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36 Comentários
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  1. Gilson AS

    18 de dezembro de 2013 2:54 am

    É muita cara de pau !

    JEFFERSON QUER GARANTIA DE SALMÃO EM PRESÍDIO

    Edição/247 Fotos: Folhapress | Reprodução: http://www.brasil247.com/pt/247/rio247/124336/Jefferson-quer-garantia-de-salm%C3%A3o-em-pres%C3%ADdio.htm.A defesa do delator do “mensalão” enviou ao STF documento em que solicita que a administração do presídio do Rio de Janeiro que irá recebê-lo informe se conseguirá ou não servir a dieta especial receitada pelo médico particular do condenado; na lista de alimentos está geleia real, salmão defumado, sucos batidos com água de coco, mel de abelhas e frutas frescas; a manutenção de dieta e acompanhamento nutricional são “imprescindíveis” à sobrevivência dele, alegam os advogados; caberá ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, encaminhar ou não o pedido ao serviço carcerário do Rio de Janeiro

    1. antonio francisco

      18 de dezembro de 2013 10:46 am

      doenças e alimentos

      Sobre o caso do Jeferson nada posso dizer, porque nada sei a respeito da doença dele.

      Mas posso contar aqui que conheci uma mãe que ficou desesperada ao verificar que a filha entrava em convulsões a cada vez que era alimentada com aquelas papinhas para bebês após os 6 meses de idade. A mãe teve sorte de consultar um excelente pediatra que trabalhava em hospital público e ele, após as verificações e exames, concluiu que a criança não podia consumir carnes de boi, de porco, de aves  – e recomendou à mãe que passasse a alimentar a criança com carne de rã.

      Na época, o único centro fornecedor de carnes de rã conhecido ficava no Rio, onde a mãe tinha parentes – e ela conseguiu remessas regulares de carne de rã.

      Resultado: nunca mais a filha teve qualquer problema alimentar e cresceu saudável e bonita.

      Espero que a Justiça brasileira juntamente com a medicina possam chegar a consenso para  punir Jeferson com a pena correta. (Ele foi julgado e condenado a pena de PRISÃO, e não à pena de morte). 

      1. Marly

        18 de dezembro de 2013 1:26 pm

        A doença de Jefferson

        Segundo ele próprio afirmou, está curado de sua doença. A única doença que deve ter é na consciência, se é que ainda a possui.

    2. Marly

      18 de dezembro de 2013 11:40 am

      Um deboche!

      Como faz parte de sua personalidade, além de todos os terrríveis defeitos, que fazem de um homem um ser medíocre e pequeno, ele debocha de todos os brasileiros e, até mesmo do STF! Geleia Real, sucos feitos com água de coco e, pasmem salmão defumado que deve custar  130,00 reais o  quilo!  Manjar dos Deuses! Só que ele não é um Deus. É uma das criaturas mais daninhas que aconteceu na política de nosso país. Um ser despresível desde mesmo antes de entrar para a política, para despudoradamente enlameá-la. É isso Gilson!

  2. Gilson AS

    18 de dezembro de 2013 3:24 am

    Piora estado de saúde de Billy Graham.

    Piora estado de saúde de Billy Graham e ‘esta pronto para ir para casa do Senhor.

       http://padom.com.br/piora-estado-de-saude-de-billy-graham/#.UrD0LEZIP_k.twitterbilly-graham-95-anos 

    raham disse a uma estação de televisão que a saúde de seu pai “tem diminuído um pouco nos últimos dias. Nem tenho certeza se ele sabe que Nelson Mandela morreu. Ele não foi capaz de recuperar a sua força de novo. Seus sinais vitais estão bons. Está fraco e em casa”, disse ele.

    O evangelista completou 95 anos no início de novembro, um mês depois ficou internado em um hospital para realizar testes em seu sistema pulmonar. O pregador tem sofrido com problemas respiratórios durante anos.

    Franklin Graham, que lidera Associação Evangelística Billy Graham e Bolsa do Samaritano, fez as declarações durante uma cerimônia realizada na Biblioteca Billy Graham, para recolher caixas de sapatos cheias de presentes para crianças carentes, que serão entregues no Natal.

    Depois de sua última internação, Franklin Graham, escreveu em um comunicado dizendo que “Meu pai esta animado e está rodeado de pessoas que se preocupa com ele e o amam. Ele esta em boas mãos. As orações das pessoas que oram pela saúde de meu pai sempre serão apreciadas”

     

  3. Tenente Aldo Raine

    18 de dezembro de 2013 6:03 am

    Luis,talvez você tenha

    Luis,talvez você tenha cometido um erro de avaliação quando afirma que Serra jogou a toalha.Pessoas como Serra,que se alimentam de ódio,não jogam a toalha,não agem dessa forma, Luis.A minha avaliação e que Serra recuou a tropa para atacar por trás.E típico dele,traiçoeiro como é.Pode anotar,a estratégia dele partira do Helicóptero do Pó.Ele vai fundo na história.Vai não,já está,pois já deu indicações claras sobre isso.A autofagia só acabará,como nos jogos olímpicos da Romã antiga,os dois se matam.A eleicao presidêncial de 2014 corre sério risco de ser decidida por WO.Dudu Traíra nunca foi nem será páreo para Dilma,se não pular fora antes.Fica aquela máxima que já coloquei aqui e você sabe melhor quê eu.Enquanto Serra viver,Aecio não será presidente e vice versa.E autofagia em seu estado mais puro.

  4. Assis Ribeiro

    18 de dezembro de 2013 8:38 am

    Coca-Cola e a luta territorial dos índios brasileiros

    Transnacional compra açúcar de uma empresa estadunidense envolvida na luta territorial dos índios guaranis, no Brasil

    da Adital

    Os índios guaranis do Brasil vêm solicitando à Coca-Cola que deixe de comprar açúcar da gigante do agronegócio dos Estados Unidos (EUA), Bunge, que está envolvida em um escândalo de apropriação de terras.

    Um informe recente, da Oxfam, revela que a Coca-Cola está adquirindo açúcar da empresa que, por sua vez, compra cana-de-açúcar de terras roubadas dos guaranis para produzir biocombustíveis “manchados com sangue indígena”.

    Um porta-voz dos índios declarou à Survival Internacional: “A Coca-Cola deve deixar de comprar açúcar da Bunge. Enquanto essas empresas se beneficiam, nós nos vemos forçados a conviver com a fome, miséria e assassinatos”.

    Os 370 guaranis da comunidade de Jata Yvary, no estado brasileiro do Mato Grosso do Sul vem perdendo a maior parte de suas terras ancestrais para as plantações que vendem cana de açúcar para a Bunge, e estão condenados a viver em uma diminuta parcela de terra completamente ilhada por essas plantações.

    Os índios padecem de problemas graves de saúde como resultado do uso dos pesticidas nas plantações. Eles lamentam a perda de sua florestas, de onde obtinham alimentos, plantas medicinais e refúgio.

    Arlindo, líder de Jata Yvary, explica em um lamento emocionante: “(Os proprietários de terras) estão destruindo quase tudo, nossa fruta nativa, nossos recursos. Espalham pesticidas de aviões. As crianças ficam com dor de cabeça e vomitam”. 

    Os guaranis são o outro lado da crescente demanda mundial de biocombustíveis. A maior parte da terra das tribos foram roubadas e ocupadas por proprietários de terra poderosos, que utilizam como pasto para o gado e para a produção de soja e cana de açúcar.

    Os líderes guaranis estão sendo perseguidos e assassinados sistematicamente enquanto lutam por seus direitos territoriais. A situação desesperadora que atravessa a tribo levou muitos de seus integrantes a se suicidarem: há registros de uma taxa de suicídio 34 vezes superior à média nacional do Brasil.

    Ambrósio Vilhava, guarani conhecido internacionalmente por sua interpretação no premiado filme Birdwatchers, que mostra a situação dos índios guaranis, foi o último líder assassinado.

    A Coca-Cola se comprometeu recentemente com a política de tolerância zero da Oxfam, diante da acumulação de terras e a “reconhecer e preservar os direitos das comunidades e povos tradicionais para manter o acessoa à terra e aos recursos naturais”.

    A Survival pediu à Bunge para que deixe de comprar cana de açúcar procedente das terras guaranis, se comunicou com a Coca-Cola e pediu, repetidamente, às autoridades brasileiras para que demarquem a terra guarani com a máxima urgência, antes da Copa do Mundo de 2014.

    Stephen Corry, diretor da Survival Internacional, declarou hoje que: “As empresas multinacionais são mestres em desviar as críticas com promessas de mudanças, mas sua política não serve de nada quando esta não é acompanhada de ações concretas. Para levar a sério o compromisso da Coca-Cola, a empresa deve deixar de comprar açúcar proveniente da Bunge. Enquanto o acordo com essa empresa perdurar, a promessa da Coca-Cola contra a acumulação de terras não tem sentido”.

    http://www.brasildefato.com.br/node/26907

     

  5. Assis Ribeiro

    18 de dezembro de 2013 8:42 am

    Notaram que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande

    Notaram que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa?
     

    Por Max Altman

    Crucial vitória de Nicolás Maduro, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e da Revolução Socialista Bolivariana; contundente derrota de Henrique Capriles, da MUD e dos setores golpistas de oposição; agora a atacar e resolver os problemas da economia e avançar nas conquistas sociais.

    “Dedicaram-se, durante todo o ano de 2013 e, principalmente, após a morte de Chávez, a sabotar a economia, a sabotar o sistema elétrico, à desestabilização, ao caos, à guerra psicológica. Trataram de converter eleições municipais em plebiscito. E o que ocorreu: o triunfo da Revolução Socialista Bolivariana derrotou os planos golpistas da direita.”  Nicolás Maduro

    Notaram, meus caros amigos e amigas, que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa quando antes do 8 de dezembro enchiam suas páginas vaticinando a ‘débâcle’ do governo Maduro pelos inúmeros enviados especiais e correspondentes?

    Disseram que era um plebiscito e foram com tudo. Os oligarcas são sempre insolentes. Ainda mais se são apoiados pelos Estados Unidos. Contavam que o empurrão definitivo para derrocar Maduro viria com o 8 de dezembro. Estavam cuidando dessa tarefa fazia meses. Remarcação de preços de todos os produtos muito acima da inflação, provocando desespero na população, desabastecimento induzido, sabotagem elétrica, açambarcamento, insegurança. (E mais erros do próprio governo, que as manchetes gritantes dos jornais, rádios e televisão punham em evidência). O mesmo cenário que se havia preparado para Salvador Allende antes do golpe de 1973. Desde os Estados Unidos, Roger Noriega escreveu e descreveu a tese do colapso total, que seria arrematado oportunamente, quando a situação ficasse insustentável, pelo exército norte-americano. Que a Venezuela tem demasiado petróleo. Parte importante da oposição estava de pleno acordo com esse roteiro. Por fim, o chavismo aniquilado. Fim do pesadelo. Malditos vermelhos.

    Disseram que as eleições eram um plebiscito. E estavam disso plenamente convencidos. E o repetiram El País,  ABC,  El Mundo, Clarín, The New Yor Times, Newsweek, a CNN, Fox News, RAI, Excelsior, Miami Heral, Folha de S. Paulo, O Globo, TV Globo, o Estado de S. Paulo… Todavia eram apenas eleições municipais, com suas características próprias, conhecidas em todo o mundo político. Apresentavam-se candidatos a prefeito, vereador que iriam dar conta da prestação de serviços, asfaltamento de ruas, tráfego, varrição de lixo …, coisas de município. Mas que importância tinha tudo isso? Para que perder a ocasião? Eram as primeiras eleições municipais sem Chávez. Disseram que eram mais que urnas municipais, que o chavismo sem Chávez estava ferido de morte, que o ilegítimo e incompetente Maduro ganhara a presidencial por diferença mínima e por meio de fraude, e que agora sim, agora teria que abandonar o Palácio Miraflores, por bem ou expulso pela força. Ah, se resistisse por que não envolto num saco de lona.

    Porém eis o que o povo falou:
    Fonte: http://www.aporrea.org (Clique na imagem para ampliá-la)

    Comparecimento nacional de 58.92%. (Recorde nacional em eleições similares. Na Venezuela o voto não é obrigatório.)

    1. As 335 prefeituras ficaram assim distribuídas:
    242 (72,24%) para o PSUV e aliados;
    75 (22,32%) para a MUD e aliados;
    18 (5,44%) para independentes.

    2. Das 40 cidades mais populosas, o PSUV ganhou em 30.

    3. Das 25 capitais, o PSUV conquistou 15 e a MUD 10. Se a oposição venceu em Barinas, capital do estado Barinas, governado pelo irmão de Chávez, Adan Chávez – o que foi intensamente alardeado – a Revolução conquistou Los Teques, Guaicaipuro, estado Miranda, gobernado por Capriles – o que foi escondido.

    4. PSUV e aliados obtiveram um total nacional de 5.277.491 votos; a MUD e aliados, 4.423.897. Diferença: 853.594 votos. (Cumpre lembrar que a diferença a favor de Maduro nas eleições presidenciais foi de cerca de 230 mil votos ou 1,6%.).

    5. Se levarmos em conta apenas os votos da Revolução e da Oposição teremos, respectivamente, 54,40% e 46,60. (Vale destacar, por exemplo, que entre as agremiações políticas que concorreram independentemente está o Partido Comunista, firme aliado da Revolução, e que obteve 9 prefeituras, sendo 2 sem aliança, e cerca de 1,6% dos votos ou cerca de  175 mil votos. Se acrescentarmos somente esses votos à Revolução, a diferença ultrapassa os 10 pontos percentuais.)

    6. No Estado Miranda, governado pelo líder da oposição, Henrique Capriles, o Psuv e aliados obtiveram 560.826 votos (52,1%) contra 514.796 votos (47,9%)  da Mud e aliados.

    Votação nas capitais:

    Município Libertador Distrito Capital (1.625.151 eleitores)
    Jorge Rodríguez – Psuv  –  54,55
    Ismael Garcia – Mud  –  43,34%

    Município Bolívar, Estado Anzoategui  (85.764)
    Guillermo Martínez –  Psuv  –  84,63%
    Olga Azuaje – Mud  –  14,39%

    Município San Fernando; Estado Apure (109.817)
    Ofelia Padrón –  Psuv  –  65,27%
    Yadala Abouhamud – Mud  –  32,19%

    Município Girardot, Estado Aragua (341.979)
    Pedro Bastidas –  Psuv  –  51,55%
    Tonny Real – Mud  –  45,89%

    Município Barinas, Estado Barinas  (224.115)
    Machin Machin – Mud  –  50,44%
    Edgardo Ramirez – Psuv  –  48,58%

    Município Heres, Estado Bolívar  (224.297)
    Sergio Hernández – Psuv  –  47,25%
    Victor Fuenmayor – Mud  –  40,92%

    Município Valencia, Estado Carabobo  (578.193)
    Michele Cochiola – Mud  –  54,24%
    Miguel Flores – Psuv  –  44,28%

    Município Ezequiel Zamora,  Estado Cojedes  (71.330)
    Pablo Rodríguez – Psuv  –  54,68%
    Ramon Moncada – Mud  –  36,62%

    Município Tucupita, Estado  Delta Amacuro (63.649)
    Alexis Gonzalez – Psuv  –  54,38%
    Maria Mercano – Mud  –  33,30%

    Município Iribarren, Estado Lara  (682.682)
    Alfredo Ramos – Mud  –  52,41%
    Luis Bohorquez – Psuv  –  46,04%

    Município Libertador, Estado Mérida  (168.040)
    Carlos García –  Mud  –  63,82%
    Maria Castillo – Psuv  –  33,49%

    Município Guaicaipuro, Estado Miranda  (191.070)
    Francisco Garcés –  Psuv  –  52,21%
    Romulo Harrera – Mud  –  45,89%

    Município Arismendi, Estado Nueva Esparta  (21.262)
    Richard Fermín – Mud  –  48,20%
    Luiz Dias – Psuv  –  44,38%

    Município Guanare, Estado Portuguesa  (124.094)
    Rafael Calles – Psuv  –  70,76
    Francisco Mora – Mud  –  23,97%

    Município Sucre, Estado Sucre (241.194)
    David Velásquez – Psuv  –  54,71%
    Robert Alcalá – Mud  –  42,35%

    Município San Cristóbal, Estado Tachira  (208.183)
    Daniel Ceballos – Mud  –  67,67%
    Jose Zambrano – Psuv  –  29,42%

    MunicípioTrujillo, Estado Trujillo  (43.027)
    Luz Castillo – Psuv  –  53,16%
    Luis Briceño – Mud  –  40,18%

    Município San Felipe, Estado Yaracuy  (69.258)
    Alex Sánchez – Psuv  –  49,68%
    Jose Reyes – Mud  –  46,79%

    Município Vargas, Estado Vargas  (265.837)
    Carlos Alcalá Cordones – Psuv  –  53,92%
    Fabiola Colmenares – Mud  –  37,99%

    Município Maracaibo, Estado Zulia  (944.129)
    Eveling de Rosales – Mud  –  51,74%
    Perez Pirela – Psuv  –  46,64%

    Município Metropolitano,  Alcaldia Mteropolitana  (2.474.833)
    Antonio Ledezma – Mud  –  51,28%
    Ernesto Villegas – Psuv  –  47,22%

    Município Atures, Estado Amazonas  (72.005)
    Adriano Gonzalex – Mud  –  49,57%
    Delmis Bastidas – Psuv  –  46,78%

    Município Maturin, Estado Monagas  (338.694)
    Warner Jimenez – Mud  –  38,63
    Jose Maicovares – Psuv  –  37,26%

    Município Miranda, Estado Falcón  (138.895)
    Pablo Acosta – Psuv  –  47,97%
    Victor Jurado – Mud  –  46,87%

    Município Roscio, Estado Guarico  (86.493)
    Gustavo Mendes – Psuv  –  49,88%
    Douglas Gonzalez – Mud  –  48,22%

    Dados do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela

    http://revistaforum.com.br/blogdorovai/

  6. MiriamL

    18 de dezembro de 2013 9:00 am

    A China e a revolução

    A China e a revolução bloqueada

     

    A China vive uma nova etapa: quer disputar o comércio mundial com produtos de valor agregado mais nobres e associar-se com capitais locais de outros países

     

    Tarso Genro (*)

    Imprensa Palácio Piratini/RS

     

    Compartilho, com este artigo, uma pequena reflexão sobre a Revolução Chinesa e seu estado atual, pois creio que ela é, ao mesmo tempo, a grande virada do século XXI e o “canto do cisne” de uma certa visão socialista, extraída mecanicamente, tanto  do marxismo economicista, como do idealismo voluntarista, que caracteriza algumas posições da esquerda socialista. Fica claro que estes comentários não pretendem transmitir nenhuma lição sobre o tema, nem impugnar linhas de abordagem já definidas dentro do espectro da esquerda sobre o assunto, mas manifestar uma opinião marginal sobre o tema para colaborar com um debate que será, creio eu, um dos mais importantes deste século.

    A grave contradição entre instaurar relações de produção socialistas sem ter conhecido a revolução industrial, tendo que cumprir – com forças produtivas extremamente atrasadas – agendas de desenvolvimento e promoção social, muito além das possibilidades oferecidas pela técnica e pela ciência, pela consciência de classe e pelo contingente de trabalhadores envolvidos nestas tarefas,  é a base, na minha opinião, do drama chinês para o progresso e, ao mesmo tempo, a demonstração da força extraordinária de um povo que se ergueu da miséria e do atraso e está construindo um grande país. 

    A China  será a grande potência econômica e militar do Século XXI, superando os grandes países colonizadores  e imperialistas do Ocidente industrializado, que deram as cartas ao mundo dos pobres nos últimos duzentos anos. Rússia, Estados Unidos, Inglaterra, talvez União Européia, estarão também no centro do tabuleiro mundial, olhando e interferindo  numa nova relação de forças para promover seus interesses. 

    Assim como a crise americana atual interessa ao mundo, da mesma forma que o  keinesianismo interessou a todos, para responder à crise de 29, o destino da China interessa-nos, também, em função  de duas questões adicionais: sua crise ambiental e a originalidade do seu modelo de desenvolvimento. Eles condensam tanto os problemas originários do desenvolvimento capitalista típico, assim como os ambientais  de um desenvolvimento socialista tradicional, ambos baseados numa exploração irracional da naturalidade, seja para a aceleração da acumulação (privada ou estatal), seja para concentrar lucros ou reparti-los.

    Se a China vai desenvolver alguma semelhança com um socialismo tipo “soviético”  – pensado por Lenin nos anos 20 do século passado – ou vai se encaminhar para uma espécie de “social-democracia” novo tipo, baseada na tradição milenar da centralização imperial chinesa, ainda é cedo para dizer. O que se pode afirmar, porém, é que a Revolução Cultural, iniciada nos anos 60, foi derrotada, e que a Revolução Nacional Popular, vitoriosa nos anos 50, não inaugurou qualquer estrada reta em direção ao que se pensava ser o socialismo, seja nos moldes do marxismo-leninismo tipo soviético, seja com fundamento na dogmática da Revolução Cultural.

    Se compararmos o que está acontecendo na China nos dias de hoje, com os processos históricos mais próximos – em termos de desenvolvimento industrial e organização estatal moderna – como a Revolução Industrial Inglesa, a colonização interna dos EEUU e a sua modernização industrial como sucedâneo da dominação imperialista, o grande salto industrial da União Soviética a partir dos anos 30, chegaremos à conclusão que a formação da China atual  – independentemente dos nossos juízos sobre as formas mais ou menos humanistas como estes processos se realizaram – é o mais formidável salto que um governo e um povo realizaram para melhorar a vida das pessoas e combater a miséria e a fome.

    Como diz Edward Said, “o mundo, hoje, não existe como espetáculo sobre o qual possamos alimentar pessimismo ou otimismo, sobre o qual nossos ‘textos’ possam ser interessantes ou maçantes. Todas essas atitudes supõem o exercício de poder e interesses”. O otimismo voluntarista espelhado na violência da Revolução Cultural Chinesa  (a revolução como estímulo moral para formação do homem novo desligado do passado e da tradição) e o pessimismo – de certa forma apologético – inspirado na “teoria da dependência”  (que na política torna-se defesa do desenvolvimento subordinado aos países centrais)  estão bloqueados.

    De um lado, este “bloqueio” dá-se pela impossibilidade concreta da solidariedade entre os trabalhadores no plano internacional e, de outro, pela necessidade de que os países mais fortes – em termos econômicos e militares – disputem a melhor possibilidade para, na relação com países ricos em matérias primas e em terras, obter melhores condições para fortalecer-se perante os seus rivais militares e econômicos.

    A impossibilidade da solidariedade “classista” nas lutas dos trabalhadores do mundo vem de que  a fragmentação no processo produtivo e a concorrência intra-classe  (entre os nacionais e  imigrantes),  impede programas comuns de luta contra as dominações internas e exacerba o corporativismo economicista.

    Acresça-se a isso o  fato que os países que  ainda se mantém com a retórica do internacionalismo proletário vêem, na verdade, uma revolução nos países mais débeis  -supostamente amigos-  como uma instabilidade que pode bloquear “relações de cooperação”.

    Os grandes movimentos anti-sistema da atual década, com sentido ainda que espontaneísta contra os poderes (sejam eles quais forem) vem dos jovens sub-empregados e desempregados, de uma pequena-burguesia ressentida por não poder fruir de maiores níveis de consumo, dos servidores públicos ainda com razoável nível de vida (comparados com os mais excluídos), vem  de setores libertários de certas frações de classe, sendo quase nula a ação anti-sistema dos trabalhadores “com carteira”, ou seja, daqueles que numa virada revolucionária tomariam conta não só da produção, mas do poder político.

    Lembremos: na visão marxista e tradicional da revolução, a classe operária (ou os “trabalhadores”) sujeitos da revolução, passariam a dominar, tanto o Estado, como a impulsionar a dirigir a revolução na produção, para não mais trabalharem como escravos modernos do capital.  A esfinge chinesa nos indaga sobre tudo isso: de uma parte, é um mito que os trabalhadores chineses atuais são escravos do Estado ou tenham níveis de exploração mais duros do que a média dos países capitalistas de todo o mundo, assim como é um mito de que a “ditadura do partido” domina a vida de  um bilhão e trezentas mil pessoas, a menos que se aceite que estas pessoas são seres inferiores alienados pela propaganda e pela repressão.

    O que existe na China é um regime autoritário, baseado num intercâmbio de interesses entre o Partido Comunista Chinês, que controla o aparato de Estado e exerce uma plena hegemonia cultural –em termos de valores, produção científica e artística-  e a ampla maioria do povo chinês,  cuja vida melhorou muito nos últimos trinta anos, após as reformas dirigidas pelo Presidente Teng Hsiau-ping.

    A China nunca teve uma democracia em moldes ocidentais e, se é verdade que seu modelo não cabe ser replicado a partir dos valores democráticos (ocidentais-iluministas), também é verdade que o seu regime não se manteria sem um alto grau de consenso, inclusive privilegiadamente em  amplos setores das classes trabalhadoras. Se este regime manter-se-á, ou não, à longo prazo, dependerá dos maiores ou menores benefícios concretos que ele vai aportar na vida milhões de chineses  nas próximas décadas. Mas o que creio ser certo é que se na China for adotado, em algum momento, um regime ocidental capitalista típico, o país  vai é aumentar a miséria, o crime, exclusão e  a violência social.

    Da tomada do poder em 1950,  até a Revolução Cultural na década de sessenta, a China lançou os fundamentos de uma Revolução Industrial Manufatureira com base numa exploração intensiva do campo. A partir desta base manufatureira, que se consolidou e ampliou com as reformas de  Deng na década de 80  – superados os desatinos voluntaristas  da guarda vermelha maoísta – exportando manufaturas aos bilhões e de baixo custo, a China acumulou reservas trilionárias. Este modelo se esgotou, não só pela resistência dos países importadores, como também pelas freqüentes violações às regras da OMC, após ter incluído na nova sociedade de classes trezentos milhões de chineses.

    Passa a China, agora,  para uma nova etapa: disputar o comércio mundial com produtos de valor agregado mais nobres, associar-se com capitais locais nos países que tenham  regimes de cooperação de Estado para Estado, expandir suas empresas estatais e privadas para relocalizá-las  em outros territórios, com muita terra, água e energia. Esta nova etapa da nação e do Estado chinês é que pode servir de oportunidade para países como Brasil, a Índia, a África do Sul  e para os demais países que pretendam promover cooperações interdependentes sem submissão.

    Essa cooperação só poderá ser consolidada tendo como interlocutores os BRICS, geridos  por governos legítimos em Estados democráticos fortes, aparelhados para planejar e induzir o  seu desenvolvimento econômico e social, com empresas privadas e públicas  de alta qualificação tecnológica e gerencial.

    A China, como qualquer mega-país, não estabelecerá relações de cooperação que não atendam os seus interesses históricos e as necessidades sociais do seu povo ou que prejudiquem a sua vocação hegemônica. Compete a cada país defender e preservar, sem romantismos,  “seu poder e seus interesses” – como diz Edward Said – , transformando, pelos menos por agora,  a utopia longínqua de um mundo “irmão” baseado no socialismo, pela utopia concreta de uma soma de países interdependentes,  que preservem as melhores possibilidades para enfrentarem  -através de  cooperações negociadas soberanamente-  a miséria e a exclusão.

    Em 8 de agosto de 1966 o “Pekin Informa” n.33, publicou a seguinte nota: “A luta levada a cabo pelo proletariado contra o pensamento, a cultura, os hábitos, os costumes antigos, transmitidos por todas  as classes exploradoras durante milênios, durará necessariamente um período extremamente longo. Assim, os grupos, comitês e congressos da revolução cultural, não devem ser organizações temporárias, mas organizações de massa permanentes, destinadas a atuar durante longo tempo.” 

    Levada a sério esta visão  do PC chinês, naquela oportunidade, poder-se-ia concluir que os velhos hábitos e costumes antigos ganharam na China de Teng Hsiao-ping e que a contra-revolução venceu. Mas, se a contra-revolução venceu  e tirou da miséria trezentos milhões de chineses até os dias de hoje  e tirará mais duzentos milhões até o ano de 2023, não foi bom a contra-revolução ter vencido?  Ou, quem sabe, não era uma contra-revolução?   Os velhos, as crianças antes famintas, os jovens antes pobres e desempregados, as milhões de mães que não mais viram seus filhos se esvaírem na febre e na miséria são concretos.  Talvez uma boa resposta também venha deles. Para o futuro.

    (*) Governador do Rio Grande do Sul
     

    Créditos da foto: Imprensa Palácio Piratini/RS  http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/A-China-e-a-revolucao-bloqueada/6/29814    

     

  7. Assis Ribeiro

    18 de dezembro de 2013 9:53 am

    A direita e sua aversão à política

    Os presidentes no Uol: “fdp, assassina, imbecil”

    Portal de notícias do grupo Folha, de Otávio Frias Filho, publica em sua página no Facebook uma foto do voo que reuniu a presidente Dilma Rousseff e seus antecessores rumo ao funeral de Nelson Mandela; na imagem, todos eles foram descritos com xingamentos; Dilma era “assassina”; Fernando Collor, “imbecil”; em relação a Lula e José Sarney, as mães não foram poupadas; FHC foi quem recebeu o cascudo mais leve: “fantoche opositor”

    247 – Que mancada, Otavinho! 

    Uma foto publicada no portal de notícias Uol, que pertence ao grupo Folha, de Otávio Frias Filho, foi absolutamente indecoroso com a presidente da República, Dilma Rousseff, e com todos os seus antecessores.

    Na legenda da imagem, todos eles foram agredidos.

    Dilma ganhou o rótulo de “assassina”.

    Fernando Collor, de “imbecil”.

    Lula foi chamado de “comunista filho da puta”. José Sarney, de “coronel filho da puta”.

    Com Fernando Henrique Cardoso, o Uol pegou mais leve: “fantoche opositor”.

    Para conferir, basta acessar o link, antes que seja modificado.

    O personagem que completa a imagem é Renato Mosca, chefe do cerimonial da presidência da República.

    http://www.brasil247.com/pt/247/poder/124347/Os-presidentes-no-Uol-fdp-assassina-imbecil.htm

    1. Marco Santo

      18 de dezembro de 2013 10:44 am

      Quanto a “politica” de

      Quanto a “politica” de denuncia da administração do FACEBOOK faz tão somente bloqueiar as paginas que onde constam supostas ofensas aos idolos da DIREITA, manifestadas pelos contrarios. Assim, no “FACE”- facista predomina os reaças de sempre em que nas suas paginas “deitam e rolam” sobre qualquer um. 

  8. BRAGA-BH

    18 de dezembro de 2013 10:11 am

    Aécio se coloca como candidadto da oposição
    O TEMPO
    Certo de que é o nome do PSDB, Aécio Neves lança plano

    Sem a concorrência do ex-governador José Serra, senador mineiro se coloca como candidato da oposição
     Disputa. Aécio Neves se antecipa aos adversários e lança diretrizes do plano de governo do PSDB

    PUBLICADO EM 18/12/13 – 04h00
    Tâmara Teixeira
    Enviada Especial

    Brasília. O senador mineiro e presidenciável Aécio Neves lançou ontem o que o PSDB elegeu como sendo os 12 pontos que irão nortear o programa do partido para as eleições de 2014. Apesar de adotar um discurso de mudança e “única alternativa de oposição” em relação ao governo da presidente Dilma Rousseff, os tucanos admitem que a cartilha ainda é genérica, sem propostas concretas. O anúncio aconteceu no dia seguinte à definição do ex-governador José Serra de não disputar a Presidência em 2014.
     

    Em um discurso de quase 40 minutos e em clima de campanha, Aécio mostrou como será o tom e os principais pontos que serão usados para vencer o atual governo petista. No topo da lista estão as críticas à área econômica. Ele voltou a dizer que pretende reestatizar a Petrobras e a Eletrobras. “O que o meu partido quer é reestatizar essas empresas (Petrobras, Eletrobras) tirá-las das garras de um partido político para devolve-las à sociedade brasileira”. Segundo Aécio, o país está “na velha agenda que já havíamos pensado superada, de controle da inflação”.

    Na Câmara, com uma plateia repleta de parlamentares, ele acenou para deputados e senadores, dizendo que o partido irá rever o pacto federativo e dar mais autonomia ao Legislativo. “Vamos trabalhar para que Estados e municípios não continuem vivendo de pires na mão, ajoelhados diante do poder do governo federal”, disse. “Vamos fortalecer o Legislativo que, hoje, se curva e está de cócoras para o governo federal.”

    Apesar de agir como tal, Aécio insistiu em dizer que ainda não é candidato. “Não está definida a candidatura do PSDB. O que posso dizer é que, se eu for o candidato, serei o intérprete do sentimento de muitos brasileiros. O que posso dizer é que a nossa unidade é real, para desalento de muitos de nossos adversários.”

    Aécio criticou algumas obras lentas e inacabadas do governo federal, como a transposição do rio São Francisco e o trem bala, que ele chamou de “inconsequente, que já gastou R$ 1 bilhão enquanto os metrôs continuam sem investimentos”.

    O presidenciável disse ter certeza que chegará ao segundo turno. “Vamos apresentar um projeto claro de alternância, de eficiência na gestão. Um projeto ético e ousado e, por isso, vai ao segundo turno e vencer as eleições”.

     

  9. jns

    18 de dezembro de 2013 10:14 am

    Culturas Transgênicas

    Shivani Shah

    GM Ação Livre e Limca World Record Tentativa, Delhi.

    ‘A União Europeia, a China, o Brasil, o Japão, a Austrália e a Rússia são alguns exemplos de governos que tornaram obrigatória a rotulagem de alimentos geneticamente modificados’ – Greenpeace

    A Engenharia Genética é a transferência artificial de genes de uma espécie para outra – planta ou animal. 

    Isso resulta em um organismo geneticamente modificado (OGM). 

    Como resultado, a composição genética ou o código genético do organismo é completa e permanentemente alterada. 

    O objetivo da modificação é incorporar uma determinada função – nas plantas, por exemplo – como a produção de proteínas tóxicas para eliminar pragas, desenvolvendo uma tolerância aos produtos agroquímicos como herbicidas, etc.

    Ocorre a criação de um novo organismo, utilizando técnicas de biologia molecular, que não é encontrada na natureza. 

    As sementes geneticamente modificados (GE / GM) não tem nada a ver com a segurança alimentar. 

    Monsato's GE corn

    O que está errado? 

    As evidências científicas crescentes, mostram que os transgênicos são uma ameaça potencial para a saúde humana e a biodiversidade natural. 

    Além disso, uma vez liberados no ambiente, os OGM não podem ser rastreados. 

    Há também a questão do controle das grandes corporações sobre a agricultura por meio de empresas de sementes transgênicas.  

    As empresas de biotecnologia, como a Monsant,o alteram os genes em um organismo natural ou forma de vida, como uma semente, e registra as patentes como suas propriedades. 

    Os agricultores são obrigados, então, a comprar as suas sementes e se tornam dependentes destas empresas. 

    Uma vez, estabelecida a dependência, o agricultor também terá que usar os produtos associados (agrotóxicos), como é o caso de culturas tolerantes apenas a herbicidas da Monsanto, contribuindo, assim, para a empresa ganhar rios de dinheiro tanto de suas sementes patenteadas, como de produtos agroquímicos. 

    Ao controlar a agricultura, as empresas podem controlar os alimentos e, de fato, toda a arena política, especialmente em um país agrário como a Índia. 

    Na Índia o algodão Bt é a primeira e única cultura GM cultivada comercialmente. 

    É um produto patenteado pela Monsanto, a maior empresa de sementes de biotecnologia do mundo, também conhecido pela fabricação do agente laranja, do aspartame e o DDT, entre outros. 

    Recentes documentos do governo indicam que, uma década após a aprovação do algodão Bt na Índia, não houve aumento de rendimento e nem redução do uso de pesticidas em culturas de algodão, como é reivindicado pelos desenvolvedores da tecnologia. 

    Tem, de fato, aumentados os custos de produção, alimentando assim a crise agrária existente na produção de algodão do país.

    Após o algodão Bt, o governo tentou introduzir a berinjela Bt, no final de 2009. 

    Foi a primeira safra de alimentos GM a ser comercializada na Índia, mas foi colocado em uma moratória, por tempo indeterminado, devido aos graves preocupações levantadas por cientistas, acadêmicos, ecologistas, agricultores e consumidores. 

    Enquanto a berinjela Bt ainda está em compasso de espera, a indústria tem tentado obter a liberação da comercialização de outras culturas GM. 

    O milho GM é uma das 71 lavouras geneticamente modificadas e poderá ser comercializado na Índia em breve. 

    Para ser consumido, com segurança, este produto alimentar deveria ser analisado por laboratórios independentes, considerando-se que este milho é um produto da Monsanto, que, dada a sua história duvidosa, não pode ser tomada pelo seu valor de face. 

    Além disso, o sistema de regulação indiano foi apontado como relapso em muitos aspectos.

    O Greenpeace obteve os dados sobre milho GM usando o direito de Informação, e transmitiu ao Testbiotech, um instituto de avaliação, na área de biotecnologia, para uma análise independente. 

    Na sua análise do milho da Monsanto, o Testbiotech destacou que existem muitas preocupações sobre a segurança para a saúde humana e o meio ambiente. 

    De forma surpreendente, as autoridades reguladoras permitiram a liberação, sem resrvas, do milho GM, em nome de ensaios de campo, com base nos dados de segurança gerados pela própria Monsanto, nos seus laboratórios nos EUA. 

    Este é um caso clássico de conflito de interesses que, obviamente, indica a necessidade de avaliações independentes, como tem sido apontado inúmeras vezes antes e reiterado no relatório do Testbiotech. 

    Ele também destacou que os relatórios da Monsanto eram velhos, defasados e não são relevantes no contexto indiano. 

    O governo indiano aceitou, anos atrás, testes, feitos pela Monsanto, em variedades de milho cultivados e testadas nos EUA, apesar de, naturalmente, saber que a composição genética de variedades de milho na Índia é diferente. 

    Além disso, as condições climáticas dos EUA não serão as mesmas da Índia e é impossível saber como o milho vai responder no clima e em solo indiano. 

    Existem inúmeras lacunas no estudo da Monsanto e é algo que o sistema regulatório indiano tem que ser extremamente cauteloso. 

    Monsanto Corn exposed

    Esta não é a primeira vez que problemas dessa natureza têm sido apontados e esta não será, certamente, a última. 

    Isto porque o OGM, quando liberados, são perigosos e, reconhecidamente, prejudiciais para o ambiente e para quem consome – seres humanos, animais, abelhas, borboletas ou pássaros. 

    Ainda, o governo continua a gastar o dinheiro dos contribuintes para pesquisar as culturas transgênicas, usando a segurança alimentar como justificativa. 

    O fato é que não há necessidade de culturas GM e a atual crise alimentar é o que se chama de ‘fome nos tempos de abundância’. 

    A escassez de alimentos é o resultado de políticas erradas de compras, gestão fraudulenta de ações, falta de armazenamento adequado, acumulação não padronizada e perdas maciças na distribuição pública e no sistema de entrega. 

    Hoje, a Índia produz alimentos suficientes para toda a sua população e, na verdade, existe um estoque regulador com cerca de 667 toneladas lakh, que é 2,5 vezes mais do que o ponto de referência governamental. 

    Onde toda essa comida vai parar? 

    É hora de corrigir o déficit do sistema atual, preencher as lacunas e o governo aceitar que os alimentos geneticamente modificados ou quaisquer correções técnicas não são a panaceia para a segurança alimentar. 

    O que é necessário é garantir que a agricultura seja sustentável e que sistemas de distribuição de alimentos sejam eficientes.

    Shivani Shah, ativista do Greenpeace, é militante para a Agricultura Sustentável da Índia.

    http://www.greenpeace.org/india/Global/india/graphics/2009/9/safe-food-guide.pdf

    http://news.yahoo.com/blogs/thewatercooler/gm-crops-and-the-food-security-fig-leaf-095615402.html

  10. Leandro_O

    18 de dezembro de 2013 11:47 am

    Angelina Jolie, patentes genéticas e planos de saúde no Brasil
    Será que ninguém relacionou a recente notícia da obrigatoriedade de cobertura de exames genéticos pelos planos de saúde com o caso de Angelina Jolie e os direitos de patentes envolvidos? Exame utilizado por Angelina Jolie para rastreamento de câncer é incluído na cobertura de planos de saúde brasileiros ANS ampliou os critérios para o uso de tecnologias no rastreamento e tratamento de 29 doenças genéticas. Um dos exames que passa a ter cobertura obrigatória é o do gene BRCA1/BRCA2, para detecção de câncer de mama e ovário hereditários http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/12/13/noticia_saudeplena,146839/exame-utilizado-por-angelina-jolie-para-rastreamento-de-cancer-e-inclu.shtml   CASO ANGELINA JOLIEObservatório da Imprensa: As patentes genéticas e a ‘cultura do medo’Por Cláudio Cordovil em 21/05/2013 na edição 747  

    A notícia de maior repercussão internacional na semana passada foi, sem dúvida alguma, o anúncio feito pela atriz Angelina Jolie de que teria se submetido a uma mastectomia dupla profilática, seguida de reconstrução mamária, após constatar que possuía mutação do gene BRCA1, um fator preditivo de elevado risco de câncer de mama e de ovário em alguma fase de sua vida. O artigo, intitulado “Minha escolha médica“ e publicado em seção nobre do New York Times na terça-feira (14/5), repercutiu de forma impressionante, com reações predominantes de admiração pela “bravura” da atriz e relativamente discretos comentários de especialistas sobre a cautela a ser adotada por outras mulheres na mesma situação. Não foi veiculada quase nenhuma informação mais qualificada sobre eventuais interesses econômicos ao redor da decisão de Jolie.

    É conhecida no campo da Comunicação para a Promoção da Saúde a importância atribuída pelo público (para o bem ou para o mal) a declarações de celebridades acerca do que acreditam ser boas práticas em saúde. A própria atriz não escondeu em seu artigo a justificativa do gesto de tornar público aspecto tão delicado de sua vida íntima: encorajar as mulheres a se submeterem a testes genéticos, visando verificar seus riscos aumentados de câncer de mama e ovário.

    Louvável atitude? Talvez sim, talvez não. Afinal, diz o dito popular que “de boas intenções o inferno está cheio”. A prudência recomendaria compreender o estado da arte na conduta clínica em casos semelhantes e o peculiar contexto cultural norte-americano em que tal decisão se inscreve. De posse desses dados, poderíamos avaliar a pertinência da “escolha” da atriz em termos de saúde pública, que é o que nos interessa. É importante, a esta altura, ressaltar que a “escolha” de Angelina Jolie não se dá em um vácuo cultural, econômico ou social e que a sensacional estrela também é refém das representações midiáticas do câncer de mama e da “sociedade de risco” na qual vivemos.

    Risco reduzido

    O anúncio da opção terapêutica adotada pela atriz coincide com o auge dos debates nos Estados Unidos sobre a legalidade do patenteamento de genes (e, por extensão, testes genéticos). Até o final de junho, a Suprema Corte norte-americana deverá se pronunciar sobre o tema, numa ação movida pela Associação de Patologia Molecular contra a Myriad Genetics, empresa sediada em Utah e única fabricante do teste usado por Jolie. Uma primeira audiência sobre o caso fora realizada na Suprema Corte em 15 de abril último, momento em que Jolie estava finalizando os procedimentos médicos prévios à cirurgia.

    Aoredor da decisão individual da atriz e do veredito do mais alto tribunal dos EUA gravita uma indústria que movimenta bilhões de dólares em testes genéticos. No Brasil, vimos “coincidências” semelhantes no que diz respeito à tentativa de sensibilizar o Supremo Tribunal Federal por intermédio da mídia acerca do uso das células-tronco embrionárias em pesquisas. De fato, em uma série histórica já avaliada por pesquisadores da Universidade de Brasília, 2008 foi um dos anos em que houve a maior quantidade de matérias publicadas sobre o tema. Foi também o ano em que o STF julgou (e aprovou, naturalmente,) a constitucionalidade da pesquisa com células-tronco embrionárias

    Os impactos financeiros da publicação do artigo de Jolie já se fizeram notar. Segundo o site Marketwatch, as ações da Myriad Genetics, detentora da patente do teste usado pela atriz, tiveram uma alta de 3% logo após a notícia, valor recorde nas últimas 52 semanas. Quanto mais as ações da Myriad Genetics sobem na Bolsa, mais atraente a empresa se torna para fusões corporativas no superaquecido mercado da indústria genômica. Há que se lembrar também do “Affordable Care Act”(também conhecido como “Obamacare”), que, promulgado em 2010, determina que os contribuintes paguem pela realização de testes genéticos referentes ao BRCA1.

    Mas um fato bastante curioso tem alimentado suspeitas de que a atriz tenha sido cortejada por eventuallobby para aprovação das patentes genéticas na Suprema Corte norte-americana. É que a revista Peopletrouxe como matéria de capa a “corajosa” decisão da atriz, um dia após a publicação de seu testemunho no New York Times. Com uma abordagem bastante semelhante àquela observada no artigo assinado por Jolie no NYT, a reportagem da People despertou algumas suspeitas, ao se levar em conta que suas edições são preparadas com três semanas de antecedência.

    Os fatos envolvendo o caso Jolie já são por demais conhecidos a esta altura. Tendo perdido sua mãe (aos 56 anos de idade) para a terrível doença, “após quase uma década” de luta pessoal contra a mesma, e com um risco estimado por seus médicos de 87% de ter câncer de mama (o que alguns especialistas ouvidos pela imprensa reputaram superestimado) e 50% de câncer ovariano, a “escolha” terapêutica da atriz foi por uma solução radical, quando outras menos violentas estariam ao seu alcance, segundo alguns especialistas, e com o mesmo prognóstico. Com sua atitude, acredita-se que tenha reduzido suas chances de ter um câncer de mama a 5%.

    O mito do câncer genético

    É importante ressaltar que mutações em genes BRCA1 e BRCA2 são extremamente raras, apesar de se desconhecer cifras mais precisas. Estima-se que tais mutações ocorram em 0,1% a 0,6% das mulheres, segundo o Instituto Nacional do Genoma Humano. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que o risco de uma mulher média desenvolver câncer de mama ao longo da sua vida é de 12%. Já entre mulheres de ascendência judaica asquenazi, 2,5% delas portariam uma mutação no gene BRCA1 ou BRCA2, segundo um estudo de 2012. Além disso, apenas 5% a 10% dos diagnósticos de câncer de mama tomados como um todo estão associados a mutações genéticas, entre as quais se incluem as dos genes BRCA1 e BRCA2.

    Há ainda que se levar em conta que nem toda mutação genética resulta em câncer. Muitos de nós possuímos mutações desse tipo que são clinicamente irrelevantes. E aqui entramos num cipoal de estatísticas da qual o leitor leigo é refém indefeso. Números sempre impressionam, e , lidos de forma míope, são um excelente estimulante para a “cultura do medo”. A raridade da condição clínica da atriz aconselharia cautela na adoção de mastectomias radicais por outras mulheres e, em última análise, lançaria dúvidas sobre sua pertinência como boa prática no âmbito das políticas públicas de saúde.

    De fato, o NHS, o sistema de saúde pública britânico, considerado um dos mais respeitados do mundo, aconselha mulheres na situação de Angelina Jolie a submeterem-se a um monitoramento ativo de sua condição, com mamogramas e imagens de ressonância magnética anuais, visando à detecção precoce de eventual câncer de mama. Na Grã-Bretanha, testes genéticos em busca de marcadores tumorais para BRCA1 e BRCA2 só são recomendados para mulheres em alto risco de apresentar uma mutação genética. Estão incluídas nesses casos as mulheres com história familiar consistente de câncer de mama e que tenham uma familiar em condições de ser testada para este e para o câncer de ovário. Também se incluem as mulheres com uma história familiar de muitos parentes desenvolvendo precocemente a doença (antes dos 50 anos de idade), o que é frequentemente associado com um gene “defeituoso”.

    Se quisesse reduzir preventivamente seu risco, Jolie também poderia fazer uso de comprimidos de tamoxifeno – que, acredita-se, diminuem em 50% a probabilidade da doença. No caso do pior acontecer, a atriz ainda poderia recorrer a uma lumpectomia, um procedimento de remoção do tumor muito menos invasivo e radical do que a mastectomia – uma cirurgia conservadora, na verdade.

    É claro que a atriz tem o direito de optar pelo que lhe parece mais conveniente. E é isso que me parece ter passado despercebido em toda a cobertura. Seu caráter de celebridade suscita expectativas de exemplaridade. No entanto, sua conduta não deve ser generalizada, pelo simples fato de alternativas menos traumáticas estarem postas para mulheres na mesma condição que ela. Uma condição que, repito, afeta diminuto número de mulheres.

    O problema das patentes genéticas

    Em uma perspectiva de saúde coletiva, é recomendável a testagem genética para câncer de mama de todas as mulheres? Não. Em primeiro lugar, devido a seu altíssimo custo. Além disso, as patentes de material genético humano envolvem questões problemáticas no campo da adequação legal, da pesquisa médica e científica e do acesso a cuidados de saúde, bem como problemas envolvendo privacidade, autonomia, liberdade religiosa e direitos reprodutivos. Outros aspectos envolvidos teriam a ver com a necessidade de um aconselhamento genético detalhado por geneticista profissional nos poucos casos em que eles são indicados, dado o risco de a mulher desenvolver temores infundados se resolver ler o resultado destes exames por sua conta e risco. Nos Estados Unidos, paga-se algo em torno de 3 a 4 mil dólares para realizá-lo. No Brasil, fala-se em algo em torno dos 7 mil reais.

    Seu custo elevado é devido, entre outras coisas, à pendência judicial acerca da legalidade das patentes genéticas e a insegurança jurídica dela resultante. Ao que tudo indica, como já mencionado, esta será resolvida pela Suprema Corte norte-americana até o final de junho. Se as patentes genéticas forem consideradas ilegais pela Suprema Corte, uma indústria bilionária já em franco desenvolvimento deixará de existir. Nesse sentido, o artigo de Jolie poderia soar bastante oportuno, pois ajudaria a fortalecer tendência já observada entre os juízes da Suprema Corte de votar a favor das mesmas, o que já teria sido observado por alguns analistas antes mesmo da manifestação pública de Jolie. É bom lembrar que, no início de maio, a Suprema Corte emitiu voto favorável à Monsanto em um caso envolvendo patentes de soja geneticamente modificada. Poderá seguir o mesmo critério nesta nova votação.

    Toda polêmica ao redor da legalidade de se patentear materiais genéticos humanos diz respeito a considerá-los produtos da natureza ou não. Historicamente, produtos naturais não são patenteáveis. No entanto, os defensores das patentes argumentam que os genes não seriam produtos naturais, pois teriam sido isolados e purificados pelos laboratórios, o que de alguma maneira produziria algo novo, logo patenteável. Ainda que alguns tribunais tenham decidido que produtos da natureza isolados e purificados sejam patenteáveis, as propriedades benéficas de um gene de se ligar a outro segmento de DNA para diagnóstico – ou de codificar uma proteína em particular – não teriam sido criadas pelo homem, logo impossíveis de serem patenteadas.

    Pela lei norte-americana, o detentor de patentes tem o direito de, durante 20 anos, evitar que qualquer outro indivíduo ou instituição produza, use ou comercialize determinada invenção. No campo das patentes genéticas, o monopólio exclusivo pode elevar o custo dos serviços genéticos, diminuir a qualidade destes e dos tratamentos, e comprometer o acesso aos cuidados em saúde. Sabe-se hoje que a técnica de sequenciamento empregada pela Myriad Genetics falha em detectar de 10% a 20% das mutações esperadas no gene BRCA1. Dessa forma, o patenteamento de genes pode prejudicar um paciente no sentido de tornar indisponível um procedimento médico que poderia detectar uma doença em seu patrimônio genético.

    O impacto no acesso aos cuidados em saúde já pôde ser verificado, em 1998, quando os laboratórios Smith Kline Beecham enviaram cartas aos laboratórios ordenando que parassem de realizar ou desenvolver testes para o gene da hemocromatose (HFE). O detentor da patente pedira um pagamento de taxas de 25 mil dólares aos laboratórios acadêmicos e 250 mil dólares de centros de pesquisa privados, mais um adicional de 20 dólares por teste. Por conta disso, 30% dos laboratórios de testagem de HFE que receberam a referida comunicação desistiram de oferecer a testagem ou descontinuaram a criação de serviços de testes do HFE.

    Acesso a testes diagnósticos pré-natais para este ou aquele gene podem também ser proibidos pelo detentor das patentes. A Myriad Genetics já se manifestou contrária à ideia de autorizar o uso de seu teste para o diagnóstico pré-natal de câncer de mama, talvez temendo incentivar a prática do aborto seletivo. No entanto, tal posicionamento compromete os direitos reprodutivos, garantidos pela Constituição americana, ao impedir a mulher de tomar uma decisão informada sobre o futuro de sua gravidez.

    Por essas razões, o Comitê de Assuntos Legais e Direitos Humanos do Conselho da Europa e a Unesco concebem os genes como Patrimônio Global da Humanidade. Além disso, em várias partes do mundo as patentes genéticas têm sido questionadas por tribunais, parlamentos, centros de pesquisa, grupos indígenas e associações de pacientes.

    A “cultura do medo” do câncer de mama

    Os estudiosos em representações midiáticas da saúde/doença já se acostumaram a ver certa ênfase nos riscos e perigos da vida moderna como um fetiche cultural muito apreciado pelos jornalistas. Entre esses riscos, destacam-se aqueles temores ligados à saúde.

    Suscitar temores infundados desperta um efeito de entretenimento na audiência, aumentando o consumo dos produtos midiáticos e transformando a resolução de tais incertezas (como no caso de Jolie) em uma atividade duplamente prazerosa. Afinal, em nossas vidas ordinárias, as estratégias empregadas para gerenciar riscos reais são, na maior parte das vezes, ocultados de nossa consciência pelo que possuem de rotineiro. A dimensão épica que tais problemas rotineiros assumem quando narrados pela mídia e sua resolução quase heroica produzem um efeito catártico sobre a audiência.

    A construção social do câncer de mama como uma “epidemia” tem sido objeto de algumas pesquisas bastante interessantes na área dos estudos midiáticos. Lantz e Booth, em 1998, verificaram que os dados epidemiológicos das décadas de 1980 e 1990 nos Estados Unidos mostravam um incremento de 30% na incidência dessa doença, mas este era um artefato provocado pelo aumento do uso de mamogramas. No entanto, segundo esses autores, artigos sobre o tema publicados nas revistas populares norte-americanas entre 1980 e 1995 relatavam um “aumento vertiginoso” e “misterioso” na incidência, sem mencionar sua verdadeira razão.

    Outro viés muito comum em tais reportagens é retratar como maiores vítimas da doença mulheres de raça branca e mais jovens, o que está longe de ser verdadeiro. Na verdade, a carga da doença sobre mulheres afrodescendentes e mais velhas é muito mais expressiva. Em 1997, Johnson constatou que leitoras frequentes de artigos sobre câncer de mama em revistas são mais receosas da doença do que aquelas que não leem tais reportagens.

    Mas, no que se refere a Angelina Jolie e sua “escolha”, o mais interessante estudo já feito é de 2000. Nele, Press e colaboradores já manifestavam preocupação de que testes para os genes BRCA1 e BRCA2 poderiam suscitar um aumento no número de mastectomias profiláticas. De fato, já há quem fale de uma verdadeira epidemia de mastectomias nos EUA.

    É o caso de Isabelle Bedrosian, oncologista do M. D. Anderson Cancer Center, em Houston. “Penso que a comunidade médica tem reparado. Nós não temos dados que sustentem que esta é uma necessidade oncológica. Então, por que as mulheres estariam fazendo tais escolhas?”, indaga, em reportagem publicada no New York Times (21/1/2013). O mais curioso é que tal movimento das mulheres a favor de mastectomias nos EUA representa uma negação daquele outro que, na década de 1970, levou muitas ativistas de saúde a questionarem a rapidez com que os cirurgiões decidiam extirpar seios, com resultados desfigurantes.

    Para o chefe da Oncologia Cirúrgica da Universidade de Minnesota, Todd Tuttle, em matéria publicada recentemente no New York Times, repercutindo a decisão de Jolie, não há mais consciência sobre o câncer de mama entre as mulheres, mas sim uma “consciência exacerbada”. “Em muitos casos, as mulheres superestimam seu risco de câncer. Você pode até atribuir o aumento no número de mastectomias a uma melhor compreensão da genética ou maior domínio das técnicas de reconstrução [mamária], mas isto também está disponível na Europa e você não observa lá esta febre de mastectomias”.

    Shicha Kumar, professora assistente do Roswell Park Center Institute, em Buffalo, Nova York, afirmou em matéria publicada pela Popular Science,no rastro do caso Jolie, que muito de todo esse burburinho tem a ver com o medo. Afinal, estudo da Universidade de Michigan de 2012 revelou que aproximadamente 90% das mulheres que optaram pela mastectomia dupla fizeram isso por receio de a doença migrar para a mama saudável. No entanto, 70% dessas tinham um risco verdadeiramente muito baixo de isso ocorrer. “O risco de um câncer de mama contralateral na população geral de mulheres com história anterior da doença é de 0,7% a 1% ao ano, com um risco cumulativo ao longo da vida de cerca de 15%, segundo um estudo de 2005”, afirmou a professora.

    Pinkwashing

    Outro problema apontado pelos analistas da “cultura do medo” do câncer de mama é o fenômeno conhecido como pinkwashing. Inspirado no termo greenwashing, o neologismo descreve “as atividades de empresas e grupos que se posicionam a si mesmos como líderes na luta para erradicar o câncer de mama enquanto lançam mão de práticas que podem estar contribuindo para o aumento ora observado da incidência da doença”.

    Este é o caso de uma gigante do mercado mundial de cosméticos com atuação no Brasil há mais de 50 anos. Em 2001, a empresa lançou seis novas tonalidades de batons com renda revertida para a campanha contra o câncer de mama. Acredita-se que esses batons contêm em sua composição os chamados “disruptores hormonais”, que estão relacionados à doença. O uso de disruptores hormonais em cosméticos é intenso e não é proibido pela legislação americana. Segundo a Coalizão de Massachussets contra o Câncer de Mama, mais de 250 produtos dessa empresa são listados em uma base de dados relacionando riscos à saúde por cosméticos como “altamente preocupantes”, devido à presença de disruptores hormonais, neurotoxinas e possíveis agentes carcinogênicos. É importante destacar que a vigilância sanitária envolvendo os cosméticos é muito menos rigorosa do que aquela ligada aos medicamentos, tanto nos EUA como no Brasil.

    Mas a maior crítica feita a essas organizações que faturam bilhões de dólares com a promoção de “caminhadas contra o câncer de mama” e iniciativas assemelhadas é o fato de obscurecerem a dimensão ambiental desses riscos, desconsiderando a pesquisa nesse campo como um dos mais importantes fatores de prevenção da doença. Além disso, tais iniciativas, segundo seus críticos, “oferecem às grandes corporações um veículo de controle da experiência feminina do câncer de mama, ao mesmo tempo em que engordam seus lucros e contribuem potencialmente para o aumento da incidência da doença”. Com seu foco na “cura” do câncer de mama, tais campanhas projetam para um futuro indefinido a erradicação da doença, em detrimento de sua prevenção, baseada no estudo presente de fatores ambientais e alimentares potencializadores do aparecimento de tais doenças.

    ***

    Cláudio Cordovil é jornalista especializado em Ciência e Saúde, com doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ e pós-doutorado em Comunicação e Informação em Saúde pela Fiocruz

  11. Diogo Costa

    18 de dezembro de 2013 12:01 pm

    Manobra atrasará o novo Código Penal e o combate à homofobia

    Homofobia vai parar no Código Penal

    Comissão tentou fugir de polêmica, mantendo aborto e posse de droga como crime, mas plenário optou por incluir discriminação no texto

    18 de dezembro de 2013 | 2h 05

    NotíciaEmail Print A+ A-inCompartilharRICARDO BRITO / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

    Uma comissão especial do Senado aprovou na terça-feira, 17, a proposta de reforma do Código Penal, que passará a tramitar em conjunto com a criminalização da homofobia – proposta que não avança na Casa. No geral, o projeto evita polêmicas e seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e para o plenário, antes de ir para a Câmara, o que só deve ocorrer em 2014.

     

    O novo Código Penal prevê punições mais rigorosas para crimes contra a vida, como o aumento de pena e maior tempo para um condenado ter direito à progressão de regime. O texto ainda inclui novos crimes, como em relação a caixa 2 de campanhas eleitorais, enriquecimento ilícito, terrorismo e maus-tratos a animais.

    No caso de homicídios, a pena mínima sobe de 6 anos para 8 anos de prisão. A progressão de regime, para quem for condenado por esse tipo de crime, também ficou mais demorada: no caso de um réu primário, a pessoa terá de cumprir um quarto da pena para poder progredir de regime e não mais um sexto, como vigora atualmente.

    Aborto e homofobia. O relator da reforma, senador Pedro Taques (PDT-MT), desistiu de incluir sugestões de mudanças à legislação sobre o aborto feitas no ano passado por uma comissão de juristas nomeada pelo Senado. Por pressão da bancada religiosa, ele retirou a possibilidade de se interromper a gravidez até 12 semanas, caso um médico ou psicólogo avalie que a mãe não tem condições de levar a maternidade adiante.

    A inclusão pelo plenário da proposta de criminalização da homofobia, que tramitou com dificuldade na Comissão de Direitos Humanos, vai atrasar a votação do código, que agora terá de passar pela CCJ. A mudança é tratada nos bastidores – pela bancada religiosa – como uma forma de tentar rejeitar, na CCJ, qualquer tentativa de tornar crime quem discriminar outros por preconceito de “identidade ou orientação sexual”.

    O relatório do Código Penal já falava em discriminação, mas uma correção tirou do texto temas que tratavam de identidade sexual. Coloca-se, por exemplo, uma reserva para não enquadrar como crime a conduta de quem “manifestar seu pensamento de natureza crítica, especialmente a decorrente da liberdade de consciência e de crenças religiosas”.

    Drogas. Ainda para fugir da polêmica, a comissão do Senado retirou do texto a sugestão de descriminalizar o porte de drogas para uso próprio.

    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,homofobia-vai-parar-no-codigo-penal-,1109853,0.htm

     

  12. JB Costa

    18 de dezembro de 2013 12:10 pm

    Como todo ser humano, vivo a

    Como todo ser humano, vivo a repensar minhas atitudes. Processo que pode envolver arrependimentos mais ou menos graves. 
    Um dos remorsos que ora me assoma é ter algum dia, lá atrás, mais precisamente no início do governo da senhora Dilma Roussef, acreditado ser possível uma convivência respeitosa e em patamares elevados entre o governo, o PT, seus principais líderes, a começar pela presidenta e o ex-presidente Lula, e a chamada grande imprensa nacional. 
    Acredito, e continuarei acreditando, que a liberdade de imprensa é uma viga mestra numa democracia digna desse nome. Do mesmo modo, é-me claro que dado a sua própria natureza, é esperado que ela exerça o papel inexcedível de vigilância e cobrança ao Poder em sentido lato, e não só ao Poder Político. 
    Confesso que fui um dos defensores da atual mandatária da Nação quando esta, numa atitude humilde, merce das perseguições e cavilosidades dessa mesma imprensa na campanha de 2010, procurou abrir um canal de diálogo em nome dos interesses maior do país. 
    A meu isso me parecia o mais correto dado que esse “armistício” se fazia necessário para suprir interesses mútuos,e principalmente, da população. 
    Hoje me arrependo do fundo do meu por isso. Tenho vontade de dar uma martelada no meu dedão do pé por ter sido tão ingênuo, ou, para usar o “cearensês”, ser tão abestado. Ter acreditado que o escorpião abandonaria sua verdadeira natureza.
    Para essa atitude magnânima da presidenta Dilma qual foi a recíproca? Só a recidiva de mais e sempre mais oposição desonesta e covarde através de jornais, revistas e mídias eletrônicas que ao longo dos tempos vem se cevando com gordas verbas publicitárias do próprio governo que atacam e perseguem.
    Basta! Agora basta. A depender desse escriba todos os laços, inclusive o mais significativo, qual seja, o envolvendo a publicidade, deve ser minimizado, se não mesmo cortado.Por que continuar alimentando as bactérias, os vírus, que vivem a nos agredir e que ao fim e ao cabo querem nos destruir?
    Quem planta ventos colhe tempestades. A grande imprensa brasileira precisa entender que seus atos podem, e devem ter consequências. Ao exercitar um jornalismo bandido abusam do estatuto da liberdade de imprensa e de expressão.
    Ultimamente, a carga que estão fazendo contra o prefeito eleito de São Paulo Fernando Haddad só pode definida como CRIMINOSA, portanto abjeta. 
    A ninguém, inclusive governos e seus mandatários, é lícito exigir postura masoquista.
    Se querem guerra, assim seja.

  13. Francisco Andrade

    18 de dezembro de 2013 12:14 pm

    lembra do Neves ?… acharam o danado…
    MinasBrasilPolíticaEconomiaEsportesInternacionalCultura novojornal .: Política .: NotíciaPublicado em 03/12/2013 às 09:57:17Alstom: Promotoria da Suíça encontra conta “Neves”, e agora?Investigações sobre o esquema de corrupção montado pela multinacional Alstom entram em sua fase final prometendo grandes surpresas Confira também“Caso Novojornal” expõem esquema de Aécio na revista IstoÉCCJ da Câmara rejeita recurso e mantém processo contra DonadonComissão aprova proposta de reforma do Código PenalCampos diz que sabe separar interesse público de disputa políticaIdeli: janeiro será “animado” com reforma ministerial  InteraçãoImprimirEnviar por e-mailDeliciousDiggGoogle bookmarksRedditWindows liveYahoo my web

    Começa a fazer sentido o que para a classe política foi surpresa: a irritação e o tom utilizado pelo Senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao esbravejar contra o Ministro da Justiça por ele ter enviado para Polícia Federal, a denúncia que recebera sobre as investigações da promotoria da Suíça, em relação ao esquema de corrupção montado pela multinacional Alstom com os tucanos.

    Como já noticiado pelo Novo Jornal, as investigações ocorridas na Suíça não se restringiam apenas a área de transporte, estendendo-se também à área de energia, como agora está comprovado. 

    Documentos auditados na Suíça pela empresa KPMG Fides Peat mostram que ultrapassa  US$ 31 milhões o montante destinado pela Alstom à contas offshore, localizadas em paraísos fiscais e que foram usadas para pagar suborno aos políticos em quatro países, dos quais a maior parte foi destinada ao governo de São Paulo, na gestão do Geraldo Alckmin, para obtenção de contratos com estatais. A multinacional também enviou parte desses dólares para Cingapura, Indonésia e Venezuela. Um memorando da Cegelec – empresa comprada pela Alstom – datado de 21 de outubro de 1997, menciona um certo “Claudio Mendes” como sendo “um intermediário do G. (governo) de São Paulo”, relacionando-o a um pagamento de R$ 8,25 milhões em propina para a obtenção de um contrato no valor de R$ 110 milhões com a Eletropaulo. O Ministério Público ouviu o sociólogo Claudio Luiz Petrechen Mendes, atuante na área de energia, como o possível suspeito de ser o “Claudio Mendes”, intermediário que aparece nas investigações.  Terceiro nome revelado Um terceiro personagem teria intermediado as negociações entre a Alstom e o governo do PSDB de São Paulo no final da década de 1990. Identificado apenas como “Neves”, seu nome consta em comunicado apreendido pela promotoria da Suíça, escrito em 23 de setembro de 1997. O manuscrito trata da extensão dos 12 meses de contrato com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE) – e refere-se ao aditivo 10 presente no contrato Gisel – para fornecimento de equipamentos às subestações Aclimação e Miguel Reale, no Cambuci.   Neste manuscrito, ao lado do nome Neves aparecem “8,5%”, que os investigadores acreditam ser o percentual que essa pessoa teria recebido para fazer a intermediação. Ao lado do número também consta a palavra “fait” ( traduzido para o português: feito). Logo abaixo está o nome Splendor, com 1% e a rubrica “fait”e na sequência, a sigla C.M. com 7%, sem a rubrica de “fait”. No primeiro comunicado entre os diretores da Cegelec discute-se o percentual que C.M. teria que receber. A sigla é revelada mais adiante como Cláudio Mendes, que deveria receber 7% de “remuneração”. No corpo do texto é explicada a função do mesmo como um intermediário com o governo de São Paulo. A soma dos percentuais pagos a “Neves”, Splendor e Cláudio Mendes chega a 16,5% do valor total do aditivo em questão, algo em torno de R$ 100 milhões. E, em um segundo bilhete, datado de 21 de outubro de 1997, entre André Botto e Bernard Metz, outro executivo da Cegelec, discute-se a remuneração que seria destinada às finanças do PSDB, partido no poder na época ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e à Secretaria de Estado de Energia do Estado de São Paulo. Os investigadores acreditam ter identificado três dos códigos: “RM” seria Robson Marinho, ex-secretário da Casa Civil do governo Covas e atual conselheiro do TCE. “CM” seria o sociólogo e empresário Claudio Luiz Petrechen Mendes, que atuou como lobista desde 1980 até 2004, e “Splendor” é uma das seis offshores (empresas de fachada instaladas em paraísos fiscais no exterior) usadas para os pagamentos de propina pela Alstom. A corrupção estaria relacionada a um contrato de R$ 101 milhões da Eletropaulo, a antiga estatal de energia, privatizada em 1998. Os investigadores acreditam que “Neves” era uma pessoa que transformava o suborno da Alstom em “caixa de campanha do PSDB em outro Estado”. Os investigadores acreditam que elucidarão o código “Neves” quando destrincharem o envolvimento do vereador paulistano Tião Farias (PSDB) com o episódio. Farias foi um dos assessores mais próximos de Mário Covas, e foi secretário-adjunto de Robson Marinho na Casa Civil. Um ex-funcionário do setor de finanças da Alstom no Brasil disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” que a “remuneração” (suborno) a “consultores” e “intermediários” nos contratos com o Governo do Estado de São Paulo podia chegar a 30% do valor total de uma obra. Essa pessoa – que não quis se identificar publicamente – disse que o suborno era repassado pelas empresas subcontratadas. Atualizada às 11p8m do dia 03/12/2013: Em represália à entrega a Polícia Federal da denúncia do esquema de corrupção pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, se licenciará do cargo por dois dias para reassumir o mandato como deputado federal e ser a principal voz do PSDB contra o Ministro.  José Eduardo Cardoso estará nesta quarta-feira (4) na Câmara, em audiência conjunta das Comissões de Segurança Pública, Fiscalização e Controle, para falar sobre as investigações sobre o cartel dos trens em São Paulo. “Eu quero olhar nos olhos desse ministro e perguntar por que ele se transformou em um menino de recados de um deputado estadual do PT”, disse Aníbal. Ele assumirá o mandato no lugar do deputado Carlos Roberto (PSDB-SP). A manobra mostra a preocupação e a artilharia pesada que o PSDB prepara contra o ministro da Justiça. Estratégias dessa natureza são utilizadas com frequência em casos de votação de projetos importantes em plenário ou em comissões. Mas a exoneração momentânea de um secretário de estado para participar exclusivamente de uma audiência pública no Congresso não é um fato corriqueiro. O embate entre os dois promete ser duro. Tanto que, os tucanos tendem a deixar a audiência marcada para esta terça-feira (3) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em temperatura morna, beirando o tédio. “Não vai ter gritos, baixarias, xingamentos. Isso tudo vai ficar reservado para a Câmara”, disse um interlocutor da bancada tucana na Casa. Atualiza às 12h02m do dia 03/12/2013: A força-tarefa do Ministério Público Estadual, Procuradoria da República e Polícia Federal que investiga o caso Alstom pediu cooperação da Inglaterra para repasse de informações e documentos relacionados a eventuais pagamentos de propinas no Brasil pela multinacional francesa. O pedido foi enviado a Londres em novembro, com base na Convenção da ONU contra a Corrupção – acordo de assistência legal mútua entre Estados Partes para combate a esse tipo de crime. A Alstom é o alvo principal de investigações abertas pelo Ministério Público e pela PF em 2008. Dirigentes da companhia teriam corrompido agentes públicos da área de energia nos governos do PSDB. A Alstom é citada também como integrante de cartel metroferroviário que teria obtido licitações milionárias no setor de transportes das gestões tucanas entre 1998 e 2008. O inquérito da PF atribui crimes a 11 investigados, entre eles políticos do PSDB. O inquérito já foi concluído e as provas decorrentes deste, foram anexadas aos autos do caso Siemens – multinacional alemã que fez acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), por meio do qual revelou a ação do cartel metroferroviário. Os promotores brasileiros foram informados pelo Ministério Público da Suíça sobre a investigação de promotores ingleses que também miram a Alstom. Em 2010, três diretores da Alstom foram presos na Inglaterra. A cooperação da Inglaterra foi feita em pedido único, assinado por promotores de Justiça do Patrimônio Público (Ministério Público Estadual), uma promotora do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), uma procuradora da República e um delegado da PF. Esse é o segundo pedido internacional de cooperação no caso Alstom/Siemens. O outro foi enviado a Alemanha, relativo ao caso Siemens – o Ministério Público de São Paulo recorreu à promotoria de Munique por meio de pedido às autoridades judiciais da Baviera, onde a fica a matriz da empresa, para que autorizem a liberação de informações sobre o cartel metroferroviário no Brasil. Por meio do pedido de cooperação à Inglaterra, a força-tarefa do Ministério Público e da PF pede dados exclusivamente relativos à Alstom. A Justiça britânica suspeita que dois funcionários da multinacional francesa seriam responsáveis por organizar o pagamento de propinas para agentes públicos no Brasil. Teriam sido pagos mais de US$ 120 milhões em propinas para garantir contratos públicos em todo o mundo. Parte do valor teria vindo para o Brasil. As suspeitas são de que a rota das propinas passava por Paris, Londres e chegava a servidores públicos brasileiros. Conclusões do Escritório contra Fraude no Reino Unido revelam que os pagamentos estariam disfarçados de consultorias. De acordo com o documento, essa era uma “estratégia global” da empresa.

     

     

     

  14. MiriamL

    18 de dezembro de 2013 12:50 pm

     
     
    Os aviões não pilotados:

     

     

    Os aviões não pilotados: a violação mais covarde dos direitos humanos

     

    17/12/2013 14:20

    Por Leonardo Boff – do Rio de Janeiro

     

    A forma mais covarde é a ação dos "drones”

    A forma mais covarde é a ação dos “drones”

    É a forma perversa da guerra preventiva, inaugurada por Bush e criminosamente levada avante pelo Presidente Obama que não cumpriu as promessas de campanha.

    Vivemos num mundo no qual os direitos humanos são  violados, praticamente em todos os níveis, familiar, local, nacional e planetário. O Relatório Anual da Anistia Internacional de 2013 com referência a 2012 cobrindo 159 países faz exatamente esta dolorosa constatação. Ao invés de avançarmos no respeito à dignidade humana e aos direitos das pessoas, dos povos e dos ecossistemas estamos regredindo a níveis de barbárie. As violações não conhececem fronteiras e as formas desta agressão se sofisticam cada vez mais.

    A forma mais convarde é  a ação dos “drones”, aviões não pilotados que a partir de alguma base do Texas, dirigidos por um jovem militar diante de uma telinha de televisão, como se estivesse jogando, consegue identificar um  grupo de afegãos  celebrando um casamento e dentro do qual, presumivelmente deverá haver algum guerrilheiro da Al Qaeda. Basta esta suposição para com um pequeno clique lançar uma bomba que aniquila  todo o grupo, com muitas mães e crianças inocentes.

    É a forma perversa da guerra preventiva, inaugurada por Bush e criminosamente levada avante pelo Presidente Obama que não cumpriu as promessas de campanha com referência aos direitos humanos, seja ao fechamento de Guantânamo, seja à supressão do “Ato Patriótico”(antipatriótico) pelo qual qualquer pessoa dentro dos USA pode ser detida por suspeita de terrorismo, sem necessidade de avisar a família. Isso significa sequestro ilegal que nós na América Latina conhecemos de sobejo. Verifica-se em termos econômicos e também de direitos humanos uma verdadeira latinoamericanização dos USA no estilo dos nossos piores momentos da época  de chumbo das ditaduras militares. Hoje, consoante o Relatório da Anistia Internacional, o país que mais viola direitos de pessoas e de povos são os Estados Unidos.

    Com a maior indiferença, qual imperador romano absoluto, Obama nega-se a dar qualquer justificativa suficiente sobre a espionagem mundial que seu Governo faz a pretexto da segurança nacional, cobrindo áreas que vão de trocas de e-mails amorosos entre dois apaixonados até dos negócios sigilosos e bilionários da Petrobrás, violando o direito à privacidade das pessoas e à soberania de todo um país. A segurança anula a validade dos direitos irrenunciáveis.

    O Continente que mais violações sofre é a África. É o Continente esquecido e vandalizado. Terras são compradas (land grabbing) por grandes corporações e pela China para nelas produzirem alimentos para suas populações. É uma neocolonização mais perversa que a anterior.

    Os milhares e milhares de refugiados e imigrantes por razões de fome e de erosão de suas terras são os mais vulneráveis. Constituem uma sub-classe de pessoas, rejeitadas por quase todos os países, “numa globalização da insensibilidade” como a chamou o Papa Francisco. Dramática, diz o Relatório da Anistia Internacional, é a situação das mulheres. Constituem mais da metade da humanidade, muitísssimas delas sujeitas a violências de todo tipo e em várias partes da Africa e da Ásia ainda obrigadas à mutilação genital.

    A situação de nosso pais é preocupante dado o nível de violência que campeia em todas as partes. Diria, não há violência: estamos montados sobre estruturas de violência sistêmica que pesa sobre mais da metade da população afrodescendente, sobre os indígenas que lutam por preservar suas terras contra a voracidade impune do agronegócio, sobre os pobres em geral e  sobre os LGBT, discriminados e até mortos. Porque nunca fizemos uma reforma agrária, nem política, nem tributária assistimos nossas cidades se cercarem de centenas e centenas de “comunidades pobres”(favelas) onde os direitos à saúde, educação, à infra-estrutura e à segurança são deficitariamente garantidos. A desigualdade, outro nome para a injustiça social, provoca as principais violações.

    O fundamento último do cultivo dos direitos humanos reside na dignidade de cada pessoa humana e no respeito que lhe é devido. Dignidade significa que ela é  portadora de espírito e de liberdade que lhe permite moldar sua própria vida. O respeito é o reconhecimento de que cada ser humano possui um valor intrínseco, é um fim em si mesmo e jamais meio para qualquer outra coisa. Diante de cada ser humano, por anônimo que seja, todo poder encontra o seu limite, também o Estado.

    O fato é  que vivemos num tipo de sociedade mundial que colocou a economia como seu eixo estruturador. A razão é só utilitarista e tudo, até a pessoa humana, como o denuncia o Papa Francisco é feita “um bem de consumo que uma vez usado pode ser jogado fora”. Numa sociedade assim não há lugar para direitos, apenas para interesses. Até o direito sagrado à comida e à bebida só é garantido para quem puder pagar. Caso contrário, estará ao pé da mesa, junto aos cães esperando alguma migalha que caia da mesa farta dos epulões.

    Neste sistema econômico, político e comercial se assentam as causas principais, não exclusivas, que levam permanentemente à violação da dignidade humana. O sistema vigente não ama as pessoas, apenas sua capacidade de produzir e de consumir. De resto, são apenas resto, óleo gasto na produção.

    A tarefa além de humanitária e ética é principalmente política: como  transformar este tipo de sociedade malvada numa sociedade onde os humanos possam se tratar humanamente e gozar de direitos básicos. Caso contrário a violência é a norma e a civilização se degrada em barbárie.

     

    Leonardo Boff é teólogo e escritor.

    http://correiodobrasil.com.br/noticias/opiniao/os-avioes-nao-pilotados-a-violacao-mais-covarde-dos-direitos-humanos/671011/

  15. Luciano Prado

    18 de dezembro de 2013 12:58 pm

    Os Donatários e as Capitanias Hereditárias

    SAAD DA BANDEIRANTES 
    AMEAÇOU HADDAD

     

    Kassab deu a Johnny 25 anos para explorar os pontos de ônibus de São Paulo. Viva o Brasil !

     

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    Na entrevista aos blogueiros sujos, o prefeito Fernando Haddad contou que percebia que um certo “grupo de comunicação”, que tem tevês, rádios, cabo, e uns jornalecos gratuitos, fazia sistemática campanha contra o Governo dele, em todas as mídias.

    Achou aquilo atípico, mesmo num ambiente em que o PiG (*) quer destrui-lo, pelo simples fato de ser do PT.

    A perseguição se tornou tão aguda, que ele, Haddad, ligou para o dono do suposto “conglomerado” e perguntou se aquilo se devia a alguma falha do Governo, que não dava informação, não era transparente.

    Queria saber a razão daquele cerco implacável.

    A resposta foi simples.

    Dei instruções a todos os veículos de minha propriedade para atacar você de forma sistemática, desde que você aumentou o IPTU, respondeu o falso Roberto Marinho.

    Quem é o grande comunicador ?

    Johnny Saad, dono da Bandeirantes.

    Como se sabe, desde os bons tempos de Ademar de Barros, a família Saad é proprietária de muitos imóveis urbanos em São Paulo.

    E a atualização da planilha do IPTU de Haddad é um Robin Hood: cobra mais dos ricos, como Saad.

    É assim que funciona o PiG (*), amigo navegante.

    A sorte é que Saad tem um pequeno problema.

    Audiência.

    A Bandeirantes, desde que saiu das mãos do velho, o seu João, para o primogênito é o que é: irrelevante.

    Virou um braço desarmado da UDR.

    Desarmado.

    Como a TV Bandeirantes.

    Uma empresa de negócios imobiliários.

    Em tempo: Haddad fez questão de informar aos blogueiros que não ia identificar o Grande Comunicador, porque se tratava de uma conversa privada e ele não cometeria a grosseria. O grosseiro, no caso, é o ansioso blogueiro, que identificou Saad em outra fonte.

    Em tempo2: ao deixar o Governo, Kassab assinou com Saad, por 25 anos – 25 anos !!! – um contrato de exclusividade para que Saad possa explorar a publicidade de TODOS os pontos de ônibus de São Paulo. Está aí um bom tópico para um cidadão paulistano empreender uma ação popular, não, amigo navegante ?

    Paulo Henrique Amorim

    (*)  Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

    Johnny é imparcial. Não toma partido !

     

     

    1. Marly

      18 de dezembro de 2013 1:12 pm

      Uma perseguição suja e implacável!

      Uma vergonhosa perseguição à honestidade!  Perseguição suja, rasteira, daqueles que mamam há muito nas tetas dos governos do PSDB. Acostumados às mamatas, perseguem um homem sério, trabalhador, honesto e, que muito pode fazer por S. Paulo. É lamentáel tomarmos conhecimento de tão vil comportamento!  Sinto vergonha pelos atos de tais empresários!  Formam a verdadeira máfia do mal!

      1. Luciano Prado

        18 de dezembro de 2013 2:59 pm

        Quer criticar? Seja honesto e ouça o outro lado.

        Tão ridículo e vergonhoso quanto é ver um sujeito como o Boechat servindo de soldadinho ou ventíloco para aliviar o IPTU dos Saad

        1. Marly

          18 de dezembro de 2013 4:01 pm

          Boechat


           
          Há mais de um mês, diariamente essa figura grotesca Boechat, tenta desconstruir Haddad. Vergonhoso, para manter seu emprego fazer esse papel condenável, sendo o SOLDADINHO do patrão. Vergonhosos senhores empresários da mídia. 

        2. Marly

          18 de dezembro de 2013 4:14 pm

          Os ventrílocos!

          Já não chegavam as insanidades dos ventrilocos da Globo, Bonner e Poeta, eis que surgem mais dois perigosíssimos: Boechat e Casoy!  Que nojo!

  16. Tamára Baranov

    18 de dezembro de 2013 1:00 pm

    Ronald Biggs, “ladrão do século”, morre aos 84 anos

    MÁRCIA SOMAN MORAES

    DE SÃO PAULO

    O britânico Ronald Biggs, conhecido como o “ladrão do século” pelo audacioso assalto ao trem pagador que ia de Glasgow a Londres em 1963, morreu aos 84 anos, em um asilo para idosos em East Barnet, no norte de Londres.

    Biggs já teve ao menos três derrames, ataque cardíaco, ataques epilépticos, úlcera no estômago, além de uma fratura no quadril que o deixou internado por dias no hospital universitário de Norfolk e Norwich.

    O britânico era o líder de uma gangue de cerca de 15 homens que conseguiu, em 8 de agosto de 1963, parar um comboio ferroviário manipulando a sinalização. Depois de ferir gravemente um funcionário, eles fugiram com 120 sacos de notas usadas contendo no total 2,6 milhões de libras, uma quantia recorde para a época equivalente a cerca de R$ 124 milhões.

    Os ladrões, inclusive Biggs, foram presos em janeiro de 1964. Processado e condenado a 30 anos de prisão, Biggs foi para a penitenciária de Wandsworth (Londres), de onde conseguiu fugir 15 meses depois.

    Ele passou por cirurgias estéticas e viveu como foragido na Espanha, na Austrália e, principalmente, no Brasil.

    Ronald Biggs gesticula para fotógrafos no funeral de Bruce Reynolds, em Londres, em março de 2013; Reynolds, o ‘mentor’ do assalto ao trem pagador, morreu aos 81 anos em fevereiro

    EXTRADIÇÃO

    Biggs chegou ao Brasil ná década de 1970 e viveu aqui por cerca de 30 anos, mais especificamente no Rio de Janeiro. Ele teve um filho com sua namorada Raimunda, Michael Biggs, que se tornou seu maior defensor.

    Ao descobrir que o “ladrão do século” estava em solo brasileiro, o governo britânico iniciou uma batalha judicial para sua extradição. A questão, contudo, é que a legislação britânica não admite a formulação de pedido oficial de extradição a país com o qual não tenha tratado de extradição. O acordo entre o Brasil e o governo britânico só entrou em vigor em outubro de 1997 –25 anos depois do assalto ao trem pagador.

    O caso foi então para julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) –que considerou o Estatuto do Estrangeiro que estabelece que, antes de julgar a extradição, os juízes devem levar em conta o prazo estabelecido pela legislação brasileira. No Brasil, o audacioso assalto havia prescrito há cinco anos.

    Após meses de uma batalha judicial entre o governo britânico e a Justiça do Brasil, o STF arquivou oficialmente o pedido de extradição de Biggs em novembro de 1997. Os ministros alegaram que a prescrição do crime impede o recebimento do pedido formulado pelo governo britânico.

    FALIDO

    Nos últimos anos de sua estadia no Brasil, Biggs vivia em dificuldades financeiras. Ele transformou sua casa em Santa Teresa (zona central do Rio) em uma espécie de museu para turistas britânicos e vendia camisetas, bonés e outros produtos de sua “marca” em uma página na internet.

    Em 2001, Biggs afirmou que desejava retornar ao Reino Unido. Seu advogado brasileiro na época, Wellington Mousinho, afirmou à Folha que Biggs só voltaria “com o perdão judicial”. Rumores indicavam, contudo, que ele receberia uma grande quantia do tabloide “The Sun” pela exclusividade de sua história.

    Biggs já havia sofrido dois derrames e vizinhos cariocas diziam que ele andava com dificuldades e quase não podia falar. Só saía de casa para ir de táxi a sessões de fisioterapia, na Tijuca (zona norte). Mousinho ressaltou, contudo, que ele estava lúcido e que voltava ao Reino Unido porque estava com saudades.

    CONDICIONAL

    Preso, Biggs cumpriu mais de um terço da pena no centro de detenção Belmarsh, centro de detenção de segurança máxima.

    Em agosto de 2009, Biggs, que estava doente, foi libertado.

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/601495-ronald-biggs-ladrao-do-seculo-morre-aos-84-anos-no-reino-unido.shtml

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    Saiba como foi feito o assalto ao trem pagador

    DE SÃO PAULO

    Pouco depois das 3h do dia 8 de agosto de 1963, um grupo de 15 assaltantes, entre eles o inglês Ronald Biggs, que ganharia fama no Brasil, realizou em minutos o mais audacioso assalto a um trem no Reino Unido.

    O grupo levou 2.631.784 libras (equivalente a cerca de R$ 124 milhões) do trem do correio que viajava de Glasgow a Londres, no Reino Unido. A maior parte do bando, contudo, foi presa por causa do trabalho mal feito de cúmplices e digitais encontradas nas peças do jogo Banco Imobiliário. O dinheiro, contudo, nunca foi encontrado.

    Saiba como aconteceu o grande assalto ao trem pagador

    OS LADRÕES

    O mentor do plano foi Bruce Reynolds, um conhecido ladrão de joias do Reino Unido. Ele reuniu o resto do grupo após sair da prisão, em 1962. O bando era composto por outros nomes conhecidos da polícia londrina: Douglas Goody, o número 2 do plano, Charles Wilson, Thomas Wisbey, Robert Welch e James Hussey. Roger Coldrey, William Boal, Jimmy White, Bob Welch, Brian Field, Leonard Field, Jimmy White, John Daly e Ronald Edwards tiveram um papel secundário na trama, como o próprio Biggs –segundo Reynold declarou anos mais tarde.

    O grupo teve ajuda ainda de alguns cúmplices, conhecidos como Sr. Um, Sr. Dois e Sr. Três. Há ainda um homem identificado apenas como Peter, trazido para dirigir o trem e John Wheater, que garantiu a segurança do esconderijo.

     

    O trem pagador inglês após ser assaltado por Ronald Biggs e mais 14 homens, em 8 de agosto de 1963

    O trem pagador inglês após ser assaltado por Ronald Biggs e mais 14 homens, em 8 de agosto de 1963

    O PLANEJAMENTO

    Com seus contatos, Reynolds obteve todos os detalhes do trem: a rota, os horários, quantidade de dinheiro que seria transportada e número de trabalhadores a bordo.

    O mentor descobriu ainda que o volume de dinheiro seria maior se esperassem uma data logo após um feriado bancário: o próximo seria 5 de agosto. Reynolds colocou um cúmplice dentro do banco, conhecido pela mídia como “Ulsterman”, para descobrir em que dia o trem com o dinheiro –a maioria notas miúdas e usadas, para as agências bancárias utilizarem nos caixas– levaria o dinheiro a Londres.

    A AÇÃO

    Na madrugada de 8 de agosto de 1963, o bando deixou o esconderijo –a fazenda Leatherslade, em Buckinghamshire– em duas Land Rovers. Aqui, os relatos divergem. Alguns dizem que eles vestiam roupas militares, outros que usavam máscaras de ski, capacetes e luvas.

    Eles chegam à ponte Bridego. Seguindo uma ideia de Coldrey, eles cortam os fios telefônicos e mudam a luz dos sinalizadores em uma encruzilhada para obrigar o trem a parar. A locomotiva obedece o sinal vermelho adulterado com duas baterias e para a seis metros de distância.

    O foguista, como de praxe, desce do trem para contatar a central. No escuro, é facilmente rendido por parte do grupo. Outros três desconectam a locomotiva e o vagão que levava os sacos de dinheiro do resto do trem. Os bandidos acertam o maquinista com um golpe na cabeça e o ferem gravemente. Contudo, percebem mais tarde que não sabiam operar o trem e, mesmo ferido, o maquinista é obrigado a levar o dinheiro e os ladrões até a ponte.

    Liderados por Wilson, outros sete membros da quadrilha invadem o vagão dos malotes, atacam os funcionários com uma machadinha e iniciam uma corrente humana para esvaziar as 120 sacolas de dinheiro o mais rápido possível. Em 20 minutos, eles estavam no caminho de volta ao esconderijo.

    O ERRO

    Na fazenda, eles comemoram o roubo e o aniversário de Biggs com charutos, bebidas e uma partida de Banco Imobiliário com as notas recém-roubadas. Na manhã seguinte, deixam a fazenda após pagarem 28 mil libras a um cúmplice para que limpasse qualquer vestígio da casa.

    O trabalho foi mal feito e a polícia, seguindo a denúncia de um vizinho, encontra digitais de quase todos eles nas peças do jogo, em revistas e talheres utilizados no local.

    O jogo Banco Imobiliário virou peça de arte no Museu Thames Valley Police.

    A PRISÃO

    Os primeiros a serem presos foram Coldrey e Boal, que pagaram com dinheiro vivo e adiantado três meses de aluguel de uma garagem em Londres. Wilson foi capturado em 22 de agosto e, em dezembro, foi a vez de Roy James. Até abril do ano seguinte, a polícia havia capturado 11 acusados, incluindo Biggs, e recuperado apenas uma quantia pequena –336.518 libras– do roubo.

    O grupo foi condenado a penas de entre 20 anos e 30 anos. Já Reynolds passou cinco anos foragido antes de ser condenado, em 1968, a dez anos de prisão.

    A FUGA

    Biggs passou menos de dois anos encarcerado e, em 8 de julho de 1965, pagou funcionários da penitenciária e conseguiu escapar –uma fuga que o levou mais tarde para o Brasil, onde viveu mais de 30 anos, teve um filho que virou astro infantil e gravou uma canção ao lado do Sex Pistols e um filme ao lado de José Wilker.

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/602082-saiba-como-foi-feito-o-assalto-ao-trem-pagador.shtml

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    No Brasil, Biggs participou de clipe dos Sex Pistols e fez filme com José Wilker

    DE SÃO PAULO

    Conhecido como o “ladrão do século” pelo assalto ao trem pagador em 1963, no Reino Unido, o inglês Ronald Biggs alcançou marcos tão grandiosos como o roubo de 2,6 milhões de libras nos mais de 30 anos que viveu no Brasil. Aqui, Biggs virou celebridade, foi dono de casa noturna, recebia turistas britânicos e gravou música com Sex Pistols e filme com José Wilker. No Rio de Janeiro, teve um filho com Raimunda de Castro, Michael Biggs, seu maior defensor.

    Segundo relatou certa vez em entrevista, Biggs decidiu se mudar para o Rio quando fugia da Austrália –onde seu rosto havia sido reconhecido. Ele foi a uma agência de turismo, viu um folheto turístico com imagens da baía de Guanabara e do Pão de Açúcar à noite e pensou: “este lugar é para mim”.

    Chegou ao Rio como Michael Haynes, na década de 1970. Adaptou-se rapidamente à cultura brasileira, encontrou Raimunda e passou nove anos como um desconhecido.

    Em 1974, contudo, um repórter do tabloide “Daily Express” encontrou Biggs na Santa Teresa. A Scotland Yard ficou sabendo de seu paradeiro e a caçada ao prisioneiro foi noticiada na mídia britânica e brasileira.

    Preso temporariamente no Brasil, foi convidado a aparecer no “Fantástico” ao lado de Raimunda. A revista “Manchete” chegou a estampar uma foto sua no banho.

    Logo descobriu que, pela falta de um acordo entre governo britânico e brasileiro, não podia ser extraditado. Raimunda estava grávida e ele solto. Logo formaria sua família no Brasil, como um homem livre, tão livre quanto uma celebridade no Rio de Janeiro pode ser.

    O assaltante do trem pagador inglês toca tamborim com a escola de samba Banda da Barra durante carnaval no Rio de Janeiro (RJ), em 1994

    SEX PISTOLS

    Em 1978, com a visita do príncipe Charles ao Brasil, Biggs foi fotografado para o “Sunday Times”.

    Na mesma época, participou da gravação da música “No One Is Innocent” (“Ninguém é inocente”) do grupo de punk rock britânico Sex Pistols.

    Em 1988, sua história –já mitificada pela mídia de cá e de lá– virou o filme “Prisioner of Rio” (1988), no qual atuou ao lado de José Wilker. Seu personagem foi interpretado por Paul Freeman.

    Como não podia deixar de fazer, lançou duas autobiografias.

    Até o filho de Biggs ganhou fama. Mike fez carreira na década de 80 no grupo Balão Mágico.

    A exibição de sua história foi vista como um desafio à Justiça britânica. Em 1993, o Reino Unido tentou extraditar Biggs em um acordo de troca de prisioneiros. Ele iria em troca de Paulo César Farias, ex-tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Mello.

    Tranquilo, disse à Folha na época que “nem sabia que Brasil e Inglaterra não tinham tratado de extradição”. “Gosto muito do clima tropical”, disse.

    FALIDO

    O sucesso, como para muitas celebridades cariocas, não foi eterno. Biggs não fez mais filmes, livros ou gravações.

    Para sobreviver, vendia camisetas e outros objetos de sua “marca” em um site e organizava encontros com turistas que quisessem conhecê-lo –em sua casa mesmo, que ganhou ares de museu.

    Em 2001, Biggs afirmou que desejava retornar ao Reino Unido. Seu advogado brasileiro na época, Wellington Mousinho, afirmou à Folha que Biggs só voltaria “com o perdão judicial”. Rumores indicavam, contudo, que ele receberia uma grande quantia do tabloide “The Sun” pela exclusividade de sua história.

    Biggs já havia sofrido dois derrames e vizinhos cariocas diziam que ele andava com dificuldades e quase não podia falar. Só saía de casa para ir de táxi a sessões de fisioterapia, na Tijuca.

    Mousinho ressaltou, contudo, que ele estava lúcido e negou que voltava ao Reino Unido porque estava doente e falido. O advogado disse que, segundo o próprio Biggs, voltava porque estava com saudades. Ao chegar ao Reino Unido, foi preso, desta vez em uma prisão de segurança máxima.

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/601515-biggs-biggs—no-brasil-biggs-participou-de-clipe-dos-sex-pistols-e-fez-filme-com-jose-wilker.shtml

  17. MiriamL

    18 de dezembro de 2013 1:21 pm

     
    Laurindo Leal Filho
     Aos 65

     

    Laurindo Leal Filho

     

    Aos 65 anos, Declaração Universal dos Direitos Humanos é desprezada pela TV

     

     

    Correndo solta, sem qualquer regulação, a TV se vê livre para atacar os Direitos Humanos impunemente. Não existem, como na Europa, órgãos reguladores com poder

     

    (*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil, edição de dezembro de 2013.
        
    “King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?” afirmou Danilo Gentili na TV. A um telespectador que contestou o caráter racista da frase respondeu pelo twiiter de forma a deixar ainda mais claro o seu preconceito: “quantas bananas você quer para deixar essa história prá lá?”

    O moço é reincidente. Há algum tempo o alvo foi religioso. Sobre a polêmica da futura estação do metrô paulistano no bairro de Higienópolis, habitado por muitos judeus, disse: “entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz”.  Desculpou-se depois mas o estrago já estava feito. 

    O que ele fez, e tantos outros na TV brasileira fazem, foi violar os Direitos Humanos, lembrados anualmente no dia 10 de dezembro, data que não é apenas comemorativa. É um momento importante para lembrar direitos ainda violados pelo mundo, entre eles o do respeito à dignidade humana e a não discriminação.

    A TV que poderia ser um instrumento na defesa desses direitos tornou-se, no Brasil, o seu oposto. Basta assistir aos programas policialescos em rede nacional incentivando a violência ou àqueles regionais que, na hora do almoço, tripudiam sobre a desgraça alheia. Sem falar no desprezo com a dignidade da mulher, transformada em objeto nos auditórios, novelas e propagandas e as recorrentes piadas em torno da homossexualidade.

    Correndo solta, sem qualquer regulação, a TV se vê livre para atacar os Direitos Humanos impunemente. Não existem, como na Europa, órgãos reguladores com poder para impor limites às emissoras. Não se trata de censura. Eles agem sempre a posteriori, a partir de demandas do público.

    A pesquisadora Bia Barbosa realizou um importante trabalho sobre as violações de direitos humanos e a regulação de conteúdo da TV no Brasil, comparando com o que ocorre na França e no Reino Unido. Analisou casos de preconceito e ofensa contra grupos minoritários, violação dos direitos das mulheres, discriminação religiosa, banalização da violência e linguagem depreciativa. As conclusões, para nós, são desoladoras.

    No Brasil, sem um órgão regulador, cabe ao governo de turno aplicar as poucas regras que existem, dispersas por vários ministérios e muitas vezes ultrapassadas historicamente, como é o caso do Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962. Mesmo assim as normas são  pouco aplicadas, na medida em que os governos evitam, por interesses políticos, qualquer tipo de atrito com os proprietários das empresas de TV.

    Na França e no Reino Unido é diferente, os mecanismos de regulação são ágeis e as violações punidas com rigor. As multas são calculadas em função do faturamento dos canais. No Reino Unido, há um teto de 250 mil libras ou 5% da receita do canal (o que for maior). Na França, podem chegar a 3% da renda de uma operadora, indo a 5% em casos de reincidência.

    Bia Barbosa colheu exemplos interessantes: a Belive TV, um canal pago inglês dedicado a mostrar soluções de problemas financeiros e de saúde através da fé, com pastores receitando sabonetes milagrosos no video, foi multado em 25 mil libras e obrigado a parar com o charlatanismo. Em 2012, outro canal religioso recebeu multa de 75 mil libras por realizer uma campanha dizendo que em troca de doações de mil libras, oferecia um “presente especial” e uma oração que aumentaria a saúde, a prosperidade e o sucesso do doador.   

    Em meados deste ano, o canal inglês Channel Four exibiu uma série de programas onde a apresentadora Daisy Donovan percorre vários países do mundo revelando como é a televisão local. Um dos episódios tratou do Brasil. Daisy mostrou os programas Miss Bumbum, veiculado pelo MultiShow; Pânico, pela RedeTV!; e o policial Na Mira, da TV Aratu, filiada do SBT na Bahia. Depois de se surpreender com o concurso de beleza, ela perguntou: “se a TV brasileira é capaz de tratar uma mulher desta forma, haveria alguma barreira que ela não ultrapassaria?”

    Sim, como a barreira dos Direitos Humanos que é ultrapassada todos os dias.

     

    http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Aos-65-anos-Declaracao-Universal-dos-Direitos-Humanos-e-desprezada-pela-TV/29841

  18. CELSO ORRICO

    18 de dezembro de 2013 1:54 pm

    Ser de esquerda…

    Saul Leblon no site Carta Maior.

     

    17/12/2013 – Copyleft

    As tarefas do bloco histórico da esquerda democrática

    Ser de esquerda é uma construção de identidade política não tão velha assim e está intimamente associada a assumir uma posição de luta por igualdade.

     

    Cândido Grzybowski (*)

     

    Uma pergunta assim tem por trás uma premissa filosófica sobre a nossa própria condição de seres humanos. Concordo com Gramsci quando afirma que somos um “bloco histórico” [1]. Cada um, em sua individualidade, faz uma síntese de condições objetivas, que lhe são dadas, com a vontade aplicada (sonhos, desejos, visões e opções sobre o que quer ser e o que de fato faz). Somos um processo numa coletividade, num território, num momento histórico dado. Somos o processo de nossos atos nesta coletividade, no momento único de nossa vida. Viver é nos fazer a nós mesmos na interação com todos os outros e a natureza, em condições que herdamos e que, ao mesmo tempo, nossos atos modificam. Somos, por isto mesmo, essencialmente políticos e é no espaço comum da política – um bem comum que criamos – que definimos o sentido de viver como humanos e realizamos a nossa humanidade. A humanidade, em si mesmo, é um fazer-se contínuo, sempre renovado e diferente.

     

    A gente pode ter muitas identidades, todas elas facetas do que e como nos fazemos humanos ao longo da vida, em determinadas circunstâncias. Identificar e incluir-se em um determinado bloco de forças políticas, ser de esquerda, enfim, não é algo dado, já definido, bastando aderir. É um fazer-se num processo de desafios e contradições, dialogando com o passado da humanidade, suas conquistas e derrotas, com as exigências, adversidades e possibilidades existentes no presente e com o que se quer moldar a partir do aqui e do agora, enfrentando e disputando com os que pensam e agem de outro modo. Lembro aqui o grande homem de esquerda nosso contemporâneo, que acaba de nos deixar, o Nelson Mandela, uma personalidade símbolo, sem dúvida, mas, ao mesmo tempo, uma expressão de força política coletiva portadora de um ideal, um bloco histórico transformador da sociedade sul-africana do apartheid. 

     

    Ser de esquerda é uma construção de identidade política não tão velha assim, pois remonta à Revolução Francesa e está intimamente associada a assumir uma posição de luta por igualdade. Assim como ontem, ser de esquerda hoje é reconhecer uma herança de lutas por igualdade entre os seres humanos e ser desafiado a renová-las nas condições atuais, nos limites de suas possibilidades, na maior radicalidade que nossa vontade consegue imprimir. É, por isto mesmo, analisar e combater as desigualdades e as exclusões sociais a que uma grande parcela da humanidade ainda está condenada a viver hoje, nas formas de hoje, com as possibilidades de hoje. Que a gente possa ser uma sociedade mais igual e não é, isto faz uma enorme diferença nas opções políticas que podemos fazer. Sou de esquerda porque penso que podemos fazer muito mais do que estamos fazendo pelo direito à igualdade entre todas e todos, sem discriminações. Por isto luto contra toda forma de exploração e, seu correlato, a dominação de uns sobre outros. E isto me faz parte do bloco de forças de esquerda com quem comparto o ideal de igualdade humana, sem servilismos e sem exploração, e me põe em oposição ao e em disputa política com o bloco de forças que nega a igualdade como possibilidade e pratica a exploração. Penso que se pode equalizar pela política as desigualdades geradas pelas estruturas sociais, pensamento forte instituinte do ser esquerda na política.

     

    Ser de esquerda é, ao mesmo tempo, reconhecer que tanto ontem como hoje não existe igualdade sem emancipação social, sem a condição de ser livre e igual aos outros e às outras, para com eles e elas compartir o que temos em comum e juntos construir o nosso futuro comum. A liberdade é condição da igualdade, assim como liberdade sem igualdade não é liberdade. Ser de esquerda hoje é ainda trilhar o difícil caminho para a liberdade, como nos lembrou Mandela, pois sem ela não somos realmente iguais. Mas aqui estamos diante da disputa dos próprios sentidos da liberdade. A esquerda  libertária em busca de igualdade, hoje, enfrenta politicamente a direita dominante que, em nome da liberdade de negócios privados, impõe a lei da selva da competição e da dominação dos mais fortes ao nível de mercado, em escala global. Ser de esquerda hoje é ser anti o neoliberalismo e anticapitalismo globalizado.

     

    Mas não dá para ser de esquerda sem reconhecer o direito à diversidade, em suas múltiplas identidades, seja de gênero, de opção sexual, de cor de pele, de necessidades especiais, de religião e filosofia de vida. Optar por ser de esquerda é respeitar, defender e promover o direito à diversidade, como condição de igualdade e de liberdade. Como nos lembra Boaventura Souza Santos, diversidade até o ponto que não negue igualdade e igualdade até onde não atinga o direito à diversidade. Igualdade e diversidade com liberdade são princípios éticos básicos de uma esquerda em sintonia com os desafios e possibilidades de nosso tempo histórico. Não dá para ser de esquerda negando algum destes princípios que organizam as lutas políticas de hoje em oposição à direita e aos fundamentalismos violentos de todo tipo, do racismo ao machismo, passando pela imposição de comportamentos em nome da religião. 

     

    Ser de esquerda hoje é reconhecer que não existem direitos humanos sem responsabilidades também humanas. Direitos são direitos quando definidores da nossa comum e igual condição humana, sem discriminações. Neste sentido, direitos são uma relação social, uma qualidade social  da própria coletividade em que vivemos. Todos temos o direito a ter direitos e isto define o ter cidadania. Por isto, nossa própria situação de detentores de direitos nos faz cidadãos corresponsáveis pelos direitos de todos os demais. Direitos que não são de todos, podem até estar definidos e reconhecidos legalmente em determinadas realidades – como temos em profusão aqui no Brasil patrimonialista,  “de donos de gado e gente”. Mas tais direitos são, por definição, ilegítimos, pois constituem privilégios de classe. Ser de esquerda é assumir a responsabilidade coletiva pela radicalidade de direitos iguais a todas e todos e pela desconstrução e eliminação de privilégios, disfarçados legalmente como se direitos fossem.

     

    Ser de esquerda hoje é reconhecer que não há como lutar por justiça social sem ao mesmo tempo enfrentar a questão da injustiça ambiental e das ameaças à integridade da natureza e sua biosfera. A destruição ambiental é o outro lado da desigualdade e exclusão social, ambas  exacerbadas pelo capitalismo industrial, produtivista e consumista, tudo em nome da acumulação privada de riqueza. Através da privatização e mercantilização, a civilização capitalista do ter e acumular em poucas mãos, impõe a dominação e exploração de umas classes sobre outras, de uns povos sobre outros, e ao mesmo tempo, destrói a base comum da vida. Cria injustiça social entre as gerações humanas do presente e injustiça social com as gerações futuras, deixando-lhes um planeta sem as condições de hoje, em termos de atmosfera e clima, água, biodiversidade, terras férteis, recursos naturais. Lutar contra o desenvolvimento capitalista e a destruição ambiental que provoca com uma perspectiva de sustentabilidade do planeta, da vida em todas as suas formas e da sociedade é condição para ser de esquerda nos dias de hoje.

     

    Todo este conjunto de opções e orientações políticas identificado acima me leva a  afirmar que, para ser de esquerda hoje, é necessário engajar-se num processo de transição transformadora da civilização capitalista industrial, produtivista e consumista, que destrói e exclui, na direção formas biocivilizatórias. É tarefa para a esquerda “descolonizar as nossas cabeças”, criticando o antropocentrismo e eurocentrismo, que também ela é herdeira, dando lugar a uma visão planetária de respeito à diversidade e integridade da natureza e sua biosfera, da diversidade de culturas e formas de vida humanas, com uma perspectiva de bem viver. Cabe à esquerda de hoje renovar e radicalizar a crítica à exploração, à dominação e à destruição que estão embutidos no desenvolvimento capitalista, neste modelo de civilização, mesmo quando submetido a condicionalidades sociais como é o nosso caso, no Brasil. A nossa “emergência” não pode ser uma contrapartida da “imergência” de outros povos, no sobe e desce do capitalismo, com imperialistas de ocasião.

     

    Neste sentido, ser de esquerda hoje é ter uma perspectiva biocivilizatória planetária, de lugar para todos e todas, com suas diversidades na comum humanidade, enfrentando a homogeneidade de padrões de economia, cultura e poder impostos pela globalização capitalista excludente e destruidora. Ser de esquerda é se ver cidadão e cidadã do mundo, é ser cosmopolita, tudo em tendo raízes profundamente fincadas no seu próprio território de cidadania, no local em que vivemos. Relocalizar e reterritorializar, de acordo com as condições que nos são dadas localmente, e, ao mesmo tempo, nos articular e nos solidarizar com a diversidade de povos que conformamos a humanidade, para que novas formas de biocivilização emerjam e deem lugar para todos, é um imperativo para a esquerda de hoje. Ver-se como parte e corresponsáveis pelo destino do planeta e da humanidade, a partir de onde estamos, integrando-se em movimentos planetários, são condições e possibilidades para renovar a economia e o poder de baixo para cima, na direção da justiça social e sustentabilidade socioambiental, transitando para a biocivilização.

     

    Na verdade, aqui estamos diante do desafio para a esquerda hoje de trazer ao centro de nosso modo de viver os bens comuns. Trata-se de nos organizar em torno aos “comuns”, desprivatizando-os, os libertando e os fortalecendo. Em suma, trata-se de tornar comum e gerir como comum tudo o que é essencial para a vida, seja o patrimônio natural que ocupamos – terra, água, ar, biodiversidade etc. –, seja o que criamos como comum – como as línguas, as culturas, o conhecimento, as filosofias, a política, as cidades e os diferentes habitats territoriais. Trata-se de cuidar, compartir e conviver, em escala que nos permita se realizar plenamente. Estes são parâmetros de biocivilização sustentável que a esquerda deve almejar hoje.

     

    Finalmente, mas não menos importante, ser de esquerda hoje, pautado por tais princípios e opções, é apostar radicalmente na democracia como forma de luta e de transformação social. Isto nos impõe a disputa de projetos de sociedade e de sentidos de viver no dia a dia, aproveitando as oportunidades que surgem,  buscando o consenso máximo possível em cada momento da história. Apostar na democracia é apostar no incerto, com ousadia e perseverança,  procurando tornar o impossível possível, como fez Mandela. A disputa política na democracia implica em reconhecer e respeitar os adversários no espaço da política, impondo-lhes derrotas nesta arena de ideias em confronto, sem violência e sem eliminação dos derrotados, mas submetendo-as a uma nova hegemonia.

     

    Por isto, é um processo permanente de fazer, de fazer-se a si mesmo e de fazer o bloco histórico da esquerda. Em primeiro lugar, fazer “trincheiras” de resistência, tomando “posição”, para se preparar ao embate necessário que virá a qualquer momento, conquistando corações e mentes no debate público e na construção de agendas, ampliando-se como força através da criação do tecido associativo de organizações populares e de cidadania, movimentos sociais, redes, fóruns, coalizões e partidos, estando a postos para incidir no momento oportuno. Depois, fazer agindo, praticando todas as formas de ação política e participação, da rua ao voto, com desobediência civil legítima se necessário for para afirmar legitimidade dos direitos em disputa. Enfim, por-se em “movimento”, de baixo para cima, para conquistar hegemonia e novos direitos.

     

    Como nos lembrou Gramsci, é na dialética entre “guerra de posição” e “guerra de movimento” que reside a prática política e se fazem os sujeitos políticos, uns no confronto com outros. O bloco histórico da esquerda democrática na política do mundo de hoje tem o desafio de “democratizar a democracia”, revitalizá-la, como nos lembram as feministas participantes do Fórum Social Mundial, para que sua ação seja efetiva e transformadora na construção de outros mundos.

     

    Penso que tudo isto é parte do ser esquerda e, ao mesmo tempo, estar em franca e assumida oposição aos poderosos blocos históricos de direita. Para tal agenda e tal luta penso que vale a pena dedicar a minha vida. Eu ainda acredito no poder da práxis política com uma perspectiva transformadora de esquerda.

     

    Rio, 13/12/13.

    Cândido Grzybowski é sociólogo, diretor do Ibase.

     

    [1] GRAMSCI, A. (1981). Concepção Dialética da História. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira,  4a ed., p.31-63.

     

  19. Luciano Prado

    18 de dezembro de 2013 3:37 pm

    Dilma, Dilma…

    Quando batem no governo ou na própria presidenta sem motivo aparente, só “por esporte” o governo ou a própria presidenta responde. A seu modo e no tempo próprio, mas responde. É justo que o faça. A presidenta tem canal e muita força para isso.

    O desgraçado do norte-americano que está com asilo temporário e em situação dificílima na Rússia faz uma carta ao povo brasileiro, em tom quase desesperado, sem qualquer estratégia ou artimanha, mesmo porque está só e desamparado e me vem a presidenta Dilma com essa pérola:

    “Não me encaminharam nada, não me pediram nada, não interpreto nada. Não vou falar sobre isso”. “… um indivíduo que não deixa claro o que quer”. “A nós não foi encaminhado nada”.

    Talvez ele queira comer um cachorro-quente com coca-cola, senhora presidenta.

    Será que a senhora não pode, por um instante, descer daí de cima e se encontrar com os mortais aqui em baixo?

    É óbvio que Dilma não deve tratar desse assunto pela imprensa, mas não precisa dar um passa fora no sujeito.

    Eduard Snowden está perdido, sofrendo pressão de tudo quanto é lado. E a senhora espera uma atitude consequente, burocrática, formal etc.

    Cadê a diplomacia? E a educação… Perdeu-se pelo caminho da arrogância?

    Snowden está “cheio de pernas” sem saber como abordar o assunto, sem assessoramento profissional.

    Pior, seu tempo está se esgotando.

     

    Folha

    18/12/2013 – 12p5 

    Dilma diz que não tem por que responder a Edward Snowden

     

     

     

    TAI NALON
    VALDO CRUZ
    DE BRASÍLIA

     

    A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (18) que não vê motivos para o governo brasileiro se manifestar em relação ao pedido do delator do esquema de espionagem do governo dos Estados Unidos, Edward Snowden para ser asilado no Brasil.

    Segundo ela, a carta divulgada pelo ex-técnico da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) não contém um pedido formal de asilo nem foi endereçado ao governo brasileiro.

    Oposicionistas e governo adotam tom cauteloso sobre asilo de Snowden

    A Folha revelou nesta terça a intenção de Snowden de colaborar com investigações sobre a NSA e, em troca, receber asilo do Brasil. Como parte da estratégia, Snowden escreveu uma “carta aberta ao povo do Brasil”, que enviará às autoridades brasileiras.

    Nela, Snowden afirma que não é possível colaborar com as investigações diante da precária situação jurídica em que se encontra, com apenas asilo temporário, concedido pela Rússia até o meio de 2014. No Brasil, com status de asilado permanente, teria mais liberdade para isso.

    “Não me encaminharam nada, não me pediram nada, não interpreto nada. Não vou falar sobre isso”, disse Dilma.

    Ela disse que o governo não deve responder a consultas feitas por intermediários de um “indivíduo que não deixa claro” o que quer. “A nós não foi encaminhado nada”, continuou.

     

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/1387262-dilma-diz-que-nao-tem-por-que-responder-a-edward-snowden.shtml

  20. lubra

    18 de dezembro de 2013 6:03 pm

    AVISO DE PAUTA
    Anúncio do

    AVISO DE PAUTA

    Anúncio do resultado do Programa FX-2

    Brasília, 18/12/2013 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, concederão entrevista coletiva hoje (18/12), às 17h, no auditório situado no térreo da sede do Ministério da Defesa (bloco Q da Esplanada dos Ministérios). Na ocasião, vão anunciar o resultado da concorrência para aquisição de aviões de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB) no âmbito do Programa FX-2.

    Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
    Ministério da Defesa
    61 3312-4070

    http://defesa.gov.br/index.php/imprensa/ultimas-noticias/8903-18-12-2013-defesa-aviso-de-pauta-anuncio-do-resultado-do-programa-fx-2

  21. Gilberto .

    18 de dezembro de 2013 6:14 pm

    Reforma no Museu Lasar Segall

    Museu Lasar Segall ficará fechado para reforma

     

    A reabertura da instituição está prevista para outubro de 2014

     

    18 de dezembro de 2013 | 15h 18 

    O Estado de S.Paulo

     

    O museu funciona na antiga residência e ateliê do artista - Felipe Rau/ Estadão       Felipe Rau/ Estadão   

    O museu funciona na antiga residência e ateliê do artista

    A partir de sexta-feira (20), o Museu Lasar Segall, que funciona na antiga residência e ateliê do artista, morto em 1957, ficará fechado para o público por conta de uma reforma de seu telhado, rede elétrica e sistema de climatização. A reabertura da instituição, localizada na Rua Berta, 111, na Vila Mariana, está prevista para outubro de 2014. 

    O museu, único órgão em São Paulo vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) do governo federal, foi contemplado com recursos do Fundo Nacional de Cultura e da Petrobras para a realização das obras de infraestrutura. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, anunciou em novembro que o Ministério investirá R$ 1,5 milhão na reforma. Em comunicado, o Museu Lasar Segall afirma que suas atividades, como exposições, cursos e oficinas, “serão desenvolvidas extenamente, em parceria com outras instituições.  

     

  22. Tenente Aldo Raine

    18 de dezembro de 2013 6:44 pm

    Luis, o comportamamento de

    Luis, o comportamamento de Joaquim Barbosa em relalçao ao drama de Genoino e de sua família,merece um pouco mais de atenção sua,e dos comentaristas de carteirinha do blog,principalmente daqueles que de nada sabem tudo.O que JB está fazendo com Genoino é algo de monstruoso,nunca ví nada igual em toda minha vida.Joaquim Barbosa é um lombrosiano.Se duvídas tinha,não mais a tenho.A nomeação de JB para o Supremo foi um   erro monumental de Lula.Seu maior erro político.Um animal político como Lula,não podia ,não devia,não tinha o direito comentar um erro dessa magnitude.Não sabia,não tinha conhecimento de quem se tratava e as consequências que adviriam.Justamente por isso seu erro torna-se monumental.Se está nomeado um ministro da mais alta corte do pais,que fatalmente chegaria a Presidência do STF,teria o dever de buscar todas as informações possiveis e impossiveis.Sobre JB já pesava contra ele o fato gravíssimo de agridir a ex esposa.Bastava isso para a nomeação ser abortada.Todos os Ministros do Supremo á época fizeram alusões sobre o fato,especialmente a ministra Ellen Grecie.O PT nada faz,Lula não se posiciona como se deve,Dilma um ou outro pitaco,sob a tal condição protocolar que não pode se    manifestar,enfim,ninguem faz nada.O drama de Genoino me toca profudamente,como também aos que habitam o Brasil Bom,exceto os fanáticos teleguiados por um cancêr chamado mídia.As consequencias terríveis que um psicopata como Joaquim Barbosa deixará na alma brasileira dificilmente se  cicatrizarão e,infelizmente Lula tem parte nisso.

  23. Tamára Baranov

    18 de dezembro de 2013 9:34 pm

    A saudade que arde. A peleja dos migrantes mexicanos em NY

    Sonhos, realizações, frustrações e tormentas. O que faz com que os migrantes se arrisquem em busca de alguma vida nos Estados Unidos diz mais da América Central do que as estatísticas sobre o continente

    Por Allan da Rosa

    Do Rede Brasil Atual

    Sequestro e tráfico de imigrantes ilegais são rotina na fronteira (GARY WILLIAMS/EFE)

    Spirit of East Harlem – O mural, na Rua 104, é símbolo da diáspora latina em Nova York (CARLOS PRADO/FLICKR/CC)

    Guzmán tem 22 anos e está há dois invernos em Nova York. É Dia das Mães e caminha pelo Harlem latino. Alguns pagam gostosuras para suas coroas ou comem sozinhos, com suas famílias distantes na cabeça. Nas calçadas predomina o verde, vermelho e branco da bandeira mexicana e tendas vendem tacos, chicharrón e quesadillas. A pimenta é a de sempre, mas o que arde é saudade. Guzmán compara com as senhoras que passam e diz que sua mãe é mais bonita. Simpático, pede para não tirar fotos. Ele é mais um jovem entre os milhões de sem-documento nos Estados Unidos e mostra sua felicidade clandestina pela tela do celular.

    São assim os personagens do êxodo mexicano. O telefone de Guzmán conecta Puebla, sua província deixada para trás. A facilidade é espantosa para quem até os anos 1990 gastava muita plata por alguns minutos de conversa. Hoje, até as comunidades rurais mais minguadas do México já têm cabinas de internet lotadas, rodea­das­ de centros comerciais e de câmbio.

    O ciberespaço já foi meio também para organizar passeatas, cursos e festas, ali se traduzem de rezas a hinos de futebol, se ensinam receitas de cozinha e se pressionam autoridades locais: 10% da população mexicana está nos Estados Unidos, 15% da força de trabalho deixou o país e o envio de remessas corresponde a 10% da renda nacional.

    Guzmán mostra pelo celular a família cantando em seu aniversário, as fotos dos brinquedos comprados com o dinheiro enviado. Depois do festejo, restam a gravação e ainda uma velinha virtual que nunca apaga. Quando seleciona as imagens da criançada com as máscaras dos ídolos dos ringues e as caveirinhas do Dia dos Mortos, data insubstituível da cultura mexicana, seu sorriso baixa melancólico. Assim terminam as conversas por Skype, um torneio de lágrimas lá e cá. O clima muda, é hora de arejar.

    Uma loja de artigos de futebol, rara em Nova York, exibe chuteiras e camisas de times e de seleções da América Central. O dono destranca o cadeado para responder sobre o jogo do Puebla e volta ao telejornal com a avalanche de cadáveres degolados e a epidemia de escândalos de corrupção. Mexican Grocery e Mojitos Bar Grill têm seus toldos pomposos e suas calçadas repletas de barracas. Uma igreja tem também sua placa bilíngue: Capilla Evangélica American Spanish Gospel Chapel.

    As esquinas são coalhadas de escritórios para envios de divisas, compra de passagens e recarga de telefones. O La Nacional brilha seu cartaz neon: “más cerca de ti”. A Rua 123 é a principal do East Harlem. Alonga-se até o Harlem negro, onde a Lenox Avenue vai se chamar Malcolm X Boulevard e a Rua 125 tem suas placas com o nome de Martin Luther King. Mexicanos estão em todos os quadrantes, mas aqui é seu centro maior, onde o vocabulário é em spanglish (espanhol com inglês). Políticos, publicitários e comerciantes sabem que daqui a dez anos o espanhol será a língua mais falada da cidade.

    Uma viatura passa lentamente e na calçada uma rapaziada fuma seu porro. Ali ninguém trafica, só consome, e todos ficam atentos. A abordagem que pode exigir os malditos papéis que quase ninguém tem. “Se me pegam, me jogam no presídio”, diz o jovem Andrés, de 22 anos, chapeiro e carregador em um restaurante coreano no Bronx. Desde 2002 o notório stop and frisk (pare e confira) instituiu o “enquadro” (um termo para abordagem policial) a qualquer um que pareça suspeito, e negros e hispânicos somam 86% dos abordados em Nova York.

    Guzmán me acolheu porque fui apresentado por Karla Quiñonez-Ruggiero, presidenta da Adelante Alliance, organização que atua em alfabetização, assistência jurídica e prevenção médica a senhoras com mais de 50 anos. É uma das muitas entidades autônomas dos imigrantes ­mexicanos, entre clubes, comitês, igrejas, associações profissionais e ONGs, que patrocinam festas, abrigam despejados, organizam casórios, passeatas e batalham no campo jurídico por bolsas de estudo.

    O Movimento Justiça Comunitária atua contra ordens de despejo e o crescimento ilegal do preço dos aluguéis. “Os indocumentados não têm cobertura nos hospitais. Passam anos e anos e não veem um doutor, não sabem se têm uma infecção, uma DST. Faltam educação e assistência mínimas. E sobram discriminação nas consultas e exigências nos hospitais, “onde mal te atendem se você falar em espanhol”, diz Karla, que viveu até a adolescência no Distrito Federal, a capital mexicana. Em 1994, ela trabalhou nas bases indígenas de Chiapas. O célebre espírito de solidariedade da região a marcou e a acompanhou quando migrou. Nos últimos anos, puxou também várias campanhas pelo voto nas eleições presidenciais de seu país. “Quase ninguém de nós pode votar porque não tem o bilhete especial que credencia o eleitor, feito apenas no México.”

    Nos últimos anos o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos deteve, encarcerou e deportou os teimosos ou apenas recolheu seus cadáveres pela areia do deserto

    Emprego é favor

    Magdalena Gutiérrez saiu de Tlaxcala, na região central do país, ainda nos anos 1990. Desejava regressar o quanto antes e diz que penou tanto de saudade quanto de fome, mas casou e criou nova família. “Trabalhei em limpeza doméstica e em cozinhas de restaurantes. Era menor de idade e recebia quase nada, sempre esperando pelo aumento prometido nas casas e lanchonetes de Manhattan. Trabalhava 12 horas por dia com duas refeições, sete dias por semana”, diz Magdalena, hoje mãe de Adriana Gutiérrez Flores, pequena comerciante e palestrante em eventos culturais. “Quem não tem os papéis sente medo de ser denunciado ou demitido sem levar nada. Estar trabalhando era como um favor e reclamar era como apunhalar os patrões.”

    O imigrante mexicano médio não tem sequer nove anos de estudo, não domina a escrita em espanhol, muito menos em inglês. “De outros países latino-americanos, como Venezuela e Colômbia, as pessoas vêm com mais anos de estudo”, diz Karla. “A educação poderia dar um pouco mais de força às comunidades, principalmente às mulheres que nem terminaram o ensino primário. Mas é difícil se dedicar 16 horas por dia a um trabalho e estudar.”

    A porção maciça de semianalfabetos entre mexicanos migrantes destoa de outro fenômeno, o da saída dos diplomados, na chamada fuga de cérebros – porém, o acesso à educação superior no México também é quase um luxo. Apenas 2% da população frequentou uma pós-graduação e, destes, apenas 3% obtiveram doutorado. Nos últimos 15 anos, fugindo de condições precárias de trabalho, seguiram para os Estados Unidos quatro doutores por dia.

    Travessia

    A pecha de “ilegal” será uma tatuagem, para quem consegue passar pela vigilância da fronteira. Pode ser pelas braçadas no Rio Bravo, que serve de fronteira entre os dois países ao longo do Texas e onde já boiaram tantos cadáveres. Ou após as peregrinações pelos desertos do Arizona ou de Sonora. Se forem hondurenhos ou guate­maltecos, tiveram ainda outras duas ou três fronteiras para atravessar. Ser sequestrado, recrutado ou ven­dido como escravo pelas gangues do caminho, extorquido ou roubado pelos agentes públicos ou ser violada sexualmente são perigos constantes. Tudo irá compor o acordo prévio com os ­“coi­otes”, guias muito procurados.  “Eles são empresários e aventureiros. Só que a realidade deles tem mudado. Os Zetas, grupo criminoso mais brutal do país,­ controlam a rota do sul ao norte do ­México. Todo coiote que viaja no trem tem de pagar pedágio. Senão, morre.

    Espiões sobem nos trens em todo o percurso, vigiando e contando quem está com quem”, diz Alejandro Reyes, escritor que já percorreu os caminhos migrantes.

    Em 2009, pelos dados da Pesquisa sobre Migração na Fronteira Sul, 600 mil guatemaltecos conseguiram ingressar nos Estados Unidos e outros 20 mil foram sequestrados. De 2010 a 2012, 15 mil pessoas pediram abrigo nos albergues cristãos mexicanos, segundo a Casa Sagrada Família, sediada em Apizaco, no estado de Tlaxcala. É considerável o número de crianças e de gays e lésbicas expulsos de suas casas que se arrisca.

    Chegam com diarreia, desidratados ou vomitando água contaminada, cheios de bolhas nos pés, febris por infecções do caminho. “Na Mesoamérica, de onde vem a maioria dos migrantes, há uma tradição camponesa muito forte. Os tratados de livre comércio, a inundação dos mercados com produtos da agroindústria ­norte-americana, a espoliação da terra pelas indústrias extrativistas… Isso tudo destrói formas de vida e empurra os camponeses para as cidades. Mas tem outros motivos, o principal deles a separação das famílias, rasgadas… São muitos os casos de crianças viajando sós à procura de pais que migraram”, conta Alejandro.

    A Rua 123 é a principal do East Harlem. Alonga-se até o Harlem negro. Mexicanos estão em todos os quadrantes da cidade, mas aqui é seu centro maior, onde o vocabulário é o spanglish

    A migração é uma resposta  dos pobres, dos espirrados; uma espora de esperança que muitas vezes acaba no esgoto ou na cadeia. Mas é a essência também de lucrativas e complexas redes de transporte e de armazenamento de mercadorias, de tramas financeiras e logísticas refinadas, o que não escapa à atenção das organizações de migrantes, dos albergues e da vigilância militar. Nos últimos anos a Operação Streamline, puxada pelo Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos, deteve, encarcerou e deportou os teimosos ou apenas recolheu seus cadáveres pela areia do deserto.

    Mas, seja um caso de pena mínima de dois meses de cadeia ou de alguém mofando esquecido e endividado nas penitenciárias privadas, seja na deportação para a região mexicana de Nogales, onde são jogados à poeira, ou na chegada em farrapos de volta à cidade original, a memória do horror se encavala à audácia de quem não se abate e de novo tentará voltar aos subempregos das capitais do norte, jurando sobreviver à travessia de novo, mesmo se candidatando a uma nova pena de 20 anos nas prisões de lá.

    As histórias do cárcere são repetitivas: pouca ou nenhuma comunicação com a família que fica para trás e as dívidas na conta do presídio para a aquisição de papel higiênico ou de créditos telefônicos. Para acionar familiares, vendem-se travesseiros ou sapatos para os assassinos e estupradores com quem dividem celas. Com muita sorte, consegue-se o dinheiro para a volta à comunidade de origem.

    Há companhias que cobram apenas metade do preço a presos deportados, solidariedade que lembra momentos de generosidade no caminho de ida: entre as pedras e a mira infravermelha que recebiam na cabeça, também vinham água e pães jogados aos trens.

    Alejandro ressalta marcas da viagem: “No trem há algo extraordinário. O vento, o som das rodas de ferro nos trilhos, os galhos batendo na gente, os sons da floresta, o burburinho das cidades e povoados. Contam-se histórias. A palavra que une o passado doloroso e saudoso a um incerto futuro. E há ainda o mais medonho, o silêncio quando o trem para num descampado sem razão aparente. A ansiedade da espera e a possibilidade de que, a qualquer momento, esse silêncio seja quebrado pelos tiros, gritos, prantos de um ataque do crime ou um por um enquadro dos agentes da migração”.

  24. Gilson AS

    18 de dezembro de 2013 11:10 pm

    Todos loiros e não é água oxigenada, verdade !

    Em torno de 10% da população nativa das Ilhas Salomão de pele Negra tem cabelo visivelmente loiro. Alguns insulares acreditam que a cor poderia ser o resultado de uma grande exposição ao sol, ou de dieta rica em peixes, outra explicação seria a de que eles poderiam ter herança genética de ancestrais distantes, como por exemplo, mercadores europeus que passaram pelos arquipélagos há tempos atrás. No entanto essas hipóteses foram derrubadas por cientistas na Universidade Stanford.

    A variante genética responsável pelo cabelo louro dos nativos é distinta da que causa a mesma característica nos europeus. Este caso acaba com qualquer noção que podemos ter sobre os genes dos habitantes revela o geneticista Carlos Bustamante. Nós humanos ainda somos lindamente diferentes, e esta é apenas a ponta do iceberg.

    Fonte: pragmatismopolitico — com Marcia Lucia Litig AraujoWiz Kalhifa Castillo e Deiise Magáli

  25. Claudio.SJ

    19 de dezembro de 2013 9:35 am

    Quando é politico do PSDB não tem destaque na midia

     

    Ex-prefeito (PSDB) de Três Corações se entrega a Polícia Federal

     

    Fausto Ximenes (PSDB) não havia sido encontrado durante operação. Rede de corrupção teria agido durante administração do ex-prefeito

     

    O ex-prefeito de Três Corações (MG), Fausto Ximenes (PSDB), se entregou na manhã desta quarta-feira (18) na Polícia Federal, em Varginha (MG). O ex-prefeito não havia sido encontrado pelos agentes da PF durante a realização da Operação Metástase 57 nesta terça-feira (17). Conforme o delegado regional da PF, João Carlos Girotto, a suspeita é de que o ex-prefeito encabeçava o esquema, já que segundo as investigações, era ele quem liberava o pagamento às empresas que venciam as licitações. A Polícia Federal informou que mais dois mandados de prisões ainda faltavam para ser cumpridos em Três Corações.

     

    Entre os presos e conduzidos, segundo a PF, estão 12 secretários do mandato anterior, o vice da administração passada, Sergio Auad (DEM), e o presidente da Câmara de Três Corações, Altair Nogueira (PPS), além de empresários e servidores públicos. Também foram presos dois secretários da atual administração que também ocupavam cargos de confiança na administração passada.

     

    O atual prefeito de Três Corações, Cláudio Pereira, disse que por enquanto não vai se pronunciar sobre o assunto. Os dois funcionários já foram exonerados. Segundo o diretor da Câmara Municipal de Vereadores, Jorge Vitor da Costa, quem assume interinamente a presidência do Legislativo é a vice-presidente Regina Valadão Moisés, do Partido da Solidariedade.

     

    Em nota oficial distribuída à imprensa, a Prefeitura de Três Corações informou que “apesar da atual administração não pactuar com qualquer desvio de conduta, preocupa-se com os servidores envolvidos, esperando a solução final da justiça para que possa se posicionar e tomar as devidas providências. O município de Três Corações espera que a justiça prevaleça e que apure as devidas responsabilidades”.

     

    Segundo o auditor fiscal e coordenador da operação, Rôney Freire, a Receita Federal vai analisar todos os documentos apreendidos na operação. O objetivo é identificar o que de fato é ilícito. Os envolvidos podem ter que devolver os valores desviados ou ter os bens bloqueados. Todas as provas encontradas serão encaminhadas ao Ministério Público, que dará prosseguimento à denúncia. Ainda não há uma data de quando o trabalho será concluído.

    O advogado do presidente da Câmara, Adriano de Oliveira Silva, disse por telefone que não vai comentar o assunto, já que o processo corre em segredo de Justiça. O G1 ainda não obteve retorno dos advogados dos outros suspeitos presos pela Polícia Federal.

     

    O esquema de corrupção

     

    Segundo a Polícia Federal, eles faziam parte de uma organização que desviava recursos públicos a partir de fraudes em processos licitatórios. Segundo a investigação, empresas eram contratadas pela Prefeitura de Três Corações (MG) por meio de licitação, mas não executavam o serviço e a verba do contrato era desviada.

     

    A rede de corrupção teria agido durante a administração do ex-prefeito de Três Corações, Fausto Ximenes (PSDB), que cumpriu mandato de 2009 a 2012.

     

    As investigações começaram no início de 2012 a partir de informações sobre fraudes nos processos de licitação da prefeitura. “Encontramos indícios de peculato e corrupção em contratos nas áreas de pavimentação, shows e eventos, limpeza urbana, transporte público, merenda escolar, artigos para escritório e mobiliário, aquisição de medicamentos, serviços de internet, aquisição de software, publicidade e locação de imóveis e obras contratadas pela prefeitura”, enumerou o delegado da Polícia Federal Leopoldo Soares Lacerda, durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (17).

     

    Segundo a PF, a partir das informações, foram analisados cerca de 100 contratos entre a prefeitura e fornecedores de produtos e serviços, totalizando mais de R$ 33 milhões em que existe suspeita de desvio de recursos. “O que acontecia é que uma empresa de serviços era  contratada pela prefeitura, mas ela não executava o serviço. Ao invés disso, a própria prefeitura fazia o serviço, gerando mais custos, mas a empresa contratada recebia o valor pelo trabalho”, explica Lacerda.

     

    O esquema, segundo a PF, tinha como objetivo o enriquecimento ilícito dos gestores da prefeitura e empresários. Com o desvio de recursos, muitos serviços básicos da prefeitura deixaram de ser executados. “A prefeitura usava recursos para comprar medicamentos, por exemplo, superfaturava o valor de compra, mas o dinheiro era entregue para a empresa que fazia parte do esquema e que não fornecia o produto. Portanto, o medicamento que seria distribuído de forma gratuita pela administração não era entregue”, afirma o chefe da Polícia Federal de Varginha João Carlos Girotto.

     

    Fraude em processo de licitação

     

    Ainda de acordo com Girotto, alguns requisitos do processo de licitação eram alterados para que empresas que não poderiam participar fossem contratadas. “Por exemplo, algumas das empresas tinham dívidas com a União, ou com o Estado, e não tinham a Certidão Negativa de Débito. Aí esse requisito era retirado do processo de licitação para que a empresa envolvida no esquema pudesse participar e ganhar o contrato”, afirma.

     

    O esquema, segundo Lacerda, envolvia ainda a contratação de empresas em que os proprietários eram servidores da Prefeitura Municipal, o que é vedado por lei. Os auditores da Receita Federal investigam ainda crime de sonegação fiscal, mas nenhum valor foi informado durante a coletiva.

     

    Operação Metástase 57

     

    Ao todo foram cumpridos 37 mandados de prisão temporária pela Polícia Federal. Também foram cumpridos 18 mandados de conduções coercitivas, onde os detidos prestaram depoimentos e foram liberados, e 73 mandados de busca e apreensão em diversos pontos nas cidades de Três Corações, Lavras (MG), Varginha (MG), Brasília (DF), Franca (SP) e Belo Horizonte (MG).

     

    Ainda segundo a PF, cerca de R$ 800 mil foram apreendidos na operação, R$ 500 mil deles em uma empresa de Belo Horizonte que participava do esquema. Ainda foram apreendidos cheques, computadores, documentos e contratos.

     

    A operação, chamada de “Metástase 57”, faz referência à proliferação da corrupção, e 57 é o número do prédio da Prefeitura de Três Corações. Nesta terça-feira (17), 350 policiais federais e 27 auditores fiscais participaram dos trabalhos.

     

    Os 33 políticos, servidores e empresários detidos durante a operação ficarão presos por cinco dias, podendo ser prorrogada a prisão por mais cinco dias. Eles foram encaminhados para a Penitenciária de Três Corações e podem responder por formação de quadrilha, falsidade ideológica e crime da lei de licitações. Numa segunda etapa da investigação, eles ainda podem responder por lavagem de dinheiro.

     

    Casa do Pelé

     

    Um dos alvos da operação, a réplica da casa onde Pelé viveu durante a infância, foi inaugurada em 23 de setembro de 2012. De acordo com a investigação da PF, a obra foi orçada em R$ 147 mil e uma construtora de Três Corações foi contratada para executar o serviço. A empresa recebeu o valor da obra, porém não fez o serviço, de acordo com o delegado Lacerda, mas a construção foi executada pela própria prefeitura.

     

    “Ainda está sendo apurado, mas ao menos mais R$ 200 mil foram gastos na obra [da casa do Pelé] viabilizados por um contrato ‘de fachada’ com outra empresa, e usado para custear a reforma”, afirmou o delegado Lacerda.

     

    Na inauguração da casa, em setembro de 2012, o Rei Pelé esteve na cidade para visitar a casa e levou uma multidão para as ruas. A réplica da residência foi construída no mesmo local onde ficava a casa onde o Rei do Futebol viveu durante a infância.

     

    Suspeita de corrupção de menores

     

    Em maio de 2013, o presidente da Câmara dos Vereadores de Três Corações, Altair Nogueira, já havia sido alvo de suspeita de corrupção de menores durante uma festa em um sítio em Varginha (MG). Nogueira e o dono de um jornal de Três Corações foram convocados a prestar depoimento para uma comissão da Câmara dos Deputados que investigava turismo sexual de menores no Brasil.

     

    A convocação foi dada após fotos e vídeos da festa, que aconteceu em 2011, irem parar na internet. Nas imagens, duas mulheres aparecem fazendo poses sensuais e praticando sexo com os suspeitos. No registro, é possível ver duas jovens, uma delas menor de idade e que, segundo ela, iria fazer 16 anos na época.

     

    Segundo Girotto, a Polícia Federal investiga indícios de que, no dia em que o presidente da câmara estava na festa em Varginha, diárias de trabalho foram pagas ao vereador. “O que consta é que ele deveria estar trabalhando nesse dia, as diárias foram pagas, mas o que as imagens revelam é que a situação era outra nesse dia”, afirmou o delegado. As informações são do G1.

    http://www.novojornal.com/minas/noticia/ex-prefeito-de-tres-coracoes-se-entrega-para-a-policia-fede-18-12-2013.html

  26. Sérgio Lamarca

    19 de dezembro de 2013 9:47 am

    Companhias Aéreas – Transtorno bipolar

     

    “Atendente da Gol perde a cabeça e é gravado em discussão com passageiro”.

     

    As duas faces da moeda do transtorno bipolar que passa as conpanhias aéreas no Brasil devido ao oligopólio.

    Clientes estressados e funcionários sem educação. Aos são os efeitos da nulidade da ANAC e do MInistério do  Moreira “meu nome é trabalho” Franco que em nada fazem para melhor os serviços prestados das companhias aéreas.

    Depois do vôo vc recebe a mensagem para responder um questionário do que vc achou do vôo.

    Solução a vista? a meses da Copa vamos viver um caos aéreo, comprem suas passagens a preços exorbitantes, apertem o cinto e tenha paciência, pois precisarão ter.

     

    PS: inusitado: perdi um vôo Gol para Manaus em 10 minutos, ou seja cheguei depois dos 30 minutos limites da ANAC para o embarque. Vôo não tinha começado o embarque. Imediatamente fui ao balcão e foram mais 250 reais para pegar o próximo vôo. Dia seguinte vôo atrasado em 1 hora, sabe quanto eu fui indenizado? Zero!

  27. nilo

    19 de dezembro de 2013 11:08 am

     
     
    ITÁLIA – RECESSÃO DANOS

     

     

    ITÁLIA – RECESSÃO DANOS SÓ IGUAIS AO DE UMA GUERRA – Relatório da Confindustria Italiana

    A profunda recessão (a segunda em 2 anos) terminou. MAIS  SEUS EFEITOS NÃO. O PAÍS SOFREU UMA GRAVE PARADA E SE TORNOU MAIS FRÁGIL, TAMBÉM NO FRONTE SOCIAL.

    OS DANOS SÃO COMENSURÁVEIS SÓ COM AQUELES DE UMA GUERRA.

    POBRE E SEM TRABALHO: 7,3 MILHÕES DE DESEMPREGADOS, DUAS VEZES A CIFRA DE SEIS ANOS ATRÁS. TAMBÉM OS POBRES DUPLICARAM PARA 4,8 MILHÕES.

    AS FAMÍLIAS CORTARAM 7 SEMANAS DE CONSUMO AO ANO (CERCA DE 5.037 EUROS)

    A TAXA DE DESMPREGO FICARÁ AINDA EM 12% NOS PRÓXIMOS 2 ANOS.

    RELATÓRIO DA FEDERAÇÃO DA INDÚSTRIA ITALIANA IN CORRIERE DELLA SERA-IT

     

    http://www.corriere.it/economia/13_dicembre_19/confindustria-la-recessione-finita-ma-restano-danni-come-quelli-una-guerra-49045332-688f-11e3-a596-3f90988b64b7.shtml

  28. OTAVIO BARROS

    19 de dezembro de 2013 3:06 pm

     
    Faleceu senador João

     

    Faleceu senador João Ribeiro,

    candidato a governador do Tocantins

    O senador da república, João Ribeiro (PR), vereador e ex-prefeito de Araguaina, ex-deputado estadual e federal, e com a candidatura consolida com aliança de partidos para disputar a eleição de governador do Tocantins, faleceu na manhã desta quarta-feira, 18, no Hospital Sírio Libanês, em  São Paulo. Ele estava na UTI há vários dias.

    Ribeiro teve complicações decorrentes após transplante de medula para tratamento da Sindrome Mielodisplásica hiperfibrótica (SMD) [um tipo de leucemia]. A medula foi doada por seu irmão, o comerciante Lázaro Ribeiro. Ele chegou a se afastar das funções parlamentares em fevereiro deste ano. Em agosto de 2013 reassumiu a vaga no Senado da República ainda durante o período de convalescença da doença. Na semana passada a família chegou a pedir que a população do Estado fizesse orações pelo restabelecimento do senador.

    A sessão da Assembleia Legislativa do Tocantins da manhã desta quarta-feira, 18, foi cancelada  em razão do falecimento do senador. O presidente Sandoval Cardoso (SDD) ligou para o vice-presidente da Casa de Leis, Osíres Damaso que comunicou a notícia em plenário. Com o falecimento do senador o suplente Ataídes de Oliveira ficará com a vaga.

     

    Perfil do senador

    Filho de uma funcionária pública (Tereza Hilário Ribeiro) e pai pedreiro (Jesus Francisco da Silva), João Ribeiro trabalhou desde os dez anos de idade para ajudar na criação dos irmãos. É ele quem conta: “Nós somos uma família de sete irmãos, cinco homens e duas mulheres. Uma família humilde, onde todos conseguiram a sua independência. Minha mãe morreu aos 47 anos de idade. Meu pai foi assinado em 1964, em Rubiataba (GO). Desde pequeno trabalhei. Fui engraxate, vendedor de picolé, trabalhei na roça, puxei enxada – pela minha altura a pior era a de feijão onde eu tinha de trabalhar o tempo todo curvado. Fui também padeiro. Depois, aos 15 anos, comecei a trabalhar numa ótica. Foi no ramo da ótica que garanti o meu sustento e dos meus irmãos, por muitos anos, tendo sido dono de algumas óticas antes de me enveredar pela política”.

     

    Atividade Política

    João Ribeiro disputou sete eleições, ganhou seis. De todas as vitórias, a mais disputada e comemorada foi a eleição para prefeito de Araguaína, com 34% dos votos. Eram quatro candidatos e não havia segundo turno. Foi um grande mandato, que segundo muitos, até hoje não foi suplantando por nenhum outro prefeito em termos de obras e projetos em benefício da população local. João Ribeiro começou sua vida política em 1982, como vereador eleito pelo PDS – Partido Democrático Social, representante do esporte de Araguaína. Na condição de presidente da Liga de Futebol de Araguaína, realizou vários torneios de integração do norte do país. Alguns, com participação de até 60 municípios.

    A partir de 1986, na condição de deputado estadual mais bem votado, dentre todos os parlamentares da oposição, desempenhou importantes atribuições como a representação da classe dos garimpeiros, fiel ao tempo em que atuou como delegado nacional do sindicato da classe, no auge do garimpo de Serra Pelada. Como líder do PFL – Partido da Frente Liberal, na Assembleia Legislativa de Goiás em 1988, trabalhou na persuasão dos políticos goianos sobre a importância da criação do estado do Tocantins que se transformou no principal marco de sua carreira política. Eleito para prefeito de Araguaína, com 34% dos votos numa das disputas mais acirradas da história da cidade, cumpriu mandato entre 1989 e 1993. Sua administração ficou marcada pelo incessante trabalho na execução de importantes obras para o município.

     

    Deputado Federal

    Conquistou seu primeiro mandato em Brasília, como deputado federal em 1994. Foi reeleito nas eleições de 1998. Na Câmara dos Deputados pautou seu trabalho na defesa dos interesses do Tocantins, conseguindo ano a ano que recursos de toda natureza fossem destinados ao Estado. Além disto, ainda na Câmara federal, ora como titular, ora como suplente, atuou na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização; na Comissão Representativa do Congresso Nacional; nas Comissões Permanentes: de Agricultura e Política Rural; da Amazônia e de Desenvolvimento Regional; de Direitos Humanos; de Economia, Indústria e Comércio; de Seguridade Social e Família; de Trabalho, Administração e Serviço Público; de Viação e Transportes e nas Comissões Especiais: de Concessão e Distribuição do Gás Canalizado; de Demarcação das Terras Indígenas; de Recursos Destinados à Irrigação; de Relações de Trabalho do Atleta Profissional de Futebol e Normas Gerais sobre Desportos, a Lei Pelé; na do Código de Trânsito Brasileiro; na de estabelecimento de Normas Gerais para Instituição de Regime de Previdência Complementar: Suplente e no Projeto do Sistema Financeiro Nacional.

    Durante este período, atuou no Executivo do Tocantins, em duas oportunidades. Primeiro em 1997, quando foi secretário de Turismo Ecológico e, depois, entre 2001 e 2002, ocupando a titularidade da Secretaria do Governo, ambas as oportunidades tendo à frente do Governo Estadual, José Wilson Siqueira Campos.

     

    Senador da República

    Hoje, como senador da República, representando o Estado do Tocantins, tem sua atuação sempre lembrada pelo caráter municipalista. João Ribeiro trabalha muito para levar recursos aos municípios tocantinenses, e sua posição como líder do PR e membro do Conselho Político do Presidente Lula, tem lhe permitido uma posição de destaque. O senador ajudou ainda a fundar a Associação Comercial de Araguaína. Defendeu desde o começo a construção da Ferrovia Norte Sul, as hidrelétricas dos rios Araguaia e Tocantins. E tem trabalhado para levar saneamento básico, esportes, estradas e turismo para os municípios do seu Estado.

    Hoje é reconhecido como o líder das oposições no Tocantins, e nas últimas eleições municipais percorreu todo o Estado fortalecendo seus aliados, que além do partido que preside (o PR), compõem agremiações políticas como o PSDB, PP, PTB, PRTB, PV, PSC, PMN, e PT.

     

    Experiências Marcantes

    O marco mais importante na vida do senador João Ribeiro foi da criação do Tocantins. Era líder do PFL na Assembleia Legislativa de Goiás quando o Brasil fazia a Constituição de 88 e os estados elaboravam as constituições estaduais. Foi neste período que João Ribeiro teve uma das maiores projeções como político. Usava muito a tribuna em defesa do novo estado e não perdia uma oportunidade de convencer os colegas deputados estaduais sobre a necessidade de separar a região, defendendo sempre a proposta apresentada ao Congresso Nacional pelo então deputado federal Siqueira Campos.

     

    Conquistas políticas

    Teve participação ativa na luta pela criação do Estado do Tocantins. Trabalhou para conseguir os recursos para a construção do Aeroporto de Palmas, a Ferrovia Norte-Sul, os aeroportos do interior do estado, campos de futebol, saneamento básico, construção de casas, rodovias, asfalto para estradas federais, estaduais e municipais, quadras poliesportivas, hospitais, obras de canalização de córregos, infraestrutura urbana, postos de saúde, além do Parque Industrial de Araguaína.

     

    Sua família

    João Ribeiro é hoje casado com Cinthia Alves Caetano Ribeiro, com quem tem um filho, João Antônio Caetano Ribeiro. O senador é pai de mais seis filhos: Luana Ribeiro, João Ribeiro Júnior, Diêgo Afonso Ribeiro, Giovanna Remor Stecanela Ribeiro, Maria Teresa Paranaguá Ribeiro e Fábio da Cunha Ribeiro. Dois de seus filhos já se enveredaram pela atividade política. Luana Ribeiro (PR) é deputada estadual pelo Tocantins, eleita em 2006, e João Ribeiro Júnior, o J.R., é presidente regional do PRTB no Estado.

     

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