Papai Noel é entrevistado no Roda Viva e confessa usar cueca vermelha
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DE SÃO PAULO
Giovana Andrade, 10, sempre quis tirar uma dúvida com o Papai Noel: já que todas as crianças do mundo deixam biscoitos para ele na noite de Natal, comer essa quantidade de guloseimas não faz mal à saúde?
Ela pôde tirar essa e outras dúvidas na gravação do Roda Viva, que aconteceu nesta quinta-feira (19). O famoso programa de entrevistas da TV Cultura convidou o Papai Noel de carne e osso para responder perguntas de uma bancada de crianças. O programa vai ao ar na terça-feira (24), às 20h.
“Nunca tinha visto o Papai Noel de carne e osso na minha frente. Ele veio direto do Polo Norte só para ser entrevistado”, contou Mateus Ribeiro, 11, que participou do programa e é também apresentador do programa “Cartãozinho Verde”, na Cultura.
Jair Magri/Divulgação
Papai Noel no programa Roda Viva
No especial, o Papai Noel aproveitou para explicar que os papai noéis que estão nos shoppings são apenas ajudantes dele –e não o bom velhinho de verdade.
“Os que ficam na rua não são tão reais, é fácil perceber. Dava para sentir que o da entrevista era o de verdade”, disse Giovana, depois do programa.
Quanto à pergunta que ela sempre quis fazer, Papai Noel não gaguejou ao responder. “Ele disse que come poucos, mas que guarda todos em uma geladeira lá na casa dele.”
Matheus reclamou apenas de uma coisa: “Quando eu era pequeno, ele aparecia mais na minha casa. Continuo ganhando presente, mas não vejo mais o Papai Noel. Quase dei um puxão de orelha nele.”
O debate, que contou com a presença das palhaças Manela e Emily, do grupo Jogando no Quintal, foi mediado pelo apresentador Fabiano Augusto. “Fiquei um pouco nervoso no começo, afinal estava na frente do bom velhinho de verdade. Mas depois a gente se soltou e perguntou até se a cueca dele é vermelha. E ele disse que sim”, contou Fabiano.
O ano começou com o terrorismo midiático informando que o Brasil corria sérios riscos de apagão elétrico e que o racionamento de energia seria inevitável.
Em janeiro a revista “Isto É” estampou em letras garrafais a manchete:
“Possibilidade de racionamento afeta confiança de empresários, dizem economistas”
Ao contrário do apagão o que se viu foi a inauguração de várias hidrelétricas que já estavam em construção, tantas outras que serão entregues nos próximos anos e a expansão de outras matrizes aumentando a nossa capacidade de fornecimento energético, além do governo ter feito despencar o preço da energia.
Em abril, a “crise do tomate” que levou uma conhecida apresentadora da rede Globo a usar um colar de tomates para pressionar o Banco Central a elevar os juros. Na próxima talvez a obriguem de colocar uma melancia no seu traseiro.
Durante todo o ano o governo foi bombardeado com matérias pseudo – jornalísticas que exploraram de maneira sórdida:
1) Ineficiência do modelo de concessões e falta de planejamento.
O que se viu foram as concessões vitoriosas dos portos, aeroportos, rodovias e no pré-sal.
2) Inflação descontrolada.
Desde o primeiro semestre o comentarista do blog “foo” veio apresentando, mês à mês, quadros comparativos de inflação com anos anteriores demonstrando que a inflação estava completamente dentro das margens e equivalentes as meses correlatos de vários anos anteriores a 2013. Resultado, estamos fechando o ano com a inflação dentro das expectativas do governo e provavelmente ainda menor do que o ano anterior.
3) Risco de alta no desemprego.
Terminamos o ano com índices recordes de emprego.
4) Movimentos de rua de junho.
A grande mídia tentou colocar as manifestações como se fossem contra o governo Dilma e aproveitaram para tentar alavancar as candidaturas de Aécio (no desespero Serra) e Eduardo Campos (no desespero Marina). Resultado, todas as pesquisas posteriores demonstraram que Dilma ganha no primeiro turno.
5) Mais médicos.
A cobertura jornalística priorizou entrevistas com médicos e dirigentes dos CRMs que atacaram em defesa do corporativismo da classe, e omitiu o sucesso deste tipo de plano de atendimento em países que o implementaram levando saúde às populações esquecidas e abandonadas. Resultado, o plano tem alcançado um sucesso estrondoso.
6) Que o país estava parado.
Mesmo com os inúmeros canteiros de obras Brasil adentro, construção de imóveis residenciais, estradas, portos, estaleiros, plataformas de petróleo, o país voltando a fabricar navios, o comércio vendendo como nunca, criação de novos postos de trabalho, etc.
7) As condenações na AP 470.
Tentaram mais uma vez colocar a pecha de que “nunca se viu tanta corrupção no país”, como se fosse uma exclusividade do PT, chegando, a grande mídia, inclusive a lançar o nome de Barbosa como candidato à presidência da república.
8) Que a copa será um fracasso.
O sucesso recente da copa das confederações não foi suficiente para pautar análises mais equilibradas sobre a copa 2014. 9) A desindustrialização.
Esse foi mais um tópico recorrente. No entanto, a nossa mídia tradicional foi incapaz de falar nos vários incentivos do governo como as concessões vitoriosas em todos os setores da infraestrutura, a diminuição de impostos para a cadeia produtiva, a diminuição do preço da energia, disponibilização de dinheiro via BNDES, etc. Omitiu que o governo do PT reativou a nossa indústria naval para a fabricação de estaleiro e navios. A maré do contra é tão grande que até na recente aquisição dos jatos Gripen para a aeronáutica que priorizou a transferência de tecnologia e a fabricação deles em território nacional foi alvo de criticas.
O que mais se viu nas matérias “jornalísticas” foram frases como; “o gigante acordou”, “o país está parado”, “a inflação voltou”, etc.
Um jornalismo tendencioso e desinformativo que induz a população ao medo e a baixa qualidade de conhecimento.
Gehry no Walt Disney Concert Hall, amplamente elogiado por sua fidelidade acústica: “Vou com frequência — é a única obra de minha vida, além de minha casa, que uso”
Ele é ranzinza, conta-me alguém que conhece Frank Gehry bem, quando lhe pergunto o que esperar de meu encontro com o arquiteto. Ranzinza, mas doce. É com isso em mente que, ao ser apresentado a Gehry no escritório de seu estúdio em Los Angeles, tento explicar com toda a gentileza do mundo qual é meu papel como jornalista de artes do “Financial Times”.
“Então, você não entende nada de arquitetura?”, responde em tom que, com toda a honestidade, não tem nada de doçura. Absorvi uma coisa ou outra com o tempo, respondo. “[Na matéria] você não vai ficar me chamando de uma droga de ‘starchitect’ [mistura de “arquiteto” e “estrela”, em inglês], não? Odeio isso.” Objeção anotada, em alto e bom som, respondo.
Gehry, de 84 anos, é um arquiteto cuja fama não é nada pequena e cujos feitos podem ser descritos, sem medo de errar, como “estelares”. O que ele pensa sobre essa pequena palavra aparentemente inofensiva, no entanto, engloba uma discussão bem mais ampla e incisiva sobre sua posição no panteão dos arquitetos contemporâneos.
As construções espetaculares de Gehry – as mais famosas são o Museu Guggenheim, em Bilbao, e o Disney Concert Hall, em Los Angeles – subjugam o ambiente onde estão, segundo seus críticos. Seu estilo distintivo – para resumir, podem chamar de “sensual metálico” – é repetitivo e desrespeitoso com o contexto local, dizem os críticos. Ele projeta construções a partir de pedaços de papel amassados. Ele desfruta de sua celebridade e seus clientes desfrutam de associar-se ao que se tornou uma das principais marcas culturais do mundo. Precisam de um novo museu? Liguem para Frank Gehry. A regeneração urbana da área e a cobertura da imprensa com suplementos em cores estão garantidas; a credibilidade cultural também.
Todas essas críticas sempre me soaram mal dirigidas ou maliciosas ou, simplesmente, pura bobagem. (Os papéis amassados aparecem como piada na aparição de Gehry em “Os Simpsons”). Ainda assim, o epíteto de “arquiteto-estrela”, com toda a sua carga, evidentemente machuca.
Com o Guggenheim de Bilbao, centenas de milhões de euros incrementaram a economia da cidade, 80% relacionados ao museu
“Você sabe, jornalistas o inventaram e agora o usam para nos assombrar”, ele prossegue, em sua abertura defensiva à nossa conversa. Adoro sua arquitetura, digo com honestidade, na esperança de que o tema polêmico se dissipe. Adoro desde que fui encarregado de cobrir a abertura do Museu Guggenheim no outono espanhol de 1997 e pude vislumbrar de relance, a partir do fim de uma ruazinha insalubre, sua gritante elegância resplandecente. Foi a primeira vez na vida que vi a cultura sinalizar tão claramente o futuro, como uma placa: novo século logo a seguir, vire à direita aqui.
A menção do Guggenheim tem efeito amaciante. “Alguém me disse, algum político, que a obra ajudou a mudar o clima político no País Basco”, afirma Gehry. “Eles queriam que eu fizesse o mesmo pelo país deles!”, conta, rindo um pouco. (Ele não revela qual era o país.) “Uma vez que estava construído, esse movimento separatista que tentava encontrar a própria identidade, de repente, havia encontrado o próprio símbolo. Havia algo para ser otimista, que não estava lá antes. Isso é o que me contaram.” O arquiteto parece um pouco constrangido pela magnitude da reivindicação: “Nunca pensei nisso dessa forma”.
Ele também não tinha ideia de que o “efeito Bilbao” se tornaria um modelo internacional de regeneração por meio da cultura. “Lembro-me de todos aqueles encontros em que as pessoas falavam sobre suas esperanças de dar um impulso comercial”, relata. “Mas isso não constava como possibilidade para mim. Pensava que esses sujeitos acreditavam em contos de fadas, se achavam que uma construção poderia fazer aquilo.”
Gehry recita rapidamente os resultados do conto de fadas que foi a intervenção: centenas de milhões de euros em atividade econômica na cidade, cerca de 80% disso relacionado ao museu, que atrai 1 milhão de visitantes por ano. “Então, há o impacto social. Antes da construção, garotos completavam o colegial e partiam. Agora, há um alto índice de matrículas em faculdades de arquitetura.” Pausa para dar o tempo da piada. “Não tenho tanta certeza se isso é bom mesmo!”
Orgulho urbano por meio da arquitetura: não é uma ideia tão nova, diz. Se você mora na Grécia, tem orgulho do Partenon, se você mora em Nova York, tem orgulho do prédio da Chrysler. Aqui em LA, temos a placa de ‘Hollywood'”. Ele fala tão naturalmente [a parte da placa] que quase chego a pensar que fala sério, até que se entrega com outra risada.
O que Los Angeles tem é o Disney Concert Hall, que celebrou seu décimo aniversário em outubro. A obra, amplamente elogiada por sua fidelidade acústica, incrivelmente vem desencadeando seu “efeito Bilbao”, ajudando a reanimar o infame e indescritível distrito central da cidade. A sala de concertos é o lar da Filarmônica de Los Angeles, cuja presidente e executiva-chefe, Deborah Borda, se entusiasma com a intervenção de Gehry. “Não dá para andar pela edificação sem ver algum símbolo de tudo o que há de certo nesta cidade”, conta, enquanto me mostra o local. “Quando vejo pessoas tirando fotos de casamento do lado de fora do prédio, sei que ele deixou a própria marca.”
Fachada do Disney Concert Hall, onde Dudamel é diretor da orquestra: Gehry gosta tanto do maestro venezuelano que está projetando uma sala de concertos para sua cidade natal
Com o diretor musical da orquestra, Gustavo Dudamel, o Disney Concert Hall vem desempenhando papel central no estabelecimento de uma identidade cultural mais séria para Los Angeles. “As pessoas adoram o prédio e a orquestra”, diz Deborah. “Los Angeles sempre foi um lugar para espíritos livres. E é isso que Frank é. Ele é um espírito livre bem-sucedido; e algumas pessoas não gostam disso.”
Grande apreciador de música, Gehry tem interesse pessoal no Disney Concert Hall. “Vou com frequência – é a única obra de minha vida, além de minha casa, que uso; e faço muitos trabalhos lá, [é] quase parte da família.”
Gehry é tão empolgado com Dudamel, principal destaque do programa radical de educação musical da Venezuela conhecido como El Sistema, que está projetando uma sala de concertos para a cidade natal do maestro, Barquisimeto. “É tão democrático, tão socialista”, diz Gehry sobre o impacto de ver El Sistema diretamente. “É um grande choque de inspiração, em um momento em que isso é necessário. E ‘The Dude’ [apelido que acabou ganhando e geralmente é usado em inglês para chamar alguém amigavelmente], que Deus o abençoe, tem mais energia do que todos nós somados.” O projeto da sala de concertos, revela, é uma “espécie de sonho de projeto”.
É mais difícil trabalhar nesses projetos do que aqueles nos quais ele se sente menos ligado pessoalmente?
Gehry saboreia a pergunta por alguns segundos e responde muito lentamente. “Sou muito rigoroso. Não sei se isso é conhecido normalmente. Há esse tipo de noção por aí de que simplesmente pego uma forma e comprimo tudo dentro disso. Isso está longe de ser verdade. Para mim, a compensação sempre é trabalhar com as pessoas e deixá-las contentes. Sinto que alcancei algo. Talvez tenha nascido para agradar!”
Se ele se vê como uma marca?
“Não. As pessoas tentam dizer isso sobre mim, mas não acho que seja verdade. Não acho que tenha me repetido. Uso metais, mas em diferentes construções. Não se pode escapar da própria assinatura. Um homem que foi considerado um dos maiores arquitetos do século XX, Mies van der Rohe, se repetia interminavelmente. Mas se é bom, é bom.”
Em Los Angeles, o Disney Concert Hall vem desencadeando seu “efeito Bilbao”, ajudando a reanimar seu infame distrito central
Gehry nasceu em Toronto como Frank Goldberg, filho de judeus poloneses (mudou seu nome em meados dos anos 50, em reação ao antissemitismo) e continua a referir-se à sua herança religiosa quando discute seu trabalho. “Cresci em uma família talmudista e o ‘Talmude’ começa com a questão ‘por quê?’. É uma fórmula garantida de curiosidade; e a curiosidade é a força vital da criatividade. Se você não é curioso, não pode fazer nada.”
“Mas outra coisa que tirei do ‘Talmude’ é a regra de ouro de Hillel: trata os outros como gostaria que te tratassem […] E eu aplico isso quando faço uma construção. É preciso ter respeito pelo sujeito a seu lado. Isso é muito importante para mim.”
Ainda assim, sua arquitetura é considerada controversa, digo. Há alguma parte dele que gosta do atrito e da polêmica?
“Não! Eu gosto da interação com o cliente. Estou interpretando para eles todos os critérios que me dão, financeiros, práticos, os prazos; e tento explicar as opções que poderiam considerar. Estou tentando iluminá-los, para que cheguem a uma posição em que possam ser críticos e dizer: ‘Não, não, não, eu não quero isso!’.”
Na verdade, entretanto, o mundo parece gostar de dizer “sim, sim, sim” a Gehry. Entre os projetos que estão em estudo, há outro museu Guggenheim, em Abu Dhabi; um memorial para o ex-presidente americano Dwight D. Eisenhower, na capital, Washington; uma recém-anunciada série de prédios de apartamentos na antiga usina elétrica de Battersea, em Londres; e novas instalações para o Facebook, no Vale do Silício.
Gehry me leva para caminhar por seu estúdio e discutir os trabalhos em andamento. A atmosfera é de muita aplicação, com um ar de experimentação: há quadros e desenhos aparentemente não relacionados em cada estação de trabalho. Não posso deixar de notar pedaços de papel verde por todos os lados nos modelos. Então, afinal, ele usa mesmo papel amassado? “São árvores”, responde Gehry, impassível. Não é de surpreender que ele tenha emplacado uma menção nos Simpsons.
O Guggenheim de Bilbao: “Não acho que tenha me repetido. Uso metais, mas em diferentes construções. Não se pode escapar da própria assinatura”, diz o arquiteto
O projeto Eisenhower é o que vem lhe dando mais dores de cabeça atualmente, com a família do ex-presidente alinhando-se contra o arquiteto por ele ter enfatizado a origens modestas de Eisenhower. “É complicado”, diz Gehry. “Envolve o governo, uma figura histórica que não está mais aqui e sua família, que pode estar atuando ou não nos melhores interesses dele. Acho que é um retrato honesto.”
“As pessoas que se opõem a mim querem deificá-lo, mas essa não era sua personalidade. Eles dizem que o mostro como um caipira de Abilene [a cidade de Kansas onde Eisenhower cresceu]. Mas ele mencionou Abilene em muitos de seus discursos. Eu mostro a eles que Abilene está quase ali no centro geográfico da América. É a América média. Esse homem veio da América média e chamá-lo de caipira não é nada americano!”
E, então, o tom de sua voz de repente se torna cansado: “Não sei se vai ser construído”.
O arquiteto se mostra animado ao discutir as instalações do Facebook, que são tão diferentes das marcas características das obras de Gehry quanto se possa imaginar: ele me mostra um alongado complexo inclinado de estruturas, com jardins sobre terraços e um quê de biblioteca. “É uma instalação de pesquisas, não algo que precise ser uma construção icônica. [Mark] Zurckerberg veio aqui. Ele não é um fanático da arte ou arquitetura. Ele é um garoto muito focado e está se saindo bem.” (A esta altura já começo a ficar acostumado às declarações lacônicas e subestimações de Gehry).
“Falamos muitos sobre as coisas que ele adora, e ele adora caminhar”. Daí os jardins. “Ele é um garoto de estar ao ar livre. É como se exercita, é como pensa.”
Essa não é uma obra que vai lhe dar problemas, digo, enquanto completamos o tour pelo estúdio. Gehry ainda está pensando no cliente. “Ele adora espaço. E está no orçamento.” Digo que Deborah Borda o descreveu como um homem incrivelmente prático.
“Sou um bom ouvinte”, afirma Gehry quase queixosamente. “Presto atenção.” (Tradução de Sabino Ahumada)
Da Caros Amigos – O ensino público visto por dentro – Renato Pompeu – Depois de passar algumas semanas assistindo a aulas de História no ensino fundamental e médio numa escola pública, cheguei à conclusão que as deficiências do ensino público não devem ser atribuídas a falhas individuais dos professores ou dos alunos, mas a toda uma estrutura há muito tempo obsoleta que não consegue lidar com as condições atuais do aprendizado; afinal, nas últimas poucas décadas o ensino público básico passou a ser frequentado por uma população que tem uma cultura bem diferente da que tradicionalmente foi educanda no ensino brasileiro – em termos mais simplificados, à grande maioria de alunos brancos do passado sucede agora uma maioria de alunos pardos e pretos, além de caboclos, para a qual é estranha e mesmo hostil a visão triunfalista da lusitanidade espelhada pela formação tradicional dos professores de História. E me parece que as soluções não passam necessariamente por uma reestruturação promovida pelo governo, como vem sendo feito há décadas com mudanças mais no papel do que na prática, como a famosa e raramente concretizada introdução dos “estudos afro-brasileiros e indígenas”. O problema maior não é que falte vontade política aos governantes, na minha opinião. Os governantes se têm empenhado em produzir currículos pluralistas, mas isto só fica no papel, porque os próprios professores não têm maior conhecimento da maioria das outras culturas que não a erudita oficial e as próprias autoridades pluralistas não sentem na carne o que os alunos sentem em relação ao passado do Brasil. O que está faltando é uma mobilização geral da sociedade civil. Penso numa mobilização como a que houve em torno da reforma universitária na Argentina no começo do século 20, ou como a que ocorreu a partir de 1959 para a alfabetização em Cuba. Essa mobilização tem sido prejudicada no Brasil porque os setores dominantes da opinião pública, ou melhor, daquilo que já se chamou de “opinião publicada”, sentem que seus filhos estão sendo bem atendidos pelo serviço prestado por escolas particulares no ensino fundamental e médio e pelas universidades públicas. E assim não se mobilizam para corrigir as situações vigentes. Por outro lado, os setores dominados simplesmente não têm uma alternativa à visão da “branquitude”. Minhas conclusões, ao fim dessas 400 horas-aula de estágio, é que todos se empenham ao máximo no ensino público – os professores, diretores, coordenadores, serventes, os alunos, as autoridades federais, estaduais e municipais do ensino. Mas tudo esbarra na dificuldade de que os alunos, na maioria não-brancos e com pai e mãe de pouca escolaridade e que trabalham o dia inteiro, sem poderem dar atenção real aos filhos, vivem num mundo diferente dos professores, quase todos brancos e oriundos de famílias escolarizadas e bem estruturadas. Os professores se esforçam ao máximo, mas não conseguem se comunicar com alunos que não têm a sua mesma experiência geral de vida Afinal, os professores e os dez por cento de alunos que os professores dizem que querem aprender têm a mesma visão dos que conquistaram o País desde a chamada Descoberta, enquanto os noventa por cento não têm essa visão, sim a consciência de que são descendentes dos que foram conquistados e escravizados, situação que não se reflete nem nos livros didáticos, nem nas aulas expositivas, por maior que seja a boa vontade de todas as partes. A grande massa dos alunos sequer tem consciência do que seja tempo histórico, pois os pardos e pretos só passaram muito recentemente a ser parcela mais consciente da história do povo brasileiro, até poucas décadas atrás eram totalmente excluídos. Vamos às razões pelas quais cheguei a essas conclusões . Com mais de 70 anos de idade, vivi durante meses uma aventura normalmente reservada a pessoas mais jovens e que raramente se pronunciam abertamente sobre sua experiência: um estágio previsto para 400 horas-aula no ensino público da cidade de São Paulo. Acontece que em 2010 passei a cursar um curso de licenciatura em História e o estágio fazia parte do currículo. Na verdade, eu deveria ter começado o estágio no início do segundo semestre de 2011, mas meu tutor de estágio, baseado no fato de que eu não pretendia ser professor, me dispensou das 400 horas-aula. Só já no segundo semestre de 2012 é que o tutor me informou que a instituição em que eu fazia o curso não havia aprovado a decisão dele e havia decidido que, para obter o título de licenciado, eu tinha de realmente prestar as 400 horas-aula, das quais pelo menos 150 horas em aulas no fundamental e também pelo menos 150 horas no ensino médio. Procurei em setembro de 2011 uma escola pública em que não fui aceito, por falta de vagas de estágio – afinal o ano estava bem avançado. Fui poucos dias depois a outra escola pública, em que fui aceito e no mesmo dia comecei o estágio. Eu deveria acompanhar inicialmente as aulas dadas por um professor de História, um cidadão de idade madura, calmo e tranquilo, que descobri ser bastante competente e empenhado, embora me pareça que aplique métodos errados. Para ver como eu estava lidando com gente empenhada, basta constatar o seguinte: o colégio havia passado por uma reforma recente em suas instalações, tudo brilhava como novo, mas ainda havia trabalhos manuais a fazer, pelo que entendi, remoção de entulho. A direção, no meu primeiro dia lá, convocou o professor que eu acompanharia no estágio para ajudar nesses trabalhos no sábado, dia de folga, e ele se dispôs com toda a boa vontade. Aliás, tirando o ensino propriamente dito, na medida em que não é assimilado pela maioria dos alunos, como se verá, tudo funcionou perfeitamente no colégio, sempre limpo e arrumado, tudo bem organizado, a administração, as inspetorias, etc. Também, antes de irmos à primeira aula, ainda quando estávamos na sala dos professores, esse professor estava sendo entrevistado por um representante da Secretaria da Educação. (Entre parênteses, essa é mais uma indicação de que os problemas do ensino público não advêm da falta de empenho – a Secretaria estava querendo saber o que estava acontecendo para o ensino não ir para a frente). O professor disse que não tinha problemas de disciplina com os alunos, pois os respeitava e era respeitado por eles, e que achava inútil e contraproducente “bater boca com aluno”. Acrescentou que só dez por cento dos alunos queriam realmente aprender e esses de fato aprendiam, passavam nos vestibulares mais rigorosos, etc. Os noventa por cento que não pretendiam estudar e aprender, e que vinham à escola por causa da merenda, dos esportes e outras atividades e por imposição dos pais, não eram problema dele, eram problemas de suas famílias, que os professores não podem resolver. Alguns desses que “não querem aprender”, eu soube por uma professora na sala dos professores, são jovens de famílias mais prósperas que não se deram bem em escolas particulares e, por isso, os pais os matricularam em escolas públicas, não tanto, como se poderia imaginar, por ser pretensamente mais fácil passar na escola pública, por causa da progressão continuada (o que efetivamente acontece, esses alunos avançam mais na escola pública do que na particular de onde vieram), mas mais possivelmente para não gastar dinheiro com quem “não merece”. Mas a maioria dos “noventa por cento que não querem saber de nada” são na verdade “periféricos” que vivem em outro universo cultural que não o das autoridades e professores. Saímos daquela entrevista tendo como destino a primeira aula em que eu ia ser estagiário, numa classe do 1.o ano do ensino médio. Não se tratava de uma aula de História, tratava-se de o professor de História acompanhar provas de Matemática e de Biologia. Ele distribuiu as provas impressas e ficou vagueando pela sala. Os alunos, na maioria não-brancos, mas com mais brancos do que pretos (isto é, quase todos os não-brancos eram pardos), conversavam tranquilamente com os colegas da frente, de trás e dos dois lados, enquanto faziam as provas, e ainda trocavam bilhetinhos. O professor pedia às vezes que ficassem quietos. As provas me pareceram bem formuladas. Na verdade não entendi nada das perguntas, nem de Matemática, nem de Biologia, o que me pareceu indício de razoável complexidade. Uma hora em que o professor se ausentou (como veremos, ele é bastante solicitado para diferentes tarefas e nesse momento foi chamado para outra coisa), eu me vi sozinho diante da classe. Fiz um experimento: perguntei se eu poderia fazer perguntas enquanto eles respondiam por escrito às questões da prova e eles disseram que sim, mesmo porque vários já tinham entregado o trabalho. Pus-me a fazer perguntas sobre futebol, mostrando como o futebol reflete a liberdade de circulação e a igualdade de direitos, conquistas bem recentes na história da humanidade, e como ele está ligado à Revolução Industrial. Isso despertou grande interesse entre os alunos. Quando o professor retornou, permitiu que eu continuasse dando a “aula” sobre futebol. A conclusão que tirei foi de que, se se trata de um tema do universo cultural dos alunos, eles se interessam e ficam quietos. Assim terminou meu primeiro dia de estágio, porque eu estava já com a cabeça por demais cheia de novidades e precisava assimilá-las antes de assistir a mais aulas. No segundo dia, numa outra classe do 1.o ano do ensino médio, com a mesma composição étnica, o professor de História foi chamado a comandar provas de Física e de Português. A de Física nem olhei, a de Português era bastante exigente, apresentava um texto – uma resenha de livro – para análise do conteúdo e a questão cinco perguntava como em novas leituras do mesmo texto literário se notam coisas que não haviam sido percebidas na primeira leitura. Mais uma vez, o professor foi chamado para outra tarefa, mas, como era uma classe mais “brava”, não me deixaram sozinho com ela: chamaram um estagiário de Educação Física, que tinha muito mais experiência do que eu, pois estava lá há meses e inclusive conhecia bem a classe. Uma aluna ergueu o braço e comentou que havia erros de português nos enunciados da prova de Português. O estagiário de Educação Física respondeu que eram erros de digitação. Mas a aluna insistiu: eram erros de português mesmo (queria dizer que eram erros de gramática, não de grafia). O estagiário insistiu em que eram erros de digitação. Mas aí surgiu outro problema: vários alunos se queixaram que não entendiam aquela questão cinco e uma aluna perguntou se essa quinta questão se referia ao texto apresentado na primeira questão ou a textos literários em geral. O estagiário de Educação Física e eu tentamos responder do que se tratava, procuramos explicar a diferença entre a primeira leitura e as demais leituras, como se descobrem coisas novas, etc. O estagiário de Educação Física e alguns alunos disseram também que a questão cinco se referia ao texto apresentado na questão um. Entretanto, como é duvidoso chamar de “texto literário” uma “resenha de livro”, ainda mais, como era o caso, resenha de livro de não-ficção, eu me dirigi à carteira daquela aluna e disse a ela que eu não sabia responder à pergunta que ela tinha feito. Ela respondeu que estava lidando como se o tema fossem textos literários em geral, ou seja, ela resolveu contrariar a interpretação do estagiário de Educação Física e dos outros alunos. Ainda tive tempo de explicar a origem da palavra “Corinthians” – habitantes da cidade grega de Corinto, em inglês (há uma Epístola ao Coríntios, de São Paulo, no Novo Testamento), e nome de um clube inglês que viera ao Brasil logo antes da fundação do Corinthians Paulista, lembrando que os esportistas ingleses do século 19 se julgavam herdeiros dos antigos atletas olímpicos gregos e davam a seus clubes nomes como Athenians, Spartans – antes de o professor de História voltar já pouco antes de bater o sinal do fim da aula. Quatro dias depois, voltei a acompanhar uma aula, agora do 2.o ano do ensino médio. Novamente, o professor foi chamado para fazer outra coisa em outro lugar, alguma tarefa urgente. Mandou uma aluna copiar na lousa um trecho sobre a história da África Subsaariana e os demais copiarem cada um no seu caderno o que estava sendo escrito na lousa. Chamou isso de “atividade”, e saiu da sala para cumprir a tarefa urgente, me deixando sozinho com a classe. Eu estranhei muito aquela “atividade”, que me pareceu apenas um estratagema para ocupar a classe enquanto o professor atendia a algo mais urgente (fiquei sabendo depois que ele tinha tido de lidar com três classes no mesmo horário, uma delas aquela em que eu estava sozinho). Perguntei aos alunos se estavam entendendo o que estavam copiando, e uma aluna respondeu que estava entendendo “o que estava escrito”, mas não estava entendendo “do que se tratava”. Fiz uma breve explanação sobre as diferenças entre a África do Norte e a África Subsaariana e eles pareceram mais sossegados. Em conversa com os alunos fui informado de que não se tratava de um estratagema improvisado para a situação que se criara, de o mesmo professor estar com três classes ao mesmo tempo. E sim que se tratava de uma atividade corrente. Vários professores mandam copiar da lousa trechos do livro didático, e muitas vezes sem explanação nenhuma, me disseram os alunos. No dia seguinte, acompanhei aulas para o 3.o ano médio e para o 2.o ano médio, em que não houve aplicação de provas, nem “atividade”, mas também não houve aulas – e sim o professor ficou corrigindo provas propriamente de História que tinham sido dadas em aulas anteriores. Fiquei conversando com os alunos, novamente sobre futebol, direitos de ir e vir e igualdade perante a lei, revolução industrial. Na classe do 2.o ano, o professor me mostrou um “erro” que achou curioso – a uma pergunta sobre as revoltas na Regência, uma aluna respondera que na Bahia ocorrera a “Rabanada”. O professor simplesmente deu zero para a resposta, contrariando o que eu aprendera na faculdade sobre o “erro”. Me tinham ensinado que o “erro” é uma “tentativa de acertar” e que deve ser discutido com o aluno o que o levou a cometer o “erro”. No caso, logo percebi que a menina havia confundido “Sabinada” da Bahia com a “Cabanagem” do Pará, lembrou-se vagamente de ter ouvido “Cabanada” e, como é muito comum com todo mundo, confundiu uma palavra não-familiar com uma palavra familiar, como “rabanada”. Seria muito instrutivo que alguém discutisse isso com ela e lhe mostrasse como cometera aquele “erro” na sua “tentativa de acertar”; ouso apostar que da próxima vez ela não erraria. (Também existe a possibilidade de a aluna simplesmente se estar divertindo com uma realidade que ela sentia que não lhe dizia respeito), Senti também que o professor, na faculdade que frequentara, não tinha tido uma formação em Psicologia da Educação tão esmerada quanto tive na minha. E que não sabia lidar com pessoas que tivessem uma experiência de vida diferente da sua própria. Isso apesar de ele fazer tudo o que estava a seu alcance e mesmo exceder isso. Acompanhei mais uma correção de provas numa classe do 2.o ano, e novamente tentei interessar os alunos falando sobre futebol, mas desta vez só um aluno respondeu a minhas perguntas (do tipo “Escravo podia jogar futebol? Onde há mais liberdade e igualdade, num campo de futebol ou na sociedade em geral? Onde há mais oportunidades para os não-brancos, num campo de futebol ou na sociedade em geral?”, com a conclusão de que “Vejam, o futebol envolve um projeto para a nossa sociedade ser melhor do que é”, conclusão que só interessou ao aluno que respondia e a uma aluna que ficou me olhando esperando mais). Infelizmente, cometi um erro. Diante do desinteresse de praticamente todos, comuniquei que “Bem, como vocês não estão interessados, não vou falar mais”. Quando cheguei à conclusão de que é necessário insistir sempre, já era tarde. Guardei a lição para aproveitar mais tarde. Um dia depois, tive uma experiência ainda muito mais difícil, meu primeiro estágio em aula no fundamental. Era a 6.a série. Novamente o professor ficou corrigindo provas, mas uma professora entrou na sala, pediu a atenção de todos e me pareceu ser algo assim como coordenadora de disciplina (depois eu soube que não era, e sim que, em suas aulas de Português, procurava discutir bastante temas relacionados com o bullying), pois deu uma violenta bronca na classe, que tinha segundo ela desrespeitado uma professora que era “uma mãe para vocês”; comunicou que na véspera dez alunos daquela classe tinham sido “excluídos” e que outros mais seriam, que ela conhecia muito bem aquela classe, pois dera aula para eles anos antes, convocou alguns alunos para a acompanharem, entre eles uma aluna e um aluno que começaram a bater boca, ela o acusando de ter xingado a mãe dela, ele negando. A professora mandou os alunos limparem a sala – havia uns papéis no chão – e arrumarem as fileiras de carteiras e cadeiras. O aluno acusado de xingar a mãe da colega respondeu que não ia limpar nem arrumar nada, pois não havia sujado nem desarrumado nada, mas a maioria colaborou e alguns até varreram a sala, enquanto o professor continuava a corrigir tranquilamente as provas. A professora saiu com os convocados, e eu, para fazer alguma coisa, perguntei para que time cada um torcia. A maioria não me deu atenção, mas uns quatro ou cinco me rodearam e ficamos de novo conversando sobre futebol, liberdade de ir e vir, igualdade de direitos, Revolução Industrial. Gostaram muito, me chamaram de “sabe-tudo”. Depois, os alunos que tinham sido convocados a sair da sala voltaram, e um dos seus colegas que me tinha ouvido atentamente disse ao acusado de xingar a mãe da aluna e que tinha se recusado a limpar e a arrumar a sala: “Você vai ser expulso”, e teve a resposta: “Vou”. Nessa mesma classe, notei que, enquanto os outros conversavam e se agitavam, andando pela sala, uma aluna preta estava quieta e isolada, e de cara feia. Fui até ela e perguntei: “Por que você está tão quieta e isolada?” Ela respondeu, “Não é nada, é que estou com dor de dente” e me mostrou uma embalagem de analgésico. Também, como eu não estava entendendo o que tinha acontecido para os alunos serem excluídos, perguntei a vários alunos, fiz uma pergunta à classe toda, e só me responderam que “eram alguns fofoqueiros” que indispunham a classe com os professores. Quando deu o sinal e os alunos saíram, fiz a pergunta ao professor, que deu de ombro, comentou que “o fundamental é assim” e não falou mais nada. Na sala de professores, vários me disseram que o fundamental é muito mais “bravo” do que o “médio”. Passou o fim de semana. Aí, cheguei de manhã à sala dos professores, onde a coordenadora anunciou que uma classe ia encenar uma peça de teatro e que os pais só dos alunos dessa classe seriam convidados para virem à escola, mas não seriam informados de que era para verem a peça, pois seus filhos queriam fazer uma surpresa a eles. Vi que era mais um esforço pedagógico, ou seja, que todos neste caso, alunos e professores, faziam o que podiam. Dali saí para a classe e acompanhei, novamente, correção de provas, do 1.o ano médio. Eu ainda não tinha visto nenhuma aula de verdade. Entrou uma professora, acompanhada de um jovem, ambos convidando para verem uma peça de teatro, mas era outra que não a que ia ser encenada por alunos. Esta era de atores profissionais, a 7 reais a entrada. O rapaz que acompanhava a professora era um dos atores profissionais e contou que era a história de um jovem viciado em drogas que morre num desastre de carro e que, depois de morto, começa a lembrar sua vida. (Pouco antes, a diretora me havia dito que o principal problema dos alunos era a droga. Mas eu não tinha tido percepção disso). Isso tudo me pareceu muito adequado e interessante, uma maneira curiosa de lidar com um tema tão triste. Depois que a professora e o ator saíram um aluno me disse que o professor, que continuava a corrigir provas, era bom, mas não se impunha; mas um grupo de cinco alunas e dois alunos pediu para falar comigo e se queixou que o professor não lhes explicava as coisas, simplesmente transmitia o que estava no livro. Perguntei o que eles estavam estudando de História, disseram que eram os maias. Eu contei a eles que os maias jogavam uma espécie de futebol, só que não era com os pés, era com os quadris, um jogo bastante violento, e que ao fim alguns jogadores eram sacrificados aos deuses. As alunas disseram que esse tipo de coisa é que o professor não explicava. E começaram a me fazer perguntas pessoais. Parece que estavam me avaliando como modelo para elas. Uma delas, preta, apontou para si mesma e para as outras, pardas, e me perguntou: “É para isso que você quer dar aula? É melhor você ir para uma escola particular, não se preocupe com esse tipo de gente que tem aqui, não vale a pena”. As outras concordaram. Soou o sinal e elas, como os outros alunos, foram embora. A aula seguinte era para o 2.o ano médio. Novamente, o professor ficou corrigindo provas, mas sem alunos – como todo o colégio, tinham ido ao pátio para acompanhar o show de uma banda. Mais um esforço pedagógico, de procurar fazer com que os “noventa por cento” se interessassem pela escola. Agora, no dia seguinte, finalmente assisti a uma aula, que durou dois horários. Foi uma experiência marcante. Era uma classe do 6.o ano do fundamental e a aula era sobre as revoltas na Regência. A classe era muito indisciplinada (era a mesma em que dez alunos haviam sido excluídos antes de eu conhecer a classe e não vi alguns dos que foram convocados a sair da sala de aula no primeiro dia em que acompanhei essa turma, inclusive não vi o acusado de xingar a colega; presumi que tinham sido excluídos também). Tanto que, além do professor, havia uma inspetora que periodicamente dava uma bronca sentida em todo mundo, mas isso não interrompia a balbúrdia, mesmo porque a inspetora periodicamente saía da classe – tinha mais coisas a fazer. O professor, impavidamente dava aula – escrevia na lousa os tópicos e falava (pouco) sobre o tema – enquanto os alunos, que supostamente copiavam o que estava na lousa, conversavam ruidosamente entre si, andavam pela classe, saíam da sala de aula e voltavam, jogavam bolinhas de papel uns nos outros, comiam aqueles almoços em copões de plástico, atiravam bolinhas de papel tentando acertar os buracos das escotilhas da parede que dava para o corredor. Em meados do segundo horário, o caos estava instaurado, a ponto de o professor – uma das pessoas mais estoicas e mais tranquilas que conheci na vida, raramente afetado por qualquer coisa que acontecesse à sua volta – finalmente ter desistido de dar aula, limitando-se a passar visto em cadernos que lhe eram entregues. Notei que mesmo os alunos mais indisciplinados apresentavam os cadernos. Como o professor havia dito que o padre Feijó tinha sido indicado por Dom Pedro 1.o para ser tutor de seu filho e sucessor, por ocasião de sua abdicação (o professor usou o termo “renúncia”, mostrando finalmente um esforço de se aproximar do universo cultural de seus alunos), alguns alunos perguntaram o que era “tutor”. Numa hora em que a inspetora estava presente, um aluno perguntou a ela, e não ao professor, quem havia construído um importante e secular prédio perto da escola. A inspetora não sabia, o professor também não. Por acaso eu havia estudado esse prédio durante o curso na faculdade, pedi licença para falar. Estranhamente a classe se aquietou e me ouviu atentamente dizer que aquele prédio havia sido construído mais de um século antes por operários imigrantes que passaram a morar ali perto, dando origem ao bairro próximo à escola. A lição que tirei foi a seguinte: que sentido têm, para jovens de pouca leitura e sem outra memória natural e familiar da história do País que não seja o fato de que seus ancestrais foram escravos, as revoltas durante a Regência? Simplesmente me parecia que aquilo que o professor estava heroicamente narrando e explicando, eles sentiam que não lhes dizia respeito. Quando, porém, eu falei de um prédio importante para eles, ficaram interessadíssimos. Fiquei pensando: e se o professor tivesse pedido que cada um pesquisasse a história de sua própria família, a história de seu próprio bairro, e a partir desses dados o professor fosse explicando como tudo aquilo se enquadrava na grande história do País e do mundo? Também, quando o professor tentou explicar o nome da revolta da Balaiada, explicando que balaio é cesto, pensei em cantar o belo folclore “Balaio meu bem, balaio sinhá, balaio do coração; Moça que não tem balaio sinhá, bota as coisas no chão”; pensei em indicar filmes tipo “Carlota Joaquina” e “Independência ou morte”. Terminada a aula, eu disse ao professor que eu o considerava um herói; considero mesmo, um professor dedicado, que nunca desiste, embora eu ache que os seus métodos são em grande parte equivocados. Perguntei a ele se achava que os alunos tinham assimilado o que ele lhes transmitira. Ele respondeu que as alunas da primeira fileira à sua direita (quatro brancas) e mais uns dois alunos (pelo menos um deles branco) aproveitavam bem as aulas, o resto não queria nada com nada. O grande problema é que, como vimos, ele acha que isso não é problema dele, é problema das famílias desses alunos que “não querem aprender”. No intervalo, na sala de reuniões, onde estavam os professores porque a sala dos professores estava sendo encerada, ouvi professoras jovens criticarem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para elas cheia de termos empolados e impossível de aplicar. Eu havia estudado essa Lei na faculdade e me pareceu mais um documento bem intencionado e utópico que não tinha tido maiores efeitos práticos. (Dias depois, pude me aprofundar no assunto. Uma professora me disse que todos os numerosos planos bem intencionados lançados desde a redemocratização sempre foram impostos de cima para baixo, sem levar em conta as condições concretas do ensino em cada escola, e sim baseados numa visão geral. Às escolas cabe apenas adaptar as condições gerais vindas de cima às condições reais de cada escola. Segundo essa professora, isso nunca vai dar certo). Em seguida, acompanhei o professor numa aula num horário só para outra classe do 6.o ano do fundamental, de comportamento bem mais tranquilo. Ele fez um discurso de homenagem a essa classe, dizendo que era a melhor classe que ele tinha tido em seus anos naquele colégio. Como a turma estava adiantada, ele não deu aula e deixou o pessoal se recrear como quisesse. Assim não foi desta vez que pude ver como seria uma aula numa classe “comportada”. Dias depois, no mesmo dia da semana, cheguei cedo, mas o professor estava em reunião e não houve aulas de manhã, para o ensino médio. Fiquei na sala dos professores e ouvi uma história sinistra: uma professora contou que, em outra escola, ela se recusou a inscrever um aluno que estava em liberdade vigiada e que prometera “arrasar” quando voltasse a essa escola. Ela providenciou a transferência dele para outra escola, mais próxima da casa dele, e onde ele não teria uma patota já pronta. Por causa disso, a professora foi intimada por denúncia de descumprir o direito ao estudo e teve de depor perante uma juíza. Esta decidiu que o aluno de fato deveria ser transferido para outra escola. Mas, durante dez dias, ele se postou das 7 da manhã às 11 da noite na calçada da escola de sua preferência. A professora se queixou à juíza, o rapaz sumiu, e ela nunca mais soube dele. Já à tarde, período do fundamental, no horário duplo da primeira classe do 6.o ano, assisti a um espetáculo inesquecível. O professor ainda não tinha voltado de uma reunião dos professores com a diretora, de modo que eu fiquei sozinho lidando com aquela classe, uma das mais indisciplinadas do colégio. Desta vez não tive êxito em tentar interessá-los falando de futebol. Eles ficavam falando alto, e mesmo gritando, se movimentando por toda a sala, desarrumando as cadeiras. Não desisti, continuei falando, mas aí o professor chegou, começou a escrever na lousa, indiferente à bagunça, sobre a Guerra do Paraguai, falando em voz alta algumas frases do que escrevia, indiferente ao fato de que a grande maioria não se preocupava em copiar nada. Uma hora, porém, até ele perdeu a paciência. Foi quando tocou o celular de uma aluna. É proibido entrar com celular, muito menos se tolera celular ligado. Aí o professor chamou a vice-diretora. Esta, uma senhora de meia-idade, atarracada, deu uma violenta bronca na classe, com fúria, com raiva, como nem o professor nem eu conseguiríamos demonstrar. Isso surtiu efeito imediato. Todos silenciaram, arrumaram-se nas fileiras e começaram a copiar. A vice-diretora comunicou que aquela classe estava excluída de um campeonato esportivo. Dirigiu-se particularmente a um aluno branco, o mais indisciplinado da classe, comentando que ele ia bem nas provas – tinha tirado dez, mas não aproveitava isso por causa de sua indisciplina. Paradoxos do ensino. Outro paradoxo: a vice-diretora fez uma crítica indireta aos métodos didáticos do professor. Ela disse bem alto para a classe, bem ao lado do professor: “Por mim vocês não copiavam nada, só anotariam o que o professor ficasse falando”. O professor continuou escrevendo na lousa e os alunos continuaram copiando. Foi só a vice-diretora sair que o burburinho recomeçou, agora um tanto mais sossegado, alguns pararam de copiar. Vi que ser “bonzinho”, como o professor e eu, não era produtivo. Quando o professor comentou que o Paraguai não podia exportar seus produtos sem passá-los por países vizinhos, pois não tinha saída para o mar, um aluno perguntou por que o Paraguai não exportava seus produtos de avião. Mais uma indicação de que eles não têm uma dimensão natural e familiar do tempo histórico, pensam que tudo sempre foi como é agora. Logo depois, fomos para outra classe do 6.o ano do fundamental, aquela que o professor tinha homenageado como a melhor classe que conhecera em seus anos de colégio. Ele deu a mesma aula sobre a Guerra do Paraguai que havia dado na outra classe, do mesmo jeito, escrevendo na lousa e fazendo uns raros comentários, apenas com o texto na lousa reduzido pela metade porque o horário desta classe não era duplo. Me espantei porque a classe “comportada” não era tão comportada assim. Falavam alto entre si, numa repetição do burburinho “sossegado”, embora quase todos ficassem copiando o que o professor escrevia na lousa. Eu estava descobrindo, perplexo, o que é considerado uma “aula”. No intervalo, na sala dos professores, fiquei sabendo que aquela aluna que me aconselhara a ir dar aulas numa escola particular fora pega mostrando a outras umas roupas oncinha e uns biquínis que estavam em sua mochila. Em seguida, fiquei vários dias sem atividades no estágio, porque o professor que me orientava ficou dias seguidos sem comparecer ao colégio. Quando o professor voltou, no primeiro dia apenas conversei com ele, que não compareceu a nenhuma aula. No segundo dia, já véspera de um feriadão, dos mais de 50 alunos de uma classe do primeiro ano médio a frequência durante a aula variou apenas de 9 a 14, dos quais apenas um aluno e uma aluna ficaram fazendo anotações a partir do livro, enquanto o professor fazia anotações administrativas; fez também a chamada. Os demais alunos ficaram falando alto e andando pela sala e fizeram uma espécie de concursos de arroto ou imitação de vômito. Em seguida houve nova “aula” semelhante, para outra classe do primeiro ano médio, tendo comparecido, dos também mais de 50 alunos, apenas 15, dos quais 4 somente liam a apostila e faziam anotações. Essa classe era menos barulhenta do que a anterior, os 11 que só conversavam estavam reunidos em dois grupos, um deles só de meninas e o outro só de meninos. Estranhamente, a classe ficou ainda menos barulhenta num período em que o professor deixou de fazer anotações administrativas e se ausentou da classe. Fiz a hipótese de que boa parte do “mau comportamento” não se deve apenas à natural inquietação de adolescentes, mas mais especificamente a uma vontade de desafiar o professor, ou de testá-lo. Um grupo de alunos de outra ou outras classes entrou para comunicar que dali a 15 dias ocorreria uma festa com música à qual os que quisessem comparecer deveriam trazer doces, salgados e refrigerantes. Minha primeira aula Segundo o professor de História, 90 por cento dos alunos não se interessam em estudar; a observação indicou que os 10 por cento que se interessam em estudar, segundo o professor, são na maioria meninas brancas. A observação indicou ainda que as classes do ensino médio são bastante indisciplinadas. Assim se descreve uma aula típica de História no ensino médio da EE: o professor vai escrevendo na lousa um texto sobre o tema da aula e os alunos devem copiar esse texto, o que a maioria não faz; ao contrário, ficam conversando alto e passeando entre as fileiras de carteiras, saindo e entrando da sala, comendo, tomando refrigerante, jogando bolinhas de papel um no outro. De vez em quando o professor faz um comentário, resumindo em voz alta um trecho do texto. De vez em quando algum aluno faz alguma pergunta, em geral disparatada. Estabeleci como hipótese provisória que os alunos, na maioria pardos, não se identificam com a História tal como lhes é ensinada por não se identificarem com o lusocentrismo algo triunfalista encarnado pelo professor. A noção de brasilidade dos alunos parece muito mais definida em torno do futebol e da música do que pela memória coletiva de um destino comum. O Brasil das aulas não é o Brasil que vivenciam. Também os alunos não são estimulados a fazerem exercícios fora da aula, nem estão acostumados a leituras adicionais. Diante de toda essa situação, resolvi não cumprir a recomendação de fornecer recortes de jornais, pois seriam ignorados pela grande maioria. Ao invés disso, combinei com a direção da EE e com o professor de História que eu daria uma aula sobre partidos políticos no Brasil para uma classe do 3.o ano do ensino médio. Inicialmente eu ficaria sozinho diante da classe; a certa altura o professor entraria para agir conforme as circunstâncias (levando em conta a indisciplina). Na classe havia uns 30 alunos presentes. Estavam, quando entrei, conversando em rodinhas, mas eu pedi para falar e eles foram para seus lugares e ficaram em silêncio. Eu disse que era estagiário, candidato a professor, comuniquei meu nome e acrescentei que iria dar uma aula sobre partidos políticos. Em seguida perguntei quem se interessava por política. Apenas quatro alunos levantaram a mão. Perguntei em seguida quem não se interessava por política. Pelo menos 15 alunos levantaram a mão. Perguntei quem, dos alunos interessados em política, poderia explicar a diferença entre o PT e o PSDB. Um aluno levantou a mão. Então sugeri a ele que procurasse explicar a diferença entre o PT e o PSDB para um aluno desinteressado da política, por mim indicado. Minha sugestão foi atendida com a fala de que o PT “é um partido de esquerda, favorável ao comunismo e aos trabalhadores” (nisso foi interrompido por uma aluna que se havia declarado interessada em política, a qual disse que o PT é composto “de ladrões”), e o aluno expositor, sem dar atenção à interrupção, acrescentou que o “PSDB é um partido de direita, favorável ao capitalismo e aos ricos”. Diante disso, eu afirmei que apenas alguns integrantes do PT e do PSDB correspondiam àquela descrição. Expliquei que o PT pretende melhorar a vida das pessoas menos favorecidas por meio da redistribuição de renda, tipo Bolsa-Família; por meio do aumento real do salário mínimo e por meio do estímulo estatal ao crescimento econômico. Enquanto o PSDB defende a tese de que a vida de todos vai melhorar se houver menos interferência estatal na economia, pois assim os empresários investiriam mais e garantiriam mais empregos. Acrescentei que o PT tinha tido até agora mais êxito com sua política do que o PSDB com a dele. Mudei em seguida o enfoque, perguntando se algum dos alunos presentes sentia a presença de algum partido em sua vida cotidiana. Nenhum disse que sentia essa presença e vários disseram que não sentiam nenhuma presença de algum partido em sua vida. Aí entrei propriamente no tema da aula tal como foi proposto no Caderno de Prática, com a deixa de que no Brasil com raras exceções os partidos foram criados de cima para baixo e discorri extensa e detalhadamente sobre o histórico da vida partidária no Brasil, primeiro sobre o coronelismo dos Partidos Republicanos estaduais, depois sobre as semelhanças e as diferenças entre o período da Constituição de 1946 e o da Constituição de 1988. Apontei as semelhanças e diferenças entre o PTB e o PT, entre a UDN e o DEM e entre o PSD e o PMDB. Expliquei que o PSDB não tinha equivalente no período de 1946 a 1964, pois começou como dissidência de esquerda do PMDB e depois, por ter o PT preenchido todo o campo da esquerda, se tornou mais conservador, pois a política odeia o vácuo e o DEM desmoralizado não representava mais o campo da direita, vindo assim o PSDB a substituir o DEM como equivalente atual da UDN. A essa altura, eu, que estava bastante surpreso com o comportamento disciplinado e silencioso da classe, diferente do que eu presenciara em outras aulas, dadas pelo professor, notei que, ao fundo, três alunos conversavam entre si, porém em voz baixa. Perguntei a eles se a aula não estava sendo interessante, responderam que não se interessavam por política, mas deixaram de conversar entre si. Encerrando a parte sobre a semelhança do PSDB atual com a UDN, afirmei que ambos se notabilizaram por denunciarem eloquentemente a corrupção, embora ambos abrigando corruptos em seu próprio seio. Aqui, a aluna que dissera que o PT tinha ladrões me perguntou se eu era petista. Respondi que não, não sou ligado a nenhum partido. Falei em seguida sobre o PMDB, sendo logo interrompido pelo aluno expositor, que afirmou que o PMDB sempre aderia ao governo, fosse qual fosse o governo. Eu então aproveitei para discorrer sobre a história do PMDB, primeiro como oposição consentida, como MDB, ao regime militar; depois como “partido-ônibus” de todas as correntes contrárias ao regime militar, finalmente como “o PSD de hoje”. Também aproveitei para falar sobre a política no governo militar, sobre a Arena e o MDB. Nisso, aquele aluno expositor afirmou que a ditadura militar não admitia oposição. Respondi que muitos estudiosos não usam o termo “ditadura militar” e preferem o termo “regime militar” porque havia um partido de oposição que concorria às eleições, mas a maioria votava no partido que defendia o regime; quando o partido de oposição passou a ganhar eleições o regime militar foi chegando ao fim, não sendo isso tudo característico de uma ditadura no sentido de não haver oposição. Enquanto eu dizia isso, e antes que eu pudesse esclarecer meu pensamento inteiro, o professor entrou na sala e, corretamente, observou que no regime militar havia muitas leis restritivas, especialmente aos movimentos de trabalhadores e sociais, e que começaram a ser abandonadas depois das grandes greves no ABC no fim dos anos 1970. Observou ainda que “Lula afirmou que as greves não eram por aumento de salários, pois os metalúrgicos do ABC já ganhavam bem, mas sim que o objetivo do movimento era instaurar a democracia”. O aluno expositor perguntou qual era o papel do PC do B e o professor afirmou que “o PC do B é diferente do PCB, pois, enquanto o PCB seguia a linha soviética, o PC do B leva em conta a realidade brasileira”, sem esclarecer que o PC do B passou por fases “chinesa” e “albanesa”. Em seguida, apesar de não ter soado o sinal, o professor sumariamente declarou a aula encerrada e dispensou os alunos. Creio que fiz o que pude para transmitir o conteúdo do Caderno de Prática dentro das possibilidades reais existentes na sala de aula. Quando os alunos estavam saindo, perguntei a vários deles se a aula havia sido proveitosa. A maioria disse que sim, alguns insistiram em que não se interessam por política. Mas uma aluna que, no começo da aula, fora uma das que levantara a mão como desinteressada em política, afirmou que aprendera “muita coisa” e ficara mais informada “da situação atual”. No entanto, embora eu sempre pedisse para os alunos darem sua opinião, durante a aula só o aluno expositor e a aluna que o criticou falaram alguma coisa. Na próxima “aula” a que assisti, para uma classe do primeiro ano médio, o professor, chamado para outra tarefa em outra classe, simplesmente escreveu frases de Gandhi na lousa, pedindo que os alunos as comentassem por escrito e dizendo que se tratava de uma “atividade”. E me deixou sozinho com a classe. Quando a aula começou, havia somente seis alunos da classe de cinquenta alunos, pouco a pouco o número foi aumentando até vinte. Ficaram conversando um tanto barulhentamente enquanto o professor estava presente e se aquietaram, estranhamente, quando ele foi embora e fiquei eu sozinho “tomando conta da classe”, mas de todo modo pouquíssimos, uns cinco, realizavam o exercício. Uma aluna me perguntou se era para entregar o exercício, eu não soube responder, mas disse que com toda certeza o professor iria passar o visto. Mais de meia hora depois, o professor apareceu rapidamente na porta, transmiti a ele a pergunta sobre a entrega e ele respondeu que era “para deixar no caderno”. Notei que, enquanto o professor estava na porta, os alunos passaram a se comportar inadequadamente, andando pela sala e falando alto, numa indicação de que pouco o respeitavam. A certa altura, trazido por uma coordenadora, entrou um funcionário do Senac para convidar os alunos a se inscreverem num curso de Hospedagem, dando uma ideia do tipo de profissão a que se imagina que os alunos dessa escola podem aspirar. Só ao fim de sua algo prolongada exposição é que o funcionário do Senac informou que o curso era reservado a alunos do segundo e terceiro anos do ensino médio, o que despertou ruidosas risadas dos alunos, que afinal eram do primeiro ano, não podiam nem se inscrever no curso, e saudaram com essas risadas barulhentas a total inutilidade de toda a divulgação. No fim da aula, o professor voltou e comunicou que os alunos deveriam posar para fotos destinadas a um álbum comemorativo dos 75 anos do colégio. Por insistência do professor, eu o substituí na pose. Assim terminou a “aula”. A aula seguinte, para outra classe do primeiro ano médio, foi ainda mais estranha. O professor novamente foi embora, sem me explicar nada, e, enquanto eu imaginava que ele tinha sido, como muitas vezes acontecia, chamado para outra tarefa em outro lugar, os alunos me disseram que ele tinha ido “arrumar o carro” no estacionamento do colégio, isto é, tirar seu carro do lugar para facilitar a movimentação do carro de outro colega. Não pude saber se isso era verdade. Os alunos ficaram falando muito alto e andando pela classe, indiferentes à minha presença. Perguntei se eles se interessariam em fazer a mesma “atividade” da classe anterior, “atividade” que ainda constava na lousa, uma aluno me respondeu que haviam feito aquele mesmíssimo exercício no dia anterior. Vários começaram a sair da sala, carregando suas mochilas, perguntei o que estava acontecendo e me disseram que tinham sido chamados para jogar voleibol. Depois voltaram, dizendo que o voleibol era para mais tarde, e em seguida foram todos embora. Na “aula” seguinte a que compareci, para o 6.o ano do fundamental, o professor novamente não deu aula. Ele escreveu na lousa “Estudar para Saresp”, espécie de exame estadual, e ficou em sua mesa anotando os meus horários de estágio. Não apagara o que estava escrito na lousa, algumas coisas da aula anterior e coisas escritas pelos alunos, como “xota” e “pau”, de modo que sua recomendação de estudar para Saresp não se destacava. Os alunos ficaram conversando alto, cada vez mais alto, até que vi pela primeira vez o professor perder a paciência e berrar “SILÊNCIO! SILÊNCIO”, furiosamente, e todos se estacaram subitamente, calando a boca instantaneamente e ficando imóveis. O professor, ainda irado, mas menos, disse a uma aluna que estava de pé no fundo da sala que ela “não perde por esperar”, e ele voltou a anotar os meus horários de estágio. Pouco a pouco o barulho foi retornando, os alunos paulatinamente conversando entre si, mas num nível bem mais “tolerável” do que o que despertou a raiva do professor. Dos 30 alunos presentes, menos de dez passaram algum tempo dando uma olhada em suas anotações, ou seja, “estudando para Saresp”. Uma outra aluna ficou de pé, conversando com colegas, mas o professor não chamou sua atenção. Por motivos particulares – por não concordar com o modo pelo qual a direção da escola e o professor que me acompanhava lidavam com o meu estágio – deixei então de frequentar essas aulas. Me impressionaram duas coisas: a alta qualidade pedagógica do material didático e sua total falta de sintonia com o universo cultural dos “noventa por cento”. http://renatopompeu.blogspot.com.br/
Investigação do MPF revela esquema de caixa 2 envolvendo a governadora Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte, única do DEM, e o presidente do partido, Agripino Maia; esquema é revelado em reportagem da revista Istoé que chega nesta sexta (20) às bancas; recursos do governo do Rio Grande do Norte saíam dos cofres públicos para empresas que financiam campanhas do DEM por meio de um esquema de concessão de incentivos fiscais e sonegação de tributo, que contava com empresas de fachada e firmas em nome de laranjas; escutas telefônicas mostram Agripino Maia cobrando a liberação de recursos para um aliado; caso, que chegou à PGR em 2009, foi arquivado pelo então procurador Roberto Gurgel
20 DE DEZEMBRO DE 2013 ÀS 21:08
247 – A chegada da edição de Natal da revista Istoé às bancas não traz notícias boas para o DEM, principalmente para a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, e ao presidente do partido, Agripino Maia. Ambos estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal por caixa 2 durante a campanha eleitoral de 2006. Em umas das escutas telefônicas, Maia surge questionando a um interlocutor se a parcela de R$ 20 mil – em um total de R$ 60 mil prometidos a determinado aliado – foi repassada. A sequência das ligações revela que não era uma transição convencional. Segundo a investigação do MP, contas pessoais de assessores da campanha eram utilizadas para receber e transferir depósitos não declarados de doadores. A reportagem da revista Istoé é assinada pelo jornalista Josie Jeronimo.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República em 2009, durante a gestão de Roberto Gurgel, mas só agora, sob a batuta do procurador-geral Rodrigo Janot será investigada. O caso entra no alvo do MPF num momento complicado para a governadora Rosalba Ciarlini, que já teve seu mandato suspenso pelo TRE, por uso da estrutura governamental em 2012 para beneficiar uma aliada que era candidata a prefeita. Rosalba permanece no cargo por força de uma liminar.
Confira matéria na íntegra:
Caixa 2 democrata
Ministério Público Federal investiga esquema envolvendo a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, e o presidente do DEM, Agripino Maia. Escutas telefônicas revelam transações financeiras ilegais durante campanha
Josie Jeronimo
Pequenino em área territorial, o Rio Grande do Norte empata em arrecadação tributária com o Maranhão, Estado seis vezes maior. Mas, apesar da abundância de receitas vindas do turismo e da indústria, a administração do governo potiguar está em posição de xeque. Sem dinheiro para pagar nem mesmo os salários do funcionalismo, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) responde processo de impeachment e permanece no cargo por força de liminar. Sua situação pode se deteriorar ainda mais nos próximos dias.
O Ministério Público Federal desarquivou investigação iniciada no Rio Grande do Norte que envolve a cúpula do DEM na denúncia de um intrincado esquema de caixa 2. Todo o modus operandi das transações financeiras à margem da prestação de contas eleitorais foi registrado em escutas telefônicas feitas durante a campanha de 2006, às quais ISTOÉ teve acesso. A partir do monitoramento das conversas de Francisco Galbi Saldanha, contador da legenda, figurões da política nacional como o presidente do DEM, senador José Agripino, e Rosalba foram flagrados.
A voz inconfundível de José Agripino surge inconteste em uma das conversas interceptadas. Ele pergunta ao interlocutor se a parcela de R$ 20 mil – em um total de R$ 60 mil prometidos a determinado aliado – foi repassada. A sequência das ligações revela que não era uma transição convencional. Segundo a investigação do MP, contas pessoais de assessores da campanha eram utilizadas para receber e transferir depósitos não declarados de doadores. Uma das escutas mostra que até mesmo Galbi reclamava de ser usado para as transações. Ele se queixa:“Fizeram uma coisa que eu até não concordei, depositaram na minha conta”.
Galbi continua sendo homem de confiança do partido no Estado. Ele ocupa cargo de secretário-adjunto da Casa Civil do governo. Em 2006, o contador foi colocado sob grampo pela Polícia Civil, pois era suspeito de um crime de homicídio. O faz-tudo nunca foi processado pela morte de ninguém, mas uma série de interlocutores gravados a partir de seu telefone detalharam o esquema de caixa 2 de campanha informando número de contas bancárias de pessoas físicas e relatando formas de emitir notas frias para justificar gastos eleitorais.
Nas gravações que envolvem Rosalba, o marido da governadora, Carlos Augusto, liga para Galbi e informa que usará de outra pessoa para receber doação para a mulher, então candidata ao Senado. “Esse dinheiro é apenas para passar na conta dele. Quando entrar, aí a gente vê como é que sai para voltar para Rosalba.” O advogado da governadora, Felipe Cortez, evita entrar na discussão sobre o conteúdo das escutas e não questiona a culpa de sua cliente. Ele questiona a legalidade dos grampos. “Os grampos por si só não provam nada. O caixa 2 não existiu. As conversas tratavam de assuntos financeiros, não necessariamente de caixa 2”, diz o advogado de Rosalba.
Procurado por ISTOÉ, o senador José Agripino não nega que a voz gravada seja dele. No entanto, o presidente do DEM afirma que as conversas não provam crime eleitoral. “O único registro de conversas do senador José Agripino refere-se à concessão de doação legal do partido para a campanha de dois deputados estaduais do RN”, argumenta.
No Rio Grande do Norte, José Agripino é admirado e temido por seu talento em captar recursos eleitorais. Até mesmo os adversários pensam duas vezes antes de enfrentar o senador com palavras. Mas o poderio econômico do presidente do DEM também está na mira das investigações sobre o abastecimento das campanhas do partido. A Polícia Federal apura denúncia de favorecimento ao governo em contratos milionários com a Empresa Industrial Técnica (EIT), firma da qual José Agripino foi sócio cotista até agosto de 2008. Nas eleições de 2010, o senador recebeu R$ 550 mil de doação da empreiteira. Empresa privada, a EIT é o terceiro maior destino de recursos do Estado nas mãos de Rosalba. Perde apenas para a folha de pagamento e para crédito consignado. Só este ano foram R$ 153,7 milhões em empenhos do governo, das secretarias de Infraestrutura, Estradas e Rodagem e Meio Ambiente. Na crise de pagamento de fornecedores do governo Rosalba, que atingiu o salário dos servidores e os gastos com a Saúde, a população foi às ruas questionar o porquê de o governo afirmar que não tinha dinheiro para as despesas básicas, mas gastava milhões nas obras do Contorno de Mossoró, empreendimento tocado pela EIT.
De acordo com a investigação do MPF, recursos do governo do Estado saíam dos cofres públicos para empresas que financiam campanhas do DEM por meio de um esquema de concessão de incentivos fiscais e sonegação de tributo, que contava com empresas de fachada e firmas em nome de laranjas. O esquema de caixa 2 tem, segundo o MP, seu “homem da mala”. O autor do drible ao fisco é o empresário Edvaldo Fagundes, que a partir do pequeno estabelecimento “Sucata do Edvaldo” construiu, em duas décadas, patrimônio bilionário. No rastreamento financeiro da Receita Federal, a PF identificou fraude de sonegação estimada em R$ 430 milhões.
O empresário é acusado de não pagar tributos, mas investe pesado na campanha do partido. Nas eleições de 2012, Edvaldo Fagundes não só vestiu a camisa do partido como pintou um de seus helicópteros com o número da sigla. A aeronave ficou à disposição da candidata Cláudia Regina (DEM), pupila do senador José Agripino. Empresas de Edvaldo, que a Polícia Federal descobriu serem de fachada, doaram oficialmente mais de R$ 400 mil à campanha da candidata do DEM. Mas investigação do Ministério Público apontou que pelo menos outros R$ 2 milhões deixaram as contas de Edvaldo rumo ao comitê financeiro da legenda por meio de caixa 2.
Mais uma vez nossos olhos e ouvidos voltam-se e abrem-se para um novo apelo: combater a fome no mundo. Certa vez, Madre Tereza de Calcutá disse: “Meu Deus, como dói esta dor desconhecida…” referindo-se aos pobres, famintos e doentes moribundos nas sarjetas. Por isso, fiel ao meu ministério a Cristo e à Igreja uno-me ao Santo Padre, o Papa Francisco, que abriu a Campanha Mundial da Caritas Internacional contra a fome no mundo, lançada no Vaticano com a presença de mais de 30 mil fiéis na Praça de São Pedro, no último dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração Mundial dos Direitos Humanos. Em unidade com toda a Igreja e aos milhões de irmãos que sofrem, também digo: “meu Deus, como dói esta dolorosa dor da fome”.
O Papa Francisco exorta os católicos, governantes e toda sociedade civil para um total engajamento, a fim de erradicar aquilo que ele chama de “escândalo da fome”. O Papa convida para que todos se juntem ao slogan da Campanha da Cáritas: “Uma só Família humana, alimento para todos”.
Os números não negam, nos surpreendem, apavoram e até enganam… Mas, por que enganam? Porque até o final da leitura deste artigo, que você levará em torno de dois minutos, estes números que aqui serão apresentados já não serão mais os mesmos… Milhares já terão morrido de fome enquanto você estiver lendo isto… Outros entrarão para o cinturão da miséria. Afinal, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), a cada minuto 12 crianças morrem de fome no mundo. Vejamos algumas estatísticas:
Segundo a última informação divulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), na terça-feira, dia 10 de dezembro p.p., uma em cada oito pessoas sofre de fome crônica no mundo. Seriam aproximadamente em torno de 842 milhões de pessoas subnutridas, ou seja, pessoas que não possuem alimentos necessários para uma vida saudável e ativa. Muitos esforços são empreendidos pelos Governos e muitas frentes não governamentais, mas o que se observou foi que desde 2010 até 2013 apenas 26 milhões de pessoas foram resgatadas dessa margem de pobreza e miséria. O Brasil, apesar de todos os esforços e sua riqueza produtiva de alimentos, tem 16 milhões de pessoas que estão em estado de fome crônica. Se for pensar em investimentos concretos, então pense que serão necessários no mínimo 30 bilhões de dólares por ano para erradicar a fome no mundo. Isso não chega aos 10% do que os EUA investem por ano em armamento (US$ 450 bilhões). Permitam-me reproduzir abaixo um gráfico apresentado pela FAO:
• 814,6 milhões de famintos nos países em desenvolvimento (como China, Bolívia, Angola…) • 28,3 milhões de famintos em países de transição (como Rússia, Croácia, Ucrânia…) • 53 milhões de famintos na América Latina • 9 milhões de famintos nos países industrializados (como Alemanha, Estados Unidos, Austrália) • 15,6 milhões de famintos no Brasil • 5 milhões de crianças morrem de FOME por ano: uma morte a cada 5 segundos • Com US$ 25 milhões por ano, seria possível reduzir drasticamente a desnutrição nos 15 mais famintos países da África e da América Latina e salvar da fome pelo menos 900 mil crianças até 2015.
A situação é dramática e desencontrada quando se quer mostrar algum gráfico brasileiro. Fontes do IBGE (34 milhões) e Fundação Getúlio Vargas (50 milhões) apontam divergências enormes de pessoas abaixo do nível de pobreza no Brasil. Já os índices oficiais apontam níveis mais esperançosos: apenas 24 milhões de brasileiros passam fome no Brasil, já que aqui se tem o programa “Fome Zero”.
Olho para o pronunciamento do Papa, como “A Carta que o Papa Francisco escreveu à humanidade”. Uma carta que leva o selo da solidariedade postada no correio da caridade fraterna e cristã para os destinatários de todos os credos, raças, línguas e nações. São palavras tão claras e profundas que reproduzem o evento do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, quando Jesus, diante daquela multidão faminta, delega seus discípulos à distribuição do pouco que possuíam: pães e peixes. A graça divina agiu naquele momento e todos ficaram saciados, as sobras foram recolhidas para novas necessidades e nada foi desperdiçado. “A parábola da multiplicação dos pães e dos peixes nos ensina justamente que se houver vontade, o que temos não vai acabar, ao contrário, vai sobrar, e não deve ser perdido. Por isso, queridos irmãos e queridas irmãs, convido-os a abrir um espaço em seus corações para esta urgência, respeitando o direito dado por Deus a todos de ter acesso a uma alimentação adequada.”
Chamo atenção para o substantivo urgência que o papa sublinha afinal, na rotina de uma pessoa nos alimentamos pelo menos três vezes ao dia enquanto estes aqui citados nas estatísticas da ONU o alimento é a preciosidade do “de vez em quando”. Outro elemento forte na carta do Papa é a expressão “se houver vontade”; ali o Papa Francisco está convocando em primeiro lugar os Governos e em seguida toda sociedade civil para uma verdadeira “vontade política” de abertura, conversão e distribuição dos alimentos. Em outro momento, inclusive no encontro com os estudantes universitários de Roma, o Papa pede para que não fiquemos olhando pela janela e sim para que lutemos a fim de vencer a batalha contra a fome. Ali está a batalha para de fato derrubar esta condicional “se houver”. Como o próprio Sumo Pontífice afirma: o “escândalo da fome não pode nos paralisar”.
O desperdício de alimentos que são jogados no lixo é um escândalo para a humanidade. Existem projetos para o aproveitamento e assim alimentar os necessitados do mundo, mas isso supõe, além das iniciativas de empresas e organizações, vontade política e leis condizentes. O Papa lembrou mais de uma vez: se a bolsa de valores cai um dígito é manchete mundial, se uma criança morre de fome em nosso planeta é apenas um número na estatística.
Mas a Palavra de Deus se torna sempre viva nos homens de fé e coragem que exortam a humanidade para olhar os nossos irmãos com os olhos da solidariedade e com a mesma sensibilidade com que Cristo olhava para os que mais sofriam.
Caríssimos, diante desta dolorosa dor da fome, abramos nossos corações e nossos armários para a verdadeira partilha e solidariedade. Em nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro estamos trabalhando na execução do Ano da Caridade. Procure a sua Paróquia ou comunidade. Lá você encontrará todas as informações necessárias para saber como interagir neste apelo que o Santo Padre nos faz. O nosso Vicariato da Caridade Social, com as pastorais Sociais e entidades da Arquidiocese, como a Caritas Arquidiocesana e outros, irá articular o nosso trabalho deste ano que iniciaremos com a Trezena de São Sebastião, que tem como lema: “SÃO SEBASTIÃO, DISCÍPULO DO AMOR E DA CARIDADE” e o texto Bíblico referência é: “Se não tiver caridade, de nada adianta!” (1Cor 13,3).
Estejamos unidos e façamos a diferença neste ano. Tudo isso é consequência da nossa missão evangelizadora e o fato de encontrarmos Cristo na pessoa do irmão.
Dom Orani João Tempesta é Arcebispo do Rio de Janeiro.
INCOMPETENTE, POPULISTA E DEMAGOGO – Populista, demagogo, autoritário e incompetente, este é Joaquim Barbosa. A ‘gestão’ dele a frente do STF é imprestável. Este personalista, populista e demagogo que é, vive de ações de pirotecnia, devidamente amparadas pelas lentes da “grande mídia”. Tirando os holofotes e as ações ilegais e espalhafatosas, a administração de Barbosa é uma das mais incompetentes havidas em toda a história do Poder Judiciário no Brasil.
Tomara que este populista demagogo (mistura de Jânio Quadros com Demóstenes Torres) largue a toga e enfrente as urnas, alguém com tamanha incompetência terá vida curta ao enfrentar a apreciação das urnas. Tipos como este só sobrevivem porque tem a proteção e a blindagem da chusma desinformativa, que presta os devidos cuidados àqueles que bem cumprem com os seus intentos. Ou intentonas… A ‘gestão’ de Barbosa representa um dos maiores retrocessos com os quais a sociedade brasileira teve que se defrontar ao longo da história.
Mutirões carcerários vivem retrocesso com Barbosa à frente do CNJ
Comparado à gestão de Peluso, período de Barbosa tem queda de 78% na análise de processos que revisam condenações injustas ou arbitrárias. Pastoral Carcerária diz que detentos são ignoradospor Helena Sthephanowitz publicado 20/12/2013 12:49
ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Os mutirões têm sido importantes para remover do limbo pessoas que não deveriam estar detidas
Uma das boas medidas determinadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foram os mutirões carcerários. Trata-se de esforço concentrado para analisar processos de presos que já cumpriram a pena e continuam esquecidos na cadeia por falta de uma ordem judicial para soltá-los.
Desde 2008, quando se iniciaram os mutirões, até agora, 451.828 processos foram analisados, encontrando mais de 47 mil detentos que estavam presos indevidamente e foram postos em liberdade. O problema é que esse esforço sofreu um grande retrocesso, desde quando o ministro Joaquim Barbosa assumiu a presidência do CNJ, em novembro de 2012.
De agosto de 2008 a abril de 2010, durante a gestão do ministro Gilmar Mendes no CNJ, 20 estados foram visitados, o CNJ analisou 108.048 processos e 33.925 benefícios foram concedidos, seja colocando em liberdade, seja progressão de regime (para aberto ou semiaberto), seja autorizando o trabalho externo, seja extinguindo penas.
A produção do CNJ aumentou na gestão do ex-ministro Cezar Peluso, de fevereiro de 2010 a dezembro de 2011. Foram analisados 310.079 processos, com a concessão de 48.308 benefícios, entre eles 24.884 casos de penas que já haviam sido cumpridas.
Na gestão do atual presidente, Joaquim Barbosa, apesar de ainda estar na metade, já se registra um retrocesso na produção do CNJ de espantosos 78% se comparada proporcionalmente à metade do período da gestão Peluso. Apenas 33.703 casos foram analisados, com apenas 5.415 benefícios concedidos.
Em entrevista ao portal iG, O coordenador da Pastoral Carcerária Nacional, padre Valdir João Silveira, afirma que esses presos são pessoas jogadas no sistema penitenciário e ignoradas pela justiça e pela sociedade. Faltou ao padre acrescentar que são pessoas também invisíveis aos holofotes da mídia, o que não desperta o interesse de alguns magistrados neste trabalho.
Valdir lembra que, embora louvável e importante, os mutirões estão longe do ideal, que seria fazer um pente fino em todo o sistema. Hoje os processos são analisados por amostragem, o que ainda deixa muitos casos no limbo do Judiciário.
O juiz Douglas Martins, Coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do CNJ, acrescenta outros problemas aos já citados. Vê um erro na ação policial determinada por governadores de encarcerar em massa, fazendo uma “opção preferencial pelos pobres”, onde 90% dos detentos são envolvidos em crimes contra patrimônio e tráfico de drogas. Segundo Martins, a tendência mundial é o contrário, onde a maioria dos detentos são os envolvidos em crimes contra a vida, e crimes de menor potencial ofensivo tem penas alternativas. Para ele esta política está equivocada, com o Brasil tendo a quarta população carcerária do mundo, em muitos casos “governada” paralelamente por facções criminosas.
A frase: “Todo poder emana do povo, e em nome dele será exercido” não deve ser considerada apenas um enfeite retórico, ou uma generalização que de tão ampla não se materialize.
Ela é uma sentença vinculante em regimes democráticos. No arranjo institucional democrático, seja ele republicano ou monárquico, não há poder que possa desafiar a vontade das urnas. Nem o controle de constitucionalidade, seja ele da forma direta (concentrada) ou indireta (difusa), pode ser considerado uma ação de controle do poder originário, porque controle de constitucionalidade nunca é exercido para conspurcar o sentido das urnas. Ele age para restabelecer o equilíbrio constitucional, e não para perpetuar o conflito. Nestes casos, uma corte de juízes (não eleitos) diz que uma lei ou um ato administrativo dos outros dois poderes (o legislativo e o executivo) afetam aquilo que o povo já consagrara antes como constitucional, cessando os efeitos do ato, até que este mesmo povo (através de seus representantes legislativos) consagrem novo pacto constitucional em emendas a Constituição, ou em novas constituições (se for o caso de cláusulas pétreas). Mas, como dissemos, este processo é extremamente delicado, e deve ser exercido com singular cuidado. Justamente o contrário do que tem acontecido na sociedade brasileira nos últimos tempos. O resultado? As cortes constitucionais, ao invés de apaziguarem conflitos, têm mergulhado o país e suas instituições em estado permanente de apreensão, como se estivéssemos a beira de um colapso (golpe judicial). Não servem como justificativa a suposta omissão e/ou deficiência do legislativo em criar leis adequadas as nossas demandas sociais, ou o constante desequilíbrio entre o peso relativo do poder executivo frente ao legislativo, ou ainda, a defesa da higienização dos modos e costumes políticos (pura hipocrisia). Todos estes pressupostos são importantes, sem dúvida, mas só o poder eleito e seu aperfeiçoamento constante podem dar conta de resolvê-los. Se o Congresso Brasileiro deixa de legislar sobre algo, e se a população que elege esta casa de leis, renova e mantém a correlação de forças que deram causa a esta suposta omissão, não poderá ser um poder não eleito (judicial) que poderá suprir esta lacuna, a não ser em caso bem específicos, novamente quando a omissão causar danos e ofender a própria Constituição (como no mandado de injunção). Por outro lado, se um prefeito aprova uma lei na Câmara de Vereadores para alterar a estrutura tributária de seu município, como foi o caso do IPTU em SP, não pode qualquer corte interromper a eficácia da norma, a não ser aqui ali estivesse uma afronta grave a princípio constitucional. Não é o caso. O único argumento oferecido pela elite paulistana, encastelada na FIESP é de que as novas alíquotas revertidas ao comércio e aos bairros mais ricos vão causar desequilíbrio econômico. Ora bolas, e o desequilíbrio tributário de séculos, onde os mais pobres arcaram com os tributos e ficaram com o lixo, a insegurança, a desvalorização, enquanto as áreas mais nobres, pagando proporcionalmente muito menos, ficaram com a melhor parte da cidade? Já dissemos aqui neste blog que o poder judiciário é a última (e talvez a primeira, em alguns casos) cidadela do conservadorismo e do domínio das elites e setores médios sobre a maioria pobre. Com a decisão dos tribunais confirmadas pela corte suprema (alguém esperava resultado distinto?), seria melhor que os prefeitos entregassem as chaves ao juiz local. A vontade da maioria está refém dos caprichos judiciais e dos interesses econômicos da minoria.
O crescente mercado de música online e o baixo retorno financeiro
As empresas competem para conquistar os assinantes e enfrentam o desafio adicional de receber o pagamento pela disponibilização de música pelo serviço de streaming.
NYTimes | ‘A Stream of Music, Not Revenue’ | Ben Sisario | 12 Dezembro 2013
Quando a Spotify, a empresa de música digital do momento, anunciou esta semana um acordo de exclusividade com o Led Zeppelin e o seu impressionante número de acessos em dispositivos móveis.
A Spotify, após a assinatura do Metallica, firma acordo de exclusividade para transmitir música online do Led Zepplin através do seu serviço de streaming.
Seus ouvintes consumiram 4,5 bilhões de horas de audição de músicas, este ano, e pagaram mais de US $ 1 bilhão em royalties de música desde a sua fundação.
Mas a Spotify, uma empresa privada, omitiu os resultados que os executivos da música, concorrentes e investidores se preocupam mais: quantas pessoas usam o serviço e quantas pagam por isso?
Serviços como o Spotify, Pandora e o novo Radio iTunes da Apple se tornaram a última esperança para o sitiado negócio da música. Eles permitem que os clientes acessem vastos catálogos de músicas on-line, gratuitamente ou através de assinaturas, ao custo, quase simbólico, de 3 dólares por mês.
Com arrefecimento das vendas de download, após uma década de crescimento, o streaming tem o potencial de transformar o modelo financeiro da indústria através da cobrança, apenas, para o ato de ouvir. Em vez de vender um CD ou um download, as empresas poderiam ganhar royalties cada vez que alguém clicasse em ouvir uma faixa.
“Os hábitos de compra dos amantes da música estão mudando”, disse Doug Morris, presidente da Sony Music Entertainment, a investidores, em uma conferência em Los Angeles, no mês passado. “Ao invés de comprar discos físicos, ou mesmo fazer downloads digitais, os consumidores estão começando a preferir comprar através dos serviços de streaming.”.
A mudanças começaram a afetar a forma como as canções de sucesso são feitas por jovens artistas que estão ganhando muito da popularidade e impulso a partir de plataformas de streaming.
No entanto, mesmo com o crescimento, as empresas de streaming estão encontrando problemas. Os amantes da música querem consumir grandes quantidades de música gratuita, sem pagar uma assinatura mensal.
Pandora, a empresa de streaming de capital aberto, disponibiliza 1,5 bilhão de horas de música por mês para mais de 70 milhões de usuários, mas apenas cerca de três milhões deles pagam. O restante dos ouvintes usa, livremente, suportando, porem, a veiculação de publicidade. Mesmo que tenha um valor de mercado de 5 bilhões de dólares, a Pandora tem que buscar o lucro financeiro.
“Há uma resistência irracional das pessoas em autorizar o desconto no seu cartão de crédito para serviços de streaming”, disse Ted Cohen, consultor de música digital de TAG Strategic. “Estamos, há 13 anos, sob a influência do fenômeno Napster, da ‘música de graça” e é difícil levar as pessoas de volta para a ideia de que a música vale, pelo menos, o preço de uma xícara de café consumido em uma semana.”
Os vídeos de música livre do YouTube tornaram-se a plataforma de audição mais popular entre os jovens ouvintes, segundo a Nielsen.
Quando o presidente-executivo da Spotify, Daniel Ek, foi questionado sobre o número de assinantes da empresa, ele disse, “Nós não somos uma empresa que irá atualizar os números com cada milhão de subscrição que recebermos. Vamos atualizá-los quando sentirmos que há metas importantes alcançadas.”
Atingir estes marcos pode ser, cada vez mais, desafiador. Com várias empresas importantes prestes a entrar no mercado, nos próximos meses, a competição em streaming de música está prestes a se intensificar.
O Beats Music, um serviço de assinatura dos fabricantes de fones de ouvido Beats by Dr. Dre, chegará em janeiro, acompanhada por uma campanha de marketing agressiva. O YouTube e a Deezer, uma empresa francesa, também podem entrar no mercado americano com planos de assinatura. Eles se juntam a um mercado de streaming que já está lotado, que inclui Rdio, Rhapsody, Google’s All Access, Xbox Music from Microsoft e a Sony’s Music Unlimited.
E enquanto todas essas empresas lutam, entre si, para conquistar os assinantes, elas enfrentam o desafio adicional de conseguir que os fãs de música paguem pelo streaming de música.
A estratégia da Spotify tem sido a de atrair clientes com uma versão suportada por publicidade gratuita e espera que eles possam ser convencidos a pagar entre 5 a 10 dólares, por mês, para ter regalias como som de melhor qualidade sem anúncios. Mas o serviço, que começou na Suécia, em 2008, e, agora, está disponível em 55 mercados ao redor do mundo, não atualiza o seu número de clientes desde março, quando foram atingidos 24 milhões de usuários e apenas seis milhões de pagantes.
O acesso gratuito limitado em dispositivos móveis, que a Spotify anunciou esta semana, foi, em parte, uma forma de continuar a atrair os consumidores que agora gastam mais do seu tempo em telefones e tablets do que em computadores desktop. Daniel Ek disse que a metade dos novos usuários do Spotify foi inscrita através de dispositivos móveis. A Spotify espera atrair novos clientes através da exclusividade com músicos populares, como o fez, nesta semana, com o Led Zeppelin.
Daniel Ek, executivo-chefe da Spotify, anunciou o livre acesso de música em dispositivos móveis.
O Beats Music não oferecerá músicas com opção de escuta livre, mas os clientes deverão encontrar um serviço, suficientemente, atraente para pagar. Esse plano pode servir de apelo positivo para músicos, que se queixam dos baixos valores dos royalties que recolhem dos serviços gratuitos, considerando-se que as taxas de royalties de músicas consumidas por serviços pagos tendem a ser muito maior.
Dentro do mundo do streaming, a opinião predominante é que o mercado ainda é novo e tem um potencial enorme. Em 2012, os serviços de streaming e rádio por satélite, nos Estados Unidos, contribuíram com mais de US $ 1 bilhão em receita para a indústria fonográfica, representando um aumento de 59 por cento em relação ao ano anterior. Ainda assim, esses números são pequenos em comparação com a 5,6 bilhões de dólares a auferidos partir de downloads e vendas físicas, de acordo com dados da Recording Industry Association of America. O crescimento da transmissão online deverá continuar a um ritmo ainda mais rápido em 2014, enquanto as vendas e os downloads CD continuarão, provavelmente, em declínio.
“Levou muitos anos para os downloads digitais dominar o mercado, juntamente com os CDs, e, com o tempo, as assinaturas serão uma terceira opção amplamente adotada”, disse Anthony Bay, diretor executivo da Rdio, que iniciou as atividades em 2010, ainda não anunciou seus números de assinantes, mas na quinta-feira começou uma campanha de marketing por meio de um acordo com a gigante do rádio Cumulus Media para promover o seu negócio.
Ainda não está claro quantos assinantes um serviço precisa ter para ser sucesso no mainstream, embora a Spotify pareça ter planejado algo como 40 milhões como o seu alvo. Ela usa esse número para demonstrar quanto dinheiro pode contribuir para a indústria da música e o streaming se tornar uma opção dominante.
A maioria dos prestadores de serviços não anunciam os seus resultados, mas os executivos da música e os analistas estimam que o número total de assinantes de serviços de streaming pagos nos Estados Unidos situa-se em pouco mais de cinco milhões. Esses números são insignificantes, em comparação com os números publicados por outras empresas de mídia como o Netflix, que possui cerca de 31 milhões de assinantes, e a Sirius XM Radio, com mais de 25 milhões.
Vários analistas duvidam que as empresas de streaming possam atrair uma quantidade significativa de clientes pagantes e citam a queda acentuada nas vendas de música na última década e a oferta abundante de música on-line gratuita. Eles afirmam que vai ser difícil sobreviver veiculando apenas publicidade.
Em vez disso, outros especialistas vislumbram o sucesso destas empresas baseadas em um modelo de subsídio, em que as vendas de música possam apoiar outro tipo de negócio com margens de lucros mais elevadas. A Apple, por exemplo, realiza a venda de música com baixa margem de ganho para estimular a demanda para iPods, telefones e computadores.
“A música é um complemento adicional, mas não é algo que você fica ansioso para pagar, se você não o tem”, disse James L. McQuivey, analista da Forrester Research.
E, para piorar o quadro, há a concorrência feroz de novos operadores que continuam a inundar o mercado. Quando perguntado sobre a concorrência, Daniel Ek do Spotify observou que era maior, quando sua empresa começou. E muitos desses serviços – como o Myspace Music, Napster e Zune – diminuíram ou desapareceram completamente. Mas ele disse que estava satisfeito de ser um líder, em vez de ser mais um concorrente (um challenger).
“Eu prefiro ser caçado, do que ser aquele que tem de perseguir as pessoas”, disse Ek.
Há uma série de tecnologias emergentes de streaming que permitem a transferência de dados online, processados com fluxo regular e contínuo.
Com o crescimento da Internet, as tecnologias de transmissão estão se tornando cada vez mais importantes, devido á incapacidade da maioria dos usuários de acessar rápido o suficiente para baixar grandes arquivos multimídia.
Com o streaming, o usuário pode iniciar a exibição dos dados antes que todo o arquivo seja transmitido.
Isto significa que, se o cliente receber o fluxo de dados mais rapidamente do que o necessário, torna-se necessário encaminhart os dados em excesso para uma área de armazenamento temporário.
O atual padrão de dados de áudio na Internet é da Progressive Network’sRealAudio.
Descoberto o verdadeiro nome do torturador de Stuart Angel
Stuart Angel: verdadeiro nome do principal torturador é descoberto
CHICO OTAVIO | JULIANA DAL PIVA
Stuart Angel era dirigente do MR-8 e foi preso por agentes da Aeronáutica em em junho de 1971 Reprodução
RIO – Pardo, estatura mediana, suboficial. Por mais de quatro décadas, essas foram as únicas informações conhecidas sobre um dos principais torturadores dos porões do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa), que funcionava junto à Base Aérea do Galeão. Presos políticos que estavam na carceragem à época denunciam com frequência a desenvoltura com que o suboficial “Abílio Alcântara”, de codinome “Pascoal”, participava dos interrogatórios sob tortura nas masmorras do Cisa. E dos guerrilheiros que por ali passaram e conheceram “Pascoal”, apenas um jamais saiu: Stuart Angel Jones. O ex-preso político Alex Polari de Alverga denuncia há 42 anos que presenciou o momento em que o amigo foi preso por agentes da Aeronáutica, na manhã de 14 de maio de 1971, em uma região do Grajaú, na Zona Norte do Rio. Entre eles, “Pascoal.”
“Abílio Alcântara”, porém, nunca existiu. Serviu apenas para esconder a verdadeira identidade do sargento Abílio Correa de Souza. Após o cruzamento de depoimentos de ex-presos com informações em bancos de dados nacionais e internacionais, O GLOBO chegou ao verdadeiro nome sob o qual se escondia o agente. Souza chegou a fazer cursos de inteligência de combate e contraespionagem na conhecida Escola das Américas, no Forte Gulick, no Panamá, em 1968. De acordo com o relato dos presos, ele seria o braço-direito do coronel Ferdinando Muniz de Farias, o “dr .Luis” — homem de confiança do brigadeiro Carlos Affonso Dellamora, comandante do Cisa. Ambos já amplamente denunciados por Alex Polari.
Agente estudou contraespionagem na Escola das Américas
Souza, de acordo com uma nova testemunha dos momentos finais da vida de Stuart, foi o último agente a falar com o filho da estilista Zuzu Angel, em sua agonia. A ex-presa política Maria Cristina de Oliveira Ferreira conta que não chegou a ver, mas ouviu os gemidos do dirigente do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), sua organização guerrilheira, ao longo da madrugada. Stuart murmurava seguidamente “vou morrer, vou morrer”. Em determinado momento, o suboficial Souza se aproximou.
— O “Pascoal” falou pra ele: “Deixa de frescura, Paulo (codinome de Stuart no MR-8). Você não vai morrer ainda não. Toma aqui um melhoral”. Pouco depois ele silenciou e eu ouvi o barulho semelhante à retirada de um corpo — revelou Maria Cristina.
Ela nunca foi ouvida antes sobre o assunto por ser acusada por ex-companheiros de militância de colaboração com o regime.
— Depois do que aconteceu com Stuart, a carceragem foi imediatamente esvaziada. Todos nós fomos transferidos para outros lugares — recorda-se.
Outro preso também confirma a liberdade com que Souza transitava pelos corredores da carceragem. Manoel Henrique Ferreira contou em relatório que integra o acervo do Brasil Nunca Mais que “Pascoal” pediu-lhe que reconhecesse a foto na carteira de identidade falsa com que Stuart foi preso. Em seguida, confirmou a prisão, sorrindo.
Outros dois novos nomes de agentes surgem no caso. Os cabos reformados Luciano José Marinho de Melo e Cláudio de Almeida Aguiar integravam as equipes do Cisa em 1971. A eles, foi confiada a missão de fazer o registro de nascimento do filho de uma presa do órgão, no início de 1972, na 11ª circunscrição de Inhaúma, apesar de a criança ter nascido no Hospital da Aeronáutica. Os nomes deles constam na certidão de nascimento como testemunhas.
Segundo outro preso, Luciano atuava como motorista das equipes de captura e, no dia em que Stuart foi preso, conduziu o carro no qual ele foi levado para um ponto onde estariam outros dois militantes do MR-8 — organização da qual Stuart era dirigente. Como os guerrilheiros não viram o preso, conseguiram sair do ponto ilesos, apesar do cerco.
Procurado, Luciano disse que foi apenas motorista do gabinete do ministro da Aeronáutica até 1984, emprestado ao brigadeiro Dellamora exclusivamente para o registro da criança. Ele pediu e obteve anista política em 2005 com base à portaria n.º 1.104-GM3/1964, que limitou o serviço dos cabos a oito anos. Desde 2011, o Ministério da Justiça está revisando o processo. O nome de Claudio é listado como torturador no projeto Brasil Nunca Mais, em um inquérito de 1970. Aguiar foi procurado em três diferentes endereços durante um mês, mas não foi localizado.
Entre os outros agentes envolvidos no desaparecimento de Stuart, pelo menos outros três também estudaram na mesma escola. O brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, responsável pela organização e criação do Cisa e então chefe da 3ª Zona Aérea, fez cursos com nomes semelhantes aos de Abilio Correa de Souza em 1967: inteligência militar e contraespionagem. Com extenso currículo e 11 condecorações, entre elas a principal da Força, o Mérito Aeronáutico como Cavaleiro, o coronel Muniz de Farias também fez o Curso de Informações para Oficiais Superiores nos EUA. O capitão Lucio Valle Barroso, outro envolvido, estudou inteligência militar para oficiais em 1970 e é apontado como analista de informações do Cisa.
SNI elaborou documento de 167 páginas dando Stuart como morto
Além dos militares da Aeronáutica, relatos de presos políticos e documentos inéditos localizados nos acervos do projeto Brasil Nunca Mais e do Arquivo Nacional em Brasília apontam que os policiais da Delegacia de Ordem Politica e Social do Rio participaram ativamente das operações de captura de integrantes do MR-8 — organização que Stuart dirigia — e que antecederam a prisão dele. Dois são apontados ainda como integrantes da equipe de interrogatório: Jair Gonçalves da Mota e Mario Borges de Araújo. Este chegou a receber a Medalha do Pacificador, honraria concedia pelo Exército em 1971.
O GLOBO ainda obteve acesso a um documento inédito do Serviço Nacional de Informações (SNI) pertencente ao Arquivo Nacional demonstrando que o desaparecimento de Stuart foi amplamente documentado pela repressão. O informe número 1.008, produzido em 14 de setembro de 1971, tem como assunto: “Stuart Angel Jones — Falecido”. O documento tem conteúdo classificado como confidencial e 167 páginas. “Apenso, encaminho documentação para fins de prontuário referente ao epigrafado, bem como de outros elementos subversivos arrolados nos processos de apuração de delitos cometidos por alguns deles”, informa o texto, que, no entanto, apresenta apenas três páginas.
Na “Informação Nº 4.057”, da Agência São Paulo do SNI, de 11 de setembro de 1975, o nome de Stuart aparece listado junto a outros 89 nomes de guerrilheiros mortos seguidos por datas das mortes. No caso dele, o dia apontado é 16 de maio de 1971, dois dias depois da prisão. O destino do corpo, no entanto, permanece desconhecido.
Stuart Angel Jones integrava a direção do MR-8 e havia participado de diversas ações armadas; o interrogatório tinha um objetivo claro: descobrir o paradeiro do capitão Carlos Lamarca.
No fim do ano, a cúpula da Aeronáutica foi substituída devido a pressões sobre o caso, após as denúncias da mãe de Stuart, a estilista Zuzu Angel. O desmonte final dos porões do regime, porém, não cortou os laços dos torturadores de Stuart. Pelo menos três deles (o coronel Muniz, o sargento Abílio e o cabo Cláudio Aguiar) trabalharam posteriormente na Transportadora Volta Redonda (TVR), uma das gigantes no setor do período. A sede regional da empresa, na Avenida Londres, Bonsucesso, era ponto de encontro dos agentes do Cisa.
Burnier, Dellamora, Muniz e Abílio já morreram. Parentes do suboficial foram localizados na Zona Norte do Rio, mas disseram desconhecer sua atuação na Inteligência da FAB. De acordo com esses parentes, o agente jamais comentou o trabalho em casa, e a família nunca teve contato com seus colegas da Base.
A Aeronáutica, que nunca admitiu a prisão do guerrilheiro, não quis comentar o caso. Por intermédio da Comunicação Social, informou que os documentos alusivos ao período do regime já foram entregues ao Arquivo Nacional.
Secretário de Eduardo Campos ‘justifica’ estupros por PMs
Secretário de Eduardo Campos deixa o cargo após ‘justificar’ estupros por PMs
REYNALDO TUROLLO JR.
DO RECIFE
O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, deixou o cargo nesta quinta-feira (19), após repercussão negativa de entrevista ao “Jornal do Commercio”, do Recife.
Entrevistado pelo jornal sobre denúncias de abusos sexuais praticados por policiais, o secretário, que soma 30 anos de carreira nas polícias Civil e Federal, disse que “desvio de conduta tem em todo lugar” e que “mulher gosta de farda”.
“Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia… né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?”, afirmou o secretário ao jornal.
Em outro momento da entrevista, o secretário diz que “mulher gosta de farda”.
“Elas às vezes até se acham porque estão com policial. O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda. Todo policial militar mais antigo tem duas famílias, tem uma amante, duas. É um negócio. Eu sou policial federal, feio para c…, a gente ia para Floresta [cidade do sertão] para esses lugares. Quando chegávamos lá, colocávamos o colete, as meninas ficavam tudo sassaricadas. Às vezes tinham namorado, às vezes eram mulheres casadas. Para ela é o máximo tá [sic] dando para um policial. Dentro da viatura, então, o fetiche vai lá em cima, é coisa de doido”, disse.
A repórter, sem citar casos concretos, perguntara ao secretário se há na ouvidoria da Policia Militar do Estado apuração de queixas contra supostos abusos sexuais por parte de policiais.
As declarações motivaram repúdio de entidades da sociedade civil e da oposição.
O OmbudsPE, observatório da mídia do Centro de Cultura Luiz Freire, em Olinda, publicou nota de entidades de direitos humanos e movimentos sociais criticando o secretário, pedindo sua saída e chamando as declarações de machistas e homofóbicas. “O machismo institucional impregnado nas palavras do secretário é o mesmo que está presente na atuação da polícia. Assim, é conivente e legitima estupros, espancamentos e abusos cometidos por policiais nas noites do Recife”, diz o texto.
Líder da oposição, o deputado estadual Daniel Coelho (PSDB) classificou a entrevista como “quase inacreditável” e cobrou um pedido de desculpas. “Uma pérola de puro besteirol e desrespeito’, disse.
Em nota em que anunciou a saída do governo, Damázio disse que as declarações não representam seu “pensamento nem visão do mundo”. Disse que falou “em tom de brincadeira de conversações informais”, durante intervalos da entrevista, e reconhece o uso de termos “inapropriados e inadequados”.
No começo da noite, o governo de Pernambuco informou que o governador Eduardo Campos (PSB) aceitou o pedido de demissão e designou o secretário-executivo da pasta, Alessandro Carvalho, para responder pela secretaria.
LEIA ABAIXO COMUNICADO DO EX-SECRETÁRIO:
Eu, Wilson Damázio, secretário de Defesa Social, com relação às declarações a mim atribuídas em reportagem do caderno Cidades do Jornal do Commercio de hoje, dirijo-me à sociedade pernambucana para declarar que as mesmas não constituem meu pensamento nem minha visão do mundo, razão pela qual repilo os termos e peço desculpas a todos aqueles que porventura tenham se sentido ofendidos.
Esclareço ainda que a entrevista que embasou a reportagem foi interrompida em vários momentos, como a própria autora relata, permitindo o desenvolvimento, nesses intervalos, de conversações informais, em tom de brincadeira e termos que, reconheço, foram inapropriados e inadequados.
Reafirmo, por fim, que se as palavras, como é fato, não representam minhas ideias nem minha história de vida, muito menos ainda, podem ser confundidas com as políticas desenvolvidas pelo governo do Estado que vem revolucionando a segurança pública no Brasil com transparências, práticas cidadãs além de total e absoluta intolerância com qualquer conduta contrária aos direitos humanos, à liberdade de expressão e à proteção dos direitos individuais da pessoa humana.
Para proteger o governo e o seu legado, informo que já coloquei o cargo à disposição do governador Eduardo Campos.
Mais até do que a própria renda, é a falta de competição no setor de telecomunicações brasileiro que melhor explica a baixa penetração dos acessos em banda larga fixa. Números divulgados nesta quarta-feira, 18/12, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada são alarmantes: apesar de avanços, a desigualdade e a concentração estão aumentando, não caindo.
“Não temos uma política de compartilhamento de infraestrutura, dessa forma quem detém o meio físico determina a oferta. Nosso modelo de serviços é de monopólio, com basicamente duas grandes empresas, uma em São Paulo, outra nos demais estados”, resume João Maria de Oliveira, do Ipea.
Ao se debruçar sobre dados da Anatel e do IBGE, Oliveira sustenta ser o ambiente de mercado o fator decisivo na penetração dos acessos à Internet no país – baixa mesmo nos grandes centros. Em média, apenas 10 de cada 100 brasileiros tem efetivamente acesso à banda larga fixa.
Sem surpresas, as grandes cidades do Sudeste puxam o resultado, visto que nelas essa média é o dobro, de 20,6 acessos por 100, ou 18,9 nos municípios com mais de 500 mil habitantes do Sul. O técnico do Ipea pontua, porém, que o porte das cidades não explica tudo. Cidades semelhantes no Nordeste e no Norte têm densidade muito inferior, de 7,5 e 5,3 por 100, respectivamente.
“Grandes municípios do Sudeste têm densidade de acesso três vezes maior que seus similares no Nordeste, e quatro vezes maior em relação ao Norte”, diz Oliveira. É no centro-sul que se concentram as cidades que fazem parte dos 5% de municípios onde há competição, demonstra.
O estudo sobre determinantes da demanda de banda larga mostra que a concentração parece até ficar maior. “No ano de 2010, em 87,7% dos municípios brasileiros o mercado pode ser considerado como concentrado; em 2012, essa porcentagem aumentou, para 95%”, descreve Oliveira. Parte do aumento se deve à chegada de ofertas onde antes não havia, mas com um único prestador.
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Outro artigo que aborda como a baixa competição afeta a penetração de banda larga no Brasil.
“Análise de possíveis determinantes da penetração do serviço de acesso à internet em Banda Larga nos municípios brasileiros”.
Da Série Para Desanuviar o Ambiente.Luis,fui com um amigo resolver um problema no centro de São Paulo.Entramos no elevador do edifício e marcamos nosso andar.Dentro do elevador já estava um senhor de meia idade e meio calvo.O amigo me indaga?Rapaz,você viu esta história do Helicóptero do Pó,de propriedade de um senador,de um seu filho deputado, cai abarrotado de cocaína,a mídia fica na moita,para esconder o troço.E o tremsalao tucano,quantos milhões foram desviados dos cofres públicos de São Paulo,falam em bilhões,retruco eu.Desde do Governo Covas,quem diria hem,devolve ele.E a mídia,só na de ninguém sabe ninguém viu,comenta ele.Onde está a Folha,O Estadao,A Globo, e a Veja,em resumo cade a nossa mídia ,onde esta pergunto eu?O elevador para,a porta se abre,e o senhor calvo de meia idade sai,olha para mim e o meu amigo,aponta para o bolso da calça,e diz esta aqui oh,e se afasta com um sorrisinho sacana.Olhei para meu amigo meio sem entender e só então percebemos que aquele FDP era DANIEL DANTAS.
Apoiadores do partido Aurora Dourada protestam em Atenas contra a acusação a membros do partido de crime organizado, em 2 de outubro
Nikos Michaloliakos, o líder do partido grego Aurora Dourada, aguarda julgamento atrás das grades. Se provados elos diretos do deputado extremista com a morte do músico Pavlos Fyssas a 18 de setembro em Atenas, o sombrio matemático de 56 anos e mais uma caterva de colegas passarão anos atrás das grades.
Enquanto isso, na quinta-feira 10 a capa do semanário francês Le Nouvel Observateur estampou a foto de Marine Le Pen, líder da legenda de extrema-direita Frente Nacional (FN), com outra espantosa notícia: segundo uma sondagem do Ifop para o semanário, 24% dos franceses votarão na FN nas eleições europeias, em maio de 2014. Portanto, a FN terá mais votos do que as duas maiores legendas francesas, o Partido Socialista e a conservadora União por um Movimento Popular (UMP). Marine Le Pen poderá se tornar a líder do maior partido da França. Nesse caso seria previsível uma nova eleição presidencial semelhante àquela de 21 de abril de 2002, quando o pai de Le Pen, Jean-Marie, disputou o segundo turno contra o conservador Jacques Chirac. Detalhe: Marine Le Pen terá mais chances de levar a melhor nas próximas presidenciais.
No fim de setembro, a coalizão centrista austríaca, formada pelo Partido Social-Democrata (SPO) e o Partido Conservador do Povo (OVP), venceu com seu pior resultado desde a Segunda Guerra Mundial. Motivo: perdeu votos para a extrema-direta, o Partido da Liberdade (FPO). Com 21,4% dos votos, o FPO de Heinz-Christian Strache, de 44 anos, fez campanha contra imigrantes, a islamização da Áustria, e resgates econômicos para países como a Grécia. O OVP obteve 23,8%, ante 27,1% para o SPO, e considera – pasmem – uma coalizão com a extrema-direita
Na Hungria o partido neonazista Jobbik é antissemita e trava ferrenha luta para expulsar do país os roma, ou ciganos, como alguns ainda preferem ser chamados. Os roma também são perseguidos por grupos de skinheads neonazistas na República Tcheca. No fim de agosto, 62 skinheads armados com tacos de beisebol, facões e canivetes prestes a confrontar ciganos foram detidos na cidade de Ostrava. Em uníssono, gritavam: “Ciganos devem ir para as câmaras de gás”.
Há quem diga que não é somente a crise econômica a provocar reações racistas e xenófobas. “É também uma questão de identidade nacional”, pondera em um café parisiense Antoine Vitkine, autor de Mein Kampf: A história do livro (Nova Fronteira, R$ 48,90). O documentarista Vitkine cita os países nórdicos, onde a crise econômica é menos rigorosa que na Grécia, e mesmo assim movimentos de neonazistas e de extrema-direita ali não escasseiam. “São países, outrora social-democratas, que por conta da globalização estão em plena mutação.”
Um exemplo é o Partido para a Liberdade (PVV), de Geert Wilders, a terceira legenda no pleito de 2010 na Holanda. Wilders propõe o banimento da burca e do Alcorão, que ele compara ao Mein Kampf (1925), manifesto de Hitler. Assim como o PVV holandês, outras agremiações extremistas nórdicas, como o Partido do Progresso na Noruega, o Partido dos Verdadeiros Finlandeses e o Partido Dinamarquês do Povo concordam que seus países têm de se livrar da União Europeia, de imigrantes, dos roma, e cessar a islamização do Velho Continente.
É importante evitar confusões entre partidos claramente neonazistas e aqueles de extrema-direita. Se a Aurora Dourada é neonazista, a Frente Nacional é um partido de extrema-direita, embora tenha abrandado certas posições e, portanto, se tornado mais perigosa, sob a direção de Marine Le Pen. A nova líder não prega mais o antissemitismo. Flerta com a direita e vice-versa. Durante as manifestações contra o casamento gay na França autoridades da direita dita civilizada marcharam em protestos ao lado de Le Pen e seus simpatizantes.
Assim como todas as legendas de extrema-direita, e mesmo à esquerda, Marine se irrita quando chamam a FN de extremista. Alain Delon, adepto da Frente Nacional, em uma entrevista para o diário suíço Le Matin, declarou: “Após anos e anos, pai e filha lutam, mas agora não lutam sós, pela primeira vez, eles não estão sós. Eles têm os franceses ao seu lado. Isso é importante”. Quem vota pela Frente Nacional? Idosos, um em dois operários, e eleitores do presidente socialista François Hollande, segundo a pesquisa do semanário Nouvel Observateur.
Delon e outros seguidores da FN e outras legendas de extrema-direita padecem da nostalgia de um passado por vezes imaginário. Essas agremiações entendem que o povo foi traído pelas elites e pela União Europeia. Nesse contexto, como nas formações neonazistas, existe sempre a valoração étnica de um povo e de tradições (reais ou inventadas) que precisam ser defendidas. Os inimigos? Os imigrantes, como sempre, os roma e aqueles “que islamizam o país”. Nessa perspectiva, a diferença entre partidos de extrema-direita e neonazistas diminui, sem contar o fato de os neonazistas estarem sempre em busca de relíquias como uniformes e armas nazistas, e em antiquários o Mein Kampf (quem quer realmente ler o livro pode obtê-lo de graça em formatos PDF na internet ou e-book na Amazon).
Discursos de líderes de extrema-direita e de neonazistas são parecidos, e podem influenciar audiências. A Noruega, nesse sentido, é um caso clamoroso. Anders Breivik, que em 2011 massacrou 76 conterrâneos por ser contra o multiculturalismo e a islamização de seu país, era filiado ao Partido do Progresso da xenófoba Siv Jensen, a Marine Le Pen norueguesa, que parece estar em vias de forjar uma aliança com o Partido da Direita de Erna Solberg, atualmente no poder.
A extrema-direita diz fazer parte do processo democrático. No entanto, o Aurora Dourada (Chryssi Avgui), na Grécia, crê através de seus hooligans na ação direta ou no extermínio de pessoas.
Antes de assassinar Fyssas com duas tacadas, seis estrangeiros foram mortos, outros desapareceram e 300 pessoas foram agredidas. A inspiração nazista é escancarada. Além da saudação nazista, os simpatizantes colecionam fotografias de Hitler e muitos, obviamente, encaram o Mein Kampf como livro sagrado.
Em uma reportagem publicada em dezembro de 2012, CartaCapital flagrou integrantes da organização, todos vestidos de preto, cabeça raspada, braçadeiras com o símbolo do partido. Entrevistava um cidadão em Agios Pantelemonas, bairro de Atenas onde se encontra a sede principal do partido, quando dois volumosos indivíduos chegaram-se com ares de tempestade e pediram o caderno de anotações deste repórter. Aceitaram o compromisso de verem rasgadas as folhas da conversa. Em outros lugares, vi exigirem documentos a estrangeiros de pele escura. Incrível que essa legenda xenófoba tenha recebido 7% dos votos em junho de 2001 e conte com 18 deputados no Parlamento. Segundo Vitkine, isso se deve em parte à tese pela qual os filiados da legenda são amigos do povo, cuidam até de lhe oferecer comida, além da proteção. “Isso não passa de pura demagogia”, diz Vitkine.
Por que levou tanto tempo para o governo atuar contra esses fascistas? Segundo o analista político Stan Draenos, o premier Antonis Samaras “não apoiou com devidas ações as denúncias frequentes contra o Aurora Dourada”. No entanto, “partiu para uma série de repressões agressivas e agora há indícios de uma série de novos fatores a cercar o crime”. Refere-se ao assassinato de Fyssas. Autor de uma recente biografia de Andreas Papandreou, Draenos sentencia: foi um crime de motivação política, Fyssas era um rapper antifascista conhecido.
OS SUECOS E O BRASIL – A JOHNSON LINE – Uma das melhores linhas de navegação da Europa para o Brasil, forte nas decadas de 50 e 60, com excelentes navios cargueiros e navios mistos, a viagem de passageiros por navios mixtos é
um maravilha para quem curte sossego e descanso. A Johnson Line pertencia ao Grupo Axel Johnson, fundado no Seculo XIX, é até hoje o 2º Grupo empresarial sueco, após o Wallengerg, que controla a SAAB Aviões, o Grupo Axel Johnson é privado, propriedade hoje de Antonia Johnson, descendente do fundador.
Pouca gente sabe que o grupo Axel Johnson propos contruir um metrô em São Paulo na decada de 60, sob o regime de concessão, não deram atenção à proposta e com isso São Paulo perdeu 15 anos de uma serviço que poderia ser hoje muito maior. A subsidiaria brasileira, Comercial E.Johnson era uma trading importante e agencia de navegação.
A Linha Johnson ainda existe hoje mas não pertence mais ao Grupo, deixou saudades com seus lindos navios.
Os suecos tem empresas emblematicas no Brasil como a ALFA LAVAL cujas ordenhadeiras são a base da produção leiteira no Brasil, a ATLAS COPCO, fundamental fabricantes de compressores, a SKF, principal fornecedora de rolamentos do Pais, a TETRA PAK, embalagem de papelão aluminizado que é a mais usada para sucos e leite, a
UDDELHOLM, aços especiais, a SCANIA VABIS, rainha das estradas, a VOLVO, de carros luxuosos, a HUSQVARNA de serras eletricas, a ELECTROLUX, de aparelhos domesticos, já fabricava geladeiras no tempo dos vendedores de gelo em carrocinhas, a barra de gelo ficava dentro da geladeira, a ERICSSON, de telecomunicações, a ASEA, hoje ABB, produtora de equipamentos eletricos, é incrivel como um Pais de pouca população produz tantos produtos de alta tecnologia e qualidade.
Pouca gente tambem dá importancia a umfato altamente simbolico, a fuura Rainha da Suecia, Princesa Victoria, tem sangue brasileiro e fisicamente parece muito mais brasileira que sueca, o destino a fez parecer alguem daqui, a Princesa tem muitos parentes no Brasil, uma ligação que marcará as duas nações por muito tempo.
O trecho entre os municípios de Ouro Verde, no Estado de Goiás, e Estrela d´Oeste, no Estado de São Paulo, com 680 km de extensão, está em fase de construção. Quando estiver em operação, permitirá a interligação com o sistema ferroviário que dá acesso aos portos da região Sudeste e a efetiva integração das regiões Norte e Nordeste.
O abraço de afogados: quem conhece sabe que é o início do fim
Aécio e Andréa Neves sobreviveram protegidos pelo silêncio da mídia mineira. Ao tentarem alçar vôo nacional, sendo observados pela mídia digital a máscara caiu Por Marco Aurélio Carone
No passado, os veículos da imprensa nacional mantinham ativas e independentes sucursais nos diversos Estados do País. Minas não era exceção. Houve um tempo em que os funcionários destas sucursais na capital mineira, somados, suplantavam o número de funcionários trabalhando nos veículos da imprensa local.
Como exemplo, basta citarmos as sucursais: do “Estado de São Paulo”, “Folha de São Paulo”, “Última Hora”, “Jornal do Brasil”, “O Globo”. O que ocorria em Minas Gerais era rapidamente repassado. É evidente que naquela época, como agora, os Poderes econômico e político interferiam nas publicações das matérias. Mas, por meio de relatos e conversas informais entre os jornalistas das sucursais mineiras com seus colegas de outros estados, transmitia-se com fidelidade o que aqui estava acontecendo.
Com a crise batendo na porta destes veículos, e diante do “acordo” celebrado com o Governo de Minas − quando se instituiu o FEE mensal, valor pago aos veículos para publicação de releases − estas sucursais foram sendo extintas, permanecendo algumas poucas com reduzido número de jornalistas, com a adoção da pré-aprovação das pautas a serem cumpridas por seus jornalistas.
Desta forma, a imprensa nacional ficou refém, pois, tem que utilizar como informação o que a imprensa local publica, sendo induzida ao erro. Como é de amplo conhecimento, essa imprensa local, vivendo uma enorme crise financeira, viu-se obrigada a subordinar-se a vontade do maior e praticamente exclusivo anunciante, o Governo de Minas.
Até 1991, no segundo governo de Hélio Garcia, esta relação era sutil, embora irregular e sem maiores imposições. Porém, na mesma porta que entrou Washington Mello para exercer o cargo de assessor de imprensa, entrou junto o modelo que vigora hoje. É evidente que, diante do que vem ocorrendo a partir de 2003, o esquema de Mello pode ser considerado “juvenil”.
Com a posse de Aécio em 2003, implantou-se um modelo draconiano, por meio de negociação das verbas de publicidades, pertencentes ao Governo. As verbas das autarquias e empresas públicas foram concentradas em uma secretaria, sendo administradas e direcionadas para os veículos segundo a vontade de Andréa Neves.
O critério para o recebimento desta verba passou a ser o de total submissão editorial ao Governo de Minas. A esta degradada relação houveram resistências, assim como e em idêntico número as vítimas, mas ela se manteve protegida pelas montanhas de Minas. O comportamento e costume de Aécio, de seus auxiliares e de seu governo passaram a ser assunto proibido na imprensa regional. Dar espaço e voz à aqueles que pensavam diferente do Governo, passou a ser crime.
Denúncias não eram toleradas, os veículos que as ousassem fazer eram punidos severamente com a perda da propaganda oficial e demissão do profissional que as fizera, além da perseguição pelos órgãos de repreensão do governo que, para surpresa de todos, eram capitaneados por integrantes do MPMG − participantes da ala do ex-procurador Jarbas Soares e sucessores.
O Novojornal vem destoando desta realidade desde 2006, pois além de seu mínimo custo, foi criado e mantido através da venda de patrimônio pessoal de seu diretor responsável. Esse, por ter dirigido diversos veículos da mídia, inclusive dois jornais diários na capital, planejara o retorno do investimento em 10 anos, prazo normal para o setor.
Com a lógica de que os veículos da imprensa só sobreviveriam se recebessem verba de publicidade do governo, Andréa Neves não aceitava que o Novojornal sobrevivesse. Através de uma “parceria” com Jarbas Soares, o então procurador Geral do Ministério Público, tentou em 2008 fechar e desmoralizar o portal jornalístico, não obtendo sucesso.
Vieram dezenas de processos, o que igualmente, não surtiu qualquer efeito, pois, continuávamos a noticiar. Passou-se então, a perseguir nossos colaboradores e funcionários, além de ameaçar e constranger nossos anunciantes. Desesperados, passaram a utilizar a máquina policial no intuito de intimidar e tentar obter acesso às nossas fontes de informação. Por último, utilizando-se de um promotor que “disposto a tudo”, como demonstra seu passado, acusou o diretor responsável do Novojornal de ser relações públicas de uma quadrilha de falsários.
O motivo: o Novojornal deu voz ao denunciante do esquema criminoso, denominado “Lista de Furnas”, montado para abastecer financeiramente a campanha do atual senador, Aécio Neves ao governo de Minas. O documento foi periciado e atestado como autêntico pela Polícia Federal.
Para a grande maioria dos amigos e familiares tratava-se de uma luta inglória, pois o poder que Aécio e seu grupo conseguiram no País e no exterior era gigantesco. Impossível de ser confrontado.
Devo admitir que por diversas vezes me perguntei se valia a pena. As ofertas milionárias e a cobrança de familiares e amigos defendendo a busca de um acordo para levar vantagem, obrigaram-me a afastar dos mesmos. Agora, anos depois, leio entrevista do próprio assessor de marketing de Aécio afirmando ser impossível sua pretensão de ser candidato a presidência, diante do que foi noticiado pelo Novojornal.
A mídia nacional vem diariamente recorrendo ao trabalho do Novojornal para fundamentar suas pautas e noticiar sobre o Aécio Neves que ninguém conhecia. Os documentos que comprovam as matérias são solicitados e fornecidos. Desesperada, Andréa busca ajuda do “Gangster da Imprensa” Leonardo Attuch, para plantar uma matéria na revista “IstoÉ” com a finalidade de denegrir a imagem do portal e de seu diretor responsável.
Mais uma vez deu errado. “IstoÉ” esqueceu-se que fora ela o primeiro veÍculo a noticiar que a “ Lista de Furnas” era verdadeira.O que provocou, além de enorme insatisfação e discussão na redação, a internação de um de seus melhores jornalistas.
O questionamento da mídia independente quanto aos motivos que levaram a revista a praticar tal absurdo, acabaram por trazer à tona um esquema montado por Aécio Neves junto a Editora Três, dona da publicação.
Descobriu-se que, assim como em relação ao livro “Privataria Tucana”, existia a digital de Aécio nos ataques que a “IstoÉ” vem fazendo ao PSDB paulista. Desmoralizado, ele é hoje conhecido nacionalmente como um garoto mimado, despreparado e teleguiado por sua irmã, que cuida até de suas constantes internações por dependência química. Aécio busca o Poder por capricho e vaidade, visando atender os seus interesses financeiros, de seus familiares e patrocinadores.
Sem falsa modéstia, entendemos que dentro de nossas limitações, contribuímos para que a população tenha conhecimento de quem é Aécio Neves e sua irmã Andréa, assim como, o que ocorreu em Minas Gerais neste período sombrio.
Nosso diretor responsável, quando questionado pelo já falecido pai dos irmãos Neves, Aécio Cunha, sobre os motivos das críticas do Novojornal ao comportamento de sua filha a quem ele considerava um gênio, respondeu:
Em um domingo, 21 de dezembro de 1913, o jornal “New York World” publicou as “quebra-cabeças de palavras cruzadas”
Hieróglifos indecifráveis para uns, um fascinante desafio mental para outros ou apenas entretenimento, as palavras cruzadas completam 100 anos neste sábado (21/12) como um passatempo universal que requer domínio da linguagem, rapidez mental e conhecimento da atualidade. Em um domingo, 21 de dezembro de 1913, o jornal “New York World” publicou as primeiras palavras cruzadas, chamadas então “quebra-cabeças de palavras cruzadas”, obra do jornalista Arthur Wynne, nascido em Liverpool (Reino Unido) e que vivia nos Estados Unidos.
Reprodução Crosswordcaze Chamadas em inglês de “crosswords”, palavras cruzada são sucesso mundial
Em formato de diamante, tinha 31 definições além de uma palavra já escrita: “Fun” (Diversão), e esta instrução: “preencha os pequenos quadrados com palavras que se encaixam nas seguintes definições”. Embora no final do século XIX já houvesse em vários países europeus algumas tentativas muito incipientes que não tiveram continuidade, a invenção de Wynne reunia todas as características das palavras cruzadas modernas.
O jogo teve sucesso imediato e começou a aparecer constantemente na seção de passatempos da edição dominical do jornal. Outras publicações copiaram a ideia, e em poucos anos as palavras cruzadas ganharam o mundo, gerando com o tempo novas variantes e modalidades.
Em 1924, Richard Simon e Lincoln Schuster editaram o primeiro caderno exclusivamente com palavras cruzadas, depois que a tia de Richard, fã do jogo, perguntou ao sobrinho se não existia algum que pudesse dar a uma amiga. Ao perceber que havia um mercado, Simon e seu amigo partiram para a aventura editorial, e o sucesso da dupla foi tão grande que a pequena companhia que criaram acabou se tornando a gigante editora Simon & Schuster.
A chegada da internet e a crise da imprensa escrita fizeram alguns pensarem que as palavras cruzadas poderiam estar caminhando para o fim. No entanto, alguns jornais disponibilizam o passatempo pela internet e já existem aplicativos para celulares que permitem resolver o enigma sem necessidade de papel.
Provavelmente as palavras cruzadas mais famosas do mundo são as do “New York Times”, e o responsável pela seção, Will Shortz, é uma figura reverenciada entre os milhões de praticantes nos Estados Unidos, onde se organizam em grandes torneios.
O “NYT” organiza as palavras cruzadas durante a semana com níveis de dificuldade: as segundas-feiras são mais fáceis, e a partir daí a coisa se complica progressivamente até as muito difíceis das sextas-feiras e dos sábados, enquanto as dos domingos são publicadas as de complexidade média. Segundo os especialistas, um dos segredos para conseguir uma boa palavra cruzada é, além de fazer com que as palavras se encaixem, elaborar boas definições, que tenham um nível adequado de dificuldade e acrescentem um pouco de humor ou algum tipo de participação que intrigue os neurônios.
O que uma pessoa deve ter para resolver uma palavra cruzada? Além de um bom conhecimento da língua, um interesse em assuntos atuais e ter boas referências culturais. O campeão do torneio mais importante dos Estados Unidos é Daniel Feyer, vencedor das últimas quatro edições e uma autêntica lenda entre os adeptos das disputas na área.
Feyer realizou há algumas semanas uma demonstração na sede do “New York Times”, onde resolveu uma das palavras cruzadas mais complexas em 5 minutos e 29 segundos. Em dias normais, o campeão treina resolvendo dez palavras cruzadas simples em dez minutos.
Segundo Feyer, para ser um campeão é preciso ter uma mente capaz de reconhecer as palavras antes de ler a definição, reconhecer com poucas letras, algo que segundo ele faz com que músicos, especialistas em computação e matemáticos ganhem com frequência os torneios.
As palavras cruzadas percorreram um longo caminho em seus 100 primeiros anos, mas seu inventor, Arthur Wynne, não conseguiu se beneficiar de sua ideia.
Segundo sua filha Catherine explicou à emissora “CBS”, o inventor das palavras cruzadas perguntou ao chefe, percebendo o sucesso inicial, se valia à pena patenteá-lo.
O editor respondeu que se tratava de “uma moda passageira” e recomendou que Wynne não gastasse o dinheiro na patente, segundo lembra sua filha, e por isso “papai nunca viu um centavo”, desabafou.
helena chagas – não seria melhor mandar ela andar.
esta propaganda da BMW vale por 3 anos de helena chagas. concorda?
O Brasil é um BMW.
Nova fábrica BMW em Araquari, SC.
Nasce hoje, para um Brasil maior amanhã.
Ultimamente, parece que está na moda questionar a capacidade do Brasil.
A capacidade do País de realizar, de crescer, de ser grande, de ser o país que todo mundo espera e precisa.
Permitam-nos discordar inteiramente dessa percepção. Para nós, o Brasil é um BMW.
Poucos países no mundo cresceram como este.
Cresceram em riqueza, cresceram em possibilidades, em autoafirmação e em plena liberdade.
O Brasil passou de mero espectador a vibrante realizador. Deixou de ser aquele sujeito que ficava à beira da estrada, só assistindo aos carros passarem, para virar motor do seu próprio destino.
Este país é único. Pensa novo. É original de fábrica na sua natureza, na sua língua, no seu povo.
Nenhum país hoje no mundo pode escolher um caminho que não passe pelo Brasil. Nada mais natural do que a BMW estar aqui.
Se alguns duvidam do Brasil, nós investimos 200 milhões de euros.
Se ficam com o pé atrás, nós pisamos no acelerador: vamos gerar mais de 3.500 empregos diretos e indiretos, numa fábrica com capacidade para produzir 32 mil carros por ano: BMW Série 1, Série 3, BMW X1, X3 e MINI Countryman.
Esta fábrica que hoje nasce em Araquari. Que vai incorporar o mesmo modelo de produção, excelência e controle de qualidade com que a BMW produz na Alemanha, trazendo mais know-how e tecnologia a este grande país.
A BMW acredita tanto no Brasil que este será um dos poucos países do mundo a poder fabricar os carros da marca. Um privilégio de pouquíssimos. Aliás, permitam-nos hoje também o privilégio de nos sentir um pouco brasileiros.
O Brasil não se compara a nenhum outro.
Seu estilo não tem igual no mundo. E breve, muito breve, ele vai estar ultrapassando, deixando para trás, falando sozinhos os que há pouco duvidavam da sua capacidade.
Da série: EM ANO ELEITORAL CRIA-SE A DIFICULDADE PARA SE VENDER A FACILIDADE
Previdência de 10 milhões de servidores tem déficit bilionário
Má gestão e fraudes deixam aposentadorias ameaçadasRombo de R$ 78 bilhões compromete a situação financeira de uma dezena de estados e 186 cidades
Milhares de servidores públicos estaduais e municipais estão com suas aposentadorias ameaçadas pela insolvência dos institutos de previdência aos quais se associaram. Segundo o governo, existem duas mil entidades administrando a poupança de dez milhões de funcionários em todo o país que devem fechar as contas deste ano com um déficit somado de R$ 78 bilhões.
Esse buraco financeiro no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) foi cavado por má gestão, principalmente com o desvio de recursos para pagar despesas e financiar investimentos governamentais. O rombo já compromete a situação financeira de uma dezena de estados e 186 municípios — eles agora travam uma batalha judicial com o Ministério da Previdência para continuar a receber recursos da União e ter acesso ao crédito em bancos públicos.
“Os problemas já estão começando a acontecer”, disse Leonardo José Rolim Guimarães, secretário Nacional de Políticas de Previdência Social, em depoimento no Senado na semana passada. “Acreditamos que isso possa ter um impacto muito grande para o país, num futuro muito breve. Talvez, com consequências similares ou maiores do que tivemos na década de 90 com a crise da dívida dos Estados, quando a União teve que socorrer vários que estavam às portas da quebradeira.” Otoni Gonçalves Guimarães, diretor do Departamento dos Regimes de Previdência no Serviço Público, completou: “Não dá mais para se falar em tolerância com regimes sem perspectiva de sustentabilidade no longo prazo e também com gestão sem qualificação técnica e profissional”.
Pelas contas do ministério será necessário aumentar impostos para cobrir um déficit atuarial estimado em R$ 3,5 trilhões em 75 anos, o que levou a senadora Katia Abreu (PMDB-TO) a pedir a abertura de uma investigação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Comprovaram-se fraudes de R$ 2 bilhões cometidas por governantes e gestores de 117 institutos. Na maioria dos casos, eles estão envolvidos com empresas financeiras que, oito anos atrás, foram flagradas na lavagem de dinheiro para políticos beneficiados no caso Mensalão — de acordo com documentos da Justiça Federal, do Banco Central, do Tribunal de Contas da União e dos Ministérios da Fazenda e da Previdência.
Negócios com títulos “podres”
O dinheiro da seguridade social dos servidores foi aplicado em fundos privados compostos por títulos sem valor real no mercado, emitidos por empresas e bancos sem rentabilidade, falidos, em recuperação judicial ou em liquidação extrajudicial. Governantes e gestores recebiam comissões de 3% sobre o valor da operação para ordenar a compra de papéis indicados por “consultorias”. Pagava-se até o dobro do valor de face dos títulos “podres”, com prazo de carência de quatro anos para resgate. O dinheiro entrava nas contas de uma rede especializada em lavagem no eixo Brasília-Rio-São Paulo, com sucessivos saques em espécie.
Foi assim que a caixa de previdência dos servidores do Estado de Tocantins, Ingeprev, se tornou proprietária de 40% das ações de um grupo de churrascarias. O Previqueimados, de Queimados (RJ), virou cotista de uma empresa de limpeza. E a prefeitura de Angra dos Reis (RJ) investiu R$ 6 milhões em um fundo composto por títulos do Banco BVA, liquidado em outubro do ano passado.
As perdas acontecem em ritmo acelerado. Na sexta-feira 31 de agosto do ano passado, por exemplo, 23 institutos de previdência estadual e municipal possuíam R$ 335,6 milhões aplicados em um mesmo fundo de renda fixa (Elo). Em dois meses os papéis comprados perderam R$ 51 milhões em valor. Ou seja, o patrimônio financeiro desses institutos foi dilapidado nas oito semanas seguintes na velocidade de R$ 850 mil por dia — média de R$ 34,5 mil por hora, ou R$ 590 por minuto.
Essa engenharia financeira levou o Ingeprev, de Tocantins, a investir R$ 270 milhões e perder R$ 70 milhões entre agosto e outubro do ano passado. O fundo mantido pelo governo de Roraima aplicou R$ 126,5 milhões e ficou com prejuízo de R$ 33,3 milhões. Foram significativas, também, as perdas dos institutos de previdência de Manaus (AM), Campinas (SP), Goiania (GO), Teresina (PI), Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Serra (ES), que investiram a soma de R$ 472 milhões em títulos “podres”, sobretudo do Banco BVA, liquidado 60 dias depois. Parte das aplicações foi engedrada pela Invista Investimentos Inteligentes, do grupo empresarial controlado por Fayed Antoine Traboulsi.
Traboulsi foi personagem do inquérito do Mensalão, na lavagem de dinheiro transferido de fundos de pensão de empresas estatais para parlamentares aliados ao governo Lula. Ele integrava uma rede especializada em “operações financeiras atípicas”, na definição do Banco Central, em cooperação com corretores como Lúcio Bolonha Funaro e José Carlos Batista. Sócios da Garanhuns Empreendimentos, eles foram condenados por lavar parte do dinheiro do Mensalão destinado a parlamentares do então Partido Liberal (PL), atual Partido da República (PR), mas suas penas foram suspensas porque colaboraram nas investigações.
A CPI dos Correios responsabilizou duas dezenas de empresas financeiras por transferências de dinheiro do caixa de seis fundos de pensão estatais (Refer, Portus, Real Grandeza, Centros Nucleos e Sistel) para os bolsos de parlamentares aliados ao governo. Entre as corretoras estavam a Euro, a Royster e a Cingular, de Funaro e Batista.
Modelos no papel de corretoras
Essas empresas agora foram flagradas na lavagem de lucros das “operações atípicas” realizadas com institutos de previdência estaduais e municipais. Há outras também investigadas no caso Mensalão, como Diferencial, Quantia, Brasil Central e Stockolos Avendis.
Em alguns casos, atuaram em cooperação com o grupo Traboulsi, que usava modelos como negociadoras. Foram flagradas na lavagem de lucros dos negócios realizados com institutos de previdência estaduais e municipais: “Não se intimidaram com a exposição de seus nomes e técnicas de atuação, sendo novamente identificados na presente investigação, desta feita sangrando os cofres dos RPPS (Regimes Próprios de Previdência dos Servidores)”, escreveu o juiz Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ao justificar em agosto passado as primeiras ordens de prisão.
Dias atrás, técnicos do Ministério da Previdência e do Tribunal de Contas da União se reuniram para avaliar a dimensão da insolvência da previdência dos servidores. O tribunal documentou a escassez de informações confiáveis, inclusive de órgãos federais.
Se as contas espelhassem a realidade contábil, afirma o tribunal em relatório sobre o Balanço Patrimonial da União de 2012, “haveria grande impacto no patrimônio líquido (da União), que deixaria uma situação positiva de R$ 761 bilhões (em 31/12/2012), para apresentar um passivo a descoberto de R$ 345 bilhões”.
antonio francisco
21 de dezembro de 2013 8:28 amAves
http://de.nachrichten.yahoo.com/fotos/picture-day-deutschland-20-dezember-slideshow/?format=embed
hugo1
21 de dezembro de 2013 9:50 amPapai Noel é entrevistado
Papai Noel é entrevistado no Roda Viva e confessa usar cueca vermelha
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DE SÃO PAULO
Giovana Andrade, 10, sempre quis tirar uma dúvida com o Papai Noel: já que todas as crianças do mundo deixam biscoitos para ele na noite de Natal, comer essa quantidade de guloseimas não faz mal à saúde?
Ela pôde tirar essa e outras dúvidas na gravação do Roda Viva, que aconteceu nesta quinta-feira (19). O famoso programa de entrevistas da TV Cultura convidou o Papai Noel de carne e osso para responder perguntas de uma bancada de crianças. O programa vai ao ar na terça-feira (24), às 20h.
“Nunca tinha visto o Papai Noel de carne e osso na minha frente. Ele veio direto do Polo Norte só para ser entrevistado”, contou Mateus Ribeiro, 11, que participou do programa e é também apresentador do programa “Cartãozinho Verde”, na Cultura.
Jair Magri/Divulgação
Papai Noel no programa Roda Viva
No especial, o Papai Noel aproveitou para explicar que os papai noéis que estão nos shoppings são apenas ajudantes dele –e não o bom velhinho de verdade.
“Os que ficam na rua não são tão reais, é fácil perceber. Dava para sentir que o da entrevista era o de verdade”, disse Giovana, depois do programa.
Quanto à pergunta que ela sempre quis fazer, Papai Noel não gaguejou ao responder. “Ele disse que come poucos, mas que guarda todos em uma geladeira lá na casa dele.”
Matheus reclamou apenas de uma coisa: “Quando eu era pequeno, ele aparecia mais na minha casa. Continuo ganhando presente, mas não vejo mais o Papai Noel. Quase dei um puxão de orelha nele.”
O debate, que contou com a presença das palhaças Manela e Emily, do grupo Jogando no Quintal, foi mediado pelo apresentador Fabiano Augusto. “Fiquei um pouco nervoso no começo, afinal estava na frente do bom velhinho de verdade. Mas depois a gente se soltou e perguntou até se a cueca dele é vermelha. E ele disse que sim”, contou Fabiano.
http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/12/1388203-papai-noel-e-entrevistado-no-roda-viva-e-confessa-usar-cueca-vermelha.shtml
Assis Ribeiro
21 de dezembro de 2013 9:52 amRetrospectiva 2013 do
Retrospectiva 2013 do terrorismo midiático.
O ano começou com o terrorismo midiático informando que o Brasil corria sérios riscos de apagão elétrico e que o racionamento de energia seria inevitável.
Em janeiro a revista “Isto É” estampou em letras garrafais a manchete:
“Possibilidade de racionamento afeta confiança de empresários, dizem economistas”
Risco de apagão pode reduzir expansão do PIB em 2013 – Isto É
Ao contrário do apagão o que se viu foi a inauguração de várias hidrelétricas que já estavam em construção, tantas outras que serão entregues nos próximos anos e a expansão de outras matrizes aumentando a nossa capacidade de fornecimento energético, além do governo ter feito despencar o preço da energia.
Em abril, a “crise do tomate” que levou uma conhecida apresentadora da rede Globo a usar um colar de tomates para pressionar o Banco Central a elevar os juros. Na próxima talvez a obriguem de colocar uma melancia no seu traseiro.
Durante todo o ano o governo foi bombardeado com matérias pseudo – jornalísticas que exploraram de maneira sórdida:
1) Ineficiência do modelo de concessões e falta de planejamento.
O que se viu foram as concessões vitoriosas dos portos, aeroportos, rodovias e no pré-sal.
2) Inflação descontrolada.
Desde o primeiro semestre o comentarista do blog “foo” veio apresentando, mês à mês, quadros comparativos de inflação com anos anteriores demonstrando que a inflação estava completamente dentro das margens e equivalentes as meses correlatos de vários anos anteriores a 2013. Resultado, estamos fechando o ano com a inflação dentro das expectativas do governo e provavelmente ainda menor do que o ano anterior.
3) Risco de alta no desemprego.
Terminamos o ano com índices recordes de emprego.
4) Movimentos de rua de junho.
A grande mídia tentou colocar as manifestações como se fossem contra o governo Dilma e aproveitaram para tentar alavancar as candidaturas de Aécio (no desespero Serra) e Eduardo Campos (no desespero Marina). Resultado, todas as pesquisas posteriores demonstraram que Dilma ganha no primeiro turno.
5) Mais médicos.
A cobertura jornalística priorizou entrevistas com médicos e dirigentes dos CRMs que atacaram em defesa do corporativismo da classe, e omitiu o sucesso deste tipo de plano de atendimento em países que o implementaram levando saúde às populações esquecidas e abandonadas. Resultado, o plano tem alcançado um sucesso estrondoso.
6) Que o país estava parado.
Mesmo com os inúmeros canteiros de obras Brasil adentro, construção de imóveis residenciais, estradas, portos, estaleiros, plataformas de petróleo, o país voltando a fabricar navios, o comércio vendendo como nunca, criação de novos postos de trabalho, etc.
7) As condenações na AP 470.
Tentaram mais uma vez colocar a pecha de que “nunca se viu tanta corrupção no país”, como se fosse uma exclusividade do PT, chegando, a grande mídia, inclusive a lançar o nome de Barbosa como candidato à presidência da república.
8) Que a copa será um fracasso.
O sucesso recente da copa das confederações não foi suficiente para pautar análises mais equilibradas sobre a copa 2014.
9) A desindustrialização.
Esse foi mais um tópico recorrente. No entanto, a nossa mídia tradicional foi incapaz de falar nos vários incentivos do governo como as concessões vitoriosas em todos os setores da infraestrutura, a diminuição de impostos para a cadeia produtiva, a diminuição do preço da energia, disponibilização de dinheiro via BNDES, etc. Omitiu que o governo do PT reativou a nossa indústria naval para a fabricação de estaleiro e navios. A maré do contra é tão grande que até na recente aquisição dos jatos Gripen para a aeronáutica que priorizou a transferência de tecnologia e a fabricação deles em território nacional foi alvo de criticas.
O que mais se viu nas matérias “jornalísticas” foram frases como; “o gigante acordou”, “o país está parado”, “a inflação voltou”, etc.
Um jornalismo tendencioso e desinformativo que induz a população ao medo e a baixa qualidade de conhecimento.
http://assisprocura.blogspot.com.br/2013/12/retrospectiva-2013.html
Marco Santo
21 de dezembro de 2013 11:39 am(Sem título)
IV AVATAR
21 de dezembro de 2013 10:15 amA incapacidade de Barbosa de conviver com a democracia
Uma imagem vale mais do que mil palavras, o stf vai ate aonde com essas peraltices de Joaquim BarbosaVejam que JB assumiu a postura física de um ditador ao receber haddad eleito pelo povoPara receber skaf representante do empresaríamos, a coisa mudou de figura http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/124713/Haddad-decis%C3%A3o-do-STF-tira-liberdade-de-prefeitos.htm Do Edson santos, deputado negro “Às vezes meus irmãos do movimento negro me perguntam porque eu não apoio Joaquim, já que ele é um irmão de cor. Eu respondo citando Cruz e Souza, poeta negro: os negros que seguram o chicote para bater em outros negros, não são meus irmãos”. – See more at: http://www.ocafezinho.com/2013/12/20/os-olhos-secos-da-liberdade/#sthash.6mTcX0F4.dpuf
Gilberto .
21 de dezembro de 2013 10:22 amRepórter controverso
Do Valor 20/12/2013 às 00h00
Arquitetura controversa
Por Peter Aspen
Gehry no Walt Disney Concert Hall, amplamente elogiado por sua fidelidade acústica: “Vou com frequência — é a única obra de minha vida, além de minha casa, que uso”
Ele é ranzinza, conta-me alguém que conhece Frank Gehry bem, quando lhe pergunto o que esperar de meu encontro com o arquiteto. Ranzinza, mas doce. É com isso em mente que, ao ser apresentado a Gehry no escritório de seu estúdio em Los Angeles, tento explicar com toda a gentileza do mundo qual é meu papel como jornalista de artes do “Financial Times”.
“Então, você não entende nada de arquitetura?”, responde em tom que, com toda a honestidade, não tem nada de doçura. Absorvi uma coisa ou outra com o tempo, respondo. “[Na matéria] você não vai ficar me chamando de uma droga de ‘starchitect’ [mistura de “arquiteto” e “estrela”, em inglês], não? Odeio isso.” Objeção anotada, em alto e bom som, respondo.
Gehry, de 84 anos, é um arquiteto cuja fama não é nada pequena e cujos feitos podem ser descritos, sem medo de errar, como “estelares”. O que ele pensa sobre essa pequena palavra aparentemente inofensiva, no entanto, engloba uma discussão bem mais ampla e incisiva sobre sua posição no panteão dos arquitetos contemporâneos.
As construções espetaculares de Gehry – as mais famosas são o Museu Guggenheim, em Bilbao, e o Disney Concert Hall, em Los Angeles – subjugam o ambiente onde estão, segundo seus críticos. Seu estilo distintivo – para resumir, podem chamar de “sensual metálico” – é repetitivo e desrespeitoso com o contexto local, dizem os críticos. Ele projeta construções a partir de pedaços de papel amassados. Ele desfruta de sua celebridade e seus clientes desfrutam de associar-se ao que se tornou uma das principais marcas culturais do mundo. Precisam de um novo museu? Liguem para Frank Gehry. A regeneração urbana da área e a cobertura da imprensa com suplementos em cores estão garantidas; a credibilidade cultural também.
Todas essas críticas sempre me soaram mal dirigidas ou maliciosas ou, simplesmente, pura bobagem. (Os papéis amassados aparecem como piada na aparição de Gehry em “Os Simpsons”). Ainda assim, o epíteto de “arquiteto-estrela”, com toda a sua carga, evidentemente machuca.
Com o Guggenheim de Bilbao, centenas de milhões de euros incrementaram a economia da cidade, 80% relacionados ao museu
“Você sabe, jornalistas o inventaram e agora o usam para nos assombrar”, ele prossegue, em sua abertura defensiva à nossa conversa. Adoro sua arquitetura, digo com honestidade, na esperança de que o tema polêmico se dissipe. Adoro desde que fui encarregado de cobrir a abertura do Museu Guggenheim no outono espanhol de 1997 e pude vislumbrar de relance, a partir do fim de uma ruazinha insalubre, sua gritante elegância resplandecente. Foi a primeira vez na vida que vi a cultura sinalizar tão claramente o futuro, como uma placa: novo século logo a seguir, vire à direita aqui.
A menção do Guggenheim tem efeito amaciante. “Alguém me disse, algum político, que a obra ajudou a mudar o clima político no País Basco”, afirma Gehry. “Eles queriam que eu fizesse o mesmo pelo país deles!”, conta, rindo um pouco. (Ele não revela qual era o país.) “Uma vez que estava construído, esse movimento separatista que tentava encontrar a própria identidade, de repente, havia encontrado o próprio símbolo. Havia algo para ser otimista, que não estava lá antes. Isso é o que me contaram.” O arquiteto parece um pouco constrangido pela magnitude da reivindicação: “Nunca pensei nisso dessa forma”.
Ele também não tinha ideia de que o “efeito Bilbao” se tornaria um modelo internacional de regeneração por meio da cultura. “Lembro-me de todos aqueles encontros em que as pessoas falavam sobre suas esperanças de dar um impulso comercial”, relata. “Mas isso não constava como possibilidade para mim. Pensava que esses sujeitos acreditavam em contos de fadas, se achavam que uma construção poderia fazer aquilo.”
Gehry recita rapidamente os resultados do conto de fadas que foi a intervenção: centenas de milhões de euros em atividade econômica na cidade, cerca de 80% disso relacionado ao museu, que atrai 1 milhão de visitantes por ano. “Então, há o impacto social. Antes da construção, garotos completavam o colegial e partiam. Agora, há um alto índice de matrículas em faculdades de arquitetura.” Pausa para dar o tempo da piada. “Não tenho tanta certeza se isso é bom mesmo!”
Orgulho urbano por meio da arquitetura: não é uma ideia tão nova, diz. Se você mora na Grécia, tem orgulho do Partenon, se você mora em Nova York, tem orgulho do prédio da Chrysler. Aqui em LA, temos a placa de ‘Hollywood'”. Ele fala tão naturalmente [a parte da placa] que quase chego a pensar que fala sério, até que se entrega com outra risada.
O que Los Angeles tem é o Disney Concert Hall, que celebrou seu décimo aniversário em outubro. A obra, amplamente elogiada por sua fidelidade acústica, incrivelmente vem desencadeando seu “efeito Bilbao”, ajudando a reanimar o infame e indescritível distrito central da cidade. A sala de concertos é o lar da Filarmônica de Los Angeles, cuja presidente e executiva-chefe, Deborah Borda, se entusiasma com a intervenção de Gehry. “Não dá para andar pela edificação sem ver algum símbolo de tudo o que há de certo nesta cidade”, conta, enquanto me mostra o local. “Quando vejo pessoas tirando fotos de casamento do lado de fora do prédio, sei que ele deixou a própria marca.”
Fachada do Disney Concert Hall, onde Dudamel é diretor da orquestra: Gehry gosta tanto do maestro venezuelano que está projetando uma sala de concertos para sua cidade natal
Com o diretor musical da orquestra, Gustavo Dudamel, o Disney Concert Hall vem desempenhando papel central no estabelecimento de uma identidade cultural mais séria para Los Angeles. “As pessoas adoram o prédio e a orquestra”, diz Deborah. “Los Angeles sempre foi um lugar para espíritos livres. E é isso que Frank é. Ele é um espírito livre bem-sucedido; e algumas pessoas não gostam disso.”
Grande apreciador de música, Gehry tem interesse pessoal no Disney Concert Hall. “Vou com frequência – é a única obra de minha vida, além de minha casa, que uso; e faço muitos trabalhos lá, [é] quase parte da família.”
Gehry é tão empolgado com Dudamel, principal destaque do programa radical de educação musical da Venezuela conhecido como El Sistema, que está projetando uma sala de concertos para a cidade natal do maestro, Barquisimeto. “É tão democrático, tão socialista”, diz Gehry sobre o impacto de ver El Sistema diretamente. “É um grande choque de inspiração, em um momento em que isso é necessário. E ‘The Dude’ [apelido que acabou ganhando e geralmente é usado em inglês para chamar alguém amigavelmente], que Deus o abençoe, tem mais energia do que todos nós somados.” O projeto da sala de concertos, revela, é uma “espécie de sonho de projeto”.
É mais difícil trabalhar nesses projetos do que aqueles nos quais ele se sente menos ligado pessoalmente?
Gehry saboreia a pergunta por alguns segundos e responde muito lentamente. “Sou muito rigoroso. Não sei se isso é conhecido normalmente. Há esse tipo de noção por aí de que simplesmente pego uma forma e comprimo tudo dentro disso. Isso está longe de ser verdade. Para mim, a compensação sempre é trabalhar com as pessoas e deixá-las contentes. Sinto que alcancei algo. Talvez tenha nascido para agradar!”
Se ele se vê como uma marca?
“Não. As pessoas tentam dizer isso sobre mim, mas não acho que seja verdade. Não acho que tenha me repetido. Uso metais, mas em diferentes construções. Não se pode escapar da própria assinatura. Um homem que foi considerado um dos maiores arquitetos do século XX, Mies van der Rohe, se repetia interminavelmente. Mas se é bom, é bom.”
Em Los Angeles, o Disney Concert Hall vem desencadeando seu “efeito Bilbao”, ajudando a reanimar seu infame distrito central
Gehry nasceu em Toronto como Frank Goldberg, filho de judeus poloneses (mudou seu nome em meados dos anos 50, em reação ao antissemitismo) e continua a referir-se à sua herança religiosa quando discute seu trabalho. “Cresci em uma família talmudista e o ‘Talmude’ começa com a questão ‘por quê?’. É uma fórmula garantida de curiosidade; e a curiosidade é a força vital da criatividade. Se você não é curioso, não pode fazer nada.”
“Mas outra coisa que tirei do ‘Talmude’ é a regra de ouro de Hillel: trata os outros como gostaria que te tratassem […] E eu aplico isso quando faço uma construção. É preciso ter respeito pelo sujeito a seu lado. Isso é muito importante para mim.”
Ainda assim, sua arquitetura é considerada controversa, digo. Há alguma parte dele que gosta do atrito e da polêmica?
“Não! Eu gosto da interação com o cliente. Estou interpretando para eles todos os critérios que me dão, financeiros, práticos, os prazos; e tento explicar as opções que poderiam considerar. Estou tentando iluminá-los, para que cheguem a uma posição em que possam ser críticos e dizer: ‘Não, não, não, eu não quero isso!’.”
Na verdade, entretanto, o mundo parece gostar de dizer “sim, sim, sim” a Gehry. Entre os projetos que estão em estudo, há outro museu Guggenheim, em Abu Dhabi; um memorial para o ex-presidente americano Dwight D. Eisenhower, na capital, Washington; uma recém-anunciada série de prédios de apartamentos na antiga usina elétrica de Battersea, em Londres; e novas instalações para o Facebook, no Vale do Silício.
Gehry me leva para caminhar por seu estúdio e discutir os trabalhos em andamento. A atmosfera é de muita aplicação, com um ar de experimentação: há quadros e desenhos aparentemente não relacionados em cada estação de trabalho. Não posso deixar de notar pedaços de papel verde por todos os lados nos modelos. Então, afinal, ele usa mesmo papel amassado? “São árvores”, responde Gehry, impassível. Não é de surpreender que ele tenha emplacado uma menção nos Simpsons.
O Guggenheim de Bilbao: “Não acho que tenha me repetido. Uso metais, mas em diferentes construções. Não se pode escapar da própria assinatura”, diz o arquiteto
O projeto Eisenhower é o que vem lhe dando mais dores de cabeça atualmente, com a família do ex-presidente alinhando-se contra o arquiteto por ele ter enfatizado a origens modestas de Eisenhower. “É complicado”, diz Gehry. “Envolve o governo, uma figura histórica que não está mais aqui e sua família, que pode estar atuando ou não nos melhores interesses dele. Acho que é um retrato honesto.”
“As pessoas que se opõem a mim querem deificá-lo, mas essa não era sua personalidade. Eles dizem que o mostro como um caipira de Abilene [a cidade de Kansas onde Eisenhower cresceu]. Mas ele mencionou Abilene em muitos de seus discursos. Eu mostro a eles que Abilene está quase ali no centro geográfico da América. É a América média. Esse homem veio da América média e chamá-lo de caipira não é nada americano!”
E, então, o tom de sua voz de repente se torna cansado: “Não sei se vai ser construído”.
O arquiteto se mostra animado ao discutir as instalações do Facebook, que são tão diferentes das marcas características das obras de Gehry quanto se possa imaginar: ele me mostra um alongado complexo inclinado de estruturas, com jardins sobre terraços e um quê de biblioteca. “É uma instalação de pesquisas, não algo que precise ser uma construção icônica. [Mark] Zurckerberg veio aqui. Ele não é um fanático da arte ou arquitetura. Ele é um garoto muito focado e está se saindo bem.” (A esta altura já começo a ficar acostumado às declarações lacônicas e subestimações de Gehry).
“Falamos muitos sobre as coisas que ele adora, e ele adora caminhar”. Daí os jardins. “Ele é um garoto de estar ao ar livre. É como se exercita, é como pensa.”
Essa não é uma obra que vai lhe dar problemas, digo, enquanto completamos o tour pelo estúdio. Gehry ainda está pensando no cliente. “Ele adora espaço. E está no orçamento.” Digo que Deborah Borda o descreveu como um homem incrivelmente prático.
“Sou um bom ouvinte”, afirma Gehry quase queixosamente. “Presto atenção.” (Tradução de Sabino Ahumada)
Adir Tavares
21 de dezembro de 2013 10:31 amO ensino público visto por dentro
O ensino público visto por dentro
Da Caros Amigos – O ensino público visto por dentro – Renato Pompeu – Depois de passar algumas semanas assistindo a aulas de História no ensino fundamental e médio numa escola pública, cheguei à conclusão que as deficiências do ensino público não devem ser atribuídas a falhas individuais dos professores ou dos alunos, mas a toda uma estrutura há muito tempo obsoleta que não consegue lidar com as condições atuais do aprendizado; afinal, nas últimas poucas décadas o ensino público básico passou a ser frequentado por uma população que tem uma cultura bem diferente da que tradicionalmente foi educanda no ensino brasileiro – em termos mais simplificados, à grande maioria de alunos brancos do passado sucede agora uma maioria de alunos pardos e pretos, além de caboclos, para a qual é estranha e mesmo hostil a visão triunfalista da lusitanidade espelhada pela formação tradicional dos professores de História. E me parece que as soluções não passam necessariamente por uma reestruturação promovida pelo governo, como vem sendo feito há décadas com mudanças mais no papel do que na prática, como a famosa e raramente concretizada introdução dos “estudos afro-brasileiros e indígenas”. O problema maior não é que falte vontade política aos governantes, na minha opinião. Os governantes se têm empenhado em produzir currículos pluralistas, mas isto só fica no papel, porque os próprios professores não têm maior conhecimento da maioria das outras culturas que não a erudita oficial e as próprias autoridades pluralistas não sentem na carne o que os alunos sentem em relação ao passado do Brasil. O que está faltando é uma mobilização geral da sociedade civil. Penso numa mobilização como a que houve em torno da reforma universitária na Argentina no começo do século 20, ou como a que ocorreu a partir de 1959 para a alfabetização em Cuba. Essa mobilização tem sido prejudicada no Brasil porque os setores dominantes da opinião pública, ou melhor, daquilo que já se chamou de “opinião publicada”, sentem que seus filhos estão sendo bem atendidos pelo serviço prestado por escolas particulares no ensino fundamental e médio e pelas universidades públicas. E assim não se mobilizam para corrigir as situações vigentes. Por outro lado, os setores dominados simplesmente não têm uma alternativa à visão da “branquitude”. Minhas conclusões, ao fim dessas 400 horas-aula de estágio, é que todos se empenham ao máximo no ensino público – os professores, diretores, coordenadores, serventes, os alunos, as autoridades federais, estaduais e municipais do ensino. Mas tudo esbarra na dificuldade de que os alunos, na maioria não-brancos e com pai e mãe de pouca escolaridade e que trabalham o dia inteiro, sem poderem dar atenção real aos filhos, vivem num mundo diferente dos professores, quase todos brancos e oriundos de famílias escolarizadas e bem estruturadas. Os professores se esforçam ao máximo, mas não conseguem se comunicar com alunos que não têm a sua mesma experiência geral de vida Afinal, os professores e os dez por cento de alunos que os professores dizem que querem aprender têm a mesma visão dos que conquistaram o País desde a chamada Descoberta, enquanto os noventa por cento não têm essa visão, sim a consciência de que são descendentes dos que foram conquistados e escravizados, situação que não se reflete nem nos livros didáticos, nem nas aulas expositivas, por maior que seja a boa vontade de todas as partes. A grande massa dos alunos sequer tem consciência do que seja tempo histórico, pois os pardos e pretos só passaram muito recentemente a ser parcela mais consciente da história do povo brasileiro, até poucas décadas atrás eram totalmente excluídos. Vamos às razões pelas quais cheguei a essas conclusões . Com mais de 70 anos de idade, vivi durante meses uma aventura normalmente reservada a pessoas mais jovens e que raramente se pronunciam abertamente sobre sua experiência: um estágio previsto para 400 horas-aula no ensino público da cidade de São Paulo. Acontece que em 2010 passei a cursar um curso de licenciatura em História e o estágio fazia parte do currículo. Na verdade, eu deveria ter começado o estágio no início do segundo semestre de 2011, mas meu tutor de estágio, baseado no fato de que eu não pretendia ser professor, me dispensou das 400 horas-aula. Só já no segundo semestre de 2012 é que o tutor me informou que a instituição em que eu fazia o curso não havia aprovado a decisão dele e havia decidido que, para obter o título de licenciado, eu tinha de realmente prestar as 400 horas-aula, das quais pelo menos 150 horas em aulas no fundamental e também pelo menos 150 horas no ensino médio. Procurei em setembro de 2011 uma escola pública em que não fui aceito, por falta de vagas de estágio – afinal o ano estava bem avançado. Fui poucos dias depois a outra escola pública, em que fui aceito e no mesmo dia comecei o estágio. Eu deveria acompanhar inicialmente as aulas dadas por um professor de História, um cidadão de idade madura, calmo e tranquilo, que descobri ser bastante competente e empenhado, embora me pareça que aplique métodos errados. Para ver como eu estava lidando com gente empenhada, basta constatar o seguinte: o colégio havia passado por uma reforma recente em suas instalações, tudo brilhava como novo, mas ainda havia trabalhos manuais a fazer, pelo que entendi, remoção de entulho. A direção, no meu primeiro dia lá, convocou o professor que eu acompanharia no estágio para ajudar nesses trabalhos no sábado, dia de folga, e ele se dispôs com toda a boa vontade. Aliás, tirando o ensino propriamente dito, na medida em que não é assimilado pela maioria dos alunos, como se verá, tudo funcionou perfeitamente no colégio, sempre limpo e arrumado, tudo bem organizado, a administração, as inspetorias, etc. Também, antes de irmos à primeira aula, ainda quando estávamos na sala dos professores, esse professor estava sendo entrevistado por um representante da Secretaria da Educação. (Entre parênteses, essa é mais uma indicação de que os problemas do ensino público não advêm da falta de empenho – a Secretaria estava querendo saber o que estava acontecendo para o ensino não ir para a frente). O professor disse que não tinha problemas de disciplina com os alunos, pois os respeitava e era respeitado por eles, e que achava inútil e contraproducente “bater boca com aluno”. Acrescentou que só dez por cento dos alunos queriam realmente aprender e esses de fato aprendiam, passavam nos vestibulares mais rigorosos, etc. Os noventa por cento que não pretendiam estudar e aprender, e que vinham à escola por causa da merenda, dos esportes e outras atividades e por imposição dos pais, não eram problema dele, eram problemas de suas famílias, que os professores não podem resolver. Alguns desses que “não querem aprender”, eu soube por uma professora na sala dos professores, são jovens de famílias mais prósperas que não se deram bem em escolas particulares e, por isso, os pais os matricularam em escolas públicas, não tanto, como se poderia imaginar, por ser pretensamente mais fácil passar na escola pública, por causa da progressão continuada (o que efetivamente acontece, esses alunos avançam mais na escola pública do que na particular de onde vieram), mas mais possivelmente para não gastar dinheiro com quem “não merece”. Mas a maioria dos “noventa por cento que não querem saber de nada” são na verdade “periféricos” que vivem em outro universo cultural que não o das autoridades e professores. Saímos daquela entrevista tendo como destino a primeira aula em que eu ia ser estagiário, numa classe do 1.o ano do ensino médio. Não se tratava de uma aula de História, tratava-se de o professor de História acompanhar provas de Matemática e de Biologia. Ele distribuiu as provas impressas e ficou vagueando pela sala. Os alunos, na maioria não-brancos, mas com mais brancos do que pretos (isto é, quase todos os não-brancos eram pardos), conversavam tranquilamente com os colegas da frente, de trás e dos dois lados, enquanto faziam as provas, e ainda trocavam bilhetinhos. O professor pedia às vezes que ficassem quietos. As provas me pareceram bem formuladas. Na verdade não entendi nada das perguntas, nem de Matemática, nem de Biologia, o que me pareceu indício de razoável complexidade. Uma hora em que o professor se ausentou (como veremos, ele é bastante solicitado para diferentes tarefas e nesse momento foi chamado para outra coisa), eu me vi sozinho diante da classe. Fiz um experimento: perguntei se eu poderia fazer perguntas enquanto eles respondiam por escrito às questões da prova e eles disseram que sim, mesmo porque vários já tinham entregado o trabalho. Pus-me a fazer perguntas sobre futebol, mostrando como o futebol reflete a liberdade de circulação e a igualdade de direitos, conquistas bem recentes na história da humanidade, e como ele está ligado à Revolução Industrial. Isso despertou grande interesse entre os alunos. Quando o professor retornou, permitiu que eu continuasse dando a “aula” sobre futebol. A conclusão que tirei foi de que, se se trata de um tema do universo cultural dos alunos, eles se interessam e ficam quietos. Assim terminou meu primeiro dia de estágio, porque eu estava já com a cabeça por demais cheia de novidades e precisava assimilá-las antes de assistir a mais aulas. No segundo dia, numa outra classe do 1.o ano do ensino médio, com a mesma composição étnica, o professor de História foi chamado a comandar provas de Física e de Português. A de Física nem olhei, a de Português era bastante exigente, apresentava um texto – uma resenha de livro – para análise do conteúdo e a questão cinco perguntava como em novas leituras do mesmo texto literário se notam coisas que não haviam sido percebidas na primeira leitura. Mais uma vez, o professor foi chamado para outra tarefa, mas, como era uma classe mais “brava”, não me deixaram sozinho com ela: chamaram um estagiário de Educação Física, que tinha muito mais experiência do que eu, pois estava lá há meses e inclusive conhecia bem a classe. Uma aluna ergueu o braço e comentou que havia erros de português nos enunciados da prova de Português. O estagiário de Educação Física respondeu que eram erros de digitação. Mas a aluna insistiu: eram erros de português mesmo (queria dizer que eram erros de gramática, não de grafia). O estagiário insistiu em que eram erros de digitação. Mas aí surgiu outro problema: vários alunos se queixaram que não entendiam aquela questão cinco e uma aluna perguntou se essa quinta questão se referia ao texto apresentado na primeira questão ou a textos literários em geral. O estagiário de Educação Física e eu tentamos responder do que se tratava, procuramos explicar a diferença entre a primeira leitura e as demais leituras, como se descobrem coisas novas, etc. O estagiário de Educação Física e alguns alunos disseram também que a questão cinco se referia ao texto apresentado na questão um. Entretanto, como é duvidoso chamar de “texto literário” uma “resenha de livro”, ainda mais, como era o caso, resenha de livro de não-ficção, eu me dirigi à carteira daquela aluna e disse a ela que eu não sabia responder à pergunta que ela tinha feito. Ela respondeu que estava lidando como se o tema fossem textos literários em geral, ou seja, ela resolveu contrariar a interpretação do estagiário de Educação Física e dos outros alunos. Ainda tive tempo de explicar a origem da palavra “Corinthians” – habitantes da cidade grega de Corinto, em inglês (há uma Epístola ao Coríntios, de São Paulo, no Novo Testamento), e nome de um clube inglês que viera ao Brasil logo antes da fundação do Corinthians Paulista, lembrando que os esportistas ingleses do século 19 se julgavam herdeiros dos antigos atletas olímpicos gregos e davam a seus clubes nomes como Athenians, Spartans – antes de o professor de História voltar já pouco antes de bater o sinal do fim da aula. Quatro dias depois, voltei a acompanhar uma aula, agora do 2.o ano do ensino médio. Novamente, o professor foi chamado para fazer outra coisa em outro lugar, alguma tarefa urgente. Mandou uma aluna copiar na lousa um trecho sobre a história da África Subsaariana e os demais copiarem cada um no seu caderno o que estava sendo escrito na lousa. Chamou isso de “atividade”, e saiu da sala para cumprir a tarefa urgente, me deixando sozinho com a classe. Eu estranhei muito aquela “atividade”, que me pareceu apenas um estratagema para ocupar a classe enquanto o professor atendia a algo mais urgente (fiquei sabendo depois que ele tinha tido de lidar com três classes no mesmo horário, uma delas aquela em que eu estava sozinho). Perguntei aos alunos se estavam entendendo o que estavam copiando, e uma aluna respondeu que estava entendendo “o que estava escrito”, mas não estava entendendo “do que se tratava”. Fiz uma breve explanação sobre as diferenças entre a África do Norte e a África Subsaariana e eles pareceram mais sossegados. Em conversa com os alunos fui informado de que não se tratava de um estratagema improvisado para a situação que se criara, de o mesmo professor estar com três classes ao mesmo tempo. E sim que se tratava de uma atividade corrente. Vários professores mandam copiar da lousa trechos do livro didático, e muitas vezes sem explanação nenhuma, me disseram os alunos. No dia seguinte, acompanhei aulas para o 3.o ano médio e para o 2.o ano médio, em que não houve aplicação de provas, nem “atividade”, mas também não houve aulas – e sim o professor ficou corrigindo provas propriamente de História que tinham sido dadas em aulas anteriores. Fiquei conversando com os alunos, novamente sobre futebol, direitos de ir e vir e igualdade perante a lei, revolução industrial. Na classe do 2.o ano, o professor me mostrou um “erro” que achou curioso – a uma pergunta sobre as revoltas na Regência, uma aluna respondera que na Bahia ocorrera a “Rabanada”. O professor simplesmente deu zero para a resposta, contrariando o que eu aprendera na faculdade sobre o “erro”. Me tinham ensinado que o “erro” é uma “tentativa de acertar” e que deve ser discutido com o aluno o que o levou a cometer o “erro”. No caso, logo percebi que a menina havia confundido “Sabinada” da Bahia com a “Cabanagem” do Pará, lembrou-se vagamente de ter ouvido “Cabanada” e, como é muito comum com todo mundo, confundiu uma palavra não-familiar com uma palavra familiar, como “rabanada”. Seria muito instrutivo que alguém discutisse isso com ela e lhe mostrasse como cometera aquele “erro” na sua “tentativa de acertar”; ouso apostar que da próxima vez ela não erraria. (Também existe a possibilidade de a aluna simplesmente se estar divertindo com uma realidade que ela sentia que não lhe dizia respeito), Senti também que o professor, na faculdade que frequentara, não tinha tido uma formação em Psicologia da Educação tão esmerada quanto tive na minha. E que não sabia lidar com pessoas que tivessem uma experiência de vida diferente da sua própria. Isso apesar de ele fazer tudo o que estava a seu alcance e mesmo exceder isso. Acompanhei mais uma correção de provas numa classe do 2.o ano, e novamente tentei interessar os alunos falando sobre futebol, mas desta vez só um aluno respondeu a minhas perguntas (do tipo “Escravo podia jogar futebol? Onde há mais liberdade e igualdade, num campo de futebol ou na sociedade em geral? Onde há mais oportunidades para os não-brancos, num campo de futebol ou na sociedade em geral?”, com a conclusão de que “Vejam, o futebol envolve um projeto para a nossa sociedade ser melhor do que é”, conclusão que só interessou ao aluno que respondia e a uma aluna que ficou me olhando esperando mais). Infelizmente, cometi um erro. Diante do desinteresse de praticamente todos, comuniquei que “Bem, como vocês não estão interessados, não vou falar mais”. Quando cheguei à conclusão de que é necessário insistir sempre, já era tarde. Guardei a lição para aproveitar mais tarde. Um dia depois, tive uma experiência ainda muito mais difícil, meu primeiro estágio em aula no fundamental. Era a 6.a série. Novamente o professor ficou corrigindo provas, mas uma professora entrou na sala, pediu a atenção de todos e me pareceu ser algo assim como coordenadora de disciplina (depois eu soube que não era, e sim que, em suas aulas de Português, procurava discutir bastante temas relacionados com o bullying), pois deu uma violenta bronca na classe, que tinha segundo ela desrespeitado uma professora que era “uma mãe para vocês”; comunicou que na véspera dez alunos daquela classe tinham sido “excluídos” e que outros mais seriam, que ela conhecia muito bem aquela classe, pois dera aula para eles anos antes, convocou alguns alunos para a acompanharem, entre eles uma aluna e um aluno que começaram a bater boca, ela o acusando de ter xingado a mãe dela, ele negando. A professora mandou os alunos limparem a sala – havia uns papéis no chão – e arrumarem as fileiras de carteiras e cadeiras. O aluno acusado de xingar a mãe da colega respondeu que não ia limpar nem arrumar nada, pois não havia sujado nem desarrumado nada, mas a maioria colaborou e alguns até varreram a sala, enquanto o professor continuava a corrigir tranquilamente as provas. A professora saiu com os convocados, e eu, para fazer alguma coisa, perguntei para que time cada um torcia. A maioria não me deu atenção, mas uns quatro ou cinco me rodearam e ficamos de novo conversando sobre futebol, liberdade de ir e vir, igualdade de direitos, Revolução Industrial. Gostaram muito, me chamaram de “sabe-tudo”. Depois, os alunos que tinham sido convocados a sair da sala voltaram, e um dos seus colegas que me tinha ouvido atentamente disse ao acusado de xingar a mãe da aluna e que tinha se recusado a limpar e a arrumar a sala: “Você vai ser expulso”, e teve a resposta: “Vou”. Nessa mesma classe, notei que, enquanto os outros conversavam e se agitavam, andando pela sala, uma aluna preta estava quieta e isolada, e de cara feia. Fui até ela e perguntei: “Por que você está tão quieta e isolada?” Ela respondeu, “Não é nada, é que estou com dor de dente” e me mostrou uma embalagem de analgésico. Também, como eu não estava entendendo o que tinha acontecido para os alunos serem excluídos, perguntei a vários alunos, fiz uma pergunta à classe toda, e só me responderam que “eram alguns fofoqueiros” que indispunham a classe com os professores. Quando deu o sinal e os alunos saíram, fiz a pergunta ao professor, que deu de ombro, comentou que “o fundamental é assim” e não falou mais nada. Na sala de professores, vários me disseram que o fundamental é muito mais “bravo” do que o “médio”. Passou o fim de semana. Aí, cheguei de manhã à sala dos professores, onde a coordenadora anunciou que uma classe ia encenar uma peça de teatro e que os pais só dos alunos dessa classe seriam convidados para virem à escola, mas não seriam informados de que era para verem a peça, pois seus filhos queriam fazer uma surpresa a eles. Vi que era mais um esforço pedagógico, ou seja, que todos neste caso, alunos e professores, faziam o que podiam. Dali saí para a classe e acompanhei, novamente, correção de provas, do 1.o ano médio. Eu ainda não tinha visto nenhuma aula de verdade. Entrou uma professora, acompanhada de um jovem, ambos convidando para verem uma peça de teatro, mas era outra que não a que ia ser encenada por alunos. Esta era de atores profissionais, a 7 reais a entrada. O rapaz que acompanhava a professora era um dos atores profissionais e contou que era a história de um jovem viciado em drogas que morre num desastre de carro e que, depois de morto, começa a lembrar sua vida. (Pouco antes, a diretora me havia dito que o principal problema dos alunos era a droga. Mas eu não tinha tido percepção disso). Isso tudo me pareceu muito adequado e interessante, uma maneira curiosa de lidar com um tema tão triste. Depois que a professora e o ator saíram um aluno me disse que o professor, que continuava a corrigir provas, era bom, mas não se impunha; mas um grupo de cinco alunas e dois alunos pediu para falar comigo e se queixou que o professor não lhes explicava as coisas, simplesmente transmitia o que estava no livro. Perguntei o que eles estavam estudando de História, disseram que eram os maias. Eu contei a eles que os maias jogavam uma espécie de futebol, só que não era com os pés, era com os quadris, um jogo bastante violento, e que ao fim alguns jogadores eram sacrificados aos deuses. As alunas disseram que esse tipo de coisa é que o professor não explicava. E começaram a me fazer perguntas pessoais. Parece que estavam me avaliando como modelo para elas. Uma delas, preta, apontou para si mesma e para as outras, pardas, e me perguntou: “É para isso que você quer dar aula? É melhor você ir para uma escola particular, não se preocupe com esse tipo de gente que tem aqui, não vale a pena”. As outras concordaram. Soou o sinal e elas, como os outros alunos, foram embora. A aula seguinte era para o 2.o ano médio. Novamente, o professor ficou corrigindo provas, mas sem alunos – como todo o colégio, tinham ido ao pátio para acompanhar o show de uma banda. Mais um esforço pedagógico, de procurar fazer com que os “noventa por cento” se interessassem pela escola. Agora, no dia seguinte, finalmente assisti a uma aula, que durou dois horários. Foi uma experiência marcante. Era uma classe do 6.o ano do fundamental e a aula era sobre as revoltas na Regência. A classe era muito indisciplinada (era a mesma em que dez alunos haviam sido excluídos antes de eu conhecer a classe e não vi alguns dos que foram convocados a sair da sala de aula no primeiro dia em que acompanhei essa turma, inclusive não vi o acusado de xingar a colega; presumi que tinham sido excluídos também). Tanto que, além do professor, havia uma inspetora que periodicamente dava uma bronca sentida em todo mundo, mas isso não interrompia a balbúrdia, mesmo porque a inspetora periodicamente saía da classe – tinha mais coisas a fazer. O professor, impavidamente dava aula – escrevia na lousa os tópicos e falava (pouco) sobre o tema – enquanto os alunos, que supostamente copiavam o que estava na lousa, conversavam ruidosamente entre si, andavam pela classe, saíam da sala de aula e voltavam, jogavam bolinhas de papel uns nos outros, comiam aqueles almoços em copões de plástico, atiravam bolinhas de papel tentando acertar os buracos das escotilhas da parede que dava para o corredor. Em meados do segundo horário, o caos estava instaurado, a ponto de o professor – uma das pessoas mais estoicas e mais tranquilas que conheci na vida, raramente afetado por qualquer coisa que acontecesse à sua volta – finalmente ter desistido de dar aula, limitando-se a passar visto em cadernos que lhe eram entregues. Notei que mesmo os alunos mais indisciplinados apresentavam os cadernos. Como o professor havia dito que o padre Feijó tinha sido indicado por Dom Pedro 1.o para ser tutor de seu filho e sucessor, por ocasião de sua abdicação (o professor usou o termo “renúncia”, mostrando finalmente um esforço de se aproximar do universo cultural de seus alunos), alguns alunos perguntaram o que era “tutor”. Numa hora em que a inspetora estava presente, um aluno perguntou a ela, e não ao professor, quem havia construído um importante e secular prédio perto da escola. A inspetora não sabia, o professor também não. Por acaso eu havia estudado esse prédio durante o curso na faculdade, pedi licença para falar. Estranhamente a classe se aquietou e me ouviu atentamente dizer que aquele prédio havia sido construído mais de um século antes por operários imigrantes que passaram a morar ali perto, dando origem ao bairro próximo à escola. A lição que tirei foi a seguinte: que sentido têm, para jovens de pouca leitura e sem outra memória natural e familiar da história do País que não seja o fato de que seus ancestrais foram escravos, as revoltas durante a Regência? Simplesmente me parecia que aquilo que o professor estava heroicamente narrando e explicando, eles sentiam que não lhes dizia respeito. Quando, porém, eu falei de um prédio importante para eles, ficaram interessadíssimos. Fiquei pensando: e se o professor tivesse pedido que cada um pesquisasse a história de sua própria família, a história de seu próprio bairro, e a partir desses dados o professor fosse explicando como tudo aquilo se enquadrava na grande história do País e do mundo? Também, quando o professor tentou explicar o nome da revolta da Balaiada, explicando que balaio é cesto, pensei em cantar o belo folclore “Balaio meu bem, balaio sinhá, balaio do coração; Moça que não tem balaio sinhá, bota as coisas no chão”; pensei em indicar filmes tipo “Carlota Joaquina” e “Independência ou morte”. Terminada a aula, eu disse ao professor que eu o considerava um herói; considero mesmo, um professor dedicado, que nunca desiste, embora eu ache que os seus métodos são em grande parte equivocados. Perguntei a ele se achava que os alunos tinham assimilado o que ele lhes transmitira. Ele respondeu que as alunas da primeira fileira à sua direita (quatro brancas) e mais uns dois alunos (pelo menos um deles branco) aproveitavam bem as aulas, o resto não queria nada com nada. O grande problema é que, como vimos, ele acha que isso não é problema dele, é problema das famílias desses alunos que “não querem aprender”. No intervalo, na sala de reuniões, onde estavam os professores porque a sala dos professores estava sendo encerada, ouvi professoras jovens criticarem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para elas cheia de termos empolados e impossível de aplicar. Eu havia estudado essa Lei na faculdade e me pareceu mais um documento bem intencionado e utópico que não tinha tido maiores efeitos práticos. (Dias depois, pude me aprofundar no assunto. Uma professora me disse que todos os numerosos planos bem intencionados lançados desde a redemocratização sempre foram impostos de cima para baixo, sem levar em conta as condições concretas do ensino em cada escola, e sim baseados numa visão geral. Às escolas cabe apenas adaptar as condições gerais vindas de cima às condições reais de cada escola. Segundo essa professora, isso nunca vai dar certo). Em seguida, acompanhei o professor numa aula num horário só para outra classe do 6.o ano do fundamental, de comportamento bem mais tranquilo. Ele fez um discurso de homenagem a essa classe, dizendo que era a melhor classe que ele tinha tido em seus anos naquele colégio. Como a turma estava adiantada, ele não deu aula e deixou o pessoal se recrear como quisesse. Assim não foi desta vez que pude ver como seria uma aula numa classe “comportada”. Dias depois, no mesmo dia da semana, cheguei cedo, mas o professor estava em reunião e não houve aulas de manhã, para o ensino médio. Fiquei na sala dos professores e ouvi uma história sinistra: uma professora contou que, em outra escola, ela se recusou a inscrever um aluno que estava em liberdade vigiada e que prometera “arrasar” quando voltasse a essa escola. Ela providenciou a transferência dele para outra escola, mais próxima da casa dele, e onde ele não teria uma patota já pronta. Por causa disso, a professora foi intimada por denúncia de descumprir o direito ao estudo e teve de depor perante uma juíza. Esta decidiu que o aluno de fato deveria ser transferido para outra escola. Mas, durante dez dias, ele se postou das 7 da manhã às 11 da noite na calçada da escola de sua preferência. A professora se queixou à juíza, o rapaz sumiu, e ela nunca mais soube dele. Já à tarde, período do fundamental, no horário duplo da primeira classe do 6.o ano, assisti a um espetáculo inesquecível. O professor ainda não tinha voltado de uma reunião dos professores com a diretora, de modo que eu fiquei sozinho lidando com aquela classe, uma das mais indisciplinadas do colégio. Desta vez não tive êxito em tentar interessá-los falando de futebol. Eles ficavam falando alto, e mesmo gritando, se movimentando por toda a sala, desarrumando as cadeiras. Não desisti, continuei falando, mas aí o professor chegou, começou a escrever na lousa, indiferente à bagunça, sobre a Guerra do Paraguai, falando em voz alta algumas frases do que escrevia, indiferente ao fato de que a grande maioria não se preocupava em copiar nada. Uma hora, porém, até ele perdeu a paciência. Foi quando tocou o celular de uma aluna. É proibido entrar com celular, muito menos se tolera celular ligado. Aí o professor chamou a vice-diretora. Esta, uma senhora de meia-idade, atarracada, deu uma violenta bronca na classe, com fúria, com raiva, como nem o professor nem eu conseguiríamos demonstrar. Isso surtiu efeito imediato. Todos silenciaram, arrumaram-se nas fileiras e começaram a copiar. A vice-diretora comunicou que aquela classe estava excluída de um campeonato esportivo. Dirigiu-se particularmente a um aluno branco, o mais indisciplinado da classe, comentando que ele ia bem nas provas – tinha tirado dez, mas não aproveitava isso por causa de sua indisciplina. Paradoxos do ensino. Outro paradoxo: a vice-diretora fez uma crítica indireta aos métodos didáticos do professor. Ela disse bem alto para a classe, bem ao lado do professor: “Por mim vocês não copiavam nada, só anotariam o que o professor ficasse falando”. O professor continuou escrevendo na lousa e os alunos continuaram copiando. Foi só a vice-diretora sair que o burburinho recomeçou, agora um tanto mais sossegado, alguns pararam de copiar. Vi que ser “bonzinho”, como o professor e eu, não era produtivo. Quando o professor comentou que o Paraguai não podia exportar seus produtos sem passá-los por países vizinhos, pois não tinha saída para o mar, um aluno perguntou por que o Paraguai não exportava seus produtos de avião. Mais uma indicação de que eles não têm uma dimensão natural e familiar do tempo histórico, pensam que tudo sempre foi como é agora. Logo depois, fomos para outra classe do 6.o ano do fundamental, aquela que o professor tinha homenageado como a melhor classe que conhecera em seus anos de colégio. Ele deu a mesma aula sobre a Guerra do Paraguai que havia dado na outra classe, do mesmo jeito, escrevendo na lousa e fazendo uns raros comentários, apenas com o texto na lousa reduzido pela metade porque o horário desta classe não era duplo. Me espantei porque a classe “comportada” não era tão comportada assim. Falavam alto entre si, numa repetição do burburinho “sossegado”, embora quase todos ficassem copiando o que o professor escrevia na lousa. Eu estava descobrindo, perplexo, o que é considerado uma “aula”. No intervalo, na sala dos professores, fiquei sabendo que aquela aluna que me aconselhara a ir dar aulas numa escola particular fora pega mostrando a outras umas roupas oncinha e uns biquínis que estavam em sua mochila. Em seguida, fiquei vários dias sem atividades no estágio, porque o professor que me orientava ficou dias seguidos sem comparecer ao colégio. Quando o professor voltou, no primeiro dia apenas conversei com ele, que não compareceu a nenhuma aula. No segundo dia, já véspera de um feriadão, dos mais de 50 alunos de uma classe do primeiro ano médio a frequência durante a aula variou apenas de 9 a 14, dos quais apenas um aluno e uma aluna ficaram fazendo anotações a partir do livro, enquanto o professor fazia anotações administrativas; fez também a chamada. Os demais alunos ficaram falando alto e andando pela sala e fizeram uma espécie de concursos de arroto ou imitação de vômito. Em seguida houve nova “aula” semelhante, para outra classe do primeiro ano médio, tendo comparecido, dos também mais de 50 alunos, apenas 15, dos quais 4 somente liam a apostila e faziam anotações. Essa classe era menos barulhenta do que a anterior, os 11 que só conversavam estavam reunidos em dois grupos, um deles só de meninas e o outro só de meninos. Estranhamente, a classe ficou ainda menos barulhenta num período em que o professor deixou de fazer anotações administrativas e se ausentou da classe. Fiz a hipótese de que boa parte do “mau comportamento” não se deve apenas à natural inquietação de adolescentes, mas mais especificamente a uma vontade de desafiar o professor, ou de testá-lo. Um grupo de alunos de outra ou outras classes entrou para comunicar que dali a 15 dias ocorreria uma festa com música à qual os que quisessem comparecer deveriam trazer doces, salgados e refrigerantes. Minha primeira aula Segundo o professor de História, 90 por cento dos alunos não se interessam em estudar; a observação indicou que os 10 por cento que se interessam em estudar, segundo o professor, são na maioria meninas brancas. A observação indicou ainda que as classes do ensino médio são bastante indisciplinadas. Assim se descreve uma aula típica de História no ensino médio da EE: o professor vai escrevendo na lousa um texto sobre o tema da aula e os alunos devem copiar esse texto, o que a maioria não faz; ao contrário, ficam conversando alto e passeando entre as fileiras de carteiras, saindo e entrando da sala, comendo, tomando refrigerante, jogando bolinhas de papel um no outro. De vez em quando o professor faz um comentário, resumindo em voz alta um trecho do texto. De vez em quando algum aluno faz alguma pergunta, em geral disparatada. Estabeleci como hipótese provisória que os alunos, na maioria pardos, não se identificam com a História tal como lhes é ensinada por não se identificarem com o lusocentrismo algo triunfalista encarnado pelo professor. A noção de brasilidade dos alunos parece muito mais definida em torno do futebol e da música do que pela memória coletiva de um destino comum. O Brasil das aulas não é o Brasil que vivenciam. Também os alunos não são estimulados a fazerem exercícios fora da aula, nem estão acostumados a leituras adicionais. Diante de toda essa situação, resolvi não cumprir a recomendação de fornecer recortes de jornais, pois seriam ignorados pela grande maioria. Ao invés disso, combinei com a direção da EE e com o professor de História que eu daria uma aula sobre partidos políticos no Brasil para uma classe do 3.o ano do ensino médio. Inicialmente eu ficaria sozinho diante da classe; a certa altura o professor entraria para agir conforme as circunstâncias (levando em conta a indisciplina). Na classe havia uns 30 alunos presentes. Estavam, quando entrei, conversando em rodinhas, mas eu pedi para falar e eles foram para seus lugares e ficaram em silêncio. Eu disse que era estagiário, candidato a professor, comuniquei meu nome e acrescentei que iria dar uma aula sobre partidos políticos. Em seguida perguntei quem se interessava por política. Apenas quatro alunos levantaram a mão. Perguntei em seguida quem não se interessava por política. Pelo menos 15 alunos levantaram a mão. Perguntei quem, dos alunos interessados em política, poderia explicar a diferença entre o PT e o PSDB. Um aluno levantou a mão. Então sugeri a ele que procurasse explicar a diferença entre o PT e o PSDB para um aluno desinteressado da política, por mim indicado. Minha sugestão foi atendida com a fala de que o PT “é um partido de esquerda, favorável ao comunismo e aos trabalhadores” (nisso foi interrompido por uma aluna que se havia declarado interessada em política, a qual disse que o PT é composto “de ladrões”), e o aluno expositor, sem dar atenção à interrupção, acrescentou que o “PSDB é um partido de direita, favorável ao capitalismo e aos ricos”. Diante disso, eu afirmei que apenas alguns integrantes do PT e do PSDB correspondiam àquela descrição. Expliquei que o PT pretende melhorar a vida das pessoas menos favorecidas por meio da redistribuição de renda, tipo Bolsa-Família; por meio do aumento real do salário mínimo e por meio do estímulo estatal ao crescimento econômico. Enquanto o PSDB defende a tese de que a vida de todos vai melhorar se houver menos interferência estatal na economia, pois assim os empresários investiriam mais e garantiriam mais empregos. Acrescentei que o PT tinha tido até agora mais êxito com sua política do que o PSDB com a dele. Mudei em seguida o enfoque, perguntando se algum dos alunos presentes sentia a presença de algum partido em sua vida cotidiana. Nenhum disse que sentia essa presença e vários disseram que não sentiam nenhuma presença de algum partido em sua vida. Aí entrei propriamente no tema da aula tal como foi proposto no Caderno de Prática, com a deixa de que no Brasil com raras exceções os partidos foram criados de cima para baixo e discorri extensa e detalhadamente sobre o histórico da vida partidária no Brasil, primeiro sobre o coronelismo dos Partidos Republicanos estaduais, depois sobre as semelhanças e as diferenças entre o período da Constituição de 1946 e o da Constituição de 1988. Apontei as semelhanças e diferenças entre o PTB e o PT, entre a UDN e o DEM e entre o PSD e o PMDB. Expliquei que o PSDB não tinha equivalente no período de 1946 a 1964, pois começou como dissidência de esquerda do PMDB e depois, por ter o PT preenchido todo o campo da esquerda, se tornou mais conservador, pois a política odeia o vácuo e o DEM desmoralizado não representava mais o campo da direita, vindo assim o PSDB a substituir o DEM como equivalente atual da UDN. A essa altura, eu, que estava bastante surpreso com o comportamento disciplinado e silencioso da classe, diferente do que eu presenciara em outras aulas, dadas pelo professor, notei que, ao fundo, três alunos conversavam entre si, porém em voz baixa. Perguntei a eles se a aula não estava sendo interessante, responderam que não se interessavam por política, mas deixaram de conversar entre si. Encerrando a parte sobre a semelhança do PSDB atual com a UDN, afirmei que ambos se notabilizaram por denunciarem eloquentemente a corrupção, embora ambos abrigando corruptos em seu próprio seio. Aqui, a aluna que dissera que o PT tinha ladrões me perguntou se eu era petista. Respondi que não, não sou ligado a nenhum partido. Falei em seguida sobre o PMDB, sendo logo interrompido pelo aluno expositor, que afirmou que o PMDB sempre aderia ao governo, fosse qual fosse o governo. Eu então aproveitei para discorrer sobre a história do PMDB, primeiro como oposição consentida, como MDB, ao regime militar; depois como “partido-ônibus” de todas as correntes contrárias ao regime militar, finalmente como “o PSD de hoje”. Também aproveitei para falar sobre a política no governo militar, sobre a Arena e o MDB. Nisso, aquele aluno expositor afirmou que a ditadura militar não admitia oposição. Respondi que muitos estudiosos não usam o termo “ditadura militar” e preferem o termo “regime militar” porque havia um partido de oposição que concorria às eleições, mas a maioria votava no partido que defendia o regime; quando o partido de oposição passou a ganhar eleições o regime militar foi chegando ao fim, não sendo isso tudo característico de uma ditadura no sentido de não haver oposição. Enquanto eu dizia isso, e antes que eu pudesse esclarecer meu pensamento inteiro, o professor entrou na sala e, corretamente, observou que no regime militar havia muitas leis restritivas, especialmente aos movimentos de trabalhadores e sociais, e que começaram a ser abandonadas depois das grandes greves no ABC no fim dos anos 1970. Observou ainda que “Lula afirmou que as greves não eram por aumento de salários, pois os metalúrgicos do ABC já ganhavam bem, mas sim que o objetivo do movimento era instaurar a democracia”. O aluno expositor perguntou qual era o papel do PC do B e o professor afirmou que “o PC do B é diferente do PCB, pois, enquanto o PCB seguia a linha soviética, o PC do B leva em conta a realidade brasileira”, sem esclarecer que o PC do B passou por fases “chinesa” e “albanesa”. Em seguida, apesar de não ter soado o sinal, o professor sumariamente declarou a aula encerrada e dispensou os alunos. Creio que fiz o que pude para transmitir o conteúdo do Caderno de Prática dentro das possibilidades reais existentes na sala de aula. Quando os alunos estavam saindo, perguntei a vários deles se a aula havia sido proveitosa. A maioria disse que sim, alguns insistiram em que não se interessam por política. Mas uma aluna que, no começo da aula, fora uma das que levantara a mão como desinteressada em política, afirmou que aprendera “muita coisa” e ficara mais informada “da situação atual”. No entanto, embora eu sempre pedisse para os alunos darem sua opinião, durante a aula só o aluno expositor e a aluna que o criticou falaram alguma coisa. Na próxima “aula” a que assisti, para uma classe do primeiro ano médio, o professor, chamado para outra tarefa em outra classe, simplesmente escreveu frases de Gandhi na lousa, pedindo que os alunos as comentassem por escrito e dizendo que se tratava de uma “atividade”. E me deixou sozinho com a classe. Quando a aula começou, havia somente seis alunos da classe de cinquenta alunos, pouco a pouco o número foi aumentando até vinte. Ficaram conversando um tanto barulhentamente enquanto o professor estava presente e se aquietaram, estranhamente, quando ele foi embora e fiquei eu sozinho “tomando conta da classe”, mas de todo modo pouquíssimos, uns cinco, realizavam o exercício. Uma aluna me perguntou se era para entregar o exercício, eu não soube responder, mas disse que com toda certeza o professor iria passar o visto. Mais de meia hora depois, o professor apareceu rapidamente na porta, transmiti a ele a pergunta sobre a entrega e ele respondeu que era “para deixar no caderno”. Notei que, enquanto o professor estava na porta, os alunos passaram a se comportar inadequadamente, andando pela sala e falando alto, numa indicação de que pouco o respeitavam. A certa altura, trazido por uma coordenadora, entrou um funcionário do Senac para convidar os alunos a se inscreverem num curso de Hospedagem, dando uma ideia do tipo de profissão a que se imagina que os alunos dessa escola podem aspirar. Só ao fim de sua algo prolongada exposição é que o funcionário do Senac informou que o curso era reservado a alunos do segundo e terceiro anos do ensino médio, o que despertou ruidosas risadas dos alunos, que afinal eram do primeiro ano, não podiam nem se inscrever no curso, e saudaram com essas risadas barulhentas a total inutilidade de toda a divulgação. No fim da aula, o professor voltou e comunicou que os alunos deveriam posar para fotos destinadas a um álbum comemorativo dos 75 anos do colégio. Por insistência do professor, eu o substituí na pose. Assim terminou a “aula”. A aula seguinte, para outra classe do primeiro ano médio, foi ainda mais estranha. O professor novamente foi embora, sem me explicar nada, e, enquanto eu imaginava que ele tinha sido, como muitas vezes acontecia, chamado para outra tarefa em outro lugar, os alunos me disseram que ele tinha ido “arrumar o carro” no estacionamento do colégio, isto é, tirar seu carro do lugar para facilitar a movimentação do carro de outro colega. Não pude saber se isso era verdade. Os alunos ficaram falando muito alto e andando pela classe, indiferentes à minha presença. Perguntei se eles se interessariam em fazer a mesma “atividade” da classe anterior, “atividade” que ainda constava na lousa, uma aluno me respondeu que haviam feito aquele mesmíssimo exercício no dia anterior. Vários começaram a sair da sala, carregando suas mochilas, perguntei o que estava acontecendo e me disseram que tinham sido chamados para jogar voleibol. Depois voltaram, dizendo que o voleibol era para mais tarde, e em seguida foram todos embora. Na “aula” seguinte a que compareci, para o 6.o ano do fundamental, o professor novamente não deu aula. Ele escreveu na lousa “Estudar para Saresp”, espécie de exame estadual, e ficou em sua mesa anotando os meus horários de estágio. Não apagara o que estava escrito na lousa, algumas coisas da aula anterior e coisas escritas pelos alunos, como “xota” e “pau”, de modo que sua recomendação de estudar para Saresp não se destacava. Os alunos ficaram conversando alto, cada vez mais alto, até que vi pela primeira vez o professor perder a paciência e berrar “SILÊNCIO! SILÊNCIO”, furiosamente, e todos se estacaram subitamente, calando a boca instantaneamente e ficando imóveis. O professor, ainda irado, mas menos, disse a uma aluna que estava de pé no fundo da sala que ela “não perde por esperar”, e ele voltou a anotar os meus horários de estágio. Pouco a pouco o barulho foi retornando, os alunos paulatinamente conversando entre si, mas num nível bem mais “tolerável” do que o que despertou a raiva do professor. Dos 30 alunos presentes, menos de dez passaram algum tempo dando uma olhada em suas anotações, ou seja, “estudando para Saresp”. Uma outra aluna ficou de pé, conversando com colegas, mas o professor não chamou sua atenção. Por motivos particulares – por não concordar com o modo pelo qual a direção da escola e o professor que me acompanhava lidavam com o meu estágio – deixei então de frequentar essas aulas. Me impressionaram duas coisas: a alta qualidade pedagógica do material didático e sua total falta de sintonia com o universo cultural dos “noventa por cento”. http://renatopompeu.blogspot.com.br/
Francisco Andrade
21 de dezembro de 2013 11:06 amabrindo a gaveta….
PF ESTOURA CAIXA 2 DO DEM. GURGEL ENGAVETOU
Investigação do MPF revela esquema de caixa 2 envolvendo a governadora Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte, única do DEM, e o presidente do partido, Agripino Maia; esquema é revelado em reportagem da revista Istoé que chega nesta sexta (20) às bancas; recursos do governo do Rio Grande do Norte saíam dos cofres públicos para empresas que financiam campanhas do DEM por meio de um esquema de concessão de incentivos fiscais e sonegação de tributo, que contava com empresas de fachada e firmas em nome de laranjas; escutas telefônicas mostram Agripino Maia cobrando a liberação de recursos para um aliado; caso, que chegou à PGR em 2009, foi arquivado pelo então procurador Roberto Gurgel
20 DE DEZEMBRO DE 2013 ÀS 21:08
247 – A chegada da edição de Natal da revista Istoé às bancas não traz notícias boas para o DEM, principalmente para a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, e ao presidente do partido, Agripino Maia. Ambos estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal por caixa 2 durante a campanha eleitoral de 2006. Em umas das escutas telefônicas, Maia surge questionando a um interlocutor se a parcela de R$ 20 mil – em um total de R$ 60 mil prometidos a determinado aliado – foi repassada. A sequência das ligações revela que não era uma transição convencional. Segundo a investigação do MP, contas pessoais de assessores da campanha eram utilizadas para receber e transferir depósitos não declarados de doadores. A reportagem da revista Istoé é assinada pelo jornalista Josie Jeronimo.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República em 2009, durante a gestão de Roberto Gurgel, mas só agora, sob a batuta do procurador-geral Rodrigo Janot será investigada. O caso entra no alvo do MPF num momento complicado para a governadora Rosalba Ciarlini, que já teve seu mandato suspenso pelo TRE, por uso da estrutura governamental em 2012 para beneficiar uma aliada que era candidata a prefeita. Rosalba permanece no cargo por força de uma liminar.
Confira matéria na íntegra:
Caixa 2 democrata
Ministério Público Federal investiga esquema envolvendo a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, e o presidente do DEM, Agripino Maia. Escutas telefônicas revelam transações financeiras ilegais durante campanha
Josie Jeronimo
Pequenino em área territorial, o Rio Grande do Norte empata em arrecadação tributária com o Maranhão, Estado seis vezes maior. Mas, apesar da abundância de receitas vindas do turismo e da indústria, a administração do governo potiguar está em posição de xeque. Sem dinheiro para pagar nem mesmo os salários do funcionalismo, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) responde processo de impeachment e permanece no cargo por força de liminar. Sua situação pode se deteriorar ainda mais nos próximos dias.
O Ministério Público Federal desarquivou investigação iniciada no Rio Grande do Norte que envolve a cúpula do DEM na denúncia de um intrincado esquema de caixa 2. Todo o modus operandi das transações financeiras à margem da prestação de contas eleitorais foi registrado em escutas telefônicas feitas durante a campanha de 2006, às quais ISTOÉ teve acesso. A partir do monitoramento das conversas de Francisco Galbi Saldanha, contador da legenda, figurões da política nacional como o presidente do DEM, senador José Agripino, e Rosalba foram flagrados.
A voz inconfundível de José Agripino surge inconteste em uma das conversas interceptadas. Ele pergunta ao interlocutor se a parcela de R$ 20 mil – em um total de R$ 60 mil prometidos a determinado aliado – foi repassada. A sequência das ligações revela que não era uma transição convencional. Segundo a investigação do MP, contas pessoais de assessores da campanha eram utilizadas para receber e transferir depósitos não declarados de doadores. Uma das escutas mostra que até mesmo Galbi reclamava de ser usado para as transações. Ele se queixa:“Fizeram uma coisa que eu até não concordei, depositaram na minha conta”.
Galbi continua sendo homem de confiança do partido no Estado. Ele ocupa cargo de secretário-adjunto da Casa Civil do governo. Em 2006, o contador foi colocado sob grampo pela Polícia Civil, pois era suspeito de um crime de homicídio. O faz-tudo nunca foi processado pela morte de ninguém, mas uma série de interlocutores gravados a partir de seu telefone detalharam o esquema de caixa 2 de campanha informando número de contas bancárias de pessoas físicas e relatando formas de emitir notas frias para justificar gastos eleitorais.
Nas gravações que envolvem Rosalba, o marido da governadora, Carlos Augusto, liga para Galbi e informa que usará de outra pessoa para receber doação para a mulher, então candidata ao Senado. “Esse dinheiro é apenas para passar na conta dele. Quando entrar, aí a gente vê como é que sai para voltar para Rosalba.” O advogado da governadora, Felipe Cortez, evita entrar na discussão sobre o conteúdo das escutas e não questiona a culpa de sua cliente. Ele questiona a legalidade dos grampos. “Os grampos por si só não provam nada. O caixa 2 não existiu. As conversas tratavam de assuntos financeiros, não necessariamente de caixa 2”, diz o advogado de Rosalba.
Procurado por ISTOÉ, o senador José Agripino não nega que a voz gravada seja dele. No entanto, o presidente do DEM afirma que as conversas não provam crime eleitoral. “O único registro de conversas do senador José Agripino refere-se à concessão de doação legal do partido para a campanha de dois deputados estaduais do RN”, argumenta.
No Rio Grande do Norte, José Agripino é admirado e temido por seu talento em captar recursos eleitorais. Até mesmo os adversários pensam duas vezes antes de enfrentar o senador com palavras. Mas o poderio econômico do presidente do DEM também está na mira das investigações sobre o abastecimento das campanhas do partido. A Polícia Federal apura denúncia de favorecimento ao governo em contratos milionários com a Empresa Industrial Técnica (EIT), firma da qual José Agripino foi sócio cotista até agosto de 2008. Nas eleições de 2010, o senador recebeu R$ 550 mil de doação da empreiteira. Empresa privada, a EIT é o terceiro maior destino de recursos do Estado nas mãos de Rosalba. Perde apenas para a folha de pagamento e para crédito consignado. Só este ano foram R$ 153,7 milhões em empenhos do governo, das secretarias de Infraestrutura, Estradas e Rodagem e Meio Ambiente. Na crise de pagamento de fornecedores do governo Rosalba, que atingiu o salário dos servidores e os gastos com a Saúde, a população foi às ruas questionar o porquê de o governo afirmar que não tinha dinheiro para as despesas básicas, mas gastava milhões nas obras do Contorno de Mossoró, empreendimento tocado pela EIT.
De acordo com a investigação do MPF, recursos do governo do Estado saíam dos cofres públicos para empresas que financiam campanhas do DEM por meio de um esquema de concessão de incentivos fiscais e sonegação de tributo, que contava com empresas de fachada e firmas em nome de laranjas. O esquema de caixa 2 tem, segundo o MP, seu “homem da mala”. O autor do drible ao fisco é o empresário Edvaldo Fagundes, que a partir do pequeno estabelecimento “Sucata do Edvaldo” construiu, em duas décadas, patrimônio bilionário. No rastreamento financeiro da Receita Federal, a PF identificou fraude de sonegação estimada em R$ 430 milhões.
O empresário é acusado de não pagar tributos, mas investe pesado na campanha do partido. Nas eleições de 2012, Edvaldo Fagundes não só vestiu a camisa do partido como pintou um de seus helicópteros com o número da sigla. A aeronave ficou à disposição da candidata Cláudia Regina (DEM), pupila do senador José Agripino. Empresas de Edvaldo, que a Polícia Federal descobriu serem de fachada, doaram oficialmente mais de R$ 400 mil à campanha da candidata do DEM. Mas investigação do Ministério Público apontou que pelo menos outros R$ 2 milhões deixaram as contas de Edvaldo rumo ao comitê financeiro da legenda por meio de caixa 2.
Cláudio José
21 de dezembro de 2013 12:29 pmTODOS CONTRA A FOME
Podemos mudar
Dom Orani João Tempesta*+A-AImprimirPUBLICIDADE
Mais uma vez nossos olhos e ouvidos voltam-se e abrem-se para um novo apelo: combater a fome no mundo. Certa vez, Madre Tereza de Calcutá disse: “Meu Deus, como dói esta dor desconhecida…” referindo-se aos pobres, famintos e doentes moribundos nas sarjetas. Por isso, fiel ao meu ministério a Cristo e à Igreja uno-me ao Santo Padre, o Papa Francisco, que abriu a Campanha Mundial da Caritas Internacional contra a fome no mundo, lançada no Vaticano com a presença de mais de 30 mil fiéis na Praça de São Pedro, no último dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração Mundial dos Direitos Humanos. Em unidade com toda a Igreja e aos milhões de irmãos que sofrem, também digo: “meu Deus, como dói esta dolorosa dor da fome”.
O Papa Francisco exorta os católicos, governantes e toda sociedade civil para um total engajamento, a fim de erradicar aquilo que ele chama de “escândalo da fome”. O Papa convida para que todos se juntem ao slogan da Campanha da Cáritas: “Uma só Família humana, alimento para todos”.
Os números não negam, nos surpreendem, apavoram e até enganam… Mas, por que enganam? Porque até o final da leitura deste artigo, que você levará em torno de dois minutos, estes números que aqui serão apresentados já não serão mais os mesmos… Milhares já terão morrido de fome enquanto você estiver lendo isto… Outros entrarão para o cinturão da miséria. Afinal, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), a cada minuto 12 crianças morrem de fome no mundo. Vejamos algumas estatísticas:
Segundo a última informação divulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), na terça-feira, dia 10 de dezembro p.p., uma em cada oito pessoas sofre de fome crônica no mundo. Seriam aproximadamente em torno de 842 milhões de pessoas subnutridas, ou seja, pessoas que não possuem alimentos necessários para uma vida saudável e ativa. Muitos esforços são empreendidos pelos Governos e muitas frentes não governamentais, mas o que se observou foi que desde 2010 até 2013 apenas 26 milhões de pessoas foram resgatadas dessa margem de pobreza e miséria. O Brasil, apesar de todos os esforços e sua riqueza produtiva de alimentos, tem 16 milhões de pessoas que estão em estado de fome crônica. Se for pensar em investimentos concretos, então pense que serão necessários no mínimo 30 bilhões de dólares por ano para erradicar a fome no mundo. Isso não chega aos 10% do que os EUA investem por ano em armamento (US$ 450 bilhões). Permitam-me reproduzir abaixo um gráfico apresentado pela FAO:
• 814,6 milhões de famintos nos países em desenvolvimento (como China, Bolívia, Angola…) • 28,3 milhões de famintos em países de transição (como Rússia, Croácia, Ucrânia…) • 53 milhões de famintos na América Latina • 9 milhões de famintos nos países industrializados (como Alemanha, Estados Unidos, Austrália) • 15,6 milhões de famintos no Brasil • 5 milhões de crianças morrem de FOME por ano: uma morte a cada 5 segundos • Com US$ 25 milhões por ano, seria possível reduzir drasticamente a desnutrição nos 15 mais famintos países da África e da América Latina e salvar da fome pelo menos 900 mil crianças até 2015.
A situação é dramática e desencontrada quando se quer mostrar algum gráfico brasileiro. Fontes do IBGE (34 milhões) e Fundação Getúlio Vargas (50 milhões) apontam divergências enormes de pessoas abaixo do nível de pobreza no Brasil. Já os índices oficiais apontam níveis mais esperançosos: apenas 24 milhões de brasileiros passam fome no Brasil, já que aqui se tem o programa “Fome Zero”.
Olho para o pronunciamento do Papa, como “A Carta que o Papa Francisco escreveu à humanidade”. Uma carta que leva o selo da solidariedade postada no correio da caridade fraterna e cristã para os destinatários de todos os credos, raças, línguas e nações. São palavras tão claras e profundas que reproduzem o evento do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, quando Jesus, diante daquela multidão faminta, delega seus discípulos à distribuição do pouco que possuíam: pães e peixes. A graça divina agiu naquele momento e todos ficaram saciados, as sobras foram recolhidas para novas necessidades e nada foi desperdiçado. “A parábola da multiplicação dos pães e dos peixes nos ensina justamente que se houver vontade, o que temos não vai acabar, ao contrário, vai sobrar, e não deve ser perdido. Por isso, queridos irmãos e queridas irmãs, convido-os a abrir um espaço em seus corações para esta urgência, respeitando o direito dado por Deus a todos de ter acesso a uma alimentação adequada.”
Chamo atenção para o substantivo urgência que o papa sublinha afinal, na rotina de uma pessoa nos alimentamos pelo menos três vezes ao dia enquanto estes aqui citados nas estatísticas da ONU o alimento é a preciosidade do “de vez em quando”. Outro elemento forte na carta do Papa é a expressão “se houver vontade”; ali o Papa Francisco está convocando em primeiro lugar os Governos e em seguida toda sociedade civil para uma verdadeira “vontade política” de abertura, conversão e distribuição dos alimentos. Em outro momento, inclusive no encontro com os estudantes universitários de Roma, o Papa pede para que não fiquemos olhando pela janela e sim para que lutemos a fim de vencer a batalha contra a fome. Ali está a batalha para de fato derrubar esta condicional “se houver”. Como o próprio Sumo Pontífice afirma: o “escândalo da fome não pode nos paralisar”.
O desperdício de alimentos que são jogados no lixo é um escândalo para a humanidade. Existem projetos para o aproveitamento e assim alimentar os necessitados do mundo, mas isso supõe, além das iniciativas de empresas e organizações, vontade política e leis condizentes. O Papa lembrou mais de uma vez: se a bolsa de valores cai um dígito é manchete mundial, se uma criança morre de fome em nosso planeta é apenas um número na estatística.
Mas a Palavra de Deus se torna sempre viva nos homens de fé e coragem que exortam a humanidade para olhar os nossos irmãos com os olhos da solidariedade e com a mesma sensibilidade com que Cristo olhava para os que mais sofriam.
Caríssimos, diante desta dolorosa dor da fome, abramos nossos corações e nossos armários para a verdadeira partilha e solidariedade. Em nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro estamos trabalhando na execução do Ano da Caridade. Procure a sua Paróquia ou comunidade. Lá você encontrará todas as informações necessárias para saber como interagir neste apelo que o Santo Padre nos faz. O nosso Vicariato da Caridade Social, com as pastorais Sociais e entidades da Arquidiocese, como a Caritas Arquidiocesana e outros, irá articular o nosso trabalho deste ano que iniciaremos com a Trezena de São Sebastião, que tem como lema: “SÃO SEBASTIÃO, DISCÍPULO DO AMOR E DA CARIDADE” e o texto Bíblico referência é: “Se não tiver caridade, de nada adianta!” (1Cor 13,3).
Estejamos unidos e façamos a diferença neste ano. Tudo isso é consequência da nossa missão evangelizadora e o fato de encontrarmos Cristo na pessoa do irmão.
Dom Orani João Tempesta é Arcebispo do Rio de Janeiro.
Diogo Costa
21 de dezembro de 2013 12:40 pmIncompetência e retrocesso
INCOMPETENTE, POPULISTA E DEMAGOGO – Populista, demagogo, autoritário e incompetente, este é Joaquim Barbosa. A ‘gestão’ dele a frente do STF é imprestável. Este personalista, populista e demagogo que é, vive de ações de pirotecnia, devidamente amparadas pelas lentes da “grande mídia”. Tirando os holofotes e as ações ilegais e espalhafatosas, a administração de Barbosa é uma das mais incompetentes havidas em toda a história do Poder Judiciário no Brasil.
Tomara que este populista demagogo (mistura de Jânio Quadros com Demóstenes Torres) largue a toga e enfrente as urnas, alguém com tamanha incompetência terá vida curta ao enfrentar a apreciação das urnas. Tipos como este só sobrevivem porque tem a proteção e a blindagem da chusma desinformativa, que presta os devidos cuidados àqueles que bem cumprem com os seus intentos. Ou intentonas… A ‘gestão’ de Barbosa representa um dos maiores retrocessos com os quais a sociedade brasileira teve que se defrontar ao longo da história.
Mutirões carcerários vivem retrocesso com Barbosa à frente do CNJ
Comparado à gestão de Peluso, período de Barbosa tem queda de 78% na análise de processos que revisam condenações injustas ou arbitrárias. Pastoral Carcerária diz que detentos são ignoradospor Helena Sthephanowitz publicado 20/12/2013 12:49
ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Os mutirões têm sido importantes para remover do limbo pessoas que não deveriam estar detidas
Uma das boas medidas determinadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foram os mutirões carcerários. Trata-se de esforço concentrado para analisar processos de presos que já cumpriram a pena e continuam esquecidos na cadeia por falta de uma ordem judicial para soltá-los.
Desde 2008, quando se iniciaram os mutirões, até agora, 451.828 processos foram analisados, encontrando mais de 47 mil detentos que estavam presos indevidamente e foram postos em liberdade. O problema é que esse esforço sofreu um grande retrocesso, desde quando o ministro Joaquim Barbosa assumiu a presidência do CNJ, em novembro de 2012.
De agosto de 2008 a abril de 2010, durante a gestão do ministro Gilmar Mendes no CNJ, 20 estados foram visitados, o CNJ analisou 108.048 processos e 33.925 benefícios foram concedidos, seja colocando em liberdade, seja progressão de regime (para aberto ou semiaberto), seja autorizando o trabalho externo, seja extinguindo penas.
A produção do CNJ aumentou na gestão do ex-ministro Cezar Peluso, de fevereiro de 2010 a dezembro de 2011. Foram analisados 310.079 processos, com a concessão de 48.308 benefícios, entre eles 24.884 casos de penas que já haviam sido cumpridas.
Na gestão do atual presidente, Joaquim Barbosa, apesar de ainda estar na metade, já se registra um retrocesso na produção do CNJ de espantosos 78% se comparada proporcionalmente à metade do período da gestão Peluso. Apenas 33.703 casos foram analisados, com apenas 5.415 benefícios concedidos.
Em entrevista ao portal iG, O coordenador da Pastoral Carcerária Nacional, padre Valdir João Silveira, afirma que esses presos são pessoas jogadas no sistema penitenciário e ignoradas pela justiça e pela sociedade. Faltou ao padre acrescentar que são pessoas também invisíveis aos holofotes da mídia, o que não desperta o interesse de alguns magistrados neste trabalho.
Valdir lembra que, embora louvável e importante, os mutirões estão longe do ideal, que seria fazer um pente fino em todo o sistema. Hoje os processos são analisados por amostragem, o que ainda deixa muitos casos no limbo do Judiciário.
O juiz Douglas Martins, Coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do CNJ, acrescenta outros problemas aos já citados. Vê um erro na ação policial determinada por governadores de encarcerar em massa, fazendo uma “opção preferencial pelos pobres”, onde 90% dos detentos são envolvidos em crimes contra patrimônio e tráfico de drogas. Segundo Martins, a tendência mundial é o contrário, onde a maioria dos detentos são os envolvidos em crimes contra a vida, e crimes de menor potencial ofensivo tem penas alternativas. Para ele esta política está equivocada, com o Brasil tendo a quarta população carcerária do mundo, em muitos casos “governada” paralelamente por facções criminosas.
http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2013/12/pobres-e-pretos-que-ja-cumpriram-pena-sao-esquecidos-nas-cadeias-durante-gestao-de-joaquim-barbosa-no-cnj-736.html
Francisco Andrade
21 de dezembro de 2013 12:59 pmo que esta sendo planejado para 2014… vídeo estarrecedor!
O povo brasileiro tem de acordar,… identificar, …e reagir a essa ameaça que vem de fora…
http://www.youtube.com/watch?v=fVq82tW6LdU&feature=share
Obelix
21 de dezembro de 2013 1:26 pmOs impostos, as cidades e o sequestro do voto.
A frase: “Todo poder emana do povo, e em nome dele será exercido” não deve ser considerada apenas um enfeite retórico, ou uma generalização que de tão ampla não se materialize.
Ela é uma sentença vinculante em regimes democráticos. No arranjo institucional democrático, seja ele republicano ou monárquico, não há poder que possa desafiar a vontade das urnas. Nem o controle de constitucionalidade, seja ele da forma direta (concentrada) ou indireta (difusa), pode ser considerado uma ação de controle do poder originário, porque controle de constitucionalidade nunca é exercido para conspurcar o sentido das urnas. Ele age para restabelecer o equilíbrio constitucional, e não para perpetuar o conflito. Nestes casos, uma corte de juízes (não eleitos) diz que uma lei ou um ato administrativo dos outros dois poderes (o legislativo e o executivo) afetam aquilo que o povo já consagrara antes como constitucional, cessando os efeitos do ato, até que este mesmo povo (através de seus representantes legislativos) consagrem novo pacto constitucional em emendas a Constituição, ou em novas constituições (se for o caso de cláusulas pétreas). Mas, como dissemos, este processo é extremamente delicado, e deve ser exercido com singular cuidado. Justamente o contrário do que tem acontecido na sociedade brasileira nos últimos tempos. O resultado? As cortes constitucionais, ao invés de apaziguarem conflitos, têm mergulhado o país e suas instituições em estado permanente de apreensão, como se estivéssemos a beira de um colapso (golpe judicial). Não servem como justificativa a suposta omissão e/ou deficiência do legislativo em criar leis adequadas as nossas demandas sociais, ou o constante desequilíbrio entre o peso relativo do poder executivo frente ao legislativo, ou ainda, a defesa da higienização dos modos e costumes políticos (pura hipocrisia). Todos estes pressupostos são importantes, sem dúvida, mas só o poder eleito e seu aperfeiçoamento constante podem dar conta de resolvê-los. Se o Congresso Brasileiro deixa de legislar sobre algo, e se a população que elege esta casa de leis, renova e mantém a correlação de forças que deram causa a esta suposta omissão, não poderá ser um poder não eleito (judicial) que poderá suprir esta lacuna, a não ser em caso bem específicos, novamente quando a omissão causar danos e ofender a própria Constituição (como no mandado de injunção). Por outro lado, se um prefeito aprova uma lei na Câmara de Vereadores para alterar a estrutura tributária de seu município, como foi o caso do IPTU em SP, não pode qualquer corte interromper a eficácia da norma, a não ser aqui ali estivesse uma afronta grave a princípio constitucional. Não é o caso. O único argumento oferecido pela elite paulistana, encastelada na FIESP é de que as novas alíquotas revertidas ao comércio e aos bairros mais ricos vão causar desequilíbrio econômico. Ora bolas, e o desequilíbrio tributário de séculos, onde os mais pobres arcaram com os tributos e ficaram com o lixo, a insegurança, a desvalorização, enquanto as áreas mais nobres, pagando proporcionalmente muito menos, ficaram com a melhor parte da cidade? Já dissemos aqui neste blog que o poder judiciário é a última (e talvez a primeira, em alguns casos) cidadela do conservadorismo e do domínio das elites e setores médios sobre a maioria pobre. Com a decisão dos tribunais confirmadas pela corte suprema (alguém esperava resultado distinto?), seria melhor que os prefeitos entregassem as chaves ao juiz local. A vontade da maioria está refém dos caprichos judiciais e dos interesses econômicos da minoria.
Sergio de Moraes Paulo
21 de dezembro de 2013 2:56 pmLN,
segue minha sugestão
LN,
segue minha sugestão de palpite a respeito da sucessão do Magnífico Reitor João Grandino Rodas.
Seu mandato está expirando e julgo que seja necessário discutirmos o assunto, apó passagem para lá de inusitada no comando da USP.
Abs.
o palpiteiro.
http://opalpiteiro.blogspot.com.br/2013/12/fim-de-ano-e-fim-de-feira-para-o.html
jns
21 de dezembro de 2013 4:03 pmStreaming
O crescente mercado de música online e o baixo retorno financeiro
As empresas competem para conquistar os assinantes e enfrentam o desafio adicional de receber o pagamento pela disponibilização de música pelo serviço de streaming.
NYTimes | ‘A Stream of Music, Not Revenue’ | Ben Sisario | 12 Dezembro 2013
Quando a Spotify, a empresa de música digital do momento, anunciou esta semana um acordo de exclusividade com o Led Zeppelin e o seu impressionante número de acessos em dispositivos móveis.
A Spotify, após a assinatura do Metallica, firma acordo de exclusividade para transmitir música online do Led Zepplin através do seu serviço de streaming.
Seus ouvintes consumiram 4,5 bilhões de horas de audição de músicas, este ano, e pagaram mais de US $ 1 bilhão em royalties de música desde a sua fundação.
Mas a Spotify, uma empresa privada, omitiu os resultados que os executivos da música, concorrentes e investidores se preocupam mais: quantas pessoas usam o serviço e quantas pagam por isso?
Serviços como o Spotify, Pandora e o novo Radio iTunes da Apple se tornaram a última esperança para o sitiado negócio da música. Eles permitem que os clientes acessem vastos catálogos de músicas on-line, gratuitamente ou através de assinaturas, ao custo, quase simbólico, de 3 dólares por mês.
Com arrefecimento das vendas de download, após uma década de crescimento, o streaming tem o potencial de transformar o modelo financeiro da indústria através da cobrança, apenas, para o ato de ouvir. Em vez de vender um CD ou um download, as empresas poderiam ganhar royalties cada vez que alguém clicasse em ouvir uma faixa.
“Os hábitos de compra dos amantes da música estão mudando”, disse Doug Morris, presidente da Sony Music Entertainment, a investidores, em uma conferência em Los Angeles, no mês passado. “Ao invés de comprar discos físicos, ou mesmo fazer downloads digitais, os consumidores estão começando a preferir comprar através dos serviços de streaming.”.
A mudanças começaram a afetar a forma como as canções de sucesso são feitas por jovens artistas que estão ganhando muito da popularidade e impulso a partir de plataformas de streaming.
No entanto, mesmo com o crescimento, as empresas de streaming estão encontrando problemas. Os amantes da música querem consumir grandes quantidades de música gratuita, sem pagar uma assinatura mensal.
Pandora, a empresa de streaming de capital aberto, disponibiliza 1,5 bilhão de horas de música por mês para mais de 70 milhões de usuários, mas apenas cerca de três milhões deles pagam. O restante dos ouvintes usa, livremente, suportando, porem, a veiculação de publicidade. Mesmo que tenha um valor de mercado de 5 bilhões de dólares, a Pandora tem que buscar o lucro financeiro.
“Há uma resistência irracional das pessoas em autorizar o desconto no seu cartão de crédito para serviços de streaming”, disse Ted Cohen, consultor de música digital de TAG Strategic. “Estamos, há 13 anos, sob a influência do fenômeno Napster, da ‘música de graça” e é difícil levar as pessoas de volta para a ideia de que a música vale, pelo menos, o preço de uma xícara de café consumido em uma semana.”
Os vídeos de música livre do YouTube tornaram-se a plataforma de audição mais popular entre os jovens ouvintes, segundo a Nielsen.
Quando o presidente-executivo da Spotify, Daniel Ek, foi questionado sobre o número de assinantes da empresa, ele disse, “Nós não somos uma empresa que irá atualizar os números com cada milhão de subscrição que recebermos. Vamos atualizá-los quando sentirmos que há metas importantes alcançadas.”
Atingir estes marcos pode ser, cada vez mais, desafiador. Com várias empresas importantes prestes a entrar no mercado, nos próximos meses, a competição em streaming de música está prestes a se intensificar.
O Beats Music, um serviço de assinatura dos fabricantes de fones de ouvido Beats by Dr. Dre, chegará em janeiro, acompanhada por uma campanha de marketing agressiva. O YouTube e a Deezer, uma empresa francesa, também podem entrar no mercado americano com planos de assinatura. Eles se juntam a um mercado de streaming que já está lotado, que inclui Rdio, Rhapsody, Google’s All Access, Xbox Music from Microsoft e a Sony’s Music Unlimited.
E enquanto todas essas empresas lutam, entre si, para conquistar os assinantes, elas enfrentam o desafio adicional de conseguir que os fãs de música paguem pelo streaming de música.
A estratégia da Spotify tem sido a de atrair clientes com uma versão suportada por publicidade gratuita e espera que eles possam ser convencidos a pagar entre 5 a 10 dólares, por mês, para ter regalias como som de melhor qualidade sem anúncios. Mas o serviço, que começou na Suécia, em 2008, e, agora, está disponível em 55 mercados ao redor do mundo, não atualiza o seu número de clientes desde março, quando foram atingidos 24 milhões de usuários e apenas seis milhões de pagantes.
O acesso gratuito limitado em dispositivos móveis, que a Spotify anunciou esta semana, foi, em parte, uma forma de continuar a atrair os consumidores que agora gastam mais do seu tempo em telefones e tablets do que em computadores desktop. Daniel Ek disse que a metade dos novos usuários do Spotify foi inscrita através de dispositivos móveis. A Spotify espera atrair novos clientes através da exclusividade com músicos populares, como o fez, nesta semana, com o Led Zeppelin.
Daniel Ek, executivo-chefe da Spotify, anunciou o livre acesso de música em dispositivos móveis.
O Beats Music não oferecerá músicas com opção de escuta livre, mas os clientes deverão encontrar um serviço, suficientemente, atraente para pagar. Esse plano pode servir de apelo positivo para músicos, que se queixam dos baixos valores dos royalties que recolhem dos serviços gratuitos, considerando-se que as taxas de royalties de músicas consumidas por serviços pagos tendem a ser muito maior.
Dentro do mundo do streaming, a opinião predominante é que o mercado ainda é novo e tem um potencial enorme. Em 2012, os serviços de streaming e rádio por satélite, nos Estados Unidos, contribuíram com mais de US $ 1 bilhão em receita para a indústria fonográfica, representando um aumento de 59 por cento em relação ao ano anterior. Ainda assim, esses números são pequenos em comparação com a 5,6 bilhões de dólares a auferidos partir de downloads e vendas físicas, de acordo com dados da Recording Industry Association of America. O crescimento da transmissão online deverá continuar a um ritmo ainda mais rápido em 2014, enquanto as vendas e os downloads CD continuarão, provavelmente, em declínio.
“Levou muitos anos para os downloads digitais dominar o mercado, juntamente com os CDs, e, com o tempo, as assinaturas serão uma terceira opção amplamente adotada”, disse Anthony Bay, diretor executivo da Rdio, que iniciou as atividades em 2010, ainda não anunciou seus números de assinantes, mas na quinta-feira começou uma campanha de marketing por meio de um acordo com a gigante do rádio Cumulus Media para promover o seu negócio.
Ainda não está claro quantos assinantes um serviço precisa ter para ser sucesso no mainstream, embora a Spotify pareça ter planejado algo como 40 milhões como o seu alvo. Ela usa esse número para demonstrar quanto dinheiro pode contribuir para a indústria da música e o streaming se tornar uma opção dominante.
A maioria dos prestadores de serviços não anunciam os seus resultados, mas os executivos da música e os analistas estimam que o número total de assinantes de serviços de streaming pagos nos Estados Unidos situa-se em pouco mais de cinco milhões. Esses números são insignificantes, em comparação com os números publicados por outras empresas de mídia como o Netflix, que possui cerca de 31 milhões de assinantes, e a Sirius XM Radio, com mais de 25 milhões.
Vários analistas duvidam que as empresas de streaming possam atrair uma quantidade significativa de clientes pagantes e citam a queda acentuada nas vendas de música na última década e a oferta abundante de música on-line gratuita. Eles afirmam que vai ser difícil sobreviver veiculando apenas publicidade.
Em vez disso, outros especialistas vislumbram o sucesso destas empresas baseadas em um modelo de subsídio, em que as vendas de música possam apoiar outro tipo de negócio com margens de lucros mais elevadas. A Apple, por exemplo, realiza a venda de música com baixa margem de ganho para estimular a demanda para iPods, telefones e computadores.
“A música é um complemento adicional, mas não é algo que você fica ansioso para pagar, se você não o tem”, disse James L. McQuivey, analista da Forrester Research.
E, para piorar o quadro, há a concorrência feroz de novos operadores que continuam a inundar o mercado. Quando perguntado sobre a concorrência, Daniel Ek do Spotify observou que era maior, quando sua empresa começou. E muitos desses serviços – como o Myspace Music, Napster e Zune – diminuíram ou desapareceram completamente. Mas ele disse que estava satisfeito de ser um líder, em vez de ser mais um concorrente (um challenger).
“Eu prefiro ser caçado, do que ser aquele que tem de perseguir as pessoas”, disse Ek.
[video:http://youtu.be/4AoIU7RPAE0%5D
STREAMING
Há uma série de tecnologias emergentes de streaming que permitem a transferência de dados online, processados com fluxo regular e contínuo.
Com o crescimento da Internet, as tecnologias de transmissão estão se tornando cada vez mais importantes, devido á incapacidade da maioria dos usuários de acessar rápido o suficiente para baixar grandes arquivos multimídia.
Com o streaming, o usuário pode iniciar a exibição dos dados antes que todo o arquivo seja transmitido.
Isto significa que, se o cliente receber o fluxo de dados mais rapidamente do que o necessário, torna-se necessário encaminhart os dados em excesso para uma área de armazenamento temporário.
O atual padrão de dados de áudio na Internet é da Progressive Network’sRealAudio.
Webopedia
Tamára Baranov
21 de dezembro de 2013 4:41 pmDescoberto o verdadeiro nome do torturador de Stuart Angel
Stuart Angel: verdadeiro nome do principal torturador é descoberto
CHICO OTAVIO | JULIANA DAL PIVA
Stuart Angel era dirigente do MR-8 e foi preso por agentes da Aeronáutica em em junho de 1971 Reprodução
RIO – Pardo, estatura mediana, suboficial. Por mais de quatro décadas, essas foram as únicas informações conhecidas sobre um dos principais torturadores dos porões do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa), que funcionava junto à Base Aérea do Galeão. Presos políticos que estavam na carceragem à época denunciam com frequência a desenvoltura com que o suboficial “Abílio Alcântara”, de codinome “Pascoal”, participava dos interrogatórios sob tortura nas masmorras do Cisa. E dos guerrilheiros que por ali passaram e conheceram “Pascoal”, apenas um jamais saiu: Stuart Angel Jones. O ex-preso político Alex Polari de Alverga denuncia há 42 anos que presenciou o momento em que o amigo foi preso por agentes da Aeronáutica, na manhã de 14 de maio de 1971, em uma região do Grajaú, na Zona Norte do Rio. Entre eles, “Pascoal.”
“Abílio Alcântara”, porém, nunca existiu. Serviu apenas para esconder a verdadeira identidade do sargento Abílio Correa de Souza. Após o cruzamento de depoimentos de ex-presos com informações em bancos de dados nacionais e internacionais, O GLOBO chegou ao verdadeiro nome sob o qual se escondia o agente. Souza chegou a fazer cursos de inteligência de combate e contraespionagem na conhecida Escola das Américas, no Forte Gulick, no Panamá, em 1968. De acordo com o relato dos presos, ele seria o braço-direito do coronel Ferdinando Muniz de Farias, o “dr .Luis” — homem de confiança do brigadeiro Carlos Affonso Dellamora, comandante do Cisa. Ambos já amplamente denunciados por Alex Polari.
Agente estudou contraespionagem na Escola das Américas
Souza, de acordo com uma nova testemunha dos momentos finais da vida de Stuart, foi o último agente a falar com o filho da estilista Zuzu Angel, em sua agonia. A ex-presa política Maria Cristina de Oliveira Ferreira conta que não chegou a ver, mas ouviu os gemidos do dirigente do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), sua organização guerrilheira, ao longo da madrugada. Stuart murmurava seguidamente “vou morrer, vou morrer”. Em determinado momento, o suboficial Souza se aproximou.
— O “Pascoal” falou pra ele: “Deixa de frescura, Paulo (codinome de Stuart no MR-8). Você não vai morrer ainda não. Toma aqui um melhoral”. Pouco depois ele silenciou e eu ouvi o barulho semelhante à retirada de um corpo — revelou Maria Cristina.
Ela nunca foi ouvida antes sobre o assunto por ser acusada por ex-companheiros de militância de colaboração com o regime.
— Depois do que aconteceu com Stuart, a carceragem foi imediatamente esvaziada. Todos nós fomos transferidos para outros lugares — recorda-se.
Outro preso também confirma a liberdade com que Souza transitava pelos corredores da carceragem. Manoel Henrique Ferreira contou em relatório que integra o acervo do Brasil Nunca Mais que “Pascoal” pediu-lhe que reconhecesse a foto na carteira de identidade falsa com que Stuart foi preso. Em seguida, confirmou a prisão, sorrindo.
Outros dois novos nomes de agentes surgem no caso. Os cabos reformados Luciano José Marinho de Melo e Cláudio de Almeida Aguiar integravam as equipes do Cisa em 1971. A eles, foi confiada a missão de fazer o registro de nascimento do filho de uma presa do órgão, no início de 1972, na 11ª circunscrição de Inhaúma, apesar de a criança ter nascido no Hospital da Aeronáutica. Os nomes deles constam na certidão de nascimento como testemunhas.
Segundo outro preso, Luciano atuava como motorista das equipes de captura e, no dia em que Stuart foi preso, conduziu o carro no qual ele foi levado para um ponto onde estariam outros dois militantes do MR-8 — organização da qual Stuart era dirigente. Como os guerrilheiros não viram o preso, conseguiram sair do ponto ilesos, apesar do cerco.
Procurado, Luciano disse que foi apenas motorista do gabinete do ministro da Aeronáutica até 1984, emprestado ao brigadeiro Dellamora exclusivamente para o registro da criança. Ele pediu e obteve anista política em 2005 com base à portaria n.º 1.104-GM3/1964, que limitou o serviço dos cabos a oito anos. Desde 2011, o Ministério da Justiça está revisando o processo. O nome de Claudio é listado como torturador no projeto Brasil Nunca Mais, em um inquérito de 1970. Aguiar foi procurado em três diferentes endereços durante um mês, mas não foi localizado.
Entre os outros agentes envolvidos no desaparecimento de Stuart, pelo menos outros três também estudaram na mesma escola. O brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, responsável pela organização e criação do Cisa e então chefe da 3ª Zona Aérea, fez cursos com nomes semelhantes aos de Abilio Correa de Souza em 1967: inteligência militar e contraespionagem. Com extenso currículo e 11 condecorações, entre elas a principal da Força, o Mérito Aeronáutico como Cavaleiro, o coronel Muniz de Farias também fez o Curso de Informações para Oficiais Superiores nos EUA. O capitão Lucio Valle Barroso, outro envolvido, estudou inteligência militar para oficiais em 1970 e é apontado como analista de informações do Cisa.
SNI elaborou documento de 167 páginas dando Stuart como morto
Além dos militares da Aeronáutica, relatos de presos políticos e documentos inéditos localizados nos acervos do projeto Brasil Nunca Mais e do Arquivo Nacional em Brasília apontam que os policiais da Delegacia de Ordem Politica e Social do Rio participaram ativamente das operações de captura de integrantes do MR-8 — organização que Stuart dirigia — e que antecederam a prisão dele. Dois são apontados ainda como integrantes da equipe de interrogatório: Jair Gonçalves da Mota e Mario Borges de Araújo. Este chegou a receber a Medalha do Pacificador, honraria concedia pelo Exército em 1971.
O GLOBO ainda obteve acesso a um documento inédito do Serviço Nacional de Informações (SNI) pertencente ao Arquivo Nacional demonstrando que o desaparecimento de Stuart foi amplamente documentado pela repressão. O informe número 1.008, produzido em 14 de setembro de 1971, tem como assunto: “Stuart Angel Jones — Falecido”. O documento tem conteúdo classificado como confidencial e 167 páginas. “Apenso, encaminho documentação para fins de prontuário referente ao epigrafado, bem como de outros elementos subversivos arrolados nos processos de apuração de delitos cometidos por alguns deles”, informa o texto, que, no entanto, apresenta apenas três páginas.
Na “Informação Nº 4.057”, da Agência São Paulo do SNI, de 11 de setembro de 1975, o nome de Stuart aparece listado junto a outros 89 nomes de guerrilheiros mortos seguidos por datas das mortes. No caso dele, o dia apontado é 16 de maio de 1971, dois dias depois da prisão. O destino do corpo, no entanto, permanece desconhecido.
Stuart Angel Jones integrava a direção do MR-8 e havia participado de diversas ações armadas; o interrogatório tinha um objetivo claro: descobrir o paradeiro do capitão Carlos Lamarca.
No fim do ano, a cúpula da Aeronáutica foi substituída devido a pressões sobre o caso, após as denúncias da mãe de Stuart, a estilista Zuzu Angel. O desmonte final dos porões do regime, porém, não cortou os laços dos torturadores de Stuart. Pelo menos três deles (o coronel Muniz, o sargento Abílio e o cabo Cláudio Aguiar) trabalharam posteriormente na Transportadora Volta Redonda (TVR), uma das gigantes no setor do período. A sede regional da empresa, na Avenida Londres, Bonsucesso, era ponto de encontro dos agentes do Cisa.
Burnier, Dellamora, Muniz e Abílio já morreram. Parentes do suboficial foram localizados na Zona Norte do Rio, mas disseram desconhecer sua atuação na Inteligência da FAB. De acordo com esses parentes, o agente jamais comentou o trabalho em casa, e a família nunca teve contato com seus colegas da Base.
A Aeronáutica, que nunca admitiu a prisão do guerrilheiro, não quis comentar o caso. Por intermédio da Comunicação Social, informou que os documentos alusivos ao período do regime já foram entregues ao Arquivo Nacional.
http://oglobo.globo.com/pais/stuart-angel-verdadeiro-nome-do-principal-torturador-descoberto-10084684?fb_action_ids=643202632385638&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B384706561658150%5D&action_type_map=%5B%22og.recommends%22%5D&action_ref_map=%5B%5D
Tamára Baranov
21 de dezembro de 2013 4:42 pmSecretário de Eduardo Campos ‘justifica’ estupros por PMs
Secretário de Eduardo Campos deixa o cargo após ‘justificar’ estupros por PMs
REYNALDO TUROLLO JR.
DO RECIFE
O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, deixou o cargo nesta quinta-feira (19), após repercussão negativa de entrevista ao “Jornal do Commercio”, do Recife.
Entrevistado pelo jornal sobre denúncias de abusos sexuais praticados por policiais, o secretário, que soma 30 anos de carreira nas polícias Civil e Federal, disse que “desvio de conduta tem em todo lugar” e que “mulher gosta de farda”.
“Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia… né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?”, afirmou o secretário ao jornal.
Em outro momento da entrevista, o secretário diz que “mulher gosta de farda”.
“Elas às vezes até se acham porque estão com policial. O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda. Todo policial militar mais antigo tem duas famílias, tem uma amante, duas. É um negócio. Eu sou policial federal, feio para c…, a gente ia para Floresta [cidade do sertão] para esses lugares. Quando chegávamos lá, colocávamos o colete, as meninas ficavam tudo sassaricadas. Às vezes tinham namorado, às vezes eram mulheres casadas. Para ela é o máximo tá [sic] dando para um policial. Dentro da viatura, então, o fetiche vai lá em cima, é coisa de doido”, disse.
A repórter, sem citar casos concretos, perguntara ao secretário se há na ouvidoria da Policia Militar do Estado apuração de queixas contra supostos abusos sexuais por parte de policiais.
As declarações motivaram repúdio de entidades da sociedade civil e da oposição.
O OmbudsPE, observatório da mídia do Centro de Cultura Luiz Freire, em Olinda, publicou nota de entidades de direitos humanos e movimentos sociais criticando o secretário, pedindo sua saída e chamando as declarações de machistas e homofóbicas. “O machismo institucional impregnado nas palavras do secretário é o mesmo que está presente na atuação da polícia. Assim, é conivente e legitima estupros, espancamentos e abusos cometidos por policiais nas noites do Recife”, diz o texto.
Líder da oposição, o deputado estadual Daniel Coelho (PSDB) classificou a entrevista como “quase inacreditável” e cobrou um pedido de desculpas. “Uma pérola de puro besteirol e desrespeito’, disse.
Em nota em que anunciou a saída do governo, Damázio disse que as declarações não representam seu “pensamento nem visão do mundo”. Disse que falou “em tom de brincadeira de conversações informais”, durante intervalos da entrevista, e reconhece o uso de termos “inapropriados e inadequados”.
No começo da noite, o governo de Pernambuco informou que o governador Eduardo Campos (PSB) aceitou o pedido de demissão e designou o secretário-executivo da pasta, Alessandro Carvalho, para responder pela secretaria.
LEIA ABAIXO COMUNICADO DO EX-SECRETÁRIO:
Eu, Wilson Damázio, secretário de Defesa Social, com relação às declarações a mim atribuídas em reportagem do caderno Cidades do Jornal do Commercio de hoje, dirijo-me à sociedade pernambucana para declarar que as mesmas não constituem meu pensamento nem minha visão do mundo, razão pela qual repilo os termos e peço desculpas a todos aqueles que porventura tenham se sentido ofendidos.
Esclareço ainda que a entrevista que embasou a reportagem foi interrompida em vários momentos, como a própria autora relata, permitindo o desenvolvimento, nesses intervalos, de conversações informais, em tom de brincadeira e termos que, reconheço, foram inapropriados e inadequados.
Reafirmo, por fim, que se as palavras, como é fato, não representam minhas ideias nem minha história de vida, muito menos ainda, podem ser confundidas com as políticas desenvolvidas pelo governo do Estado que vem revolucionando a segurança pública no Brasil com transparências, práticas cidadãs além de total e absoluta intolerância com qualquer conduta contrária aos direitos humanos, à liberdade de expressão e à proteção dos direitos individuais da pessoa humana.
Para proteger o governo e o seu legado, informo que já coloquei o cargo à disposição do governador Eduardo Campos.
Recife, 19 de dezembro de 2013
Wilson Damázio
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/12/1388136-secretario-de-eduardo-campos-deixa-o-cargo-apos-justificar-estupros-por-pms.shtml
macedo
21 de dezembro de 2013 5:52 pmPouca competição prejudica oferta de banda larga
http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?from_info_index=41&infoid=35666&sid=8
Pouca competição prejudica oferta de banda larga, diz Ipea
:: Luís Osvaldo Grossmann
:: Convergência Digital :: 18/12/2013
Mais até do que a própria renda, é a falta de competição no setor de telecomunicações brasileiro que melhor explica a baixa penetração dos acessos em banda larga fixa. Números divulgados nesta quarta-feira, 18/12, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada são alarmantes: apesar de avanços, a desigualdade e a concentração estão aumentando, não caindo.
(Link para o estudo do Ipea: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/radar/131218_radar30.pdf )
“Não temos uma política de compartilhamento de infraestrutura, dessa forma quem detém o meio físico determina a oferta. Nosso modelo de serviços é de monopólio, com basicamente duas grandes empresas, uma em São Paulo, outra nos demais estados”, resume João Maria de Oliveira, do Ipea.
Ao se debruçar sobre dados da Anatel e do IBGE, Oliveira sustenta ser o ambiente de mercado o fator decisivo na penetração dos acessos à Internet no país – baixa mesmo nos grandes centros. Em média, apenas 10 de cada 100 brasileiros tem efetivamente acesso à banda larga fixa.
Sem surpresas, as grandes cidades do Sudeste puxam o resultado, visto que nelas essa média é o dobro, de 20,6 acessos por 100, ou 18,9 nos municípios com mais de 500 mil habitantes do Sul. O técnico do Ipea pontua, porém, que o porte das cidades não explica tudo. Cidades semelhantes no Nordeste e no Norte têm densidade muito inferior, de 7,5 e 5,3 por 100, respectivamente.
“Grandes municípios do Sudeste têm densidade de acesso três vezes maior que seus similares no Nordeste, e quatro vezes maior em relação ao Norte”, diz Oliveira. É no centro-sul que se concentram as cidades que fazem parte dos 5% de municípios onde há competição, demonstra.
O estudo sobre determinantes da demanda de banda larga mostra que a concentração parece até ficar maior. “No ano de 2010, em 87,7% dos municípios brasileiros o mercado pode ser considerado como concentrado; em 2012, essa porcentagem aumentou, para 95%”, descreve Oliveira. Parte do aumento se deve à chegada de ofertas onde antes não havia, mas com um único prestador.
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Outro artigo que aborda como a baixa competição afeta a penetração de banda larga no Brasil.
“Análise de possíveis determinantes da penetração do serviço de acesso à internet em Banda Larga nos municípios brasileiros”.
Revista Economia e Sociedade, Ago/2013
http://www.scielo.br/pdf/ecos/v22n2/a07v22n2.pdf
Tenente Aldo Raine
21 de dezembro de 2013 7:33 pmDa Série Para Desanuviar o
Da Série Para Desanuviar o Ambiente.Luis,fui com um amigo resolver um problema no centro de São Paulo.Entramos no elevador do edifício e marcamos nosso andar.Dentro do elevador já estava um senhor de meia idade e meio calvo.O amigo me indaga?Rapaz,você viu esta história do Helicóptero do Pó,de propriedade de um senador,de um seu filho deputado, cai abarrotado de cocaína,a mídia fica na moita,para esconder o troço.E o tremsalao tucano,quantos milhões foram desviados dos cofres públicos de São Paulo,falam em bilhões,retruco eu.Desde do Governo Covas,quem diria hem,devolve ele.E a mídia,só na de ninguém sabe ninguém viu,comenta ele.Onde está a Folha,O Estadao,A Globo, e a Veja,em resumo cade a nossa mídia ,onde esta pergunto eu?O elevador para,a porta se abre,e o senhor calvo de meia idade sai,olha para mim e o meu amigo,aponta para o bolso da calça,e diz esta aqui oh,e se afasta com um sorrisinho sacana.Olhei para meu amigo meio sem entender e só então percebemos que aquele FDP era DANIEL DANTAS.
Tamára Baranov
21 de dezembro de 2013 7:45 pmDe nazismo a fascismo
A extrema-direita cresce em vários países, a começar pelo Aurora Dourada na Grécia. Hoje o FN de Marine Le Pen é o maior partido da França
Por Gianni Carta
Da Carta Capital
Apoiadores do partido Aurora Dourada protestam em Atenas contra a acusação a membros do partido de crime organizado, em 2 de outubro
Nikos Michaloliakos, o líder do partido grego Aurora Dourada, aguarda julgamento atrás das grades. Se provados elos diretos do deputado extremista com a morte do músico Pavlos Fyssas a 18 de setembro em Atenas, o sombrio matemático de 56 anos e mais uma caterva de colegas passarão anos atrás das grades.
Enquanto isso, na quinta-feira 10 a capa do semanário francês Le Nouvel Observateur estampou a foto de Marine Le Pen, líder da legenda de extrema-direita Frente Nacional (FN), com outra espantosa notícia: segundo uma sondagem do Ifop para o semanário, 24% dos franceses votarão na FN nas eleições europeias, em maio de 2014. Portanto, a FN terá mais votos do que as duas maiores legendas francesas, o Partido Socialista e a conservadora União por um Movimento Popular (UMP). Marine Le Pen poderá se tornar a líder do maior partido da França. Nesse caso seria previsível uma nova eleição presidencial semelhante àquela de 21 de abril de 2002, quando o pai de Le Pen, Jean-Marie, disputou o segundo turno contra o conservador Jacques Chirac. Detalhe: Marine Le Pen terá mais chances de levar a melhor nas próximas presidenciais.
No fim de setembro, a coalizão centrista austríaca, formada pelo Partido Social-Democrata (SPO) e o Partido Conservador do Povo (OVP), venceu com seu pior resultado desde a Segunda Guerra Mundial. Motivo: perdeu votos para a extrema-direta, o Partido da Liberdade (FPO). Com 21,4% dos votos, o FPO de Heinz-Christian Strache, de 44 anos, fez campanha contra imigrantes, a islamização da Áustria, e resgates econômicos para países como a Grécia. O OVP obteve 23,8%, ante 27,1% para o SPO, e considera – pasmem – uma coalizão com a extrema-direita
Na Hungria o partido neonazista Jobbik é antissemita e trava ferrenha luta para expulsar do país os roma, ou ciganos, como alguns ainda preferem ser chamados. Os roma também são perseguidos por grupos de skinheads neonazistas na República Tcheca. No fim de agosto, 62 skinheads armados com tacos de beisebol, facões e canivetes prestes a confrontar ciganos foram detidos na cidade de Ostrava. Em uníssono, gritavam: “Ciganos devem ir para as câmaras de gás”.
Há quem diga que não é somente a crise econômica a provocar reações racistas e xenófobas. “É também uma questão de identidade nacional”, pondera em um café parisiense Antoine Vitkine, autor de Mein Kampf: A história do livro (Nova Fronteira, R$ 48,90). O documentarista Vitkine cita os países nórdicos, onde a crise econômica é menos rigorosa que na Grécia, e mesmo assim movimentos de neonazistas e de extrema-direita ali não escasseiam. “São países, outrora social-democratas, que por conta da globalização estão em plena mutação.”
Um exemplo é o Partido para a Liberdade (PVV), de Geert Wilders, a terceira legenda no pleito de 2010 na Holanda. Wilders propõe o banimento da burca e do Alcorão, que ele compara ao Mein Kampf (1925), manifesto de Hitler. Assim como o PVV holandês, outras agremiações extremistas nórdicas, como o Partido do Progresso na Noruega, o Partido dos Verdadeiros Finlandeses e o Partido Dinamarquês do Povo concordam que seus países têm de se livrar da União Europeia, de imigrantes, dos roma, e cessar a islamização do Velho Continente.
É importante evitar confusões entre partidos claramente neonazistas e aqueles de extrema-direita. Se a Aurora Dourada é neonazista, a Frente Nacional é um partido de extrema-direita, embora tenha abrandado certas posições e, portanto, se tornado mais perigosa, sob a direção de Marine Le Pen. A nova líder não prega mais o antissemitismo. Flerta com a direita e vice-versa. Durante as manifestações contra o casamento gay na França autoridades da direita dita civilizada marcharam em protestos ao lado de Le Pen e seus simpatizantes.
Assim como todas as legendas de extrema-direita, e mesmo à esquerda, Marine se irrita quando chamam a FN de extremista. Alain Delon, adepto da Frente Nacional, em uma entrevista para o diário suíço Le Matin, declarou: “Após anos e anos, pai e filha lutam, mas agora não lutam sós, pela primeira vez, eles não estão sós. Eles têm os franceses ao seu lado. Isso é importante”. Quem vota pela Frente Nacional? Idosos, um em dois operários, e eleitores do presidente socialista François Hollande, segundo a pesquisa do semanário Nouvel Observateur.
Delon e outros seguidores da FN e outras legendas de extrema-direita padecem da nostalgia de um passado por vezes imaginário. Essas agremiações entendem que o povo foi traído pelas elites e pela União Europeia. Nesse contexto, como nas formações neonazistas, existe sempre a valoração étnica de um povo e de tradições (reais ou inventadas) que precisam ser defendidas. Os inimigos? Os imigrantes, como sempre, os roma e aqueles “que islamizam o país”. Nessa perspectiva, a diferença entre partidos de extrema-direita e neonazistas diminui, sem contar o fato de os neonazistas estarem sempre em busca de relíquias como uniformes e armas nazistas, e em antiquários o Mein Kampf (quem quer realmente ler o livro pode obtê-lo de graça em formatos PDF na internet ou e-book na Amazon).
Discursos de líderes de extrema-direita e de neonazistas são parecidos, e podem influenciar audiências. A Noruega, nesse sentido, é um caso clamoroso. Anders Breivik, que em 2011 massacrou 76 conterrâneos por ser contra o multiculturalismo e a islamização de seu país, era filiado ao Partido do Progresso da xenófoba Siv Jensen, a Marine Le Pen norueguesa, que parece estar em vias de forjar uma aliança com o Partido da Direita de Erna Solberg, atualmente no poder.
A extrema-direita diz fazer parte do processo democrático. No entanto, o Aurora Dourada (Chryssi Avgui), na Grécia, crê através de seus hooligans na ação direta ou no extermínio de pessoas.
Antes de assassinar Fyssas com duas tacadas, seis estrangeiros foram mortos, outros desapareceram e 300 pessoas foram agredidas. A inspiração nazista é escancarada. Além da saudação nazista, os simpatizantes colecionam fotografias de Hitler e muitos, obviamente, encaram o Mein Kampf como livro sagrado.
Em uma reportagem publicada em dezembro de 2012, CartaCapital flagrou integrantes da organização, todos vestidos de preto, cabeça raspada, braçadeiras com o símbolo do partido. Entrevistava um cidadão em Agios Pantelemonas, bairro de Atenas onde se encontra a sede principal do partido, quando dois volumosos indivíduos chegaram-se com ares de tempestade e pediram o caderno de anotações deste repórter. Aceitaram o compromisso de verem rasgadas as folhas da conversa. Em outros lugares, vi exigirem documentos a estrangeiros de pele escura. Incrível que essa legenda xenófoba tenha recebido 7% dos votos em junho de 2001 e conte com 18 deputados no Parlamento. Segundo Vitkine, isso se deve em parte à tese pela qual os filiados da legenda são amigos do povo, cuidam até de lhe oferecer comida, além da proteção. “Isso não passa de pura demagogia”, diz Vitkine.
Por que levou tanto tempo para o governo atuar contra esses fascistas? Segundo o analista político Stan Draenos, o premier Antonis Samaras “não apoiou com devidas ações as denúncias frequentes contra o Aurora Dourada”. No entanto, “partiu para uma série de repressões agressivas e agora há indícios de uma série de novos fatores a cercar o crime”. Refere-se ao assassinato de Fyssas. Autor de uma recente biografia de Andreas Papandreou, Draenos sentencia: foi um crime de motivação política, Fyssas era um rapper antifascista conhecido.
Motta Araujo
21 de dezembro de 2013 7:58 pmOS SUECOS E O BRASIL – A
OS SUECOS E O BRASIL – A JOHNSON LINE – Uma das melhores linhas de navegação da Europa para o Brasil, forte nas decadas de 50 e 60, com excelentes navios cargueiros e navios mistos, a viagem de passageiros por navios mixtos é
um maravilha para quem curte sossego e descanso. A Johnson Line pertencia ao Grupo Axel Johnson, fundado no Seculo XIX, é até hoje o 2º Grupo empresarial sueco, após o Wallengerg, que controla a SAAB Aviões, o Grupo Axel Johnson é privado, propriedade hoje de Antonia Johnson, descendente do fundador.
Pouca gente sabe que o grupo Axel Johnson propos contruir um metrô em São Paulo na decada de 60, sob o regime de concessão, não deram atenção à proposta e com isso São Paulo perdeu 15 anos de uma serviço que poderia ser hoje muito maior. A subsidiaria brasileira, Comercial E.Johnson era uma trading importante e agencia de navegação.
A Linha Johnson ainda existe hoje mas não pertence mais ao Grupo, deixou saudades com seus lindos navios.
https://www.google.com.br/search?q=johnson+line&client=firefox-a&hs=0zT&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=np&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=Se61UpStC5KgkQei7ICgCw&ved=0CDAQsAQ&biw=600&bih=347
Os suecos tem empresas emblematicas no Brasil como a ALFA LAVAL cujas ordenhadeiras são a base da produção leiteira no Brasil, a ATLAS COPCO, fundamental fabricantes de compressores, a SKF, principal fornecedora de rolamentos do Pais, a TETRA PAK, embalagem de papelão aluminizado que é a mais usada para sucos e leite, a
UDDELHOLM, aços especiais, a SCANIA VABIS, rainha das estradas, a VOLVO, de carros luxuosos, a HUSQVARNA de serras eletricas, a ELECTROLUX, de aparelhos domesticos, já fabricava geladeiras no tempo dos vendedores de gelo em carrocinhas, a barra de gelo ficava dentro da geladeira, a ERICSSON, de telecomunicações, a ASEA, hoje ABB, produtora de equipamentos eletricos, é incrivel como um Pais de pouca população produz tantos produtos de alta tecnologia e qualidade.
Pouca gente tambem dá importancia a umfato altamente simbolico, a fuura Rainha da Suecia, Princesa Victoria, tem sangue brasileiro e fisicamente parece muito mais brasileira que sueca, o destino a fez parecer alguem daqui, a Princesa tem muitos parentes no Brasil, uma ligação que marcará as duas nações por muito tempo.
Motta Araujo
21 de dezembro de 2013 11:08 pmhttp://www.hola.com/biografia
http://www.hola.com/biografias/victoria-de-suecia/galeria/13/
Princesa Vitoria da Suecia, a morena do Artico
macedo
21 de dezembro de 2013 9:33 pmFerrovia Norte-Sul: Fotos
FERROVIA NORTE-SUL- fotos
Fonte: Blog Amantes da Ferrovia
http://www.amantesdaferrovia.com.br/profiles/blogs/ferrovia-norte-sul-fotos
FERROVIA NORTE-SUL- fotos
Postado por Edson Lanznaster em 15 dezembro 2013 às 20:44
O trecho entre os municípios de Ouro Verde, no Estado de Goiás, e Estrela d´Oeste, no Estado de São Paulo, com 680 km de extensão, está em fase de construção. Quando estiver em operação, permitirá a interligação com o sistema ferroviário que dá acesso aos portos da região Sudeste e a efetiva integração das regiões Norte e Nordeste.
Fonte http://www.constran.com.br/contratodetalhes.php?idcontrato=62#prettyPhoto
http://www.valec.gov.br/FerroviasFNSOuroVerde.php
Notívago
21 de dezembro de 2013 10:04 pmConhecendo melhor o Aécio Neves
CONHECENDO MELHOR O AÉCIO NEVES
http://www.novojornal.com/minas/noticia/o-abraco-de-afogados-quem-conhece-sabe-que-e-o-inicio-do-fim-20-12-2013.html
O abraço de afogados: quem conhece sabe que é o início do fim
Aécio e Andréa Neves sobreviveram protegidos pelo silêncio da mídia mineira. Ao tentarem alçar vôo nacional, sendo observados pela mídia digital a máscara caiu
Por Marco Aurélio Carone
No passado, os veículos da imprensa nacional mantinham ativas e independentes sucursais nos diversos Estados do País. Minas não era exceção. Houve um tempo em que os funcionários destas sucursais na capital mineira, somados, suplantavam o número de funcionários trabalhando nos veículos da imprensa local.
Como exemplo, basta citarmos as sucursais: do “Estado de São Paulo”, “Folha de São Paulo”, “Última Hora”, “Jornal do Brasil”, “O Globo”. O que ocorria em Minas Gerais era rapidamente repassado. É evidente que naquela época, como agora, os Poderes econômico e político interferiam nas publicações das matérias. Mas, por meio de relatos e conversas informais entre os jornalistas das sucursais mineiras com seus colegas de outros estados, transmitia-se com fidelidade o que aqui estava acontecendo.
Com a crise batendo na porta destes veículos, e diante do “acordo” celebrado com o Governo de Minas − quando se instituiu o FEE mensal, valor pago aos veículos para publicação de releases − estas sucursais foram sendo extintas, permanecendo algumas poucas com reduzido número de jornalistas, com a adoção da pré-aprovação das pautas a serem cumpridas por seus jornalistas.
Desta forma, a imprensa nacional ficou refém, pois, tem que utilizar como informação o que a imprensa local publica, sendo induzida ao erro. Como é de amplo conhecimento, essa imprensa local, vivendo uma enorme crise financeira, viu-se obrigada a subordinar-se a vontade do maior e praticamente exclusivo anunciante, o Governo de Minas.
Até 1991, no segundo governo de Hélio Garcia, esta relação era sutil, embora irregular e sem maiores imposições. Porém, na mesma porta que entrou Washington Mello para exercer o cargo de assessor de imprensa, entrou junto o modelo que vigora hoje. É evidente que, diante do que vem ocorrendo a partir de 2003, o esquema de Mello pode ser considerado “juvenil”.
Com a posse de Aécio em 2003, implantou-se um modelo draconiano, por meio de negociação das verbas de publicidades, pertencentes ao Governo. As verbas das autarquias e empresas públicas foram concentradas em uma secretaria, sendo administradas e direcionadas para os veículos segundo a vontade de Andréa Neves.
O critério para o recebimento desta verba passou a ser o de total submissão editorial ao Governo de Minas. A esta degradada relação houveram resistências, assim como e em idêntico número as vítimas, mas ela se manteve protegida pelas montanhas de Minas. O comportamento e costume de Aécio, de seus auxiliares e de seu governo passaram a ser assunto proibido na imprensa regional. Dar espaço e voz à aqueles que pensavam diferente do Governo, passou a ser crime.
Denúncias não eram toleradas, os veículos que as ousassem fazer eram punidos severamente com a perda da propaganda oficial e demissão do profissional que as fizera, além da perseguição pelos órgãos de repreensão do governo que, para surpresa de todos, eram capitaneados por integrantes do MPMG − participantes da ala do ex-procurador Jarbas Soares e sucessores.
O Novojornal vem destoando desta realidade desde 2006, pois além de seu mínimo custo, foi criado e mantido através da venda de patrimônio pessoal de seu diretor responsável. Esse, por ter dirigido diversos veículos da mídia, inclusive dois jornais diários na capital, planejara o retorno do investimento em 10 anos, prazo normal para o setor.
Com a lógica de que os veículos da imprensa só sobreviveriam se recebessem verba de publicidade do governo, Andréa Neves não aceitava que o Novojornal sobrevivesse. Através de uma “parceria” com Jarbas Soares, o então procurador Geral do Ministério Público, tentou em 2008 fechar e desmoralizar o portal jornalístico, não obtendo sucesso.
Vieram dezenas de processos, o que igualmente, não surtiu qualquer efeito, pois, continuávamos a noticiar. Passou-se então, a perseguir nossos colaboradores e funcionários, além de ameaçar e constranger nossos anunciantes. Desesperados, passaram a utilizar a máquina policial no intuito de intimidar e tentar obter acesso às nossas fontes de informação. Por último, utilizando-se de um promotor que “disposto a tudo”, como demonstra seu passado, acusou o diretor responsável do Novojornal de ser relações públicas de uma quadrilha de falsários.
O motivo: o Novojornal deu voz ao denunciante do esquema criminoso, denominado “Lista de Furnas”, montado para abastecer financeiramente a campanha do atual senador, Aécio Neves ao governo de Minas. O documento foi periciado e atestado como autêntico pela Polícia Federal.
Para a grande maioria dos amigos e familiares tratava-se de uma luta inglória, pois o poder que Aécio e seu grupo conseguiram no País e no exterior era gigantesco. Impossível de ser confrontado.
Devo admitir que por diversas vezes me perguntei se valia a pena. As ofertas milionárias e a cobrança de familiares e amigos defendendo a busca de um acordo para levar vantagem, obrigaram-me a afastar dos mesmos. Agora, anos depois, leio entrevista do próprio assessor de marketing de Aécio afirmando ser impossível sua pretensão de ser candidato a presidência, diante do que foi noticiado pelo Novojornal.
A mídia nacional vem diariamente recorrendo ao trabalho do Novojornal para fundamentar suas pautas e noticiar sobre o Aécio Neves que ninguém conhecia. Os documentos que comprovam as matérias são solicitados e fornecidos. Desesperada, Andréa busca ajuda do “Gangster da Imprensa” Leonardo Attuch, para plantar uma matéria na revista “IstoÉ” com a finalidade de denegrir a imagem do portal e de seu diretor responsável.
Mais uma vez deu errado. “IstoÉ” esqueceu-se que fora ela o primeiro veÍculo a noticiar que a “ Lista de Furnas” era verdadeira.O que provocou, além de enorme insatisfação e discussão na redação, a internação de um de seus melhores jornalistas.
O questionamento da mídia independente quanto aos motivos que levaram a revista a praticar tal absurdo, acabaram por trazer à tona um esquema montado por Aécio Neves junto a Editora Três, dona da publicação.
Descobriu-se que, assim como em relação ao livro “Privataria Tucana”, existia a digital de Aécio nos ataques que a “IstoÉ” vem fazendo ao PSDB paulista. Desmoralizado, ele é hoje conhecido nacionalmente como um garoto mimado, despreparado e teleguiado por sua irmã, que cuida até de suas constantes internações por dependência química. Aécio busca o Poder por capricho e vaidade, visando atender os seus interesses financeiros, de seus familiares e patrocinadores.
Sem falsa modéstia, entendemos que dentro de nossas limitações, contribuímos para que a população tenha conhecimento de quem é Aécio Neves e sua irmã Andréa, assim como, o que ocorreu em Minas Gerais neste período sombrio.
Nosso diretor responsável, quando questionado pelo já falecido pai dos irmãos Neves, Aécio Cunha, sobre os motivos das críticas do Novojornal ao comportamento de sua filha a quem ele considerava um gênio, respondeu:
Ela o criou, o escravizou e vai matá-lo.
MiriamL
21 de dezembro de 2013 11:44 pmPalavras cruzadas
Palavras cruzadas completam 100 anos hoje
Em um domingo, 21 de dezembro de 1913, o jornal “New York World” publicou as “quebra-cabeças de palavras cruzadas”
Hieróglifos indecifráveis para uns, um fascinante desafio mental para outros ou apenas entretenimento, as palavras cruzadas completam 100 anos neste sábado (21/12) como um passatempo universal que requer domínio da linguagem, rapidez mental e conhecimento da atualidade. Em um domingo, 21 de dezembro de 1913, o jornal “New York World” publicou as primeiras palavras cruzadas, chamadas então “quebra-cabeças de palavras cruzadas”, obra do jornalista Arthur Wynne, nascido em Liverpool (Reino Unido) e que vivia nos Estados Unidos.
Reprodução Crosswordcaze

Chamadas em inglês de “crosswords”, palavras cruzada são sucesso mundial
Em formato de diamante, tinha 31 definições além de uma palavra já escrita: “Fun” (Diversão), e esta instrução: “preencha os pequenos quadrados com palavras que se encaixam nas seguintes definições”. Embora no final do século XIX já houvesse em vários países europeus algumas tentativas muito incipientes que não tiveram continuidade, a invenção de Wynne reunia todas as características das palavras cruzadas modernas.
O jogo teve sucesso imediato e começou a aparecer constantemente na seção de passatempos da edição dominical do jornal. Outras publicações copiaram a ideia, e em poucos anos as palavras cruzadas ganharam o mundo, gerando com o tempo novas variantes e modalidades.
Em 1924, Richard Simon e Lincoln Schuster editaram o primeiro caderno exclusivamente com palavras cruzadas, depois que a tia de Richard, fã do jogo, perguntou ao sobrinho se não existia algum que pudesse dar a uma amiga. Ao perceber que havia um mercado, Simon e seu amigo partiram para a aventura editorial, e o sucesso da dupla foi tão grande que a pequena companhia que criaram acabou se tornando a gigante editora Simon & Schuster.
A chegada da internet e a crise da imprensa escrita fizeram alguns pensarem que as palavras cruzadas poderiam estar caminhando para o fim. No entanto, alguns jornais disponibilizam o passatempo pela internet e já existem aplicativos para celulares que permitem resolver o enigma sem necessidade de papel.
Provavelmente as palavras cruzadas mais famosas do mundo são as do “New York Times”, e o responsável pela seção, Will Shortz, é uma figura reverenciada entre os milhões de praticantes nos Estados Unidos, onde se organizam em grandes torneios.
O “NYT” organiza as palavras cruzadas durante a semana com níveis de dificuldade: as segundas-feiras são mais fáceis, e a partir daí a coisa se complica progressivamente até as muito difíceis das sextas-feiras e dos sábados, enquanto as dos domingos são publicadas as de complexidade média. Segundo os especialistas, um dos segredos para conseguir uma boa palavra cruzada é, além de fazer com que as palavras se encaixem, elaborar boas definições, que tenham um nível adequado de dificuldade e acrescentem um pouco de humor ou algum tipo de participação que intrigue os neurônios.
O que uma pessoa deve ter para resolver uma palavra cruzada? Além de um bom conhecimento da língua, um interesse em assuntos atuais e ter boas referências culturais. O campeão do torneio mais importante dos Estados Unidos é Daniel Feyer, vencedor das últimas quatro edições e uma autêntica lenda entre os adeptos das disputas na área.
Feyer realizou há algumas semanas uma demonstração na sede do “New York Times”, onde resolveu uma das palavras cruzadas mais complexas em 5 minutos e 29 segundos. Em dias normais, o campeão treina resolvendo dez palavras cruzadas simples em dez minutos.
Segundo Feyer, para ser um campeão é preciso ter uma mente capaz de reconhecer as palavras antes de ler a definição, reconhecer com poucas letras, algo que segundo ele faz com que músicos, especialistas em computação e matemáticos ganhem com frequência os torneios.
As palavras cruzadas percorreram um longo caminho em seus 100 primeiros anos, mas seu inventor, Arthur Wynne, não conseguiu se beneficiar de sua ideia.
Segundo sua filha Catherine explicou à emissora “CBS”, o inventor das palavras cruzadas perguntou ao chefe, percebendo o sucesso inicial, se valia à pena patenteá-lo.
O editor respondeu que se tratava de “uma moda passageira” e recomendou que Wynne não gastasse o dinheiro na patente, segundo lembra sua filha, e por isso “papai nunca viu um centavo”, desabafou.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/33098/palavras+cruzadas+completam+100+anos+hoje.shtml
braga - sc
21 de dezembro de 2013 11:54 pmhelena chagas – não seria melhor mandar ela andar.
esta propaganda da BMW vale por 3 anos de helena chagas. concorda?
O Brasil é um BMW.
Nova fábrica BMW em Araquari, SC.
Nasce hoje, para um Brasil maior amanhã.
Ultimamente, parece que está na moda questionar a capacidade do Brasil.
A capacidade do País de realizar, de crescer, de ser grande, de ser o país que todo mundo espera e precisa.
Permitam-nos discordar inteiramente dessa percepção. Para nós, o Brasil é um BMW.
Poucos países no mundo cresceram como este.
Cresceram em riqueza, cresceram em possibilidades, em autoafirmação e em plena liberdade.
O Brasil passou de mero espectador a vibrante realizador. Deixou de ser aquele sujeito que ficava à beira da estrada, só assistindo aos carros passarem, para virar motor do seu próprio destino.
Este país é único. Pensa novo. É original de fábrica na sua natureza, na sua língua, no seu povo.
Nenhum país hoje no mundo pode escolher um caminho que não passe pelo Brasil. Nada mais natural do que a BMW estar aqui.
Se alguns duvidam do Brasil, nós investimos 200 milhões de euros.
Se ficam com o pé atrás, nós pisamos no acelerador: vamos gerar mais de 3.500 empregos diretos e indiretos, numa fábrica com capacidade para produzir 32 mil carros por ano: BMW Série 1, Série 3, BMW X1, X3 e MINI Countryman.
Esta fábrica que hoje nasce em Araquari. Que vai incorporar o mesmo modelo de produção, excelência e controle de qualidade com que a BMW produz na Alemanha, trazendo mais know-how e tecnologia a este grande país.
A BMW acredita tanto no Brasil que este será um dos poucos países do mundo a poder fabricar os carros da marca. Um privilégio de pouquíssimos. Aliás, permitam-nos hoje também o privilégio de nos sentir um pouco brasileiros.
O Brasil não se compara a nenhum outro.
Seu estilo não tem igual no mundo. E breve, muito breve, ele vai estar ultrapassando, deixando para trás, falando sozinhos os que há pouco duvidavam da sua capacidade.
O Brasil é um BMW.
Por isso a gente já está se sentindo em casa.
Carioca
22 de dezembro de 2013 1:29 amDa série: EM ANO ELEITORAL
Da série: EM ANO ELEITORAL CRIA-SE A DIFICULDADE PARA SE VENDER A FACILIDADE
Previdência de 10 milhões de servidores tem déficit bilionário
Má gestão e fraudes deixam aposentadorias ameaçadasRombo de R$ 78 bilhões compromete a situação financeira de uma dezena de estados e 186 cidades
Milhares de servidores públicos estaduais e municipais estão com suas aposentadorias ameaçadas pela insolvência dos institutos de previdência aos quais se associaram. Segundo o governo, existem duas mil entidades administrando a poupança de dez milhões de funcionários em todo o país que devem fechar as contas deste ano com um déficit somado de R$ 78 bilhões.
Esse buraco financeiro no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) foi cavado por má gestão, principalmente com o desvio de recursos para pagar despesas e financiar investimentos governamentais. O rombo já compromete a situação financeira de uma dezena de estados e 186 municípios — eles agora travam uma batalha judicial com o Ministério da Previdência para continuar a receber recursos da União e ter acesso ao crédito em bancos públicos.
“Os problemas já estão começando a acontecer”, disse Leonardo José Rolim Guimarães, secretário Nacional de Políticas de Previdência Social, em depoimento no Senado na semana passada. “Acreditamos que isso possa ter um impacto muito grande para o país, num futuro muito breve. Talvez, com consequências similares ou maiores do que tivemos na década de 90 com a crise da dívida dos Estados, quando a União teve que socorrer vários que estavam às portas da quebradeira.” Otoni Gonçalves Guimarães, diretor do Departamento dos Regimes de Previdência no Serviço Público, completou: “Não dá mais para se falar em tolerância com regimes sem perspectiva de sustentabilidade no longo prazo e também com gestão sem qualificação técnica e profissional”.
Pelas contas do ministério será necessário aumentar impostos para cobrir um déficit atuarial estimado em R$ 3,5 trilhões em 75 anos, o que levou a senadora Katia Abreu (PMDB-TO) a pedir a abertura de uma investigação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Comprovaram-se fraudes de R$ 2 bilhões cometidas por governantes e gestores de 117 institutos. Na maioria dos casos, eles estão envolvidos com empresas financeiras que, oito anos atrás, foram flagradas na lavagem de dinheiro para políticos beneficiados no caso Mensalão — de acordo com documentos da Justiça Federal, do Banco Central, do Tribunal de Contas da União e dos Ministérios da Fazenda e da Previdência.
Negócios com títulos “podres”
O dinheiro da seguridade social dos servidores foi aplicado em fundos privados compostos por títulos sem valor real no mercado, emitidos por empresas e bancos sem rentabilidade, falidos, em recuperação judicial ou em liquidação extrajudicial. Governantes e gestores recebiam comissões de 3% sobre o valor da operação para ordenar a compra de papéis indicados por “consultorias”. Pagava-se até o dobro do valor de face dos títulos “podres”, com prazo de carência de quatro anos para resgate. O dinheiro entrava nas contas de uma rede especializada em lavagem no eixo Brasília-Rio-São Paulo, com sucessivos saques em espécie.
Foi assim que a caixa de previdência dos servidores do Estado de Tocantins, Ingeprev, se tornou proprietária de 40% das ações de um grupo de churrascarias. O Previqueimados, de Queimados (RJ), virou cotista de uma empresa de limpeza. E a prefeitura de Angra dos Reis (RJ) investiu R$ 6 milhões em um fundo composto por títulos do Banco BVA, liquidado em outubro do ano passado.
As perdas acontecem em ritmo acelerado. Na sexta-feira 31 de agosto do ano passado, por exemplo, 23 institutos de previdência estadual e municipal possuíam R$ 335,6 milhões aplicados em um mesmo fundo de renda fixa (Elo). Em dois meses os papéis comprados perderam R$ 51 milhões em valor. Ou seja, o patrimônio financeiro desses institutos foi dilapidado nas oito semanas seguintes na velocidade de R$ 850 mil por dia — média de R$ 34,5 mil por hora, ou R$ 590 por minuto.
Essa engenharia financeira levou o Ingeprev, de Tocantins, a investir R$ 270 milhões e perder R$ 70 milhões entre agosto e outubro do ano passado. O fundo mantido pelo governo de Roraima aplicou R$ 126,5 milhões e ficou com prejuízo de R$ 33,3 milhões. Foram significativas, também, as perdas dos institutos de previdência de Manaus (AM), Campinas (SP), Goiania (GO), Teresina (PI), Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Serra (ES), que investiram a soma de R$ 472 milhões em títulos “podres”, sobretudo do Banco BVA, liquidado 60 dias depois. Parte das aplicações foi engedrada pela Invista Investimentos Inteligentes, do grupo empresarial controlado por Fayed Antoine Traboulsi.
Traboulsi foi personagem do inquérito do Mensalão, na lavagem de dinheiro transferido de fundos de pensão de empresas estatais para parlamentares aliados ao governo Lula. Ele integrava uma rede especializada em “operações financeiras atípicas”, na definição do Banco Central, em cooperação com corretores como Lúcio Bolonha Funaro e José Carlos Batista. Sócios da Garanhuns Empreendimentos, eles foram condenados por lavar parte do dinheiro do Mensalão destinado a parlamentares do então Partido Liberal (PL), atual Partido da República (PR), mas suas penas foram suspensas porque colaboraram nas investigações.
A CPI dos Correios responsabilizou duas dezenas de empresas financeiras por transferências de dinheiro do caixa de seis fundos de pensão estatais (Refer, Portus, Real Grandeza, Centros Nucleos e Sistel) para os bolsos de parlamentares aliados ao governo. Entre as corretoras estavam a Euro, a Royster e a Cingular, de Funaro e Batista.
Modelos no papel de corretoras
Essas empresas agora foram flagradas na lavagem de lucros das “operações atípicas” realizadas com institutos de previdência estaduais e municipais. Há outras também investigadas no caso Mensalão, como Diferencial, Quantia, Brasil Central e Stockolos Avendis.
Em alguns casos, atuaram em cooperação com o grupo Traboulsi, que usava modelos como negociadoras. Foram flagradas na lavagem de lucros dos negócios realizados com institutos de previdência estaduais e municipais: “Não se intimidaram com a exposição de seus nomes e técnicas de atuação, sendo novamente identificados na presente investigação, desta feita sangrando os cofres dos RPPS (Regimes Próprios de Previdência dos Servidores)”, escreveu o juiz Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ao justificar em agosto passado as primeiras ordens de prisão.
Dias atrás, técnicos do Ministério da Previdência e do Tribunal de Contas da União se reuniram para avaliar a dimensão da insolvência da previdência dos servidores. O tribunal documentou a escassez de informações confiáveis, inclusive de órgãos federais.
Se as contas espelhassem a realidade contábil, afirma o tribunal em relatório sobre o Balanço Patrimonial da União de 2012, “haveria grande impacto no patrimônio líquido (da União), que deixaria uma situação positiva de R$ 761 bilhões (em 31/12/2012), para apresentar um passivo a descoberto de R$ 345 bilhões”.
(http://oglobo.globo.com/pais/previdencia-de-10-milhoes-de-servidores-tem-deficit-bilionario-11134522#ixzz2oA6q3wgx )
ulisses tavares
22 de dezembro de 2013 4:39 pmA MORA E A ETICA DO PSDB
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A MORA E A ETICA DO PSDB
a moral e a etica do psdb nao esta baseada em sua militancia e SIM DO MINISTERIO PUBLICO, com devida publicidade DA IMPRENSA, vide mario covas,,,,