Enviado por jns
O BEAT ENCONTRA O BEATLE
O esqueleto da TV disse: – Comam os videoclipes!
O esqueleto da Mídia disse: – Acreditem só em mim!
O esqueleto do Telespectador Passivo disse: – Vocês querem me aborrecer?

“The Ballad of the Skeletons, o último lançamento de Allen Ginsberg, é a sua obra-prima musical e merece ser considerada uma das performances mais apaixonadas, poderosas e articuladas da história do rock.
Acompanhado por amigos conhecidos como Philip Glass, nos teclados; Lenny Kaye, no baixo; Paul McCartney, na guitarra, órgão e bateria(!); e os guitarristas David Mansfield e Marc Ribot, Ginsberg entoa as vozes de 66 esqueletos, cada um representando um cenário cultural e político da sociedade global, particularmente norte-americana.
Os esqueletos debatem-se uns contra os outros e declaram os seus próprios interesses em um espetáculo um tanto cômico (“Disse o esqueleto Valores Familiares / Meus valores familiares são maçantes”), como macabro (“Disse o esqueleto Subdesenvolvido / Dê-me arroz / Disse o esqueleto Nações Desenvolvidas / Venda seus ossos por uma ninharia”).
Em cada verso, ele atinge o coração do fenômeno em questão com a sua afiada percepção, brutal simplicidade e profunda sabedoria: “Disse o esqueleto Reino do Meio / Engolimos o Tibete / Disse o esqueleto Dalai-Lama / Indigestão é o que você vai ter”.
Ginsberg nunca apenas lê, alterna, inteligentemente, o tom de voz rica e elétrica para que se adapte ao ‘esquelet’o que invoca. A banda acompanha-o, encontrando diversas oportunidades para embaralhar as coisas e manter o ouvinte entretido ao longo dos oito minutos da música.
Mesmo na morte, Allen Ginsberg continua a ser a consciência estética e social indignada e indignante de nossos tempos lunáticos.” – Daniel Browne, Rovi
ALLEN GINSBERG
O BEAT E O BEATLE
Allen Ginsberg (03 de junho de 1926 – 5 de abril de 1997) foi um poeta americano e uma das figuras mais importantes, tanto do Geração Beat dos anos 50, como do movimento da contracultura que seria instalado a seguir.
Ginsberg – mais conhecido por seu poema épico ‘Howl’, em que ele denunciava o que percebia como forças destrutivas do capitalismo e da conformidade nos Estados Unidos – se opôs vigorosamente ao militarismo, ao materialismo econômico e a repressão sexual.
Em 1995 Ginsberg publicou o poema ‘The Ballad of the Skeletons’ nas páginas da revista ‘The Nation’ e, em outubro do mesmo ano, visitou Paul McCartney e sua família na sua casa na Inglaterra.
Ele recitou ‘The Ballad of the Skeletons’ enquanto uma das filhas de Pàul filmava o encontro.
Ginsberg disse que tinha para dar um recital, com Anne Waldman e outros poetas no Royal Albert Hall, e estava procurando um guitarrista para acompanhá-lo.
“Eu posso tentar?”, disse Paul McCartney. “Eu amo este poema.”
Ginsberg continua a história: ‘Ele apareceu às 5 da tarde para a passagem de som e comprou um box para a sua família. Com todos os seus filhos juntos, quatro deles, e a sua esposa, ele sentou-se e, por toda a noite de poesia, nós não dissemos quem seria o meu acompanhante para a Balada do Esqueleto. Nós o apresentamos somente no final da noite, e, em seguida, o rugido do público ecoou dos andares superiores do Albert Hall e nocauteou a minha canção'”.
Este vídeo documenta o encontro entre Allen e Paul no Royal Albert Hall em 16 de outubro de 1995.
jns
25 de abril de 2014 4:10 pmAMERICA
[ Allen Ginsberg Uivo e Outros Poemas ]
América dois dólares e vinte e sete centavos 17 de janeiro de 1956.
América não aguento mais minha própria mente.
América quando acabaremos com a guerra humana? Vá se foder com sua bomba atômica.
Não estou legal não me encha o saco.
[ … ]
[ … ]
América eu te dei tudo e agora não sou nada.
É bom eu verificar meus recursos nacionais.
Meus recursos nacionais consistem em dois cigarros de maconha milhões de genitais uma literatura pessoal impublicável a 2000 quilômetros por hora e vinte e cinco mil hospícios.
Nem falo das minhas prisões ou dos milhões de desprivilegiados que vivem nos meus vasos de flores à luz de quinhentos sóis.
Aboli os prostíbulos da França, Tânger é o próximo lugar.
Ambiciono a Presidência apesar de ser católico.
América como poderei escrever uma litania neste seu estado de bobeira?
Continuarei como Henry Ford meus versos são tão individuais como seus carros mais ainda todos têm sexos diferentes.
América eu lhe venderei meus versos a 2.500 dólares cada com 500 de abatimento pela sua estrofe usada.
América liberte Tom Mooney.
América salve os legalistas espanhóis.
América Sacco & Vanzetti não podem morrer.
América eu sou os garotos de Scottsboro.
América quando eu tinha sete anos minha mãe me levou a uma reunião da célula do Partido Comunista eles nos vendiam grão de bico um bocado por um bilhete um bilhete por um tostão e todos podiam falar todos eram angelicais e sentimentais para com os trabalhadores era tudo tão sincero você não imagina que coisa boa era o Partido em 1935 Scott Nearing era um velho formidável gente boa de verdade Mãe Bloor me fazia chorar certa vez vi Israel Amster cara a cara.
Todo mundo devia ser espião.
América a verdade é que você não quer ir à guerra.
América são eles os Russos malvados.
Os Russos os Russos e esses Chineses.
E esses Russos.
A Rússia nos quer comer vivos.
O poder da Rússia é louco.
Ela quer tirar nossos carros das nossas garagens.
Ela quer pegar Chicago.
Ela precisa de um Reader’s Digest vermelho.
Ela quer botar nossas fábricas de automóveis na Sibéria.
A grande burocracia dela mandando em nossos postos de gasolina.
Isso é ruim.
Ufa.
Ela vai fazê os ìndio aprendê vermelho. Ela quer pretos bem grandes.
Ela quer nos fazê trabalhá dezesseis horas por dia. Socorro!
América tudo isso é muito sério.
América essa é a impressão que tenho quando assisto televisão. América será que isso está certo? É melhor eu pôr as mãos à obra.
É verdade que não quero me alistar no Exército ou girar tornos em fábricas de peças de precisão. De qualquer forma sou míope e psicopata.
América eu estou encostando meu delicado ombro à roda.
[video:http://youtu.be/9v-ANXLaViw%5D
[Tradução e notas: Claudio Willer, em “Uivo e outros poemas”, L&PM, 2006]
Créditos:
Tudo Vira Hipotese Blog.
A foto do jovem Ginsberg foi publicada pelo
http://www.timesofisrael.com/beat-memories-zooms-in-on-allen-ginsberg-as-photographer/