O CANTO TRISTE DA AUSTERIDADE – A economista Lynn Parramore do Institute for New Economic Thinking de Nova York
escreveu um excelnte paper sobre o conceito de AUSTERIDADE EM ECONOMIA, o lead do trabalho é o abaixo.
“”Austeridade é um conceito tão poderoso porque ele se auto alimenta. O cocneito faz as pessoas inseguras. As pessoas deixam de unir forças e o sistema politico se trava. O nome do principio “”AJUSTE FISCAL”” congela a atenção da população, que não questiona o seu conteudo, formando uma barreira entre os individuos e o mundo politico. O “”ajuste fiscal”” solapa a participação democratica. Esta obscura teoria da austeridade valida com sua autoridade conservadora um grande erro economico que parece algo sensato mas é uma panela furada.
O conceito de “” AJUSTE FISCAL”” apresenta uma falacia completa, a de que um orçamento nacional é como um orçamento de familia. É um magno engano. Uma familia não emite dinheiro, já emitir dinheiro é uma das principais funções de um Estado. “”
A tese de Lynn Parramore ataca a propria logica do ajuste fiscal, pelas mesmas razões que aqui no Brasil muitas pessoas intuitivamente perceberam que ao reprimir a atividade economica e os gastos e investimentos publicos a arrecadação cai e
em função disso cai a capacidade do Estado de investir e num circulo viciosa, a cada queda da atividade mais cai a arrecadação sucessivamente e ao fim o ajuste empobrece o Pais e o Estado que para ter arrecadação precisa ter mais e não menos atividade economica que serve de base à taxação.
Lynn ataca a ciencia e sapiencia dos economistas que propõe algo tão primario como um ajuste fiscal auto destrutivo, o que não invalida de modo algum a necessidade de racionalizar os gastos publicos MAS não o corte linear apenas para encolher o orçamento por razões financeiras e não de eficiencia do Estado.
A logica do AJUSTE FISCAL vem do mercado financeiro e é sua visão para aumentar sua garantia de recebimento da divida publica, sem se importar com os efeitos do AJUSTE sobre a atividade economica geral e a vida da população.
O Institute for New Economic Thinking-INET é um circulo de 790 economistas da mais alta qualidade que equestionam os canones e o modelo monetarista validado até a crise de 2008, que demonstrou as fissuras perigosas desse modelo criado pelo mercado financeiro para seus proprios objetivos. Como demonstrei em meu livro, o monetarismo de Milton Friedman é uma produção do CITIGROUP que bancou a revista e a serie de palestras onde Friedman divulgou sua teoria monetarista, que serve como uma luva ao sistema financeiro , mas não à economia produtiva..
O INET professa serieas duvidas sobre o modelo monetarista e quer rediscuti-lo, pondo em duvida suas premissas,
criticando portanto a turma do “almoço gratis” e da “lição de casa” que tantos seguidores tem no Brasil.
O INET tem entre seus economistas associasdos Premios Nobel, professores de Harvard, Cambridge, Princeton, Oxford,
Columbia, Berkeley, a montagem do instituto foi financiada pelas fundações Rockefeller e Carnegie, por George Soros
e outros que embora oriundos do modelo anterior põe em duvida sua sustentabilidade futura e querem revisa-lo. No Brasil não há nenhum seguidor, o pensamento economico predominante continua aferrado ao velho modelo da “lição de casa”.
O Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico divulgou nota, hoje, depois de sua reunião em Brasilia, dizendo que é “zero” a possibilidade de falta de energia elétrica no Brasil em 2016.
Talvez, por isso, o acompanhamento dos problemas hídricos brasileiros pela imprensa – que só ocorre, normalmente, quando há situações caóticas de seca ou enchentes – tenha voltado ao silêncio absoluto.
Apesar de ser, hoje, do ponto de vista da economia, um dos fatores mais sensíveis para avaliar see se haverá alívio ou manutenção do quadro de inflação, pelo peso estúpido que nele teve a tarifa de energia – tanto antes, por sua contenção, quanto depois, pela sua liberação selvagem introduzida pelos jihadistas do “realismo tarifário”.
Depois de quase três anos acompanhando o problema, este blog vai tentar dar algumas informações, num tema em que costumam se misturar o imediatismo de olhar para cima e ver se está chovendo quanto o terrorismo do “apagão”, com sua vontade de aponta o caos do “lulopetismo” no setor de energia.
E a situação ainda é delicada, embora haja sinais de melhora, tanto a do abastecimento de água para São Paulo quanto para a geração de energia elétrica.
Os números do Cantareira, ano a ano, desde o início da crise, em 2014, para o dia 13 de janeiro: 2014 – 25,2%; 2015 – menos 22% e 2016 – 4%, todos as percentagens sobre o volume normal das represas, sem o bombeamento do volume morto.
O quadro, portanto, está evidentemente longe de ser tranquilo, embora as chuvas, neste início de ano, estejam dentro da normalidade histórica e, possivelmente, a média do mês venha a ser superada.
No setor de energia, também há evolução da reserva de água acumulada na Região Sudeste, que responde por dois terços da produção hidrelétrica do país. Os números do nível dos reservatórios, no mesmo período, para o dia 12 de janeiro: 2014 – 42%; 2015 – 19,3% e 2016 – 32,3%.
Bom? Sim, considerando o desastre hidrológico dos últimos dois anos. Mas este número, que deve, felizmente, ter uma melhora importante até o final do mês, para o qual há boa projeção de chuva, não conta tudo.
É que este crescimento do volume de água se dá, principalmente, na parte sul da região, a bacia do Rio Tietê, que está com 81%¨de acúmulo. Nas bacias do rios Grande (41%) e Paranaíba (22,6%), importantíssimas,a situação é bem pior. Para você avaliar melhor, a Bacia do Tietê contribui com 9,2% da geração total do Sudeste, enquanto Grande e Paranaíba respondem a 65% da capacidade de geração da região.
Deve melhorar muito, nos próximos dias, pois as chuvas finalmente parecem estar chegando àquelas bacias. Mas a previsão dos meteorologistas não indica uma tendência clara para todo o período chuvoso no Sudeste.
A situação no Nordeste, porém, segue dramática. A represa de Três Marias, a primeira do Rio São Francisco, opera com menos de 7% de sua capacidade de reservação e só há dois dias começou a receber um pouco mais de água. Sobradinho, rio abaixo, está em deploráveis 3% de sua capacidade. Tudo vai melhorar um pouco nos próximos dias, também, mas melhorar, a esta altura, é só ficar “menos ruim”.
O Nordeste – onde o São Francisco é quase o grande produtor de energia hidráulica – responde por 18% da capacidade de geração nacional e não fosse a sua situação difícil é quase certo que a “bandeira vermelha” tarifária na eletricidade já teria sido levantada.
Também há uma inexplicável mesquinhez quando se trata de notícias boas, como a imensa ampliação do nosso parque eólico, como dificilmente outro tenha, proporcionalmente, se expandido. Não li em nenhum portal, entre os grandes, a informação de que, por exemplo, a capacidade instalada de geração de energia pelo vento tenha crescido nada menos que 57% no ano passado, de novembro de 2014 a novembro de 2015.
As eólicas já respondem por 5% da capacidade instalada do país, devem chegar a 7% em 2016 e a 9% em 2017. Só perdem para o crescimento da geração hidráulica, em termos de acréscimo de capacidade – lembre que capacidade, no caso das eólicas, não é garantia de produção, por conta do vento – porque Belo Monte entrará em operação.
Ninguém está sugerindo que se dê cursos de meteorologia ou de geração de energia na mídia, mas é incompreensível que não haja nem cobertura nem análise de um fator econômico e humano desta importância.
“…A defesa dos valores republicanos e democráticos é parte inalienável de uma agenda intocável de qualquer sociedade que tencione alcançar uma razoabilidade mínima de convivência social madura, garantindo o bom funcionamento do Estado, governo, sociedade civil e de todos os demais entes, incluindo nesse rol as pessoas físicas e jurídicas. (FERNANDES, 2013) …”.
Apesar de todo o respeito e admiração que dedico ao grande jornalista e escritor, gostaria de tornar publica algumas ressalvas as suas afirmações, proferidas, no ultimo domingo, na TV Bandeirantes, no programa Canal Livre, em entrevista sobre o filme “Chato, o Rei do Brasil”, ao lado do “ator, diretor” Guilherme Fontes.
Em resposta as primeiras perguntas dos jornalistas entrevistadores, voce disse ser favoravel a que “os familiares, herdeiros de alguem, não tenham mais direitos sobre sua historia”.
A afirmação, de inicio, pareceu estar fora do tempo.
A senhora Carmem Lucia e seus 10 colegas do supremo dos tribunais ja decidiram, que ate a propria pessoa não tenha mais direito sobre sua propria historia, ou melhor, direito a privacidade. Talvez, com o tempo, fora do poder, ate ela mesma, no caso de ser biografada por alguem não autorizado, possa se arrepender de seu voto..
Data Venia, como gostam de falar, esperava que uma decisão tão seria para a existencia e convivio de uma sociedade, basica para o estabelecimento de sua etica e costumes, não deveria ser tomada por apenas 11 pessoas. Alias, nem mesmo por 500 parlamentares.
Se o povo tivesse a dimensão da questão, exigiria uma consulta a todos seus cidadãos.
Mas pobre “povo”. Afogado por tantas informações incorretas e distorcidas, jamais poderia antever o que uma decisão assim podera com o tempo mudar na vida de todos.
Uma sociedade em que seus cidadãos não tem mais direito a privacidade é uma nova sociedade, foi refundada.
Nos primordios dos debates, o argumento era que o povo tem o direito de saber se o Rei tem ou não uma perna de pau, Segundo afirmavam, “direito ao conhecimento”. Enquanto a invasão dizia respeito apenas aos segredos do famoso cantor, mesmo contra sua vontade, ela era grave, porem ainda limitada. As consequencias dessa negação de direitos, tera outra amplidão quando qualquer pessoa começar exercer o direito da escrever sobre a vida do proximo, vizinho, inimigo, adversario politico ou empresarial.
Diante da questão, um dos entrevistadores do Canal Livre retrucou, afirmando que os incomodados “ainda podem recorrer a justiça”.
Talvez, mesmo jornalista, não tenha a noção do estrago que um livro ou filme, com informações distorcidas, podem ocasionar a uma pessoa ou a uma familia.
Talvez, mesmo jornalista, tambem não tenha a percepção da velocidade com que caminha nossa “justiça”.
O injuriado, se tiver muita sorte de cair nas mãos de um juiz mais voltado aos direitos individuais de que aos empresariais, tera a sua resposta,apenas financeira, quando o livro ja estiver fora das discussões e das prateleiras das livrarias ou os filmes, esquecidos no tempo.
Na sequencia do programa de televisão, alguem perguntou aos entrevistados como se iniciara a negociação entre eles.
A partir da resposta do “ator,diretor”, perdi qualquer interesse em assistir tal filme.
Contou que estava no restaurante com sua mulher e amigos, quando na mesa ao lado avistou o “Barretão”, jantando com o Fernando Morais.
Como em geral fazem certas pessoas , plantou logo uma mentira, uma maneira torta de começar a conversa. Foi a mesa vizinha e pediu ao escritor para ir a sua, para escrever uma dedicatoria a sua esposa.
No caminho foi logo dizendo se tratar de uma manobra enganosa, pois seu interesse real não era autografo algum, mas “cobrir a oferta” do “Barretão”, para a compra dos direitos do filme.. Narrou com orgulho o fato e todos riram.
Na sequencia o destinatario desta carta começou a discorrer sobre valores do negocio. Disse que apesar de receber propostas mais vultosas escolheu a do “ator, diretor”.
Foi exatamente esse detalhe da entrevista que me levou a levantar, aqui, certas ressalvas.
Apesar de considerar o livro sobre o Chateaubriand uma obra basica e recomenda-la, antes de le-la, ja conhecia quase tudo que narra.
Meu pai, que inclusive é citado na narrativa, começou desde muito jovem, junto a um dos seus mais proximos amigos, Samuel Wainer, a trabalhar nos jornais e revistas do biografado. Mantinha no seu trabalho contato direto e diario com o patrão. Conhecia-o a fundo e sua historia. Ainda criança escutava, na mesa de casa, meu pai contar aos amigos, os fatos que encontrei mais tarde na biografia e muitos outros que não estão la.
Em resumo, o biografo não inventou nada, apenas escreveu a historia que ja ouvira.Trata-se da vida do genial empreendedor.
Não entendo, como o ilustre jornalista pode ser contra o direito da familia sobre a intimidade de um biografado, mas ao mesmo tempo se tornar proprietario de sua historia, para inclusive negocia-la, autoriza-la ou não ?
Dentro desses principios, se a propria familia não tem direito algum , ninguem deveria pagar ou mesmo pedir a assinatura do biografo, para fazer um filme ou peça teatral sobre o biografado.
A sinceridade destrói castelos de areia. É a realidade sem anestesia. Ela não estimula reticências, não teatraliza as relações humanas, não debocha da credulidade alheia, não falsifica impressões. A sinceridade é de vanguarda. É tão soberana que emudece a todos. É tão inesperada que impede retaliações. A sinceridade é o ponto final de qualquer discussão. Quer deixar alguém perplexo? Fale a verdade.
Manifesto de advogados divulgado por Antonio Carlos de Almeida Castro
“CARTA ABERTA EM REPÚDIO AO REGIME DE SUPRESSÃO EPISÓDICA DE DIREITOS E GARANTIAS VERIFICADO NA OPERAÇÃO LAVA JATO No plano do desrespeito a direitos e garantias fundamentais dos acusados, a Lava Jato já ocupa um lugar de destaque na história do país. Nunca houve um caso penal em que as violações às regras mínimas para um justo processo estejam ocorrendo em relação a um número tão grande de réus e de forma tão sistemática. O desrespeito à presunção de inocência, ao direito de defesa, à garantia da imparcialidade da jurisdição e ao princípio do juiz natural, o desvirtuamento do uso da prisão provisória, o vazamento seletivo de documentos e informações sigilosas, a sonegação de documentos às defesas dos acusados, a execração pública dos réus e o desrespeito às prerrogativas da advocacia, dentre outros graves vícios, estão se consolidando como marca da Lava Jato, com consequências nefastas para o presente e o futuro da justiça criminal brasileira. O que se tem visto nos últimos tempos é uma espécie de inquisição (ou neoinquisição), em que já se sabe, antes mesmo de começarem os processos, qual será o seu resultado, servindo as etapas processuais que se seguem entre a denúncia e a sentença apenas para cumprir ‘indesejáveis’ formalidades.
Nesta última semana, a reportagem de capa de uma das revistas semanais brasileiras não deixa dúvida quanto à gravidade do que aqui se passa. Numa atitude inconstitucional, ignominiosa e tipicamente sensacionalista, fotografias de alguns dos réus (extraídas indevidamente de seus prontuários na Unidade Prisional em que aguardam julgamento) foram estampadas de forma vil e espetaculosa, com o claro intento de promover-lhes o enxovalhamento e instigar a execração pública. Trata-se, sem dúvida, de mais uma manifestação da estratégia de uso irresponsável e inconsequente da mídia, não para informar, como deveria ser, mas para prejudicar o direito de defesa, criando uma imagem desfavorável dos acusados em prejuízo da presunção da inocência e da imparcialidade que haveria de imperar em seus julgamentos – o que tem marcado, desde o começo das investigações, o comportamento perverso e desvirtuado estabelecido entre os órgãos de persecução e alguns setores da imprensa.
Ainda que parcela significativa da população não se dê conta disso, esta estratégia de massacre midiático passou a fazer parte de um verdadeiro plano de comunicação, desenvolvido em conjunto e em paralelo às acusações formais, e que tem por espúrios objetivos incutir na coletividade a crença de que os acusados são culpados (mesmo antes deles serem julgados) e pressionar instâncias do Poder Judiciário a manter injustas e desnecessárias medidas restritivas de direitos e prisões provisórias, engrenagem fundamental do programa de coerção estatal à celebração de acordos de delação premiada.
Está é uma prática absurda e que não pode ser tolerada numa sociedade que se pretenda democrática, sendo preciso reagir e denunciar tudo isso, dando vazão ao sentimento de indignação que toma conta de quem tem testemunhado esse conjunto de acontecimentos. A operação Lava Jato se transformou numa Justiça à parte. Uma especiosa Justiça que se orienta pela tônica de que os fins justificam os meios, o que representa um retrocesso histórico de vários séculos, com a supressão de garantias e direitos duramente conquistados, sem os quais o que sobra é um simulacro de processo; enfim, uma tentativa de justiçamento, como não se via nem mesmo na época da ditadura.
Magistrados das altas Cortes do país estão sendo atacados ou colocados sob suspeita para não decidirem favoravelmente aos acusados em recursos e habeas corpus ou porque decidiram ou votaram (de acordo com seus convencimentos e consciências) pelo restabelecimento da liberdade de acusados no âmbito da Operação Lava Jato, a ponto de se ter suscitado, em desagravo, a manifestação de apoio e solidariedade de entidades associativas de juízes contra esses abusos, preocupadas em garantir a higidez da jurisdição. Isto é gravíssimo e, além de representar uma tentativa de supressão da independência judicial, revela que aos acusados não está sendo assegurado o direito a um justo processo.
É de todo inaceitável, numa Justiça que se pretenda democrática, que a prisão provisória seja indisfarçavelmente utilizada para forçar a celebração de acordos de delação premiada, como, aliás, já defenderam publicamente alguns Procuradores que atuam no caso. Num dia os réus estão encarcerados por força de decisões que afirmam a imprescindibilidade de suas prisões, dado que suas liberdades representariam gravíssimo risco à ordem pública; no dia seguinte, fazem acordo de delação premiada e são postos em liberdade, como se num passe de mágica toda essa imprescindibilidade da prisão desaparecesse. No mínimo, a prática evidencia o quão artificiais e puramente retóricos são os fundamentos utilizados nos decretos de prisão. É grave o atentado à Constituição e ao Estado de Direito e é inadmissível que Poder Judiciário não se oponha a esse artifício.
É inconcebível que os processos sejam conduzidos por magistrado que atua com parcialidade, comportando-se de maneira mais acusadora do que a própria acusação. Não há processo justo quando o juiz da causa já externa seu convencimento acerca da culpabilidade dos réus em decretos de prisão expedidos antes ainda do início das ações penais. Ademais, a sobreposição de decretos de prisão (para embaraçar o exame de legalidade pelas Cortes Superiores e, consequentemente, para dificultar a soltura dos réus) e mesmo a resistência ou insurgência de um magistrado quanto ao cumprimento de decisões de outras instâncias, igualmente revelam uma atuação judicial arbitrária e absolutista, de todo incompatível com o papel que se espera ver desempenhado por um juiz, na vigência de um Estado de Direito.
Por tudo isso, os advogados, professores, juristas e integrantes da comunidade jurídica que subscrevem esta carta vêm manifestar publicamente indignação e repúdio ao regime de supressão episódica de direitos e garantias que está contaminando o sistema de justiça do país. Não podemos nos calar diante do que vem acontecendo neste caso. É fundamental que nos insurjamos contra estes abusos. O Estado de Direito está sob ameaça e a atuação do Poder Judiciário não pode ser influenciada pela publicidade opressiva que tem sido lançada em desfavor dos acusados e que lhes retira, como consequência, o direito a um julgamento justo e imparcial – direito inalienável de todo e qualquer cidadão e base fundamental da democracia. Urge uma postura rigorosa de respeito e observância às leis e à Constituição brasileira.
A pobreza não é boa para a saúde física (hospitais lotados, hábitos alimentares baratos e ruins etc.).
Também a pobreza não é boa para a saúde mental. Há o estresse da luta para colocar comida na mesa. Há a frustração produzida pelo triunfo da necessidade sobre os desejos (“Pense no pão, esqueça-se dos seus sonhos”). E falta dinheiro para terapia e medicação.
Além disso, numa sociedade vaidosa e exibicionista, a falta de meios e perspectivas encoraja “vacilações” morais: tentações e condutas criminosas.
Nessa direção, aliás, é quase sempre proposta uma distinção entre 1) pobreza (que, por si só, não “explica” nada), 2) miséria (extrema necessidade que quase justifica o crime) e 3) exclusão social (em que a lei e os princípios da comunidade não valem para mim porque, se não faço parte da comunidade, não tenho por que obedecer às suas regras).
Agora, se estamos dispostos a considerar que a falta de recursos e de cidadania (num leque que vai desde a pobreza até a exclusão) tem efeitos na saúde mental e no comportamento do cidadão, como não considerar o inverso?
Como recusar a ideia de que o excesso de recursos também transforma nossa maneira de pensar, sentir e julgar? Ou você acha que o fato de dispor sempre do supérfluo não tem consequências? E o poder quase infinito de corromper os outros?
Esta era a visão do Evangelho: “E lhes digo mais: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus” (Mateus, 19:24). Os calvinistas, por exemplo, se esforçaram para mostrar ao mundo que era possível ser rico sem ostentação, desperdiço, soberba etc. Óbvio que é.
De qualquer forma, duvido que, na perspectiva do Evangelho, a riqueza fosse uma culpa em si: os ricos não são sinistros por sua riqueza, mas pela “patologia” mental e moral facilitada ou produzida pela riqueza.
A suspeita que exista uma doença moral e mental dos ricos começou no início dos anos 2000, com a ideia de que o consumismo fosse uma “epidemia” com consequências psíquicas sérias: insatisfação, ansiedade, procura abstrata de “mais algo”, depressão –até obesidade, como consequência. O termo para essa doença dos ricos é “Affluenza”, de “affluent” (rico) e “influenza” (gripe).
O que era, inicialmente, uma crítica moral à sociedade de consumo se transformou numa defesa penal. Em 2013, Ethan Couch, um adolescente do Texas, matou quatro pessoas dirigindo bêbado. A defesa pretendeu que ele sofria de “affluenza”, ou seja, de problemas psicológicos produzidos pela riqueza (substancial) de sua família: incapacidade de entender o valor da lei, certeza de impunidade, desprezo pelos menos favorecidos etc.
Aposto que o advogado de Thor Batista não pensou nessa. Os advogados dos assassinos do índio Galdino não tinham como –era 1997, antes que a “affluenza” fosse “descoberta”.
Engraçado, hein? No tribunal, os pobres poderiam ter desconto por serem pobres; os ricos, por serem ricos.
Não sou muito a favor de descontos para ninguém, mas é verdade que 1) a decadência moral do soldado do tráfico pode ser um efeito colateral da miséria e da exclusão; e 2) ao menos no Brasil, a decadência moral das elites políticas e econômicas é tamanha que é difícil não pensar que se trate de uma espécie de “epidemia”.
No dia 1º de janeiro, Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, escreveu, no “New York Times”, a coluna “Privilege, Pathology and Power ” (privilégio, patologia e poder). Sugestão: pegue alguém que seja só um idiota ou um mau-caráter e acrescente o tipo de riqueza que lhe permite se circundar só de bajuladores e obter tudo o que ele quer… Você não acha que o cara vai piorar? Não é só que ele será um canalha com mais poder, mas o poder o tornará mais canalha do que ele já era.
Em suma, poderíamos instituir um exame psicotécnico de seleção para ser rico e poderoso. Ok, estou brincando, mas seria bom que a riqueza tivesse limites que ajudassem os ricos a não adoecer de “affluenza”.
É importante cuidar para que a pobreza não se torne miséria e exclusão; mas sem esquecer que a riqueza parece com o anel de “O Senhor dos Anéis”, que acaba com a alma de quem o usa.
Nas palavras de Krugman, nossas “democracias” estão se tornando “narcisocracias”, comandadas por elites doentes: “egomaníacos mimados”, “monstruosamente autocentrados”. E olhe que ele mal deve saber o que é a Lava Jato.
2016 – 500 anos da cachaça brasileira e ainda um longo caminho pela frente
Por BlueBus
Dizem que o 1º engenho a produzir cachaça ficava em Pernambuco e sua 1ª produçao saiu em 1516. Meio milênio já é ano suficiente para termos muitas histórias, boas marcas e reconhecimento nacional e internacional. Mas parece que ainda nao é o que acontece. Depois da Copa e de muitos turistas terem experimentado nossas caipirinhas por todo o Brasil, aumentou a exposiçao, mas ainda somos ilustres desconhecidos no mercado internacional.
Segundo dados da SECEX – Secretaria de Comércio Exterior – as exportaçoes brasileiras caíram 17% em volume se comparadas a 2014. Se pensarmos que a tequila mexicana supera USD 1 bilhao em exportaçao, temos um longo caminho pela frente. Construir marca, neste caso, passa pela organizaçao e articulaçao do setor, pelo incentivo fiscal, pela divulgaçao organizada e contínua das marcas. Segundo o IBRAC – Instituto Brasileiro da Cachaça – as vendas estavam aumentando e a procura por marcas de maior qualidade também, mas a alta na tributaçao pode frear este ritmo.
Quando a gente pensa no cenário internacional e imagina as grandes oportunidades de estar ao lado da Rússia com sua Vodka, do Caribe com seu Rum, do México com sua Tequila, com nossas cachaças nao parece existir outro caminho senao o de investir em marca. Construir e comunicar.
Se vc só ler um veículo de comunicação, e acreditar nele, vc é boi de boiada.–QUALQUER UM.
Pra vc ter uma visão do Brasil, primeiro tem que saber quem escreve pró e contra o governo.
Em segundo lugar, se é que se interessa pelo Brasil ou pela leitura, tem que se despojar do seu maniqueísmo pré formado desde antes da faculdade que vc cursou–ou desistiu.
Em terceiro lugar,nada é estático. As pessoas mudam ,então não fique parado e sonhando com que vc ouviu em tempos idos.
”Partidos ” repartidos mudam mais ainda. Procure se informar lendo e ouvindo todos os lados.
Quarto lugar, não seja trouxa ao acreditar em pessoas mais envolventes e carismáticas que outras .Nem sempre são os verdadeiros, apenas tem uma retórica melhor.
E pra terminar : ‘NUNCAANTESNESTEPAÍS”, é muita petulância,né ?
“O Regresso” e “Mad Max: Estrada da Fúria” lideram indicações ao Oscar 2016
Indicados ao Oscar 20169 fotos
1 / 9″O Regresso” lidera a corrida do Oscar 2016 com 12 indicações, seguido de “Mad Max: Estrada da Fúria” (10), “Perdido em Marte” (7), “Spotlight – Segredos Revelados” (6) e “Ponte dos Espiões” (6) Divulgação/Montagem UOL
Depois de conseguir nove indicações ao Oscar para “Birdman” em 2015 (e levar quatro troféus), o diretor Alejandro González Iñárritu repetiu a façanha com seu novo filme, “O Regresso”, que foi lembrado em 12 categorias dos prêmios da Academia, anunciados nesta quinta-feira (14).
Estrelado por Leonardo DiCaprio, o longa foi indicado como melhor filme, diretor, ator (DiCaprio), ator coadjuvante (Tom Hardy), fotografia, figurino, montagem, maquiagem e cabelo, design de produção, edição de som, mixagem de som, efeitos visuais. A expectativa em torno de uma possível premiação a DiCaprio é grande, já que esta é a quinta indicação do ator, que nunca foi premiado.
“O Regresso” se inspira na história real de um caçador atacado por um urso e abandonado por seus companheiros, que o deram como morto. Mas ele sobrevive e parte em busca de vingança. A equipe do longa relatou que as filmagens, no Canadá e na Argentina, foram um “inferno”, com longas cenas rodadas em duras condições climáticas e temperaturas abaixo de zero.
“Mad Max: Estrada da Fúria” também se destacou, com dez indicações: filme, direção (George Miller), fotografia, figurino, maquiagem e cabelo, montagem, design de produção, edição de som, mixagem de som, efeitos visuais. O filme retoma o personagem interpretado por Mel Gibson, dessa vez com Tom Hardy no papel, e volta ao mundo apocalíptico castigado por seca e contaminação radioativa.
Entre os indicados também há um representante brasileiro: a animação “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, que já havia vencido diversas premiações internacionais, inclusive a do Festival de Annecy, principal evento de animação no mundo. A disputa não será fácil, pois concorre na mesma categoria “Divertida Mente'”, produção da Pixar, principal estúdio de animação do mundo, que já levou sete estatuetas na categoria.
“Star Wars: O Despertar da Força”, que estreou quase no limite para se classificar para o Oscar, em dezembro de 2015, conseguiu quatro indicações, principalmente em categorias mais técnicas: montagem, trilha original, edição de som e mixagem de som.
“Carol”, que foi premiado por diversas associações de cíticos de cinema e liderou as indicações do Bafta, o “Oscar inglês”, acabou ficando de fora das principais categorias, como melhor filme e direção, e foi lembrado apenas em melhor atriz (Cate Blanchett, em sua sétima indicação), atriz coadjuvante (Rooney Mara), fotografia, figurino, trilha original e roteiro adaptado.
“Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”, que havia sido citado nas apostas de diversos críticos também foi um dos esnobados pela Academia, com indicações apenas como roteiro original.
Entre os documentários, destacam-se duas produções sobre estrelas da música: “Amy”, sobre Amy Winehouse, e “What Happened, Miss Simone?”, produção do Netflix sobre Nina Simone. O Netflix também foi indicado pelo documentário “Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom”. O serviço de streaming estava cotado para ser indicado por “Beasts of no Nation”, filme que estreou no Festival de Veneza, mas foi ignorado pela Academia.
O anúncio foi feito pela presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, pelos cineastas Guillermo del Toro e Ang Lee e pelo ator John Krasinski.
Os vencedores da estatueta dourada serão conhecidos em cerimônia no dia 28 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles.
Veja abaixo a lista completa de indicados:
FILME
“A Grande Aposta” “Ponte dos Espiões” “Brooklyn” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em Marte” “O Regresso” “O Quarto de Jack” “Spotlight – Segredos Revelados”
DIREÇÃO
Adam McKay, “A Grande Aposta” George Miller, “Mad Max: Estrada da Fúria” Alejandro G. Iñarritu, “O Regresso” Lenny Abrahamson, “O Quarto de Jack” Tom McCarthy, “Spotlight: Segredos Revelados”
ATOR
Bryan Cranston, “Trumbo – Lista Negra” Leonardo DiCaprio, “O Regresso” Eddie Redmayne, “A Garota Dinamarquesa” Michael Fassbender, “Steve Jobs” Matt Damon, “Perdido em Marte”
ATOR COADJUVANTE
Christian Bale, “A Grande Aposta” Tom Hardy, “O Regresso” Mark Ruffalo, “Spotlight – Segredos Revelados” Mark Rylance, “Ponte dos Espiões” Sylvester Stallone, “Creed: Nascido Para Lutar”
ATRIZ
Cate Blanchett, “Carol” Brie Larson, “O Quarto de Jack” Jennifer Lawrence, “Joy: O Nome do Sucesso” Charlotte Rampling, “45 Anos” Saoirse Ronan, “Brooklyn”
ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Jason Leigh, “Os Oito Odiados” Rooney Mara, “Carol” Rachel McAdams, “Spotlight” Alicia Vikander, “A Garota Dinamarquesa” Kate Winslet, “Steve Jobs”
ROTEIRO ORIGINAL
“Ponte dos Espiões” “Ex-Machina: Instinto Artificial” “Divertida Mente” “Spotlight: Segredos Revelados” “Straight Outta Comptom – A História de N.W.A”
ROTEIRO ADAPTADO
“A Grande Aposta” “Brooklyn” “Carol” “Perdido em Marte” “O Quarto de Jack”
DOCUMENTÁRIO
“Amy” “Cartel Land” “The Look of Silence” “O Que Aconteceu, Miss Simone?” “Winter on Fire”
DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
“Body Team 12” “Chau, beyond the Lines” “Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah” “A Girl in the River: The Price of Forgiveness” “Last Day of Freedom”
MONTAGEM
“A Grande Aposta” “Mad Max: Estrada de Fúria” “O Regresso” “Spotlight: Segredos Revelados” “Star Wars: O Despertar da Força”
MAQUIAGEM E CABELO
“Mad Max: Estrada da Fúria” Lesley Vanderwalt, Elka Wardega and Damian Martin “The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared” Love Larson and Eva von Bahr “O Regresso” Siân Grigg, Duncan Jarman and Robert Pandini
TRILHA SONORA ORIGINAL
“Ponte dos Espiões” Thomas Newman “Carol” Carter Burwell “Os Oito Odiados” Ennio Morricone “Sicário: Terra de Ninguém” Jóhann Jóhannsson “Star Wars: O Despertar da Força” John Williams
DESIGN DE PRODUÇÃO
“Ponte dos Espiões” “A Garota Dinamarquesa” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em Marte” “O Regresso”
CURTA-METRAGEM
“Ave Maria” “Day One” “Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)” “Shok” “Stutterer”
ANIMAÇÃO
“Anomalisa” “O Menino e o Mundo” “Divertida Mente” “Shaun, o Carneiro” “Quando Estou com Marnie”
CURTA DE ANIMAÇÃO
“Bear Story” “World of Tomorrow” “Prologue” “We Can’t Live Without Cosmos” “Os Heróis de Sanjay”
FILME ESTRANGEIRO
“O Abraço da Serpente” (Colômbia) “Cinco Graças” (França) “O Filho de Saul” (Hungria) “Theeb” (Emirados Árabes) “A War” (Dinamarca)
FOTOGRAFIA
“Carol” “Os Oito Odiados” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Sicário: Terra de Ninguém” “O Regresso”
“Earned It”, de “Cinquenta Tons de Cinza” (Abel Tesfaye/Ahmad Balshe/Jason Daheala/Stephan Moccio) “Manta Ray”, de “A Corrida contra a Extinção” (J. Ralph/Antony Hegarty) “Simple Song #3”, de “Juventude” (David Lang) “Til It Happens To You”, de “The Hunting Ground” (Diane Warren/Lady Gaga) “Writing’s On The Wall”, de “007 Contra Spectre” (Jimmy Napes/Sam Smith)
EFEITOS VISUAIS
“Ex Machina” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em Marte” “O Regresso” “Star Wars: O Despertar da Força”
EDIÇÃO DE SOM
“Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em marte” “O Regresso” “Sicário: Terra de Ninguém” “Star Wars: O Despertar da Força”
MIXAGEM DE SOM
“Ponte dos Espiões” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em Marte” “O Regresso” “Star Wars: O Despertar da Força”
Divaldo, Deus te abençoe. É tão difícil entender que no Brasil, sendo a “Pátria do Evangelho”, ainda existam tantas pessoas que não amam o próximo. Por quê?
– Porque não são Espíritos do Brasil. Vêm de outras pátrias, de outras raças. Não são almas brasileiras. Vêm para cá, porque, se ficassem nos seus países de origem, os sentimentos de rancor e ressentimentos torná-los-iam mais desventurados.
Após a Revolução Francesa de 1789, quando a França se libertou da Casa dos Bourbons, os grandes filósofos da libertação sonharam com os direitos do homem, direitos que foram inscritos nos códigos de justiça em 1791 e que, até hoje, ainda não são respeitados, embora em 1947, no mês de dezembro, a ONU voltasse a reconhecê-los. Depois daquele movimento libertário, o que aconteceu com os franceses? Os dois partidos engalfinharam-se nas paixões sórdidas e políticas e como conseqüência, os grandes filósofos cederam lugar aos grandes fanáticos, e a França experimentou os dias de terror, quando a guilhotina, arma criada por José Guilhotin, chegava a matar mais de mil pessoas por dia. Esses Espíritos saíam desesperados do corpo e ficavam na psicosfera da França buscando vingança.
Viajando pelo mundo, onde tenho encontrado brasileiros espíritas, descubro uma célula espírita. Começa-se com um estudo do Evangelho no lar, depois chama-se os amigos, os vizinhos, forma-se um grupo e, hoje, na Europa. 90% dos grupos espíritas são criados por brasileiros. Com exceção de Portugal. Espanha e um pouquinho da França, o movimento é todo de brasileiros e latinos acendendo as labaredas do Evangelho de Jesus. Não há pouco tempo, brasileiros na Holanda encontraram as obras de Kardec traduzidas para o holandês, brasileiros na Suíça revisaram O Evangelho segundo o Espiritismo e se está tentando publicar as obras de Kardec, agora em alemão. Brasileiros na América do Norte retraduziram O Livro dos Espíritos e O Evangelho, que o foi por um protestante, que substituiu a palavra reencarnação por ressurreição. Brasileiros em Londres, com alguns ingleses, já formam oito grupos espíritas e seria fastidioso se fosse enumerando na Ásia, na África…
Certa feita recebi um telefonema de uma cidade asiática. Tratava-se de uma consulesa do Brasil que me dizia o seguinte: “Eu estou no outro lado do mundo, sou espírita, tenho três filhos rapazes – um de 10, um de 14 e outro de 18 anos. Tenho-lhes ensinado o Espiritismo, mas o meu filho mais velho está na Universidade e me faz perguntas muito embaraçosas; aqui eu não tenho acesso a maiores instruções. Queria convidá-lo a vir aqui dar umas aulas de Espiritismo ao meu filho. Você viria?” Eu respondi-lhe: – Sim, senhora, com a condição de conseguir-se espaço para eu falar em auditório publico sobre o Espiritismo: – O marido era o representante dos negócios do Brasil no país. – Se a senhora aceitar a condição, ficaria alguns dias para debater com os seus meninos. Como não falo inglês, seu filho será o meu intérprete.
E assim, fiz a longa viagem de 36 horas com escalas e lá, naturalmente, ela me disse: “Mas, Divaldo, onde vamos ter esse encontro?” Eu lhe respondi: “Tive uma entrevista com o Baghavan Swami Sai Baba, e sei que essa é uma cidade em que há um grande movimento Babista e, se a senhora conseguir um grupo Sai Baba eu me prontifico a fazer uma conferência ali”.
Encontramos o representante de Sai Baba para a Ásia e ele ficou muito feliz porque Swami havia-me recebido. Ele reuniu mil pessoas para que eu falasse sobre o Espiritismo. Fiquei até com pena dele! E pensei: “Vou arrastar toda a turma de Sai Baba para o Sr. Allan Kardec” (risos…).
Então, fiz a palestra, falei sobre Allan Kardec, sobre as comunicações, ele ficou tão sensibilizado, que me perguntou se eu teria coragem de ir a Cingapura para fazer a mesma coisa. Eu lhe respondi: – O senhor me mandando até o CingaInferno eu irei para falar sobre o Espiritismo. Fui a Cingapura e fiz uma viagem pela Ásia e, onde havia brasileiros, lá estavam eles…
<div 5px;”=””>
A missão do Brasil, “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo” não é a de sermos todos ricos, maravilhosamente ricos; é a de sermos maravilhosamente espiritualizados, sem nenhum demérito para os outros países, que são todos amados por Deus e por Jesus em igualdade de condição. Aqui entra o nacionalismo, para ver se a gente ama um pouquinho mais este país que está passando uma fase de grande desprestígio. Deus só tem ajudado no Tênis! Que Ele tenha compaixão de nós e nos ajude também no Futebol e noutra coisa qualquer! (risos…).
Nós somos as cartas vivas do Evangelho. Jesus escreveu em nossa alma a Sua mensagem. Onde quer que vamos, que brilhe a nossa luz; mas, para que ela brilhe, é necessário que a acendamos, e o combustível dessa luz é a fraternidade. Assim, todos saberão que estamos ligados a Ele, graças à presença dos bons Espíritos, que aqui estão conosco, e sempre se encontram a qualquer hora. Como disse Kardec, com muita propriedade, todos têm seu Guia espiritual que os inspira; dessa forma, todos são médiuns, estão sintonizados com esses.
Concluirei com uma pequena narrativa, sobre um homem que era muito ignorante, muito modesto, muito pobre. Todo dia ele entrava na igreja, próximo ao horário de fechar as portas; ajoelhava-se diante do altar-mor, ficava dois minutos e saía. O sacerdote, que cuidava da igreja, ficou muito intrigado, e achou que ele estava observando algo para furtar ou para roubar, passando a ficar mais vigilante. Mas, ele chegava, ajoelhava-se, dobrava-se, balbuciava algo e ia-se embora. Um dia, o sacerdote não suportou mais e perguntou: “O que é que você vem fazer aqui, um miserável como é? Por que não vem à missa? Só vem na hora em que a igreja vai ser fechada?” Ele respondeu: “É porque eu sou muito pobre.” O sacerdote continuou: – “E por que vai ao altar-mor. Como se atreve?” Ele respondeu: – “Pois é, quando a igreja vai fechar, eu entro correndo e digo: Jesus, eu estou aqui. Se precisar é só chamar! E vou embora”. O sacerdote achou aquilo intrigante.
Anos depois, aquele mendigo adoeceu e foi levado para uma casa de emergência, de caridade. Quando, um dia, a enfermeira foi colocar o seu alimento sobre uma cadeira, ao lado da cama, ele pediu: – “Oh, por favor, não bote aí!” A jovem perguntou: – “Por que não?” E o homem respondeu: – “Porque essa cadeira de vez em quando, fica ocupada.” Ele deveria estar delirando, a enfermeira pensou, e respeitou-o. Começou a notar que todo dia, um pouco antes das 18 horas, o rosto dele se iluminava! Ele sorria e dizia: – “Muito obrigado! Muito obrigado!” Ela achava que era delírio, mas, como ele era perfeitamente saudável da mente, num desses dias, quando terminou de agradecer, ela indagou: – “Não repare, mas o que você está agradecendo?” Ele esclareceu: – “É a uma visita que chega todo dia cinco para as seis.” Ela continuou: – “Que visita é essa?” – É Jesus. Ele sempre vem e diz-me: – “Olhe, estou aqui. Se precisar de mim é só chamar!…”.
Se precisarmos de Jesus, é só chamarmos! (XIF-2001)
Texto Extraído do livro: APRENDENDO COM DIVALDO. Entrevistas / Divaldo Pereira Franco:São Gonçalo, RJ: Organizado pela SEJA, Editora e Distribuidora de Livros Espíritas, 2002, p. 69-74.
Dois Milhões de Espíritos Franceses Reencarnaram no Brasil
– Divaldo, Deus te abençoe. É tão difícil entender que no Brasil, sendo a “Pátria do Evangelho”, ainda existam tantas pessoas que não amam o próximo. Por quê?
– Porque não são Espíritos do Brasil. Vêm de outras pátrias, de outras raças. Não são almas brasileiras. Vêm para cá, porque, se ficassem nos seus países de origem, os sentimentos de rancor e ressentimentos torná-los-iam mais desventurados.
Após a Revolução Francesa de 1789, quando a França se libertou da Casa dos Bourbons, os grandes filósofos da libertação sonharam com os direitos do homem, direitos que foram inscritos nos códigos de justiça em 1791 e que, até hoje, ainda não são respeitados, embora em 1947, no mês de dezembro, a ONU voltasse a reconhecê-los. Depois daquele movimento libertário, o que aconteceu com os franceses? Os dois partidos engalfinharam-se nas paixões sórdidas e políticas e como conseqüência, os grandes filósofos cederam lugar aos grandes fanáticos, e a França experimentou os dias de terror, quando a guilhotina, arma criada por José Guilhotin, chegava a matar mais de mil pessoas por dia. Esses Espíritos saíam desesperados do corpo e ficavam na psicosfera da França buscando vingança.
Viajando pelo mundo, onde tenho encontrado brasileiros espíritas, descubro uma célula espírita. Começa-se com um estudo do Evangelho no lar, depois chama-se os amigos, os vizinhos, forma-se um grupo e, hoje, na Europa. 90% dos grupos espíritas são criados por brasileiros. Com exceção de Portugal. Espanha e um pouquinho da França, o movimento é todo de brasileiros e latinos acendendo as labaredas do Evangelho de Jesus. Não há pouco tempo, brasileiros na Holanda encontraram as obras de Kardec traduzidas para o holandês, brasileiros na Suíça revisaram O Evangelho segundo o Espiritismo e se está tentando publicar as obras de Kardec, agora em alemão. Brasileiros na América do Norte retraduziram O Livro dos Espíritos e O Evangelho, que o foi por um protestante, que substituiu a palavra reencarnação por ressurreição. Brasileiros em Londres, com alguns ingleses, já formam oito grupos espíritas e seria fastidioso se fosse enumerando na Ásia, na África…
Certa feita recebi um telefonema de uma cidade asiática. Tratava-se de uma consulesa do Brasil que me dizia o seguinte: “Eu estou no outro lado do mundo, sou espírita, tenho três filhos rapazes – um de 10, um de 14 e outro de 18 anos. Tenho-lhes ensinado o Espiritismo, mas o meu filho mais velho está na Universidade e me faz perguntas muito embaraçosas; aqui eu não tenho acesso a maiores instruções. Queria convidá-lo a vir aqui dar umas aulas de Espiritismo ao meu filho. Você viria?” Eu respondi-lhe: – Sim, senhora, com a condição de conseguir-se espaço para eu falar em auditório publico sobre o Espiritismo: – O marido era o representante dos negócios do Brasil no país. – Se a senhora aceitar a condição, ficaria alguns dias para debater com os seus meninos. Como não falo inglês, seu filho será o meu intérprete.
E assim, fiz a longa viagem de 36 horas com escalas e lá, naturalmente, ela me disse: “Mas, Divaldo, onde vamos ter esse encontro?” Eu lhe respondi: “Tive uma entrevista com o Baghavan Swami Sai Baba, e sei que essa é uma cidade em que há um grande movimento Babista e, se a senhora conseguir um grupo Sai Baba eu me prontifico a fazer uma conferência ali”.
Encontramos o representante de Sai Baba para a Ásia e ele ficou muito feliz porque Swami havia-me recebido. Ele reuniu mil pessoas para que eu falasse sobre o Espiritismo. Fiquei até com pena dele! E pensei: “Vou arrastar toda a turma de Sai Baba para o Sr. Allan Kardec” (risos…).
Então, fiz a palestra, falei sobre Allan Kardec, sobre as comunicações, ele ficou tão sensibilizado, que me perguntou se eu teria coragem de ir a Cingapura para fazer a mesma coisa. Eu lhe respondi: – O senhor me mandando até o CingaInferno eu irei para falar sobre o Espiritismo. Fui a Cingapura e fiz uma viagem pela Ásia e, onde havia brasileiros, lá estavam eles…
<div 5px;”=””>
A missão do Brasil, “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo” não é a de sermos todos ricos, maravilhosamente ricos; é a de sermos maravilhosamente espiritualizados, sem nenhum demérito para os outros países, que são todos amados por Deus e por Jesus em igualdade de condição. Aqui entra o nacionalismo, para ver se a gente ama um pouquinho mais este país que está passando uma fase de grande desprestígio. Deus só tem ajudado no Tênis! Que Ele tenha compaixão de nós e nos ajude também no Futebol e noutra coisa qualquer! (risos…).
Nós somos as cartas vivas do Evangelho. Jesus escreveu em nossa alma a Sua mensagem. Onde quer que vamos, que brilhe a nossa luz; mas, para que ela brilhe, é necessário que a acendamos, e o combustível dessa luz é a fraternidade. Assim, todos saberão que estamos ligados a Ele, graças à presença dos bons Espíritos, que aqui estão conosco, e sempre se encontram a qualquer hora. Como disse Kardec, com muita propriedade, todos têm seu Guia espiritual que os inspira; dessa forma, todos são médiuns, estão sintonizados com esses.
Concluirei com uma pequena narrativa, sobre um homem que era muito ignorante, muito modesto, muito pobre. Todo dia ele entrava na igreja, próximo ao horário de fechar as portas; ajoelhava-se diante do altar-mor, ficava dois minutos e saía. O sacerdote, que cuidava da igreja, ficou muito intrigado, e achou que ele estava observando algo para furtar ou para roubar, passando a ficar mais vigilante. Mas, ele chegava, ajoelhava-se, dobrava-se, balbuciava algo e ia-se embora. Um dia, o sacerdote não suportou mais e perguntou: “O que é que você vem fazer aqui, um miserável como é? Por que não vem à missa? Só vem na hora em que a igreja vai ser fechada?” Ele respondeu: “É porque eu sou muito pobre.” O sacerdote continuou: – “E por que vai ao altar-mor. Como se atreve?” Ele respondeu: – “Pois é, quando a igreja vai fechar, eu entro correndo e digo: Jesus, eu estou aqui. Se precisar é só chamar! E vou embora”. O sacerdote achou aquilo intrigante.
Anos depois, aquele mendigo adoeceu e foi levado para uma casa de emergência, de caridade. Quando, um dia, a enfermeira foi colocar o seu alimento sobre uma cadeira, ao lado da cama, ele pediu: – “Oh, por favor, não bote aí!” A jovem perguntou: – “Por que não?” E o homem respondeu: – “Porque essa cadeira de vez em quando, fica ocupada.” Ele deveria estar delirando, a enfermeira pensou, e respeitou-o. Começou a notar que todo dia, um pouco antes das 18 horas, o rosto dele se iluminava! Ele sorria e dizia: – “Muito obrigado! Muito obrigado!” Ela achava que era delírio, mas, como ele era perfeitamente saudável da mente, num desses dias, quando terminou de agradecer, ela indagou: – “Não repare, mas o que você está agradecendo?” Ele esclareceu: – “É a uma visita que chega todo dia cinco para as seis.” Ela continuou: – “Que visita é essa?” – É Jesus. Ele sempre vem e diz-me: – “Olhe, estou aqui. Se precisar de mim é só chamar!…”.
Se precisarmos de Jesus, é só chamarmos! (XIF-2001)
Texto Extraído do livro: APRENDENDO COM DIVALDO. Entrevistas / Divaldo Pereira Franco:São Gonçalo, RJ: Organizado pela SEJA, Editora e Distribuidora de Livros Espíritas, 2002, p. 69-74.
Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, João Doria, ressalta sua oposição ao ex-presidente Lula; segundo a colunista Sônia Racy, ele esclarece que na eleição de 1989, votou no primeiro turno em Mario Covas; no segundo, em Collor: “Contra Lula, se necessário, voto até no diabo”, disse
Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, João Doria, do grupo Lide, ressalta sua oposição ao ex-presidente Lula.
Segundo a colunista Sônia Racy, ele esclarece que na eleição de 1989, votou no primeiro turno em Mario Covas; no segundo, em Collor:
“Contra Lula, se necessário, voto até no diabo”, disse (leia aqui)
Em todas as suas ações, os Estados Unidos estão engajados em preservar ou ampliar sua hegemonia como única potência mundial. Esta é a tese central de A Segunda Guerra Fria: Geopolítica e Dimensão Estratégica dos Estados Unidos – Das rebeliões na Eurásia à África do Norte e ao Oriente Médio(Civilização Brasileira, 714 páginas, R$80), novo livro de Luiz Alberto Moniz Bandeira, um dos maiores especialistas brasileiros no assunto. A seguir, Moniz Bandeira, professor titular aposentado de história da política exterior do Brasil da Universidade de Brasília (UnB), aprofunda alguns dos argumentos de sua tese, entre eles o de que, sem o apoio dos EUA, a chamada Primavera Árabe não teria ocorrido. Que os EUA buscam o controle global sobre o mundo está documentado. O general Colin Powell, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, no governo de George H. Bush, recomendou aos EUA impedir a União Europeia de tornar-se uma potência militar, fora da OTAN, a remilitarização do Japão e da Rússia, e desencorajar qualquer desafio à sua preponderância ou tentativa de reverter a ordem econômica e política internacionalmente estabelecida. Em 1992, Dick Cheney, então secretário de Defesa, divulgou um documento no qual estabeleceu que a primeira missão política e militar dos EUA pós-Guerra Fria consistia em impedir o surgimento de algum poder rival na Europa, na Ásia e na extinta União Soviética. A dominação de espectro total significava a ampliação e consolidação da hegemonia planetária dos Estados Unidos. Era o objetivo dos neoconservadores de George W. Bush, endossado por Barack Obama. A espionagem da NSA, da qual tratei também no meu livro Formação do Império Americano, é um instrumento para a conduzir as operações de informação, com o propósito de “facilitar e proteger os processos de tomada de decisão nos EUA, e, em um conflito, degradar os do adversário”. Quando se trata de estabelecer dominação de espectro, a guerra é contra todos os países, por diferentes meios, para submetê-los à condição de vassalos.
As relações econômicas moderam a rivalidade, mas não a eliminam. Grandes corporações americanas entre as quais Boeing, Caterpillar, General Motors, 3M, United Technologies, DuPont, Apple, Qualcomm, Intel Corp e IBM estão a depender do crescimento do mercado na China. E a economia dos EUA, como um todo, depende fortemente do influxo de capitais de outros países, como a China. O Banco Central chinês, em setembro de 2013, possuia reservas da ordem de 3,6 trilhões de dólares. Um calote dos EUA, cuja possibilidade não se pode descartar, abalaria profundamente a China. O governo de Beijing passou a acelerar a estratégia para destituir o dólar do status de moeda de reserva mundial, impulsionando a globalização do yuan. Enquanto o dólar for moeda internacional de reserva, os EUA manterão a supremacia mundial. A economia de “free markets” no estilo que os Estados Unidos querem manter engata os países a um sistema de força, compelindo-os a aceitar dólares sem limites. E há no mínimo cerca de 20 trilhões de dólares, valor muito superior ao PIB americano, em circulação no mundo. A China e demais países têm de comprar esses dólares sem lastro (US Treasury Bond) apresentados como os investimentos mais seguros, porque não há alternativas, e assim eles voltam aos Estados Unidos, para financiar o consumo do povo americano, o déficit orçamentário e suas guerras. E a China quer libertar-se desse sistema, assim como a Rússia, Brasil e outros países.
Existem também fatores geopolíticos que aguçam a rivalidade. Através da rota marítima, ao sul da China, circula cerca de um terço do comércio mundial e a região possui reservas inexploradas de gás e petróleo. A essa região do Pacífico o presidente Barack Obama deu “máxima prioridade” na política externa dos Estados Unidos e lá aumentou sua presença militar, inclusive com o envio de 2,2 mil soldados para o norte da Austrália, o que provocou forte reação da China. Os Estados Unidos temem o rápido crescimento e militarização da China. Porém, nada podem fazer para impedi-lo. Com o desenvolvimento tecnológico e a globalização da economia, a possibilidade de guerras entre grandes Estados virtualmente desvaneceu. E os Estados Unidos, com todo o seu potencial bélico, dificilmente prevaleceriam sobre um país cuja população é cinco vezes maior do que o tamanho da população americana.
O pretexto dos Estados Unidos sempre foi a promoção da democracia, porém, uma democracia que signifique livre mercado, livre circulação de capitais e de mercadorias, livre câmbio e que eles possam controlar através do seu poder econômico. E a experiência já demonstrou, no Brasil e em toda a América Latina, que os Estados Unidos intervieram, apoiando golpes militares, quando a democracia atendeu às demandas populares, em detrimento dos seus interesses. Agora os Estados Unidos continuam a intervir, mas sorrateiramente, por meio de organizações não governamentais (ONGs), financiadas pela National Endowment for Democracy (NED), Agency for International Development (USAID), Freedom House e outras entidades e fundações americanas, que lavam o dinheiro da CIA e financiam os movimentos para promover a mudança de mudança de regime, sem golpe de Estado. A estratégia agora adotada, baseada nos ensinamentos do professor Gene Sharp, no From Dictatorship to Democracy, e do coronel David Galula é a da “guerra fria revolucionária”, na qual as atividades de insurgência permanecem, na maior parte do tempo, dentro da legalidade, realizando manifestações e provocando medidas a serem denunciadas como violência das autoridades, a divulgação de rumores falsos ou verdadeiros destinados a solapar a credibilidade e a confiança no governo por vários meios, mediante a guerra psicológica, social, econômica e política. A Segunda Guerra demonstra, documentadamente, como esses métodos nas revoltas ocorridas na Sérvia, Ucrânia, Geórgia, bem como nos países da África do Norte e Oriente Médio.
Democracia e liberdade para os Estados Unidos não significam, atualmente, o mesmo que em 1776, quando a guerra pela independência das 13 colônias da Inglaterra começou. Naquela época, para Tom Paine, os Estados Unidos eram o “império da liberdade”, onde havia igualdade perante a lei, igualdade de direitos políticos e igualdade de oportunidades. Com o tempo, tanto os conceitos de democracia e liberdade foram corrompidos. Os Estados Unidos estão a converter-se em uma democracia totalitária. E o que sempre pretenderam foi exportar para outros países, desde que começaram a expandir o “imperialismo da retidão” não foi a forma de democracia mas a democracia de forma, aquela que atendia aos seus interesses econômicos, comercias, políticos e estratégicos.
Os EUA não são um país homogêneo. Há profundas contradições internas refletidas na sua política exterior e nas relações exteriores. A grande maioria do povo não queria enviar seus filhos para o Kosovo. A tática adotada, então, foi fazer a guerra desde as altitudes, sem empregar tropas terrestres de modo que os americanos não morressem e as baixas não provocassem protestos domésticos, como acontecera durante a guerra no Vietnã. Os Estados Unidos pretendiam expandir a função da OTAN e dominar a Bósnia-Herzegovina e o Kosovo, pois os Bálcãs se revestem de importância econômica e estratégica, dado ser a rota para a Palestina, Iraque, Irã, o Mar Cáspio e a Transcaucásia, onde as corporações americanas projetavam explorar vastas jazidas de petróleo lá existentes. Quanto ao Egito, a situação era muito diferente, pois o país tornara-se estrategicamente de maior relevância para os EUA. O relacionamento com o Egito, cuja situação não está estabilizada, é muito delicado para os EUA dada a situação de Israel e o conflito na Palestina.
Há muitas exceções, na mídia, sobretudo em jornais dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e a Alemanha, onde trabalham notáveis jornalistas, que exercem a profissão com a maior independência, embora alguns jornais possam atender às pressões do governo, como aconteceu quando passaram a chamar a resistência no Iraque de insurgência, quando os Estados Unidos e Grã-Bretanha derrubaram o regime de Saddam Hussein. E o fato é que o Army Civil Affairs and Psychological Operations Command (USACAPOC), dos Estados Unidos, e o MI6, ramo externo do Serviço Secreto de Inteligência da Grã-Bretanha usaram e usam a mídia internacional como veículo de desinformação e contra-informação, encobrindo o envolvimento direto e/ou indireto do Ocidente, sobretudo, nos levantes na Líbia e na Síria. O MI6 tem uma divisão dedicada às Operações de Informação, que planeja as operações de guerra psicológica. Uma de suas principais tarefas é plantar, na imprensa, falsas histórias, rumores e desinformação. E a estratégia para intervir na Líbia consistiu em construir, através da mídia, um imaginário, em que o ditador Muammar Gaddafi estava na iminência de massacrar os civis. A manipulação das notícias pela mídia – BBC, CNN, Al-Arabiya e Al-Jazeera – desinformando e exagerando o número de mortos, foi o que contribuiu decisivamente para criar no Conselho de Segurança da ONU o clima contra a Líbia e o mesmo se tentou contra a Síria. Um dos rebeldes, Qusai Abdel-Razzaq Shaqfeh, da província de Hama, confessou em programa da TV estatal de Damasco que havia atuado como testemunha e fabricado falsas notícias e vídeos sobre eventos para TV Al-Jazeera, com sede em Doha, e colaborado com estrangeiros para armar grupos e atacar as forças de segurança do governo e civis, e, ajudado por profissionais, a montar programas, filmando demonstrações encenadas, para enviar os vídeos aos canais árabes de televisão.
Os episódios do WikiLeaks e da espionagem da NSA não abalam o poder dos EUA, mas arranharam bastante sua imagem e, possivelmente, o prestígio e influência junto na opinião pública de alguns países, já bastante desgastados pelos presidentes George W. Bush e Barack Obama pelas guerras em que se envolveram e as matanças com drones de civis inocentes, pelo gulag, o campo de concentração de Guantánamo, e pela sistemática violação dos direitos humanos, com soldados americanos brutalizando, torturando e humilhando os prisioneiros em Abu Ghraib, no Iraque.
Os Estados Unidos intoxicaram-se com a vitória na Segunda Guerra Mundial e julgaram, após o fim do regime soviético, que seu império ainda poderia durar 300 anos. Porém, o militarismo sempre constituiu o meio pelo qual todos os impérios se suicidaram. Em agosto de 2007, David M. Walker, chefe do Government Accountability Office (GAO), órgão do Congresso americano encarregado da auditoria dos gastos do governo, advertiu que o país estava sobre uma “plataforma abrasante” de políticas e práticas insustentáveis, escassez crônica de recursos para a saúde, problemas de imigração e compromissos militares externos, que ameaçavam eclodir se medidas não fossem em breve adotadas. Sem um estado de guerra permanente a economia dos Estados Unidos deixa de funcionar. O mesmo aconteceu com o Império Romano. Mas não será nenhuma outra potência que derrotará o Império Americano. Ele há de desmoronar, ao longo de algumas décadas, sob o peso de suas contradições econômicas. Os Estados Unidos não podem aumentar, indefinidamente, a dívida pública, que já se tornou impagável, emitir dólares sem lastros para comprar petróleo e outras as mercadorias – commodities e manufaturas – e importar capitais de outros países, mediante a venda de bônus do Tesouro, para financiar o déficit orçamentário, o consumo, que excede a produção, e as guerras que empreende a fim de sustentar a indústria bélica e sua cadeia produtiva, da qual sua economia tanto depende.
O capitalismo americano
“Years before the Declaration of Independence…Benjamin Franklin, George Washington and Thomas Jefferson, as well as a considerable ratio of New England´s most proeminent Congregationalist ministers already talked of America reaching the Mississippi or even the Pacific to become the next century great empire”Kevin Phillips, “The Cousins´ Wars”, Basic Books, New York, 1999, P:116 A publicação – em 1894 – do livro do economista inglês, John A. Hobson (1858-1940) – “A Evolução do Capitalismo Moderno” – transformou-se numa referencia obrigatória para a interpretação do desenvolvimento econômico dos Estados Unidos. Depois de Hobson, vários historiadores e economistas retomaram sua tese sobre a originalidade radical do capitalismo americano, vis a vis o desenvolvimento europeu. Em particular, depois da Guerra de Secessão (1861-1865), com o surgimento das grandes corporações e do capital financeiro que teriam revolucionado a organização microeconômica, e mudado a face do capitalismo mundial. Do nosso ponto de vista, entretanto, estas transformações ajudam a entender o “milagre econômico” americano do início do século XX, mas não explicam as próprias transformações.
Os Estados Unidos foram o primeiro estado nacional que nasceu fora da Europa, mas não fora do sistema geopolítico e econômico europeu. Pode-se dizer inclusive, que a “Guerra da Independência” americana foi, em grande parte, um capítulo da disputa entre a Inglaterra e a França pela supremacia mundial. E sua conquista definitiva ocorreu entre as duas grandes guerras (“Dos 7 Anos” e “Bonapartista”) que definiram a hierarquia de poder internacional, e a supremacia inglesa, dentro e fora da Europa, a partir de 1815.
Durante este período de guerras, os Estados Unidos sempre se sentiram “cercados” e ameaçados – simultânea ou sucessivamente – pela Inglaterra, França e Espanha, e tiveram que negociar seu reconhecimento e suas fronteiras com o “núcleo duro” das Grandes Potências europeias.
Assim mesmo, os EUA acabaram se transformando no único estado nacional extra-europeu que nasceu de um império e de uma economia em plena expansão vitoriosa. Mais do que isto, durante a chamada “revolução industrial” que transformou os Estados Unidos – imediatamente – na primeira periferia “primário-exportadora” de sucesso da economia industrial inglesa. Situação econômica privilegiada que se consolidou e expandiu durante todo o século XIX, antes e depois da Guerra de Secessão, enquanto a Inglaterra abria espaços de expansão comercial para sua ex-colônia, e assumia a responsabilidade – em alguns momentos – por cerca de 60% do investimento direto dentro de todo o território norte-americano, que passou a fazer parte de uma espécie de “zona de co-prosperidade” anglo-saxônica , ou mesmo, num caso avant la lettre, de “desenvolvimento a convite”, da Inglaterra.
Por outro lado, desde sua independência, os Estados Unidos foram governados por uma elite coesa e com um intense commitment imperial, e mantiveram um ritmo de expansão política e territorial contínua, através da guerra, da diplomacia e do comércio. Antes da Guerra Civil, foram 37 “guerras indígenas”, e mais as Guerras do Texas e do México, em 1837 e 1846, responsáveis pela duplicação do território americano. Mais a frente, vieram a Guerra Civil e a Guerra Hispano-Americana, e uma sucessão de intervenções militares no Caribe, num movimento de expansão que se acelerou no século XX, alcançando Europa, Ásia, Oriente Médio e África. De forma que nos cerca de 250 anos de história independente, os EUA iniciaram – em média – uma guerra a cada três anos, exatamente igual como a Inglaterra. Contando com a vantagem de ser “membro por nascimento”, da pequena comunidade dos estados produtores da “ética internacional” que arbitram as “guerras justas” e o “livre comercio”.
A história segue e é extensa, mas já se pode dizer que ela fornece fortes indícios de que:
– o desenvolvimento econômico dos EUA não foi uma exceção, pelo contrário, foi uma parte essencial da expansão e das contradições do sistema inter-estatal e do capitalismo europeu;
– o sucesso do capitalismo americano não foi puramente endógeno, nem foi apenas uma obra das grandes corporações e do capital financeiro que nasceram à sombra da Guerra Civil;
– o “apoio externo” foi decisivo para o sucesso da economia americana, que foi sempre a principal “fronteira de expansão” do capital financeiro inglês;
– a “guerra contínua” teve um papel estratégico no desenho da política industrial e agrícola, e no desenvolvimento científico e tecnológico dos EUA;
– e por fim, a expansão política, territorial e bélica dos EUA foi na frente do processo de internacionalização das grandes corporações, do capital financeiro e da moeda norte-americana.
Uma história de desenvolvimento econômico como a das demais potências do sistema mundial, mas muito diferente da interpretação economicista de Hobson e seus discípulos. Quando os EUA mentem… A imprensa ocidental, e por vício habitual de cópia, a mídia brasileira, resolveu assumir uma narrativa da atual e crítica situação do Oriente Média em termos de oposição intra-islâmica, colocando frente à frente a oposição entre as diversas concepções do Islã, em especial entre sunitas e xiitas. Em face do radicalismo das duas interpretações da mensagem do Profeta Mohammed o Islã estaria, definitivamente, dividido e a formação de unidades estatais viáveis seriam impossíveis. De fato, ambas as vertentes se enfrentam, desde a morte do Califa Ali – primo e genro do Profeto – aqueles que defendiam a manutenção indicativa do “Califado” nas mãos dos ricos comerciantes do clã coraixita e os demais, que defendiam a linha sucessória na família do Profeta – com os descendestes de sua filha Fátima casada com Ali – tornou-se um ponto de forte divisão. O califado, esta forma de governo religioso e laico do Islã, foi formalmente extinto entre 1923 e 1924, quando os turcos consolidaram a República em seu país, e o monarca turco, o sultão, que era também o califa, perdeu seus títulos. Desde então o Islã não possui um califa, seja de tradição sunita, seja de tradição xiita.
Tal divisão, entre sunitas (tradicionalistas) e xiitas ( de “shia”, os partidários de Fátima e Ali ) só se aprofundou desde o cisma do século VIII: contatos com o mazdeísmo persa e cristianismo bizantino e a heresia nestoriana, o Islã xiita assumiu aspectos bastante diferentes do sunismo tradicional, admitindo romarias, cerimônias de flagelação, culto aos homens santos, relíquias e santuários (túmulos de homens santos, por exemplo em Karbala e Najaf), além de uma total repulsa ao “califa” ( de “kalifat rasúl Allah”, onde “califa” é o título do “sucessor” enviado por Deus, e que guardaria em si o poder civil e religioso). Após o assassinato de Ali, sangue do Profeto, e seus filhos, todos os “califas” (os “sucessores” seriam ímpios e carregariam a culpa do derramamento do sangue do verdadeiro e único Profeta. O domínio turco sobre os árabes – desde o século XV até 1918 – e depois disso o domínio francês e britânico só aprofundaram as divisões, com as potencias coloniais escolhendo os sunitas – mais inclinados em aceitar as exigências do poder e reconhecer a autoridade dos governantes – para formar as elites dominantes pro-Ocidente. Foi assim no Iraque: uma rala minoria de sunitas foi organizada pela Grã-Bretanha, desde 1918, para governar a maioria da população xiita. Assim, sunitas e os interesses imperialistas ocidentais uniram-se no Iraque, no Líbano, na Síria, nos Qatar e na Arábia saudita – sempre resultando em ditaduras cruéis e altamente repressoras.
No regime do Partido Baath (Baas), sob Saddan Hussein, houve um arranjo precário com cristãos e certa tolerância com os xiitas, mas nos últimos anos do regime Saddan, os xiitas – muitas vezes apoiados e incentivados pelos EUA – revoltaram-se contra Saddan (um sunita) – e foram brutalmente reprimidos, com milhares de mortes e um amplo uso da tortura.
Assim, a versão de incapacidade de formar um Estado viável, em razão de divergências religiosas, oculta a continua e longa intervenção ocidental no Mundo Árabe, e a responsabilidade do Ocidente de lançar grupos religiosos e étnicos uns contra outros, visando facilitar a dominação estrangeira (foi assim na Índia sob domínio britânico; em Ruanda sob o colonialismo belga ou na Nigéria sob domínio britânico, por exemplo). Desta forma, o papel do imperialismo e do colonialismo, sua responsabilidade nas divisões locais, incluindo aí, a política dos Estados Unidos para a região – e antes dela, a contínua intervenção colonialista da Grã-Bretanha e da França, herdada pelos próprios americanos – fica excluída da responsabilidade factual e moral pela atual situação na região.
A principal “causa” apontada pela imprensa, repercutindo declarações e notas à imprensa, das autoridades de Washington, é a “incapacidade” do governo do premier Al-Maliki, um xiita, em “unir” e liderar um governo com sunitas e curdos.
Ora, um governo de coalizão funcionava no Iraque desde que este recuperou sua autonomia, na era pós-Saddan Hussein – com curdos, xiitas e sunitas. O governo parlamentar, misto, baseado em ampla coalizão étnica e religiosa, visava, exatamente, dar voz e direitos a maioria da população do Iraque, constituída de xiitas, e autonomia controlada para os curdos, e que foram perseguidos, e mortos em grande número, durante os anos da ditadura de Saddan.
Uma das milícias xiitas da era pós-Saddan foi exatamente o “Dawa”, um grupo que enfrentou, além da Al-Qaeda, os remanescentes da Guarda Republicana de Saddan e os próprios americanos, de quem queriam uma rápida saída do Iraque depois da invasão de 2003. Desde 2006, o “Dawa”, transformado em partido político sob a liderança de Al-Malik, governa, com a maioria parlamentar, governa de Bagdá. Trata-se, a bem da verdade, de uma ampla e frágil coalizão. A oposição a Al-Malik não está centrada nos sunitas e/ou na exclusão destes. Mas, em outros grupos xiitas, inclusive nas “Milícias do Mahdi”, do líder Muqtada Al-Sadr, líder da “Milícia do Mahdi”, favorável à criação de um regime islâmico no país.
Nouri Al-Malik, por sua vez, foi exilado longo tempo na Síria (foi condenado à morte por Saddan), opôs-se fortemente aos Estados Unidos. Al-Malik se opõe, em especial, a política americana de reintegrar numerosos quadros do proibido Partido Baath – o partido único no poder na Era Saddan – incluindo a readmissão de militares fiéis a Saddan, policiais acuados de torturas, juízes e funcionários públicos do Baath envolvidos nas brutais repressões da Era Saddan. Na versão americana da recusa de Al-Malik se deve ao sectarismo “xiita” do premier. Na verdade, os Estados Unidos estão propondo ao governo do Iraque – por sinal reeleito em 30 de janeiro de 2014 – é que aceite, e perdoe, os membros do governo de Saddan, que participaram ativamente de ataques brutais contra a maioria o xiita do seu próprio povo.
Em nome da “união nacional”, os Estados Unidos, mais uma vez e em mais um país – tal como fez na América Latina -, exige que criminosos e violadores de direitos humanos, sejam levados ao poder e o passado recente seja esquecido. Washington gostaria, bem mais, de ver no governo homens como Ahmed Chalabi, premier entre 2005 e 2006, é um “cliente” da CIA e pensionista do governo americano. Chalabi, o principal informante dos EUA e chamado “o homem que preparou a invasão do Iraque”, perdeu sua cadeira no parlamento na última eleição. Outro nome defendido pelos EUA seria Ilyad Allawi, um líder secular, não religioso, ex-membro do Partido Baath, de Saddan Hussein, e que foi membro do governo de transição entre o governo de ocupação dos EUA e o novo governo livre do Iraque. O que ocorre é que ambos não possuem votos que legitimem suas possibilidades de formar um governo. Mas, tal qual fora no Vietnã do Sul (com Cao Ky e Van Thieu), nos anos de 1960, os EUA insistem na sua política de “nomear” os governantes de países clientes, malgrado os resultados das eleições.
Al-Maliki, acusado no passado de ter organizado atos terroristas contra os Estados Unidos e a França no Oriente Médio, causa, ainda, outros “transtornos” a Washington. Em primeiro lugar, as exigências americanas de extraterritorialidade para todo seu pessoal, incluindo militares, policiais e “contratados” (ou seja, mercenários) americanos no Iraque, foi recusado pelo Gabinete Al-Maliki. Assim, sob pressão da então secretária de defesa Hillary Clinton (entre 2009 e 2013), os Estados Unidos optaram, para melhorar e adornar a política externa “pacifista” de Obama, por uma retirada total de tropas do Iraque. Tratou-se, claramente, de um ato de chantagem: ou os EUA controlavam amplamente as FFAA e a Polícia iraquiana, com a inclusão dominante dos ex-membros do Baath, ou partiriam.
Al-Maliki optou pelo risco e pela manutenção da abaladíssima soberania iraquiana. Além disso, em dois pontos fundamentais da política externa de Obama para o Oriente Médio, Bagdá contrariava os EUA. Por um lado, estreitou suas relações com o Irã, o maior país muçulmano xiita, governado por um regime hostil a Washington e a Israel, além de se aproximar da Rússia, onde comprou armas de alta performance (a ex-URSS era uma aliada do Iraque). Obama-Clinton tentaram, largamente, impedir as relações amigáveis entre Bagdá e Teerã e Moscou (o Partido “Dawa” de Al-Maliki possuiu fortes vínculos com o clero xiita iraniano) e sabotava claramente a tentativa americana de isolar o Irã.
Da mesma forma, Bagdá ensaiou uma política externa independente em relação às chamadas revoluções das “Primaveras” árabes, em especial na Síria. Para Bagdá, e Teerã, a situação na Síria era, e é, totalmente distinta das demais “primaveras”. Desde cedo denunciaram uma ampla intervenção externa, oriunda do Catar e da Arábia Saudita, com apoio dos Estados Unidos, Turquia e França, para derrubar o regime de Assad, uma coalizão xiita (alawita) e de cristãos, de caráter nacionalista, pan-árabe e anti-Israel. Teerã e Bagdá denunciaram, desde logo, a intervenção estrangeira e a presença de mercenários e voluntários vindos do Golfo Pérsico, financiados pela Arábia Saudita e armados pela Inglaterra e França, visando derrubar o regime de Damasco.
Na Síria formou-se uma ampla coalizão fundamentalista, sunita, e de caráter altamente intolerante e conservador: a Al-Qaeda, a Frente Al-Nusra e a dissidência “Estado Islâmico do Iraque e do Levante (leia-se, Síria), chamado ISIS, em inglês.
Tal coalizão, no início manipulada pela Arábia Saudita – a possibilidade de unificar uma ampla área de territórios árabes sob sua autoridade e eliminar a influência iraniana na região–, tornou-se cada vez mais autônoma, e acabou por unir-se claramente aos ideais da Al-Qaeda, a qual foi, por fim, superada pela dureza e crueldade do “Estado islâmico do Iraque e do Levante”.
Por fim, Al-Maliki causou grande mal-estar em Washington, e Paris, ao apoiar os grupos pan-arabistas e xiitas no Líbano, onde o Partido “Dawa”, coirmão libanês do “Dawa” iraquiano e também muito próximo de Teerã, enfrentou as tropas americanas e francesas no Líbano.
Assim, nos anos recentes da Administração Barack Obama-Hillary Clinton (2009-2013) – cada vez mais próxima da centro-direita e da direita conservadora americana e dos interesses sauditas nos EUA – deu-se uma clara opção anti-Irã, anti-Dawa, anti-xiíta, baseando-se num triangulo estratégico capaz de dominar o mundo árabe, centrado na Turquia, Israel e Arábia saudita. Por tal opção, obsessivamente anti-iraniana, Washington permitiu o crescimento do fundamentalismo wahabita – o ramo mais radical do Islã sunita, que executa membros do clero xiita e destrói os lugares santos do xiismo -, a formação de um amplo exército e deu a estes uma base territorial, dominando territórios da Síria e do Iraque, fato que a Al-Qaeda jamais conseguira. O mais estranho de tudo, a somar-se a este imenso rol de erros estratégicos, políticos e antropológicos de Washington, é que a morte de Osama bin Laden, fortaleceu e acelerou a luta contra o governo de Bagdá, estabelecido pela invasão americana em 2003. A desaparição da liderança carismática de Bin Laden, entre seus seguidores e simpatizantes, permitiu a emergência de forças dissidentes como o “Estado islâmico do Iraque e do Levante” e a proclamação do “califado”, abrindo uma nova e explosiva realidade no Oriente Médio.
Enfim, os Estados Unidos, agiram como Harry Porter ao ganhar sua primeira varinha mágica: libertaram forças que não conheciam e não controlam. A diferença, crucial, é que neste caso há claro risco de descontrole geral e um amargo fim para os povos locais.
Os sete governos derrubados pelos EUA A era de golpes apoiados pela CIA despontou de maneira dramática: um general norte-americano viaja até o Irã e encontra “velhos amigos”; dias depois, o Xá ordena que o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh deixe seu cargo. Quando os militares iranianos hesitam, milhões de dólares são injetados em Teerã para corromper os apoiadores de Mossadegh e financiar protestos de rua. Os militares, reconhecendo que a balança do poder começou a pesar mais do outro lado, derrubam o primeiro-ministro, que vive o resto de sua vida sob prisão domiciliar. Este foi, como um documento da CIA atesta, “uma operação norte-americana do começo ao fim”, e um dos muitos golpes apoiados pelos EUA que aconteceram pelo mundo durante a segunda metade do século XX.
Alguns líderes, tanto ditadores quanto eleitos democraticamente, foram pegos em meio ao conflito entre EUA e URSS da Guerra Fria – uma posição que custaria seus postos (e, para alguns, suas vidas) conforme a CIA tentava instalar “seus homens” no comando dos estados. O governo dos EUA reconheceu publicamente algumas dessas ações secretas; na verdade, o papel da CIA no golpe de 1953 tornou-se público esta semana. Em outros casos, o envolvimento da CIA ainda está somente sob suspeita.
O legado do envolvimento secreto dos EUA em sete golpes militares bem sucedidos (para não mencionarmos o número de intervenções militares norte-americanas contra regimes hostis, insurgências apoiadas pelos EUA, e tentativas fracassadas de assassinatos, incluindo o caso do plano para matar Fidel Castro com um charuto explosivo), transformaram a mão secreta dos EUA em um bicho-papão nas tensões políticas de hoje. Mesmo hoje, não obstante a minguante influência dos EUA no Cairo, teorias da conspiração sugerem que tanto a Irmandade Muçulmana quanto o governo militar possuem uma sociedade com os Estados Unidos.
Abaixo, uma breve história dos casos confirmados de golpes apoiados pela CIA espalhados pelo mundo.
Irã, 1953 – Muito se especula sobre o papel da CIA no golpe que instalou, em 1949, um governo militar na Síria. Apesar disso, a derrubada do primeiro-ministro iraniano Mohammed Mossadegh é o primeiro golpe durante a Guerra Fria que o governo dos EUA reconheceu. Em 1953, depois de quase dois anos de governo Mossadegh – durante o qual ele desafiou a autoridade do Xá e nacionalizou a indústria do petróleo iraniana antes operada por companhias britânicas – Mossagedh foi tirado de seu gabinete e preso, passando o resto da vida sob prisão domiciliar. De acordo com documentos da CIA, “foi a possibilidade de deixar o Irã aberto para uma agressão dos soviéticos – quando a Guerra Fria estava em seu auge e os EUA estavam envolvidos em uma guerra não declarada na Coreia contra forças da União Soviética e da China – que nos fez planejar e executar o TPAJAX [nome da operação do golpe]”.
Guatemala, 1954 – Apesar dos EUA no início apoiarem o presidente guatemalteco Jacobo Árbenz – o Departamento de Estado sentia que sua ascensão apoiada num exército armado e treinado pelos EUA seria um trunfo – o relacionamento amargou assim que Árbenz tentou realizar uma série de reformas-agrárias que ameaçavam as posses da empresa norte-americana United Fruit Company. Um golpe em 1954 tirou Árbenz do poder, colocando uma sucessão de juntas militares em seu lugar. Detalhes secretos do envolvimento da CIA na derrubada do líder guatemalteco, que incluíam a equipagem de rebeldes e tropas paramilitares enquanto a marinha dos EUA bloqueavam a costa guatemalteca, vieram à luz em 1999.
Congo, 1960 – Patrice Lumumba, o primeiro primeiro-ministro do Congo (mais tarde, República Democrática do Congo), foi tirado de seu gabinete pelo presidente congolês Joseph Kasavubu em meio a uma intervenção militar do exército belga (apoiado pelos EUA) no país. Era um esforço violentíssimo para manter os negócios belgas depois da descolonização do país. Mas Lumumba manteve uma oposição armada contra os militares belgas e, após se aproximar da União Soviética para conseguir suprimentos, foi alvo da CIA assim que a agência determinou que ele era uma ameaça ao novo governo instalado de Joseph Mobutu. O Church Committee, uma comissão do Senado formada em 1975 para fiscalizar as ações clandestinas da inteligência norte-americana, descobriu que a CIA ”ainda mantinha um contato bastante próximo com os congoleses que expressaram o desejo de matar Lumumba,” e que ”oficiais da CIA encorajaram e ofereceram ajuda aos congoleses em seus esforços contra Lumumba.” Depois de uma tentativa interrompida de assassinato de Lumumba, envolvendo um lenço envenenado, a CIA alertou as tropas congolesas da localização do primeiro-ministro deposto, além de indicar as estradas que deveriam ser bloqueadas e as possíveis rotas de fuga. Lumumba foi capturado no final de 1960 e morto em janeiro do ano seguinte.
República Dominicana, 1961 – A ditadura brutal de Rafael Trujillo – que incluiu a limpeza étnica de milhares de haitianos na República Dominicana e a tentativa de assassinato do presidente da Venezuela – terminou quando ele foi emboscado e morto por dissidentes políticos. Apesar do atirador que matou Trujillo sustentar que ”ninguém me mandou matar Trujillo”, ele teve apoio da CIA. O Church Committee descobriu que ”apoio material, sendo três pistolas e três carabinas, foi distribuído para vários dissidentes… os oficiais norte-americanos sabiam que os dissidentes pretendiam derrubar Trujillo, provavelmente através de seu assassinato…”
Vietnã do Sul, 1963 – Os EUA já estavam muito envolvidos no Vietnã do Sul em 1963, e seu relacionamento com o líder do país, Ngo Dinh Diem, crescia cada vez mais, com tensões que envolviam a repressão de Diem sobre dissidentes budistas. De acordo com os Pentagon Papershttp, os generais do Vietnã do Sul que planejavam um golpe contataram oficiais norte-americanos falando sobre seus planos. Depois de algumas dificuldades e um período de indecisão dos EUA, os generais capturaram e mataram Diem com apoio norte-americano em 1º de novembro de 1963. Avalia-se que parte do apoio consistiu em 40.000 dólares de recursos da CIA. ”Para o golpe militar contra Ngo Dihn Diem, os EUA devem aceitar sua parcela de responsabilidade,” atestam os Pentagon Papers. ”No início de agosto de 1963 nós autorizamos, sancionamos e encorajamos os esforços para o golpe dos generais vietnamitas e oferecemos apoio total para um governo sucessor… nós mantivemos contatos clandestinos com eles durante o planejamento e execução do golpe e solicitamos a revisão de seus planos operacionais, além de sugerir um novo governo.”
Brasil, 1964 – Temendo que o governo do presidente João Goulart transformaria, nas palavras do embaixador norte-americano Lincoln Gordon, ”o Brasil na China de 1960”, os EUA apoiaram o golpe liderado por Humberto Castello Branco, à época chefe do Estado-Maior. Nos dias anteriores ao golpe, a CIA encorajou manifestações contra o governo, assim como proveram combustível e ”armas de origem não-norte-americanas” àqueles que apoiavam os militares. ”Eu acho que devemos tomar todas as medidas necessárias, e estarmos preparados para qualquer coisa que precisemos fazer,” disse o presidente Lyndon Johnson a seus conselheiros que planejavam o golpe, de acordo com documentos obtidos pelo National Security Archive. Os militares brasileiros se mantiveram no poder até 1985.
Chile, 1973 – Os Estados Unidos nunca desejaram que Salvador Allende, o candidato socialista eleito presidente em 1970, assumisse seu posto. O presidente Richard Nixon mandou que a CIA fizesse que a economia do Chile ”gritasse”, e a agência trabalhou com três grupos chilenos, cada um planejando um golpe contra Allende em 1970. A agência foi tão longe a ponto de fornecer armamento, mas os planos foram por terra depois que a CIA perdeu a confiança em seus contatos. As tentativas norte-americanas de destruir a economia chilena continuaram até que o general Augusto Pinochet liderou um golpe militar contra Allende em 1973. O relatório oficial da CIA sobre a tomada do poder em setembro de 1973 aponta que a agência ”estava consciente dos planos de golpe dos militares, possuía relacionamentos para coleta de dados de inteligência com os conspiradores, e – pelo fato da CIA não desencorajar a tomada e até procurar instigar um golpe em 1970 – parecia tolerá-lo.” A CIA também conduziu a campanha de propaganda de apoio ao novo regime de Pinochet depois que ele tomou posse em 1973, apesar do conhecimento de severos abusos contra os direitos humanos, incluindo o assassinato de dissidentes políticos.
Os Estados Unidos em decadência
É um tema comum que os Estados Unidos, que há apenas alguns anos era visto como um colosso que percorreria o mundo com um poder sem paralelo e um atrativo sem igual (…) estão em decadência, enfrentando atualmente a perspectiva de uma deterioração definitiva, assinala Giacomo Chiozza, no número atual de Political Science Quaterly. A crença neste tema, efetivamente, está muito difundida. Em com certa razão, se bem que seja o caso de fazer algumas precisões. Para começar, a decadência tem sido constante desde o ponto culminante do poderio dos EUA, logo após a Segunda Guerra Mundial, e o notável triunfalismo dos anos 90, depois da Guerra do Golfo, foi basicamente um autoengano.
Outro temam comum, ao menos entre aqueles que não ficaram cegos deliberadamente, é que a decadência dos EUA, em grande medida, é auto-inflingida. A ópera bufa que vimos este verão em Washington, que desgostou o país e deixou o mundo perplexo, pode não ter comparação nos anais da democracia parlamentar. O espetáculo inclusive está chegando a assustar aos patrocinadores desta paródia. Agora, preocupa ao poder corporativo que os extremistas que ajudou a por no Congresso de fato derrubem o edifício do qual depende sua própria riqueza e seus privilégios, o poderoso estado-babá que atende a seus interesses.
A supremacia do poder corporativo sobre a política e a sociedade – basicamente financeira – chegou ao grau de que as formações políticas, que nesta etapa apenas se parecem com os partidos tradicionais, estão muito mais à direita da população nos principais temas em debate. Para o povo, a principal preocupação interna é o desemprego. Nas circunstâncias atuais, esta crise pode ser superada só mediante um significativo estímulo do governo, muito mais além do que foi o mais recente, que apenas fez coincidir a deterioração no gasto estatal e local, ainda que essa iniciativa tão limitada provavelmente tenha salvado milhões de empregos.
Mas, para as instituições financeiras, a principal preocupação é o déficit. Assim, só o déficit está em discussão. Uma grande maioria da população está a favor de abordar o problema do déficit taxando os muito ricos (72%, com 27% contra), segundo uma pesquisa do The Washington Post e da ABC News. Fazer cortes nos programas de atenção médica conta com a oposição de uma esmagadora maioria (69% no caso do Medicaid, 78% no caso do Medicare). O resultado provável, porém, é o oposto.
O Programa sobre Atitudes de Política Internacional (PIPA) investigou como a população eliminaria o déficit. Steven Kull, diretor do PIPA, afirma: É evidente que, tanto o governo como a Câmara (de Representantes) dirigida pelos republicanos, estão fora de sintonia com os valores e as prioridades da população no que diz respeito ao orçamento.
A pesquisa ilustra a profunda divisão: a maior diferença no gasto é que o povo apoia cortes profundos no gasto militar, enquanto que o governo e a Câmara de Representantes propõem aumentos modestos. O povo também defende aumentar o gasto na capacitação para o trabalho, na educação e no combate à poluição em maior medida que o governo ou a Câmara.
O acordo final – ou, mais precisamente, a capitulação ante à extrema direita – é o oposto em todos os sentidos, e quase com toda certeza provocará um crescimento mais lento e danos de longo prazo para todos, menos para os ricos e as corporações, que gozam de benefícios sem precedentes.
Nem sequer se discutiu que o déficit poderia ser eliminado se, como demonstrou o economista Dean Baker, se substituísse o sistema disfuncional de atenção médica privada dos EUA por um semelhante ao de outras sociedades industrializadas, que tem a metade do custo per capita e obtém resultados médicos equivalentes ou melhores.
As instituições financeiras e as grandes companhias farmacêuticas são demasiado poderosas para que sequer se analisem tais opções, ainda que a ideia dificilmente pareça utópica. Fora da agenda por razões similares também se encontram outras opções economicamente sensatas, como a do imposto às pequenas transações financeiras.
Entretanto, Wall Street recebe regularmente generosos presentes. O Comitê de Atribuições da Câmara de Representantes cortou o orçamento da Comissão de Títulos e Bolsa, a principal barreira contra a fraude financeira. E é pouco provável que sobreviva intacta a Agência de Proteção ao Consumidor.
O Congresso brande outras armas em sua batalha contra as gerações futuras. Apoiada pela oposição republicana à proteção ambiental, a importante companhia de eletricidade American Eletric Power arquivou o principal esforço do país para captar o dióxido de carbono de uma planta atualmente impulsionada por carvão, o que significou um forte golpe às campanhas para reduzir as emissões causadoras do aquecimento global, informou o The New York Times.
Esses golpes auto-aplicados, ainda que sejam cada vez mais potentes, não são uma inovação recente. Datam dos anos 70, quando a política econômica nacional sofreu importantes transformações, que puseram fim ao que se costuma chamar de “época de ouro” do capitalismo de Estado.
Dois importantes elementos desse processo foram a financeirização (o deslocamento das preferências de investimento, da produção industrial para as finanças, os seguros e os bens imobiliários) e a externalização da produção. O triunfo ideológico das doutrinas de livre mercado, muito seletivo como sempre, desferiu mais alguns golpes, que se traduziram em desregulação, regras de administração corporativa que condicionavam as enormes recompensas aos diretores gerais com os benefícios de curto prazo e outras decisões políticas similares.
A concentração resultante da riqueza produz maior poder político, acelerando um círculo vicioso que aportou uma riqueza extraordinária para 1% da população, basicamente diretores gerais de grandes corporações, gerentes de fundos de garantia e similares, enquanto que a maioria das receitas reais praticamente estancou.
Ao mesmo tempo, o custo das eleições disparou para as nuvens, fazendo com que os dois partidos tivessem que escavar mais fundo os bolsos das corporações. O que restava de democracia política foi solapado ainda mais quando ambos partidos recorreram ao leilão de postos diretivos no Congresso, como apontou o economista Thomas Ferguson, no The Financial Times.
Os principais partidos políticos adotaram uma prática das grandes empresas varejistas, como Walmart, Best Buy e Target, escreve Ferguson. Caso único nas legislaturas do mundo desenvolvido, os partidos estadunidenses no Congresso colocam preço em postos chave no processo legislativo. Os legisladores que conseguem mais fundos ao partido são os que indicam os nomes para esses postos.
O resultado, segundo Ferguson, é que os debates se baseiam fortemente na repetição interminável de um punhado de consignas, aprovadas pelos blocos de investidores e grupos de interesse nacionais, dos quais depende a obtenção de recursos. E o país que se dane.
Antes do crack de 2007, do qual foram responsáveis em grande medida, as instituições financeiras posteriores à época de ouro tinham obtido um surpreendente poder econômico, multiplicando por mais de três sua participação nos lucros corporativos. Depois do crack, numerosos economistas começaram a investigar sua função em termos puramente econômicos. Robert Solow, prêmio Nobel de Economia, concluiu que seu efeito poderia ser negativo. Seu êxito aporta muito pouco ou nada à eficiência da economia real, enquanto seus desastres transferem a riqueza dos contribuintes ricos para o setor financeiro.
Ao triturar os restos da democracia política, as instituições financeiras estão lançando as bases para fazer avançar ainda mais este processo letal…enquanto suas vítimas parecem dispostas a sofrer em silêncio.
Os linchamentos de negros na história dos EUA
O turístico quarteirão da sede ex-Texas School Book Depository fica o antigo tribunal do condado, onde agora funciona um museu, foi invadido pela população em 1910. Um grupo de homens correu ao tribunal, laçou uma corda ao redor do pescoço de um homem negro, acusado de ter abusado sexualmente de uma menina branca de 3 anos de idade, e jogou a outra ponta da corda para fora de uma janela. A multidão lá fora puxou o homem, Allen Brooks, para o solo. Brooks foi, então, amarrado por cima do arco cerimonial, que está instalado a poucas quadras da rua principal.
A sul da cidade, na região onde passa os Trinity River, um homem negro chamado WR Taylor foi enforcado por uma multidão em 1889. Ainda mais ao sul, encontra-se a comunidade de Streetman, onde George Gay, de 25 anos, foi enforcado em uma árvore e recebeu centenas de disparos em 1922.
Logo depois está a cidade de Kirvin, onde três homens negros, dois deles quase certamente inocentes, foram acusados de matar uma mulher branca e, sob o olhar de centenas de espectadores, que bebiam refrigerantes, foram castrados, esfaqueados, espancados, amarrado a um arado e incendiados na primavera de 1922.
O assassinato de Mr. Brooks está documentado nos registros do museu. As outras mortes, como os de quase todos os linchamento nos Estados Unidos, não foram mencionadas, mas Bryan Stevenson acredita que isso deve mudar.
Na terça-feira, a organização que ele fundou e dirige a Equal Justice Initiative, em Montgomery, no Alabama, divulgou um relatório sobre a história dos linchamentos nos Estados Unidos, representando o resultado de cinco anos de pesquisa e 160 visitas a sites em todo o Sul dos Estados Unidos. Os autores do relatório compilaram um inventário de 3.959 vítimas de “linchamentos raciais terroristas” em 12 estados do Sul, entre 1877 e 1950.
As localizações dos linchamentos entre 1877 e 1950 (73 anos de linchamentos mapeados)
Stevenson disse que o processo pretende contar a narrativa através de uma linha definida sobre a história racial viciosa do país, em vez abordar a história de forma fragmentada.
“O linchamento em forma de terror determinava a geografia, a política, a economia e as características sociais de ser negro nos Estados Unidos durante o século 20”, disse Stevenson, argumentando que muitos participantes da grande migração do Sul devem ser considerados como refugiados que fugiam do terrorismo, em vez de as pessoas simplesmente à procura de trabalho. A História amaldiçoada e bizarra da família mais rica dos EUASe você se acha azarado é porque ainda não conhece a triste história da maldição que assombra a família Kennedy, de acidentes a doenças terríveis essa família carrega em suas veias um sangue que traz maus presságios. Os únicos que se safaram de passar por incidentes desagradáveis foram Joseph Patrick Keneddy, um ambicioso pai que queria ter um filho eleito presidente dos EUA e Rose Elizabeth Fitzgerald, que sempre fez parte da elite e viveu muito tempo, para ser mais exata 105 anos, mas se eles tiveram sorte seus filhos e netos só tiveram azar. Vejamos abaixo:
John Harold Kennedy: A maldição da familia Kennedy começou aqui no Brasil, mais precisamente no Maranhão. O centro histórico da capital do Maranhão – São Luís – foi palco daquela que é considerada por muitos como a primeira tragédia da família Kennedy. José de Ribamar Mendonça, um cidadão comum da cidade, aos 25 anos, matou com dois tiros de revólver calibre 32, o norte-americano John Harold Kennedy, de 31 anos, tio de John Fitzgerald Kennedy, que se tornaria presidente dos Estados Unidos em 1961. Mendonça era bilheteiro dos bondes da Ulen, empresa dos Estados Unidos que explorava, desde 1928, os serviços de água, esgoto, luz, tração e prensagem de algodão em São Luís. John Harold trabalhava como contador da companhia. O bilheteiro recebera a carta de demissão – pelas mãos de Kennedy, que era o então encarregado de analisar e demitir funcionários na empresa – dias antes de completar dez anos de serviços prestados à Ulen. Acaso chegasse ao ciclo dos dez anos, teria a estabilidade assegurada pela legislação da época. A demissão intempestiva pode ter empurrado o maranhense ao crime.John F Kennedy: O filho presidente só aproveitou 3 anos de sua candidatura, ele foi assassinado em um desfile em carro aberto e até hoje ninguém sabe quem de fato tirou sua vida, dando origem a diversas teorias absurdas sobre a origem das balas que o mataram.Rosemary Kennedy: Ela foi acometida de uma lobotomia aos 23 anos, depois disso ela foi considerada louca, vivendo o resto de sua vida em um hospício.Ted Kennedy: Primeiro ele sofreu um acidente aéreo em 1964 e sobreviveu, depois sofreu um novo acidente, dessa vez de carro em 1969 e – por um milagre – sobreviveu de novo, mas em 2009 não resistiu e morreu um câncer no cérebro.Robert Francis Kennedy: Foi senador e o segundo da família a tentar se tornar presidente dos EUA, mas foi morto durante a campanha eleitoral.Kathleen Agnes Kennedy: Ficou viúva apenas 4 meses depois do casamento e acabou morrendo em um desastre de avião na França junto com um amante.Joseph F Kennedy Jr: Morreu com a esposa e a cunhada em um acidente de avião, detalhe: quem pilotava a nave era ele.David Anthony Kennedy: Não conseguiu chegar nem aos 30 anos, foi achado morto em um hotel após se drogar e ter uma overdose.Michael Lemoyne Kennedy: Foi descansar, mas não voltou das férias, morreu em Aspen devido a um acidente de Esqui.
Carregamento da ONU e parceiros com suprimentos para população sitiada chega nas cidades sírias de Madaya, Kafraya e Foah. Ao menos 400 pessoas foram evacuadas em situação crítica de inanição.
Carregamento de suprimentos da ONU e da Cruz Vermelha para os habitantes de cidades sitiadas na Síria. Foto: PMA/Hussam Al Saleh
Ao descrever a situação em Madaya, o coordenador humanitário da ONU na Síria afirmou nesta terça-feira (12) que seus habitantes “pareciam ter perdido a esperança de que o mundo se importa com eles”. Yacoub El Hillo acompanhou o primeiro comboio humanitário autorizado a entrar na cidade desde outubro, levando alimentos para cerca de 40 mil pessoas que viviam famintos na localidade, sitiada por forças pró-governo.
Segundo relatos dos representantes da ONU, a situação na localidade é “terrível”, com centenas de pessoas em estado crítico de inanição. As primeiras evacuações começaram nesta terça-feira (12), com uma menina de cinco anos atravessando o bloqueio para ser operada urgentemente na capital, Damasco. No total, 400 pessoas foram transferidas para instalações médicas, em grave risco de vida.
Na cidade, com 42 mil habitantes, um quilo de arroz chegava a custar 300 dólares. Segundo relatos, muitos se alimentavam de sopas de grama e ervas. “Os cercos não podem ser mais tolerados”, disse Hillo. “Muitas pessoas já perderam suas vidas enquanto esperavam. Muitas mais vão morrer se o mundo não agir mais rápido.”
A entrada dos comboios foi fruto de uma negociação complicada entre a ONU, seus parceiros, as forças rebeldes e o governo, apesar da exigência do Conselho de Segurança, há três semanas, de permitir o acesso imediato da ajuda humanitária através de todas as frentes de batalha.
O comboio de 44 caminhões levou itens vitais de saúde, nutrição, utensílios, cobertores e materiais para a construção de abrigos. Outro comboio com 21 caminhões conseguiu levar uma ajuda para 20 mil pessoas em Kafraya e Foah, dois municípios sob o cerco de forças da oposição no nordeste da Síria, perto da fronteira com a Turquia.
A ONU e seus parceiros espera poder enviar um novo comboio nesta quinta-feira (14), incluindo clínicas médicas móveis e centros de emergência de alimentação para crianças “que apresentam um nível muito avançado de desnutrição”, destacou o representante.
Paralelamente a operação de emergência, as agências humanitárias e de desenvolvimento da ONU lançaram o seu apelo para ajudar a população síria. O montante de 7,73 bilhões de dólares possibilitará ajudar a 22,5 milhões de pessoas, incluindo os refugiados em outros países, as comunidades que os hospedam e os deslocados internos.
O representante do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), Sajjad Malik, pediu mais esforços para ajudar essas comunidades. “Dentro de um mês, eles estarão sem comida e remédios. O que vimos em Madaya não deveria acontecer em nenhum lugar neste século, não deveria estar acontecendo agora”, disse.
Solidariedade Social: em princípio, ela se referia aos laços familiares encontrados em clãs e tribos nômades, porém, conforme cresciam as civilizações, ela passou a significar um senso de pertencimento.
Se o sentido de propósito e destino compartilhados diminui à medida que a sociedade cresce e envelhece, enfraquece-se a civilização. Quando uma sociedade torna-se vítima de uma derrota psicológica, aí sim está o fim de uma Nação.
Daí a importância de Solidariedade e Coesão Social na sociedade brasileira. Relacionam-se às ideias de Comunidade e Espírito Cívico.
Coesão: associação íntima, solidariedade entre os integrantes de um grupo.
Desinteligência: discrepância entre pontos de vista; desacordo, desentendimento; falta de amizade; hostilidade, malquerença. Enfim, falta de inteligência.
Ideologia: sistema de ideias (crenças, tradições, princípios e mitos) interdependentes, sustentadas por um grupo social de qualquer natureza ou dimensão, as quais refletem, racionalizam e defendem os próprios interesses e compromissos institucionais, sejam estes morais, religiosos, políticos ou econômicos. É o conjunto de convicções filosóficas, sociais, políticas etc. de um indivíduo ou grupo de indivíduos.
Moderação: ato ou efeito de moderar-se. Trata-se da virtude de permanecer na exata medida. Ter comedimento com o afastamento de todo e qualquer excesso. Sua antonímia é a cólera, a desmoderação com a adoção de discurso de ódio.
É chamado discurso de ódio determinada mensagem que busca promover o ódio e incitação a discriminação, hostilidade e violência contra uma pessoa ou grupo em virtude de raça, religião, nacionalidade, orientação sexual, gênero, condição física ou outra característica.
Consenso: concordância ou uniformidade de opiniões, pensamentos, sentimentos, crenças etc., da maioria ou da totalidade de membros de uma coletividade. É uma das maneiras de se deliberar em assembleias, conselhos etc., que ocorre quando não há objeções ou argumentos contrários ao que se está propondo. Refere-se ao bom senso e ao senso comum.
Consenso surge quando há identidade, concordância ou uniformidade de natureza, de caracteres etc.. Com anuência e consentimento mútuo, verificado democraticamente, via respeito ao resultado de eleições, obtém-se uma sociedade harmoniosa.
Todas as vezes que testemunho ou sofro alguma ingratidão, lembro-me da passagem do Evangelho – aquela em que Jesus curou os dez leprosos e só um voltou para agradecer. E ele perguntou: onde estão os outros nove? Essa história nos indica que a ingratidão é algo comum, majoritário, no comportamento humano. Estatisticamente, 90% daqueles que Jesus curou, não mostraram gratidão.
Observando esse fenômeno, proponho-me aqui a examinar as motivações psicológicas da ingratidão.
Quando alguém está precisando de ajuda – seja porque está doente, com dificuldades financeiras, solitário, deprimido, em qualquer situação de crise ou mesmo que essa crise seja um status permanente, desde a infância – é um momento, uma fase, ou até uma existência inteira, até então, de fragilidade e de carência. Para o orgulho humano, precisar do outro, tem algo de humilhante – ainda que aquele que ajude (como o caso incontestável de Jesus) esteja ajudando com total desprendimento e sem nenhum desejo de recompensa. Obviamente que este estado de desprendimento e desapego dos resultados é algo bastante raro no mundo, tão raro quanto a gratidão.
Ora, quando a pessoa que recebeu a ajuda, seja em forma de dinheiro, apoio, solidariedade, incentivo, colo… – se vê numa situação melhor, de maior segurança, de retomada de sua autonomia, até de euforia, porque conquistou posições e patamares antes impensáveis (muitas vezes com o próprio esforço sim, mas a partir da ajuda recebida) – então, a pessoa não quer mais se lembrar daquele instante de fragilidade, quer negar para si mesma que precisou um dia de apoio, quer atribuir todas as suas conquistas apenas a si mesma, aos próprios méritos. Não quer dividir o sabor da vitória, relembrando um momento em que estava “por baixo”. Então, nega o benfeitor, esquece-o, até pode agredi-lo e eliminá-lo simbolicamente, porque é humilhante para o seustatus atual, fazer referências a um estado anterior de carência. Então, faz aquilo que o ditado popular tão pitorescamente expressa: “cospe no prato que comeu”.
A coisa se agrava mais quando existe uma forte relação afetiva entre aquele que ajudou e aquele que foi ajudado – seja este um filho, um irmão, um amigo íntimo, um parente distante ou próximo. Porque então, a ajuda pode ter sido carregada de forte dose de afetividade, preocupação com o outro, desejo profundo de felicidade e superação das dificuldades do ser amado. Nesse caso, o ingrato precisa esquecer duplamente do benfeitor – o benefício prestado e a afetividade entregue. E é então que a ingratidão pode doer mais profundamente, porque se tratou não apenas de um benefício, mas de uma entrega de si. Episódios assim também se encontram na vida de Jesus, como a traição de Judas, a negação de Pedro e o abandono dos mais próximos, no momento da crucificação. No caso dos leprosos, Jesus não tinha uma intimidade com eles. Com os discípulos, eram amigos queridos. Nessa configuração, a pessoa não quer apenas esquecer do benfeitor, para não lembrar de um momento de fragilidade, ela quer se desobrigar de qualquer retribuição concreta ou afetiva com a pessoa que foi determinante para suas realizações, superações e conquistas – sejam elas de ordem material, intelectual ou moral. Quer se sentir livre de compromissos com quem ficou para trás, porque tais compromissos, que implicariam muito mais do que simplesmente reconhecer o benefício, mas também num cuidado com o outro (como o caso de pais, irmãos, amigos), são uma quebra na fruição de suas conquistas. Por exemplo, o indivíduo recebeu toda a formação dos pais, todo o empenho pelas suas realizações, todo o carinho doado (claro, com os limites e defeitos possíveis de todas as relações humanas) e quando ele se vê numa situação de bem-estar, conquista e euforia, não deseja ver o estorvo da fragilidade alheia – agora no caso, dos pais –que estarão por sua vez num momento de carência. Voltar atrás e olhar para os benfeitores, amá-los, cuidar deles, ter compromissos, é turvar o momento de segurança presente, é abrir brechas para o afeto fluir, no meio da vaidade das conquistas.
Assim, podemos concluir que o que atrapalha a gratidão em todos os casos é o orgulho – de não se admitir que se esteve já em situação difícil – e o egoísmo – de não querer interromper o gosto da conquista, com a preocupação, o cuidado e a dedicação ao outro.
Agora, analisemos toda a questão do ponto de vista daquele que ajuda. Que motivações podem levar a pessoa a fazer um bem a quem esteja em situação de carência ou precisão? São motivações sempre nobres, puras e elevadas? Até que ponto podem também estar contaminadas de orgulho e egoísmo? E pode essa possível contaminação na atitude do benfeitor provocar ou reforçar a ingratidão?
O ideal de um ato moral – como também aponta o Evangelho e a interpretação espírita da ética cristã – é o desinteresse. Esse desinteresse deve ser financeiro, pessoal, afetivo. Ou seja, é preciso fazer o bem, sem nada querer, esperar ou desejar de volta. A coisa porém não é tão simples. Primeiro, porque ao fazer o bem, experimenta-se naturalmente um bem-estar interno (hoje comprovado até através de pesquisas que mostram que dar, doar, ajudar libera sensações agradáveis para quem faz). Então, ao fazermos o bem, queremos nos sentir bem? Sem dúvida que sim! E isso eu chamaria – repetindo uma definição que ouvi do meu terapeuta – de um egoísmo saudável. Afinal, Jesus disse que deveríamos amar ao próximo como a nós mesmos. Ou seja, todos os seres humanos buscam prazer, felicidade, bem-estar e isso é natural. Ora, muito melhor que esse bem-estar seja provocado por um fazer bem do que por um fazer mal ou por qualquer tipo de vício autodestrutivo.
Apesar disso, considero que num nível mais elevado de doação, o indivíduo dá apenas e somente pelo bem do outro, sem pensar na própria felicidade. É certamente o caso de Jesus, ao morrer na cruz, como oferecimento de um exemplo para a humanidade.
Mas a questão não fica nesse ponto. Quando nos encontramos diante de alguém que está em situação de necessidade, os nossos sentimentos de empatia e compaixão podem ser ativados e nos lançamos a uma ação benéfica para o outro. Até aí, ótimo. Mas podem surgir também sentimentos (às vezes inconscientes) de superioridade e de prazer por estarmos numa posição de generosidade, de vaidade por “sermos tão bons”! Então, o ato de ajuda carrega algo de humilhante para o outro, sim. Porque podemos nos situar num patamar de cima, onde o outro que recebe, se sente de fato esmagado pela nossa oferta. Se a pessoa não tiver alternativa nesse momento, isso poderá depois gerar uma forte repulsa pelo benfeitor. E tudo isso está muito bem descrito no Evangelho. O problema é que bons impulsos podem ser manchados por esses sentimentos negativos – então há de fato um bem praticado, houve um momento de solidariedade sincera, mas depois o orgulho apareceu para estragar as coisas.
Outra forma de contaminar o gesto de ajuda está na cobrança de retorno, que pode ser uma cobrança sutil ou explícita, pode aparecer na forma de expectativa silenciosa ou de um “jogar na cara” ofensivo. A forma não explícita gera mal-estar no beneficiário e a explícita provoca justa revolta. Há inclusive pais e mães que praticam fartamente essa forma explícita, humilhando filhos, por terem cumprido o que pais e mães devem fazer – doarem-se inteiramente. Então, o ato do bem ou o amor doado estão claramente aprisionados nas garras do egoísmo.
Essas manchas no ato de doar não eximem aquele que recebe do sentimento de gratidão, sobretudo se há um vínculo amoroso envolvido no processo; assim como a ingratidão não exime o benfeitor de continuar fazendo o bem; porque é preciso compreender que estamos em processo de aprendizagem evolutiva e ainda quando queremos praticar o certo e queremos elevar nossos sentimentos, eles ainda se deixam macular por nossos atavismos milenares. Há que se ter maturidade e compreensão mútua para entendermos as nossas fraquezas e as do outro. Há também que se considerar que nossos papéis de benfeitores e beneficiados se alternam no decorrer da vida. Todos temos fases, momentos de fragilidade (basta lembrar de como chegamos e como partimos no mundo). Todos temos oportunidade de ajudar alguém em outros momentos. Ora somos necessariamente carentes, ora podemos ser generosos. Refletindo sobre tudo isso, haverá mais oportunidades de superação e de caminharmos para formas superiores de sentir e fazer.
Há porém algo mais sutil ainda, quando se trata de um benefício e uma ingratidão entre dois seres que se amam intensamente – e não posso deixar de imaginar que foi o que Jesus sentiu ao perguntar pelos outros nove leprosos que não voltaram, que embora não tivessem intimidade com Jesus, o Mestre não lhes era alheio em seu amor por todas as criaturas. A sua pergunta revela que ele não ficou indiferente ao fato. É que quando se pratica um bem ou muitos bens a um ser amado e a pessoa incorpora esse bem em sua vida e depois rejeita asperamente o irmão, a mãe, o amigo que lhe foi alicerce de ascensão e realização, o que se pode experimentar é uma profunda dor pelo outro. Jesus lamenta a ingratidão dos leprosos, como se entristece pela fraqueza de Judas e de Pedro. Mesmo se o nosso eu estiver já desprendido de toda mágoa e suscetibilidade – o que requer obviamente um trabalho bastante cuidadoso – podemos nos entristecer porque o ser amado está agindo de maneira tão acintosa e ingrata, por ele mesmo. Esse sentimento será entremeado de compaixão, sem falsa superioridade. Pode-se entretanto ainda misturar tais impulsos, enquanto estamos a caminho: mágoa com compaixão, tristeza pelo outro, com esperança de recompensa…
Enfim, tudo isso são aprendizados que nos competem assumir em nossa jornada evolutiva. E, tinha Kardec razão ao dizer que as duas únicas e maiores chagas da humanidade são o orgulho e o egoísmo. Estejamos atentos a isso!
Andre Araujo
14 de janeiro de 2016 2:36 amO CANTO TRISTE DA AUSTERIDADE
O CANTO TRISTE DA AUSTERIDADE – A economista Lynn Parramore do Institute for New Economic Thinking de Nova York
escreveu um excelnte paper sobre o conceito de AUSTERIDADE EM ECONOMIA, o lead do trabalho é o abaixo.
“”Austeridade é um conceito tão poderoso porque ele se auto alimenta. O cocneito faz as pessoas inseguras. As pessoas deixam de unir forças e o sistema politico se trava. O nome do principio “”AJUSTE FISCAL”” congela a atenção da população, que não questiona o seu conteudo, formando uma barreira entre os individuos e o mundo politico. O “”ajuste fiscal”” solapa a participação democratica. Esta obscura teoria da austeridade valida com sua autoridade conservadora um grande erro economico que parece algo sensato mas é uma panela furada.
O conceito de “” AJUSTE FISCAL”” apresenta uma falacia completa, a de que um orçamento nacional é como um orçamento de familia. É um magno engano. Uma familia não emite dinheiro, já emitir dinheiro é uma das principais funções de um Estado. “”
A tese de Lynn Parramore ataca a propria logica do ajuste fiscal, pelas mesmas razões que aqui no Brasil muitas pessoas intuitivamente perceberam que ao reprimir a atividade economica e os gastos e investimentos publicos a arrecadação cai e
em função disso cai a capacidade do Estado de investir e num circulo viciosa, a cada queda da atividade mais cai a arrecadação sucessivamente e ao fim o ajuste empobrece o Pais e o Estado que para ter arrecadação precisa ter mais e não menos atividade economica que serve de base à taxação.
Lynn ataca a ciencia e sapiencia dos economistas que propõe algo tão primario como um ajuste fiscal auto destrutivo, o que não invalida de modo algum a necessidade de racionalizar os gastos publicos MAS não o corte linear apenas para encolher o orçamento por razões financeiras e não de eficiencia do Estado.
A logica do AJUSTE FISCAL vem do mercado financeiro e é sua visão para aumentar sua garantia de recebimento da divida publica, sem se importar com os efeitos do AJUSTE sobre a atividade economica geral e a vida da população.
O Institute for New Economic Thinking-INET é um circulo de 790 economistas da mais alta qualidade que equestionam os canones e o modelo monetarista validado até a crise de 2008, que demonstrou as fissuras perigosas desse modelo criado pelo mercado financeiro para seus proprios objetivos. Como demonstrei em meu livro, o monetarismo de Milton Friedman é uma produção do CITIGROUP que bancou a revista e a serie de palestras onde Friedman divulgou sua teoria monetarista, que serve como uma luva ao sistema financeiro , mas não à economia produtiva..
O INET professa serieas duvidas sobre o modelo monetarista e quer rediscuti-lo, pondo em duvida suas premissas,
criticando portanto a turma do “almoço gratis” e da “lição de casa” que tantos seguidores tem no Brasil.
O INET tem entre seus economistas associasdos Premios Nobel, professores de Harvard, Cambridge, Princeton, Oxford,
Columbia, Berkeley, a montagem do instituto foi financiada pelas fundações Rockefeller e Carnegie, por George Soros
e outros que embora oriundos do modelo anterior põe em duvida sua sustentabilidade futura e querem revisa-lo. No Brasil não há nenhum seguidor, o pensamento economico predominante continua aferrado ao velho modelo da “lição de casa”.
Nilberto
14 de janeiro de 2016 9:01 amNem vou ser capa da Veja nem Janot vai me incomodar
Nilberto
14 de janeiro de 2016 9:10 amNão vai haver apagão. Mas o PIG não quer saber de notícia boa
“Zero” chance de apagão. A mídia, sem desastre,não liga para clima ou energia
Por Fernando Brito · 13/01/2016, no Taijolaço
O Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico divulgou nota, hoje, depois de sua reunião em Brasilia, dizendo que é “zero” a possibilidade de falta de energia elétrica no Brasil em 2016.
Talvez, por isso, o acompanhamento dos problemas hídricos brasileiros pela imprensa – que só ocorre, normalmente, quando há situações caóticas de seca ou enchentes – tenha voltado ao silêncio absoluto.
Apesar de ser, hoje, do ponto de vista da economia, um dos fatores mais sensíveis para avaliar see se haverá alívio ou manutenção do quadro de inflação, pelo peso estúpido que nele teve a tarifa de energia – tanto antes, por sua contenção, quanto depois, pela sua liberação selvagem introduzida pelos jihadistas do “realismo tarifário”.
Depois de quase três anos acompanhando o problema, este blog vai tentar dar algumas informações, num tema em que costumam se misturar o imediatismo de olhar para cima e ver se está chovendo quanto o terrorismo do “apagão”, com sua vontade de aponta o caos do “lulopetismo” no setor de energia.
E a situação ainda é delicada, embora haja sinais de melhora, tanto a do abastecimento de água para São Paulo quanto para a geração de energia elétrica.
Os números do Cantareira, ano a ano, desde o início da crise, em 2014, para o dia 13 de janeiro: 2014 – 25,2%; 2015 – menos 22% e 2016 – 4%, todos as percentagens sobre o volume normal das represas, sem o bombeamento do volume morto.
O quadro, portanto, está evidentemente longe de ser tranquilo, embora as chuvas, neste início de ano, estejam dentro da normalidade histórica e, possivelmente, a média do mês venha a ser superada.
No setor de energia, também há evolução da reserva de água acumulada na Região Sudeste, que responde por dois terços da produção hidrelétrica do país. Os números do nível dos reservatórios, no mesmo período, para o dia 12 de janeiro: 2014 – 42%; 2015 – 19,3% e 2016 – 32,3%.
Bom? Sim, considerando o desastre hidrológico dos últimos dois anos. Mas este número, que deve, felizmente, ter uma melhora importante até o final do mês, para o qual há boa projeção de chuva, não conta tudo.
É que este crescimento do volume de água se dá, principalmente, na parte sul da região, a bacia do Rio Tietê, que está com 81%¨de acúmulo. Nas bacias do rios Grande (41%) e Paranaíba (22,6%), importantíssimas,a situação é bem pior. Para você avaliar melhor, a Bacia do Tietê contribui com 9,2% da geração total do Sudeste, enquanto Grande e Paranaíba respondem a 65% da capacidade de geração da região.
Deve melhorar muito, nos próximos dias, pois as chuvas finalmente parecem estar chegando àquelas bacias. Mas a previsão dos meteorologistas não indica uma tendência clara para todo o período chuvoso no Sudeste.
A situação no Nordeste, porém, segue dramática. A represa de Três Marias, a primeira do Rio São Francisco, opera com menos de 7% de sua capacidade de reservação e só há dois dias começou a receber um pouco mais de água. Sobradinho, rio abaixo, está em deploráveis 3% de sua capacidade. Tudo vai melhorar um pouco nos próximos dias, também, mas melhorar, a esta altura, é só ficar “menos ruim”.
O Nordeste – onde o São Francisco é quase o grande produtor de energia hidráulica – responde por 18% da capacidade de geração nacional e não fosse a sua situação difícil é quase certo que a “bandeira vermelha” tarifária na eletricidade já teria sido levantada.
Também há uma inexplicável mesquinhez quando se trata de notícias boas, como a imensa ampliação do nosso parque eólico, como dificilmente outro tenha, proporcionalmente, se expandido. Não li em nenhum portal, entre os grandes, a informação de que, por exemplo, a capacidade instalada de geração de energia pelo vento tenha crescido nada menos que 57% no ano passado, de novembro de 2014 a novembro de 2015.
As eólicas já respondem por 5% da capacidade instalada do país, devem chegar a 7% em 2016 e a 9% em 2017. Só perdem para o crescimento da geração hidráulica, em termos de acréscimo de capacidade – lembre que capacidade, no caso das eólicas, não é garantia de produção, por conta do vento – porque Belo Monte entrará em operação.
Ninguém está sugerindo que se dê cursos de meteorologia ou de geração de energia na mídia, mas é incompreensível que não haja nem cobertura nem análise de um fator econômico e humano desta importância.
Meire
14 de janeiro de 2016 9:40 amO direito de manifestação no Brasil.
“…A defesa dos valores republicanos e democráticos é parte inalienável de uma agenda intocável de qualquer sociedade que tencione alcançar uma razoabilidade mínima de convivência social madura, garantindo o bom funcionamento do Estado, governo, sociedade civil e de todos os demais entes, incluindo nesse rol as pessoas físicas e jurídicas. (FERNANDES, 2013) …”.
FERNANDES. Eduardo de Oliveira. Novas manifestações democráticas e antigas dificuldades republicanas. 02 de Julho de 2013. Defesanet. Disponível em: <http://www.defesanet.com.br/riots/noticia/11360/Novas-Manifestacoes-Democrarticas-e-Antigas-Dificuldades-Republicanas/>. Acesso em: maio/2014. …”
https://jus.com.br/artigos/29506/o-direito-de-manifestacao-no-brasil/3
antonio rodrigues
14 de janeiro de 2016 10:04 amCARTA ABERTA A FERNANDO
CARTA ABERTA A FERNANDO MORAIS
Apesar de todo o respeito e admiração que dedico ao grande jornalista e escritor, gostaria de tornar publica algumas ressalvas as suas afirmações, proferidas, no ultimo domingo, na TV Bandeirantes, no programa Canal Livre, em entrevista sobre o filme “Chato, o Rei do Brasil”, ao lado do “ator, diretor” Guilherme Fontes.
Em resposta as primeiras perguntas dos jornalistas entrevistadores, voce disse ser favoravel a que “os familiares, herdeiros de alguem, não tenham mais direitos sobre sua historia”.
A afirmação, de inicio, pareceu estar fora do tempo.
A senhora Carmem Lucia e seus 10 colegas do supremo dos tribunais ja decidiram, que ate a propria pessoa não tenha mais direito sobre sua propria historia, ou melhor, direito a privacidade. Talvez, com o tempo, fora do poder, ate ela mesma, no caso de ser biografada por alguem não autorizado, possa se arrepender de seu voto..
Data Venia, como gostam de falar, esperava que uma decisão tão seria para a existencia e convivio de uma sociedade, basica para o estabelecimento de sua etica e costumes, não deveria ser tomada por apenas 11 pessoas. Alias, nem mesmo por 500 parlamentares.
Se o povo tivesse a dimensão da questão, exigiria uma consulta a todos seus cidadãos.
Mas pobre “povo”. Afogado por tantas informações incorretas e distorcidas, jamais poderia antever o que uma decisão assim podera com o tempo mudar na vida de todos.
Uma sociedade em que seus cidadãos não tem mais direito a privacidade é uma nova sociedade, foi refundada.
Nos primordios dos debates, o argumento era que o povo tem o direito de saber se o Rei tem ou não uma perna de pau, Segundo afirmavam, “direito ao conhecimento”. Enquanto a invasão dizia respeito apenas aos segredos do famoso cantor, mesmo contra sua vontade, ela era grave, porem ainda limitada. As consequencias dessa negação de direitos, tera outra amplidão quando qualquer pessoa começar exercer o direito da escrever sobre a vida do proximo, vizinho, inimigo, adversario politico ou empresarial.
Diante da questão, um dos entrevistadores do Canal Livre retrucou, afirmando que os incomodados “ainda podem recorrer a justiça”.
Talvez, mesmo jornalista, não tenha a noção do estrago que um livro ou filme, com informações distorcidas, podem ocasionar a uma pessoa ou a uma familia.
Talvez, mesmo jornalista, tambem não tenha a percepção da velocidade com que caminha nossa “justiça”.
O injuriado, se tiver muita sorte de cair nas mãos de um juiz mais voltado aos direitos individuais de que aos empresariais, tera a sua resposta,apenas financeira, quando o livro ja estiver fora das discussões e das prateleiras das livrarias ou os filmes, esquecidos no tempo.
Na sequencia do programa de televisão, alguem perguntou aos entrevistados como se iniciara a negociação entre eles.
A partir da resposta do “ator,diretor”, perdi qualquer interesse em assistir tal filme.
Contou que estava no restaurante com sua mulher e amigos, quando na mesa ao lado avistou o “Barretão”, jantando com o Fernando Morais.
Como em geral fazem certas pessoas , plantou logo uma mentira, uma maneira torta de começar a conversa. Foi a mesa vizinha e pediu ao escritor para ir a sua, para escrever uma dedicatoria a sua esposa.
No caminho foi logo dizendo se tratar de uma manobra enganosa, pois seu interesse real não era autografo algum, mas “cobrir a oferta” do “Barretão”, para a compra dos direitos do filme.. Narrou com orgulho o fato e todos riram.
Na sequencia o destinatario desta carta começou a discorrer sobre valores do negocio. Disse que apesar de receber propostas mais vultosas escolheu a do “ator, diretor”.
Foi exatamente esse detalhe da entrevista que me levou a levantar, aqui, certas ressalvas.
Apesar de considerar o livro sobre o Chateaubriand uma obra basica e recomenda-la, antes de le-la, ja conhecia quase tudo que narra.
Meu pai, que inclusive é citado na narrativa, começou desde muito jovem, junto a um dos seus mais proximos amigos, Samuel Wainer, a trabalhar nos jornais e revistas do biografado. Mantinha no seu trabalho contato direto e diario com o patrão. Conhecia-o a fundo e sua historia. Ainda criança escutava, na mesa de casa, meu pai contar aos amigos, os fatos que encontrei mais tarde na biografia e muitos outros que não estão la.
Em resumo, o biografo não inventou nada, apenas escreveu a historia que ja ouvira.Trata-se da vida do genial empreendedor.
Não entendo, como o ilustre jornalista pode ser contra o direito da familia sobre a intimidade de um biografado, mas ao mesmo tempo se tornar proprietario de sua historia, para inclusive negocia-la, autoriza-la ou não ?
Dentro desses principios, se a propria familia não tem direito algum , ninguem deveria pagar ou mesmo pedir a assinatura do biografo, para fazer um filme ou peça teatral sobre o biografado.
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 10:16 amanarquista doce
14 de janeiro de 2016 10:20 amO Desenhista que Pensa
O Desenhista que Pensa resumiu como poucos a situação política do Brasil.
Sem mais!
Meire
14 de janeiro de 2016 1:44 pmseria resumo, não fosse má fé e alto grau de miopia.
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 10:24 amNo Brasil, em média, um
No Brasil, em média, um entregador de pizza chegará mais rápido na sua casa do que uma ambulância ou viatura solicitada em casos de emergência.
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 10:29 amMeire
14 de janeiro de 2016 2:04 pm(Sem título)
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 10:31 amanarquista doce
14 de janeiro de 2016 10:38 amA sinceridade destrói
A sinceridade destrói castelos de areia. É a realidade sem anestesia. Ela não estimula reticências, não teatraliza as relações humanas, não debocha da credulidade alheia, não falsifica impressões. A sinceridade é de vanguarda. É tão soberana que emudece a todos. É tão inesperada que impede retaliações. A sinceridade é o ponto final de qualquer discussão.
Quer deixar alguém perplexo? Fale a verdade.
antonio rodrigues
14 de janeiro de 2016 10:40 amManifesto de advogados
Manifesto de advogados divulgado por Antonio Carlos de Almeida Castro
“CARTA ABERTA EM REPÚDIO AO REGIME DE SUPRESSÃO EPISÓDICA DE DIREITOS E GARANTIAS VERIFICADO NA OPERAÇÃO LAVA JATO
No plano do desrespeito a direitos e garantias fundamentais dos acusados, a Lava Jato já ocupa um lugar de destaque na história do país. Nunca houve um caso penal em que as violações às regras mínimas para um justo processo estejam ocorrendo em relação a um número tão grande de réus e de forma tão sistemática. O desrespeito à presunção de inocência, ao direito de defesa, à garantia da imparcialidade da jurisdição e ao princípio do juiz natural, o desvirtuamento do uso da prisão provisória, o vazamento seletivo de documentos e informações sigilosas, a sonegação de documentos às defesas dos acusados, a execração pública dos réus e o desrespeito às prerrogativas da advocacia, dentre outros graves vícios, estão se consolidando como marca da Lava Jato, com consequências nefastas para o presente e o futuro da justiça criminal brasileira. O que se tem visto nos últimos tempos é uma espécie de inquisição (ou neoinquisição), em que já se sabe, antes mesmo de começarem os processos, qual será o seu resultado, servindo as etapas processuais que se seguem entre a denúncia e a sentença apenas para cumprir ‘indesejáveis’ formalidades.
Nesta última semana, a reportagem de capa de uma das revistas semanais brasileiras não deixa dúvida quanto à gravidade do que aqui se passa. Numa atitude inconstitucional, ignominiosa e tipicamente sensacionalista, fotografias de alguns dos réus (extraídas indevidamente de seus prontuários na Unidade Prisional em que aguardam julgamento) foram estampadas de forma vil e espetaculosa, com o claro intento de promover-lhes o enxovalhamento e instigar a execração pública. Trata-se, sem dúvida, de mais uma manifestação da estratégia de uso irresponsável e inconsequente da mídia, não para informar, como deveria ser, mas para prejudicar o direito de defesa, criando uma imagem desfavorável dos acusados em prejuízo da presunção da inocência e da imparcialidade que haveria de imperar em seus julgamentos – o que tem marcado, desde o começo das investigações, o comportamento perverso e desvirtuado estabelecido entre os órgãos de persecução e alguns setores da imprensa.
Ainda que parcela significativa da população não se dê conta disso, esta estratégia de massacre midiático passou a fazer parte de um verdadeiro plano de comunicação, desenvolvido em conjunto e em paralelo às acusações formais, e que tem por espúrios objetivos incutir na coletividade a crença de que os acusados são culpados (mesmo antes deles serem julgados) e pressionar instâncias do Poder Judiciário a manter injustas e desnecessárias medidas restritivas de direitos e prisões provisórias, engrenagem fundamental do programa de coerção estatal à celebração de acordos de delação premiada.
Está é uma prática absurda e que não pode ser tolerada numa sociedade que se pretenda democrática, sendo preciso reagir e denunciar tudo isso, dando vazão ao sentimento de indignação que toma conta de quem tem testemunhado esse conjunto de acontecimentos. A operação Lava Jato se transformou numa Justiça à parte. Uma especiosa Justiça que se orienta pela tônica de que os fins justificam os meios, o que representa um retrocesso histórico de vários séculos, com a supressão de garantias e direitos duramente conquistados, sem os quais o que sobra é um simulacro de processo; enfim, uma tentativa de justiçamento, como não se via nem mesmo na época da ditadura.
Magistrados das altas Cortes do país estão sendo atacados ou colocados sob suspeita para não decidirem favoravelmente aos acusados em recursos e habeas corpus ou porque decidiram ou votaram (de acordo com seus convencimentos e consciências) pelo restabelecimento da liberdade de acusados no âmbito da Operação Lava Jato, a ponto de se ter suscitado, em desagravo, a manifestação de apoio e solidariedade de entidades associativas de juízes contra esses abusos, preocupadas em garantir a higidez da jurisdição. Isto é gravíssimo e, além de representar uma tentativa de supressão da independência judicial, revela que aos acusados não está sendo assegurado o direito a um justo processo.
É de todo inaceitável, numa Justiça que se pretenda democrática, que a prisão provisória seja indisfarçavelmente utilizada para forçar a celebração de acordos de delação premiada, como, aliás, já defenderam publicamente alguns Procuradores que atuam no caso. Num dia os réus estão encarcerados por força de decisões que afirmam a imprescindibilidade de suas prisões, dado que suas liberdades representariam gravíssimo risco à ordem pública; no dia seguinte, fazem acordo de delação premiada e são postos em liberdade, como se num passe de mágica toda essa imprescindibilidade da prisão desaparecesse. No mínimo, a prática evidencia o quão artificiais e puramente retóricos são os fundamentos utilizados nos decretos de prisão. É grave o atentado à Constituição e ao Estado de Direito e é inadmissível que Poder Judiciário não se oponha a esse artifício.
É inconcebível que os processos sejam conduzidos por magistrado que atua com parcialidade, comportando-se de maneira mais acusadora do que a própria acusação. Não há processo justo quando o juiz da causa já externa seu convencimento acerca da culpabilidade dos réus em decretos de prisão expedidos antes ainda do início das ações penais. Ademais, a sobreposição de decretos de prisão (para embaraçar o exame de legalidade pelas Cortes Superiores e, consequentemente, para dificultar a soltura dos réus) e mesmo a resistência ou insurgência de um magistrado quanto ao cumprimento de decisões de outras instâncias, igualmente revelam uma atuação judicial arbitrária e absolutista, de todo incompatível com o papel que se espera ver desempenhado por um juiz, na vigência de um Estado de Direito.
Por tudo isso, os advogados, professores, juristas e integrantes da comunidade jurídica que subscrevem esta carta vêm manifestar publicamente indignação e repúdio ao regime de supressão episódica de direitos e garantias que está contaminando o sistema de justiça do país. Não podemos nos calar diante do que vem acontecendo neste caso. É fundamental que nos insurjamos contra estes abusos. O Estado de Direito está sob ameaça e a atuação do Poder Judiciário não pode ser influenciada pela publicidade opressiva que tem sido lançada em desfavor dos acusados e que lhes retira, como consequência, o direito a um julgamento justo e imparcial – direito inalienável de todo e qualquer cidadão e base fundamental da democracia. Urge uma postura rigorosa de respeito e observância às leis e à Constituição brasileira.
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 10:40 amContardo Calligaris
Pobres
Contardo Calligaris
Pobres meninos ricos
A pobreza não é boa para a saúde física (hospitais lotados, hábitos alimentares baratos e ruins etc.).
Também a pobreza não é boa para a saúde mental. Há o estresse da luta para colocar comida na mesa. Há a frustração produzida pelo triunfo da necessidade sobre os desejos (“Pense no pão, esqueça-se dos seus sonhos”). E falta dinheiro para terapia e medicação.
Além disso, numa sociedade vaidosa e exibicionista, a falta de meios e perspectivas encoraja “vacilações” morais: tentações e condutas criminosas.
Nessa direção, aliás, é quase sempre proposta uma distinção entre 1) pobreza (que, por si só, não “explica” nada), 2) miséria (extrema necessidade que quase justifica o crime) e 3) exclusão social (em que a lei e os princípios da comunidade não valem para mim porque, se não faço parte da comunidade, não tenho por que obedecer às suas regras).
Agora, se estamos dispostos a considerar que a falta de recursos e de cidadania (num leque que vai desde a pobreza até a exclusão) tem efeitos na saúde mental e no comportamento do cidadão, como não considerar o inverso?
Como recusar a ideia de que o excesso de recursos também transforma nossa maneira de pensar, sentir e julgar? Ou você acha que o fato de dispor sempre do supérfluo não tem consequências? E o poder quase infinito de corromper os outros?
Esta era a visão do Evangelho: “E lhes digo mais: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus” (Mateus, 19:24). Os calvinistas, por exemplo, se esforçaram para mostrar ao mundo que era possível ser rico sem ostentação, desperdiço, soberba etc. Óbvio que é.
De qualquer forma, duvido que, na perspectiva do Evangelho, a riqueza fosse uma culpa em si: os ricos não são sinistros por sua riqueza, mas pela “patologia” mental e moral facilitada ou produzida pela riqueza.
A suspeita que exista uma doença moral e mental dos ricos começou no início dos anos 2000, com a ideia de que o consumismo fosse uma “epidemia” com consequências psíquicas sérias: insatisfação, ansiedade, procura abstrata de “mais algo”, depressão –até obesidade, como consequência. O termo para essa doença dos ricos é “Affluenza”, de “affluent” (rico) e “influenza” (gripe).
O que era, inicialmente, uma crítica moral à sociedade de consumo se transformou numa defesa penal. Em 2013, Ethan Couch, um adolescente do Texas, matou quatro pessoas dirigindo bêbado. A defesa pretendeu que ele sofria de “affluenza”, ou seja, de problemas psicológicos produzidos pela riqueza (substancial) de sua família: incapacidade de entender o valor da lei, certeza de impunidade, desprezo pelos menos favorecidos etc.
Aposto que o advogado de Thor Batista não pensou nessa. Os advogados dos assassinos do índio Galdino não tinham como –era 1997, antes que a “affluenza” fosse “descoberta”.
Engraçado, hein? No tribunal, os pobres poderiam ter desconto por serem pobres; os ricos, por serem ricos.
Não sou muito a favor de descontos para ninguém, mas é verdade que 1) a decadência moral do soldado do tráfico pode ser um efeito colateral da miséria e da exclusão; e 2) ao menos no Brasil, a decadência moral das elites políticas e econômicas é tamanha que é difícil não pensar que se trate de uma espécie de “epidemia”.
No dia 1º de janeiro, Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, escreveu, no “New York Times”, a coluna “Privilege, Pathology and Power ” (privilégio, patologia e poder). Sugestão: pegue alguém que seja só um idiota ou um mau-caráter e acrescente o tipo de riqueza que lhe permite se circundar só de bajuladores e obter tudo o que ele quer… Você não acha que o cara vai piorar? Não é só que ele será um canalha com mais poder, mas o poder o tornará mais canalha do que ele já era.
Em suma, poderíamos instituir um exame psicotécnico de seleção para ser rico e poderoso. Ok, estou brincando, mas seria bom que a riqueza tivesse limites que ajudassem os ricos a não adoecer de “affluenza”.
É importante cuidar para que a pobreza não se torne miséria e exclusão; mas sem esquecer que a riqueza parece com o anel de “O Senhor dos Anéis”, que acaba com a alma de quem o usa.
Nas palavras de Krugman, nossas “democracias” estão se tornando “narcisocracias”, comandadas por elites doentes: “egomaníacos mimados”, “monstruosamente autocentrados”. E olhe que ele mal deve saber o que é a Lava Jato.
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 3:23 pmO Brasil na sua essência
O Brasil na sua essência :
Estava na livraria e comprei 3 livros.
Quando fui pagar a caixa perguntou :
”Vc vai ler tudo isso” ?
Praça Silvio Romero Tatuapé.
********************
Na farmácia paguei a conta e o caixa calado.
Ao me despedir disse : Obrigado.
E ele : De nada.
Drogaria na av. Alvaro Ramos ,Drogasil ou nome parecido.
***********************
Na lotérica joguei em jogos da loteria. Uns 20 reais.
Ao me despedir ,como não a atendente não disse nada, falei : Boa Sorte.
E ela : Pro sr .tbm.
************************
São centenas de milhares de casos assim.Em todos os setores.
Desconfio que fomos rebaixados do terceiro pro ÚLTIMO mundo.
Adir Tavares
14 de janeiro de 2016 10:43 am2016 – 500 anos da cachaça brasileira
2016 – 500 anos da cachaça brasileira e ainda um longo caminho pela frente
Por BlueBus
Dizem que o 1º engenho a produzir cachaça ficava em Pernambuco e sua 1ª produçao saiu em 1516. Meio milênio já é ano suficiente para termos muitas histórias, boas marcas e reconhecimento nacional e internacional. Mas parece que ainda nao é o que acontece. Depois da Copa e de muitos turistas terem experimentado nossas caipirinhas por todo o Brasil, aumentou a exposiçao, mas ainda somos ilustres desconhecidos no mercado internacional.
Segundo dados da SECEX – Secretaria de Comércio Exterior – as exportaçoes brasileiras caíram 17% em volume se comparadas a 2014. Se pensarmos que a tequila mexicana supera USD 1 bilhao em exportaçao, temos um longo caminho pela frente. Construir marca, neste caso, passa pela organizaçao e articulaçao do setor, pelo incentivo fiscal, pela divulgaçao organizada e contínua das marcas. Segundo o IBRAC – Instituto Brasileiro da Cachaça – as vendas estavam aumentando e a procura por marcas de maior qualidade também, mas a alta na tributaçao pode frear este ritmo.
Quando a gente pensa no cenário internacional e imagina as grandes oportunidades de estar ao lado da Rússia com sua Vodka, do Caribe com seu Rum, do México com sua Tequila, com nossas cachaças nao parece existir outro caminho senao o de investir em marca. Construir e comunicar.
http://www.bluebus.com.br/2016-500-anos-da-cachaca-brasileira/
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 3:03 pmO ponto trágico em que
O ponto trágico em que chegamos:
Se vc só ler um veículo de comunicação, e acreditar nele, vc é boi de boiada.–QUALQUER UM.
Pra vc ter uma visão do Brasil, primeiro tem que saber quem escreve pró e contra o governo.
Em segundo lugar, se é que se interessa pelo Brasil ou pela leitura, tem que se despojar do seu maniqueísmo pré formado desde antes da faculdade que vc cursou–ou desistiu.
Em terceiro lugar,nada é estático. As pessoas mudam ,então não fique parado e sonhando com que vc ouviu em tempos idos.
”Partidos ” repartidos mudam mais ainda. Procure se informar lendo e ouvindo todos os lados.
Quarto lugar, não seja trouxa ao acreditar em pessoas mais envolventes e carismáticas que outras .Nem sempre são os verdadeiros, apenas tem uma retórica melhor.
E pra terminar : ‘NUNCAANTESNESTEPAÍS”, é muita petulância,né ?
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 3:34 pm“O Regresso” e “Mad Max:
“O Regresso” e “Mad Max: Estrada da Fúria” lideram indicações ao Oscar 2016
Indicados ao Oscar 20169 fotos
1 / 9″O Regresso” lidera a corrida do Oscar 2016 com 12 indicações, seguido de “Mad Max: Estrada da Fúria” (10), “Perdido em Marte” (7), “Spotlight – Segredos Revelados” (6) e “Ponte dos Espiões” (6) Divulgação/Montagem UOL
Depois de conseguir nove indicações ao Oscar para “Birdman” em 2015 (e levar quatro troféus), o diretor Alejandro González Iñárritu repetiu a façanha com seu novo filme, “O Regresso”, que foi lembrado em 12 categorias dos prêmios da Academia, anunciados nesta quinta-feira (14).
Estrelado por Leonardo DiCaprio, o longa foi indicado como melhor filme, diretor, ator (DiCaprio), ator coadjuvante (Tom Hardy), fotografia, figurino, montagem, maquiagem e cabelo, design de produção, edição de som, mixagem de som, efeitos visuais. A expectativa em torno de uma possível premiação a DiCaprio é grande, já que esta é a quinta indicação do ator, que nunca foi premiado.
“O Regresso” se inspira na história real de um caçador atacado por um urso e abandonado por seus companheiros, que o deram como morto. Mas ele sobrevive e parte em busca de vingança. A equipe do longa relatou que as filmagens, no Canadá e na Argentina, foram um “inferno”, com longas cenas rodadas em duras condições climáticas e temperaturas abaixo de zero.
“Mad Max: Estrada da Fúria” também se destacou, com dez indicações: filme, direção (George Miller), fotografia, figurino, maquiagem e cabelo, montagem, design de produção, edição de som, mixagem de som, efeitos visuais. O filme retoma o personagem interpretado por Mel Gibson, dessa vez com Tom Hardy no papel, e volta ao mundo apocalíptico castigado por seca e contaminação radioativa.
Entre os indicados também há um representante brasileiro: a animação “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, que já havia vencido diversas premiações internacionais, inclusive a do Festival de Annecy, principal evento de animação no mundo. A disputa não será fácil, pois concorre na mesma categoria “Divertida Mente'”, produção da Pixar, principal estúdio de animação do mundo, que já levou sete estatuetas na categoria.
“Star Wars: O Despertar da Força”, que estreou quase no limite para se classificar para o Oscar, em dezembro de 2015, conseguiu quatro indicações, principalmente em categorias mais técnicas: montagem, trilha original, edição de som e mixagem de som.
“Carol”, que foi premiado por diversas associações de cíticos de cinema e liderou as indicações do Bafta, o “Oscar inglês”, acabou ficando de fora das principais categorias, como melhor filme e direção, e foi lembrado apenas em melhor atriz (Cate Blanchett, em sua sétima indicação), atriz coadjuvante (Rooney Mara), fotografia, figurino, trilha original e roteiro adaptado.
“Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”, que havia sido citado nas apostas de diversos críticos também foi um dos esnobados pela Academia, com indicações apenas como roteiro original.
Entre os documentários, destacam-se duas produções sobre estrelas da música: “Amy”, sobre Amy Winehouse, e “What Happened, Miss Simone?”, produção do Netflix sobre Nina Simone. O Netflix também foi indicado pelo documentário “Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom”. O serviço de streaming estava cotado para ser indicado por “Beasts of no Nation”, filme que estreou no Festival de Veneza, mas foi ignorado pela Academia.
O anúncio foi feito pela presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, pelos cineastas Guillermo del Toro e Ang Lee e pelo ator John Krasinski.
Os vencedores da estatueta dourada serão conhecidos em cerimônia no dia 28 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles.
Veja abaixo a lista completa de indicados:
FILME
“A Grande Aposta”
“Ponte dos Espiões”
“Brooklyn”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“O Quarto de Jack”
“Spotlight – Segredos Revelados”
DIREÇÃO
Adam McKay, “A Grande Aposta”
George Miller, “Mad Max: Estrada da Fúria”
Alejandro G. Iñarritu, “O Regresso”
Lenny Abrahamson, “O Quarto de Jack”
Tom McCarthy, “Spotlight: Segredos Revelados”
ATOR
Bryan Cranston, “Trumbo – Lista Negra”
Leonardo DiCaprio, “O Regresso”
Eddie Redmayne, “A Garota Dinamarquesa”
Michael Fassbender, “Steve Jobs”
Matt Damon, “Perdido em Marte”
ATOR COADJUVANTE
Christian Bale, “A Grande Aposta”
Tom Hardy, “O Regresso”
Mark Ruffalo, “Spotlight – Segredos Revelados”
Mark Rylance, “Ponte dos Espiões”
Sylvester Stallone, “Creed: Nascido Para Lutar”
ATRIZ
Cate Blanchett, “Carol”
Brie Larson, “O Quarto de Jack”
Jennifer Lawrence, “Joy: O Nome do Sucesso”
Charlotte Rampling, “45 Anos”
Saoirse Ronan, “Brooklyn”
ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Jason Leigh, “Os Oito Odiados”
Rooney Mara, “Carol”
Rachel McAdams, “Spotlight”
Alicia Vikander, “A Garota Dinamarquesa”
Kate Winslet, “Steve Jobs”
ROTEIRO ORIGINAL
“Ponte dos Espiões”
“Ex-Machina: Instinto Artificial”
“Divertida Mente”
“Spotlight: Segredos Revelados”
“Straight Outta Comptom – A História de N.W.A”
ROTEIRO ADAPTADO
“A Grande Aposta”
“Brooklyn”
“Carol”
“Perdido em Marte”
“O Quarto de Jack”
DOCUMENTÁRIO
“Amy”
“Cartel Land”
“The Look of Silence”
“O Que Aconteceu, Miss Simone?”
“Winter on Fire”
DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
“Body Team 12”
“Chau, beyond the Lines”
“Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah”
“A Girl in the River: The Price of Forgiveness”
“Last Day of Freedom”
MONTAGEM
“A Grande Aposta”
“Mad Max: Estrada de Fúria”
“O Regresso”
“Spotlight: Segredos Revelados”
“Star Wars: O Despertar da Força”
MAQUIAGEM E CABELO
“Mad Max: Estrada da Fúria” Lesley Vanderwalt, Elka Wardega and Damian Martin
“The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared” Love Larson and Eva von Bahr
“O Regresso” Siân Grigg, Duncan Jarman and Robert Pandini
TRILHA SONORA ORIGINAL
“Ponte dos Espiões” Thomas Newman
“Carol” Carter Burwell
“Os Oito Odiados” Ennio Morricone
“Sicário: Terra de Ninguém” Jóhann Jóhannsson
“Star Wars: O Despertar da Força” John Williams
DESIGN DE PRODUÇÃO
“Ponte dos Espiões”
“A Garota Dinamarquesa”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
CURTA-METRAGEM
“Ave Maria”
“Day One”
“Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)”
“Shok”
“Stutterer”
ANIMAÇÃO
“Anomalisa”
“O Menino e o Mundo”
“Divertida Mente”
“Shaun, o Carneiro”
“Quando Estou com Marnie”
CURTA DE ANIMAÇÃO
“Bear Story”
“World of Tomorrow”
“Prologue”
“We Can’t Live Without Cosmos”
“Os Heróis de Sanjay”
FILME ESTRANGEIRO
“O Abraço da Serpente” (Colômbia)
“Cinco Graças” (França)
“O Filho de Saul” (Hungria)
“Theeb” (Emirados Árabes)
“A War” (Dinamarca)
FOTOGRAFIA
“Carol”
“Os Oito Odiados”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Sicário: Terra de Ninguém”
“O Regresso”
FIGURINO
“Carol” – Sandy Powell
“Cinderella” – Sandy Powell
“A Garota Dinamarquesa” – Paco Delgado
“Mad Max: Estrada da Fúria” – Jenny Beavan
“O Regresso” – Jacqueline West
CANÇÃO ORIGINAL
“Earned It”, de “Cinquenta Tons de Cinza” (Abel Tesfaye/Ahmad Balshe/Jason Daheala/Stephan Moccio)
“Manta Ray”, de “A Corrida contra a Extinção” (J. Ralph/Antony Hegarty)
“Simple Song #3”, de “Juventude” (David Lang)
“Til It Happens To You”, de “The Hunting Ground” (Diane Warren/Lady Gaga)
“Writing’s On The Wall”, de “007 Contra Spectre” (Jimmy Napes/Sam Smith)
EFEITOS VISUAIS
“Ex Machina”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“Star Wars: O Despertar da Força”
EDIÇÃO DE SOM
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em marte”
“O Regresso”
“Sicário: Terra de Ninguém”
“Star Wars: O Despertar da Força”
MIXAGEM DE SOM
“Ponte dos Espiões”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“Star Wars: O Despertar da Força”
Pedro Rinck
14 de janeiro de 2016 3:56 pmDivaldo, Deus te abençoe. É
Divaldo, Deus te abençoe. É tão difícil entender que no Brasil, sendo a “Pátria do Evangelho”, ainda existam tantas pessoas que não amam o próximo. Por quê?
– Porque não são Espíritos do Brasil. Vêm de outras pátrias, de outras raças. Não são almas brasileiras. Vêm para cá, porque, se ficassem nos seus países de origem, os sentimentos de rancor e ressentimentos torná-los-iam mais desventurados.
Após a Revolução Francesa de 1789, quando a França se libertou da Casa dos Bourbons, os grandes filósofos da libertação sonharam com os direitos do homem, direitos que foram inscritos nos códigos de justiça em 1791 e que, até hoje, ainda não são respeitados, embora em 1947, no mês de dezembro, a ONU voltasse a reconhecê-los. Depois daquele movimento libertário, o que aconteceu com os franceses? Os dois partidos engalfinharam-se nas paixões sórdidas e políticas e como conseqüência, os grandes filósofos cederam lugar aos grandes fanáticos, e a França experimentou os dias de terror, quando a guilhotina, arma criada por José Guilhotin, chegava a matar mais de mil pessoas por dia. Esses Espíritos saíam desesperados do corpo e ficavam na psicosfera da França buscando vingança.
Viajando pelo mundo, onde tenho encontrado brasileiros espíritas, descubro uma célula espírita. Começa-se com um estudo do Evangelho no lar, depois chama-se os amigos, os vizinhos, forma-se um grupo e, hoje, na Europa. 90% dos grupos espíritas são criados por brasileiros. Com exceção de Portugal. Espanha e um pouquinho da França, o movimento é todo de brasileiros e latinos acendendo as labaredas do Evangelho de Jesus. Não há pouco tempo, brasileiros na Holanda encontraram as obras de Kardec traduzidas para o holandês, brasileiros na Suíça revisaram O Evangelho segundo o Espiritismo e se está tentando publicar as obras de Kardec, agora em alemão. Brasileiros na América do Norte retraduziram O Livro dos Espíritos e O Evangelho, que o foi por um protestante, que substituiu a palavra reencarnação por ressurreição. Brasileiros em Londres, com alguns ingleses, já formam oito grupos espíritas e seria fastidioso se fosse enumerando na Ásia, na África…
Certa feita recebi um telefonema de uma cidade asiática. Tratava-se de uma consulesa do Brasil que me dizia o seguinte: “Eu estou no outro lado do mundo, sou espírita, tenho três filhos rapazes – um de 10, um de 14 e outro de 18 anos. Tenho-lhes ensinado o Espiritismo, mas o meu filho mais velho está na Universidade e me faz perguntas muito embaraçosas; aqui eu não tenho acesso a maiores instruções. Queria convidá-lo a vir aqui dar umas aulas de Espiritismo ao meu filho. Você viria?” Eu respondi-lhe: – Sim, senhora, com a condição de conseguir-se espaço para eu falar em auditório publico sobre o Espiritismo: – O marido era o representante dos negócios do Brasil no país. – Se a senhora aceitar a condição, ficaria alguns dias para debater com os seus meninos. Como não falo inglês, seu filho será o meu intérprete.
E assim, fiz a longa viagem de 36 horas com escalas e lá, naturalmente, ela me disse: “Mas, Divaldo, onde vamos ter esse encontro?” Eu lhe respondi: “Tive uma entrevista com o Baghavan Swami Sai Baba, e sei que essa é uma cidade em que há um grande movimento Babista e, se a senhora conseguir um grupo Sai Baba eu me prontifico a fazer uma conferência ali”.
Encontramos o representante de Sai Baba para a Ásia e ele ficou muito feliz porque Swami havia-me recebido. Ele reuniu mil pessoas para que eu falasse sobre o Espiritismo. Fiquei até com pena dele! E pensei: “Vou arrastar toda a turma de Sai Baba para o Sr. Allan Kardec” (risos…).
Então, fiz a palestra, falei sobre Allan Kardec, sobre as comunicações, ele ficou tão sensibilizado, que me perguntou se eu teria coragem de ir a Cingapura para fazer a mesma coisa. Eu lhe respondi: – O senhor me mandando até o CingaInferno eu irei para falar sobre o Espiritismo. Fui a Cingapura e fiz uma viagem pela Ásia e, onde havia brasileiros, lá estavam eles…
<div 5px;”=””>
A missão do Brasil, “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo” não é a de sermos todos ricos, maravilhosamente ricos; é a de sermos maravilhosamente espiritualizados, sem nenhum demérito para os outros países, que são todos amados por Deus e por Jesus em igualdade de condição. Aqui entra o nacionalismo, para ver se a gente ama um pouquinho mais este país que está passando uma fase de grande desprestígio. Deus só tem ajudado no Tênis! Que Ele tenha compaixão de nós e nos ajude também no Futebol e noutra coisa qualquer! (risos…).
Nós somos as cartas vivas do Evangelho. Jesus escreveu em nossa alma a Sua mensagem. Onde quer que vamos, que brilhe a nossa luz; mas, para que ela brilhe, é necessário que a acendamos, e o combustível dessa luz é a fraternidade. Assim, todos saberão que estamos ligados a Ele, graças à presença dos bons Espíritos, que aqui estão conosco, e sempre se encontram a qualquer hora. Como disse Kardec, com muita propriedade, todos têm seu Guia espiritual que os inspira; dessa forma, todos são médiuns, estão sintonizados com esses.
Concluirei com uma pequena narrativa, sobre um homem que era muito ignorante, muito modesto, muito pobre. Todo dia ele entrava na igreja, próximo ao horário de fechar as portas; ajoelhava-se diante do altar-mor, ficava dois minutos e saía. O sacerdote, que cuidava da igreja, ficou muito intrigado, e achou que ele estava observando algo para furtar ou para roubar, passando a ficar mais vigilante. Mas, ele chegava, ajoelhava-se, dobrava-se, balbuciava algo e ia-se embora. Um dia, o sacerdote não suportou mais e perguntou: “O que é que você vem fazer aqui, um miserável como é? Por que não vem à missa? Só vem na hora em que a igreja vai ser fechada?” Ele respondeu: “É porque eu sou muito pobre.” O sacerdote continuou: – “E por que vai ao altar-mor. Como se atreve?” Ele respondeu: – “Pois é, quando a igreja vai fechar, eu entro correndo e digo: Jesus, eu estou aqui. Se precisar é só chamar! E vou embora”. O sacerdote achou aquilo intrigante.
Anos depois, aquele mendigo adoeceu e foi levado para uma casa de emergência, de caridade. Quando, um dia, a enfermeira foi colocar o seu alimento sobre uma cadeira, ao lado da cama, ele pediu: – “Oh, por favor, não bote aí!” A jovem perguntou: – “Por que não?” E o homem respondeu: – “Porque essa cadeira de vez em quando, fica ocupada.” Ele deveria estar delirando, a enfermeira pensou, e respeitou-o. Começou a notar que todo dia, um pouco antes das 18 horas, o rosto dele se iluminava! Ele sorria e dizia: – “Muito obrigado! Muito obrigado!” Ela achava que era delírio, mas, como ele era perfeitamente saudável da mente, num desses dias, quando terminou de agradecer, ela indagou: – “Não repare, mas o que você está agradecendo?” Ele esclareceu: – “É a uma visita que chega todo dia cinco para as seis.” Ela continuou: – “Que visita é essa?” – É Jesus. Ele sempre vem e diz-me: – “Olhe, estou aqui. Se precisar de mim é só chamar!…”.
Se precisarmos de Jesus, é só chamarmos! (XIF-2001)
Texto Extraído do livro: APRENDENDO COM DIVALDO. Entrevistas / Divaldo Pereira Franco:São Gonçalo, RJ: Organizado pela SEJA, Editora e Distribuidora de Livros Espíritas, 2002, p. 69-74.
AnteriorRetornar Para Doutrina Espírita
Próxima
Siga o Saudade e Adeus no Twitter
Submarino.com.br
A caixa de comentários só poderá ser visualizada corretamente se você estiver usando os navegadores Mozilla Firefox ou Google Chrome.
Pedro Rinck
14 de janeiro de 2016 4:22 pmDois Milhões de Espíritos
Dois Milhões de Espíritos Franceses Reencarnaram no Brasil
– Divaldo, Deus te abençoe. É tão difícil entender que no Brasil, sendo a “Pátria do Evangelho”, ainda existam tantas pessoas que não amam o próximo. Por quê?
– Porque não são Espíritos do Brasil. Vêm de outras pátrias, de outras raças. Não são almas brasileiras. Vêm para cá, porque, se ficassem nos seus países de origem, os sentimentos de rancor e ressentimentos torná-los-iam mais desventurados.
Após a Revolução Francesa de 1789, quando a França se libertou da Casa dos Bourbons, os grandes filósofos da libertação sonharam com os direitos do homem, direitos que foram inscritos nos códigos de justiça em 1791 e que, até hoje, ainda não são respeitados, embora em 1947, no mês de dezembro, a ONU voltasse a reconhecê-los. Depois daquele movimento libertário, o que aconteceu com os franceses? Os dois partidos engalfinharam-se nas paixões sórdidas e políticas e como conseqüência, os grandes filósofos cederam lugar aos grandes fanáticos, e a França experimentou os dias de terror, quando a guilhotina, arma criada por José Guilhotin, chegava a matar mais de mil pessoas por dia. Esses Espíritos saíam desesperados do corpo e ficavam na psicosfera da França buscando vingança.
Viajando pelo mundo, onde tenho encontrado brasileiros espíritas, descubro uma célula espírita. Começa-se com um estudo do Evangelho no lar, depois chama-se os amigos, os vizinhos, forma-se um grupo e, hoje, na Europa. 90% dos grupos espíritas são criados por brasileiros. Com exceção de Portugal. Espanha e um pouquinho da França, o movimento é todo de brasileiros e latinos acendendo as labaredas do Evangelho de Jesus. Não há pouco tempo, brasileiros na Holanda encontraram as obras de Kardec traduzidas para o holandês, brasileiros na Suíça revisaram O Evangelho segundo o Espiritismo e se está tentando publicar as obras de Kardec, agora em alemão. Brasileiros na América do Norte retraduziram O Livro dos Espíritos e O Evangelho, que o foi por um protestante, que substituiu a palavra reencarnação por ressurreição. Brasileiros em Londres, com alguns ingleses, já formam oito grupos espíritas e seria fastidioso se fosse enumerando na Ásia, na África…
Certa feita recebi um telefonema de uma cidade asiática. Tratava-se de uma consulesa do Brasil que me dizia o seguinte: “Eu estou no outro lado do mundo, sou espírita, tenho três filhos rapazes – um de 10, um de 14 e outro de 18 anos. Tenho-lhes ensinado o Espiritismo, mas o meu filho mais velho está na Universidade e me faz perguntas muito embaraçosas; aqui eu não tenho acesso a maiores instruções. Queria convidá-lo a vir aqui dar umas aulas de Espiritismo ao meu filho. Você viria?” Eu respondi-lhe: – Sim, senhora, com a condição de conseguir-se espaço para eu falar em auditório publico sobre o Espiritismo: – O marido era o representante dos negócios do Brasil no país. – Se a senhora aceitar a condição, ficaria alguns dias para debater com os seus meninos. Como não falo inglês, seu filho será o meu intérprete.
E assim, fiz a longa viagem de 36 horas com escalas e lá, naturalmente, ela me disse: “Mas, Divaldo, onde vamos ter esse encontro?” Eu lhe respondi: “Tive uma entrevista com o Baghavan Swami Sai Baba, e sei que essa é uma cidade em que há um grande movimento Babista e, se a senhora conseguir um grupo Sai Baba eu me prontifico a fazer uma conferência ali”.
Encontramos o representante de Sai Baba para a Ásia e ele ficou muito feliz porque Swami havia-me recebido. Ele reuniu mil pessoas para que eu falasse sobre o Espiritismo. Fiquei até com pena dele! E pensei: “Vou arrastar toda a turma de Sai Baba para o Sr. Allan Kardec” (risos…).
Então, fiz a palestra, falei sobre Allan Kardec, sobre as comunicações, ele ficou tão sensibilizado, que me perguntou se eu teria coragem de ir a Cingapura para fazer a mesma coisa. Eu lhe respondi: – O senhor me mandando até o CingaInferno eu irei para falar sobre o Espiritismo. Fui a Cingapura e fiz uma viagem pela Ásia e, onde havia brasileiros, lá estavam eles…
<div 5px;”=””>
A missão do Brasil, “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo” não é a de sermos todos ricos, maravilhosamente ricos; é a de sermos maravilhosamente espiritualizados, sem nenhum demérito para os outros países, que são todos amados por Deus e por Jesus em igualdade de condição. Aqui entra o nacionalismo, para ver se a gente ama um pouquinho mais este país que está passando uma fase de grande desprestígio. Deus só tem ajudado no Tênis! Que Ele tenha compaixão de nós e nos ajude também no Futebol e noutra coisa qualquer! (risos…).
Nós somos as cartas vivas do Evangelho. Jesus escreveu em nossa alma a Sua mensagem. Onde quer que vamos, que brilhe a nossa luz; mas, para que ela brilhe, é necessário que a acendamos, e o combustível dessa luz é a fraternidade. Assim, todos saberão que estamos ligados a Ele, graças à presença dos bons Espíritos, que aqui estão conosco, e sempre se encontram a qualquer hora. Como disse Kardec, com muita propriedade, todos têm seu Guia espiritual que os inspira; dessa forma, todos são médiuns, estão sintonizados com esses.
Concluirei com uma pequena narrativa, sobre um homem que era muito ignorante, muito modesto, muito pobre. Todo dia ele entrava na igreja, próximo ao horário de fechar as portas; ajoelhava-se diante do altar-mor, ficava dois minutos e saía. O sacerdote, que cuidava da igreja, ficou muito intrigado, e achou que ele estava observando algo para furtar ou para roubar, passando a ficar mais vigilante. Mas, ele chegava, ajoelhava-se, dobrava-se, balbuciava algo e ia-se embora. Um dia, o sacerdote não suportou mais e perguntou: “O que é que você vem fazer aqui, um miserável como é? Por que não vem à missa? Só vem na hora em que a igreja vai ser fechada?” Ele respondeu: “É porque eu sou muito pobre.” O sacerdote continuou: – “E por que vai ao altar-mor. Como se atreve?” Ele respondeu: – “Pois é, quando a igreja vai fechar, eu entro correndo e digo: Jesus, eu estou aqui. Se precisar é só chamar! E vou embora”. O sacerdote achou aquilo intrigante.
Anos depois, aquele mendigo adoeceu e foi levado para uma casa de emergência, de caridade. Quando, um dia, a enfermeira foi colocar o seu alimento sobre uma cadeira, ao lado da cama, ele pediu: – “Oh, por favor, não bote aí!” A jovem perguntou: – “Por que não?” E o homem respondeu: – “Porque essa cadeira de vez em quando, fica ocupada.” Ele deveria estar delirando, a enfermeira pensou, e respeitou-o. Começou a notar que todo dia, um pouco antes das 18 horas, o rosto dele se iluminava! Ele sorria e dizia: – “Muito obrigado! Muito obrigado!” Ela achava que era delírio, mas, como ele era perfeitamente saudável da mente, num desses dias, quando terminou de agradecer, ela indagou: – “Não repare, mas o que você está agradecendo?” Ele esclareceu: – “É a uma visita que chega todo dia cinco para as seis.” Ela continuou: – “Que visita é essa?” – É Jesus. Ele sempre vem e diz-me: – “Olhe, estou aqui. Se precisar de mim é só chamar!…”.
Se precisarmos de Jesus, é só chamarmos! (XIF-2001)
Texto Extraído do livro: APRENDENDO COM DIVALDO. Entrevistas / Divaldo Pereira Franco:São Gonçalo, RJ: Organizado pela SEJA, Editora e Distribuidora de Livros Espíritas, 2002, p. 69-74.
antonio francisco
14 de janeiro de 2016 4:42 pmMorre o pai de Geddel
http://g1.globo.com/bahia/noticia/2016/01/ex-deputado-afrisio-vieira-lima-morre-aos-86-anos-em-salvador.html
Gilson AS
14 de janeiro de 2016 4:48 pmDORIA: CONTRA LULA VOTO ATÉ NO DIABO
No fundo, o que esse cidadão quis dizer, é que prefere a companhia de Satã do que de pobre.
http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/213227/Doria-contra-Lula-voto-at%C3%A9-no-diabo.htm
Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, João Doria, ressalta sua oposição ao ex-presidente Lula; segundo a colunista Sônia Racy, ele esclarece que na eleição de 1989, votou no primeiro turno em Mario Covas; no segundo, em Collor: “Contra Lula, se necessário, voto até no diabo”, disse
Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, João Doria, do grupo Lide, ressalta sua oposição ao ex-presidente Lula.
Segundo a colunista Sônia Racy, ele esclarece que na eleição de 1989, votou no primeiro turno em Mario Covas; no segundo, em Collor:
“Contra Lula, se necessário, voto até no diabo”, disse (leia aqui)
Pedro Rinck
14 de janeiro de 2016 4:48 pmEm guerra contra todos.
Em guerra contra todos
Em todas as suas ações, os Estados Unidos estão engajados em preservar ou ampliar sua hegemonia como única potência mundial. Esta é a tese central de A Segunda Guerra Fria: Geopolítica e Dimensão Estratégica dos Estados Unidos – Das rebeliões na Eurásia à África do Norte e ao Oriente Médio(Civilização Brasileira, 714 páginas, R$80), novo livro de Luiz Alberto Moniz Bandeira, um dos maiores especialistas brasileiros no assunto. A seguir, Moniz Bandeira, professor titular aposentado de história da política exterior do Brasil da Universidade de Brasília (UnB), aprofunda alguns dos argumentos de sua tese, entre eles o de que, sem o apoio dos EUA, a chamada Primavera Árabe não teria ocorrido.
Que os EUA buscam o controle global sobre o mundo está documentado. O general Colin Powell, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, no governo de George H. Bush, recomendou aos EUA impedir a União Europeia de tornar-se uma potência militar, fora da OTAN, a remilitarização do Japão e da Rússia, e desencorajar qualquer desafio à sua preponderância ou tentativa de reverter a ordem econômica e política internacionalmente estabelecida. Em 1992, Dick Cheney, então secretário de Defesa, divulgou um documento no qual estabeleceu que a primeira missão política e militar dos EUA pós-Guerra Fria consistia em impedir o surgimento de algum poder rival na Europa, na Ásia e na extinta União Soviética. A dominação de espectro total significava a ampliação e consolidação da hegemonia planetária dos Estados Unidos. Era o objetivo dos neoconservadores de George W. Bush, endossado por Barack Obama. A espionagem da NSA, da qual tratei também no meu livro Formação do Império Americano, é um instrumento para a conduzir as operações de informação, com o propósito de “facilitar e proteger os processos de tomada de decisão nos EUA, e, em um conflito, degradar os do adversário”. Quando se trata de estabelecer dominação de espectro, a guerra é contra todos os países, por diferentes meios, para submetê-los à condição de vassalos.
As relações econômicas moderam a rivalidade, mas não a eliminam. Grandes corporações americanas entre as quais Boeing, Caterpillar, General Motors, 3M, United Technologies, DuPont, Apple, Qualcomm, Intel Corp e IBM estão a depender do crescimento do mercado na China. E a economia dos EUA, como um todo, depende fortemente do influxo de capitais de outros países, como a China. O Banco Central chinês, em setembro de 2013, possuia reservas da ordem de 3,6 trilhões de dólares. Um calote dos EUA, cuja possibilidade não se pode descartar, abalaria profundamente a China. O governo de Beijing passou a acelerar a estratégia para destituir o dólar do status de moeda de reserva mundial, impulsionando a globalização do yuan. Enquanto o dólar for moeda internacional de reserva, os EUA manterão a supremacia mundial. A economia de “free markets” no estilo que os Estados Unidos querem manter engata os países a um sistema de força, compelindo-os a aceitar dólares sem limites. E há no mínimo cerca de 20 trilhões de dólares, valor muito superior ao PIB americano, em circulação no mundo. A China e demais países têm de comprar esses dólares sem lastro (US Treasury Bond) apresentados como os investimentos mais seguros, porque não há alternativas, e assim eles voltam aos Estados Unidos, para financiar o consumo do povo americano, o déficit orçamentário e suas guerras. E a China quer libertar-se desse sistema, assim como a Rússia, Brasil e outros países.
Existem também fatores geopolíticos que aguçam a rivalidade. Através da rota marítima, ao sul da China, circula cerca de um terço do comércio mundial e a região possui reservas inexploradas de gás e petróleo. A essa região do Pacífico o presidente Barack Obama deu “máxima prioridade” na política externa dos Estados Unidos e lá aumentou sua presença militar, inclusive com o envio de 2,2 mil soldados para o norte da Austrália, o que provocou forte reação da China. Os Estados Unidos temem o rápido crescimento e militarização da China. Porém, nada podem fazer para impedi-lo. Com o desenvolvimento tecnológico e a globalização da economia, a possibilidade de guerras entre grandes Estados virtualmente desvaneceu. E os Estados Unidos, com todo o seu potencial bélico, dificilmente prevaleceriam sobre um país cuja população é cinco vezes maior do que o tamanho da população americana.
O pretexto dos Estados Unidos sempre foi a promoção da democracia, porém, uma democracia que signifique livre mercado, livre circulação de capitais e de mercadorias, livre câmbio e que eles possam controlar através do seu poder econômico. E a experiência já demonstrou, no Brasil e em toda a América Latina, que os Estados Unidos intervieram, apoiando golpes militares, quando a democracia atendeu às demandas populares, em detrimento dos seus interesses. Agora os Estados Unidos continuam a intervir, mas sorrateiramente, por meio de organizações não governamentais (ONGs), financiadas pela National Endowment for Democracy (NED), Agency for International Development (USAID), Freedom House e outras entidades e fundações americanas, que lavam o dinheiro da CIA e financiam os movimentos para promover a mudança de mudança de regime, sem golpe de Estado. A estratégia agora adotada, baseada nos ensinamentos do professor Gene Sharp, no From Dictatorship to Democracy, e do coronel David Galula é a da “guerra fria revolucionária”, na qual as atividades de insurgência permanecem, na maior parte do tempo, dentro da legalidade, realizando manifestações e provocando medidas a serem denunciadas como violência das autoridades, a divulgação de rumores falsos ou verdadeiros destinados a solapar a credibilidade e a confiança no governo por vários meios, mediante a guerra psicológica, social, econômica e política. A Segunda Guerra demonstra, documentadamente, como esses métodos nas revoltas ocorridas na Sérvia, Ucrânia, Geórgia, bem como nos países da África do Norte e Oriente Médio.
Democracia e liberdade para os Estados Unidos não significam, atualmente, o mesmo que em 1776, quando a guerra pela independência das 13 colônias da Inglaterra começou. Naquela época, para Tom Paine, os Estados Unidos eram o “império da liberdade”, onde havia igualdade perante a lei, igualdade de direitos políticos e igualdade de oportunidades. Com o tempo, tanto os conceitos de democracia e liberdade foram corrompidos. Os Estados Unidos estão a converter-se em uma democracia totalitária. E o que sempre pretenderam foi exportar para outros países, desde que começaram a expandir o “imperialismo da retidão” não foi a forma de democracia mas a democracia de forma, aquela que atendia aos seus interesses econômicos, comercias, políticos e estratégicos.
Os EUA não são um país homogêneo. Há profundas contradições internas refletidas na sua política exterior e nas relações exteriores. A grande maioria do povo não queria enviar seus filhos para o Kosovo. A tática adotada, então, foi fazer a guerra desde as altitudes, sem empregar tropas terrestres de modo que os americanos não morressem e as baixas não provocassem protestos domésticos, como acontecera durante a guerra no Vietnã. Os Estados Unidos pretendiam expandir a função da OTAN e dominar a Bósnia-Herzegovina e o Kosovo, pois os Bálcãs se revestem de importância econômica e estratégica, dado ser a rota para a Palestina, Iraque, Irã, o Mar Cáspio e a Transcaucásia, onde as corporações americanas projetavam explorar vastas jazidas de petróleo lá existentes. Quanto ao Egito, a situação era muito diferente, pois o país tornara-se estrategicamente de maior relevância para os EUA. O relacionamento com o Egito, cuja situação não está estabilizada, é muito delicado para os EUA dada a situação de Israel e o conflito na Palestina.
Há muitas exceções, na mídia, sobretudo em jornais dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e a Alemanha, onde trabalham notáveis jornalistas, que exercem a profissão com a maior independência, embora alguns jornais possam atender às pressões do governo, como aconteceu quando passaram a chamar a resistência no Iraque de insurgência, quando os Estados Unidos e Grã-Bretanha derrubaram o regime de Saddam Hussein. E o fato é que o Army Civil Affairs and Psychological Operations Command (USACAPOC), dos Estados Unidos, e o MI6, ramo externo do Serviço Secreto de Inteligência da Grã-Bretanha usaram e usam a mídia internacional como veículo de desinformação e contra-informação, encobrindo o envolvimento direto e/ou indireto do Ocidente, sobretudo, nos levantes na Líbia e na Síria. O MI6 tem uma divisão dedicada às Operações de Informação, que planeja as operações de guerra psicológica. Uma de suas principais tarefas é plantar, na imprensa, falsas histórias, rumores e desinformação. E a estratégia para intervir na Líbia consistiu em construir, através da mídia, um imaginário, em que o ditador Muammar Gaddafi estava na iminência de massacrar os civis. A manipulação das notícias pela mídia – BBC, CNN, Al-Arabiya e Al-Jazeera – desinformando e exagerando o número de mortos, foi o que contribuiu decisivamente para criar no Conselho de Segurança da ONU o clima contra a Líbia e o mesmo se tentou contra a Síria. Um dos rebeldes, Qusai Abdel-Razzaq Shaqfeh, da província de Hama, confessou em programa da TV estatal de Damasco que havia atuado como testemunha e fabricado falsas notícias e vídeos sobre eventos para TV Al-Jazeera, com sede em Doha, e colaborado com estrangeiros para armar grupos e atacar as forças de segurança do governo e civis, e, ajudado por profissionais, a montar programas, filmando demonstrações encenadas, para enviar os vídeos aos canais árabes de televisão.
Os episódios do WikiLeaks e da espionagem da NSA não abalam o poder dos EUA, mas arranharam bastante sua imagem e, possivelmente, o prestígio e influência junto na opinião pública de alguns países, já bastante desgastados pelos presidentes George W. Bush e Barack Obama pelas guerras em que se envolveram e as matanças com drones de civis inocentes, pelo gulag, o campo de concentração de Guantánamo, e pela sistemática violação dos direitos humanos, com soldados americanos brutalizando, torturando e humilhando os prisioneiros em Abu Ghraib, no Iraque.
Os Estados Unidos intoxicaram-se com a vitória na Segunda Guerra Mundial e julgaram, após o fim do regime soviético, que seu império ainda poderia durar 300 anos. Porém, o militarismo sempre constituiu o meio pelo qual todos os impérios se suicidaram. Em agosto de 2007, David M. Walker, chefe do Government Accountability Office (GAO), órgão do Congresso americano encarregado da auditoria dos gastos do governo, advertiu que o país estava sobre uma “plataforma abrasante” de políticas e práticas insustentáveis, escassez crônica de recursos para a saúde, problemas de imigração e compromissos militares externos, que ameaçavam eclodir se medidas não fossem em breve adotadas. Sem um estado de guerra permanente a economia dos Estados Unidos deixa de funcionar. O mesmo aconteceu com o Império Romano. Mas não será nenhuma outra potência que derrotará o Império Americano. Ele há de desmoronar, ao longo de algumas décadas, sob o peso de suas contradições econômicas. Os Estados Unidos não podem aumentar, indefinidamente, a dívida pública, que já se tornou impagável, emitir dólares sem lastros para comprar petróleo e outras as mercadorias – commodities e manufaturas – e importar capitais de outros países, mediante a venda de bônus do Tesouro, para financiar o déficit orçamentário, o consumo, que excede a produção, e as guerras que empreende a fim de sustentar a indústria bélica e sua cadeia produtiva, da qual sua economia tanto depende.
O capitalismo americano
“Years before the Declaration of Independence…Benjamin Franklin, George Washington and Thomas Jefferson, as well as a considerable ratio of New England´s most proeminent Congregationalist ministers already talked of America reaching the Mississippi or even the Pacific to become the next century great empire”Kevin Phillips, “The Cousins´ Wars”, Basic Books, New York, 1999, P:116
A publicação – em 1894 – do livro do economista inglês, John A. Hobson (1858-1940) – “A Evolução do Capitalismo Moderno” – transformou-se numa referencia obrigatória para a interpretação do desenvolvimento econômico dos Estados Unidos. Depois de Hobson, vários historiadores e economistas retomaram sua tese sobre a originalidade radical do capitalismo americano, vis a vis o desenvolvimento europeu. Em particular, depois da Guerra de Secessão (1861-1865), com o surgimento das grandes corporações e do capital financeiro que teriam revolucionado a organização microeconômica, e mudado a face do capitalismo mundial. Do nosso ponto de vista, entretanto, estas transformações ajudam a entender o “milagre econômico” americano do início do século XX, mas não explicam as próprias transformações.
Os Estados Unidos foram o primeiro estado nacional que nasceu fora da Europa, mas não fora do sistema geopolítico e econômico europeu. Pode-se dizer inclusive, que a “Guerra da Independência” americana foi, em grande parte, um capítulo da disputa entre a Inglaterra e a França pela supremacia mundial. E sua conquista definitiva ocorreu entre as duas grandes guerras (“Dos 7 Anos” e “Bonapartista”) que definiram a hierarquia de poder internacional, e a supremacia inglesa, dentro e fora da Europa, a partir de 1815.
Durante este período de guerras, os Estados Unidos sempre se sentiram “cercados” e ameaçados – simultânea ou sucessivamente – pela Inglaterra, França e Espanha, e tiveram que negociar seu reconhecimento e suas fronteiras com o “núcleo duro” das Grandes Potências europeias.
Assim mesmo, os EUA acabaram se transformando no único estado nacional extra-europeu que nasceu de um império e de uma economia em plena expansão vitoriosa. Mais do que isto, durante a chamada “revolução industrial” que transformou os Estados Unidos – imediatamente – na primeira periferia “primário-exportadora” de sucesso da economia industrial inglesa. Situação econômica privilegiada que se consolidou e expandiu durante todo o século XIX, antes e depois da Guerra de Secessão, enquanto a Inglaterra abria espaços de expansão comercial para sua ex-colônia, e assumia a responsabilidade – em alguns momentos – por cerca de 60% do investimento direto dentro de todo o território norte-americano, que passou a fazer parte de uma espécie de “zona de co-prosperidade” anglo-saxônica , ou mesmo, num caso avant la lettre, de “desenvolvimento a convite”, da Inglaterra.
Por outro lado, desde sua independência, os Estados Unidos foram governados por uma elite coesa e com um intense commitment imperial, e mantiveram um ritmo de expansão política e territorial contínua, através da guerra, da diplomacia e do comércio. Antes da Guerra Civil, foram 37 “guerras indígenas”, e mais as Guerras do Texas e do México, em 1837 e 1846, responsáveis pela duplicação do território americano. Mais a frente, vieram a Guerra Civil e a Guerra Hispano-Americana, e uma sucessão de intervenções militares no Caribe, num movimento de expansão que se acelerou no século XX, alcançando Europa, Ásia, Oriente Médio e África. De forma que nos cerca de 250 anos de história independente, os EUA iniciaram – em média – uma guerra a cada três anos, exatamente igual como a Inglaterra. Contando com a vantagem de ser “membro por nascimento”, da pequena comunidade dos estados produtores da “ética internacional” que arbitram as “guerras justas” e o “livre comercio”.
A história segue e é extensa, mas já se pode dizer que ela fornece fortes indícios de que:
– o desenvolvimento econômico dos EUA não foi uma exceção, pelo contrário, foi uma parte essencial da expansão e das contradições do sistema inter-estatal e do capitalismo europeu;
– o sucesso do capitalismo americano não foi puramente endógeno, nem foi apenas uma obra das grandes corporações e do capital financeiro que nasceram à sombra da Guerra Civil;
– o “apoio externo” foi decisivo para o sucesso da economia americana, que foi sempre a principal “fronteira de expansão” do capital financeiro inglês;
– a “guerra contínua” teve um papel estratégico no desenho da política industrial e agrícola, e no desenvolvimento científico e tecnológico dos EUA;
– e por fim, a expansão política, territorial e bélica dos EUA foi na frente do processo de internacionalização das grandes corporações, do capital financeiro e da moeda norte-americana.
Uma história de desenvolvimento econômico como a das demais potências do sistema mundial, mas muito diferente da interpretação economicista de Hobson e seus discípulos.
Quando os EUA mentem…
A imprensa ocidental, e por vício habitual de cópia, a mídia brasileira, resolveu assumir uma narrativa da atual e crítica situação do Oriente Média em termos de oposição intra-islâmica, colocando frente à frente a oposição entre as diversas concepções do Islã, em especial entre sunitas e xiitas. Em face do radicalismo das duas interpretações da mensagem do Profeta Mohammed o Islã estaria, definitivamente, dividido e a formação de unidades estatais viáveis seriam impossíveis. De fato, ambas as vertentes se enfrentam, desde a morte do Califa Ali – primo e genro do Profeto – aqueles que defendiam a manutenção indicativa do “Califado” nas mãos dos ricos comerciantes do clã coraixita e os demais, que defendiam a linha sucessória na família do Profeta – com os descendestes de sua filha Fátima casada com Ali – tornou-se um ponto de forte divisão. O califado, esta forma de governo religioso e laico do Islã, foi formalmente extinto entre 1923 e 1924, quando os turcos consolidaram a República em seu país, e o monarca turco, o sultão, que era também o califa, perdeu seus títulos. Desde então o Islã não possui um califa, seja de tradição sunita, seja de tradição xiita.
Tal divisão, entre sunitas (tradicionalistas) e xiitas ( de “shia”, os partidários de Fátima e Ali ) só se aprofundou desde o cisma do século VIII: contatos com o mazdeísmo persa e cristianismo bizantino e a heresia nestoriana, o Islã xiita assumiu aspectos bastante diferentes do sunismo tradicional, admitindo romarias, cerimônias de flagelação, culto aos homens santos, relíquias e santuários (túmulos de homens santos, por exemplo em Karbala e Najaf), além de uma total repulsa ao “califa” ( de “kalifat rasúl Allah”, onde “califa” é o título do “sucessor” enviado por Deus, e que guardaria em si o poder civil e religioso). Após o assassinato de Ali, sangue do Profeto, e seus filhos, todos os “califas” (os “sucessores” seriam ímpios e carregariam a culpa do derramamento do sangue do verdadeiro e único Profeta.
O domínio turco sobre os árabes – desde o século XV até 1918 – e depois disso o domínio francês e britânico só aprofundaram as divisões, com as potencias coloniais escolhendo os sunitas – mais inclinados em aceitar as exigências do poder e reconhecer a autoridade dos governantes – para formar as elites dominantes pro-Ocidente. Foi assim no Iraque: uma rala minoria de sunitas foi organizada pela Grã-Bretanha, desde 1918, para governar a maioria da população xiita. Assim, sunitas e os interesses imperialistas ocidentais uniram-se no Iraque, no Líbano, na Síria, nos Qatar e na Arábia saudita – sempre resultando em ditaduras cruéis e altamente repressoras.
No regime do Partido Baath (Baas), sob Saddan Hussein, houve um arranjo precário com cristãos e certa tolerância com os xiitas, mas nos últimos anos do regime Saddan, os xiitas – muitas vezes apoiados e incentivados pelos EUA – revoltaram-se contra Saddan (um sunita) – e foram brutalmente reprimidos, com milhares de mortes e um amplo uso da tortura.
Assim, a versão de incapacidade de formar um Estado viável, em razão de divergências religiosas, oculta a continua e longa intervenção ocidental no Mundo Árabe, e a responsabilidade do Ocidente de lançar grupos religiosos e étnicos uns contra outros, visando facilitar a dominação estrangeira (foi assim na Índia sob domínio britânico; em Ruanda sob o colonialismo belga ou na Nigéria sob domínio britânico, por exemplo). Desta forma, o papel do imperialismo e do colonialismo, sua responsabilidade nas divisões locais, incluindo aí, a política dos Estados Unidos para a região – e antes dela, a contínua intervenção colonialista da Grã-Bretanha e da França, herdada pelos próprios americanos – fica excluída da responsabilidade factual e moral pela atual situação na região.
A principal “causa” apontada pela imprensa, repercutindo declarações e notas à imprensa, das autoridades de Washington, é a “incapacidade” do governo do premier Al-Maliki, um xiita, em “unir” e liderar um governo com sunitas e curdos.
Ora, um governo de coalizão funcionava no Iraque desde que este recuperou sua autonomia, na era pós-Saddan Hussein – com curdos, xiitas e sunitas. O governo parlamentar, misto, baseado em ampla coalizão étnica e religiosa, visava, exatamente, dar voz e direitos a maioria da população do Iraque, constituída de xiitas, e autonomia controlada para os curdos, e que foram perseguidos, e mortos em grande número, durante os anos da ditadura de Saddan.
Uma das milícias xiitas da era pós-Saddan foi exatamente o “Dawa”, um grupo que enfrentou, além da Al-Qaeda, os remanescentes da Guarda Republicana de Saddan e os próprios americanos, de quem queriam uma rápida saída do Iraque depois da invasão de 2003. Desde 2006, o “Dawa”, transformado em partido político sob a liderança de Al-Malik, governa, com a maioria parlamentar, governa de Bagdá. Trata-se, a bem da verdade, de uma ampla e frágil coalizão. A oposição a Al-Malik não está centrada nos sunitas e/ou na exclusão destes. Mas, em outros grupos xiitas, inclusive nas “Milícias do Mahdi”, do líder Muqtada Al-Sadr, líder da “Milícia do Mahdi”, favorável à criação de um regime islâmico no país.
Nouri Al-Malik, por sua vez, foi exilado longo tempo na Síria (foi condenado à morte por Saddan), opôs-se fortemente aos Estados Unidos. Al-Malik se opõe, em especial, a política americana de reintegrar numerosos quadros do proibido Partido Baath – o partido único no poder na Era Saddan – incluindo a readmissão de militares fiéis a Saddan, policiais acuados de torturas, juízes e funcionários públicos do Baath envolvidos nas brutais repressões da Era Saddan. Na versão americana da recusa de Al-Malik se deve ao sectarismo “xiita” do premier. Na verdade, os Estados Unidos estão propondo ao governo do Iraque – por sinal reeleito em 30 de janeiro de 2014 – é que aceite, e perdoe, os membros do governo de Saddan, que participaram ativamente de ataques brutais contra a maioria o xiita do seu próprio povo.
Em nome da “união nacional”, os Estados Unidos, mais uma vez e em mais um país – tal como fez na América Latina -, exige que criminosos e violadores de direitos humanos, sejam levados ao poder e o passado recente seja esquecido. Washington gostaria, bem mais, de ver no governo homens como Ahmed Chalabi, premier entre 2005 e 2006, é um “cliente” da CIA e pensionista do governo americano. Chalabi, o principal informante dos EUA e chamado “o homem que preparou a invasão do Iraque”, perdeu sua cadeira no parlamento na última eleição. Outro nome defendido pelos EUA seria Ilyad Allawi, um líder secular, não religioso, ex-membro do Partido Baath, de Saddan Hussein, e que foi membro do governo de transição entre o governo de ocupação dos EUA e o novo governo livre do Iraque. O que ocorre é que ambos não possuem votos que legitimem suas possibilidades de formar um governo. Mas, tal qual fora no Vietnã do Sul (com Cao Ky e Van Thieu), nos anos de 1960, os EUA insistem na sua política de “nomear” os governantes de países clientes, malgrado os resultados das eleições.
Al-Maliki, acusado no passado de ter organizado atos terroristas contra os Estados Unidos e a França no Oriente Médio, causa, ainda, outros “transtornos” a Washington. Em primeiro lugar, as exigências americanas de extraterritorialidade para todo seu pessoal, incluindo militares, policiais e “contratados” (ou seja, mercenários) americanos no Iraque, foi recusado pelo Gabinete Al-Maliki. Assim, sob pressão da então secretária de defesa Hillary Clinton (entre 2009 e 2013), os Estados Unidos optaram, para melhorar e adornar a política externa “pacifista” de Obama, por uma retirada total de tropas do Iraque. Tratou-se, claramente, de um ato de chantagem: ou os EUA controlavam amplamente as FFAA e a Polícia iraquiana, com a inclusão dominante dos ex-membros do Baath, ou partiriam.
Al-Maliki optou pelo risco e pela manutenção da abaladíssima soberania iraquiana.
Além disso, em dois pontos fundamentais da política externa de Obama para o Oriente Médio, Bagdá contrariava os EUA. Por um lado, estreitou suas relações com o Irã, o maior país muçulmano xiita, governado por um regime hostil a Washington e a Israel, além de se aproximar da Rússia, onde comprou armas de alta performance (a ex-URSS era uma aliada do Iraque). Obama-Clinton tentaram, largamente, impedir as relações amigáveis entre Bagdá e Teerã e Moscou (o Partido “Dawa” de Al-Maliki possuiu fortes vínculos com o clero xiita iraniano) e sabotava claramente a tentativa americana de isolar o Irã.
Da mesma forma, Bagdá ensaiou uma política externa independente em relação às chamadas revoluções das “Primaveras” árabes, em especial na Síria. Para Bagdá, e Teerã, a situação na Síria era, e é, totalmente distinta das demais “primaveras”. Desde cedo denunciaram uma ampla intervenção externa, oriunda do Catar e da Arábia Saudita, com apoio dos Estados Unidos, Turquia e França, para derrubar o regime de Assad, uma coalizão xiita (alawita) e de cristãos, de caráter nacionalista, pan-árabe e anti-Israel. Teerã e Bagdá denunciaram, desde logo, a intervenção estrangeira e a presença de mercenários e voluntários vindos do Golfo Pérsico, financiados pela Arábia Saudita e armados pela Inglaterra e França, visando derrubar o regime de Damasco.
Na Síria formou-se uma ampla coalizão fundamentalista, sunita, e de caráter altamente intolerante e conservador: a Al-Qaeda, a Frente Al-Nusra e a dissidência “Estado Islâmico do Iraque e do Levante (leia-se, Síria), chamado ISIS, em inglês.
Tal coalizão, no início manipulada pela Arábia Saudita – a possibilidade de unificar uma ampla área de territórios árabes sob sua autoridade e eliminar a influência iraniana na região–, tornou-se cada vez mais autônoma, e acabou por unir-se claramente aos ideais da Al-Qaeda, a qual foi, por fim, superada pela dureza e crueldade do “Estado islâmico do Iraque e do Levante”.
Por fim, Al-Maliki causou grande mal-estar em Washington, e Paris, ao apoiar os grupos pan-arabistas e xiitas no Líbano, onde o Partido “Dawa”, coirmão libanês do “Dawa” iraquiano e também muito próximo de Teerã, enfrentou as tropas americanas e francesas no Líbano.
Assim, nos anos recentes da Administração Barack Obama-Hillary Clinton (2009-2013) – cada vez mais próxima da centro-direita e da direita conservadora americana e dos interesses sauditas nos EUA – deu-se uma clara opção anti-Irã, anti-Dawa, anti-xiíta, baseando-se num triangulo estratégico capaz de dominar o mundo árabe, centrado na Turquia, Israel e Arábia saudita. Por tal opção, obsessivamente anti-iraniana, Washington permitiu o crescimento do fundamentalismo wahabita – o ramo mais radical do Islã sunita, que executa membros do clero xiita e destrói os lugares santos do xiismo -, a formação de um amplo exército e deu a estes uma base territorial, dominando territórios da Síria e do Iraque, fato que a Al-Qaeda jamais conseguira. O mais estranho de tudo, a somar-se a este imenso rol de erros estratégicos, políticos e antropológicos de Washington, é que a morte de Osama bin Laden, fortaleceu e acelerou a luta contra o governo de Bagdá, estabelecido pela invasão americana em 2003. A desaparição da liderança carismática de Bin Laden, entre seus seguidores e simpatizantes, permitiu a emergência de forças dissidentes como o “Estado islâmico do Iraque e do Levante” e a proclamação do “califado”, abrindo uma nova e explosiva realidade no Oriente Médio.
Enfim, os Estados Unidos, agiram como Harry Porter ao ganhar sua primeira varinha mágica: libertaram forças que não conheciam e não controlam. A diferença, crucial, é que neste caso há claro risco de descontrole geral e um amargo fim para os povos locais.
Os sete governos derrubados pelos EUA
A era de golpes apoiados pela CIA despontou de maneira dramática: um general norte-americano viaja até o Irã e encontra “velhos amigos”; dias depois, o Xá ordena que o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh deixe seu cargo. Quando os militares iranianos hesitam, milhões de dólares são injetados em Teerã para corromper os apoiadores de Mossadegh e financiar protestos de rua. Os militares, reconhecendo que a balança do poder começou a pesar mais do outro lado, derrubam o primeiro-ministro, que vive o resto de sua vida sob prisão domiciliar. Este foi, como um documento da CIA atesta, “uma operação norte-americana do começo ao fim”, e um dos muitos golpes apoiados pelos EUA que aconteceram pelo mundo durante a segunda metade do século XX.
Alguns líderes, tanto ditadores quanto eleitos democraticamente, foram pegos em meio ao conflito entre EUA e URSS da Guerra Fria – uma posição que custaria seus postos (e, para alguns, suas vidas) conforme a CIA tentava instalar “seus homens” no comando dos estados. O governo dos EUA reconheceu publicamente algumas dessas ações secretas; na verdade, o papel da CIA no golpe de 1953 tornou-se público esta semana. Em outros casos, o envolvimento da CIA ainda está somente sob suspeita.
O legado do envolvimento secreto dos EUA em sete golpes militares bem sucedidos (para não mencionarmos o número de intervenções militares norte-americanas contra regimes hostis, insurgências apoiadas pelos EUA, e tentativas fracassadas de assassinatos, incluindo o caso do plano para matar Fidel Castro com um charuto explosivo), transformaram a mão secreta dos EUA em um bicho-papão nas tensões políticas de hoje. Mesmo hoje, não obstante a minguante influência dos EUA no Cairo, teorias da conspiração sugerem que tanto a Irmandade Muçulmana quanto o governo militar possuem uma sociedade com os Estados Unidos.
Abaixo, uma breve história dos casos confirmados de golpes apoiados pela CIA espalhados pelo mundo.
Irã, 1953 – Muito se especula sobre o papel da CIA no golpe que instalou, em 1949, um governo militar na Síria. Apesar disso, a derrubada do primeiro-ministro iraniano Mohammed Mossadegh é o primeiro golpe durante a Guerra Fria que o governo dos EUA reconheceu. Em 1953, depois de quase dois anos de governo Mossadegh – durante o qual ele desafiou a autoridade do Xá e nacionalizou a indústria do petróleo iraniana antes operada por companhias britânicas – Mossagedh foi tirado de seu gabinete e preso, passando o resto da vida sob prisão domiciliar. De acordo com documentos da CIA, “foi a possibilidade de deixar o Irã aberto para uma agressão dos soviéticos – quando a Guerra Fria estava em seu auge e os EUA estavam envolvidos em uma guerra não declarada na Coreia contra forças da União Soviética e da China – que nos fez planejar e executar o TPAJAX [nome da operação do golpe]”.
Guatemala, 1954 – Apesar dos EUA no início apoiarem o presidente guatemalteco Jacobo Árbenz – o Departamento de Estado sentia que sua ascensão apoiada num exército armado e treinado pelos EUA seria um trunfo – o relacionamento amargou assim que Árbenz tentou realizar uma série de reformas-agrárias que ameaçavam as posses da empresa norte-americana United Fruit Company. Um golpe em 1954 tirou Árbenz do poder, colocando uma sucessão de juntas militares em seu lugar. Detalhes secretos do envolvimento da CIA na derrubada do líder guatemalteco, que incluíam a equipagem de rebeldes e tropas paramilitares enquanto a marinha dos EUA bloqueavam a costa guatemalteca, vieram à luz em 1999.
Congo, 1960 – Patrice Lumumba, o primeiro primeiro-ministro do Congo (mais tarde, República Democrática do Congo), foi tirado de seu gabinete pelo presidente congolês Joseph Kasavubu em meio a uma intervenção militar do exército belga (apoiado pelos EUA) no país. Era um esforço violentíssimo para manter os negócios belgas depois da descolonização do país. Mas Lumumba manteve uma oposição armada contra os militares belgas e, após se aproximar da União Soviética para conseguir suprimentos, foi alvo da CIA assim que a agência determinou que ele era uma ameaça ao novo governo instalado de Joseph Mobutu. O Church Committee, uma comissão do Senado formada em 1975 para fiscalizar as ações clandestinas da inteligência norte-americana, descobriu que a CIA ”ainda mantinha um contato bastante próximo com os congoleses que expressaram o desejo de matar Lumumba,” e que ”oficiais da CIA encorajaram e ofereceram ajuda aos congoleses em seus esforços contra Lumumba.” Depois de uma tentativa interrompida de assassinato de Lumumba, envolvendo um lenço envenenado, a CIA alertou as tropas congolesas da localização do primeiro-ministro deposto, além de indicar as estradas que deveriam ser bloqueadas e as possíveis rotas de fuga. Lumumba foi capturado no final de 1960 e morto em janeiro do ano seguinte.
República Dominicana, 1961 – A ditadura brutal de Rafael Trujillo – que incluiu a limpeza étnica de milhares de haitianos na República Dominicana e a tentativa de assassinato do presidente da Venezuela – terminou quando ele foi emboscado e morto por dissidentes políticos. Apesar do atirador que matou Trujillo sustentar que ”ninguém me mandou matar Trujillo”, ele teve apoio da CIA. O Church Committee descobriu que ”apoio material, sendo três pistolas e três carabinas, foi distribuído para vários dissidentes… os oficiais norte-americanos sabiam que os dissidentes pretendiam derrubar Trujillo, provavelmente através de seu assassinato…”
Vietnã do Sul, 1963 – Os EUA já estavam muito envolvidos no Vietnã do Sul em 1963, e seu relacionamento com o líder do país, Ngo Dinh Diem, crescia cada vez mais, com tensões que envolviam a repressão de Diem sobre dissidentes budistas. De acordo com os Pentagon Papershttp, os generais do Vietnã do Sul que planejavam um golpe contataram oficiais norte-americanos falando sobre seus planos. Depois de algumas dificuldades e um período de indecisão dos EUA, os generais capturaram e mataram Diem com apoio norte-americano em 1º de novembro de 1963. Avalia-se que parte do apoio consistiu em 40.000 dólares de recursos da CIA. ”Para o golpe militar contra Ngo Dihn Diem, os EUA devem aceitar sua parcela de responsabilidade,” atestam os Pentagon Papers. ”No início de agosto de 1963 nós autorizamos, sancionamos e encorajamos os esforços para o golpe dos generais vietnamitas e oferecemos apoio total para um governo sucessor… nós mantivemos contatos clandestinos com eles durante o planejamento e execução do golpe e solicitamos a revisão de seus planos operacionais, além de sugerir um novo governo.”
Brasil, 1964 – Temendo que o governo do presidente João Goulart transformaria, nas palavras do embaixador norte-americano Lincoln Gordon, ”o Brasil na China de 1960”, os EUA apoiaram o golpe liderado por Humberto Castello Branco, à época chefe do Estado-Maior. Nos dias anteriores ao golpe, a CIA encorajou manifestações contra o governo, assim como proveram combustível e ”armas de origem não-norte-americanas” àqueles que apoiavam os militares. ”Eu acho que devemos tomar todas as medidas necessárias, e estarmos preparados para qualquer coisa que precisemos fazer,” disse o presidente Lyndon Johnson a seus conselheiros que planejavam o golpe, de acordo com documentos obtidos pelo National Security Archive. Os militares brasileiros se mantiveram no poder até 1985.
Chile, 1973 – Os Estados Unidos nunca desejaram que Salvador Allende, o candidato socialista eleito presidente em 1970, assumisse seu posto. O presidente Richard Nixon mandou que a CIA fizesse que a economia do Chile ”gritasse”, e a agência trabalhou com três grupos chilenos, cada um planejando um golpe contra Allende em 1970. A agência foi tão longe a ponto de fornecer armamento, mas os planos foram por terra depois que a CIA perdeu a confiança em seus contatos. As tentativas norte-americanas de destruir a economia chilena continuaram até que o general Augusto Pinochet liderou um golpe militar contra Allende em 1973. O relatório oficial da CIA sobre a tomada do poder em setembro de 1973 aponta que a agência ”estava consciente dos planos de golpe dos militares, possuía relacionamentos para coleta de dados de inteligência com os conspiradores, e – pelo fato da CIA não desencorajar a tomada e até procurar instigar um golpe em 1970 – parecia tolerá-lo.” A CIA também conduziu a campanha de propaganda de apoio ao novo regime de Pinochet depois que ele tomou posse em 1973, apesar do conhecimento de severos abusos contra os direitos humanos, incluindo o assassinato de dissidentes políticos.
Os Estados Unidos em decadência
É um tema comum que os Estados Unidos, que há apenas alguns anos era visto como um colosso que percorreria o mundo com um poder sem paralelo e um atrativo sem igual (…) estão em decadência, enfrentando atualmente a perspectiva de uma deterioração definitiva, assinala Giacomo Chiozza, no número atual de Political Science Quaterly.
A crença neste tema, efetivamente, está muito difundida. Em com certa razão, se bem que seja o caso de fazer algumas precisões. Para começar, a decadência tem sido constante desde o ponto culminante do poderio dos EUA, logo após a Segunda Guerra Mundial, e o notável triunfalismo dos anos 90, depois da Guerra do Golfo, foi basicamente um autoengano.
Outro temam comum, ao menos entre aqueles que não ficaram cegos deliberadamente, é que a decadência dos EUA, em grande medida, é auto-inflingida. A ópera bufa que vimos este verão em Washington, que desgostou o país e deixou o mundo perplexo, pode não ter comparação nos anais da democracia parlamentar. O espetáculo inclusive está chegando a assustar aos patrocinadores desta paródia. Agora, preocupa ao poder corporativo que os extremistas que ajudou a por no Congresso de fato derrubem o edifício do qual depende sua própria riqueza e seus privilégios, o poderoso estado-babá que atende a seus interesses.
A supremacia do poder corporativo sobre a política e a sociedade – basicamente financeira – chegou ao grau de que as formações políticas, que nesta etapa apenas se parecem com os partidos tradicionais, estão muito mais à direita da população nos principais temas em debate.
Para o povo, a principal preocupação interna é o desemprego. Nas circunstâncias atuais, esta crise pode ser superada só mediante um significativo estímulo do governo, muito mais além do que foi o mais recente, que apenas fez coincidir a deterioração no gasto estatal e local, ainda que essa iniciativa tão limitada provavelmente tenha salvado milhões de empregos.
Mas, para as instituições financeiras, a principal preocupação é o déficit. Assim, só o déficit está em discussão. Uma grande maioria da população está a favor de abordar o problema do déficit taxando os muito ricos (72%, com 27% contra), segundo uma pesquisa do The Washington Post e da ABC News. Fazer cortes nos programas de atenção médica conta com a oposição de uma esmagadora maioria (69% no caso do Medicaid, 78% no caso do Medicare). O resultado provável, porém, é o oposto.
O Programa sobre Atitudes de Política Internacional (PIPA) investigou como a população eliminaria o déficit. Steven Kull, diretor do PIPA, afirma: É evidente que, tanto o governo como a Câmara (de Representantes) dirigida pelos republicanos, estão fora de sintonia com os valores e as prioridades da população no que diz respeito ao orçamento.
A pesquisa ilustra a profunda divisão: a maior diferença no gasto é que o povo apoia cortes profundos no gasto militar, enquanto que o governo e a Câmara de Representantes propõem aumentos modestos. O povo também defende aumentar o gasto na capacitação para o trabalho, na educação e no combate à poluição em maior medida que o governo ou a Câmara.
O acordo final – ou, mais precisamente, a capitulação ante à extrema direita – é o oposto em todos os sentidos, e quase com toda certeza provocará um crescimento mais lento e danos de longo prazo para todos, menos para os ricos e as corporações, que gozam de benefícios sem precedentes.
Nem sequer se discutiu que o déficit poderia ser eliminado se, como demonstrou o economista Dean Baker, se substituísse o sistema disfuncional de atenção médica privada dos EUA por um semelhante ao de outras sociedades industrializadas, que tem a metade do custo per capita e obtém resultados médicos equivalentes ou melhores.
As instituições financeiras e as grandes companhias farmacêuticas são demasiado poderosas para que sequer se analisem tais opções, ainda que a ideia dificilmente pareça utópica. Fora da agenda por razões similares também se encontram outras opções economicamente sensatas, como a do imposto às pequenas transações financeiras.
Entretanto, Wall Street recebe regularmente generosos presentes. O Comitê de Atribuições da Câmara de Representantes cortou o orçamento da Comissão de Títulos e Bolsa, a principal barreira contra a fraude financeira. E é pouco provável que sobreviva intacta a Agência de Proteção ao Consumidor.
O Congresso brande outras armas em sua batalha contra as gerações futuras. Apoiada pela oposição republicana à proteção ambiental, a importante companhia de eletricidade American Eletric Power arquivou o principal esforço do país para captar o dióxido de carbono de uma planta atualmente impulsionada por carvão, o que significou um forte golpe às campanhas para reduzir as emissões causadoras do aquecimento global, informou o The New York Times.
Esses golpes auto-aplicados, ainda que sejam cada vez mais potentes, não são uma inovação recente. Datam dos anos 70, quando a política econômica nacional sofreu importantes transformações, que puseram fim ao que se costuma chamar de “época de ouro” do capitalismo de Estado.
Dois importantes elementos desse processo foram a financeirização (o deslocamento das preferências de investimento, da produção industrial para as finanças, os seguros e os bens imobiliários) e a externalização da produção. O triunfo ideológico das doutrinas de livre mercado, muito seletivo como sempre, desferiu mais alguns golpes, que se traduziram em desregulação, regras de administração corporativa que condicionavam as enormes recompensas aos diretores gerais com os benefícios de curto prazo e outras decisões políticas similares.
A concentração resultante da riqueza produz maior poder político, acelerando um círculo vicioso que aportou uma riqueza extraordinária para 1% da população, basicamente diretores gerais de grandes corporações, gerentes de fundos de garantia e similares, enquanto que a maioria das receitas reais praticamente estancou.
Ao mesmo tempo, o custo das eleições disparou para as nuvens, fazendo com que os dois partidos tivessem que escavar mais fundo os bolsos das corporações. O que restava de democracia política foi solapado ainda mais quando ambos partidos recorreram ao leilão de postos diretivos no Congresso, como apontou o economista Thomas Ferguson, no The Financial Times.
Os principais partidos políticos adotaram uma prática das grandes empresas varejistas, como Walmart, Best Buy e Target, escreve Ferguson. Caso único nas legislaturas do mundo desenvolvido, os partidos estadunidenses no Congresso colocam preço em postos chave no processo legislativo. Os legisladores que conseguem mais fundos ao partido são os que indicam os nomes para esses postos.
O resultado, segundo Ferguson, é que os debates se baseiam fortemente na repetição interminável de um punhado de consignas, aprovadas pelos blocos de investidores e grupos de interesse nacionais, dos quais depende a obtenção de recursos. E o país que se dane.
Antes do crack de 2007, do qual foram responsáveis em grande medida, as instituições financeiras posteriores à época de ouro tinham obtido um surpreendente poder econômico, multiplicando por mais de três sua participação nos lucros corporativos. Depois do crack, numerosos economistas começaram a investigar sua função em termos puramente econômicos. Robert Solow, prêmio Nobel de Economia, concluiu que seu efeito poderia ser negativo. Seu êxito aporta muito pouco ou nada à eficiência da economia real, enquanto seus desastres transferem a riqueza dos contribuintes ricos para o setor financeiro.
Ao triturar os restos da democracia política, as instituições financeiras estão lançando as bases para fazer avançar ainda mais este processo letal…enquanto suas vítimas parecem dispostas a sofrer em silêncio.
Os linchamentos de negros na história dos EUA
O turístico quarteirão da sede ex-Texas School Book Depository fica o antigo tribunal do condado, onde agora funciona um museu, foi invadido pela população em 1910. Um grupo de homens correu ao tribunal, laçou uma corda ao redor do pescoço de um homem negro, acusado de ter abusado sexualmente de uma menina branca de 3 anos de idade, e jogou a outra ponta da corda para fora de uma janela. A multidão lá fora puxou o homem, Allen Brooks, para o solo. Brooks foi, então, amarrado por cima do arco cerimonial, que está instalado a poucas quadras da rua principal.
Logo depois está a cidade de Kirvin, onde três homens negros, dois deles quase certamente inocentes, foram acusados de matar uma mulher branca e, sob o olhar de centenas de espectadores, que bebiam refrigerantes, foram castrados, esfaqueados, espancados, amarrado a um arado e incendiados na primavera de 1922.
O assassinato de Mr. Brooks está documentado nos registros do museu. As outras mortes, como os de quase todos os linchamento nos Estados Unidos, não foram mencionadas, mas Bryan Stevenson acredita que isso deve mudar.
Na terça-feira, a organização que ele fundou e dirige a Equal Justice Initiative, em Montgomery, no Alabama, divulgou um relatório sobre a história dos linchamentos nos Estados Unidos, representando o resultado de cinco anos de pesquisa e 160 visitas a sites em todo o Sul dos Estados Unidos. Os autores do relatório compilaram um inventário de 3.959 vítimas de “linchamentos raciais terroristas” em 12 estados do Sul, entre 1877 e 1950.
As localizações dos linchamentos entre 1877 e 1950 (73 anos de linchamentos mapeados)
Stevenson disse que o processo pretende contar a narrativa através de uma linha definida sobre a história racial viciosa do país, em vez abordar a história de forma fragmentada.
“O linchamento em forma de terror determinava a geografia, a política, a economia e as características sociais de ser negro nos Estados Unidos durante o século 20”, disse Stevenson, argumentando que muitos participantes da grande migração do Sul devem ser considerados como refugiados que fugiam do terrorismo, em vez de as pessoas simplesmente à procura de trabalho.
A História amaldiçoada e bizarra da família mais rica dos EUASe você se acha azarado é porque ainda não conhece a triste história da maldição que assombra a família Kennedy, de acidentes a doenças terríveis essa família carrega em suas veias um sangue que traz maus presságios. Os únicos que se safaram de passar por incidentes desagradáveis foram Joseph Patrick Keneddy, um ambicioso pai que queria ter um filho eleito presidente dos EUA e Rose Elizabeth Fitzgerald, que sempre fez parte da elite e viveu muito tempo, para ser mais exata 105 anos, mas se eles tiveram sorte seus filhos e netos só tiveram azar. Vejamos abaixo:
John Harold Kennedy: A maldição da familia Kennedy começou aqui no Brasil, mais precisamente no Maranhão. O centro histórico da capital do Maranhão – São Luís – foi palco daquela que é considerada por muitos como a primeira tragédia da família Kennedy. José de Ribamar Mendonça, um cidadão comum da cidade, aos 25 anos, matou com dois tiros de revólver calibre 32, o norte-americano John Harold Kennedy, de 31 anos, tio de John Fitzgerald Kennedy, que se tornaria presidente dos Estados Unidos em 1961. Mendonça era bilheteiro dos bondes da Ulen, empresa dos Estados Unidos que explorava, desde 1928, os serviços de água, esgoto, luz, tração e prensagem de algodão em São Luís. John Harold trabalhava como contador da companhia. O bilheteiro recebera a carta de demissão – pelas mãos de Kennedy, que era o então encarregado de analisar e demitir funcionários na empresa – dias antes de completar dez anos de serviços prestados à Ulen. Acaso chegasse ao ciclo dos dez anos, teria a estabilidade assegurada pela legislação da época. A demissão intempestiva pode ter empurrado o maranhense ao crime.John F Kennedy: O filho presidente só aproveitou 3 anos de sua candidatura, ele foi assassinado em um desfile em carro aberto e até hoje ninguém sabe quem de fato tirou sua vida, dando origem a diversas teorias absurdas sobre a origem das balas que o mataram.Rosemary Kennedy: Ela foi acometida de uma lobotomia aos 23 anos, depois disso ela foi considerada louca, vivendo o resto de sua vida em um hospício.Ted Kennedy: Primeiro ele sofreu um acidente aéreo em 1964 e sobreviveu, depois sofreu um novo acidente, dessa vez de carro em 1969 e – por um milagre – sobreviveu de novo, mas em 2009 não resistiu e morreu um câncer no cérebro.Robert Francis Kennedy: Foi senador e o segundo da família a tentar se tornar presidente dos EUA, mas foi morto durante a campanha eleitoral.Kathleen Agnes Kennedy: Ficou viúva apenas 4 meses depois do casamento e acabou morrendo em um desastre de avião na França junto com um amante.Joseph F Kennedy Jr: Morreu com a esposa e a cunhada em um acidente de avião, detalhe: quem pilotava a nave era ele.David Anthony Kennedy: Não conseguiu chegar nem aos 30 anos, foi achado morto em um hotel após se drogar e ter uma overdose.Michael Lemoyne Kennedy: Foi descansar, mas não voltou das férias, morreu em Aspen devido a um acidente de Esqui.
Cláudio José
14 de janeiro de 2016 4:56 pmTRISTEZA (OREMOS) PELA PAZ NO MUNDO
‘O que vimos em Madaya não deveria acontecer em nenhum lugar’, afirma representantes da ONU
Publicado em 13/01/2016 Atualizado em 13/01/2016 AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA1Compartilhar no Facebook(abre em nova janela)1Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para imprimir(abre em nova janela)Clique para enviar por email a um amigo(abre em nova janela)Mais
Carregamento da ONU e parceiros com suprimentos para população sitiada chega nas cidades sírias de Madaya, Kafraya e Foah. Ao menos 400 pessoas foram evacuadas em situação crítica de inanição.
Carregamento de suprimentos da ONU e da Cruz Vermelha para os habitantes de cidades sitiadas na Síria. Foto: PMA/Hussam Al Saleh
Ao descrever a situação em Madaya, o coordenador humanitário da ONU na Síria afirmou nesta terça-feira (12) que seus habitantes “pareciam ter perdido a esperança de que o mundo se importa com eles”. Yacoub El Hillo acompanhou o primeiro comboio humanitário autorizado a entrar na cidade desde outubro, levando alimentos para cerca de 40 mil pessoas que viviam famintos na localidade, sitiada por forças pró-governo.
Segundo relatos dos representantes da ONU, a situação na localidade é “terrível”, com centenas de pessoas em estado crítico de inanição. As primeiras evacuações começaram nesta terça-feira (12), com uma menina de cinco anos atravessando o bloqueio para ser operada urgentemente na capital, Damasco. No total, 400 pessoas foram transferidas para instalações médicas, em grave risco de vida.
Na cidade, com 42 mil habitantes, um quilo de arroz chegava a custar 300 dólares. Segundo relatos, muitos se alimentavam de sopas de grama e ervas. “Os cercos não podem ser mais tolerados”, disse Hillo. “Muitas pessoas já perderam suas vidas enquanto esperavam. Muitas mais vão morrer se o mundo não agir mais rápido.”
A entrada dos comboios foi fruto de uma negociação complicada entre a ONU, seus parceiros, as forças rebeldes e o governo, apesar da exigência do Conselho de Segurança, há três semanas, de permitir o acesso imediato da ajuda humanitária através de todas as frentes de batalha.
O comboio de 44 caminhões levou itens vitais de saúde, nutrição, utensílios, cobertores e materiais para a construção de abrigos. Outro comboio com 21 caminhões conseguiu levar uma ajuda para 20 mil pessoas em Kafraya e Foah, dois municípios sob o cerco de forças da oposição no nordeste da Síria, perto da fronteira com a Turquia.
A ONU e seus parceiros espera poder enviar um novo comboio nesta quinta-feira (14), incluindo clínicas médicas móveis e centros de emergência de alimentação para crianças “que apresentam um nível muito avançado de desnutrição”, destacou o representante.
Paralelamente a operação de emergência, as agências humanitárias e de desenvolvimento da ONU lançaram o seu apelo para ajudar a população síria. O montante de 7,73 bilhões de dólares possibilitará ajudar a 22,5 milhões de pessoas, incluindo os refugiados em outros países, as comunidades que os hospedam e os deslocados internos.
O representante do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), Sajjad Malik, pediu mais esforços para ajudar essas comunidades. “Dentro de um mês, eles estarão sem comida e remédios. O que vimos em Madaya não deveria acontecer em nenhum lugar neste século, não deveria estar acontecendo agora”, disse.
Pedro Penido dos Anjos
14 de janeiro de 2016 5:24 pmFernando Nogueira da
Fernando Nogueira da Costa in Noção de Nação, Política Brasileira
11/01/2016
Paleta sem Cinza
Se o sentido de propósito e destino compartilhados diminui à medida que a sociedade cresce e envelhece, enfraquece-se a civilização. Quando uma sociedade torna-se vítima de uma derrota psicológica, aí sim está o fim de uma Nação.
Daí a importância de Solidariedade e Coesão Social na sociedade brasileira. Relacionam-se às ideias de Comunidade e Espírito Cívico.
Coesão: associação íntima, solidariedade entre os integrantes de um grupo.
Desinteligência: discrepância entre pontos de vista; desacordo, desentendimento; falta de amizade; hostilidade, malquerença. Enfim, falta de inteligência.
Ideologia: sistema de ideias (crenças, tradições, princípios e mitos) interdependentes, sustentadas por um grupo social de qualquer natureza ou dimensão, as quais refletem, racionalizam e defendem os próprios interesses e compromissos institucionais, sejam estes morais, religiosos, políticos ou econômicos. É o conjunto de convicções filosóficas, sociais, políticas etc. de um indivíduo ou grupo de indivíduos.
Moderação: ato ou efeito de moderar-se. Trata-se da virtude de permanecer na exata medida. Ter comedimento com o afastamento de todo e qualquer excesso. Sua antonímia é a cólera, a desmoderação com a adoção de discurso de ódio.
É chamado discurso de ódio determinada mensagem que busca promover o ódio e incitação a discriminação, hostilidade e violência contra uma pessoa ou grupo em virtude de raça, religião, nacionalidade, orientação sexual, gênero, condição física ou outra característica.
Consenso: concordância ou uniformidade de opiniões, pensamentos, sentimentos, crenças etc., da maioria ou da totalidade de membros de uma coletividade. É uma das maneiras de se deliberar em assembleias, conselhos etc., que ocorre quando não há objeções ou argumentos contrários ao que se está propondo. Refere-se ao bom senso e ao senso comum.
Consenso surge quando há identidade, concordância ou uniformidade de natureza, de caracteres etc.. Com anuência e consentimento mútuo, verificado democraticamente, via respeito ao resultado de eleições, obtém-se uma sociedade harmoniosa.
anarquista doce
14 de janeiro de 2016 9:52 pmAmanhã não irei escrever é o
Amanhã não irei escrever é o dizer o mesmo que amanhã não irei beber. Impossível
Vamos aos fatos . —Escondido nesse canto esquecido.
Vamos falar de A, A.
ele esculhsçou o progama Mnharrean Conecnetion duas vezes. A saber:
Entrevista com Maitê Proença e outra de F H C ( QUE fornece entrevistas há muitos e muitos anos )
Então vamos aos fatos:
Um progama que existe há 23 anos e vendido pra mais de 180 paises, A A aprova.
Por que ? Simples explicar :
23 anos multiplicado por 52 semanas, é tempo pra caramba.
E A A só reclama de 2 ?
23 x 48 ( tirante as férias) nem sei multiplicar.
Obrigado, A A , comentarista deste blog por nos apoiar.
M . C. é o melhor programa da tv brasileira.
DISPARADO.
E com as benção tortuosas de A A ( O ”ESQUREDISTA ‘ que vive nos jardins )
Chico Buarque fez escola.
Pedro Rinck
14 de janeiro de 2016 10:21 pmPsicologia da ingratidão, por Dora Incontri
Todas as vezes que testemunho ou sofro alguma ingratidão, lembro-me da passagem do Evangelho – aquela em que Jesus curou os dez leprosos e só um voltou para agradecer. E ele perguntou: onde estão os outros nove? Essa história nos indica que a ingratidão é algo comum, majoritário, no comportamento humano. Estatisticamente, 90% daqueles que Jesus curou, não mostraram gratidão.
Observando esse fenômeno, proponho-me aqui a examinar as motivações psicológicas da ingratidão.
Quando alguém está precisando de ajuda – seja porque está doente, com dificuldades financeiras, solitário, deprimido, em qualquer situação de crise ou mesmo que essa crise seja um status permanente, desde a infância – é um momento, uma fase, ou até uma existência inteira, até então, de fragilidade e de carência. Para o orgulho humano, precisar do outro, tem algo de humilhante – ainda que aquele que ajude (como o caso incontestável de Jesus) esteja ajudando com total desprendimento e sem nenhum desejo de recompensa. Obviamente que este estado de desprendimento e desapego dos resultados é algo bastante raro no mundo, tão raro quanto a gratidão.
Ora, quando a pessoa que recebeu a ajuda, seja em forma de dinheiro, apoio, solidariedade, incentivo, colo… – se vê numa situação melhor, de maior segurança, de retomada de sua autonomia, até de euforia, porque conquistou posições e patamares antes impensáveis (muitas vezes com o próprio esforço sim, mas a partir da ajuda recebida) – então, a pessoa não quer mais se lembrar daquele instante de fragilidade, quer negar para si mesma que precisou um dia de apoio, quer atribuir todas as suas conquistas apenas a si mesma, aos próprios méritos. Não quer dividir o sabor da vitória, relembrando um momento em que estava “por baixo”. Então, nega o benfeitor, esquece-o, até pode agredi-lo e eliminá-lo simbolicamente, porque é humilhante para o seustatus atual, fazer referências a um estado anterior de carência. Então, faz aquilo que o ditado popular tão pitorescamente expressa: “cospe no prato que comeu”.
A coisa se agrava mais quando existe uma forte relação afetiva entre aquele que ajudou e aquele que foi ajudado – seja este um filho, um irmão, um amigo íntimo, um parente distante ou próximo. Porque então, a ajuda pode ter sido carregada de forte dose de afetividade, preocupação com o outro, desejo profundo de felicidade e superação das dificuldades do ser amado. Nesse caso, o ingrato precisa esquecer duplamente do benfeitor – o benefício prestado e a afetividade entregue. E é então que a ingratidão pode doer mais profundamente, porque se tratou não apenas de um benefício, mas de uma entrega de si. Episódios assim também se encontram na vida de Jesus, como a traição de Judas, a negação de Pedro e o abandono dos mais próximos, no momento da crucificação. No caso dos leprosos, Jesus não tinha uma intimidade com eles. Com os discípulos, eram amigos queridos. Nessa configuração, a pessoa não quer apenas esquecer do benfeitor, para não lembrar de um momento de fragilidade, ela quer se desobrigar de qualquer retribuição concreta ou afetiva com a pessoa que foi determinante para suas realizações, superações e conquistas – sejam elas de ordem material, intelectual ou moral. Quer se sentir livre de compromissos com quem ficou para trás, porque tais compromissos, que implicariam muito mais do que simplesmente reconhecer o benefício, mas também num cuidado com o outro (como o caso de pais, irmãos, amigos), são uma quebra na fruição de suas conquistas. Por exemplo, o indivíduo recebeu toda a formação dos pais, todo o empenho pelas suas realizações, todo o carinho doado (claro, com os limites e defeitos possíveis de todas as relações humanas) e quando ele se vê numa situação de bem-estar, conquista e euforia, não deseja ver o estorvo da fragilidade alheia – agora no caso, dos pais –que estarão por sua vez num momento de carência. Voltar atrás e olhar para os benfeitores, amá-los, cuidar deles, ter compromissos, é turvar o momento de segurança presente, é abrir brechas para o afeto fluir, no meio da vaidade das conquistas.
Assim, podemos concluir que o que atrapalha a gratidão em todos os casos é o orgulho – de não se admitir que se esteve já em situação difícil – e o egoísmo – de não querer interromper o gosto da conquista, com a preocupação, o cuidado e a dedicação ao outro.
Agora, analisemos toda a questão do ponto de vista daquele que ajuda. Que motivações podem levar a pessoa a fazer um bem a quem esteja em situação de carência ou precisão? São motivações sempre nobres, puras e elevadas? Até que ponto podem também estar contaminadas de orgulho e egoísmo? E pode essa possível contaminação na atitude do benfeitor provocar ou reforçar a ingratidão?
O ideal de um ato moral – como também aponta o Evangelho e a interpretação espírita da ética cristã – é o desinteresse. Esse desinteresse deve ser financeiro, pessoal, afetivo. Ou seja, é preciso fazer o bem, sem nada querer, esperar ou desejar de volta. A coisa porém não é tão simples. Primeiro, porque ao fazer o bem, experimenta-se naturalmente um bem-estar interno (hoje comprovado até através de pesquisas que mostram que dar, doar, ajudar libera sensações agradáveis para quem faz). Então, ao fazermos o bem, queremos nos sentir bem? Sem dúvida que sim! E isso eu chamaria – repetindo uma definição que ouvi do meu terapeuta – de um egoísmo saudável. Afinal, Jesus disse que deveríamos amar ao próximo como a nós mesmos. Ou seja, todos os seres humanos buscam prazer, felicidade, bem-estar e isso é natural. Ora, muito melhor que esse bem-estar seja provocado por um fazer bem do que por um fazer mal ou por qualquer tipo de vício autodestrutivo.
Apesar disso, considero que num nível mais elevado de doação, o indivíduo dá apenas e somente pelo bem do outro, sem pensar na própria felicidade. É certamente o caso de Jesus, ao morrer na cruz, como oferecimento de um exemplo para a humanidade.
Mas a questão não fica nesse ponto. Quando nos encontramos diante de alguém que está em situação de necessidade, os nossos sentimentos de empatia e compaixão podem ser ativados e nos lançamos a uma ação benéfica para o outro. Até aí, ótimo. Mas podem surgir também sentimentos (às vezes inconscientes) de superioridade e de prazer por estarmos numa posição de generosidade, de vaidade por “sermos tão bons”! Então, o ato de ajuda carrega algo de humilhante para o outro, sim. Porque podemos nos situar num patamar de cima, onde o outro que recebe, se sente de fato esmagado pela nossa oferta. Se a pessoa não tiver alternativa nesse momento, isso poderá depois gerar uma forte repulsa pelo benfeitor. E tudo isso está muito bem descrito no Evangelho. O problema é que bons impulsos podem ser manchados por esses sentimentos negativos – então há de fato um bem praticado, houve um momento de solidariedade sincera, mas depois o orgulho apareceu para estragar as coisas.
Outra forma de contaminar o gesto de ajuda está na cobrança de retorno, que pode ser uma cobrança sutil ou explícita, pode aparecer na forma de expectativa silenciosa ou de um “jogar na cara” ofensivo. A forma não explícita gera mal-estar no beneficiário e a explícita provoca justa revolta. Há inclusive pais e mães que praticam fartamente essa forma explícita, humilhando filhos, por terem cumprido o que pais e mães devem fazer – doarem-se inteiramente. Então, o ato do bem ou o amor doado estão claramente aprisionados nas garras do egoísmo.
Essas manchas no ato de doar não eximem aquele que recebe do sentimento de gratidão, sobretudo se há um vínculo amoroso envolvido no processo; assim como a ingratidão não exime o benfeitor de continuar fazendo o bem; porque é preciso compreender que estamos em processo de aprendizagem evolutiva e ainda quando queremos praticar o certo e queremos elevar nossos sentimentos, eles ainda se deixam macular por nossos atavismos milenares. Há que se ter maturidade e compreensão mútua para entendermos as nossas fraquezas e as do outro. Há também que se considerar que nossos papéis de benfeitores e beneficiados se alternam no decorrer da vida. Todos temos fases, momentos de fragilidade (basta lembrar de como chegamos e como partimos no mundo). Todos temos oportunidade de ajudar alguém em outros momentos. Ora somos necessariamente carentes, ora podemos ser generosos. Refletindo sobre tudo isso, haverá mais oportunidades de superação e de caminharmos para formas superiores de sentir e fazer.
Há porém algo mais sutil ainda, quando se trata de um benefício e uma ingratidão entre dois seres que se amam intensamente – e não posso deixar de imaginar que foi o que Jesus sentiu ao perguntar pelos outros nove leprosos que não voltaram, que embora não tivessem intimidade com Jesus, o Mestre não lhes era alheio em seu amor por todas as criaturas. A sua pergunta revela que ele não ficou indiferente ao fato. É que quando se pratica um bem ou muitos bens a um ser amado e a pessoa incorpora esse bem em sua vida e depois rejeita asperamente o irmão, a mãe, o amigo que lhe foi alicerce de ascensão e realização, o que se pode experimentar é uma profunda dor pelo outro. Jesus lamenta a ingratidão dos leprosos, como se entristece pela fraqueza de Judas e de Pedro. Mesmo se o nosso eu estiver já desprendido de toda mágoa e suscetibilidade – o que requer obviamente um trabalho bastante cuidadoso – podemos nos entristecer porque o ser amado está agindo de maneira tão acintosa e ingrata, por ele mesmo. Esse sentimento será entremeado de compaixão, sem falsa superioridade. Pode-se entretanto ainda misturar tais impulsos, enquanto estamos a caminho: mágoa com compaixão, tristeza pelo outro, com esperança de recompensa…
Enfim, tudo isso são aprendizados que nos competem assumir em nossa jornada evolutiva. E, tinha Kardec razão ao dizer que as duas únicas e maiores chagas da humanidade são o orgulho e o egoísmo. Estejamos atentos a isso!