5 de junho de 2026

Hjalmar Schacht, mago da economia e pai do Plano Real, por Motta Araújo

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O DR.SCHACHT, MAGO DA ECONOMIA, PAI DO PLANO REAL – O Dr. Hjalmar Schacht estudou medicina, filologia e ciências políticas, foi um dos maiores economistas do Século XX. Comissário da Moeda na República de Weimar em 1923, acabou com a hiperinflação alemã em 6 meses, com um plano (Plano Helferich) em que havia quatro elementos, exatamente os mesmos que formaram o Plano Real, que foi literalmente copiado do plano alemão. A tese de mestrado do economista Gustavo Franco foi o plano alemão de 1923, que ele aplicou quando foi um dos economistas formuladores do Plano Real e depois principal operador do Plano quando presidiu o Banco Central.

Hjalmar Schacht nasceu em 1877, em 1903 liga-se ao Dresdner Bank, na Grande Guerra de 1914 foi Comissário da Moeda na Bélgica ocupada pelo Império Alemão, fez negócios escusos com moeda para beneficiar o Dresdner Bank, demitido pelo Governador alemão da Bélgica com escândalo, não impediu Schacht de ser o poderoso Comissário da Moeda de toda a Alemanha em 1923,  criou o Reichsmark, em 1930 assume a presidência do banco central alemão, o Reichsbank, em 1934 assume o Ministério da Economia do Terceiro Reich nomeado por Adolf Hitler.

Na chefia da economia nazista cria dois instrumentos financeiros que permitiram o rearmamento alemão, os MARCOS DE COMPENSAÇÃO, moeda gráfica que permitia à Alemanha, que não tinha reservas em libras ou dólares, comprar em outros países creditando numa moeda que só poderia ser gasta na Alemanha. O maior parceiro desse mecanismo foi o Brasil, de 1935 a 1938. O segundo instrumento foram os MEFO BONDS, bônus com que eram pagos os fabricantes de armamentos, invés de moeda corrente e que por sua vez se tornaram meio de pagamento disfarçado.

Schacht apoiava Hitler mas não entrou no Partido Nazista. Brigou com Hitler em 1943 por causa do poder do Marechal Goering sobre a economia na qualidade de Comissário do Plano Quadrienal. Goering era muito mais poderoso do que Schacht , que não podia enfrentar o gordo segundo homem do Reich depois de Hitler.

Acusado no Tribunal Internacional de Nuremberg  pelo seu papel no rearmamento alemão, é absolvido.

Volta à vida civil como consultor e banqueiro, presta serviços à Indonésia e à Siria, paises recém descolonizados.

Recupera seu prestígio e fortuna e morre em 1970 aos 93 anos. Schacht tinha relacionamento com banqueiros de todo o mundo, J.P.Morgan foi um dos seus amigos antes da Primeira Guerra, tinha muitas ligações em Londres e Nova York, onde morou na infância e juventude.

Schacht era um economista ortodoxo da linha britânica mas também era capaz de ser heterodoxo ao extremo com suas gambiarras financeiras para financiar o rearmamento alemão, sabe operar com o monetarismo ou com o desenvolvimentismo, dependendo das circunstâncias. Grande responsável pela Segunda Guerra soube escapar da forca com elegância, valeu-lhe o ingles perfeito e as ligações nos EUA.

Considero Schacht o maior economista OPERACIONAL do Seculo XX, exatamente porque sabia operar conforme as circunstancias dentro de um modelo ou de outro. Foi o pai intelectual da ideia de criar um banco de compesnação internacional para reciclar os pagamentos das reparações alemãs do Tratado de Versalhes, com o objetivo de fazer voltar para a Alemanha parte do dinheiro das reparaçõe. Nasceu aí o Banco de Compensações Internacionais, conhecido como Banco da Basiléia, hoje considerado o Banco Central dos Bancos Centrais.

É evidente que Lord Keynes é hors concours, um personagem à parte de todos, nem pode entrar em competição.

Parece que Joaquim Levy é também um mix de ortodoxo com heterodoxo, tomara, as circunstâncias atuais da economia brasileira exigem um operador desse perfil no Ministério da Fazenda.

Apesar de sua adesão ao nazismo Schacht demonstrou uma flexibilidade intelectual e operacional rara em um economista, geralmente adeptos de escolas e cartilhas rígidas. Na história econômica brasileira existe um Schacht, alguem que tem exatamente esse caráter FLEX, chama-se Delfim Neto. Mas agora é a vez do Levy, veremos.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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26 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    13 de janeiro de 2015 1:12 pm

    Grande lembrança

    de um operador econômico imensamente polemico e terrivelmente eficiente.

    Ele foi o grande pensador de um sistema que transformou muito rapidamente a Alemanha de uma pais falido em uma máquina de guerra terrivelmente eficiente.

    1. FJP

      13 de janeiro de 2015 3:19 pm

      Com todo respeito…

      …permita-me uma observação acerca de seu comentário.

      Penso que a crise que a Alemanha viveu no período entre guerras, teria sido solucionada pelas as idéias do Dr Hjalmar Schacht  sem que necessariamente Hitler tivesse criado a máquina de guerra (aí sim!) terrivelmente eficiente.

      Acho que se a Alemanha, sob a condução de uma liderança pacifista – e não com um führer maluco e psicopata – tivesse optado por recuparar a sua industria com outro segmento que não o bélico, o teria conseguido da mesma forma. Talvez osjuízes de Nuremberg tenham visto dessa forma.

      Ou não?

      1. rdmaestri

        13 de janeiro de 2015 5:06 pm

        Provavelmente a guerra não seria em 39.

        Fazendo uma coisa que historiadores não gostam, especular sobre como seria se…., caso a Alemanha se recuperasse dentro de um sistema democrático a guerra de 1939 seria adiada para 1942, pois a indústria alemã começaria a incomodar a indústria de outros países desenvolvidos na época e haveria um embargo como foi feito com o Japão. Talvez o Pacto Molotov-Ribbentrop fosse feito com outro nome porém com o não rompimento pelo lado alemão.

        Poderíamos até supor que uma Alemanha democrática ganharia uma guerra entre ela e a França e Inglaterra, não dando tempo para a entrada dos USA na guerra…..

        Ou seja, a hipótese é simplesmente fascinante, pois os desdobramentos seriam inusitado.

        1. Daytona

          13 de janeiro de 2015 5:17 pm

          1) A recuperação alemã não se

          1) A recuperação alemã não se deu pelos fatos narrados no artigo fantasioso do Motta, mas pela intervenção dos EUA, que reestruturaram a dívida alemã; emprestaram dinheiro; reorganizaram as instituições monetárias da Alemanha; estabeleceram um novo cronograma de pagamento das dívidas. Esse foi o Plano Dawes, que receberia o prêmio Nobel da Paz por sua participação na estabilização econômica da Alemanah e, assim, da política europeia.

          Essa estabilização econômica propiricou um período de paz e prosperidade na Europa, conformado pelos Acordos de Locarno, que normalizaram as relações internacionais no período.

          Keynes tinha razão em alertar dos efeitos perniciosos que as indenizações impostas à Alemanha trariam para a paz internaiconal, tiovesse sido ouvido, talvez não teriam sido criadas as condições para a ascenção do nazismo. Há, no entanto, um grande porém para todas essas especulações: a Grande Depressão.

           

      2. Rubens

        1 de julho de 2019 5:46 pm

        Olá, em parte estou de acordo com o seu comentário. Mas me permita lhe sugerir um ótimo livro que trata da segunda guerra. O autor é Patrick Buchanan, ex candidato à presidência dos Estados Unidos. O título é: “Churchill, Hitler e a guerra desnecessária”. Esse livro, mostra que alguns heróis não foram tão heróis. Depois se você quiser, há também uma ótima leitura sobre um dos personagens da segunda guerra: “As piores decisões da história” de Stephan Weir. Aprecie. São livros fantásticos.

  2. Andre Araujo

    13 de janeiro de 2015 1:27 pm

    http://austria-forum.org/atta

    http://austria-forum.org/attach/Bilder_und_Videos/Historische_Bilder_IMAGNO/Hofbauer,_Clemens_Maria/00624290/scaled-308×215-00624290wm.jpg

    ISRAEL NUNCA SE CONFORMOU com a absolvição de Schacht em Nuremberg. Em 1960, voltando da Indonesia, o avião em que estava Schacht e a esposa fez uma parada técnica não prevista em Tel Aviv. No bar do aeroporto um garçon o reconheceu e ligou para uma autoridade  na capital avisando, quando chegou a policia para ver se era mesmo Schacht o avião tinha partido, Se fosse preso em Israel Schacht porvavelmente seria julgado e sentenciado.

  3. José Almeida de Souza Jr.

    13 de janeiro de 2015 1:28 pm

    A magia do $

    Para quem quiser ler mais sobre a “mágica” do dinheiro: http://www.autentopia.se/blogg/wp-content/uploads/2013/09/schacht_the_magic_of_money.pdf

  4. Hell Back

    13 de janeiro de 2015 1:31 pm

    Hjalmar Schacht

    Será que ele é considerado um economista da Escola Austríaca ou não?

  5. Hans Bintje

    13 de janeiro de 2015 1:43 pm

    Verbete da Wikipedia

    Muito bem escrito e honesto com o personagem, esse texto do André Araujo merecia se transformar num verbete da wikipedia brasileira.

  6. Alexandre Weber - Santos -SP

    13 de janeiro de 2015 1:44 pm

    Não tem preço ver o André se rendendo à mágica na economia hehe.

    É André, o mundo é cinza, com vários tons.

    O Schacht é extremamente eficiente e pragmático, mas o pessoal do DR adorava o dr. 

    Kurt Richebacher

    , que quotavam com a frase do Greenspan que se referia a ele como o economista a ser batido.

    A Tribute: Dr. Kurt Richebacher

    By: Wilfred Hahn | Wed, Aug 29, 2007More Sharing ServicesShare  Print  Email 

    It doesn’t seem just: The patriarch of the current “anti-bubble” camp,” Dr. Kurt Richebächer, has died at age 88. He did not live to see his long-running warnings come to be vindicated. Just as he fell ill, events began to cascade into the vicious credit crash that erupted this past August.

    Kurt Richebächer was well known around the world as an authoritative financial economist and author subscribing to the Austrian School. He had an illustrious career; his public profile spanning six decades, leaving few contemporaries. After earning his Doctorate in Economics from the University of Berlin, he quickly established himself as one of the most influential voices on economic policy in West Germany while a financial journalist. He was appointed a Director of the Dresdner Bank in 1964, serving as its “lightning rod” Chief Economist.

    His outspoken and incisive “no holds barred” approach often raised the hackles of government leaders. At one point, then Chancellor Helmut Schmidt reputedly asked the head of Dresdner Bank, Jürgen Ponto, to quell Kurt’s incendiary criticism of his government. Ponto then set up Richebächer with his own independent newsletter as Kurt’s analysis and insights were widely respected.

    Dr. Richebächer was quoted around the world, frequently contributing guest articles in prominent publications. His commentary was so influential — and provocative at times — central bankers on both sides of the Atlantic paid attention to him. At his retirement party from Dresdner Bank in 1982, no less than Otto Pohl (then head of the West German Bundesbank), Paul Volcker of the US Fed and other well-known economic luminaries attended. Speaking at this occasion, Volcker said, “Sometimes I think it’s the job of each Fed chairman to try to prove Richebächer wrong.”

    Kurt was one of the first broadly-known of the new breed of international financial economist. It was on his first transatlantic trip visiting the Fed in 1964, that an economist received him by the name of Paul Volcker. They became good acquaintances and kept in touch well into their later years.

    Thankfully for another generation of investors, Kurt did not take down his shingle after he retired. He carried on his weighty newsletter, Currencies & Credit Markets, producing it faithfully for another 25 years. It continued to enjoy a solid distribution around the globe in various forms, most recently under the name The Richebächer Letter. Readers may sometimes have sensed an authoritative and prophetic aura in his writing … as rumbling admonitions rolling down the slopes of Mount Sinai. The Doctor produced his last letter in February of this year.

    It is a sure observation that many analysts around the world secretly relied upon Kurt for his cogent analysis and the sharply articulated causality supporting his views. He was the man that could validate theoretically what for many were just “gut feelings.” At heart, Richebächer was an economic theorist, capable of producing a clarity of logic that could be devastatingly crushing to his opponents. He was widely read, his prodigious library including many original editions of the classic economic authors.

    Certainly no market timer and not at all disposed to the frenzied short-term trading fraternity and its cheerleading cadre of Wall Street economists, in latter years he was seen more as a bane to the broader financial community. Yet, due to Kurt’s brilliant and insightful analysis, there are today thousands of investors around the world who have been alerted to the unsustainable foundations to present-day monetary and financial follies.

    Urbane and warmly affable in private, it sometimes seemed that his existence was lived entirely inside economic theorems and monetary mechanisms. His idea of prompting dinner conversation on occasion was to ask the question, “What do you think of the economy?” My wife, a photographer and homemaker for many years, faced that question numerous times. He was always ready for a debate, and seemingly never doubtful about the correctness of his opinions.

    Kurt was a family friend. I came to know him and his wife Anne-Marie some two decades ago through a business partner, Albert Schwenzer. We had thought it would be a capital idea to have Kurt as an official advisor to our global investment firm. Albert, having been familiar with Kurt’s work, called him up cold. We struck a deal. Kurt would be an official advisor. In return, I would edit and translate his newsletter for the English-speaking market.

    At first, his newsletter would arrive across the fax in bits, some of it in German. Prior to that time, the English-version of the letter had been translated from German. Already verging on 70 and also fluent in French and English, it wasn’t long before his English writing gained great vigor. I continued to help on Kurt’s letter as associate editor for some 6 years alongside responsibilities as chief and CIO of Canada’s largest global investment group. Eventually, I could no longer spare the time and Kurt soldiered on. In the meantime, I had gained a most invaluable education for which I will remain grateful.

    Over the years we remained friends, visiting in Frankfurt, Cannes and Toronto. After his wife Anne-Marie passed away in 1994, he stayed with us more frequently, even braving cold Canadian winters for New Years’ companionship. We’d take long drives and talk about economics and markets. (What else was there to talk about?) I might at best get a few points in with him from time to time. With his irrepressible intellect, he could bowl anyone over with his torrential logic. Sometimes, even if you disagreed on a point, interjecting with ever louder counterarguments, you’d simply have to step down. That was Kurt … yet a truly lovable character.

    In recent years, Dr. Richebächer became ever more despondent about the runaway financial inflation he was seeing in America … and nascently, also around the globe. He was sometimes apoplectic, disbelieving that such recklessness were possible. He’d often mention how few financial economists were left on Wall Street and its sister centers around the globe who knew anything about theory and causality. Without such understanding, he regarded the quantitatively-driven research of Wall Street as so much voodoo.

    He found less and less contacts in financial circles that he could dialogue with. On one phone call a few years ago, he said something to me that I will no doubt continue to cherish, though surely undeservedly: “You are the last one in North America that I can talk to.” But now this thudding thought: What great eminence now remains for us to talk with?

    The Doctor — a bright beacon, an anchor of sensibility, a purist in theory — is gone. He now leaves us “shadow Austrian economists” to make our own way. One wonders if there are any that could assume his mantle. Most contenders seem too enslaved to the readership survey or the sensationalist media sound bite.

    No, Kurt Richebächer was an original. There can be no copies.

    Thankfully, many of Kurt’s newsletters are text book material. I have kept them all … every one of the past few decades. In the future, should financial conditions become even more raucous and banal, I will be reading them. They will be sure to help guide a proper, theoretical foundation from which to decipher current economic developments.

    Hopefully, the Good Lord will have some new work worthy to occupy Kurt’s talents in the beyond. There may be no more financial malfeasance to contend with, nor monetary corruption born of fractional reserve banking systems. But perhaps he will be busily studying the workings of an eternal economy, having finally found the perfect Austrian School system.

    Kurt leaves behind two sons — Thomas in Colorado, USA and Axel in Königstein, Germany — one daughter, Sabine in Zurich, Switzerland, and five grandchildren.

     

    1. Andre Araujo

      13 de janeiro de 2015 3:13 pm

      http://searchworks.stanford.e

      http://searchworks.stanford.edu/view/6302137

      Não entendi. Se rendendo à magica do que? No meu livro já antigo de 20 anos, MOEDA E PROSPERIDADE, conto a historia do Dr.Schacht com muito mais detalhes, para mim não é novidade há 50 anos.

  7. Laboratorista Politico-Econômico

    13 de janeiro de 2015 2:05 pm

    Pronto, mais um exame de paternidade que deu negativo para FHC

    Mas seu DNA continua confirmando a prevalência de todos os genes da farsa e da trairagem.

     

    PS: O Plano Cruzado, outro “pai” do Plano Real, também teve suas origens no plano alemão. Encomendado por Tancredo à boa parte da mesma equipe do Real, tem como uma das causas de seu insucesso continuado o fato da então oposição do PIG e sua zelite ( ou versa-vice) carimbada no paraquedista Jose Sarney, que sequer sabia surfar.

  8. antonio francisco

    13 de janeiro de 2015 3:03 pm

    Hjalmar Schacht com Hitler

    http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bundesarchiv_Bild_183-R98364,_Hjalmar_Schacht,_Adolf_Hitler.jpg

    File:Bundesarchiv Bild 183-R98364, Hjalmar Schacht, Adolf Hitler.jpg

  9. Roberto Monteiro

    13 de janeiro de 2015 3:29 pm

    Ué!

    FHC perdeu a paternidade desse também? Tem gente que juro que o príncipe da privataria é o progenitor do Plano Real.

  10. Carioca

    13 de janeiro de 2015 4:07 pm

    Caracs! não somos originais

    Caracs! não somos originais em nada. Quer dizer que o Plano Verão é plágio?

    1. adolpho

      13 de janeiro de 2015 5:14 pm

      A originalidade está em que –

      A originalidade está em que – embora já feito e testado na Alemanha – os pobres tupiniquis ainda não o tinham feito. Foi preciso alguém para formar uma equipe de excelência aqui que topasse o desafio. Né, não?

  11. Daytona

    13 de janeiro de 2015 5:12 pm

    A comparação entre o Plano

    A comparação entre o Plano Real e o plano de estabilização da hiperinflação alemã é completamente descabido e denota o grande nível de ignorância do sr. Araújo dos pressupostos teóricos de ambos os planos e da história econômica brasileira.

    HISTÓRIA – PLANO DAWES

    A principal causa da hiperinflação alemã foi a saída expressiva de recursos para pagar as indenizações de guerra, o que inviabilizaram totalmente a economia alemã, conforme previu Keynes em seu livro “As consequências econômicas da paz”. A Alemanha declarou moratória em 1923, causando a invasão franco-belga da região industrial do Ruhr. Percebendo a grande instabilidade no cenário europeu causada pela política de compensações defendida, principalmente, pela França, um novo esquema de pagamentos foi elaborado, sob a liderança dos EUA e da Inglaterra.

    Esse foi o PLANO DAWES, que reestruturou a dívida externa alemã, organizou um novo cronograma de pagamentos(menos extorsivo que o anterior), reorganizou o Banco Central alemão sob supervisão americana, e, ainda, concedeu um empréstimo americano para ajudar na estabilização alemã. Foi isso que garantiu a estabilização da economia alemã, e não as fantasias citadas no artigo do Motta Araújo.

    Por sua participação na estabilização da economia alemã e, por conseguinte, da política europeia(vide o “Espírito de Locarno”, uma série de entendimentos que marcaria parte da década de 20 e traria grande clima de otimismo para os pacifistas europeus)Dawes receberia o prêmio Nobel da Paz.

    TEORIA – ECONOMIA BRASILEIRA

    Os pressupostos teóricos do Plano Real não possuem qualquer paralelo com os planos de estabilização da Alemanha. O Plano real se baseia na teoria da inflação inercial, desenvolvida ao longo da década de 80 principalmente por Pérsio Arida/André Lara Resende e por economistas de SP, como o Bresser. O embasamento teórico é o papel das expectativas na formação de preços, cujo marco teórico principal foi a reformulação da Curva de Phillips realizada por Milton Friedman e Edmund Phelps nos anos 60(ambos seriam agraciados com o Nobel por isso).

    Vide que, enquanto ministro de Geisel, Mário Henrique Simonsen iniciou os debates sobre a inflação brasileira que se prolongariam pela década de 80 e resultariam no Plano Real. Note-se que as manifestações de Simonsen tiveram início justamente por sua oposição às medidas ortodoxas recomendadas pelo FMI, que se baseavam justamente na experiência alemã. Simonsen argumentava que os custos de um ajuste ortodoxo seriam altos demais e os resultados insatisfatórios. O plano ortodoxo implementado por Dornelles em inícios dos anos 80 comprovariam a visão de Simonsen.

    Sobre o rentenmark e o papel de Gustavo Franco, isso se deu na fase seguinte do Plano Real, com a saída de Pérsio Arida do comendo do Banco Central, quando a economia já estava estabilizada. As ideias de Franco beiram o ridículo, levaram o Brasil à bancarrota 3 vezes, e visava apenas dar um embasamento teórico à manutenção do câmbio sobrevalorizado para usos políticos(o tal Populismo Cambial)visando garantir a reeleição de FHC.

    Tanto que, logo após a reeleição, o Real foi desvalorizado e Gustavo Franco foi demitido.

     

    1. Flavio Martinho

      13 de janeiro de 2015 6:37 pm

      E hoje é professor…

      E hoje é professor… Professor de Economia e ainda tem a coragem de dar seus pitacos.

    2. Andre Araujo

      13 de janeiro de 2015 9:43 pm

      http://www.econ.puc-rio.br/gf

      http://www.econ.puc-rio.br/gfranco/rtm.pdf

      Relação entre a hiperinfalção alemã e o Plano Real.

      1. Daytona

        14 de janeiro de 2015 12:28 am

        Texto do Gustavo Franco,

        Texto do Gustavo Franco, responsável por vender aos incautos(analfabetos em economia) as baboseiras do rentenmark para justificar o Populismo Cambial que garantiria a reeleição de FHC.

        Com a reeleição, fim da sobrevalorização do Real, Franco demitido e a inflação ainda sob controle.

    3. Andre Araujo

      13 de janeiro de 2015 9:51 pm

      O Plano Dawes veio de fora da

      O Plano Dawes veio de fora da Alemanha, jamais a hiperinflação seria sozinha resolvida só com um plano do exterior,

      era fundamental o OPERADOR interno para reorganizar a economia, esse era o Comissário da Moeda do Reich.

      Seria como dizer que o Plano Real foi criado pelo FMI e que ninguem dentro do Brasil precisou fazer nada, o Plano Real andou sozinho, só com os recursos do FMI.

      Biografia de Schacht de 1997

      HITLER´S BANKER

      John Weitz

      Editora Littke Brown and Comapny

      361 paginas

      1. Daytona

        14 de janeiro de 2015 12:46 am

        O que o senhor sabe sobre as

        O que o senhor sabe sobre as teorias de inflação?

        Absolutamente NADA.

        Quais eram as causas da inflação alemã?

        A inflação alemã era inercial, como o senhor disse em seu artigo?(rsrsrsrsrsr)

        O senhor sabe a diferneça entre o Plano real e o Plano Cruzado, ambos baseados na teoria da inflação inercial?

        Claro que não sabe, foi apenas uma questão retórica. O senhor nem imagina que ambos os planos foram elaborados pelas mesmas pessoas.

        Por que o Cruzado utilizou a âncora nominal, enquanto o Real utilizou a âncora cambial?

        O senhor nem sabe o significado desses termos.

        Durante o Plano Cruzado, seus formuladores sabiam que uma âncora cambial seria inviável, e por quê?

        Porque o crédito externo estava fechado para o Brasil, por isso!

        E o país ainda não tinha acumuladop reservas suficientes para manter a âncora cambial.

        A base do Plano Real era a âncora cambial e a desindexação via a URV(a tese inercial). A âncora cambial garantia um referente(o dólar)e permitia o controle inflacionário via importados.

        Tudo isso dependia de fatores EXTERNOS: o ajuste na balança comercial, realizado pelo Delfim Netto durnate o governo Figueiredo; a abertura da economia, inciada no governo Sarney e aprofundada no governo Collor; o nível de reservas e a reabertura do crédito externo, propiciado pelo fim da crise da dívida, equacionada pelo Plano Brady.

        Todos fatores externos, sem os quais não tinha Plano Real.

        Há também o fim do ciclo inflacionário global iniciado na década de 60, com o fim do sistema Bretton Woods I.

        Por que o senhor não faz o seguinte, pergunte para o Gustavo Franco se foi ele com suas ideias ridículas do rentenmark que acabaram com a inflação nos EUA. Abaixo, gráfico com a inflação dos EUA, que “coincidentemente” foi reduzida no início dos anos 90(segundo Motta Araújo, graças as maravilhosas ideias do G. Franco!)

         

        Não só nos EUA, diversos países experimentaram o fim do processo inflacionário no início dos anos 90. Segundo Motta Araújo, graças ao brilhantismo do G. Franco, segundo pessoas que leram ao menos um livro de economia na vida, devido ao fim do ciclo inflacionário gerado pelo fim do Sistema Bretton Woods I, decorrente do abandono do padrão ouro-dólar e a flutuação das moedas globais.

        Se eu fosse o senhor, ESTUDARIA antes de escrever esses artigos.Pelo menos já não está apenas plagiando da wikipedia, apoesar de G. Franco ser uma péssima referência.

        1. Andre Araujo

          14 de janeiro de 2015 6:35 pm

          NINGUEM ESTA DISCUTINDO

          NINGUEM ESTA DISCUTINDO teorias de inflação, o post não é sobre isso, o que se narra é a trajetoria do personagem historico Hjalmar Schacht que o senhor desqualifica como de importancia zero, levaram-no para o Tribunal Internacional de Nuremberg porque foi confundido com o copeiro do Fuhrer.

          1. Daytona

            15 de janeiro de 2015 12:43 am

            Como ninguém está discutindo

            Como ninguém está discutindo teorias de inflação?

            O senhor escreve uma bobagem sem tamanho, dizendo que o Plano Real se inspira no plano de estabilização alemão(completamente errado, foi exatamente o oposto. A discussão teórica acerca da inflação brasileira iniciada no governo militar teve início justamente com o Simonsen se opondo às medidas propostas pelo FMI, essas sim baseadas na experiência alemã).

            Vê como o snehor não faz a mínima ideia do que está falando?

          2. Daytona

            15 de janeiro de 2015 12:44 am

            Desde quando ser julgado pelo

            Desde quando ser julgado pelo Tribunal de Nuremberg qualifica alguém com o grande economista?

            hahahahahahahaha

  12. Mauro D. C.

    17 de janeiro de 2015 2:55 pm

    Plano Real

    Se Delfim é o que mai se aproxima ao alemão, nós tamos fu. Lembra do Milare Basileiro?

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