RESUMO Figura de destaque na militância estudantil durante a ditadura militar, o ex-ministro do governo Lula voltou à prisão na semana passada, desta vez sob suspeita de ter recebido propinas de empreiteiras. Cumprindo pena em regime domiciliar após caso do mensalão, José Dirceu, 69, parece distante do jovem preso em 1968.
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É bom conversar com José Dirceu. Ele analisa a conjuntura à maneira de Fernando Henrique Cardoso, que enraíza querelas brasilienses no solo mundial. Como Delfim Netto, pensa primeiro em objetivos nacionais e só depois na casta dos profissionais da política. À semelhança de Fernando Haddad, é realista e evita lero-lero numa conversa a dois. O ex-ministro compartilha com Valério Arcary a cicatriz de quem esteve com as massas em movimento: o dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado tem tatuagens da Revolução dos Cravos na psique; o militante preso na segunda-feira passada traz na pele queimaduras dos incêndios de 68.
O próprio José Dirceu abriu a porta da mesma casa onde a polícia foi buscá-lo nesta semana. Era uma manhã de domingo do fim do ano passado. Estava de calção azul, camiseta vermelha e calçava chinelos. Rijo e bronzeado, parecia mais saudável do que nas fotos dos jornais, nas quais era flagrado indo para o trabalho. Apresentou-me Simone Pereira, sua quarta companheira, e lhe fez um afago no rosto.
Atravessamos o saguão, duas salas sombrias, saímos para o sol raivoso de Brasília e nos sentamos no terraço, à beira do jardim, da piscina e do salão de ginástica. Logo apareceu Maria Antônia, sua filha de quatro anos. Ela recebeu esse nome em homenagem à rua paulistana onde Dirceu teve o seu batismo político.
A menina estava com uma engenhoca eletrônica que emitia silvos insistentes. O pai lhe disse que ficasse um pouco mais longe, mas Maria Antônia se aninhara a seu lado e só saiu quando quis.
Ele conversou primeiro sobre o PT. Falou que, mesmo com a vitória recente de Dilma Rousseff, haveria uma debandada nos quadros e na base do partido. A Lava Jato não cheirava bem, e lhe dava a impressão de causar calafrios em possíveis candidatos pela legenda. Aparentemente, a investigação não o alarmava.
Pedro Ladeira – 11.jul.2014/FolhapressJosé Dirceu deixa Centro de Progressão Penitenciária para trabalhar em escritório, em julho de 2014, no DF
“Já reviraram minhas contas bancárias, meus telefonemas e declarações de renda”, afirmou. “Nunca encontraram nada. Tenho uma consultoria, presto serviços para empresas e recolho impostos.” Durante o encontro, que se estendeu até o meio da tarde, Dirceu não tocou em álcool, proibido no regime de prisão domiciliar: “Não dou mole de jeito nenhum”.
O governo recém-reeleito lhe parecia velho, exausto, sem rumo. “O PT sofrerá uma derrota de proporções históricas nas eleições municipais”, vaticinou. Ele nunca se deu bem com Dilma. Chamou-a de “camarada de armas” no discurso de despedida no Congresso, mas intramuros a critica desde sempre.
Questionado sobre o que faria se voltasse ao poder, fez uma longa peroração, coalhada de cifras, sobre a vocação do Brasil na América Latina: construir estradas, aeroportos, usinas, linhas de ferro, portos, a infraestrutura inteira do continente. Não disse palavra sobre desigualdade, classes, lucros e interesses nacionais contraditórios, muito menos socialismo.
GUINADA
Sem transição, como lhe é comum, mudou de assunto e deu uma guinada abrupta à esquerda: disse que trabalharia para o PT apoiar a candidatura à prefeitura carioca de Marcelo Freixo, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). “O Rio é a única grande cidade brasileira com garra para eleger um prefeito de esquerda”, disse (ignorando a eleição do petista Haddad em São Paulo) enquanto checava o celular, deitado na mesa à frente, gesto que repetia de cinco em cinco minutos.
Há dez anos, Dirceu tivera papel preponderante na expulsão do PT de ativistas que viriam a criar o PSOL, a começar por Luciana Genro. Antes mesmo, na década de 1990, agira com mão pesada para que a esquerda não concorresse ao governo do Rio. O candidato em potencial era Vladimir Palmeira, que não só pertencia ao PT como se formara em radicalismo na turma de 1968. Ele tinha a sustentação firme da seção fluminense do partido no Rio, mas a direção nacional –leia-se: Lula e José Dirceu– impôs o voto em Anthony Garotinho. Deu no que deu. O celular não tocou nenhuma vez.
“As pessoas mudam, e os líderes políticos também”, disse-me Valério Arcary, pedindo desculpas pelo clichê. “O José Dirceu de 1980 e o de 2015 não são a mesma pessoa.” O líder do PSTU ficou boquiaberto com o relato, publicado na terça-feira pela Folha, de que Dirceu se ajoelhara diante de uma imagem de Nossa Senhora.
Eles conviveram na década de 1990, quando integraram a comissão executiva nacional do PT. Ainda que tivessem posições conflitantes, davam-se bem. Dirceu fora preso e banido na ressaca de 1968. Passara anos em Cuba, vivera clandestino no interior do Paraná, onde abandonou política, e chegara relativamente tarde ao Partido dos Trabalhadores. Defendia as posições de Fidel Castro e de Cuba.
Já Arcary morava em Lisboa quando estourou a Revolução dos Cravos, em 1974. Voltou ao Brasil anos depois e foi um dos fundadores da Convergência Socialista, grupo trotskista cujos militantes se filiaram ao PT para cooptar novos adeptos. Ele se lembra de várias virtudes de Dirceu: “Era assertivo, não se metia em intrigas, acreditava num projeto, comprava a discussão política e a fazia às claras”.
Ou seja, era quase o contrário de Lula e dos sindicalistas que o seguiam. O presidente do PT relutava em divergir frontalmente, tentava conciliar o inconciliável e volta e meia ocultava o que de fato pensava. Dirceu e Lula tinham deficits semelhantes: não escreviam e nunca estiveram em minoria no partido. O político que escreve ordena as ideias; estar em minoria é didático, fortalece quem tem princípios e paciência.
Um belo dia, as virtudes de José Dirceu se voltaram contra Arcary. Foi quando o movimento pela derrubada de Fernando Collor ganhou corpo, em 1992. Manifestações continuadas juntavam centenas de milhares de pessoas. O presidente estava por um fio, mas o mundo político, jurídico e empresarial não chegara a um acordo quanto ao que fazer.
A Convergência Socialista defendia a derrubada de Collor, mas não queria que o vice, Itamar Franco, tomasse posse no lugar –por não ter sido eleito e por defender o programa liberal do titular. Seu objetivo era seguir com as passeatas e atos públicos até que se abrisse uma crise revolucionária.
José Dirceu partiu para cima da Convergência. Defendeu que a organização não tivesse vida independente e o seu jornalzinho semanal fosse proibido. “Quero ser secretário-geral do PT contra a palavra de ordem ‘fora Collor'”, repetia. No seu raciocínio, o partido deveria esperar até 1994, vencer as eleições e só então entrar no Planalto. Não deu outra: a direção do partido ficou com Dirceu, e milhares de trotskistas foram expulsos.
O PT tornou-se uma organização eleitoral. Arcary não guarda mágoa. “Dirceu optou por uma política e a defendeu com lealdade, sem dar golpes baixos”, disse ele. O PT não chegou ao poder em 1994 nem quatro anos depois. Empalmou o Planalto só em 2002, com José Dirceu na condição de hiperministro e candidato óbvio à sucessão de Lula.
As mutações de Dirceu e do PT não se deram num buraco negro a-histórico. O “big bang” do processo foi a queda do Muro de Berlim. Desmoronou o “socialismo real” (que de socialismo não tinha nada), com o qual boa parte da esquerda latino-americana cultivava relações ambíguas. Esboroaram com ele a via insurrecional para a tomada do poder e a perspectiva de revolucionar a sociedade.
A vaga eleitoralista, com a adoção de um programa palatável à ordem do capital, pôs em polvorosa a Frente Sandinista de Daniel Ortega, na Nicarágua, os Tupamaros de José Mujica, no Uruguai, e o PT de Lula e José Dirceu. Os três partidos deixaram de falar em socialismo até nos dias de festa, como mandava a etiqueta social-democrata. Vieram os showmícios.
Mesmo o róseo reformismo feneceu. Ele deu lugar às ditas políticas compensatórias, mais ao gosto dos poderes centrais. Não por acaso Obama disse que Lula era “o cara”, o “político mais popular na Terra”.
A transfiguração foi testemunhada por Frei Betto. Ele conheceu José Dirceu nos idos de 1968. Estudava antropologia na USP da Maria Antônia, teologia no convento dos dominicanos, nas Perdizes, e era repórter da “Folha da Tarde”, para a qual cobria o movimento estudantil. “Foi o ano em que não dormi”, disse-me Betto.
Conheceram-se melhor na ocasião em que o estudante se refugiou no convento. Aproximaram-se mais quando aderiram à Aliança Libertadora Nacional, a ALN de Carlos Marighella. A década de prisões e exílios os separou. Tornaram a se encontrar no início dos anos 1980. Por achar que a esquerda consistia de sabichões que queriam manipulá-lo, Lula a evitava. Mas gostava de Betto por ser frade e fazer parte da Pastoral Operária. Foi ele quem apresentou José Dirceu a Lula.
FOME ZERO
Os caminhos de Betto e Dirceu voltaram a se cruzar quando subiram a rampa do Planalto. O frei foi encarregado por Lula de construir o Fome Zero. Na sua concepção, o programa seria gerido em conjunto por técnicos do governo e pelos próprios beneficiários, que se reuniriam periodicamente. Ao longo de três anos, os favorecidos seriam treinados num ofício, passariam a trabalhar e prescindiriam da bolsa estatal.
Houve resistência de prefeitos de todo o Brasil. Eles queriam organizar o cadastro, de modo a parecer que concediam a benesse. Assim, poderiam encabrestá-los e cobrar votos. José Dirceu, que pelejava para aproximar o governo de políticos de todos os partidos, comprou a ideia. “Como era ele que controlava o orçamento do governo, durante dois anos Zé Dirceu nos deixou a pão e água, não destinou um real ao Fome Zero”, conta Betto. O frade reclamava com Lula, que lhe dizia que tomaria providências. Nunca as tomou.
O cadastro dos prefeitos foi instituído, o Fome Zero virou Bolsa Família, e Betto deixou o governo. “O que era uma política emancipatória virou uma política compensatória”, avalia o religioso. “Milhões de pobres continuam sem emprego, só que agora são consumistas.” A gênese do Bolsa Família está historiada em “Calendário do Poder” (Rocco, 2007), no qual relata de maneira crítica e desapaixonada como funcionou o primeiro governo Lula.
Mas nem o livro de Frei Betto dissolve o denso mistério das relações entre José Dirceu e Lula. Graças ao primeiro, o PT se tornou uma máquina eleitoral a serviço do segundo. Eles nunca deixaram entrever como se dava na prática a relação entre ambos. Observando de fora, percebe-se que Lula respeitava Dirceu, mas jamais o teve por mentor. Por sua vez, Dirceu nunca disse uma frase reveladora a respeito de Lula.
O máximo a que chegou foi resmungar “Lula, Lula, Lula” com a fisionomia contrafeita, quando lhe perguntei como ia o ex-presidente. Estávamos no seu apartamento na rua Estado de Israel, na Vila Mariana, em São Paulo. Víamos na televisão a transmissão de uma das sessões do Supremo Tribunal Eleitoral, que julgava o mensalão.
O imóvel não tinha nada de mais: dois quartos, mobiliário de hotel duas estrelas, sinal de internet capenga. Dirceu mencionou que o apartamento passara por uma reforma. Na acusação dos procuradores de Curitiba, revelada na semana passada, tal reforma foi paga por uma empresa acusada de corrupção.
LODO
Ao se preparar para entrar no Planalto, Lula disse a Dirceu que forjasse a aliança do PT com os partidos de aluguel para formar a base do governo. Dirceu foi contra, queria que o PMDB fosse o aliado preferencial. Mas cumpriu as ordens. A semente do mensalão germinou nesse lodo.
Mas o mensalão só floresceu com exuberância devido a uma particularidade nacional: o Brasil tem uma das campanhas eleitorais mais caras do planeta. Bilhões de reais trocam de mãos a cada dois anos. Há inúmeros motivos para isso: o peso da TV e da propaganda; a longa duração e despolitização da ditadura militar; a ausência de vida partidária consistente; as mazelas da educação básica; a importância do Estado na economia.
Essa dinheirama faz com que as eleições tenham se tornado uma forma de acesso a verbas estatais, manipuladas por partidos em benefício de empresas, com as empreiteiras e bancos puxando a fila. É um jogo de leva e traz com poucos perdedores. Nada impede que um candidato derrotado desvie para a própria conta parte do que lhe foi doado por empresários.
É virtualmente impossível que um partido chegue ao poder sem manter relações com grandes companhias, sejam essas relações promíscuas, de favor, comerciais ou decorrentes do tráfico de influência. O sistema não é exclusivo do PT e tampouco começou com ele. O pedágio político está disseminado porque a economia brasileira funciona assim há décadas.
José Dirceu prestou serviços a grandes corporações, da OAS à Ambev, da Camargo Corrêa à Parmalat. O que fazia para elas? “Faço estudos, prospecto investimentos, dou sugestões, participo de reuniões”, respondeu ele. Estávamos na sede da sua consultoria, a JD, num casarão com jeito de mal- assombrado ao lado do parque Ibirapuera. Os móveis eram esparsos, e várias salas estavam desertas. Argumentei que nada disso era propriamente trabalho, criação de valor. Ele insistiu que era, e o diálogo não foi adiante.
Pouco depois de escrever uma resenha que apontava a má-fé e dezenas de erros de uma biografia de Dirceu, fui convidado por ele a almoçar na sua casa de campo. Ela fica num condomínio aprazível em Vinhedo, no interior paulista. A consultoria voltou à baila. “Ajudo na criação de empregos de empresas brasileiras”, disse ele. Pode ser. Mas quem cria empregos recria a exploração dos fracos pelos fortes, aufere lucro e perpetua a desigualdade entre as pessoas.
Tarso Genro também esteve com José Dirceu, na casa de Brasília. Como as relações entre eles se deram apenas no PT, o ex-governador gaúcho não chegou a ter conhecimento íntimo da personalidade ou da vida pessoal do companheiro. “Eu o via como uma pessoa extremamente obstinada, que nunca demonstrou desejo de tirar proveito pessoal da sua atividade política”, disse-me Tarso. “Depois de mais de dez anos sem conversarmos, minha visita teve finalidade humanística. Encontrei uma pessoa bastante deprimida, mas com enorme vontade de voltar a viver normalmente.”
Foi outra a minha última impressão de Dirceu. Numa hora lá, ele se afastou e foi ao fundo do jardim. Parecia perdido, amargurado, sem saída. Mudara tanto que talvez não soubesse quem era. Exilado de si mesmo, escorava-se nos próprios restos, na sua ruína. Lembrava o poeta peregrino, improvável sombra florentina sob os mil sóis do Planalto Central.
A derrocada de um homem tem uma dimensão moral que a sociologia e a psicologia não alcançam. Mas a poesia pode fornecer imagens que propiciam o seu entendimento. No primeiro canto da “Divina Comédia”, Dante se depara com o leopardo, o leão e a loba na selva selvagem da vida.
O significado das bestas é matéria de debate entre eruditos desde a Idade Média. No caso de José Dirceu, o leopardo é a fraude, o leão, a soberba, e a loba, a incontinência, o deixar-se levar pelos sentidos mais prementes. Encurralado pelas três feras, ele desce agora ao fundo do inferno.
MARIO SERGIO CONTI, 60, é colunista do jornal “O Globo” e apresentador do programa “Diálogos”, da GloboNews.
Meus heróis civilizadores, por Luiz Antonio Simas, pelo Facebook
Acabei de assistir a aberração do quadro de um personagem “africano”, atração de um programa humorístico da TV aberta. É um horror que não reproduzirei aqui. Vou apenas circular novamente um texto meu de 2011 que diz tudo o que acho sobre isso.
MEUS HERÓIS CIVILIZADORES
Não existe redenção para as grandes tragédias, mas a vingança sublime e a única forma de transcendência dos homens ao desmazelo da vida é transformar a má fortuna e a dor em beleza, civilização e arte. Os meus heróis civilizadores não frequentaram bibliotecas, não discutiram a alta filosofia nas academias e universidades, não escreveram tratados iluministas, não pintaram os quadros do Renascimento, não escreveram romances, não compuseram sinfonias, não conduziram exércitos em grandes guerras, não redigiram leis, não fundaram empresas, não elaboraram tratados e constituições e não planejaram monumentos, edifícios e pontes.
Os homens que me civilizaram chegaram às praias do meu país nos porões infectos dos tumbeiros e foram vendidos e marcados feito gado no mercado.
Eu fui civilizado pelo rufar dos tambores misteriosos, pelo toque de São Bento Grande no berimbau de cabaça, pela dança desafiadora do Obá dos Obás, pelo bailado da dona do afefé – sagrado vento – e pelo xaxará do senhor da varíola, a quem reverencio e peço a calma para não estranhar o mundo: Atotô!
Aprendi a olhar com admiração os homens ao conhecer os dribles de Mané, a ginga de Pastinha, a sabedoria de Menininha, a força de Candeia, os versos de Silas, o miudinho de Argemiro, as esculturas de Mestre Didi, as toalhas rendadas de Tia Prisciliana, o cachimbo de Dona Eulália, o canto de Anescar, o tempero da Iyá Bassê, o lamento dos vissungos, o machado do jongo, as folhas de Ossain e os cantos de evocação de Oxupá, dindinha lua.
Quem me criou não tinha educação formal e não me deu o Dom Quixote, o Crime e Castigo, o Dom Casmurro, o Grande Sertão e outros tantos grandes livros que, como esses, eu li um dia e passei a amar. Quem me criou, porém, me contou das artimanhas de Exu, da flecha certeira de Oxóssi, dos amores de Ogum, das mulheres de Xangô, do tronco forte de Tempo e do pano branco de Lemba – e eu passei a gostar de ouvir e inventar histórias, no alargamento da vida.
Quem me criou não me levou aos teatros, não me apresentou a grandes óperas e não me presenteou com discos de sublimes sinfonias – que dessas coisas quem me criou não sabia. Mas quem me conduziu cantou, para confortar as minhas noites, sambas, toadas, jongos, afoxés, cirandas, maracatus, alujás, calangos, xibas e xotes – e eu fui apaziguando a alma com os sons do meu povo.
E é por isso, por essas áfricas que me fizeram como sou, que gosto da rua, do mercado, dos amigos, da gente miúda feito eu, do porre, da bola, do beijo, da troça, da raça, do sol, da cachaça, da carne, da alegria, da subversão, da insubmissão, da guerrilha, do vento, da aldeia, do mistério, da mistura, do dendê, das pernas tortas, do português torto, da língua do Congo e do pranto do banzo.
Mojubá, agô, que essas ideias todas são mais fortes em agosto, mês do aniversário de Candeia e do encantamento de Caymmi. E eu me pego todo dia a orar a Zâmbi por um Brasil mais tolerante com o seu povo. Há que se lamentar o martírio dos tumbeiros, fazer do tronco do castigo o totem da humanidade e louvar a todos os quilombolas, de ontem e de hoje, que me ensinaram a amar a terra e celebrar a vitória da vida sobre a morte – lição maior de Licutam, Luísa Mahin, Zomadônu e Zacimba Gaba. O Brasil haverá de saber quem eles são.
É só assim que a gente afaga o tempo, serpenteia a dor e apascenta, entre um tombo e outro, o olhar sobre a belezura do que pode ser o mundo
O novo Terminal de Grãos do Porto de Itaqui possui quatro estruturas, com capacidade de armazenagem estática de 125 mil toneladas cada. Foto: Isac Nóbrega/PR
No Maranhão, a presidente disse que durante uma crise, é natural que as pessoas fiquem inseguras e apreensivas
SÃO LUÍS – Na entrega de 2.020 moradias do Minha Casa Minha Vida, a presidente Dilma Rousseff aproveitou para passar o recado de que, apesar da crise, é hora de as pessoas pensarem primeiro no Brasil e depois em seus partidos e projetos pessoais. Dilma disse ainda que está trabalhando diuturnamente para que esse momento de dificuldade, a que voltou a chamar de travessia, passe o mais rapidamente possível. Ela pediu aos brasileiros que não aceitem a teoria de que devem enfraquecer o governo por desgostarem dele e que “repudiem o vale-tudo”.
— Eu trabalho dia e noite incansavelmente para que essa travessia seja a mais breve possível. O Brasil precisa muito, precisa mais do que nunca, que as pessoas pensem primeiro nele, Brasil, no que serve a nação, a população e só depois pensem nos partidos e em seus projetos pessoais. O Brasil precisa de estabilidade para fazer essa travessia. É como numa família. Numa dificuldade, não adianta ficar um brigando um com o outro. É preciso que as medidas sejam tomadas. Ninguém que pensa no Brasil deve aceitar a teoria dos que pensam assim: “Eu não gosto do governo, então eu vou enfraquecer ele”. Quanto pior, melhor? Melhor para quem? — questionou Dilma, completando em seguida com um apelo:
— Quero aproveitar para fazer um apelo aos brasileiros: vamos repudiar sistematicamente o vale-tudo para atingir qualquer governo. Seja o governo federal, o governo dos estados e dos municípios. No vale-tudo, quem acaba sendo atingido pela torcida do quanto pior melhor é a população.
Claro que o resultado foi ajudado por ser um domingo, dia de menor consumo mas, ainda assim, foi o maior resultado em valores brutos de toda a história de geração eólica no Brasil: 3. 922 megawatts médios, quase a metade do que gerou a gigantesca usina de Itaipu.
No Nordeste, área onde a geração eólica encontra suas melhores condições, os ventos geraram mais energia do que a água, que mingou com a seca: 2.851 Mwmed vieram do ar e 2.787 das represas.
Este blog, que não mente para ninguém inventando que, nas condições tecnológicas atuais é uma rematada tolice pensar que o Brasil deve abrir mão das hidrelétricas para viver uma irresponsável utopia de que a energia eólica possa representar uma solução energética segura para o país – e se não ventar amanhã? – é o primeiro a destacar o importantíssimo papel complementar que ela desempenha.
Elas permitem “segurar” a água nas represas, quando funcionam a toda carga, e diminuem o gasto de água no período mais seco que, entre outras características, é a época de regime de ventos mais intenso.
Mas jornais e televisão, que enchem a boca para falarem da energia eólica como se fosse a panaceia para a geração de energia limpa e sem dano ambiental (não é sem, na verdade, mas é de fato bem menor), não mostram o que o país conquistou e vai conquistar nesta moderna modalidade de produção de energia.
Os números são fantásticos.
No segundo domingo de agosto de 2014, foram gerados 1.345 Mwmed, pouco mais do que um terço do produzido ontem.
OS EQUIVOCOS DO MORALISMO NA POLITICA – Quando o Exercito americano invadiu o Iraque em 2003 os objetivos eram “limpar” o pais da ditadura de Saddam Hussein e criar um novo Iraque. Para tanto dissolveram a Guarda Republicana, um corpode elite do Exercito Iraqueano, com um efetivo de 75.000 homens divididos em dois corpos e tentaram reformar o Exercito regular do Iraque, com efetivos regulares de 800.000 homens. Os americanos dissolveram a Guarda Republicana e os comandos do Exercito regular, tentando criar um novo exercito sob padrões americanos, entregando a tarefa a uma empresa particular, a Vinnel Corporation.
No substrato do projeto estava a ideia de que todos os antigos comandos eram fanaticos fieis a Saddam e eram portanto inconfiaveis. Foi um grande erro. Os comandantes da Gurda Republicana, Tenentes Generais Majid Al Dulaymi e Raad Al Hamdani poderiam ser os melhores aliados dos EUA bem como o comando do Exercito regular (General Talib Al Lahibi), todos oficiis profissionais que temiam Saddam mas não tinham nenhum amor especial a ele.
Todos temiam Saddam e estavam fartos dele, até seus dois genros tentaram derrubar Saddam (e foram executados)
o regime se mantinha pelo terror e os EUA foram acolhidos como libertadores. Invés disso, pelo espirito salvacionista
que veio junto com a invasão, DISSOLVERAM as colunas mestras do poder no Iraque, a Guarda e o Exercito, criando um caos que terminou agora com a insurgencia do ISIS, o Estado Islamico formado na sua espinha dorsal por ex-militares iraqueanos. O moralismo é inimigo frontal da REALPOLITIK, a politica do possivel sem principios e com a visão da realidade, fazendo o que é possivel fazer com os pés no chão e não tentando salvar o mundo.
A má politica americana no Iraque gerou um desgoverno que continua até hoje, os EUA despejaram no conflito do Iraque US$3 trilhões e continuam gastando US$50 bilhões por ano com essa custosa aventura pastoral.
Ao contrario dos ingleses que governaram a India por dois séculos com pequenas forças militares mas fazendo acordos com os marajás e rajás, os Amricanos querem pufificar o mundo e não sabem operar dentro do mundo tal qual ele é, com seus defeitos, vicios, desequilibrios e realidades fruto da Historia.
Esses erros não cometeram na Alemanha ocupada após a Segunda Guerra, porque os homens então eram líderes de intelecto superior, acima do padrão principista que é o usual nos EUA. O General Marshall er um individuo de intelecto
especial e soube estabelecer os padrões da ocupação usando inclusive ex-nazistas para gerir a Alemanha, culimnando com um General da Wehrmacht (Hans Spiedel) como Comandante da OTAN em 1954, o mesmo general alemão que comandou a ocupação nazista da França em 1941. Spiedel não era nazista mas era um general do Terceiro Reich, foi uma proeza dos Aliados usarem o mesmo homem para o comando das forças terrestres da NATO dez anos depois dele ser o Comandante alemão de Paris.
O fundador da Realpolitik europeia, o Principe de Metternich não usou criterios principistas ao se aliar no Congresso de Viena com seu antipoda, o ex-Chanceler de Napoleão, o grande inimigo das potencias que Metternich representava, seu melhor companheiro de Congresso foi o inimigo de vespera, o ultra corrupto Principe de Talleyrand, o mesmo que negociou a independencia da Polonia por 4 milhões de frncos-ouro.(depois devolveu porque não conseguiu fazer).
A tentativa de introdução do moralismo udenista na politica brasileira em 1954 custou a vida do Presidente Getulio Vargas mas o moralismo típico da UDN foi afastado por Juscelino, que governou com as mesmas forças do getulismo
considerado corrupto que vinha da aliança PSD-PTB. JK afastou a UDN de um poder que esta considerava já seu e
fez o Brasil crescer 50 anos em 5, acusado do primeiro ao ultimo dia de corrupto (“a 7ª fortuna do mundo” diziam),
a calunia usual, dona Sarah teve que vender quadros de seu apartamento para sobreviver.
O moralismo não descansa, grupos com essa visão de mundo, que querem uma politica asseptica e a prova de bacterias sempre existiram, eles simplesmente destroem a politica na tentativa de reformar o mundo e causam imensos prejuizos ao Pais. Em circunstancias especiais eles conseguem por vezes um poder anormal, causam o maximo de danos para depois desaparecer no limbo da Historia, a politica é sempre um jogo nada limpo em qualquer lugar do planeta, é da essencia da politica, até na politica do Vaticano o jogo não é para sacristãos de novela.
O morlismo é inimigo do realismo em politica e todo aquele que tenta fugir da realidade acaba trombando com ela em determinado ponto da curva mas no caminho causa imensos danos aos infiéis, todos nós, que não rezamos essa missa de fanaticos de uma seita perigosa.
TERÇA-FEIRA, 11 DE AGOSTO DE 2015, 7H50MODIFICADO: TERÇA-FEIRA, 11 DE AGOSTO DE 2015, 8H34
“Vence a diferença e conquista a paz” foi o tema escolhido pelo Papa Francisco para o 49º Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1º de janeiro de 2016
Da Redação, com Boletim da Santa Sé
O Vaticano divulgou nesta terça-feira, 11, o tema que o Papa Francisco escolheu para o Dia Mundial da Paz 2016: “Vence a diferença e conquista a paz”. Esta será a 49ª vez em que a data é celebrada em todo o mundo.
Em comunicado, o Pontifício Conselho da Justiça e da Paz explicou que a indiferença em relação às chagas dos tempos atuais é uma das principais causas da falta de paz no mundo. Trata-se de uma atitude que, muitas vezes, está ligada a diversas formas de individualismo que produzem isolamento, ignorância e egoísmo.
O Vaticano destaca ainda que a paz deve ser conquistada, pois não é um bem que se obtém sem esforços. É preciso, então, sensibilizar e formar as pessoas sobre a responsabilidade com relação às graves questões que atingem a família humana, como fundamentalismos e perseguições por causa da fé e da etnia.
“A paz é possível ali onde o direito de cada ser humano é reconhecido e respeitado, segundo a liberdade e a justiça. A mensagem de 2016 quer ser um instrumento do qual partir para que todos os homens de boa vontade, em particular aqueles que trabalham na educação, na cultura e na mídia ajam segundo as próprias possibilidades e suas melhores aspirações para construir juntos um mundo mais consciente e misericordioso e, portanto, mais livre e justo.”
O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI e é celebrado todos os anos em 1º de janeiro. A mensagem do Papa é enviada às chancelarias de todo o mundo e traça também as linhas diplomáticas da Santa Sé para o ano que se inicia.
Após pedir que Caetano e Gil não toquem em Israel, Roger Waters pede a Anitta que não toque em lugar nenhum
O ex-vocalista do Pink Floyd Roger Waters é um homem insistente. Após enviar uma carta a Caetano Veloso e Gilberto Gil, pedindo que os brasileiros deixem de fazer shows em Israel e ter seu pedido negado, o cantor mandou nova correspondência. Segundo Waters, Israel merece boicote devido à forma como lida militarmente com a vizinha Palestina.
Mas esta não foi a única carta que o ex-Pink Floyd mandou para o Brasil. Outra missiva menos comentada foi uma que ele mandou à cantora Anitta, pedindo que ela não se apresente em qualquer lugar. Temos trechos da carta:
“Querida Anitta,
Você sabe como gosto da música brasileira e do povo daí, especialmente as mulheres, que são tão bonitas. (…)
Exatamente por isso, para que você não estrague o apreço que a população mundial tem pela mulher brasileira (…) venho implorar como colega que você não se apresente mais. Sua voz é mais triste que a mensagem de “Another Brick in the Wall” e a melodia de “Wish You Were Here” somadas.
(…)
Não é nada pessoal, eu fiz o mesmo pedido à Carla Perez quando ela gravou um disco em 1996 e ela nunca mais pegou o microfone. Por favor, eu imploro.”
Quais as consequências de derrubar um presidente profundamente honesto?
Responder a esta questão é fundamental para compreendermos os dilemas da elite brasileira em relação ao golpe paraguaio.
A política no Brasil foi historicamente instável, assim como em quase toda a América Latina. Éramos as tais Repúblicas da Bananas.
A posse de presidentes democraticamente eleitos era frequentemente questionada, assim como hoje, e era preciso uma extensa negociação com os principais generais de exército. Fraudes eleitorais eram costumeiras ou muitas vezes a regra. Até mesmo negociações para reajuste de soldo poderiam descambar para crise institucional.
Assim, para muitos grupos, a disputa política não era pela via institucional. Grupos que iam da extrema direita à extrema esquerda não utilizavam a disputa eleitoral como forma de busca pelo Poder.
O Americas Quaterly, publicação destinada a passageiros da classe executiva das principais companhias americanas e a embaixadas, descreve em sua última edição a política brasileira da seguinte forma:
Desta forma, a luta pelo impeachment de Dilma, sem nenhum dos pré-requisitos constitucionais, implica a volta da instabilidade institucional no Brasil. Não é sem consequências que se coloca no primeiro time da história figuras como Kim Kataguiri e Marcello Reis. Uma vez alçados ao primeiro time da política, não voltarão pacificamente a insignificância política.
Nesse sentido, é importante observarmos o quanto o presidente do maior partido de oposição já é refém político de grupos radicais de direita e que os atentados terroristas ao Instituto Lula e ao PT são resultados direitos da criação do clima do impeachment.
O resultado a esquerda também seria um recrudescimento do autoritarismo. Revolução, guerrilha e sabotagem voltariam a fazer parte do léxico da esquerda. Afinal de contas, por que apostar em processos eleitorais que podem facilmente ser revertidos por qualquer grupelho radical?
A possibilidade do surgimento de uma instabilidade institucional crônica após o golpe paraguaio não escapou ao Americas Quarterly.
“Mas se Rousseff é deposta agora, sem um pingo de provas contra ela, não haveria como não garantirr um retorno à instabilidade crónica do passado do Brasil. O Impeachment poria fim à ideia de que o país tinha mudado, e um novo respeito pelos resultados eleitorais haviam surgido. Impeachment, e todas as suas variações, se tornaria uma opção viável para constranger todos os presidentes do Brasil nos próximos 30 anos. ”
O Brasil hoje possui empresas de padrão global como Ambev, Embraer, Itaú. Vale, JBS e Petrobras. A volta da República das Bananas traria, além de prejuízos aos negócios, a consolidação de um status da elite nacional de subclasse no capitalismo mundial, de representantes do atraso político.
Drummond de Andrade faz crítica da imprensa em texto inédito
Por Marcos Caldeira Mendonça Reproduzido do jornal O Trem Itabirano
Atenção, jornais que circulavam em Itabira no início dos anos 80 e não exibia o título O Cometano alto da capa: para Carlos Drummond de Andrade, todos os senhores eram ruins de texto e vendidos à empresa Vale, então estatal. Essa crítica está em carta enviada pelo poeta ao professor e advogado Arp Procópio de Carvalho, em 25 de maio de 1980. “São folhas mal escritas e todas dependentes do controle econômico da Vale, a que não escapam as próprias autoridades municipais”, escreveu o autor de Boitempo.
Trinta e cinco anos depois, quase todos os jornais da cidade natal de Drummond continuam mal escritos, porcamente escritos, bizarramente escritos, tão vergonhosamente escritos que correm o risco de prestar valioso serviço às faculdades de comunicação: serem ótimos exemplos de péssimos jornais. Dá até para imaginar professores com exemplares em riste: “Moçada, veja aqui na minha mão, assim não deve ser escrito um jornal”.
Sobre a dependência econômica, mudou muito nessas três décadas e meia, é bem diferente hoje. Os jornais não mais se vendem à mineradora Vale, que raramente anuncia na imprensa local, mas à prefeitura e à câmara de vereadores. Os anúncios oficiais vêm com tapa-olhos, tapa-boca e tapa-ouvidos.
Na época em que o poeta assinou a carta, estava com apenas cinco números o mensário O Cometa, fundado em novembro de 1979 e que manteve importante relacionamento epistolar com Drummond. Radicado no Rio de Janeiro, o itabirano percebeu logo a importância do novo jornal, mas neste deu duas chineladas certeiras: devia melhorar a linguagem e parar de imitar oPasquim. Faça diferente ou melhor, ensinam críticos literários.
Mesmo sem deixar de papagaiar o hebdomadário carioca, numa página escrevendo de forma largada, noutra imprimindo textos mais palatáveis, variação causada pela diversidade de colaboradores, O Cometa se tornou drummondiano de sete faces, com a gostosa cumplicidade do poeta, que virou cometiano de longa cauda. Ao jornal, enviou poemas, crônicas, sugestões e cheques para assinatura. Alguns veem nessa relação um retorno do poeta à cidade natal, que visitou raríssimas vezes depois que se mudou.
O Cometa ainda circula, com periodicidade de Halley, de 76 em 76 anos, mas é outro jornal, não mais aquele com o qual Drummond se correspondeu. Editado em Belo Horizonte, perdeu a seiva itabirana, adotou uma nostalgia quase doentia das décadas de 60 e 70 e tornou-se adorador do Partido dos Trabalhadores, numa órbita bem maniqueísta: só o PT é bom partido, só os petistas são corretos; os outros partidos não prestam e as demais pessoas estão todas equivocadas. Um jornal pode defender o que quiser, mas não convém ser casuísta, cego, submisso.
Apesar dos poréns, sempre vale uma conferida no atual O Cometa, pois publica divertidas charges, cartuns e caricaturas e bons textos sobre urbanismo e música, entre outros assuntos, em bem-sucedida diagramação.
A carta que Drummond enviou a Arp Procópio não foi exclusivamente para criticar os jornais itabiranos. Antes de fazê-lo, o poeta menciona fotos em que aparece uma propriedade de um irmão dele, comenta sobre a chateação que lhe rendeu a badalação acerca do cinquentenário de estreia nas letras e se queixa de doença no rosto.
A missiva foi passada a O TREM pelo psicólogo e escritor itabirano Lúcio Vaz Sampaio, que editou O Cometa nos bons tempos do astronoticioso. Segue a íntegra da carta:
A carta de Carlos Drummond de Andrade
Rio, 25 de maio, 1980
Caro Arp,
Pelas fotos, mal reconheço o Retiro dos Angicos, do meu saudoso e silencioso irmão Vivi (era um homem que depositava a língua na Caderneta de Poupança). Em todo caso, vamos lá. A varanda da casa-grande (como se a gente tivesse esse luxo besta dos pernambucanos, de chamar a casa de vivenda “casa-grande”!) há de ser a mesma, com as tristes desconhecidas que lá estão, formando a família Manduca Duarte. O curral coberto é igual a todos os currais cobertos do País das Minas. A terceira foto, confusa vista panorâmica, dá ideia do [ilegível], imaginando-se a escada de acesso à esquerda, solução essa muito própria das fazendas mineiras. Mas o Retiro não era o Tanque – são duas propriedades distintas, ao que me conta a combalida memória. De qualquer modo, meu caro, descobri há muito tempo que “Minas é uma coisa só”. Pelo quê curti as fotos com nostalgia mineira e ora lh’as devolvo com os meus agradecimentos. Esse lh’as está muito fora de moda, eu sei, mas o fantasma do Mestre Emílio me impele a usá-lo.
Olhe, essa badalação de cinquentenário da estreia, para um homem que está beirando os 78, foi meio chata, e tudo que menos podia corresponder ao meu jeito que você bem conhece. Não sirvo para isso; enfim, passou, e cultivo agora uma herpes-zóster que nem a medicina oficial nem as sábias benzedeiras domiciliadas no Rio souberam dominar. É uma dor na face esquerda do rosto, seu compadre, que eu não desejaria aos piores inimigos. Em uma boa linguagem: cobreiro.
Você não me chateou absolutamente com a sua carta rodoviária de 77, que eu respondi a 16 de julho, segundo apontamentos a lápis que pus no alto da mesma. E por que me chatearia, se pensávamos e sentíamos igual, você com a superioridade de ter vivido a estupidez dos inquéritos com ânimo forte, ao passo que eu escrevia no jornal o que me deixavam escrever, e era nada ou pouco?
Também gosto dos garotos do Cometa Itabirano: acho que eles, fazendo força e se disciplinando o mínimo que é necessário para fazer pontualmente um jornal, poderão prestar grande serviço à nossa Itabira. Como você sabe, o que existe por lá são folhas mal escritas e todas dependentes do controle econômico da Vale, a que não escapam as próprias autoridades municipais, mesmo as mais bem-intencionadas. Acho também que o Cometa deve abandonar o vício de imitar o Pasquim, que é fenômeno carioca nunca adaptável a uma formação social ainda muito sentimentada como a da velha Itabira; e escrever para a nova formação, adventícia e incaracterística, no estilo que ela usa [ilegível], mas algaravia, a meu ver para isso não vale a pena fazer um jornal. O Cometa pode e deve dizer verdades que os outros jornalecos não estão em condições de dizer, mas pode fazê-lo em melhor linguagem e mais apurada, com uma seriedade mesclada de bom humor. Está de acordo?
Anotei o seu novo endereço, e que posso desejar ao casal, sob o signo de meu poema, senão que seja feliz, na medida em que a vida o permite e nós mesmos o ousamos? Pois afinal a vida nos é dada para que a gente saiba construí-la ao sabor da nossa imaginação e da nossa força de modelar a realidade.
Para não fazer discurso besta, paro aqui, com o pensamento mais carinhoso para os dois. Seu velho e grato amigo, que o abraça apertado. Carlos
***
Marcos Caldeira Mendonça é jornalista e escritor itabirano, editor do jornal O TREM Itabirano.
Objetos que pertenceram ao médium Chico Xavier serão leiloados
Um busto e os característicos boné e óculos de lentes grossas, além de uma flanela, que pertenceram ao médium Chico Xavier (1910-2002) serão leiloados no dia 29 de agosto na cidade mineira de Uberaba (477 Km de Belo Horizonte).
Não há um lance mínimo para o lote –que inclui todos os itens–, mas a estimativa dos organizadores é de que possa ser arrecadada uma cifra superior a R$ 6.000.
Os objetos foram autenticados pelo herdeiro do médium, o dentista Eurípedes Humberto Higino dos Reis, responsável pelo acervo de Chico Xavier, e doados para o Rotary Clube Uberaba.
Com o Leilão Beneficente Arca de Noé, evento realizado anualmente em Uberaba, o Rotary vai arrecadar fundos para entidades assistenciais do município. A reportagem do UOL não localizou Reis para comentar o leilão.
Além dos objetos que pertenceram ao médium, serão leiloados 150 itens como pequenos animais (gatos e cachorros), pinturas, esculturas, joias, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, produtos agropecuários, máquinas, equipamentos e implementos agrícolas.
A estimativa dos organizadores é de que o leilão possa arrecadar valores superiores a R$ 150 mil.
O dinheiro arrecadado será doado para o Hospital Dr. Hélio Angotti e a Escola para Surdos Dulce de Oliveira.
O leilão acontece no Jockey Park, o clube mais sofisticado de Uberaba. A arrecadação beneficiará as duas instituições com 50% da renda para cada uma delas.
Segundo o presidente do Rotary Uberaba, Arlindo Félix, os recursos serão utilizados na compra de medicamentos para o Hospital Dr. Hélio Angotti, com 90% dos pacientes atendidos pelo sistema público, e para a aquisição de aparelhos auditivos para 40 alunos, com deficiências auditivas, da Escola para Surdos Dulce de Oliveira.
Entre professores, jornalistas e políticos, todos com a missão de compreender a vida do povo cubano sob o prisma do fim do embargo americano
O Dia Diziam: ‘Alfredito, fica mais um pouco’. Até pizza eu servi para os turistas.”Foto: Divulgação
Rio – O Bip Bip é um reduto sambístico de Copacabana, bunker da melhor música brasileira e de gente que propõe um país melhor sob a bênção do Alfredo Jacinto Melo, o popular Alfredinho. Este pequeno grande homem é reconhecido pelos esporros que dá em quem atrapalha a música ou joga um cigarro no chão, mas, principalmente, pelo coração grande demais para o seu tamanho.
Era um domingo de junho. Fui lá para conversar com o amigo de muitos anos e esporros, quando ele me conta que iria para Havana com uma turma que incluía o jornalista e ex-guerrilheiro Cid Benjamin e o ex-deputado Milton Temer, outros dois amigos de longa data. Rapidamente me incluí no grupo, não sem que antes minha participação na viagem fosse avalizada por uma pequena votação, feita ali mesmo, na calçada da Rua Almirante Gonçalves. Aprovado, no dia seguinte comprei o pacote de oito dias. No sábado retrasado, dia 1º, partimos em um grupo de dez para a ilha. Além dos quatro já citados, o jornalista e professor Vitor Iório, Passarinho, Baiano, Mario de Oliveira, Zé Luiz, um amigo de Alfredinho dos tempos de Bangu e o jovem Pedro, filho de Passarinho. Enfim, a turma do Bip na ilha de Fidel.
Entre professores, jornalistas e políticos, todos com a missão de compreender a vida do povo cubano sob o prisma do fim do embargo americano, Alfredinho tornou-se o porta-voz da brasilidade. Com seu jeito franco, carismático e teatral pode-se dizer que tornou-se, por uma semana, o Rei de Havana. Não o personagem bizarro do livro de Pedro Juan Gutiérrez movido a rum e sexo, mas um rei improvável.
Alfredo não dava pitacos nas discussões políticas, apenas observava e quando a conversa esquentava, intervinha com sua voz rouca: “Agora é a vez de fulano falar. Beltrano, fica quieto”. No primeiro dia, na piscina do hotel, surgiu com uma camisa do Madureira em homenagem a Che Guevara, lançada em 2013, por conta dos 50 anos de uma excursão do tricolor suburbano à Cuba. Pediu uma abrideira, uma pizza — porque havia perdido o café da manhã —, e ficou por ali. Quando voltei de uma caminhada, ele ainda estava ali no maior papo e já tinha ganho o apelido de Lula. Até o fim da viagem, ele era o único de nós que era conhecido pelo “nome” entre os empregados do hotel.
Alfredinho, ao ouvir uma crítica sobre a praia de Varadero, indignou-se. “Quando fui para lá da outra vez, levei umas fitas de samba da Cristina Buarque. Os caras ficaram loucos, não me deixaram sair mais. Fomos até as cinco da manhã. Diziam: ‘Alfredito, fica mais um pouco’. Até pizza eu servi para os turistas.”
Monoglota, Alfredo era o único também que não arriscava uma palavra em portunhol. Segundo amigos, ele se faz entender com seu português e uma mímica que não quer dizer muita coisa até na Rússia. Convencido por Baiano, um fã de Ernest Hemingway, a conhecer a casa onde o escritor morou em Finca Vigia, e onde criou ‘O Velho e o Mar’, Alfredito se engraçou com uma jovem guia e, orientado por uma funcionária diante do argumento de que o banheiro era longe demais, fez um xixi nos fundos da casa do velho Hemingway. Antes de ir embora, ainda cantou um samba-enredo da Tupi de Brás de Pina como se estivesse ali, no seu reino encantado de Copacabana.
A Globo e o Lava Jato caem no ridículo para atacar Lula
Primeiro, o Jornal Nacional divulgando a notícia,publicada na revista Veja,vinda do Lava Jato, na véspera da eleição, com a reportagem mentirosa de que lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobrás.
Por ser falsa a denúncia,o TSE proibiu a divulgação inclusive por ser propaganda eleitoral em favor do candidato Aécio Neves,ainda mais no momento em que a propaganda eleitoral já estava proibida.
Dilma ganhou a eleição, o Globo, Veja e o Lava Jato não pediram desculpa à sociedade pela notícia mentirosa.
O TSE, como de outras vezes, deixou barato, sim porque a mesma Globo fez parecido em 1989,quando armou e se deu bem a favor do seu candidato Fernando Collor de Mello, divulgando depois do período permitido pela lei eleitoral o debate entre os candidatos Lula e Collor.Só que a Globo passou no Jornal Nacional e no Fantástico os melhores momentos de Collor. Na ocasião, por se negar a divulgar a farsa a favor de Collor, o brilhante jornalistaArmando Nogueira, Diretor de Jornalismo da Globo, pediu demissão e a Globo botou outro diretor para levar avante a farsa.
Agora vem a Globo, em 12/8, direto de vazamento do Lava Jato, de novo,em manchete principal do jornal, com a armação de que o dinheiro de propina teria financiado a construção do prédio onde Lula é proprietário. Então todos os donos de apartamentos são suspeitos, não é só o Lula?
Esse tipo de imprensa mentirosa e criminosa tinha que acabar no país. Como nada de mais grave acontece com a Globo, Lava Jato e Veja, eles tripudiam.
Até que o Brasil, como todo mundo desenvolvido, tenha uma lei que regule as comunicações no país.
Aliás, quando se fala em regular os meios de comunicação, como acontece com toda concessão pública no país, a Globo alerta, de que querem acabar com a Globo, que isso seria mordaça, etc.
E o que a Globo, o Lava Jato e a Veja fazem é o quê?
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
Rio de Janeiro, 12 de agosto de 2015
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
implacavel
11 de agosto de 2015 3:06 amA derrocada de José Dirceu
Mario Sérgio Conti – Folha Ilustríssima
RESUMO Figura de destaque na militância estudantil durante a ditadura militar, o ex-ministro do governo Lula voltou à prisão na semana passada, desta vez sob suspeita de ter recebido propinas de empreiteiras. Cumprindo pena em regime domiciliar após caso do mensalão, José Dirceu, 69, parece distante do jovem preso em 1968.
*
É bom conversar com José Dirceu. Ele analisa a conjuntura à maneira de Fernando Henrique Cardoso, que enraíza querelas brasilienses no solo mundial. Como Delfim Netto, pensa primeiro em objetivos nacionais e só depois na casta dos profissionais da política. À semelhança de Fernando Haddad, é realista e evita lero-lero numa conversa a dois. O ex-ministro compartilha com Valério Arcary a cicatriz de quem esteve com as massas em movimento: o dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado tem tatuagens da Revolução dos Cravos na psique; o militante preso na segunda-feira passada traz na pele queimaduras dos incêndios de 68.
O próprio José Dirceu abriu a porta da mesma casa onde a polícia foi buscá-lo nesta semana. Era uma manhã de domingo do fim do ano passado. Estava de calção azul, camiseta vermelha e calçava chinelos. Rijo e bronzeado, parecia mais saudável do que nas fotos dos jornais, nas quais era flagrado indo para o trabalho. Apresentou-me Simone Pereira, sua quarta companheira, e lhe fez um afago no rosto.
Atravessamos o saguão, duas salas sombrias, saímos para o sol raivoso de Brasília e nos sentamos no terraço, à beira do jardim, da piscina e do salão de ginástica. Logo apareceu Maria Antônia, sua filha de quatro anos. Ela recebeu esse nome em homenagem à rua paulistana onde Dirceu teve o seu batismo político.
A menina estava com uma engenhoca eletrônica que emitia silvos insistentes. O pai lhe disse que ficasse um pouco mais longe, mas Maria Antônia se aninhara a seu lado e só saiu quando quis.
Ele conversou primeiro sobre o PT. Falou que, mesmo com a vitória recente de Dilma Rousseff, haveria uma debandada nos quadros e na base do partido. A Lava Jato não cheirava bem, e lhe dava a impressão de causar calafrios em possíveis candidatos pela legenda. Aparentemente, a investigação não o alarmava.
Pedro Ladeira – 11.jul.2014/Folhapress
José Dirceu deixa Centro de Progressão Penitenciária para trabalhar em escritório, em julho de 2014, no DF
“Já reviraram minhas contas bancárias, meus telefonemas e declarações de renda”, afirmou. “Nunca encontraram nada. Tenho uma consultoria, presto serviços para empresas e recolho impostos.” Durante o encontro, que se estendeu até o meio da tarde, Dirceu não tocou em álcool, proibido no regime de prisão domiciliar: “Não dou mole de jeito nenhum”.
O governo recém-reeleito lhe parecia velho, exausto, sem rumo. “O PT sofrerá uma derrota de proporções históricas nas eleições municipais”, vaticinou. Ele nunca se deu bem com Dilma. Chamou-a de “camarada de armas” no discurso de despedida no Congresso, mas intramuros a critica desde sempre.
Questionado sobre o que faria se voltasse ao poder, fez uma longa peroração, coalhada de cifras, sobre a vocação do Brasil na América Latina: construir estradas, aeroportos, usinas, linhas de ferro, portos, a infraestrutura inteira do continente. Não disse palavra sobre desigualdade, classes, lucros e interesses nacionais contraditórios, muito menos socialismo.
GUINADA
Sem transição, como lhe é comum, mudou de assunto e deu uma guinada abrupta à esquerda: disse que trabalharia para o PT apoiar a candidatura à prefeitura carioca de Marcelo Freixo, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). “O Rio é a única grande cidade brasileira com garra para eleger um prefeito de esquerda”, disse (ignorando a eleição do petista Haddad em São Paulo) enquanto checava o celular, deitado na mesa à frente, gesto que repetia de cinco em cinco minutos.
Há dez anos, Dirceu tivera papel preponderante na expulsão do PT de ativistas que viriam a criar o PSOL, a começar por Luciana Genro. Antes mesmo, na década de 1990, agira com mão pesada para que a esquerda não concorresse ao governo do Rio. O candidato em potencial era Vladimir Palmeira, que não só pertencia ao PT como se formara em radicalismo na turma de 1968. Ele tinha a sustentação firme da seção fluminense do partido no Rio, mas a direção nacional –leia-se: Lula e José Dirceu– impôs o voto em Anthony Garotinho. Deu no que deu. O celular não tocou nenhuma vez.
“As pessoas mudam, e os líderes políticos também”, disse-me Valério Arcary, pedindo desculpas pelo clichê. “O José Dirceu de 1980 e o de 2015 não são a mesma pessoa.” O líder do PSTU ficou boquiaberto com o relato, publicado na terça-feira pela Folha, de que Dirceu se ajoelhara diante de uma imagem de Nossa Senhora.
Eles conviveram na década de 1990, quando integraram a comissão executiva nacional do PT. Ainda que tivessem posições conflitantes, davam-se bem. Dirceu fora preso e banido na ressaca de 1968. Passara anos em Cuba, vivera clandestino no interior do Paraná, onde abandonou política, e chegara relativamente tarde ao Partido dos Trabalhadores. Defendia as posições de Fidel Castro e de Cuba.
Já Arcary morava em Lisboa quando estourou a Revolução dos Cravos, em 1974. Voltou ao Brasil anos depois e foi um dos fundadores da Convergência Socialista, grupo trotskista cujos militantes se filiaram ao PT para cooptar novos adeptos. Ele se lembra de várias virtudes de Dirceu: “Era assertivo, não se metia em intrigas, acreditava num projeto, comprava a discussão política e a fazia às claras”.
Ou seja, era quase o contrário de Lula e dos sindicalistas que o seguiam. O presidente do PT relutava em divergir frontalmente, tentava conciliar o inconciliável e volta e meia ocultava o que de fato pensava. Dirceu e Lula tinham deficits semelhantes: não escreviam e nunca estiveram em minoria no partido. O político que escreve ordena as ideias; estar em minoria é didático, fortalece quem tem princípios e paciência.
Um belo dia, as virtudes de José Dirceu se voltaram contra Arcary. Foi quando o movimento pela derrubada de Fernando Collor ganhou corpo, em 1992. Manifestações continuadas juntavam centenas de milhares de pessoas. O presidente estava por um fio, mas o mundo político, jurídico e empresarial não chegara a um acordo quanto ao que fazer.
A Convergência Socialista defendia a derrubada de Collor, mas não queria que o vice, Itamar Franco, tomasse posse no lugar –por não ter sido eleito e por defender o programa liberal do titular. Seu objetivo era seguir com as passeatas e atos públicos até que se abrisse uma crise revolucionária.
José Dirceu partiu para cima da Convergência. Defendeu que a organização não tivesse vida independente e o seu jornalzinho semanal fosse proibido. “Quero ser secretário-geral do PT contra a palavra de ordem ‘fora Collor'”, repetia. No seu raciocínio, o partido deveria esperar até 1994, vencer as eleições e só então entrar no Planalto. Não deu outra: a direção do partido ficou com Dirceu, e milhares de trotskistas foram expulsos.
O PT tornou-se uma organização eleitoral. Arcary não guarda mágoa. “Dirceu optou por uma política e a defendeu com lealdade, sem dar golpes baixos”, disse ele. O PT não chegou ao poder em 1994 nem quatro anos depois. Empalmou o Planalto só em 2002, com José Dirceu na condição de hiperministro e candidato óbvio à sucessão de Lula.
As mutações de Dirceu e do PT não se deram num buraco negro a-histórico. O “big bang” do processo foi a queda do Muro de Berlim. Desmoronou o “socialismo real” (que de socialismo não tinha nada), com o qual boa parte da esquerda latino-americana cultivava relações ambíguas. Esboroaram com ele a via insurrecional para a tomada do poder e a perspectiva de revolucionar a sociedade.
A vaga eleitoralista, com a adoção de um programa palatável à ordem do capital, pôs em polvorosa a Frente Sandinista de Daniel Ortega, na Nicarágua, os Tupamaros de José Mujica, no Uruguai, e o PT de Lula e José Dirceu. Os três partidos deixaram de falar em socialismo até nos dias de festa, como mandava a etiqueta social-democrata. Vieram os showmícios.
Mesmo o róseo reformismo feneceu. Ele deu lugar às ditas políticas compensatórias, mais ao gosto dos poderes centrais. Não por acaso Obama disse que Lula era “o cara”, o “político mais popular na Terra”.
A transfiguração foi testemunhada por Frei Betto. Ele conheceu José Dirceu nos idos de 1968. Estudava antropologia na USP da Maria Antônia, teologia no convento dos dominicanos, nas Perdizes, e era repórter da “Folha da Tarde”, para a qual cobria o movimento estudantil. “Foi o ano em que não dormi”, disse-me Betto.
Conheceram-se melhor na ocasião em que o estudante se refugiou no convento. Aproximaram-se mais quando aderiram à Aliança Libertadora Nacional, a ALN de Carlos Marighella. A década de prisões e exílios os separou. Tornaram a se encontrar no início dos anos 1980. Por achar que a esquerda consistia de sabichões que queriam manipulá-lo, Lula a evitava. Mas gostava de Betto por ser frade e fazer parte da Pastoral Operária. Foi ele quem apresentou José Dirceu a Lula.
FOME ZERO
Os caminhos de Betto e Dirceu voltaram a se cruzar quando subiram a rampa do Planalto. O frei foi encarregado por Lula de construir o Fome Zero. Na sua concepção, o programa seria gerido em conjunto por técnicos do governo e pelos próprios beneficiários, que se reuniriam periodicamente. Ao longo de três anos, os favorecidos seriam treinados num ofício, passariam a trabalhar e prescindiriam da bolsa estatal.
Houve resistência de prefeitos de todo o Brasil. Eles queriam organizar o cadastro, de modo a parecer que concediam a benesse. Assim, poderiam encabrestá-los e cobrar votos. José Dirceu, que pelejava para aproximar o governo de políticos de todos os partidos, comprou a ideia. “Como era ele que controlava o orçamento do governo, durante dois anos Zé Dirceu nos deixou a pão e água, não destinou um real ao Fome Zero”, conta Betto. O frade reclamava com Lula, que lhe dizia que tomaria providências. Nunca as tomou.
O cadastro dos prefeitos foi instituído, o Fome Zero virou Bolsa Família, e Betto deixou o governo. “O que era uma política emancipatória virou uma política compensatória”, avalia o religioso. “Milhões de pobres continuam sem emprego, só que agora são consumistas.” A gênese do Bolsa Família está historiada em “Calendário do Poder” (Rocco, 2007), no qual relata de maneira crítica e desapaixonada como funcionou o primeiro governo Lula.
Mas nem o livro de Frei Betto dissolve o denso mistério das relações entre José Dirceu e Lula. Graças ao primeiro, o PT se tornou uma máquina eleitoral a serviço do segundo. Eles nunca deixaram entrever como se dava na prática a relação entre ambos. Observando de fora, percebe-se que Lula respeitava Dirceu, mas jamais o teve por mentor. Por sua vez, Dirceu nunca disse uma frase reveladora a respeito de Lula.
O máximo a que chegou foi resmungar “Lula, Lula, Lula” com a fisionomia contrafeita, quando lhe perguntei como ia o ex-presidente. Estávamos no seu apartamento na rua Estado de Israel, na Vila Mariana, em São Paulo. Víamos na televisão a transmissão de uma das sessões do Supremo Tribunal Eleitoral, que julgava o mensalão.
O imóvel não tinha nada de mais: dois quartos, mobiliário de hotel duas estrelas, sinal de internet capenga. Dirceu mencionou que o apartamento passara por uma reforma. Na acusação dos procuradores de Curitiba, revelada na semana passada, tal reforma foi paga por uma empresa acusada de corrupção.
LODO
Ao se preparar para entrar no Planalto, Lula disse a Dirceu que forjasse a aliança do PT com os partidos de aluguel para formar a base do governo. Dirceu foi contra, queria que o PMDB fosse o aliado preferencial. Mas cumpriu as ordens. A semente do mensalão germinou nesse lodo.
Mas o mensalão só floresceu com exuberância devido a uma particularidade nacional: o Brasil tem uma das campanhas eleitorais mais caras do planeta. Bilhões de reais trocam de mãos a cada dois anos. Há inúmeros motivos para isso: o peso da TV e da propaganda; a longa duração e despolitização da ditadura militar; a ausência de vida partidária consistente; as mazelas da educação básica; a importância do Estado na economia.
Essa dinheirama faz com que as eleições tenham se tornado uma forma de acesso a verbas estatais, manipuladas por partidos em benefício de empresas, com as empreiteiras e bancos puxando a fila. É um jogo de leva e traz com poucos perdedores. Nada impede que um candidato derrotado desvie para a própria conta parte do que lhe foi doado por empresários.
É virtualmente impossível que um partido chegue ao poder sem manter relações com grandes companhias, sejam essas relações promíscuas, de favor, comerciais ou decorrentes do tráfico de influência. O sistema não é exclusivo do PT e tampouco começou com ele. O pedágio político está disseminado porque a economia brasileira funciona assim há décadas.
José Dirceu prestou serviços a grandes corporações, da OAS à Ambev, da Camargo Corrêa à Parmalat. O que fazia para elas? “Faço estudos, prospecto investimentos, dou sugestões, participo de reuniões”, respondeu ele. Estávamos na sede da sua consultoria, a JD, num casarão com jeito de mal- assombrado ao lado do parque Ibirapuera. Os móveis eram esparsos, e várias salas estavam desertas. Argumentei que nada disso era propriamente trabalho, criação de valor. Ele insistiu que era, e o diálogo não foi adiante.
Pouco depois de escrever uma resenha que apontava a má-fé e dezenas de erros de uma biografia de Dirceu, fui convidado por ele a almoçar na sua casa de campo. Ela fica num condomínio aprazível em Vinhedo, no interior paulista. A consultoria voltou à baila. “Ajudo na criação de empregos de empresas brasileiras”, disse ele. Pode ser. Mas quem cria empregos recria a exploração dos fracos pelos fortes, aufere lucro e perpetua a desigualdade entre as pessoas.
Tarso Genro também esteve com José Dirceu, na casa de Brasília. Como as relações entre eles se deram apenas no PT, o ex-governador gaúcho não chegou a ter conhecimento íntimo da personalidade ou da vida pessoal do companheiro. “Eu o via como uma pessoa extremamente obstinada, que nunca demonstrou desejo de tirar proveito pessoal da sua atividade política”, disse-me Tarso. “Depois de mais de dez anos sem conversarmos, minha visita teve finalidade humanística. Encontrei uma pessoa bastante deprimida, mas com enorme vontade de voltar a viver normalmente.”
Foi outra a minha última impressão de Dirceu. Numa hora lá, ele se afastou e foi ao fundo do jardim. Parecia perdido, amargurado, sem saída. Mudara tanto que talvez não soubesse quem era. Exilado de si mesmo, escorava-se nos próprios restos, na sua ruína. Lembrava o poeta peregrino, improvável sombra florentina sob os mil sóis do Planalto Central.
A derrocada de um homem tem uma dimensão moral que a sociologia e a psicologia não alcançam. Mas a poesia pode fornecer imagens que propiciam o seu entendimento. No primeiro canto da “Divina Comédia”, Dante se depara com o leopardo, o leão e a loba na selva selvagem da vida.
O significado das bestas é matéria de debate entre eruditos desde a Idade Média. No caso de José Dirceu, o leopardo é a fraude, o leão, a soberba, e a loba, a incontinência, o deixar-se levar pelos sentidos mais prementes. Encurralado pelas três feras, ele desce agora ao fundo do inferno.
MARIO SERGIO CONTI, 60, é colunista do jornal “O Globo” e apresentador do programa “Diálogos”, da GloboNews.
Fernando J.
11 de agosto de 2015 3:24 amMeus heróis civilizadores, por Luiz Antonio Simas, pelo Facebook
Acabei de assistir a aberração do quadro de um personagem “africano”, atração de um programa humorístico da TV aberta. É um horror que não reproduzirei aqui. Vou apenas circular novamente um texto meu de 2011 que diz tudo o que acho sobre isso.
MEUS HERÓIS CIVILIZADORES
Não existe redenção para as grandes tragédias, mas a vingança sublime e a única forma de transcendência dos homens ao desmazelo da vida é transformar a má fortuna e a dor em beleza, civilização e arte. Os meus heróis civilizadores não frequentaram bibliotecas, não discutiram a alta filosofia nas academias e universidades, não escreveram tratados iluministas, não pintaram os quadros do Renascimento, não escreveram romances, não compuseram sinfonias, não conduziram exércitos em grandes guerras, não redigiram leis, não fundaram empresas, não elaboraram tratados e constituições e não planejaram monumentos, edifícios e pontes.
Os homens que me civilizaram chegaram às praias do meu país nos porões infectos dos tumbeiros e foram vendidos e marcados feito gado no mercado.
Eu fui civilizado pelo rufar dos tambores misteriosos, pelo toque de São Bento Grande no berimbau de cabaça, pela dança desafiadora do Obá dos Obás, pelo bailado da dona do afefé – sagrado vento – e pelo xaxará do senhor da varíola, a quem reverencio e peço a calma para não estranhar o mundo: Atotô!
Aprendi a olhar com admiração os homens ao conhecer os dribles de Mané, a ginga de Pastinha, a sabedoria de Menininha, a força de Candeia, os versos de Silas, o miudinho de Argemiro, as esculturas de Mestre Didi, as toalhas rendadas de Tia Prisciliana, o cachimbo de Dona Eulália, o canto de Anescar, o tempero da Iyá Bassê, o lamento dos vissungos, o machado do jongo, as folhas de Ossain e os cantos de evocação de Oxupá, dindinha lua.
Quem me criou não tinha educação formal e não me deu o Dom Quixote, o Crime e Castigo, o Dom Casmurro, o Grande Sertão e outros tantos grandes livros que, como esses, eu li um dia e passei a amar. Quem me criou, porém, me contou das artimanhas de Exu, da flecha certeira de Oxóssi, dos amores de Ogum, das mulheres de Xangô, do tronco forte de Tempo e do pano branco de Lemba – e eu passei a gostar de ouvir e inventar histórias, no alargamento da vida.
Quem me criou não me levou aos teatros, não me apresentou a grandes óperas e não me presenteou com discos de sublimes sinfonias – que dessas coisas quem me criou não sabia. Mas quem me conduziu cantou, para confortar as minhas noites, sambas, toadas, jongos, afoxés, cirandas, maracatus, alujás, calangos, xibas e xotes – e eu fui apaziguando a alma com os sons do meu povo.
E é por isso, por essas áfricas que me fizeram como sou, que gosto da rua, do mercado, dos amigos, da gente miúda feito eu, do porre, da bola, do beijo, da troça, da raça, do sol, da cachaça, da carne, da alegria, da subversão, da insubmissão, da guerrilha, do vento, da aldeia, do mistério, da mistura, do dendê, das pernas tortas, do português torto, da língua do Congo e do pranto do banzo.
Mojubá, agô, que essas ideias todas são mais fortes em agosto, mês do aniversário de Candeia e do encantamento de Caymmi. E eu me pego todo dia a orar a Zâmbi por um Brasil mais tolerante com o seu povo. Há que se lamentar o martírio dos tumbeiros, fazer do tronco do castigo o totem da humanidade e louvar a todos os quilombolas, de ontem e de hoje, que me ensinaram a amar a terra e celebrar a vitória da vida sobre a morte – lição maior de Licutam, Luísa Mahin, Zomadônu e Zacimba Gaba. O Brasil haverá de saber quem eles são.
É só assim que a gente afaga o tempo, serpenteia a dor e apascenta, entre um tombo e outro, o olhar sobre a belezura do que pode ser o mundo
Notívago
11 de agosto de 2015 8:16 amLula e Dilma afogam os golpistas nas águas do Rio São Francisco
Espetacular! Começou a
transposição do São Francisco!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=XUP6q1AU24I align:center]
A alegria de quem construiu a obra: emocionante!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=3thEgKrjzLs align:center]
[video:https://www.youtube.com/watch?v=SUx6K9PNsfI align:center]
Notívago
11 de agosto de 2015 8:49 amDilma afoga os golpistas em um mar de grãos
Publicado em 10/08/2015 no Conversa Afiada
Dilma: quanto pior melhor?
Melhor pra quem?
Dilma com Dino afoga Aecím no porto de Itaqui
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O novo Terminal de Grãos do Porto de Itaqui possui quatro estruturas, com capacidade de armazenagem estática de 125 mil toneladas cada. Foto: Isac Nóbrega/PR
No Globo:
Dilma faz apelo a brasileiros para que rejeitem movimento para enfraquecer o governo
No Maranhão, a presidente disse que durante uma crise, é natural que as pessoas fiquem inseguras e apreensivas
SÃO LUÍS – Na entrega de 2.020 moradias do Minha Casa Minha Vida, a presidente Dilma Rousseff aproveitou para passar o recado de que, apesar da crise, é hora de as pessoas pensarem primeiro no Brasil e depois em seus partidos e projetos pessoais. Dilma disse ainda que está trabalhando diuturnamente para que esse momento de dificuldade, a que voltou a chamar de travessia, passe o mais rapidamente possível. Ela pediu aos brasileiros que não aceitem a teoria de que devem enfraquecer o governo por desgostarem dele e que “repudiem o vale-tudo”.
— Eu trabalho dia e noite incansavelmente para que essa travessia seja a mais breve possível. O Brasil precisa muito, precisa mais do que nunca, que as pessoas pensem primeiro nele, Brasil, no que serve a nação, a população e só depois pensem nos partidos e em seus projetos pessoais. O Brasil precisa de estabilidade para fazer essa travessia. É como numa família. Numa dificuldade, não adianta ficar um brigando um com o outro. É preciso que as medidas sejam tomadas. Ninguém que pensa no Brasil deve aceitar a teoria dos que pensam assim: “Eu não gosto do governo, então eu vou enfraquecer ele”. Quanto pior, melhor? Melhor para quem? — questionou Dilma, completando em seguida com um apelo:
— Quero aproveitar para fazer um apelo aos brasileiros: vamos repudiar sistematicamente o vale-tudo para atingir qualquer governo. Seja o governo federal, o governo dos estados e dos municípios. No vale-tudo, quem acaba sendo atingido pela torcida do quanto pior melhor é a população.
P. Mason
11 de agosto de 2015 9:47 amEnegia Eólica: quem é contra? Os golpistas. Eles são contra tudo
Boa notícia não sai no jornal. Recorde: 8% da eletricidade do país veio do vento, ontem
10 de agosto de 2015 | 21:28 Autor: Fernando Brito
Já dei esta notícia aqui uma vez e, com prazer, a repito, com um novo recorde: ontem, a produção de energia elétrica no país a partir dos moinhos de vento das usinas eólicas respondeu por quase 8% (7,86%) de toda a eletricidade gerada no país.
Claro que o resultado foi ajudado por ser um domingo, dia de menor consumo mas, ainda assim, foi o maior resultado em valores brutos de toda a história de geração eólica no Brasil: 3. 922 megawatts médios, quase a metade do que gerou a gigantesca usina de Itaipu.
No Nordeste, área onde a geração eólica encontra suas melhores condições, os ventos geraram mais energia do que a água, que mingou com a seca: 2.851 Mwmed vieram do ar e 2.787 das represas.
Este blog, que não mente para ninguém inventando que, nas condições tecnológicas atuais é uma rematada tolice pensar que o Brasil deve abrir mão das hidrelétricas para viver uma irresponsável utopia de que a energia eólica possa representar uma solução energética segura para o país – e se não ventar amanhã? – é o primeiro a destacar o importantíssimo papel complementar que ela desempenha.
Elas permitem “segurar” a água nas represas, quando funcionam a toda carga, e diminuem o gasto de água no período mais seco que, entre outras características, é a época de regime de ventos mais intenso.
Mas jornais e televisão, que enchem a boca para falarem da energia eólica como se fosse a panaceia para a geração de energia limpa e sem dano ambiental (não é sem, na verdade, mas é de fato bem menor), não mostram o que o país conquistou e vai conquistar nesta moderna modalidade de produção de energia.
Os números são fantásticos.
No segundo domingo de agosto de 2014, foram gerados 1.345 Mwmed, pouco mais do que um terço do produzido ontem.
No primeiro “Dia dos Pais” do Governo Dilma, em 2011, míseros 266 MWmed, 16 vezes menos que ontem. E ventou forte, porque a geração foi o dobro, praticamente, do que era esperado para aquele dia pelos técnicos do ONS.
Uma conquista gigantesca, que não merece uma palavra sequer dos ecologistas ou da mídia “verdinha”.
E, infelizmente, nem um filmete de publicidade do Governo.
Não tem importância para este Tijolaço, que veicula com gosto e de graça notícias boas para o Brasil.
Andre Araujo
11 de agosto de 2015 12:43 pmhttp://www.globalsecurity.org
http://www.globalsecurity.org/intell/world/iran/images/suleimani.jpg
OS EQUIVOCOS DO MORALISMO NA POLITICA – Quando o Exercito americano invadiu o Iraque em 2003 os objetivos eram “limpar” o pais da ditadura de Saddam Hussein e criar um novo Iraque. Para tanto dissolveram a Guarda Republicana, um corpode elite do Exercito Iraqueano, com um efetivo de 75.000 homens divididos em dois corpos e tentaram reformar o Exercito regular do Iraque, com efetivos regulares de 800.000 homens. Os americanos dissolveram a Guarda Republicana e os comandos do Exercito regular, tentando criar um novo exercito sob padrões americanos, entregando a tarefa a uma empresa particular, a Vinnel Corporation.
No substrato do projeto estava a ideia de que todos os antigos comandos eram fanaticos fieis a Saddam e eram portanto inconfiaveis. Foi um grande erro. Os comandantes da Gurda Republicana, Tenentes Generais Majid Al Dulaymi e Raad Al Hamdani poderiam ser os melhores aliados dos EUA bem como o comando do Exercito regular (General Talib Al Lahibi), todos oficiis profissionais que temiam Saddam mas não tinham nenhum amor especial a ele.
Todos temiam Saddam e estavam fartos dele, até seus dois genros tentaram derrubar Saddam (e foram executados)
o regime se mantinha pelo terror e os EUA foram acolhidos como libertadores. Invés disso, pelo espirito salvacionista
que veio junto com a invasão, DISSOLVERAM as colunas mestras do poder no Iraque, a Guarda e o Exercito, criando um caos que terminou agora com a insurgencia do ISIS, o Estado Islamico formado na sua espinha dorsal por ex-militares iraqueanos. O moralismo é inimigo frontal da REALPOLITIK, a politica do possivel sem principios e com a visão da realidade, fazendo o que é possivel fazer com os pés no chão e não tentando salvar o mundo.
A má politica americana no Iraque gerou um desgoverno que continua até hoje, os EUA despejaram no conflito do Iraque US$3 trilhões e continuam gastando US$50 bilhões por ano com essa custosa aventura pastoral.
Ao contrario dos ingleses que governaram a India por dois séculos com pequenas forças militares mas fazendo acordos com os marajás e rajás, os Amricanos querem pufificar o mundo e não sabem operar dentro do mundo tal qual ele é, com seus defeitos, vicios, desequilibrios e realidades fruto da Historia.
Esses erros não cometeram na Alemanha ocupada após a Segunda Guerra, porque os homens então eram líderes de intelecto superior, acima do padrão principista que é o usual nos EUA. O General Marshall er um individuo de intelecto
especial e soube estabelecer os padrões da ocupação usando inclusive ex-nazistas para gerir a Alemanha, culimnando com um General da Wehrmacht (Hans Spiedel) como Comandante da OTAN em 1954, o mesmo general alemão que comandou a ocupação nazista da França em 1941. Spiedel não era nazista mas era um general do Terceiro Reich, foi uma proeza dos Aliados usarem o mesmo homem para o comando das forças terrestres da NATO dez anos depois dele ser o Comandante alemão de Paris.
O fundador da Realpolitik europeia, o Principe de Metternich não usou criterios principistas ao se aliar no Congresso de Viena com seu antipoda, o ex-Chanceler de Napoleão, o grande inimigo das potencias que Metternich representava, seu melhor companheiro de Congresso foi o inimigo de vespera, o ultra corrupto Principe de Talleyrand, o mesmo que negociou a independencia da Polonia por 4 milhões de frncos-ouro.(depois devolveu porque não conseguiu fazer).
A tentativa de introdução do moralismo udenista na politica brasileira em 1954 custou a vida do Presidente Getulio Vargas mas o moralismo típico da UDN foi afastado por Juscelino, que governou com as mesmas forças do getulismo
considerado corrupto que vinha da aliança PSD-PTB. JK afastou a UDN de um poder que esta considerava já seu e
fez o Brasil crescer 50 anos em 5, acusado do primeiro ao ultimo dia de corrupto (“a 7ª fortuna do mundo” diziam),
a calunia usual, dona Sarah teve que vender quadros de seu apartamento para sobreviver.
O moralismo não descansa, grupos com essa visão de mundo, que querem uma politica asseptica e a prova de bacterias sempre existiram, eles simplesmente destroem a politica na tentativa de reformar o mundo e causam imensos prejuizos ao Pais. Em circunstancias especiais eles conseguem por vezes um poder anormal, causam o maximo de danos para depois desaparecer no limbo da Historia, a politica é sempre um jogo nada limpo em qualquer lugar do planeta, é da essencia da politica, até na politica do Vaticano o jogo não é para sacristãos de novela.
O morlismo é inimigo do realismo em politica e todo aquele que tenta fugir da realidade acaba trombando com ela em determinado ponto da curva mas no caminho causa imensos danos aos infiéis, todos nós, que não rezamos essa missa de fanaticos de uma seita perigosa.
Cláudio José
11 de agosto de 2015 1:03 pmPAZ NO MUNDO, QUE OS ANJOS DIGAM AMÉM
Vaticano anuncia tema do Dia Mundial da Paz 2016
TERÇA-FEIRA, 11 DE AGOSTO DE 2015, 7H50MODIFICADO: TERÇA-FEIRA, 11 DE AGOSTO DE 2015, 8H34
“Vence a diferença e conquista a paz” foi o tema escolhido pelo Papa Francisco para o 49º Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1º de janeiro de 2016
Da Redação, com Boletim da Santa Sé
O Vaticano divulgou nesta terça-feira, 11, o tema que o Papa Francisco escolheu para o Dia Mundial da Paz 2016: “Vence a diferença e conquista a paz”. Esta será a 49ª vez em que a data é celebrada em todo o mundo.
Em comunicado, o Pontifício Conselho da Justiça e da Paz explicou que a indiferença em relação às chagas dos tempos atuais é uma das principais causas da falta de paz no mundo. Trata-se de uma atitude que, muitas vezes, está ligada a diversas formas de individualismo que produzem isolamento, ignorância e egoísmo.
O Vaticano destaca ainda que a paz deve ser conquistada, pois não é um bem que se obtém sem esforços. É preciso, então, sensibilizar e formar as pessoas sobre a responsabilidade com relação às graves questões que atingem a família humana, como fundamentalismos e perseguições por causa da fé e da etnia.
Acesse
.: Recorde a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz 2015
“A paz é possível ali onde o direito de cada ser humano é reconhecido e respeitado, segundo a liberdade e a justiça. A mensagem de 2016 quer ser um instrumento do qual partir para que todos os homens de boa vontade, em particular aqueles que trabalham na educação, na cultura e na mídia ajam segundo as próprias possibilidades e suas melhores aspirações para construir juntos um mundo mais consciente e misericordioso e, portanto, mais livre e justo.”
O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI e é celebrado todos os anos em 1º de janeiro. A mensagem do Papa é enviada às chancelarias de todo o mundo e traça também as linhas diplomáticas da Santa Sé para o ano que se inicia.
Odonir Oliveira
11 de agosto de 2015 5:09 pmO SENSACIONALISTA
Após pedir que Caetano e Gil não toquem em Israel, Roger Waters pede a Anitta que não toque em lugar nenhum
O ex-vocalista do Pink Floyd Roger Waters é um homem insistente. Após enviar uma carta a Caetano Veloso e Gilberto Gil, pedindo que os brasileiros deixem de fazer shows em Israel e ter seu pedido negado, o cantor mandou nova correspondência. Segundo Waters, Israel merece boicote devido à forma como lida militarmente com a vizinha Palestina.
Mas esta não foi a única carta que o ex-Pink Floyd mandou para o Brasil. Outra missiva menos comentada foi uma que ele mandou à cantora Anitta, pedindo que ela não se apresente em qualquer lugar. Temos trechos da carta:
“Querida Anitta,
Você sabe como gosto da música brasileira e do povo daí, especialmente as mulheres, que são tão bonitas. (…)
Exatamente por isso, para que você não estrague o apreço que a população mundial tem pela mulher brasileira (…) venho implorar como colega que você não se apresente mais. Sua voz é mais triste que a mensagem de “Another Brick in the Wall” e a melodia de “Wish You Were Here” somadas.
(…)
Não é nada pessoal, eu fiz o mesmo pedido à Carla Perez quando ela gravou um disco em 1996 e ela nunca mais pegou o microfone. Por favor, eu imploro.”
(Ideia do leitor Haroldo)
Luiz Alberto Vieira
11 de agosto de 2015 5:34 pmYes, nós temos bananas!
Yes, nós temos bananas!
Quais as consequências de derrubar um presidente profundamente honesto?
Responder a esta questão é fundamental para compreendermos os dilemas da elite brasileira em relação ao golpe paraguaio.
A política no Brasil foi historicamente instável, assim como em quase toda a América Latina. Éramos as tais Repúblicas da Bananas.
A posse de presidentes democraticamente eleitos era frequentemente questionada, assim como hoje, e era preciso uma extensa negociação com os principais generais de exército. Fraudes eleitorais eram costumeiras ou muitas vezes a regra. Até mesmo negociações para reajuste de soldo poderiam descambar para crise institucional.
Assim, para muitos grupos, a disputa política não era pela via institucional. Grupos que iam da extrema direita à extrema esquerda não utilizavam a disputa eleitoral como forma de busca pelo Poder.
O Americas Quaterly, publicação destinada a passageiros da classe executiva das principais companhias americanas e a embaixadas, descreve em sua última edição a política brasileira da seguinte forma:
“Em 193 anos de independência, o Brasil experimentou apenas 44 anos de democracia plena, nos períodos de 1946-1964 e de 1989 até o presente. Durante esses anos, um presidente se suicidou com um tiro no coração; outro renunciou abruptamente após sete meses no cargo, ficou bêbado e embarcou em um barco para a Europa ; outro foi cassado por corrupção e outro foi deposto pelos militares. Tudo dito, apenas uma vez nos últimos 50 anos um presidente brasileiro eleito entregou o poder a um outro presidente eleito de um partido político diferente[1] .”
Desta forma, a luta pelo impeachment de Dilma, sem nenhum dos pré-requisitos constitucionais, implica a volta da instabilidade institucional no Brasil. Não é sem consequências que se coloca no primeiro time da história figuras como Kim Kataguiri e Marcello Reis. Uma vez alçados ao primeiro time da política, não voltarão pacificamente a insignificância política.
Nesse sentido, é importante observarmos o quanto o presidente do maior partido de oposição já é refém político de grupos radicais de direita e que os atentados terroristas ao Instituto Lula e ao PT são resultados direitos da criação do clima do impeachment.
O resultado a esquerda também seria um recrudescimento do autoritarismo. Revolução, guerrilha e sabotagem voltariam a fazer parte do léxico da esquerda. Afinal de contas, por que apostar em processos eleitorais que podem facilmente ser revertidos por qualquer grupelho radical?
A possibilidade do surgimento de uma instabilidade institucional crônica após o golpe paraguaio não escapou ao Americas Quarterly.
“Mas se Rousseff é deposta agora, sem um pingo de provas contra ela, não haveria como não garantirr um retorno à instabilidade crónica do passado do Brasil. O Impeachment poria fim à ideia de que o país tinha mudado, e um novo respeito pelos resultados eleitorais haviam surgido. Impeachment, e todas as suas variações, se tornaria uma opção viável para constranger todos os presidentes do Brasil nos próximos 30 anos. ”
O Brasil hoje possui empresas de padrão global como Ambev, Embraer, Itaú. Vale, JBS e Petrobras. A volta da República das Bananas traria, além de prejuízos aos negócios, a consolidação de um status da elite nacional de subclasse no capitalismo mundial, de representantes do atraso político.
[1] Americas Quartely: Janio Is Coming: The Return of the Old Instável Brasil. http://www.americasquarterly.org/content/janio-coming-return-old-unstable-brazil
Odonir Oliveira
11 de agosto de 2015 6:52 pmDrummond faz crítica à imprensa em texto inédito
Do Observatório da Imprensa
Drummond de Andrade faz crítica da imprensa em texto inédito
Por Marcos Caldeira Mendonça Reproduzido do jornal O Trem Itabirano
Atenção, jornais que circulavam em Itabira no início dos anos 80 e não exibia o título O Cometano alto da capa: para Carlos Drummond de Andrade, todos os senhores eram ruins de texto e vendidos à empresa Vale, então estatal. Essa crítica está em carta enviada pelo poeta ao professor e advogado Arp Procópio de Carvalho, em 25 de maio de 1980. “São folhas mal escritas e todas dependentes do controle econômico da Vale, a que não escapam as próprias autoridades municipais”, escreveu o autor de Boitempo.
Trinta e cinco anos depois, quase todos os jornais da cidade natal de Drummond continuam mal escritos, porcamente escritos, bizarramente escritos, tão vergonhosamente escritos que correm o risco de prestar valioso serviço às faculdades de comunicação: serem ótimos exemplos de péssimos jornais. Dá até para imaginar professores com exemplares em riste: “Moçada, veja aqui na minha mão, assim não deve ser escrito um jornal”.
Sobre a dependência econômica, mudou muito nessas três décadas e meia, é bem diferente hoje. Os jornais não mais se vendem à mineradora Vale, que raramente anuncia na imprensa local, mas à prefeitura e à câmara de vereadores. Os anúncios oficiais vêm com tapa-olhos, tapa-boca e tapa-ouvidos.
Na época em que o poeta assinou a carta, estava com apenas cinco números o mensário O Cometa, fundado em novembro de 1979 e que manteve importante relacionamento epistolar com Drummond. Radicado no Rio de Janeiro, o itabirano percebeu logo a importância do novo jornal, mas neste deu duas chineladas certeiras: devia melhorar a linguagem e parar de imitar oPasquim. Faça diferente ou melhor, ensinam críticos literários.
Mesmo sem deixar de papagaiar o hebdomadário carioca, numa página escrevendo de forma largada, noutra imprimindo textos mais palatáveis, variação causada pela diversidade de colaboradores, O Cometa se tornou drummondiano de sete faces, com a gostosa cumplicidade do poeta, que virou cometiano de longa cauda. Ao jornal, enviou poemas, crônicas, sugestões e cheques para assinatura. Alguns veem nessa relação um retorno do poeta à cidade natal, que visitou raríssimas vezes depois que se mudou.
O Cometa ainda circula, com periodicidade de Halley, de 76 em 76 anos, mas é outro jornal, não mais aquele com o qual Drummond se correspondeu. Editado em Belo Horizonte, perdeu a seiva itabirana, adotou uma nostalgia quase doentia das décadas de 60 e 70 e tornou-se adorador do Partido dos Trabalhadores, numa órbita bem maniqueísta: só o PT é bom partido, só os petistas são corretos; os outros partidos não prestam e as demais pessoas estão todas equivocadas. Um jornal pode defender o que quiser, mas não convém ser casuísta, cego, submisso.
Apesar dos poréns, sempre vale uma conferida no atual O Cometa, pois publica divertidas charges, cartuns e caricaturas e bons textos sobre urbanismo e música, entre outros assuntos, em bem-sucedida diagramação.
A carta que Drummond enviou a Arp Procópio não foi exclusivamente para criticar os jornais itabiranos. Antes de fazê-lo, o poeta menciona fotos em que aparece uma propriedade de um irmão dele, comenta sobre a chateação que lhe rendeu a badalação acerca do cinquentenário de estreia nas letras e se queixa de doença no rosto.
A missiva foi passada a O TREM pelo psicólogo e escritor itabirano Lúcio Vaz Sampaio, que editou O Cometa nos bons tempos do astronoticioso. Segue a íntegra da carta:
A carta de Carlos Drummond de Andrade
Rio, 25 de maio, 1980
Caro Arp,
Pelas fotos, mal reconheço o Retiro dos Angicos, do meu saudoso e silencioso irmão Vivi (era um homem que depositava a língua na Caderneta de Poupança). Em todo caso, vamos lá. A varanda da casa-grande (como se a gente tivesse esse luxo besta dos pernambucanos, de chamar a casa de vivenda “casa-grande”!) há de ser a mesma, com as tristes desconhecidas que lá estão, formando a família Manduca Duarte. O curral coberto é igual a todos os currais cobertos do País das Minas. A terceira foto, confusa vista panorâmica, dá ideia do [ilegível], imaginando-se a escada de acesso à esquerda, solução essa muito própria das fazendas mineiras. Mas o Retiro não era o Tanque – são duas propriedades distintas, ao que me conta a combalida memória. De qualquer modo, meu caro, descobri há muito tempo que “Minas é uma coisa só”. Pelo quê curti as fotos com nostalgia mineira e ora lh’as devolvo com os meus agradecimentos. Esse lh’as está muito fora de moda, eu sei, mas o fantasma do Mestre Emílio me impele a usá-lo.
Olhe, essa badalação de cinquentenário da estreia, para um homem que está beirando os 78, foi meio chata, e tudo que menos podia corresponder ao meu jeito que você bem conhece. Não sirvo para isso; enfim, passou, e cultivo agora uma herpes-zóster que nem a medicina oficial nem as sábias benzedeiras domiciliadas no Rio souberam dominar. É uma dor na face esquerda do rosto, seu compadre, que eu não desejaria aos piores inimigos. Em uma boa linguagem: cobreiro.
Você não me chateou absolutamente com a sua carta rodoviária de 77, que eu respondi a 16 de julho, segundo apontamentos a lápis que pus no alto da mesma. E por que me chatearia, se pensávamos e sentíamos igual, você com a superioridade de ter vivido a estupidez dos inquéritos com ânimo forte, ao passo que eu escrevia no jornal o que me deixavam escrever, e era nada ou pouco?
Também gosto dos garotos do Cometa Itabirano: acho que eles, fazendo força e se disciplinando o mínimo que é necessário para fazer pontualmente um jornal, poderão prestar grande serviço à nossa Itabira. Como você sabe, o que existe por lá são folhas mal escritas e todas dependentes do controle econômico da Vale, a que não escapam as próprias autoridades municipais, mesmo as mais bem-intencionadas. Acho também que o Cometa deve abandonar o vício de imitar o Pasquim, que é fenômeno carioca nunca adaptável a uma formação social ainda muito sentimentada como a da velha Itabira; e escrever para a nova formação, adventícia e incaracterística, no estilo que ela usa [ilegível], mas algaravia, a meu ver para isso não vale a pena fazer um jornal. O Cometa pode e deve dizer verdades que os outros jornalecos não estão em condições de dizer, mas pode fazê-lo em melhor linguagem e mais apurada, com uma seriedade mesclada de bom humor. Está de acordo?
Anotei o seu novo endereço, e que posso desejar ao casal, sob o signo de meu poema, senão que seja feliz, na medida em que a vida o permite e nós mesmos o ousamos? Pois afinal a vida nos é dada para que a gente saiba construí-la ao sabor da nossa imaginação e da nossa força de modelar a realidade.
Para não fazer discurso besta, paro aqui, com o pensamento mais carinhoso para os dois. Seu velho e grato amigo, que o abraça apertado. Carlos
***
Marcos Caldeira Mendonça é jornalista e escritor itabirano, editor do jornal O TREM Itabirano.
Cláudio José
11 de agosto de 2015 8:41 pmQUE DEUS E OS ANJOS OS AJUDEM
Objetos pessoais de Chico Xavier vão a leilão em MG
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Carlos Eduardo Cherem
Do UOL, em Belo Horizonte
11/08/201514p0 Ouvir texto 0:00 Imprimir Comunicar erro
Divulgação/Rotary Clube Uberaba
Objetos que pertenceram ao médium Chico Xavier serão leiloados
Um busto e os característicos boné e óculos de lentes grossas, além de uma flanela, que pertenceram ao médium Chico Xavier (1910-2002) serão leiloados no dia 29 de agosto na cidade mineira de Uberaba (477 Km de Belo Horizonte).
Não há um lance mínimo para o lote –que inclui todos os itens–, mas a estimativa dos organizadores é de que possa ser arrecadada uma cifra superior a R$ 6.000.
Os objetos foram autenticados pelo herdeiro do médium, o dentista Eurípedes Humberto Higino dos Reis, responsável pelo acervo de Chico Xavier, e doados para o Rotary Clube Uberaba.
Com o Leilão Beneficente Arca de Noé, evento realizado anualmente em Uberaba, o Rotary vai arrecadar fundos para entidades assistenciais do município. A reportagem do UOL não localizou Reis para comentar o leilão.
Além dos objetos que pertenceram ao médium, serão leiloados 150 itens como pequenos animais (gatos e cachorros), pinturas, esculturas, joias, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, produtos agropecuários, máquinas, equipamentos e implementos agrícolas.
A estimativa dos organizadores é de que o leilão possa arrecadar valores superiores a R$ 150 mil.
O dinheiro arrecadado será doado para o Hospital Dr. Hélio Angotti e a Escola para Surdos Dulce de Oliveira.
O leilão acontece no Jockey Park, o clube mais sofisticado de Uberaba. A arrecadação beneficiará as duas instituições com 50% da renda para cada uma delas.
Segundo o presidente do Rotary Uberaba, Arlindo Félix, os recursos serão utilizados na compra de medicamentos para o Hospital Dr. Hélio Angotti, com 90% dos pacientes atendidos pelo sistema público, e para a aquisição de aparelhos auditivos para 40 alunos, com deficiências auditivas, da Escola para Surdos Dulce de Oliveira.
Fernando J.
11 de agosto de 2015 9:20 pmAlfredito, o rei de Havana
11/08/2015 00:04:00
João Pimentel: Alfredito, o Rei de Havana
Entre professores, jornalistas e políticos, todos com a missão de compreender a vida do povo cubano sob o prisma do fim do embargo americano
O Dia
Diziam: ‘Alfredito, fica mais um pouco’. Até pizza eu servi para os turistas.”Foto: Divulgação
Rio – O Bip Bip é um reduto sambístico de Copacabana, bunker da melhor música brasileira e de gente que propõe um país melhor sob a bênção do Alfredo Jacinto Melo, o popular Alfredinho. Este pequeno grande homem é reconhecido pelos esporros que dá em quem atrapalha a música ou joga um cigarro no chão, mas, principalmente, pelo coração grande demais para o seu tamanho.
Era um domingo de junho. Fui lá para conversar com o amigo de muitos anos e esporros, quando ele me conta que iria para Havana com uma turma que incluía o jornalista e ex-guerrilheiro Cid Benjamin e o ex-deputado Milton Temer, outros dois amigos de longa data. Rapidamente me incluí no grupo, não sem que antes minha participação na viagem fosse avalizada por uma pequena votação, feita ali mesmo, na calçada da Rua Almirante Gonçalves. Aprovado, no dia seguinte comprei o pacote de oito dias. No sábado retrasado, dia 1º, partimos em um grupo de dez para a ilha. Além dos quatro já citados, o jornalista e professor Vitor Iório, Passarinho, Baiano, Mario de Oliveira, Zé Luiz, um amigo de Alfredinho dos tempos de Bangu e o jovem Pedro, filho de Passarinho. Enfim, a turma do Bip na ilha de Fidel.
Entre professores, jornalistas e políticos, todos com a missão de compreender a vida do povo cubano sob o prisma do fim do embargo americano, Alfredinho tornou-se o porta-voz da brasilidade. Com seu jeito franco, carismático e teatral pode-se dizer que tornou-se, por uma semana, o Rei de Havana. Não o personagem bizarro do livro de Pedro Juan Gutiérrez movido a rum e sexo, mas um rei improvável.
Alfredo não dava pitacos nas discussões políticas, apenas observava e quando a conversa esquentava, intervinha com sua voz rouca: “Agora é a vez de fulano falar. Beltrano, fica quieto”. No primeiro dia, na piscina do hotel, surgiu com uma camisa do Madureira em homenagem a Che Guevara, lançada em 2013, por conta dos 50 anos de uma excursão do tricolor suburbano à Cuba. Pediu uma abrideira, uma pizza — porque havia perdido o café da manhã —, e ficou por ali. Quando voltei de uma caminhada, ele ainda estava ali no maior papo e já tinha ganho o apelido de Lula. Até o fim da viagem, ele era o único de nós que era conhecido pelo “nome” entre os empregados do hotel.
Alfredinho, ao ouvir uma crítica sobre a praia de Varadero, indignou-se. “Quando fui para lá da outra vez, levei umas fitas de samba da Cristina Buarque. Os caras ficaram loucos, não me deixaram sair mais. Fomos até as cinco da manhã. Diziam: ‘Alfredito, fica mais um pouco’. Até pizza eu servi para os turistas.”
Monoglota, Alfredo era o único também que não arriscava uma palavra em portunhol. Segundo amigos, ele se faz entender com seu português e uma mímica que não quer dizer muita coisa até na Rússia. Convencido por Baiano, um fã de Ernest Hemingway, a conhecer a casa onde o escritor morou em Finca Vigia, e onde criou ‘O Velho e o Mar’, Alfredito se engraçou com uma jovem guia e, orientado por uma funcionária diante do argumento de que o banheiro era longe demais, fez um xixi nos fundos da casa do velho Hemingway. Antes de ir embora, ainda cantou um samba-enredo da Tupi de Brás de Pina como se estivesse ali, no seu reino encantado de Copacabana.
Emanuel Cancella
12 de agosto de 2015 2:05 pmO Globo
A Globo e o Lava Jato caem no ridículo para atacar Lula
Primeiro, o Jornal Nacional divulgando a notícia,publicada na revista Veja,vinda do Lava Jato, na véspera da eleição, com a reportagem mentirosa de que lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobrás.
Por ser falsa a denúncia,o TSE proibiu a divulgação inclusive por ser propaganda eleitoral em favor do candidato Aécio Neves,ainda mais no momento em que a propaganda eleitoral já estava proibida.
Dilma ganhou a eleição, o Globo, Veja e o Lava Jato não pediram desculpa à sociedade pela notícia mentirosa.
O TSE, como de outras vezes, deixou barato, sim porque a mesma Globo fez parecido em 1989,quando armou e se deu bem a favor do seu candidato Fernando Collor de Mello, divulgando depois do período permitido pela lei eleitoral o debate entre os candidatos Lula e Collor.Só que a Globo passou no Jornal Nacional e no Fantástico os melhores momentos de Collor. Na ocasião, por se negar a divulgar a farsa a favor de Collor, o brilhante jornalistaArmando Nogueira, Diretor de Jornalismo da Globo, pediu demissão e a Globo botou outro diretor para levar avante a farsa.
Agora vem a Globo, em 12/8, direto de vazamento do Lava Jato, de novo,em manchete principal do jornal, com a armação de que o dinheiro de propina teria financiado a construção do prédio onde Lula é proprietário. Então todos os donos de apartamentos são suspeitos, não é só o Lula?
Esse tipo de imprensa mentirosa e criminosa tinha que acabar no país. Como nada de mais grave acontece com a Globo, Lava Jato e Veja, eles tripudiam.
Até que o Brasil, como todo mundo desenvolvido, tenha uma lei que regule as comunicações no país.
Aliás, quando se fala em regular os meios de comunicação, como acontece com toda concessão pública no país, a Globo alerta, de que querem acabar com a Globo, que isso seria mordaça, etc.
E o que a Globo, o Lava Jato e a Veja fazem é o quê?
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
Rio de Janeiro, 12 de agosto de 2015
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
http://emanuelcancella.blogspot.com.br/