Acho que o GGN se sustenta visando Ibope ( regularização só na mídia dos outros): pra uma parte do público que é franja da franja de um subpetismo, de uma subesquerda, caricaturas (não confundir com petismo, nem com esquerdas). Creio, quero creer, que o GGN foi originalmente criado pra manter, satisfazer, animar, uma categoria de pessoas, algumas, de senso crítico; outras, de suposto senso crítico e gente que gosta de notícia, ggn; e tentar domesticar um infantil esquerdismo que se autoilude e ilude ( esquerdismo infantil é expressão de Lênin )
OITAVA (E ÚLTIMA) SELETIVA PARA A FINAL DO KING OF THE KINGS – 2015
Esperei até o último momento, pois já teve ano que os coleguinhas arrumaram uma cascata braba em 27 de dezembro, mas eis que chegamos à última seletiva para as concorrentes à maior cascata de 2015, mas adiantei a publicação em um dia por ter que viajar logo mais. Com a edição da Lei 13.188, da do Direito de Resposta, ocorreu um fenômeno nada surpreendente: o número cascatas caiu drasticamente. Ainda, assim cinco estão aqui, mas antes, vamos recordar as regras, que, dessa vez, se reduz a apenas duas:
1. Você pode votar em até três (3) concorrentes.
2. A votação termina no domingo que vem (03/01/2016), ao meio-dia.
Assim, caros e caras, vamos às últimas pré-candidatas ao King of the Kings!
Oitava seletiva para o King of Kings – 2015Globo confunde Merval com FHCBill Gates processa a Petrobras (Vários)Barriga de Lauro Jardim provoca admissão de erro do Globo na primeira páginaFolha republica barriga da Veja sobre filho de LulaMerval prevê “caminho livre para golpe” e STF, SQNVoteView ResultsPolldaddy.com
A intolerância é a imbecilidade à procura de uma multidão. É o espetáculo da estupidez com entrada franca, mas todos pagam caro ao final, quando as portas são fechadas, uma após outra.
A intolerância é o ofício de trucidar inocentes. Por isso o ódio é um requisito – veneno trazido em embalagem de remédio. O ódio justifica culpar, perseguir, condenar e executar pessoas que não merecem ser tratadas como pessoas, nem mesmo como adversários, e sim como inimigos.
A intolerância é uma seita cultuada e inculta. Com ideias em falta, os xingamentos sobram. A narrativa dos intolerantes não é a de contar histórias, mas a de encontrar culpados. O discurso dos intolerantes não é a conversa e a argumentação, é a ofensa.
Os intolerantes não são burros. Quem dera fossem. Burros são criaturas simpáticas, pacíficas, úteis, laboriosas, respeitadoras. Sequer fazem asneiras, ao contrário do que se lhes atribui. Burros relincham, mas não gritam nem ofendem. Burros cometem erros, mas, nunca, injustiças.
A intolerância é um Mar Morto salgado até trincar. É um monumento granítico impermeável ao bom senso. É a corrupção da alma – por isso, a corrupção é seu assunto predileto.
A intolerância é obscena, pois desconfia que tudo é uma vergonha. A perseguição seletiva apresenta-se como seu principal espetáculo, protagonizado por heróis da repressão.
Os intolerantes fazem sucesso e são notícia, quando não são eles próprios âncoras de programas ou donos dos meios de comunicação – assim se faz da intolerância um modelo de comportamento e um mercado lucrativo.
A intolerância precisa de Estado – do Estado de exceção, do estado de indigência do espírito humano, do estado de mal-estar social.
A intolerância é a inversão de valores básicos, como o respeito ao outro, ao diferente, a ponto de o poeta Goethe nos alertar do risco de quando tolerar é que se torna injurioso. Ser diferente é tido como ameaça coletiva.
Quando se completa a banalização do mal, é sinal de que a intolerância alcançou seu ápice enquanto instrumento de manipulação na luta pelo poder.
A intolerância é um prato de pus oferecido como iguaria. Alguns apreciam. Outros engolem a contragosto. Os que a recusam com coragem e altivez fazem a humanidade ser mais digna desse nome.
A ORDEM NO CAOS – A CONTA MOVIMENTO DO BANCO DO BRASIL – Não há nada pior na organização do Estado do que copiar regras, normas e mecanismos de um Pais para implanatar em outro com historia, população e estrutura politica completamente diferente e que já contava com sólidas instituições proprias de gestão e organização. A pretexto de uma falsa “modernidade”, mera impulsão de copiar o que parece estar mais na moda, joga-se fora um modelo bom porque é antigo e se importam modelos estrangeiros porque parece que com isso o Pais dá um saldo de eficiencia, o que é falso.
Um dos maiores erros da “turma do Real” foi trazer para o Brasil copias mal feitas de procedimentos usados nos EUA para organização de suas finanças domesticas, orçamento e Banco Central.
A reunião do Comité Federal do Mercado Aberto, o COPOM americano, é a cada 45 dias. Aqui copiaram os 45 dias para ficar igualzinho. Copias mal feitas de leis de lavagem de dinheiro, anti corrupção e de outras regras são implantes que ajudam a desorganizar a economia brasileira. É uma vontade maldita de copiar tudo em cima de um organismo que nada tem a ver com as instituições, a historia ou com a praxis administrativa dos EUA, boa para eles mas nem sempre boa para os outros, como comproaram os desastres das “primaveras” onde se tentou implantar modelos americanos no Oriente Medio.
Uma ação politica que precedeu o Plano Real liquidou com um mecanismo extremamente bem adaptado à logica da economia brasileira na operação do caixa do Governo Federal, a chamada “”conta movimento do banco do Brasil”.
O orçamento de um pais, o “budget”, para macaquear os americanos, é uma declaração de intenções para a ALOCAÇÃO de gastos no ano fiscal seguinte MAS não significa o desembolso desses gastos no tempo. Designa-se uma verba de 100 milhões para um hospital para o ano 2016, consta então do orçamento como um gasto futuro. Todavia e acontece quase sempre, o gasto é espaçado no tempo e ao chegar ao fim de 2016 apenas 20 milhões podem ter sido DESEMBOLSADOS por conta dessa verba que no entanto consta pelo seu total no orçamento.
A gestão dos DESEMBOLSOS se dá em um tempo diferente da gestão das alocações orçamentarias.
A ” conta movimento do Banco do Brasil” era um mecanismo de “cash management” que as grandes empresas fazem como coisa modernissima e pagam consultores para montar isso, é um modelo de centralização de caixa.
Nesse modelo uma grande empresa com 300 lojas CENTRALIZA ao fim do dia todo o caixa de cada loja em uma só conta central e dessa conta saem todos os pagamentos de despesas das 300 lojas. Esse mecanismo visa APROVEITAR AO MAXIMO o caixa espalhado pelo Pais e que se não fosse concentrado ficaria ocioso em algumas lojas enquanto em outras haveria falta de dinheiro para despesas.
Hoje o Governo centralizou tudo na Secretaria do Tesouro Nacional e inves de centralizar o caixa prefere separa-lo em “gavetas”, “fundos” e mesmo tendo dinheiro ocioso emite divida publica que cresce todos os meses para cobrir falta de dinheiro quando no ativo há caixas espalhados que tem dinheiro parado.
Outro mega desvio é o Banco Central pagar remuneração Selic nos depositos compulsorios dos bancos, sendo que Pais algum paga juros sobre compulsorios. Porque o nosso BC paga rjuros sobre um deposito que é obrigatorio? se É OBRIGATORIO NÃO PRECISA PREMIAR QUEM CUMPRE A OBRIGAÇÃO, esses juros não vem do mercado, vem dos juros pagos pelo Tesouro Nacional pelos quais os bancos não precisam fazer qualquer esforço.
Ora, a liquidez empoçada nos bancos, que hoje estão arredios a credito e tem excesso de liquidez, podem financiar o Tesouro mas não é preciso pagar tantos juros se eles NÃO TEM OUTRA APLICAÇÃO QUE NÃO SEJA TITULOS DO TEOSURO, então porque não fazer um LEILÃO REVERSO todos os dias, o Tesouro vende titulos a quem oferecer receber juros menores, porque pagar uma SELIC altissima de cara, sem competição? Se o Banco não aplica em Titulos do Tesouro ele não tem onde aplicar os depositos, vão render zero no caixa, 7% ao aono é melhor que zero.
O Tesouro está pagando juros A MAIS aos Bancos, não precisa pagar tanto, uma TAXA FXA DE PISO é uma aberração.
Todo o caixa do Governo, dinheiro de arrecadação que entra todo dia e dinheiro que sai para pagar contas deve sair de uma conta central gerida pelo Banco do Brasil, COMO ERA desde o Imperio até quando o Ministro Mailson fechou essa conta no Governo Sarney e ainda se glorificou com esse feito. A PARTIR DAI COMEÇOU A AUMENTAR A DIVIDA PUBLICA FEDERAL, que era baixissima.
Se houvessa a conta movimento do BB não teriam existido as chamadas “pedaladas fiscais”. No modelo antigo da conta havia um CONTRATO entre o Tesouro e o Banco do Brasil onde se estipulavam os limites de operação da conta e a remuneração do Banco. Esse modelo que parece tão antigo é no entanto o ” Estado da Arte” em administração de caixa hoje, as consultorias cobram regios honorarios para montar esse sistema em grandes empresas.
O fim da conta movimento significou a esclada do aumento da divida publica federal que não para de crescer, trocamos a conta por uma divida de 2,7 trilhões de Reais para alegria dos bancos.
São temas que merecem ser discutidos quando se discute tantas filigranas pequenas sobre o Orçamento Federal.
País sabe que escraviza, mas não a gravidade do problema, diz pe
LEONARDO SAKAMOTO
Apesar de a sociedade brasileira ter consciência de que trabalho escravo ainda existe no país, uma parcela considerável das pessoas não sabe quais são suas características. E, pior, considera formas mais leves de exploração do trabalho como escravidão – o que dificulta o combate a esse crime.
Essa é uma das descobertas de uma pesquisa inédita realizada no país pela área de Public Affairs da Ipsos, um dos maiores e mais importantes institutos de pesquisa do mundo, para a Repórter Brasil com o objetivo de entender como a população brasileira vê a questão da escravidão contemporânea.
A pesquisa baseou-se em 1200 entrevistas pessoais e domiciliares em 72 municípios de todo o país e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Os resultados da pesquisa estão sendo divulgados logo após mais uma tentativa da bancada ruralista no Congresso Nacional de alterar a legislação para alterar o conceito de trabalho escravo contemporâneo, reduzindo as situações em que esse crime pode ser configurado. Por conta da pressão da sociedade civil, o debate sobre essa mudança acabou sendo transferido para 2016.
A justificativa de um grupo de parlamentares e de proprietários rurais é de que há um exagero na quantidade de condições que configuram escravidão. Contudo, a pesquisa mostra o contrário: a população enxerga trabalho escravo em mais situações do que as apontadas em lei.
De acordo com a legislação brasileira em vigor, são elementos que determinam trabalho análogo ao de escravo: condições degradantes de trabalho (incompatíveis com a dignidade humana, caracterizadas pela violação de direitos fundamentais coloquem em risco a saúde e a vida do trabalhador), jornada exaustiva (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta a danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço através de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas) e servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele).
Carvoaria em Minas Gerais. Foto: João Roberto Ripper
Com base nos dados coletados, a pesquisa Ipsos/Repórter Brasil aponta que o trabalho de informação a respeito da escravidão contemporânea precisa avançar junto aos mais jovens e mais velhos e às pessoas mais vulneráveis a esse tipo de situação – notadamente os de baixa renda e com menor grau de instrução.
Além disso, falta deixar mais claro à sociedade a gravidade do que é trabalho escravo, mostrando que ele não se confunde com o desrespeito de alguns direitos trabalhistas, remuneração baixa ou horas extras não pagas. E, por fim, é necessário reforçar a gravidade do trabalho escravo urbano, cuja incidência de resgates de trabalhadores vem crescendo nos últimos anos.
Foram três perguntas feitas à população no âmbito da pesquisa Ipsos/Repórter Brasil.
1) Em sua opinião ainda existe trabalho escravo no Brasil?
A esta pergunta, 70% dos entrevistados responderam que sim, 17% que não, 12% não sabiam e 1% não responderam. Veja o gráfico 1:
Os mais velhos, com 60 anos ou mais (61% acha que ainda existe trabalho escravo), e os mais jovens, entre 16 e 24 anos (65%), são os que demonstraram menor conhecimento sobre a existência do problema.
Ao mesmo tempo, pessoas sem instrução ou com apenas o ensino fundamental (66%) apresentaram nível de conhecimento menor que o de quem possui diploma de ensino médio ou superior (74%). Outro recorte é o da renda familiar mensal. Quem ganha entre cinco e dez salários mínimos sabe da persistência de trabalho escravo (79%) do que quem ganha até dois salários mínimos (69%). Em outras palavras, os grupos mais vulneráveis social e economicamente são exatamente aqueles que menos acreditam na existência de escravidão.
2) Em sua opinião, o que seria trabalho escravo nos dias de hoje?
A pergunta coletou respostas espontâneas, ou seja, sem que fossem dadas opções para o entrevistado escolher. Depois, as respostas foram agrupadas para poderem ser analisadas. Veja o gráfico 2:
Do total, 27% afirmaram não saber o que é trabalho escravo. Novamente, a quantidade é maior entre grupos mais vulneráveis: pessoas das classes D e E (31% afirmam não saber), em comparação com as classes A e B (20%). Pessoas que vivem na região Norte (40%), foco histórico de casos de escravidão, e sem instrução (41%). Jovens entre 16 e 24 (32%) e pessoas com mais de 60 (38%).
Paradoxalmente, dos 17% que afirmaram na questão anterior que esse problema não mais existiria, 60% disseram não saber o que é trabalho escravo.
A primeira resposta espontânea (Remuneração abaixo do considerado justo ou do piso da categoria), citada por 24% dos entrevistados, não configura trabalho análogo ao de escravo de acordo com a legislação. Esta resposta, junto a outras, como as que dizem respeito ao descumprimento de regras previdenciárias, mostram que a população entende como trabalho escravo algo mais amplo do que o previsto em lei.
Nesta resposta espontânea, os quatro elementos que configuram trabalho escravo contemporâneo, de acordo com a legislação, aparecem desta forma: servidão por dívida (19%), condições degradantes de trabalho (8%), trabalho forçado (7%) e jornada exaustiva (1%). Devido ao desconhecimento de alguns elementos como escravidão, pode-se deduzir que parte desse crime passa despercebido inclusive pelos próprios trabalhadores envolvidos.
3) Quanto você concorda que estas frases se referem a situações de trabalho escravo? (em % de concorda totalmente)
Por fim, foram apresentadas opções para o entrevistado de situações que configuram trabalho escravo de acordo com a legislação brasileira e situações que estão no imaginário popular como trabalho escravo, sendo ele instruído a escolher. Veja o gráfico 3:
As quatro opções mais escolhidas foram exatamente aquelas que representam os elementos que caracterizam o trabalho escravo, mostrando que, na resposta estimulada, os entrevistados sabem identificar a gravidade desse crime.
Trabalho forçado aparece com 76%, seguido de servidão por dívida (74%), condições degradantes (72%) e jornada exaustiva (69%). Ao mesmo tempo, o pagamento de altos impostos para o governo aparece com 58% ou trabalhar sem carteira assinada com 57%, indicando que há um trabalho importante a ser realizado para aumentar o entendimento a respeito da gravidade do que seja escravidão contemporânea.
As implicações do exclusivo colonial portugues são conhecidas à tempo.
Sergio Buarque de Holanda ((o pai do Chico!) já nos falava disso a mais de meio século!
Mas interessante foi a reação na ex-metrópole à fala de Lula.
Tenho comigo que apesar de toda a crítica, Portugal administrou bem seu legado. Lembre-se que foi o último grande império colonial, sobrevivendo ao fim das dominações britânicas, francesa , neerlandesa e belga. Salvo engano , Macau, 1999, foi seu último bastião. E em todas ex-colonias , um de seus principais legados, senão o maior, é a lingua, devidamente suavizada pelas particularidades locais, como visto com maestria em Casa-Grande & Senzala , o livro do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre publicado em 1933 a entre outras singularidades locais.
Os sonhos de de. João VI de uma monarquia dual (como a Austro-Hungára), foi sepultado pelos interesses particulares de ambos os lados do Atlantico. Mas a burocracia impregnada na máquina estatal lusa ajudou a salvaguardar a unidade territorial e de identidade do Brasil.
Ah, em tempo, a História não admite se!
Ou como jocosamente um amigo luso meu diria, se minha avó fosse homem e tivesse bigodes, seria meu avô seria!
Do Publico.pt
O legado colonial de Portugal no Brasil: entre a culpa e a redenção?
Diogo Ramada Curto
27/12/2015 – 09:02
As declarações de Lula da Silva sobre o atraso no ensino brasileiro e a ligação deste com o legado colonial português fizeram tocar tambores nacionalistas deste lado do Atlântico, mas Lula não andou longe da razão histórica.
As declarações de Lula inscrevem-se nas suas políticas de combate à desigualdade UESLEI MARCELINO/REUTERS
Numa conferência organizada pelo jornal El País, a 11 de Dezembro, em Madrid, Lula da Silva afirmou: “Eu sei que isto não agrada aos portugueses, mas Cristóvão Colombo chegou a Santo Domingo [actual República Dominicana] em 1492 e, em 1507, já ali tinha sido criada a Universidade. No Peru, em 1550, na Bolívia em 1624. No Brasil, a primeira universidade surgiu apenas em 1922”.
Em Portugal, a afirmação do ex-presidente do Brasil transformou-se num pequeno facto político. Tocaram-se os tambores e ergueram-se as bandeiras do nacionalismo. No mesmo dia da conferência, o Observador intitulou a notícia, feita com base num comunicado da Agência Lusa: “Brasileiro burro? A culpa é do Álvares Cabral, diz Lula”. Enquanto o Diário de Notícias formulou a questão em termos ainda mais retóricos: “De quem é a culpa pelos atrasos na educação? É dos portugueses, diz Lula”.
A 17 de Dezembro, o deputado europeu e colunista do Jornal de Notícias Nuno Melo reagiu, fazendo prova dos seus conhecimentos, adquiridos na Wikipédia. Com uma nota de condescendente desprezo por Lula da Silva, considerou que este discorrera “sobre temas que implicam estudo, com a facilidade com que trautearia um forró”. É que, se cada um é para o que nasce, como diz o povo, Lula deveria limitar-se ao forró, para que outros pudessem brilhar com a sua sabedoria “wikipédiana”… E foi, com o método do “copy and paste”, que Nuno Melo corrigiu: “As bases do Ensino Superior brasileiro foram lançadas bem antes de 1922. Em 1792, foi criada a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, embrionária da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E em 1808 foi criada a Faculdade de Medicina da Baía.”
À acusação de Lula de que os portugueses teriam contribuído para o atraso cultural do Brasil, Nuno Melo contrapôs, ainda, que toda a obra de colonização do Brasil fora feita pelos portugueses, que ali souberam criar a unidade e suscitar o desenvolvimento. Nas suas palavras: “Acontece que se o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto do planeta, deve-o a Portugal que lhe deu nascença, administrou e fez Reino, circunstância sem paralelo na colonização espanhola.” E, acrescentou, com base em velhos e infundados ressentimentos anti-britânicos, fingindo conhecer o sentido da historiografia e da obra de Charles Boxer: “A historiografia assinala o notável desenvolvimento do Brasil até 1822, ano da independência. A realidade não muda porque Lula da Silva gostasse de ver o país pejado de ascendência anglo-saxónica. Sendo que a simples leitura do Império marítimo português, de Charles Boxer, britânico sem resquícios de lusitanidade, o ajudará a perceber muita coisa.
Todas estas reacções nacionalistas não são de estranhar. Elas inserem-se num processo constante de manipulação do passado, criador de mitos para consumo político e de uma memória colectiva com conotações ideológicas claras, que nada tem que ver com a investigação histórica. Por isso, é enorme o risco de se tomar como certa uma memória histórica eivada de mitos e de leituras ideológicas, desprezando a riqueza de perspectivas históricas que a investigação histórica nos oferece.
De igual modo, há alguns meses, o Reitor da Universidade de Coimbra, numa entrevista ao PÚBLICO (20/07/2015), argumentou que a unidade do Brasil era obra da sua própria instituição. Em tempos coloniais, anteriores a 1822, cerca de 5000 estudantes oriundos daquela colónia americana formaram-se na Universidade situada nas margens do Mondego. Por isso, foram os Estudos Gerais que criaram a unidade entre os que fizeram a independência desse grande país. À argumentação do Magnífico Reitor não faltou o elemento comparativo, pois de forma diferente procedera a vizinha Espanha, quando, ao autorizar a criação de universidades desde os seus tempos coloniais, criara as condições para uma maior fragmentação dos países. No Peru, Bolívia, Venezuela e noutras futuras nações da América Espanhola formaram-se cerca de 170 mil estudantes, correspondendo às antigas universidades do tempo dos vice-reis. Em conclusão, sempre segundo o Reitor, a Universidade de Coimbra unificou o que a política espanhola dos vice-reis dividiu.
Que o Reitor queira atrair os estudantes brasileiros a virem estudar para o Mondego, parece-me um objectivo legítimo. Mas que o pretenda fazer com base numa deturpação do que se passou, jogando com o peso da história da sua própria instituição, que teria servido de berço à unidade brasileira, já me soa a uma atoarda, e das grandes!
Só acabando com a manipulação dos factos do passado se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros
Nos argumentos comemorativistas do Reitor, encontra-se um espécie de redenção ou de salvação da Universidade de Coimbra, tanto quanto as interpretações da conferência de Lula apontariam para o sentido da culpa a atribuir ao legado colonial que os portugueses deixaram no Brasil. Discordo de ambos os juízos. O historiador, tal como o jornalista, não se pode afunilar entre os valores da culpa e da redenção, cedendo a uma moral simplificadora, espartilhada pelos valores de um senso comum capaz de banalizar a interpretação e a compreensão dos factos. À investigação histórica e jornalística competirá, sempre, estabelecer os factos com base em provas e demonstrações, o que implica um conjunto de operações que, insisto, não podem dissociadas da sua interpretação e compreensão.
Começando pela própria notícia tal como surgiu no El País e foi, muito correctamente, transmitida pela Agência Lusa, será possível reconstruir melhor o sentido da afirmação de Lula, percebendo melhor o seu contexto e a intenção do seu autor. O objectivo da argumentação de Lula não parece ter sido tanto o de criticar os portugueses, mas o de se demarcar das “elites brasileiras”, insinuando que estas se limitavam à reprodução social das lógicas da desigualdade herdadas dos tempos coloniais. Na força da sua generalização, não me parece que tal interpretação possa ser considerada errada. Pelo contrário, inscreve-se nas políticas de Lula destinadas a combater as desigualdades ou, pelo menos, a acabar com a pobreza. Pois, conforme noticiou a Lusa, em contraste com o sucedido nos últimos 100 anos, foi durante o seu governo (2003-2011) que triplicou o orçamento da Educação, tendo-se assistido à criação de 18 novas universidades federais, 173 novos campus no interior do Brasil e três vezes mais escolas técnicas do que nos últimos 100 anos.
Em relação ao que se passou em tempos anteriores a 1822, quanto à não existência de ensino universitário no Brasil colonial, importaria voltar às análises de Sérgio Buarque de Holanda. De facto, em Raízes do Brasil (1936), o maior historiador brasileiro do século XX considerou que a cultura brasileira anterior ao século XVIII tinha sido determinada por políticas que proibiram a instalação de tipografias e a criação de universidades, ao contrário do sucedido na América Espanhola, nomeadamente no México e Peru. Assim, o mercado do livro e a frequência dos mais altos níveis de ensino fizeram com que a colónia ficasse submetida à metrópole. Acrescente-se que a ausência de um tribunal da Inquisição próprio, instalado no Brasil, reproduziu a mesma falta de autonomia da colónia, ou seja, a dependência em relação ao reino.
O argumento revisionista do Reitor, tal como o de outros movidos por orgulhos nacionalistas, recorreu, pois, a velhas ideias acerca do Brasil colonial, mas investiu-as de uma conotação diferente. Onde Buarque de Holanda vira a hegemonia da metrópole na criação de uma colónia sem autonomia, o Reitor passou a considerar uma herança colonial positiva, digna de ser celebrada, porque dotada de uma força emancipadora e capaz de criar a unidade que o Brasil necessitou para se constituir numa nação independente.
Ora, é este tipo de revisionismo historiográfico que me assusta, por três diferentes razões. Primeiro, porque faz parte de um modo de manipulação pública do passado feito ao sabor das comemorações e de lógicas nacionalistas, por parte de quem tem responsabilidades políticas na formação de uma opinião pública e capacidade de decisão. Ora, os historiadores brasileiros, de Caio Prado a Maria Odila Leite da Silva Dias e a Luiz Felipe de Alencastro, têm procurado demonstrar que importa desvincular o estudo do processo de formação da nacionalidade brasileira, nas primeiras décadas do século XIX, da imagem tradicional da colónia em luta contra a metrópole. A instalação da corte no Rio de Janeiro em 1808 e os interesses das elites escravocratas é que foram preponderantes no processo de independência do Brasil. A este respeito, Lula não andou assim tão longe da razão histórica ao apontar o dedo às elites brtasileiras.
A segunda razão prende-se com a comparação entre heranças coloniais. O argumento segundo o qual uma política de proibição de universidades nas colónias criava formas de identidade mais unificadas foi particularmente utilizado nos círculos oficiais do Estado Novo. Os estudantes provenientes das colónias, não dispondo de universidades nos seus territórios de origem (também chamados províncias) eram obrigados a vir estudar para a metrópole com o objectivo oficial de aqui adquirirem uma visão unitária do Império (ou de um Mundo Português que se pretendia multicultural). Pouco importa que esta política de estrangulamento do ensino universitário, a bem da unidade, tivesse desencadeado reivindicações por parte das colónias, no sentido da criação de universidades naqueles territórios, e suscitado por parte dos estudantes coloniais movimentos de revolta, alguns deles organizados em torno da Casa dos Estudantes do Império e suas respectivas delegações. O certo é que o que estava em causa nessa mesma política colonial eram os mecanismos de controlo das populações, incluindo dos seus estratos mais jovens e letrados, sobretudo quando se tratava de grupos com um potencial de resistência ao Estado colonial.
Por último, no século XXI, a defesa de comunidades imaginadas à escala nacional, investidas de sentimentos patrióticos de emancipação, e de instituições com uma memória de séculos, não poderá continuar a ser feita com base em mitos e em operações de manipulação do passado. Mais: estou em crer que existe uma intenção cada vez maior, por parte das instituições, destinada a desenvolver políticas de investigação, a pretexto da comemoração de instituições e do denominado passado nacional. Em Portugal, por exemplo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Instituto Diplomático, deu o exemplo claro de uma nova atitude ao lançar programas de pesquisa relacionados com a história da escravatura. Será, agora, também necessário que se aprofundem os conhecimentos em Portugal sobre a história do Brasil, procedendo-se à sua divulgação. Só assim se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros, acabando com as ideias míticas que vivem da manipulação dos factos do passado.
Historiador, Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa
Jessé de Souza, ” A Tolice Da Inteligência Brasileira – Ou Como O País se Deixa Manipular Pela Elite “.
na livraria, tava folheando (além de entrevistas e programas que já vimos, o BRASILIANAS, com esse que é o novo presidente do IPEA): Não sobra pedra sobre pedra, do PSDB, PT, de S.B. de Hollanda, G. Freyre, R. Da Matta, Faoro. Jessé analisa a visão que norteia as cabeças pensantes mais conhecidas e as decorrências nas prática políticas.
Se eu fundir a cabeça (mais do que já tá) e desaparecer, já sabem.
E não adianta insistir pra eu voltar, nem mesmo pro multimídia do dia, e nem por abaixo-assinado
– Para combater a síndrome da grande mídia, diagnosticada e denunciada pelo brilhante jornalista Sidney Resende, que lhe custou o emprego de 18 anos na Globo:”Chega de notícias ruins”
Economia
Conab: produção agrícola brasileira cresceu 8,2% em 2015. Por falar em ministério da Agricultura, gostei muito da ministra Kátia molha o Serra Abreu!
Vendas na internet aumentam 26% no período de Natal;
Estadão, 27/12/15: Brasil vende casas e carros para a Alemanha;
Saúde
Mais Médicos recebe nota 9 de usuários, diz pesquisa (Carta Capital, 04/08/15)
Em dois anos, cubanos ganham preferência a médicos brasileiros (Uol, 11/08/15)
Mídia
– E a notícia que a TV brasileira não vai dar, pois vale também para o Brasil, crianças e adultos:
Site R7 de 26/12/15: De acordo com a pesquisa, nos EUA, pela Miner & Co Studios, empresa especializada em reposicionamento de marca e desenvolvimento de novos produtos. a TV não é a primeira tela de escolha para crianças que têm acesso a tablets e smartphones. Mais da metade (57%) dos pais entrevistados disseram que seus filhos agora preferem assistir a vídeos em um dispositivo portátil, em vez de ver na TV. Os dispositivos móveis são tão populares entre as crianças que quase metade dos 800 pais questionados na pesquisa relataram que confiscam tablets e celulares como punição de castigo para as crianças. Antes, os pais proibiam de ver televisão! Entre os entrevistados, 41% dos pais disseram que seus filhos olham celulares e tablets até enquanto lancham.
Argentina
– “Macri nomeia por decreto dois juízes para Corte Suprema de Justiça da Argentina” Opera Mundi de 15/12/15. A Corte é composta de 5 juízes! Macri ainda tem a desfaçatez de chamar de anti democrata o presidente da Venezuela! Imagine se Nicolás Maduro ou Dilma fizesse isso?
– Ainda a Argentina: Macri retira Senado TV do ar; medida viola convênio com Parlatino e afeta 23 países. Opera Mundi – 26/12/2015 – “Isto joga fora anos de trabalho e esforços que foram feitos desde o Parlatino para democratizar o acesso aos meios e a população às sessões do Parlamento, portanto, lesiona o direito à informação oportuna e verdadeira dos povos da América Larina e do Caribe”, destacou ex-presidente do órgão, Carolus Wimmer.
Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2015
OAB/RJ 75 300
End.: Praia do Flamengo nº 100, apto. 905, CEP 22210-030;
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
Quando estive em Mariana pela primeira vez após a tragédia do rompimento da barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e a australiana BHP Billiton, presenciei a desolação de gente que havia perdido tudo pelo mar de lama que arrastou e destruiu o que havia pela frente. Eu estava a cerca de 60km de Bento Rodrigues e não fazia ideia, na ocasião, das perdas do povo de lá. Mortos e desaparecidos eram um fato cada vez mais crescente: os números eram sempre corrigidos. O que me incomodava, além das perdas noticiadas, era exatamente isso: eram números e não nomes.
Embora listagens haviam sido publicadas em alguns veículos, a impressão que eu tinha é que a importância dada às pessoas que morreram ou estavam – algumas ainda estão – desaparecidas era menor que os bens materiais. Algo que constatei quando resolvi, por conta própria, dar nomes e rostos a “alguns números”.
A cada pessoa que eu ligava ou abordava pessoalmente procurando informações sobre o paradeiro dos familiares dessas vítimas, a conversa sempre acabava com a frase: “mas aqui tem um monte de gente que perdeu tudo que tinha, mas morte não tem não.”
Quando um amigo, que viajou comigo para Mariana, ligou para o Secretário Adjunto de Defesa Social da cidade, João Paulo Felipe, para perguntar sobre o paradeiro dos familiares e, também, sobre as vítimas, a resposta: números. Ele também disse que talvez a Defesa Civil poderia nos ajudar a conseguir o que procurávamos. Mas não foi preciso, fui direto aos hotéis e ali, a solidariedade dos moradores de Bento Rodrigues citava nomes.
Com um bom tempo de coversa por ali, descobri o paradeiro dos parentes da Emanuelly Vitória, de apenas 5 anos, que amava ir a escola e assistir “O rei Leão”. Do Ailton Martins dos Santos, 55 anos, eternizado nas lembranças do filho como um grande pai. Da Maria Eliza Lucas, 60 anos, uma senhora guerreira que enfrentou diversas doenças na vida e que, segundo o filho, “estava vivendo os melhores dias da saúde dela”. E do Daniel Altamiro de Carvalho, 53 anos, um pai e esposo dedicado, que fazia de tudo pra cuidar da família.
Pelas ruas de Mariana, Bento Rodrigues
Na rua do Hotel Providência, onde grande parte dos moradores afetados pela tragédia estão hospedados, se vê a comunidade de Bento Rodrigues. Em frente ao local as conversas são cheias de emoções e lembranças de tudo que se foi.
Enquanto uma mãe explica para o filho que seus brinquedos foram levados pela lama, um homem lamenta: “de bem material eu não perdi nada, morava na parte alta de Bento. Mas perdi minha vida, meu passado”, explica, dando importância à sua história.
Do outro lado da rua, um senhor com seu rádio de baixo do braço escutava alto a canção “O homem de Nazaré”, do Chitãozinho e Xororó. “Ele modificou o mundo inteiro… Ele revolucionou o mundo inteiro…”, tocava a música, dando esperança ao coração do velho cheio de fé. Próximo a ele, um grupo de jovens conversava sobre um torneio que futebol que ia acontecer em Mariana, e o time de Bento iria jogar: “é bom, pelo menos alivia as ideias”, disse um deles, com a expectativa de se livrar, pelo menos por algumas horas, das lembranças.
Tentando existir no meio do caos
Wanderley, filho de Maria Eliza Lucas.
Maria Eliza lutou contra a obesidade, diabetes e trombose, venceu. Emagreceu, deixou a insulina e aguardava pela cirurgia plástica para retirar as peles excedentes. Cuidou da saúde e aproveitava a velhice para fazer o que mais gostava: pescar.
Era o que ela estava fazendo quando foi arrastada pela lama. Do local em que ela estava não restou nada. Os tanques, os peixes, a casa, tudo se foi lama abaixo, “tá tudo liso”, conta o filho, Wanderley Lucas, 38 anos.
O grande dilema na história de Maria e do seu filho, que ainda a aguarda, é que ela não estava entre os números. Ela morava em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, portanto, não estava na lista de moradores de Bento Rodrigues, muito menos na lista de trabalhadores da Samarco. Fora do contexto do caos seu nome não podia ser inserido entre os desaparecidos. Ali, Maria não podia existir.
Foram mais de 30h, segundo Wanderley, para conseguir fazer a ocorrência. Mais de 30h para provar que sua mãe havia sido “tragada pela lama” que levava tudo o que estava pela frente (e continua levando) sem nenhuma piedade. Mais de 30h para afirmar o que ele jamais gostaria de dizer: “minha mãe desapareceu!”.
“Eu tive uma dificuldade enorme para registrar o desaparecimento dela, mesmo tendo relatos de pessoas que viu ela sendo tragada e levada pela lama”, conta. Somente no dia 7 de novembro, pela manhã, 2 dias após a tragédia, Maria passou a fazer parte da lista de desaparecidos, depois do filho ir à Defesa Civil, Samarco, Policia Militar e, cansado, à mídia.
O que resta para Wanderley, além de esperar, são as lembranças. Nelas, Maria se eterniza. “As oportunidades de fazer o que ela mais gostava juntos foi maravilhoso. São lembranças que jamais serão apagadas da memória”.
Cinco anos de história
Wanderley Isabel, 24 anos, fugia com os filhos Emanuele e Nicolas, 3 anos, mas foi atingido pela lama que quebrou suas duas pernas. No golpe, a filha escorregou de seus braços. A menina foi encontrada a cerca de 70 km do local onde foram atingidos. Ele não pôde participar do enterro, estava sendo operado num hospital em Santa Bárbara, a 76 km de Mariana. E ainda estava internado no dia em que conversei com sua esposa, Pâmella Raiane, 21 anos.
A mãe estava na escola na hora em que tudo aconteceu, deu tempo de correr, e do alto de Bento Rodrigues, ela assistia a tragédia, em desespero. “Eu queria ir lá pra ver como eles tava, mas os professores não deixavam, diziam que eu ia morrer. Me restou esperar”, conta.
Pâmella tinha 15 anos quando engravidou e precisou parar de estudar. Antes da tragédia, mãe e filha caminhavam rumo à realização de um sonho: ambas se formariam este ano. Emanuele iria para a primeira série e a mãe completaria o nono ano. “Mas, aconteceu…”, lamenta.
A lama levou a jovem mãe a uma condição sem nome. Da noite para o dia ela se encontrou num vácuo onde não existe uma nomenclatura que classifique seu atual estado. Como diz Márcia Noleto, fundadora do Instituto Mães Sem Nome: “… quando se perde um filho, não há nome no dicionário para qualificar esse seu novo status quo”.
Em sua nova condição, a mãe sem nome segue tentando se reinventar. Tateando os dias com muito cuidado para entender o que a vida lhe reserva. E neste caminho, sua bagagem é feita de lembranças:
Pai de família
Daniel era funcionário de uma empresa terceirizada da Samarco, trabalhava na barragem no dia em que ela se rompeu. Foram dias a fio sem notícias, sem ao menos uma pista de onde ele poderia estar. Situação difícil para a família, uma vez que ele nunca deixou de avisar seu paradeiro mesmo que fosse atrasar pouco tempo do combinado.
Sua esposa, Tânia Penna Carvalho, 48 anos, se lembra do esposo cuidadoso, emocionada. Daniel esteve ao lado dela durante todo o seu recente tratamento contra o câncer, “ele sempre me ajudou e acompanhou”, conta. Além disso, era um bom pai, dedicado, “ele sempre pensou no futuro das meninas”.
O bom pai foi encontrado antes do fechamento da reportagem. Seu velório e enterro foram dia 28 de novembro, o que tirou Tânia da aflição diária de imaginar que “no momento em que ele mais precisava dela, ela não podia estar lá”. Seu desespero era tanto que, se pudesse, “cavava a lama com as próprias mãos”.
Ailton foi outro pai que se foi. Sua história na tragédia se difere da de Daniel apenas pelo fato de que ainda não foi encontrado. As lembranças no coração do filho, Emerson dos Santos, 30 anos, falam do grande pai que ele foi:
Mobilização
As famílias encontraram reforço junto ao Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, um grupo que, há 20 anos, atua principalmente junto às populações que são atingidas pela construção de barragens. Com o auxílio deles se organizam a fim de conseguirem garantias perante a lei.
O movimento vem intervindo na tragédia do rompimento das duas barragens da Samarco, em Mariana. Abaixo, a Coordenadora Estadual do Movimento, Alexsandra Maranho, 28 anos, explica um pouco das ações do MAB na região:
Entre mortos e desaparecidos
Os dias em Mariana me fez lembrar um trecho da obra “A Misteriosa Chama da Rainha Loana”, de Umberto Eco: “era como se acordasse de um longo sono e, no entanto, estava ainda suspenso em um cinza leitoso. Era um estranho sonho, desprovido de imagens, povoado por sons. Como se não visse, mas ouvisse vozes que me contavam o que devia ver. E contavam que eu ainda não via nada, exceto um fumegar ao longo dos canais, onde a paisagem se dissolvia”. Em meio a tantas memórias, talvez essa seja a melhor maneira de definir meu tempo ali.
Sobre o total de números que não me deixavam esquecer, escolho não citar. Prefiro os nomes:
Passo há pouco em frente a uma cervejaria – BH- e na porta sacos e mais sacos de lixo com garrafas de cervejas. Inocente – e intrometido- que sou, resolvo entrar e perguntar se é sempre assim e se não possuem o hábito de levar as garrafas para reciclar.
“Fica caro ter um funcionário para lear até um ponto de recolhimento”. “Não há caminhão de reciclados” e por aí foi. A dona disse que era descendente de europeus e que lá a cultura é outra, etc.. Desconhecendo que lá leva-se os recicláveis até o ponto de coleta. Em bom português, cabe ao estado providenciar mais essa. É quase jogar o papel no chão para dar emprego ao gari.
Agora se extendermos as garrafas Brasil afora , qual o lixo produzido? As cidades de veraneio todas produzindo vinte vezes mais lixo que suportam?
Para se ter uma noção maior: se alguém for tomar chá, terá uma papel celofane envolvendo a caixa, dentro da qual terá um envelope lacrado, de onde sairá um sachê. Lindo, não? E o gasto de material e energia?
A reunião sobre o clima em Paris parece não ter despertado muita atenção, a sensação é que produzir supérfluos faz parte de nossa existência.
Afastada da TV desde 2004, quando fez uma participação na novela “Senhora do destino”, Tônia Carrero, de 93 anos, reapareceu em fotos postadas por parentes durante as comemorações de fim de ano em sua casa, na Zona Sul do Rio. Nas duas imagens, a atriz está sentada numa poltrona, cercada de amor e carinho pelos familiaraes.
O EXTRA procurou o ator Cécil Thiré, filho de Tônia, que falou pela primeira vez sobre o real estado de saúde da mãe. Segundo ele, a atriz sofre de uma doença chamada de hidrocefalia oculta. Sem dar mais detalhes, Cécil contou que o quadro de Tônia é “estável” mas que, devido a doença, “ela não se comunica mais” e nem consegue “andar normalmente’.
maria rodrigues
28 de dezembro de 2015 2:58 amPor onde anda Gereissate?
Por onde anda Gereissate? Ainda é parlamentar? Tá vivo?
NICKNAME
28 de dezembro de 2015 4:16 amo que foi, de iníncio (não sei). O que é
Acho que o GGN se sustenta visando Ibope ( regularização só na mídia dos outros): pra uma parte do público que é franja da franja de um subpetismo, de uma subesquerda, caricaturas (não confundir com petismo, nem com esquerdas). Creio, quero creer, que o GGN foi originalmente criado pra manter, satisfazer, animar, uma categoria de pessoas, algumas, de senso crítico; outras, de suposto senso crítico e gente que gosta de notícia, ggn; e tentar domesticar um infantil esquerdismo que se autoilude e ilude ( esquerdismo infantil é expressão de Lênin )
NICKNAME
28 de dezembro de 2015 4:20 amuma amostra
( vejam-se os horários e tentativa de contribuir noutra postagem lá, bem mais abaixo )
https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/sergio-buarque-de-holanda-e-paraiso-sem-o-outro-desejado-pelos-coxinhas#comment-812451
Adir Tavares
28 de dezembro de 2015 9:22 amConcorrentes à maior cascata de 2015
Do blog Coleguinhas, uni-vos!
OITAVA (E ÚLTIMA) SELETIVA PARA A FINAL DO KING OF THE KINGS – 2015
Esperei até o último momento, pois já teve ano que os coleguinhas arrumaram uma cascata braba em 27 de dezembro, mas eis que chegamos à última seletiva para as concorrentes à maior cascata de 2015, mas adiantei a publicação em um dia por ter que viajar logo mais. Com a edição da Lei 13.188, da do Direito de Resposta, ocorreu um fenômeno nada surpreendente: o número cascatas caiu drasticamente. Ainda, assim cinco estão aqui, mas antes, vamos recordar as regras, que, dessa vez, se reduz a apenas duas:
1. Você pode votar em até três (3) concorrentes.
2. A votação termina no domingo que vem (03/01/2016), ao meio-dia.
Assim, caros e caras, vamos às últimas pré-candidatas ao King of the Kings!
Globo confunde Merval com FHC
Bill Gates processa a Petrobras (Vários)
Barriga de Lauro Jardim provoca admissão de erro do Globo na primeira página
Folha republica barriga da Veja sobre filho de Lula
Merval prevê “caminho livre para golpe” e STF, SQN
Oitava seletiva para o King of Kings – 2015Globo confunde Merval com FHCBill Gates processa a Petrobras (Vários)Barriga de Lauro Jardim provoca admissão de erro do Globo na primeira páginaFolha republica barriga da Veja sobre filho de LulaMerval prevê “caminho livre para golpe” e STF, SQNVoteView ResultsPolldaddy.com
Não seja egoísta! Compartilhe!
https://coleguinhas.wordpress.com/2015/12/27/oitava-e-ultima-seletiva-para-a-final-do-king-of-the-kings/
Anna Dutra
28 de dezembro de 2015 11:56 amO Rei da Ala Três
http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/A-intolerancia/34980
Carta Maior, 15/11/2015 – Copyleft
Antonio Lassance, A intolerância
A intolerância é a imbecilidade à procura de uma multidão. É o espetáculo da estupidez com entrada franca, mas todos pagam caro ao final, quando as portas são fechadas, uma após outra.
A intolerância é o ofício de trucidar inocentes. Por isso o ódio é um requisito – veneno trazido em embalagem de remédio. O ódio justifica culpar, perseguir, condenar e executar pessoas que não merecem ser tratadas como pessoas, nem mesmo como adversários, e sim como inimigos.
A intolerância é uma seita cultuada e inculta. Com ideias em falta, os xingamentos sobram. A narrativa dos intolerantes não é a de contar histórias, mas a de encontrar culpados. O discurso dos intolerantes não é a conversa e a argumentação, é a ofensa.
Os intolerantes não são burros. Quem dera fossem. Burros são criaturas simpáticas, pacíficas, úteis, laboriosas, respeitadoras. Sequer fazem asneiras, ao contrário do que se lhes atribui. Burros relincham, mas não gritam nem ofendem. Burros cometem erros, mas, nunca, injustiças.
A intolerância é um Mar Morto salgado até trincar. É um monumento granítico impermeável ao bom senso. É a corrupção da alma – por isso, a corrupção é seu assunto predileto.
A intolerância é obscena, pois desconfia que tudo é uma vergonha. A perseguição seletiva apresenta-se como seu principal espetáculo, protagonizado por heróis da repressão.
Os intolerantes fazem sucesso e são notícia, quando não são eles próprios âncoras de programas ou donos dos meios de comunicação – assim se faz da intolerância um modelo de comportamento e um mercado lucrativo.
A intolerância precisa de Estado – do Estado de exceção, do estado de indigência do espírito humano, do estado de mal-estar social.
A intolerância é a inversão de valores básicos, como o respeito ao outro, ao diferente, a ponto de o poeta Goethe nos alertar do risco de quando tolerar é que se torna injurioso. Ser diferente é tido como ameaça coletiva.
Quando se completa a banalização do mal, é sinal de que a intolerância alcançou seu ápice enquanto instrumento de manipulação na luta pelo poder.
A intolerância é um prato de pus oferecido como iguaria. Alguns apreciam. Outros engolem a contragosto. Os que a recusam com coragem e altivez fazem a humanidade ser mais digna desse nome.
(*) Antonio Lassance é cientista político
Andre Araujo
28 de dezembro de 2015 12:08 pmA ORDEM NO CAOS – A CONTA
A ORDEM NO CAOS – A CONTA MOVIMENTO DO BANCO DO BRASIL – Não há nada pior na organização do Estado do que copiar regras, normas e mecanismos de um Pais para implanatar em outro com historia, população e estrutura politica completamente diferente e que já contava com sólidas instituições proprias de gestão e organização. A pretexto de uma falsa “modernidade”, mera impulsão de copiar o que parece estar mais na moda, joga-se fora um modelo bom porque é antigo e se importam modelos estrangeiros porque parece que com isso o Pais dá um saldo de eficiencia, o que é falso.
Um dos maiores erros da “turma do Real” foi trazer para o Brasil copias mal feitas de procedimentos usados nos EUA para organização de suas finanças domesticas, orçamento e Banco Central.
A reunião do Comité Federal do Mercado Aberto, o COPOM americano, é a cada 45 dias. Aqui copiaram os 45 dias para ficar igualzinho. Copias mal feitas de leis de lavagem de dinheiro, anti corrupção e de outras regras são implantes que ajudam a desorganizar a economia brasileira. É uma vontade maldita de copiar tudo em cima de um organismo que nada tem a ver com as instituições, a historia ou com a praxis administrativa dos EUA, boa para eles mas nem sempre boa para os outros, como comproaram os desastres das “primaveras” onde se tentou implantar modelos americanos no Oriente Medio.
Uma ação politica que precedeu o Plano Real liquidou com um mecanismo extremamente bem adaptado à logica da economia brasileira na operação do caixa do Governo Federal, a chamada “”conta movimento do banco do Brasil”.
O orçamento de um pais, o “budget”, para macaquear os americanos, é uma declaração de intenções para a ALOCAÇÃO de gastos no ano fiscal seguinte MAS não significa o desembolso desses gastos no tempo. Designa-se uma verba de 100 milhões para um hospital para o ano 2016, consta então do orçamento como um gasto futuro. Todavia e acontece quase sempre, o gasto é espaçado no tempo e ao chegar ao fim de 2016 apenas 20 milhões podem ter sido DESEMBOLSADOS por conta dessa verba que no entanto consta pelo seu total no orçamento.
A gestão dos DESEMBOLSOS se dá em um tempo diferente da gestão das alocações orçamentarias.
A ” conta movimento do Banco do Brasil” era um mecanismo de “cash management” que as grandes empresas fazem como coisa modernissima e pagam consultores para montar isso, é um modelo de centralização de caixa.
Nesse modelo uma grande empresa com 300 lojas CENTRALIZA ao fim do dia todo o caixa de cada loja em uma só conta central e dessa conta saem todos os pagamentos de despesas das 300 lojas. Esse mecanismo visa APROVEITAR AO MAXIMO o caixa espalhado pelo Pais e que se não fosse concentrado ficaria ocioso em algumas lojas enquanto em outras haveria falta de dinheiro para despesas.
Hoje o Governo centralizou tudo na Secretaria do Tesouro Nacional e inves de centralizar o caixa prefere separa-lo em “gavetas”, “fundos” e mesmo tendo dinheiro ocioso emite divida publica que cresce todos os meses para cobrir falta de dinheiro quando no ativo há caixas espalhados que tem dinheiro parado.
Outro mega desvio é o Banco Central pagar remuneração Selic nos depositos compulsorios dos bancos, sendo que Pais algum paga juros sobre compulsorios. Porque o nosso BC paga rjuros sobre um deposito que é obrigatorio? se É OBRIGATORIO NÃO PRECISA PREMIAR QUEM CUMPRE A OBRIGAÇÃO, esses juros não vem do mercado, vem dos juros pagos pelo Tesouro Nacional pelos quais os bancos não precisam fazer qualquer esforço.
Ora, a liquidez empoçada nos bancos, que hoje estão arredios a credito e tem excesso de liquidez, podem financiar o Tesouro mas não é preciso pagar tantos juros se eles NÃO TEM OUTRA APLICAÇÃO QUE NÃO SEJA TITULOS DO TEOSURO, então porque não fazer um LEILÃO REVERSO todos os dias, o Tesouro vende titulos a quem oferecer receber juros menores, porque pagar uma SELIC altissima de cara, sem competição? Se o Banco não aplica em Titulos do Tesouro ele não tem onde aplicar os depositos, vão render zero no caixa, 7% ao aono é melhor que zero.
O Tesouro está pagando juros A MAIS aos Bancos, não precisa pagar tanto, uma TAXA FXA DE PISO é uma aberração.
Todo o caixa do Governo, dinheiro de arrecadação que entra todo dia e dinheiro que sai para pagar contas deve sair de uma conta central gerida pelo Banco do Brasil, COMO ERA desde o Imperio até quando o Ministro Mailson fechou essa conta no Governo Sarney e ainda se glorificou com esse feito. A PARTIR DAI COMEÇOU A AUMENTAR A DIVIDA PUBLICA FEDERAL, que era baixissima.
Se houvessa a conta movimento do BB não teriam existido as chamadas “pedaladas fiscais”. No modelo antigo da conta havia um CONTRATO entre o Tesouro e o Banco do Brasil onde se estipulavam os limites de operação da conta e a remuneração do Banco. Esse modelo que parece tão antigo é no entanto o ” Estado da Arte” em administração de caixa hoje, as consultorias cobram regios honorarios para montar esse sistema em grandes empresas.
O fim da conta movimento significou a esclada do aumento da divida publica federal que não para de crescer, trocamos a conta por uma divida de 2,7 trilhões de Reais para alegria dos bancos.
São temas que merecem ser discutidos quando se discute tantas filigranas pequenas sobre o Orçamento Federal.
Sérgio T.
28 de dezembro de 2015 12:36 pmPaís sabe que escraviza, mas não a gravidade do problema, diz pe
LEONARDO SAKAMOTO
Apesar de a sociedade brasileira ter consciência de que trabalho escravo ainda existe no país, uma parcela considerável das pessoas não sabe quais são suas características. E, pior, considera formas mais leves de exploração do trabalho como escravidão – o que dificulta o combate a esse crime.
Essa é uma das descobertas de uma pesquisa inédita realizada no país pela área de Public Affairs da Ipsos, um dos maiores e mais importantes institutos de pesquisa do mundo, para a Repórter Brasil com o objetivo de entender como a população brasileira vê a questão da escravidão contemporânea.
A pesquisa baseou-se em 1200 entrevistas pessoais e domiciliares em 72 municípios de todo o país e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Os resultados da pesquisa estão sendo divulgados logo após mais uma tentativa da bancada ruralista no Congresso Nacional de alterar a legislação para alterar o conceito de trabalho escravo contemporâneo, reduzindo as situações em que esse crime pode ser configurado. Por conta da pressão da sociedade civil, o debate sobre essa mudança acabou sendo transferido para 2016.
A justificativa de um grupo de parlamentares e de proprietários rurais é de que há um exagero na quantidade de condições que configuram escravidão. Contudo, a pesquisa mostra o contrário: a população enxerga trabalho escravo em mais situações do que as apontadas em lei.
De acordo com a legislação brasileira em vigor, são elementos que determinam trabalho análogo ao de escravo: condições degradantes de trabalho (incompatíveis com a dignidade humana, caracterizadas pela violação de direitos fundamentais coloquem em risco a saúde e a vida do trabalhador), jornada exaustiva (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta a danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço através de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas) e servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele).
Carvoaria em Minas Gerais. Foto: João Roberto Ripper
Com base nos dados coletados, a pesquisa Ipsos/Repórter Brasil aponta que o trabalho de informação a respeito da escravidão contemporânea precisa avançar junto aos mais jovens e mais velhos e às pessoas mais vulneráveis a esse tipo de situação – notadamente os de baixa renda e com menor grau de instrução.
Além disso, falta deixar mais claro à sociedade a gravidade do que é trabalho escravo, mostrando que ele não se confunde com o desrespeito de alguns direitos trabalhistas, remuneração baixa ou horas extras não pagas. E, por fim, é necessário reforçar a gravidade do trabalho escravo urbano, cuja incidência de resgates de trabalhadores vem crescendo nos últimos anos.
Foram três perguntas feitas à população no âmbito da pesquisa Ipsos/Repórter Brasil.
1) Em sua opinião ainda existe trabalho escravo no Brasil?
A esta pergunta, 70% dos entrevistados responderam que sim, 17% que não, 12% não sabiam e 1% não responderam. Veja o gráfico 1:
Os mais velhos, com 60 anos ou mais (61% acha que ainda existe trabalho escravo), e os mais jovens, entre 16 e 24 anos (65%), são os que demonstraram menor conhecimento sobre a existência do problema.
Ao mesmo tempo, pessoas sem instrução ou com apenas o ensino fundamental (66%) apresentaram nível de conhecimento menor que o de quem possui diploma de ensino médio ou superior (74%). Outro recorte é o da renda familiar mensal. Quem ganha entre cinco e dez salários mínimos sabe da persistência de trabalho escravo (79%) do que quem ganha até dois salários mínimos (69%). Em outras palavras, os grupos mais vulneráveis social e economicamente são exatamente aqueles que menos acreditam na existência de escravidão.
2) Em sua opinião, o que seria trabalho escravo nos dias de hoje?
A pergunta coletou respostas espontâneas, ou seja, sem que fossem dadas opções para o entrevistado escolher. Depois, as respostas foram agrupadas para poderem ser analisadas. Veja o gráfico 2:
Do total, 27% afirmaram não saber o que é trabalho escravo. Novamente, a quantidade é maior entre grupos mais vulneráveis: pessoas das classes D e E (31% afirmam não saber), em comparação com as classes A e B (20%). Pessoas que vivem na região Norte (40%), foco histórico de casos de escravidão, e sem instrução (41%). Jovens entre 16 e 24 (32%) e pessoas com mais de 60 (38%).
Paradoxalmente, dos 17% que afirmaram na questão anterior que esse problema não mais existiria, 60% disseram não saber o que é trabalho escravo.
A primeira resposta espontânea (Remuneração abaixo do considerado justo ou do piso da categoria), citada por 24% dos entrevistados, não configura trabalho análogo ao de escravo de acordo com a legislação. Esta resposta, junto a outras, como as que dizem respeito ao descumprimento de regras previdenciárias, mostram que a população entende como trabalho escravo algo mais amplo do que o previsto em lei.
Nesta resposta espontânea, os quatro elementos que configuram trabalho escravo contemporâneo, de acordo com a legislação, aparecem desta forma: servidão por dívida (19%), condições degradantes de trabalho (8%), trabalho forçado (7%) e jornada exaustiva (1%). Devido ao desconhecimento de alguns elementos como escravidão, pode-se deduzir que parte desse crime passa despercebido inclusive pelos próprios trabalhadores envolvidos.
3) Quanto você concorda que estas frases se referem a situações de trabalho escravo? (em % de concorda totalmente)
Por fim, foram apresentadas opções para o entrevistado de situações que configuram trabalho escravo de acordo com a legislação brasileira e situações que estão no imaginário popular como trabalho escravo, sendo ele instruído a escolher. Veja o gráfico 3:
As quatro opções mais escolhidas foram exatamente aquelas que representam os elementos que caracterizam o trabalho escravo, mostrando que, na resposta estimulada, os entrevistados sabem identificar a gravidade desse crime.
Trabalho forçado aparece com 76%, seguido de servidão por dívida (74%), condições degradantes (72%) e jornada exaustiva (69%). Ao mesmo tempo, o pagamento de altos impostos para o governo aparece com 58% ou trabalhar sem carteira assinada com 57%, indicando que há um trabalho importante a ser realizado para aumentar o entendimento a respeito da gravidade do que seja escravidão contemporânea.
Paulo F.
28 de dezembro de 2015 12:47 pmNem culpa nem redenção, apenas um espelho
As implicações do exclusivo colonial portugues são conhecidas à tempo.
Sergio Buarque de Holanda ((o pai do Chico!) já nos falava disso a mais de meio século!
Mas interessante foi a reação na ex-metrópole à fala de Lula.
Tenho comigo que apesar de toda a crítica, Portugal administrou bem seu legado. Lembre-se que foi o último grande império colonial, sobrevivendo ao fim das dominações britânicas, francesa , neerlandesa e belga. Salvo engano , Macau, 1999, foi seu último bastião. E em todas ex-colonias , um de seus principais legados, senão o maior, é a lingua, devidamente suavizada pelas particularidades locais, como visto com maestria em Casa-Grande & Senzala , o livro do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre publicado em 1933 a entre outras singularidades locais.
Os sonhos de de. João VI de uma monarquia dual (como a Austro-Hungára), foi sepultado pelos interesses particulares de ambos os lados do Atlantico. Mas a burocracia impregnada na máquina estatal lusa ajudou a salvaguardar a unidade territorial e de identidade do Brasil.
Ah, em tempo, a História não admite se!
Ou como jocosamente um amigo luso meu diria, se minha avó fosse homem e tivesse bigodes, seria meu avô seria!
Do Publico.pt
O legado colonial de Portugal no Brasil: entre a culpa e a redenção?
Diogo Ramada Curto
27/12/2015 – 09:02
As declarações de Lula da Silva sobre o atraso no ensino brasileiro e a ligação deste com o legado colonial português fizeram tocar tambores nacionalistas deste lado do Atlântico, mas Lula não andou longe da razão histórica.
As declarações de Lula inscrevem-se nas suas políticas de combate à desigualdade UESLEI MARCELINO/REUTERS
Numa conferência organizada pelo jornal El País, a 11 de Dezembro, em Madrid, Lula da Silva afirmou: “Eu sei que isto não agrada aos portugueses, mas Cristóvão Colombo chegou a Santo Domingo [actual República Dominicana] em 1492 e, em 1507, já ali tinha sido criada a Universidade. No Peru, em 1550, na Bolívia em 1624. No Brasil, a primeira universidade surgiu apenas em 1922”.
Em Portugal, a afirmação do ex-presidente do Brasil transformou-se num pequeno facto político. Tocaram-se os tambores e ergueram-se as bandeiras do nacionalismo. No mesmo dia da conferência, o Observador intitulou a notícia, feita com base num comunicado da Agência Lusa: “Brasileiro burro? A culpa é do Álvares Cabral, diz Lula”. Enquanto o Diário de Notícias formulou a questão em termos ainda mais retóricos: “De quem é a culpa pelos atrasos na educação? É dos portugueses, diz Lula”.
A 17 de Dezembro, o deputado europeu e colunista do Jornal de Notícias Nuno Melo reagiu, fazendo prova dos seus conhecimentos, adquiridos na Wikipédia. Com uma nota de condescendente desprezo por Lula da Silva, considerou que este discorrera “sobre temas que implicam estudo, com a facilidade com que trautearia um forró”. É que, se cada um é para o que nasce, como diz o povo, Lula deveria limitar-se ao forró, para que outros pudessem brilhar com a sua sabedoria “wikipédiana”… E foi, com o método do “copy and paste”, que Nuno Melo corrigiu: “As bases do Ensino Superior brasileiro foram lançadas bem antes de 1922. Em 1792, foi criada a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, embrionária da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E em 1808 foi criada a Faculdade de Medicina da Baía.”
À acusação de Lula de que os portugueses teriam contribuído para o atraso cultural do Brasil, Nuno Melo contrapôs, ainda, que toda a obra de colonização do Brasil fora feita pelos portugueses, que ali souberam criar a unidade e suscitar o desenvolvimento. Nas suas palavras: “Acontece que se o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto do planeta, deve-o a Portugal que lhe deu nascença, administrou e fez Reino, circunstância sem paralelo na colonização espanhola.” E, acrescentou, com base em velhos e infundados ressentimentos anti-britânicos, fingindo conhecer o sentido da historiografia e da obra de Charles Boxer: “A historiografia assinala o notável desenvolvimento do Brasil até 1822, ano da independência. A realidade não muda porque Lula da Silva gostasse de ver o país pejado de ascendência anglo-saxónica. Sendo que a simples leitura do Império marítimo português, de Charles Boxer, britânico sem resquícios de lusitanidade, o ajudará a perceber muita coisa.
Todas estas reacções nacionalistas não são de estranhar. Elas inserem-se num processo constante de manipulação do passado, criador de mitos para consumo político e de uma memória colectiva com conotações ideológicas claras, que nada tem que ver com a investigação histórica. Por isso, é enorme o risco de se tomar como certa uma memória histórica eivada de mitos e de leituras ideológicas, desprezando a riqueza de perspectivas históricas que a investigação histórica nos oferece.
De igual modo, há alguns meses, o Reitor da Universidade de Coimbra, numa entrevista ao PÚBLICO (20/07/2015), argumentou que a unidade do Brasil era obra da sua própria instituição. Em tempos coloniais, anteriores a 1822, cerca de 5000 estudantes oriundos daquela colónia americana formaram-se na Universidade situada nas margens do Mondego. Por isso, foram os Estudos Gerais que criaram a unidade entre os que fizeram a independência desse grande país. À argumentação do Magnífico Reitor não faltou o elemento comparativo, pois de forma diferente procedera a vizinha Espanha, quando, ao autorizar a criação de universidades desde os seus tempos coloniais, criara as condições para uma maior fragmentação dos países. No Peru, Bolívia, Venezuela e noutras futuras nações da América Espanhola formaram-se cerca de 170 mil estudantes, correspondendo às antigas universidades do tempo dos vice-reis. Em conclusão, sempre segundo o Reitor, a Universidade de Coimbra unificou o que a política espanhola dos vice-reis dividiu.
Que o Reitor queira atrair os estudantes brasileiros a virem estudar para o Mondego, parece-me um objectivo legítimo. Mas que o pretenda fazer com base numa deturpação do que se passou, jogando com o peso da história da sua própria instituição, que teria servido de berço à unidade brasileira, já me soa a uma atoarda, e das grandes!
Só acabando com a manipulação dos factos do passado se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros
Nos argumentos comemorativistas do Reitor, encontra-se um espécie de redenção ou de salvação da Universidade de Coimbra, tanto quanto as interpretações da conferência de Lula apontariam para o sentido da culpa a atribuir ao legado colonial que os portugueses deixaram no Brasil. Discordo de ambos os juízos. O historiador, tal como o jornalista, não se pode afunilar entre os valores da culpa e da redenção, cedendo a uma moral simplificadora, espartilhada pelos valores de um senso comum capaz de banalizar a interpretação e a compreensão dos factos. À investigação histórica e jornalística competirá, sempre, estabelecer os factos com base em provas e demonstrações, o que implica um conjunto de operações que, insisto, não podem dissociadas da sua interpretação e compreensão.
Começando pela própria notícia tal como surgiu no El País e foi, muito correctamente, transmitida pela Agência Lusa, será possível reconstruir melhor o sentido da afirmação de Lula, percebendo melhor o seu contexto e a intenção do seu autor. O objectivo da argumentação de Lula não parece ter sido tanto o de criticar os portugueses, mas o de se demarcar das “elites brasileiras”, insinuando que estas se limitavam à reprodução social das lógicas da desigualdade herdadas dos tempos coloniais. Na força da sua generalização, não me parece que tal interpretação possa ser considerada errada. Pelo contrário, inscreve-se nas políticas de Lula destinadas a combater as desigualdades ou, pelo menos, a acabar com a pobreza. Pois, conforme noticiou a Lusa, em contraste com o sucedido nos últimos 100 anos, foi durante o seu governo (2003-2011) que triplicou o orçamento da Educação, tendo-se assistido à criação de 18 novas universidades federais, 173 novos campus no interior do Brasil e três vezes mais escolas técnicas do que nos últimos 100 anos.
Em relação ao que se passou em tempos anteriores a 1822, quanto à não existência de ensino universitário no Brasil colonial, importaria voltar às análises de Sérgio Buarque de Holanda. De facto, em Raízes do Brasil (1936), o maior historiador brasileiro do século XX considerou que a cultura brasileira anterior ao século XVIII tinha sido determinada por políticas que proibiram a instalação de tipografias e a criação de universidades, ao contrário do sucedido na América Espanhola, nomeadamente no México e Peru. Assim, o mercado do livro e a frequência dos mais altos níveis de ensino fizeram com que a colónia ficasse submetida à metrópole. Acrescente-se que a ausência de um tribunal da Inquisição próprio, instalado no Brasil, reproduziu a mesma falta de autonomia da colónia, ou seja, a dependência em relação ao reino.
O argumento revisionista do Reitor, tal como o de outros movidos por orgulhos nacionalistas, recorreu, pois, a velhas ideias acerca do Brasil colonial, mas investiu-as de uma conotação diferente. Onde Buarque de Holanda vira a hegemonia da metrópole na criação de uma colónia sem autonomia, o Reitor passou a considerar uma herança colonial positiva, digna de ser celebrada, porque dotada de uma força emancipadora e capaz de criar a unidade que o Brasil necessitou para se constituir numa nação independente.
Ora, é este tipo de revisionismo historiográfico que me assusta, por três diferentes razões. Primeiro, porque faz parte de um modo de manipulação pública do passado feito ao sabor das comemorações e de lógicas nacionalistas, por parte de quem tem responsabilidades políticas na formação de uma opinião pública e capacidade de decisão. Ora, os historiadores brasileiros, de Caio Prado a Maria Odila Leite da Silva Dias e a Luiz Felipe de Alencastro, têm procurado demonstrar que importa desvincular o estudo do processo de formação da nacionalidade brasileira, nas primeiras décadas do século XIX, da imagem tradicional da colónia em luta contra a metrópole. A instalação da corte no Rio de Janeiro em 1808 e os interesses das elites escravocratas é que foram preponderantes no processo de independência do Brasil. A este respeito, Lula não andou assim tão longe da razão histórica ao apontar o dedo às elites brtasileiras.
A segunda razão prende-se com a comparação entre heranças coloniais. O argumento segundo o qual uma política de proibição de universidades nas colónias criava formas de identidade mais unificadas foi particularmente utilizado nos círculos oficiais do Estado Novo. Os estudantes provenientes das colónias, não dispondo de universidades nos seus territórios de origem (também chamados províncias) eram obrigados a vir estudar para a metrópole com o objectivo oficial de aqui adquirirem uma visão unitária do Império (ou de um Mundo Português que se pretendia multicultural). Pouco importa que esta política de estrangulamento do ensino universitário, a bem da unidade, tivesse desencadeado reivindicações por parte das colónias, no sentido da criação de universidades naqueles territórios, e suscitado por parte dos estudantes coloniais movimentos de revolta, alguns deles organizados em torno da Casa dos Estudantes do Império e suas respectivas delegações. O certo é que o que estava em causa nessa mesma política colonial eram os mecanismos de controlo das populações, incluindo dos seus estratos mais jovens e letrados, sobretudo quando se tratava de grupos com um potencial de resistência ao Estado colonial.
Por último, no século XXI, a defesa de comunidades imaginadas à escala nacional, investidas de sentimentos patrióticos de emancipação, e de instituições com uma memória de séculos, não poderá continuar a ser feita com base em mitos e em operações de manipulação do passado. Mais: estou em crer que existe uma intenção cada vez maior, por parte das instituições, destinada a desenvolver políticas de investigação, a pretexto da comemoração de instituições e do denominado passado nacional. Em Portugal, por exemplo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Instituto Diplomático, deu o exemplo claro de uma nova atitude ao lançar programas de pesquisa relacionados com a história da escravatura. Será, agora, também necessário que se aprofundem os conhecimentos em Portugal sobre a história do Brasil, procedendo-se à sua divulgação. Só assim se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros, acabando com as ideias míticas que vivem da manipulação dos factos do passado.
Historiador, Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa
NICKNAME
28 de dezembro de 2015 1:48 pmme dá medo, mas vou encarar:
Jessé de Souza, ” A Tolice Da Inteligência Brasileira – Ou Como O País se Deixa Manipular Pela Elite “.
na livraria, tava folheando (além de entrevistas e programas que já vimos, o BRASILIANAS, com esse que é o novo presidente do IPEA): Não sobra pedra sobre pedra, do PSDB, PT, de S.B. de Hollanda, G. Freyre, R. Da Matta, Faoro. Jessé analisa a visão que norteia as cabeças pensantes mais conhecidas e as decorrências nas prática políticas.
Se eu fundir a cabeça (mais do que já tá) e desaparecer, já sabem.
E não adianta insistir pra eu voltar, nem mesmo pro multimídia do dia, e nem por abaixo-assinado
( Alguns dirão Amém -, sou sensitivo ).
Emanuel Cancella
28 de dezembro de 2015 2:36 pmPapo de bar
Papo de bar XI
com Emanuel Cancella
– Para combater a síndrome da grande mídia, diagnosticada e denunciada pelo brilhante jornalista Sidney Resende, que lhe custou o emprego de 18 anos na Globo:”Chega de notícias ruins”
Economia
Conab: produção agrícola brasileira cresceu 8,2% em 2015. Por falar em ministério da Agricultura, gostei muito da ministra Kátia molha o Serra Abreu!
Vendas na internet aumentam 26% no período de Natal;
Estadão, 27/12/15: Brasil vende casas e carros para a Alemanha;
Saúde
Mais Médicos recebe nota 9 de usuários, diz pesquisa (Carta Capital, 04/08/15)
Em dois anos, cubanos ganham preferência a médicos brasileiros (Uol, 11/08/15)
Mídia
– E a notícia que a TV brasileira não vai dar, pois vale também para o Brasil, crianças e adultos:
Site R7 de 26/12/15: De acordo com a pesquisa, nos EUA, pela Miner & Co Studios, empresa especializada em reposicionamento de marca e desenvolvimento de novos produtos. a TV não é a primeira tela de escolha para crianças que têm acesso a tablets e smartphones. Mais da metade (57%) dos pais entrevistados disseram que seus filhos agora preferem assistir a vídeos em um dispositivo portátil, em vez de ver na TV. Os dispositivos móveis são tão populares entre as crianças que quase metade dos 800 pais questionados na pesquisa relataram que confiscam tablets e celulares como punição de castigo para as crianças. Antes, os pais proibiam de ver televisão! Entre os entrevistados, 41% dos pais disseram que seus filhos olham celulares e tablets até enquanto lancham.
Argentina
– “Macri nomeia por decreto dois juízes para Corte Suprema de Justiça da Argentina” Opera Mundi de 15/12/15. A Corte é composta de 5 juízes! Macri ainda tem a desfaçatez de chamar de anti democrata o presidente da Venezuela! Imagine se Nicolás Maduro ou Dilma fizesse isso?
– Ainda a Argentina: Macri retira Senado TV do ar; medida viola convênio com Parlatino e afeta 23 países. Opera Mundi – 26/12/2015 – “Isto joga fora anos de trabalho e esforços que foram feitos desde o Parlatino para democratizar o acesso aos meios e a população às sessões do Parlamento, portanto, lesiona o direito à informação oportuna e verdadeira dos povos da América Larina e do Caribe”, destacou ex-presidente do órgão, Carolus Wimmer.
Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2015
OAB/RJ 75 300
End.: Praia do Flamengo nº 100, apto. 905, CEP 22210-030;
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
http://emanuelcancella.blogspot.com.
Leo V
28 de dezembro de 2015 5:28 pmA lama que transformou gente
A lama que transformou gente em número
por Leandro Barbosa
http://historiaincomum.com.br/a-lama-que-transformou-gente-em-numero/
(link contém videos)
Quando estive em Mariana pela primeira vez após a tragédia do rompimento da barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e a australiana BHP Billiton, presenciei a desolação de gente que havia perdido tudo pelo mar de lama que arrastou e destruiu o que havia pela frente. Eu estava a cerca de 60km de Bento Rodrigues e não fazia ideia, na ocasião, das perdas do povo de lá. Mortos e desaparecidos eram um fato cada vez mais crescente: os números eram sempre corrigidos. O que me incomodava, além das perdas noticiadas, era exatamente isso: eram números e não nomes.
Embora listagens haviam sido publicadas em alguns veículos, a impressão que eu tinha é que a importância dada às pessoas que morreram ou estavam – algumas ainda estão – desaparecidas era menor que os bens materiais. Algo que constatei quando resolvi, por conta própria, dar nomes e rostos a “alguns números”.
A cada pessoa que eu ligava ou abordava pessoalmente procurando informações sobre o paradeiro dos familiares dessas vítimas, a conversa sempre acabava com a frase: “mas aqui tem um monte de gente que perdeu tudo que tinha, mas morte não tem não.”
Quando um amigo, que viajou comigo para Mariana, ligou para o Secretário Adjunto de Defesa Social da cidade, João Paulo Felipe, para perguntar sobre o paradeiro dos familiares e, também, sobre as vítimas, a resposta: números. Ele também disse que talvez a Defesa Civil poderia nos ajudar a conseguir o que procurávamos. Mas não foi preciso, fui direto aos hotéis e ali, a solidariedade dos moradores de Bento Rodrigues citava nomes.
Com um bom tempo de coversa por ali, descobri o paradeiro dos parentes da Emanuelly Vitória, de apenas 5 anos, que amava ir a escola e assistir “O rei Leão”. Do Ailton Martins dos Santos, 55 anos, eternizado nas lembranças do filho como um grande pai. Da Maria Eliza Lucas, 60 anos, uma senhora guerreira que enfrentou diversas doenças na vida e que, segundo o filho, “estava vivendo os melhores dias da saúde dela”. E do Daniel Altamiro de Carvalho, 53 anos, um pai e esposo dedicado, que fazia de tudo pra cuidar da família.
Pelas ruas de Mariana, Bento Rodrigues
Na rua do Hotel Providência, onde grande parte dos moradores afetados pela tragédia estão hospedados, se vê a comunidade de Bento Rodrigues. Em frente ao local as conversas são cheias de emoções e lembranças de tudo que se foi.
Enquanto uma mãe explica para o filho que seus brinquedos foram levados pela lama, um homem lamenta: “de bem material eu não perdi nada, morava na parte alta de Bento. Mas perdi minha vida, meu passado”, explica, dando importância à sua história.
Do outro lado da rua, um senhor com seu rádio de baixo do braço escutava alto a canção “O homem de Nazaré”, do Chitãozinho e Xororó. “Ele modificou o mundo inteiro… Ele revolucionou o mundo inteiro…”, tocava a música, dando esperança ao coração do velho cheio de fé. Próximo a ele, um grupo de jovens conversava sobre um torneio que futebol que ia acontecer em Mariana, e o time de Bento iria jogar: “é bom, pelo menos alivia as ideias”, disse um deles, com a expectativa de se livrar, pelo menos por algumas horas, das lembranças.
Tentando existir no meio do caos
Wanderley, filho de Maria Eliza Lucas.
Maria Eliza lutou contra a obesidade, diabetes e trombose, venceu. Emagreceu, deixou a insulina e aguardava pela cirurgia plástica para retirar as peles excedentes. Cuidou da saúde e aproveitava a velhice para fazer o que mais gostava: pescar.
Era o que ela estava fazendo quando foi arrastada pela lama. Do local em que ela estava não restou nada. Os tanques, os peixes, a casa, tudo se foi lama abaixo, “tá tudo liso”, conta o filho, Wanderley Lucas, 38 anos.
O grande dilema na história de Maria e do seu filho, que ainda a aguarda, é que ela não estava entre os números. Ela morava em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, portanto, não estava na lista de moradores de Bento Rodrigues, muito menos na lista de trabalhadores da Samarco. Fora do contexto do caos seu nome não podia ser inserido entre os desaparecidos. Ali, Maria não podia existir.
Foram mais de 30h, segundo Wanderley, para conseguir fazer a ocorrência. Mais de 30h para provar que sua mãe havia sido “tragada pela lama” que levava tudo o que estava pela frente (e continua levando) sem nenhuma piedade. Mais de 30h para afirmar o que ele jamais gostaria de dizer: “minha mãe desapareceu!”.
“Eu tive uma dificuldade enorme para registrar o desaparecimento dela, mesmo tendo relatos de pessoas que viu ela sendo tragada e levada pela lama”, conta. Somente no dia 7 de novembro, pela manhã, 2 dias após a tragédia, Maria passou a fazer parte da lista de desaparecidos, depois do filho ir à Defesa Civil, Samarco, Policia Militar e, cansado, à mídia.
O que resta para Wanderley, além de esperar, são as lembranças. Nelas, Maria se eterniza. “As oportunidades de fazer o que ela mais gostava juntos foi maravilhoso. São lembranças que jamais serão apagadas da memória”.
Cinco anos de história
Wanderley Isabel, 24 anos, fugia com os filhos Emanuele e Nicolas, 3 anos, mas foi atingido pela lama que quebrou suas duas pernas. No golpe, a filha escorregou de seus braços. A menina foi encontrada a cerca de 70 km do local onde foram atingidos. Ele não pôde participar do enterro, estava sendo operado num hospital em Santa Bárbara, a 76 km de Mariana. E ainda estava internado no dia em que conversei com sua esposa, Pâmella Raiane, 21 anos.
A mãe estava na escola na hora em que tudo aconteceu, deu tempo de correr, e do alto de Bento Rodrigues, ela assistia a tragédia, em desespero. “Eu queria ir lá pra ver como eles tava, mas os professores não deixavam, diziam que eu ia morrer. Me restou esperar”, conta.
Pâmella tinha 15 anos quando engravidou e precisou parar de estudar. Antes da tragédia, mãe e filha caminhavam rumo à realização de um sonho: ambas se formariam este ano. Emanuele iria para a primeira série e a mãe completaria o nono ano. “Mas, aconteceu…”, lamenta.
A lama levou a jovem mãe a uma condição sem nome. Da noite para o dia ela se encontrou num vácuo onde não existe uma nomenclatura que classifique seu atual estado. Como diz Márcia Noleto, fundadora do Instituto Mães Sem Nome: “… quando se perde um filho, não há nome no dicionário para qualificar esse seu novo status quo”.
Em sua nova condição, a mãe sem nome segue tentando se reinventar. Tateando os dias com muito cuidado para entender o que a vida lhe reserva. E neste caminho, sua bagagem é feita de lembranças:
Pai de família
Daniel era funcionário de uma empresa terceirizada da Samarco, trabalhava na barragem no dia em que ela se rompeu. Foram dias a fio sem notícias, sem ao menos uma pista de onde ele poderia estar. Situação difícil para a família, uma vez que ele nunca deixou de avisar seu paradeiro mesmo que fosse atrasar pouco tempo do combinado.
Sua esposa, Tânia Penna Carvalho, 48 anos, se lembra do esposo cuidadoso, emocionada. Daniel esteve ao lado dela durante todo o seu recente tratamento contra o câncer, “ele sempre me ajudou e acompanhou”, conta. Além disso, era um bom pai, dedicado, “ele sempre pensou no futuro das meninas”.
O bom pai foi encontrado antes do fechamento da reportagem. Seu velório e enterro foram dia 28 de novembro, o que tirou Tânia da aflição diária de imaginar que “no momento em que ele mais precisava dela, ela não podia estar lá”. Seu desespero era tanto que, se pudesse, “cavava a lama com as próprias mãos”.
Ailton foi outro pai que se foi. Sua história na tragédia se difere da de Daniel apenas pelo fato de que ainda não foi encontrado. As lembranças no coração do filho, Emerson dos Santos, 30 anos, falam do grande pai que ele foi:
Mobilização
As famílias encontraram reforço junto ao Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, um grupo que, há 20 anos, atua principalmente junto às populações que são atingidas pela construção de barragens. Com o auxílio deles se organizam a fim de conseguirem garantias perante a lei.
O movimento vem intervindo na tragédia do rompimento das duas barragens da Samarco, em Mariana. Abaixo, a Coordenadora Estadual do Movimento, Alexsandra Maranho, 28 anos, explica um pouco das ações do MAB na região:
Entre mortos e desaparecidos
Os dias em Mariana me fez lembrar um trecho da obra “A Misteriosa Chama da Rainha Loana”, de Umberto Eco: “era como se acordasse de um longo sono e, no entanto, estava ainda suspenso em um cinza leitoso. Era um estranho sonho, desprovido de imagens, povoado por sons. Como se não visse, mas ouvisse vozes que me contavam o que devia ver. E contavam que eu ainda não via nada, exceto um fumegar ao longo dos canais, onde a paisagem se dissolvia”. Em meio a tantas memórias, talvez essa seja a melhor maneira de definir meu tempo ali.
Sobre o total de números que não me deixavam esquecer, escolho não citar. Prefiro os nomes:
Antônio Prisco de Souza
Ailton Martins dos Santos
Claudemir Elias dos Santos
Claudio Fiuza
Daniel Altamiro de Carvalho
Emanuele Vitória
Edinaldo Oliveira de Assis
Edmirson José Pessoa
Sileno Narkievicius de Lima
Marcos Xavier
Marcos Aurélio Pereira Moura
Mateus Márcio Fernades
Maria Elisa Lucas
Maria das Graças Celestino da Silva
Pedro Paulino Lopes
Samuel Vieira Albino
Thiago Damasceno Santos
Vando Maurílio dos Santos
Waldemir Aparecido Leandro
evandro condé de lima
28 de dezembro de 2015 5:48 pmConsumo e desperdício.
Passo há pouco em frente a uma cervejaria – BH- e na porta sacos e mais sacos de lixo com garrafas de cervejas. Inocente – e intrometido- que sou, resolvo entrar e perguntar se é sempre assim e se não possuem o hábito de levar as garrafas para reciclar.
“Fica caro ter um funcionário para lear até um ponto de recolhimento”. “Não há caminhão de reciclados” e por aí foi. A dona disse que era descendente de europeus e que lá a cultura é outra, etc.. Desconhecendo que lá leva-se os recicláveis até o ponto de coleta. Em bom português, cabe ao estado providenciar mais essa. É quase jogar o papel no chão para dar emprego ao gari.
Agora se extendermos as garrafas Brasil afora , qual o lixo produzido? As cidades de veraneio todas produzindo vinte vezes mais lixo que suportam?
Para se ter uma noção maior: se alguém for tomar chá, terá uma papel celofane envolvendo a caixa, dentro da qual terá um envelope lacrado, de onde sairá um sachê. Lindo, não? E o gasto de material e energia?
A reunião sobre o clima em Paris parece não ter despertado muita atenção, a sensação é que produzir supérfluos faz parte de nossa existência.
Gilson AS
28 de dezembro de 2015 7:07 pmTÔNIA CARRERO REAPARECE EM FOTO
Tônia Carrero reaparece em foto, e filho revela que ela tem hidrocefalia oculta: ‘Não anda e nem se comunica’
http://extra.globo.com/famosos/tonia-carrero-reaparece-em-foto-filho-revela-que-ela-tem-hidrocefalia-oculta-nao-anda-nem-se-comunica-18374021.html
Afastada da TV desde 2004, quando fez uma participação na novela “Senhora do destino”, Tônia Carrero, de 93 anos, reapareceu em fotos postadas por parentes durante as comemorações de fim de ano em sua casa, na Zona Sul do Rio. Nas duas imagens, a atriz está sentada numa poltrona, cercada de amor e carinho pelos familiaraes.
O EXTRA procurou o ator Cécil Thiré, filho de Tônia, que falou pela primeira vez sobre o real estado de saúde da mãe. Segundo ele, a atriz sofre de uma doença chamada de hidrocefalia oculta. Sem dar mais detalhes, Cécil contou que o quadro de Tônia é “estável” mas que, devido a doença, “ela não se comunica mais” e nem consegue “andar normalmente’.
Sérgio T.
28 de dezembro de 2015 7:57 pmSeca em Sobradinho
[video:https://vimeo.com/149967827%5D
GalileoGalilei
28 de dezembro de 2015 8:46 pmDa paraíba para o mundo
Êta, Paraíba!
Paraíba, feminina,
Muié simpatica, sim sinhô!
Lucy Alves para o mundo.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=KJRgIHYK_OA align:center]