, já um septuagenário, fez um mestrado na história da USP, que resultou no livro “A Imprensa Carnavalesca no Brasil – Um Panorama da Linguagem Cômica” (Hedra, 2000).
Ao fim de uma pesquisa em mais de 200 publicações carnavalesca do país, traçou um painel da linguagem cômica desde a Idade Média e fez ao menos uma descoberta significativa: que em 1904, 60 anos antes de o linguista russo Mikhail Bakhtin apresentar suas teorias sobre carnavalização –que se tornariam fetiche entre intelectuais de todo o mundo nos anos 1960/1970–, um jornalzinho do Recife, “O Philomomo”, antecipara o uso do conceito, com o slogan “Descarnavalizemos a República e Republicanizemos o Carnaval”.
Tinhorão gosta de frisar que só topou a experiência do mestrado porque precisava do dinheiro da bolsa para viajar ao Recife, base, junto com o Rio, da maioria das publicações pesquisadas.
O percurso acadêmico foi sui generis. O mestrando escolheu para orientá-lo um professor que nada sabia sobre o tema pesquisado, o especialista em Idade Média Jônatas Batista Neto, somente porque o conhecia das rodas de uma livraria do centro de São Paulo.
“Não entendo nada de imprensa carnavalesca no Brasil e não o orientei. Só lhe garanti a possibilidade de fazer o trabalho e de o apresentar na Universidade”, afirma Batista Neto.
“Ele entrou na pós como qualquer outro aluno. Inscreveu-se, passou por uma entrevista comigo e fez alguns cursos. Apesar das reservas do Tinhorão com relação à academia, o percurso dele lá foi dos mais tranquilos que já vi, não houve nenhum problema”, recorda o professor da USP, hoje aposentado.
Tinhorão foi aprovado com louvor. Um dos integrantes da banca que avaliou a sua dissertação de mestrado foi o historiador Nicolau Sevcenko, professor da USP e de Harvard (EUA) morto em agosto.
É vasta e curiosa a lista que Sevcenko desfia ao elogiar o colega. “O que chama mais a atenção no trabalho do Tinhorão é a vasta erudição dele, o conhecimento quase enciclopédico de uma variedade de fontes empíricas de pesquisa, de coleções de documentos, de arquivos e bibliotecas, de testemunhas, depoimentos, crônicas, documentos pessoais, relatos orais, historiográficos, literários, jornalísticos, de partituras, instrumentos, gravações, intérpretes, arranjadores, músicos, cantores, maestros, orquestras, conjuntos, instrumentistas, côros, coreografias, tradições, lendas, anedotas, datas, nomes, locais, eventos, festas, improvisos, personagens, casos, fatos históricos, filmes, narrativas, fotos, documentários, relatórios de instituições oficiais, códigos, normas, posturas, procedimentos policiais, folclore, práticas cotidianas, registros vocabulares, recursos tecnológicos, circuitos temáticos, repertórios vernaculares… não tem fim.”
“Nesse sentido” prossegue Sevcenko, “ele é uma referência imprescindível para qualquer pesquisador interessado em temas de cultura popular. A ênfase dele se concentrando na pesquisa de base, na multiplicidade das fontes, não se desdobra com a mesma intensidade sobre a área teórica ou sobre questões epistemológicas ou conceituais. Não é nesse vão que ele deixa a sua marca, com certeza”.
Jônatas Batista Neto conta que ofereceu uma vaga para Tinhorão fazer o doutorado, mas que ele não teve interesse.
DESCOBRIDOR DE PORTUGAL
Com “Os Negros em Portugal – Uma Presença Silenciosa” (Editorial Caminho, 1988), Tinhorão passou a publicar os resultados de sua crescente pesquisa naquele país, para onde viaja pelo menos um vez por ano, desde o começo dos anos 1980, a garimpar sebos e arquivos públicos.
“O português faz silêncio sobre isso [a história da contribuição negra à cultura do país] e, como a bibliografia brasileira não falava nada, senti necessidade de ir lá”, conta o autor.
Ele chamaria a atenção além-mar especialmente por esta obra e por “Fado – Dança do Brasil, Cantar de Lisboa” (Caminho, 1994), na qual desenvolve a tese –antes já levantada por nomes como Câmara Cascudo, Mário de Andrade e Mário Souto Maior– de que a música nacional portuguesa teve origem no Brasil, a partir do lundu.
Tinhorão tem seis livros editados em Portugal e, sem o saber, tornou-se referência entre acadêmicos do país.
“Pelo seu fascinante contributo para a redescoberta ou iluminação do passado e pela sua oposição a mitologias várias que ainda hoje perduram na imaginação da identidade nacional, a obra do Tinhorão, sobretudo o excelente ‘Os Negros em Portugal’, tem inegável valor. Em conjunto com trabalhos mais recentes, como o de Didier Lahon [antropólogo francês estudioso da escravidão nu mundo lusófono], o contributo de Tinhorão perdurará como referência obrigatória”, afirma o sociólogo Miguel Bandeira Jerónimo, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Definindo Tinhorão como “um investigador incansável, que levantou um conjunto vastíssimo de fontes originais até então não estudadas”, o musicólogo e professor da Universidade Nova de Lisboa Rui Vieira Nery acrescenta: “É um pioneiro da abordagem pós-colonial, sobretudo ao chamar a atenção para a influência mútua e para a circulação de modelos culturais entre o Brasil colonial e a metrópole portuguesa, mas também para a importância do contributo africano para esse tecido cultural luso-brasileiro. É também um percursor do estudo interligado das práticas musicas eruditas e populares”.
Por fim, num artigo publicado em abril no jornal “Público”, em que critica a forma com que os portugueses comemoraram os 40 anos da Revolução dos Cravos, o jornalista João Miguel Tavares equiparou Tinhorão a outros estrangeiros que, a seu ver, interpretaram o país melhor que os patrícios.
“Há uma qualquer maldição que insiste em reduzir Portugal à mera descrição da tal banalidade sem sal e a uma desvalorização generalizada do trabalho sobre a memória. O resultado dessa cegueira está à vista: foi um francês a escrever a melhor biografia de Pessoa (Robert Bréchon), um italiano a ficar obcecado por ele (Antonio Tabucchi), um corso a fazer as recolhas da nossa música tradicional (Michel Giacometti), um espanhol a realizar o primeiro filme sobre fado (Carlos Saura), um brasileiro a investigar as suas origens (José Ramos Tinhorão), um suíço a filmar ‘A Cidade Branca’ (Alain Tanner) e até um alemão a assinar o melhor documentário sobre o PREC (Processo Revolucionário em Curso, período relacionado à Revolução dos Cravos nos anos 70 em Portugal, o filme é “Torre Bela”, de Thomas Harlan)”, escreveu.
Tantas loas a Tinhorão num universo que incrivelmente lhe parece hostil não significam que na academia ele esteja imune a críticas, ainda que em geral elas surjam de quem o admira ou respeita.
É o caso de José Miguel Wisnik, professor de literatura na USP e autodefinido como “o maior conhecedor de José Ramos Tinhorão que eventualmente exista”, mas que já lhe deu deu alguns pitos públicos.
No ensaio “Global e Mundial”, publicado em 2004 no livro “Sem Receita” (Publifolha) e segundo Wisnik uma “transcrição melhorada” de um fala sua num encontro de pesquisadores de música popular realizado em 2001 no Rio, o ensaísta rejeita o “fundamentalismo sociocultural” em defesa das classes populares encampado por Tinhorão e diz que “o fundamento de uma música popular genuína na essência” é um “mito redutor”.
Num adendo ao ensaio publicado no mesmo livro, Wisnik acusa Tinhorão de ter usurpado uma ideia sua, exposta naquela fala de 2001, sobre a originalidade do rap brasileiro como bom exemplo de “mundialização” que ele contrapunha à globalização.
Wisnik narra que no debate de 2001 Tinhorão desdenhou do rap (“pois já tínhamos o cordel, o repente e a embolada”, ele teria dito), mas que, três anos depois, em entrevista à Folha, apresentou o gênero como “a grande novidade” da música popular do país –declaração que repercutiria muito à época e que seria ecoada meses adiante por Chico Buarque, como sintoma do esgotamento da canção.
“(…) O mais extraordinário é a composição da frase: ‘Costumo dizer que o rap é a grande novidade, porque restaura a música da palavra’. Como assim, costuma dizer? Em primeiro lugar, costuma coisa nenhuma; em segundo lugar, quem disse isso a ele fui eu”, escreveu Wisnik.
Tinhorão trata a acusação como uma “bobagem”. “Se ele falou isso na palestra, eu não lembro. O que eu disse é que o rap é uma forma de embolada, e isso ele não falou”, afirma, antes de repetir uma “boutade” sobre o assunto: “Quem primeiro fez rap foram os padres, que leram o texto evangélico em forma rítmica, os cantochões. Isso ele [Wisnik] nem sonhou em saber”.
TINHORÃO DUPLICADO
O que Tinhorão não tem como negar –embora também o faça– é o fato de, em meio à sua vasta produção, às vezes copiar a si próprio.
A reportagem identificou duas passagens de um livro dele repetidas ipsis litteris em outro sem a devida citação (em um dos casos, apenas poucas palavras foram substituídas).
Um trecho de três páginas sobre o tropicalismo de “Pequena História da Música Popular Segundos seus Gêneros” (págs 283 a 286) ressurge idêntico em “História Social da Música Popular Brasileira” (págs. 339 a 342).
Já uma passagem sobre o frevo editada nas páginas 161 e 162 de “Pequena História…” reaparece igual, com o acréscimo de uns poucos termos, na página 192 de “História Social…”.
Questionado sobre a prática, Tinhorão negou recorrer a ela. “Não. Faço citação de mim mesmo, mas é entre aspas.” Indagado se não aproveitara partes de um livro no outro, afirmou: “Que eu me lembre não. Você diz transcrever? Não. Não me lembro. Na minha cabeça não cabe eu me transcrever –me citar sim, mas entre aspas.”
ACERVO PECULIAR
O reconhecimento, no Brasil, ao trabalho de Tinhorão teve impulso significativo no início dos anos 2000, quando o IMS (Instituto Moreira Salles) adquiriu o acervo do pesquisador.
Na sede carioca da instituição, no bairro da Gávea, a coleção antes pertencente ao historiador é a maior em volume entre as de música, ocupando 11 corredores de arquivos (cinco de 10 metros de extensão e seis de 3 metros).
Reúne partituras, discos, rolos de pianola, folhetos, coleções de revistas e jornais, fotos etc. Entre as raridades estão disquinhos tipo berliner do início do século passado (compactos de 70/72 rpm com músicas só de um lado) -um deles, gravado em Londres em 1901, traz o Hino Nacional Brasileiro executado por uma banda militar londrina; outro, de 1902, registra o tango “O Bico do Papagaio”–, a primeira edição do livro “Na Roda do Samba” (1933), de Vagalume, e coleções das revistas “O Malho” (1902 a 1952), “Careta” (1908 a 1952) e “Fon-Fon” (1902 a 1952).
“Não dá para dizer que é nosso acervo mais importante, porque temos os de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, entre outros. Mas sem sombra de dúvida é a coleção mais ampla e mais peculiar do IMS”, comenta o pesquisador Euler Gouvêa, um dos responsáveis pelos acervos musicais do instituto.
GATOS
José Ramos Tinhorão é baixo, parrudo e ereto. Anda sempre de roupa social, como a que vestia no dia do samba em sua homenagem.
Diz que não tem o dom para ensinar (“sou melhor escrevendo que falando”), mas pontua as conversas com leituras de longos trechos de seus livros, que encerra enfatizando as palavras finais e balançando o dedo indicador direito em riste, como a confirmar a validade de suas teses.
Não conhece a modéstia. Seja nas apresentações de seus livros, em bate-papos ou entrevistas, está sempre a ressaltar os seus feitos. Diz que, para o novo livro sobre a congada, vai desmascarar “a mentira dos reis do Congo”, revelando que naquele país jamais houve monarquia e que os títulos de rei foram dados pelos portugueses para afagar os colonizados. “Eram reis de mentirinha, ninguém no Brasil nem em Portugal escreveu isso.”
Lendo “A Imprensa Carnavalesca no Brasil”, para e diz: “É uma obra de erudição, modéstia à parte”.
Comenta que, em “De Índios, Negros e Mestiços” (1972, esgotado), foi o primeiro a esmiuçar as razões da integração dos negros africanos de Portugal ao catolicismo, por meio da devoção à Nossa Senhora do Rosário. “Quem levantou as hipóteses foi o menino aqui.”
Nunca fez psicanálise. “Sou tão resolvido nos meus erros que não preciso. Todo sujeito que procura análise está desconfiado com ele mesmo. Eu não estou.”
Volta e meia, solta expressões eufóricas de autoregozijo. Ao explicar que o nome dos instrumentos banza (guitarra do fado) e banjo vêm do kimbundu “mbanza”, grita: “Aaaah, o americano não sabe disso, que banjo vem daí!”.
Diz que, entre críticos de música do país, não consegue enxergar um sucessor, “Porque fui um cara singular, os discos eram pretexto para fazer ensaio em cima do materialismo histórico, os outros sempre foram ‘gostei’ e ‘não gostei’.”
É também uma área em que mantém admiradores febris, como o musicólogo e crítico Luís Antônio Giron, para quem o apetite investigatório e a falta de vínculo com a academia mantêm Tinhorão como “um jornalista puro-sangue”. “Ele é o grande jornalista cultural brasileiro dos séculos 20 e 21. É referência em pesquisa rigorosa e mostrou que crítico tem de ser parcial, não é para afinar o coro dos contentes. Há um Tinhorão em cada um de nós que fazemos jornalismo musical no Brasil”, afirma Giron.
Extremamente organizado, Tinhorão mantém sua mesa de trabalho impecável e tem um fichário atualizado com a bibliografia dos temas que pesquisa.
“Nunca vi uma casa mais lustrosa, mais limpa e organizada do que a do Tinhorão quando morava com os pais. No quarto dele, um papel não ficava a um milímetro do outro”, recorda Janio de Freitas.
Tinhorão escreve à mão, de lápis, depois passa à máquina de escrever e só então pede ajuda para digitarem no computador, tarefa em geral feita pela sua segunda mulher, a professora aposentada Maria Rosa Vieira, 21 anos mais nova e com quem vive desde os anos 1980. Ela o trata por “Zezinho”. Dividem, com cinco gatos, um apartamento de 93m2 na alameda Barão de Limeira, em Campos Elíseos, região central de São Paulo.
Maria Rosa conta que, por causa do companheiro, deixou gradativamente de ouvir música. “Se ponho um CD, ele faz crítica à música, à indústria cultural, ao contexto –aí perco o prazer. Já absorvi, não ouço mais.”
O pesquisador mantém no apartamento uma biblioteca enxuta, formada basicamente por livros que está consultando (alguns em francês e muitos editados em Portugal, nos dois casos comprados em sebos daquele país) e obras de referência.
Com a ajuda da mulher, pesquisa no Google e na Wikipedia. A vídeos no Youtube, diz que só assiste “para sacanear plágio dos outros”. Afirma que não escuta mais música, porque nada lhe desperta interesse.
Ainda lúcido e vivaz, tem porém lapsos frequentes de memória, quando recorre à mulher (falava “naquela americana metida a brasileira” quando lhe faltou o nome de Rita Lee; gritou então para Maria Rosa, que lembrou na hora).
Admite ser pão-duro (“tenho mentalidade de proleta mesmo, sou meio mão de vaca”). Não almoça. Acorda tarde (“a manhã é feita para despertar”), toma um café reforçado e faz uma segunda refeição no início da noite.
Seu melhor amigo é o ótico e bibliófilo Israel Souza Lima, 89, com quem sai todas as quartas e sextas para conversar, ler e frequentar sebos e bibliotecas no centro de São Paulo – o outro era o pesquisador musical Humberto Franceschi, morto em junho último, aos 86 anos, que conhecia desde desde 1948 e em cuja casa se hospedava quando ia ao Rio.
Mesmo sem ter mais a obrigação, continua a votar em toda eleição. Desta vez diz que dará um “voto cínico” em Marina Silva (PSB). “Nossa amiga presidenta representa o partido da traição, o PT, que faz acordo com o diabo para ficar com o poder”, diz ele, que escolheu Lula e Dilma nas eleições presidenciais anteriores. “Embora já venha com um pecado original, o de ser religiosa, que já é brabo, Marina pelo menos representa um mínimo de novidade.”
VINHO E CACHAÇA
Tinhorão não toma cerveja (“embucha muito”), mas bebe um pouco de vinho e de cachaça, esta em geral aos sábados à tarde, quando vai religiosamente ao Amélia, o boteco onde ocorreu a roda de samba dos seus 86 anos.
Ali, encontra amigos como o jornalista e editor Jorge Henrique Bastos, o perito criminal Antônio Nogueira (que sempre lhe leva uma cachaça do interior de SP) e o administrador aposentado Antônio Carlos Amaral. Tudo começou por causa de um sebo que existia em frente ao bar, hoje fechado. Desde 2010, o bloco de carnaval da turma do Amélia, o Esquina da Vila Buarque, homenageia Tinhorão no Carnaval.
Naquele sábado da festa, o samba esquentou, choveu por alguns minutos (uma alívio enganoso para a seca que assolava São Paulo), a esquina da Vila ferveu em torno de Tinhorão. E o velho pesquisador, o que achou de tanto afeto na encruzilhada da vida? “Não me afeta. Sou muito cínico. Acho gentil da parte das pessoas, mas a mim não causa emoção nenhuma. Faz parte.”
José Ramos Tinhorão diz não ter arrependimento nem remorso das querelas do passado, mas, em perspectiva, faz hoje uma sutil admissão: “Eu poderia ter sido mais maneiroso. Teria sido mais cômodo, eu me tornaria mais conhecido. Mas é o meu jeito”.
FABIO VICTOR, 42, é editor-adjunto da “Ilustrada”.
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/09/1518580-tinhorao-de-volta-a-roda.shtml
NICKNAME
21 de setembro de 2014 4:40 pmSaco de Gatos – Carlos Heitor Cony
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/186706-saco-de-gatos.shtml
O papel do individuo na história já foi há muuuito tempo abordado por Plekanov, vulgarização ainda, mas merece ser lido e refletido. Há simplificações destacando o voto no indivíduo, tanto quanto simplificações em supervalorizar um grupo, um partido, temas delicados e apaixonados nesse nosso período.
NICKNAME
21 de setembro de 2014 5:04 pmPerdidos-na-Floresta, Marcelo Gleissman, FSP
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/186693-perdidos-na-floresta.shtml É s/eleições pelo cientista não bitolado e ateu, e com visão do todo,Marcelo Gleissler.P/ sinal,tem artigos q expõe sua visão ciência X fé/mistérios,e sensos comuns q se pretendem únicos a atingirem visões mais elevadas presunçosamente.Sim, há clásico alemão,do pouco q sei, mas não se meteu a ir além da análise totalizante,sim(NÃO ABSOLUTIZANTE)do Capitalismo,apenas rascunhos do q pode vir. Ateu também é gente, às vezes penso q visão sábia é a do agnosticismo (que pára e reconhece limites da racionalidade e… tb. dos misticismos).
Pedro Penido dos Anjos
21 de setembro de 2014 9:47 pmColuna
Helena
Coluna
Helena Celestino
21/09/2014 7:00
O Globo
Indignados versão escocesa
Nas cercanias de Glasgow, o Duque de Buccleuch tem um castelo cor de rosa, de 112 quartos, quatro torres e um Rembrandt de verdade. Seus 270 acres de terra estendem-se pelos campos da Escócia e nesta época do ano ele provavelmente está fazendo o mesmo de todos os gentlemen da sua terra: atirando em galos silvestres, uma ave esquisita estampada no rótulo de um uísque delicioso, o Famous Grouse. O duque é o maior proprietário da Escócia, uma terra em que 450 famílias são donas de metade daqueles campos cinematográficos e, certamente, nenhuma delas votou yes no plebiscito da quinta-feira. Desigualdade, mais do que identidade, foi o assunto que fez ferver a conversa política, levou 45% dos escoceses a preferirem sair fora do Reino Unido, convencidos de que uma sociedade mais igual seria possível. “Pode ter sido o primeiro plebiscito do mundo sobre desigualdade”, escreveu a jornalista Katie Engelhart.
A narrativa dos escoceses com o yes colado no rosto sobre o país que sonhavam construir parecia ecoar as palavras de ordem dos indignados espanhóis ou dos americanos do Occupy Wall Street, também inspiração para os protestos de junho do ano passado no Brasil. Estava mais próxima das teses de Thomas Piketty — autor das 700 páginas sobre efeitos colaterais do capitalismo — e menos conectada com o nacionalismo dos movimentos separatistas da Catalunha, da Ucrânia e do Canadá.
“Compartilhávamos, escoceses e ingleses, os valores de solidariedade e justiça social, mas os conservadores acabaram com eles”, disse a estilista Vivienne Westwood, num debate na BBC.
Londres é a casa dos 1%, os super-ricos. Aqui moram dois mil russos riquíssimos, para cá tradicionalmente vem a fortuna do Oriente Médio e, com a crise econômica, a elite dos vizinhos europeus também buscou refúgio para seu dinheiro na cosmopolita Londres, todos aproveitando a estabilidade econômica e um regime fiscal acolhedor para o capital. “Com a repressão ao paraíso fiscal na Suíça, as velhas opções moveram-se para outra capital. Como resultado, um enorme influxo de capital global foi transferido para o Reino Unido, diz Pipa Malmgren, ex-consultora de George Bush, ao “Guardian”. Não por acaso, o país está em 18º lugar no ranking de igualdade econômica dos 34 membros da OCDE e recebeu um aviso de que a desigualdade continua aumentando os últimos anos. Se o salário mínimo seguisse desde 1999 o avanço da remuneração dos executivos, estaria em 18,89 libras em vez das atuais 6,50 por hora.
Desde o início da campanha, um movimento de artistas criou uma mobilização contra Westminster, acusando governo e Parlamento de darem prioridade aos ricos e aos lobbies das empresas em vez dos interesses da maioria. “Nós somos os netos dos mineiros, dos operários dos estaleiros e dos agricultores abandonados pela política de Londres”, dizia um estudante universitário referindo-se aos desempregados pelo fechamento de fábricas e minas na região, por conta das políticas ultraliberais da conservadora Margareth Tatcher.
Todo mundo já disse, o Reino Unido mudou, as relações entre o povo e a classe política também. Mais de dois em cada cinco escoceses votaram pela independência, muitos deles jovens e com dificuldades de chegar ao fim de cada mês. Como os protestos no Brasil, na Espanha e nos EUA, essa turma deu uma sacudidela na política britânica, mostrou como o país está sendo governado por uma elite distanciada da vida cotidiana na Escócia ou nos bairros menos ricos de Londres. O plebiscito não foi uma luta de classes por procuração, mas 42% dos eleitores do Partido Trabalhista marcaram yes, 46% dos trabalhadores com salários mais baixos queriam a separação, só 26% dos executivos disseram sim, os grandes proprietários das Highlands foram massivamente a favor do “não”.
Redescobriu-se o prazer da política, os ideais de igualdade e solidariedade entraram num discurso saturado há anos por déficits fiscais, políticas contra imigração e a integração à União Europeia, imaginado pelo governo do primeiro-ministro como um antídoto ao crescimento da extrema-direita. Conservadores, trabalhistas e liberaldemocratas se saíram mal neste teste das urnas, mesmo com a vitória do “não”.
O recado da Escócia foi o mesmo dos protestos do Brasil e dos indignados na Espanha: preocupados com a sua própria sobrevivência, os líderes políticos se distanciaram dos anseios dos cidadãos. A boa notícia é que prevaleceram a democracia e a diversidade de opiniões, a tolerância e o sorriso, as coisas boas da vida neste país. O próximo teste vai ser a Espanha e o referendo marcado sobre a independência da Catalunha: para nós que estamos em campanha eleitoral e para os espanhóis que tentam fazer o plebiscito, vale a pena ver de novo as cenas do povo nas ruas e nos campos da Escócia.
Mara L. Baraúna
21 de setembro de 2014 11:25 pmHomenagem a Eliana Macedo
Eliana Macedo, nome artístico de Ely de Souza Murce (Portela, Itaocara, RJ, 21 de setembro de 1926 – Rio de Janeiro,18 de julho de 1990), era filha de Élio Lourenço de Souza e Élia Macedo de Souza. Adotou o nome artístico de Eliana para homenagear uma grande amiga de infância, que se chamava Ana. Além de seu pai e sua mãe terem nomes similares, sem o tradicional “h” a família foi completada com um irmão mais moço que Eliana, que se chamou Elinho
Filho de um fazendeiro local, seu pai teve 10 irmãos, o que permitiu formar uma banda musical completa na família. Seu avô incentivou filhos e netos a tocarem algum instrumento musical, formando uma banda e tendo Eliana, dona de um talento precoce, como sua intérprete.
Trabalhou como professora e durante as férias escolares ia ao Rio de Janeiro, onde mais tarde a família se estabeleceu
Sua primeira atuação em filmes foi no E o mundo se diverte, em 1948, sendo dirigida por Watson Macedo, seu tio, ao lado de Carlos Manga, que foi responsável pela época áurea da Atlântida Cinematográfica. Watson Macedo dirigiu Eliana por quase toda a sua vida artística. Ela foi a primeira Namoradinha do Brasil.
Nos filmes, em vários números musicais imitou por diversas vezes os trejeitos de Carmen Miranda. Seu grande momento como atriz foi no filme Carnaval de fogo de 1949, em que ela fez dois papéis (de duas mulheres). Watson Macedo tinha preferência pelas atrizes Maria Della Costa e Cacilda Becker, mas os diretores da Atlântida impuseram Eliana e foi um sucesso.
Estrela das chanchada da Atlântida fez cerca de 26 filmes. Contracenou com artistas que marcaram época tais como Oscarito, Anselmo Duarte, Cyll Farney, Trio Irakitã, José Lewgoy, Herval Rossano, Grande Otelo, entre muitos outros. Com Anselmo Duarte formou o mais famoso par romântico do cinema nacional.
Eliana é, sem dúvida, uma das mais populares atrizes do cinema brasileiro. Interpretando mocinhas românticas, ora ingênua, ora destemida, era versátil: cantou, dançou, gravou e interpretou. Com Adelaide Chiozzo e seu acordeão, sobressaíram os sucessos Pedalando, de Anselmo Duarte/Bené Nunes, Bate o bombo Sinfrônio, Encosta sua cabecinha e Vem cá sabiá. Seus filmes levavam multidões aos cinemas.
Casou-se com Renato Murce, pioneiro do rádio no Brasil, profissional da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, causando muitos comentários devido à grande diferença de idade. Depois de consagrada no cinema, passou a fazer parte do elenco da Rádio Nacional se apresentando com seu marido.
Eliana Macedo, em seus filmes, além de atriz, era cantora, dançarina, a heroína, a vilã, era uma atriz completa. Com a chegada do Cinema Novo, os diretores “esqueceram” de Eliana Macedo, e o público, por sua vez, também. Em 1954 foi agraciada com o Prêmio Saci – de melhor atriz, com o filme A outra face do homem; participou também do filme Malandros em Quarta Dimensão, de Luiz de Barros.
Seu último trabalho foi na novela Feijão Maravilha, uma homenagem de Bráulio Pedroso à era das chanchadas.
Renato Murce faleceu aos 86 anos em 1987. Eliana Morreu de enfarte em 1990, três anos depois dele, aos 63 anos de idade.
Em 2005, o acervo do marido Renato Murce, com cerca de 20 mil itens foi doado pela família ao Instituto Cravo Albin de MPB.
Leia mais em:
Eliana Macedo, Dicionário Cravo Albin http://www.dicionariompb.com.br/eliana-macedo/biografia
Eliana Macedo (1926-1990)
Eliana Macedo, a grande “estrela” do cinema brasileiro, dos anos 50 e 60, que o Brasil “esqueceu”!
Filmografia
Wikipédia
Assim são ex-estrelas brasileiras
Cinema Nacional 1950s
Filmes para o carnaval: Eliana Macedo
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