Grupo paramilitar de direita tinha plano de matar Jango em 1964

O autodenominado “Novos Inconfidentes” planejava o ataque dia 21 de abril, data de Tiradentes, quando Jango realizaria em Belo Horizonte o Comício das Reformas

Jornal GGN – A professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Heloísa Starling descobriu a existência de um grupo paramilitar de direita nos anos 1960, em Minas, que montou um plano para matar o então presidente João Goulart (Jango). A ação não foi a cabo porque o golpe militar aconteceu antes.

Segundo matéria da Folha de S.Paulo, a pesquisadora explica que a proposta era atacar Jango no dia 21 de abril, quando faria seu Comício de Reformas em Belo Horizonte. A data para o evento foi escolhida propositalmente pelo presidente por se tratar do dia de Tiradentes, herói da Inconfidência.

A série de discursos para defender as reformas de base do seu governo, entre elas a reforma agrária, era uma proposta de Jango para aumentar o apoio da população, fazendo frente à resistência de setores conservadores do Congresso e da sociedade. O primeiro Comício aconteceu na Central do Brasil, Rio de Janeiro, e reuniu 150 mil pessoas.

O grupo paramilitar que planejava o ataque contra Jango era chamado de “Novos Inconfidentes”. Eles eram um braço do centro ideológico do Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), do poder empresarial mineiro.

Os paramilitares trabalhavam com três planos para assassinar Goulart. No primeiro, um avião faria voo rasante por cima do palco e largaria dinamites sobre o presidente. No segundo plano, integrantes do grupo jogariam bombinhas para dispersar o público, em seguida, outros armados abririam caminho usando metralhadoras até chegar no palco e concluiriam com disparando sobre o presidente.

O terceiro plano era usar atiradores posicionados em cima de ônibus e caminhões que seriam estacionados ao redor da praça onde aconteceria o comício. Um dos atiradores seria o coronel José Oswaldo Campos do Amaral, campeão mineiro de tiro.

Quem relatou toda a estratégia à Starling foi o general José Lopes Bragança, que coordenaria toda a ação. Mas o golpe precipitado pelo general Olympio Mourão, em 31 de março de 1964, tornou desnecessário o plano.

A história foi contada pela pesquisadora no livro “Os Senhores das Gerais – Os Novos Inconfidentes e o Golpe de 1964” (Ed. Vozes, 1986).

“A ideia dessa conspiração era recuar para Minas Gerais, se [o governo] reagisse, e declarar o estado em estado de rebelião. Os Estados Unidos reconheceriam isso e daqui eles organizariam a resistência até o governo cair. A operação Brother Sam ia desembarcar armas [vindas dos EUA] no Espírito Santo, e a polícia militar mineira montaria um corredor para que elas pudessem chegar”, conta Starling.

Para ler a reportagem da Folha na íntegra, clique aqui.

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