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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. Antonio Carlos Silva - RJ

    31 de dezembro de 2013 2:35 am

    Já que existe o Doutor Hollywood…

    Na covarde cruzada contra os petistas, o jornal O Globo acabou de criar uma figura física para a “Justiça barbosiana” (Vejam a manchete do jornal(?) ” Justiça faz visitas de surpresa a Genoíno….” 

    Será que oficiais de justiça podem deliberar sobre as condições de saúde de apenados (APENAS PETISTAS) simplismente ao olhar aspectos fisicos ?  Não precisa de nenhum exame ? Então, se Genoíno estiver barbeado e perfumado eles deliberarão que o Genoíno deverá voltar para a Papuda e ficar confinado numa cela com isolamento total ?

    Alguem já viu este tal de Justiça, da manchete do O Globo?   Qual o sobrenome desta autoridade ?

     

     

    Justiça faz visitas de surpresa a Genoino em casa e constata boa aparência e saúde estável

    Documento foi feito após visita ao ex-deputado por assistente social e psicóloga da Vara de Execuções Penais

    André de Souza

    Publicado:30/12/13 – 20p2Atualizado:30/12/13 – 21p8

    BRASÍLIA – A Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal enviou nesta segunda-feira ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, relatório afirmando que o ex-presidente do PT José Genoino está com “boa aparência e quadro geral de saúde estável”. A constatação se deu após três visitas surpresa de oficiais de justiça do Tribunal de Justiça do DF ao petista neste mês. Ele foi visitado nos dia 3, 17 e 26 de dezembro. Genoino informou aos servidores que aguarda autorização judicial para comparecer ao hospital Sírio Libanês, em São Paulo, no próximo 7 de janeiro para avaliação e exames com o cardiologista Roberto Kalil Filho.

    No relatório, resultado de um mandado de constatação na residência, Genoino contou que faz uso de diversas medicações durante o dia e que, para verificar a coagulação sanguínea, é submetido a exames de sangue, colhido na própria casa. O petista cumpre a prisão domiciliar na residência do sogro de uma de suas filhas, Mariana Lima Genoino.

    Os oficiais de justiça constataram também que o ex-presidente do PT está cumprindo todos os termos de prisão domiciliar temporária, em especial a seguinte obrigação: “permanecer em casa por período integral,salvo em caso de estrita necessidade de saúde”.

    A última visita dos servidores ocorreu na semana passada, no dia 26, um dia após o Natal. O documento diz que a esposa de Genoino, Rioco Kayana, está presente o tempo inteiro a seu lado.

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/justica-faz-visitas-de-surpresa-genoino-em-casa-constata-boa-aparencia-saude-estavel-11182585#ixzz2p10Lfy9D
    © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

  2. O Escritor

    31 de dezembro de 2013 3:31 am

    O tempo passa, o tempo voa
    Um

    O tempo passa, o tempo voa

    Um pouco da história da Web brasileira.

    Há 10 anos, os blogueiros mais famosos do Brasil eram jovens de direita. Reunidos num coletivo de blogs chamado Wunderblogs, afirmavam seu desprezo ao Brasil, amor aos Estados Unidos e Israel, apego à cultura anglo-saxônica “elevada” e, obviamente, sua submissão intelectual irrestrita a Olavo de Carvalho. Adoravam hostilizar pobres e mulheres. Recheavam os posts de trechos em inglês (não traduzidos).

    Tornaram-se famosos durante os Governos FHC, que sempre defenderam até mesmo porque nosso Príncipe simbolizava o elitismo que eles tanto buscavam personificar (embora não fossem realmente da “elite”).

    Deliciem-se com essas duas matérias da “Folha de S. Paulo”, em 2004, e comparem a situação de então com a situação atual.

    Esta é a minha homenagem de fim de ano à turma da esquerda que tornou a Web um lugar crítico, inteligente, combativo e, acima de tudo, divertido. 

    >>>>>>>>>>

    03/07/2004 – 03h05

    Blogueiros dizem não ser “de direita”

    da Folha de S.Paulo

    Em um debate nesta semana no Sesc-Anchieta, o escritor Marçal Aquino disse que sua literatura não tem nenhum engajamento político, mas, como pessoa física, disse que era de esquerda. “Todos os escritores brasileiros são de esquerda”, disse.

    Os 11 autores da coletânea “Wunderblogs.com” não vestem a camisa “Eu sou de direita”, mas não concordam com a afirmação do romancista.

    Chamados a torto e a “direito” de reacionários, direitistas e outras variantes do gênero, os blogueiros fazem piada com isso, mas afirmam, na maioria, que são conservadores.

    Com perfis bem diferentes, trabalhando em profissões distintas (o grupo tem de bancários a tradutores), moradores de diferentes cidades (Brasília, Porto Alegre, Niterói, Ribeirão Preto e São Caetano do Sul), os “wunder” se encontram em alguns pontos de vista, como a defesa (pela maior parte deles) do liberalismo.

    Escapando do estereótipo de que o conservadorismo é exclusivo dos mais velhos, os blogueiros têm todos entre 25 e 37 anos.

    Questionados pela Folha se existe direita inteligente no país, boa parte dos autores reunidos no livro (o site wunderblogs.com teve recentemente adesão de novos blogs não representados no volume) citou como exemplos disso os ensaístas Olavo de Carvalho e J.O. de Meira Penna.

    Donos de blogs que recebem em média 150 mil acessos (“pageviews”) por mês, sendo os líderes de “ibope” Alexandre Soares Silva, Ruy Goiaba, Felipe Ortiz e Dante Gabriel Rossetti, os “wunder” “não ligam” para os que criticam seu conservadorismo.

    Miss Veen, única mulher no livro, resume: “É engraçado: você tem uma opinião levemente mais para a direita, e todos começam a dizer que você é intolerante, fanático religioso, conservador (que hoje em dia é palavrão). Parece até piada”.

    E piada é o que não falta nunca no portal. Se por um lado os blogueiros citam como “modelos” intelectuais nomes que vão de Aristóteles a Chesterton, de Montaigne a Paulo Francis, não se furtam de alinhavar também como mentores intelectuais nomes como Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, Genival Lacerda e Agnaldo Timóteo. “A maioria de nós vê a vida com a seriedade que ela merece, ou seja, nenhuma”, diz Fabio Danesi Rossi. 

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u45604.shtml

    >>>>>>>>>>>

    03/07/2004 – 03p8

    Alexandre Soares Silva afirma que seu blog nutre “antibrasileirismo”

    CASSIANO ELEK MACHADO
    da Folha de S.Paulo

    Leia a entrevista que a Folha fez com Alexandre Soares Silva.

    Folha – Na sua opinião, que características, além do fato de escreverem blogs e os ancorarem no Wunderblogs, unem os autores coligados no livro?

    Silva – Não muito. Ganhamos a fama de sermos ‘de direita’, o que quer que isso signifique; mas não faz muito sentido. Entre os wunderbloggers há cristãos, ateus, liberais da escola austríaca, neocons, etc. Não há gente de esquerda, que eu saiba, mas também é tão difícil encontrar gente de esquerda na internet que escreva bem…

    Folha – Quando você começou a escrever blogs e por quê? Você já escrevia antes com freqüência? Como? 

    Silva – Comecei pelo mais ridículo motivo, que era chamar a atenção para um livro que tinha lançado, um romance. Depois, simplesmente gostei da coisa. Eu já escrevia com frequência, desde criança, mas sempre ficção; no blog acabei desenvolvendo um estilo de não-ficção, que acho jeitosinho e faceto, muito pimpão e coisa e tal. (Mas macho, macho.)

    Folha – Quais as principais vantagens e desvantagens do blog em relação a outros formatos, como diários, iluminuras, livros, apostilas, panfletos etc.?

    Silva – Há uma desvantagem que é também uma vantagem, que é a de não ser levado a sério. Digo que é uma vantagem porque realmente acho que é mas fácil fazer algum tipo de arte quando se acha que se está fazendo alguma outra coisa qualquer. Folhetins, pulp, thrillers, filmes de ação, quadrinhos, são formas de arte feitas por pessoas que não achavam que estavam fazendo arte, e consumidas (olha o vocabulário submarxista) por gente que também não achava que era arte. Melhor assim…

    Folha – Quantos posts vocês escreve em média a cada mês? Quanto tempo você gasta com os blogs? 

    Silva – Tento escrever pelo menos um post a cada dois ou três dias, fiquei viciado no número de acessos e eles caem se eu não posto, uma tristeza. E fico o dia inteiro reescrevendo o post, mesmo depois dele já estar online. Fico mudando uma vírgula aqui, outra ali. E lendo os comentários e respondendo (me divirto muito respondendo os comentários). 

    Folha – Quem é o mais prolífico dos Wunders? Quem é o mais conciso?

    Silva – Os mais prolíficos certamente são o mozart e o Dante. O mais conciso, humm. O Dante.

    Folha – Como selecionou o material para o livro ‘Wunderblogs.com’? 

    Silva – Incluí na seleção os que iam me doer muito deixar de fora. Gosto muito deles, fico relendo sem parar. Mas não tive nenhum outro critério, só o meu gosto mesmo.

    Folha – Qual o perfil do leitor dos blogs Wunder? Quem são os ‘inimigos’ do Wunder? 

    Silva – Gostamos de pensar que temos um monte de inimigos, mas devem ser só uns vinte imbecis. Queria ser mais cavalheiresco com os inimigos dos wunderblogs, dizer que são inimigos à altura, mas geralmente é algum molequinho escrevendo palavrões ou uma senhora chocada, que escreve mensagens do tipo ‘Gente, me dói muito ver os ideais da minha juventude ridicularizados e feitos de pilhéria por uma turminha reacionária que se instalou na internet como senhores feudais, dando ordens da segurança de seus castelos high tech’, esse tipo de coisa. Não dá pra levar a sério, né? ‘Muito me choca…’ Ah, francamente.

    Folha – O que você pensa da literatura contemporânea brasileira?

    Silva – Gosto daquela pequena parte que não está obcecada por traficantes do jeito que seus antecessores estavam obcecados por jegues. Mas vamos excluir dessa lista a literatura mulherzinha e as tentativas de policial middlebrow.

    Folha – Quem são seus ‘modelos’ intelectuais e literários?

    Silva – Ah, Mencken, Wodehouse, Waugh, Chesterton, Paulo Francis, Eça de Queiroz, Oscar Wilde, e mais uns vinte ou trinta, na maioria ingleses. Na maioria brancos, na maioria católicos.

    Folha – O escritor Marçal Aquino disse ontem, em debate no Sesc Anchieta, de São Paulo, que ‘todos os escritores hoje são de esquerda’. Comente. 

    Silva – Mas claro, os escritores são de esquerda como os pintores usam boina e os psiquiatras cavanhaque, porque lhes disseram que é assim mesmo. Temo que alguns escritores bebam pelo mesmo motivo.

    Ser de esquerda é uma coisa que aflige as pessoas que estão começando, apenas começando, a vida da mente (alguns conseguem pular esse degrau –sorte deles, eu não consegui; era vagamente pró-Chomsky uns anos atrás). Como os escritores de países como Gana ou Brasil estão, coletivamente, apenas começando a vida da mente e nunca avançando muito nela, são todos de esquerda mesmo. Começam a escrever, vixe, ficam logos obcecados com a vida nas favelas. É uma coisa.

    Folha – Os autores do Wunderblogs são muitas vezes chamados de direitistas, conservadores etc. O que você pensa disso? Quem é o mais reacionário do grupo?

    Silva – Queria dizer que sou eu, mas infelizmente sofro de uma certa moderação cretina. Odeio a Revolução Francesa, mas tenho amigos que realmente admiram o sistema de castas hindu ou a vida na Idade Média (De Polli). Às vezes eu penso em defender a escravatura para Juliana Paes, mas são só sonhos.

    Folha – Existe direita (ou termo equivalente) inteligente aqui ou fora do país hoje em dia? Exemplos?

    Silva – Se definirmos direita como ‘quem está contra a esquerda’, quase só há gente inteligente na direita. Exemplos, vivos, são Roger Scruton, Paul Johnson, os autores do site Lew Rockwell (malucos, e usam gravata de Kentucky Fried Chicken, mas inteligentes). E na internet –nos blogs– bem, os melhores blogs, por algum motivo que ainda não entendi direito, são de direita, e isso no mundo todo –Andrew Sullivan nos Estados Unidos, Miguel Esteves Cardoso em Portugal, Europundits, etc. A lista é grande demais para dar aqui.

    Folha – Quais dessas características você acha que tem seu blog: pessimismo, otimismo, bom humor, mau humor, misticismo, moralismo, anglofilia, ‘antibrasileirismo’, liberalismo, catolicismo, cristianismo, classicismo, ironia, passadismo.

    Silva – Antibrasileirismo, sim. E anglofilia. Me pergunto se há hospitais que tratem anglofilia extrema. Uma ala de indianos dizendo ‘old boy’ e ‘By Jove!’. Humm.

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u45605.shtml

    Para esses, o tempo passou. Um ótimo 2014 para a turma que os substituiu, por mérito.

     

     

     

  3. Jorge Nogueira Rebolla

    31 de dezembro de 2013 3:34 am

    Uma semana de espera

    Capítulo III: Aurora Australis

    Capítulo I: Presos no gelo

    Capítulo II: Mortos no gelo
     

    Quebra gelo Aurora Australis

     

    Mais uma tentativa de resgate dos tripulantes e passageiros do barco oceanográfico russo Akademik Shokalskiy fracassou hoje. Devem passar o ano novo em meio ao gelo antártico. Tempestade de neve e neblina impediram a aproximação do navio australiano e forçaram o seu retorno ao mar aberto.
     

    Aguardando o resgate

     

    O grupo liderado pelo cientistas Chris Turney e Chris Fogwill, cem anos após o barco a vapor e a tração a husky, não conseguiu reproduzir parte da expedição do britânico Douglas Mawson. Mesma região e a mesma estação, verão, deu com os burros no gelo. Acabou em fiasco

     

  4. Fiódor Andrade

    31 de dezembro de 2013 6:06 am

    Dois poemas de ano novo de Carlos Drummond de Andrade

    PASSAGEM DO ANO

    O último dia do ano
    Não é o último dia do tempo.
    Outros dias virão
    E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
    Beijarás bocas, rasgarás papéis,
    Farás viagens e tantas celebrações
    De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
    E coral,

    Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
    Os irreparáveis uivos
    Do lobo, na solidão.

    O último dia do tempo
    Não é o último dia de tudo.
    Fica sempre uma franja de vida
    Onde se sentam dois homens.
    Um homem e seu contrário,
    Uma mulher e seu pé,
    Um corpo e sua memória,
    Um olho e seu brilho,
    Uma voz e seu eco.
    E quem sabe até se Deus…

    Recebe com simplicidade este presente do acaso.
    Mereceste viver mais um ano.
    Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.

    Teu pai morreu, teu avô também.
    Em ti mesmo muita coisa, já se expirou, outras espreitam a morte,
    Mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
    E de copo na mão
    Esperas amanhecer.

    O recurso de se embriagar.
    O recurso da dança e do grito,
    O recurso da bola colorida,
    O recurso de Kant e da poesia,
    Todos eles… e nenhum resolve.

    Surge a manhã de um novo ano.

    As coisas estão limpas, ordenadas.
    O corpo gasto renova-se em espuma.
    Todos os sentidos alerta funcionam.
    A boca está comendo vida.
    A boca está entupida de vida.
    A vida escorre da boca,
    Lambuza as mãos, a calçada.
    A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

     

    RECEITA DE ANO NOVO

    Para você ganhar belíssimo Ano Novo
    cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
    Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
    (mal vivido talvez ou sem sentido)
    para você ganhar um ano
    não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
    mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
    novo até no coração das coisas menos percebidas
    (a começar pelo seu interior)
    novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
    mas com ele se come, se passeia,
    se ama, se compreende, se trabalha,
    você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
    não precisa expedir nem receber mensagens
    (planta recebe mensagens?
    passa telegramas?)

    Não precisa
    fazer lista de boas intenções
    para arquivá-las na gaveta.
    Não precisa chorar arrependido
    pelas besteiras consumidas
    nem parvamente acreditar
    que por decreto de esperança
    a partir de janeiro as coisas mudem
    e seja tudo claridade, recompensa,
    justiça entre os homens e as nações,
    liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
    direitos respeitados, começando
    pelo direito augusto de viver.

    Para ganhar um Ano Novo
    que mereça este nome,
    você, meu caro, tem de merecê-lo,
    tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
    mas tente, experimente, consciente.
    É dentro de você que o Ano Novo
    cochila e espera desde sempre.

  5. Marcos Chiapas

    31 de dezembro de 2013 7:23 am

    O PCB e o golpe civil-militar de 31/3/1964

    O PCB e o golpe civil-militar de 31/3/1964 : por que as esquerdas foram derrotadas?

    Quarta, 06 Novembro 2013 14:27 | Imprimir | E-mail

    Por Anita Leocadia Prestes

    Tornou-se um truísmo, a partir de 1/4/1964, a crítica ao PCB por não ter resistido ao golpe civil-militar, assim como a acusação de que tal posicionamento seria decorrência de sua política pacifista, do despreparo para a resistência aos golpistas e de ilusões na burguesia e no “esquema militar” do presidente João Goulart.

    O PCB contava com importantes lideranças sindicais à frente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e de numerosos sindicatos, com inúmeros aliados tanto no movimento sindical urbano quanto rural, com a presença significativa de seus militantes na União Nacional dos Estudantes (UNE) e junto ao movimento estudantil universitário e secundarista. Da mesma forma, o PCB exercia influência em múltiplos setores do mundo social e político brasileiro, em particular, junto a personalidades e a agrupamentos com posições democráticas e nacionalistas, que se pronunciavam contra a ingerência imperialista no país e pela reforma agrária.

    Diante disso, como explicar a vitória dos golpistas e a derrota das esquerdas?

    É necessário retroceder no tempo e verificar qual era a perspectiva política e organizacional do PCB. Após a prisão dos membros da direção nacional do PCB em 1940 e o consequente esfacelamento da organização partidária, vários grupos tentaram sua reorganização. Afinal, a reconstrução do PCB teve sucesso com a iniciativa da Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP) de convocar a II Conferência Nacional do PCB – conhecida como Conferência da Mantiqueira, porque se realizou clandestinamente, em algum lugar do Vale do Paraíba, em agosto de 1943, reunindo 48 militantes. (Prestes, 2001: cap.IX)[2]

    O exame das concepções político-ideológicas norteadoras da Conferência é essencial para o esclarecimento das condições em que se formou o novo grupo dirigente eleito nessa oportunidade e que assumiu a direção do PCB, tratando de reunificá-lo. Vale lembrar a importância que Antônio Gramsci atribuía à formação do grupo dirigente do Partido Comunista. O líder comunista e teórico marxista escrevia que “todos os problemas de organização são problemas políticos” (Gramsci, 2004, v. 2: 348) e, preocupado com a construção do PC italiano, afirmava: “É preciso criar no interior do Partido um núcleo (…) de companheiros que tenham o máximo de homogeneidade ideológica e, portanto, consigam imprimir à ação partidária um máximo de unidade de orientação” (idem: 129-130). Para Gramsci, a formação do grupo dirigente ou núcleo dirigente do PC era condição indispensável para que o partido pudesse cumprir seus objetivos políticos. A tal grupo caberia o papel de garantir a “formação de uma vanguarda proletária homogênea e ligada às massas” (idem: 351)[3]. Em outras palavras, para Gramsci, a formação do grupo dirigente constituía um ponto de partida fundamental para a construção do Partido Comunista e, consequentemente, as características de tal grupo dirigente iriam definir o perfil da organização partidária em questão.

    Cabe assinalar que a tática de “União Nacional” adotada pelos comunistas a partir de 1938, levou seus dirigentes e militantes a se inserirem de maneira espontânea e pouco crítica no movimento generalizado de repúdio às ameaças expansionistas e agressoras do nazifascismo europeu, secundado pelos integralistas, seus agentes internos em nosso país. Tal movimento empolgou setores muito amplos do espectro político brasileiro, incluindo numerosas camadas populares. A análise da atuação do PCB nesse período nos revela que, após os acontecimentos de novembro de 1935, os comunistas, profundamente golpeados e desarticulados, com grandes dificuldades para restabelecer os contatos com a Internacional Comunista (IC), não tiveram condições de manter uma postura ideologicamente independente. (Prestes, 2001)

    A ausência, por parte do PCB, de uma justa compreensão da realidade do país contribuiu para que a direção do partido tivesse dificuldade de formular uma orientação política capaz de articular adequadamente a luta pela democracia no plano internacional, ou seja, o combate ao nazifascismo e aos seus agentes internos, com a luta pela democratização do país – contra o regime ditatorial do Estado Novo – e o empenho necessário para a construção das forças sociais e políticas capazes de levar adiante um projeto voltado para a emancipação econômica e social do país – um projeto que apontasse para uma efetiva transformação socialista, conforme constava dos documentos programáticos do PCB. (Idem)

    Tais impasses na trajetória do movimento comunista no Brasil teriam como consequência a transformação do PCB num partido nacional-libertador, sob a influência das ideias nacionalistas presentes na sociedade brasileira. Um partido progressista em que, entretanto, o conflito entre trabalho e capital ficaria relegado a um segundo plano. (Idem)

    A partir da Conferência da Mantiqueira, a orientação oficial do PCB, baseada na defesa da “União Nacional”, não só deixava transparecer uma postura nacionalista, de defesa da soberania nacional diante do expansionismo nazifascista, mas também certo adesismo ao governo Vargas, o que se evidenciava nas páginas da revista Continental, que, na prática, se tornou o órgão oficioso do partido. (Prestes, 2010: 51-52).

    Na Conferência da Mantiqueira ficaram consagradas a hegemonia e a vitória das posições defendidas pela CNOP. Na ocasião foi nomeado um Comitê Central provisório, que se consolidaria com o apoio de Prestes, eleito secretário-geral in absentia, pela primeira vez desde seu ingresso no PCB. Segundo E. Carone, “é em agosto de 1945, na reunião legal do Comitê Nacional do PCB, denominado Pleno da Vitória, que os recalcitrantes irão aceitar a situação hegemônica do CNOP” (Carone, 1982: 3-4). Dessa forma, constituía-se o novo grupo dirigente do PCB, que proclamava a liderança de Prestes e incluía entre seus membros nomes que figurariam à frente do PCB durante muitos anos, como Diógenes de Arruda Câmara, João Amazonas, Maurício Grabois, Pedro Pomar, Mário Alves, Amarílio Vasconcelos, Ivan Ramos Ribeiro, Giocondo Dias, Álvaro Ventura, etc.

    Tal grupo dirigente sofreria algumas modificações no decorrer do tempo, mas foram seus elementos mais destacados que orientaram a reconstrução do PCB e o dotaram de um tipo de organização que correspondia aos objetivos políticos traçados na Conferência da Mantiqueira, o qual teria o caráter nacional-libertador da política partidária como sua marca registrada. As características desse novo grupo dirigente iriam definir o perfil da organização partidária que viria a existir daí por diante. O berço do novo PCB, reconstruído após o desastre de 1940, seria a Conferência da Mantiqueira, e o seu novo perfil foi determinado pelo núcleo dirigente constituído nesse conclave.

    O PCB, ao renascer dos violentos golpes desfechados pelo governo no início dos anos 1940, surgia como um partido marcado pela ideologia nacional-libertadora, com um grupo dirigente praticamente desconhecido, mas prestigiado pela presença de Luiz Carlos Prestes, cujo aval fora decisivo para a consolidação desse grupo, assim como da organização partidária. Tal núcleo dirigente empenhou-se na construção de uma estrutura partidária que correspondesse aos objetivos políticos traçados, ou seja, à defesa da soberania nacional, entendida como fruto do desenvolvimento de um capitalismo autônomo no Brasil.(Prestes, 2010)

    A análise do curto período de legalidade do PCB, nos anos 1945-1947, nos revela que, não obstante os esforços desenvolvidos pelos comunistas visando consolidar o processo de democratização no país e alcançar a tão almejada “União Nacional”, o partido teve seu registro cancelado e os mandatos dos seus parlamentares cassados. “União Nacional” tornou-se uma quimera inatingível. Embora vitórias parciais tivessem sido conquistadas – algumas de grande importância -, a política levada adiante pelo PCB foi derrotada.

    A diretriz de “União Nacional”, durante o ano de 1945, contribuiu inquestionavelmente para um significativo avanço do processo de democratização do país. Já em 1946, com o início da chamada Guerra Fria, a tendência predominante na política nacional acabou sendo a de um crescente anticomunismo. Medidas repressoras, cada vez mais intensas, foram adotadas, por parte do governo Dutra, contra os comunistas e as forças democráticas e progressistas.

    Os dirigentes do PCB não perceberam com clareza a profundidade de tal virada e a gravidade de suas consequências para o partido e para seus aliados. A hipotética “burguesia progressista”, definida pelos comunistas como importante setor, com o qual seria possível contar na luta por “União Nacional”, capitulara diante dos interesses do grande capital, expressos na Doutrina Truman (Vizentini, 2000, v. II: 195-225; Munhoz, 2004: 273). Embora lutando com grande empenho e entusiasmo pelos objetivos traçados, os comunistas ficaram isolados, o que explica sua derrota política.

    Na realidade, mais uma vez, na história do PCB predominara a tendência nacional-libertadora e sua aposta no “papel progressista” de um setor da burguesia industrial, que seria capaz de aliar-se ao proletariado para alcançar um capitalismo autônomo no Brasil, livre do domínio do imperialismo, principalmente dos interesses dos capitais norte-americanos. Mais uma vez, o conflito de classes seria deixado de lado pelos comunistas, sendo privilegiada a luta nacional-libertadora.

    O exame do período histórico que se estende até o golpe civil-militar de março de 1964 nos mostra que, apesar das mudanças táticas havidas na política do PCB, a estratégia nacional-libertadora da revolução brasileira permaneceu intacta, marcando de maneira indelével a trajetória dos comunistas. (Prestes, 1980, 2010, 2012) Uma concepção estratégica falsa, uma vez que inadequada à realidade que os comunistas pretendiam transformar. O capitalismo implantado no país surgira na época do domínio imperialista mundial exercido pelas potências centrais desse sistema, o que determinou sua posição subordinada, ou seja, a dependência a que ficou submetido. Não havia condições para a conquista de um desenvolvimento livre e independente do capitalismo brasileiro, meta que era perseguida pelos comunistas.

    Em sua política de organização, consoante com a concepção estratégica adotada pelo seu grupo dirigente criado ainda à época da Conferência da Mantiqueira, o PCB desenvolveu ingentes esforços no sentido da formação de uma estrutura partidária adequada à aplicação pela sua militância das diretrizes condizentes com tal estratégia. Foi construído um partido conforme tal orientação política, um partido empenhado numa aliança com uma suposta burguesia nacional progressista, para realizar reformas que pudessem garantir o advento de um desenvolvimento capitalista autônomo do país. O objetivo socialista era deixado para uma etapa posterior. Dessa maneira, não se investia na formação da força social e política, unificada por ideais comuns e voltada para a preparação das condições necessárias à revolução socialista. 

    Na realidade, tentava-se a criação de uma aliança de classes e setores sociais supostamente possuidores de interesses e reivindicações comuns na luta contra o imperialismo e o latifúndio e pela democracia. Mas, não se levava em conta algo que o conceito de bloco histórico, proposto por A. Gramsci – ou, em outras palavras, do sujeito-povo[4] – pressupõe: o momento político dessa aliança. “Sua constituição está assentada em classes ou grupos concretos definidos pela sua situação na sociedade, mas as ideias cumprem um papel fundamental no que se refere à sua coesão.” No bloco histórico há “uma estrutura social – as classes e grupos sociais – que depende diretamente das relações entre as forças produtivas; mas também há uma superestrutura ideológica e política” (Bignami, s.d.: 27). Gramsci escrevia nos Cadernos do cárcere que, segundo Marx, “uma persuasão popular tem, com frequência, a mesma energia de uma força material”. Tal afirmação, segundo o filósofo italiano,

    conduz ao fortalecimento da concepção de “bloco histórico”, no qual precisamente, as forças materiais são o conteúdo e as ideologias são a forma, distinção entre forma e conteúdo puramente didática, já que as forças materiais não seriam historicamente concebíveis sem forma e as ideologias seriam fantasias individuais sem as forças materiais (Gramsci, 2001, v. 1: 238).

    Os elementos citados da concepção gramsciana de bloco histórico permitem perceber o frequente empobrecimento de tal conceito no âmbito dos partidos comunistas, pois esse fenômeno marcou, de uma maneira geral, grande parte do movimento comunista mundial. Nas fileiras do PCB, semelhante postura teria como resultado a subestimação pelo trabalho ideológico de formação teórica e política não só dos seus quadros, como também de lideranças populares. A incompreensão da necessidade de criar um bloco histórico contra-hegemônico, capaz de conduzir o processo revolucionário à vitória, condicionou o desarmamento ideológico e político dos comunistas diante do bloco histórico dominante e a inevitável capitulação frente ao reformismo burguês (Prestes, 2010a).

    Durante o período histórico que antecedeu a deposição do presidente Goulart, a atividade prática da militância do PCB evidenciou as limitações provenientes da incompreensão citada. A atuação dos comunistas no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, no período 1945/1964, é nesse sentido exemplar. Conforme é mostrado por Santana (Santana, 2012), diferentemente do que sempre se afirmou, “no plano organizacional os comunistas vão ser incansáveis na atuação nos locais de trabalho e na constituição de comissões sindicais de empresa, alterando, na prática, a perspectiva de ação dos sindicatos” (idem: 237; grifos meus). Os comunistas chegaram, em muitos momentos, a ter importante participação e indiscutível liderança nas lutas dos trabalhadores nas fábricas, conseguindo alcançar sucesso na organização dos trabalhadores. (Idem, 2012) Entretanto, quais eram as propostas em torno das quais se dava esse trabalho de organização?

    A pesquisa da atuação da militância comunista no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro revela que a orientação política do PCB, marcada pela concepção estratégica nacional-libertadora, levou a que, no âmbito do referido setor metalúrgico, os comunistas priorizassem a aliança com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), fundado por Vargas em 1945. Na prática, tratava-se da aliança com Benedito Cerqueira, importante liderança desse partido no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro. (Idem) “O crescimento de poder de fogo dos comunistas no interior da categoria e da direção sindical, que atingiu o maior índice da história, acabou sendo diluído devido à política de unidade que, contraditoriamente, o havia possibilitado” (idem: 213). Em nome da unidade com os trabalhistas, os militantes comunistas foram levados a seguir uma orientação reformista, de caráter nacionalista burguês. Tanto as diretrizes do PCB quanto as que eram adotadas pelo PTB tinham a marca da ideologia do nacional-desenvolvimentismo, corrente, que, a partir dos anos 1950, teve ampla aceitação, por parte de expressivos setores do pensamento brasileiro, inclusive, tacitamente, por parte dos comunistas. (Prestes, 2010: 55-59)

    A ausência de uma efetiva autonomia política e organizacional – resultante de uma concepção estratégica inadequada às condições brasileiras – condicionou a atuação dos comunistas, impedindo-os de avançar no sentido da formação do bloco histórico – ou do sujeito-povo – ou, em outras palavras, das forças sociais e políticas capazes de impulsionar a realização das Reformas de Base, colocadas em pauta naqueles anos e, nesse processo, preparar as condições para avançar rumo às transformações de caráter revolucionário, que apontassem para a conquista do poder político e a transição para o socialismo.

    A análise do desenrolar dos acontecimentos que tiveram como desfecho o golpe de 31/3/1964 e a deposição do governo de João Goulart justifica plenamente a opinião de Waldir Pires, então consultor-geral da República, emitida 20 anos mais tarde: “Havia muito mais a retórica dos discursos do que propriamente uma ação organizada para preservar o processo democrático” (Moraes, 1989: 198).

    As concepções nacional-libertadoras, presentes tanto na estratégia política do PCB quanto em grande parte do discurso das forças nacionalistas e de esquerda, sob a influência dominante da ideologia nacional-desenvolvimentista, alimentaram as ilusões num hipotético anti-imperialismo de uma suposta burguesia nacional[5] e na possibilidade de – sob a pressão das manifestações das forças nacionalistas e democráticas e, em particular, do movimento sindical – levar o presidente João Goulart a realizar reforma ministerial que permitisse o estabelecimento de um governo nacionalista e democrático e a implementação das Reformas de Base. Cogitava-se ainda de uma reforma constitucional, mesmo que para tal fosse necessário passar por cima do Congresso Nacional.

    As consequências práticas da presença de uma concepção reformista da revolução por etapas, ou seja, da idéia de alcançar um governo nacionalista e democrático dentro dos marcos do regime capitalista – etapa que seria necessária para prosseguir na luta pela realização da revolução socialista – pouco diferiam das consequências oriundas do voluntarismo, da impaciência e da pressa dos adeptos das concepções esquerdistas, típicas dos setores pequeno-burgueses. Ambas as concepções – a reformista de direita e a do radicalismo esquerdista – dificultaram a organização e a conscientização das massas trabalhadoras, premissa necessária para a conquista do poder e a realização das reformas necessárias para iniciar outro tipo de desenvolvimento, livre e independente e voltado, portanto, para uma transformação de caráter socialista, mesmo que não fosse de imediato.

    Uma abordagem autocrítica da estratégia dos processos revolucionários em duas etapas, adotada pelos comunistas latino-americanos, foi feita com grande clarividência pelo líder revolucionário e dirigente do Partido Comunista Salvadorenho Schafik Handal:

    (…) Não pode haver revolução sem resolver a fundo o problema do poder.(…) Nosso partido, e me parece que muitos outros partidos comunistas da América Latina, temos trabalhado durante decênios com a idéia de duas revoluções (…).Reagimos tantas e tantas vezes contra a colocação esquerdista da luta pela implantação direta, sem estágios, do socialismo e chegamos a nos convencer de que a revolução democrática não é necessariamente uma tarefa a ser organizada e promovida principalmente por nós. Que poderíamos nos limitar e nos conformarmos em ser força de apoio e assegurar a amplitude do leque das forças democráticas participante. Assim, a revolução democrática anti-imperialista se nos apresentava como uma “via de aproximação”, que pode alcançar-se deixando na dianteira da ação setores “progressistas”, “anti-imperialistas”, das camadas médias (da intelectualidade, dos militares, etc.) e até da burguesia. (…) O que surge de tal conduta não é nem pode ser o partido da revolução mas sim o partido das reformas.(…)[6]

    A seguir Handal escrevia:

    Se aceitamos que a revolução democrática e anti-imperialista é parte inseparável da revolução socialista, não se pode realizar a revolução tomando pacificamente o poder por partes, será indispensável sob uma ou outra foram, desmantelar a máquina estatal dos capitalistas e seus amos imperialistas, erigir um novo poder e um novo estado. (Idem)

    Embora Jango tivesse avançado no intento de realizar as reformas – e isso ficou patente no comício de 13 de março de 1964 -, o golpe militar, com amplo apoio civil, foi arquitetado para garantir o sucesso do seu desfecho. Jango ficara isolado, sem contar com bases organizadas que o sustentassem, pois nas próprias Forças Armadas a correlação de forças deixara de lhe ser favorável, diferentemente do que tivera lugar quando da renúncia de Jânio Quadros, revelando que setores ponderáveis dos militares nacionalistas haviam sido influenciados pela intensa campanha anticomunista desencadeada pelos golpistas. A ameaça de Jango romper com a legalidade constitucional ajudou a desarticular seu “dispositivo militar”[7].

    Cabe registrar que, para o isolamento do presidente João Goulart, tiveram influência as pressões sobre ele exercidas de setores radicalizados, portadores de uma retórica esquerdizante, sem o respaldo, contudo, de um movimento popular capaz de lhe oferecer  sustentação real. Logo após o comício de 13 de março, Darcy Ribeiro, Chefe da Casa Civil, transmitiu à direção do PCB cópia de documento intitulado Projeto Brasil, de caráter bastante radical, que Jango não desejava encaminhar ao Congresso sem o apoio dos comunistas. Prestes, contrário ao documento,[8] conta que o assunto foi discutido na Comissão Executiva, que o aprovou, considerando que deveria ser ainda mais radical. Esta era a posição de Carlos Marighella e Mário Alves. Darcy Ribeiro teria ficado radiante com o apoio do PCB. Na opinião de Prestes, sua postura era evidentemente esquerdista. O Projeto Brasil, encaminhado ao Congresso Nacional, não chegou a ser discutido.[9]

    Diante do isolamento de Goulart e das forças nacionalistas e democráticas, seria suicídio para o PCB tentar reagir ao golpe através da luta armada. Naquele momento, a única alternativa viável foi o recuo para a clandestinidade, tentando manter, na medida do possível, a estrutura partidária. Na ausência de condições reais para a vitória de um movimento revolucionário, a história mundial da luta de classes ensina que a solução correta é recuar. Em outubro de 1923, a direção do Partido Comunista Alemão, ao tomar conhecimento de que a maioria dos delegados operários, que eram socialistas de esquerda, rejeitara a proposta comunista de deflagrar insurreição armada na Alemanha, agiu com acerto suspendendo a decisão adotada anteriormente. Em Hamburgo, onde a determinação de recuar não chegou a tempo, durante três dias travou-se uma encarniçada luta contra a polícia e o exército, sem que as massas proletárias da cidade apoiassem ativamente os insurretos, demonstrando que o proletariado alemão, naquele momento, não estava disposto a pegar em armas (Claudin, 1970: 106-107).

    A trágica experiência das organizações de esquerda, que recorreram a diferentes formas de luta armada no combate à ditadura, demonstrou na prática que inexistiam condições para tal no Brasil de então. Durante o período de relativas liberdades anterior ao golpe reacionário de março de 1964, as esquerdas haviam subestimado tanto a necessidade de elaboração programática quanto o trabalho de organização e de conscientização das forças populares para levar adiante o processo revolucionário no país. Com o estabelecimento da ditadura, o esforço de organização e conscientização das massas ficaria muito mais demorado e difícil.

    A derrota das esquerdas em 1964 traz ensinamentos que continuam válidos na atualidade: o caminho da revolução, cuja estratégia hoje deve ser socialista, passa pela construção do bloco histórico contra-hegemônico, que represente a unidade de amplas forças sociais e políticas em torno de um projeto revolucionário condizente com a realidade atual do País. Tal projeto deverá resultar das lutas dos trabalhadores e da sua organização para alcançar objetivos parciais que possam contribuir para acumulação de forças e a criação de condições – inclusive a formação de partidos políticos revolucionários – para a conquista do poder político, objetivo sem o qual o processo revolucionário ficaria inconcluso e sujeito a novas derrotas.

     

    * Anita Leocadia Prestes é professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes (http://www.ilcp.org.br).

    – See more at: http://www.cclcp.org/index.php/inicio-pclcp/formacao/471-o-pcb-e-o-golpe-civil-militar-de-31-3-1964-por-que-as-esquerdas-foram-derrotadas#sthash.a5G2azyy.dpuf

  6. Assis Ribeiro

    31 de dezembro de 2013 8:24 am

    2013 anuncia nova era da fantasia no Brasil

    2013 anuncia nova era da fantasia no Brasil

    No segundo semestre de 2013, fui por duas vezes convidado para falar sobre alta fantasia e fantasia medieval — primeiro na HobbitCon e depois em uma Fantástica Jornada Noite Adentro, ambas as vezes por intervenção de Silvio Alexandre. O texto abaixo parte das reflexões feitas em preparo para essas participações.
     

     

    Mago

    O primeiro livro da Saída de Emergência no Brasil. Capa de Martin Deschambault

    Uma das grandes novidades de 2013 no campo da ficção especulativa foi o fortalecimento da alta fantasia e da fantasia medieval, ambas há anos presentes nas livrarias brasileiras, mas que se revitalizam ainda enquanto falamos de fantasia urbana (histórias românticas sobre vampiros, lobisomens, zumbis e demais tribos urbanas), mash-ups, steampunks e outras formas de fantasia de tradição mais recente.

    O inglês J. R. R. Tolkien foi o autor que deu forma à alta fantasia, quando, na segunda metade do século 20, a sua obra-prima O Senhor dos Anéis impressionou milhões de leitores — e um bom número de autores – no mundo de língua inglesa. Esse subgênero se caracteriza por ser ambientado naquilo que o próprio Tolkien chamou de “mundo secundário” — um outro mundo, substancialmente diferente mais também semelhante ao nosso, o “mundo primário”. No mundo secundário, o escritor é o criador secundário, e a ênfase — em oposição à fantasia heróica, por exemplo — está, em boa parte, numa construção de mundo que contempla língua, geografia, cultura e história, estendida não apenas aos seus habitantes humanos, mas a povos e criaturas mágicas como elfos, anões, duendes, goblins, trolls e o que mais povoar a imaginação dos autores.

    A sombra de Tolkien se tornou com o tempo bênção e maldição a quem se aventurasse pelos mundos da alta fantasia. Imitadores próximos alcançaram grande sucesso de vendas, tornando esse ramo o mais bem-sucedido do gênero. Por outro lado,  passa-se logo a exigir que a fantasia escape dos aspectos repetitivos que essa imitação de Tolkien teria imposto. Seja imitando-o diretamente, seja tentando sair da sua sombra, a alta fantasia que vem depois dele revela a influência de Tolkien.

    Nesse caso, um autor que possui uma trajetória exemplar é o canadense Guy Gavriel Kay — que primeiro trabalhou com Christopher, o filho de Tolkien, na preparação editorial de O Simarillion (1977), depois publicou sua trilogia The Fionavar Tapestry (1984 a 1986) sobre humanos normais transportados a um mundo de fantasia que se assemelha muito à Terra Média do autor inglês. Mas logo a seguir, em 1990, Kay muda de orientação com Tigana – o romance que a editora Saída de Emergência lança no início de 2014 — ambientado em um mundo secundário modelado a partir da Itália medieval. Com essa guinada, sua fantasia passa a se pautar por romances de fundo histórico, sem toda a babel de raças de seres mágicos que se vê em Tolkien.

    Um dos autores que mais se beneficiou com a semelhança de sua série de fantasia com Tolkien foi o americano Robert Jordan (James Oliver Rigney, Jr.; 1948-2007). Publicado há poucos anos no Brasil, mas sem impacto, Jordan teve uma segunda chance em fins de 2013 com o relançamento de O Olho do Mundo, o primeiro volume da série A Roda do Tempo, pela Intrínseca.

    Jordan escreveu onze livros da Roda do Tempo, que, depois de sua morte em 2007, passou a ser continuada pela pena de Brandon Sanderson. Curiosamente, o romance de estréia de Sanderson, a alta fantasia Elantris, apareceu nas livrarias brasileiras também em 2013, mas pela LeYa. Também em Elantris, porém, há o empenho em se afastar de Tolkien, com a ação ambientada na cidade-título, habitada por mortos-vivos, e com uma interessante intriga religiosa dominando o enredo. Enquanto em Tolkien os personagens peregrinam por uma paisagem selvagem ou rural, em Elantris a ambientação dominante é a cidade. Lamento apenas que o final do livro apele para exageros hollywoodianos que destoam do conjunto.

    Tolkien também tem sua influência nos role playing games de fantasia — Dungeons & Dragons, Forgotten Realms e Dragonlance, por exemplo. Por sua vez, esses RPGs fizeram mais pela divulgação da alta fantasia no Brasil do que qualquer outra forma de manifestação artística. Isso aconteceu durante o boom do RPG, em meados da década de 1990.

    Recentemente, a Devir retomou a publicação dos romances de Dragonlance com Lendas de Dragonlance Volume 1: Tempo dos Gêmeos, de Margaret Weis & Tracy Hickman, prometendo para o começo de 2014 o segundo da trilogia: Guerra dos Gêmeos. Ao mesmo tempo, a Devir publicará ao longo do ano a trilogia Portador da Lança, fantasia original de R. A. Salvatore, autor muito vinculado ao RPG Forgotten Realms.

    Outra variação de alta fantasia nós temos na excepcionalmente bem-sucedida série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin — conhecida na TV como Game of Thrones –, que se concentra na criação de mundo, em uma obra monumental de sete volumes previstos (ou até que Martin mude de idéia) e cinco já publicados, e que preserva um elenco mínimo de criaturas mágicas — como os dragões, por exemplo.

    A alta fantasia de Martin se caracteriza pela renúncia ao apelo moralizante e à ordenação supranatural do mundo secundário, presentes na obra de Tolkien. Os elementos mais salientes (raças mágicas, feiticeiros poderosos e criaturas fabulosas) ou foram para o fundo ou estão ausentes. O foco está na busca do poder pelos diversos grupos e indivíduos, num cenário de instabilidade causada não pelas ações de um ser sobrenatural (Sauron, em Tolkien), mas por manobras apressadas visando o trono de Westeros. Às vezes chamada de “fantasia militar”, essa é uma literatura também de grandes movimentos armados e intrigas palacianas, descritas com crueza — como nos livros de Bernard Cornwell, autor de fantasia arturiana e/ou romance histórico medieval, que chegou ao Brasil primeiro com a trilogia Crônicas de Artur, pela Record.

    Outro autor que se alinha com essa tendência é Glen Cook, cujo romance A Companhia Negra foi publicado aqui em 2012 — e o segundo da série, Sombras Eternas, em 2013. Os dois também pela Record.

    Martin e Cornwell se encontram como influência na obra do brasileiro Leonel Caldela, que começou durante o boom do RPG escrevendo contos e romances relacionados ao RPG brasuca Tormenta. Em 2013, Caldela saiu da Jambô e foi para a Fantasy/Casa da Palavra, onde publicou o bojudo romance O Código Élfico, uma alta fantasia sobre… elfos! Com meia dúzia de livros publicados, Caldela é provavelmente o praticante número 1 da alta fantasia nesta latitude.

    A vinda para o Brasil da editora Portuguesa Saída de Emergência — lançada junto à comunidade de fantasia e ficção científica durante o Fantasticon deste ano — promete reforçar a incidência de alta fantasia e fantasia medieval em nossas livrarias. O primeiro disparo da sua campanha foi Mago Livro Um: Aprendiz, de Raymond E. Feist, primeiro de uma longa série.

    Por tudo isso, 2013 parece ter anunciado uma nova era da fantasia no Brasil, a se confirmar em 2014.

    –Roberto de Sousa Causo

    DESTAQUE

    Aprendiz de Assassino

    O melhor lançamento de alta fantasia em 2013

    Meu favorito na alta fantasia lançada no Brasil em 2013 foi O Aprendiz de Assassino (Assassin’s Apprentice. São Paulo: LeYa, 414 páginas. Tradução de Orlando Moreira. Capa de Jackie Morris).

    É o primeiro livro a “Saga do Assassino” — The Farseer Trilogy, em inglês. Sua autora, Robin Hobb, é pseudônimo da americana Megan Lindholm, antes vista no Brasil com um par de excelentes noveletas publicadas na Isaac Asimov Magazine: Contos de Ficção Científica. Como Robin Hobb, Lindholm se tornou um dos nomes dominantes da alta fantasia a partir de meados da década de 1990 (o romance é de 1995), juntamente com George R. R. Martin, David Farland (Dave Wolverton, também visto na IAM) e um par de outros.

    Robb lida com um único mundo de fantasia desenvolvido em três trilogias e um quarteto — the Farseer Trilogy, The Liveship Trilogy, The Tawny Man Trilogy e o quarteto The Rain Wild Chronicles, sendo que a primeira trilogia se relaciona com a terceira, e o quarteto com a segunda trilogia… Entendeu?

    FitzChivalry é o protagonista da trilogia Farseer. O romance abre com sua chegada a um fortim costeiro, ainda criança pequena, literamente deixado junto à porta da fortificação. Em seus primeiros anos ele é criado por um cavalariço, Burrich, mas logo descobre que, por ser o bastardo do herdeiro, deverá ser treinado para atuar como assassino secreto do rei — por um tio-avô também bastardo, o assassino da velha geração.

    A tradução é do português Orlando Moreira, adaptada. A LeYa fez a desastrosa opção de manter o hábito impertinente dos portugueses de traduzir nomes próprios e toponímicos. Assim, o pai de Fitz, Chivalry Farseer, aparece nesta edição como “Cavalaria”. Nome completo: “Cavalaria Visionário.” Em inglês, e possivelmente no português europeu, nomes a partir de adjetivos são muito comuns e neutros, mas o espírito gozador do brasileiro torna esse tipo de recurso inviável aqui. Ainda mais considerando que chivalry seria melhor traduzido como “cavalheiresco” ou “cavalherismo”. E por aí vai.

    Em Buckkeep (traduzido como “Cervo”), Fitz passa a ser treinado secretamente pelo tio-avô Chade, mas ao mesmo tempo precisa levar uma vida de aparência normal, de uma criança crescendo no castelo do rei, sendo aos poucos é admitido no círculo das damas da corte. Na vila portuária próxima, faz amizade com a menina Molly, o amor de sua vida. Desse modo ele vai construíndo uma outra medida ética, para além do serviço secreto prestado ao rei — e, preso entre as diversas forças envolvidas numa complexa intriga palaciana, passa a se aproximar da figura mais inquietante de toda a série: o misterioso Bobo da Corte.

    Ao mesmo tempo, Fitz se vê dividido entre dois poderes mágicos ou paranormais: o poder de comunicação à distância que faz parte da linhagem dos Farseers; e a habilidade de se identificar com a consciência de animais. O priemeiro poder é considerado elevado; o segundo, baixo, indigno — mas é o que traz maior satisfação ao caráter sensível e moralmente isolado de Fitz.

    No pano de fundo, uma invasão de saqueadores vindos de ilhas do norte, a maior ameaça à segurança dos habitantes dos Seis Ducados — perante a qual o poder telepático dos Farseers seria estrategicamente determinante. Mas os invasores trazem um grave dano colateral — uma magia capaz de transformar as pessoas locais em verdadeiros mortos-vivos, que se voltam contra os seus próprios entes queridos. Uma violenta agressão contra o próprio tecido da sociedade.

    As intenções dos invasores e do seu processo de zumbificação — chamado de “forja” — são desconhecidas, assim como os motivos da perseguição contra Fitz por alguns de seus parentes na corte permanecem sem um aprofundamento maior. Isso pode soar como um defeito, mas é uma das maiores virtudes de Hobin Hobb como escritora: a maldade ou o cruel antagonismo ao herói não precisam de justificativa ou caracterização complexa. Basta a autora nos fazer sentir que essa maldade envolve e determina a vida do herói, mesmo que seja motivada apenas pela mais básica mesquinharia ou trivial capricho. Não é assim na vida? As decisões que mais nos afligem são impessoais — medidas burocráticas, pacotes econômicos, especulações financeiras e manobras políticas que em momento algum nos enxergam como pessoas.

    Nisso Hobb também nos faz perceber que a exigiência de que a motivação dos vilões seja bem caracterizada não passa de uma convenção literária. Sua narrativa é tão ou mais efetiva pela subtração desse fator — e pelo investimento na motivação do herói em resistir e em permanecer fiel a si mesmo.

    Zumbis, identificação com animais — e os dragões que estão no passado dos Seis Ducados e no seu futuro, conforme a trilogia se desenrola… Às vezes esse universo ficcional de Hobb soa como se alguns de seus aspectos centrais fossem partilhados pela série Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin. Difícil explicar a razão dessa coincidência, já que os primeiros livros das duas séries apareceram quase que ao mesmo tempo (A Guerra dos Tronos, de Martin, é de 1996).

    As semelhanças param por aí, já que, enquanto o contínuo empenho de Martin em passar a perna no leitor quanto aos percalços do enredo e aos destinos de seus protagonistas mina as características dramáticas da sua obra, a atenção cuidadosa e o acompanhamento lento e aparentemente natural dos passos do seu herói geram envolvimento maior e ampliam a sua força trágica.

    Se em Martin a ação é muitas vezes frenética e a violência inesperada, em Hobb o leitor tem tempo de compreender e se afeiçoar aos personagens, gerando outro tipo de relacionamento com o enredo: não são as torções e as surpresas que fazer o leitor virar ansiosamente a páginas, mas as reações dos personagens e os efeitos dos fatos sobre seu caráter.

    Pardoxalmente, em Hobb o enredo — elemento da composição literária do qual o alto modernismo e o pós-modernismo fizeram questão de abandonar — alcança uma estatura própria: o leitor, sintonizado com os passos dos personagens, entra num jogo de antecipação dos cursos do enredo em que ele, leitor, torna-se co-criador dos sentidos do romance.

    A grande popularidade de Robin Hobb no mundo de língua inglesa é prova de que existem leitores capazes de apreciar uma narrativa mais lenta — e no meu ver mais humana e mais feminina — e nem por isso menos engajante.

    Eu li o livro em inglês, mas espero que você consiga superar a impertinência da tradução portuguesa e a infeliz escolha de capa, e mergulhar na alta fantasia de Robin Hobb, no meu entender, a melhor autora do gênero em atividade.

    –Roberto de Sousa Causo

    OBITUÁRIO

    Autor de um livro de contos de ficção científica, poeta haikai, jornalista e anfitrião de um programa de rádio sobre jazz, Marien Calixte morreu aos 78 anos em 25 de dezembro de 2013, de complicações da doença de Parkinson. Nascido no Rio de Janeiro em 1935, Calixte se tornaria um dos jornalistas e intelectuais mais associados ao Estado do Espírito Santo.

    Calixte contribuiu com seus contos para a vertente ufológica da nossa FC, com histórias ambientadas no seu estado de adoção, para se mudou aos 10 anos de idade. Em 1985, publicou o livro de contos de FC Alguma Coisa no Céu, com ilustrações de Wagner César Veiga. Seus temas eram contatos imediatos, a matemática como língua universal, e fenômenos do tipo “caidocéu”. Seu conto “O Visitante” (1977) venceu um concurso estadual no Espírito Santo e apareceu na importante revista Ficção, antes de ser incluído em Alguma Coisa no Céu – que teve uma segunda edição (com uma história a mais) em 1995 pelas Edições GRD, que na época tinha a única coleção de FC em atividade no Brasil. O livro também foi publicado na Itália como Sulla petra daí due Occhi. A segunda coletânea de Calixte, Contos Desiguais (2005), reuniu contos de fabulation e de absurdismo. “O Visitante” também foi publicado na Alemanha e incluído na minha antologia Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras (Devir; 2009). Um punhado de outras histórias permanece não reunidas.

    Calixte é creditado como sendo o primeiro escritor a escrever ficção científica no Espírito Santo. Se a FC de Calixte era ingênua em termos de tema e ciência, ele apresentava um dos melhores estilos dentro do campo. Deixou a esposa Therezinha Calixte, a filha Daniele e o filho Luiz Henrique, além de netos.

    http://terramagazine.terra.com.br/ficcaoespeculativa/blog/2013/12/29/2013-anuncia-nova-era-da-fantasia-no-brasil/

  7. Assis Ribeiro

    31 de dezembro de 2013 8:26 am

    Feliz Ano Novo aos colegas do blog

    Mensagem de Ano Novo

      

    Feliz Ano Novo

  8. Ricardo sousa

    31 de dezembro de 2013 8:49 am

    A arrogância de um magistrado e as redes sociais

    Bom dia caro Luis Nassif . Sou leitor assíduo do seu blog e venho utilizar esse espaço para relatar um fato ocorrido em Natal – RN ,no último domingo e que retrata com muita clareza o nível de afastamente que os juizes e desembargadores tem da realidade social e da boa convivência com cidadania. Vamos ao fato. 

    Domingo pela manhã , na ensolarada Natal , várias pessoas tomam café na padaria MERCATTO , um dos mais bonito e  aconchegante espaço para uma boa refeicão matinal na minha cidade . Pessoas das mais variadas atividades se encontram nesse local . Nesse domingo especialmente a casa astava lotada , pois estamos em final de ano e vivemos  uma época de reencontro e confraternização familiar . 

    Em uma das mesas encontr-se o desembargador Dilermano Mota , futuro presidente do TRE , juntamente com sua família e amigos. O filho do magistrado pede água e o mesmo pede gelo . O garçon que procurava atender da melhor forma as várias mesas ocupadas , procura cumprir sua missão , no entando a altoridade reclama que  queria a água em copo de vidro e que ele não tinha trazido o gelo . O funcionário se afasta para refazer ou melhor contornar o problema e é sequido pelo desembargador que aos gritos humilha o rapaz ,exige que o mesmo olhe em seus olhos , afirma que é uma altoridade  sdiz que pode prendêl- lo , e na frente de todos  ,  dá um show de autoritarismo , falta de educação , falta de respeito ao próximo e muito mais requisitos que são indispensáveis a um cidadão e  fundamentais a um operador da justiça. 

    Um cidadão  que se encontrava na mesa vizinha , se revolta com o fato , e imediatamente intervém e protesta aos gritos  afirmando que não aceitaria esse tipo de atitude de humilhação  a que estava sendo submetido o garçom . Nesse momento várias pessoas já filmavam o ocorrido e a situação estava cada vez mais séria.

    O magistrado disse que iria prender o cliente e chamou a polícia . Em pouco tempo caro Nassif , quatro viaturas , isso mesmo quatro viaturas vieram cumprir a missão . O desembargador aos gritos exigia a o oficial que prendesse o cidadão , no entanto os clientes se rebelaram e em coro disseram que que deveria ser preso era o sr juiz , ao ponto de uma senhora se abraçar com o cidadão e afirmar ao policial que ” se for prendê-lo , vai me prender também”. A cena de autoritarismo ocorrria agora  do lado de fora , onde o desembagador afirmava ao tenente que tinha sido desacatado ao mesmo tempo que o chamava de “cagão” por não cumprir sua ordem. 

    Acuado mais protegido por uma rede de cidadania o cliente ficou dentro do estabelecimento e com a ajuda de alguém  saiu do local.

     Ai começou o outro lado da história. As deploráveis cenas se alastraram nas redes sociais , a sociedade  se solridarizou com o sr Alexandre Azevedo . Empresário de 44 anos , que só depois do ocorrido veio saber quem era a pessoa que tinha enfrentado . Recebeu apoio e emitiu uma nota , em que relata o fato . O desembargador ,sentiu o golpe da velocidade da infrmação e tentou se explicar , minimizando o ocorrido com o funcionário e atribuindo o ocorrido a forte reação e destempero do cliente.  A padaria emitiu um comunicado  vaselinado em que disse tudo para ficar em cima do muro e não se comprometer. 

    A comunidade Natalense em peso apoia o garçom da Mercatto , que foi colocado de folga para descansar enquanto a poeira baixa.

    Mais umtrite episódio protagonizado pelos imperadores da justiça , que se acham mais importantes  do que todos . No entato a sociedade a cada dia se revolta com essas atitudes e reage mostrando que já não suporta esses atos .

     Um grande abraço e feliz ano novo.

     

     

     

     

     

     

     

    1. alexis

      31 de dezembro de 2013 9:30 am

      Mais Informações

      Nota do empresário Alexandre Azevedo:

      “A respeito do incidente na Padaria Mercatto, envolvendo o Des. Dilermano Mota, ocorrido no último domingo (29/12/2013), venho a público externar a minha versão, objetivando esclarecer os fatos.

      Por volta das 10 hs, estávamos, eu e minha esposa, lanchando na Padaria quando presenciamos um senhor, que até então não sabia de quem se tratava, levantar-se bruscamente de sua mesa e ir de encontro ao garçom que acabara de servi-lo. Este senhor, aos gritos, no meio do salão, dizia ao garçom que este não o havia atendido direito, deixando de colocar gelo em seu copo, e gritava pelo gerente, exigindo que o punisse naquele momento, e ele queria presenciar. Não satisfeito com esse escândalo, este senhor puxou o garçom pelo ombro e exigiu que lhe olhasse nos olhos e o tratasse como Excelência, e disse que deveria “quebrar o copo em sua cara”. Tal fato foi testemunhado por dezenas de pessoas que ali se encontravam.

      Presenciando aquela agressão injustificada, eu me levantei e intervi, dizendo ao senhor que ele não poderia fazer aquilo; não poderia humilhar alguém que estava ali para servir. Nesse momento, o senhor se voltou contra mim, chamando-me de “cabra safado”, “endiabrado”, “endemoniado”, que “merecia ser preso”, chegando, inclusive, a pegar uma cadeira e dizer que iria “quebrar minha cara”, tendo sido contido por várias pessoas. Eu repudiei a conduta deste senhor veementemente, perguntando quem ele pensava que era e se não tinha vergonha de ofender seus semelhantes daquela forma.

      O Desembargador Dilermano Mota, identificando-se como tal, acionou a Polícia Militar, que deslocou imediatamente quatro viaturas para atender o chamado, tendo, o oficial que atendeu a ocorrência, depois de sondar as dezenas de pessoas que se aglomeravam no salão da Padaria, identificado a inexistência de qualquer crime cometido por mim. Em razão dos policiais não terem me prendido, o desembargador, aos gritos, adjetivou-os de “um bando de cagão”.

      Devo deixar claro que não conhecia o Desembargador, tampouco o garçom. A minha atitude de revolta e indignação ao presenciar uma profunda injustiça foi a de um cidadão consciente, como todos devem ser. E teria a mesma reação, ainda que não se tratasse de um magistrado. Quem quer respeito, se dá o respeito. Finalizo citando Darcy Ribeiro quando dizia “só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca”.

      1. pratinha

        31 de dezembro de 2013 9:51 am

        Os donos do poder

        Olha o Joaquim Barbosa fazendo escola! Parabéns por sua atitude. Ele é Magistrado enquanto num tribunal ou qdo em serviço. Em sociedade é um cidadão comum. Não está acima do bem e do mal.

  9. Assis Ribeiro

    31 de dezembro de 2013 9:38 am

    Na trilha das indicações de livros

    Le Monde diplomatique – Edição 77 – Dezembro 2013

     

    RESENHAS

    Imobilismo em movimento
    Marcos Nobre, Ed. Companhia das Letras
     

    A principal virtude do livro é a construção da categoria histórica do pemedebismopara explicar a estruturação e blindagem do sistema político brasileiro na transição democrática de 1979 até hoje. O pemedebismo, como define o autor, não é um fenômeno relativo exclusivamente ao PMDB, ainda que a legenda tenha sido protagonista de sua gestação. Corresponderia à lógica essencialmente conservadora das disputas partidárias no Brasil.

     A partir de 1979, a abertura ao pluripartidarismo produziu o temor, entre lideranças do então MDB, da perda do monopólio da oposição. Para evitar fragmentações, o PMDB se constituiu em torno de um princípio essencial e uma forma organizativa. O princípio essencial, identificado por Nobre como uma “cultura política de baixo teor democrático”, era o controle vertical de uma transição conservadora, que bloqueasse toda participação popular direta. Para isso, sua forma organizativa abrigou grupos diferentes sob a mesma legenda, partícipes de um sistema de vetos recíprocos.

    Criado internamente ao PMDB, tal sistema de vetos se externalizou durante a atuação do Centrão na Constituinte de 1988 e se converteu na lógica do sistema político nacional. O autor traça, assim, a história da redemocratização do país tendo como fio condutor as chantagens tipicamente pemedebistas que marcam a relação do Legislativo com o Executivo, enfocando os sucessivos ciclos de subordinação do PSDB e do PT à sua lógica. Um ponto frágil do livro é o déficit conceitual no que diz respeito à noção de “desenvolvimento”.

    O autor emprega os termos “nacional-desenvolvimentismo” e “social-desenvolvimentismo” com notável imprecisão, comprometendo uma parcela de sua proposta. Ainda assim, nos ajuda a enxergar as revoltas de junho de 2013 em perspectiva: uma eclosão antipemedebista, quando a sociedade rechaçou todo um sistema político blindado à sua participação.

    Joana Salém Vasconcelos
    Formada em História na USP e mestra em Desenvolvimento Econômico pela UnicampA política pública como campo multidisciplinar
    Eduardo Marques e Carlos Aurélio Pimenta de Faria (orgs.), Ed. Editora Fiocruz e Editora Unesp

    As políticas públicas são cada vez mais complexas, envolvendo diversidade temática, grande número de atores estatais e não estatais e públicos variados. Especialmente no contexto brasileiro, federativo, multipartidário, heterogêneo e desigual, entender o processo de produção das políticas e suas consequências não é uma tarefa trivial. As análises devem compreender as dinâmicas do Estado, mas ir além, considerando as múltiplas dinâmicas societais e as motivações para os comportamentos, ao longo de processos históricos.

    Como compreender as políticas públicas senão a partir de múltiplos olhares disciplinares? A coletânea reforça essa perspectiva, trazendo um excelente panorama da contribuição de diferentes campos do saber. Ao longo do livro, formado por textos inéditos de especialistas, percorremos abordagens de distintas disciplinas sobre as políticas públicas, tanto aquelas envolvidas diretamente em sua análise (Ciência Política, Administração Pública e mesmo Sociologia e Relações Internacionais) como as que contribuem com modelos e categorias analíticas, explicações para o comportamento de indivíduos e grupos (Sociologia, Antropologia e Psicologia), ou fornecem subsídios para sua produção (Direito e Demografia). Há ainda o caso da História, que tem parte de seu arcabouço conceitual apropriado por outras disciplinas para o entendimento da área.

    Os organizadores nos alertam que o “estado da arte” do campo é ainda mais “multidisciplinar” – com contribuições de diversas áreas sem profunda interligação das disciplinas – do que um diálogo interdisciplinar, quanto mais “transdisciplinar”, no sentido da criação de uma macrodisciplina de análise de políticas públicas. Por isso, essa coletânea torna-se um ponto de partida ideal para a transição dos “monólogos disciplinares” em direção a uma maior “competência conversacional” entre os diversos campos do saber que analisam nossas políticas públicas.

    Renata Bichir
    Professora do curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP.A aventura de contar-se: Feminismos, escrita de si e invenções da subjetividade
    Margareth Rago, Ed. Editora da Unicamp

    A mais recente obra de Margareth Rago aborda a história de algumas vidas singulares e extraordinárias: sete feministas narram suas descobertas, experimentações, desejos e o que precisaram deixar para trás em nome de uma liberação feminina urgente para sua geração. Nascidas na década de 1940 e muito diferentes entre si, elas são unidas por suas marcantes experiências éticas e por uma vinculação à esquerda, ainda que tenham rompido com a militância político-partidária e criado novas práticas subjetivas e políticas.

     

    Rago destaca as histórias das irmãs Amélia Teles e Criméia Schmidt, fundadoras da União de Mulheres de São Paulo, ativistas e membros da Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos da ditadura militar brasileira. Também contempla as biografias de Gabriela Leite, líder da Davida, organização pioneira em promover a cidadania das prostitutas, que tece críticas às práticas misóginas do cotidiano, e de Ivone Gebara, teóloga que reinventa a relação com a religião católica, criticando dogmas patriarcais.

    Relê ainda as trajetórias de Maria Lygia Quartim de Moraes, socióloga que investiga os feminismos brasileiros indicando espaços de sensibilidade e de ruptura com o instituído, e de Tânia Swain, intelectual que frisa a importância da transformação de nossas práticas epistemológicas e teóricas para ressaltar outras dimensões do humano. Por fim, relata a vida de Norma Telles, antropóloga e pesquisadora das artes e da literatura de mulheres, que evidencia o potencial libertário dos atos de criação.

    Ousadas, subversivas e corajosas, essas mulheres nos convidam às aventuras cotidianas, muitas vezes sutis, nas quais subjaz o contínuo trabalho de constituição de si e de criação de novos modos de existência. Pela trama intensa e acurada de Rago nos aproximamos da história do feminismo no Brasil, compreendendo seus fortes aspectos de liberdade e ética. 

    Luana Tvardovskas
    Doutora em História pela UnicampReligião e política: Uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil
    Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes , Ed. Fundação Heinrich Böll e Instituto de Estudos da Religião (Iser)

    O crescimento político dos grupos evangélicos no espaço público brasileiro é um fenômeno que vem sendo percebido e enfrentado numa intensidade crescente nos últimos dez anos pelos movimentos sociais de direitos humanos, em especial os feministas e LGBT, cujas lutas históricas se tornaram alvos prioritários dos ataques conservadores nessa disputa.

     

    Leitura fundamental para a compreensão e problematização desse cenário, o livro resulta de extensa pesquisa sobre a atuação da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional. Com base no estudo dos casos do debate sobre o aborto na campanha presidencial de 2010 e do cancelamento do programa Escola Sem Homofobia, do Ministério da Educação (2011), a pesquisa nos dá a dimensão e a profundidade da relação cada vez mais forte, explícita e comprometedora entre alguns grupos religiosos e a política partidária no país.

    O sentido em disputa da laicidade do Estado, a aproximação política entre católicos e evangélicos e as estratégias de fortalecimento e ocupação de espaços políticos que vêm sendo adotadas por esses grupos são debatidos e exemplificados no livro. Trata-se, segundo os autores, de táticas para a condução de um projeto político evangélico que se sustenta “na forma de relação estabelecida pelos atores religiosos com o Estado e com traços da nossa cultura” (p.169).

    Histórico preciso e mapa consistente da atuação evangélica na política, o livro possibilita reflexões que merecem a atenção dos movimentos sociais: primeiro, a envergadura desse projeto político – seus significados e desdobramentos. Segundo, a ideia de uma “cosmologia cristã dominante” no Brasil, que criaria um terreno fértil para o fortalecimento desses grupos políticos junto à sociedade, em torno de alguns temas cuidadosamente selecionados (aborto e direitos da população LGBT, especificamente). São elementos inescapáveis para a avaliação do cenário político que se avizinha com as eleições presidenciais de 2014.

    http://www.diplomatique.org.br/resenhas.php?edicao=77

     

  10. Antonio Carlos Silva - RJ

    31 de dezembro de 2013 9:48 am

    Carta de Ano Novo a três

    Carta de Ano Novo a três camaradas

    A José Dirceu, José Genoino e Delubio Soares

    Nasci em uma família na qual a palavra camarada sempre representou o valor supremo das relações humanas. Seu significado vai além de qualquer trato protocolar ou laço de sangue. Camarada é irmão de trincheira, parceiro de sonho, companheiro por quem se põe incondicionalmente a mão no fogo.

    Tenho orgulho, como milhares de outros brasileiros, em podê-los chamar de meus camaradas. Nestas últimas horas do ano que se encerra, apropriadas para se pensar nas batalhas travadas e nas que ainda virão, esse sentimento de fraternidade e solidariedade é uma resposta ao partido do ódio e da covardia.

    Vocês pagam o preço mais alto pela reação da oligarquia contra os que lutam pela emancipação de nosso povo. Derrotadas nas urnas desde a ascensão do presidente Lula, as forças conservadoras buscam incessantemente um atalho para deslegitimar a esquerda e recuperar o terreno perdido. Não é outra a razão de seu empenho para forjar a Ação Penal 470.

    A partir de erros reais cometidos pelo Partido dos Trabalhadores, originários de um sistema político-eleitoral financiado pelo capital privado, fabricou-se uma das maiores farsas jurídicas da história de nosso país. Os setores mais retrógados da velha mídia e da corte suprema, de forma arbitrária e contra provas, deram curso a um processo de exceção.

    Não há novidade neste estratagema. Da cabeça enferma do capitão integralista Olímpio Mourão Filho, depois general golpista em 1964, nasceu o Plano Cohen, nos idos de 1937, para justificar o Estado Novo e o banimento dos comunistas. O conservadorismo não esconde sua frustração pelo truque, dessa vez, não ter funcionado a contento. O chamado “mensalão”, afinal, não foi capaz de contaminar a vontade popular, apesar de ter golpeado duramente o PT.

    Não tenho dúvidas que, mais cedo ou mais tarde, esta farsa terá o mesmo destino que outras fantasias reacionárias do mesmo naipe, como o Caso Dreyfus ou o Incêndio do Reichstag. A verdade acabará por prevalecer, desde que se lute incessantemente por seu restabelecimento. Foi dessa maneira que o tenente Alfred Dreyfus terminou inocentado da acusação de ter traído seu país. Também foi o bom combate que desmanchou a mentira sobre o papel do líder comunista Georgi Dimitrov nas chamas que consumiram o parlamento alemão, durante os primórdios da ditadura nazista.

    O espírito de vingança e perseguição, que nutre o comportamento dos principais autores da AP 470, talvez seja um sinal que não está tão longe o dia no qual esta fraude estará definitivamente desmascarada. A raiva dos tiranetes, togados ou midiáticos, engravatados ou fardados, costuma ser a expressão reversa do medo de se verem nus, flagrados em suas manobras e intenções.

    Esta gente gostaria de tê-los dobrados e cabisbaixos, apequenados como quem aceita a culpa e renega a identidade. Os punhos erguidos diante da Polícia Federal foram o símbolo maior de que a estatura histórica e moral dos camaradas presos é infinitamente superior a de seus algozes.

    Aquela cena será a mais cálida lembrança do ano para inúmeros homens e mulheres que formam nas fileiras progressistas. O gesto de quem responde à dor e ao sacrifício com vontade inquebrável de resistir. De quem jamais se entrega.

    Vou ficando por aqui. A vocês três, um grande abraço. Com votos de um bom ano novo para todos nós, queridos camaradas, cheio de saúde e esperança.

    Breno Altman
    31 de dezembro de 2013

    1. pratinha

      31 de dezembro de 2013 9:57 am

      Endossando

      Breno, se você me permite, assino embaixo.

      Titina

  11. Tenente Aldo Raine

    31 de dezembro de 2013 9:57 am

    Caro Luis,ontem não me foi

    Caro Luis,ontem não me foi permitido,hoje quem sabe?Refiro-me a comentários que fiz sobre a hipótese da candidatura de Joaquim Barbosa,que foram levados a lâmina(aqui não seria o espaço para temas livres e variados?),candidatura esta que já se tornou obsessão da Globo,e me permito a listar os motivos que o levaria a não topar:1)O julgamento do tal mensalão,sem maiores delongas,se confirmaria como um julgamento político com fins nitidamente eleitoreiro.E tudo com que o PT sonha,pois o tornaria passível de nulidade;2)Seu temperamento irascível o levaria a ser massacrado no primeiro debate televisivo;3)Teria que responder a perguntas que só a formulação delas seriam fatais a sua candidatura;4)Qual o partido o abrigaria;5)Tempo de televisão,não vejo como ter;6)Fatalmente,seria rotulada de aventureira como bem disse Fernando Henrique.Poderia até citar mais alguns,mas me parece serem esses os mais relevantes.Alem de lhe pedir que não o leve a lâmina,o tema mereceria de você um daqueles bons comentários que costuma fazer.Ah,já que estamos falando de candidaturas presidencial,lá na sua adolescência em Poços,imagino,seu Oscar,depois do almoço,na varanda de sua casa,ter feito o seguinte comentário,especialmente para você e Maria Inês,que ele já sabia levar jeito para a coisa”eta candidatozinho vagabundo esse que o Valadares me arranjou para votar,arre égua”.Voce sabe de quem estou falando meu caro e nobre Luis Nassif.

  12. Tamára Baranov

    31 de dezembro de 2013 10:56 am

    Para metade do mundo, 2014 será ‘melhor’, diz pesquisa

    BBCBrasil.com

    Quase a metade do mundo acredita que 2014 será melhor do que o ano que termina, pelo que indica uma pesquisa que ouviu mais de 60 mil pessoas em 65 países.

    Desde 1977, a pesquisa de opinião de fim de ano da Win/Gallup pergunta a pessoas ao redor do mundo se elas estão mais otimistas em relação ao ano que chega.

    Neste ano, a consulta revelou que 48% dos entrevistados acham que 2014 será melhor do que 2013; 28% acham que será igual, 20% acham que será pior e 5% não sabem ou preferiram não responder.

    O número de pessoas com uma visão otimista para o ano que começa tem sido o mais alto desde 1990, o último ano em que mais pessoas previram um ano pior adiante.

    Entre os cerca de 2 mil brasileiros entrevistados, o percentual dos que acreditam que o ano de 2014 será melhor do que 2013 é bem mais alto do que a média internacional, 57%, contra 14% que acham que será pior; 24% acham que será igual, 5% não sabem ou preferiram não responder.

    A pesquisa Win/Gallup também verificou a percepção de felicidade dos entrevistados, e constatou que 60% destes se sentem “felizes”, contra 12% que se dizem “infelizes”.

    No Brasil, o percentual de consultados que se dizem felizes sobe a 71%. Os mais felizes, porém, são os habitantes de Fiji, onde 88% se declaram em tal condição.

    A população também se mostrou bastante “feliz” em países como Colômbia (86%), Arábia Saudita (80%), Finlândia (78%) e Argentina (78%).

    Os números mais altos de “infelizes” estão na Tunísia (48%), Territórios Palestinos (43%), Líbano (38%) e França (33%).

    Ao todo, o Win/Gallup ouviu 67.806 pessoas, pessoalmente e por telefone, entre setembro e dezembro de 2013. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

    Declínio do Estado

    Desde 1977, a pesquisa verificou uma tendência de ascensão no otimismo dos entrevistados, com algumas variações, como a “alta” observada em 2004-5.

    O vice-presidente do Win/Gallup International, Ijaz Gilani, diz que o declínio global no papel do Estado tem aumentado a “sensação de poder” do cidadão comum, o que explicaria o otimismo.

    A enquete também sugere que o otimismo em relação a 2014 não está necessariamente associado a prosperidade econômica: em todo o mundo, 32% acham que haverá mais prosperidade do que em 2013, enquanto 30% pensam que haverá redução, de acordo com Win/Gallup.

    No caso do Brasil, 49% acreditam em aumento da prosperidade em 2014, contra 21% que acreditam em piora do quadro econômico.

    Embora a maior parte dos consultados eleja o próprio país como morada preferencial, quando questionados em que lugar gostariam de morar caso pudessem viver em outro país, 9% dos entrevistados elegeram os Estados Unidos (o país isoladamente com a maior preferência), seguidos por 7% que gostariam de ir para a Austrália.

    O Brasil foi o escolhido de apenas 1% do total dos entrevistados; por outro lado, foi escolhido por 6% dos entrevistados argentinos, 10% dos libaneses e 13% dos mexicanos.

    Se o sonho americano faz a cabeça de muita gente mundo afora, por outro lado os Estados Unidos aparecem como principal ameaça à paz internacional, com 24% das menções dos entrevistados.

    Mesmo países vizinhos, como México (37%) e Canadá (17%) – e os próprios americanos (13%) – compartilham dessa mesma visão.

    O Paquistão está em segundo lugar nas “ameaças globais”, o que pode ter uma explicação regional – 15% da população mundial vivem em seu vizinho e arquirrival, a Índia.

    A sondagem também perguntou se o mundo estaria melhor se mais políticos fossem do sexo feminino.

    Quase 50% dos entrevistados disseram que não faria diferença. Na maioria dos países de maioria muçulmana, é alto o ceticismo quanto à possibilidade de as mulheres fazerem um trabalho melhor.

    Japão, Quênia e Tailândia, que atualmente têm uma mulher como primeiro-ministro, também são bastiões da dúvida. Mas a Colômbia lidera uma série de países da América do Sul que pensam que as mulheres podem fazer do mundo um lugar melhor.

    No Brasil, 41% acham que as mulheres fazem diferença na política, contra 45% que dizem não haver diferença. E apenas 9% dizem que é pior com elas no poder. Na vizinha Argentina, os percentuais são, respectivamente, 21%, 63% e 7%.

    Na Colômbia, as mulheres estão em alta: 63% acreditam que, com elas no poder, o mundo seria melhor, o mais alto percentual no planeta.

    http://noticias.terra.com.br/brasil/para-metade-do-mundo-2014-sera-melhor-diz-pesquisa,4692d54121633410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

  13. Muchacho

    31 de dezembro de 2013 11:01 am

    Roda Viva Chico de Oliveira

    http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/roda-viva-francisco-de-oliveira-30-12-2013

    Ontem assisti ao roda viva com Chico de Oliveira e alguns recortes me chamaram a atenção:

    – o entrevistado ainda é muito ressentido, afirmou que Lula foi mediocre, uma mera continuidade de FHC (durma-se com o barulho das  quebradeiras daquele período e a grande crise economica e social vivida versus a estabilidade atual);

    – o entrevistado parece ter “aderido” a algumas teorias do PIG, como classificar os regimes de concessão/partilha petistas no mesmo patamar da privataria tucana; 

    – nítido seu desconforto qdo confrontado por Paul Singer (teoria da continuidade) e pelo escritor Ferrez (relevancia do bolsa família e sua paternidade)

    – o mediador Augusto Nunes parecia espumar ao não poder se comportar como faz no seu blog de esgosto.

    – enfim, não foi um roda morta como de costume, mas uma roda semi-viva.

  14. jns

    31 de dezembro de 2013 11:12 am

    A Universidade da Adversidade

    Os obstáculos e os fracassos são os degraus e os elementos chave do sucesso.

    Harvey Mackay, autor do best seller ‘Swim with the sharks, without losing your shirt’

    Um homem estava andando no parque, quando ele se deparou com um casulo com uma pequena abertura. Ele observou, por várias horas, a borboleta que forçava, com seu corpo, a passagem através da pequena abertura do seu casulo. Em um determinado momento, ela parou de fazer qualquer progresso. Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia e, por isso, o homem decidiu ajudar a borboleta. Ele usou o canivete, cortou e abriu o casulo.

    A borboleta saiu facilmente, mas havia algo de estranho: a borboleta tinha um corpo murcho e as asas encolhidas. O homem continuou a observar a borboleta, aguardando que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem, para serem capazes de voar, suportando o corpo que iria se afirmar a tempo. Mas nada aconteceu e, na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com um corpo murcho e, com as asas deformadas, nunca foi capaz de voar.

    O que o homem – em sua gentileza e vontade de ajudar – não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço era necessário para a borboleta sair do casulo era natural. Foi a maneira da natureza forçar o fluido de seu corpo para as suas asas de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre. Às vezes, a superação é justamente o que precisamos em nossas vidas.

    Se formos passarmos pela vida sem nenhum obstáculo, ficaríamos aleijados e não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido: e nós nunca poderíamos ‘voar’.

    A história mostra que os vencedores mais célebres, geralmente, encontram obstáculos devastadores antes que possam triunfar. Eles venceram porque se recusaram a see desencorajados por suas derrotas.

    Meu bom amigo, Lou Holtz , treinador de futebol da Universidade da Carolina do Sul, uma vez me disse: “Mostre-me alguém que tenha feito algo de valor e eu lhe mostrarei alguém que superou a adversidade.”

    Beethoven compôs suas maiores obras depois de se tornar surdo. George Washington sobreviveu em meio de um inverno traiçoeiro em Valley Forge. Abraham Lincoln foi criado na pobreza. Albert Einstein foi chamado de aprendiz lento, retardado e ineducável​​. Se Cristóvão Colombo tivesse retornado da sua aventura náutica, ninguém poderia tê-lo culpado, considerando-se a constante adversidade ele suportou .

    Como um estudante elementar, o ator James Earl Jones (o Darth Vader) gaguejava tanto que ele se comunicava com amigos e professores, utilizando notas escritas .

    Itzhak Perlman, o violinista incomparável, nasceu de pais que sobreviveram a um campo de concentração nazista e era paralítico, da cintura para baixo, desde a idade de quatro anos.

    Chester Carlson, um jovem inventor, levou a sua idéia para 20 grandes corporações em 1940. Após sete anos de rejeições, ele foi capaz de persuadir a Haloid, uma pequena empresa, em Rochester, NY, a comprar os direitos sobre o seu processo de cópia eletrostática em papel. A Haloid desde então se tornou a Xerox Corporation.

    Thomas Edison (foto) tentou mais de 2.000 experimentos antes de atingir aluz com a sua lâmpada brilhar. Ao ser perguntado como se sentia sobre ter falhado tantas vezes, ele respondeu: “Eu nunca falhei uma única vez… eu inventei a lâmpada em um processo que passou a ser de apenas 2.000 passos. “

    Franklin Delano Roosevelt, eleito presidente dos Estados Unidos por quatro mandatos, foi acometido de poliomielite.

    A persistência valeu a pena para o general Douglas MacArthur. Depois de se inscrever para a admissão em West Point, por duas vezes, ele aplicou uma terceira vez e foi aceito. O resto é história .

    Em 1927, o instrutor chefe da Escola de Teatro John Murray Anderson, recomendou ao estudante Lucille Ball: “tente qualquer outra profissão; qualquer outra.”

    Buddy Holly foi demitido da gravadora Decca em 1956 por Paul Cohen. Cohen chamou Holly de ‘o maior sem-talento com quem já trabalhei.”

    O vencedor do Oscar, escritor, produtor e diretor Woody Allen não conseguiu avançar no curso de cinema na New York University (NYU ) e no City College de Nova York. Ele também foi reprovado em Inglês na Universidade de Nova York.

    Helen Keller, o famoso autor cego, disse: “O caráter não pode ser desenvolvido na facilidade e na tranquilidade. Somente através da experiência de tentativas e sofrimentos, a alma pode ser reforçada, a visão clarificada, a ambição inspirada e o sucesso alcançado. A prata é purificada no fogo e nós também. É nos momentos mais difíceis que o nosso verdadeiro caráter é moldado e revelado”.

    Moral de Mackay: “Não há educação superior a da Universidade da Adversidade.”

    [video:http://youtu.be/W33YYUD3zmI%5D

  15. alexis

    31 de dezembro de 2013 11:17 am

    UM SONHO: AS UNIVERSIDADES E O ESPORTE

    Diego Hipólito chorando e pedindo desculpas aos seus patrocinadores; crise do pânico de uma nadadora brasileira; a saltadora de vara que não quis saltar e, recentemente, o bastão que cai da mão, no revezamento do 4×100. São imagens do Brasil olímpico, do Brasil atlético. Brasil cria status de “desportista-artista” apenas a uns poucos, que ganham muito, deixando a enorme maioria da população apenas na arquibancada e na telinha da TV. E em 2016?

    Dinheiro de patrocínio – às vezes público – jogado no imediatismo e em pessoas específicas não melhora o nível esportivo e, por tanto, a imagem do Brasil. Se o atleta perde, é dinheiro fora. Se ganha, também é jogado o dinheiro fora, pois o sucesso é passado à comunidade nacional como um assunto individual, de quem quer surgir sozinho na vida correndo ou lutando e, espera-se, no máximo, que surja mais um talento individual, a cada geração.

    O sucesso esportivo de determinadas nações se explica principalmente pelo planejamento e a visão nacional e coletiva do assunto e não na aposta em determinados “cavalinhos” ou pela luta imediatista de poucas medalhas para hoje e nenhuma para amanhã. O esporte-show, alavancado pela mídia, é baseado em ídolos individuais e milhões de fãs anônimos, estáticos, sentados frente à TV bebendo cerveja. O esporte amador e coletivo não apenas é executado por muita gente, mas também praticado massivamente em colégios e escolas.

    Se o mesmo dinheiro hoje gasto pelo poder público em patrocínios individuais da Caixa, Petrobrás e do BB, entre outros, fosse canalizado para as universidades federais, poderiam ser construídos centros esportivos, com estádios, piscinas, quadras, etc., campeonatos universitários – em nível nacional – amadores, em dezenas de atividades “olímpicas”, caça de talentos pelas próprias universidades nos colégios e escolas da região, incentivos e becas de estudo aos bons esportistas da comunidade, associando esporte, nação e educação numa única equação.

    As universidades federais teriam que contar com Departamento de Esportes, além da carreira de Educação Física, para administrar e desenvolver atividades esportivas (campeonatos mirins regionais, com finais nacionais) nos colégios e escolas da região, assim como a formação de monitores esportivos.

    Acredito que um campeonato feminino de futebol universitário, e de outros esportes, geraria a base e o interesse das gerações em determinados modalidades, para aí sim, passarem ao “profissional” se o ambiente profissional o permitir ou desejar. Vejam, no caso atual, como a geração da Marta desaparece gradativamente sem ter conseguido levar esta modalidade para sua prática ao longo do país.

    Esportes amadores sem FIFA nem CBF, sem cartolas, sem salários milionários, mas com juventude sadia. Com as universidades chegando até a raiz do inicio da formação cívica e física de cada pequeno brasileiro que nasce a cada dia.  Deste modo o Estado atua como indutor e trabalha no aspecto amador do esporte, que tantas satisfações têm dado a muitos países, inclusive nos EUA, onde o ambiente universitário dá cobertura a todos estes esportes.

  16. Tenente Aldo Raine

    31 de dezembro de 2013 12:14 pm

    Querido Luis,mesmo você me

    Querido Luis,mesmo você me guilhotinando mais uma vez,fico intrigado por não saber  o por que?Quem sabe,no próximo ano,você me presentei com o Manual do Blog Do Nassif ,o que pode e o que não pode.Briincadeiras a parte,quero aproveitar para lhe desejar a você sua família,especialmente seu tesouro,que são suas meninas,como carinhosamente a elas se refere,os meus melhores votos de um feliz ano novo repleto de realizações,saúde e paz.Jornalista como você engrandece essa partidarizada mídia brasileira.E o que sinceramente lhe desejo,e peço- lhe desculpas por algum ponto fora da curva.Feliz Ano Novo,do fundo do meu coração  meu caro e meu nobre Luis Nassif .

     

  17. jns

    31 de dezembro de 2013 12:23 pm

    Os Mandatários Americanos Sem a Máscara

    A Avaliação dos Presidentes Americanos de Acordo com Visão Privilegiada dos Agentes do Serviço Secreto

    Os trechos postados neste comentário foram destacados do livro de Ronald Kessler “In the President’s Secret Service”.

    In-the-presidente-s-Secret-Service-Kessler-Ronald-9781400113125

    Parece haver um conservadorismo exacerbado nos comentários, mas, além disso, eles trazem um pouco de informação para a reflexão sobre o verdadeiro caráter das nossas autoridades máximas.

    Estas são algumas observações interessantes feitas com base na visão privilegiada dos agentes do Serviço Secreto que foram designados para proteger o presidente e suas famílias. As fofocas secretas(?) revelam o verdadeiro caráter e a personalidade dos Presidentes, das primeiras-damas e dos vice-presidentes que serviram no cargo desde 1960.

    JOHN & JACQUELINE KENNEDY

        * O namorador da mais alta ordem. *

    John and Jackie Kennedy

        * Ela solicitou a ajuda da cozinha para salvar todas as sobras do vinho oferecido durante um jantar de Estado, misturou com o vinho fresco e serviu, novamente, durante a próxima ocasião na Casa Branca. *

    LYNDON & LADYBIRD JOHNSON

       * Outro inveterado namorador. Além disso, LBJ era muito grosseiro. Ambos, JFK e LBJ, mantinham um monte de mulheres na Casa Branca para assuntos extraconjugais e ambos tinham criado sistemas de alerta preventivos para alertá-los, se e quando as suas esposas estavam nas proximidades. Ambos eram homens que possuíam grande apetite sexual e promíscuos. *

        * Ela era ingênua ou apenas fingiu não saber sobre muitas ligações amorosas de seu marido. *

    RICHARD & PAT NIXON

        * Um homem “de moral” , mas muito estranho, estranho e paranóico. Ele tinha um relacionamento horrível com sua família e era quase recluso. *

    http://www.post-gazette.com/image/2013/10/17/Richard-and-Pat-Nixon.jpg

        * Ela ficava em silêncio a maior parte do tempo. *

     SPIRO AGNEW

        * Um homem decente e agradável. Todos no Serviço Secreto ficaram surpreendidos com a sua demissão. *

    http://retroonline.it/wp-content/uploads/2013/10/10-ottobre-1973-Spiro-Agnew-lascia-vicepresidenza-USA.jpg

    [ Agnew pediu demissão, em 10 de outubro de 1973, depois de ser acusado de ser acusado de sonegação e condenado a pagar uma multa de US $ 10.000 pelo Tribunal de Baltimore. ]

    GERALD & BETTY FORD

        * Foram verdadeiros cavalheiros e trataram o Serviço Secreto com respeito e dignidade. Ele tinha um grande senso de humor. *

    Betty Ford, left, and then-president Gerald Ford are shown in 1975. | AP Photo

        * Ela bebia muito! *

     JIMMY & ROSALYN CARTER

        * Um falso completo que retratava uma imagem, ao público, muito diferente de si mesmo na vida privada. Ele era mostrado carregando a sua própria bagagem, mas as malas estavam sempre vazias. Ele mantinha as malas vazias apenas para fazer fotos . Ele queria que as pessoas o vissem como piedoso e um abstêmio, mas ele e a sua família bebiam muito álcool. Ele desdenhava do Serviço Secreto e era muito irresponsável com o ordenamento relacionado aos códigos nucleares. Ele não achava que era um negócio importante e mantia os assessores militares a uma grande distância . Muitas vezes, ele não reconhecia a presença do pessoal do Serviço Secreto designado para servi-lo. *

     First Lady Rosalynn Carter and Pres. Jimmy Carter on the train from Cairo to Alexandria, 3/9/1979 (NLC-WHSP-C-09761-11)

        * Ela fazia as coisas da sua própria maneira. *

    RONALD & NANCY REAGAN

        * Um casal real, moralista, honesto, respeitoso e digno. Trataram do Serviço Secreto e todos os outros com respeito e honra e agradeciam a todos o tempo todo. Ele teve tempo de conhecer todo mundo em um nível pessoal. Uma história favorita ocorreu no início de sua Presidência, quando ele saiu de seu quarto com uma pistola em seu quadril. O agente encarregado perguntou: “Por que a pistola, Mr. President?”. Ele respondeu: “No caso de vocês, rapazes, não poderem fazer o trabalho, eu posso ajudar”. Era comum para ele carregar uma pistola. Quando ele se reunia com Gorbachev, ele tinha uma pistola em sua pasta.  *

    Ronald Reagan with Nancy Reagan

         * Ela era muito boa, mas muito protetora do Presidente e o Serviço Secreto foi, muitas vezes, envolvido. Ela se esforçava para controlar o que ele comia. Ela dizia para o agente: “Vamos lá, você tem que me ajudar.” Os Reagans bebiam vinho apenas  durante os jantares de Estado e em ocasiões especiais. De outra forma eles evitavam o álcool. O Serviço Secreto poderia contar em uma mão as vezes que eles serviam vinho durante o jantar da família. Apesar de todo o marketing falso dos Carters, os Reagans foram os que viveram a vida como pessoas genuinamente, de acordo com as convenções morais. *

    GEORGE H. & BARBARA BUSH

     * Extremamente gentil e atencioso e, também, sempre respeitoso. Tomou grande cuidado em garantir o conforto dos agentes que o atendia. Eles ainda ofereciam refeições. Uma vez, ela trouxe roupas quentes para os agentes que estavam do lado de fora em Kennebunkport. A um deles foi dado um chapéu morno e, quando ele tentou dizer “não, obrigado”, embora ele, obviamente, estivesse congelando, o presidente disse: “Filho , não discuta com a Primeira Dama… coloque o chapéu na cabeça”. Ele foi o mais rápido dos Presidentes e percorria a Casa Branca como uma máquina bem azeitada. *

         * Ela governou a casa e externou os seus pensamentos. *

    BILL & HILLARY CLINTON

        * O exercício da presidência foi uma festa gigante. Não era confiável, mas foi bom, principalmente, porque ele queria que todos gostassem dele, mas para ele a vida é apenas um grande jogo e uma festa. Todo mundo sabe sobre as suas aventuras sexuais. *

         * Ela é outra falsa. Sua personalidade muda , imediatamente, diante das câmeras. Odiava com notório desdém o serviço militar e o serviço secreto. Ela foi outra que sentia que as pessoas estavam ali para servi-la. Ela estava, sempre, tentando manter o controle sobre Bill Clinton. *

    ALBERT GORE

    http://www.globalclimatescam.com/wp-content/uploads/2012/11/al-gore.jpg

        * Uma bundão egoísta que apontava para os agentes do Serviço Secreto e alertava ao seu filho que ele precisava fazer o melhor na escola ou ele iria acabar como ‘esses caras’. *

     GEORGE W. BUSH & LAURA

        * O Serviço Secreto amava George e Laura Bush. Ele também foi o mais o presidente que mantinha a melhor forma física e tinha um rigoroso regime de treino. O casal Bush garantia que todo os funcionários encarregados da área de administração e dos serviços domésticos deveriam respeitar e serem atenciosos com os agentes do Serviço Secreto. *

        * Ela era uma das mais bonitas primeiras-damas, se não a mais bonito. Ela nunca teve qualquer palavra dura para repreender qualquer um. *

    BARACK & MICHELLE OBAMA

        * Clinton mais uma vez: odeia os militares e menospreza o Serviço Secreto. Ele é egoísta e astuto. Quando Obama olha nos seus olhos e parece concordar com você, se vira e faz o contrário. Ele tem acessos de cólera. *

         * Ela é uma completa puta que, basicamente, odeia quem não é negro, odeia os militares e olha para os agentes do Serviço Secreto como servos.”  *

    A maioria desses falsos amigos de sorriso felizes das fotografias acima, copiadas da Internet, é responsável por alguns dos mais terríveis atos de violência, que se possa imaginar, contra a humanidade.

    OS SEGREDOS DA CIA

    [video:http://youtu.be/tYBTQlr6sCo%5D

  18. Sérgio T.

    31 de dezembro de 2013 12:41 pm

    Petrobras já investiu R$ 110,8 milhões em patrocínio a projetos

    Petrobras já investiu R$ 110,8 milhões em patrocínio a projetos de preservação na Amazônia

    Companhia festeja iniciativas de proteção a 28 espécies de animais em seis anos

    Patrocinadora de 124 projetos sociais e ambientais no bioma amazônico, a Petrobras comemora o Dia Internacional da Biodiversidade – originalmente instituído pela ONU no dia 29 de dezembro – com resultados expressivos na região com a maior biodiversidade do planeta. Em seis anos, a companhia investiu R$ 1,9 bilhão em projetos ambientais e sociais em todo o país, sendo R$ 110,8 milhões em 124 iniciativas na Amazônia. No período, estas iniciativas promoveram a proteção de 28 espécies de animais nativos. Além disso, beneficiaram mais de 110 mil pessoas, em atividades de educação ambiental e geração de renda. Os projetos Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), Pacto das Águas e Encauchados Vegetais da Amazônia estão entre os destaques.

    O Projeto Aquavert, do Instituto Mamirauá, tem como objetivo a conservação e o monitoramento de espécies nativas ameaçadas de extinção, nas Reservas Mamirauá e Amanã, na região do Médio Solimões, no Amazonas, somando uma área de mais de três milhões de hectares. A iniciativa conta com patrocínio da Petrobras desde sua criação, em 2010, e seu trabalho nas áreas de proteção garantiu o nascimento de aproximadamente 42 mil filhotes de quelônios e o monitoramento de mil tartarugas-da-amazônia, espécie mais ameaçada da região. Além disto, pesquisadores marcaram e monitoraram 40 fêmeas de jacaré-açu e reabilitaram dez filhotes de peixes-boi amazônicos, sendo que três deles serão devolvidos à natureza ano que vem. Em uma expedição no Rio Purus, eles avistaram 1640 golfinhos da espécie tucuxi e 528 botos vermelhos, descobrindo que este é um dos principais pontos de concentração de golfinhos na América do Sul. Ao todo, o projeto envolveu 6 mil pessoas em atividades de educação ambiental, pesquisa e tratamento de animais.

    Já os projetos Pacto das Águas e Encauchados Vegetais da Amazônia, patrocinados pela Petrobras desde seu início, em 2007 e 2009, respectivamente, têm a floresta como foco de suas atividades, preservando, juntos, uma área de cerca de 2,3 milhões hectares. Neste ano, o Pacto das Águas conseguiu ampliar a área protegida de 800 mil hectares para 1,9 milhão de hectares, abrangendo a região amazônica localizada entre o noroeste do Mato Grosso e o sudeste de Rondônia e beneficiando uma população de 3 mil pessoas. Ele conta com a participação de povos indígenas e seringueiros que, de 2007 a 2012, realizaram o plantio de 1,2 milhão mudas de espécies  nativas, como açaí, pupunha, castanheira e cerejeira, e a produção de 90 toneladas de borracha e de cerca de 1,5 milhão de quilos de castanha do Brasil, que gerou R$ 4,8 milhões para os povos da floresta.  

    Desde 2009, o Projeto Encauchados Vegetais da Amazônia já beneficiou mais de 1.500 pessoas, em 17 municípios do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia. Povos indígenas, seringueiros, ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares que participam da iniciativa desenvolveram, em parceria com pesquisadores da Insituição Polo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais, que realiza o projeto, uma tecnologia simples e de baixo custo que utiliza o látex extraído de seringueiras nativas misturado a fibras vegetais, tais como caroço e fibra do açaí, pó de madeira e ouriço da castanha, para a produção de artesanatos, conhecidos como encauchados. Os artigos são vendidos em feiras regionais e no exterior. Com produção anual de 10 mil litros de látex de seringueiras nativas, já foram produzidos 100 mil peças artesanais desde o início do projeto.  Por meio da iniciativa, foi possível aumentar em 60% a geração de renda dos produtores e proteger uma área que hoje totaliza aproximadamente 370 mil hectares.

    Novos projetos

    A cada dois anos, a Petrobras realiza seleção pública de projetos, como forma de democratizar o acesso aos recursos e garantir a transparência do processo de patrocínio, o que incentiva o surgimento de novas iniciativas, como a da Associação Vida Verde da Amazônia, no município de Silves, a 200 quilômetros de Manaus. Selecionada pela companhia em 2012, ela capacita 133 mulheres de comunidades locais para a extração e produção sustentável de óleos vegetais e cosméticos naturais, com a meta de plantio de 3 mil mudas nativas para a reposição florestal na região.

    Em novembro de 2013, foi lançado o novo Programa Petrobras Socioambiental, que reunirá projetos sociais, ambientais e socioesportivos, com investimento de R$ 1,5 bilhão, entre 2014 e 2018.

  19. evandro condé de lima

    31 de dezembro de 2013 1:53 pm

    Caso de Polícia?

    Sei que o blog não é dado a esses temas, mas a bem da verdade é o que salta por trás da notícia. Assisti e li notícia sobre um sequestro relâmpago de uma médica que foi mantida sobre mira de revólver enquanto os sequestradores iam a Shopping e realizavam compras. Até aí nada de anormal ( aqui já uma anormalidade, considerar tais fatos normais).

    Mas o que faltou foi um ligeiro questionamento sobre a posição dos vendedores que assistem (e lucram?) a venda de bens sempre em múltiplos (relógios, por exemplo), por indivíduos que nitidamente não possuem o perfil de compradores (alguém aqui compra quatro relógios de uma só tacada?), gastando um valor acima do que seria normal, com um cartão que não é deles.

    A impressão que fica é que o importante é vender acima de tudo. 

    1. Walker

      31 de dezembro de 2013 6:41 pm

      Culpando a vítima e os

      Culpando a vítima e os vendedores, é isso?

       

  20. silvio de sousa

    31 de dezembro de 2013 3:50 pm

    O Brasil no universo da world música

    Nassif,

     

    Muito boa essa amostra. Vc vai gostar:

    http://virgula.uol.com.br/musica/pop/brasileiros-ainda-pouco-conhecidos-por-aqui-aparecem-em-ranking-de-world-music

  21. silvio de sousa

    31 de dezembro de 2013 3:50 pm

    O Brasil no universo da world música

    Nassif,

     

    Muito boa essa amostra. Vc vai gostar:

    http://virgula.uol.com.br/musica/pop/brasileiros-ainda-pouco-conhecidos-por-aqui-aparecem-em-ranking-de-world-music

  22. hugo1

    31 de dezembro de 2013 4:30 pm

    O fim do site Tázio, mídia

    O fim do site Tázio, mídia impressa e publicidade na internet. por Flávio Gomes.

    O FIM DO TAZIO

    Tazio Nuvolari: o grande piloto dos anos 30 foi a inspiração para o nome do site que hoje encerra suas atividades

    Tazio Nuvolari: o grande piloto italiano dos anos 30 foi a inspiração para o nome do site criado pelo jornalista Fábio Seixas, que hoje encerra suas atividades

    SÃO PAULO (acaba logo, 2013) – Sete anos atrás, pouco mais, pouco menos, o amigo Fábio Seixas veio ao meu escritório, na Paulista, no maior formalismo do mundo. Só faltou colocar terno e gravata. Achei aquilo esquisito porque se tem uma coisa que eu e o Seixas nunca exercitamos foi qualquer traço de relação formal. Fala logo, meu filho, o que aconteceu? “Eu e o Odinei vamos montar um site”, ele disse.

    Foi, talvez, a única vez em que o Seixas se dirigiu a mim sem me chamar de “anão”, “seu bosta” ou “seu merda”. O Fábio se achou na obrigação de me comunicar que dali a alguns meses colocaria no ar o Tazio, em sociedade com o narrador da Rádio Bandeirantes, Odinei Edson. Por quatro anos, nas temporadas de 2002 a 2005, nós três formamos o time da emissora na cobertura e transmissão das corridas de F-1. O site seria um novo negócio dele, que passaria a ser meu concorrente. Daí ele ter se sentido obrigado a me dar alguma satisfação. Que me lembre, o único comentário que eu fiz, na hora, foi: que porra de nome é esse?

    Esse tipo de coisa é muito rara, dar satisfação, ser leal, honesto e transparente. E foram estas as características do Tazio e de todos que nele trabalharam nos anos seguintes, inclusive depois de ser vendido ao empresário Caio Maia: um site feito por gente leal, honesta e transparente.

    O Tazio sempre foi um rival de peso, entre outras coisas por estar hospedado no UOL, portal concorrente do iG e do MSN — no primeiro, onde o Grande Prêmio esteve de 2000 a março de 2012; no segundo, onde está desde então. Na estrada havia muito tempo (o site Warm Up estreou modestamente em 1996, quando a gente não sabia direito o que seria a internet, mas por via das dúvidas foi entrando), o Grande Prêmio não foi propriamente afetado pela chegada do Tazio. Nossa audiência sempre foi muito sólida, formada por leitores chatos e fiéis, nossa reputação, idem, e o modelo de negócios que adotamos desde o início não se alteraria em função de qualquer espécie de concorrência. Mas a gente se aprumou, claro.

    Melhoramos, passamos a observar atentamente o que “eles” faziam, criamos algumas coisas novas e fomos em frente. Dividimos audiência e notícias nesse tempo todo e os dois sites acabaram praticamente monopolizando a informação sobre esportes a motor na internet brasileira. Sem que um tirasse leitores do outro, diga-se. Público de automobilismo é sedento por informação boa, de qualidade. Quanto mais, melhor. Ambos, Tazio e Grande Prêmio, ofereciam isso.

    Pois o Tazio não vai oferecer mais. A empresa que assumiu o site alguns anos atrás decidiu concentrar suas atividades em outras áreas e nosso concorrente sairá do ar hoje, dia 31 de dezembro como informa a equipe do site neste link.

    Não cabe aqui discutir as razões dos novos donos. Cada um sabe o que faz com seus negócios. Mas cabe, sim, lamentar e refletir sobre o fim de uma página importante, conduzida desde o início por profissionais sérios, competentes e comprometidos com o bom jornalismo. Viabilizar qualquer projeto editorial na internet, hoje, é um exercício de criatividade e sacrifício. Sei bem do que estou falando. O mercado publicitário relutou durante muito tempo em entender o que significa a rede, ainda reluta, e as mudanças na própria são muito velozes e por vezes difíceis de acompanhar.

    Aos trancos e barrancos, o Grande Prêmio sobreviveu a um período muito difícil entre 2002 e 2005, mais ou menos. Só não fechou as portas por insistência deste que vos fala, pela competência e dedicação dos que aqui trabalharam e ainda trabalham e por uma crença cega no futuro da internet. Não erramos em insistir. Não há dúvidas de que é aqui que as pessoas passaram a se informar, embora a solidez financeira de negócios independentes seja semelhante à de uma gelatina Royal. No fim das contas, quem continua ganhando dinheiro e concentrando investimentos na internet são os grandes grupos de comunicação e tecnologia, com seus portais e aplicativos. Isso não mudou muito. E o crescimento arrasador de ferramentas como o Facebook e outras redes sociais achatou os valores da publicidade, fez com que gigantes como o Google atacassem esse mercado e passassem a concentrar verbas que foram matando páginas independentes e passaram a ameaçar até os grandes portais.

    É um mundo novo e incerto, que vai deixando mortos e feridos pelo caminho. Os jornais e revistas impressos que o digam. São abatidos como moscas, muito em função da enorme oferta gratuita de informação (nem sempre boa e confiável) na internet, muito em função do mau jornalismo que passaram a praticar quando tiveram de cortar custos para enfrentar a concorrência das novas mídias.

    A verdade é que ninguém sabe direito onde isso vai parar. Com a popularização dos smartphones e tablets, então, arrisco dizer que a imensa maioria dos consumidores de informação, hoje, não se importa muito com a origem dela. Batem o olho rapidamente em manchetes e se sentem informados, sem a menor profundidade. Todo mundo virou especialista em generalidades. E esses novos dispositivos, igualmente, concorrem com quem produz informação na medida em que oferecem muito mais entretenimento do que leitura — a saber, coisas como Instagram, Whatsapp, Snapchat, YouTube, Twitter, joguinhos e sei lá mais o quê. Que ninguém se iluda achando que as pessoas hoje leem tudo nos seus celulares, que passaram a ser todos eruditos bem informados e atualizados sobre as coisas do universo. Antes, esses pequenos brinquedinhos do capeta se tornaram centrais de entretenimento, mesmo. Quando se vê alguém com fones de ouvido mergulhado numa telinha de celular dentro de um ônibus ou metrô, num restaurante ou mesmo caminhando na calçada — e todo mundo fica assim o tempo todo —, pode ter certeza: não é Saramago que está chegando ao povo, nem a versão em português do “El País”, muito menos um concerto da Filarmônica de Berlim; é alguém que está vendo um vídeo idiota do Danilo Gentili, lendo notícias sobre o vestido da Claudia Leitte, se informando sobre o próximo Big Brother, ou escrevendo “adorooooo” para uma foto de joelhos bronzeados em Caraguatatuba.

    Assim, produzir conteúdo, conquistar leitores e fazer com que o mercado publicitário aposte em páginas que têm como função primordial informar não é fácil. Talvez por isso o Tazio esteja se despedindo hoje. Claro que é legislar em causa própria, mas me parece evidente que as empresas que poderiam e deveriam investir em sites de nicho, que têm milhares de leitores fiéis e exigentes, têm sido muito contemplativas diante desse cenário. As agências que cuidam das contas desses clientes preferem o mais fácil, que é torrar fortunas em comerciais na TV ou nas páginas de uma ou outra revista ou jornal, porque é igualmente mais fácil apresentar resultados genéricos. “Olha aqui, a ‘Veja’ tem um milhão de assinantes, então seu anúncio foi visto por um milhão de pessoas”, dizem. Ou: “O ‘Jornal Nacional’ teve 20 milhões de telespectadores, então seu anúncio foi visto por 20 milhões de pessoas”.

    Foi assim por um tempo, mas quem tem noção do que é retorno concreto e da eficácia de qualquer peça publicitária, ainda mais com os recursos que a internet oferece, sabe que não é dessa maneira que as coisas funcionam no mundo real. Primeiro, que os números muitas vezes são inflados ou, simplesmente, inventados. Depois, que nada garante que os 20 milhões de telespectadores estimados de determinado programa de TV tenham visto o comercial X. Ou que o milhão inteiro de leitores (se eles existirem, claro) da revista capenga tenha prestado atenção no anúncio Y. E desse milhão, quantos se interessam realmente por um pufe ou um sofá? Qual o resultado, enfim, além de poder mostrar o anúncio publicado ou gravado num clipping para o cliente?

    Na internet, os resultados são mais precisos. Ontem, por exemplo, mais de 300 mil pessoas acessaram o Grande Prêmio para ler notícias sobre Michael Schumacher. É mais do que a tiragem diária da “Folha”. “Ah, mas a ‘Folha’ tem 300 mil leitores diários e vocês só tiveram ontem’, dirá alguém. OK. Mas quantos desses 300 mil leem diariamente o que sobrou do caderno de Esportes? E desses, quantos leem notícias de F-1? Faz sentido alguém pagar caro por um espaço na página do jornal onde se encontra o noticiário de F-1 sem saber quantas pessoas vão, efetivamente, passar os olhos por ali?

    Nossa audiência de ontem não é um número estimado, é real. Foram 300 mil almas diferentes que procuraram o site atrás de algo muito específico, pessoas que têm igualmente interesses específicos, que formam uma massa de leitores verdadeira, e não chutada. Por valores muito menores do que os praticados na chamada grande mídia, anunciantes podem atingir públicos muito mais promissores. Todos, sem exceção, gostam de carros, de corridas, consomem produtos ligados ao esporte e ao automóvel, colocam gasolina e álcool no tanque, compram pneus, têm perfil muito claro no que diz respeito à faixa etária, renda, gostos, hábitos de consumo etc.

    Não é fácil, porém, romper práticas de décadas. Cedo ou tarde, no entanto, isso vai acontecer. Porque os anunciantes vão perceber que gastar uma fortuna numa página de uma revista que ninguém mais lê (porque é ruim e irrelevante, não porque é uma revista), ou num jornal que vai embrulhar peixe (não porque é jornal, mas porque é tão ruim que só serve para isso mesmo), é rasgar dinheiro. O público migrou para fontes mais confiáveis, ágeis e completas. Na internet tem muita porcaria, claro, mas tem muita coisa boa, também. É, hoje, a mídia mais importante para 88% dos consumidores de informação no Brasil, de acordo com o levantamento “Brasil Conectado – Hábitos de Consumo de Mídia” do IAB Brasil. 38% dos 2.075 entrevistados nesse estudo passam, pelo menos, duas horas por dia navegando na internet, sem contar o tempo gasto lendo e-mails ou trocando mensagens instantâneas; 27% deles gastam o mesmo tempo vendo TV e apenas 7% lendo revistas ou jornais.

    O problema é que nem todo mundo tem fôlego, teimosia e disposição, no caso dos sites jornalísticos, para esperar o momento em que esse jogo vai virar. O Tazio resistiu quanto pôde, e cumpriu sua missão com louvor. Nós, do Grande Prêmio, não temos nada a comemorar com a extinção de nosso maior concorrente. Não vamos herdar audiência, nem verbas publicitárias. Vamos, apenas, perder mais uma referência importante na prática do bom jornalismo. Os leitores, também.

    http://flaviogomes.warmup.com.br/2013/12/o-fim-do-tazio/comment-page-1/#comment-3788135

     

  23. Jurgen2010

    31 de dezembro de 2013 5:05 pm

    Primeira turbina comercial brasileira

    Primeiro o fato: o Brasil desde agora pertence ao seleto clube dos fabricantes de turbina.

    Isto merece uma comemoração.

    Depois a notícia veiculada em revista com propaganda negativa ao governo e forças armadas (Min. Saito).

    Saiu assim na Época:

    http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2013/12/brasil-entra-para-o-clube-dos-fabricantes-de-turbinas-aereas.html

    Acredito que todos aqui gostariam de ler o lado do governo.

    Feliz Natal a todos do Blog

  24. macedo

    31 de dezembro de 2013 7:14 pm

    ‘Geração do diploma’ lota faculdades, mas decepciona empresários

    Notícia antiga de outubro, não sei se já foi postada no blog.

    =========================

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/131004_mercado_trabalho_diplomas_ru.shtml

    ‘Geração do diploma’ lota faculdades, mas decepciona empresários

    Ruth Costas Ruth Costas

    Da BBC Brasil em São Paulo, Atualizado em  9 de outubro, 2013 – 17:33 (Brasília) 20:33 GMT

     

    Número de instituições de ensino superior mais que dobrou desde 2001

    Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.

    Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.  

    “Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)”, diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

    A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de “geração do diploma” é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

    “Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria”, diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

    Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.

    “Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas”, diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. “Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto.”

    Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.

    É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.

     

     Produtividade da industria aumentou apenas 1,1% na última década, segundo a CNI

    Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.

    “Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem”, explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

    Causas

    Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a “geração do diploma”.

    A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.

    Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.

    “Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim”, diz Pastore.

    Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.

    “São mais uma extensão do ensino fundamental”, diz McCowan. “E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade.”

    Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.

    Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.

    De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos – de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. “E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda”, prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.

     

     Especialistas questionam qualidade de novas faculdades no Brasil

    Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.

    “Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos”, diz ela. “E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros.”

    Postura e experiência

    A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.

    “Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade”, diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.

    “Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor.”

    As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.

    Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.

    “Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra”, diz Cuellar.

    Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.

    “Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado”, acredita o consultor.

    ‘Tradição bacharelesca’

    Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a “geração do diploma” estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.

     De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais – como administração, direito ou pedagogia – enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.

    “O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes”, diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.

    Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: “Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing”, ele exemplifica. “Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas.”

    Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.

    “É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários”, diz o consultor.

    Rafael Lucchesi concorda. “Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).

    Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil – mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.

    “Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área”, acredita.

     

  25. CELSO ORRICO

    31 de dezembro de 2013 8:52 pm

    a que ponto chegou a Folha

    vejam a que ponto chegou a Folha de São Paulo..reparem na legenda na foto onde diz que é Vitória, quando na verdade é a cheia do Rio Doce em Colatina nem Geografia esses jornalistas sabem mais..

    Foto: Olha o que colocaram na Folha de São Paulo (legenda da foto). Tirei de Utilidade Capixaba.

  26. Francisco Andrade

    31 de dezembro de 2013 10:23 pm

    vamos começar 2014 bem ?

    Olha só,….

     

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